sábado, 17 de setembro de 2011

Porto Alegre ganha primeiro Plano Diretor de Acessibilidade do País

Após dois anos de debates, projeto de lei foi sancionado ontem pelo prefeito José Fortunati.

Deivison Ávila

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca 24,6 milhões de pessoas se declararam portadoras de alguma deficiência – percentual que representa 14,5% da população total do País.

Aproximadamente 19,8 milhões se encontravam na zona urbana e 4,8 milhões no campo, de acordo com dados do Censo de 2000. Com o passar dos anos, algumas cidades se adequaram à acessibilidade, e outras estão em fase de reformulação da estrutura física e formatação de políticas para facilitar a vida dessas pessoas.

O prefeito José Fortunati sancionou ontem projeto aprovado por unanimidade na Câmara Municipal, criando o Plano Diretor de Acessibilidade. Foram dois anos de debates com entidades civis envolvidas com a causa, mais o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Estado (Crea-RS) e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pucrs, que elaborou um diagnóstico dos espaços físicos e públicos de uso coletivo na Capital. O ato de sanção da lei integrou a 14ª Semana Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, aberta no domingo.

A partir da sanção do Plano Diretor de Acessibilidade, Porto Alegre se torna a primeira cidade do País a contar com tal planejamento. Entre os principais itens que integram o programa está o direito de ir e vir para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, a promoção da transversalidade das informações sobre acessibilidade na cidade, a identificação das necessidades de adequações das áreas nos novos projetos e as intervenções de médio e longo prazo.

Fortunati lembrou que as cidades, de uma forma geral, não estão preparadas para atender às pessoas que não se enquadram no padrão definido pelo mercado, como obesos, anões, portadores de deficiência motora, entre outros. “Falta preparo para atender às diversidades humanas, e cabe ao Executivo desenvolver planos que auxiliem as pessoas portadoras de alguma deficiência”, explica o prefeito. Ele destacou que a cidade já indica alguns pontos facilitadores para o acesso em Porto Alegre, como a obrigatoriedade dos novos ônibus em contar com o sistema para cadeirantes. “Temos muito o que evoluir, mas algumas ações já são perceptíveis pela comunidade”, lembra.

O presidente do Conselho dos Deficientes de Porto Alegre (Condepa), Dilceu Flores Júnior, salienta a importância do Plano Diretor e os avanços que os deficientes vêm conquistando com o passar dos anos. “O nosso sonho é viver em uma cidade 100% acessível, onde possamos contar com intérpretes de libra, informações em braile, calçadas sem desníveis, rampas de acesso para cadeirantes e tudo mais que envolva o contexto da acessibilidade”, projeta o presidente do Condepa.

A Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social (Seacis), outro passo importante para o desenvolvimento da acessibilidade na Capital, auxilia na elaboração de políticas públicas para facilitar a vida dessas pessoas, que, de acordo com o titular da pasta, Paulo Brum, chegam a 200 mil em Porto Alegre. “A participação de diversas secretarias na construção e na aprovação do Plano Diretor de Acessibilidade mostra a preocupação de todos do Executivo e do Legislativo com a causa. A partir de agora é aguardar o prazo de 60 dias para a criação da Comissão Técnica de Acessibilidade, que visa a definir as rotas acessíveis (vias que não contam com barreiras para a locomoção das pessoas)”, conta Brum.

Durante o encontro, Fortunati antecipou o lançamento do programa Calçada Segura, que será feito nos próximos dias. O projeto, feito em parceria com algumas secretarias municipais, além do Ministério Público do Estado, prevê o acesso universal a todos. “Faremos um levantamento a partir de um diagnóstico das condições das calçadas, e, em um segundo momento, os proprietários serão notificados. Caso o espaço persista sem reformas, aí sim partiremos para a autuação”, conclui Fortunati.

Fonte:J ornal do Comércio - Porto Alegre, 15/09/2011

Não existe escola inclusiva

"Não existem escolas inclusivas ou, pelo menos até hoje, eu não conheci nenhuma."

Fábio Adiron

De tempos em tempos, alguém me pede indicação de escolas inclusivas. Geralmente, são pais em busca de um lugar para os seus filhos, mas, de vez em quando, também são professores de escolas que rejeitaram algum aluno e que tentam indicar um outro lugar para os pais que os procuraram.

Infelizmente, essa é uma informação que eu não possuo, ou melhor, possuo, mas não da forma como as pessoas gostariam de ouvir.

Não existem escolas inclusivas ou, pelo menos até hoje, eu não conheci nenhuma. E não existem porque o nosso sistema educacional, seja ele público ou privado, ainda está muito longe de ser inclusivo.

Claro que quem acredita que inclusão significa apenas ter alunos com alguma deficiência na escola vai encontrar centenas de escolas inclusivas. Só na rede municipal de São Paulo são mais de mil escolas, mas não é isso que torna inclusiva uma escola.

Outros entendem que são as escolas que "aceitam", como se inclusão fosse apenas uma concessão que a escola faz aos que ela consideram como diferentes.

Não poucos entendem que a escola inclusiva é aquela que faz a sua parte, desde que a pessoa incluída se prepare para acompanhar as suas regras inflexíveis, sendo que alguns chegam mesmo a contratar profissionais para tomar conta dos seus filhos dentro da escola (e ainda chamam esses profissionais de "mediadores"...)

Quando encontram uma escola que tem uma estrutura especial para os alunos com deficiência, acreditam que chegaram ao nirvana inclusivo. Quem não quer uma escola toda equipada para as necessidades ( "especiais"?!?) das pessoas com deficiência, mesmo considerando que as pessoas sem deficiência não se beneficiam disso?

Escola inclusiva só vai existir quando a educação passar por uma transformação profunda, valorizando a individualidade de cada e de todos os alunos quando, em vez de concessões, houver uma ruptura no sistema atual que conduza a uma escola que não estabeleça condições para matricular os alunos (com e sem deficiência).

Só vai exisitir quando o sistema representar a existência de uma escola que seja boa para todos e quando as mudanças beneficiarem toda e qualquer pessoa.

Isso só vai acontecer quando escolas, pais e alunos pararem de olhar só para os seus interesses e entenderem que o interesse de todos está acima dos seus umbigos. Isso não vai cair do céu, nem virá do planalto central.

Enquanto isso não acontece, vou continuar recomendando aos pais que procurem escolas que tenham a ver com seus valores e crenças, como procurariam para qualquer outro filho sem deficiência e que, junto com a escola, procurem transformá-la num ambiente inclusivo.

E que fujam da tentação da escola que aceita, da escola que privilegia, da escola que impõe fardos ilegais.

Fonte: Fábio Adiron - Xiita da Inclusão (xiitadainclusao.blogspot).
Planeta Educação - São Paulo, 15/09/2011

Pólio Pós Vacinal: ninguém merece!

Em seu texto, Adriana Lage comenta sobre a pólio pós vacinal, questionando sobre a política de vacinação em nosso país.

Adriana Lage

Aqui em Minas, e no Brasil em geral, muito tem se falado sobre o caso do menininho de Pouso Alegre/MG, que, supostamente, desenvolveu pólio após ser vacinado. Trata-se de uma questão polêmica, já que traz à tona o debate sobre a eficácia da vacina Sabin e o dilema “vacinar ou não os filhos”.

Parei de andar, misteriosamente, com um ano e oito meses. Meus pais sempre cumpriram o calendário das vacinações. Minha mãe conta que, da noite pro dia, amanheci com as pernas flácidas e com dificuldade para ficar em pé. Ela me levou correndo ao pediatra que, por sua vez, caiu sentado de tanto susto. A partir daí, começamos uma via crucis por médicos e hospitais. Fiz todos os exames possíveis na época, sendo consultada pelo maior especialista em doenças raras que existia no Brasil. Foram tantos médicos e exames que cheguei ao ponto de entrar em pânico e chorar quando via qualquer pessoa de branco. Mesmo tendo se passado uns 30 anos, ainda hoje tenho certa taquicardia quando me deparo com profissionais da saúde. Na época, os médicos descartaram a poliomielite, pois minhas seqüelas não eram compatíveis com a pólio normal. O diagnóstico dado foi feito por exclusão.

Foram descartadas ainda doenças hereditárias, metabólicas, síndromes degenerativas, dentre outras. Eles disseram que um vírus tinha atacado minha medula, de forma inexplicável, e causado uma fraqueza muscular generalizada e irreversível, sendo mais agressiva nos membros inferiores. Apenas fazendo fisioterapia, pelo resto da vida, poderia evitar que meus músculos se atrofiassem. Dentre os vírus possíveis, existiam mais de 30 tipos. Mas não era possível identificá-lo. E assim fui levando minha vida. Sempre fazendo fisioterapia. Na época, embora tivesse recomendação médica para praticar natação, nunca encontrei um local que aceitasse me atender.

