sábado, 14 de abril de 2012

Therasuit traz esperança

A fisioterapeuta Juliana finaliza dizendo que o tratamento é surpreendente.
A gaiola e as cordas elásticas ajudam a alongar a musculatura.
Maringá conta com um novo método que vai ajudar no tratamento de pessoas com deficiência.
O Therasuit é um método que consiste em um programa intensivo e individualizado visando o ganho de força, o aumento da resistência, do controle e da coordenação muscular e que ajuda a melhorar as atividades funcionais como engatinhar, sentar e andar.
O Therasuit é feito em quatro etapas que envolvem desde exercícios intensivos até o relaxamento.
“Na primeira etapa, são realizados exercícios onde o paciente é colocado em uma espécie de ‘gaiola’ para fazer movimentos enquanto seu corpo é segurado por um sistema de cordas e roldanas.”
Na segunda etapa, o paciente passa para o módulo de exercícios, onde seu corpo fica suspenso por elásticos dentro da mesma ‘gaiola’. Na terceira, o paciente coloca a roupa que é uma órtese composta por uma touca, um colete, um short, uma joelheira e um tênis, todos esses componentes estão ligados por um sistema de cordas elásticas.
E por último o paciente realiza hidroterapia para relaxamento muscular, explica a fisioterapeuta Juliana Barbosa, responsável pela aplicação do método na Clínica de Fisioterapia do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), pioneira nesse tipo de tratamento no Paraná.
Ledyanne Casitas de Matos descobriu o Therasuit durante uma pesquisa online e foi buscar referências com profissionais de Curitiba, que indicaram uma clínica paulista que já trabalhava com o método. Então, ela levou sua filha de quatro anos, que desde pequena apresenta um atraso motor, para fazer o tratamento, e durante sua realização ficou sabendo que o tratamento é disponibilizado na Clínica de Fisioterapia do Cesumar.
“Apesar de termos acesso a esse tratamento em São Paulo, é muito mais confortável não termos que sair de casa para proporcionar o melhor a ela”.
No começo apenas crianças tinham acesso ao tratamento, hoje a clínica já disponibiliza três tamanhos de roupas (para crianças, adolescentes e adultos). O tratamento é gratuito. A fisioterapeuta diz o que acontece quando o Therasuit é aplicado.
“Com a colocação dos elásticos o corpo inteiro tem seu peso distribuído e isso faz com que o centro gravitacional seja alterado, readequando o tônus muscular e, como consequência, adquirindo uma postura mais relaxada e perpendicular, com alinhamento correto das extremidades superior e inferior, o que é notado de imediato”.
De acordo com Juliana, o tratamento dura de três a quatro semanas, é feito todos os dias com descanso nos finais de semana, e no Cesumar é repetido a cada quatro meses.
“Segundo estudos, a terapia não pode durar mais que quatro semanas para não fadigar demais a musculatura, e durante esse intervalo é importante que o paciente continue fazendo a fisioterapia convencional”, afirma ela.
O Therasuit é indicado no tratamento de várias doenças. “Crianças e adultos que tem sequela de paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento, espasticidade, pós-AVE (Acidente Vascular Encefálico), ataxia (perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários), síndrome de Down, hipotonia (diminuição do tônus muscular), atetose (síndrome caracterizada por movimentos involuntários, lentos e ondulatórios nas mãos) e traumatismo craniano, entre outras doenças podem realizar o tratamento”, explica Juliana.
O tratamento pode trazer diversos benefícios como estabilização externa, alinhamento do corpo mais próximo do normal, aumento do equilíbrio e coordenação, estimulação tátil, reaprendizagem do sistema nervoso, entre outros.
A fisioterapeuta ressalta que apesar de ter diversos benefícios o tratamento é contraindicado para quem tem alergia a látex, já que a roupa é feita de borracha; problemas respiratórios graves; escoliose grave; subluxação grave de quadril; epilepsia – estressam os músculos, e ainda existem casos que devem ser avaliados como, por exemplo, pessoas que usam sonda gástrica.
Maria José Teodoro, mãe de uma menina de quatro anos com sequela de paralisia cerebral que faz o Therasuit pela Clínica de Fisioterapia do Cesumar, mostra que apesar dela fazer fisioterapia desde pequena não teve avanços significativos como com o uso do método.
“Em apenas três semanas minha filha ganhou massa muscular; consegue abrir a mão para pegar alguns objetos; quando é colocada de bruços no chão se movimenta até onde deseja; durante a execução do método, com o estímulo da fisioterapeuta, faz o movimento desejado, diferente da fisioterapia convencional que os exercícios são feitos pelos próprios profissionais; sua respiração melhorou; diminuíram os espasmos que antes aconteciam com frequência; consegue controlar melhor o pescoço e a cabeça; e isso nos deixa muito feliz, são pequenos ganhos que para nós se tornam enormes”, relata.
Segundo Juliana, ‘é importante deixar claro que a roupa utilizada no Therasuit não faz milagre, é uma órtese utilizada no tratamento, ou seja, ela não faz o paciente andar, apenas ‘imita’ a musculatura, e o tratamento têm dado certo porque é intensivo’.
Simone Queiroz, mãe de um menino de sete anos que sofreu uma anoxia (falta de oxigênio) quando tinha dois anos devido a demora para socorrê-lo depois de cair na piscina, fala da esperança ao iniciar o Therasuit há pouco tempo. “Espero que ele tenha sustentação de tronco, de cabeça, melhore a coordenação e aprenda a se situar no espaço”.


