sábado, 25 de fevereiro de 2012

Garota com deficiência física de 4 anos é proibida de brincar no Parque de Diversão Neo Geo

por Vera Garcia.


Caro leitor,


Recebi por email uma carta denúncia dos pais de uma garotinha cadeirante de 4 anos, que foi proibida de brincar em alguns brinquedos no parque de diversão NEO GEO (Neo Geo World do Brasil Ltda), localizado na cidade de São Paulo. Isso nada mais é do que preconceito e discriminação! Mais um caso que deve ser levado ao Ministério Público.


É impressionante a dificuldade que há no Brasil para o cumprimento da lei de acessibilidade. Há diversas leis que tratam desse assunto, porém como não há sensibilização por parte dos empresários, como é o caso abaixo, e também não há fiscalização por parte das autoridades governamentais, essas leis ficam mesmo só no papel.


Veja abaixo a carta, e a indignação dos pais:


Incluir quer dizer fazer parte, inserir, introduzir. Inclusão é o ato ou efeito de incluir.


Assim, a inclusão social das pessoas com deficiências significa torná-las participantes da vida social, assegurando o respeito aos seus direitos no âmbito da Sociedade.


Na segunda dia 20 de fevereiro 2012 por voltas das 20h, eu Flavio Marques de Sousa e minha esposa Andressa Sewaybrucker levamos nossa filha de quatro anos de idade que é portadora de deficiência física se locomovendo apenas por cadeira de rodas ao parque de diversão chamado NEO GEO (Neo Geo World do Brasil Ltda) que fica dentro do Shopping Fiesta localizado na Av. Guarapiranga 752.


Fomos barrados em alguns brinquedos pelos monitores até que resolvemos conversar diretamente com a gerência do parque que por sua vez nos informou que não tinha nenhum brinquedo em todo o parque que a nossa filha poderia brincar.


Como pode uma empresa que informa no seu site que é “o maior complexo de entretenimento indoor do Brasil’ não estar dentro da Lei Nº 11.982, de 16 de Julho de 2009. Que acrescenta parágrafo único ao art. 4o da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000, para determinar a adaptação de parte dos brinquedos e equipamentos dos parques de diversões às necessidades das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.


Gostaria muito que isso fosse divulgado para que alguém tome as devidas providências para que nenhuma outra criança fique triste por não poder brincar pelo fato de possuir necessidades especiais.


Obrigado
Flavio Marques de Souza
Andressa Sewaybrucker


Flávio enviou um email a ADIBRA, Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil, solicitando providências em relação a inacessibilidade do parque. Veja a resposta que eles deram:


Flavio bom dia


Agradeço o seu contato e o seu email estará sendo encaminhado para a Diretoria do parque.
Informamos que os parques como o Neo Geo seguem normas internacionais de segurança onde existem restrições para pessoas com ou sem deficiência.
Este problema deve sim ser resolvido da melhor forma para que os visitantes não saiam frustrados do ambiente.
Recomendamos sempre a todos os visitantes que antes de freqüentar um parque vejam no site ou mesmo em informativos da empresa informações sobre acessibilidade, estrutura para alimentação, estacionamento e necessidades particulares de cada criança.
Existem parques que contam com estrutura de estacionamento próprio, fraldário e até com pequenos hospitais para circunstanciais emergências.
Desde já agradeço sua preocupação pois a Adibra defende a Lei de Acessibilidade e ajuda a organizar um dos eventos mais importantes do Brasil que é o Dia da Criança com Deficiência nos Parques de Diversões.
Att.
Alan MoraesADIBRA – Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil
Rua Pará, 76 – conjunto 121 – São Paulo – SP Cep 01243-020
cel : (11) 7739-6122 e 2369-8083
Email: adibra@adibra.com.br
Site: www.adibra.com.br


Não concordo com a justificativa da ADIBRA. Se seguirmos a orientação dessa Associação, dificilmente encontraremos parques de diversões em shoopings, acessíveis às crianças com deficiência. Já que a ADIBRA defende a Lei da Acessibilidade nada mais óbvio do que eles cobrarem acessibilidade em parques, e não pedir aos pais dessas crianças para procurarem um parque acessível. E de acordo com a ADIBRA há o “Dia da Criança com Deficiência nos Parques de Diversões”, ou seja, nossas crianças tem que contentar-se em ter acesso aos parques num dia específico. 


