sábado, 24 de março de 2012

Acessibilidade por parte das companhias aéreas é criticada no Fórum Panrotas



O debate sobre o “Futuro da Aviação para o Brasil e América Latina”, que encerrou o 10º Fórum Panrotas, em São Paulo, reuniu Constantino de Oliveira Jr, CEO da Gol Linhas Aéreas; José Efromovich, presidente da Avianca no Brasil; Marco Antonio Bologna, presidente da Tam e Mariano Recalde, presidente da Aerolineas Argentinas. O painel foi mediado por William Waack, apresentador da TV Globo.

Ricardo Shimosakai, Diretor da Turismo Adaptado, abriu uma discussão afirmando que as companhias aéreas não estão preparadas para atender pessoas com deficiência, e em seguida questionou o que estava sendo feito de concreto em relação a isso. 

Os presidentes da Aerolineas Argentinas e da Gol se pronunciaram, reconhecendo que o atendimento era falho, porém não souberam passar nenhuma solução para que este problema seja solucionado.

Na verdade, Ricardo Shimosakai estava tentando chamar a atenção de todos, para a questão da segurança e também da preparação para os grandes eventos que o Brasil irá sediar, principalmente as Paraolimpíadas, onde desembarcarão milhares de pessoas com deficiência em nossos aeroportos. Já algum tempo, tenta implantar um sistema que consegue solucionar o problema em todo o complexo aeroportuário, porém encontra barreiras atitudinais por parte das companhias aéreas, Infraero e ANAC. Veja vídeo ao final da matéria.

Indagado sobre a fusão entre Tam e Lan (Latam), Bologna enfatizou que o momento da aviação no cenário latino-americano, assim como no transporte aéreo mundial, tramita por uma conversão. Segundo ele, a Tam busca um crescimento como uma empresa de operação a longa distância.
 
“Alianças envolvem aspectos econômicos baseados em estratégias futuras. Buscamos na aviação equiparar algo que é comum mundialmente, o que faz com que os processos gerem competitividade, mas no Brasil ainda esbarramos com burocracias, que não se equiparam com as normas da aviação mundial. Hoje gastamos entre 30 a 40% com combustíveis, e pagamos ICMS sobre esse procedimento. As empresas aéreas chilenas não pagam, o que difere muito no Brasil. Queremos ser a bandeira brasileira no exterior fazendo voos de longa escala, mas ainda precisamos de apoio da nossa legislação”, enfatizou.

Já Constantino Jr. contradisse a explanação de Bologna. Ele destacou que é preciso cuidado com a concorrência, que pode se tornar preocupante.
“O movimento de fusão faz parte de uma tendência do setor. É fundamental que as empresas tenham acesso restrito aos mercados de capitais. A exemplo da Latam, acessar o mercado de capitais de maneira irrestrita pode se tornar desigual. No caso da Gol, temos que obedecer restrições de capital estrangeiro e isso pode trazer desigualdade da concorrente no acesso ao mercado, o que acontece no Chile, onde a Tam está chegando”, declarou.

Para o presidente da Aerolíneas Argentinas, Mariano Recalde, a situação da companhia aérea argentina, que é uma estatal, diverge das estratégias brasileiras, pois foca sua atuação no mercado interno.

“Sabemos que as fusões são uma tendência mundial, mas queremos atrair o maior número de brasileiros possíveis para movimentar o nosso segmento no país. Exemplos são destinos como Patagônia e Ushuaia, que podem atrair tanto o público que viaja a negócios como o de lazer”, mencionou.

A Avianca e a Taca Linhas Aéreas, que já estão em processo de fusão,  focam nas adapatações culturais entre os dois países, Colômbia e Peru. “Falamos a mesma língua e hoje a Avianca Brasil não está incorporada com tendências que divergem das normas mundiais. Hoje o nosso foco tem como marca o crescimento, com 170 aeronaves”, ressaltou Efromovich.
O último comentário do painel foi do presidente da Tam: “A mão-de-obra no setor de aviação é ineficiente. No mundo a tripulação pode voar até 90 horas, e no Brasil até 70 horas. Outro problema é de infraestrutura e legislação para recuperar o fundo de aviação civil brasileira. É necessário um apoio das esferas do setor público e união para nos acoplarmos ao futuro da aviação mundial”, finalizou Bologna.

Veja entrevista feita com Ricardo Shimosakai ao final do painel de aviação, feita pela TV Panrotas, clicando na imagem ilustrativa colocada abaixo.

Fonte: Turismo adaptado 

Controle de cadeira de rodas com a língua fica melhor e mais discreto

Pesquisador Maysam Ghovanloo exibe a estrutura do Sistema de Direção com a Língua implantado em aluno voluntário.

Pesquisador Maysam Ghovanloo exibe a estrutura do Sistema de Direção com a Língua implantado em aluno voluntário
Engenheiros do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA) desenvolveram uma nova tecnologia para que pessoas com elevados níveis de comprometimento físico dirijam cadeiras de rodas e outros equipamentos robotizados usando apenas a língua.
O equipamento, chamado “Sistema de Direção com a Língua”, já havia sido demonstrado há alguns meses, mas médicos e pacientes acharam muito inconveniente o fato de que o paciente precisasse ficar segurando o controle com a boca. Além disso, era necessário que o cadeirante usasse um equipamento externo, parecido com um fone de ouvido, que perdia a calibragem sempre que o usuário mexia muito a cabeça.


