sábado, 3 de dezembro de 2011

Acessibilidade: um desafio do Brasil

Há alguns dias, o Guia Inclusivo divulgou os dados preliminares do Censo 2010 relativos às pessoas com deficiência. Agora, perto do Dia Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, queremos tentar entender esses dados, que, em um primeiro momentos são números frios.

Essa parte da pesquisa foi feita através de amostragem, o que não representa o número real da população com deficiência, mas segundo o instituto, é muito próximo à realidade, quando são feitos todos os processos de análises.

Principal referência nos últimos dez anos, os dados de 2000 apontavam que 24,6 milhões de brasileiros que se declaravam com alguma deficiência física, motora, visual, auditiva ou múltipla. Estas mesmas variações, pesquisadas em 2010, apontam 45,6 milhões. Não é de se assustar?

Este número representa quase um quarto da população brasileira. Não vamos abordar detalhadamente os índices, mas sim, o que ele representa de desafio para sociedade como um todo no Brasil.

As iniciativas precisam surgir de forma conjunta, não apenas políticas públicas, ações de organizações não-governamentais ou de empresas que tenham interesse pelo segmento. Projetos de acessibilidade têm que ser encarados como necessidade e não como “bondade”. Diante dessas estatísticas, é impossível imaginar que sua empresa não receberá alguém em uma cadeira de rodas, com deficiência visual ou auditiva, como funcionário, cliente ou prestador de serviço.

Aí, alguém vai perguntar, como vou me adequar se não sei qual a dissidência a pessoa vai ter? Esteja preparado para tudo, utilize os conceitos de Desenho Universal. Um ator precisa chegar ao teatro e seu público também; o palestrante precisa chegar ao local da palestra, o professor e os alunos têm de estar nas escolas. Para que todos possam exercer suas atividades, oferecer acessibilidade está entre os principais desafios.

Porém para que isso aconteça de forma eficaz é necessário também que profissionais dos mais diversos segmentos estejam preparados para atender as expectativas deste público. Engenheiros e arquitetos bem preparados, professores treinados. Tudo para que haja a infraestrutura necessária.

Fonte: Guia Inclusivo

Os Direitos Lingüísticos São Humanos e Universais?

Alex Garcia. Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Escritor. Especialista em Educação Especial.

Alex Garcia
Nosso objetivo torna-se claro quando, de nosso título supõem-se o contraditório e consequentemente a problematização. Problematizar a Carta dos Direitos Lingüísticos que se coloca na história da humanidade como Universal e assim Humana é objeto fático e assim sendo, a amostragem da diferença e consequentemente a negação da normalidade é necessário. Podemos observar que os Direitos Lingüísticos e a são consensualmente normalistas, pois, suas abordagens "sempre" se encerram na língua e no pleno desenvolvimento e aquisição da mesma. A normalidade da língua, à priori, supõe "normais" os sentidos superiores do ser humano, audição e visão, ou "normal" pelo menos um destes caminhos. Para fundamentar nossa reflexão temos como "agente-problematizador" a Pessoa Surdocega. Assim sendo questiona-se: Os Direitos Lingüísticos são universais e humanos? A lingüística é normalista? Ambas "necessitam" de bons olhos e ouvidos? A humanidade universal esqueceu dos surdocegos? Faces que se mostram na "obscura" tríade, linguagem-identidade-exclusão.

Especificamente neste contexto, vou reflexionar sobre os Surdocegos pré-simbólicos que apresentam deficiências áudio-visuais numa imensa gama de combinações, desde totalmente Surdocegos a parcialmente Surdocegos, além de ser comum as anormalidades físicas e variados níveis de desenvolvimento da Linguagem e inteligência. No entanto, fundamental no trabalho com Surdocegos é oportunizar uma educação adequada a eles. Os problemas de educação nestas pessoas severamente impedidas são extremamente graves. Com freqüência continuam funcionando estaticamente, devido ao déficit auditivo que impede o desenvolvimento da linguagem receptiva e expressiva. O visual limita sua exploração. Aspectos estes, normalistas de aquisição da linguagem. O cognitivo atrasa o pensamento representacional. O motor-oral repercute na inteligibilidade da fala. Destrezas motoras finas e grossas imaturas podem repercutir nos gestos naturais e o déficit no desenvolvimento sócio-emocional reduz ou elimina a linguagem pragmática. Dessa forma, a perda visual-auditiva não tem efeito adicional sobre o desenvolvimento e educação de Surdocegos, e sim multiplicador. A aquisição de um significado de comunicação é crucial para o desenvolvimento cognitivo dos Surdocegos. A linguagem é o significado simbólico pelo qual organizamos nossos pensamentos e compartimos com outros. A linguagem oferece o meio pelo qual a pessoa aprende acerca de seu meio e como atuar de maneira socialmente aceita. A fala é o código de linguagem verbal usada na linguagem expressiva. As pessoas severamente atrasadas na aquisição da linguagem carecem de significados para organizar e compartir seus pensamentos e necessidades básicas através da fala por conseqüência de uma língua. Usualmente, Surdocegos funcionam num nível de linguagem receptiva mais alto que a expressiva, dado que o entendimento precede a execução. Assim sendo questiona-se: Direitos Lingüísticos são universais e humanos? A lingüística é normalista? Ambas "necessitam" de bons olhos e ouvidos? A humanidade universal esqueceu dos surdocegos? Faces que se mostram na "obscura e gélida" tríade, linguagem - identidade - exclusão.

* Alex Garcia. Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Escritor. Especialista em Educação Especial. Vencedor II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga-RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência Professional Program on International Leadership, Employment, and Disability (I-LEAD) Mobility International USA / MIUSA. Membro da World Federation of Deafblind - WFDB. Membro da Aliança Brasileira de Genética. Colunista da Revista REAÇÃO e do Portal Planeta Educação. Consultor da Rede Educativa Mundial - REDEM. Consultor Instituto Inclusão Brasil

Fonte: Instituto Inclusão Brasil - Porto Alegre-RS, 02/12/2011

Causos Corriqueiros

Texto de Tuca Munhoz

Tuca Munhoz
Causos corriqueiros.

1. Quem está precisando de ajuda?

Fui um dia desses, logo cedo, à agência dos correios da Rua Martin
Francisco para postar para uma amiga do Rio de Janeiro o livro 30
Anos do Ano internacional das Pessoas Deficientes.
Resolvi ir por um caminho novo: o lado par da Rua das Palmeiras.
Caminho que utilizo muito pouco, já que a acessibilidade desse lado
da rua era muito ruim. Agora, com a instalação de guias rebaixadas
em algumas esquinas a acessibilidade está apenas ruim, pois o
estado de conservação das calçadas é lamentável.
Um dos piores trechos é o da entrada da garagem da Rádio CBN,
onde, talvez pelo próprio abandono do local, vários moradores de rua
tomam por quarto de dormir (e banheiro).
Ao passar por lá uma dessas pessoas, um homem jovem, em
lamentável e triste condição, gemia e implorava por um prato de
comida.
Passei alguns metros, como tantas vezes passo por tantos outros
que me pedem. Não resisti, porém, às suas súplicas, voltei e coloquei
em sua mão uma moeda de um Real. Ele olhou para mim, primeiro
para meus olhos, depois para minha cadeira de rodas e perguntou: o
senhor precisa de ajuda?

