sábado, 12 de novembro de 2011

Unidos pela deficiência, casal mantém promessa de amor até a morte

Edwin Morales se senta ao lado do caixão de sua mulher, Noemi Rivera, em uma casa funerária em Nova York. O casal, que tinha paralisia cerebral, fugiu em 1996 e prometeu nunca deixar um ao outro apesar da contrariedade das famílias

Aos 7 anos, Edwin Morales conheceu Noemi Rivera. Três décadas depois, sentados em um restaurante Szechuan no Upper West Side, ele colocou uma aliança no dedo dela. As famílias de ambos eram contrárias ao casamento e a própria natureza parecia estar contra eles. Eles usavam cadeiras de roda por causa de paralisia cerebral e precisavam de ajuda para cuidarem de si mesmos.

Mesmo assim, disse Morales, "nós fizemos a promessa de nunca abandonaríamos um ao outro". Eles fugiram e se casaram no civil em uma tarde de terça-feira, em 1996. A lua de mel deles foi passar um dia em Coney Island. A família dele superou a contrariedade; a dela permaneceu rompida.

Outra noite, Morales, atualmente com 53 anos, estava sentado próximo ao caixão da esposa em uma funerária, discutindo os dias de uma vida que as pessoas em volta deles consideram incrível –os carinhos e brigas, as trocas à meia-noite das fraldas adultas, as audaciosas diversões pelas ruas de Nova York.

"Nós costumávamos apostar corrida", disse Morales. "Ela era veloz", disse Margie Laracuente, uma de suas irmãs. "Eddie batia nos muros", disse Jackie Morales, um sobrinho.

Essa emancipação era impensável quando o casal era criança. O mais jovem de oito, Edwin Morales foi colocado aos 4 anos em Willowbrook, um infame calabouço para deficientes em Staten Island. Ele quase nunca era retirado de sua cama. As crianças mais velhas eram amarradas nas cadeiras. Quando o senador Robert F. Kennedy visitou em 1965 e deplorou publicamente o lugar, a família Morales libertou Edwin.

"Meus pais raptaram..." começou Laracuente, parando para olhar ao redor na funerária. Ela prosseguiu sussurrando: "Minha mãe tinha um amigo com uma van. Nós o contratamos para um piquenique no local, e quando chegamos lá, encostamos a van, jogamos ele dentro e nunca olhamos para trás. Nós ficamos apavorados o tempo todo".

Os problemas de Morales se enquadravam na descrição geral de paralisia cerebral, que inclui deficiência nos nervos e músculos, e em seu caso, o atrofiamento do braço direito e das pernas. Foi durante uma longa internação em um hospital para cirurgia que ele conheceu Noemi, que tinha um quadro semelhante.

"Ela tinha cabelo preto liso, como uma boneca chinesa", ele disse. Nos anos seguintes eles tomavam o mesmo ônibus para a mesma escola. Então o caminho deles divergiu.

"Cerca de cinco anos depois, ela pediu meu telefone para alguém da escola", disse Morales, "e me ligou para saber como eu estava". Eles se visitavam, comiam fora, assistiam filmes juntos.

"Aos poucos", ele disse, "nós nos apaixonamos". Sua irmã Margie encontrou um apartamento para ele. "Meus pais tinham muito cuidado com ele, mas o tratavam como bebê”, ela disse. “Ele queria se virar sozinho."

Após o casamento, ele e Noemi viviam dos cheques mensais do Seguro Social. Eles tinham uma auxiliar de enfermagem domiciliar durante o dia, mas se viravam sozinhos à noite. Os problemas de saúde de Noemi a deixaram dependente de seu marido para as coisas mais básicas.

“Qualquer mulher gostaria de ter um homem como Edwin”, disse Edith Henriquez, a assistente social da família. “Ele sempre cuidava em manter os lábios dela umedecidos, as mãos dela limpas, que ela tivesse o que beber.”

Gabrielle Goldberg, que cuidou de Noemi no Mount Sinai Hospital, disse: “Edwin é como um menino de 10 anos que tenta agir como acha que um homem deveria. Mas ele o fazia melhor do que qualquer homem poderia”.

Eles iam ao circo todo ano e foram a um memorável concerto de salsa no Madison Square Garden. Morales se aventurou até o Queens, para torcer pelos Mets. Eles assistiam vídeos de “A Pequena Sereia”, “Cinderela” e nunca perdiam a luta livre na televisão.

“Duas horas antes de começar, era: ‘Querido, precisamos pegar os petiscos’”, disse Morales. “Ela então me xingava por algo e então dizia: ‘Oh, querido?’”

Diante da deterioração de sua saúde, Noemi disse que queria se casar na Igreja Católica Romana. Àquela altura, eles eram atendidos pela dra. Ana T. Blohm, do programa de médicos a domicílio do Mount Sinai, uma equipe que contava com uma enfermeira, Colleen Buckshaw, e a assistente-social, Henriquez. Além do atendimento a domicílio, elas resolviam problemas. Henriquez organizou o batismo, comunhão e confirmação de Edwin e depois o casamento. A auxiliar de enfermagem domiciliar deles, Mercedes Hernandez, foi a madrinha dele. Um padre foi até o apartamento, em um conjunto habitacional em Manhattan, e os casou em uma cerimônia religiosa em maio de 2008.

Na funerária, Morales dava instruções. "Escreva isto: o quanto eu os agradeço e amo”, então listando nomes suficientes para mapear uma constelação.

Na tarde de quinta-feira, em um cemitério em Hackensack, Nova Jersey, Morales permaneceu sentado no sol quente de outono, cercado por uma geração de parentes que o tiraram de Willowbrook há meio século. Ele chorou.

Um homem de cabelos brancos se desviava com uma bengala do chão irregular. Morales olhou para ele: era Ismael Rivera, o pai de Noemi. Foi preciso anos para ele superar a partida de sua filha.

"Eu mantive minha promessa”, disse Morales. “Eu cuidei dela".“Gracias”, disse Rivera, e o abraçou.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2011/11/12/unidos-pela-deficiencia-casal-mantem-promessa-de-amor-ate-a-morte.jhtm

Crianças com autismo têm mais neurônios do que a média, diz estudo

Cérebro também é mais pesado do que o normal. Pesquisa é preliminar, mas indica um caminho para novos estudos.
da Redação

Crianças com autismo têm mais neurônios e um cérebro mais pesado do que a média, aponta uma pesquisa publicada pela "JAMA", revista da Associação Médica Norte-americana. Foi um estudo pequeno e preliminar, mas a diferença encontrada é significativa.

Em média, os autistas têm 67% mais neurônios do que as outras crianças no córtex pré-frontal. Essa região do cérebro está ligada ao desenvolvimento social, emocional, comunicativo e cognitivo, áreas comprometidas pelas doenças do espectro autista.

“Portanto, o conhecimento da base neural do crescimento exagerado do cérebro poderia apontar os mecanismos que causam o autismo e esclarecer as falhas funcionais neurais que dão origem aos sintomas”, afirma o artigo assinado por Eric Courchesne, da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos EUA.

O estudo foi feito com cérebros de cadáveres de meninos com entre dois e 16 anos. Dos 13 indivíduos selecionados, sete eram autistas e outros seis não – o chamado grupo controle. Os anatomistas fizeram a análise e apresentaram os resultados com a quantidade de neurônios e tamanho dos cérebros sem saber o diagnóstico de cada um.

Além do número de neurônios, a massa do cérebro também mostrou uma grande diferença. Segundo os dados obtidos, o cérebro dos autistas é 17,6% mais pesado que a média geral. Entre os membros do grupo controle, a diferença é de apenas 0,2%.

“Nossa amostra de crianças autistas não foi grande o bastante para estudar estatisticamente a relação entre cérebro e comportamento. Futuros estudos com muito mais casos podem revelar relações importantes entre a contagem de neurônios e a severidade dos sintomas”, escreve o Courchesne.
Segundo os autores, esse é o primeiro estudo que testa quantitativamente a teoria de que o excesso de neurônios está ligado ao autismo.

Fonte: G1 - 11/11/2011 - Imagem Internet

Gêmeas enfrentam cegueira com devoção à música

Irmãs argentinas voltaram a estudar piano auxiliadas por programa de computador.
da Redação

Para as gêmeas Paula e Fabiana Chávez, de 44 anos, o mundo é repleto de vultos e de música. Diagnosticadas aos 13 anos com uma doença rara que as deixou gradualmente sem visão, as irmãs argentinas enfrentaram sua condição com aulas de pianos, retomadas recentemente com a ajuda de um programa de computador.

Ao ser informado pelos médicos que as filhas sofriam do mal de Stargardt, o pai de Paula e Fabiana, Juan, que era músico, as presenteou com um piano.

"O piano nos salvou porque sempre gostamos de música. E naquela época ainda podíamos ver os teclados e as partituras. Depois, nosso pai desenhou as notas musicais em letras grandes e assim fomos aperfeiçoando nosso trabalho de pianistas", disse Paula à BBC Brasil.

Na adolescência, elas ainda enxergavam um pouco. Hoje estão praticamente cegas.
"Guardamos na memória o que aprendemos, quando ainda tínhamos alguma visão. E é graças a isso que podemos tocar", afirmou.

Elas chegaram a realizar concertos em teatros, no interior da província de Buenos Aires, com a ajuda de lentes especiais. Mas a visão limitada as levou a desistir, há quase vinte anos, da carreira profissional, segundo Paula.

"Mas há cerca de três anos minha irmã descobriu, na internet, um programa de computador que lê as notas das partituras. Graças a esse método e a memória musical, voltamos a estudar e nos formamos em Artes Musicais e Sonoras", contou.
Elas receberam o diploma em outubro do Instituto Universitário Nacional de Arte (IUNA).

