sábado, 9 de junho de 2012

Copa 2014: Brasil promove primeiro debate com foco na acessibilidade




Campinas, SP, 05 (AFI) - O Brasil está prestes a realizar dois dos maiores eventos esportivos do planeta. Doze estádios estão sendo construídos para a Copa de 2014. Aeroportos e portos, reformados. Centenas de hotéis implantados e reformados. Obras de mobilidade urbana se espalham pelas cidades. São mais de R$ 20 bilhões em obras de infraestrutura e de telecomunicações. Mas será que as novas construções serão acessíveis a todos os públicos?
O Brasil possui mais de 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. São pessoas com dificuldades de locomoção, auditiva, visual, entre outras. O que está sendo planejando para atender esse público e os milhares de turistas que precisarão de uma atenção especial durante a Copa do Mundo? Quais os planos brasileiros nas áreas de tecnologia e inovação voltados à pessoa com deficiência?
Para debater essas e outras questões, exatamente a dois anos da Copa de 2014, será promovido o Copa for All, primeiro debate brasileiro com foco na acessibilidade da Copa 2014 e Olimpíadas 2016. “Escolhemos o tema porque ainda não conhecemos os projetos de acessibilidade relacionados às arenas, aos hotéis, aos aeroportos e outros equipamentos que estão sendo preparados para os megaeventos”, destaca Rodrigo Prada, um dos organizadores do encontro.
Prada lembra que na Copa 2010 alguns estádios construídos para o Mundial da África do Sul não foram projetados para atender requisitos de acessibilidade e o que se viu foi um grande desrespeito aos portadores de necessidades especiais.
“A Fifa reforça as orientações quanto à segurança nos estádios, como procedimentos e equipamentos para evacuação do local em caso de emergência. Porém, a entidade que organiza o Mundial não especifica, por exemplo, qual o número de lugares destinados a pessoas com deficiência, deixando a critério da legislação do país esta definição”.
Inclusão Social
De acordo com o turismólogo e cadeirante Ricardo Shimosakai, um dos palestrantes do evento, o essencial para pessoas com deficiência física em um estádio de futebol são rampas ou elevadores, dependendo da estrutura arquitetônica, instalações sanitárias, circulação com rotas acessíveis e sinalização adequada, além do espaço onde a pessoa com deficiência física assistirá ao jogo.
Um serviço de apoio é recomendado pela FIFA, para que todas as pessoas com deficiência possam ser atendidas. Mapas táteis do estádio, sinalização em Braille e pisos táteis são itens importantes para quem tem deficiência visual. Para atendimento de pessoas com deficiência auditiva, é importante contar com profissionais treinados para interpretar a Língua Brasileira de Sinais (Libras), que apesar de ser utilizada somente no Brasil possui semelhanças com outras línguas estrangeiras de sinais.
Além dos estádios, toda a infraestrutura das cidades também deve ser pensada sob a ótica da acessibilidade. Pois o evento influenciará outras áreas como a de transportes aéreo e rodoviário, hotelaria, informação, além da visitação turística nos pontos importante de cada cidade-sede.
O evento Copa for All acontece no auditório da Vivo em São Paulo de 11 a 13 de junho e contará com a presença de arquitetos projetistas das arenas, especialistas em mobilidade urbana e aeroportos, profissionais da área jurídica e autoridades públicas e lideranças políticas como o deputado Romário, grande incentivador de uma Copa do Mundo acessível a todos. Para abertura do encontro, uma apresentação do humorista Geraldo Magela (Ceguinho) sobre as dificuldades de um turista cego no país da Copa do Mundo.
Agência Futebol Interior

Brasil terá uma das maiores equipes nas Paralímpíadas de Londres 2012 com 158 atletas

PARABÉNS ATLETAS BRASILEIROS!

