sábado, 14 de janeiro de 2012

E você? Já teve seus dias de Dumbo?

Em seu texto, Adriana Lage comenta sobre o preconceito sofrido pelas pessoas com deficiência fazendo alusão ao clássico da Disney Dumbo.

Adriana Lage


Aproveitei um sábado chuvoso para rever o filme Dumbo. Sempre gostei da sua história. Não é à toa que seja um dos grandes clássicos da Disney. Quando criança, sempre me identificava com o elefantinho simpático, diferente dos demais, que vivia sendo ridicularizado por outras pessoas. Poucos o defendiam... Dumbo sempre me rendeu boas lágrimas! Comprei o DVD de comemoração dos 70 anos do clássico e dei de presente para minha irmã, cinéfila, dizendo que era um filme sobre meu ‘colega’. Querendo ou não, Dumbo é um dos poucos personagens infantis que apresenta alguma deficiência.

Não tenho como ver a ira da paquiderme Senhora Jumbo ao defender seu filho das gozações das outras pessoas e não me lembrar da minha mãe. Ela sempre foi uma leoa quando mexeram com sua filha por causa da deficiência. Nunca levou desaforo para casa. Com ela, aprendi a lutar, com unhas e dentes, pelos meus direitos. Acho que, na maioria das vezes, as mães de pessoas com deficiência são como a Senhora Jumbo. Hoje em dia, as coisas já melhoraram bem. Mesmo assim, o caminho ainda é longo! Muitas são obrigadas a criarem seus filhos sozinhas, já que os pais fogem logo que descobrem a deficiência. É preciso brigar por uma vaga na escola, por acessibilidade, dizer não e combater qualquer forma de discriminação, etc. As mães que conheço, inclusive a minha, parecem serem dotadas de uma força divina, capaz de suportar qualquer dor e injustiça, e se transformarem em leoas para defenderem suas crias...

Ao ver Dumbo ser ridicularizado em vários momentos, acabei me lembrando dos meus primeiros anos na escola. Não deixaram saudades nenhuma! Foram muito momentos de bullying: meus coleguinhas não queriam fazer trabalho comigo, levava chutes nas pernas e puxões de cabelo de alguns meninos (ainda bem que, na época, não existia o pedala Robinho), alguns ameaçavam me jogar no chão ou levantar minha saia, o menino de quem gostava só aceitou tirar retrato comigo depois que a professora o obrigou, ficava sozinha na sala enquanto meus colegas iam ao parquinho ou à piscina... Frequentemente, a professora me deixava esquecida no escuro do cineminha da escola ou na sala. Minha mãe conta que essa situação, desconhecida para ela até poucos anos atrás, era refletida em meus desenhos coloridos apenas com a cor roxa. Tive que me superar e aprender a me sobressair sendo uma das melhores alunas da escola. Só a partir daí, é que consegui deixar de ser o patinho feio da sala.

Tenho um primo que não possui os dedos das mãos e de um dos pés. Também passou por várias situações de preconceito. Rio demais quando ele relembra uma situação engraçada que passou numa fila de banco. Uma mulher não parava de olhar para ele. Já tinha feito todo um raio-x da figura. Não tirava os olhos das mãos sem dedos. Ele, já incomodado com o fato, tratou logo de mostrar que sua mão funcionava mesmo sem os dedos e deu aquela coçada horrorosa que muitos homens adoram fazer. A mulher perdeu a graça na mesma hora!

Assim como Dumbo, que se superou aprendendo a usar sua diferença a seu favor, tive que aprender a tirar o máximo do mínimo. Minha família sempre me fez acreditar no meu potencial. Sempre segui o lema: “Eu quero, eu posso, eu consigo”. Muitas pessoas com deficiência ainda precisam aprender que os limites impostos pela deficiência, muitas vezes, são mais mentais do que físicos, auditivos ou visuais. De pouquinho em pouquinho, sempre podemos subir mais um degrau. Com o passar do tempo e com as pauladas da vida, aprendemos a lidar com as críticas, as injustiças e os olhares atravessados / piedosos.

O clássico da Disney é um belo filme para dar visibilidade a temas como preconceito, bullying, superação, diversidade... servindo de exemplo não só para as crianças, mas para os adultos também. Serve de reflexão para pensarmos como nos comportamos frente a alguém com deficiência. Por exemplo, sempre fico chateada e invocada quando escuto piadinhas sobre anões e também quando alguém se refere a uma pessoa manca como “deixa que eu chuto”. Outra frase ruim: “sofreu mais que muleta em sovaco de aleijado”. O fato de possuirmos alguma deficiência, não nos torna aberrações da natureza nem seres especiais. A deficiência é apenas mais uma das nossas características. Somos seres humanos como qualquer outro, dotados de qualidades, defeitos, sonhos, força...

Fonte:Rede SACI Belo Horizonte-MG, 13/01/2012 - Imagem Internet

V Encontro Brasileiro de Síndrome de Williams “A força que vem do coração”

Dias 11 e 12 de fevereiro de 2012 em São Paulo

Divulgação

ABSW - Associação Brasileira de Síndrome de Williams-Beuren completa 10 anos de muita dedicação e amor ao próximo, lutando pelos Direitos das Pessoas com Deficiência Intelectual, divulgando informações sobre a SWB para melhorar a qualidade de vida das crianças, jovens e adultos, além de estimular a ampla difusão de avanços das pesquisas científicas e tratamentos de reabilitação e qualidade de vida e unir as famílias, profissionais e pessoas com a doença para trocarem experiências meio de diversos atendimentos e encontros; além da efetiva participação na elaboração de políticas públicas democráticas inclusivas.