Levei um ano para voltar a ficar em pé com a ajuda tutores. Depois, sabe-se lá como, aprendi a andar com muletas. Não conseguia subir/descer escadas, nem andar longas distâncias. Minha infância não foi legal. Sempre fui excluída de muitas coisas, sobretudo na escola. Já contei em textos anteriores que outros alunos costumavam me bater, puxar meu cabelo, ameaçavam me jogar no chão ou levantar minha saia, além do fato da professora viver me esquecendo pra trás. Não sinto saudades nenhuma dessa época. Às vezes, como sou bem palhaça, meus amigos me perguntam se não tive infância quando resolvo fazer algumas brincadeiras. Sempre que possível coloco em prática meus desejos não realizados quando criança. Aos 12 anos, desenvolvi uma escoliose terrível. Era tratada pelo maior especialista em coluna de Minas, embora meu tratamento fosse feito num hospital público. Durante a cirurgia para correção da escoliose, ocorreu um erro médico e ‘prenderam’ meus nervos da perna. Não consegui mais andar, me tornando cadeirante. Fiz outras cirurgias para reverter a situação, mas não obtive sucesso. Só em 2009, numa consulta de controle, é que fiquei sabendo, ao que tudo indica, que tive pólio pós vacinal. Meu neurologista refez todos os exames possíveis – só de sangue, enchi mais de 12 tubinhos, levou um mês analisando meu caso até chegar ao diagnóstico de pólio pós vacinal. Foram dias de angústia com medo de um diagnóstico horroroso. Ele me disse que não poderia me dar 100% de certeza, já que isso só pode ser comprovado através de exame de fezes logo que a pessoa é infectada. Após alguns dias da infecção, o vírus é eliminado do corpo através das fezes. Os sintomas e seqüelas que tive são totalmente compatíveis com os da pólio pós-vacinal (ex: paralisia flácida aguda). Minha mãe só não se lembra de eu ter tido febre. Só que minha mutação da pólio foi bem agressiva. Tenho comprometimento motor na C5 (quinta vértebra da cervical). Como diria minha neurologista, por mais duas vértebras respiraria com ajuda de aparelhos. Há tempos, minhas pernas não funcionam. São apenas ‘enfeite’! Meus braços são bem fracos. Embora faça movimentos incomuns para tetraplégicos, não consigo ganhar força nem com reza brava. Por exemplo, não consigo me transferir sozinha. E olha que não é por falta de vontade, esforço e tentativas. Como já disse em outros textos, nem sempre querer é poder. Achava bem fantasioso esse diagnóstico que recebi num renomado hospital para tratamento de lesados medulares. Mas, foi só ler sobre o caso do mineirinho de Pouso Alegre, que minha ficha caiu. Isso é que é ser azarada! Rsrs. A chance de desenvolver pólio pós vacinal é tão rara quanto ganhar na loteria. No dia em que li a matéria sobre o caso de Pouso Alegre, fiquei bem triste. Vários fantasmas foram ressuscitados, sendo o pior deles a temida SPP (síndrome pós pólio). Mas, como diria minha mãe, a sábia Dona Lina, Deus sabe o que faz. Pra ter uma doença dessas, tem que ser alguém especial mesmo. Alguém que consiga carregar sua cruz, lembrando que essa nunca será maior do que a carga que somos capazes de aguentar. Por orientações médicas, não vou entrar em detalhes sobre o funcionamento da vacina Sabin aplicada no Brasil. Existem vários materiais na internet. Meu neurologista puxou minha orelha por ficar lendo e procurando novidades para meu caso na internet. Isso triplica a ansiedade. É como me disse o Rafael: “Adriana, você é uma pessoa corajosa, trabalhadora, bonita, viajada, inteligente... de que vai adiantar ficar sofrendo por coisas que não dependem de você? Cuide de você! Nade, namore, viaje, trabalhe... tudo dentro dos seus limites e sem dar ouvidos aos outros. Pare de ficar procurando chifre em cabeça de vaca. Esses artigos da net só vão te deixar mais em dúvida e angustiada”. Tenho seguido os conselhos dele e, realmente, ganhei mais qualidade de vida. Na época em que ele me disse isso, estava neurada pensando que já tinha alguns sintomas da SPP (fadiga extrema, distúrbios no sono, dificuldades de deglutição, etc). Aprendi a ouvir meu corpo e a respeitar seus limites. Sou da teoria que os limites são mais mentais que físicos. Mas não podemos negar que a limitação física existe e que carece de cuidados especiais.

Sempre vou a um neurologista, conveniado ao plano de saúde do banco, que adoro. Ele possui anos de experiência na área e também concordou com o diagnóstico da pólio pós vacinal. Só que sempre serei um número fora das estatísticas. Como diria uma dermatologista que conheci, quem tem pólio, hoje em dia, pode se considerar um fóssil. Somos todos objetos de estudo! O médico me disse que sempre teve receio das vacinas e, por isso, nunca vacinou seus filhos. Seu ‘trauma’ veio dos primeiros anos de medicina, quando atendeu uma menininha vítima de uma mutação de outra vacina que não a Sabin. Segundo ele, países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Canadá, Austrália e muitos da Europa, já substituíram a Sabin pela Salk há anos. A grande diferença entre elas é que, na Salk, não existe a possibilidade do vírus infectar ninguém. Ela é injetável e mais cara. De acordo com uma matéria que li, recentemente, em um grande jornal de BH, no Brasil, um dos motivos para não se utilizar a Salk seria o custo do processo. Por ser injetável, precisa ser aplicada em postos de saúde e por profissionais da área. Já a Sabin, por ser ‘gotinha’, pode ser aplicada em feiras, supermercados, praças, escolas, igrejas, etc. Aí eu pergunto: vale a pena o risco mantendo a Sabin? Como podemos encher o peito de orgulho e afirmar que erradicamos a pólio de nosso país, se exceções sempre poderão surgir?

Vivemos em um país com exemplos diários da má utilização do dinheiro público e corrupção. Já que pagamos tantos impostos e não temos nem metade deles revertidos em prol da população, por que não lutarmos para que nosso país reavalie sua política de vacinação? É fácil, pra quem não convive com as seqüelas físicas e emocionais da pólio, dizer que a vacina é segura e eficaz, já que as estatísticas não mentem. Caso não existisse outra vacina para a pólio, tudo bem! Mas a Salk está aí há anos. Se existe uma vacina bem mais segura, por que não utilizá-la? Se por um lado teríamos mais custos, por outro, reduziríamos os gastos com o tratamento dos sequelados.

Por mais que tenhamos avançado em nossas conquistas, ainda não somos 100% respeitados como cidadãos. Quase sempre, precisamos matar um leão por dia.

No meu caso, felizmente, há tempos convivo bem com minhas limitações. Tenho corrido atrás dos meus sonhos e realizado a maioria deles. O fato de ser deficiente não me impede de levar uma vida bem próxima do ‘normal’ e de ser feliz. Mas, insisto: se o mal pode ser evitado, por que não fazê-lo?!

Fonte: Rede Saci - Belo Horizonte - MG, 16/09/2011

Eles estão há 40 anos na UTI

Paulo Machado e Eliana Zagui são os pacientes mais antigos do maior hospital do País. “Eu ainda quero sair daqui", diz ela.

Fernanda Aranda

Ela sorri e diz que o filme mais bonito que já viu na vida foi Dirty Dancing, aquele com o Patrick Swayze, que no Brasil foi chamado de Ritmo Quente.

Quando o longa estreou, em 1987, Eliana Zagui, hoje com 37 de idade, tinha 13 anos e já estava internada em um leito de UTI há 12 anos. Ela devorou cada minuto da sessão de “cinema hospitalar”. De lá para cá, ainda hospitalizada, Eliana já reviu 18 vezes o mesmo filme.

Bem ao seu lado, está internado Paulo Henrique Machado, cinéfilo desde menino, que tem uma queda por animação e já recebeu visitas ilustres em seu leito, como a de Carlos Saldanha, produtor brasileiro que participou de a Era do Gelo.

“Eu ainda vou fazer meu próprio filme, em 3D, com bonecos de massinha, todos deficientes físicos”, conta ele com 43 anos, 42 passados dentro do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Paulo Henrique Machado, 43 anos, internado há 42 anos, foi o primeiro paciente da UTI do Hospital das Clínicas
Eliana e Paulo são os pacientes mais antigos do maior complexo hospitalar da América Latina. Estão hospitalizados há quatro décadas, representando as últimas vítimas do surto de paralisia infantil que ocorreu no Brasil no início da década de 70.