Implante ortodôntico temporário
O novo protótipo permite que os cadeirantes usem apenas uma espécie de aparelho ortodôntico temporário, posto no céu-da-boca, dispensando inclusive o fone de ouvido. O controle continua sendo feito inteiramente com a língua, mas sem a necessidade de colocá-la para fora ou manter a boca aberta. Os sensores do aparelho rastreiam a localização de um minúsculo ímã, que é ligado à língua dos usuários.
“Movimentando os sensores dentro da boca, nós criamos um sistema de condução com a língua com melhor estabilidade mecânica e mais conforto, e que passa praticamente despercebido,” disse Maysam Ghovanloo, membro da equipe.

Comandando aparelhos com a língua
O adaptador intraoral rastreia a localização de um minúsculo ímã, que é posto sobre a língua dos usuários
Os sinais de controle são transmitidos por ondas de rádio para um iPhone ou iPod. Um programa instalado no aparelho interpreta os comandos da língua determinando a posição relativa do ímã em relação ao conjunto de sensores montados no aparelho intraoral. Essa informação é então usada para movimentar o cursor em uma tela de computador – permitindo o uso do sistema para controlar outros equipamentos – ou para substituir o joystick de uma cadeira de rodas motorizada.
Outra vantagem da nova versão é que o usuário pode treinar comandos adicionais para posições específicas da língua – virtualmente qualquer quantidade de comandos que ele consiga se lembrar. Os pesquisadores estão testando o equipamento com pessoas sem deficiência. A seguir, passarão para um teste clínico com pacientes com altos níveis de dano na espinha dorsal.

Fonte:http://fezago.blogspot.com.br/2012/03/controle-de-cadeira-de-rodas-com-lingua.html

Deficientes promovem enterro do deputado estadual Ronaldo Carletto

Por: Pimenta 

Os portadores de deficiência visual promoveram manifestação inusitada na área externa do Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, onde ocorreu a sessão da Assembleia Itinerante.

Eles caminhavam de um lado para o outro com um caixão em “enterro” simbólico do deputado estadual Ronaldo Carletto (PP).

Dono do Grupo Brasileiro e detentor do monopólio das linhas de ônibus intermunicipais no sul, sudoeste e extremo sul da Bahia, Carletto tem obstruído de diversas formas a votação da lei que concede passe livre a portadores de deficiência e acompanhante.

O parlamentar quer que o governo baiano subsidie em, pelo menos, 5% os gastos com a gratuidade.


Mutatis mutandi (lat. mudar o que pode ser mudado)

Por Lucio Carvalho

Há mais de cinco anos eu ganhei, saído de dentro da barriga da minha mulher e envolto em sangue e mucosidades, meu segundo filho. Ele nasceu com a síndrome de Down. No nascimento, havia apenas indícios disso, segundo a neonatologista que nos atendeu, mas era quase certo o diagnóstico. Faltava apenas a confirmação do exame de cariótipo, obtido do sangue de seu minúsculo calcanhar, que se confirmou ao fim de mais ou menos um mês.


Durante aquele primeiro mês de sua vida, quando pensávamos na possibilidade de que ele tivesse ou não tivesse o terceiro cromossomo no par 21, vivemos momentos de angústia, certamente que sim. Acho que tínhamos algum tipo de esperança de que o cariótipo não confirmasse aquele diagnóstico que, fatalmente, nos traria muitas dúvidas e a necessidade de conhecer melhor um assunto que ignorávamos por completo e que, se pudéssemos, acho que continuaríamos a ignorar, não tenho ilusões quanto a isso.


Acho que as pessoas, de um modo geral, não aquelas que estão envolvidas profissional ou emocionalmente, pensam e vivem dessa forma simplista, dançando conforme a chuva. É meio simplório dizer isso, mas acho que é o mais próximo da realidade que consigo atingir.


Diagnósticos são temíveis, principalmente quando revelados diante de olhos ignorantes. Que fosse um erro de exame da pediatra, afinal ela apenas fundara sua suspeita num exame de aparência física. Poderia ser uma confusão ou outra coisa que não a realidade, a realidade de que nosso filho tinha mesmo nascido com a síndrome de Down. Mas logo percebemos que se tratava de uma angústia sem razão de ser. O que mudaria um exame desses e seu resultado? Na realidade dele, em seu futuro, muito pouco. Na nossa realidade, muito pouco também. Ali estava um bebê que, como todos os bebês, logo aprendeu a arte de dissipar temores, sem que ninguém o ensinasse. Dali em diante, o único que nos cabia era aprender a conhecê-lo e educá-lo, antes mesmo de imaginar que uma transformação intrínseca pudesse operar em nossa subjetividade, à revelia inclusive de nossa vontade.


Pois então. Passado todo esse tempo, tenho uma revelação a fazer: ter tido um filho com síndrome de Down não mudou a minha vida.


Por mais que consiga imaginar uma razão factível, não consigo me imaginar nem como um privilegiado nem como um desafortunado.