Venham fazer parte dessa família e aprender muito com palestrantes renomados de grandes universidades! A programação está imperdível! Serão 10 salas com atividades simultâneas sobre: vários aspectos médicos, educação, legislação, atividades multidisciplinares, qualidade de vida, música e cultura e muito mais!

Também é possível se inscrever em um curso sobre educação inclusiva e elaborar um documento com propostas aos governos sobre as políticas públicas necessárias à inclusão de pessoas com SW.

Programação resumida: 
Compreendendo a Síndrome de Williams no Brasil (diagnóstico, aconselhamento genético, SUS e pesquisas); 

Aspectos médicos (cardiologia, ortopedia, problemas urinários, oftalmologia, otorrino, psicologia, neurologia entre outros); 

Reabilitação baseada na comunidade; 
Convenção Internacional da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; 
Benefício de Prestação Continuada – BPC.

Objetivo: esclarecer dúvidas dos pais e familiares, troca de experiências entre pesquisadores, difusão do conhecimento e comemoração dos 10 anos da associação.
Público-alvo: profissionais da área médica, reabilitação, direito, educacional, habitacional, transporte, social, e cultural, pesquisadores, estudantes, pais, familiares, pessoas com SW, jornalistas e demais interessados.

Local: ETEC – Escola Técnica Estadual do Estado de São Paulo do Parque da Juventude
AV. Cruzeiro do Sul, 2630 – Santana – São Paulo / SP - Informações sobre o local: http://www.etecparquedajuventude.com.br

Horário: das 8hs às 18hs
Programação completa no site da ABSW - Site: www.swbrasil.org.br 
Inscrições gratuitas com certificado de participação: E-mail: swbrasil@swbrasil.org.br 
Tel/fax: (11) 2305-2957 (Secretaria)

O que é a Síndrome de Wiliams Beuren?
A SWB é uma deficiência genética rara, não é congênita e nem tem causas ambientais ou influências de fatores psicossociais. Tem impacto sobre diversas áreas do desenvolvimento da pessoa, incluindo cognitiva, comportamental e motora, tanto em mulheres como homens, em qualquer lugar do mundo e grupo étnico.

O número de nascidos com essa condição, em diferentes estudos varia entre 1 em cada 10.000 a 1 em cada 25.000. Assim, de cada 10 a 25 mil bebês nascidos, 1 apresentaria a SWB. Na grande maioria das famílias a ocorrência é esporádica. No entanto, existem raros casos familiais descritos caracterizados como herança autossômica dominante (um dos progenitores tem a doença). Embora se trate de uma síndrome até então considerada rara por alguns estudiosos, já observamos inúmeros casos diagnosticados no Brasil. Existe tratamento clínico para as alterações oculares, cardiovasculares, renais e urinárias, além de reabilitação, fisioterapia, fonoaudiologia e estimulação psicomotora global. No entanto, ainda não há cura.

Devida às características desta doença multissistêmica (que acomete vários órgãos) associadas à presença de deficiência intelectual, muitos pais encontram dificuldades diversas em todos os setores da sociedade (saúde, educação, trabalho, lazer), seja, principalmente, no diagnóstico ou na orientação médica adequada, e que culminam em tratamentos muitas vezes incorretos, impedindo um melhor desenvolvimento dos pacientes.

O que é a ABSW – Associação Brasileira da Síndrome de Williams?
Criada em 2002, a Associação Brasileira de Síndrome de Williams é a única associação civil, sem fins lucrativos, de direito privado no Brasil, dedicada à qualidade de vida das pessoas com a síndrome. Foi fundada por Jô Nunes (atual presidente da associação), por inspiração de sua saudosa filha, Jéssica Nunes Herculano, jovem diagnosticada com a síndrome aos 7 anos, e primeira a realizar um transplante de coração no mundo.

Hoje a associação congrega de mais de 1.200 membros entre: familiares, crianças, jovens e adultos nos mais de 18 núcleos nos seguintes estados São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais, Goiás, Brasília, Manaus e Bahia. Só no Estado de São Paulo funcionam núcleos nas cidades de Campinas, Piracicaba, Osasco, ABCD Paulista, Baixada Santista e Sorocaba. A associação também tem grupos de atuação pela América Latina (no Chile e na Espanha) e entre outros países como Rússia, Canadá e Portugal.

Uma das principais metas da Associação Brasileira de Síndrome de Williams é levantar junto às instituições da área de saúde a identificação dos casos existentes no Brasil, diagnosticados ou com suspeitas.

Informações: Rua Engenheiro Andrade Júnior, 229 - Belém - São Paulo - SP – CEP: 03061-040 - Tel/fax: (11) 2305-2957

Fonte:Rede SACI São Paulo - SP, 12/01/2012

Deficientes visuais irão compor mesa de júri do carnaval de São Paulo

Da Redação por Adriana Sanches




Imagem: Reprodução
Os preparativos para o carnaval de São Paulo estão a todo vapor e as escolas de samba correm contra o tempo para deixar tudo em ordem até a noite dos desfiles. Quem também está em fase de preparação, são os jurados responsáveis por avaliar o desempenho das agremiações ao longo da avenida. Este ano, o grupo contará com um reforço pra lá de especial. Pessoas com deficiência visual irão avaliar o quesito bateria das 14 escolas que desfilarão nas noites de sexta (17) e sábado (18).


