sábado, 21 de janeiro de 2012

Seminário Internacional sobre a Implementação do World Report on Disability – 23 e 25/2 – SP

Por Equipe Inclusive


Foto fora de foco de menina com síndrome de Down - logostipos da OMS e do Banco Mundial - DESATIVANDO BARREIRAS: QUEBRAR PARA INCLUIR - Todas as crianças têm direito à educação. Políticas claras sobre a inclusão de crianças com deficiência na educação, escolas acessíveis, professores treinados adequadamente, apoio especializado individual para alunos e o envolvimento das famílias e das comunidades vão ajudar a melhorar a educação de crianças com deficiência.
Foto fora de foco de menina com síndrome de Down - logostipos da OMS e do Banco Mundial - DESATIVANDO BARREIRAS: QUEBRAR PARA INCLUIR - Todas as crianças têm direito à educação. Políticas claras sobre a inclusão de crianças com deficiência na educação, escolas acessíveis, professores treinados adequadamente, apoio especializado individual para alunos e o envolvimento das famílias e das comunidades vão ajudar a melhorar a educação de crianças com deficiência.
Será realizado entre 23 e 25 de fevereiro de 2012, em São Paulo, Brasil. Marcará o lançamento da versão em Língua Portuguesa do Relatório Mundial sobre Deficiência
No lançamento do Relatório na ONU, em 2011, foi anunciada a quantidade de 1 bilhão de pessoas com deficiência no mundo.

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo convida para o “Seminário Internacional sobre a Implementação do World Report on Disability”, iniciativa da Secretaria em parceria com a Organização Mundial da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde, o Banco Mundial, a Parceria Global para Deficiência e Desenvolvimento, a Sociedade Internacional de Medicina Física e Reabilitação, a Rede Latino-Americana de Organizações Não-Governamentais de Pessoas com Deficiência e suas Famílias, a Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação e a Rede de Reabilitação Lucy Montoro.

“Seminário Internacional sobre a Implementação do World Report on Disability” será realizado entre 23 e 25 de fevereiro de 2012, em São Paulo, Brasil. Marcará o lançamento da versão em Língua Portuguesa do World Report on Disability – Relatório Mundial sobre Deficiência, e terá uma enorme importância para a sociedade internacional, pois permitirá a discussão de assuntos relevantes para o desenvolvimento de estratégias de implementação do Relatório, dentre eles a habitação, a educação, o emprego, a saúde, ambientes acessíveis e facilitadores.

O objetivo do Seminário é identificar os desafios à implementação das práticas recomendadas pelo Relatório no sentido da promoção de oportunidades iguais para pessoas com e sem deficiência, conforme estabelece a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas.

Com este objetivo, o Seminário contará com a presença de representantes das instituições parceiras e especialistas convidados, para que sejam apresentadas novas diretrizes de abrangência internacional, visando ao enfrentamento dos desafios que ainda impedem a garantia de igualdade de direitos para as pessoas com deficiência em todas as áreas, mas com especial destaque para a saúde e a reabilitação.

Para Programação, inscrições e outras informações acesse:
http://www.sedpcd.sp.gov.br/seminario-worldreportondisability/


Fonte: http://www.inclusive.org.br/?p=21915

O uso de rotinas com fotografias de atividades para promover a independência em crianças com autismo e outras deficiências de desenvolvimento

Relato de Marie Schenk sobre a palestra de Thomas S Higbee no "São Paulo School for Advanced Science - Advances in Research and Treatment of Autistic Behavior"


Marie Schenk

Muitas pessoas com autismo e síndromes relacionadas têm dificuldade em escolher, se manter ou mudar de atividade em um momento de escolha livre como no recesso escolar ou em casa. 

Muitos deles não conseguem interagir com materiais ou brinquedos de forma apropriada ou talvez fiquem na mesma atividade por um período muito longo de tempo.

O uso de rotinas para atividades tem se mostrado eficiente para as transições independentes de uma atividade para outra.

O objetivo primário em ensinar o uso da rotina de atividades é tirar a dependência e controle de um adulto dizendo ou lembrando a pessoa com autismo do que ela deve fazer como atividade seguinte implementando esta ferramenta que promove a independência nesse comportamento. Um outro objetivo que pode ser introduzido com esta ferramenta é colocar na rotina iniciar uma interação social, determinada e já ensinada.

As atividades escolhidas para ensinar o uso desta rotina devem ser atividades que tenham começo e fim definidos, que a pessoa já saiba performar. Depois de estabelecido o uso constante e independente desta ferramenta, o uso da rotina de atividades, novas atividades podem ser incluídas.

Como montar e ensinar o uso da rotina de atividades: 
Começar com cinco atividades, lembrando que devem ter começo e fim bem determinados e a última atividade deve ser a mais prazerosa, a mais reforçadora.

-Com o uso de uma pasta, colocar foto (ou figura) que representa a atividade e, no começo, guiar a pessoa a buscar o material necessário para executar a atividade, executá-la e depois guardar o material, checar a rotina virando a página para a próxima atividade repetindo o procedimento.

Para fazer a indução de acerto, se necessário, sempre usar assistência física, por trás. Este tipo de indução de acerto é a mais fácil de eliminar. Não fale ou dê comandos à pessoa, repetir instruções é a indução de acerto mais difícil de ser eliminada, e particularmente para esta ferramenta que visa a independência fica contraproducente. 