Lamentável! (Vera Garcia).


Fonte:http://www.deficienteciente.com.br/2012/02/garota-com-deficiencia-fisica-de-4-anos-e-proibida-de-brincar-no-parque-de-diversao-neo-geo.html

Você costuma estacionar seu veículo sobre as calçadas?

Esta vaga não é sua nem por um minuto! Participe dessa campanha

Esta vaga não é sua nem por um minuto! Participe dessa campanha e divulguem nas suas paginas. Eu agradeço...


Fonte:http://nandoacesso.blogspot.com/2012/02/esta-vaga-nao-e-sua-nem-por-um-minuto.html

Uma vida dedicada à educação inclusiva

Por Juliana Colares julianacolares.pe@dabr.com.br

Francisco Lima nasceu cego. Prestou vestibular para a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC, e passou. Na época, a legislação garantia gratuidade no ensino para pessoas com deficiência. O direito lhe foi negado e ele recorreu à Justiça. Francisco não conseguiu a bolsa, mas abraçou uma causa que, a partir daquele momento, já não era mais pessoal. Doutor em Psicologia, hoje é coordenador de Estudos Inclusivos da Universidade Federal de Pernambuco e referência no estudo e na luta por uma educação inclusiva. Nesta entrevista, ele fala sobre o comportamento das escolas públicas e privadas de Pernambuco em relação ao ensino das crianças com necessidades especiais. Sobre os prejuízos, inclusive psíquicos, para as famílias que veem seus direitos e os direitos de seus filhos deficientes negados. E sobre a importância da informação e dos aparatos legais na construção de uma educação inclusiva.


Saiba mais
Legislação
Constituição Federal 
Artigo 4º
Os estados partes se comprometem a assegurar e promover o pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência, sem qualquer tipo de discriminação por causa de sua deficiência.


Artigo 5º
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade


Lei 7.853 / 1989
Artigo 8º
Contitui crime punível com reclusão de um a quatro anos e multa:
I – recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta


Decreto 6.949 / 2009
“O conceito de inclusão não chegou a Pernambuco”




Há quanto tempo o senhor trabalha com a inclusão de pessoas com deficiência?
Enquanto cidadão, tenho estudado isso a vida toda, porque eu também sou pessoa com deficiência. Em 1984, a PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) recusou a oferta de uma bolsa de estudos para mim. A concessão dessa bolsa significava atendimento à emenda 14 da Constituição anterior, que dizia que o ensino deveria ser gratuito para pessoas com deficiência. Entrei com uma ação contra a PUC. Então, meu primeiro ato mais forte nesse sentido foi de advocacia. Na época, a PUC falou: “Eu dou a bolsa, mas você tira a ação”. Eu falei: “Não, não se trata só do indivíduo Francisco, mas das pessoas com deficiência. Preferi não pegar a bolsa e seguir com a ação. O juiz disse que não havia comprovação de que eu era cego. Na época, quando a pessoa era cega, constava na identidade. Meu laudo dizia que eu tinha deficiência visual. Mas eu não consegui a liminar. Em 2002, vim para Pernambuco para trabalhar na área de educação inclusiva. Em Pernambuco, eu comecei meu trabalho de advocacia pelo direito da pessoa com deficiência.