Fonte: http://educaofsicaadaptadaeeducaoespecial.blogspot.com.br

Entra em vigor nova legislação para melhorar mobilidade urbana nas cidades

Agência Brasil.

Melhorar a acessibilidade e a mobilidade das pessoas e cargas nos municípios e integrar os diferentes modos de transporte são alguns dos objetivos da Lei 12.587/2012, que começa a vigorar hoje (13). A legislação, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, foi sancionada em janeiro e dá prioridade a meios de transporte não motorizados e ao serviço público coletivo, além da integração entre os modos e serviços de transporte urbano.
A legislação prevê instrumentos para melhorar a mobilidade urbana nas grandes cidadescomo a restrição da circulação em horários predeterminados, a exemplo do que já existe em São Paulo. Também permite a cobrança de tarifas para a utilização de infraestrutura urbana, espaços exclusivos para o transporte público coletivo e para meios de transporte não motorizados, além de estabelecer políticas para estacionamentos públicos e privados. O texto também esclarece os direitos dos usuários, como o de ser informado sobre itinerários, horários e tarifas dos serviços nos pontos de embarque e desembarque.
Para o coordenador do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade, Nazareno Stanislau Affonso, a nova legislação coloca o Brasil dentro da visão de mobilidade sustentável. “Atualmente, a política de mobilidade do país dá prioridade ao uso do automóvel, que é uma proposta excludente. O que essa lei fala é que agora a prioridade deve ser dada a veículos não motorizados, a calçadas, ciclovias, ao transporte público e à integração do automóvel a um sistema de mobilidade sustentável”.
Segundo ele, a aplicação da lei também vai depender da pressão dos usuários para que os governos locais de fato mudem a sua política, e o automóvel seja integrado de forma mais racional. “Quem tem carro vai perder privilégios e quem usa transporte público vai ganhar direitos”.
A nova lei vai exigir que os municípios com mais de 20 mil habitantes elaborem planos de mobilidade urbana em até três anos, que devem ser integrados aos planos diretores. Atualmente, essa obrigação é imposta aos municípios com mais de 500 mil habitantes. As cidades que não cumprirem essa determinação podem ter os repasses federais destinados a políticas de mobilidade urbana suspensos. “O governo federal não vai poder liberar nada contrário à lei, então, quanto mais rápido os municípios fizerem seus planos, mais fácil será a liberação de seus projetos”, alerta Affonso.
Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a nova lei não é suficiente para garantir a sustentabilidade das cidades, com a necessária ampliação dos investimentos, redução dos congestionamentos e da poluição do ar e a melhoria da qualidade dos serviços públicos de transporte. Para o Ipea, que apresentou um estudo sobre a nova política de mobilidade urbana, é preciso o engajamento da sociedade para “fazer a lei pegar”, além da capacitação dos agentes municipais, que terão que adequar e implementar as diretrizes e instrumentos da lei à realidade de suas cidades.

Apenas 3% dos postos de trabalho para pessoas com deficiência são para liderança

SÃO PAULO - do UOL Economia

Apenas 3% das oportunidades de trabalho para pessoas com deficiência são para cargos de coordenação, supervisão, gerência e direção, segundo revela pesquisa realizada pelo site vagas.com.br.


De acordo com o levantamento, 80% das vagas exclusivas para estes profissionais estão restritas aos cargos operacionais. Na avaliação do gerente de vendas da Vagas Tecnologia, Luís Testa, o fato passa pela falta de qualificação destes trabalhadores, visto que do total de currículos cadastrados no site de pessoas com deficiência, somente 6% possuem superior completo, percentual que cai para 0,9% quando se trata de curso de pós-graduação, mestrado ou doutorado.
“Este levantamento mostra que há ainda uma discrepância entre as ofertas oferecidas para pessoas com deficiência e demais públicos. Revela ainda que algumas empresas estão utilizando a Lei da Cota para preencher cargos operacionais. Mas as empresas também sofrem com a falta de qualificação dos PCDs, um dos motivos para não oferecem mais vagas estratégicas a esse público”, diz.
Perfil
Ainda conforme o estudo, quando o assunto é a oferta de vagas para candidatos com superior completo ou em andamento, as oportunidades destinadas para portadores com deficiência respondem a 32% do total para este público, enquanto que para o público em geral, este percentual é de 66%.
Quanto ao tipo de deficiência mais encontrado entre os candidatos que estão em busca de oportunidades no mercado de trabalho, do total de inscritos no site, 54% apresenta algum tipo de deficiência física; 23% possuem problemas auditivos; 17,6% visuais.
Os portadores de deficiências mentais somas 9%, enquanto que os que têm problemas relacionados à fala são 3%.


Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br

Surda-muda de 4 anos seria vítima de estupro

SEGUNDO A MÃE


A Polícia Militar de Sumaré prendeu na tarde de ontem o ajudante de pedreiro L.M.S., 18, acusado de ter estuprado uma menina de quatro anos, que é surda-muda.
Ele mora no mesmo terreno que a família da criança, no Jardim dos Ipês, e a acusação foi feita pela mãe da menina, que afirma ter visto o crime. L. nega.
J.B.S., 21, relatou à polícia que, na tarde de ontem, não encontrou a filha onde ela costumava brincar, em um monte de areia em frente à sua casa, e foi informada pelo irmão de Silva que ela estava na casa do ajudante.


FLAGRANTE
Procurando na casa, ao chegar ao quarto de L., J. relatou que se deparou com a filha fazendo sexo oral no rapaz. A mãe chamou seu marido e a mãe do jovem para conversar, mas acabou se descontrolando quando ele chamou-a de louca e deu um tapa no rosto dele, que pegou de raspão.
A Polícia Militar foi chamada e L. aguardou a chegada dos policiais. Ele negou o crime, mas foi preso por determinação da delegada. Sua bermuda e cueca foram apreendidas para serem periciadas. Ele foi encaminhado para a Cadeia Pública de Sumaré.

Fonte: http://portal.tododia.uol.com.br/?TodoDia=policia&Materia=668210

Conselho Federal de Medicina vai definir critérios de anencefalia

DE SÃO PAULO

Uma comissão especial foi criada na manhã desta sexta-feira pelo Conselho Federal de Medicina para estabelecer em 60 dias os critérios para o diagnóstico de anencefalia.


Aborto de anencéfalo é descartar ser humano, diz CNBB
Governo diz que vai garantir cumprimento da decisão do STF
STF decide que não é crime o aborto de fetos anencéfalos


A decisão foi tomada pelo plenário da entidade após a decisão de ontem (12) do STF (Supremo Tribunal Federal) que liberou a interrupção de gestações de fetos anencéfalos.
Farão parte da comissão representantes do próprio conselho, das sociedades médicas de pediatria, neurologia, ginecologia e obstetrícia, do Ministério da Saúde, e especialistas em ultrassonografia fetal. Também poderão dar suas contribuições especialistas de algumas das principais universidades e escolas médicas do país.


Com o estabelecimento desses critérios, os médicos terão mais segurança para o diagnóstico destes casos, segundo o conselho, facilitando a interrupção mais precoce de gestações quando as mulheres decidirem por isso.


"Trata-se de momento histórico para o país, no qual os médicos --por meio de seus representantes-- têm o dever de dar à sociedade a mais completa segurança para que as decisões sejam tomadas com base em critérios éticos, técnicos e científicos", ressaltou o presidente do conselho, Roberto Luiz d'Avila.


Na manhã de hoje, o conselho divulgou nota manifestando apoio à decisão do STF.
No documento, a entidade ressalta que, em situações onde se comprova o diagnóstico de anencefalia, a chamada antecipação terapêutica do parto não deve entendida como uma obrigação da mulher, mas como um direito que lhe deve ser garantido e utilizado, caso faça essa opção.


Para o CFM, "a sentença contribui para o aperfeiçoamento das relações éticas na sociedade, estabelecendo uma ponte sólida entre a medicina e o Judiciário no debate e na deliberação acerca de temas de grande interesse para a assistência em saúde".


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1075568-conselho-federal-de-medicina-vai-definir-criterios-de-anencefalia.shtml

Portas: as violadoras do nosso sagrado direito de ir e vir

Adriana Lage comenta sobre as dificuldades enfrentadas pelos cadeirantes em relação às portas, destacando problemas quanto à largura, peso e tipo de abertura.
Adriana Lage

As portas são sempre grandes inimigas dos cadeirantes. Dificilmente, encontraremos um cadeirante que nunca teve problemas com elas. Hoje vou comentar um pouquinho sobre esse assunto. O desenho universal está aí para nos ajudar. Só que muitos arquitetos, engenheiros e proprietários se esquecem disso. A ABNT estabelece as larguras mínimas das portas, mas nem sempre isso acontece na prática. Quem quiser conhecer um pouco sobre as normas de acessibilidade pode consultar a ABNT NBR 9050. 
Desde que fiz uma reforma transformando uma sala na minha suíte, me encantei pelo blog http://thaisfrota.wordpress.com/. Lá encontramos muitas coisas interessantes sobre arquitetura acessível.


Basicamente, tenho problemas em relação à largura, peso e tipo de abertura. Tenho cadeiras de rodas manual e motorizada, todas com largura de assento variando de 40 cm a 42 cm. Consigo passar com um pouco de aperto em portas com 70 cm. As portas de 80 cm são razoáveis, sendo as mais tranqüilas de 90 cm para cima. Quando saio para passear, não tenho muito costume de frequentar banheiros, uma vez que geralmente não consigo passar nas portas.