É aconselhável que a ordem das atividades seja alterada na rotina porque existe a tendência desta população em decorar a rotina, e o objetivo é ensinar o uso da rotina visual e não a memorização de uma sequência de atividades.

-Não reforce com prêmios sociais durante o processo do uso da rotina visual, nem entre as atividades; pois o objetivo é a independência no uso da rotina. Se for necessário premiar a pessoa para que ela siga na corrente de atividades, faça com algo tangível e consumivel (como um pedacinho de biscoito) e entregue por trás da pessoa.

-Caso seja necessário corrigir ou redirecionar a pessoa durante este procedimento, utilize a técnica de correção de sequência, que é voltar um passo na sequência e retomar com o nível de indução de acerto necessário para voltar a completar a sequência. Por exemplo, se a pessoa não guardou o
material da atividade anterior e foi buscar o material da próxima atividade, redirecione induzindo que se repita a última ação antes de finalizar a tarefa anterior (a que o material não foi guardado) e daí faça a indução para que este material seja guardado e então a sequência da rotina pode ser continuada.

Esta ferramenta também pode ser utilizada com atividades que requerem número de vezes ou um tempo determinado; para isso, é necessário que se ensine estes procedimentos antes.

Esta rotina de atividades pode ser em conjunto com outra pessoa, com atividades que sejam necessárias duas pessoas para executá-las. As pessoas em questão devem saber a priori executar a atividade. 

Somente montar uma rotina de figuras NÃO é suficiente, é necessário que se ensine a usar esta rotina!

Para o uso desta ferramenta a pessoa deve ter pré-requisitos, como identificar símbolos, as figuras que representam a atividade. 

Só reforçando que este é um resumo de uma pesquisa que analisou a eficácia da ferramenta em questão. A pesquisa pode ser acessada buscando o título "Using Photographic Activity Schedules to Promote Independence in Children with Autism and Other Developmental Disabilities”.

Clique aqui para saber mais sobre o evento

Fonte: Revista Autismo - São Carlos-SP, 20/01/2012

Deficiência tem prevenção?


Um dos pontos mais esquecidos quando falamos sobre inclusão é a deficiência adquirida. Colocar o tema inclusão em pauta tem muito a ver com discutir medidas voltadas ao atendimento da pessoa que já tem deficiência, mas, fala-se pouco sobre as causas desse quadro. Esse assunto não poderia estar tão à margem desse debate, porque ele provocaria uma reviravolta no olhar para a pessoa com deficiência.
Essa ideia é muito palpável para mim e, infelizmente, eu encontrei dados relacionados apenas à deficiência física. Não posso afirmar se dentre os quadros adquiridos, as limitações motoras são as mais frequentes, mas, deveriam ser pelo menos, as que mais preocupam. Entenda porque:
Casos de invalidez permanente entre trabalhadores vítimas de acidentes de trânsito se multiplicaram por quase cinco entre 2005 e 2010, passando de 31 mil para 152 mil por ano.
Nos primeiros nove meses de 2011, houve novo aumento de 52%, para 166 mil, segundo números do DPVAT, seguro obrigatório pago por proprietários de automóveis. Os dados revelam que a maioria dos acidentados (mais de 70% dos casos em 2011) usava moto e está em plena idade economicamente ativa, entre 18 e 44 anos.
O quadro preocupa a Previdência Social, que teme ter de arcar com os custos de uma geração de jovens aposentados por incapacidade. Projeções apontam que o INSS gastou R$ 8,6 bilhões com benefícios gerados por acidentes de trânsito. A cifra representa 3,1% de todas as despesas previdenciárias.
Essa notícia me fez lembrar de um dos primeiros textos que escrevi aqui no blog. Em maio de 2010 eu entrevistei o Rodrigo Board, um rapaz que no início dos seus 20 anos sofreu um acidente de trânsito e perdeu a movimentação das pernas. Rodrigo trabalhava como motoboy e estava redescobrindo suas possibilidades nessa nova condição.
O Rodrigo é um exemplo emblemático em um grupo que não para de crescer. Colocar a deficiência adquirida na roda de conversa não é só uma questão de prevenção. É a chance que nós temos de olharmos para uma pessoa com deficiência e abandonarmos o posicionamento de pena, de assistencialismo, ou de medo. É assumirmos que a deficiência está mais próxima do que imaginamos e que qualquer um de nós pode estar nessa condição amanhã.
Para entender mais sobre como essa postura pode mudar a sua visão sobre inclusão, leia a entrevista com Rodrigo Board, no texto  Narração interrompida.Clique aqui.

Projeto assegura boletos em braile para deficientes visuais



 A Câmara analisa o Projeto de Lei 672/11, do deputado Weliton Prado (PT-MG), que assegura às pessoas com deficiência visual o direito de receber os boletos de pagamento dos serviços de telefone, energia elétrica, gás, IPTU e água/esgoto em braile, sem custo adicional. Além das faturas mensais, as empresas deverão disponibilizar em braile os comprovantes anuais de quitação.

Caso não cumpra a lei, a empresa ficará sujeita à multa de 30% sobre o valor da última fatura. O valor será revertido em favor do usuário em forma de desconto na fatura posterior.