Como o senhor vê a atitude das instituições de ensino no que diz respeito à inclusão de pessoas com deficiência?
Nós demos passos grandes na década de 2010 comparativamente à década anterior. Mas apesar do empenho do MEC (Ministério da Educação), do governo federal, em promover a educação inclusiva, há resistência muito grande aqui no estado em se promover essa educação inclusiva. E por incrível que pareça, essa resistência é da escola pública também. Não em termos abertos. Abertamente, as pessoas falam que são escolas inclusivas, mas, na prática, não são. Hoje há duas práticas costumeiras no Grande Recife. Ou se recusa a matrícula de maneira dissimulada, dizendo para a família que não estão preparados, não têm condições e outros argumentos que soam muito conhecidos pelos estudiosos da área de inclusão. É um artifício da escola alegar a própria incompetência para negar direitos. Ela manda que a família leve o filho para outra escola. Mas, isso é quebra de direitos e acaba impondo na família uma série de situações, como a tristeza. É bastante preocupante o dano moral incidido nas fam&´lias por conta disso. Só quem participa disso sabe a dor psíquica que é imposta. Eu já vi pessoas sucumbindo. A segunda prática é a da recepção. Recebe-se o aluno e simplesmente negligencia-se a educação do aluno em sala de aula. Ou isolando o aluno ou requerendo dos pais que toda a necessidade desse aluno seja respondida pela família. Para se ter uma ideia de como isso é recorrente, o MEC trata de necessidades específicas do aluno. Se você é canhota, mas é baixinha, você precisa de uma cadeira que atenda sua necessidade como canhota e que tenha altura correspondente. O MEC prevê que as necessidades específicas sejam respeitadas.


O que diz a lei, a esse respeito?
A emenda constitucional 186, de 2008, diz que tem que ser dada igualdade de condições e serem removidas as barreiras atitudinais. Essa emenda constitucional define que a deficiência oriunda de base intelectual, física, sensorial ou múltipla é aquela que em contato com a sociedade encontra barreiras atitudinais. Isso é crucial. Isso é importante por quê? Uma criança com câncer, por exemplo, pode encontrar na escola uma barreira atitudinal. A Constituição abriga, nesse mesmo patamar de pessoa com deficiência, essas pessoas. Dizer que “Ah, não adianta…” ou “Eu deixo ele aqui para ficar socializando…” são exemplos de barreiras atitudinais. Isso é discriminação por razão de deficiência. A criança muitas vezes é deixada na sala de aula. E isso pode ser em uma escola especial ou regular. A escola especial também discrimina por razão de deficiência. A negligência é perversa porque você tem menos condições de atuar contra a escola porque quando você fala que essa criança não está aprendendo, a escola fala que ela não está aprendendo porque, coitada, tem essa deficiência mental. Quando não é isso. As crianças com síndrome de Down, hoje, estão indo para a escola, fazendo mestrado. Agora, elas são menos Down que as crianças no passado? Não. Começou-se a atentar que ela aprende. Infelizmente, isso tem sido o trabalho de poucos professores e não da instituição escolar. Infelizmente, o único jeito de brigar contra isso é por meio do Ministério Público.


E as pessoas estão procurando o Ministério Público?
Muitos procuram e ficam com pouco resultado ou nenhum. Muitos promotores e juízes comungam do mesmo pensamento de algumas escolas. A barreira atitudinal é grande impactante na discriminação da pessoa com deficiência. Muitos operadores do direito também têm barreiras atitudinais e não se empenham no processo. Patrocinar ação particular, são poucos que podem. Eu não tenho conhecimento que alguma ação dos ministério s públicos, estadual ou federal, tenham originado sucesso ou tenham sequer sido propostas nesse caso. Enquanto você fica protelando, a família está perdendo. Seis meses, um ano de estudo e assim por diante. Sem contar com o mal para a criança.