A iniciativa foi inspirada no projeto Carnaval Paulistano: Só Não Vê Quem Não Quer, que levou pessoas com deficiência visual para acompanhar de perto os ensaios, a concentração e os desfiles do Carnaval de 2011. A ideia deu tão certo que este ano, a União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp) em parceria com a São Paulo Turismo (SPTuris) criou o primeiro curso denominado “Jurado Deficiente”.


O projeto foi dividido em três etapas, onde na primeira, o grupo de deficientes visuais recebeu aulas teóricas de percussão. Na segunda, as aulas foram práticas. Na terceira, aprenderam técnicas para avaliação que serão usadas durante os desfiles. Ao final de cada fase, os alunos foram submetidos a uma avaliação.


A formatura da turma de novos jurados será neste domingo (15) com a última avaliação durante o ensaio técnico da escola de samba Tom Maior, no Sambódromo do Anhembi. Os participantes não pagaram nada para se tornarem especialistas em samba. Caio Carvalho, presidente da SPTuris disse que além de formar jurados com o senso auditivo mais apurado, o concurso promove a inclusão dos deficientes visuais à uma das festas mais populares do país “Mais do que aprimorar as avaliações das escolas de samba no Carnaval de São Paulo, essa ação busca tornar essa festa cada vez mais acessível” afirmou Carvalho.


O publico poderá conferir de perto o tanto o desempenho dos jurados especiais, como a evolução da Tom Maior gratuitamente, pois, os ensaios técnicos são abertos ao público de graça.


Serviço
Ensaio técnico da escola de samba Tom Maior
Data: 15 de janeiro
Horário: 17h30
Local: Sambódromo do Anhembi - Setor C
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209, Portão 31 (Acesso pela Rua Milton Rodrigues)

Sanduíche traz mensagem em braile feita com gergelim

A mensagem foi cuidadosamente colocada, grão por grão.



Uma rede de fast-food achou um método divertido e gentil de divulgar seus cardápios em braile. Eles resolveram colocar mensagens para os deficientes visuais em seus sanduíches.

A mensagem, que diz "100% de carne bovina, feito para você", em braile foi feita com grãos de gergelim, colocados um a um por uma pinça.

Foram produzidos quinze sanduiches, entregues a instituições para cegos da África do Sul. A reação das pessoas com a gentileza e cuidado da rede ao fazer os sanduiches é gratificante.

Confira no vídeo abaixo:
 

Fonte: http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2012/01/13/292059-sanduiche-traz-mensagem-em-braile-feita-com-gergelim

Carnaval do Rio de Janeiro: um show de acessibilidade

Em 2011, o Rio de Janeiro deu um show de acessibilidade ao incluir também a audiodescrição como mais um recurso para as pessoas com deficiência que compareceram ao desfile de carnaval da Passarela do Samba na Marquês de Sapucaí. Queremos repeteco em 2012, e queremos ver esta iniciativa sendo copiada por outras cidades.


Ative o vídeo no plug-in, ou assista clicando neste link acessível para usuários de programas leitores de telas.



Fonte: http://blogdaaudiodescricao.blogspot.com/2012/01/carnaval-do-rio-de-janeiro-um-show-de.html

Recusados atestados de incapacidade vitalícios a cegos

Recusados atestados de incapacidade vitalícios a cegos

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Há funcionários de centros de saúde que continuam a recusar atestados de incapacidade vitalícios a cegos e outros utentes com deficiência. Os documentos para obter isenção são negados quando têm mais de três anos, apesar das garantias do Ministério da Saúde de que são válidos à luz da nova lei.


Fonte: http://gritodemudanca.blogspot.com/2012/01/recusados-atestados-de-incapacidade.html

Vereador quer melhorar acesso em cemitérios


Preocupado com a acessibilidades de portadores de deficiências ou com mobilidade reduzida, o vereador Gilberto Alves (PTN) elaborou projeto de lei estabelecendo diretrizes de acessibilidade nos cemitérios públicos municipais. Ele exlica o acesso deve contemplar mecanismos de locomoção interna nos cemitérios de tal forma que atendam às limitações de pessoas com deficiência, problemas de saúde, idosos e obesos, através da disponibilização de veículos, preferencialmente elétricos, adequados para trafegar em pistas estreitas de forma autônoma em suas dependências.

O parlamentar justifica a proposta levando em conta que a  sociedade vive um momento de profunda reflexão sobre a necessidade de inclusão social de todos os seus cidadãos. “Não podemos mais conviver com injustas e injustificadas barreiras e limitações físicas impostas aos cidadãos mais frágeis. A tecnologia já tem soluções e cumpre a todos nós, como também ao Poder Público adotá-las”.

Gilberto Alves considera que uma das soluções mais recentes e que garante autonomia de locomoção, sem imposição de desgaste físico, é o veículo movido à eletricidade. Segundo ele, além da autonomia, estes veículos são ecologicamente corretos, contribuindo para um meio ambiente sustentável. ”Estes veículos já existem em pistas de golfe e em dependências das redes de televisão. Apesar de diversos órgãos municipais já estarem incorporando dispositivos de acessibilidade, os cemitérios públicos municipais ainda não foram contemplados”.