São testemunhas vivas de um momento muito difícil da saúde do País e assistiram não apenas à erradicação desta doença em território nacional (graças à vacinação em massa), como o surgimento das primeiras unidades de terapia intensiva (UTI) para pacientes graves que, assim como eles, não podiam voltar para casa.

O vírus da poliomelite tirou os movimentos das pernas de Paulo e também comprometeu a sua capacidade de respirar sozinho. Eliana só consegue movimentar os olhos e a boca e, da mesma forma, para que o ar chegue aos pulmões, precisa da ajuda de um aparelho (pesado e caro).

Eles passaram a infância, a adolescência e a vida adulta nos leitos. E fizeram dos quartos de UTI suas casas.
Ele tinha 1 ano e três meses quando foi internado e ela quase dois anos. Foram encaminhados para o Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do HC, em um prédio que só cuidava de crianças acometidas pela pólio. Alguns pacientes tiveram alta, outros não sobreviveram. Pouco a pouco, acidentados de carro, vítimas de queda de motocicletas e de violência começaram a dividir espaço naquele edifício feito originalmente para a paralisia infantil.

Éramos 7

Ainda que com pacientes mais variados, uma ala especial do “prédio da pólio” foi reservada para as sete crianças com poliomelite que ainda não tinham liberação médica para voltar para suas residências. Neste mesmo período, a especialidade médica chamada “intensivista” já havia nascido e aquele grupo de pequenos pacientes passou a receber cuidados permanentes de diversas especialidades médicas em um só local.

O tempo foi passando e a cada ano, uma das camas ficava vazia, pontuando a gravidade da pólio e a necessidade de aperfeiçoar os cuidados da UTI. “Éramos sete. Ficaram apenas eu e o Paulo. O que mais sinto saudade é da época das festas juninas, quando todos nós vestíamos roupas de caipira, fazíamos tranças e só dávamos risadas com as bandeirolas e cantigas típicas que montavam para gente.”

Descobertas

Na posição horizontal, Eliana e Paulo Henrique descobriram um mundo cheio de possibilidades. Ele lembra de ver pela televisão, em branco e preto, a chegada do homem na lua. Eliana precisou usar óculos por causa da miopia e deixou os cabelos encaracolados crescerem até a altura dos ombros.

Quase no mesmo compasso dos avanços médicos, a tecnologia voltada para a comunicação também foi melhorando a vida deles. Os respiradores mais leves permitiam deslocamento para outras áreas do hospital. O walkman trouxe a possibilidade de escutar as próprias músicas sem precisar “incomodar” mais ninguém. Os monitores cardíacos ficaram mais precisos e possibilitavam prolongar os banhos de sol. O computador e a internet trouxeram para perto dos dois os cursos on-line. Eliana, com a boca, aprendeu a pintar quadros lindos. Paulo Henrique descobriu tudo sobre programas de edição e design, o primeiro passo para os trabalhos que desenvolve hoje.

Fonte: IG São Paulo - São Paulo - SP, 16/09/2011

Governo lança portal com acessibilidade para pessoas com deficiência


Com o objetivo de melhorar a vida das pessoas com deficiência e facilitar o acesso às informações sobre as políticas públicas para o segmento, será lançado no dia 21 de setembro o Portal da Pessoa com Deficiência, elaborado pela Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD), da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

A página eletrônica será uma referência para os órgãos governamentais por dispor de conteúdos acessíveis, tais como descrição de imagens, PDF texto e marcações semânticas, indicando a linguagem do documento, os cabeçalhos, as listas, as tabelas, etc. Com isso, pessoas com deficiência visual ou baixa visão terão acesso às informações por meio de programas leitores de tela, os quais permitem ouvir o que está sendo mostrado.

No mesmo dia, será lançada também a terceira versão do Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico - e-MAG 3.0. De acordo com o diretor da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), do Ministério do Planejamento, João Batista Ferri, a aplicação do modelo permitirá a equiparação de oportunidades aos dados e serviços governamentais na internet. O programa contém orientações sobre como criar e desenvolver sites, portais e serviços com acessibilidade.

A coordenadora-geral de Prestação de Serviço por Meio Eletrônico da SLTI, Fernanda Lobato, ressalta que o novo e-MAG fará com que mais pessoas tenham acesso às páginas de órgãos públicos, inclusive as pessoas com deficiência. Ela explicou que a versão atual, lançada há cinco anos, está tecnologicamente desatualizada.
Entre os destaques da nova versão do e-MAG está a padronização dos atalhos do teclado do computador.

Não importa em que página o internauta navegue, os atalhos de teclado que ele costuma usar vão servir para todas as outras páginas eletrônicas de órgãos públicos. Serão ainda padronizados atalhos de busca, navegação e conteúdo, dentre outros, para atender às necessidades dos deficientes visuais, auditivos e motores.     

Fernanda Lobato disse que, atualmente, apenas 5% das páginas de órgãos públicos federais na internet são acessíveis. A nova tecnologia vai ampliar esse percentual. No caso dos órgãos públicos estaduais, de acordo com dados do Censo da Web de 2010, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGIBr), o acesso pleno só é possível em apenas 2% dos portais públicos. “Se até agora muitas pessoas com deficiência precisavam sair de casa para resolver pendências em órgãos públicos, com o novo programa será possível resolvê-los usando apenas um computador com acesso à internet”, explica Fernanda.

Tanto o Portal Pessoa com Deficiência, da SNPD/SDH/PR, quanto o e-MAG, do Ministério do Planejamento, serão lançados no evento “Acessibilidade Digital – um direito de todos”, na Escola de Administração Fazendária (ESAF). O evento é aberto ao público e está com as inscrições abertas.

No período da tarde, haverá oficinas com temas voltados à acessibilidade na web, sistema DosVox, avaliação de sites acessíveis, dentre outras.

Confira toda programação e faça sua inscrição aqui.

Fonte: Site da Secretaria de Direitos Humanos - Assessoria de Comunicação Social com Agência Brasil

http://www.governoeletronico.gov.br/noticias-e-eventos/noticias/governo-lanca-portal-com-acessibilidade-para-pessoas-com-deficiencia

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pedagoga Cadeirante sofre constrangimento em Casa de Show.

Deficientes poderão ganhar o direito de ingressar com acompanhante em eventos culturais e esportivos em Natal.

Clarissa e sua mãe, Maria de Fátima, passaram
por constrangimento em casa de show na capital
O constrangimento vivido pela estudante de pedagogia Clarissa dos Anjos Melo, 23, há 15 dias em uma grande casa de shows de Natal, poderá ser considerado ilegal por causa de uma lei municipal que já existe em outras cidades brasileiras. Na semana passada, os vereadores Ney Lopes Júnior (DEM) e Assis Oliveira (PR) apresentaram um projeto de lei na Câmara Municipal do Natal, que garante ao acompanhante de pessoas portadoras de deficiência que façam uso de cadeiras de rodas o acesso gratuito a eventos culturais e esportivos. Atualmente, o projeto está em análise na Comissão de Constituição e Justiça, em seguida irá para as comissões temáticas e deverá ser aprovado em duas discussões, antes da sanção pela prefeita Micarla de Sousa (PV).

O fato inspirador da lei aconteceu no Teatro Riachuelo, uma hora antes do início da peça “Não existe mulher difícil”, com o ator Marcelo Serrado. Tetraplégica, Clarissa dos Anjos não consegue se locomover sem ajuda de um acompanhante. Clarissa, sua irmã Camila e o noivo desta, na condição de acompanhante, foram ao teatro assistir a uma peça. O acesso gratuito do acompanhante já tinha sido franqueado pela casa de espetáculos em três outras oportunidades.

Surpreendida pela negativa da semana passada, a jovem cadeirante teve uma crise de choro. “Como eu estava distante da bilheteria, gritei pra ver se o gerente me ouvia e me atendia, e fiquei nervosa porque eu queria ver a peça. Fiquei chateada e depois, chorei”, disse Clarissa. O comportamento da estudante causou comoção nas outras pessoas que se encontravam no terceiro piso do Midway Mall.

Teoricamente Clarissa teria direito à lei porque não ocupa nenhum assento do teatro, e sim assiste ao espetáculo em sua própria cadeira. “Nós insistimos. Eles informaram à gente que ela teria que pagar ingresso e que a cadeira ficaria vazia do lado dela. Conversamos com vários funcionários, em vão. Até essa informação chegar pra gente passou-se uma hora. Como não conseguimos entrar, fomos embora”,declarou a irmã de Clarissa, Camila dos Anjos Melo, administradora de empresas.