Moral da história (preconceituosa): todas as pessoas com deficiência precisam de ajuda.

2. Todos são amigos.

Fiz amizade com o Manoel, um contumaz, fiel e ébrio frequentador do
bar aqui em frente do meu prédio.
Quase todos os dias o vejo sentado sempre à mesma mesa na
calçada. Às vezes estou lá com ele bebendo uma também.
Ontem, ao chegar de algum compromisso vi que ele estava lá. Subi,
deixei a papelada sobre a mesa, dei meia dúzia de beijos na patroa e
fui para minha cerveja em companhia do Manoel.
Chegando ao bar não o encontrei na mesa da calçada. Entrei e
perguntei a um funcionário pelo meu amigo, dizendo que eu o tinha
visto numa mesa do lado de fora, agorinha mesmo.
Disse-me o funcionário: “Ele está lá, está lá fora, sim.” Voltei para
fora e vistoriei todas as mesas, enroscando minha cadeira de rodas
em algumas. Não o encontrei.
Retornei ao funcionário que insistiu e decidiu me acompanhar. Fomos
até a última mesa na ponta da calçada, onde estavam dois homens,
ilustres desconhecidos, um deles em cadeira de rodas, para o qual o
funcionário que me acompanhava apontou e disse: “Olha o seu amigo
aí.”

Moral da história (preconceituosa): todas as pessoas com deficiência são amigas.

3. Somos parecidos?

Fui à casa do meu amigo Sacha, que, como eu, também usa cadeira
de rodas motorizada.
Ao ir embora, estava parado na esquina para atravessar, quando vi
surgir um senhor oferecendo-se para parar o trânsito para que eu
atravessasse. Eu lhe disse:
— Não é necessário, pode deixar que atravesso sozinho, o farol vai
fechar logo, aí então eu atravesso.
Ele não se convenceu, foi indo para o meio da rua com os braços
levantados, enquanto gritava:
— Vem Seu Sacha, vem Seu Sacha...

Moral da história (preconceituosa): todas as pessoas com deficiência
são iguais.

Fonte: Blog do Tuca - São Paulo-SP, 02/12/2011

3 de dezembro: Muitas comemorações e pouco trabalho

Falta fiscalização do Governo sobre a Lei de Cotas para pessoas com deficiência

da Redação
Em 1981 a ONU declarou o dia 03 de dezembro como o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e extensas comemorações espalham-se pelo Brasil. 

O Plano Nacional de Ações para as Pessoas com Deficiência - VIVER SEM LIMITE - anunciado pelo governo em 17 de novembro prevê investimentos de 7,6 bilhões de reais até o ano de 2014, nas áreas de Educação, Saúde, Inclusão Social e Acessibilidade. 

Curiosamente o simples descumprimento da Lei de Cotas – aquela que garante vagas para as pessoas com deficiência nas empresas com 100 ou mais funcionários – desvia anualmente 18 bilhões de recursos que poderiam estar no bolso das pessoas com deficiência através do trabalho. A Lei prevê multas pelo descumprimento. 

Atualmente 4 em cada 10 trabalhadores com deficiência que estão no mercado de trabalho prestam seus serviços em empresas desobrigadas por lei a contratá-los. As pessoas com deficiência podem estar trabalhando em todos os ramos da economia bastando um pequeno esforço do governo na fiscalização do cumprimento da lei, produzindo estatísticas confiáveis no Ministério do Trabalho e Emprego e fazendo campanha institucional na mídia mostrando que todos ganham quando a diversidade chega no mundo do trabalho. 

O Censo de 2010 indicou que o Brasil possui 45,6 milhões de pessoas com deficiência. Mais de 27 milhões delas tem idade para atuar no mercado formal de trabalho, mas apenas 306 mil estavam com direitos garantidos, segundo registros do Ministério do Trabalho. 

É hora de comemorar e mas também de cobrar.

Fonte: Espaço da Cidadania - Santo André-SP, 02/12/2011

Ensinando a turma toda - as diferenças na escola

A sala de aula é o grande termômetro pelo qual se mede o grau de febre das mudanças educacionais e é nesse micro espaço que as reformas verdadeiramente se efetivam ou fracassam.

*Maria Teresa Eglér Mantoan Universidade Estadual de Campinas - Unicamp Faculdade de Educação - Departamento de Metodologia de Ensino Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade – LEPED/Unicamp

Maria Teresa Eglér Mantoan*

Embora a palavra de ordem seja reformar o nosso ensino, em todos os seus níveis, o que verificamos quase sempre é que ainda predominam formas de organização do trabalho escolar que não se alinham na direção de uma escola de qualidade para todos os alunos. Se queremos, de fato, reformar o ensino, a questão central a nosso ver é: como criar contextos educacionais capazes de ensinar todos os alunos?

Outras interrogações derivam desta questão principal, tais como: que práticas de ensino ajudam os professores a ensinar todos os alunos de uma mesma turma, atingindo a todos, apesar de suas diferenças?

De que qualidade e de que tipo de escolas está se falando, quando nos referimos a essas reformas?

Neste texto vamos discutir essas questões, em torno das quais gravitam inúmeras propostas de renovação do ensino.

Recriar o modelo educativo.

Superar o sistema tradicional de ensinar e de aprender é um propósito que temos de efetivar urgentemente, nas salas de aula. Recriar o modelo educativo refere-se primeiramente ao que ensinamos aos alunos e a como os ensinamos. Recriar esse modelo tem a ver com o que entendemos como qualidade de ensino. Há tempos que qualidade de ensino significa alunos com cabeças cheias de datas, fórmulas, conceitos, todos justapostos, lineares, fragmentados, enfim, o reinado das disciplinas estáticas e com muito, muito conteúdo.

Escolas consideradas de qualidade ainda são as que centram a aprendizagem no conteúdo e que avaliam os alunos, quantificando respostas padrão Seus métodos e práticas preconizam a exposição oral, a repetição, a memorização, os treinamentos, o livresco, a negação do valor do erro. São aquelas escolas que estão sempre preparando o aluno para o futuro: seja este a próxima série a ser cursada, o nível de escolaridade posterior, o exame vestibular!

