sábado, 17 de dezembro de 2011

Pais de crianças deficientes querem trazer unidade da AACD para Campo Grande

A Associação trabalha com prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência física, especialmente de crianças.


da Redação




Pais de crianças deficientes de querem trazer para Campo Grande uma unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente – AACD, para promover aqui trabalhos de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência física, especialmente de crianças, adolescentes e jovens, favorecendo a integração social. A campanha neste sentido está sendo encabeçada por Rúbia Santana, diretora do Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande – SEC/CG e mãe de uma criança especial.

“A AACD opera em várias cidades brasileiras e seu trabalho é excepcional e de grande ajuda para as crianças, adolescentes e jovens, que são integrados de fato à sociedade”, comentou Rúbia Santana. Ela quer trazer uma unidade da entidade para Campo Grande e já começou uma campanha nesse sentido. Uma das medidas que adotou foi fazer circular na cidade uma lista para um abaixo-assinado pedindo à Associação para se instalar também em Mato Grosso do Sul.

O abaixo-assinado está circulando por bairros e vilas de Campo Grande e também na área central, no comércio. Está sendo conduzida por voluntários que também acreditam nos benefícios que as nossas crianças especiais terão com a sede da associação funcionando aqui. Os interessados em somar forças a essa “corrente”, segundo Rúbia Santana, podem ligar para ela no 9604-5113.

O QUE É A AACD – A Associação de Assistência à Criança Deficiente é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que trabalha há mais de 61 anos pelo bem-estar de pessoas com deficiência física. Ela nasceu do sonho de um médico que queria criar no Brasil um centro de reabilitação com a mesma qualidade dos centros que conhecia no exterior, para tratar crianças e adolescentes com deficiências físicas e reinseri-los na sociedade. Foi pensando nisso que o Dr. Renato da Costa Bomfim reuniu um grupo de idealistas e, no ano de 1950, fundou a AACD.

A missão da AACD é promover a prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência física, especialmente de crianças, adolescentes e jovens, favorecendo a integração social.

Visão: Ser a opção preferencial em Reabilitação e Ortopedia para pacientes, médicos, profissionais da área, convênios e apoiadores, e ser reconhecida pelo seu elevado padrão de qualidade e eficácia, com transparência, responsabilidade social e sustentabilidade.

Valores: responsabilidade social, respeito ao ser humano e suas diferenças, ética, qualidade, eficácia, competência e transparência.

ÁREA DE ATUAÇÃO - Após a triagem, o paciente é avaliado por uma equipe especializada em sua deficiência. A equipe multidisciplinar atua em conjunto, com o objetivo de atender o paciente do modo mais adequado e no menor espaço de tempo possível. As clínicas em atividade na AACD são: Paralisia Cerebral, Lesão Medular, Lesão Encefálica Adquirida Infantil e Adulto, Mielomeningocele, Malformações Congênitas, Amputados, Doenças Neuromusculares e Poliomielite. Cada uma dessas Clínicas possui um grupo de profissionais habilitados em fornecer um tratamento consistente e uniforme ao paciente.

Clínica de Paralisia Cerebral - É a maior da AACD em número de pacientes e de atendimentos. Atende crianças que sofreram um dano cerebral antes, durante ou após o parto, onde permaneceram sequelas que acometem vários órgãos e sistemas do organismo. O tratamento ministrado objetiva estimular o desenvolvimento neuropsicomotor e fazer com que a criança possa usufruir melhor suas habilidades. A criança é acompanhada por um período longo e o tratamento é oferecido de acordo com as necessidades individuais.

Clínica de Lesão Medular - Atende pessoas tetraplégicas ou paraplégicas devido a uma lesão na medula espinhal, cujas causas mais frequentes são: ferimentos por arma de fogo, acidentes de trânsito, mergulhos em água rasa, tumores e infecções. O trabalho desta equipe utiliza recursos terapêuticos existentes para atingir as metas realistas para cada paciente, num espaço de tempo definido.

Clínica de Lesão Encefálica Adquirida - Atende pacientes vítimas de traumatismo craniano (TCE), acidente vascular encefálico (derrame), infecções cerebrais, tumores e anóxias (asfixias). De acordo com o grau de acontecimento e o prognóstico estabelecido, a equipe promove o tratamento de reabilitação física e a estimulação cognitiva se necessário. Para as crianças também é enfatizado o acompanhamento escolar.

Clínica de Mielomeningocele - Também conhecida como Espinha Bífida, atende pacientes com malformação congênita da medula espinhal e da coluna vertebral. As doenças atendidas são a mielomeningocele, lipomeningocele, espinha bífida oculta de agenesia da coluna lombosacra. Este grupo de doenças provoca alterações da função de vários órgãos e sistemas, como comprometimento das funções do cérebro, bexiga, intestino e membros inferiores. O tratamento visa preservar ao máximo a função destes órgãos e impedir a presença de complicações que prejudiquem a condição física do paciente.

Clínica de Malformações Congênitas - Atende pacientes com malformações congênitas dos membros, osteogenesis imperfecta (doença dos ossos de vidro), artrogripose múltipla congênita (articulações rígidas) e doenças genéticas que causam alterações principalmente nos membros.

Clínica de Amputados - Atende pacientes com amputações adquiridas, cujas principais causas são os traumatismos, doenças vasculares, diabetes, infecções, queimaduras e tumores. O trabalho de reabilitação visa adaptação à prótese, buscando independência nas atividades da vida diária, readaptação social e profissional.

Clínica de Doenças Neuromusculares - Atende pacientes com doenças de origem no músculo (miopatias) ou no nervo periférico (neuropatias) de causa hereditária. As doenças atendidas são as distrofias musculares, miopatias congênitas, miotonias, amiotrofias espinhais, neuropatias hereditárias, ataxias, etc.

Clínica de Outros - Atende pacientes vítimas de poliomielite (paralisia infantil), contraída no passado. Apesar de erradicada no Brasil desde 1989, devido às maciças campanhas de vacinação, muitos pacientes possuem sequelas que ainda necessitam de tratamento especializado. Também são atendidas crianças, menores de um ano de idade, com lesão do plexo braquial decorrentes de lesão no parto.