Não consigo olhar para ele e perceber nada que invoque piedade ou compaixão. Nem tampouco percebo sequer um traço angelical. Só vejo uma criança. Às vezes, uma criança doce e amorosa, às vezes um capeta ardiloso. Em qualquer das vezes, um sedutor barato com bochechas irresistíveis.


Meu filho mente. Ele faz manha. Birra. Ele finge sofrer para receber atenção. Mas quando ele ri, ri a valer e não há quem consiga não começar a rir também.


O dia em que percebi que meu filho mentia, tive um choque verdadeiro. Um dos “sintomas” ou características com o qual havia entrado em contato por terceiros a respeito desse suposto grupo genérico de pessoas, os “portadores” da síndrome de Down, nos informava que são anjos na terra, seres ingênuos e incapazes da mentira.


Para alguns psicólogos, a mentira é uma elaboração complexa de raciocínio. Envolve o mentiroso ter consciência de uma realidade, falseá-la deliberadamente e checar o efeito de sua ação através da observação da reação do interlocutor. Foi um choque verdadeiro perceber que ele mentia, mas também um alívio, afinal quebrava ali duas falácias numa tacada só, a de que seriam diferentes em essência dos outros seres humanos e incapazes de pensamentos complexos, mesmo que expressos de forma não verbal.


Tive a grande sorte de ter tido uma experiência pregressa de paternidade. Já havia vivido esses “sintomas” com minha filha mais velha, que tem dois anos a mais que ele e que, às vezes, me parecer tardar até demais a superá-los. Os sintomas da infância. Imagino que, se seguirmos os “ensinamentos” de nossos filhos, muito logo perderemos o emprego e, se todos os pais também o fizerem, o mundo se tornará ainda mais caótico, apesar de que muito possivelmente mais feliz e poético. É por isso mesmo, aliás, que temos o dever de garantir às crianças o exercício completo da criancice na época de sua infância, para garantir a presença da verdadeira poesia entre nós. E para deixá-los brincar também, que é a sua forma peculiar de aprender a cultura na qual estão inseridos.


Às vezes, mais por estímulo externo que interno, eu fico pensando se um ser humano pode mesmo transformar o outro. Se um filho pode mesmo transformar um pai ou se, no fim das contas, não é mesmo o pai (e/ou a mãe) que vai moldar o filho, transformando-o pelo seu exemplo, hábitos, cultura, etc. E, pensando, menos eu me convenço de qualquer coisa, em alguns momentos até mesmo da possibilidade de transformação, seja ela causada por outro ou por si mesmo.


Lembro imediatamente de Kafka e seu personagem Gregor Samsa, cuja ânsia por transformação o levou a acordar um dia sob a casca e asas de uma abjeta barata. Buda, que esvaziou-se de si mesmo após longuíssima meditação e o desafio do medo, do próprio desejo e de alguns demônios que apareceram de última hora. Cristo, que supostamente se deixou matar pela humanidade inteira, expiando os pecados do mundo. Eu, que tive um filho com síndrome de Down. Ops!! Eu?! Como assim?? Será que fui mesmo, algum dia, objeto de alguma transformação? Por causa de meu filho? Qual o significado de uma afirmação como essa, afinal de contas? Por que é tão fácil encontrá-las nas palavras de pais e mães de crianças com deficiência, não necessariamente a síndrome de Down?


Significa que, ao termos um filho com deficiência, deixamos de ser quem éramos para nos tornarmos seres melhores? Que absorvemos automaticamente maior tolerância, respeito à diversidade, solidariedade e tantos outros valores dignos das mais nobres criaturas? Mas isso não seria um tipo de apropriação indébita de atributos do nascimento de um terceiro? Quando um filho com deficiência nasce, renascemos juntos? Será mesmo?, eu me pergunto. Será mesmo?


Uma reconfiguração moral completa, como num disco rígido reformatado?


Significa que estamos diante de uma possibilidade inigualável de mudar a forma de ver o mundo e as outras pessoas? Não soa um pouco pretensiosa demais uma afirmação como essa?


Significa que, por conta própria, não precisamos sequer nos dar ao trabalho de rever preconceitos, atitudes, visões de mundo? Como então podemos querer convencer alguém de qualquer coisa com esse tipo de exemplo e postura? Se não tivéssemos esse filho, poderíamos continuar a ser quem éramos, mesmo que fossemos criaturas triviais ou até mesmo coisa pior? Por que confirmamos que um filho com deficiência pode redimir ou potencializar nossos valores e essência?


E porque será que a transformação é aparentemente sempre positiva? Alguém nunca se tornou um pai ou mãe pior depois do nascimento de um filho com síndrome de Down ou outra deficiência? E aqueles pais que sumiram no mapa, deixando como herança apenas a carga genética e uma péssima lembrança para mães que enfrentaram sozinhas a criação de um filho? E aqueles que, como o caso do escritor norte-americano Arthur Miller, simplesmente repudiaram o próprio filho? E os anônimos que repetiram seu gesto, se reconhecerão numa metamorfose? Terão virado monstros? Terão sido sempre monstros?