Ri demais quando fui à Maragogi/AL, em 2010, e o funcionário do restaurante que era nosso ponto de apoio falou todo empolgado que tinham banheiro adaptado. Quando resolvi dar uma olhadinha no banheiro, fiquei passada da ideia – o banheiro era mesmo adaptado (assim me disse minha fiel escudeira Ana), mas, do lado de fora, existia uma cerca de madeira fixa no chão que não permitia que o cadeirante entrasse no banheiro! A distância entre uma tora de madeira e outra não permitia a passagem de uma cadeira de rodas. Era preciso fechar a cadeira de rodas! Acessibilidade zero. Por falar nisso, banheiro em viagem é sempre um capítulo a parte. Quando fui passear em Mangue Seco/BA, resolvi entrar num buggie e conhecer as belezas da região.


Tinha chovido demais nos dias anteriores e o sol não estava dando o ar de sua graça. Passeio vai, passeio vem, tínhamos saído cedinho de Aracaju, viajado de van, andando de balsa, depois de barco e, finalmente, o buggie. Já estava morrendo de vontade de fazer xixi, mas estava sem coragem de usar um banheiro que tinha visto no meio da areia próximo ao restaurante. Teria que andar bastante na areia, mas estava sem minha cadeira de rodas já que não coube no buggie. 

O lugar era medonho: uma casinha de madeira velha, caindo aos pedaços, com um degrau grande na entrada e os dizeres “Ele” e “Ela”. Quando não estava mais resistindo e me lembrei que a volta à Aracaju seria longa, conversei com a dona do restaurante. Ela me levou até um banheiro que me surpreendeu. O banheiro ficava próximo ao restaurante. 

Também era uma casinha de madeira, com um pequeno degrau na entrada, mas com barras de apoio, assento elevado e espaço para circulação da cadeira de rodas. Achei muito legal a iniciativa. Confesso que Mangue Seco não é um dos locais mais confortáveis para cadeirantes. Mas vale a pena!

Sempre me deparo com portas estreitas em banheiros. Ainda bem que a maioria dos shoppings e alguns restaurantes, cinemas e teatros já contam com banheiros adaptados. Trabalhei cinco anos em um setor do banco que funcionava no 8º andar de um prédio com cerca de 5.000 funcionários. Só existem banheiros adaptados no 5º e 6º andar. Após algumas reclamações, reformaram o auditório, colocando elevador e banheiro adaptado. Nas vezes em que precisei usar o banheiro, tive que recorrer aos outros andares. Era estranho demais! O povo me recebia muito bem, mas me sentia uma invasora usando o banheiro dos outros.

As portas estreitas também são muito comuns em lojinhas de bairro ou à beira mar. Tento não gastar em locais não acessíveis. Mas, quando não resisto, protagonizo cenas lindas: a cadeirante do lado de fora, na calçada, tomando sol ou chuva e a vendedora do lado de dentro mostrando os produtos. Enquanto a vendedora revira a loja, eu fico do lado de fora dizendo ”esse sim... esse não me agrada... tem oncinha?”.

Outro problema enfrentado é o peso da porta. Não sei por que o povo quase nunca repara nesse detalhe. Não consigo abrir, por nada desse mundo, as portas do banco onde trabalho. Logo que comecei a trabalhar, cansei de ficar presa no banheiro/corredor. Alguém me ajudava a entrar no banheiro, mas já viram, no sufoco de agência, sempre me esqueciam para trás. Como o banheiro ficava num corredor deserto, com portas pesadas também, sempre precisava ligar no celular para a telefonista da agência arrumar alguém para me resgatar. Um dos seguranças, que sempre me resgatava em suas rondas, vivia dizendo “ah Dri, matando serviço!”. As maçanetas também não ajudam em nada. Tenho dificuldades com maçanetas de girar. Prefiro as portas com barra ou puxador onde posso encaixar minhas mãos e fazer força.

Aqui em Belo Horizonte, temos shoppings e lojas com portas de vidro maravilhosas. Puro vidro. Esteticamente, são muito bonitas, mas nada acessíveis. Para quem tem pouca força nos braços, elas são extremamente pesadas. Sem falar no perigo que elas correm com motoristas barbeiros como eu!
Um problema que tem me intrigado é a abertura que fica na porta do banheiro adaptado em um shopping chique de BH. Os banheiros adaptados ficam separados dos demais. São bem amplos e cheios de adaptações. Mas sempre fica uma abertura na lateral esquerda da porta. Já fiz o teste com minha irmã e descobri que quem está do lado de fora, consegue enxergar direitinho quem está dentro. Já mandei email para a administração do shopping, mas ainda na tive resposta.

A forma de abertura da porta também costuma causar dor de cabeça nos cadeirantes. Por exemplo, tenho quase 12 anos de trabalho no banco e nunca trabalhei em um local onde as portas fossem de correr. Isso facilita demais a independência do cadeirante. Existem artifícios para se lidar com portas que se abrem para frente/trás do cadeirante. Certa vez vi uma entrevista de uma cadeirante no Mais Você onde a mulher amarrava um lenço na maçaneta da porta. Quando precisava fechar a porta, puxava-a pelo lenço. 

Particularmente, me atrapalho com portas. Tanto é que no meu quarto uso portas de correr nos armários e no banheiro. Fica muito mais tranquilo. O ideal para um cadeirante são portas de correr, com 90 cm de largura mínima. Nem sempre é possível estacionar a cadeira de rodas para se abrir/fechar uma porta que não corre. Muitas vezes o espaço é tão reduzido que a manobra fica inviabilizada.