O vereador afirma que as pessoas que se dirigem aos cemitérios públicos municipais, o fazem em um momento de profunda dor, em geral, se encontram abaladas emocionalmente e, não raro, sofrem de males-súbitos ou têm sua saúde agravada. “Nesses momentos é de fundamental importância a disponibilidade de meios que lhes permitam acompanhar de forma digna e autônomoa o funeral de seus entes queridos, considerando os fatores restritivos como idade, obesidade, deficiência e problemas de sáude”. O projeto está tramitando na comissões temáticas da Câmara do Recife.

Israelenses criam luvas que transformam linguagens de sinais em mensagens de texto

Texting Glove utiliza um controle Arduino e um software desenvolvido para aparelhos Android.
Por Fernanda Morales




A tecnologia vem aprimorando cada dia mais novos mecanismos para tornar a vida de pessoas com deficiências físicas mais simples e acessível. E desta vez, um grupo de pesquisadores israelenses desenvolveram uma luva capaz de transformar a linguagem de sinais, utilizada por pessoas com deficiência auditiva, em mensagens de texto, a Texting Glove.
   Desenvolvida por Oleg Imanilov, Tomer Daniel e Zvika Markfield, a Texting Glove foi apresentada pela primeira vez durante o evento anual de desenvolvedores da Google em Tel Aviv, Israel.
   De acordo com o Fashioning Tech, a luva foi desenvolvida utilizando um controle Arduino Lilypad, sensores de mobilidade nos dedos, um acelerômetro, um giroscópio e uma placa ADK (Android Open Acessory Development Kit).
   Depois de conectada a um smartphone com sistema operacional Android, os sinais são transmitidos para o aparelho celular, que utiliza um software exclusivo para traduzir os gestos para uma mensagem de texto.
   A Texting Glove precisa de calibração e treinamento de tempos em tempos e o mais interessante, segundo o Ubergizmo, é que o usuário não precisará soletrar as palavras, o sistema poderá acompanhar com rapidez todas as palavras e frases que forem ditas.
   Um vídeo produzido pelos criadores mostra a Texting Glove em ação e pode ser conferido no Vimeo pelo atalho vimeo.com/32568637.

**** Observação - O termo correto é Lingua de Sinais

Câmara rejeita pagamento do BPC a mais de um deficiente ou idoso por família


A legislação exige estimativa do impacto financeiro da medida, o que não está previsto no projeto. A Comissão de Finanças e Tributação rejeitou o Projeto de Lei 6818/10 , do ex-senador Flávio Arns, que permite que duas ou mais pessoas com deficiência na mesma família recebam o Benefício de Prestação Continuada (BPC-LoasBenefício no valor de um salário mínimo e pago mensalmente a pessoas idosas de 65 anos ou mais e portadores de deficiência incapacitados para a vida independente e para o trabalho. Em ambos os casos, os beneficiados devem pertencer a famílias com renda por pessoa inferior a 1/4 do salário mínimo. ) previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742/93 ). O projeto será arquivado, a menos que haja requerimento de 52 deputados para votação em Plenário.
O relator na comissão, deputado Pepe Vargas (PT-RS), avaliou apenas a adequação financeira da proposta e defendeu sua rejeição. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/00 ) exigem estimativas do impacto orçamentário e financeiro, assim como a indicação de fonte de recurso correspondente no nascedouro da despesa, lembrou o deputado do Rio Grande do Sul. Considerando que nenhuma das exigências foram cumpridas pelo projeto, não temos alternativa senão a de considerá-lo inadequado e incompatível quanto ao aspecto orçamentário e financeiro, concluiu.
Íntegra da proposta: PL-6818/2010
O mais interessante é que as pessoas com renda familiar de 1/4 de salário mínimo por pessoa, podem viver com mais 1 salário apenas. Enquanto os deputados e senadores sangram o dinheiro público com seus altos salários e benefícios, sem contar a corrupção e lobbys do meio.

Deficientes poderão tirar carteira de habilitação profissional para atividade remunerada


A Justiça Federal de São Paulo determinou que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) permita a habilitação de pessoas com deficiência para as categorias profissionais (“C”, “D” e “E”).
Em novembro de 2007, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão moveu ação civil pública contra o Contran, devido à inconstitucionalidade da Resolução nº51/98. Em um dos itens da resolução, constava que “ao condutor de veículos adaptados será vedada a atividade remunerada”, o que, para o MPF, violava os direitos das pessoas com deficiência, especialmente o direito ao trabalho.
A decisão da Justiça confirma a liminar obtida em dezembro de 2007, que ordenou que o Contran publicasse uma nova resolução para possibilitar o exercício da profissão de motorista por pessoas com deficiência que necessitassem de veículos adaptados.
Após a concessão da liminar, em 2008 o Contran editou a Resolução nº 267, passando a regulamentar o exame de aptidão física e mental e a avaliação psicológica também às pessoas portadoras de deficiência. ( http://www.denatran.gov.br/resolucoes.htm)

Aparências diferentes? Talentos também

Na escola inclusiva, a identidade se constrói com a valorização das qualidades de cada um dos estudantes.

Meire Cavalcante - novaescola@atleitor.com.br

Turma de EJA e a professora Rosângela (de óculos, no centro):aprendendo a gostar de si. 
Foto: Tamires Kopp
Trabalhar o tema identidade em uma turma de inclusão pode ser, à primeira vista, uma tarefa árdua. Como contribuir para que alunos que muitas vezes se sentem diferentes e que têm a auto-estima fragilizada por causa de suas limitações se valorizem? A solução para o problema é mais simples do que você pensa: identificar e exaltar as capacidades de cada um, em vez de colocar em primeiro plano as possíveis limitações. A prática é indicada para turmas de qualquer idade ou série. 