Como mudar?
Temos duas situações aí. Uma delas, é um trabalho sério de educação. Um artigo (na imprensa), é educativo. A informação é um fator importante. O outro é, de fato, uma cobrança jurídica. Não tem outra saída. O que garante que eu e você possamos partilhar de uma sociedade em que sejamos de fato cidadãos, é a garantia legal. Tem que haver essa cobrança social e tem que haver uma resposta mais rápida (por parte da Justiça). Antes de multar pelo não uso do cinto de segurança, praticamente não se via ninguém usando. Antes de apertarmos a legislação em relação à bebida e à direção, essa prática era muito mais costumeira. O Brasil é um dos países mais atuais na legislação. Nós temos legislação robusta. O MEC, nesse caso, tem sido gigante na defesa de uma educação inclusiva, mas falta o Ministério Público fazer as escolas particulares entenderem que elas têm uma concessão de ensino e, para ensinar, elas devem respeitar os ditames legais da Constituição, a emenda 186 de 2008, a Lei de Diretrizes e Bases e assim por diante. Hoje nós temos escolas para pessoas com deficiência, para pessoas sem deficiência e algumas escolas mistas. Não são escolas inclusivas. O conceito de inclusão não chegou ainda para Pernambuco, na prática. São escolas que têm no alunado pessoas com deficiência. A universidade também precisa ensinar educação inclusiva, uma pedagogia inclusiva. Muito recentemente é que a educação inclusiva passou a ser obrigatória. Na lei, era para ser desde 2001. Mas agora é que está sendo. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, eles têm quatro disciplinas que tratam da pessoa com deficiência. Nós (da Universidade Federal de Pernambuco) temos uma. Agora que está entrando libras. A Universidade Federal da Paraíba tem três, sem contar libras. Educação, informação, imposição legal e formação universitária. Esses são os quesitos necessários para que, cada vez, se respeite o direito do aluno. Muitas vezes não é maldade por parte do operador da educação, do direito, da comunicação também. As barreiras atitudinais estão em todas as áreas. A sociedade não foi acostumada a viver com pessoas com deficiência.


Fonte: Agência UFPE

Deputados criticam restrição a direitos civis de pessoas com Down


Jessica Figueiredo discursa
Jessica Figueiredo discursa


Liane Collares discursa na Mesa da Presidência da Câmara dos Deputados
Liane Collares discursa na Mesa da Presidência da Câmara dos Deputados
Em sessão solene realizada nesta terça-feira na Câmara para homenagear o Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado em 21 de março, a deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) criticou a interdição de direitos civis de pessoas com a síndrome. Ela afirmou que a Polícia Federal se recusa a entregar passaportes às pessoas com Down, mesmo sendo maiores de 18 anos que estudam, trabalham e têm renda.
Deputada Rosinha da AdefalAlém disso, segundo a deputada, a Justiça não tem permitido que essas pessoas sejam partes em demandas judiciais de seu interesse. “O que nos preocupa é que as pessoas com deficiência intelectual sejam obrigadas a se submeter a uma supressão de autonomia e de cidadania, mesmo sendo plenamente capazes para os atos da vida civil”, afirmou.
De acordo com a parlamentar, que é cadeirante, nenhuma discussão sobre deficiência pode acontecer sem os maiores interessados estarem presentes. A parlamentar, que precisou ser carregada para se pronunciar da Mesa, criticou a falta de acessibilidade no Plenário. Para o deputado Amauri Teixeira (PT-BA), a polícia e a Justiça precisam reconhecer que há pessoas com síndrome em plenas condições cívicas.