Weliton Prado destaca que Código de Defesa do Consumidor (CDC – Lei 8.078/90) garante o direito à informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação de quantidade, característica, composição, qualidade e preço, além de adequada e eficaz prestação dos serviços públicos. “As pessoas com deficiência visual têm direito de conferir suas contas”, afirma o parlamentar.

Tramitação
A proposta foi apensada ao Projeto de Lei 7699/06, do Senado, que institui o Estatuto do Portador de Deficiência, já foi analisado pelas comissões permanentes e está pronto para ser votado pelo Plenário.

Transporte público é considerado ruim por 41% da população de grandes cidades, diz Ipea

Uma pesquisa sobre mobilidade urbana divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea) mostra que 41% da população das cidades com mais de 100 mil habitantes consideram o transporte público “ruim ou muito ruim”. Outros cerca de 30% consideram o serviço “bom ou muito bom”. Já nas cidades com até 20 mil habitantes, 27% afirmam que o transporte público é “ruim ou muito ruim” e 39% o consideram “bom ou muito bom”.
   Quando questionada se concorda ou não com a afirmação “consegue ser atendida [pelo transporte público] sempre que precisa”, 61% da população de cidades com mais de 100 mil habitantes disse discordar ou discordar totalmente. Outros 25% afirmam concordar com a afirmação.
   Em relação à população de cidades abaixo de 20 mil habitantes, 42% diz que não é atendida quando precisa, e 33% afirma que o serviço funciona bem.
  Os pesquisadores também perguntaram qual a frequência com que os entrevistados deixam de procurar o serviço de transporte público “por não se sentir à vontade ou em condições adequadas para utilizá-lo”. Nas grandes cidades, 36% responderam que “sempre ou quase sempre” e 29% afirmaram que “nunca ou quase nunca”. Já nas cidades com até 20 mil habitantes, 52% relataram desistir do serviço “sempre ou quase sempre” contra 20% que afirmaram “nunca ou quase nunca”.
   O estudo mostrou ainda que a região Sul é a que mais utiliza carro como o principal meio de transporte. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a utilização de carros representa 64,85%. De cada 3,62 habitantes, um possui carro. Na região Norte, o principal meio de transporte é a motocicleta, que representa 64,32%. A cada 100, 44 habitantes, um possui moto.
   Esta é a segunda edição do estudo, que trata sobre Mobilidade Urbana do Sistema de Percepção Social. Em geral, os dados revelam as percepções que a população tem a respeito de mobilidade urbana.
   O Ipea entrevistou 3.781 pessoas maiores de 18 anos em 212 municípios brasileiros entre os dias 8 e 29 de agosto de 2011–um acréscimo de mil entrevistas em relação à edição anterior da mesma pesquisa. A margem de erro da pesquisa é de cinco pontos percentuais.

Estudar separado é crescer invisível, sem direitos e sem sentido

É difícil compreender por que ainda hoje instituições relutam em ressignificar seu papel na sociedade, em razão e sensibilidade.

Publicado por por Claudia Grabois*


É difícil compreender por que ainda hoje instituições relutam em ressignificar seu papel na sociedade, em razão e sensibilidade.

No dia 9 de julho deste ano [2009], comemoramos o primeiro aniversário da ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que é um tratado revolucinário sobre acessibilidade e não discriminação, que estão presentes em todos os artigos do texto, o qual, por ter sido ratificado com quorum qualificado pelo Congresso Nacional, tem equivalência de Emenda Constitucional.

Meu principal papel na sociedade é ser mãe, e tenho filhos com e sem deficiência; e por desejar o melhor para as suas vidas, alimento o sonho de que vivam em uma sociedade mais igualitária e justa para todas as pessoas. Para todos e todas, porque como diz a canção, “é impossível ser feliz sozinho” , e impossível, inclusive viver em segurança, quando existem ainda milhões de brasileiros excluídos na sociedade, pessoas sem deficiência e pessoas com deficiência de todas as etnias, culturas e populações.

Sim, pessoas com deficiência perpassam todos os setores e segmentos da sociedade e fazem, ou deveriam fazer, parte da vida do país, mas não é o que acontece. Mas como ser sem nunca haver sido?

Pois bem, agora não há mais desculpas, estudar separado é crescer invisível, sem direitos, sem sentido; pois com a relação ”eu e tu” ameaçada em razão da não existência do outro, nada mais faz sentido.

Conhecer, aprender junto, pertencer, conviver, participar, ser visto como gente e se sentir gente não são palavras vazias, mas sim necessidades básicas do ser humano. Por isso mesmo que nossa Lei Maior trata do tema educação como direito inquestionável e indisponível, entendendo que se trata de gente; e, para ser gente, não há outra opção a não ser a de pertencer de fato e de direito.

Como mãe de quatro crianças, e uma delas com deficiência intelectual, aluna da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro e que frequenta a sala de recursos multifuncionais no contraturno, posso assegurar que esse é o caminho para a construção da cidadania. Não apenas da minha filha, mas dos meus outros filhos e de todos os filhos deste país.

É claro que precisamos lutar muito para garantir um sistema de ensino adequado e de qualidade para alunos com e sem deficiência, mas muitos passos importantes já foram dados nesse sentido, e, como mãe, continuo a prestar atenção e a afirmar para outras mães, pais, tios e avós que precisamos trabalhar juntos, exercer o nosso direito, cumprir com o nosso dever e não ter dúvidas de que esse é o caminho.