Presente e passado

As gêmeas contam que muito do mundo que 'veem' hoje é feito das lembranças do passado.
"Eu não posso ver mais os rostos dos meus filhos, mas fiquei com a lembrança deles ainda bebês. Para mim, eles sempre serão bebês", disse Paula.

Ela é mãe de Agustín, de oito anos, e de Santiago, de nove. Atualmente, as gêmeas são professoras de música em escolas públicas, mas Fabiana, que tem um namorado e não tem filhos, trabalha como professora de música para alunos com problemas auditivos, numa escola do município de La Matanza, na província de Buenos Aires.

Elas também estão realizando, como informou Paula, uma pesquisa para tentar desenvolver um sistema de leitura de partituras para deficientes visuais.

"Nos últimos três anos a nossa falta de visão se agravou e passamos a pensar nas outras pessoas que também gostam de musica clássica mas sofrem da mesma limitação que enfrentamos", disse.

Fonte:  G1 - Argentina, 11/11/2011

Prazo para inclusão de alunos com deficiência é curto, avaliam deputados

Deputados favoráveis e contrários à inclusão de alunos com deficiência no ensino regular afirmam que a meta do novo Plano Nacional de Educação (PNE) pode não ser alcançada a tempo. A proposta prevê a universalização, nas escolas regulares, do ensino para estudantes de 4 a 17 anos de idade com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e superdotados. Além do novo PNE  (PL 8035/10), 18 propostas sobre o assunto tramitam na Câmara.

Arquivo/ Reinaldo Ferrigno


      Rosinha da Adefal defende mais investimentos em tecnologia e nos educadores.

Para a presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), a educação inclusiva é o caminho natural para a integração dos deficientes. “Não temos mais como fugir, a educação inclusiva vai acontecer até por uma questão cultural.”
A parlamentar afirma, no entanto, que o prazo previsto no PNE é curto para fazer as mudanças necessárias. “A infraestrutura que temos é muito pequena. Temos de ter investimento muito maior, seja na tecnologia, seja nos profissionais.”
Para o presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa das Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), a proposta do PNE não é factível e não gera uma real inclusão dos alunos com deficiência. “É preciso colocar na escola e garantir o aprendizado.”
De acordo com Dr. Ubiali, o PNE precisa reconhecer o papel das escolas especializadas na formação desses estudantes. Ele afirma que as escolas regulares só podem receber alunos com deficiência se tiverem ao menos um professor ou técnico auxiliar por criança.
A deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) também não acredita que a meta possa ser alcançada. “O discurso político é ótimo, mas quem já lidou com o sistema sabe que existem modalidades de atendimento que não são possíveis em algumas escolas”, disse a parlamentar, que já foi secretária de Educação de Tocantins.
Segundo ela, as escolas regulares não têm pessoal preparado para lidar, por exemplo, com crianças com deficiências múltiplas.

Abordagem no PNE

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), ex-secretária municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, criticou a abordagem da educação para pessoas com deficiência em apenas uma meta do PNE. “A inclusão deve acontecer na estrutura do plano. A educação inclusiva cabe em várias das 20 metas”, afirmou. A parlamentar apresentou emendas ao projeto para que o tema seja tratado de forma transversal.

Saulo Cruz

Dr. Ubiali: PNE precisa reconhecer papel das escolas especializadas.

Pelo PNE antigo, com metas de 2001 a 2010, a previsão era integrar os alunos no ensino médio pela qualificação dos professores e adaptação da infraestrutura escolar. Em 2010, houve 703 mil matrículas de alunos com deficiência, um aumento de 10% com relação às 640 mil de 2009, de acordo com dados do Censo Escolar 2010, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Escolas especializadas

O debate sobre o papel das escolas especializadas no ensino para estudantes com deficiência divide a opinião dos parlamentares. Alguns afirmam que essas instituições devem repassar seu conhecimento para as escolas regulares e, gradativamente, serem extintas. Outros preferem uma solução consensual, em que as instituições convivam e que os pais e alunos decidam onde matricular seus filhos.

Rosinha da Adefal defende a existência das escolas especializadas, mas para receber casos específicos de deficiências mais graves. “Poderiam ajudar em casos de a pessoa com deficiência, mesmo com a estrutura escolar ideal, não conseguir permanecer em escolas regulares."

“Se eu segrego uma criança numa Apae, estou tirando ela do convívio com a escola regular”, afirma a deputada Professora Dorinha. Porém, na opinião dela, a escola também não pode “fazer de conta que está dando atendimento diferenciado” se não tiver estrutura adequada.

A deputada Mara Gabrilli aposta em uma convivência de escolas regulares e especiais no ensino de crianças e jovens com deficiência. Segundo ela, o essencial é que os centros de ensino tenham educação de qualidade e que os alunos sejam bem formados. “É bom conviver com todos, para ter experiências de aprendizado. O aluno especial pode ter um universo muito mais abrangente, porque viverá em vários mundos.”

Representantes de entidades de deficientes defendem a manutenção das escolas especiais. Segundo o presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil, Moisés Bauer, o Ministério da Educação está esquecendo que a educação vem antes da inclusão. “Se defende a educação inclusiva muito mais pelo romantismo do que por aspectos práticos da questão.”

Para a diretora do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), Solange Rocha, a meta é contraditória à prerrogativa de os pais escolherem que tipo de escola querem para os filhos. “Os surdos não podem estar ali só como uma categoria pedagógica para melhorar a sociedade”, critica Solange Rocha. Segundo ela, a inclusão dos alunos com deficiência não pode se tornar um argumento absoluto.

Íntegra da proposta:
PL-8035/2010
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara de Notícias'

Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCA%C3%87%C3%83O-E-CULTURA/204323-PRAZO-PARA-INCLUS%C3%83O-DE-ALUNOS-COM-DEFICI%C3%8ANCIA-%C3%89-CURTO%2c-AVALIAM-DEPUTADOS.html  - Imagem Internet

Acessibilidade.

Grande parte dos acidentes, responsável por lesões traumáticas em pessoas com mais de 60 anos, ocorre dentro de casa.

Cerca de 30% dos atendimentos por lesões traumáticas nos hospitais brasileiros ocorre com pessoas com mais de 60 anos, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS), 85% dos quais dentro de casa. Deste total, 34% das quedas provocam algum tipo de fratura e 46% dos acidentes verificam-se principalmente à noite, no trajeto entre o quarto e o banheiro.

Por isso, preparar a casa para evitar que as pessoas idosas caiam e se machuquem é imprescindível. Dicas simples podem colaborar para impedir essas ocorrências. Dentre elas, reforçar a iluminação de todos os ambientes da residência; evitar tapetes nos quais se pode tropeçar ou escorregar; manter a fiação de equipamentos elétricos fixada ao longo da parede; utilizar pisos e calçados antiderrapantes; usar barras de segurança no banheiro; evitar prateleiras de vidro e superfícies cortantes; posicionar armários e estantes na altura da cintura ou do peito, entre outras.

Mas, nem sempre esses cuidados são suficientes para evitar problemas. No caso de quedas, que provocam imobilidade, o mais importante é o socorro imediato para impedir seqüelas mais graves. Por esta razão – e principalmente para idosos e pessoas que moram sozinhas – a TeleHelp, pioneira no Brasil em teleassistência, serviço de atendimento emergencial remoto, oferece um serviço inovador no País.

Um aparelho, com tecnologia de ponta, instalado na casa do cliente, conectado ao telefone e à energia elétrica, garante assistência, com um único toque, da Central de Atendimento TeleHelp 24hs, especializada em prestar socorro nos casos de emergência.

Uma vez acionado o alarme – operado a partir de um botão usado como relógio ou colar –, as operadoras da Central de Atendimento entram em contato com o usuário para saber o tipo de emergência e, em seguida, avisar pessoas previamente definidas pelo cliente para que o atendam.

Sua frequência é captada pelo painel instalado em casa, mesmo a uma distância de 200m, permitindo que o usuário tenha mobilidade, com total segurança e cobertura. Ao receber o chamado, a TeleHelp utiliza o viva-voz para falar com o cliente. O preço do serviço varia entre R$ 85 e R$ 140 mensais.

A TeleHelp conta com mais de três mil clientes em 107 cidades de 13 estados brasileiros. Há três anos, tem uma parceria com a Prefeitura de Joinville (SC), por meio da Secretária de Bem-Estar Social, área de cuidado com o idoso, que garante o serviço a 500 moradores idosos, cadastrados nos programas sociais do município.

Entre 2008 e novembro de 2010, o serviço gerou 5.001 chamados de emergência, com 4.772 casos resolvidos pela equipe de atendimento da teleassistência. Apenas 1,5%, dos incidentes foram encaminhados para o resgate e para os pronto-socorros do município, melhorando o fluxo de pessoas nos serviços públicos de saúde.

Fonte: VOICE COMUNICAÇÃO (http://mundoacessivel.blogspot.com/2011/11/grande-parte-dos-acidentes-responsavel.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Acessibilidade+%28Acessibilidade%29)
Direção de Atendimento: Beth Guaraldo (bguaraldo@voice.com.br)

O que é paralisia cerebral?


A paralisia cerebral é uma lesão cerebral que acontece, em geral, quando falta oxigênio no cérebro do bebê durante a gestação, no parto ou até dois anos após o nascimento - neste caso, pode ser provocada por traumatismos, envenenamentos ou doenças graves, como sarampo ou meningite.