O Brasil já conquistou 158 vagas para atletas com deficiências físicas e sensoriais nos Jogos Paralímpicos de Londres, que começam em agosto deste ano. As vagas são para esportistas classificados entre os quatro melhores no ranking Internacional em 18 modalidades, como Goalball, hipismo, halterofilismo, judô, tiro esportivo, natação e tênis sentado, entre outros.
Para o diretor técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Edilson Rocha Tubiba, “pela primeira vez na história, o Brasil conseguirá participar com uma equipe completa de quatro atletas do tênis de mesa em cadeira de rodas. Dois deles participam do programa Bolsa-Atleta do Ministério do Esporte”, acrescentou ele, ao comentar a divulgação desse dado nesta quarta-feira (23), pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC).
O Comitê Internacional anunciou também 19 vagas para a natação (14 no time masculino e cinco no feminino). Os nomes dos brasileiros que cairão na piscina em Londres ainda não estão definidos. “O Brasil é o país com o maior número de nadadores da América Latina. Foi uma quantidade boa e importante para chegarmos com os melhores atletas do Brasil em Londres. Temos um número de esportistas em altíssimo nível”, disse o coordenador nacional da modalidade, Murilo Barreto.
Oportunidade para participar
Os interessados em disputar uma dessas 19 vagas e que precisam melhorar o índice em busca da convocação para as Paralímpiadas terão uma última chance na Etapa Nacional do Circuito Loterias Caixa. O evento acontecerá em São Paulo, nos dias 16 e 17 de junho.
A convocação oficial da Delegação Brasileira para os Jogos Paralímpicos de Londres será publicada no site do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) no dia 20 de junho.
Delegação brasileira ainda pode aumentar
Segundo Tubiba, a previsão é de que o número total de vagas ainda aumente de 158 para 185. “O Comitê Paralímpico Internacional (IPC) divulgará até junho a quantidade de vagas dos países na modalidade Atletismo”, disse.
Ele ressaltou ainda que a meta do Brasil é conquistar o sétimo lugar nas competições, com 50 medalhas, superando os jogos de Pequim de 2008, quando o Brasil se classificou em 9o lugar, com 47 títulos. Para alcançar essa meta, Tubiba explicou que a equipe conta com um planejamento estratégico até 2016, que ultrapassa a Paralímpiada de Londres.
“A implementação de novos projetos, aliada à entrada de recursos do governo federal para as competições que serão sediadas no Rio, com o aumento do número de equipes em diversas modalidades, fará com que consigamos nos qualificar e levar os melhores atletas para as competições”, ressaltou.


Fonte:http://www.deficienteciente.com.br 

Campanha de RESPEITO

Diretoria executiva do IPC faz revisão de projeto com Rio 2016

Na reunião foram discutidos tópicos sobre acessibilidade, planejamento de integração Paralímpica e Olímpica, além de estratégias de eventos testes. Também foram apresentadas as atualizações sobre as construções da Vila Paralímpica e das arenas em que serão realizados os Jogos.


Comitê Paralímpico Internacional (IPC)Site externo. realizou, junto ao Comitê Organizador Rio 2016,  a terceira revisão do Projeto Executivo dos Jogos, neste domingo, 3 de junho.                                                          O presidente do Comitê Paralímpico BrasileiroSite externo., Andrew Parsons, esteve presente na reunião. Também participaram da reunião Xavier Gonzales, CEO do IPC, José Luis Campo, representante do IPC nos Jogos Rio 2016,  e o diretor chefe de Integração dos Jogos Paralímpicos, Thanos Kostopoulos.                                               Na reunião foram discutidos tópicos sobre acessibilidade, planejamento de integração Paralímpica e Olímpica, além de estratégias de eventos testes. Também foram apresentadas as atualizações sobre as construções da Vila Paralímpica e das arenas em que serão realizados os Jogos.                                                                 “O IPC está satisfeito com o progresso do Comitê Rio 2016. Discutimos tópicos muito importantes na revisão do Projeto Executivo. Sabemos que todos os olhos e focos estarão no Rio, até a conclusão dos Jogos. A cidade mais do que nunca deve estar preparada”, disse Jose Luiz.                                                                                                                                                   Desde esta segunda-feira, 4 de junho, a delegação do  IPC participará de reuniões com a Comissão de Coordenação do COI sobre o progresso dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016. Um grupo de trabalho específico do Movimento Paralímpico se encontrará com o Governo para discutir os planos e metas para os Jogos Rio 2016.                                                    Antes da revisão do Projeto Executivo, a Academia Paralímpica, órgão de educação do IPC, realizou dois workshops. O primeiro foi sobre o desenvolvimento de um legado Paralímpico significativo após os Jogos.  O segundo abrangeu  esclarecimentos de requisitos Paralímpicos que estão nos Manuais e guias técnicos do IPC.                                                                            

Bebê é o primeiro a morrer na Argentina após adoção da lei da 'morte 'digna'

Marcia Carmo De Buenos Aires para a BBC Brasil UOL Notícias
A notícia foi confirmada pela mãe da bebê, Selva Herbón, em declarações à imprensa local. "Ela partiu em paz e deixou direitos para todos", disse a mãe.