Não há outra saída para a sociedade, pois a educação não é um fim, é apenas um meio e o começo de uma vida de inúmeras possibilidades, onde se aprende, além do português e da matemática, que a vida é para todos e todas e a sociedade um espaço para o exercício da cidania.

As pessoas com deficiência não podem mais viver segregadas e institucionalizadas. Quem aufere esse direito a quem tranca, prende e não permite opiniões? Quem tem o direito de dizer que uma criança não pode frequentar a escola de todas as outras crianças? Ninguém tem.

Os alunos com deficiência devem estudar na classe comum da escola regular e ser atendidos em suas especificidades dentro dela e, quanto ao AEE, que seja preferencialmente dentro da escola regular.

Nesse sentido, fico mesmo indignada, pois enquanto deveríamos aproveitar das diretrizes de uma Secretaria de Educação Especial (MEC) que cumpre a Lei promovendo e possibilitando a educação inclusiva, e do posicionamento do Conselho Nacional de Educação não apenas favorável à educação inclusiva, mas à garantia dos direitos humanos, infelizmente nos deparamos com pessoas e instituições que não querem mudanças e não aceitam que pessoas com deficiência sejam protagonistas de suas próprias histórias.

O direito de estudar na escola com os pares da própria geração é um direito humano assim como o direito de existir, e é por esse caminho que precisamos avaliar.

Desejo que meus filhos e todos os filhos com e sem deficiência desse país não cresçam com as lacunas da minha geração, e que reconheçam que vivemos na sociedade das diferenças e da diversidade. Somos todos gente e pessoas com e sem deficiência, mas antes de tudo somos seres humanos únicos e pertencemos à mesma humanidade.

Ninguém pode dispor dos nossos direitos e não podemos dispor de direitos que não nos pertencem.

E por todos esses motivos, apóio a Resolução No 13 de 2009 do CNE, com certeza em concordância com a Constituição Federal nos arts 5o, 205, 206 , 208 e 227, com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com deficiência, que vigora com valor de Emenda Constitucional, nos arts 7o, 24 e todos os demais, de acordo com a Convenção da Guatemala, e em respeito aos direitos humanos e fundamentais da pessoa, ao art 55 do Estatuto da Criança e do Adolescente e inclusive na LDB, art 21.

Passado o primeiro ano da ratificação da Convenção, é preciso estabelecer o que é ou não Constitucional para permitir os avanços que beneficiarão 25.000.000 de brasileiros com deficiência e, por consequência, toda a sociedade. É preciso diferenciar educação, saúde e assistência social, principalmente em benefício das milhares de crianças com deficiência ainda fora da escola e para a garantia de que o direito à educação, inquestionável, inalienável e indisponível não seja violado.

*Texto elaborado em setembro de 2009, em razão da comemoração do primeiro aniversário da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência no Brasil.

Novo fármaco abre a porta a reverter casos de tetraplegia

Uma droga capaz de regenerar as células da medula espinhal, abriu a porta para reverter estados de tetraplegia, de acordo com resultados preliminares de um ensaio clínico.

Escrito por Leandro Portella - 31 março 2011


Uma droga capaz de regenerar as células da medula espinhal, abriu a porta para reverter estados de tetraplegia, de acordo com resultados preliminares de um ensaio clínico.

O medicamento foi testado em 48 pessoas, das quais 66% com lesões cervicais passaram da perda total do movimento para a recuperação de parte da mobilidade motora.

O cientista canadense Michael Fehlings apresentou pela primeira vez o ensaio, com base na utilização da proteína B-210, criado na Universidade de Montreal para a farmacêutica Bioaxone e comercializado como “Cethrin” no congresso científico para a coluna Global Spine Congress realizado em Barcelona.

O estudo, realizado em oito centros de pesquisa nos EUA e Canadá, mostrou resultados “muito encorajadores” para mudar radicalmente o tratamento para pessoas que estão paralisadas em conseqüência de acidentes de carro ou de lesões desportivas, explica o neurocientista Europa Fehlings Imprensa.

O especialista em paralisia, com mais de 300 artigos científicos publicados, explicou que a droga usada no estudo, cujos resultados se publicarão nos próximos meses na revista Journal of Neurotrauma “, tem uma proteína fabricada por tecnologia de DNA recombinante .

É uma proteína que bloqueia uma molécula chamada Rho e impede que as células da medula óssea, destruídas ou gravemente feridas em um trauma, se podem regenerar.

No experimento, foi utilizada uma única dose da droga foi injetada durante a cirurgia para a regeneração óssea, e continuou a evolução do paciente por um ano, todos entre 2005 e 2007.

Por exemplo, o coordenador do estudo clínico mostrou o vídeo de um paciente com paralisia severa que não podia mover braços e mãos e não podia sustentar-se em qualquer posição.

“Depois de um ano, ele recuperou o uso das mãos, pode mover-se em uma cadeira e começou a caminhar com o auxílio de uma estrutura.”

Nas lesões baixas, houve um baixo nível de regeneração, explicou, no entanto, nas vertebras cervicais conseguiram-se níveis muito significativos de melhoras.