Dependendo do local do cérebro onde ocorre a lesão e do número de células atingidas, a paralisia danifica o funcionamento de diferentes partes do corpo. A principal característica é a espasticidade, um desequilíbrio na contenção muscular que causa tensão e inclui dificuldades de força e equilíbrio. Em outras palavras, a lesão provoca alterações no tônus muscular e o comprometimento da coordenação motora. Em alguns casos, há também problemas na fala, na visão e na audição.

Ter uma lesão cerebral não significa, necessariamente, ser acometido de danos intelectuais, mas em 75% dos casos as crianças com paralisia cerebral acabam sofrendo comprometimentos cognitivos.

Como lidar com a paralisia cerebral na escola?

Para dar conta das restrições motoras da criança com paralisia cerebral, vale adaptar os espaços da escola para permitir o acesso de uma cadeira de rodas, por exemplo. Na sala de aula use canetas e lápis mais grossos, envoltos em espuma e presos com elástico para facilitar o controle do aluno. Os papeis são fixados em pranchetas para dar firmeza e as folhas avulsas, nesse caso, são mais recomendáveis que os cadernos. O professor deve escrever com letras grandes e pedir para que o aluno com paralisia cerebral sente-se na frente, se possível, com uma carteira inclinada, que dá mobilidade e facilita a escrita.

Se o aluno apresentar problemas na fala e na audição, providencie uma prancha de comunicação, para que ele se expresse pela escrita. Caso isso não seja possível, o professor pode preparar cartões com desenhos ou fotos de pessoas e objetos significativos para o aluno, como os pais, os colegas, o professor, o time de futebol, diferentes comidas, o abecedário e palavras-chave, como "sim", "não", "sede", "banheiro", "entrar", "sair" etc. Assim, para indicar o que quer ou o que sente, o aluno aponta para as figuras.

Em alguns casos, a criança com paralisia cerebral também precisa de um cuidador que a ajude a ir ao banheiro ou a tomar o lanche. Mas, vale lembrar, que todos devem estimular a autonomia da criança, respeitando suas dificuldades e explorando seus potenciais.

Fonte de pesquisa: Revista Nova Escola (http://arivieiracet.blogspot.com/2011/11/o-que-e-paralisia-cerebral.html)

Inclusão não é só ACESSIBILIDADE

Que tal se, ao invés de nos perguntarmos "Qual é o custo de tornar isso acessível?" nos perguntássemos, "O que há de tão especial nesta situação a ponto de justificar a exclusão?" Historicamente, a acessibilidade foi o bordão de um movimento político surgido a partir da era dos direitos civis nos anos 1970. A inclusão é sua filha - um objetivo que reflete uma rede globalizada, na qual a liberdade de movimento e a participação integral de todos é algo esperado - e reverenciado enquanto direito.

Economicamente, a inclusão expande o seu mercado. Ela faz sentido como um negócio bem-sucedido. A propaganda convence o consumidor de que ele precisa de seu produto - quer ele precise ou não. Criar um produto que comunique, à primeira vista, a ideia de que é utilizável por um consumidor em potencial faz com que o produto anuncie a si mesmo.
Os consumidores que, via de regra, são deixados de lado tendem a demonstrar menos entusiasmo em suas lealdades quando descobrem que uma empresa faz um esforço acima da média para satisfazer suas necessidades. Pense no sorriso de uma criança com deficiência quando, ao perceber que o playground permite que ela seja incluída também, corre para brincar nele.
Os consumidores adultos não são muito diferentes! Enquanto a acessibilidade é passiva - deixa a porta aberta, sem obstáculos no caminho - a inclusão ativamente convida você a entrar e a participar da rede humana além da passagem desimpedida. A acessibilidade vê coisas e espaços.
A inclusão vê a vida humana. A acessibilidade olha para trás. Ela percorre meio caminho na direção de padrões ultrapassados e artificiais a respeito do que - e de quem - é "normal". A acessibilidade, com frequência, torna-se "mera adequação", uma obsessão com listas, um receio de que as pessoas com deficiência representem problemas na gestão de riscos. Enquanto desliza de marcha-ré por esse escorregador, a acessibilidade aceita o desempenho no padrão do "menos pior" - e tem como objetivo apenas o mínimo que possa ser configurado conforme o acordo político da legislação, os regulamentos e a obediência às normas. A acessibilidade estabelece um piso, mas frequentemente parte do pressuposto de que o teto está além do alcance.
A inclusão diz respeito à comunidade A inclusão olha para a frente. Ela envolve o acolhimento dos recém-chegados por parte daqueles já privilegiados pelo acesso a um bem social em particular. Ela é a resposta hospitaleira - o sinal de uma comunidade saudável. Enquanto a mera acessibilidade falha ao deixar as crianças com deficiência timidamente às margens de um playground bem-intencionado, a inclusão dá um passo à frente, muitas vezes além do design físico, e educa a comunidade quanto ao potencial do design.
O impacto positivo de um playground sobre uma comunidade pode ser facilmente medido. A inclusão desafia a comunidade a não deixar de medir o impacto do bom design sobre os membros dessa mesma comunidade que costumavam ser excluídos. A inclusão vai além das simples dimensões da infraestrutura física e registra o aumento do capital social, bem como, ao fazer isso, convida novos membros da comunidade a participarem plenamente.
O Instituto para o Design Centrado na Pessoa, em Boston, explica o modo pelo qual o Design Universal (moldado no conceito da inclusão) vai além do simples acesso: O Design Universal é um framework para o design de espaços, objetos, informação, comunicação e políticas utilizáveis pelo maior número possível de pessoas, operando na mais ampla gama de situações, sem um design especial ou separado.
O Design Universal é, simplesmente, o design, centrado na pessoa, de tudo, com todos em mente. O Design Universal é também chamado Design Inclusivo, Design para Todos e Design para o Ciclo da Vida. Ele não é um estilo, mas sim uma orientação para todo processo de design que parta de uma responsabilidade para com a experiência do usuário. O Design Universal e o design ecológico são, confortavelmente, dois lados da mesma moeda, mas em diferentes estágios evolucionários. O design ecológico tem seu foco na sustentabilidade ambiental, e o Design Universal na sustentabilidade social ( www.adaptenv.org).
Design Universal não significa "tamanho único". Um objetivo desses seria impossível. Mesmo no ciclo da vida de uma única pessoa, a estatura, a habilidade e os desejos mudam. Por isso, alguns preferem o termo "Design Inclusivo" para indicar que a inclusão torna socialmente sustentável a melhor acessibilidade, ao permanecer intensamente engajada na solução de problemas com aqueles em desvantagem quanto ao que passa por normal.
Onde mais, exceto num playground inclusivo, os pais das crianças temporariamente não-deficientes podem aprender a lidar com os inevitáveis arranhões, torções e braços quebrados da infância? Haveria um local de encontro mais natural para esses pais se beneficiarem do conhecimento prático e da resiliência de pais cujos filhos têm deficiência? E quanto àqueles tentados a justificar a mera acessibilidade devido a fundos insuficientes?
Ao argumentar com aqueles que controlam as despesas, responda com os custos de manter áreas de recreação "especiais" separadas, segregadas e estigmatizadas. Em tempo de eleição, lembre os tomadores de decisões do valor de se ter constituintes (previamente ignorados) com uma lealdade entusiástica. Playground também dá votos. A acessibilidade é um fazer para - uma tarefa do século XX. A inclusão é um fazer com - uma visão do século XXI.
Qual das duas abordagens torna as comunidades mais fortes?

Fonte: Scott Rains (http://deficientesimincapaznunca.blogspot.com/2011/11/inclusao-nao-e-so-acessibilidade.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+DeficienteSimIncapazNunca+%28dEficiente+Sim.+Incapaz+NUNCA%21%21%21%29)  Imagem Internet

Projeto orçamentário de Itajaí (SC) traz nome da cidade errado, e problema é descoberto por vereador cego

Léo Pereira
Especial para o UOL Notícias
Em Florianópolis

O projeto orçamentário de 2012 para Itajaí (95 km de Florianópolis), que está em tramitação na Câmara de Vereadores, traz na página de apresentação o nome de Porto Velho (RO), e não o da cidade catarinense. O erro foi descoberto por um parlamentar cego. Um inquérito jurídico foi aberto pelo município para verificar de quem é a responsabilidade pela falha.

"Foi quase uma ironia do destino. São erros grosseiros, parece 'control c, control v'. Sinto-me frustrado e surpreso ao mesmo tempo", afirma o vereador Marcelo Werner (PCdoB), que alega que o projeto possui trechos copiados da lei orçamentária de Porto Velho.

A proposta passou pelas mãos de secretários, procuradores e inclusive do prefeito antes de chegar aos vereadores, na última terça-feira (8). Werner acompanha os textos através de software especial ou pede para que sua assessoria os leia em voz alta.

O parlamentar, que é cego desde os 16 anos (hoje, ele está com 30), apontou outros problemas no orçamento. Um exemplo citado é o valor descrito por extenso para a Fundação Municipal de Esportes, que chega a R$ 13 milhões. Entretanto, em numeral, o valor é bem menor: R$ 3,6 milhões.

Segundo a Secretaria de Planejamento de Itajaí, houve demora no repasse de relatórios pelas secretarias, e por isso a proposta orçamentária foi remetida com pressa para a Câmara. A expectativa é de que o texto revisto seja enviado de volta aos vereadores durante a próxima semana.

O orçamento precisa ser aprovado antes do recesso parlamentar, no fim do ano. O texto deve ser votado em duas sessões no plenário, num prazo de até 30 dias.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/politica/2011/11/11/projeto-orcamentario-de-itajai-sc-traz-nome-da-cidade-errado-e-problema-e-descoberto-por-vereador-cego.jhtm

Com perna biônica, jovem britânico consegue até esquiar

O britânico Matthew Newbury (foto), 30 anos, perdeu uma de suas pernas em um acidente de moto em 1997, mas não sente problemas ou dificuldades em subir escadas, praticar esportes, e até esquiar. Ele é o primeiro de seu país a contar com a perna biônica Genium, que está transformando a sua vida.