Colaborou Wilson Aquino

Fonte: A Tribuna - Campo Grande-MS, 16/12/2011 - Imagem Internet

Regando as Plantas

Texto de Alex Garcia

Alex Garcia


Mais um ano que passa. Bons para alguns, ruins para outros. Para mim foi um ano repleto de boas experiências, e das dolorosas, já aprendi a tirar delas profundos ensinamentos e reflexivos comentários. Este ano acompanhei repetitivas atitudes de "Regando as Plantas". Eu não estou louco! O que tem a ver "Regar Plantas" com nossa coluna? Tudo! Atitudes deram-me a clara impressão de que muitas pessoas com Deficiência (PcD) são meras plantas e que pessoas e grupos vão regando-as ao passar do tempo, de acordo com seu interesse, e é claro. manter as PcDs vivas, mas estáticas, como uma planta. Foi realizada no Brasil a Conferência DBI - Surdocegueira Internacional e eu como todos sabem sou um Surdocego, mas passei muitos dias respondendo milhares de mensagens de o porquê eu não estava nesta "importante" conferência. Minha resposta foi sempre à mesma: Não fui convidado! Muitas pessoas da organização tentaram me convencer de várias hipóteses, mas, a que está claro é que não fui convidado porque não tenho o perfil de um surdocego subalterno. Tenho soberania e este perfil não serve aos organizadores. Esta conferência foi uma verdadeira "maquiagem" sobre a realidade dos surdocegos brasileiros. Desde 1962, ano em que se iniciou a educação de surdocegos no Brasil, somos subalternizados em nossos valores e desenvolvimentos. Pessoas, grupos e organizações internacionais, que com a força do dólar e do euro, produziram a mais pura ganância, o mais real egoísmo, a incontrolável tendência ao poder e ao controle, e a temida subalternidade. Isso afeta os surdocegos é claro, mas estranhamente não afeta muitos que não são surdocegos. Muitos até medalhas receberam nesta "importante" conferência. Medalhas forjadas com o sangue de milhares de surdocegos que padeceram sem ter a mínima oportunidade. E o mais inacreditável foi o tema da conferência: "Inclusão para uma vida de oportunidades". É mole? ”Estão “Regando as Plantas” há 50 anos”. Nesta conferência teve uma apresentação de um surdocego americano que aborda as tecnologias que apóiam surdocegos. Ele é muito habilidoso, mas, o que não conseguem me explicar é que este mesmo americano esteve no Brasil há alguns anos atrás desenvolvendo a mesma apresentação. Daquela vez até agora nenhum plano foi elaborado para que de fato os surdocegos possam ter as tecnologias. Pois bem. Fico a reflexionar com meus botões: Até quando vem e vai o americano? Os "surdocegos plantas" de tempos em tempos são regados, vocês me entendem? Quantas vezes mais pessoas e grupos do Brasil e organizações internacionais vão usar o "regador americano" para subalternizar e brincar com as emoções dos surdocegos brasileiros? Fica a dúvida! 

Todos sabem que no Brasil tudo vira moda. Tenho impressão que a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência já está na moda. Este ano, foram tantas as vezes que acompanhei os dizeres: "O trabalho à luz da Convenção", "A Educação à luz da Convenção", entre outras que três reflexões nasceram em mim: O bom de tanta "luz" para isso e "luz" para aquilo é que as Pcd do Brasil já descobriram que estamos nas trevas. Que as PcD não sabem de fato o que e como fazer valer a Convenção e que tem muita gente usando a Convenção com "Regador de Plantas".. Puxa vida! Convenhamos, as PcD, por medo ou por receberem "conselhos dos regadores de plantas", não vão nem na promotoria de sua cidade reivindicar seus direitos que são constantemente lesados, será que estão entendendo a Convenção ou estão todos "falando" por modismo? As Pcd apenas vão compreender e usar bem a Convenção quando construírem uma soberana identidade, caso contrário o "modismo" toma conta.
Esta mesma falta de identidade das PcD que quase fizeram minha moral entrar em colapso de tantas vezes que observei a afirmação: "Eu represento as PcD". Este "Eu" raramente é uma PcD. Nossa! É inacreditável como as PcD do Brasil aceitam, ou são convencidas a aceitar, e parecem gostar de serem "representadas". Chegará o dia em que as próprias PcD irão se auto-representar? Mas talvez este dia esteja chegando com o lançamento do Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, batizado de "Viver sem Limites". Grande lance. Bilhões em investimentos. Filhas, PcD, de parlamentares na foto. Até a Presidente Dilma derrubou lágrimas. Mas para ofuscar a festa ocorreu o sepultamento do Decreto 6.571/08, que previa a Escola Inclusiva. E agora tchê? Será que os bilhões vão servir de fato para "Viver sem Limites" ou estes vão encher ainda mais os "Regadores de Plantas"? Tantas e tantas situações este ano que me deixam P... da vida. As vezes tenho vontade de fugir como destacou a filósofa russo-americana Ayn Rand, judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920, mostrando uma visão com conhecimento de causa. Parece até que ela viveu sob governos bem conhecidos de nós brasileiros, não é mesmo? "Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos, pelo suborno e por influência, mais do que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto - sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada, fuja". Mas como o Brasil é país de todos os brasileiros e brasileiras e eu não sou de fugir, como cidadão peço, amparado nos preceitos constitucionais, que a presidenta Dilma reforme o Decreto 7.611/11, para que fique em Concordância com a Convenção e que garanta o direito inalienável a educação, com todos os recursos necessários, para que as pessoas surdocegas não sejam ainda mais discriminadas e, um dia, possam vir a exercer a cidadania em igualdade de condições.

Comentário: Alex Garcia. Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Escritor. Especialista em Educação Especial. Vencedor II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga-RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência Professional Program on International Leadership, Employment, and Disability (I-LEAD) Mobility International USA / MIUSA. Membro da World Federation of Deafblind - WFDB. Membro da Aliança Brasileira de Genética. Colunista da Revista REAÇÃO e do Portal Planeta Educação. Consultor da Rede Educativa Mundial - REDEM. Consultor Instituto Inclusão Brasil

Fonte: AGAPASM - Porto Alegre-RS, 16/12/2011

Juíza que contratou deficientes visuais ganha Innovare

Projeto surgiu de conversa com integrantes da Associação de Cegos do Rio Grande do Sul.

da Redação


A necessidade de acessar mais rapidamente os arquivos em texto das audiências da 2ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre fez com que a juíza Salise Monteiro Sanchotene buscasse uma alternativa para as transcrições de áudios. 

Foi em uma conversa com integrantes da Associação de Cegos do Rio Grande do Sul que a juíza - uma das ganhadoras do prêmio Innovare -, teve a ideia, em 2008, de contratar deficientes visuais para o trabalho de transcrição de depoimentos de réus e testemunhas de processo. Inicialmente, apenas na 2ª Vara Federal .

- Foi um sucesso. Eles se concentram muito e, por isso, conseguem entregar o trabalho em um tempo recorde. Em três e cinco dias depois, temos as audiências em forma de texto - diz a juíza.

No ano seguinte, o serviço passou a ser oferecido para todas as varas criminais de Porto Alegre e, atualmente, o contrato com a Associação de Cegos atende a 34 varas federais em todo o Rio Grande do Sul. O convênio serviu ainda de modelo para iniciativas semelhantes colocadas em prática em cidades do Rio e de Alagoas. 

- Não podemos cometer erros. Às vezes uma vírgula fora do lugar muda todo o sentido de uma frase - diz Vanessa Cuba Waichel, 25 anos, há três meses trabalhando no tribunal.
Para a tarefa de transcrever os áudios da Justiça, a associação tem uma equipe fixa de oito deficientes visuais - quatro contratados e outros quatro estagiários. Eles cumprem uma carga horária de sete horas diárias.

Fonte: O Globo - Porto Alegre-RS, 16/12/2011

Governo quer dar maior apoio aos deficientes físicos empreendedores

Atualmente falta no Brasil uma legislação que apoie o empreendedor deficiente

Raquel Torres C. Bressan
Tramita no senado um projeto de lei que auxiliará a abertura de negócios por portadores de deficiência. O autor do projeto, Paulo Paim, explica que o país é carente de leis que ajudem o deficiente a abrir seu próprio negócio.

Atualmente, já existem leis que auxiliam o deficiente a entrar no mercado de trabalho, como concursos públicos que separam vagas a serem preenchidas exclusivamente por eles. Além de concursos, empresas com mais de 100 funcionários devem ter vagas a serem preenchidas por pessoas que portam alguma deficiência.

A partir dessas iniciativas, o deputado explicitou em sua proposta de lei é importante para a regulamentação do estímulo ao empreendedorismo. Para tanto, o incentivo através de linhas de financiamento já estão sendo realizadas.

Paim explica que conquistar um emprego é muito relevante, mas os portadores de deficiências também devem ser incentivados a desenvolver negócios, pois o empreendedorismo contribui significativamente na inclusão social e no crescimento econômico dessas pessoas.

