sábado, 26 de novembro de 2011

Relatório: Violência contra Mulheres com Deficiência

Rede Internacional de Mulheres com Deficiência.

Apresentação.


A que nos referimos quando falamos sobre violência contra mulheres com deficiência? De que forma ela é diferente da violência contra mulheres em geral? De que forma ela é igual? De que forma ela é diferente da violência contra pessoas com deficiência em geral? Como podemos proteger os direitos das mulheres com deficiência para se livrarem da violência?

A International Network of Women with Disabilities (INWWD) conduziu uma série de debates sobre a violência contra mulheres com deficiência em 2009-2010 para encontrar respostas a algumas destas questões a partir das perspectivas e experiências das próprias mulheres com deficiência. O documento resultante serviu de base para este Relatório.

A INWWD foi inaugurada em 2008 e é composta por organizações, grupos e redes de mulheres com deficiência, em âmbitos internacional, regional, nacional ou local, assim como, individualmente, por mulheres com deficiência e outras mulheres [1]. A missão da INWWD é a de capacitar mulheres com deficiência para compartilharem seus conhecimentos e experiências, de aumentar sua capacidade de defender seus direitos, de empoderá-las para efetivarem mudança e inclusão positivas em suas comunidades, e de promover seu envolvimento em políticas em todos os níveis – a fim de criarem um mundo mais justo e que reconheça a deficiência, o gênero, a justiça e os direitos humanos.

O objetivo deste Relatório é o de educar as pessoas a respeito da violência vivenciada por mulheres com deficiência, de fazer recomendações sobre o que pode ser feito por uma variedade de agentes intervenientes [governos nacionais e locais, ONU, provedores de serviços, doadores e sociedade civil (organizações de mulheres, grupos de direitos humanos, organizações de HIV, organizações de pessoas com deficiência etc.)] para acabar com a violência contra mulheres com deficiência, de motivar agências que lidam com violência contra mulheres para que incluam a prevenção da violência contra mulheres com deficiência em seu trabalho, e de empoderar as mulheres com deficiência para se protegerem contra a violência.

A violência contra mulheres é um crime e uma violação de direitos que ocorrem repetidas vezes na vida de um grande número de mulheres ao redor do mundo. Embora os tipos de violência praticados possam diferir dependendo da cultura e situação socioeconômica, há aspectos dessa violência que são universais. A violência baseada no gênero tem raízes na falta de igualdade entre homens e mulheres, e essa violência ocorre com frequência nos lares, dentro do seio familiar. A tolerância da sociedade para com a violência baseada no gênero e a privacidade do ato violento quando praticado dentro de casa fazem com que essa violência se torne invisível ou difícil de ser detectada.

Embora mulheres com deficiência sejam vítimas das mesmas formas de violência cometidas contra as demais mulheres, algumas formas de violência contra mulheres com deficiência não têm sido vistas como violência baseada no gênero; isto por causa da intensa discriminação baseada na deficiência. Porém, a incidência de maus-tratos e abuso contra mulheres com deficiência excede de longe aquela que atinge mulheres sem deficiência [2]. Além disso, os dados disponíveis, apesar de escassos, também mostram que o índice de violência contra mulheres com deficiência é mais alto do que contra homens com deficiência [3]. A violência contra mulheres e meninas com deficiência não só é um subconjunto da violência baseada no gênero, como também é uma categoria intersetorial relacionada com a violência baseada no gênero e na deficiência. A confluência destes dois fatores resulta em um risco extremamente alto contra mulheres com deficiência [4].

Natureza, Tipo e Prevalência da Violência contra Mulheres com Deficiência.

A Declaração sobre a Eliminação da Violência contra Mulheres (Organização das Nações Unidas, 20/12/1993) define a violência contra mulheres conforme segue:

• “Artigo 1: O termo "violência contra mulheres" significa qualquer ato de violência baseada no gênero que resulte, ou provavelmente resulte, em dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico para as mulheres, incluindo ameaças de tais atos, coerção ou privação arbitrária de liberdade, que ocorram em público ou na vida particular.

• Artigo 2: A violência contra mulheres será entendida como aquela que abrange os seguintes tipos, sem se limitar a estes:

a. Violência física, sexual e psicológica que ocorra na família, incluindo agressão, abuso sexual de meninas no lar, violência relacionada com o dote, estupro cometido pelo marido, mutilação de genitais femininos e outras práticas tradicionais danosas para mulheres, violência cometida por pessoa não-cônjuge e violência relacionada com a exploração;

b. Violência física, sexual e psicológica que ocorra na comunidade geral, incluindo estupro, abuso sexual, assédio sexual e intimidação no trabalho, em instituições educacionais e outros lugares, tráfico de mulheres e prostituição forçada;

c. Violência física, sexual e psicológica perpetrada ou deixada ocorrer pelo Estado, onde quer que ela ocorra”. [5]

Como foi visto acima na Declaração, a violência baseada no gênero inclui uma ampla gama de atos abusivos, tais como mutilação genital, abuso físico e emocional e exploração econômica. De acordo com a Organização Mundial contra a Tortura, o estupro e o abuso sexual, a mutilação genital, o incesto, o aborto forçado, os crimes de honra, a violência relacionada com o dote, os matrimônios forçados, o tráfico humano e a prostituição forçada serão todos considerados formas de tortura [6].

Em complemento, estudos mostram que as pessoas com deficiência são vítimas de abuso em uma escala bem maior que as pessoas sem deficiência [7]. Um fator por trás da crescente incidência de violência contra pessoas com deficiência é o estigma associado com a deficiência. Pessoas com deficiência são, com frequência, consideradas pela sociedade como sendo “não completamente humanas e de menos valor. (...) A ausência de representações de sua indentidade favorece a percepção de que se pode abusar delas sem remorso ou peso na consciência” [8].

Algumas sociedades podem acreditar que a deficiência é um castigo divino ou que a deficiência pode ser contagiosa para outras pessoas. Outras sociedades podem ver a pessoa com deficiência como um objeto de caridade ou pena, e não como uma pessoa que seja digna de direitos iguais aos de pessoas sem deficiência.