Newbury, que perdeu a perna esquerda acima do joelho, utilizou diversas próteses ao longo dos anos, mas nenhuma delas permitiu-lhe uma liberdade tão grande quanto a Genium, que custam 50 mil libras (R$140 mil). “A diferença é muito grande”, disse Newbury ao jornal inglês Daily Mail.

“Com minha perna antiga, eu estaria andando de forma cautelosa na maior parte do tempo, evitando tropeçar. Agora, eu posso andar com maior confiança e de forma mais natural. E a melhor parte é que eu não fico cansado o tempo todo. Tenho minha vida de volta: posso sair para beber com os amigos, ou jantar até tarde sem me sentir exausto”, completa.

Newbury está muito feliz com sua nova perna biônica, tanto que chega a afirmar que ela funciona melhor do que a perna direita, que sofreu sérios danos no acidente. Newbury tinha 15 anos de idade quando a moto onde ele estava como passageiro foi atingida por trás por um veículo. Ele passou mais de 18 meses em um hospital se recuperando. Em 2004, foi indenizado em 2.1 milhões libras pelo acidente e, recentemente, resolveu investir na aquisição da perna biônica.


A PRÓTESE – O Genium é de fabricação alemã, da empresa Otto Bock Healtcare, e combina sensores de movimento e velocidade com um sistema de computação avançada. A perna pode detectar pequenas mudanças no movimento e na direção, o que a torna mais eficiente que as demais próteses disponíveis no mercado, principalmente na mudança da rigidez do joelho, oferecendo ao usuário mais estabilidade.

Fonte:TechTudo (Via Daily Mail) / Fotos: Jenny Goodall

Brasil emplaca Dia Internacional da Síndrome de Down na ONU

A representante da Down Syndrome International e da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, Patricia Almeida, e o delegado da Missão Brasileira na ONU, Conselheiro João Lucas Quental durante a plenária na ONU.


Com co-patrocínio de mais de 80 países, o Brasil logrou que a Organização das Nações Unidas adotasse uma resolução que decide estabelecer o dia 21 de março (21/3) como o Dia Internacional da Síndrome de Down a partir de 2012.

O Dia Internacional da Síndrome de Down foi instituído pela Down Syndrome International em 2006, já sendo observado em mais de 60 países. O Brasil é um dos que realiza mais eventos na data e por essa razão a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) pediu em 2010 o apoio do governo brasileiro para que a data entrasse no calendário oficial da ONU. O dia é simbólico porque se refere aos 3 cromossomos 21 que caracteriza a síndrome de Down (21/3).

O projeto ganhou força depois que o Senador Lindbergh Farias apresentou um projeto de lei no Senado para que a data entrasse para o calendário nacional.

Com fôlego renovado, a Missão do Brasil junto às Nações Unidas foi buscar apoio de outros países como co-patrocinadores do documento.

Esta tarde em reunião plenária da Terceira Comissão a proposta brasileira foi lida e adotada por consenso, tendo tido o apoio de mais de 80 países. A lista completa dos países patrocinadores será divulgada amanhã.

Abaixo, assista o vídeo em que o delegado brasileiro, Conselheiro João Lucas Quental, apresenta a proposta.

Parte 1 – http://youtu.be/9ExxkNxpwYM

Parte 2 – http://youtu.be/GW3F7GPoGZc

Parte 3 – http://youtu.be/P2Go4QJMrKo

Fonte: http://www.inclusive.org.br/?p=21543

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Projeto equipara autista a portador de deficiência e cria política nacional

Atualmente as pessoas com o distúrbio não são reconhecidas como deficientes.

Janary Júnior

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 1631/11, do Senado, que cria a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e equipara os autistas aos portadores de deficiência. Atualmente as pessoas com o distúrbio não são reconhecidas como deficientes, o que limita o acesso a serviços públicos de saúde. Com a proposta, autistas e seus familiares terão direito à atenção integral à saúde.

O projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), define o “transtorno do espectro autista”, nome clínico para a síndrome, traz os direitos dos portadores e as obrigações do poder público. O texto consagra que os portadores do distúrbio não podem ser submetidos à privação da liberdade, tratamento desumano ou degradante, e nem serem vítimas de preconceito.

Segundo o PL 1631, a Política Nacional de Proteção se pautará pela participação da comunidade na sua formulação e pela visão multidisciplinar do atendimento ao autista.

Convívio social

Um dos pontos principais da proposta é a garantia de inserção social dos autistas. O texto assegura, por exemplo, medidas de estímulo à entrada no mercado de trabalho – desde que respeitadas as limitações da síndrome –, acesso a atendimento multiprofissional e medicamentos, direito a acompanhante em escolas de ensino regular, e proteção previdenciária.

A proposta garante ainda o acesso a plano de saúde privado. Deste modo, a constatação da síndrome não poderá ser usada para impedir ou retirar pessoa do plano. O texto proíbe também que os portadores sejam internados em asilos.

Classes regulares ou especiais

O projeto torna obrigatória ainda a inclusão dos estudantes com transtorno do espectro autista nas classes comuns de ensino regular quando o estudante tiver condições para ser inserido. Assegura também o atendimento educacional especializado gratuito àqueles que apresentarem necessidades especiais e sempre que, em função de condições específicas, não for possível a sua inserção nas classes comuns de ensino regular.

Segundo o texto, o governo deve incentivar a formação e a capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, bem como a pais e responsáveis.

De acordo com especialistas, o autismo é um transtorno neurológico que afeta o indivíduo em três áreas: interação social, comunicação e imaginação. Não se sabe exatamente as causas que levam à síndrome e as características podem variar muito entre os indivíduos. De modo geral, o distúrbio aparece antes dos três anos. O portador tem dificuldade em manter contato social, se comunicar espontaneamente e realizar tarefas cotidianas. A linguagem é atrasada ou não se manifesta, nos casos mais graves. E o comportamento tende a ser repetitivo em áreas de interesse.

Tramitação

Antes de ir ao Plenário o projeto será analisado nas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; Seguridade Social e Família; e Constituição e Justiça e de Cidadania

Fonte: Agência Câmara de Notícias - Brasília-DF, 09/11/2011 - Imagem Internet

Participe da 2ª Virada Inclusiva - Participação Plena!!!

Nos dias 3 e 4 de dezembro o estado de São Paulo vira cenário da inclusão.

da Redação


No dia 3 de dezembro será celebrado o "Dia Internacional da Pessoa com Deficiência" e o Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, cuja finalidade é o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à população com deficiência e suas famílias, realizará nos dias 3 e 4 de dezembro de 2011 (sábado e domingo) a 2ª edição da "Virada Inclusiva - Participação Plena".

O objetivo do evento é dar ampla divulgação e visibilidade a todas as manifestações de arte, cultura, esporte e lazer que ocorrerão simultaneamente no Estado de São Paulo. Os locais escolhidos e respectivos conteúdos deverão ter acessibilidade ambiental e de comunicação e, preferencialmente, contar com o protagonismo de pessoas com deficiência.

Nas comemorações deste ano contamos com a adesão de mais de 50 parceiros, distribuídos por todo o estado de São Paulo, mostrando a participação e a inclusão de pessoas com deficiência nos mais diversos segmentos da sociedade.

O evento constitui-se de uma série de shows, oficinas, apresentações, mostras teatrais, exposições e demais manifestações de arte, cultura, esporte e lazer, em diversos municípios do estado de São Paulo. São 24 horas de diversão inclusiva e informação com participação plena de todos os cidadãos.

As ações são o resultado de um esforço conjugado entre as Secretarias e outras esferas da administração pública do Estado, Municípios e sociedade civil organizada, também contando com a participação voluntária de pessoas e grupos do mundo artístico e esportivo, de forma a garantir a mobilização necessária dos recursos imprescindíveis à realização do evento.

O intuito é garantir o pleno exercício da cidadania e a inclusão social de todas as pessoas, com e sem deficiência, como forma de intensificar os laços de igualdade de direitos, tendo como força motriz o desejo de uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva.

A "Virada Inclusiva: Participação Plena" só é possível com a participação de TODOS! Aos municípios e instituições que queira aderir com propostas afins devem enviar email para viradainclusiva@sp.gov.br

Fonte: Secretaria do Direito das Pessoas com Deficiência - Governo de São Paulo - São Paulo - SP, 10/11/2011 - Imagem Internet

III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e dá outras providências

Resolução publicada no Diário Oficial
Diário Oficial

Presidência da República

CASA CIVIL

SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS

CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

RESOLUÇÃO No- 3, DE 4 DE NOVEMBRO DE 2011

Convoca a III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e
dá outras providências.

O CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA no uso de suas
atribuições legais, nos termos do Art. 30, inciso IV do Regimento Interno e com base na deliberação da 75ª Reunião Ordinária realizada, nos dias 17,18 e 19 de agosto de 2011, resolve:

Art. 1º Realizar a III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com
Deficiência, em Brasília, Distrito Federal, no período de 03 a 06 de
dezembro de 2012, sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República.

Art. 2º A III Conferência Nacional será precedida de conferências estaduais
e municipais, de acordo com o seguinte calendário:

I - Conferências Municipais: De 01 de novembro de 2011 a 30 de abril de
2012.

II - Conferências Estaduais: De 15 de maio de 2012 a 31 de julho de 2012.

Parágrafo único. Os Conselhos Estaduais terão até 31 de agosto de 2012 para
o envio das deliberações, relação de delegados e demais documentos
pertinentes para a Comissão Organizadora da Conferência Nacional.