Deputada Erika Kokay
Deputada Erika Kokay
Centros de referência 
A autora do requerimento para a realização da homenagem, deputada Erika Kokay (PT-DF), defendeu a criação de centros médicos de referência para o tratamento multidisciplinar de pessoas com síndrome de Down. “Precisamos fazer recortes a partir das nossas singularidades em todas as políticas públicas, para abarcar e incluir todos”, argumentou.
Erika Kokay também sugeriu mudanças no sistema educacional para enfatizar não só a inteligência cognitiva, mas também outras inteligências, como a corpórea e a afetiva. “Além da cidadania, estamos lutando pela condição humana, que pressupõe dignidade para todos”, concluiu.
Antonio Araujo da Silva Filho discursa
Antonio Araujo da Silva Filho discursa
Samuel Sestaro discursa
Samuel Sestaro discursa
Plenário da Câmara durante a sessão
Plenário da Câmara durante a sessão
Lourdes Lima, Presidente da Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down
Lourdes Lima, Presidente da Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down
Apresentação de dança cigana
Apresentação de dança cigana


Fonte:http://www.inclusive.org.br/?p=18737

No SUS, falta prevenção e tratamento para doenças genéticas

Por Claudia Collucci na Folha de São Paulo

Três anos depois de anunciado, um programa do Ministério da Saúde que prometia prevenir, diagnosticar e tratar doenças genéticas no SUS ainda não saiu do papel.


A portaria que instituiu a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica no SUS foi publicada no “Diário Oficial” e tinha previsão de vigorar a partir de 2009.


À época, o governo federal garantiu que haveria recursos para o programa. “Ficamos quatro anos elaborando a portaria. Depois disso, nada aconteceu”, afirma o geneticista Salmo Raskin, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica.


No próximo dia 29, haverá uma audiência pública na Câmara dos Deputados para debater o assunto. A questão é complexa e esbarra no alto custo dos remédios para algumas dessas doenças, como a de Gaucher e a mucopolissacaridose tipo 1, cujo tratamento chega a R$ 30 mil mensais por paciente.


“O Ministério da Saúde se apavorou com a ideia de mais pacientes pedindo remédios”, analisa Raskin. A síndrome de Williams-Beuren é um bom exemplo. Causado pela perda de alguns genes no cromossomo 7, o problema afeta um a cada 20 mil nascidos vivos.


SEM ASSISTÊNCIA


A garota Jéssica Nunes só teve a síndrome diagnosticada quando tinha sete anos, embora desde bebê já apresentasse sinais, como dificuldade de alimentação e atrasos de desenvolvimento. “O pediatra me dava bronca porque ela não crescia. Os médicos diziam que ela não tinha nada”, conta a mãe, Jô.


Por conta da síndrome, Jéssica desenvolveu um problema cardíaco grave que demandou um transplante de coração. Morreu 19 dias depois da cirurgia. A mãe fundou uma associação para ajudar outras famílias com o mesmo problema. Mais de mil crianças estão cadastradas -só um terço delas já teve acesso a exames genéticos.


Embora não exista uma medicação específica, a identificação é fundamental para que as complicações da síndrome sejam tratadas. “Muitas crianças desenvolvem hipertensão precocemente, problemas renais, alterações de comportamento e estão totalmente desassistidas”, afirma a geneticista Chong Ae-Kim, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.


Segundo ela, os serviços de genética do SUS estão em hospitais-escolas, e a verba para os atendimentos vêm de linhas de pesquisa. O geneticista Marcial Francis Galera, presidente da SBGM, confirma o drama. “Os pacientes do SUS estão perdidos, desesperados, sem ter para onde ir.”


A estimativa da OMS é que 5% das gestações resultam no nascimento de uma criança com anomalias genéticas.


Fonte:http://www.inclusive.org.br/?p=22058

Mídia: inimiga ou aliada da pessoa com deficiência?

Por Manoel Negraes *



Vivemos um momento complexo no que diz respeito à participação social das pessoas com deficiência. Por um lado, temos uma legislação específica avançada e o envolvimento cada vez maior do Ministério Público. 

Por outro, ainda encontramos no cotidiano atitudes preconceituosas e práticas discriminatórias que preservam e reproduzem concepções antigas e errôneas sobre as deficiências em diversas esferas sociais.