O ensaio de fase I / II, verificou a segurança e viabilidade do tratamento, e o próximo passo serão estudos aleatórios com grupos de controle e um protocolo rigoroso..

“Vimos que a droga é segura e viável, e isso é muito animador, porque é a primeira vez que um recombinante é usada para promover o crescimento de fibras nervosas. Agora temos que fazer com que realmente funciona para um grande número de pacientes” observou Fehlings.


Fonte: europapress.es Noticia enviada por: Francesc Xavier Rotllan e Ser Lesado 

Decreto-Lei n.º 14/2012 de 20 de janeiro


Ouvir com webReader

Saiu hoje, dia 20 de janeiro, o Decreto-lei n.º 14/2012 que aprova a estrutura orgânica da Direcção-Geral da Educação (DGE), em conformidade com a missão e as atribuições que lhe são cometidas pela Lei Orgânica do Ministério da Educação e Ciência.

O respetivo decreto é " (...) o início de uma nova fase da reforma da Administração Pública, no sentido de a tornar eficiente e racional na utilização dos recursos públicos e, por outro, para o cumprimento dos objectivos de redução da despesa pública a que o país está vinculado.a que o país está vinculado.

Com efeito, mais do que nunca, a concretização simultânea dos objectivos de racionalização das estruturas do Estado e de melhor utilização dos seus recursos humanos é crucial no processo de modernização e de optimização do funcionamento da Administração Pública. Importava decididamente repensar e reorganizar a estrutura do Estado, no sentido de lhe dar uma maior coerência e capacidade de resposta no desempenho das funções que deverá assegurar, eliminando redundâncias e reduzindo substancialmente os seus custos de funcionamento.

É o que visa o presente decreto -lei ao aprovar a estrutura orgânica da Direcção -Geral da Educação, em conformidade com a missão e as atribuições que lhe são cometidas pela Lei Orgânica do Ministério da Educação e Ciência.

A Direcção -Geral da Educação é o serviço central de execução das políticas relativas às componentes pedagógica e didáctica da educação pré -escolar, dos ensinos básico e secundário e da educação extra -escolar e de apoio técnico à sua formulação, incindindo, sobretudo, nas áreas do desenvolvimento curricular, dos instrumentos de ensino e avaliação e dos apoios e complementos educativos.

A Direcção -Geral da Educação tem uma estrutura interna mista, a qual passa a integrar o Júri Nacional de Exames, sem prejuízo da sua autonomia técnica, bem como o Gabinete Coordenador de Segurança Escolar."

Entre as funções da DGE, destaco as seguintes (art. 2º): 

e) Promover os mecanismos de apoio à prestação de provas finais e de exame por parte dos alunos com necessidades educativas especiais; 

g) Coordenar, acompanhar e propor orientações, em termos científico-pedagógicos e didácticos, para as actividades da educação pré-escolar e escolar, abrangendo as suas modalidades de educação especial e de ensino à distância, incluindo as escolas portuguesas no estrangeiro e de ensino do português no estrangeiro, em articulação com o serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros responsável pela gestão da respectiva rede; 

j) Conceber orientações e instrumentos de suporte às escolas no âmbito da implementação e acompanhamento de respostas de educação especial e de apoio educativo; (...).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Programa pioneiro de acessibilidade hoteleira começa a ser implantado no Brasil

Por Anastazia Ladeira

Em hotel, porteiro abre porta para hospede loura em cadeira de rodas. Letreiro ' Acessibilidade Hoteleira - Logo -Turismo Adaptado.O crescimento do número de pessoas com deficiência no Brasil (45 milhões) e no mundo (1 bilhão), além da grande consciência social que países de todo o mundo passaram a adotar, acabam direcionando o mercado a prestar atenção na acessibilidade. 

Casos de sucesso, onde hospedagens que possuem uma acessibilidade de qualidade, acabam fidelizando seus hóspedes e chamando a atenção de outros, pelas facilidade que os recursos de acessibilidade oferecem, mesmo a quem não tem nenhum tipo de deficiência.

Americanos adultos com deficiência gastam uma média de 4.2 bilhões de dólares por ano com hospedagens. Turistas Europeus e Asiáticos com deficiência também seguem a mesma linha de consumo, porém todos, inclusive os Brasileiros, procuram qualidade no quesito acessibilidade, além de um bom atendimento.

E a acessibilidade deve estar presente nos itens da estrutura arquitetônica do local, mas também nem recursos complementares, como por exemplo diretório de serviços em Braille, campainhas luminosas para surdos, e cadeira de banhos para pessoas com deficiência física. Também é importante saber atender este hóspede sem lhe causar ofensa ou constrangimento, entender e saber agir para oferecer um pronto atendimento a quem necessita de ajuda e não atrapalhar aqueles que não precisam.

Mas para que esse trabalho tenha um retorno proporcional, é preciso trabalhar a comunicação. Se fazer conhecido para a comunidade de pessoas com deficiência é essencial, afinal eles serão os interessados diretos. Mas também, se posicionar entre as empresas que realizam reservas em hotéis ou oferecem roteiros onde a hospedagem está inclusa, também é importante, pois muitas vezes eles não sabem aonde recorrer quando recebem um turista com deficiência. Então isto também está incluso no programa, além de outras ações promocionais que irão ajudar o estabelecimento a se posicionar na sociedade, criando um forte conceito de responsabilidade social.