Pensamos que uma escola se distingue por um ensino de qualidade, capaz de formar dentro dos padrões requeridos por uma sociedade mais evoluída e humanitária, quando promove a interatividade entre os alunos, entre as disciplinas curriculares, entre a escola e seu entorno, entre as famílias e o projeto escolar. Em suas práticas e métodos predominam as co-autorias de saber, a experimentação, a cooperação, protagonizadas por alunos e professores, pais e comunidade. Nessas escolas o que conta é o que os alunos são capazes de aprender hoje e o que podemos lhes oferecer para que se desenvolvam em um ambiente rico e verdadeiramente estimulador de suas potencialidades. Em uma palavra, uma escola de qualidade é um espaço educativo de construção de personalidades humanas, autônomas, críticas, uma instituição em que todas as crianças aprendem a ser pessoas.

Nesses ambientes educativos ensinam-se os alunos a valorizar a diferença, pela convivência com seus pares, pelo exemplo dos professores, pelo ensino ministrado nas salas de aula, pelo clima sócio-afetivo das relações estabelecidas em toda a comunidade escolar - sem tensões competitivas, solidário, participativo, colaborativo. Escolas assim definidas são contextos educacionais capazes de ensinar todos, numa mesma turma.

Ensinar a turma toda sem exclusões

Para ensinar a turma toda, parte-se da idéia de que as crianças sempre sabem alguma coisa, de que todo educando pode aprender, mas a seu modo e a seu ritmo e de que o professor não deve desistir, mas nutrir uma elevada expectativa em relação à capacidade de seus alunos conseguirem vencer os obstáculos escolares, apoiando-os na remoção das barreiras os impedem de aprender. Entende-se que o sucesso da aprendizagem tem muito a ver com a exploração dos talentos de cada um e que a aprendizagem centrada nas possibilidades e não nas dificuldades dos alunos é uma abordagem efetiva.

Em outras palavras, a proposta de se ensinar a turma toda, independentemente das diferenças de cada um dos alunos, implica a passagem de um ensino transmissivo para uma pedagogia ativa, dialógica, interativa, conexional, que se contrapõe a toda e qualquer visão individualizada, hierárquica do saber.

Para se ensinar a turma toda temos de propor atividades abertas, diversificadas, isto é, atividades que possam ser abordadas por diferentes níveis de compreensão e de desempenho dos alunos e em que não se destaquem os que sabem mais ou os que sabem menos, pois tudo o que essas atividades propõem pode ser disposto, segundo as possibilidades e interesses dos alunos que optaram por desenvolvê-las. Debates, pesquisas, registros escritos, falados, observação; vivências são processos pedagógicos indicados para realizar essas atividades, além, evidentemente, dos conteúdos das disciplinas, que vão sendo chamados espontaneamente a esclarecer os assuntos em estudo.

A avaliação do desenvolvimento dos alunos também muda, por coerência com a prática referida anteriormente. Trata-se de uma análise do percurso de cada estudante, do ponto de vista da evolução de suas competências ao resolver problemas de toda ordem e de seus progressos na organização do trabalho escolar; no tratamento das informações e na participação na vida social da escola.

Criar contextos educacionais capazes de ensinar a todos os alunos demanda uma reorganização do trabalho escolar. Tais contextos diferem radicalmente do que é proposto pedagogicamente para atender às especificidades dos educandos que não conseguem acompanhar seus colegas de turma, por problemas de toda ordem - da deficiência mental a outras dificuldades de ordem relacional, motivacional, cultural. Sugerem-se nestes casos as adaptações de currículos, a facilitação das atividades escolares, além dos programas para reforçar as aprendizagens ou mesmo acelerá-las, em casos de maior defasagem idade/séries escolares.

A possibilidade de se ensinar a turma toda, sem discriminações e sem adaptações pré definidas de métodos e práticas especializadas de ensino advém, portanto, de uma reestruturação do projeto pedagógico-escolar como um todo e das reformulações que esse novo projeto exige da prática de ensino, para que esta se ajuste a novos parâmetros de ação educativa.

Enquanto os professores, persistirem em: - propor trabalhos coletivos, que nada mais são do que atividades individuais feitas ao mesmo tempo pela turma - ensinar com ênfase nos conteúdos programáticos da série; - adotar o livro didático, como ferramenta exclusiva de orientação dos programas de ensino; - servir-se da folha mimeografada ou xerocada para que todos os alunos a preencham ao mesmo tempo, respondendo às mesmas perguntas, com as mesmas respostas; - propor projetos de trabalho totalmente desvinculados das experiências e do interesse dos alunos, que só servem para demonstrar uma falsa adesão do professor às inovações; - organizar de modo fragmentado o emprego do tempo do dia letivo para apresentar o conteúdo estanque desta ou daquela disciplina e outros expedientes de rotina das salas de aula. - considerar a prova final, como decisiva na avaliação do rendimento escolar do aluno, não teremos condições de ensinar a turma toda, reconhecendo as diferenças na escola.

Estas práticas pedagógicas configuram um ensino para alguns alunos. E para alguns, em alguns momentos, algumas disciplinas, atividades e situações de sala de aula. A exclusão então se manifesta amplamente, atingindo a todos os alunos, em um ou em outro momento do dia escolar, porque sempre existem os que não aceitam deliberadamente uma proposta de trabalho escolar descontextualizada, sem sentido e atrativos intelectuais, porque não desafia, não atende a motivações pessoais. Essas atividades servem para gerar indisciplina, competição, discriminação, preconceitos e para categorizar os bons e os maus alunos, por critérios infundados e irresponsáveis.

O professor que ensina a turma toda compartilha com seus alunos a autoria dos conhecimentos produzidos em uma aula; trata-se de um profissional que reúne humildade com empenho e competência para ensinar, pois o falar e o ditar não são mais os seus recursos didático-pedagógicos básicos. O ensino expositivo não cabe nas salas de aula em que todos interagem e participam ativamente da construção de idéias, conceitos, sentimentos, valores.

Um ponto crucial do ensinar a turma toda é reconhecer o outro em sua inteligência e valorizá-lo, de acordo com seus saberes e com a sua identidade sócio-cultural. Sem estabelecer uma referência, mas investindo nas diferenças e na riqueza de um ambiente que confronta significados, desejos, experiências, o professor deve garantir a liberdade e a diversidade das opiniões dos alunos e nesse sentido ele é obrigado a abandonar crenças e comportamentos que negam ao aluno a possibilidade de aprender a partir do que sabe e chegar até onde é capaz de progredir.

O nosso desafio como educadores é reunir alunos de diferentes níveis, diante de uma situação de ensino, em grupos desiguais, pois assim é que se passa na vida e é assim que a escola deve ensinar a ter sucesso na vida. Temos pois de desconfiar das pedagogias que implementam dispositivos e que se nutrem de bons propósitos de ensinar, de preparar para a vida, mas que favorecem ativamente os desfavorecidos. Ser competente na escola e na vida depende de tempo, e esse tempo é contado desde cedo, quando, nas salas de aula, construímos conhecimento e aprendemos a mobilizá-lo em situações as mais diferentes, que exigem transposições entre o que é aprendido e o que precisa ser resolvido com sucesso e na desigualdade dos níveis, nas diferenças de opiniões, de enfoques, de humores, de sentimentos.