O contexto médico é uma fonte singular de abusos praticados contra pessoas com deficiência [9, 10]. De acordo com o Relator Especial da ONU sobre tortura e outro tratamento ou punição cruel, desumano ou degradante, um dos propósitos da definição de tortura é “por razões baseadas na discriminação de qualquer espécie”, observando que os atos de discriminação ou violência grave contra pessoas com deficiência podem ser mascarados pelas “boas intenções” dos profissionais médicos.

Tratamentos médicos de natureza intrusiva e irreversível, forçados ou administrados sem o consentimento livre e informado da pessoa em questão, que tenham o objetivo de corrigir ou aliviar uma deficiência ou que não tenham um propósito terapêutico, podem constituir tortura ou tratamento cruel contra pessoas com deficiência [11]. Estes tipos de atos incluem: aborto e esterilização forçados, intervenções psiquiátricas forçadas, internação involuntária em instituições e eletrochoque forçado ou ‘inalterado’ (eletroconvulsoterapia ou ECT) [12].

A privação da capacidade legal para uma pessoa tomar decisões facilita tratamentos coercitivos e violência de todos os tipos e pode constituir tortura e tratamento cruel em si mesmo, pois essa privação pode equivaler à negação da plena qualidade de ser pessoa [13]. Tal forma profunda de discriminação pode causar sofrimento severo.

Na palestra intitulada “Livres da Tortura ou do Tratamento/Punição Cruel, Desumano e Degradante”, que ministrou na Organização das Nações Unidas, Kate Millett (autora dos livros “Sexual Politics” e “The Politics of Cruelty”) declarou: “Para pessoas com deficiência, isto significa ‘Livres do tratamento e do confinamento forçados’. Livres do constrangimento e da coerção. O poder opressivo e gigantesco. O poder de uma civilização inteira arremessado contra uma pessoa sozinha. Cada telefone, cadeado, guarda, droga, (...) tudo conspira para deixar você completamente sozinha e apavorada... manipulável. Estas são as condições da tortura. Você não sabe o que vem em seguida. Você não sabe quanto tempo isso vai durar. ‘Ninguém saberá nunca’ – uma voz entoa. Ninguém acreditará em você nunca.”

Continua amanhã.


Fonte: http://arivieiracet.blogspot.com/2011/11/relatorio-violencia-contra-mulheres-com.html

A sensualidade da mulher com deficiência.

“A mulher com deficiência tem seus direitos sexuais e reprodutivos garantidos pela CF/88, na Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU, somente precisa ser aceita pela família essa descoberta e incentivada a se tornar de fato MULHER, não importando sua deficiência e grau de mobilidade, isso se chama diversidade estética” (Kica de Castro).




A belíssima foto assim como o texto,  são da fotógrafa Kica de Castro. E a modelo profissional com deficiência é Márcia Gori.
Veja também:

Cooperação foi assinada pela ministra Tereza Campello e pelo defensor público-geral da União, Haman Cordova, com a presença do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves

                                                    Ana Nascimento/MDS
   Tereza Campello e representantes da Associação das Ribeirinhas



A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, e o defensor público-geral da União, Haman Cordova, assinaram cooperação para inserção de vítimas de escalpelamento nos serviços e benefícios do Sistema Único de Assistência Social (Suas), nessa terça-feira (22), em Brasília. 

Esse tipo de acidente ocorre em maior proporção com a população ribeirinha da região amazônica. A falta da tampa no motor, no eixo e na hélice dos barcos provoca escalpelamento e mutilação de membros, deixando sequelas físicas e emocionais. "Assinamos um acordo com a DPU [Defensoria Pública da União] para garantir a inclusão dessa população no conjunto das políticas públicas. A rede de assistência social vai identificar essas vítimas e garantir, em alguns casos, a inserção no mercado de trabalho", disse a ministra Tereza Campello.

O acordo prevê o encaminhamento das vítimas, pelo DPU, para atendimento nos serviços e benefícios do Suas. O MDS se compromete a promover estudos sobre problema, a acolher as vítimas nos serviços socioassistenciais e a inseri-las no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), conforme avaliação médica e socioassistencial.

Cras itinerante – O Plano Brasil Sem Miséria, destacou Tereza Campello, pretende alcançar as vítimas de escalpelamento por meio das equipes volantes e dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). "Estamos construindo agora, no Brasil Sem Miséria, um trabalho com o Cras itinerante, que vai ter papel estratégico na região amazônica."

A presidenta da Associação das Mulheres Ribeirinhas e Vítimas de Escalpelamento da Amazônia, Rosinete Rodrigues Serrão, aponta a superlotação nos barcos e a falta de proteção no eixo do motor como as principais causas desse tipo de acidente. Além de perder o couro cabeludo (escalpo), a pessoa pode perder parte da pel e e membros, quando a roupa se prende ao eixo. Prender o cabelo, usar boné, manter-se distante do motor e protegê-lo com tampa são dicas para evitar acidentes.


Aos 20 anos, ao retirar água de dentro do barco, Rosinete escorregou e caiu sobre o eixo e perdeu o couro cabeludo. Demorou a recuperar a autoestima, mas conseguiu superar o trauma. Hoje, ela usa uma peruca feita de doações de cabelo natural, confeccionada na associação que preside.

A entidade trabalha a autoestima das mulheres, ajuda-as a resgatar a autonomia e as orienta sobre direitos sociais. Ela reúne 117 vítimas de escalpelamento que confeccionam as próprias perucas. Além disso, elas produzem perucas para pessoas que estão fazendo tratamento de câncer. 


Atuação integrada – Gestores e técnicos estaduais de assistência social participaram da 1ª Oficina com os Estados, promovida pelo MDS nessa segunda e terça-feira (21 e 22), em Brasília. A reunião discutiu o fortalecimento da gestão e a concretização da proteção social especial de média complexidade nos municípios. São considerados de média compl exidade no Suas os atendimentos prestados pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e pelos Centros Especializados para a População em Situação de Rua (Centros POP).