Inspirado na ocorrência, os vereadores elaboraram um projeto de lei que garante a todo portador de deficiência, que necessite de cadeira de rodas, a gratuidade do ingresso para seu respectivo acompanhante em eventos culturais, esportivos e de entretenimento, organizados por pessoas de direito público, privado e/ou filantrópico. “O cidadão que tem algum tipo de deficiência é um cidadão como outro qualquer, e muitas vezes eles precisam que o poder público e privado possibilitem meios para mais acessibilidade. Não há diferenças. É comum que esses direitos, bem como dos idosos, mulheres, sejam negados”, ressaltou um dos autores do PL, o vereador Ney Lopes Júnior.

Segundo o vereador, o acompanhante está ali para que possa ser garantido o direito de se locomover do cadeirante. “Ele só irá a qualquer espetáculo se tiver ajuda de alguém, e não pode pagar em dobro em detrimento de um cidadão que tem direito”. Uma das preocupações dos autores da lei é com o mau uso do futuro benefício. “O ingresso do acompanhante é pessoal e intransferível. Essa medida tem objetivo de evitar má-fé, pessoas que se aproveitem dos cadeirantes e queiram entrar nos eventos gratuitamente”, explicou Ney Júnior.

Fonte: http://www.diariodenatal.com.br

Etanercepete 50 mg

Onde estão as 199.732 unidades de Etanercepete 50 mg que o Ministério da Saúde comprou em Janeiro/2011?


Em Janeiro de 2011 o Ministério da Saúde comprou 341.304 unidades do medicamento Etanercepte 25 mg e 199.732 de Etanercepete 50 mg.

Porém, enquanto pacientes e usuários de medicamentos biológicos sabemos que acontece uma grande falha na distribuição do medicamento Etanercepete 50 mg. A farmácia de alto custo, quando questionada, tem sempre uma respostas clássicas que tiram da Assistência Farmacêutica essa responsabilidade e sempre e com muita freqüência, ouvimos “o laboratório não entregou”, “a medicação não chegou”, a Secretaria Estadual de Saúde vai comprar, enfim..

Temos aqui no blog alguns casos de pessoas que tem precrição médica de Etanercepete 50 mg e recebem na farmácia de alto custo, Etanercepete de 25 mg, ou seja, em vez de receberem uma caixa com 4 doses de 50 mg, tem pacientes recebendo apenas 1 caixa de 25 mg com 4 doses, ou seja, 01 caixa de 25 mg é suficiente para 2 semanas de medicação, ficando os outros 15 dias sem medicação, ou indo e vindo da farmácia “esperando o laboratório entregar”, porque é isso que dizem pra gente quando chegamos e não tem a dose de 50 mg.

A Gabriela, 33 anos, tem AIJ há 17 anos, ela morava em Santa Catarina até Setembro de 2010, onde recebia o Etanercepete 50 mg sem falhas e faltas, porém, ela está morando em São Paulo a exatamente 1 ano, e desde então, vive um verdadeiro drama do “Enbrel”, pois, utiliza esse importante medicamento biológico há aproximadamente 3 anos, e quando recebia a dose correta (50 mg), a sua AIJ estava sob controle, porém, aqui em SP, vive um drama na Farmácia de Alto Custo de Franco da Rocha a prescrição médica é;

·       
Etanercepete 50 mg – 01 injeção por semana
o Ela tem recebido da Farmácia de Alto Custo de Franco da Rocha

§ Etanercepete 25 mg – 01 caixa com 4 doses de 25mg

Ou seja, apenas metade da dose prescrita, e toda vez que pega 01 caixa de 25 mg com 4 doses, é orientada a ligar depois de 15 dias para ver se “tem + 1 caixa de 25 mg”, porém, com muita freqüência, não tem essa segunda caixa e ela fica sem remédios durante 15 dias no mês. Como isso é recorrente, a Gabriela, quando recebe apenas 01 caixa de 25 com 4 doses, opta por tomar apenas 1 injeção de 25mg por semana, pois não sabe se vai ter outra caixa para tomar nas semanas seguinte. É como comer no dia de hoje, sem saber se vamos ter o que comer no dia amanhã.

Agora por conta de toda essa problemática de acesso ao medicamento, a sua médica optou por trocar o medicamento biológico, más, vai trocar não porque o medicamento Etanercepete deixou de fazer efeito, ou perdeu a sua eficácia no controle da doença, mas porque, por falha na terapêutica (dose menor do que a prescrita), a medicação não faz efeito. Isso é algo muito grave. Pois prova o que nós pacientes já sabemos, muitas vezes não é o remédio que é ineficaz é o sistema de saúde que é deficiente e injusto.

Hoje a Gabriela, pensa em voltar a morar em Santa Catarina, pois jamais imaginou que em São Paulo ela teria essa gigante dificuldade em receber a dose prescrita da medicação que por quase 3 anos, lhe proporcionou melhor qualidade de vida e a remissão da doença, pois ficou claro que a AIJ voltou com força total, trazendo dores e sofrimento, não porque o Etanercepete deixou de fazer efeito, mas porque ela não recebeu a dose prescrita e orientada por sua médica.

Agora me pergunto, onde foram parar os Etanercepete de 50 mg?
Ouçam a conversa da Gabriela por telefone


A Defensoria Publica de São Paulo, mais uma vez esta nos ajudando, este caso foi encaminhado para a Dra Renata Flores Tibyriça (Defensora Publica do Estado – coordenadora da Unidade da Fazenda Publica).

A dor + degeneração + deformidades da AR não sabem esperar, não podem esperar e até que o socorro venha, a deformidade chega e fica. Dói saber de coisas como essas.
 
Fonte:http://artritereumatoide.blogspot.com/2011/09/etanercepete-50-mg.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FxiOx+%28Artrite+Reumato%C3%ADde%29

Jovem finge ter câncer terminal para arrecadar milhares de dólares no Texas

Do UOL Notícias Em São Paulo

Texana montou um site para arrecadar doações
Uma adolescente texana está sendo acusada de ter fingido estar com câncer para arrecadar milhares de dólares em doações, segundo autoridades.

Angie Gomez, de 18 anos, conseguiu mais de US$ 17 mil (cerca de R$ 29 mil) em doações por meio da "Fundação Alcance o Sonho" (Achieve The Dream Foundation, em inglês), uma ONG falsa criada por ela que, supostamente, ajudaria crianças a combater a leucemia.

Em janeiro deste ano, a jovem, que vive em Horizon City, disse a amigos, integrantes da igreja em que frequentava e colegas de escola que estava sofrendo de leucemia e que tinha apenas mais seis meses de vida.

Após receberem a notícia, seus amigos e parentes organizaram vários eventos para levantar dinheiro e ajudar Angie a combater a doença.

Centenas de pessoas participaram de palestras em que a garota contava como lutou contra a leucemia dos dois aos 13 anos de idade. A jovem alegava que o câncer havia retornado e, desta vez, era incurável.

Uma investigação policial que durou três meses concluiu que Angie estava mentindo.

"Não há nada que indique que ela tenha câncer. Não existe prontuários médicos ou mesmo médicos que atestem a doença", disse a detetive Liliana Medina, ao jornal "El Paso Times".

Algumas das pessoas de que ajudaram Angie dizem que chegaram a desconfiar da jovem, mas sentiram pena.

"Eu me sentia culpada em desconfiar do caso. Como você pode duvidar de alguém que está morrendo?", pergunta Nicole Matsuda, líder religiosa local.

Angie irá responder processo judicial, mas ainda não foi presa. A promotoria ainda vai decidir se irá pedir a prisão preventiva da jovem que ainda não quis se manifestar sobre o caso.

*Com informações da AP

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2011/09/15/jovem-finge-ter-cancer-terminal-para-arrecadar-milhares-de-dolares-no-texas.jhtm

Política de inclusão das pessoas com deficiência avançou

Lei de Cotas e incentivo à educação são ferramentas para inserção no trabalho

No dia 21 deste mês, é celebrado o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência. Apesar de ainda existir um longo caminho para a inclusão plena deste público na sociedade, algumas conquistas já podem ser comemoradas.

Para Vinicius Garcia, economista e pesquisador da Facamp (Faculdades de Campinas), que ficou tetraplégico em consequência de uma lesão medular, as últimas décadas registram avanços importantes, tanto na percepção da sociedade sobre a temática da deficiência como na conquista de direitos.

Mudanças na regulamentação trouxeram avanços importantes para o acesso das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho.

“Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos das da Pessoa com Deficiência – aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas – e deu a ela status de emenda constitucional, o que significou um importante instrumento para o aperfeiçoamento da legislação nacional. Reconhecer tais conquistas, porém, não significa que já atingimos uma situação ideal, pois ainda existe muito a ser feito”, afirma Garcia.