Enfim, só quis dividir com vocês um pouquinho das dificuldades que os cadeirantes passam com as portas. Tomara que o desenho universal seja mesmo colocado em prática e que os profissionais da construção, engenheiros, arquitetos e proprietários de imóveis pensem nesses detalhes, previstos em lei, em suas reformas e construções.


Fonte:Rede SACI - Belo Horizonte-MG, 13/04/2012 - Imagens Internet

Justiça eleitoral dá exemplo com campanha de TV inclusiva



Está sendo veiculada de 19 de março a 29 de abril, no rádio e na televisão, a campanha nacional da Justiça Eleitoral sobre o alistamento dos eleitores, denominada “Brasileiro que vota não foge à luta”.

O objetivo é informar sobre a necessidade de se tirar o título de eleitor pela primeira vez ou atualizar o cadastro na Justiça Eleitoral, no caso de alterações, até o dia 9 de maio, para poder votar nas eleições municipais de outubro.

Clique aqui para assistir o vídeo.

Até aí, nenhuma novidade. Mas chamou-me a atenção o filme “Jovens Guerreiros”. Produzido pela agência Fields Comunicação e pela Cara de Cão Filmes, a peça, em preto e branco, tem o seguinte texto:

O que é uma pedra para um guerreiro?
O que são gotas para quem só pensa em vencer?O que são noites para quem tem prova?O que é atraso para quem tem paciência?Quem vence uma luta, ganha o dia.Neste caso, quatro anos.Jovens guerreiros, acordem!

Se você vai completar 16 anos até 7 de outubro, tire o seu título de eleitor.O voto é obrigatório aos 18 anos, mas é um direito já a partir dos 16.

Procure um Posto da Justiça Eleitoral até 9 de maio, levando um documento de identidade com foto e comprovante de residência.

Justiça Eleitoral.
Brasileiro que vota, não foge à luta.
Nenhuma grande surpresa no texto.

O que surpreende positivamente são as imagens. Nelas, estão brasileiros que não estamos acostumados a ver na TV, mas que têm tanto direito de votar quanto qualquer outro.

O primeiro que aparece é um rapaz com síndrome de Down, e o outro um jovem com albinismo.  Além deles, outros brasileiros. Como eles.

Há anos os anúncios da Justiça Eleitoral já atendem às regras de acessibilidade, com legenda e janela de libras, assim como os programas e propaganda eleitorais dos candidatos e partidos também devem por lei ser acessíveis.

A publicidade inclusiva é uma forma de promover a inclusão de segmentos excluídos na sociedade, induzindo a presença de seus membros em comerciais de TV. A ideia é, por meio da propaganda, ajudar a construir no imaginário do público a noção de que aquelas pessoas pertencem ao coletivo. Funciona muito melhor do que qualquer campanha específica, porque a imagem é transmitida de forma natural. Além disso, não custa nada além do valor normal do filme – e de quebra emprega atores que antes não tinham muita possibilidade de trabalho.

Parabéns à Justiça Eleitoral pelo esforço de tornar sua propaganda inclusiva, mostrando que, também na publicidade, os direitos devem ser iguais.

Reatech 2012: Nova Smart Perkins™ torna ensino e aprendizagem de Braille mais fácil

Máquina de escrever braille de alta tecnologia fornece retorno visual e de áudio juntamente com uma cópia impressa para que todos possam aprender braille em conjunto - alunos, professores, pais e adultos perdendo sua visão.

Nesta semana, na ReaTechSite externo., a Perkins ProductsSite externo., uma divisão da Perkins Escola para Deficientes Visuais, fabricante da mundialmente famosa máquina de braille Perkins ®, apresenta a nova Smart Perkins™ Brailler. Esta máquina de escrever braille de alta tecnologia fornece retorno visual e de áudio juntamente com uma cópia impressa para que todos possam aprender braille em conjunto - alunos, professores, pais e adultos perdendo sua visão.

O novo produto permite ao aluno aprender braille de forma independente, mesmo quando um professor especialmente treinado não está presente. Os retornos de áudio e visual na tela estão disponíveis em Português via software Acapela de comando de voz. "Nós acreditamos que este lançamento realmente permite que as pessoas estejam no mesmo nível e desmistifica o sistema braille para permitir uma experiência de aprendizado compartilhado”, comenta David Morgan, vice-presidente e diretor geral da Perkins Products.

Para uma criança que é deficiente visual ou tem perda parcial da visão, aprender braille equivale a uma criança que pode ver aprender a escrever cartas e ler palavras e frases. A alfabetização é essencial para a empregabilidade e independência pessoal e financeira. Para as pessoas que são deficientes visuais, o Braille funciona como lápis e papel, seja eletrônica ou fisicamente. "Em poucas palavras, o objetivo geral de toda inovação da Perkins Products é expandir a alfabetização em braille e, assim, expandir o potencial de sucesso para as pessoas que são deficientes visuais em todo o mundo", diz Morgan. "A Smart Perkins é a ferramenta para fazer isso."