Fonte: http://www.mds.gov.br/

Mutismo Seletivo

O mutismo seletivo ocorre normalmente entre os 3 e os 8 anos de idade e resulta na maior parte dos casos de um trauma. A duração deste distúrbio pode ser de meses ou de anos.
Magda Franco


O ser humano na sua infinita complexidade procura adaptar-se ao meio ambiente que o rodeia. Por vezes esta tentativa de inserção social assenta sobretudo na aceitação por parte dos outros. Em todas as faixas etárias o ser humano sente necessidade de ser reconhecido, aceite e aprovado. As crianças precisam e gostam de ouvir palavras de incentivo, os jovens recebem recompensas pelo bom comportamento e os adultos esperam ser gratificados pelos seus chefes. Este é o padrão comum de funcionamento do ser humano. 

Por cada gesto ou atitude positiva a criança é recompensada e estimulada no sentido de a incentivar a demonstrar os comportamentos positivos adquiridos. Este processo chama-se reforço positivo. Os pais desenvolvem profundos elos afetivos com os filhos. Comunicam com eles através de gestos, de palavras, de atitudes e até no silêncio de um olhar conseguem partilhar o amor que sentem. Os educadores e os professores também criam elos com os seus discentes. Esta ligação é feita através da comunicação. A voz é o instrumento usado para estabelecer o primeiro contacto e para reforçar a interacão entre professor e aluno. Existem outras formas de comunicação: escrita, gestual e visual mas a interação oral, é sem dúvida o suporte que os professores e os alunos usam para estabelecerem uma comunicação diária. 

As escolas hoje em dia são instituições dinâmicas e multiculturais, acolhem alunos com diferentes backgrounds, com necessidades educativas especiais e individuais e colocam ao dispor dos alunos uma equipa de docentes capacitados para atenderem às particularidades de cada aluno. Tendo isto como um dos pilares que assegura a funcionalidade do sistema educativo vamos considerar hoje uma particularidade que constitui um desafio para os pais e para os professores: os jovens que sofrem de mutismo seletivo. 

Os adolescentes que tendem a ficar muito quietos, em silêncio e que não comunicam com os professores na escola, falam muito pouco com os colegas e tendem a ter imensa dificuldade para responder às perguntas colocadas pelos professores são normalmente classificadas de tímidos. As crianças ou adolescentes que apresentam um perfil com estas características podem, eventualmente, sofrer de distúrbio emocional chamado: o mutismo seletivo. Em casa essas crianças ou adolescentes têm um comportamento normal, conversam com os pais e brincam com os irmãos, contudo, pode ocorrer uma situação que se prende com pessoas desconhecidas. Quando um adulto que não esteja inserido no círculo familiar ou outra criança estranha lhes dirige a palavra, elas permanecem mudas. Este fenómeno é mais comum do que se pensa e nos meios mais pequenos permanece no sigilo do lar até idade escolar. Às vezes, os pais não expõem os filhos numa tentativa de protege-los dos maldizeres do povo mas urge a necessidade de encaminhar estes jovens para profissionais da área para juntos ultrapassarem as dificuldades.

O mutismo seletivo transporta muitas complicações à vida destas crianças. Torna-se num obstáculo que cresce à medida que a interação social aumenta. Não nos esqueçamos que somos seres sociais e que é inevitável o contacto diário com os outros em diferentes contextos. Às vezes estas crianças e adolescentes não conseguem nem pedir para ir ao a casa de banho, podem sentir uma dor e não a manifestam verbalmente, não respondem a nenhuma questão e não colocam questões. Ensinar estas crianças é um desafio intelectual para todos os professores. È importante estar atento a todos os outros sinais que a criança manifesta: o olhar (normalmente a criança tem dificuldade em estabelecer um contato direto), a postura, o ser e o estar na sala de aula e tentar que a criança comunique através da escrita. Aceder ao mundo singular destes jovens não pode ser um obstáculo mas sim um meio para entender e aceitar a diferença na sua plenitude. 

O mutismo seletivo ocorre normalmente entre os 3 e os 8 anos de idade e resulta na maior parte dos casos de um trauma. A duração deste distúrbio pode ser de meses ou de anos. Esta perturbação não está associada a problemas de aprendizagem e nas escolas públicas não há um programa de instrução especial disponível para estes adolescentes. A elaboração de um programa adaptado teria de ser projetado a nível individual. Ainda que não haja um currículo adaptado é necessário os professores modificarem as suas estratégias de avaliação tendo em consideração que o adolescente não comunica oralmente dentro da sala de aula. As avaliações poderão eventualmente não refletir os verdadeiros níveis do QI ou do potencial intelectual do discente. Estas considerações já são feitas nas escolas locais e são uma mais-valia para o sucesso académico destes adolescentes.

De acordo com estudos desenvolvidos pensava-se até à relativamente pouco tempo que este distúrbio atingia uma em cada 1 000 crianças, mas recentemente, um estudo desenvolvido pela American Academy of Child and Adolescent Psychiatry mostrou que esta proporção é de sete para 1 000, o que torna o mutismo seletivo duas vezes mais frequente do que o autismo. Não existem muitas referências e orientações para o tratamento do mutismo seletivo. Talvez pelo fato da criança com mutismo seletivo não perturbar ninguém e passar quase despercebida pela ausência de ruídos e sons, ao contrário da criança hiperativa, cujo comportamento desinquieto chama a atenção de todas as pessoas. Infelizmente, até à data o tratamento para o mutismo seletivo tem sido protelado e sua importância minimizada. Contudo, as modificações comportamentais são as medidas mais auspiciosas. A psicoterapia e a terapia da fala também são importantes e podem ajudar o adolescente que sofre deste distúrbio.


Fonte: Jornal da Madeira - lha da Madeira, Portugal, 25/11/2011

Mais Informações:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mutismo_seletivo
http://mutismoseletivo.org/

Down Syndrome International agradece ao Brasil data na ONU


Presidente da Down Syndrome International, manda uma mensagem ao movimento de pessoas com deficiência no Brasil. Agradece o esforço de Patrícia Almeida e das organizações brasileiras pela oficialização do dia 21 de março, dia Internacional da Síndrome de Down, como uma data ONU.

Mensagem foi gravada em Genebra em 16/11/2011, durante a realização do Seminário para Planejamento do Guia IDA de Implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, do qual Alexandre Mapurunga participou representando RIADIS e ABRAÇA em função da participação no Programa de Treinamento IDA.