Essa transposição e a construção de competências, entendida como nos define Perrenoud (1999): uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles (p.7) tem seu cenário ideal na escola que repete a vida, tal como ela é.

Talvez seja este o nosso maior mote: fazer da escola um lugar em que cada um vai para aprender coisas úteis , para enfrentar e viver a vida como um ser livre, criativo e justo. Fazer da escola o local do encontro com o outro, que é sempre e necessariamente diferente.

Referências bibliográficas.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1978.

PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola;trad. Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

Fonte: Banco de Escola - Campinas-SP, 02/12/2011 - Imagem Internet

3/12 – Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Mensagem do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, Ban-ki Moon (3/12/2011)


Tema: “Juntos por um Mundo Melhor: Incluindo Pessoas com Deficiência no Desenvolvimento”

Tradução: Romeu Kazumi Sassaki

Passaram-se 30 anos após as Nações Unidas comemorarem pela primeira vez o Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, então focando o tema “Participação Plena e Igualdade”. 


Durante este lapso, foram alcançados notáveis avanços na tarefa de divulgar os direitos das pessoas com deficiência e fortalecer o marco normativo internacional para a realização destes direitos, desde o Programa de Ação Mundial para as Pessoas Deficientes (1982) até a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006).

Cada vez mais países se comprometem a proteger e promover os direitos das pessoas com deficiência. Não obstante, muitas tarefas permanecem pendentes. As pessoas com deficiência apresentam os índices mais altos de pobreza e de privações; e a probabilidade de que não tenham atendimento médico é duas vezes maior. Os índices de emprego das pessoas com deficiência em alguns países chegam a apenas um terço dos da população geral. Nos países em desenvolvimento, a diferença entre os índices de frequência à escola primária das crianças com deficiência e os de outras crianças se situa entre 10% e 60%.

Essa exclusão multidimensional representa um altíssimo custo, não apenas para as pessoas com deficiência, mas também para toda a sociedade. Este ano, a celebração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência nos relembra que o desenvolvimento só poderá ser duradouro se for equitativo, includente e acessível para todos. É, portanto, necessário que as pessoas com deficiência estejam incluídas em todas as etapas dos processos de desenvolvimento, desde o início até as etapas de supervisão e avaliação.

Corrigir as atitudes negativas, a falta de serviços e o precário acesso a eles, e superar outros obstáculos sociais, econômicos e culturais, redundarão em benefício de toda a sociedade.

Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, faço um apelo aos governos, à sociedade civil e à comunidade internacional para que trabalhem em benefício das pessoas com deficiência e colaborem com elas, lado a lado, a fim de alcançarem o desenvolvimento includente, sustentável e equitativo em todo o mundo.


Fonte:http://www.inclusive.org.br/?p=21701

Ladrões roubam cadeira de rodas de aposentado para vender na sucata

                                                                                                                                                                                    Reprodução The Sun

O aposentado britânico Jack Raynor posa ao lado de sua mulher, Marylyn
da Redação
Jack Raynor, 73, que sofre de esclerose múltipa, foi vítima de um crime incomum. Segundo o tabloide britânico ‘The Sun’, ele teve sua cadeira de rodas roubada por dois ladrões enquanto esperava pela esposa em um ponto de ônibus, na Inglaterra.
 A ação foi motivada pela alta procura que os metais estão alcançando nas casas de sucata inglesas. Em declaração ao jornal, a esposa do aposentado, Marylyn Raynor, revelou que não entende como as pessoas conseguem “descer tão baixo”.
Sensibilizado com a história, um jornal local pagou uma nova cadeira de rodas a Jack. E o casal de idosos prometeu mantê-la segura.
Provavelmente a cadeira roubada, que custa cerca de 100 libras, pode ter sido vendida por apenas 2 libras, preço pago pela sucata local.

Menino desafia opinião médica e sobrevive a câncer com terapia fotodinâmica



A avó diz que a família continuará com o tratamento até que o último 
tumor desapareça.                                                          BBC

Um menino de 10 anos de idade diagnosticado com uma rara forma de câncer em 2006 vem surpreendendo especialistas na Grã-Bretanha pela melhora em seu estado de saúde depois de se submeter a um tratamento alternativo à quimioterapia.

Connah Broom, da cidade de Flintshire no País de Gales tinha 11 tumores e a quimioterapia apresentava poucos resultados.

Mas após se submeter ao tratamento, conhecido como terapia fotodinâmica e que custou mais de 200 mil libras (equivalentes a cerca de R$ 560 mil), resta ainda apenas um dos tumores.

Seu médico descreve seu estado físico como impressionante e sua família diz que ele está bem.
A avó, Debbie Broom, explicou que após a quimioterapia e outros tratamentos tradicionais terem sido descartados, a família começou a procurar outras formas de combate ao câncer raro, conhecido como neuroblastoma, uma doença que afeta cerca de 80 crianças na Grã-Bretanha anualmente.

Em 2007, eles ouviram falar de uma clínica privada no México que oferecia o tratamento de terapia fotodinâmica.

O tratamento usa laser, e outras fontes de luz, combinado com um medicamento que reage à luz (chamado de agente fotossensível) para destruir células cancerígenas.

Em alguns países, como na Grã-Bretanha, a técnica é usada para o tratamento de algumas formas de câncer, como o de pele.

O garoto se submeteu a um tratamento intensivo de duas semanas no México, segundo a avó.
Ele prosseguiu então com a terapia em casa, onde mora com os avós e o pai.

Resultados
Agora, após quatro anos, Debbie diz que os 10 tumores secundários do neto se foram.
"Estamos lutando e Connah também. Ele está se saindo muito bem", diz ela.

Ele ainda tem o tumor primário em seu abdômen e se submete a sessões de duas horas de tratamento, quatro dias por semana.

O garoto também frequenta uma escola em período integral, toca teclado, canta, dança e gosta de jogar futebol e fazer ginástica.

A avó está convencida de que o tratamento, aliado a uma dieta orgânica, é o segredo do sucesso do neto.
No entanto, o médico de Connah, Eamonn Jessup, não sabe se o tratamento surtiu efeito ou foi seu corpo que combateu o câncer.

"Seu estado é impressionante”, diz ele. "É realmente inexplicável que a maioria dos tumores tenha desaparecido."

"Não sei se é por causa do regime seguido ou do tratamento", finaliza.

A avó diz que a família continuará com o tratamento até que o último tumor desapareça.