O projeto está sendo analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família.

Fonte: AFE - Brasília-DF, 16/12/2011

PARALISIA CEREBRAL ( TRANSTORNO E DEFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE) - CONHEÇA UM POUCO

TRANSTORNO E DEFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - CONHEÇA UM POUCO


Causas
Desde que o médico inglês William Little, nos anos 1860s, descreveu pela primeira vez as alterações clínicas encontradas em uma criança com PC e relacionou estas alterações com hipóxia (baixa de oxigênio), se valorizou muito o papel da hipóxia perinatal e dos traumas de parto como fatores determinantes de lesões cerebrais irreversíveis. E mesmo depois de Sigmund Freud, em 1897, ter chamado a atenção para o fato de que se muitas das crianças apresentavam além das alterações motoras, outros problemas, tais como, retardo mental, convulsões e distúrbios visuais, o mais provável é que a causa pudesse estar também relacionada com agressões ocorridas em fases bem mais precoces da vida intra-uterina, a hipóxia perinatal foi considerada até recentemente como a principal causa de PC.

O pensamento de Freud era que em certos casos, os problemas ao nascer seriam, na realidade, conseqüência de um desenvolvimento anormal do cérebro.

Durante anos, essas observações de Freud não foram muito valorizadas até que no final dos anos 1980s, pesquisas importantes realizadas nos Estados Unidos e na Austrália demonstraram que tanto a hipóxia quanto outros problemas neonatais não são as principais causas de PC e que na maioria das crianças com PC a causa era desconhecida. Desordens genéticas, fatores teratogênicos ou outras influências nas fases iniciais da gravidez teriam que ser mais intensamente investigadas. Com os avanços da tecnologia para diagnóstico, principalmente nas áreas da imagem e da genética, uma melhor compreensão das causas de PC vem sendo cada vez mais possível. Um número significativo de crianças que antes recebiam o diagnóstico de PC por hipóxia perinatal porque demoraram para chorar e tiveram cianose (ficaram roxinhas), hoje, depois da ressonância magnética, recebem o diagnóstico de uma malformação cerebral, e a implicação deste fato é que a causa do problema é uma desordem genética ou um fator agressivo ocorrido nas primeiras semanas ou meses de gestação.

Dentre as causas pré-natais, além das desordens genéticas, as mais importantes são infecções congênitas (citomegalia, toxoplasmose, rubéola) e hipóxia fetal decorrente de complicações maternas, como no caso das hemorragias. A exposição da mãe a substâncias tóxicas ou agentes teratogênicos tais como radiação, álcool, cocaína e certas medicações principalmente nos primeiros meses de gestação são fatores de risco que têm que ser considerados.

As causas perinatais estão relacionadas principalmente com complicações durante o parto, prematuridade e hiperbilirrubinemia.
As principais causas de paralisia cerebral pós-natal são infecções do sistema nervoso central (meningites e encefalites), traumatismo crânio-encefálico e hipóxia cerebral grave (quase afogamento, convulsões prolongadas e parada cardíaca).

Prevenção

Acompanhamento pré-natal regular e boa assistência ao recém-nascido na sala de parto diminuem a possibilidade de certas crianças desenvolverem lesão cerebral permanente.

Por outro lado, muitas das crianças que superam situações críticas com a ajuda de recursos sofisticados das terapias intensivas neonatais modernas, principalmente os prematuros, sobrevivem, mas com seqüelas neurológicas.

Portanto, apesar de ter havido uma evolução importante em termos de atendimento à gestante e ao recém-nascido na sala de parto, nos últimos 40 anos não houve uma redução significativa da prevalência da PC mesmo nos países desenvolvidos.

De qualquer forma, houve uma modificação da história natural.

Muitas das formas graves de PC estão relacionadas com causas que podem ser prevenidas como hipóxia perinatal, infecções congênitas e hiperbilirrubinemia neonatal, e a prematuridade está relacionada com diplegia espástica, tipo de paralisia cerebral de melhor prognóstico.

Todo esforço para que o período gestacional seja o mais saudável possível através da manutenção de uma boa nutrição e da eliminação do uso de álcool, fumo, drogas e medicações sabidamente teratogênicas deve ser feito, pois estas medidas estarão contribuindo para a prevenção de alguns tipos de PC.

rubéola congênita pode ser prevenida se a mulher for vacinada antes de engravidar. Quanto à toxoplasmose materna, medidas de higiene, como não ingerir carnes mal cozidas ou verduras que possam estar contaminadas com fezes de gato são importantes. As gestantes com sorologia positiva devem ser adequadamente tratadas, diminuindo assim os riscos de infecção fetal. A incompatibilidade Rh pode ser facilmente prevenida (vacina anti-Rh+) e identificada. Quando a bilirrubina não conjugada no recém-nascido atinge níveis críticos, a criança deve ser submetida a ex-sanguíneotransfusão (troca de parte do volume sanguíneo). O tratamento adequado da incompatibilidade sanguínea reduziu em muito a incidência da PC com movimentos involuntários.
No período pós-natal, uma das principais causas de PC é o traumatismo crânio-encefálico que pode ser prevenido, em algumas circunstâncias, com o uso de cadeiras de segurança especiais para crianças pequenas, ajustadas nos bancos dos automóveis.

Outra causa importante é a anóxia cerebral grave por quase afogamento e o número de crianças com lesão cerebral por quase afogamento em Brasília é relativamente elevado, justificando uma campanha de prevenção. Algumas das infecções cerebrais podem ser prevenidas com vacinas, como por exemplo, contra sarampo, meningite meningogócica e Haemophilus influenzae.


Diagnóstico 

Dificuldade de sucção, tônus muscular diminuído, alterações da postura e atraso para firmar a cabeça, sorrir e rolar são sinais precoces que chamam a atenção para a necessidade de avaliações mais detalhadas e acompanhamento neurológico.
A história clínica deve ser completa e o exame neurológico deve incluir a pesquisa dos reflexos primitivos (próprios do recém-nascido), porque a persistência de certos reflexos além dos seis meses de idade pode indicar presença de lesão cerebral. Reflexos são movimentos automáticos que o corpo faz em resposta a um estímulo específico. O reflexo primitivo mais conhecido é o reflexo de Moro que pode ser assim descrito: quando a criança é colocada deitada de costas em uma mesa sobre a palma da mão de quem a examina, a retirada brusca da mão causa um movimento súbito da região cervical, o qual inicia a resposta que consiste inicialmente em abdução (abertura) e extensão dos braços com as mãos abertas seguida de adução (fechamento) dos braços como em um abraço. Este reflexo é normalmente observado no recém-nascido, mas com a maturação cerebral, respostas automáticas como esta são inibidas. O reflexo de Moro é apenas um dentre os vários comumente pesquisados pelo pediatra ou fisioterapeuta.
Depois de colhida a história clínica e realizado o exame neurológico, o próximo passo é afastar a possibilidade de outras condições clínicas ou doenças que também evoluem com atraso do desenvolvimento neurológico ou alterações do movimento como as descritas anteriormente. Exames de laboratório (sangue e urina) ou neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) poderão ser indicados de acordo com a história e as alterações encontradas ao exame neurológico. Estes exames, em muitas situações, esclarecem a causa da paralisia cerebral ou podem confirmar o diagnóstico de outras doenças.

Desordens Associadas 

O termo paralisia cerebral implica alterações do movimento, mas a presença de outros distúrbios deve ser investigada e o sucesso do tratamento depende da abordagem correta de todos os problemas associados.
Retardo Mental

A avaliação da função intelectual em crianças com certos tipos de envolvimento é difícil, porque a maioria dos testes normalmente aplicados para avaliar o desenvolvimento cognitivo requer respostas verbais e motoras, e um julgamento baseado apenas nas impressões iniciais pode levar a uma conclusão incorreta.