Gravação, transcrição e tradução: Alexandre Mapurunga

Wet'n Wild abre exclusivamente para receber pessoas com deficiência

2º Dia Nacional da Pessoa com Deficiência acontece dia 29/11 e parque aquático recebe 1,3 mil pessoas.

O Wet'n WildSite externo. participa, no próximo dia 29, do 2º Dia Nacional da Pessoa com Deficiência em Parques e Atrações Turísticas (DNPD). A ação de responsabilidade social é uma iniciativa do Sistema Integrado de Parques Temáticos e Atrações Turísticas (Sindepat)Site externo. e conta com o apoio da Associação das Empresas dos Parques de Diversão do Brasil (Adibra)Site externo., com o objetivo ressaltar a importância da acessibilidade em parques e atrações turísticas de todo o Brasil.

Na ocasião, o parque aquático receberá 1,3 mil pessoas com deficiência, vindas de 14 instituições de todo o Estado de São PauloSite externo.. Neste dia, as pessoas com deficiência e seus monitores receberão gratuitamente, além do ingresso de acesso ao parque, alimentos e bebidas. Voluntários capacitados para auxiliar no atendimento às pessoas e garantir maior conforto e total segurança e diversão também estarão presentes durante o evento.

O padrinho oficial do DNPD em todo o País é o cartunista Maurício de Sousa. Para a realização do evento, o Wet'n Wild contou com o apoio, fornecimento de alimentos, bebidas e brindes das empresas parceiras como Brasilfoods, Flavored Pop Cor, Churrasquinhos Jundiaí, Mentos, Gran Palato, Churros do Espanhol, Medicina do Riso, Guilherme Gongra Fotografia e voluntários da Jovens Construindo Cidadania (JCC) e da Nostropan.

Também participam da ação os seguintes parques temáticos e atrações turísticas: Hopi Hari, Playcenter, O Mundo da Xuxa e Wet n' Wild no Estado de São Paulo; Beach Park no Ceará; Alpen Park no Rio Grande do Sul; Beto Carrero e Unipraias em Santa Catarina e Bondinho do Pão de Açúcar e Trem do Corcovado no Rio de Janeiro, Hot Park em Goiás e Complexo Turístico de Itaipu no Paraná.

Fonte: http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=4319&/wetn_wild_abre_exclusivamente_para_receber_pessoas_com_deficiencia

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Dilma exalta paratletas e vê "estímulo" para Brasil na Copa e Olimpíada -

A presidente Dilma recebeu nesta quinta os atletas brasileiros que disputaram o Parapan
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR/Divulgação


A presidente Dilma Rousseff recebeu, nesta quinta-feira, em Brasília, os atletas e dirigentes que participaram do Parapan-Americano de 2011, disputado em Guadalajara. No encontro, a mandatária se mostrou orgulhosa pelos resultados obtidos e exaltou o sucesso deles como um "estímulo" para as competições que o Brasil sediará.
"Acredito que este é um momento especial porque tivemos um desempenho fantástico no Parapan e isso pra todos nós é um estímulo no momento que o Brasil vai receber uma Copa e uma Olimpíada", afirmou a presidente. Após a declaração, Dilma tirou fotos com os paratletas e recebeu uma medalha. Animada e sorridente, ela conversou bastante com os presentes enquanto conhecia cada um.
Também presente na homenagem, o ministro do Esporte Aldo Rebelo enalteceu as conquistas dos paratletas como um orgulho nacional. "Sei que vocês têm muito orgulho do que fizeram, do esforço, da superação. Vocês são orgulhos para suas famílias, comunidades e acima de tudo para o país. Contem com o Ministério do Esporte, com nosso apoio e nosso empenho", disse.
De acordo com o Ministério do Esporte, os bolsistas do governo conquistaram 79% de todas as medalhas do País na competição. A porcentagem é relativa a 156 medalhas no quadro geral, sendo 56 ouros, 52 pratas e 48 bronzes.
Após vencer em 2007, no Rio de Janeiro, o Brasil confirmou a supremacia em Guadalajara e terminou os Jogos Parapan-Americanos na primeira colocação, com 197 medalhas, sendo 81 de ouro, 61 de prata e 55 de bronze. Além disso, o Brasil teve a maior delegação, com 222 atletas divididos em 13 modalidades.

Fonte: http://esportes.terra.com.br/rumo-a-2012/pan-americano-guadalajara-2011/parapan/noticias/0,,OI5487395-EI19076,00-Dilma+exalta+paratletas+e+ve+estimulo+para+Brasil+na+Copa+e+Olimpiada.html

Trabalhadores com deficiência e escolaridade.

Remuneração de trabalhadores cresce com elevação de escolaridade, tenham deficiência ou não. É o que informa a RAIS 2010.

da Redação


A elevação de escolaridade dos trabalhadores é condição fundamental para a melhoria da remuneração. É o que aponta os registros sociais fornecidos pelas empresas ao Ministério do Trabalho e Emprego. Enquanto um trabalhador com Mestrado completo ganha mais que o dobro da remuneração média, os analfabetos ficam na base da pirâmide, tenham deficiência ou não.





Remuneração de trabalhadores aumenta com a escolaridade. 
RAIS 2010. 

Escolaridade Com Deficiência Sem Deficiência. 
Analfabeto R$ 778,72 R$ 785,18
Fundamental completo R$ 1.441,92 R$ 1.134,55
Médio completo R$ 1.639,60 R$ 1.361,65
Superior completo R$ 4.995,17 R$ 4.080,79
Mestrado Completo R$ 8.491,46 R$ 4.722,10
Doutorado Completo R$ 12.252,39 R$ 7.699,38
Remuneração Média R$ 1.922,90 R$ 1.740,77
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego – RAIS 2010.

Encontro reforça defesa da lei de Cotas. 

As mais recentes mudanças legais no campo da inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho estiveram entre os principais assuntos do IV Encontro Anual do Espaço Cidadania, realizado no último dia 17, no auditório da Força Sindical, em São Paulo. A alteração nas regras do BPC (Beneficio de Prestação Continuada), proporcionada pela lei 12.470/11, e a inclusão de pessoas com visão monocular na Lei de Cotas foram os destaques da discussão que reuniu cerca de cem pessoas de diversos segmentos para avaliar os avanços obtidos em 2011 e os desafios a serem superados ao longo do próximo ano.