Adotar uma postura positiva e incentivar o desenvolvimento das habilidades dos estudantes são passos importantes para que eles comecem a se conhecer e perceber o que têm de bom. "O professor deve apostar no aluno, e para isso é necessário conhecê-lo bem", afirma a psicóloga e educadora Josca Baroukh, de São Paulo. Josca recomenda que os professores ouçam as crianças e os jovens e sejam sensíveis para identificar limites e possibilidades. Assim, de acordo com ela, eles adquirem condições para desafiar os estudantes — no que é possível a cada um — a progredir. 

A sociedade brasileira ainda engatinha no que se refere à inclusão. Devido à falta de informação e ao preconceito, todos os envolvidos passam por dificuldades. O deficiente sente-se excluído porque o tratam como incapaz. Os pais, por sua vez, infantilizam ou superprotegem os filhos. E o professor que recebe um aluno com esse histórico teme fracassar na tentativa de integrá-lo à sociedade, principalmente se não tiver orientação sistematizada. 

Deficiente e bem-sucedido 


Para fortalecer a identidade de crianças e adolescentes, em especial os deficientes, é necessário olhá-los sem benevolência. "Às vezes, o professor, sem querer, estereotipa o estudante e o trata com pena. Isso desanima", afirma Josca. "Uma boa dica é mostrar pessoas que conviveram com algum tipo de deficiência e foram bem sucedidas", sugere Raquel Namo Cury, assessora pedagógica do Instituto Superior de Educação do Centro Universitário Hermínio Ometto (Uniararas), de Araras (SP).

Você pode solicitar pesquisas sobre grandes personalidades que não limitaram sua vida por causa de uma deficiência. E exemplos não faltam: Beethoven compôs a Nona Sinfonia quando estava completamente surdo. O físico britânico Stephen Hawking, um dos mais brilhantes do mundo, usa um conversor de fala para se comunicar e apenas um dedo para escrever livros e registrar suas fórmulas. A cegueira não impediu o sucesso dos músicos Steve Wonder e Ray Charles, assim como o fato de se locomover em cadeira de rodas não é empecilho para muitos jovens seguirem a carreira esportiva. "Quando esse tema é abordado de forma positiva, o aluno se descobre pelo acréscimo e não pelo déficit", complementa Raquel.

Todos têm qualidades

A professora de Educação de Jovens e Adultos (EJA) Rosângela Sartoretto, da Escola Estadual de Ensino Fundamental Cândida Fortes Brandão, em Cachoeira do Sul (RS) tem uma turma de 18 estudantes — sendo dois com deficiência mental, um com deficiência auditiva e dois com baixa visão. "Proponho peças de teatro em que cada um dramatiza algo importante do seu cotidiano", conta. A professora desenvolve também atividades nas quais cada um se reconhece como participante de um grupo, outro bom caminho para trabalhar a identidade.

Projetos que levem o aluno a valorizar suas potencialidades e a se sentir parte de um todo são indicados pela psicóloga Josca Baroukh. "Ao estudar os costumes de um povo, por exemplo, crianças e jovens comparam seus hábitos e percebem como eles próprios vivem em sociedade, seja a sala de aula, a cidade ou o país", explica.

A professora Rosângela faz questão ainda de mostrar a contribuição dos estudantes para o grupo por meio dos atributos pessoais. Papel sulfite e caneta são os únicos materiais necessários para a dinâmica proposta por ela. Em cada folha é escrito o nome de um aluno e os papéis passam de mão em mão. A tarefa é escrever alguma característica positiva sobre o colega. "É comum os estudantes ficarem emocionados e espantados ao saber o que os amigos vêem de bom em sua personalidade. Dessa forma começam a se desinibir e a gostar mais de si", afirma.

Para Mara Lúcia Madrid Sartoretto, diretora do Centro de Apoio da Associação dos Familiares e Amigos do Down (AFAD), no Rio Grande do Sul, dinâmicas desse tipo são essenciais em turmas de inclusão na EJA. "Esses alunos, além de conviver com a deficiência, chegam a essa modalidade de ensino em virtude do fracasso na vida escolar. Por terem uma baixa auto-estima, o trabalho de identidade é duplamente importante."

Tendo isso em vista, coloque em evidência o que seu aluno tem de bom. Alguém na sala não enxerga? Eis uma limitação. Mas o que ele sabe fazer com competência? Ele canta ou se socializa bem? Todos têm limitações e capacidades, e é papel da escola ensinar e praticar o respeito às diferenças, dando oportunidades a crianças, jovens e adultos de reconhecer seus limites e os dos colegas. E, acima de tudo, destacar o que há de bom em si e nos outros.
Toda classe é inclusiva
A Educação Especial foi tradicionalmente concebida como destinada a atender o deficiente mental, visual, auditivo, físico e motor, além daqueles que apresentam condutas típicas de síndromes e quadros psicológicos, neurológicos e psiquiátricos. Também estariam inseridos nessa modalidade de ensino os alunos que possuem altas habilidades e superdotação.

Em uma nova abordagem, que tem por meta a inclusão, a Educação Especial atende a uma variedade de casos bem maior. Não estão envolvidos nela apenas os estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem relacionadas a condições, disfunções, limitações e deficiências. Dessa forma, precisam ser incluídos também aqueles que têm, por exemplo, dislexia, problemas de atenção ou emocionais, de memória e também os devidos a fatores socioeconômicos.