Conquistas

Flavio Gonzalez, gerente de Processos de Inclusão da Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência), concorda que nos últimos 20 anos o tema da inclusão evoluiu.

“A década de 90 trouxe avanços mais legislativos do que práticos, mas que foram fundamentais. A Constituição de 1988, e o reconhecimento dos direitos inerentes à pessoa , passaram a orientar diversas ações no combate à exclusão e discriminação. Em 1989, aprovou-se a lei 7.853, que caracterizou a discriminação ao trabalho da pessoa com deficiência como crime. Dois anos depois, em 1991, foi aprovada a Lei 8.213, a chamada Lei de Cotas, que, a exemplo do que acontece em inúmeros países, criou metas obrigatórias de contratação para empresas com 100 ou mais funcionários”, relata Gonzales.

O gerente acrescenta que, a partir do ano 2000, essas ferramentas legais passaram a surtir efeito prático, sobretudo após sua regulamentação pelo Decreto 3.296. “Com isso, até o momento mais de 300 mil pessoas ingressaram no mercado de trabalho em todo o país, o que é um avanço, mas cabe dizer que estamos ainda muito longe de resolver o problema”, afirma.

Trabalho e preconceito

Em sua tese de doutoramento pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Garcia aborda o tema da inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Em sua pesquisa, um dos principais obstáculos que esses profissionais enfrentam ainda é a desinformação, e até preconceito, de muitos empregadores.

Era o que sentia na pele o engenheiro Walter Pimentel, de 46 anos, todas as vezes em que buscou um trabalho. Ele tem atrofia no membro inferior direito, o que o obriga a usar uma muleta para andar. “Certa vez, ao fazer uma entrevista de trabalho, deixei a muleta no meu colo. O empregador não viu. Conversamos bastante e ficou tudo acertado para eu começar a trabalhar na semana seguinte. Quando me levantei para ir embora e ele viu que eu usava muletas, senti que quase voltou atrás. Felizmente, não chegou a fazê-lo”, conta.

Pimentel, que hoje é engenheiro eletricista de Furnas, foi contratado com base na Lei da Cotas. Ele diz que a realidade da pessoa com deficiência é muito dura. “O preconceito existe. Sou engenheiro e técnico, mas não posso atuar em diversos cargos. Por exemplo, não posso estar embarcado em uma plataforma de petróleo, porque alguém escreveu em algum lugar que pessoas com limitações físicas não podem trabalhar ali. Conheço minhas limitações, mas sei também das minhas competências”, afirma.

Novo olhar

Para Gonzales, da Avape, os direitos das pessoas com deficiência representam os direitos de todos. “Afinal, a cada 100 brasileiros, 14 têm deficiência. Aqueles que hoje não têm, poderão ver sua condição ou de um ente querido mudar amanhã. A deficiência é algo muito próprio da condição humana, uma possibilidade, entre tantas, sempre possível na vida de cada pessoa, de cada família.”

Gonzales espera que a sociedade aproveite o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, 21 de setembro, para refletir e aprender a olhar para qualquer pessoa reconhecendo nela o potencial e capacidade de que é dotado cada ser humano, e não para sua condição física, sensorial ou intelectual como limites intransponíveis para uma vida produtiva e capaz de realizações.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-inclusao-de-pessoas-com-deficienciacecilia

Jovem brasileira conta sua experiência em Congresso Internacional para pessoas com deficiência intelectual

Fotos de Mariana Amato participando do Congresso em 3 situações - sentada durante a plenária, ao lado da facilitadora Fabiana Duarte e outros jovens, alguns deles comm boné azul, em uma atividade, de pé com outros jovens à sua volta, e sentada num ambiente ao ar livre, numa roda de cadeiras junto com outros jovens presentes ao evento.

A Associação Carpe Diem participou de um evento internacional que aconteceu em Vienna na Áustria representando o Brasil no mês de agosto. O tema do Congresso foi “Viver no Encontro”. A jovem Mariana Amato e a profissional do Carpe Diem Fabiana Duarte de S. Ventura representaram a Associação.

Leia, a seguir, o relato de Mariana Amato:

O CONGRESSO EM VIENA FOI MUITO IMPORTANTE PORQUE EU CONHECI AS PESSOAS DE VÁRIOS PAÍSES.
FUI PROTAGONISTA DE VERDADE. EU ME VIREI SOZINHA, FUI GUERREIRA.
LÁ NO CONGRESSO TEVE APRESENTAÇÃO DE DANÇAS E MÚSICAS DA ÁUSTRIA.
NAS PALESTRAS ELES FALAVAM MUITO RÁPIDO, NÃO DAVA PARA EU ENTENDER, EU TENHO DIFICULDADE PARA COMPREENDER ALEMÃO, PRECISAVA DO SUPORTE DA FABI.
EU CONTAVA PARA AS PESSOAS DO CONGRESSO O QUE EU FAÇO NO BRASIL, EU DIVULGUEI O CARPE DIEM.
NO HOTEL DORMIMOS NO BELICHE, EU DORMI EMBAIXO. LÁ NO QUARTO NÃO TINHA BANHEIRO, SÓ PIA. VI GENTE PELADA NO CORREDOR, MAIOR MICO.
FOI MUITO LEGAL CONHECER OUTRAS PESSOAS, CONHECER O CASTELO, MUSEUS.
NO DIA DO BAILE, TEVE UMA BALADA. EU DANCEI COM O TILL, QUE ERA ALEMÃO.
GOSTARIA DE CONTAR A MINHA EXPERIÊNCIA PARA TODO MUNDO
QUERO SER CHAMADA PARA DAR PALESTRAS PARA AS PESSOAS FORA DO BRASIL DE NOVO.

AGRADEÇO O CONVITE PARA DAR MEU DEPOIMENTO

MARIANA AMATO

Fonte: Carpe Diem

Brasil quer ampliar acesso à leitura para pessoas com deficiência

Atualmente, regras de direito autoral limitam a produção de livros em versões alternativas para quem tem deficiência.

Victor Boyadjian, da Rádio ONU em Nova York.*

Regras de direito autoral ainda prejudicam publicações de obras em versões para diversos tipos de deficiências; representantes do país participaram de encontro sobre o tema em Nova York.

O Brasil está tentando melhorar o acesso de pessoas com deficiência a obras literárias.

A informação foi dada à Rádio ONU por uma delegação, formada por representantes do governo brasileiro e da sociedade civil. O grupo participou da Quarta Conferência dos Países da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada em Nova York, na semana passada.

Produção de Livros

Atualmente, regras de direito autoral, limitam a produção de livros em versões alternativas para quem tem deficiência fisica.

Uma das participantes, a diretora da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República no Brasil, Ana Paula Crosara, disse à Rádio ONU que o acesso às obras literárias é um direito de qualquer pessoa.

“Nós queremos que todas as pessoas com deficiência possam ter acesso a todas informações em formatos acessíveis. Seja deficiência auditiva, visual, física. A gente quer garantir no Brasil que qualquer pessoa possa comprar qualquer o livro que quiser, independentemente das limitações de direito autoral”, defendeu.

Comércio das Obras

Outro obstáculo que o grupo quer superar é a variedade de regras sobre direitos autorais em diferentes países, o que prejudica o comércio das obras.

O presidente do Conselho Nacional de Direitos de Pessoas com Deficiência Moises Bauer espera que mais países passem a se adequar às resoluções sobre o tema que já foram definidas pela ONU.

“A ideia é que a gente consiga articular com outros países, para que este tratado possa ser firmado por diversos países, assim como foi a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, disse.

Os debates sobre o assunto na Conferência em Nova York deverão ser retomados no mês que vem, num encontro que será presidido pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, em Brasília.

*Reportagem e Apresentação: Luisa Leme.

Fonte – Rádio ONU

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Leitura Dinâmica

As pessoas com visão abaixo de 10% ou com visão subnormal – que enxergam em um campo de visão entre 5% a 30% do normal – dispõem agora de um novo dispositivo para lhes auxiliar a ler e a escrever.

Elton Alisson

As pessoas com visão abaixo de 10% ou com visão subnormal – que enxergam em um campo de visão entre 5% a 30% do normal – dispõem agora de um novo dispositivo para lhes auxiliar a ler e a escrever.

A empresa de base científica Bonavision, incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), na Cidade Universitária, em São Paulo, desenvolveu uma lupa eletrônica com foco variável e com um recurso tecnológico que permite ao usuário escrever ou desenhar.

O produto é o quarto lançado pela empresa. O primeiro, em 2008, foi uma lupa especial para leitura, que amplia textos em cinco vezes, e diminui as distorções, permitindo a visualização das palavras. Em 2009, os pesquisadores da empresa lançaram uma prancha de leitura acoplada à lupa eletrônica.