                                                                                         Reuters 

Foi anunciada nesta sexta-feira, na Argentina, o falecimento do bebê Camila Sánchez Herbón, de três anos, símbolo da luta pela lei da "morte digna", aprovada há quatro semanas pelo Congresso do país. 


A criança, que vivia em estado vegetativo, teve os aparelhos que a mantinham viva desligados, na primeira morte autorizada após a adoção da nova legislação.  


A notícia foi confirmada pela mãe da bebê, Selva Herbón, em declarações à imprensa local. "Ela partiu em paz e deixou direitos para todos", disse a mãe.


Na segunda-feira, a família pediu formalmente aos médicos que desligassem os aparelhos que mantinham Camila viva - um respirador artificial e um alimentador - no hospital Centro Gallego, de Buenos Aires.

A mão de Camila Sánchez Herbón, de três anos, 
símbolo da luta pela lei da "morte digna"


O bebê viva em estado vegetativo, sem atividade cerebral, desde que nasceu. Os problemas foram consequência de um erro médico.


Antes da aprovação da lei de "morte digna", os médicos haviam rejeitado o pedido dos pais para o desligamento dos aparelhos. Nesta semana eles pediram um prazo para avaliar "os procedimentos" (médicos e legais), de acordo com o jornal Clarín.


Na quinta-feira, os médicos ligaram para a mãe de Camila e disseram que os aparelhos seriam desconectados diante de um grupo reduzido. Os pais da menina, Selva e Carlos, pediram a um amigo que os representasse no quarto onde Camila passou os três anos de vida.


"Selva me pediu essa ajuda e no início eu fiquei em dúvida, mas ela me disse que seria muito forte para ela. Durou alguns minutos", contou Marcelo Velis, amigo da família. De acordo com a imprensa local, Camila será cremada, após uma cerimônia realizada por um padre católico.


Campanha
A mãe de Camila liderou a campanha para aprovação da lei argumentando que a bebê tinha o direito "a descansar em paz", segundo disse em entrevista à BBC Brasil, no ano passado.
"Ela só cresce. Não enxerga, não ouve, não chora, não ri, não se mexe mesmo quando a toco", disse a mãe, na ocasião.


Na hora da votação do projeto no Congresso, Selva esteve no plenário e comemorou a aprovação da lei.


Ela tinha escrito para a presidente Cristina Kirchner e tinha conversado com sacerdotes para "explicar" que a filha "não merecia aquele calvário".


Segundo a imprensa local, Camila passou duas horas com os aparelhos desligados até morrer de parada "cardiorrespiratória não traumática".


Fonte:http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2012/06/08/bebe-e-o-primeiro-a-morrer-na-argentina-apos-adocao-da-lei-da-morte-digna.jhtm

Brasil vive "epidemia descontrolada" de Aids, diz presidente do Grupo Pela Vidda

"O Brasil não tem conseguido diminuir a incidência do HIV/Aids", diz George Gouvea, do Pela Vidda
Felipe Martins Do UOL, no Rio
                                                                      Felipe Martins/UOL

Presidente do Grupo Pela Vidda, referência no Estado do Rio no atendimento a pessoas com o HIV, o psicanalista George Gouvea vem denunciando as falhas do programa DST/Aids do Ministério da Saúde. Para ele, o Brasil vive uma “epidemia descontrolada”, ao contrário da palavra oficial do Ministério que reafirma controle da doença.