Hoje, após 30 anos da proclamação, pela Organização das Nações Unidas (ONU), do “Ano Internacional da Pessoa Deficiente”1, esta é a contradição enfrentada pela maioria desse segmento no Brasil. Ao mesmo tempo, tem sido cada vez maior o número de pessoas com deficiência e de organizações da sociedade civil que buscam, com diversas práticas e ações, tanto o cumprimento dos direitos conquistados nas últimas décadas como, também, uma reflexão mais profunda e eficaz em toda a comunidade acerca da diversidade humana.

Nesse contexto, a mídia é considerada, por muitos especialistas e representantes das pessoas com deficiência, uma grande aliada para a inclusão social, na medida em que esta pode exercer um duplo papel importante: fiscalizar o poder público em relação ao cumprimento das leis específicas e conscientizar a comunidade com informações que combatem atitudes preconceituosas.

No entanto, a maioria dos meios de comunicação de massa foca suas reportagens e programas nas pessoas com deficiência e não nas causas sociais da desigualdade e da discriminação – como nos obstáculos arquitetônicos, na péssima qualidade da educação básica, da reabilitação e da saúde preventiva e, sobretudo, na desinformação da população em relação ao tema.

Além disso, muitos profissionais dessa área ainda colocam as pessoas com deficiência como “heróis” ou “coitadinhos”. Dessa maneira, colaboram para a manutenção de estereótipos e estigmas construídos historicamente e cristalizados no senso comum que prejudicam as relações sociais entre as diferenças (inclusive utilizando termos como “especiais”, “vítimas”, “superação”, “sofrimento” etc.).

Assim, alguns assuntos como a acessibilidade, as características da síndrome de Down, da baixa visão e do autismo e a importância da Língua de Sinais Brasileira poderiam ser melhor trabalhados pelos jornais, emissoras de rádio e televisão e outros tipos de mídia. Mais ainda, esse campo de atuação poderia tanto inserir as pessoas com deficiência nos temas da vida cotidiana (ex: entrevistar um jovem com deficiência para uma matéria sobre juventude) como, também, incluir os interesses desse grupo nos debates mais amplos (ex: pautar a educação inclusiva nas discussões sobre a qualidade da educação em geral).

Portanto, a mídia só vai ser uma aliada concreta das pessoas com deficiência quando mostrar para todos que essa questão – o convívio entre as diferenças – exige uma responsabilidade de todos. O que esse grupo espera dos meios de comunicação de massa (e de outros setores da sociedade) é uma boa utilização das datas comemorativas relacionadas às pessoas com deficiência, mas, sobretudo, respeito e dignidade em todos os dias do ano.


Notas
1 esse era o termo utilizado na época.

* Manoel Negraes, cientista social, 32 anos. Trabalha na área de Mobilização Social da Unilehu – Universidade Livre para a Eficiência Humana (manoel@unilehu.com.br) e no projeto Minuto da Inclusão do MID – Comunicação e Cidadania (manoel.mid@gmail.com).

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Finep recebe 200 propostas de TI para ajudar deficientes

Agência vai financiar projetos para desenvolvimento de equipamentos de comunicação e leitor texto.

DA REDAÇÃO* 13 de fevereiro de 2012 



A chamada pública voltada para área de tecnologia assistiva, lançada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI) no final de dezembro, teve suas inscrições encerradas com um total de 182 propostas. Foram oferecidos 20 milhões reais, mas a demanda total chegou a 409 milhões de reais.
São Paulo foi o estado que enviou mais projetos (60), seguido do Rio Grande do Sul (24) e Minas Gerais (19). A maioria veio de empresas classificadas como micro, de pequeno porte ou pequenas. Já os produtos assistivos que apresentaram maior número de propostas foram dispositivos auxiliares de locomoção, equipamentos de comunicação alternativa e aumentativa e leitor autônomo de texto.
A ação da Finep está em conformidade com o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – o Viver sem Limite –, lançado pelo governo federal no último 17 de novembro. Os recursos oferecidos são não reembolsáveis, ou seja, não precisam ser devolvidos, e servirão para financiar projetos cooperativos entre empresas brasileiras e instituições científicas e tecnológicas (ICTs). 