Precisamos ter certeza mesmo que somos super-pais para não parecermos minimamente monstros? Será que quando nos outorgamos ou sentimos “super” não estamos implicitamente depositando em nossos filhos uma carga da qual eles não são titulares por excelência ou escolha? Não fica implícito que sua existência compete numa sobrecarga para nós, que somos pais “além do que seria o normal”? Afinal, há possibilidade de haver um super-pai na ausência de um sub-filho? Ou não deveríamos nos preocupar com esse tipo de coisa? Eu não sei. Sinto que não e sinto que sim, e às vezes me confundo.


No fundo eu penso em quem, nós pais, estamos queremos convencer com ideias desse tipo. Temos, de fato, alguma necessidade disso? Ou então, de forma mais drástica, por que precisamos mesmo ser pais especiais? Pais transformados? Pais melhorados e salvos pelos filhos? Pais escolhidos? Não é possível simplesmente ser pai e mãe, com todo o erro, culpa, alegria, acerto, dor, delícia, realização, frustração que isso deve trazer consigo?


Meu filho tinha sete ou oito meses de idade quando acompanhei uma mãe que perdera o filho que tinha praticamente a mesma idade que o meu, por complicações de saúde. Naquele momento, uma realidade muito mais dura que um diagnóstico de deficiência caiu sobre a minha cabeça, e de forma muito pesada. Eu achava que já sabia disso, mas ali senti como se pudesse ser eu mesmo. Poderia ser eu ou qualquer outro pai ou mãe. Bastava o dado ter dado uma volta a mais ao girar e pronto.


Naquele momento estava confirmando algo que todos sabemos, de forma mais ou menos racional: não há razão para a dor e só a dor dos outros é uma dor hipotética. Não há razão alguma para alguém sofrer e alguém não sofrer. Não há nada de especial em ser ou não ser pai de um filho com uma deficiência. Será sorte? Azar? Desígnio divino? Maldição? Benção? Será preciso tantas perguntas? Eu mesmo acho que não as faço tanto a mim mesmo, pelo menos não de forma tão direta. Em seu lugar sempre há outras, porque estar vivo é duvidar e a morte efetivamente é a única certeza com que os humanos contam.


Por coisas assim, sinto que a crueldade da vida é, em certa medida, sua própria magia. Pode fazer parte de uma vida sofrer e de outra não. Assim é a vida. Da minha, faz parte ter um filho como o meu e essa experiência tão peculiar e única não pode ser, de modo algum, exemplo para ninguém, muito menos um parâmetro moral. Não é tarefa fácil, entretanto, não nos deixarmos aprisionar tão rapidamente por uma ideia como essa, por esse tipo de armadilha.


Se não formos nós mesmos e nossa vida, alguém ou algo fatalmente irá nos mostrar o quão somos triviais e o fato de termos um filho com síndrome de Down ou outra deficiência apenas um acaso que nos desafia não a sermos super-pais, mas pessoas que precisam assumir provavelmente a mais difícil de todas as tarefas: a de transformar os próprios filhos. Eu duvido, inclusive, que haja outra transformação tão efetivamente possível, em se tratando dos seres humanos.


Acho que é até possível debitar à recusa dessa possibilidade alguns dos mais graves problemas do mundo, que nada são além do que as consequências diretas da ação dos homens, mesmo quando procuramos nos esquivar das evidências disso. Estes comandantes do mundo que, em grande medida, cada vez mais se parece mesmo àquela ilha de “O Senhor das Moscas”, do escritor William Golding, no qual crianças são lançadas ao desafio do autogoverno e se deparam com a violência da natureza humana em seu estado-bruto, impedidas de lidar com ela ou resolvê-la pela falta de crítica histórica.


Logo que foi publicado, procurei ler o premiado livro de Cristóvao Tezza, “O Filho Eterno”. Alguns anos antes eu havia lido “Uma Questão Pessoal”, do escritor japonês Kenzaburo Oe. Os dois livros são muito semelhantes, tratam basicamente das impressões e consequências pessoais do nascimento de um filho deficiente. Acho que por isso me surpreendi tanto com o relato do escritor brasileiro, porque mesmo situado a uma distância de tempo maior que a de Kenzaburo, a reação paterna narrada é muito distante daquela, mas em sentido negativo.


Em “O Filho Eterno”, encontramos uma narrativa em primeira pessoa na qual em nenhum momento o filho chega a ser um sujeito, a esboçar uma personalidade, por mínima que seja. O filho ali cumpre a missão errônea de causar ao pai sensações e inquietudes particulares. Tão particulares que imponderáveis, porque assim, afinal, é a experiência humana.


De outros pais, colhi a queixa de que se trata de um livro negativo que, a despeito de ser muito bem escrito e ter recebido prêmios importantes, limita-se a “esquartejar” a rejeição paterna, deixando de oferecer qualquer visão positiva a respeito do nascimento de um filho com síndrome de Down, mesmo tendo diante de si a liberdade literária. Eu não gostei porque não consegui sentir-me tão mal por ter um filho com síndrome de Down quanto o seu personagem. De resto, não sou crítico literário para levar isso adiante, embora isso me exija uma boa dose de autocontrole. Se o livro é, como o autor diz, apenas parcialmente autobiográfico, essa tarefa seria bastante complexa, senão impossível. Pretendendo ou não (creio muito que não), o livro instaurou um imaginário relevante sobre o que é ser pai de uma criança que nasce com a síndrome de Down, mesmo que se refira a acontecimentos de mais ou menos vinte anos atrás.