Agora, por meio de um sistema de zoom, o equipamento oferece ao usuário um aumento de imagem 10 a 80 vezes maior, conforme sua necessidade. E, posicionando uma caneta ou lápis debaixo da câmera de vídeo colorida, de alta sensibilidade e com controle automático de iluminação, o usuário pode escrever ou desenhar, podendo ver a imagem projetada em uma tela de televisão ou computador.

“Essa inovação representa um grande avanço para estudantes ou idosos com problemas de visão ou para deficientes visuais que trabalham em empresas e precisam, além de ler, que é uma atividade relativamente passiva, também escrever”, disse José Américo Bonatti, pesquisador da Clínica Oftalmológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e um dos diretores da Bonavision, à Agência FAPESP.

O projeto anterior, intitulado“Prancha de leitura acoplada à lupa”, contou com apoio da FAPESP por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). O pedido de patente nacional e internacional tem auxílio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI).

De acordo com Bonatti, as atuais inovações incrementais realizadas no equipamento surgiram por meio de uma avaliação de demandas clínicas feitas por pacientes. Em pesquisas, eles apontaram que, além de um aumento maior do que a lupa eletrônica proporciona, gostariam que o foco fosse variável para aumentar menos o tamanho da fonte de um texto de um livro, por exemplo, e ter maior visão de conjunto da página.

Para possibilitar esse recurso, os pesquisadores desenvolveram um sistema de zoom que, além do aumento da fonte de texto, possibilita que o usuário possa escrever e desenhar sob ele.

Como o sistema exige espaço para manter a distância focal em relação à pagina de uma publicação e permitir a variação de aumento de foco, os pesquisadores utilizaram esse espaço para possibilitar o encaixe da mão do usuário, permitindo que ele possa escrever ou desenhar e ver a imagem projetada em uma tela de televisão ou de computador. “Essa inovação representou um salto tecnológico maior do que o que nós demos com os produtos anteriores”, disse Bonatti.

Segundo ele, os aparelhos importados já dispõem desse sistema de zoom. Entretanto, o equipamento brasileiro apresenta a vantagem de, além de ser mais sofisticado, ter um preço equivalente a menos da metade dos concorrentes estrangeiros, e oferecer mais conforto e ergonomia.

Além disso, ao contrário dos produtos importados, é o único que possibilita acompanhar uma linha horizontal de um texto com segurança, pois a câmera de vídeo se movimenta em um trilho metálico de uma prancha de leitura com a movimentação voluntária da mão do usuário, que pode estar sentado à mesa, em um sofá ou até mesmo em uma cama.

“Desenvolvemos uma tecnologia que possibilita a independência, a eficácia e o controle do usuário do equipamento por meio de seu movimento voluntário. Isso nenhum aparelho similar no mundo apresenta”, afirmou.

O produto foi lançado no fim de julho e está sendo comercializado inicialmente no mercado nacional, principalmente para escolas, que por meio dele podem economizar com a edição de livros voltados para estudantes com deficiência visual.

“O novo equipamento gera economia para as escolas, porque elas não precisam adaptar livro nenhum. Elas podem pegar um livro convencional e colocar embaixo da lupa para aumentar ou diminuir a fonte. E isso permite integrar, e não estigmatizar, o estudante com deficiência visual com os outros colegas ao passar a não mais ser visto com um ente especial, que está lendo um livro gigante, todo diferente do restante da turma”, comparou Bonatti.

De acordo com ele, o equipamento pode ser utilizado com um treinamento mínimo e seu mecanismo de funcionamento é fácil de ser entendido pelos usuários.

Comentário: O produto Lupa eletrônica custa R$ 2.100, e pode ser encomendado pelo telefone 11 9708-3633.

Mais informações: www.bonavision.com.br

Fonte: Agência Fapesp - São Paulo, 14/09/2011

Criança com autismo é capaz de avaliar o que a torna feliz

Valorização de resposta da criança autista gera quebra da barreira comunicacional.
Sandra O. Monteiro

Uma das grandes dificuldades ao se avaliar a qualidade de vida de crianças, é que a maioria dos questionários disponíveis são respondidos por pais, responsáveis ou profissionais. No caso da criança com autismo tal fato é ainda mais marcante, uma vez que são poucas as pesquisas com este tema. Pessoas com autismo apresentam déficits de interação social, linguagem e interesses restritos e estereotipados. Por isso, muitas vezes parece difícil conseguir informações mais precisas sobre quem pertencen ao espectro autista, sem a intervenção de alguém que mantenha um contato mais direto.
Entretanto, um estudo realizado pela terapeuta ocupacional Marília Bernal, do Instituto de Psicologia (IP) da USP, mostrou que é possível extrair da própria criança com autismo, respostas sobre sua qualidade de vida e o que a torna feliz.

Para a pesquisa foram utilizadas duas escalas: a Escala de Comportamento Adaptativo de Vinneland, que avalia o comportamento adaptativo das crianças, em áreas de atividades de vida cotidiana, linguagem e socialização, e uma escala que se propõe a avaliar os traços autísticos (ATA) por meio de pontuação de sintomas. Ao todo, 30 crianças entre 4 e 12 anos com autismo de alto funcionamento (crianças do espectro autista com melhor linguagem verbal e adaptação ao meio em que vivem), de Instituições especializadas em autismo da Grande São Paulo e da capital, foram submetidas a um questionário, (Autoquestionnaire qualité de vie enfant imagé [AUQEI]), que consistia em perguntas sobre atividades e situações cotidianas, com um suporte de imagens, que auxiliavam nas respostas das crianças (algumas respostas eram representadas por carinhas felizes e tristes).

Este mesmo questionário foi adaptado para a terceira pessoa, a fim de que os responsáveis e professores pudessem respondê-lo pensando na criança. Assim foram respondidos pelos respectivos familiares das crianças e pelos 24 educadores que as acompanhavam. Nos resultados foram comparadas 3 amostras: crianças e familiares; crianças e educadores, e educadores e familiares.

Crianças mais felizes

Respostas diferentes aconteceram apenas em quatro perguntas referentes aos itens: sala de aula, lição de casa, quando pensa na mãe e quando brinca sozinho. Para os professores as crianças em sala de aula, fazendo a atividade de casa e pensando em suas mães, são mais felizes do que quando avaliadas pelos familiares. Já os familiares (quase todas mães) avaliariam as crianças mais felizes quando brincam sozinhas do que os seus professores.

A resposta dos três grupos ao questionário demonstrou que a qualidade de vida das crianças estudadas é satisfatória. Entretanto, duas foram as principais revelações: o questionário mostrou ser sensível para a análise da qualidade de vida de pessoas autistas mesmo quando respondido por adultos. Também demonstrou acessibilidade e facilidade para que o autista o compreenda e por si só e possa respondê-lo.

Marília diz que “o resultado do estudo foi muito importante porque demonstra a viabilidade de se encontrar meios ainda melhores que extrapolem a barreira comunicacional com o autista. Além de ser possível a valorização da resposta da própria criança com autismo. E é isto que verdadeiramente importa para o profissional: valorizar a criança, descobrir se ela está ou não feliz com sua vida, além de buscar entender os motivos que a levam a ter um ou outro sentimento.”

Os resultados ainda demonstram que há a necessidade de se validar métodos já pré-existentesou de se buscar por novas formas de avaliar pessoas com autismo tendo por base respostas que venham delas. A pesquisadora também ressalta que “os dados da pesquisa são importantes para a estruturação de serviços que atendam esta população.”

O mestrado Qualidade de vida e autismo de alto funcionamento: percepção da criança, família e educador foi defendido em 2010 e orientado pelo professor Francisco Baptista Assumpcao Junior, do IP.

Fonte: USP - 14/09/2011

Piso Tátil – Funções e Especificações

Artigo escrito por Frederico Viebig que explica sobre esses tipo de pisos.
Frederico Viebig

Devemos entender como Elementos de Sinalização produtos que devem proporcionar pelo menos duas qualidades importantes no trato das pessoas com deficiência, entre : Contraste Visual, Contraste Tátil e Contraste Sonoro. O contraste diferencia planos adjacentes oferecendo às pessoas suficientes estímulos para sua localização e percepção do ambiente em que estão inseridas.

O “Princípio dos Dois Sentidos” postula o uso de pelo menos duas das condições acima para que um elemento seja considerado “acessível”. No caso específico dos “Pisos Táteis” eles devem associar os contrastes visuais e táteis.