Art. 3º A III Conferência Nacional desenvolverá seus trabalhos sob a
temática "Um olhar através da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com
Deficiência, da ONU: novas perspectivas e desafios".

Parágrafo único. O tema citado no caput será discutido em 4 eixos:

a) educação, esporte, trabalho e reabilitação profissional;

b) acessibilidade, comunicação, transporte e moradia;

c) saúde, prevenção, reabilitação, órteses e próteses e

d) segurança, acesso à justiça, padrão de vida e proteção social adequados.

Art. 4º A III Conferência Nacional será presidida pela Ministra Chefe da
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e, na sua
ausência ou impedimento legal, pelo Presidente do CONADE.

Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Fonte: Diário Oficial - Brasília-DF, 10/11/2011

Portal Usina da Inclusão

Um novo conceito de Social Commerce Inclusivo será lançado em breve!

Divulgação

Vivemos a era da criatividade e da colaboração. Um mundo em que a inteligência coletiva vem
ganhando espaço na resolução de problemas, na produção de conteúdo e no aperfeiçoamento
e desenvolvimento de novas tecnologias. Nesse contexto, os sites na Internet deixaram de ser
apenas um “cartão de visitas”, tornando-se uma ferramenta poderosa quando aliados às redes
sociais.

Em meio a esse panorama e com o desafio de criar um novo modelo de negócios é que nasce o Portal
Usina da Inclusão – com soluções em tecnologia assistiva, acessibilidade e inclusão de pessoas com
deficiência e mobilidade reduzida. Trata-se de um espaço para anúncios de produtos e serviços de
empresas com expertise nas áreas de acessibilidade, inclusão, comunicação, infraestrutura e novos
negócios voltados ao público de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. O site também
oferecerá diversos cursos, palestras e consultoria especializada nas áreas de inclusão profissional,
atendimento, acessibilidade arquitetônica, entre outros.

A Usina da Inclusão surge como uma empresa que fomenta um novo tipo de mercado de nicho na
internet, uma espécie de I-commerce (algo como um Comércio Eletrônico Inclusivo), por meio de
oportunidades de negócios com o foco em melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência e
mobilidade reduzida, estimulando a inclusão econômica e social desse público. Nesse sentido, as
parcerias com colaboradores, patrocinadores e principalmente a comunidade de pessoas com deficiência serão a melhor forma de promover o conceito de Social Commerce proposto pelo site.

Idealizado pelo jornalista e ativista de direitos humanos, Lincoln Tavares, que trabalhou por mais de seis anos na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de São Paulo - primeira secretaria do gênero no Brasil -, o site tem o objetivo de se tornar um espaço dinâmico, democrático e principalmente colaborativo, em que as pessoas possam interagir, trocar idéias, dar sugestões e fazer críticas utilizando as poderosas ferramentas das redes sociais (Facebook, Twitter, Blog, Youtube).

“Estamos muito animados com o projeto, e temos certeza que as empresas que oferecem serviços e
produtos voltados às pessoas com deficiência, os profissionais ligados à área (intérpretes de libras, guiasintérpretes, audiodescritores, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais) e as próprias pessoas com
deficiência se interessarão pela nossa proposta. Estamos estudando a aplicação de novas possibilidades
de interação e exploraremos campanhas de Crowdsoursing e Crowdfunding” para estimularmos um
maior feedback dos nossos colaboradores”, afirma Lincoln.

“O que temos hoje são empresas e profissionais da área de tecnologia assistiva e acessibilidade
oferecendo seus produtos isoladamente, enquanto o segmento de pessoas com deficiência tem se
organizado cada vez mais por meio de fóruns, blogs, sites e outras ferramentas das redes sociais.

Nosso maior desafio é fazer com que essas duas pontas conversem. Com certeza ao promover essa integração, serão criadas inúmeras possibilidades e novas demandas”, projeta o jornalista.

Alguns dados importantes

Segundo dados obtidos por meio da pesquisa “Condições de vida das pessoas com deficiência no Brasil”, feita pelo DataSenado com base no cadastro cedido pelo Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência – IBDD em que foram ouvidas 1.165 pessoas com deficiência entre os meses de outubro e novembro de 2010, 77% declararam que a utilizam a Internet como principal meio de obter informação, seguido da TV, jornais e revistas e rádio.
Além disso, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE existem (com base no IBGE/2000), seis milhões de pessoas com deficiência em idade produtiva no Brasil, que poderiam estar inseridas no
mercado de trabalho de acordo com a chamada Lei de Cotas (8.213/91). No entanto, segundo o próprio MTE e a RAIS – Relação Anual de Informações Social –, existem apenas 880 mil postos de trabalho disponíveis para este público (sendo que apenas 306 mil foram declarados preenchidos pelas pessoas com deficiência em 2010).

Ou seja, se levarmos em consideração que temos seis milhões de pessoas com deficiência em idade
produtiva dentre as cerca de 30 milhões em todo o país (segundo estimativas do Censo IBGE 2011),
temos notadamente um potencial público de consumidores carentes de produtos e serviços específicos.
Se considerarmos ainda que grande parte desse público está inserida num ambiente com outras pessoas (pai, mãe e filhos, por exemplo), temos um universo extraordinário de indivíduos que lidam com essa realidade diariamente.

Faça parte!

Estamos desenvolvendo uma plataforma exclusiva, com design moderno e com todos os recursos de
acessibilidade, segurança e usabilidade, buscando um modelo que seja acessível para todas as pessoas.
Além disso, a ideia é que os nossos usuários contribuam constantemente para melhorarmos o Portal,
principalmente durante a sua construção. Para isso, contamos muito com o segmento das pessoas com
deficiência, as empresas, os profissionais, os estudiosos e entusiastas da causa para apoiar esse projeto!

Lançaremos uma Campanha de Crowdfunding - “financiamento colaborativo” ou em livre tradução
“financiamento pela multidão”. Um modelo bastante conhecido na Europa e nos Estados Unidos e que
vem ganhando força no Brasil. Funciona mais ou menos assim: as pessoas contribuem com pequenas
quantidades em dinheiro e recebem contrapartidas por isso. No caso do Portal Usina da Inclusão, o valor arrecadado será utilizado para o financiamento da plataforma e a compensação das primeiras empresas e profissionais anunciantes.

Portal Usina da Inclusão

www.usinadainclusao.com.br
Twitter: @UsinadaInclusao
Facebook: www.facebook.com/usinadainclusao
e-mail: contato@usinadainclusao.com.br
Telefone: 11 2528-906

Fonte: Portal Usina da Inclusão - São Paulo - SP, 10/11/2011

O que é a Síndrome de Rett?


A Síndrome de Rett é uma doença neurológica provocada por uma mutação genética que atinge, na maioria dos casos, crianças do sexo feminino. Caracteriza-se pela perda progressiva de funções neurológicas e motoras após meses de desenvolvimento aparentemente normal - em geral, até os 18 meses de vida. Após esse período, as habilidades de fala, capacidade de andar e o controle do uso das mãos começam a regredir, sendo substituídos por movimentos estereotipados, involuntários ou repetitivos. Palavras aprendidas também são esquecidas, levando a uma crescente interrupção do contato social. A comunicação para essas meninas gradativamente se dá apenas pelo olhar.

É comum que a criança com Síndrome de Rett fique "molinha" e apresente desaceleração do crescimento. Distúrbios respiratórios e do sono também são comuns, especialmente entre os 2 e os 4 anos de idade. A partir dos 10 anos, o aparecimento de escolioses e de rigidez muscular fazem com que muitas crianças percam totalmente a mobilidade. Isso, associado a quadros mais ou menos graves de deficiência intelectual.

A Síndrome de Rett é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) e uma das principais causas de deficiência múltipla em meninas.

Como lidar com essas crianças na escola?

É preciso criar estratégias para que as meninas com Síndrome de Rett possam aprender. O principal é estabelecer sistemas de comunicação que ajudem a criança - como placas com desenhos e palavras, para que ela possa indicar o que deseja.

A escola deve ser um espaço acessível, já que muitas crianças com essa síndrome necessitam de equipamentos para caminhar.

Respeite o tempo de aprendizagem de cada criança e conte com a ajuda do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Faça ajustes nas atividades sempre que necessário e procure apresentar os conteúdos de maneira bem visual, para facilitar a compreensão.

Em que mundo vivemos?

Dias desses, fui ao shoping e quando fomos estacionar,lá estava todas as vagas ocupadas,é claro que nem todos eram deficientes ou conduzia algum.

Observei que nenhum tinha o adesivo,aquele de deficiente que tem que ser colocado no vidro do seu carro,e não adianta comprar os piratas,porque temos que nos cadastrar na prefeitura!!Em que mundo vivemos?

Onde existe leis,e não são cumpridas?

Temos que brigar sempre,se queremos ser respeitados.Sabe tem vezes que a gente cansa..PQP por que tinha que ter acontecido esse acidente filha da mãe comigo??

Eu era independente,caminhava,tinha mil planos pra minha vida...Isso que eu falei agora ,passa diariamente na cabeça daqueles que passaram por uma transformação em suas vidas!Mas o que vai adiantar?Ficar aí estático,esperando a morte chegar?E ela ronda mesmo,fica esperando o momento de você fraquejar, pra ela poder agir.

Mas graças ao meu bom DEUS,a força aparece e nos empurram pra frente.
E depois você fica conhecendo tanta história de luta,semelhantes a sua, ou até bem pior...A vida muito boa,pra desistir dela!Tem horas que eu desanimo, mas em seguida me levanto!!Nossas angustias e ansiedades ,se tornam desafios,no dia a dia.e a cada conquista nos tornamos mais forte!!