Os números oficiais dão essa certeza ao presidente do Pela Vidda. Nos últimos dez anos, pelo menos 102 mil soropositivos morreram no país e 311 mil novos casos foram notificados (dados consolidados até 2010). Apesar de os números anuais não sofrerem grandes variações (média de 11 mil mortes e 34 mil novos casos por ano), Gouvea critica o uso do termo "estabilidade" para classificar os números no Brasil. "Seria o mesmo que considerar 10 mil mortes de judeus por ano no holocausto um número estável", diz.
Em recente publicação, a Fiocruz, órgão do Governo Federal, pediu uma "correção de rumo" para o programa DST/Aids no país. "Ao contrário do que se tem observado em outros países que também instituíram programas de acesso universal ao tratamento e têm observado queda na incidência de novas infecções, o Brasil não tem conseguido diminuir a incidência do HIV/Aids", aponta o documento.
Para o presidente da ONG, campanhas de prevenção a Aids devem contar com a participação do público-alvo para a obtenção de resultados positivos.“Não tem como eu ir para uma esquina falar com uma travesti sobre prevenção, a travesti vai rir da minha cara e tem toda a razão de fazer isso”. O Grupo Pela Vidda atende cerca de 300 pessoas por mês e realiza assistência jurídica, reuniões de acolhimento e palestras, entre outras atividades.
UOL - Por que você afirma que vivemos uma “epidemia descontrolada” de Aids no país?
George Gouvea - A gente não pode admitir que existam aproximadamente 35 mil novos casos de infecção pelo vírus HIV por ano. Em dados apurados em 10 anos, até 2010, a gente vai encontrar quase 350 mil novos casos de pessoas se descobrindo soropositivas. Eu não sei que estabilidade é essa. É a estabilidade da vergonha. A gente não pode se acomodar e achar que 35 mil novos casos por ano são poucos casos. A gente não pode achar que quase 12 mil óbitos por ano seja um número interessante. Que estabilidade é essa que o governo, que o ministério da saúde diz. É a estabilidade da morte?
UOL - O que está errado no programa DST/Aids?
Gouvea - Muita coisa está errada. Nós temos um bom programa de Aids, ninguém pode dizer o contrário. A distribuição de retrovirais como política pública de saúde é realmente um marco, a gente não pode deixar de reconhecer. Mas não pode ser só isso. Não se pode apenas disponibilizar o remédio na boca da farmácia e dizer tchau, até logo. É preciso a criação de programas permanentes de prevenção, políticas, estratégias, esclarecimentos, tudo isso junto com a sociedade. Não é possível que a gente ouça a palavra Aids quando chega o verão e durante o Carnaval. É preciso se falar de Aids durante o ano todo, todos os dias. Eu deveria entrar no metrô e ver todos os dias um pôster falando de HIV. As crianças e os jovens precisam entrar nas escolas e ouvir sobre HIV. Eu fico imaginando a quantidade de pessoas que sequer ouvem a palavra Aids por meses. O assunto HIV deveria fazer parte do cotidiano da sociedade. O governo tem parcela de responsabilidade porque ele é um incentivador. Obviamente não pode fazer tudo, mas tem um papel de fomentar de provocar, de instigar e isso não está sendo feito.

"Não é possível que a gente ouça a palavra Aids quando chega o verão e durante o Carnaval. É preciso se falar de Aids durante o ano todo, todos os dias"
George Gouvea, presidente do Pela Vidda