Assim, as normas brasileiras e internacionais estabelecem um tipo de piso com contraste tátil com relevos que sejam percebidos por pessoas que utilizam bengalas longas e contraste visual para pessoas de baixa-visão.
As dimensões padrões são normalizadas no mundo todo permitindo a inclusão social em qualquer ponto do globo. Naturalmente cada país tem suas características e no Brasil adotou-se um sistema binário de informação tátil criada através de informação de alerta (cones) e direcional (barras). No entanto, esta condição não exime a condição de contraste visual !

Assim, é preciso que aos pisos táteis sejam associadas informações visuais de contraste através da diferença de cor, com uma dimensão mínima de 25 x 25 cm, como unidade de aérea primária. Demais trilhas contrastantes e sinais de atenção devem ser múltiplos desta unidade.

O controle do contraste tátil é executado mecanicamente por meio de medições simples em paquímetros e outros instrumentos de metrologia. Já a medição de contraste visual é um pouco menos difundida. Tecnicamente devem ser utilizados cromatógrafos que são dispendiosos, que medem cores, brilhos e tonalidades.

Até o momento a técnica utilizada, na prática, é usar cores contrastantes que são percebidas por pessoas que têm visão normal.
No entanto, só para conhecimento geral, 10% dos seres humanos masculinos são considerados daltônicos, e assim podemos ver que a contrastação pelas cores não é suficiente. Há leitores simples de medição de contraste no mundo e em breve os teremos nacionais. São os chamados Medidores de LRV (Valor da Luz Refletida). Uma forma prática de verificar se o contraste é suficiente é tirar um foto P&B e perceber se há bastante contraste entre os planos adjacentes.

Enquanto isso, devemos utilizar as orientações da Norma Brasileira NBR 9050, que no capítulo 5.14 dispõe sobre o fato dos pisos serem cromodiferencIados. Devemos ainda ter o extremo cuidado na utilização de pisos táteis com tráfego de pessoas que embora não sendo PcD’s (Pessoas com Deficiência) caminham em cima destes pisos e podem ter graves riscos de acidentes. Exemplificam-se nestes casos crianças, mulheres com salto-alto, idosos, pessoas em cadeiras de roda e outros, principalmente levando-se em consideração rotas de fuga, de emergência, , etc.

Os pisos táteis devem ser capazes de ser, portanto, antiderrapantes. Daí o cuidado na elaboração do design dos cones e barras, suas inclinações e dimensões. Os materiais cimentícios e de origem cerâmica devem ter conformação com rugosidade acentuada que reduza a possibilidade de escorregamentos e quedas. Técnicas desenvolvidas para pisos comuns já são bastante difundidas.

Já os pisos de origem sintética devem ter a preocupação de aceitarem deformação sob o peso das pessoas que nele pisam aumentando o atrito como forma de melhorar o “grip” (aderência). Materiais termoplásticos como borrachas e PVC entre outros são extremamente preferidos aos materiais termofixos como resinas epóxi, fibras de vidro, etc., visto que estas não se deformam.

Recomenda-se evitar ao máximo a utilização de materiais metálicos que sugerem pequenas “rampas de lançamento”!!! Imagine caminhar sobre “bolas de gude” ! De maneira prática deve-se imaginar sempre a aplicação destes pisos em bordas de piscina; só pra ter uma idéia sensorial do que pode acontecer.
A aplicação de relevos isolados de alerta ou direcionamento diretamente sobre o piso sem as áreas de contraste visual recomendadas pela norma NBR 9050 não é suficiente, pois como definem as normas de pisos táteis deve incorporar ambos os conceitos: Visual + Tátil.

Portanto, é mister que se atenham a este “detalhe” pois que a utilização destes elementos deverá ser acompanhada de outras medidas de sinalização acessível para satisfazer as condições de contraste visual, como por exemplo cromodiferenciar os pisos de granito, laminados, etc.
Depois de tudo isso, é preciso certificar-se das qualidades ambientais dos pisos tais como reciclagem, sustentabilidade, estabilidade, normas dos bombeiros entre outros. Enfim, um grande tema para pequenos elementos! Para mais esclarecimentos, consulte a NBR 9050.

Fonte: Revista Hotéis - 14/09/2011 - Imagem Internet

Cadeirante em Malhação mostrará a realidade de jovens com deficiência

Parece que a Rede Globo gostou da resposta obtida com a personagem Luciana na novela “Viver a Vida” e intensificou a abordagem da deficiência no Brasil. Agora teremos mais um personagem cadeirante na novela Malhação, Jefferson, que caiu de uma marquise quando estava pichando com seu irmão ficou paraplégico e tem os problemas que todas as pessoas que ficaram deficientes passaram.
 
Pelo que pude perceber o roteirista tem a intenção de mostrar todas as fases e problemas encontrados na adaptação e aceitação da deficiência “adquirida”. As primeiras fases são a auto-imagem afetada e o estado de choque dos amigos, conhecidos e sociedade em geral, que será mostrada nessa primeira parte.
 
Sinceramente espero que a abordagem seja feita de forma a mostrar a realidade, como foi feito na novela das nove, e que não apareça aquele tratamento milagroso ou melhora repentina e o rapaz volte a andar sem uma explicação cabível. Pelo visto espero que a abordagem siga o modelo que parece ser o idealizado pelo roteirista Julio Pecly, que é cadeirante a 20 anos, e tenta mostrar aos telespectadores a realidade dos jovens com deficiência e sem condições financeiras.

Deficiente visual

Na nova temporada de Malhação, o ator Pedro Tergolina é Filipe, jovem que supera as limitações da cegueira através do bom humor. O personagem tem inspiração e nome na vida real: Fernando Paiva, 18 anos, morador de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Fã de televisão, o rapaz que despertou a admiração da autora Ingrid Zavarezzi recebeu um convite especial da Rede Globo: ele e mais três deficientes visuais puderam conhecer os bastidores da emissora por meio de uma visita sensorial à Central Globo de Produção, na quinta-feira, 25.


Como uma cadeira rodas anda na neve?

Nós moramos em um país abençoado, onde não temos muitos terremotos, furacões, vulcões e nem problemas com neve. Mas você pode se perguntar, como eu fiz, como seria a vida de um cadeirante em um país onde tivéssemos neve e mais esse problema para atrapalhar a locomoção?

Eu encontrei um vídeo que mostra uma cadeira de rodas com uma adaptação muito interessante, pois ela permite que o cadeirante possa se locomover em locais com neve. Claro que não é para andar em montanhas de neve, mas já fazem com que a independência possa retornar, mesmo em locais com menos acesso por conta da neve.

Fora essa adaptação ainda temos a opção da transformação da cadeira tanque de guerra, que passa por cima de quase tudo e pode dar uma estabilidade melhor nesses casos. O único problema dessa cadeira é que ela não é fácil de carregar e pode acabar sendo um problema grande para quem precisa se locomover muito.



Cartilhas esclarecem sobre isenção de veículo, habilitação e atendimento a pessoas com deficiência

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência oferece duas cartilhas voltadas a interesses específicos de pessoas com deficiência. Uma delas é "CARTILHA DE ORIENTAÇÃO PARA ISENÇÃO DE IMPOSTOS E HABILITAÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA".

Esta publicação é um guia que aborda a relação da pessoa com deficiência com o carro. Permite a ela deslocar-se com independência nas cidades e estradas - como motorista, ou facilitada pela condução de familiares no caso de estar impedida de dirigir por causa de sua condição.

"A visibilidade social das pessoas com deficiência é um dos fatores essenciais para a sua inclusão. No trânsito dos grandes centros urbanos, ela pode ser também um fator de diminuição da agressividade na forma de dirigir e de humanização das relações entre motoristas", destaca sua introdução.
Com este Guia, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência oferece a sua contribuição para desenhar um "trânsito cidadão".

A outra publicação é a "CARTILHA DE ORIENTAÇÃO PARA O ATENDIMENTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA". É dirigida a todos os profissionais que trabalham em estabelecimentos localizados ao longo das rodovias do Estado de São Paulo. E também aos proprietários de postos de abastecimento de combustível e serviços como borracharia e autoelétrico, restaurantes, shopping centers, áreas de diversão, lazer e demais negócios que se desenvolvem nos roteiros que ligam a capital às cidades do interior.

Foi desenvolvida com o objetivo de levar orientação especializada para atendimento de pessoas com deficiência que viajam nesses roteiros - como passageiros ou condutores de automóveis adaptados (para permitir a dirigibilidade em segurança de motoristas que também possuem deficiências). Há informações sobre tipos de deficiência, fatores de ocorrência, estatísticas e legislação de proteção aos direitos das pessoas com deficiência.