Muitas crianças com disartria grave, a princípio consideradas como intelectualmente deficientes, a partir do momento em que puderam se comunicar utilizando meios alternativos, foram reconhecidas como sendo muito mais capazes intelectualmente do que se supunha. De qualquer maneira, a alta incidência de alterações cognitivas em alguns tipos de PC é reconhecida. O retardo mental é mais comumente observado nas crianças com tetraplegia espástica.

Epilepsia

Os neurônios (células nervosas) estão permanentemente gerando impulsos elétricos. Esta atividade elétrica ocorre, normalmente, de uma maneira organizada. Quando certos grupos de neurônios entram em atividade excessiva e hipersincrônica, ou seja, quando vários neurônios entram em atividade elétrica ao mesmo tempo, ocorre um distúrbio do funcionamento do sistema nervoso central. Estes episódios de descarga elétrica anormal são chamados de crises epilépticas. Estas crises podem evoluir com hiperextensão e contrações musculares (convulsões), perda súbita do tônus muscular, perda ou alteração temporária da consciência e alteração temporária do comportamento.
Uma criança em crise pode apresentar os seguintes sinais: contrações musculares generalizadas ou localizadas, movimentos rítmicos com a cabeça, desvio do olhar para cima ou para o lado, movimentos rápidos de piscar os olhos, movimentos mastigatórios, ausência de resposta a uma solicitação verbal, episódios breves de olhar parado ou vago, ou crises de medo.
Quando existe dúvida quanto à possibilidade da criança estar apresentando qualquer um desses sinais, o melhor a fazer é registrar as alterações observadas procurando descrever o sintoma, que parte do corpo envolveu, a hora em que ocorreu e quanto tempo durou. Somente o médico, muitas vezes com o auxílio do eletroencefalograma (EEG), pode confirmar se a criança está realmente apresentando crises e orientar o tratamento correto. O EEG pode ser visto como uma extensão do exame neurológico e o que ele registra é basicamente a atividade elétrica expontânea do cérebro. Muitas vezes, mesmo para o pediatra ou neurologista, é difícil definir se as crises são realmente epilépticas ou se estão relacionadas com outros tipos de distúrbio. Nesses casos, os estudos feitos com EEG prolongado e vídeo podem esclarecer o diagnóstico.

Além da epilepsia, muitas outras condições podem determinar crises convulsivas isoladas tais como desidratação grave, hipoglicemia, infecções cerebrais ou intoxicações. 

O que caracteriza a epilepsia é a repetição de crises não provocadas, ou seja, não determinadas por um processo patológico agudo.
A Liga Internacional contra a Epilepsia classifica as crises em generalizadas e parciais. As generalizadas envolvem o cérebro como um todo. As parciais permanecem restritas a uma certa área do cérebro e os sintomas dependem da área envolvida. Uma criança com PC pode apresentar qualquer tipo de crise.
A crise do tipo tônico-clônica generalizada é a que mais preocupa os pais ou outras pessoas que a presenciam, mas na maioria das vezes ela é auto-limitada e para em dois a dez minutos. Na presença de uma crise tônico-clônica generalizada, a criança deve ser protegida de traumas, as contrações musculares não devem ser contidas e a cabeça deve ser mantida em posição rodada lateralmente para evitar aspirações no caso de vômitos. Não se deve tracionar a língua ou introduzir qualquer objeto na boca da criança. A respiração pode alterar-se durante a crise, mas normaliza-se nos primeiros minutos. Quando a criança apresenta crises sub-entrantes, sem retomar a consciência entre uma e outra, ou uma crise tônico-clônica com mais de 20 minutos de duração, ela entra em estado de mal epiléptico (status epilepticus). O estado de mal epiléptico é uma emergência pediátrica.

O tratamento da epilepsia deve ser introduzido assim que se faz o diagnóstico. Nas fases iniciais do tratamento com anticonvulsivantes, algumas crianças apresentam sonolência, mas esta reação tende a desaparecer ao final de um certo período. Qualquer reação deve ser relatada ao pediatra ou neurologista e algumas delas, como irritabilidade ou as de tipo alérgico justificam a substituição do anticonvulsivante.

Quando as crises são controladas, melhora tanto motora quanto cognitiva pode ser observada e, mesmo tendo cessado as crises, o tratamento deve ser mantido por, no mínimo, dois ou três anos. Uma vez iniciado o anticonvulsivante, a dose somente deve ser alterada conforme orientação médica. A suspensão súbita da medicação pode desencadear estado de mal epiléptico com possibilidade de agravamento do quadro neurológico.

Algumas formas de epilepsia são resistentes ao tratamento com anticonvulsivantes.

Alterações Visuais

Quando a criança nasce, o seu sistema visual não é ainda maturo. A fóvea, parte da retina responsável pela acuidade visual, não está completamente desenvolvida. As células desta região passam por um processo de crescimento e organização e somente alcançam a maturidade por volta dos quatro anos de idade. Normalmente, em torno dos três meses de vida, a criança já é capaz de fixar e acompanhar um objeto em movimento, mas a visão binocular se desenvolve somente entre o terceiro e o sétimo mês.

Na PC, o estrabismo é freqüente.

Catarata (opacidade do cristalino), coriorretinite (inflamação da coroide e da retina) e glaucoma (aumento da pressão ocular) são desordens oculares comumente encontradas nas infecções congênitas.

Aproximadamente 2/3 dos prematuros de peso abaixo de 1250g desenvolvem algum grau de retinopatia do prematuro. Nos prematuros, o oxigênio usado para tratar a síndrome de esforço respiratório pode alterar o crescimento dos vasos sanguíneos da retina, predispondo a miopia, estrabismo e glaucoma. Nos casos mais graves, uma cicatriz fibrosa descola a retina do fundo do olho determinando perda da visão.

Mesmo se tomando todas as medidas para prevenir a retinopatia do prematuro, ela pode ocorrer, e por este motivo, todos os prematuros tratados com oxigênio devem ser referidos para avaliações oftalmológicas periódicas durante os primeiros meses de vida.
A córtex visual é a região do lobo occipital responsável pela recepção e decodificação da informação enviada pelos olhos. Uma lesão nesta área pode determinar perda visual que neste caso é chamada de deficiência visual cortical (DVC). As causas mais frequentes de DVC são hipóxia, infecções do sistema nervoso central, traumatismo crânio-encefálico e hidrocefalia. Os testes eletrofisiológicos completam a avaliação clínica e podem determinar se a causa da deficiência visual está nos olhos ou no cérebro. O eletrorretinograma avalia a função retiniana e o potencial evocado visual avalia as vias nervosas do olho até a córtex visual. Na DVC, apesar dos testes iniciais indicarem deficiência importante, muitas crianças desenvolvem alguma função visual e a estimulação favorece de alguma maneira o desenvolvimento da visão.

É importante fazer a diferença entre DVC e atraso da maturação visual nas crianças que apresentam resposta inadequada aos estímulos visuais. As crianças com atraso da maturação visual, geralmente, não têm história de problemas durante a gestação ou o nascimento e têm exame oftalmológico normal, embora possam apresentar algum atraso do desenvolvimento psicomotor. O prognóstico é bom, ocorrendo melhora espontânea da função visual com o desenvolvimento da criança.

Todas as crianças com diminuição da resposta aos estímulos visuais ou alterações oculares devem ser avaliadas por oftalmologista interessado no diagnóstico e tratamento das doenças oculares infantis.