Finalmente, outros dois serviços que normalmente são oferecidos separadamente, estarão inclusos no programa. O primeiro é a Certificação de Acessibilidade e inclusão, que trará confiabilidade, devido aos seus critérios rígidos, por ter um grande detalhamento, descrevendo os recursos de acessibilidade para cada tipo de deficiência. Além disso, os itens terão uma atualização constante e o compromisso do estabelecimento em oferecê-los. É o único neste formato no Brasil, e com comprovada eficácia em outros países onde é aplicado.

O segundo é o serviço de agenciamento de turismo acessível, pois muitas pessoas com deficiência procuram por empresas especializadas que realmente conheçam suas necessidades, e a Turismo Adaptado já é conhecida e respeitada. A acessibilidade na viagem não é verificada somente no local onde o turista ficará hospedado, mas também no transporte, passeios, locais de alimentação entre outros itens, e tudo isso é verificado no serviço de agenciamento, potencializando a escolha do cliente pelo hotel.
A acessibilidade é um direito garantido por lei, desta forma todos os meios de hospedagens são obrigados a cumpri-la de acordo com as exigências específicas. Desta forma, o cliente também está no direito de exigi-las. Quanto mais isto for reforçado, maior será a transformação. Então é de grande importância que todos que utilizem este tipo de serviço, ou mesmo aqueles que simpatizem com a causa de obter uma sociedade mais justa e inclusiva, ajude a espalhar este novo conceito, feito por uma empresa de qualidade. 
A descrição completa pode ser vista acessando o link Programa de Acessibilidade Hoteleira

Racismo no restaurante Nono Paollo abre feridas e deixa profundas lições

Por Sueli Carneiro
Ao fundo peças brancas de jogo de xadrez, em primeiro plano, um peão preto.
Ao fundo peças brancas de jogo de xadrez, em primeiro plano, um peão preto.
Há coisas essenciais sobre o racismo no episódio ocorrido no restaurante Nonno Paolo com um menino negro.
Eu não estava lá, mas pela reação de indignação da mãe da criança e seus amigos é lícito supor que a criança em questão, seja amada e bem cuidada, portanto, não estava suja e maltrapilha como costumam estar as crianças de rua que encontramos cotidianamente na cidade de São Paulo.

Então, a “confusão” de quem a tomou, em princípio, por mais uma criança pedinte se deveu ao único traço com o qual a define a mentalidade racista: a sua negritude. Presumivelmente, o menino negro era o único “ponto escuro” entre os clientes do restaurante e, para esse “ponto escuro”, há lugares socialmente predeterminados dos quais restaurantes de áreas consideradas “nobres” da cidade de São Paulo estão excluídos.

Para o racista, a negritude chega sempre na frente dos signos de prestígio social. Por isso, Januário Alves de Santana foi brutalmente espancado por não ser admissível para os seguranças do supermercado Carrefour que ele fosse proprietário de um Ecosport, dentro do qual se encontrava no estacionamento a espera de sua mulher que realizava compras. Por isso, a cantora Thalma de Freitas foi arbitrariamente revistada e levada em camburão para uma delegacia por ser considerada suspeita enquanto, como ela disse na ocasião, “porque a loura que estava sendo revistada antes de mim não veio para cá?”. Por isso, Seu Jorge, além de múltiplas humilhações sofridas na Itália, foi impedido, em dia de frio europeu, de entrar em uma loja com o carrinho no qual estava a sua filha, “confundido” como um monte de lixo. São apenas alguns exemplos de uma lista interminável de situações em que são endereçadas para pessoas negras mensagens que têm um duplo sentido: reiterar o lugar social subalterno da negritude, bem como desencorajar os negros a ousarem sair dos lugares que, desde a abolição, lhes foi destinado: as sarjetas do país.

O episódio indica, portanto, que uma criança, em sendo negra e, por consequência “natural” , pobre e pedinte, pode “legitimamente” ser atirada à rua, sem cerimônia. É, devolvê-la ao seu devido lugar. Indica, ademais, que essa criança não desperta o sentimento de proteção (que devemos a qualquer criança) em relação aos perigos das ruas, pois ela é, para eles, uma das representações do que torna as ruas um perigo!
Essa criança, por ser negra, também não é abrigada pela compaixão, pois há quem vê nelas a “semente do mal”, como o fez certa vez, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, defendendo a descriminalização do aborto para mulheres faveladas, pois seus úteros seriam “fábricas de marginais.”

Há os que defendem a atitude do funcionário que expulsou a criança do restaurante sob o argumento de a que região em que ele está localizado costuma ser assediada por crianças pedintes que aborrecem a clientela dos estabelecimentos comerciais. Na ausência do poder público para dar destino digno a essas crianças, cada um age de acordo com sua consciência, via de regra, expulsando-as. Outros dizem que a culpa pelo ocorrido é dos pais, que deixaram a criança sozinha na mesa. O subtexto desse discurso é revelador e “pedagógico”: pais de crianças negras deveriam saber que elas podem ser expulsas de restaurantes enquanto eles se servem, porque elas são consideradas pedintes, ou menor infrator! O erro não estaria no rótulo ou estigma e, sim, nos desavisados que não compreendem esse código social perverso!
Os que assim pensam pertencem à mesma tribo de indignados que consideram que espaços até então privativos de classes sociais mais abastadas começam a serem tomados de “assalto” por uma gente “diferenciada”, fazendo aeroportos parecerem rodoviárias ou praças de alimentação. Aqueles que não se sentem incomodados com a desigualdade e a injustiça social. Aqueles que reclamam que agora “tudo é racismo” porque, para eles, o politicamente correto é dizer que nada é racismo.