Para a CARTILHA DE ORIENTAÇÃO PARA ISENÇÃO DE IMPOSTOS E HABILITAÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA acesse:

Para acessar a CARTILHA DE ORIENTAÇÃO PARA O ATENDIMENTO À PESSOA COM DEFICIÊNCIA clique em:


Família impedida de embarcar no metrô será indenizada

Menor de idade, portador de necessidades especiais, e seus pais, detentores de passe gratuito, não puderam usar o transporte.

Menor de idade, portador de necessidades especiais, e seus pais serão indenizados, em R$ 5 mil, pela empresa Opportrans Concessão Metroviária, do Rio de Janeiro. Embora o menino fizesse jus à gratuidade e estivesse de posse de seu passe livre, emitido pelo Governo Federal, e do cartão "Riocard" especial, a situação vexatória aconteceu em mais de uma ocasião.

Além de serem impedidos de entrar no meio de transporte, os autores foram constrangidos e ofendidos por um segurança da concessionária. A decisão, por unanimidade, foi estabelecida pela 11ª Câmara Cível do TJRJ, que manteve sentença de primeira instância.

Segundo o relator, desembargador Fernando Cerqueira Chagas, a Lei Estadual 4.510/2005 e o Decreto 36.992/05 asseguram isenção do pagamento de tarifa nos serviços de transporte intermunicipal e intramunicipal, este sob a administração estadual, para pessoas portadoras de deficiência e para aquelas com doença crônica de natureza física ou mental, cuja interrupção no tratamento possa acarretar risco de vida.

Para o magistrado, faltou razoabilidade na alegação da defesa de que o menor não possuía a carteira da Secretaria de Saúde e apenas o protocolo do Vale Social. "No confronto do direito fundamental à vida com questões de interesses meramente administrativos resta evidente que aquele se sobrepõe a este", explicou o relator.

Os números do processo não foram informados.

Fonte: TJRJ ( http://despertarparaser.blogspot.com/2011/09/familia-impedida-de-embarcar-no-metro.html )

Britânico tem dedão do pé implantado no lugar de polegar

Um britânico que cortou o polegar da mão esquerda acidentalmente decidiu ter o dedão do pé amputado e implantado em seu lugar.
DA BBC BRASIL


O dedo do pé implantado na mão do britânico: operação incomum
James Byrne, 29, perdeu o polegar enquanto serrava madeira em dezembro do ano passado.

Depois de uma tentativa fracassada de reimplantar o dedo, cirurgiões plásticos do Hospital Frenchay, em Bristol, transplantaram o dedão do pé esquerdo de Byrne para sua mão.

Segundo o cirurgião Umraz Khan, a perda do dedo do pé não é um incapacitamento tão grande como perder um polegar, então o ganho é maior que a perda.

"O Dr. Khan reimplantou meu polegar, mas ele tinha sido muito danificado e, apesar de termos tentado de tudo, incluindo sanguessugas, para fazer com que o sangue fluísse novamente, não conseguimos", disse Byrne.

"O Dr. Khan disse: 'Você vai ter um polegar nem que eu tenha que tirar seu dedão do pé'. Eu pensei que ele estivesse brincando, mas ele estava falando sério e nove meses depois, aqui está."

Byrne diz não ficar incomodado com a parte estética.

"Eu estou satisfeito com o fato de que ele (o dedo) funciona. Meu trabalho como pedreiro estaria destruído sem o uso da minha mão, porque não conseguiria pegar um tijolo sem o polegar, mas agora espero poder voltar ao trabalho em alguns meses."

FISIOTERAPIA

Byrne terá de passar por fisioterapia para ajudá-lo a se adaptar ao uso do novo polegar.

O Hospital Frenchay é um centro regional de microcirurgia e é renomado por ajudar pacientes que requerem este tipo de procedimento.

"James terá de reaprender a se equilibrar sem o dedão do pé esquerdo, mas ele conseguirá andar e correr normalmente", disse o Dr. Khan.

"Já sem o polegar, James não poderia fazer coisas básicas como segurar uma caneta ou abrir a porta. Ainda estamos na fase inicial, mas é possível que ele precise de outras cirurgias para fazer com que o dedão se pareça mais com um polegar."

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2011/09/14/britanico-tem-dedao-do-pe-implantado-no-lugar-de-polegar.jhtm

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Vamos divulgar o “Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência”?

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 14/09/2011
Amigos,
O dia 21 de setembro é o "Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência". Por isso, gostaria de convidar todos vocês para unirmos nossas forças e divulgarmos a importância desta luta.
Nossa intenção é colocar em evidência vários assuntos relacionados a esse público, chamando a atenção principalmente das pessoas sem deficiência, as quais desconhecem as particularidades e dificuldades deste grupo tão diversificado.
Se você mantém um blog ou possui um perfil no Facebook ou Twitter, pode participar das seguintes formas:
BLOG - Copie e cole este post no seu blog, poucos dias antes do dia 21/09.
 
 
FACEBOOK - Copie e cole esta frase no seu mural do Facebook.
Dia 21 de setembro é o "Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência". Fazem parte deste grupo os Deficientes Físicos (paraplégicos, tetraplégicos, amputados, anões e outros), Deficientes Auditivos (surdos oralizados, sinalizados ou bilíngues), Deficientes Visuais, Deficientes Mentais e pessoas com Deficiência Múltipla (com duas ou mais deficiências associadas). Se você apóia a luta dessa galera, divulgue esta mensagem no seu mural!
TWITTER
 
Twitte durante todo o dia 21 de setembro a "hashtag" #diadelutadapcd, linkando ou não alguma notícia ou post sobre qualquer assunto relacionado às pessoas com deficiência. Por mais que não consigamos colocar este assunto nos Trending Topics do Twitter, vamos despertar a atenção de muita gente!
21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência
O Brasil é um país com uma população total de 190.755.799 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2010, distribuídos por uma extensão territorial de 8.502.728,269 Km2.
O País caminha velozmente rumo a um perfil demográfico cada vez mais envelhecido, pois o índice de envelhecimento aponta para mudanças na estrutura etária da população brasileira. Em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos, existiam 24,7 idosos de 65 anos ou mais. Em 2050, o quadro muda e para cada 100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172,7 idosos.
Os resultados do Censo 2000 mostram que, aproximadamente, 24,6 milhões de pessoas, ou 14,5% da população total, apresentam algum tipo de deficiência. O IBGE levou em conta que deficientes são pessoas com ao menos alguma dificuldade de enxergar, ouvir, locomover-se ou alguma deficiência física ou mental.
É importante destacar que a proporção de deficientes aumenta com a idade, passando de 4,3% nas crianças até 14 anos para 54% do total das pessoas com idade superior a 65 anos. À medida que a estrutura da população está mais envelhecida, a proporção de pessoas com deficiência aumenta, surgindo um novo elenco de demandas para atender as necessidades específicas deste grupo. Abaixo, o gráfico ilustra os números referentes à distribuição por tipo de deficiência:

Além de graves problemas de falta de acessibilidade em locais públicos e de uso comum, as pessoas com deficiência enfrentam diversas outras dificuldades:

- Alto custo de medicamentos e tratamentos;

- Discriminação e preconceito;

- Dificuldade em se colocar no mercado de trabalho;

- Ausência de escolas preparadas (pedagógica e estruturalmente) para receber crianças com deficiência e promover sua inclusão à sociedade;

- Alto custo de equipamentos mais sofisticados (uma cadeiras de rodas de qualidade ou um smartphone com recursos de acessibilidade para cegos e surdos, por exemplo);

- Grande burocracia para ter acesso a alguns benefícios, como desconto na aquisição de veículos, descontos em passagens aéreas, seguros, aposentadorias e outros;

- Falta de acessibilidade nos meios de comunicação e entretenimento (principalmente em websites, televisão, cinemas e teatros);

- Falta de treinamento das pessoas que trabalham no atendimento ao público (shoppings, aeroportos, restaurantes, bancos e outros);

- Falta de transporte público acessível, tanto urbano quanto intermunicipal e interestadual.

Existem muitos outros problemas além dos citados acima. Muitos deles já possuem soluções garantidas por lei, mas grande parte das pessoas com deficiência ou seus familiares desconhece este fato. Além disso, no Brasil, infelizmente, o que é de direito do cidadão tem de ser "solicitado", enquanto deveria simplesmente ser oferecido pelo poder público e pela iniciativa privada.

Vamos todos juntos, cidadãos de bem, com deficiência ou não, divulgar esta grande luta!
 
OBSERVAÇÃO
Nossa intenção não é "monopolizar" esta mobilização, mas sim tentar fazer com que unifiquemos nosso "grito" neste dia.
Caso alguém deseje mobilizar-se de alguma outra forma, fique à vontade, mas não o deixe de fazer!
Abraços!!!
Frederico Rios