Deficiência Auditiva

Algumas crianças com paralisia cerebral têm deficiência auditiva e o diagnóstico precoce é importante porque no primeiro ano de vida, a experiência de escutar a fala humana orienta a formação de conexões nervosas em nível encefálico relacionadas à capacidade de linguagem e comunicação oral. A privação sensorial, nessa fase, pode comprometer o desenvolvimento dessas conexões.

Alguns estudos em crianças com deficiência auditiva demonstraram que, mais do que o grau da deficência, o diagnóstico e a intervenção precoce (marcadamente até os 6 meses de idade) foram o melhor fator prognóstico para a aquisição da linguagem.
Na década de 80, o Comitê Americano para Audição na Infância recomendava a triagem neonatal para todas as crianças de risco (infecções congênitas, malformações do pavilhão auricular, face ou pálato, peso ao nascer inferior a 1500g, hiperbilirrubinemia neonatal grave, meningite bacteriana, asfixia perinatal e uso de medicações tóxicas para o ouvido). Contudo constatou-se que investigar apenas as crianças de risco permite identificar somente cerca de 50% dos casos de deficiência auditiva.

A partir de 1994 foi proposta então a Triagem Auditiva Neonatal Universal.


Os métodos propostos para esta triagem são o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (Brainstem Evoked Response Audiometry - BERA) e as emissões otoacústicas evocadas ('teste da orelhinha'), ditas fisiológicas, porque não é necessária uma resposta comportamental da criança para a interpretação do resultado. O primeiro teste consiste na medida eletrofisiológica do nervo auditivo e das vias auditivas no tronco encefálico para diferentes tipos de sons e o segundo no registro da resposta sonora natural apresentada pelas células ciliadas da cóclea a um estímulo sonoro. São métodos rápidos, não invasivos e de fácil aplicação. Um resultado anormal não é conclusivo para o diagnóstico de deficiência auditiva, mas indica a necessidade de avaliação audiológica completa em serviço especializado.

O diagnóstico precoce de deficiência auditiva possibilita a intervenção precoce favorecendo o processo de aprendizagem. O programa de tratamento pode englobar uso de amplificadores, implante coclear, linguagem de sinais e treinamento da fala.

Dificuldades para a Alimentação

Desordens da sucção, mastigação e deglutição são comuns nas crianças com envolvimento total. Todos estes fatores contribuem para uma ingesta alimentar abaixo das necessidades.

Além disso, muitas crianças com limitações motoras são mantidas por longos períodos com dietas próprias para bebês. A oferta monótona de certos tipos de alimento, tais como, leite e derivados, farináceos ou sucos após os seis meses de idade pode determinar quadros de anemias carenciais (principalmente por falta de ferro), desnutrição e infecções de repetição. A criança desnutrida não cresce normalmente e sua resposta aos estímulos que promovem o desenvolvimento é prejudicada.

A dieta deve ser planejada de acordo com as características clínicas e as limitações de cada criança. Por exemplo, para facilitar a deglutição e reduzir o refluxo de parte do conteúdo gástrico para o esôfago, recomenda-se manter a criança com a cabeça e o tronco em posição semi-elevada durante e por alguns minutos após cada refeição.

Nas crianças com refluxo gastroesofágico, as refeições devem ser de menor volume e oferecidas em intervalos de tempo menores para que não haja prejuízo do total de nutrientes ingeridos em um dia. As crianças com dificuldade para deglutir líquidos, devem ser alimentadas com pequenos volumes de dieta pastosa e de sucos engrossados com frutas e gelatinas, procurando-se assim manter um bom nível de hidratação.

Constipação Intestinal

Quanto mais tempo as fezes permanecem no colo, maior é a absorção de água e mais endurecidas elas ficam, resultando em constipação. A constipação intestinal crônica decorre de vários fatores, entre os quais pequena ingestão de fibras e líquidos, atividade física reduzida, e uso de medicações como antiácidos e certos anti epilépticos.

A ingestão adequada de líquidos em geral, alimentos ricos em fibras tais como frutas (mamão, abacaxi, laranja com bagaço, ameixa preta, manga, melancia), verduras (principalmente as folhagens cruas), leguminosas (feijão, ervilha, lentilha) e alimentos integrais melhoram o funcionamento intestinal e são medidas que devem ser recomendadas se o colo (intestino grosso) ainda não estiver dilatado.

Quando a constipação é grave e não se observa resposta às orientações iniciais, os alimentos ricos em fibras devem ser suspensos imediatamente e a possibilidade de megacolo deve ser investigada. O tratamento correto do megacolo (dilatação do intestino grosso) requer a orientação de um pediatra com experiência neste tipo de problema.

Fonte: www.sarah.br


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Valente EM, Marsh SE, Castori M, Dixon-Salazar T, Bertini E, Al-Gazali L, Messer J,
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Ann Neurol. 2005 Apr;57(4):513-9. Erratum in: Ann Neurol. 2005 Jun;57(6):934.

Autor: José Pedro Vieira
Titulo: Severe epilepsy, retardation, and dysmorphic features with a 2q deletion including SCN1A and SCN2A.

Autor: Luis Borges
Título: Autoantibody repertoires to brain tissue in autism nuclear families.

Autor: Luis Borges
Título: Variants of the serotonin transporter gene (SLC6A4) significantly contribute to hyperserotonemia in autism.

Autor: Antonio Levy-Gomes e Teresa Temudo
Título: Schilder’s disease: two new cases and a review of the literature 

Autor: Teresa Temudo
Título: Maple syrup disease presenting as paroxysmal dystonia.

Autor: Teresa Temudo
Título: Paroxysmal dyskinesias in children

Autor: Clara Barbot
Título: Galactosemia: the genotype and phenotype of seven patients

Autor: Clara Barbot
Título: Homozygosity mapping of a third Joubert syndrome locus to 6q23.

Autor: Clara Barbot
Título: Senataxin, the ortholog of a yeast RNA helicase, is mutant in ataxia-ocular apraxia 2.

Convulsões Febris

A primeira convulsão febril gera sempre grande ansiedade na famí lia não só pelo inesperado da situação como pelo medo de poder anunciar doença neurológica grave. Para esclarecer as dúvidas que surgem aos pais, eis algumas das questões mais frequentemente colocadas:

O que é uma convulsão febril?

É uma convulsão que surge numa criança saudável, entre os 6 meses e os 6 anos de idade, no início de uma doença febril aquando da subida rápida da temperatura. As convulsões febris estão relacionadas com a idade e tendem a desaparecer quando a criança cresce, sendo raras após os 5 anos.

É frequente?

Cerca de uma em cada 20 crianças (4%) têm convulsões acompanhadas de febre. A causa é desconhecida mas factores genéticos têm um papal importante e se o pai ou a mãe tiveram convulsões febris o risco é 4 vezes superior ao da população em geral.

Como são as crises?

Na maioria dos casos as crises (ataques) são generalizadas. A criança perde os sentidos, revira os olhos, fica com o corpo hirto e logo a seguir os braços e pernas começam a tremer. Depois de alguns minutos os movimentos param, o corpo fica mole e a criança dorme durante 15-30 minutos e acorda bem. Durante a crise pode ficar com os lábios roxos, espumar pela boca ou urinar.

O que devo fazer?