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2011/12/02/menino-desafia-opiniao-medica-e-sobrevive-a-cancer-com-terapia-fotodinamica.jhtm

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Jovem morre após ser atingida por raio no interior de SP

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA



Uma mulher morreu após ser atingida por um raio no km 109 da rodovia Dom Pedro, no sentido Campinas, em Itatiba (84 km de São Paulo), por volta das 16h de quinta-feira (1). Ela viajava em uma moto no momento do acidente.

À polícia, Anderson Inácio, 26, disse que conduzia o veículo quando os dois foram atingidos pelo raio. Ele caiu da moto e Michele Isabel Rocha Bueno, 23, que estava na garupa, morreu no local.

O motociclista disse que chovia muito no momento em que foram atingidos.
Ele foi atendido pela concessionária Rota das Bandeiras, que administra a rodovia, com ferimentos leves e foi encaminhado ao pronto-socorro da cidade.

O caso foi registrado na Delegacia de Itatiba.

Transplante de pulmão salva jovem recém-casada

DE SÃO PAULO



Um transplante de pulmão salvou a vida de uma jovem britânica apenas três semanas após seu casamento. Portadora de fibrose cística, Kirstie Mills viu sua saúde se deteriorar rapidamente devido à doença genética.
Aos 21 anos, ela usava regularmente uma cadeira de rodas, máscaras de oxigênio para ajudá-la a respirar e passava temporadas cada vez mais longas no hospital.

Special Edition Films
Kirstie Mills, que teve a saúde debilitada por fibrose cística e se recuperou com transplante de pulmão
Kirstie Mills, que teve a saúde debilitada por fibrose cística e se recuperou com transplante de pulmão

Ao longo dos dois anos de relacionamento, seu namorado, Stuart, já havia sido apresentado à rotina de remédios, infecções respiratórias e internações, tudo parte do regime imposto pela doença incurável, que frequentemente leva à morte prematura.
"Eu sabia que nosso tempo estava acabando", disse ela.

CASAMENTO TRANSFERIDO
Por causa do estado de saúde de Kirstie, eles decidiram planejar logo o casamento no Chipre, mas a saúde frágil da noiva fez com que ela não pudesse viajar e a cerimônia teve de ser transferida para Somerset, no Reino Unido.

"Havia diversos médicos e enfermeiros lá. Stuart tinha um cartão no bolso de 'Não Ressuscitar' porque se eu desmaiasse, eu não queria ser ventilada, já que isso excluiria a possibilidade de transplante", contou Kirstie. "Foi o melhor dia da minha vida, mas também achávamos que seria meu último."

Duas semanas depois do casamento, ela foi levada de helicóptero para um hospital em Londres para esperar por um transplante, um procedimento arriscado, mas que poderia aumentar sua expectativa de vida.

ESPERA
Segundo Kirstie, a espera pelo transplante foi um momento extremamente difícil para seu novo marido e sua família.

"Em um determinado momento, eu tentei implorar para que desligassem as máquinas que estavam me mantendo viva. Mas como eu tinha uma traqueostomia [intervenção cirúrgica que abre um orifício na traqueia], ninguém me entendia."

"Eu me sentia como se estivesse constantemente me afogando ou sufocando. O número de tubos ligados a mim era inacreditável, então eu não podia me mexer, não podia fazer nada. Eu estava desesperada."

"Eu não achava que o transplante aconteceria e, mesmo que acontecesse, seria tarde demais, porque eu estava tão fraca", disse Kirstie.

Finalmente, em julho deste ano, ela recebeu novos pulmões. "Foi no momento exato. Eu tinha horas de vida."
A recuperação foi difícil, mas ela voltou a andar, fazer exercícios e já tem capacidade pulmonar de 100%.

Kirstie está animada para passar seu primeiro natal em família em anos e planeja pedalar 300 quilômetros para arrecadar dinheiro para instituições de caridade.
Apesar disso, ela lembra que não está curada.

"Eu nunca vou ter uma expectativa de vida normal, mas o transplante talvez tenha me dado 20 anos a mais. Eu só tenho que continuar gerenciando e controlando a doença da melhor maneira possível."

Cientistas identificam ponto fraco de câncer de mama

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE "CIÊNCIA E SAÚDE"



Uma nova pesquisa diz ter mostrado que as mitocôndrias (as usinas de energia das células) são, ao mesmo tempo, a base da existência do câncer e o calcanhar-de-aquiles da doença.
É uma afirmação grandiosa, que ainda precisa de mais estudos para ser comprovada, mas o trabalho coordenado por Michael Lisanti, da Universidade Thomas Jefferson (EUA), traz dados intrigantes sobre a ação dos tumores --um comportamento que tem algo de vampiresco.
Danilo Bandeira/Editoria de arte/Folhapress

Usando amostras de cânceres de mama, cercadas de tecido saudável, não afetado pelo tumor, os cientistas verificaram que as células tumorais aparentemente estavam "sugando" as sadias, usando-as como combustível para suas mitocôndrias.

SINAIS SUSPEITOS
Esses "pulmões" celulares são responsáveis por usar o oxigênio para produzir energia.
Em laboratório, os pesquisadores americanos buscaram, nas células tumorais e nas suas vizinhas sadias, sinais das substâncias produzidas pelas mitocôndrias.
O que eles viram é que, enquanto as células de câncer apresentavam marcas de altíssima atividade das mitocôndrias, as sadias no entorno estavam quase ou totalmente paradas, com pouca ação mitocondrial.

Além disso, as células sem a doença estavam repletas de substâncias químicas que indicavam um "desmanche" celular. Era como se elas estivessem se desmontando e mandando matérias-primas para as células cancerosas.

Por isso, a pesquisa compara a relação entre os dois tipos de célula à interação entre um parasita e seu hospedeiro --com o câncer no papel parasitário, claro.
A estratégia óbvia para acabar com a brincadeira envolveria o uso de drogas que inibam a atividade das mitocôndrias, já que elas afetariam o tumor seletivamente.
Por sorte, esse tipo de remédio já existe, sendo usado contra diabetes, por exemplo. Se o estudo estiver correto, não deve ser muito difícil levar a ideia para os hospitais.

A pesquisa está na revista científica "Cell Cycle".

Embratur lança programa de turismo acessível

Programa irá trazer, em 2012, turistas com deficiência dos países do Mercosul, com um acompanhante, para conhecerem, os municípios de Socorro (SP) e São Paulo.

A EmbraturSite externo. lança o programaTurismo Sem Limites, que irá promover o chamado turismo acessível – voltado para as pessoas com deficiência. A Instituição aproveitou hoje (29/11), dia que comemora-se o 2° Dia Nacional da Pessoa com Deficiência em Parques e Atrações Turísticas. Para celebrar o dia, os parques temáticos do Brasil abrem suas portas a crianças com deficiência. 