O objetivo do edital é o desenvolvimento de produtos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que aumentem a autonomia e a qualidade de vida de idosos e pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.
*Agência da Finep

Pesquisadores criam dispositivo que permite cegos congênitos transformarem som em visão

Uma equipe de desenvolvedores israelenses está desenvolvendo um dispositivo que permite pessoas com deficiência visual transformarem som em visão. O projeto é parcialmente inspirado na viseira utilizada pelo personagem Jordy LaForge, em Star Trek: The Next Generation.
article-2100398-11B722F6000005DC-630_468x286Dispositivo permite cegos transformarem som em visão (Foto: Divulgação)






































projeto está em desenvolvimento pela equipe liderada pelo Dr. Amir Amedi, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Para que o deficiente visual consiga enxergar pelo seu óculos, Amir usa o conceito do som que invade o córtex visual do paciente. Tal conceito foi descoberto há 20 anos, pelo pesquisador holandês Peter Meijer, que criou um algoritmo para traduzir a posição e a aparência de um objeto em diferentes sons. Meijer aplicou essa descoberta em um dispositivo chamado Sensory Substitution Device.
Com apenas um breve treinamento, os usuários podem aprender a interpretar a “paisagem sonora” de objetos, pessoas, e cenários. Na prática, o usuário poderá localizar com facilidade onde cada coisa está, vendo o seu formato e posição, e até mesmo ler as palavras escritas em um livro. O sistema funciona com pessoas que perderam a visão por causa de um acidente ou lesão, e também com aqueles que possuem a cegueira de forma congênita.
O Dr. Amedi lembra que pesquisas anteriores ajudaram a indicar a utilização do som como a melhor solução. A visão trabalha com duas vias paralelas: a primeira via é responsável pela identificação do objeto, mostrando a sua cor e o seu formato.

A segunda via, por sua vez, indica a localização do objeto, coordenando os dados visuais com a função motora da pessoa. Pesquisando os resultados do funcionamento do dispositivo do Dr. Meijer, Dr. Amedi descobriu que as duas vias seguem funcionando, mesmo quando a pessoa não possui a visão normal. A prova disso é que os deficientes visuais ativam essas características do cérebro quando estão lendo um texto em Braile.
Com isso, o grupo de pesquisadores conseguiram desenvolver um sistema complementar que estimulasse as funções visuais através do som captado pelas pessoas e objetos. Abaixo, um vídeo demonstrativo do projeto.
Via Daily Mail 

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O robô que ajuda a entender o autismo

O Adroide Bandit capta expressões faciais de crianças com o transtorno e auxilia a criar novas intervenções
 
Reprodução
O acompanhamento do movimento ocular mostram que crianças autistas costumam ter mais interesse por objetos do que por faces humanas. A curiosidade é maior pelas máquinas, segundo especialistas, por causa da previsibilidade de movimento. Com base nesses dados, pesquisadores da Universidade da Califórnia do Sul criaram Bandit – um “garoto-robô” programado para estimular empatia em meninos diagnosticados com o distúrbio.

Com sensores infravermelhos e câmeras no lugar dos olhos, o robô calcula o tipo de abordagem: se a criança se afasta, ele evita movimentos bruscos; se ela se aproxima, inclina levemente a cabeça ou levanta os braços, de forma a incentivá-la a imitar os movimentos.