A Smart Perkins é única em suas características multifuncionais e multissensoriais, usando o teclado braille padrão. Equipada com um dispositivo eletrônico exclusivo que exibe símbolos grandes, imagens simuladas e fornece saída de áudio, a Smart Perkins permite a não usuários do sistema braille acompanhar o que está sendo digitado. Como o dispositivo é construído em torno de um Perkins Brailler ® de última geração, uma cópia impressa em braille é gerada simultaneamente. Além de funcionar como um digitador mecânico de braille, a máquina permite ao aluno gravar e transferir documentos eletrônicos via USB, para editar documentos, e permite que um aluno com visão ou que os pais possam trabalhar ao lado do aluno, utilizando tanto o retorno de áudio, como a tela ou a impressão.

A Smart Perkins proporciona ao novo usuário do braille uma aprendizagem mais eficaz e integrada, pois facilita a comunicação e a colaboração entre o aluno e seu professor, pais ou colegas, garantindo ainda mais a inclusão de alunos com deficiência visual nas salas de aula. Mesmo os professores que não sabem braille pode ver ou ouvir o que os alunos estão digitando. Dessa forma, a interação e o feedback entre aluno e professor (ou pai e filho) é mais imediata e eficaz.

Este novo equipamento agrega a máquina braille de escrever mais utilizada no mundo, a Perkins Brailler, com a mais avançada tecnologia, criando um produto único, projetado para simplificar o processo de aprendizado. Outros produtos braille de alta tecnologia exigem que a pessoa seja proficiente em braille, enquanto a nova Smart Perkins foi projetada exatamente para ajudar as pessoas que estão aprendendo braille a se familiarizar usando uma variedade de modos de comunicação.

Além disso, como a máquina Perkins já é o equipamento braille para escrever mais usado no mundo, a adaptação para a versão eletrônica será tranquila para os usuários, sem a necessidade de um treinamento especial. A Smart Perkins vem com um manual de uso e um resumo em áudio. Também serão disponibilizados, sem custo, vídeos de treinamento online.

O website da Smart Perkins será lançado no fim de maio e o produto estará disponível no Brasil a partir de setembro desse ano. O equipamento será distribuído pelas empresas Bengala BrancaSite externo. e CiviamSite externo..

Para mais informações sobre esse novo equipamento e outros produtos Perkins, acesse o site www.perkinsproducts.orgSite externo. ou envie uma mensagem para perkinsproducts@perkins.org



Fonte: http://vidamaislivre.com.br

Reatech 2012: montadoras apresentam soluções de para inclusão e acessibilidade em veículos

Entre os 300 expositores da feira, algumas montadoras irão apresentar versões especiais de seus modelos com foco na inclusão.

Fiat Dobló com elevador de cadeira de rodas

11ª edição da Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech)Site externo. começou nesta quinta (12) e segue até o próximo domingo (15) no Centro de Exposições ImigrantesSite externo., em São Paulo. O objetivo do evento é apresentar novas tecnologias que contribuem para melhorar a acessibilidade de pessoas com deficiências em veículos. Entre os 300 expositores da feira, algumas montadoras irão apresentar versões especiais de seus modelos com foco na inclusão. 

FordSite externo. terá uma versão especial da van Transit adequada ao transporte de usuários de cadeiras de rodas, já que o modelo possui uma plataforma de elevação automática no compartimento traseiro, com travamento de rodas. O sistema tem capacidade de elevação de até 350 quilos. Além do cadeirante, a Transit leva mais 11 pessoas, incluindo o motorista. A adaptação foi feita por meio de uma parceria com a empresa especializada Dhollandia. 

FiatSite externo., que oferece adaptações especiais em toda sua linha de modelos, mostrará novidades como a van Ducato para transporte de cadeirantes e o novo Palio Essence Dualogic, com aro acelerador no volante, freio manual na coluna e inversão de pedal, que permite com que pessoas com dificuldades de locomoção possam dirigir. A multivan Doblò também ganhou plataforma elevatória, para facilitar o acesso de usuários de cadeiras de rodas e o novo Siena Essence Dualogic foi equipado com acelerador de aro no volante eletrônico e freio manual do tipo alavanca F1.

VolkswagenSite externo. focará nos modelos com a transmissão automatizada I-Motion, que consegue atender a cerca de 80% dos motoristas com necessidades especiais, segundo a montadora. Este câmbio, que aciona a embreagem por meio de uma central eletrônica, eliminando a necessidade de pedal, permite ao motorista trocar marchas por toques na alavanca ou em borboletas no volante. A marca alemã terá unidades do Polo e Fox com câmbio I-Motion na pista de test drives para veículos adaptados – uma das atrações da feira.

De acordo com os organizadores, Citroën, Honda e Toyota também apresentarão propostas de acessibilidade no evento. Nos dias 12 e 13, a feira estará em funcionamento das 13h às 21h. Nos dias 14 e 15, o público poderá frequentar o espaço entre 10h e 19h. A entrada é gratuita e há transporte gratuito a partir da estação Jabaquara do metrô. As vans saem da Rua Nelson Fernandes, 400. Para quem for de carro, o estacionamento custa R$ 25. Confira osite da mostra.