Se na literatura os autores transformam personagens ao seu bel prazer, na vida real tudo é diferente, pelo bem ou pelo mal. Educar um filho é por si só uma tarefa claudicante, imperfeita. Como a literatura, complexa ao extremo para qualquer juízo apressado. Sobre educação, há toneladas de literatura também. Há literatura falando sobre a eficiência disso ou a eficácia daquilo, mas nenhuma literatura escrita é capaz de prever ou assegurar o futuro de ninguém, tenha a pessoa nascido com ou sem uma deficiência. Apesar de tentadora, a ideia de seguir os passos que conduziram os outros ao sucesso é falível por natureza. Os contextos sociais não são replicáveis, assim como não o são os contextos afetivos ou culturais, muito menos os econômicos.


Eu gostaria muito de me iludir que me tornei muito mais “humano” a partir do nascimento do meu filho, mas não consigo. Não acho nem que tenho esse direito. Quem há para se tornar mais humano é ele e a mim cabe apenas facilitar um pouco as coisas sem, contudo, trilhar o caminho em seu lugar. A tarefa não é simples. As tentações são muitas. A superproteção, hoje percebo melhor do que há cinco anos atrás, é uma delas, mas seu único efeito é torná-lo alguém supervulnerável. Nessa faixa etária, seus problemas são coisas simples aos olhos de um adulto. Para ele, são os seus problemas, e enfrentá-los integra uma parte indispensável de sua vida.


Depois do que acabo de afirmar, acho que me sinto finalmente confortável para fazer uma segunda revelação. Apesar de tudo, apesar de ter certeza absoluta de que meu filho não me transformou em nada nem ninguém estranho ao que sou, eu tenho como quase certo que eu é que vou acabar por transformá-lo. Que, na verdade, já o venho transformando. Que vou provocá-lo a fazer isso, porque na infância (talvez não só nela) os pensamentos precisam ser provocados, é uma questão de plasticidade cerebral e, se não formos nós a provocá-los, serão outros, ou até mesmo objetos animados como brinquedos e tevês. Como boa parte dos pais e mães, julgo ter excelentes intenções. Mas será que é o suficiente? Especialmente se temos um filho descrito clinicamente como um sujeito “portador” de necessidades especiais?


A minha sensação íntima é que jamais será o suficiente e que, por lidar mal com essa auto-exigência e com a expectativa social de um mundo que se tem em grande conta – que aparentemente não está precisado de transformação alguma (talvez alguns reparos aqui e ali) -, é muito bom que assumamos de uma vez, além da responsabilidade de educar nossos filhos, a culpa pelo mundo ser o que é. Não fui eu mesmo que afirmei logo acima que o mundo é consequência de nossas ações? Pois bem. Tudo bem. Vamos assim. Não será fácil sem ser um super-pai, aviso.


Mutatis mutandi, isso nos torna diferente dos outros pais? Ou não percebemos que assim impomos aos nossos filhos uma carga de sacrifício por serem como são? Isso é justo com eles e com as outras crianças e famílias? Queremos filhos tolerados ou incluídos? Vamos fazer as contas. Eu acho que é possível deixar outro tipo de saldo às pessoas com deficiência, em sua vida adulta, em seu futuro. Não se trata de deixar de reconhecer os méritos e as dificuldades de um filho “especial” nem de deixar de enxugar o próprio suor, se trata de conferir liberdade. Inclusive liberdade para criar problemas para nós mesmos, impávidos pais. Afinal, não éramos super?


E antes que perguntem quem sou eu para dizer uma coisa dessas, eu aviso. Sou apenas um pai que espera aprender a própria lição. Se chegaram até aqui e não gostaram, tenham paciência: contrariando a mim mesmo, estou apenas tentando me transformar.


Fonte: O autor/Inclusive

Crianças em situação de risco social: limites e necessidades dos profissionais de saúde


Temos a satisfação de tornar público os resultados do Projeto de Pesquisa “Crianças em situação de risco social: limites e necessidades da atuação do profissional de saúde”, Fase I, do Programa de Políticas Públicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), desenvolvido junto aos profissionais de saúde da Coordenadoria de Saúde da Subprefeitura da Sé, da Prefeitura do Município de São Paulo.”

Projeto Quixote

Fonte: Textos & Ideias

Ministério da Saúde começa a definir 'Manual da Síndrome de Down'

Documento vai orientar profissionais do SUS a como proceder com portadores da deficiência.
Agência Brasil