Nesse caso, estariam as crianças que sofrem com a desnutrição. Olhando desse modo, pode-se dizer que toda sala de aula, por um motivo ou outro, é local de inclusão. "Ser gordo ou muito magro, agressivo, negro, superdotado, pobre ou rico, ter déficit de atenção ou diabetes e usar óculos muitas vezes torna um aluno alvo de exclusão, preconceito e piadinhas", cita a psicóloga Josca Baroukh. "Por isso, todos os professores, sem exceção, precisam praticar o respeito e a tolerância, que só nascem quando se entende que o normal é ser diferente", ensina.
Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/aparencias-diferentes-talentos-tambem-424489.shtml

Exposição do Memorial da Inclusão no TRT de São Paulo

De 9/01 a 30/01, a exposição reúne informações relacionadas a um dos períodos mais importantes da história sócio-cultural e política do movimento de luta das pessoas com deficiência.


Memorial da Inclusão - os caminhos da pessoa com deficiênciaSite externo. será exposto no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa do Tribunal Regional do Trabalho - TRT de São Paulo, a partir de segunda-feira, dia 9/01/2012.

A exposição reúne informações relacionadas a um dos períodos mais importantes da história sócio-cultural e política do movimento de luta das pessoas com deficiência, que ocorreu no início dos anos 80.

O Memorial da Inclusão é mantido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com DeficiênciaSite externo. em 4 versões: duas itinerantes (grande - versão ampliada - para espaço de até 120m e pequena - versão reduzida - 30m), uma física (na sede da Secretaria) e uma virtual, cujo acesso é pelo site:http://www.memorialdainclusao.sp.gov.br/br/home/index.shtmlSite externo.

A Versão itinerante foi criada para levar à sociedade, em ambientes públicos ou coletivos, a exposição sobre a história de luta das pessoas com deficiência.

SERVIÇO
Fórum Trabalhista Ruy Barbosa do TRT de São Paulo.
Local: Praça da Justiça - Av. Marquês de São Vicente, 235 - Barra Funda
Período: 9/01 a 30/01/2012
Horário: 8h00 às 19h00

O Memorial ficará exposto no Fórum Trabalhista de segunda a sexta-feira.
Para Informações e agendamento para exposição de instituições: (11) 5212.3727 ou email: memorial.sedpcd@sp.gov.br

Fonte: http://pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/Site externo. - http://vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=4550&/exposicao_do_memorial_da_inclusao_no_trt_de_sao_paulo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O impasse da inclusão

Mudança na meta 4 do Plano Nacional de Educação e revogação de decreto de educação inclusiva reacendem debate sobre políticas para alunos com necessidades especiais.

Camila Ploennes



Na última década, o país registrou uma evolução significativa na política de inclusão das crianças com deficiência em escolas de ensino regular. Entre 1998 e 2010, o aumento no número de alunos especiais matriculados em escolas comuns foi de 1.000%. Em 1998, dos 337,3 mil alunos contabilizados em educação especial, apenas 43,9 mil (ou 13%) estavam matriculados em escolas regulares ou classes comuns. Em 2010, dos 702,6 mil estudantes na mesma condição, 484,3 mil (ou 69%) frequentavam a escola regular. Em contrapartida, o percentual de estudantes matriculados em escolas especializadas e classes especiais caiu no período. Se, em 1998, 87% (o equivalente a 293,4 mil) se enquadravam nesse perfil, a taxa foi reduzida a 31% (o que corresponde a 218,2 mil) do universo total de 2010.
Os números ajudam a entender o efeito causado pelos anúncios feitos pelo governo federal e pelo Congresso Nacional no final de 2011. Em primeiro lugar, o lançamento, em 17 de novembro, do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - o "Viver sem limites". O pacote do programa trouxe, em meio a uma série de medidas, a notícia da revogação do decreto 6.571, assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2008 e considerado por muitos um avanço para o debate sobre educação inclusiva, porque concedia o caráter de complementar ao atendimento feito por escolas e classes especiais, como as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes).

A outra bomba na discussão foi lançada com a leitura do relatório do Plano Nacional de Educação (PNE) 2011-2020, que aconteceu em dezembro na Câmara dos Deputados. A meta número 4, que antes se pautava somente pela inclusão, agora abre a possibilidade para o atendimento apenas em classes, escolas ou serviços públicos comunitários a alunos para os quais não seja possível a integração em escolas regulares.

Além de deixar muitas perguntas no ar, as duas notícias reacendem questões antigas sobre a política de educação inclusiva no país, e incitam, mais uma vez, a "briga" entre os dois grupos envolvidos no debate: aqueles que defendem a matrícula na escola regular como um direito fundamental, e os que apontam a falta de infraestrutura das escolas públicas, que seriam incapazes de atender alunos com necessidades especiais. Desta vez, o processo conta com um agravante: a falta de precisão tanto do decreto 7.611, assinado pela presidente Dilma Rousseff para substituir o 6.571, como do texto do PNE.