Em primeiro lugar não deve entrar em pânico e não deve colocar nada na boca da criança.
Deite a criança de lado, num local seguro onde ela não se possa magoar.
Baixe a temperatura com paracetamol rectal ou pachos de água tépida colocados no corpo despido .
Se não for a primeira convulsão, os pais já devem ter em casa clisteres de Diazepam (StezolidR), um medicamento que se utiliza para parar a convulsão. A administração é rectal e a dose depende do peso da criança:
- Peso inferior a 5Kg: 2,5 mg
- Peso entre 5 a 10Kg: 5 mg
- Peso superior a 20Kg: 10 mg

Quando devo ir ao Hospital?

Na primeira convulsão febril deve sempre dirigir-se a um Serviço de Urgência para uma avaliação cuidadosa da situação. Habitualmente é necessário ficar em observação durante algumas horas e fazer alguns exames para excluir infecções do sistema nervoso central.
Se não for a primeira convulsão, e se a criança estiver bem, deve consultar o seu médico para averiguar e tratar a causa da febre.
No entanto existem sinais de alarme que vos devem levar sempre a um Serviço de Urgência:
- Se a convulsão for prologada (mais de 15 minutos)
- Se os movimentos forem só de um lado ou se após a crise a criança só mexer um lado
- Se a criança não acordar completamente 30 minutos após a crise
- Se ficar muito prostrada, com gemido ou sonolência
- Se a febre não baixar apesar das medidas tomadas
- Se tiver mais que uma crise no mesmo dia

É necessário fazer exames?

É importante excluir infecções do sistema nervoso central (meningites/encefalites) após a primeira convulsão febril e sempre que houver essa suspeita clínica.

Deve fazer EEG ou exames de imagem?

O electroencefalograma (EEG) não é necessário para o diagnóstico, e não prevê a recorrência de convulsões, motivo pelo qual o seu uso não está recomendado. A TAC crânio encefálica também não é necessária.

Pode voltar a ter convulsões quando tiver febre?

Sim, cerca de um terço das crianças voltam a ter uma ou mais crises com febre, mas é impossível de prever quando ou em que crianças. No entanto o risco é maior nos primeiros 6 a 12 meses após a primeira crise, se a convulsão surgiu com febre baixa ou se há história familiar de convulsões.

Que devo fazer para evitar as crises?

Apesar do risco de recorrência, o uso de medicamentos anti epilépticos não está recomendado em crianças com convulsões febris.
É importante estar muito atento aos primeiros sinais de doença e controlar sempre a temperatura, nunca esquecendo o período da noite

O meu filho pode ficar com Epilepsia?

Cerca de 2,5% das crianças que começam com convulsões febris, mais tarde têm epilepsia, ou seja começam a ter convulsões sem febre. Esta situação é mais frequente em crianças com atraso do desenvolvimento, história familiar de epilepsia, crises prolongadas ou que afectam só um lado do corpo.

Cefaleias

O que são cefaleias e que tipo de cefaleias podem ter as crianças e adolescentes?

As cefaleias são dores de cabeça e são uma queixa frequente na criança e adolescente.

As crianças podem ter os mesmos tipos de dores de cabeça que os adultos.

Existe uma classificação internacional de cefaleias com critérios bem definidos, que divide as cefaleias em primárias (não estão relacionadas com doenças) e secundárias (relacionadas com problemas de saúde). As cefaleias primárias mais frequentes na criança são a enxaqueca e a cefaleia de tensão. As cefaleias secundárias mais frequentes são as relacionadas com os quadros febris associados a infecções vá rias.

Há vários estudos sobre a frequência das cefaleias, um deles mostra que cerca de 56% de rapazes e 74% das raparigas entre os 12 e 17 apresentaram cefaleias no último mês.

Cerca de 5% dos adolescentes tiveram enxaqueca e 15% tiveram cefaleias de tensão.

Como se faz o diagnóstico das cefaleias?

O médico efectua uma lista de perguntas sobre as características das cefaleias (história clínica) e efectua o exame fi sico e neurológico à criança. Com esses dados consegue classificar as cefaleias.

Nalguns casos se há suspeita de causas secundárias (infecção, ?) pode ser necessário fazer alguns exames como TAC / RMN cerebral, estudo do liquor (punção lombar) etc.

A dor na enxaqueca da criança pode localizar-se na região frontal (na testa), interfere com as actividades da criança, a luz e o ruí do incomodam-na, a criança fica mais pálida e pode vomitar.

Qual a causa das cefaleias na criança e adolescente?

O mecanismo exacto da enxaqueca não é conhecido mas parece estar relacionado com alterações no cérebro e causas genéticas

A maioria das crianças com enxaqueca tem outros familiares com enxaqueca.

Se ambos os pais tiverem história de enxaqueca há 70% de probabilidade de um filho desenvolver enxaqueca. Se só um dos pais tiver o risco desce para 25%-50%.

Relativamente às cefaleias de tensão as principais causas são situações de stress a nível escolar ou familiar, depressões, posturas anormais do pescoço e costas, dificuldades na visão.

No grupo das cefaleias secundárias as causas podem ser várias mas as mais frequentes na criança e adolescente são as relacionadas com quadros febris vários (constipações, gripes) Outras causas: sinusite, faringite, otite, embora as causas que mais preocupam os pais e os médicos são os tumores e as meningites. Menos de 1% das crianças com cefaleias tem tumores.

Que factores podem precipitar uma crise de enxaqueca?

Podem identificar-se alguns factores: stress, ansiedade, depressão, alterações no padrão de sono, luzes e ruí dos intensos, alguns alimentos e bebidas, excesso de exposição solar, excesso de actividade física

Como se tratam as cefaleias na criança e adolescente?

O tratamento vai depender entre outros factores do tipo de cefaleia, da intensidade, da frequência e da idade da criança.

O tratamento das cefaleias primárias consiste em:

Educação da criança e familiares de forma a identificar e evitar possíveis factores precipitantes, criar hábitos de sono regular, horários de refeições, evitar situações de stress, praticar exercício fisico
Tratamento da dor na fase aguda (geralmente usam-se os mesmos medicamentos analgésicos dos adultos mas em doses mais baixas ajustadas ao peso da criança ex: paracetamol, ibuprofeno). Os analgésicos devem ser dados logo no início da dor e nas doses correctas, se houver necessidade de usar analgésicos com frequência deve consultar o médico. Na fase aguda procurar um local silencioso e com pouca luz e se possí vel dormir.
Tratamento profiláctico (para diminuir o número e intensidade dos episódios). Este tipo de tratamento exige seguimento regular na consulta.

Qual a evolução da enxaqueca?

Pode haver uma melhoria com o crescimento da criança, podendo desaparecer nos rapazes adolescentes, mas nas raparigas pode haver aumento da frequência devido a alterações hormonais.

O que é uma enxaqueca com aura?

Significa que antes de surgir a dor surgem sinais ou sintomas neurológicos que ? que vai aparecer a cefaleia. A criança pode queixar-se de alterações na visão (vê luzes, riscas, manchas negras) alterações no equilíbrio.

Quando se deve consultar o médico pelas dores de cabeça?

Se a dor de cabeça é intensa e nunca teve essas características
Quando as queixa de cefaleias são frequentes
Se a criança tem menos de 6 anos
Quando houver modificação das características habituais das cefaleias (mais frequentes, mais intensas)
Quando se associam a outros sintomas como alterações da visão, alterações do comportamento, dificuldades na marcha.
Sempre que os pais estejam preocupados ou com dúvidas
Inês Carrilho, 2005

O que não é a epilepsia?