Flávio Dino, presidente da Embratur, avalia: “o Turismo sem Limites irá fortalecer a ideia de que o Brasil é um país sensacional, completo e preparado para receber todos os públicos. Além disso, é um programa que também estará focado nos Jogos Paraolímpicos do Rio, em 2016”, 

A Embratur irá trazer, ao longo do ano de 2012, turistas com deficiência dos países integrantes do Mercosul, com um acompanhante, para conhecerem, inicialmente, os municípios de SocorroSite externo. (SP) e São PauloSite externo.

Socorro é destino referência na prática de turismo de aventura adaptado a pessoas com deficiência. A cidade oferece 15 modalidades esportivas completamente equipadas. Há, por exemplo, equipamentos para que, tanto paraplégicos quanto tetraplégicos, façam a cavalgada, passeio de charrete, quadriciclo, rafting, rapel e tirolesa. A capital paulista possui um roteiro cultural com acessibilidade. 

O Turismo Sem Limites está alinhado ao Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Viver Sem Limites, lançado pela presidente Dilma Rousseff, no último dia 17 de novembro. O plano cria metas para melhorar ações estratégicas em quatro áreas: educação, saúde, inclusão social e acessibilidade. 

Fonte: http://www.mercadoeeventos.com.brSite externo.

Nossos agradecimentos.

Caro amigos, amigas leitoras e seguidores do nosso blog!

Em nome da Diretoria da APNEN (Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de Nova Odessa), agradeço a todos, pela atenção ao nosso BLOG, onde postamos diariamente, matérias, notícias e informações referente a Pessoas com Deficiência, ontem 01/12/2011, chegamos a marca dos 250.000 mil acessos ( http://www.blogger.com/stats2.g?blogID=8927861806989922259)  (Histórico de todas as visualizações de página - 250.103).

Nossos agradecimentos, sejam bem vindos, desculpem nossos erros, boa leitura e deixem um comentário.

Carlos Alberto Raugust
Presidente da Apnen

ENTENDA A SINDROME POS POLIO


O CICLO DA PÓLIO E DA PÓS-PÓLIO

A explicação mais plausível para a síndrome pós-pólio é o cansaço dos neurônios motores que foram sobrecarregados 


O sistema nervoso motor é responsável pelos movimentos. Neurônios motores levam as informações de movimento do cérebro para todos os músculos do corpo, por meio de suas ramificações. O vírus da pólio atinge os neurônios da medula espinhal. As partes do corpo com movimento comprometido estão diretamente ligadas aos neurônios afetados pelo vírus 

1- Um neurônio motor, responsável pela contração muscular, antes de ser atingido pelo vírus da pólio 
2- O neurônio, depois de ser infectado pelo vírus, começa a perder suas ramificações 

3- O neurônio é destruído e morre. As fibras musculares pelas quais ele era responsável ficam sem movimento 


4- Um neurônio sobrevivente passa a expandir suas ramificações e abranger outras fibras musculares, de modo a suprir as funções do neurônio que morreu. Esse trabalho extra explica por que muitos sobreviventes da pólio, após algum tempo, conseguem recuperar vários movimentos 

5- Passados 30 a 50 anos da infecção, o neurônio começa a não dar mais conta de todo o trabalho e descarta tanto as fibras musculares ''adotadas'' como as próprias. Por isso os doentes de pós-pólio muitas vezes apresentam fraqueza em membros que não tinham sido afetados pelo mal 

SINTOMAS MAIS COMUNS


Os sinais da doença são semelhantes aos do envelhecimento precoce 


Fraqueza muscular, tanto em músculos afetados previamente pela poliomielite como em partes que não foram acometidas

Dor nos músculos e articulações

Fadiga


Intolerância ao frio

Dificuldades respiratórias

Problemas para dormir


Edição nº 357 -REVISTA ÉPOCA
medicina
Fotos: Maurilo Clareto/ÉPOCA




O fantasma da pólio

Uma nova doença neuromuscular chamada síndrome pós-pólio afeta pessoas que tiveram poliomielite, 30 a 50 anos depois

Divulgação 

MEDO Vítima da poliomielite na infância, Boris Casoy acredita não ter pós-pólio, mas conhece os sintomas e está atento 


O Brasil se esqueceu da poliomielite. A doença, transmitida por vírus e causadora da paralisia infantil, foi erradicada do país, em 1989. Até há pouco tempo, ela só aparecia nas propagandas do Ministério da Saúde, durante as campanhas anuais de vacinação. Mas as pessoas que contraíram pólio no passado estão começando a sofrer novos sintomas, como fraqueza, atrofia em músculos e cansaço. É uma nova doença, mas que tem tudo a ver com o passado: a síndrome pós-pólio.

A síndrome começou a aparecer em proporções significativas nos anos 80. No fim daquela década, a fisiatra Linamara Batistella, diretora da Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas e presidente da Sociedade Internacional de Medicina Física e de Reabilitação, leu trabalhos de pesquisadores americanos e imaginou que os sobreviventes da pólio no Brasil também estariam sofrendo da síndrome. ''Foi aí que comecei a prestar atenção nas queixas de meus pacientes'', diz Linamara. Para o fisiatra Acary Bulle, diretor do setor de Investigação em Doenças Neuromusculares da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), era intrigante receber pacientes que haviam tido poliomielite e agora apresentavam novos problemas musculares e de cansaço. ''Não havia relacionado uma coisa com a outra. Na literatura médica internacional, comecei a encontrar relatos parecidos'', diz. Em 2002, o ambulatório de Doenças Neuromusculares da Unifesp fez uma pesquisa com 52 sobreviventes da pólio. De 2003 a 2004, foi realizada outra, com 167 pacientes. Ambas constataram um dado alarmante: cerca de 70% dos sobreviventes da poliomielite tinham os sintomas da síndrome pós-pólio.

Existem várias teorias que tentam explicar a origem da síndrome. Chegou-se a pensar que o vírus teria de alguma forma resistido no organismo e voltado a atormentar os sobreviventes da doença. Mas a busca pelo poliovírus no sangue dos pacientes mostrou-se infrutífera. Hoje, a hipótese mais aceita é a de que a síndrome esteja relacionada à sobrecarga dos músculos e das articulações. Os neurônios motores sofrem uma espécie de esgotamento, devido ao grande trabalho que tiveram para proporcionar movimentos do corpo perdidos com a infecção do vírus da pólio.