Fonte: http://motordream.uol.com.br

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Com 5 votos a favor, STF suspende julgamento de aborto de anencéfalos

A pequena vitória recebendo carinho de seus pais Marcelo e Joana“O problema maior seria a ampliação do aborto. Hoje discute-se sobre anencéfalos, depois vão permitir outros tipos de aborto. Isso não pode acontecer”, afirmou Lenise Garcia, presidente do Movimento Nacional de Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto.
Dos 6 que votaram, somente 1 foi contra liberar aborto de feto sem cérebro. Julgamento será retomado nesta quinta; 4 ministros ainda precisam votar.
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta quarta-feira (11) o julgamento de ação que pede a liberação do aborto de feto sem cérebro após o voto de seis ministros. Cinco votaram a favor da liberação – Marco Aurélio Mello, Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Apenas Ricardo Lewandowski foi contra.
Faltam ainda os votos dos ministros Ayres Britto, Gilmar Mendes, Celso de Mello e do presidente do STF, ministro Cezar Peluso. O ministro Dias Toffoli se declarou impedido de votar porque, quando era advogado-geral da União, se manifestou publicamente a favor da liberação.
O julgamento será retomado na tarde desta quinta-feira (12), às 14h, segundo o presidente do Supremo. A interrupção ocorreu porque parte dos ministros precisava participar de sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta.
O plenário do STF iniciou nesta quarta a análise da ação proposta em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, pedindo que o Supremo permita, em caso de anencefalia, que a mulher possa escolher interromper a gravidez. De acordo com o Código Penal, o aborto é crime em todos os casos, exceto se houver estupro ou risco de morte da mãe.
O ministro relator, Marco Aurélio Mello, considerou inconstitucional a interpretação que trata como crime interromper a gravidez de feto anencéfalo.
De acordo com Mello, o termo aborto não é correto para casos de anencefalia pois não há possibilidade de vida do feto nessas condições.
Joana Schimitz Croxato, 29, que sabia desde a 12a semana que a filha (Vitoria de Cristo) era anencéfala, mas quis manter a gestação até o final.
Joana Schimitz Croxato, 29, que sabia desde a 12a semana que a filha (Vitoria de Cristo) era anencéfala, mas quis manter a gestação até o final.
“Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. No caso do anencéfalo, não existe vida possível. O feto anencéfalo é biologicamente vivo, por ser formado por células vivas, e juridicamente morto, não gozando de proteção estatal”, afirmou o relator.
Para os ministros que acompanharam o relator, a decisão de interromper a gravidez do feto sem cérebro é direito da mulher, que não pode ser oprimida pela possibilidade de punição. A decisão do STF valerá para todos os casos semelhantes e os demais órgãos do poder público serão obrigados a respeitá-la.
“Não é escolha fácil. Todas as opções são de dor. Exatamente, fundado na dignidade da vida, neste caso, acho que esta interrupção não é criminalizável. [...] O útero é o primeiro berço do ser humano. Quando o berço se transforma em um pequeno esquife a vida se entorta”, afirmou a ministra Cármen Lúcia.
“É tão justo admitir que a mulher aguarde nove meses para que dê a luz ao feto anencefálico e também representa a Justiça não se permitir que uma mulher que padece dessa tragédia de assistir durante nove meses a missa de sétimo dia do seu filho seja criminalizada e colocada no tribunal de júri como se fosse a praticante de um crime contra a vida”, afirmou o ministro Luiz Fux.
“O crime de aborto quer dizer a interrupção da vida e, por tudo o que foi debatido nesta ação, a anencefalia não é compatível com essas características que consubstanciam a ideia de vida para o direito”, declarou a ministra Rosa Weber.
Alguns ministros ressaltaram que o Supremo não está discutindo a legalização do aborto de modo geral ou obrigando mulheres grávidas de fetos anencéfalos a interromper a gestação. A Corte discute se é crime interromper a gestação de um feto que, segundo a opinião de alguns especialistas, não tem chances de vida fora do útero.
“Faço questão de frisar que este Supremo Tribunal Federal não está decidindo permitir o aborto”, disse Cármen Lúcia.
“O Supremo, evidentemente, que respeita e vai consagrar aquelas mulheres que desejarem realizar o parto ainda que o feto seja anencefálico”, afirmou Luiz Fux.
A decisão que o Supremo tomar deve ser seguida por todas as instâncias da Justiça e pelos órgãos públicos, conforme a legislação em vigor. Caso alguém se recuse a aplicar a decisão, a gestante pode recorrer por meio de uma reclamação diretamente no Supremo para garantir o direito de abortar.
A decisão do Supremo, no entanto, não impede o Congresso Nacional de aprovar uma lei que ratifique a decisão do STF ou que defina regras específicas sobre o aborto de anencéfalos.
A pequena Vitoria e os paisDivergência
O ministro Ricardo Lewandowski, que abriu a divergência após cinco votos favoráveis à liberação do aborto, afirmou que o Supremo não pode interpretar a lei com a intenção de “inserir conteúdos”, sob pena de “usurpar” o poder do Legislativo, que atua na representação direta do povo.