Histórico
Em 2007, após o país ter sido signatário da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, em Nova York, o então presidente Lula assinou o decreto 6.253, que regulamentou alguns dispositivos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Entre outras medidas, o texto instituiu e definiu o Atendimento Educacional Especializado (AEE) como um conjunto de atividades, recursos pedagógicos e de acessibilidade prestados de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular. Além disso, a legislação introduziu o dispositivo do duplo repasse de verba no âmbito do Fundeb. Na prática, os estudantes que recebessem o AEE em escolas ou instituições especializadas e estivessem matriculados em escolas regulares seriam contabilizados duas vezes.
Já o decreto 6.571, de 2008, acrescentou um dispositivo à legislação anterior: o AEE poderia ser oferecido pelos sistemas públicos de ensino ou pelas instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial, conveniadas com o poder público. Por último, o polêmico decreto 7.611. Se o artigo 4º afirma que o poder público estimulará o acesso ao AEE de forma complementar ou suplementar ao ensino regular, assegurando a dupla matrícula, o parágrafo 1º do artigo 14 diz que serão consideradas, para a educação especial, tanto as matrículas na rede regular de ensino como nas escolas especiais ou especializadas.

O debate fica ainda mais confuso quando o objeto de análise é a versão preliminar do PNE, na qual a ambiguidade da meta 4 é mais evidente: "universalizar, para a população de quatro a 17 anos, o atendimento escolar aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente, na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível sua integração nas classes comuns". A primeira versão do projeto de lei focava apenas na expansão do atendimento escolar: "universalizar, para a população de quatro a dezessete anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino".

Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o novo texto é resultado da pressa do deputado e relator do PNE Ângelo Vanhoni (PT) em aprovar o plano ainda em 2011. "Depois do decreto, o PSDB se mobilizou para mudar a estratégia de educação inclusiva. O próprio Vanhoni não concorda com a redação da forma que está", conta. Cara afirma que a Campanha propôs ao relator que a meta 4 seja baseada no decreto 7.611. "O decreto é ruim, mas o texto do PNE é pior. Ele prioriza a educação exclusiva, o atendimento especializado como escola, o que é inconstitucional", diz. De fato, diante da evolução das políticas de inclusão no país ao longo dos últimos anos, fica a pergunta: estariam em jogo alterações do ponto de vista da garantia de acesso à educação? Qual, afinal, é a política brasileira para as crianças com necessidades especiais?

Divergências
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Educação (MEC), não houve mudanças na política de inclusão do governo federal - o decreto de 2008 teria sido revogado "apenas por uma questão de técnica legislativa", devido às alterações do texto no que diz respeito a "objetivas e diretrizes da educação especial". Sobre a mudança introduzida no relatório do PNE, o MEC reafirma que sua política "é inclusiva e se fundamenta na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, que estabelece o direito a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis".
Para Salomão Ximenes, advogado, mestre em educação e coordenador da ONG Ação Educativa, a certeza não é tanta. "É difícil entender o que o decreto 7.611 significa realmente. Ele retoma o atendimento exclusivo em instituições especializadas, mas é muito mais forte no sentido simbólico do que do ponto de vista das consequências", acredita. Isso porque "o texto não aponta mudanças no sistema de dupla matrícula", ressalta (leia texto sobre a questão abaixo). Ximenes também defende que o decreto reafirma a política de dubiedade do governo Lula, que promove a ideia de inclusão e ao mesmo tempo mantém uma porta aberta para o atendimento exclusivo. "Isso se deve à pressão desse setor histórico no campo da assistência às pessoas com deficiência, que tem uma ascendência política forte, inclusive no Congresso", justifica.

O presidente da Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), Eduardo Barbosa, que também é deputado federal (PSDB), admite que o processo condutor à assinatura do novo decreto contou com a interlocução direta da entidade junto ao governo federal. "Todas as federações se sentiram contempladas e inclusive estiveram presentes na solenidade de assinatura do Decreto", enfatizou.

Por outro lado, Claudia Grabois, membro da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ) da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), critica a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que conduziram o acerto para a nova legislação. "Houve uma reunião apenas com as entidades filantrópicas que defendem a escola especial. Ninguém ouviu o movimento inclusivo. Jamais pensamos que o governo brasileiro pudesse ceder a esse tipo de pressão política, na contramão do que o MEC fez até agora", opina. Já Barbosa defende que o decreto não deixa de lado a inclusão das pessoas com deficiência, mas "garante o direito de escolherem qual o melhor modelo para sua educação".

Para Cláudia, ao reconhecer as instituições conveniadas como escolas,o decreto fere a Constituição Federal e a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. "Voltam questões como a triagem de quem pode e quem não pode estar na escola comum, enquanto, na verdade, a educação é um direito inalienável, ou seja, não se pode dispor dele", argumenta. A advogada lembra que muitas escolas ainda hoje chegam a negar matrículas alegando falta de preparo ou estrutura.

Segundo ela, o texto do PNE, que atrela a oferta do atendimento especializado ao "diagnóstico" da necessidade do aluno, retoma um modelo clínico da educação para pessoas com necessidades especiais, o que pode agravar essa realidade. "Com o retrocesso para o paradigma da medicalização, as desculpas para não ter as crianças com deficiência nas salas de aula da rede regular devem aumentar, uma vez que para alguns pareça mais barato direcioná-las a escolas especiais do que aplicar o direito e colocar todos os aparatos necessários na escola comum." Essa não é a única crítica feita pela advogada, para quem "todos foram pegos de surpresa" com a mudança da meta número 4. "O texto faz parte de uma articulação política que defende os interesses de alguns e responsabiliza a pessoa com deficiência", afirma, fazendo referência à expressão "sempre que não for possível sua integração nas classes comuns".