Efe
Segundo o IBGE, há cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down no Brasil
O governo começa a definir nesta quarta-feira, 21, o Manual de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down, que vai orientar profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e prestar esclarecimentos sobre como proceder quanto ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento das pessoas com a deficiência. Na data é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down.
O texto, assinado pelo ministro Alexandre Padilha, está publicado na edição desta quarta do Diário Oficial da União. A cartilha foi elaborada com o apoio do SUS, que forneceu dados sobre o atendimento e a qualificação de profissionais e equipes públicas.
As consultas já foram abertas e as sugestões podem ser encaminhadas pela população ou por instituições de saúde ao Ministério da Saúde. As informações serão publicadas no site da instituição, que receberá as mensagens até o dia 20 de abril pelo endereço manualsindromededown@saude.gov.br.
O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, explica que a síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição humana geneticamente determinada. "Com base neste enfoque e depois de um amplo estudo, lançamos este manual. O objetivo é o de oferecer orientações às equipes multiprofissionais para o cuidado à saúde da pessoa com Síndrome de Down, nos diferentes pontos de atenção da rede do SUS", afirma.
A Secretaria de Atenção à Saúde coordenará a avaliação das propostas apresentadas e também será responsável pela elaboração da versão final do texto. Depois de aprovado pelo Ministério, a publicação com instruções e normas terá vigência em todo o território nacional.
No Brasil há cerca de 4,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, sendo 300 mil delas com Síndrome de Down, segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Fonte: http://primeiraedicao.com.br

Divagando sobre as deficiências retratadas em telenovelas

Adriana Lage comenta sobre o papel das telenovelas no imaginário popular quando são abordados temas relacionados às deficiências.
Adriana Lage
Adriana Lage
Ultimamente, ando achando bem engraçadas essas novelas. Não sou noveleira, mas acabo prestando mais atenção sempre que tratam de algum assunto que me interessa. Querendo ou não, elas têm um papel social e, quando o tema é tratado de uma forma legal, acaba sacudindo a sociedade e trazendo à tona assuntos varridos para baixo do tapete. Algumas erram a mão na hora de tratar sobre deficiências. Mas muitas ajudam na minimização dos preconceitos.


Querendo ou não, acho que, por exemplo, a novela Páginas da Vida ajudou demais na minimização dos preconceitos em relação aos Down. Impossível não se apaixonar pela personagem Clarinha. Ela deu um boom na sociedade e, com isso, mais pessoas com síndrome de down ganharam visibilidade e uma dose extra de coragem para enfrentar esse mundo ainda tão preconceituoso. Hoje, temos pessoas com Down em todos os segmentos. Muitos já se formaram na faculdade, temos modelos, repórteres, nadadores... Eu, particularmente, sou fã da Fernanda Honorato. É uma gracinha de pessoa e muito competente. Até pouco tempo atrás, as pessoas ‘pensavam’ que gente com deficiência intelectual, só poderia fazer serviços braçais, como, por exemplo, ser empacotadora em supermercado. Aqui ressalto que não tenho nada contra esse tipo de serviço! O que quero deixar claro é que essas pessoas também pensam e podem exercer atividades bem intelectuais com a mesma eficiência que outras pessoas.


De vez em quando, acabo assistindo uns pedaços de uma novela da Record. Não gosto muito porque acho alguns temas bem tensos e acabo perdendo meu sono. Mas achei legal a personagem ter um bebê down e mostrar aos telespectadores todas as angústias, medos e alegrias de ser mãe de uma criança especial. Usei o termo especial, mas não gosto muito dele. Acho que todos, independentemente de termos ou não uma deficiência, somos especiais e únicos. Uma coisa que sempre me deixa angustiada é ouvir a expressão “não importa se será menino ou menina; o importante é que venha com saúde”! Como tenho vários amigos com deficiência e participo de alguns grupos virtuais, sempre ‘bombam’ assuntos como esse nas redes sociais. É normal as pessoas falarem isso. Querendo ou não, ter um filho com deficiência sempre é mais impactante. Exige mais cuidados e algumas renúncias. Às vezes, alguns sacrifícios e mudanças nos planos. Mas, sem sombra de dúvida, trata-se de um desafio e tanto! Um aprendizado para todos. Só que, pra quem tem uma deficiência e ouve isso, às vezes, dá um troço no estômago. Dá a impressão que seria uma das piores coisas do mundo...


Estava estudando sobre motivação e me lembrei de Maslow. Ele sempre dizia que o ser humano só fica satisfeito quando tem suas necessidades atendidas, sejam elas fisiológicas, de segurança, autoestima, etc. Mas sempre será um completo insatisfeito, já que quando suprir uma necessidade, sempre colocará outra em seu lugar. Meu professor predileto de filosofia dizia que é a insatisfação que move o homem impedindo que se acomode no tempo e no espaço. Acredito nisso... Por isso preciso tanto de novos desafios e de movimento. Já me questionaram: “você é tetraplégica e adora falar de movimento. Não é meio contraditório?”. Eu penso que não. Nosso cérebro é quem comanda tudo... De que adianta poder andar, falar, ver e ouvir, se vivermos na inércia? Mil vezes uma vida de cadeirante, cheia de desafios, altos e baixos, que viver acomodada. Tanta falação foi só para introduzir um caso: tenho uma colega no banco que sofreu um acidente sério e ficou de molho por muito tempo em casa. A menina é baladeira e todo dia reclamava no facebook. Já não estava agüentando mais tanta reclamação. A deficiência dela era temporária... Um dia não resisti e respondi a um post dela dizendo que o mundo não é tão gris quando se é ou está deficiente. Comentei sobre o fato da cadeira de rodas não te restringir para nada. Apenas exige um olhar diferente sobre o mundo. Falei que dava para namorar (recomendei a ela o Silla Sutra), falei sobre acessibilidade, recomendei restaurantes, sapatos com saltos menores e fashions, locais onde pudesse andar com mais facilidade... Falei que ela ficaria boa logo e que a fisioterapia era passageira. Que deveria agradecer a Deus por tudo e por não precisar disso para o resto da vida. Depois que fiz isso, me senti mal! Uma verdadeira ‘aleijadinha’ do mal! Mas, querendo ou não, depois disso, ela não postou mais reclamações e acabamos nos aproximando mais. Olhar o mundo pelo lado positivo dos acontecimentos sempre nos traz aprendizado, tornando tudo mais simples e fácil.