O Ministério do Trabalho e Emprego está possibilitando a inclusão da visão monocular como deficiência visual para efeitos da Lei de Cotas, através do Parecer CONJUR 444/11. Vão no mesmo caminho as mudanças no BPC, já que, a partir delas, os beneficiários que forem contratados por uma empresa terão o beneficio suspenso. Porém caso forem dispensados voltarão a recebê-lo automaticamente, sem passar por perícia médica ou reavaliação de deficiência. A lei ainda permite aos beneficiários que forem contratados como aprendizes acumularem salário e benefício durante a aprendizagem.

As mudanças foram esclarecidas pelo Coordenador do Projeto de Inclusão da Pessoa com Deficiência da SRTE/SP, José Carlos do Carmo (Kal). Ele ainda informou que os decretos atuais apresentam erros técnicos e conceituais. “Vamos fazer uma ampla revisão técnica a partir do ano que vem”, enfatizou.

Desafios para 2012.

- Entre os desafios para o próximo ano está a elevação da presença das pessoas com deficiência no mercado formal. Isso porque ao invés de crescer, ela vem diminuindo. Foi o que mostrou o coordenador do Observatório do Trabalho de Osasco, Alexandre Guerra. Os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) de 2010 que mostram que 306 mil trabalhadores com deficiência estavam no mercado formal de trabalho no Brasil. Já as pessoas sem deficiência somaram 44,1 milhões. Logo, as pessoas com deficiência representavam apenas 0,7% dos trabalhadores no mercado formal. “Em 2007, elas representavam 0,9%, em comparação ao total de empregados no mercado formal”, explica.

Proporcionar trabalho decente para trabalhadores com deficiência (e também para as sem deficiência) é outra meta a ser perseguida em 2012, com a realização da Conferência Nacional do Trabalho Decente Por isso, os participantes do encontro tiveram a oportunidade de conhecerem mais o assunto, a partir das explicações da técnica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico) Ana Yara Paulino. “É uma condição fundamental para a superação da pobreza, redução da desigualdade social, garantia da governabilidade democrática e desenvolvimento sustentável. Hoje o trabalho decente é uma nova linha de luta", avalia.

Carmen Leite Ribeiro Bueno, da Sorri-Brasil, explicou os principais conceitos e terminologias na área da deficiência e ressaltou a importância da emancipação das pessoas e de uma sociedade inclusiva. “A emancipação só acontece quando a sociedade reconhece que todas as pessoas são iguais mesmo com as suas diversidades”, explicou. Já Antonio Carlos Grandi , da Fundação Dorina Nowill para Cegos, deu dicas de acessibilidade e ajudas técnicas para pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho, e Atílio Machado Peppe, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP), falou sobre a atuação da Câmara Paulista de Inclusão.

Os participantes ainda tiveram a oportunidade de conhecer trabalhos bastante significativos do cartunista Ricardo Ferraz. No encontro, ele apresentou a trajetória do movimento pela inclusão, por meio de textos e imagens que superam preconceitos. Ele é autor do selo comemorativo dos correios homenageando os 30 anos do AIPD - Ano Internacional das Pessoas Deficientes.
Plano de ações anunciado pelo governo para trabalho de pessoas com deficiência pode ser colocado em prática com bases irreais. 

Pelo 4º ano consecutivo continua aparecer falhas gritantes nos registros da RAIS sobre trabalhadores com deficiência, divulgados pelo Ministério do Trabalho. Os registros da RAIS – Relação Anual de Informações Sociais servirão para alavancar a presença das pessoas com deficiência no trabalho, conforme previsto no Plano “Viver Sem Limite” lançado pela presidenta Dilma na semana passada. Mas a RAIS sobre trabalhadores com deficiência está com problemas: o Ministério do Trabalho não filtra as informações que recebe nem fiscaliza as empresas que tratam com descaso o envio destes registros.

O Espaço da Cidadania , ação apoiada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região registrou alguns absurdos da RAIS 2007, 2008 e 2009. Uma equipe da direção central do Ministério do Trabalho veio a São Paulo em 5 de outubro de 2011, reconheceu os problemas e se prontificou a melhorar a qualidade do que divulgariam no ano que vem. O compromisso foi anunciado na 7ª reunião da Câmara Paulista de Inclusão, realizada no auditório da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo. O fato se repetiu na RAIS 2010. Os lançamentos de remuneração entre pessoas com e sem deficiências tiveram variação entre 100% a 208% em 7 estados brasileiros e quando se detalha a informação por município a situação é mais grave, onde são contados 319 municípios brasileiros cujas diferenças variam entre 100% a 1.758%. Desta forma o Governo Federal pode utilizar informações que podem distorcer o objetivo anunciado, prejudicando o acesso ao trabalho das pessoas com deficiência.

Fonte: Bengala Legal - 24/11/2011 - Imagem Internet

Alunos com deficiência e o recente decreto presidencial 7.611: um retrocesso a ser corrigido

Por Eugênia Augusta Gonzaga*


O Decreto 7.611/11 foi assinado em 17.11.2011, em um evento emocionante, juntamente com outros 03 decretos relacionados aos direitos das pessoas com deficiência. Eles fazem parte do plano “Viver sem Limites” anunciado na solenidade.

O plano contém diretrizes para a promoção dos direitos das pessoas com deficiência, mencionando políticas de inclusão educacional e social, em cumprimento à Convenção da Organização das Nações Unidas – ONU – sobre os mesmos direitos. Essa Convenção foi ratificada e aprovada pelo Brasil com força de emenda constitucional, sendo que o país está obrigado a enviar relatórios periódicos ao respectivo Comitê de acompanhamento. O “Viver sem Limites” será, com certeza, o cerne do próximo relatório brasileiro.