E o que nos dá força, é conhecer pessoas deficientes e outras que ajudam e acreditam na potencialidade dos deficientes, na área de trabalho,esporte..Isso nós dá força!!Acreditar que podemos viver como as outras pessoas,com algumas limitações,mas podemos namorar,casar,ter filhos,estudar,ter uma profissão,conquistar sonhos.

Em que mundo vivemos?Se nos apegarmos a tudo de ruim que vemos,e não transformar em tudo isso em desafio,pra uma conquistar nossos sonhos,não vai valer a pena viver!!
A maioria das pessoas realmente felizes,fizeram por onde,tiveram de trilhar seu próprio caminho,descobriram quem elas eram,e como poderiam se posicionar no mundo!



A procura da felicidade!

Fonte: http://aldreylaufer.blogspot.com/2011/11/em-que-mundo-vivemos.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+VidaSobreRodas+%28Vida+sobre+rodas%29  

Pior que o peso das mochilas é a postura das crianças a escrever

Pior que o peso das mochilas é a postura das crianças a escrever

Ouvir com webReader

As crianças passam grande parte do seu dia na escola a escrever, ganhando hábitos de postura errados e sendo pouco orientados sobre a forma correcta de pegar no lápis ou na caneta. O que pode ser mais preocupante do que o peso das mochilas, pois o tempo da escrita é mais prolongado.

A escrita à mão é cada vez menos valorizada socialmente. Quem o diz é João Barreiros, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), que considera “deficiente” a forma como as crianças aprendem a escrever. O alerta é para pais e professores, chamados a contrariar esta tendência e a incutir o treino da escrita nos hábitos dos mais novos – em debate hoje (dia 9/11/11) na FMH, num evento que promove a escrita ergonómica.

A “sobrevalorização crescente dos instrumentos de teclas”, como o computador e o telemóvel, pode ser a chave para a negligência no campo da escrita. Numa altura em que, diz João Barreiros, o papel é abundante e, por isso, mal aproveitado, o controlo da escrita torna-se mais difícil, não havendo uma “intervenção educativa” nesse sentido.

Também a organização ineficaz do espaço escolar, com mobiliário muitas vezes inadaptado às características das crianças, é prejudicial a uma escrita eficiente, adianta o catedrático. De acordo com João Barreiros, os hábitos de postura não são corrigidos porque não há um apelo dos responsáveis nesse sentido. Mais preocupante do que o peso das mochilas das crianças, assegura o professor, “é a postura” como se escreve, sobretudo porque “o tempo de escrita é mais prolongado” e merece portanto maior atenção.

As formas incorrectas de agarrar os instrumentos próprias das crianças devem ser corrigidas, o que implica tempo e treino. “É necessário maturar a pega”, afirma João Barreiros, com a ajuda de pais e professores. O que acontece actualmente é que “quase se permite que se aprenda a escrever por um processo de descoberta”, um hábito que “tem de ser corrigido pelo treino”, reforça o catedrático.

Christian Marquardt, especialista em ergonomia do Munich-Borgenhausen Hospital, tem algumas sugestões para que a aprendizagem se efectue da forma eficiente que defende João Barreiros. O colaborador da marca de canetas Stabilo acredita que a procura do ritmo próprio da criança, a escrita experimental com diferentes formas e tamanhos e a garantia de uma posição para mão e braço que não cause desconforto podem resultar numa escrita mais capaz. As experiências com o desenho e a escolha de uma caneta apropriada podem também fazer a diferença.

Também João Barreiros defende a importância das canetas ergonómicas, um negócio que diz em constante desenvolvimento e que contribui efectivamente para hábitos mais saudáveis de escrita. Evoluções ao nível do design na óptica do consumidor, neste caso as crianças, que têm um impacto real na forma como os mais novos escrevem.

E os hábitos de escrita resultam, em última análise, da própria sociedade. João Barreiros compara a nossa realidade com a dos asiáticos, que por prezarem mais a “precisão da escrita” têm uma competência muito superior a esse nível. Para o catedrático, juntando “o material adequado, tempo e treino seríamos também nós bem mais eficientes".

Fonte: http://gritodemudanca.blogspot.com/2011/11/pior-que-o-peso-das-mochilas-e-postura.html   

Doença dos pezinhos. A vida por um comprimido

Doença dos pezinhos. A vida por um comprimido

Ouvir com webReader

Doentes adiaram transplante com a promessa de um medicamento que já existe, mas que os hospitais não pedem

Marta já só está à espera que o telefone toque. Acontece-lhe todos os dias: uma chamada de um número desconhecido, o coração dispara, falso alarme. Fica ansiosa, mas ao mesmo tempo quer acabar com a incerteza, com a espera, poder sair do Porto, dar um irmão ao filho de oito anos. Há oito meses, depois de ano e meio à espera de um novo medicamento que a poderia livrar do transplante – e travar a doença familiar que lhe levou a mãe, cinco tias e quatro primos – decidiu voltar para a lista de transplantes hepáticos no Hospital de Santo António. É a próxima, logo que surja um dador compatível.

Às vezes, confessa, dizem que é fria. Mas Marta fala com uma certeza que não se desmonta. “Digo que prefiro morrer no transplante a ver-me doente. Prefiro morrer e que as pessoas me vejam conforme estou a verem-me como uma pessoa completamente degradada.” Aos 18 pegava na mãe ao colo, do carro para o hospital, depois numa tia. Às vezes sujavam-se as duas e tinham de trocar de roupa numa casa de banho. A morte era normal: “A tia está a assim e daqui por um mês ou dois vai morrer, não tem cura”, ouvia. Dentro do normal que começaram também a ser os funerais, os mais dolorosos foram o da mãe e o de um primo, que sobreviveu cinco anos ao transplante.

É porque recusa com todas as forças que ainda tem hoje, aos 37 anos, ficar assim doente – usar fralda, não conseguir andar – que para Marta foi fácil, dentro do difícil, resolver o dilema em que neste momento viverão cerca de 100 doentes diagnosticados com paramiloidose no país, nos primeiros anos de sintomas: avançar para um transplante ou esperar mais um pouco até que um medicamento que lhes prometeram como alternativa, e que já está disponível, lhes seja dado. O problema é que o pouco que em 2009 já era um pouco, em Junho eram mais dois meses e agora deixou de ter data para chegar.

Uma doença portuguesa A doença dos pezinhos ou paramiloidose (nome técnico Polineuropatia Amiloidótica Familiar, PAF) é uma doença neurológica degenerativa e hereditária, descoberta em Portugal em 1939. Tem no país uma das maiores incidências do mundo. Desde 2005, um medicamento em ensaios clínicos prometeu ser a primeira alternativa ao transplante hepático e desde 2009, comprovada a eficácia e a segurança, pode ser pedido pelos hospitais num regime de Autorização de Utilização Especial (AUE), algo que até hoje nunca aconteceu em Portugal.

Na Europa, há ao todo 120 doentes a tomar o Tafamidis, através de programas de acesso especial, como as AUE, e em ensaios clínicos, confirmou ao i a Pfizer, responsável pelo medicamento. Mas em Portugal só estão a tomá-lo 47 doentes que participaram nos ensaios e ajudaram a concluir que, em pelo menos 60% dos casos, o medicamento atrasa a doença nos primeiros anos de sintomas, um efeito semelhante ao do transplante e com menos efeitos colaterais.

É porque foi testado para os primeiros anos de sintomas que a Associação Portuguesa de Paramiloidose fala de 100 doentes à espera do medicamento, aqueles em que a doença começou a manifestar-se há menos tempo. Marta é um deles e nunca soube que já podia efectivamente estar a tomá-lo, só que seria “bom” para ela que esperasse, disse-lhe a médica. Esperou até sentir que a doença estava a avançar de mais, e que seria melhor travá-la antes com o transplante. Contra todas as probabilidades: os quatro primos, na casa dos 30 anos, morreram pouco depois da operação.

Na paramiloidose, os sintomas, como formigueiros, dores musculares, perda de apetite, diarreias, evoluem de forma irreversível. Com o transplante ou com o medicamento há hipótese de estagnarem, atrasando os quadros mais graves, que a maioria dos doentes da geração anterior não puderam contornar. Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde, como é o caso do Hospital de Santo António, onde Marta Gonçalves é seguida – na Unidade Clínica de Paramiloidose, dirigida pela médica Teresa Coelho – têm neste momento autonomia para pedir ao Infarmed uma AUE para darem o medicamento aos doentes com indicação clínica. A resposta, mediante fundamentação clínica, é geralmente positiva e demora dez dias. Mas é contabilístico: nesta fase de autorização especial, como não há comparticipação, as unidades têm de pagar a factura sozinhas, num valor de 135 mil euros por doente/ano, confirmou o i.

Até quando? Até ao momento não houve nenhum pedido ao Infarmed de AUE para o Tafamidis, nem deste nem de outro hospital, confirmou fonte oficial ao i. A explicação será a falta de verbas para pagar, sem reembolso, todos os tratamentos, embora nem o Hospital de Santo António nem Teresa Coelho façam declarações. O i questionou também o Ministério da Saúde, que vai averiguar porque não houve nenhum pedido de AUE, se são as razões financeiras a travar a dispensa deste medicamento para os casos com indicação clínica. Não houve resposta oficial até ao fecho desta edição.