A prática em paralelo
A discussão, cujo pano de fundo é a viabilidade da integração dos alunos com deficiência em salas de aula regulares, não para por aí. Apesar do esforço das redes de ensino nos últimos anos, no sentido de executar a política inclusiva, as escolas especiais nunca deixaram de existir. "O Ministério da Educação não tem como impor e fiscalizar a inclusão, mas mesmo com dificuldades os municípios vinham tentando se adequar à Constituição, à Convenção e às diretrizes do MEC", relata Claudia Grabois. "Com uma política nacional norteando, todo o esforço era feito no sentido de garantir a educação para todos", completa.
Visão diferente tem Maria Elisa Granchi Fonseca, psicóloga, mestre em educação especial pela Universidade Federal de São Carlos (UFScar) e coordenadora do Centro de Estudos e Desenvolvimento do Autismo e Patologias Associadas (Cedap) da Apae de Pirassununga, em São Paulo. Ela acredita que a escola especial tem mais benefícios a oferecer para um grupo de pessoas com deficiências severas do que o ensino regular. "Existem comportamentos que concorrem com a aprendizagem, casos mais graves. E o apoio de que essas pessoas precisam vai além do que a escola comum e seu currículo parecem poder oferecer agora. Nessa perspectiva, a escola especial tem seu lugar", afirma.

Há 20 anos na Apae, trabalhando com pessoas portadoras de autismo e transtornos globais do desenvolvimento, Maria Elisa conta que muitos dos pais que a procuraram no início de sua carreira, em 1989, não sabiam o que era essa disfunção e acreditavam que os filhos sequer deveriam frequentar a escola. "Eles chegavam à escola especial com meninos que já eram adolescentes e estavam em casa. Alguns deles continuam aqui comigo, já na faixa etária de 40 anos. São os que começaram aqui quando já eram adolescentes", lembra.

Segundo a psicóloga, ainda hoje existem Apaes e outras escolas especiais que não recebem autistas por avaliarem não ter profissionais preparados e estrutura. "Há muitas crianças fora até do ensino especial. Vemos, sim, que há um grupo muito grande que vai se beneficiar com o ensino comum, mas por outro lado há esses que precisam melhorar algumas coisas antes da escolarização mais formal", analisa. Ela conta que, à luz do novo decreto, todos os pais de seus alunos resolveram manter os filhos somente na escola especial da Apae em 2012. Claudia Gabrois lembra que as escolas especiais fazem com que a "força em relação à matrícula" seja perdida. "Muitas famílias desconhecem que os filhos deficientes têm direito de estar em classes comuns de escolas regulares", contrapõe.

Coexistência

"O impasse sobre o modelo de inclusão começou por culpa da própria escola especial", reconhece Maria Elisa. Para ela, ao longo da história, as escolas especiais pouco se preocuparam em ser realmente instituições de ensino. Segundo a psicóloga, as Apaes denominavam-se escolas, mas não tinham estrutura, nem regulamentação na Secretaria da Educação. "Em casos assim, a criança não aparece em registro algum como aluno de fato e de direito. Ela passa a ser vista apenas pela saúde. Nesse ponto, sou completamente a favor desse grupo que reforça que ninguém pode ficar fora da escola, porque ainda existem instituições especiais que não são escolas. São hospitais", admite.

Para o psicopedagogo Antônio Eugênio Cunha, autor de Autismo e inclusão - psicopedagogia e práticas educativas na escola e na família, e professor da Universidade Federal Fluminense, o ensino regular e o ensino especial podem coexistir. Ele avalia que a escola regular se torna inclusiva quando prepara o aluno para seu espaço pedagógico e para a sociedade. E, por sua vez, a escola especial também se torna inclusiva quando prepara o aluno para a escola regular e para a sociedade. "As demandas da educação na contemporaneidade só admitem um tipo de ensino: o ensino inclusivo, que pode acontecer na rede regular ou especial. As necessidades do aluno dirão se é mais adequado estudar numa escola regular ou especial ou nas duas, mas sempre com o objetivo da inclusão", define.

A questão da dupla matrícula
Entenda como fica o repasse de verba para a educação especial

Um aspecto que deixa dúvida no texto do decreto 7.611 está relacionado à questão da dupla matrícula. O artigo 14 do decreto 6.253 de 2007, que regulamenta o Fundeb, foi transcrito de forma integral naquele aprovado em 2011, e a reprodução do texto acabou despertando dúvidas sobre o que aconteceria com a distribuição dos recursos na educação especial. De acordo com o Ministério da Educação, não houve mudanças nesse sentido. E, segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o valor computado da dupla matrícula por aluno da educação especial é repassado às secretarias de educação de cada estado, que são responsáveis por repartir o dinheiro entre as escolas de Educação Básica e as instituições conveniadas.

O esclarecimento do MEC foi feito à reportagem por meio de nota da assessoria de imprensa. No texto, consta que se o estudante cursa a educação especial em uma escola regular da rede pública e recebe o Atendimento Educacional Especializado (AEE) na mesma escola, essa escola recebe o recurso do Fundeb (relativo àquele aluno) duas vezes. No caso de o estudante cursar a educação especial em escola regular da rede pública e receber o AEE em outra instituição do sistema público de ensino, ou em instituição comunitária, confessional ou filantrópica sem fim lucrativo, com atuação exclusiva na educação especial, conveniada com o poder público, a escola regular pública recebe uma vez por esse estudante e a instituição que oferta o AEE recebe também, pelo mesmo estudante. E, por último, se o aluno estuda apenas em instituição do sistema público de ensino, ou em instituição comunitária, confessional ou filantrópica sem fim lucrativo, com atuação exclusiva na educação especial, essa instituição recebe apenas uma vez.


Fonte: Revista Educação - 12/01/2012 - Imagem Internet