No papel o plano é muito bom e conta com verbas bastante significativas. Se bem executado, representará um impulso efetivo no acesso dessa enorme parcela da população a serviços de educação, saúde, habilitação, reabilitação, informação, lazer, cultura, entre outros direitos humanos e sociais.
Especificamente em relação ao Decreto 7.611, no entanto, não é possível dizer o mesmo. Sua redação já representa um retrocesso. Ele revogou o Decreto 6.571, de 17.09.2008, que tratava do “atendimento educacional especializado” numa perspectiva de apoio e complemento aos serviços de educação inclusiva, sem deixar válvulas para a manutenção do ensino exclusivamente segregado de crianças e adolescentes com deficiência.

A ênfase acima ao “exclusivamente” é para que fique claro que não há nada contra o ensino especializado historicamente oferecido por instituições filantrópicas, como Apaes e outras. Esse ensino é importante, mas não deve ser o único ambiente educacional ao qual os alunos com deficiência devem ter acesso. Eles têm, também, o direito inalienável de estudarem em ambientes escolares comuns. Essa é a inovação chancelada pela Convenção da ONU quando, entre outros princípios, afirma, em seu artigo 24, que “os Estados Partes assegurarão um sistema educacional inclusivo em todos os níveis” e enfatiza o direito de “acesso ao ensino primário inclusivo” (item 2, alínea “b”).

Pois bem, o novo decreto, ao contrário do 6.571 – revogado – , afasta-se dessa linha porque contém o grave erro de colocar a chamada educação especial como algo à parte e até mais amplo que o atendimento educacional especializado – AEE. A diferença entre os dois institutos é a seguinte: a Constituição Federal de 1988 fala apenas em AEE, rompendo com a educação especial tal como era antes da CF/88, ou seja, ensino destinado a pessoas com deficiência, independentemente da idade do aluno e da frequência concomitante a uma escola comum.

A redação do Decreto 7.611 também fere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN – pois esta fala apenas em educação especial, mas a define como AEE. Logo, interpretada em conjunto com a CF, onde está escrito “educação especial” na LDBEN, leia-se AEE.

No Decreto 7.611 não é possível fazer essa mesma leitura porque ele coloca os dois institutos em paralelo, o que nem a CF e nem a LDBEN fizeram. Colocar os dois institutos em paralelo pode ser uma sinalização de que se voltou a admitir a educação especial tal como era antes da CF/88. Seria um retrocesso e uma ofensa à Convenção.
É grave, mas ainda é possível tratar essa questão apenas como uma problemática de redação, que pode vir a ser corrigida.

Por outro lado, os artigos do 7.611, que parecem alterar os artigos 9 e 14, do Decreto 6.253/07 (que cuida do Fundeb) e, por isso, estão preocupando as pessoas que defendem a inclusão educacional, não são novidade e nem se pode falar em retrocesso em relação a eles. Essa alteração é de 2008, apenas foi repetida no novo decreto. A única mudança é que o texto do artigo 14, do Decreto do Fundeb, foi transcrito integralmente no Decreto 7.611, que agora é o que regulamenta as políticas educacionais para pessoas com deficiência. Provavelmente para não deixar dúvidas de que as filantrópicas podem receber a verba destinada à escolarização básica pública e não apenas a verba do AEE.

Essa forma de financiamento ainda é uma abertura para a manutenção do ensino especial e exclusivo, mas a tendência nesse período de transição – ensino segregado para ensino inclusivo – é que cada vez mais esse tipo de verba seja paga apenas nos casos em que os alunos destinatários não estejam compreendidos na faixa etária de escolarização obrigatória (ao menos dos 5 aos 14 anos).

Portanto, faz-se necessária apenas uma revisão na redação do Decreto 7.611, com vistas a se buscar uma conformidade do seu texto à LDBEN, à CF e à Convenção da ONU. É possível que o Ministério da Educação e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República já estejam trabalhando nisso porque o novo governo não pode ficar vulnerável nesse ponto crucial em seu próximo relatório à ONU.

* Procuradora do Ministério Público Federal e autora do livro “Direitos das pessoas com deficiência – garantia de igualdade na diversidade”.

Fonte: Brasilianas

Educação especial e inclusão: de volta à berlinda

Por Lucio Carvalho *


Em cerimônia no Palácio do Planalto, no último dia 17, a presidente Dilma Rousseff anunciou aquela que é a primeira grande iniciativa de atenção à pessoa com deficiência em seu governo. O Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, batizado “Viver sem Limite”, destaca a necessidade de viabilizar a inclusão social das pessoas com deficiência em todo o país e prevê um investimento de cerca de 7,6 bilhões de reais até 2014, em áreas como acessibilidade arquitetônica e urbanística, saúde e educação, entre outras.
Na esteira do plano, o governo também lançou um conjunto de medidas visando sustentá-lo legalmente, entre as quais os Decretos 7.611 e 7.612. Este último diz respeito ao detalhamento do plano em si mesmo, enquanto o primeiro reorganiza os serviços da educação especial, complementares ou suplementares ao ensino regular, o assim chamado atendimento educacional especializado (AEE), e a específica distribuição de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) destinadas a financiá-lo, nas diferentes modalidades de sua oferta.

Posicionando o Dec. 7.611 no marco legal

O decreto consolida a legislação anterior e confirma a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, revigorando o conceito de dupla matrícula, presente desde 2007 através do Dec. 6.278, que restituiu às escolas especiais o direito de ofertar educação especial no âmbito da política governamental em vigor. Além disso, o Decreto também dispõe sobre a oferta de educação bilíngue para surdos e outros dispositivos de financiamento aos sistemas de ensino.
Do ponto de vista educacional, a dupla matrícula amplia as condições de oferta dos serviços de AEE pelas escolas especiais, agora novamente habilitadas a captar recursos do FUNDEB e a investir em qualificação, conforme os demais dispositivos do novo decreto. Já do ponto de vista político, o decreto pode ser interpretado como uma fonte de recuperação das escolas especiais, que na atual política haviam perdido a anterior preponderância no atendimento às pessoas com deficiência, uma vez que a adoção da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CPCD) e sua incorporação ao texto constitucional, em 2009, obrigou definitivamente o país a implementar e investir na educação para pessoas com deficiência em ambientes inclusivos.