Bruxelas A espera que Marta entende estar a ser pela possibilidade de prescrever o medicamento em Portugal poderá ser, em última instância, a espera pela comparticipação. Se assim se for, ainda será longa. Por se tratar de um medicamento para uma doença rara (designado “medicamento órfão”), o pedido de introdução no mercado está a ser centralizado a nível europeu, mas fonte de Bruxelas adiantou ao i que o processo deverá estar concluído no final do mês. Mirjam Soderholm, responsável da Comissão Europeia por esta área, respondeu ao i que o Comité de Medicamentos para Uso Humano adoptou uma opinião positiva sobre o medicamento a 21 de Julho, recomendando que fosse autorizada a comercialização do Tafamidis para o tratamento da polineuropatia sintomática em adultos no estádio 1. A CE está definir critérios de administração, que deverão ser revistos todos anos.

Depois será preciso que o laboratório inicie em cada país o processo de autorização de preço e pedido de avaliação económica e comparticipação. Em Portugal, o primeiro processo está dependente da Direcção-Geral das Actividades Económicas e o segundo do Infarmed, que estipula um prazo de 60 a 210 dias. Tudo somado, pode significar pelo menos mais um ano à espera.

Se dois anos já foram muito tempo, mais um pode ser tempo de mais. Lígia Morgado, por exemplo, só está disposta a esperar até ao final do ano. Soube aos 18 anos que era portadora de paramiloidose e os primeiros sintomas chegaram aos 36. Perdeu o tio, a tia, a mãe. Hoje, com 39 anos, os sentimentos misturam--se: “Nunca sofri por antecipação. Quando chegasse a minha vez é que iria ver, achava que a medicina iria ter uma solução melhor.”

Em Setembro de 2008, Lígia foi fazer a biopsia à glândula salivar do lábio, o método usado para perceber se a doença já se está a manifestar – ou seja, se a substância designada amilóide (subunidades de uma proteína do sangue que transporta hormonas da tiróide e vitamina A) já se está a depositar nos tecidos, fruto de mutações no gene TTR. “Em Janeiro de 2009 inscrevi-me para transplante no Curry Cabral. Sabia que tinha dois anos para esperar.” Então, a meio de 2009, começou a ouvir falar do Tafamidis. “Comecei a falar com a médica, que me disse que fazia o mesmo que o transplante e que seria bom para mim.”

A Lígia foi dito que estaria entre os 100 doentes na fase ideal para tomar a medicação. Por isso desistiu do transplante quando soube que “era a próxima”, há ano e meio. “Pus a questão de suspender o transplante à médica [também Teresa Coelho, do Santo António] e ela disse que sim: no estado em que estava, era capaz de aguentar até ver se o medicamento saía. Não deu nenhuma data, mas sabíamos que era burocracia que estava em falta e achei que dali a um ano já haveria resposta.” O prazo venceu há meio ano. Retomou as consultas no Curry Cabral, mas ainda não decidiu voltar para a lista.

“Não estou arrependida. Continuo com vontade de esperar que a decisão saia e continuo à espera que o comprimido venha o quanto antes. Mas tem de ser este ano. Sei que no próximo ano posso deixar de andar se os sintomas avançarem”, diz Lígia. A determinação esbarra na incerteza, mesmo na da médica que lhe falou do medicamento. “Quando foi o Dia Nacional da Paramiloidose (16 de Junho) disse que já não sabia o que nos havia de dizer.” Em declarações públicas, Teresa Coelho afirmou que em dois meses o medicamento deveria estar disponível. Passaram quatro.

A reunião em Lisboa Nas últimas semanas, um grupo de doentes mobilizou-se para pedir respostas sobre o atraso na prescrição do medicamento. Uma petição com 9404 assinaturas está a ser analisada no parlamento. Um grupo no Facebook junta já mais de 1500 doentes e amigos. A 17 de Outubro, alguns conseguiram uma audiência com o secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira. Lígia participou na reunião, em Lisboa. “Levámos estudos, confirmados pelo vice-presidente do Infarmed, que também esteve presente, e eles não tomaram nenhuma decisão. Só dizerem ‘não venham aqui fazer pressão, porque nós não decidimos nada...’ Quem decide então?” Lígia garante que a expectativa nasceu nas consultas, foi crescendo, mas partiu de informação clínica. Se não, já teria feito o transplante. Em Abril participou no ensaio clínico de uma futura terapia genética, para corrigir a mutação que desencadeia a doença. Teme que esse tratamento inovador, se for para a frente, passe pelas mesmas burocracias. “Sempre achei que era muito mais difícil encontrar uma cura do que assinar papéis.” O Tafamidis não é a cura, mas promete livrá--los da intervenção cirúrgica, dos imunossupressores, do risco acrescido de morte. Pesar tudo é difícil. “Todos os dias penso no mesmo: será que estou a fazer uma boa escolha ao esperar? E se vou para transplante e no dia seguinte há o comprimido? Mais dia menos dia virá, mas será que vem para mim?”

A solução nem sempre é racional, mostra Marta. “É revoltante saber que se o tomasse ia ficar bem. Mas agora estou assim: seja o que Deus quiser. Se vier o medicamento e ainda não tiver feito o transplante, paro Se me chamarem vou.”

Fonte: http://gritodemudanca.blogspot.com/2011/11/doenca-dos-pezinhos-vida-por-um.html

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Concurso Público e o desrespeito em relação à pessoa com deficiência

Texto de Vera Garcia para o blog Deficiente Ciente
Vera Garcia

Segundo dados do Censo IBGE 2010, 15% da população brasileira é formada de pessoas com deficiência, e desses milhares de trabalhadores com deficiência é desconhecido o número de servidores com deficiência na esfera federal, estadual e municipal. Não é de se espantar, uma vez que em qualquer estatística brasileira há uma enorme dificuldade de localizar dados sobre o universo das pessoas com deficiência.

Certamente isso se deve ao fato de que esses cidadãos ainda não foram incluídos efetivamente na sociedade. Portanto temos aí uma visão preconceituosa, pois no imaginário de muitas pessoas, a pessoa com deficiência é improdutiva e incapaz.

A pessoa com deficiência pode optar a exercer uma função pública, de forma a atender os interesses públicos, ingressando na administração pública (direta ou indiretamente), por meio de provas e títulos de acordo com o artigo 37 da constituição federal e do decreto 3.298, de 1999. Porém, de acordo com o Ministério do Trabalho e emprego “pessoas com visão monocular, surdez em um ouvido, com deficiência mental leve, ou deficiência física que não implique na impossibilidade de execução normal das atividades do corpo, não são consideradas hábeis ao fim de que se trata.”.

O candidato com deficiência tem a opção de se inscrever pela reserva de cargos e empregos públicos oferecidos, onde a cota é de no mínimo 5% e no máximo 20%. Entretanto o que se observa é que há um grande despreparo da administração pública em todos os níveis (federal, estadual e municipal) para receber este cidadão em seus quadros. O problema começa desde a inscrição até a nomeação. A partir daí começa uma verdadeira batalha judicial para que a pessoa com deficiência possa garantir seus direitos já previstos em lei.

Geralmente os editais de concursos públicos são poucos claros e dão margem a várias interpretações. Normalmente não há número exato de vagas para servidores e empregados públicos com deficiência, não há meta para o cumprimento da reserva de cargos, não há tempo adicional para realização dos exercícios da prova para quem necessita (casos como paralisia cerebral), há desrespeito em relação às pessoas que necessitam de tratamento diferencial no dia das provas, não há detalhes no edital sobre as atribuições e tarefas inerentes ao exercício laboral do cargo ou emprego e há também o problema inacessibilidade nos locais de provas (ausência de rampas, piso táctil e/ou banheiro adaptado). Tudo o que acabei de elencar deveria ser estudado e planejado pelos organizadores para que a pessoa com deficiência pudesse concorrer em igualdade de condições com os demais candidatos, pois tudo isso consta em legislação. Portanto, a eliminação e exclusão dos candidatos com deficiência já começa por aí. Não é a toa que os concursos públicos estão no topo da lista de reclamações do Ministério Público.

Para finalizar, gostaria de dizer a você, caro leitor, que ao se sentir prejudicado acione a empresa que está organizando o concurso. Contudo se a questão não for resolvida, procure um advogado. Mas faça valer seus direitos!

Vera Garcia
Blog Deficiênte Ciente

Fonte:O Diário - 09/11/2011 - Imagem Internet

Gratuidade no Transporte Público

Garantir um transporte acessível é garantir a cidadania.

Flavia Maria de Paiva Vital

O transporte coletivo não é reconhecido por todos como direito fundamental. Porém, como já alertavam Benício Schmidt e Ricardo Farret: "por ser um direito-meio, ele influencia os demais. Sem que ele seja garantido, os outros direitos básicos da sociedade serão apenas letra morta nos diversos estatutos legais".

O transporte acessível assegura um dos direitos fundamentais do cidadão - estabelecido na Constituição Federal - que é o direito de ir e vir, com qualidade, segurança e autonomia. Amplia as oportunidades, colocando trabalho, saúde, lazer, educação, esporte e convivência ao alcance de todos.

Enfim, não prover a infra-estrutura e os serviços adequados é negar a oportunidade de cidadania a uma parcela da população. Garantir este modelo de sociedade no planejamento e implementação de infra-estrutura e de serviços acessíveis é uma tarefa árdua, devido à enorme diversidade de ambientes e de pessoas.

Desde a assinatura do Decreto nº 5296/2004 muito se vem investindo nos sistemas de transportes, para garantir à população o direito de se deslocar seja para trabalhar, estudar ou se divertir. Com a crescente melhoria da oferta deste serviço, as pessoas com deficiência começam a se deslocar através de meios de transportes que lhe garantem dignidade e segurança.

Neste sentido, a gratuidade na utilização no transporte, quando acessível, deve ter um caráter apenas sócio-econômico e não estar vinculado à deficiência.