Os sintomas da síndrome são facilmente confundíveis com stress e depressão. As atividades do dia-a-dia passam a se tornar esgotantes, os músculos parecem não agüentar o mínimo esforço. O mais agravante é o total desconhecimento dos profissionais de saúde em relação à doença. A escritora Solane Carvalho, de 42 anos, que mora em Niterói, peregrinou por vários médicos até chegar ao diagnóstico correto. Ela teve poliomielite com 1 ano e meio de idade e ficou com a perna esquerda paralisada. Cinco anos e 15 cirurgias depois, voltou a andar de muletas. Levava uma vida normal, até dirigia. Aos 37 anos, começou a sentir cansaço e muito incômodo nos ombros. ''Tinha distensão muscular com qualquer movimento brusco que fazia. Vivia nas emergências de hospitais e não sabia o que era'', conta Solane. ''Suspeitavam que eu tinha anemia, artrite, depressão. Até a uma geriatra eu fui.'' Demorou dois anos até que Solane se desse conta de que tinha síndrome pós-pólio. Para se sentir melhor, começou a economizar o máximo de energia. Passou, por exemplo, a se locomover em cadeira de rodas há um ano. ''A cadeira me resgatou prazeres, como fazer compras, que eu tinha perdido por causa das dores'', afirma.
POUPANDO ENERGIA 
Solane adotou a cadeira de rodas e Cerignoni adaptou os móveis.


Fonte: http://sindromepospolio.blogspot.com/2009/12/entenda-sindrome-pos-polio.html

A Depressão e a Neurose na Terceira Idade

A depressão é a principal doença mental da terceira idade.Este seja um dos mais importantes sintomas psicológicos que atinge as pessoas na idade adulta, não só por sua grande freqüência, mas também por suas importantes conseqüências sobre todo o organismo. É uma situação que pode se confundir com uma série de doenças, sendo em geral muito mal orientada em nosso meio.

Caracteriza-se principalmente por um estado de humor deprimido, melancólico. Na idade adulta o estresse é uma das principais causas da depressão. A solidão, a inatividade, as perdas de entes queridos estão entre as principais causas de depressão na Terceira Idade.

Mas a depressão pode também se manifestar através de agitação ou agressividade. A insônia é um importante sintoma de depressão. O estado depressivo freqüentemente é acompanhado de ansiedade e de tensão muscular, podendo ocorrer dores musculares que se situam em geral nas costas ou na nuca. Freqüentemente ocorrem dores de cabeça. O deprimido pode ter tremores nas mãos, palpitações e sudorese, o que pode confundir-se com outras situações médicas.

Freqüentemente, o quadro depressivo é devido à utilização de remédios, principalmente o uso prolongado de tranqüilizantes. Não é raro encontrarmos pessoas medicadas há vários anos com substância psicotrópica ou tranqüilizante, e que passam a sentir sintomas depressivos, perda de memória, desânimo, etc. Nestes casos a suspensão da medicação provoca o desaparecimento da depressão. A retirada da medicação deve ser feita com cuidado, pois pode ocorrer o fenômeno da dependência. Além dos tranqüilizantes, vários remédios cardiológicos, anti-reumáticos, antialérgicos, e antiinflamatórios também podem provocar depressão. Dentre estas medicações destacam-se corticóides, beta-bloqueadores e vasodilatadores cerebrais.

Algumas doenças são acompanhadas de depressão, destacando-se o hipotireoidismo, o que mostra a importância de sempre ser feita uma minuciosa avaliação clínica em toda pessoa com sintomas depressivos.

A depressão produz com freqüência uma queda em nossa imunidade, diminuindo nossa resistência física às doenças, com destaque para as infecciosas e o câncer. A depressão severa na pessoa idosa pode apresentar um estado confusional semelhante a que ocorre com a demência.

Em toda situação de depressão a abordagem médica deve ser muito cuidadosa sendo fundamental um detalhado levantamento de dados pessoais, tipo de medicamentos utilizados e antecedentes de problemas psicológicos.

Um exame clínico completo associado à avaliação psiquiátrica e neurológica são indispensáveis.

A utilização de medicação antidepressiva em muitas situações é útil, mas sempre sob rigoroso critério médico. Algumas substâncias antidepressivas (tricíclicos, tetracíclicos e inibidores da MAO - monoaminooxidase) podem provocar efeitos secundários como alterações da pressão arterial e problemas cardíacos. Recentemente foram desenvolvidas substâncias que atuam no metabolismo da serotonina (fluxetina, paroxetina, sertralina, nezazodona, etc.), que é um hormônio que existe dentro das células nervosas. Estas substâncias formam os antidepressivos de última geração, que produzem poucos efeitos colaterais e podem ser administrados em dose única diária.

A medicação antidepressiva é importante, mas a abordagem psicológica é fundamental. A terapia ocupacional produz bons resultados em grande número de situações. A realização de atividade física regular é muito eficiente no tratamento da depressão.

Há sempre que se avaliar a pessoa no tempo e de uma maneira mais abrangente possível. Não é raro que a depressão faça parte de uma situação antiga, estrutural, que apresenta eventuais episódios de piora. Nestas situações é fundamental a avaliação psiquiátrica. A neurose é uma designação ampla para diversas situações psicológicas que não apresentam características psicóticas. Entre as principais manifestações neuróticas da terceira idade estão a ansiedade, o nervosismo e fobias. São em geral transtornos mentais transitórios. É uma das principais causas que levam à aposentadoria por invalidez. A manifestação neurótica pode se confundir algumas vezes com uma doença mental psicótica, como a esquizofrenia, e mesmo com a demência. Outras vezes encontra-se uma neurose , como a ansiedade, associada a uma demência, atuando com um fator agravante. Com muita freqüência as psicoses são também associadas à ansiedade.

Na realidade qualquer doença pode se acompanhar de um componente emocional e eventualmente pode estar alterada pelo mesmo.



Fonte: http://deficientesunidos.blogspot.com/2011/12/depressao-e-neurose-na-terceira-idade.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+DeficientesUnidos+%28Deficientes+Unidos%29

Infertilidade masculina: Conceito e possibilidades de tratamento

"No passado se pensava que o responsável pela esterilidade era sempre a mulher. Hoje já se sabe que ela é responsável por apenas metade dos casos de casais que não conseguem ter filhos. A outra metade dos casos ocorre por problemas relacionados ao homem".


Introdução


Hoje se fala em esterilidade do casal, e apenas se pode considerar um casal como infértil quando ele não consegue ter filhos após tentar durante mais de um ano. Nestes casos, havendo interesse do casal, vários exames devem ser realizados tanto no homem quanto na mulher, numa tentativa de descobrir as possíveis causas e, a partir daí, quais as intervenções possíveis para que o casal gere filhos. Antes de tudo, deve-se lembrar que não apenas a freqüência, mas a oportunidade em que as relações sexuais ocorrem é importante, pois a fertilização ocorre apenas em um curto período de no máximo 72 horas em torno do momento da ovulação da mulher. Entretanto, inúmeros fatores estão relacionados aos mecanismos que regulam a ovulação, que pode inclusive ocorrer imediatamente antes ou após o período menstrual (este é o motivo pelo qual o método contraceptivo conhecido como "tabelinha" é considerado pouco seguro).