O Dec. 7.611 e a oferta de educação especial

O percurso recente da educação especial no Brasil está vinculado ao estrito conceito de inclusão educacional, que diz respeito à presença dos alunos com deficiência nas escolas regulares. Todo o investimento governamental dos últimos anos dirigiu-se, portanto, a programas destinados à qualificação docente, adaptações e investimentos que pudessem garantir o acesso e a permanência dos alunos nas escolas regulares, espaço preferencial da educação das pessoas com deficiência, de acordo com a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
A opção pela nova política, regulamentada no Dec. 6.571 de 2008 e pavimentada pela Resolução 4, de 2009, do Conselho Nacional de Educação, não se deu entretanto sem uma ruptura. Trata-se, afinal, de partir de um modelo em vigência desde a década de 60, no qual escolas e classes especiais esboçavam um gesto tímido de integração à escola regular, para um outro no qual os estudantes passaram a conviver nos mesmos ambientes e a exigir uma nova organização escolar e também a ressignificação do fazer pedagógico.
Todo esse movimento foi impulsionado nos últimos quatro anos, brevidade que explica, pelo menos em parte, as inúmeras dificuldades que ainda permeiam a escola regular, na qual a praxis educacional está ainda especialmente orientada à competitividade e ao mérito distintivo, política também fomentada pelo governo federal, que a partir de 2011 envida esforços e destina recursos ao ensino técnico e profissionalizante.

A retomada das escolas especiais

A retomada que as escolas especiais obtém com o decreto recém editado acontece sob a mesma gestão que estava à frente do Ministério da Educação há quatro anos, com o Ministro Fernando Haddad. Desde lá, as políticas públicas destinadas à educação têm tido como referência a perspectiva da educação inclusiva, recolocada no centro do debate educacional incorporando uma série de novos conceitos e valores, tais como o mútuo reconhecimento e o amplo respeito à diversidade individual das pessoas. É portanto no foco da nova política de educação especial inclusiva que o Decreto 7.611 se inscreve, modificando alguns de seus detalhes, mas não alterando sua essência, até porque deve obedecer a precedência legal e temporal de acordo com o previsto na CPCD, razão pela qual traz embutidos em seu texto vícios de inconstitucionalidade.
Uma vantagem possível para as escolas especiais de agora em diante, em relação a oferta do AEE nas próprias escolas, é o número reduzido de alunos e a possibilidade reconquistada de outras fontes de financiamento exclusivas às escolas, como convênios autônomos com o poder público nas esferas estadual e municipal, entre outros. A oferta e financiamento de seus serviços, entretanto, continua dependente da dupla matrícula, como assevera o Art. 9-A do Dec. 6.253 de 2007, que regulamenta o FUNDEB, modificado por este novo Dec. 7.611 e circunscrita ao AEE, para alunos que continuam obrigados a frequentar a escola regular para usufruir do direito à dupla matrícula. Frise-se que as modificações impostas pelo novo decreto dizem respeito exclusivamente ao financiamento a alunos matriculados na escola regular e na escola especial concomitantemente, caracterizada aí a dupla matrícula, mote principal do decreto. Fora isso, a escola especial não adquire legalmente qualquer efeito substitutivo. O decreto não se presta a essa finalidade, mas sim à orientação de diretrizes dos serviços do AEE, sua oferta pelas escolas especiais, e ao financiamento público.

Financiamento público, para a educação inclusiva

De outra parte, a desvantagem da oferta do AEE na escola pública é agravada pelas dificuldades de orçamento e recursos ordinários. Por isso, uma verdadeira e qualificada oferta de educação inclusiva compete ainda na ampliação da destinação de recursos orçamentários, como pretende a campanha pelos 10% do PIB na educação, na qualificação e valorização docente, no cumprimento imediato e integral do piso salarial dos professores, na concretização de uma educação em direitos humanos orientada ao fim do preconceito, homofobia, racismo e intolerância no ambiente escolar, apontados em inúmeras pesquisas realizadas recentemente. Estas são necessidades prementes e complementares para uma educação pública, inclusiva, universal e de qualidade para todos.
Além disso, é urgente rever as necessidades de um universo escolar em constante transformação e a crescente deturpação do interesse público e vulnerabilização da educação pública. Além das pessoas com deficiência, aquelas que podem portar um diagnóstico, há uma imensa população de alunos apresentando “necessidades educacioanais especiais”, como os casos envolvendo transtornos de atenção, hiperatividade, depressão, psicoses e aqueles que simplesmente têm imensas dificuldades porque imersos na pobreza e em condições desumanas de sobrevivência, como desnutrição e outras situações de vulnerabilidade social.
Para esta clientela, “preferencial” da escola pública, não há escola especial que abrigue nem escola privada que a deixe passar perto da porta, mas a verdadeira educação inclusiva deve estar apta a recebê-la e possibilitar sua inclusão social, porque se trata de seus legítimos interessados. A escola que estiver apta a receber e educar toda essa clientela, em igualdade de condições e proporcionar seu desenvolvimento social e humano, é que é a digna de todo o investimento público possível. Nesse sentido, outra medida do plano “Viver sem Limite”, o BPC na Escola, que monitora os estudantes de famílias que recebem o Benefício de Prestação Continuada oferecido pelo Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome às famílias de pessoas com deficiência carentes, para garantir sua escolarização, vem somar-se à perspectiva da educação inclusiva.
O que será possível verificar, a partir da vigência do Dec. 6.711 e da injeção de novos recursos na escola especial, é a sua capacidade de encontrar as necessidades presentes na sociedade contemporânea e complementar, através da oferta de seus serviços e acúmulo, lacunas na educação dos alunos com deficiência na rede pública. Por isso, trata-se de uma oferta “complementar”, porque o dever de oferecer e manter a educação pública e universal continua sendo exclusividade do Estado.

* Coordenador-Geral da revista digital Inclusive – inclusão e cidadania (www.inclusive.org.br)

Fonte: Inclusive – inclusão e cidadania -http://www.inclusive.org.br/?p=21666

“Menina Diferente”, do Instituto MetaSocial recebe prêmio de publicidade

Moça tocando bateria em parque e jovens em volta, dançando. Inscrição Ser Diferente é Normal. www.metasocial.org.br.