Com isso, me lembrei da novela Aquele Beijo onde o gatinho do Vicente foi parar na cadeira de rodas. Raramente assisto a essa novela, pois coincide com meus horários de natação e fisioterapia. Mas, sempre que dá, corro para ver a Cláudia e o Vicente. Acho muito fofo! Tudo bem que, podendo escolher, quase ninguém optaria por ser cadeirante; Só que essas novelas sempre fazem um drama! “Coitado... O que será dele numa cadeira de rodas? Será um fardo para família...”. Esse tipo de comentário é ruim de ouvir. Cadeira de rodas não é e nem será o fim do mundo para ninguém. Basta que o cadeirante não faça dela o seu fim e sim um novo começo. Acho legal a novela mostrar as crises pelas quais a pessoa passa quando se vê nessa situação, sendo a primeira delas a de negação. É difícil mesmo passar por isso. Fica inevitável se perguntar por que eu? Como diria meu amigo Gnomo, nem sempre teremos as respostas nessa vida, mas, com certeza, se viemos ao mundo nessa condição é porque temos alguma missão a cumprir. Voltando ao Vicente da novela, acho bem legal a novela ressaltar as dificuldades impostas pela falta de acessibilidade, retratar os olhares piedosos que costumamos receber, o preconceito, o medo quase paralisante de ser rejeitado por quem se ama, as incertezas sobre nossa possível recuperação, dúvidas sobre a sexualidade, etc. Só não estou entendendo a mania que a Globo está de colocar seus cadeirantes andando de volta. Acho legal por um lado, pois traz esperança para quem teve uma lesão medular, mas por outro... Minha neurologista do Sarah sempre diz que as pesquisas na área das lesões medulares não traumáticas (aquelas que não são fruto de traumas como quedas, tiros, mergulhos, acidentes de carro) ainda estão engatinhando. Não sou muito a favor do mocinho voltar a andar. Acho que seria uma ótima forma de debater o assunto e fazer a população enxergar além do próprio umbigo...


A novela que mais assisti e adorei foi Viver a Vida. Não poderia perder a história de uma cadeirante tetraplégica. A novela retratou muitas coisas legais, tais como o namorado roer a corda quando a Luciana se acidentou, o fato da sogra ser muito preconceituosa (e eu que pensava que Dona Júlia era peça única!), as dificuldades para andar de ônibus, fazer fisioterapia, mostrou uma série de tecnologias assistivas (cama, M3, handbike, carro adaptado...), falou sobre sexualidade, mercado de trabalho, casamento, gravidez, praia acessível, etc. Foi muito interessante ver na telinha situações tão reais na minha vida. Mas até hoje fico me perguntando se existe mesmo algum Miguel? Se existirem exemplares na vida real, devem ser tão raros quanto ganhar na loteria. Até a história que inspirou o autor já terminou faz tempo. Mas acho que é possível sim ser feliz no amor independente da deficiência. Quando existe amor, tudo é possível. Muitas vezes, fica bem mais fácil se relacionar com alguém que não possui deficiência. Eu mesma sempre brinco que gostaria de um moreno musculoso que pudesse me carregar. Talvez esse moreno possa ser um cadinho mais claro e, quem sabe, ser judoca, lutar jiu jitsu, ser músico... Ou mesmo ser um nerd da TI! Vai saber o que os deuses me reservam... Quem sabe um combo disso tudo? Adorei essa novela. Manoel Carlos me fez chorar muitas vezes, me fez viajar, ter esperança num futuro melhor... Graças a Luciana, por exemplo, deixei de lado tanta vaidade e parei de ir trabalhar com saltos tão altos. Descobri como é mais confortável e saudável usar saltos médios ou baixos no dia a dia. É claro que guardo minha coleção de saltos altos para as ocasiões especiais. Todo dia algum colega do banco vinha comentar uma cena da novela comigo. Os assuntos renderam... Especialmente, os ligados à acessibilidade e à sexualidade. Na próxima encarnação, sempre brinco que quero ser cadeirante de novela do Manoel Carlos!


Um dia desses, quando voltei do trabalho, estava passando Malhação. Nessa fase, temos um cadeirante e um cego. Só depois que conheci a Tainara, o Leo, o Tatá e a Fabi é que passei a prestar atenção nesse universo dos cegos. A cada dia descubro novidades e fico mais fascinada. Na cena que assisti, o cego comprava um picolé e o vendedor lhe devolvia o troco faltando. O menino reclamou, deixando o vendedor sem graça, e a namorada surpresa. Sempre retratando o dia a dia de um cego e mostrando que as coisas não são tão complicadas quanto costumamos pensar!