“Uma decisão judicial isentando de sanção o aborto de fetos anencéfalos, ao arrepio da legislação existente, além de discutível do ponto de vista científico, abriria as portas para a interrupção de gestações de inúmeros embriões que sofrem ou viriam sofrer outras doenças genéticas ou adquiridas que de algum modo levariam ao encurtamento de sua vida intra ou extra-uterina”, disse Lewandowski.
Interrupção ‘não é aborto’
O advogado Luís Roberto Barroso, que defende os interesses da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde no processo, afirmou durante o julgamento que “não é aborto” a interrupção da gravidez nesses casos. Para ele, como o feto não tem cérebro “não há vida em sentido técnico”.
“A interrupção nesses casos não é aborto. Então, não se enquadra na definição de aborto do Código Penal. O feto anencefálico não terá vida extra-uterina. No feto anencefálico, o cérebro sequer começa a funcionar. Então não há vida em sentido técnico e jurídico. De aborto não se trata”, afirmou Barroso durante sua sustentação oral no plenário do STF.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, concordou com a tese apresentada pela defesa da entidade. “Nada justifica uma restrição tão intensa ao direito à liberdade e autonomia reprodutiva. A mulher tem restrição desproporcional a um direito fundamental de elevada importância na escala de valores constitucionais. A proibição da interrupção da gravidez nessas trágicas circunstâncias tende a agravar e prolongar essa dor”, completou Gurgel.
Para a presidente do Movimento Nacional de Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto, Lenise Garcia, se o aborto de anencéfalos for aprovado pela Corte, “será um ponto negativo para o país”.
“O problema maior seria a ampliação do aborto. Hoje discute-se sobre anencéfalos, depois vão permitir outros tipos de aborto. Isso não pode acontecer”. Segundo Lenise Garcia, a entidade que representa mantém contato com grávidas de bebês anencéfalos. “Pelo que constatamos, as mães que abortam os bebês sofrem mais do que aquelas que lutam até o fim pela vida das crianças’, disse.
“Ser com sentimentos”
Joana Schimitz Croxato, 29, que sabia desde a 12a semana que a filha (Vitoria de Cristo) era anencéfala, mas quis manter a gestação até o final.
Joana Schimitz Croxato, 29, que sabia desde a 12a semana que a filha (Vitoria de Cristo) era anencéfala, mas quis manter a gestação até o final.
Os pais de uma criança de 2 anos, que teve anencefalia (ausência de cérebro) diagnosticada durante a gravidez, acompanharam, com a filha, o julgamento nesta quarta.
Apesar do diagnóstico de anencefalia, Vitória nasceu com um resquício de cérebro e couro cabeludo (acrania), conforme especialistas ouvidos pelo G1. Eles informaram que trata-se de uma “sobrevida vegetativa” e a mãe poderia ter pedido a interrupção da gravidez por conta do diagnóstico.
“Ela é uma criança com deficiência neurológica e precisa de estimulação, porém ela não é um vegetal, não é uma coisa. Ela é um ser humano com sentimentos”, disse a mãe.
Quadro mostrando o que é Anencefalia
Anencefalia
Além das questões jurídicas, o plenário do Supremo debate o que diz a ciência sobre a anencefalia. Em 2008, especialistas e entidade da sociedade civil apresentaram no Supremo durante audiência pública conceitos e opiniões sobre o assunto.
O relator do caso citou dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), referentes ao período entre 1993 e 1998, segundo os quais o Brasil é o quarto país no mundo em incidência de anencefalia fetal, atrás de Chile, México e Paraguai.
A chamada anencefalia é uma grave malformação fetal que resulta da falha de fechamento do tubo neural (a estrutura que dá origem ao cérebro e a medula espinhal), levando à ausência de cérebro, calota craniana e couro cabeludo. A junção desses problemas impede qualquer possibilidade de o bebê sobreviver, mesmo se chegar a nascer.
Estimativas médicas apontam para uma incidência de aproximadamente um caso a cada mil nascidos vivos no Brasil. Cerca de 50% dos fetos anencéfalos apresenta parada dos batimentos cardíacos fetais antes mesmo do parto, morrendo dentro do útero da gestante, de acordo com dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Um pequeno percentual desses fetos apresenta batimentos cardíacos e movimentos respiratórios fora do útero, funções que podem persistir por algumas horas e, em raras situações, por mais de um dia. O diagnóstico pode ser dado com total precisão pelo exame de ultrassom e pode ser detectado em até três meses de gestação.
A anomalia pode ser diagnosticada, com certa precisão, a partir das 12 semanas de gestação, através de um exame de ultra-sonografia, quando já é possível a visualização do segmento cefálico fetal. [carece de fontes] Feto anencéfalo. O risco de incidência aumenta 5% a cada gravidez subsequente. Inclusive, mães diabéticas têm seis vezes mais probabilidade de gerar filhos com este problema. Há, também, maior incidência de casos de anencefalia em mães muito jovens ou nas de idade avançada. Uma das formas de prevenção mais indicadas é a ingestão de ácido fólico antes e durante a gestação.
Fontes: G1 -  Wikipédia - http://www.deficienteciente.com.br