A campanha “Menina Diferente”, do Instituto MetaSocial, ganhou o 7. prêmio Renato Castelo Branco, de Responsabilidade Social, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/SP), em evento ontem no MASP. A campanha “Ser Diferente é Normal” foi criada para o MetaSocial pela Agência de Propaganda Giovanni+draftFCB.

Foram 3 premiados na categoria entidades sem fins lucrativos, todos no mesmo grau (sem hierarquia de ouro, prata, bronze). “Menina Diferente” foi o mais aplaudido dos três.

O filme, estrelado por Paula Werneck, também foi selecionado para representar o Brasil no Festival de Cinema da ONU durante as celebrações do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, em 2 de dezembro, na Organização das Nações Unidas, em Nova York.

Fonte – http://www.inclusive.org.br/?p=21677

Mulher tem colapsos toda vez que o telefone toca

Do UOL Ciência e Saúde Em São Paulo

A mulher de 26 anos sofre de cataplexia, que faz com que seus músculos fiquem fracos ao sentir momentos de extrema emoção.


Muitas pessoas adoram ser surpreendidas, mas para Caitlin Wallace, qualquer som inesperado pode fazer com que ela tenha um colapso e perca o movimento dos músculos.

A mulher de 26 anos sofre de cataplexia, que faz com que seus músculos fiquem fracos ao sentir momentos de extrema emoção, como risadas ou medo. Essa doença paralisa a face e deixa a musculatura dos joelhos fraca até a pessoa não conseguir se mexer e cair.

Coisas simples como o toque de telefone, encontrar com amigos de longa data ou receber cartas a fazem ter pelo menos 20 colapsos durante o dia.
Essa paralisia dura alguns minutos e ela fica sem conseguir enxergar nada do que se passa, mas escuta tudo o que as pessoas dizem a sua volta.
Wallace conta que no início as crises eram menores e aconteciam principalmente quando ela estava dando risada. "Depois passou para quando eu ficava surpresa ou chocada. Tenho colapsos só do telefone tocar enquanto eu o estou segurando", contou ela ao Daily Mail.

Graças à cataplexia ela não consegue tentar se segurar ou evitar uma queda mais brusca, portanto ela está sempre coberta de roxos, cicatrizes e machucados.

Os sintomas do problema tiveram início em fevereiro do ano passado e depois do primeiro colapso ela foi ao hospital com suspeita de infarto.

Encaminhada para um neurologista, Wallace fez exames e raios-X do cérebro, e depois foi diagnosticada com cataplexia e narcolepsia, responsável pelo sono excessivo que sentia durante o dia.

A doença a impediu de continuar dirigindo e trabalhando. "Eu pegava muito no sono durante o dia, mesmo trabalhando, e também cometia muitos erros pelo cansaço que eu tinha", explicou ela.
De acordo com o médico Paul Reading, da Universidade James Cook, pessoas com narcolepsia tem falta de um composto químico no cérebro que regula o sono, sem ele essas pessoas não conseguem permanecer acordadas por mais de poucas horas.

No caso da doença de Wallace, ela só ocorre em quem tem narcolepsia e ataca toda vez que ocorre qualquer tipo de emoção intensa.

A doença pode ser tratada com antidepressivos, não pelo paciente estar nessa condição, mas porque os medicamentos inibem os colapsos.

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2011/11/24/mulher-tem-colapsos-toda-vez-que-o-telefone-toca.jhtm

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Este poderia ser o fim das pesquisas com células-tronco embrionárias?


A empresa de biotecnologia Geron, que depois de muita confusão e enormes despesas  lançou o primeiro teste clínico com  células estaminais embrionárias em  humanas  nos Estados Unidos e agora  está saindo do negócio de células-tronco.
Colapso
A Geron fez muitos esforços para conduzir o governo dos EUA e a sociedade em geral para permitir o uso de células-tronco embrionárias. Os cientistas acreditavam que poderiam tratar muitas doenças por causa de sua capacidade de se transformar em qualquer célula do corpo humano. Mas a empresa acumulou perdas de quase US $ 300 milhões nos últimos quatro anos e parou com os seus investimentos em células-tronco. Com poucos cientistas para prosseguir na pesquisa com uma variadade de   células-tronco  estaminais embrionárias, muitos estão se perguntando se a pesquisa com células-tronco embrionárias  em breve poderá dar o  seu último suspiro.

Assista o vídeo explicativo sobre células-tronco
As células-tronco embrionárias são controversas porque os embriões humanos são destruídos para que se possa obtê-las. Mas a empresa perseverou em meio a anos de clamor público e em outubro de 2011 lançou o primeiro teste aprovado pelo FDA para o tratamento de  lesões agudas da medula espinhal em humanos . Apenas quatro dos 10 pacientes aprovados foram tratados com células-tronco da Geron, e agora parece que os outros seis não terão a sua chance. Um estudo recém-lançado na  Suíça dirigida pela Geron também, provavelmente será interrompido. A empresa demitiu 34 % do seu pessoal e se concentrará agora em tratamentos de câncer. Muitos pacientes que tinham a esperança de uma cura da paralisia agora ficarão muito decepcionados.
A Advanced Cell Technology é uma das únicas empresas  que ainda está usando células-tronco embrionárias. Tem ensaios clínicos ativos em  humanos na distrofia muscular e degeneração muscular.
Mas outras empresas, como a  Neuralstem , estão prontas para aproveitar a oportunidade usando um tipo diferente e menos controverso de células-tronco. A Neuralstem usa células-tronco  neurais, em vez de células-tronco embrionárias, e já observou um sucesso notável no tratamento de pacientes com ELA . Células-tronco neurais não são completamente livres de controvérsia: elas são tiradas de um feto abortado voluntariamente. Mas os embriões não são destruídos, a fim de se obtê-las. E a tecnologia permite que a Neuralstem consiga proliferar todas as células que precisam de um único  feto.
A  Neuralstem já tratou 12 pacientes com ELA, e os médicos tratarão o13º paciente  na sexta-feira (18/11). Acredita-se que suas células são mais fáceis de controlar e de direcionar  do que as células-tronco embrionárias para o tratamento de doenças neurológicas.

Fonte: http://www.neuralstem.com/neuralstem-in-the-news ( tradutor google )http://celulas-troncoja.blogspot.com/