“Bandit interagiu com 14 autistas com menos de 9 anos. A maioria foi receptiva aos estímulos e revelou curiosidade”, diz a diretora do laboratório, Maja Mataric. Segundo ela, as imagens captadas pelas câmeras-olhos do robô têm ajudado os pesquisadores aidentifi car expressões que demonstram interesse ou mesmo afeto em autistas, o que pode contribuir para elaborar novas intervenções. “Pretendemos aperfeiçoá-lo para interagir com pessoas com Alzheimer e idosos que vivem sozinhos”, diz Maja. Para conferir um vídeo que registra a interação entre Bandit e um pesquisador, basta acessar 
www.youtube.com/watch?v=H-jmQ69n73s 

Fonte: 
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_robo_que_ajuda_a_entender_o_autismo.html

Aprovado no vestibular, 1º aluno com Down da UFG rompe preconceito

Kallil comemorou a aprovação ao lado da irmã, Kamilla Assis Tavares
Kallil comemorou a aprovação ao lado da irmã, Kamilla Assis Tavares
Ser aprovado em uma faculdade pública é um sonho de muitos jovens que se tornou realidade para Kallil Assis Tavares, 21 anos, que na próxima segunda-feira começa a estudar geografia no campus de Jataí da Universidade de Goiás (UFG). Para a instituição, a conquista de Kallil é ainda mais importante e precisa ser reverenciada, já que ele é o primeiro aluno com Síndrome de Down a ingressar na universidade. “Isso demonstra que nós estamos conseguindo superar o preconceito, que infelizmente ainda existe em nossa sociedade”, afirma a coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da UFG, professora Dulce Barros de Almeida.
Kallil não teve correção diferenciada, concorreu de igual para igual com todos os outros candidatos. “Apenas pedimos para que a universidade disponibilizasse um monitor para ler a prova e que as letras dos textos fossem maiores porque ele tem baixa visão”, disse a mãe do jovem, Eunice Tavares Silveira Lima. Segundo ela, Kallil sempre foi estudioso e desde criança gostava de mapas.
“No segundo ano do ensino médio ele decidiu que iria fazer vestibular para geografia. Nós apoiamos a escolha, mas ficamos surpresos com a aprovação, era uma prova muito difícil”, afirmou Eunice. Ela ainda disse que o filho estudou apenas dois anos em uma escola especial. Com 5 anos de idade ele foi para um colégio privado de ensino regular. “O colégio não tinha nenhum aluno com Down, mas quando há vontade de se trabalhar a inclusão, se dá um jeito. Foi disponibilizado um monitor e os professores sempre apoiaram meu filho”, conta.
Ela acredita que o fato de Kallil ter estudado em uma escola regular vai contribuir com a adaptação na universidade. “Não sou contra as escolas especiais, mas elas devem servir como um apoio, um lugar para onde os alunos vão no contraturno”, explica. A mãe ainda disse que não cria expectativas sobre como será o desempenho dele daqui em diante. “Não estamos programando nada especial para o Kallil quando começar as aulas. De acordo com as necessidades que ele apresentar, nós como família e a universidade teremos de nos adaptar”, disse ao destacar que o filho pode precisar do auxílio de um monitor durante as atividades em aula.
A coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da UFG concorda sobre a importância de alunos com necessidades especiais frequentarem escolas regulares e diz que a universidade tem a obrigação de atender todas as exigências desses estudantes para que eles cumpram com o direito de fazer um curso superior. “Nós temos um aluno cego no curso de Ciência da Computação que recebe acompanhamento de um monitor. Se essa for a necessidade de Kallil, com certeza estaremos prontos para disponibilizar isso”.
O núcleo para atender alunos com necessidades especiais na UFG foi criado em 2010. De lá para cá, a instituição ganhou 15 estudantes surdos, que fazem o curso de Letras, além do jovem cego. A professora Dulce espera que o caso de Kallil sirva de exemplo para que nas próximas seleções mais estudantes com necessidades semelhantes sintam-se motivados em fazer um curso superior. “Isso incentiva as famílias a acreditar no potencial que essas pessoas têm. E cabe a nós, como educadores, mostrar que o preconceito não pode existir mais”, completa.