UOL - No recente livro publicado pela Fiocruz, um dos problemas apontados é a questão do diagnóstico tardio.                                                                                               Gouvea - Nós temos hoje no Brasil um índice de quase 50% de diagnóstico tardio, que é quando o sujeito se descobre com HIV já doente. Ele vai gerar uma série de custos por conta do diagnóstico tardio. Esse sujeito, quando interna, gera um custo com a permanência no hospital. Ele vai pedir licença do trabalho gerando custo para a previdência social. Mas o pior de todas essas coisas que eu acabei de falar é o sofrimento humano ao adoecer. Isso tudo poderia ser resolvido com um plano de testagem eficiente. Por que hoje nós não temos nenhum plano de testagem? Hoje existem centros de testagem a penas nas grandes cidades. É uma questão política, um cinismo para parecer que tudo funciona bem.                                       UOL - Não é interessante para o governo a criação de mais centros de testagem?                                          Gouvea - Se mais polos de testagem forem criados, vai demandar mais assistência porque mais pessoas serão diagnosticadas e essa demanda de pessoas soropositivas não vai encontrar atendimento. Se o número de testagens aumentar nós vamos ter o caos no atendimento.                                                                                                                                                UOL - A epidemia teve um crescimento espantoso na Região Norte. De 1998 a 2010 a incidência da Aids aumentou em 237,7%...                                                                                     Gouvea - A tendência de uma epidemia descontrolada é que vá para o interior, é a interiorização. Se olharmos o mapa do HIV no Brasil se verifica essa tendência. Se nós já temos problemas nas grandes capitais eu fico imaginando o que será do interior.                     UOL - O último boletim epidemiológico do governo federal apontou preocupação com a incidência de Aids no segmento jovem gay. Entretanto, a presidente Dilma Rousseff vetou a campanha de prevenção a Aids voltada ao público homossexual. Na propaganda vetada, um casal homoafetivo troca carícias, sequer há um beijo. Censura como essa não torna mais difícil a prevenção do crescimento do HIV no país?                Gouvea - O que a gente percebe é que nos últimos 10 anos a política nacional para DST/Aids tem sofrido alguns percalços. Isso tem nos preocupado muito. Há uma intromissão em políticas públicas de saúde no Estado laico de determinados setores religiosos. Se o Estado é laico, o nosso ordenamento político, com todo respeito, não é a Bíblia, é a Constituição. Nas últimas campanhas houve uma interferência de setores conservadores. Isso tudo foi muito triste para o movimento. Mas é importante ressaltar que essas intromissões acontecem nas esferas superiores. Porque aquele gestor que est á lá na ponta, que é nosso parceiro, que está em um determinado nível para baixo dentro do governo do Estado ou município ou governo federal, essas pessoas são parceiras. Mas acontece que elas têm limites de atuação. Por isso é preciso uma política de governo que atenda a todos os segmentos da população em parceria com a sociedade civil organizada.                                                                                                     UOL - E como você interpreta a vulnerabilidade do jovem gay apontada no boletim do Ministério da Saúde?                                                                                                                          Gouvea - É comum a gente ler reportagens que dizem que está tendo mais casos com uma parcela da população. Mulheres, idosos, jovens gays. Na verdade essa é uma forma estranha de ver as coisas. O que existe é o HIV se espalhando por todo o tecido social, essa que é a realidade. Por esse motivo a gente deve ter políticas que atendam as demandas de todos os segmentos de todas as regiões do país. Eu não posso falar de HIV com um jovem gay da mesma forma que eu falo com uma pessoa da terceira idade. Se a gente não respeitar a diversidade de cada segmento fica difícil a informação chegar.                                                        UOL - O documento publicado pela Fiocruz apontou ainda a superlotação de hospitais, a falta de leitos para pacientes soropositivos como outro grande problema. No Rio, onde é a área de atuação do Pela Vidda, a situação não é diferente. O último relatório do Ministério da Saúde como o Estado entre os cinco de maior incidência de casos no país. Você que vive esse dia a dia, qual a realidade destinada aos pacientes?      Gouvea - Nós temos muitas dificuldades. Infelizmente a questão da Aids está relegada ao décimo plano no Rio de Janeiro. Eu vou ousar dizer a você que no Rio de Janeiro, tirando o Ipec da Fiocruz que é federal, nenhum hospital, seja do município ou do Estado, recebe dignamente um doente de Aids. Nós temos falta de leitos, os pacientes com Aids, que precisam ficar em leitos isolados devido ao sistema imunológico debilitado, ficam jogados nos corredores das enfermarias com outros doentes. Faltam médicos, faltam infectologistas na rede. Se a pessoa se descobre soropositiva e procura uma unidade d e saúde, só vai ter a primeira consulta daqui a quatro, cinco meses. O sujeito que recebe aquela batata quente, o resultado na mão, não consegue atendimento imediato. Outro problema é a falta de remédios. O que a gente tem de informação é que a compra dos medicamentos está em fase de licitação. Mas há quatro meses. A gente não está falando de saco de cimento, de tijolo, de argamassa. Se o governo sabe que está acabando, tem de fazer a licitação bem antes de acabar. A gente está falando de saúde, de vida, de morte. O que acontece agora é uma licitação assassina.
"São mais de 30 [mortes] por dia. É como se todo dia um ônibus caísse em uma ribanceira. Na Guerra da Síria já morreram 14 mil pessoas e a ONU está alarmada achando um crime contra a humanidade. Aqui morrem 12 mil pessoas por ano de Aids e todo mundo acha que é normal"
UOL - O que um paciente soropositivo enfrenta, hoje, para conseguir atendimento?  
Um indivíduo que se descobre soropositivo sem estar doente só consegue uma consulta depois de quatro, cinco meses. E é fundamental esse primeiro contato com o médico, porque é ele que vai esclarecer, que vai acalmar esse paciente que procura a unidade de saúde achando que vai morrer. Depois de conseguir a primeira consulta, ele vai precisar fazer um exame de sangue. Esses exames em geral demoram mais de trinta dias para ficarem prontos , o que é outro absurdo, já que na rede privada os mesmos exames ficam prontos em cinco dias. Depois, para retornar ao médico com os exames, mais quatro, cinco meses. Então esse paciente espera quase um ano para o encaminhamento do tratamento dele.                                  UOL - E se esse paciente se descobre com HIV já com os sintomas das doenças que afetam o sistema imunológico. O que ele enfrenta na rede pública de saúde?                      Se já é um paciente doente que já apresenta a manifestação das doenças oportunistas por já estar com o sistema imunológico debilitado, esse sujeito interna e começa a sua via crucis. Ele tem de contar com a sorte de cair com um médico que perceba se tratar de um caso de HIV, mas o que geralmente acontece é o paciente chegar com, por exemplo, tuberculose em um hospital e apenas essa doença oportunista ser tratada. Não vai adiantar muita coisa. Essa pessoa fica misturada a outros pacientes, exposta a pegar outras doenças. Essa falta de estrutura da rede de saúde em todo o país resulta nesses quase 12 mil óbitos por ano. São mais de 30 por dia. É como se todo dia um ônibus caísse em uma ribanceira. Na Guerra da Síria já morreram 14 mil pessoas e a ONU está alarmada achando um crime contra a humanidade. Aqui morrem 12 mil pessoas por ano de Aids e todo mundo acha que é normal. Que estabilidade é essa?                                                                                                                          UOL - Que tipos de projetos podem ser executados para que as campanhas contra a Aids atinjam segmentos diferentes da população brasileira?                                          Gouvea - Vou te dar um exemplo. Nós fizemos um projeto chamado Babadão da Prevenção voltado para garotos de programa que trabalham em saunas gays. Procuramos esses garotos, fizemos com eles um trabalho de capacitação falando sobre prevenção, o uso da camisinha. Dessa forma, esses garotos que foram capacitados passaram a conversar com outros garotos de programa usando a linguagem comum a eles, com seus próprios símbolos de comunicação. E, por consequência, esse trabalho acabou atingindo todo o universo de pessoas que frequentam aquele ambiente: os clientes, os travestis que fazem programa. Não tem como eu ir para uma esquina falar com uma travesti sobre prevenção, a travesti vai rir da minha cara e tem toda a razão de fazer isso. Por isso nós criamos um grupo que é coordenado por uma travesti. É preciso falar a mesma língua. A prevenção ao HIV só vai funcionar se conseguir atingir todo o tecido social. Se a gente não conseguir atingir todo o mosaico social, está fadado ao fracasso ou a essa estabilidade vergonhosa.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ricardo Gomes segue na luta, mas já admite desistir de ser treinador Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/extra-campo/ricardo-gomes-segue-na-luta-mas-jaacute-admite-desistir-de-ser-treinador-5141662.html#ixzz1xCIltOVA