Causas de infertilidade no homem


As condições mais freqüentes associadas à infertilidade masculina podem ser divididas entre problemas na produção do espermatozóide e problemas no caminho destes espermatozóides até o óvulo.


No primeiro grupo estão doenças da hipófise, da tireóide ou da supra-renal (todas são glândulas que produzem hormônios necessários para a produção do espermatozóide); traumas ou problemas congênitos dos testículos; problemas provocados pelo uso de medicamentos, agrotóxicos ou irradiação do testículo; ou varicocele (varizes nas veias do testículo).


No segundo grupo estão os distúrbios de ejaculação, alguns distúrbios do sistema imunológico (que em alguns casos podem destruir os espermatozóides produzidos pelo próprio organismo), alterações congênitas ou cistos das vesículas seminais, obstruções por malformação congênita, por cirurgia de vasectomia, ou por cicatrizações de infecções no local e ejaculação retrógrada (que pode ser devido a acidentes ou, principalmente, a cirurgias da próstata).


Um homem anteriormente fértil pode se tornar estéril devido a doenças ou problemas ocorridos ao longo da vida. Além disso, o próprio envelhecimento provoca alterações que geram redução da produção de espermatozóides e de esperma, da mesma forma que ocorre com a mulher, na época conhecida como menopausa. Entretanto, a menopausa ocorre em torno dos 40 ou 50 anos, ao passo que a redução da fertilidade masculina ocorre a partir dos 70 anos de idade. Um detalhe deve ser colocado: é o fato de que os homens a partir desta idade não devem ser considerados inférteis, pois lhes é possível gerar um filho, uma vez que basta um único espermatozóide, desde que tenha forma e motilidade adequados, para fecundar um óvulo.


Considerações sobre a ejaculação e o esperma


A ereção peniana e a ejaculação são processos complexos que dependem da ação conjunta de diversas áreas do corpo humano. É necessário um bom funcionamento do cérebro, para sentir a excitação e comandar todo o processo, um bom funcionamento dos nervos responsáveis por transportar os estímulos e as ordens cerebrais envolvidos na ereção, uma produção adequada de hormônios (substâncias produzidas pelo organismo e que provocam algumas ações ou acontecimentos específicos no corpo humano), assim como uma integridade do tecido erétil do pênis (este tecido consiste de pequenos tubos, como uma rede de mangueiras, que normalmente permanecem vazias e murchas, e que se enchem de sangue durante a ereção, provocando o aumento verificado no pênis). Da mesma forma, é necessário que os vasos sanguíneos, canais que transportarão o sangue até este tecido erétil, estejam funcionando bem. Outros fatores, como drogas, cigarro, álcool, excesso de exercício físico, ansiedade, stress, depressão e/ou alguns medicamentos também interferem neste processo, alterando de forma significativa o desempenho sexual do homem. Assim, mesmo que ele sinta desejo sexual, algumas vezes a ereção pode falhar por problemas com qualquer dos mecanismos relacionados acima.


O esperma é composto basicamente por secreções da vesícula seminal e da próstata. Os espermatozóides são responsáveis por apenas 1% da composição total do esperma, mas as outras secreções são necessárias para protegê-lo. Existe uma quantidade mínima de esperma ideal para neutralizar a acidez da vagina e, assim, impedir que os espermatozóides morram ao caminharem em direção ao útero. Por este motivo, um volume de ejaculação inferior a 1,5 ml pode ser insuficiente para provocar esta neutralização, prejudicando a fertilidade. Este volume pode estar reduzido por uma série de motivos, como o refluxo do esperma para a bexiga (ao invés de descer para o canal uretral), a vesículas seminais ausentes ou com problemas, deficiência de produção dos hormônios masculinos, que estimulam a produção do esperma. O volume elevado de esperma também pode prejudicar a fertilidade, pois havendo mais secreções da vesícula seminal e da próstata, a concentração de espermatozóides pode estar muito reduzida, prejudicando a fertilização.


A quantidade de esperma em cada ejaculação depende principalmente do tempo de abstinência entre 2 ejaculações. Pode variar de 1.5 a 5 ml após um período de 36 a 48 horas de abstinência. Dentro destes limites, não há interferência no grau de fertilidade.


O espermograma


O exame realizado para avaliar a qualidade do esperma (denominado sêmen) do homem é chamado espermograma. Neste exame, se avaliam o volume de esperma e a quantidade, a qualidade e a capacidade móvel dos espermatozóides nele contidos. Para realizá-lo, o homem deve permanecer durante 2 ou 3 dias em abstinência sexual. O volume mínimo a ser examinado é 2 ml. A concentração mínima necessária para ocorrer a fecundação é 20 milhões de espermatozóides por um mililitro de esperma. Quando o valor for inferior, a probabilidade de fertilização fica comprometida, mas a fecundação ainda pode ser realizada através das técnicas de beneficiamento de sêmen e de fertilização assistida.


Tratamentos


Através das técnicas de fertilização assistida, usando beneficiamento de sêmen, inseminação artificial, fertilização in vitro ou Injeção Intracitoplasmática de Esperma (ICSI), os problemas de infertilidade masculina ficam praticamente todos resolvidos. Mas o que quer dizer tudo isso? Explicando de forma simples:


· Beneficiamento de sêmen: é a técnica usada para selecionar os melhores espermatozóides, que serão usados na fecundação. É como se você colocasse os espermatozóides para apostar uma corrida (colocando o esperma em uma bacia com água) e selecionasse para a fecundação apenas aqueles que chegassem em primeiro lugar.


· Inseminação artificial: é a colocação do sêmen (selecionado pelo beneficiamento) dentro do útero da mulher, durante o seu período fértil. Para isto, a mulher não pode ter ligadura de trompas nem problemas com a produção de óvulos, pois estes devem estar possibilitados a chegar até o útero e a se encontrarem com os espermatozóides.


· Fertilização in vitro: conhecida como "bebê de proveta" . Nesta técnica, o médico coloca o sêmen em contato com o óvulo dentro de um tubo de vidro, no laboratório, sendo aí realizada a fecundação. Após já ter sido fecundado, o óvulo é recolocado dentro do útero da mulher.


· ICSI: esta é a técnica mais cara e complicada, realizada nos casos graves, de homens com esperma excessivamente pobre em espermatozóides. Neste caso, o médico insere o espermatozóide dentro do óvulo, utilizando um microscópio. Estes espermatozóides podem ser obtidos por aspiração do local no testículo no qual os espermas ficam armazenados, ou até mesmo por uma biópsia do testículo. Após a fecundação, o óvulo é recolocado dentro do útero, como na fertilização in vitro. É devido a esta última técnica que o homem só é realmente estéril quando há ausência total de espermatozóides no sêmen.


Fonte: http://deficientesunidos.blogspot.com/2011/12/infertilidade-masculina-conceito-e.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+DeficientesUnidos+%28Deficientes+Unidos%29