Esses são, enfim, aqueles que condenam o Estatuto da Criança e do Adolescente, que advogam pela redução da maioridade penal, que revogariam, se pudessem, o inciso constitucional que define o racismo como crime inafiançável e imprescritível, ou a lei Caó que tipifica e estabelece as penalidades por atos de discriminação; conquistas da cidadania brasileira engendradas por aqueles que recusam as falácias de igualdade de direitos e oportunidades em nosso país.

O aumento da inclusão social ocorrida nos últimos anos está produzindo deslocamentos numa ordem social naturalizada na qual cada um “sabia o seu lugar” , o fundamento de nossa “democracia racial”. O desconforto que esse deslocamento provoca faz com que os atos de racismo estejam se tornando cada vez mais frequentes e virulentos.

Atenção gente negra! Eles mudaram! O mito da democracia racial está revelando, sem pejo, a sua verdadeira face. Então, é hora de se conceber e empreender novas estratégias de luta!

Fonte:http://maringa.odiario.com/blogs/comunidadeafroemacao/2012/01/09/racismo-no-restaurante-nono-paollo-abre-feridas-e-deixa-profundas-licoes/

Acesso à escola e à saúde é desigual

Por Anastazia Ladeira


Simbolo matematico de diferente branco sobre fundo preto.Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a presença do Estado no Brasil mostra um país bastante desigual no acesso à Educação, à saúde e à cultura.

Apesar de reconhecer avanços na distribuição de renda, a pesquisa do instituto mostra que as populações do Norte e do Nordeste do país têm mais dificuldade de acesso aos serviços básicos do Estado do que os moradores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Na área da saúde, o que mais chama a atenção é a falta de mé­­dicos em alguns estados do país. Sergipe, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo chegam a ter mais do que três vezes mais médicos do que o Mara­­nhão, por exemplo.

Para cada mil sergipanos, existem 4,2 médicos atendendo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto no Maranhão esse número cai para 1,3. Com 3,4 médicos por cada mil habitantes, o Paraná está próximo da média nacional, que é de 3,1. Os dados são do Ministé­­rio da Saúde.

Incentivos
Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM), Carlos Roberto Goytacaz Rocha, faltam incentivos para que os médicos trabalhem nas regiões mais desassistidas do país. O salário e a qualidade do trabalho são alguns dos motivos.
“A falta de interesse dos médicos em trabalhar no interior ou em outras regiões se deve, em parte, aos baixos salários pagos pelo sistema público e às deficiências de estrutura do sistema, tanto na parte de exames como de equipe. O número excessivo de pessoas a serem atendidas também prejudica muito o trabalho do profissional em locais onde há poucos médicos”, comenta.

Ensino
Já a Educação se mostra, também, um gargalo para as regiões mais pobres do país, especialmente no ensino médio. En­­quanto no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste a porcentagem de jovens matriculados oscila entre os 53% e 68%, no Nordeste e no Norte quase todos os estados têm mais da metade dos adolescentes fora da escola – apenas Sergipe e Bahia superam os 50% de frequência líquida. Em Rondônia e no Acre, menos de um terço dos jovens estão matriculados.

Para o conselheiro do Movi­­mento Todos pela Educação Mozart Neves Ramos, essa situação pode ser qualificada como “crítica”. “É muito importante registrar que a Educação é o único vetor [entre os temas avaliados pelo Ipea nesse estudo] capaz de alavancar o desenvolvimento social e econômico de um país”, afirma.

Logo, essa discrepância entre os estados ricos e pobres tende a piorar o abismo socioeconômico entre essas regiões. Entretanto, Mozart pontua que mesmo as unidades da federação que estão acima na tabela, como o Distrito Federal, estão muito distantes do ideal.

A solução para evitar a evasão apontada pelo estudo do Ipea é uma melhora no próprio ensino, o que passa pela formação dos professores. Entretanto, aí está outra desigualdade marcante na Educação brasileira: enquanto no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste mais de 80% dos professores de ensino fundamental têm ensino superior completo, no Norte e no Nordeste esse índice está pouco acima dos 50%.

Mozart aponta ainda outro problema: a própria formação dada pelas universidades hoje é deficiente. Para ele, a formação dos professores passa longe da realidade das escolas e é exageradamente focada em questões teóricas. Logo, o investimento em Educação teria de ser tanto em quantidade quanto em qualidade.