A gratuidade nas passagens deve ser encarada como uma política redistributiva. É imperativo que esta redistribuição de renda seja ética, e realmente contemple a justiça social. Para tanto, precisamos definir uma política clara de concessão de gratuidade e descontos no setor. Esta nova perspectiva possibilitará às pessoas com deficiência, como as demais, participarem plenamente de todos os aspectos da vida.

Por outro lado, é sabido que a maioria das pessoas com deficiência vivem na pobreza o que deve garantir não apenas a gratuidade nos transportes, como também outras políticas públicas sociais.

Fonte: Bengala Legal - 09/11/2011 - Imagem Internet

Presidente Dilma recebe medalhistas do Pan de Guadalajara


Presidenta Dilma recebe no Palácio do Planalto medalhistas do Pan de Guadalajara. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Atletas medalhistas nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara foram hoje (9) ao Palácio do Planalto para um encontro com a presidenta Dilma Rousseff. Com a medalha no peito, eles receberam o carinho e a garantia da presidenta de que o apoio do governo federal aos atletas brasileiros será ampliado. Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a delegação brasileira conquistou 141 medalhas, sendo 48 de ouro. Subiram no pódio do Pan de Guadalajara 94 bolsistas do Ministério do Esporte.

"Quem insiste, treina e investe na sua capacidade, consegue. Vocês são exemplos, são guerreiros. É um imenso orgulho estar hoje aqui recebendo vocês. O Brasil inteiro gostaria de estar aqui. Não tem nada que substitua esse olho no olho vendo a força de cada um de vocês", disse a presidenta.

Ouro no vôlei de praia, Emanuel Rego agradeceu, em nome da delegação, o apoio do governo federal aos atletas brasileiros, o que, segundo ele, permitiu a evolução do esporte no país.

"Estamos aqui hoje graças à organização do COB e ao apoio do governo federal aos atletas. Gostaríamos de pedir que esse apoio continue", disse o medalhista à presidenta Dilma, que respondeu:

"Podem ter certeza que não só vamos continuar, mas vamos ampliar esse apoio."







Para o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o apoio do governo ao esporte contribui para a formação de atletas que se tornam exemplos de persistência e superação.

"A juventude precisa de referências. Contem com o nosso governo, com o Ministério e com os nossos programas", disse o ministro do Esporte.

O chefe da Missão Brasileira em Guadalajara, Bernard Rajzman, ressaltou que a delegação brasileira foi 30% maior que no Pan do Rio de Janeiro, em 2007.

"Esse é um momento de tantos outros que virão de agradecimento pelo que a senhora vem fazendo pelo desporte", disse Bernard.

Já o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, lembrou que 104 atletas brasileiros já estão classificados para os Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

"E muitos deles estarão nas Olimpíadas de 2016", destacou Nuzman.

Antes de encerrar a cerimônia, a presidenta Dilma vestiu o casaco do uniforme da delegação brasileira e afirmou que as medalhas trazidas de Guadalajara provam a capacidade do Brasil em ser um país de oportunidades para todos.

"Nós seremos um país em que todos terão oportunidades e realizarão seus sonhos", disse a presidenta antes de ser cercada pelos atletas com suas máquinas fotográficas.

Todos queriam registrar o encontro com a presidenta Dilma Rousseff.

Leia aqui a transcrição.

Fonte: http://dilmapresidente.blogspot.com/2011/11/presidente-dilma-recebe-medalhistas-do.html

AUMENTA A INCIDÊNCIA DE CÂNCER E BEBES MALFORMADOS EM REGIÕES DE SOJA TRANSGÊNICA

Por quase 10 anos, os moradores de áreas rurais e periurbanas da Argentina onde a agricultura industrial vem se expandido têm recorrido a autoridades políticas e aos tribunais de justiça, bem como protestado diante do público, por causa dos problemas de saúde que suas comunidades vêm sofrendo em função da pulverização de agrotóxicos usados nas diferentes culturas agrícolas. Nesses locais, chama a atenção o aumento do número de casos de câncer, de nascimento de bebês com malformações e de problemas reprodutivos e hormonais desde que a pulverização sistemática de agrotóxicos se generalizou. As reclamações das cidades-pulverizadas têm sido confirmadas por equipes médicas que atuam nessas regiões, mas as respostas do sistema público de saúde e o envolvimento das universidades públicas com o problema têm sido escassos e limitados.Buscando promover um espaço para a análise acadêmica e a reflexão científica sobre o estado da saúde em cidades-pulverizadas, bem como ouvir e apoiar os profissionais de saúde que vêm denunciando estes problemas, a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nacional de Córdoba promoveu em agosto deste ano o Primeiro Encontro Nacional de Médicos em Cidades-Pulverizadas. Médicos, outras equipes de saúde e pesquisadores de diferentes disciplinas atuando no país foram chamados a apresentar suas experiências, dados, propostas e trabalhos científicos. O evento reuniu mais de 160 participantes de dez estados e de seis universidades federais.

relatório do encontro, apresentando os principais resultados dessas pesquisas, acaba de ser publicado.

Os relatórios e testemunhos apresentados pelos médicos presentes confirmam as observações clínicas, atestando uma série de doenças e problemas de saúde em pessoas expostas à pulverização. Embora as manifestações de intoxicação aguda (aquela que se manifesta poucas horas após uma exposição elevada a produtos muito tóxicos) representem a maior parte das queixas dos pacientes, o que mais alarma os médicos na maioria das cidades-pulverizadas são duas constatações: primeiro, o número de abortos espontâneos e de nascimento de bebês malformados é significativamente maior nas cidades-pulverizadas do que na média da população.Segundo, nota-se também um aumento na incidência de câncer em crianças e adultos, além de outras doenças sérias como a Púrpura de Henoch-Schönlein (inflamação dos vasos sanguíneos), doenças hepáticas e neurológicas. Os médicos chamaram a atenção para o fato de que, em geral, vêm trabalhando nas mesmas comunidades por mais de 25 anos, e que as doenças observadas nos últimos anos são incomuns e estritamente relacionadas à aplicação sistemática de agrotóxicos.Um exemplo contundente são os dados apresentados pela Dra. Ana Lía Otaño, representante do Ministério da Saúde no estado do Chaco. O relatório trazido por ela realça claramente o aumento dos casos de bebês malformados no nível estadual, de acordo com os números da principal unidade de saúde pública do estado, a Unidade Neonatal do Hospital J.C. Perrando, na cidade de Resistencia (capital do estado), que passaram de 46 em 1997 para 186 em 2008 (um aumento de 19,1/10 mil nascidos vivos para 85,3/10 mil nascidos vivos).
Os números do Hospital de Resistencia convergem com os dados apresentados pelo Dr. Horacio Lucero, diretor do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Regional de Medicina da Universidade Nacional do Nordeste, que há mais de dez anos vem estudando e registrando a relação dos problemas de saúde acima descritos com a exposição residencial (por vizinhança) aos agrotóxicos no estado do Chaco. O Dr. Lucero acrescenta que, nos últimos anos, o plantio de soja por grandes conglomerados agrícolas veio substituindo outras atividades agrícolas tradicionais na economia regional. Ele apresenta gráficos cruzando o aumento do plantio de soja no estado com o aumento no número de bebês nascidos com malformações.


A relação é ainda mais fortalecida quando é apresentado um mapa mostrando que o número de mortes de bebês causadas por deformações, anomalias cromossômicas e outros defeitos no nascimento é significativamente maior nas áreas de produção de soja e na cidade La Leonesa, que estão sujeitas a altos níveis de pulverização de glifosato e outros agrotóxicos.
Os dados apresentados pela Dra. Otaño também mostram que a incidência de câncer infantil é significativamente maior em cidades expostas aos agrotóxicos (como La Leonesa), quando comparada a cidades moderadamente expostas (como Las Palmas) e a cidades não expostas aos pesticidas (como Puerto Bermejo). A incidência de câncer infantil em La Leonesa é mais de três vezes superior que a de Puerto Bermejo.Os médicos chamam a atenção para o fato de que o aumento do câncer e malformações congênitas nas áreas mencionadas acompanhou o aumento exponencial do uso de agrotóxicos desde a introdução das lavouras transgênicas.
Segundo o relatório, em 1990 foram usados 35 milhões de litros de agrotóxicos. Em 1996, a introdução das sementes transgênicas acelerou o uso de venenos, levando a um consumo de 98 milhões de litros. Em 2000 foram aplicados 145 milhões de litros. Em 2010 esse número já era de 292 milhões de litros, e espera-se para 2011 um consumo de mais de 300 milhões de litros de herbicidas, inseticidas, acaricidas, desfoliantes e outras substâncias tóxicas. O glifosato sozinho deverá representar 200 milhões de litros nesse conjunto.
O relatório também menciona que o aumento do uso de glifosato verificado a cada ano deve estar relacionado ao desenvolvimento de resistência ao veneno pelas plantas invasoras. Os números indicam que em 1996 eram aplicados menos de 2 litros de glifosato por hectare, enquanto hoje algumas áreas recebem 10 litros por hectare. Em alguns casos chegam a ser aplicados quase 20 litros por hectare. E esses agrotóxicos são aplicados extensivamente, sobre grandes áreas . Segundo geógrafos da Universidade Nacional de Córdoba, pelo menos 12 milhões de pessoas vivem em cidades rodeadas por lavouras pulverizadas por venenos. Para os médicos, são 12 milhões de argentinos que estão sendo diretamente fumigados.
Entre as propostas apresentadas pelos médicos participantes do Encontro ao final do documento estão a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos, cuja deriva espalha incontroladamente substâncias tóxicas pelo ar, e que as universidades públicas passem a desenvolver e promover opções agroecológicas de produção.

Fonte: http://www.mst.org.br  (http://educomambiental.blogspot.com/2011/11/aumenta-incidencia-de-cancer-e-bebes.html)