Enfim, a situação para nós, pessoas com deficiência, está melhorando com o passar dos anos. Mas ainda estamos bem longe do ideal. Quanto mais informações as pessoas tiverem sobre esse assunto, menor será o preconceito e mais próximos estaremos de uma sociedade realmente inclusiva. Como atingem um volume grande de telespectadores, as telenovelas, querendo ou não, tem papel fundamental quando abordam temas ligados às deficiências. Sempre trazem visibilidade aos temas. E, mesmo que após o final da trama, o tema deixe de ser discutido, sempre terá atingido alguém...


Fonte:Rede SACI - Belo Horizonte-MG, 23/03/2012 - Imagem Internet

Mulher obesa ganha R$ 12 mil por ficar presa em catraca de ônibus

da Folha.com

Uma empresa de transporte urbano foi condenada a pagar indenização de R$ 12 mil a uma passageira que ficou presa na catraca de um ônibus, no Rio.

Fernanda Oliveira teve hematomas na barriga e crise de pressão alta após permanecer cerca de 30 minutos na roleta de um ônibus da empresa Zona Oeste.

A mulher disse que enquanto aguardava o resgate dos bombeiros foi alvo de zombaria de outros passageiros, que a chamaram de "bolo fofo" e "gordona".

Ela, que pegava diariamente o ônibus que faz a linha Castelo-Souza Cruz, teve que ser internada no hospital Souza Aguiar, no centro do Rio.

Na decisão do desembargador Mário Robert Mannheimer da 16ª Câmara Cível do TJ-RJ a empresa é considerada omissa, justificando que a situação dos obesos é semelhante à de gestantes.

"A apelante não conduziu o ingresso da apelada por outra via, como seria seu dever. Além disso, ficou claro que os prepostos da apelante fizeram-lhe zombarias, bem como outras pessoas que se amontoavam para observar a cena. Também ficou comprovado que o estado emocional da apelada foi severamente abalado, a tal ponto que precisou de atendimento médico, em função da alta da pressão arterial, conforme confirmado pelo boletim do Corpo de Bombeiros. E, ainda que assim não fosse, a autora ficou, pelo menos, meia hora presa à roleta, razão pela qual, não seria preciso qualquer comprovação do aumento da pressão arterial para avaliar o mal-estar físico que sentiu, sem prejuízo da angústia e vexame amargurados", escreveu o desembargador.


Fonte:http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2012/03/23/mulher-obesa-ganha-r-12-mil-por-ficar-presa-em-catraca-de-onibus.jhtm

Brasil é quinto país com maior número de diabéticos no mundo

Brasil é quinto país com maior número de diabéticos no mundo.

Thinkstock
O número de brasileiros com diabetes deve aumentar para 12,7 milhões em 20 anos
LILIAN FERREIRA  - Do UOL, no Rio de Janeiro
O Brasil é o quinto país com maior número absoluto de diabéticos no mundo e deve permanecer na mesma posição em 2030, segundo a Federação Internacional de Diabetes. Em 2010, 7,6 milhões de brasileiros tinham diabetes, número que deve aumentar para 12,7 mi em 20 anos.
Em vista do número alarmante, chamado de epidemia pelo presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Balduíno Tschiedel, a entidade começa a partir da próxima semana um trabalho de capacitação e parceira com as secretarias estaduais de saúde.
"É muito difícil ter números de diabetes no Brasil, estimativas apontam para 7,6 mi, mas este número pode chegar a 10 milhões. Por isso, vamos trabalhar com os Estados para um maior controle do número de diabéticos no país e da capacitação para melhorar o atendimento", disse o endocrinologista.
No mundo, 285 milhões de pessoas com diabetes, em 2010, mais 344 milhões com tolerância à glicose prejudicada. Em 2030, 439 milhões deverão ser diabéticos e outros 472 ter tolerância reduzida, o que seria um "pre-diabetes". Os campeões mundiais são Índia, China e Estados Unidos, respectivamente.
O médico explica que com a melhora de renda mundial, a sobrevida da população também tende a aumentar e junto o diabetes, principalmente na faixa dos 60 aos 79 anos. Para ele, só a mudança no estilo de vida pode combater a doença.
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    Saiba mais sobre o que é diabetes, os sintomas e possíveis complicações da doença
O diabetes tem dois tipos, o tipo 1, resultado de um processo auto-imune, e o tipo 2, que representa 90% dos casos e está ligado ao estilo de vida. Mais de 80% dos diabéticos tipo 2 tem sobrepeso ou obesidade. No Brasil, 40% da população tem sobrepeso e 10 a 15% tem obesidade.
A doença quando não tratada adequadamente leva a diversos problemas de saúde correlacionados como: aumenta de 2 a 4 vezes o risco de doenças cardíacas -- a principal causa de morte dos diabéticos, é a principal causa de cegueira dos 20 aos 74 anos e é a principal causa de doença renal terminal.
Tschiedel lembra, ainda, que 60% a 70% dos diabéticos apresentam alterações no sistema nervoso e 50% das amputações de membros inferiores por doença são causadas pelo diabetes.