Ricardo Gomes vive dias de incerteza. O meio do ano era o prazo que estabelecera para sua volta ao trabalho, mas o tempo, correndo demais, ameaça escapar de sua mão direita, ainda sem sensibilidade desde o AVC de 28 de agosto. Com a fala já quase fluente e a perna cada vez mais firme, o treinador segue confiante e continua na luta para voltar em um mês ao futebol. Mas, pela primeira vez, admite jogar a toalha. "Se em dezembro eu não estiver recuperado, esquece. Vou parar", diz, com exclusividade, ao blog Extracampo.

Extracampo: Como está sendo sua rotina de fisioterapia?
Ricardo Gomes: Para mim, é massacrante. Mas não tem jeito. É preciso trabalhar.

Mas você está falando cada vez melhor. Não pensa em virar locutor esportivo (risos)?
(Risos). Se o Galvão precisar de um substituto, quem sabe? Posso me candidatar. Estou bem melhor...

Na sua última entrevista, você falou sobre voltar em junho ou julho. Já estamos em junho... Essa melhora na fala significa que você está para voltar?
Pode até ser que eu consiga, mas deixa eu te falar: a parte do meu cérebro afetada foi a da sensibilidade. Ainda não encontrei a sensibilidade. Sinto um peso no braço e na perna. Não há uma progressão aritmética para isso. Não há um estudo que crave o prazo para a recuperação total. Pode até ser em junho ou julho. É viável. Mas não tenho certeza.