Fonte: http://todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/20948/acesso-a-escola-e-a-saude-e-desigual/

Novo Plano de Educação reacende polêmica sobre escola especial

Novo Plano de Educação reacende polêmica sobre escola especial


 Por Anastazia Ladeira



Na foto, Maria Teresa Eglér Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, defensora da educação inclusiva no Brasil.Foto: Kaka Bratke
A aprovação do relatório final do Plano Nacional de Educação, que define as estratégias do setor para a década entre 2011 e 2020, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados gerou polêmica entre os educadores. Além do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à Educação, que foi fixado em 8% (entidades de defesa pediam 10%), o documento aprovado no dia 5 de dezembro criou uma ressalva sobre a universalização do atendimento a alunos com deficiência. A meta número quatro diz que, caso não seja possível integrar esses estudantes em classes comuns, eles terão assegurado atendimento em escolas especiais.
A questão gera controvérsias: enquanto muitos educadores defendem a inclusão no ensino regular a todo custo, instituições especializadas acreditam que alguns alunos perdem tempo em salas comuns.
Referência no Brasil quando o assunto é a defesa do direito à educação, Maria Teresa Mantoan é grande crítica das escolas especiais. “Essas instituições excluem e não incluem. E, agora, o governo está propondo isso”, afirma, ressaltando que considera o fato um grande retrocesso. “Beira o coitadismo. É dizer que uma pessoa com deficiência não tem condições de aprender no ensino regular”, completa.

Professora há 50 anos, Maria Teresa começou sua carreira na área de educação especial. Foi depois de uma experiência como professora em Portugal que passou a considerar o ensino especializado uma forma de exclusão. Ela conta que começou a acreditar em uma escola acessível para todos quando conviveu um dia inteiro com um grupo de crianças que tinham um colega sem braços e sem pernas. De acordo com ela, o estudante conseguia participar de todas as atividades normalmente. Hoje militante pelas diferenças em ambiente de estudo, fundou o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade. “Uma sociedade justa, sem qualquer tipo de discriminação, começa na escola”, diz.

As reviravoltas governamentais sobre o tema, porém, têm interferido em sua luta. “Acreditei no governo Dilma sobre a questão da educação para todos”, afirma a professora, que foi homenageada pela presidente em março com a medalha da Ordem Nacional do Mérito. “É um momento muito decepcionante para mim. A escola regular deve trabalhar com a diferença e ter a capacidade de oferecer ensino de qualidade para qualquer tipo de aluno. Sem discriminação”, completa.

Segundo a legislação brasileira, não se pode negar ou suspender, sem justa causa, a matrícula escolar de nenhum aluno, especialmente quando o motivo é a deficiência. Além disso, a justa causa não pode ser o fato de a escola não se sentir preparada para receber o aluno com necessidades especiais. Essa conduta é tida como crime desde 1989, e a pena ao infrator pode variar de um a quatro anos de prisão, mais multa. “A proposta do Plano Nacional de Educação está indo contra a convenção internacional”, diz a educadora, referindo-se à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela Constituição do País.

O relator do PNE, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), diz que a meta número quatro visa a universalizar o atendimento escolar aos estudantes com deficiência na rede regular de ensino. Mas, caso não seja possível integrar esse aluno, será garantido para ele um atendimento por parte de instituições voltadas para pessoas com deficiência.
“Isso é um crime na educação. A possibilidade de não integração do estudante com deficiência não deveria existir. A escola tem de ser inclusiva e se adaptar às necessidades dos alunos”, diz Maria Teresa, ressaltando que inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. “Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da pessoa. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas”.

‘A educação especial complementa o ensino regular’, afirma psicopedagogo
Autor de livros como Práticas Pedagógicas para a Inclusão e Diversidade e Autismo e Inclusão, o psicopedagogo Eugênio Cunha levanta a bandeira de apoio à meta número quatro do PNE. De acordo com ele, a legislação fala sobre o apoio especializado para atender as peculiaridades da educação especial, quando for necessário. “A educação no ensino especial não exclui a educação no ensino regular. Evidentemente, as necessidades do aluno dirão se é mais adequado estudar em uma escola regular, em uma especial ou nas duas, mas sempre objetivando a inclusão”, explica.

Além disso, Cunha defende que o ideal é uma escola regular inclusiva, preparada física e pedagogicamente para receber qualquer tipo de aluno. Contudo, o educador afirma que o fato ainda é realidade distante no Brasil, principalmente em escolas públicas. Sendo assim, ele passa a questionar se é o aluno com necessidades especiais que deve sofrer as consequências de uma escola não inclusiva.

“Por exemplo, crianças autistas, na maioria das vezes, precisam de uma equipe multidisciplinar: terapeuta, fonoaudiólogo, psicopedagogo, nutricionista, dentre outros especialistas, além de metodologia específica, que nem sempre a escola regular possui, principalmente as públicas. O que sabemos é que boas escolas especiais fornecem todo esse cabedal educacional para o aluno com necessidades especiais”, conclui.

Dados do Censo Escolar 2010 mostram que existem mais de 500 mil estudantes com deficiência física ou mental nas escolas públicas do País. Porém, apenas 30% das escolas de ensino médio e 12% das instituições de séries iniciais estão preparadas fisicamente para receber esses alunos.

Para Maria Teresa Mantoan, a escola brasileira ainda não está preparada totalmente para uma educação inclusiva, mas se encaminha para isso. Ainda assim, não acredita que a resposta esteja em instituições especializadas. “Essa preparação não irá acontecer antes para que só depois as pessoas com deficiência tenham acesso a escola. Essa preparação é constante, e ocorre no dia a dia, quando uma instituição tem que se adaptar para receber um estudante”, diz.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI5549342-EI8266,00-Novo+Plano+de+Educacao+reacende+polemica+sobre+escola+especial.html