Relativamente à epilepsia, como em todos os campos da medicina os erros são possí veis, pois por vezes não é fácil distinguir o que são convulsões ou crises de origem epiléptica ou não e o que é epilepsia ou não. A epilepsia é por isso frequentemente sobre diagnosticada e muitas crianças são assim indevidamente classificadas. Estudos recentes estimam que 20 a 30% das crianças consideradas como epilépticas, não têm realmente este diagnóstico. Neste documento abordamos precisamente situações que parecem epilepsia, mas não são e que na maioria das vezes são também aparatosas, surgem de repente e de forma inesperada.

Antes da abordagem de cada uma destas situações mais frequentes convém ainda realçar a importância do número de crises e que começar por fazer a distinção entre ter uma convulsão ou uma crise e ter epilepsia. O diagnóstico de epilepsia obriga à recorrência de crises, e uma crise única que qualquer um de nós poderá ter nalgum momento da vida não pode ser igual a epilepsia. Alguns estudos revelam que cerca de 1% da nossa população terão pelo menos uma crise durante a vida e apenas metade (0,5%) terão epilepsia.

Por outro lado existem várias situações clínicas que se repetem e que embora partilhem algumas características com a epilepsia, têm mecanismos completamente diferentes. A estas, chamamos crises paroxásticas não epilépticas e são alterações súbitas (por isso se designam por paroxásticas) do comportamento cuja fisiopatologia contrariamente à epilepsia não é explicada por alterações da actividade eléctrica cerebral, mas por vários mecanismos distintos. São frequentes, com uma incidência que pode ser 6 vezes superior à da epilepsia, benignas, transitórias e não necessitam de medicação.

Alguns dos fenómenos ou crises paroxásticas não epilépticas mais frequentes na criança e que em muito casos podem ser confundidos com epilepsia são o espasmo do soluço, a lipotâmia, a vertigem paroxástica benigna, as perturbações do sono como o bruxismo, os terrores nocturnos, os pesadelos e o sonambulismo, e ainda a criança distraí da.

Espasmo do soluço, ou o vulgar soluçar atrás do choro, é uma situação muito frequente entre os 6 meses e os 4 anos (sobretudo até aos 18meses), que pode surgir sob 2 formas clí nicas: a forma pálida e a forma cianética e em que existe sempre um factor desencadeante. Ocorre quando a criança é contrariada ou perante uma frustração, começa a chorar, sustem a respiração, fica ? (forma cianética ) e pode ter perda de conhecimento. Esta perda de conhecimento pode ser breve, retomando o choro ou ser mais prolongada surgindo mesmo alguns movimentos anormais ou incontinência de esfíncteres. A forma pálida ? tem por vezes um diagnóstico mais difí cil porque o factor desencadeante é mais subtil. Acontece com algumas crianças quando na sequência de um susto ou um leve traumatismo, começam a chorar, sustém a respiração e ficam brancas. Qualquer que seja a forma, o tão frequente ? atrás do choro ou espasmo do soluço é uma situação benigna, ou seja a criança não vai ter complicações, estes episódios vão passar e não existe qualquer tratamento eficaz. A única forma de os evitar é manter a tranquilidade (o que por si só é a frequência das crises), evitar os estí­mulos desencadeantes ou desviando a atenção.

Là potà mia ou desmaio equivale a uma perda transitória da consciência, por uma diminuição da chegada de oxigénio ao cérebro. É mais frequente na adolescência, tem habitualmente sintomas premonitórios como a palidez, falta de força, tonturas, ou diminuição progressiva da visão e tem sempre um factor desencadeante. Estes são frequentemente o excesso de calor, muito tempo em pé, locais com muita gente ou ainda situações de tensão emocional. A recuperação é relativamente rápida e o próprio adolescente vai na maioria das vezes conseguir identificar o factor desencadeante podendo então evitá-lo e diminuir ou evitar estes episódios.

Vertigem paroxástica benigna é uma situação mais frequente entre 1 e os 3 anos, mas que pode surgir até cerca dos 5. Caracteriza-se por episódios breves e recorrentes de desequilí brio em que não há perda de conhecimento e não há factor desencadeante. A criança sente que vai cair, que tudo está a andar à roda e agarra-se aos pais ou deita-se e recusa-se a andar, pode chorar porque tem medo e se olharmos para os olhos, eles tremem. São de curta duração (cerca de 1 minuto) e a criança depois fica bem.

Perturbações do sono ou parasémnias, são situações como o bruxismo (contracção dos músculos da face e ranger dos dentes durante o sono profundo), o sonambulismo (em que a criança habitualmente em idade escolar, fala, senta-se ou deambula pela casa, não responde e de manhã não se recorda), os terrores nocturnos (na criança mais pequena, que 1-2 horas depois de adormecer grita, senta-se na cama muito assustada não reconhecendo os pais e não respondendo) e os pesadelos (em crianças um pouco mais velhas, na segunda metade da noite e que ao contrário dos terrores nocturnos, nas noites seguintes recorda-se e tem medo de adormecer) As parasémnias são muito frequentes e muitas vezes podem levar a dificuldades no diagnóstico por haver algumas epilepsias em que as crises também acontecem durante o sono. Estas perturbações do sono, são mais frequentes no sexo masculino, há muitas vezes história familiar, associados em alguns casos a períodos de maior excitação ou cansaço e ao contrário da epilepsia é frequente a coexistência ou aparecimento de vários tipos de acordo com a idade.

Criança distraí da é a que durante as suas actividades de rotina como por exemplo na escola, fica no mundo dela, parada, a olhar para a janela e alheia ao que a rodeia. Estas crianças não têm ausências (episódios com segundos de duração, característicos da epilepsia de ausências), mas estão mesmo ausentes durante longos minutos, provavelmente porque o tema não será suficientemente interessante para lhe captar a atenção.

Uma característica comum a todas estas crises paroxá sticas não epilépticas é que não há nenhum exame que nos dê o diagnóstico e por definição todos os exames (como por exemplo o electroencefalograma que se faz na suspeita de se tratar de uma epilepsia), são normais. O diagnóstico será tanto melhor quanto melhor for a recolha da história clí nica. Como vimos estas são situações com caracterí sticas muito próprias e que na maioria das vezes se for feita uma descrição exaustiva do que se passou, tentando recriar todo o ambiente, será fácil para o médico da criança fazer o diagnóstico. Todos os pormenores são importantes e podem evitar consequências como submeter a criança a uma série de exames, sujeitar a criança e a famí lia a um stress desnecessário e uma perda de tempo inútil. Convém ainda salientar que nalgumas situações de diagnóstico mais difícil, será importante aguardar a eventual repetição destas crises e se possível fazer um registo de ví­deo. No iní cio, os pais ou quem observa estas crises, pela ansiedade que estas podem causar, também poderão não estar nas melhores condições para as descrever ao médico por isso vale a pena manter a calma e aguardar. É sempre preferí vel atrasar o diagnóstico do que fazer o diagnóstico errado de epilepsia, não só pelo estigma associado ao rótulo epiléctico, mas também porque isso levará a criança a iniciar uma medicação desnecessária e da qual não irá retirar qualquer efeito benéfico.

Fonte:http://educaofsicaadaptadaeeducaoespecial.blogspot.com/2010/01/paralisia-cerebral-conheca-um-pouco.html

Moda sobre rodas

São Paulo, Estado que abre portas para grandes eventos de moda.