Quais são sua dificuldades?
O maior problema é o antebraço. Não consigo escrever com a mão direita, por exemplo. Só com a mão esquerda. A escrita vai ser o mais difícil. Posso demorar de três a quatro anos. Já sei que vai ser difícil encontrar a sensibilidade na mão. Na perna, posso encontrar. Aí, poderei trabalhar. É mais ou menos o que acontece com uma criança que começa a andar entre 9 e 11 meses. Preciso recomeçar a fazer os caminhos.

Apesar da dificuldade, você está confiante?
Estou, mas se em dezembro eu não estiver recuperado, esquece. Não vou ficar esperando mais. Vou parar e pensar em outra coisa para fazer no futebol. Mas ainda não perdi a esperança de voltar, quem sabe até no mês que vem. O médico diz que aos poucos vou melhorando até o fim do ano. A recuperação pode ser amanhã ou lá para o fim do ano. Vamos ver.

O braço, onde está sua maior dificuldade, teve alguma melhora da sua saída do hospital para cá?
Recuperei totalmente a parte motora. Falta a sensibilidade. No início, eu nem mexia o braço direito, que parecia pesar 300 Kg. Agora, pesa 80 Kg. A perna está muito melhor, mas o braço... A fala tem boa fluência, mas gaguejo às vezes e tenho mais uns 10% a melhorar. Como vou trabalhar assim?

Se passar julho... Se até dezembro você não estiver em condições, que função você gostaria de assumir no futebol?
Nem pensei. Se isso acontecer, vou ter que ver... Prefiro ainda acreditar que vou conseguir trabalhar como treinador antes de dezembro. Mas, se não der mais, sei que posso continuar no futebol de várias formas.

Você tem conhecimento do mercado. Não acha que seria um bom dirigente?
É... Não pensei mesmo. Aumentei a carga da fisioterapia. Chego em casa às 21h...

Tem visto muitos jogos de futebol?
Tenho. E vou te dizer: gostei da seleção brasileira. Apesar da última derrota, gostei. Há muito tempo não a via tão bem.

Acompanhou a saída do Ronaldinho do Flamengo?
É uma pena. Ele tem um talento enorme. Deveria ter mais durabilidade...

Fonte: http://extra.globo.com 

Escolas particulares não estão prontas para incluir

Marília do Rosário retirou o filho Thiago, que sofre de epilepsia,
da escola após a instituição dizer que não o aceitaria mais.
Antônio Costa / Gazeta do Povo


No último Dia das Mães Marília Vieira do Rosário, 29 anos, não ganhou um abraço do filho Thiago, 3 anos. Também não recebeu um cartão nem se emocionou com a apresentação na festa da escolinha. Na ocasião, enquanto as outras crianças cantavam, Thiago permaneceu parado, com as mãos nos ouvidos. Desde que ele nasceu Marília convive com a síndrome de West do filho, um tipo grave de epilepsia, e está acostumada com o comportamento evasivo do garoto, que não fala. O que a frustrou, porém, não foi a reação da criança, mas a decisão da direção da escola, que, após a festa, comunicou que não aceitaria mais o menino.             “Foi muito difícil. Um mês antes, quando o aceitaram, eu disse que ele tomava os comprimidos, que não tinha mais crises e assinei um termo de responsabilidade por ele no período em que passaria na escola. Ficaram com medo de ele ser agressivo, de outros pais reclamarem, mas aceitaram quando expliquei mais   sobre a síndrome. Ele poderia ficar até que eu encontrasse outra escola, mas achei melhor tirá-lo [após o comunicado] e ele está em casa.”
 Do outro lado, a coordenadora pedagógica da escola, Tatiana Malinverni, explica o porquê da decisão e argumenta que os pais têm dificuldades em entender quando a escola assume não estar preparada para atender algum aluno. “Eu penso no bem do aluno. Seria fácil aceitá-lo aqui, mas ele não estaria desenvolvendo as capacidades de que precisa. Eu gostaria de ter pessoas especializadas ou o espaço necessários, mas no momento não temos e não acho correto aceitar um aluno sem garantir a ele a educação especializada que requer”, diz.                             