Caroline Marques e Pamela Suellen na passarela externa



O cenário, uma mistura urbana, composição da diversidade arquitetônica, público e estilo. Estamos falando do centro de SP. Essa foi à escolha da Casa dos Criadores para realização da terceira edição do Fashion Mob Brasil 2011, que aconteceu no domingo, dia 11 de dezembro. Na terra da caroá,  a chuva deu uma trégua abrindo um sol, quente e escaldante, para o maior desfile ao ar livre, uma passarela de 1,5 Km, começando na Praça do Patriarca com término no Boulevard São João.  O Objetivo era mostrar que a moda está ficando democrática, abrindo espaço para os mais diversos tipos de beleza, servindo como vitrine e mostrando a criatividade dos estilistas de todo o país. Revelando novos talentos da moda brasileira e também abrindo espaço para manifestação como o movimento “Homofobia – Fora de Moda”.  A música não pode faltar em um desfile Fashion, um trio elétrico puxou esse desfile por quase duas horas.
Algumas coleções se aproximavam muito das tendências apresentadas nas passarelas. Transparência, color blocking, high low e estampas étnicas também se fizeram presentes no Fashion Mob 2011.
O destaque ficou com a presença de duas modelos com deficiência da agência Kica de Castro Fotografias: Caroline Marques e Pamela Suellen. Mesmo sentadas em suas cadeiras de rodas o salto alto fez parte da composição do look. Mostrando todo o profissionalismo e provando que beleza e deficiência não são palavras opostas.
O conceito de moda inclusiva, roupas adaptadas para cada tipo de deficiência, foi pensado pela estilista e pesquisadora em moda para lesão medular, Cândida Cirino, que veio do Paraná, mostrar que a moda inclusiva também pode ser conceitual e presente nos desfiles Fashion. A composição do look foi uma pesquisa sobre o caminhar sobre rodas, justamente as rodas deram inspiração para o figurino que ganhou todos os olhares de quem estava presente no evento. A estampa floral deu um ar romântico às peças e o salto alto ficou com o apoio da Melissa, que aposta na diversidade e inclusão. A moda está ficando democrática, cabe a cada estilista apostar na diversidade nas passarelas. Trabalho como esse, precisa estar presente em todos os desfiles de moda. As rodas além de meio de locomoção também serviram de inspiração para moda conceitual dessa nova estilista em moda inclusiva.
Caroline Marques e Pamela Suellen minutos antes do desfile
Caroline Marques e Pamela Suellen minutos antes do desfile

Caroline Marques contraste urbano
Caroline Marques contraste urbano

Caroline Marques em pose para fotógrafos no centro de São Paulo
Caroline Marques em pose para fotógrafos no centro de São Paulo

INFORMAÇÃO -País tem apenas um médico para 31 mil deficientes mentais severos

De Brasília - Vinícius Tavares



Existe um pediatra infantil para cada grupo de 33.561 pessoas menores de 21 anos com transtornos mentais severos no Brasil. A constatação reconhecida pelo Ministério da Saúde foi tornada pública em caráter de denúncia pela Conselheira de Saúde e Diretora de Eventos do Movimento do Orgulho Autista Brasil, Maria Lúcia Gonçalves. Artista Plástica e avó de autista, ela participou de uma audiência pública na quinta-feira na Câmara dos Deputados para celebrar o Dia Internacional do Autismo, que foi comemorado no dia 2 de abril.


Maria Lúcia leu um manifesto no qual aponta uma série de deficiências no oferecimento de tratamento em saúde mental para os portadores de Transtorno de Desenvolvimento Global (TDG), também chamado de autismo. A militante enumerou uma série de demandas que deveriam ser atendidas pela administração pública e pela iniciativa privada. Segundo ela, existe um descompasso entre os recursos destinados pelo governo para a área de saúde mental e a procura por estes serviços por parte da população.

“Apenas 2% orçamento do SUS são destinados para a saúde mental enquanto que de 12 a 13% da população brasileira procura, pelo menos uma vez por ano, os serviços de saúde mental. Os números mostram que o assunto ainda não é uma prioridade para o Brasil”, revelou.

A palestrante defendeu treinamento para que médicos e psiquiatras possam identificar o autismo em bebês e oferecer melhor tratamento médico a psiquiátrico. Maria Lúcia lembrou que os portadores de TDG também adoecem de doenças comuns e que precisam de atendimento médico e de medicamentos de uso contínuo, não só de psiquiatras.

Maria Lúcia reivindicou a criação de projetos de saúde ocupacional para o fortalecimento dos grupos de apoio à família e ajuda econômica às famílias e benefício de renda. De acordo com a conselheira, a validação, pela rede pública, do diagnóstico por parte de psicólogos é fundamental para que haja uma melhoria na qualidade de vida das crianças portadoras de TDG. 

“Isto tudo custa dinheiro, senhores. Normalmente só de aceita diagnósticos feitos por psiquiatras e neurologistas. Mas os currículos dos cursos de psicologia já incluem o diagnóstico dos portadores. Isto deve ser considerado”, ponderou a conselheira.

O Dia Internacional do autismo foi instituído, há três anos, pela Organização das Nações Unidas (ONU) para coincidir com a sexta-feira da Paixão. Outra data que celebra o movimento será comemorada no dia 18 de junho, que marca o Dia do Orgulho Autista.


Fonte:http://educaofsicaadaptadaeeducaoespecial.blogspot.com/2010/04/informacao-pais-tem-apenas-um-medico.html

Doenças mentais podem desenvolver criatividade

“De génio e de louco todos temos um pouco”, diz o ditado popular. A verdade é que é rotina diagnosticar doenças mentais aos génios criativos que fizeram História.

Esquizofrenia e outras psicoses são as doenças mais citadas. Newton e Einstein são dois dos exemplos mais famosos. O nosso Fernando Pessoa também consta da lista e Vincent van Gogh e Virginia Woolf foram associados à desordem bipolar.

A loucura faz parte de muitas obras de arte e pode mesmo ajudar a desenvolver a criatividade.

Os psiquiatras olham para a saúde mental como um espectro − uma doença grave numa ponta e a normalidade na outra. Talvez aqueles que estão no meio possam ter tendências criativas mais desenvolvidas.

Cérebro lado a lado

A dominância do hemisfério direito ou esquerdo do cérebro pode ser uma pista. Há aliás uma parte da Psicologia que suspeita que existem “pessoas do lado direito” e “pessoas do lado esquerdo”. É certo que é aceite que o lado esquerdo está relacionado com a linguagem e análise lógica, enquanto o direito é está mais ligado ao pensamento criativo.

Vários métodos para o estudo desta teoria mostraram que as pessoas com esquizofrenia têm maior actividade do lado direito do cérebro.

Há ainda a evidência genética relacionada com a proteína chamada neuregulin1, envolvida no desenvolvimento do cérebro no útero.

Mutações genéticas

Jeremy Hall, da Universidade de Edimburgo, Reino Unido, descobriu que uma mutação no gene que codifica a proteína está relacionada com um maior risco de esquizofrenia.
No ano passado, Szabolcs Kéri, da Universidade de Semmelweis, na Hungria, chegou à conclusão de que as pessoas com duas cópias da mutação obtinham pontuações maiores num teste de criatividade do que as pessoas com apenas uma cópia.

O estudo, publicado na Psychological Science, averiguou ainda que os portadores de apenas uma mutação tinham pontuações mais elevadas do que as pessoas sem a mutação.

Kéri afirma que a mutação pode cortar a actividade no córtex pré-frontal do cérebro, atenuando o humor e as emoções.

Isto pode desenvolver a criatividade nuns e ilusões psicóticas noutros − com a inteligência a poder influenciar o resultado.

Contudo, Hall afirma que ainda há muito trabalho a desenvolver. "A evidência de uma ligação entre a criatividade e desordens mentais tem sido especulada há muito tempo, mas raramente foi provada."


Fonte: http://educaofsicaadaptadaeeducaoespecial.blogspot.com/2010/04/doencas-mentais-podem-desenvolver.html