O caso de Thiago, infelizmente, não é raro. Enquanto as escolas públicas caminham para estarem cada vez mais preparadas para atender alunos com qualquer tipo de deficiência, seja física ou intelectual, nas particulares ainda há dificuldade em achar vagas de inclusão. Das dez escolas particulares procuradas pela reportagem, apenas duas se mostraram abertas a receber um aluno de inclusão intelectual fictício. As outras disseram já ter um aluno de inclusão nas turmas da série em questão, o que seria o limite.                                                              
Segundo o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná, Ademar Batista Pereira, não há uma regra que diga que cada turma das escolas particulares possa ter apenas um aluno com necessidades especiais. Mas essa é uma estratégia pedagógica tomada para não prejudicar as aulas. “Essa limitação não existe porque a escola não quer atender os alunos com necessidades especiais, mas porque ela tem de ter consciência de suas limitações e agir com responsabilidade. De que adianta um pai entrar na Justiça para que a escola aceite o filho dele na marra? Educação é parceria entre escola e família, se a inclusão acontecer à força, que tipo de parceria vai existir? Como vai ser o trabalho com esse aluno?”, afirma.                                                                                                       
Particular ou pública?                                                                                                     
A pedagoga e doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Maria Silvia Bacila Winkeler lembra que perante a lei todos devem ter acesso à educação. E que, dentro da escola, o atendimento pode ser mais facilitado nas instituições públicas, que podem estar melhor equipadas. “Se formos pensar em estrutura física, a pública é melhor, pois recebe financiamentos para espaços diferenciados e salas multifuncionais, o que não existe em muitas escolas particulares”, diz. Mas nem todos estão convencidos da qualidade do atendimento prestado nas escolas públicas, como afirma a psicóloga Miriam Pan, pós-doutoranda em Psicologia na Univer­sidade de Austin, no Texas, Estados Unidos. “Se tivéssemos de fato uma escola pública de qualidade, fazendo uma inclusão de qualidade, provavelmente todos os pais de crianças com deficiências estariam lá e não precisariam bater de porta em porta implorando por vagas nas escolas particulares”, diz.                                                                                         Acesso não garante qualidade                                                                                        
O grande problema da inclusão é justamente expandir o número de vagas, sem se preocupar com a qualidade do ensino e do atendimento, segundo a psicóloga Miriam Pan, pós-doutoranda em Psicologia na Universidade de Austin, no Texas, Estados Unidos. “Colocamos todos pra dentro da escola, mas para quê?”, questiona. Morando nos Estados Unidos, onde pesquisa a inclusão para seu pós-doutorado, Miriam comenta que o Brasil é um país que tem uma política de inclusão bastante recente e que precisa amadurecer. “Em países como os europeus ou os Estados Unidos a inclusão tem o mesmo discurso, mas é feita com base no fortalecimento da estrutura da educação e investimento em professores e recursos humanos. É um direito da criança com dificuldades estar na escola e ser bem atendida. Nas salas, vai sempre haver um professor regente e um outro habilitado para trabalhar com crianças com necessidades especiais ou um especialista, e não um auxiliar como acontece aqui no Brasil”, diz. Ela também explica que aqui o acesso acontece, mas sem o tratamento que os estudantes precisam. “A inclusão chega sem que a estrutura necessária chegue junto. E não estamos falando só das rampas de acesso ou barreiras arquitetônicas, nós percebemos barreiras em termos de discriminação, preconceito e até indiferença”, diz.                                    
Parceria                                                                                                                                
O diálogo e o trabalho em conjunto é o que pode fazer com que a inclusão realmente aconteça. E, para que funcione, nada pode ser imposto ou escondido, segundo a pedagoga Maria Silvia Bacila Winkeler. “Um professor que recebe uma criança com deficiência deve ser consultado antes, até para que possa se preparar, assim como os colegas também precisam ser informados para que aprendam a lidar com a situação. Sempre, se temos um novo colega, ele precisa ser apresentado. Precisamos nos conhecer e nos compreender para sabermos agir”, afirma.                                                                                                                              
Mas ela lembra que, apesar de não ser fácil achar uma instituição adequada para a criança, a luta maior começa com o filho dentro da escola. “Eles precisam olhar com cuidado se a escola do filho realmente aceita a criança e investe na educação dela. Porque,sem isso, é perda de tempo para o aluno e desgaste para a escola e para os pais”, diz. O entendimento entre as partes é fundamental para o aluno e deve ser o objetivo quando se pensa na inclusão, mesmo que ela venha depois de terem sido encontradas muitas portas fechadas.


Fonte:http://creativeideias.blogspot.com.br

Portador da síndrome de Asperger estuda biomedicina

DENISE MOTA colaboração para a Folha de S.Paulo

"Excêntrico", "tímido", "antissocial". Aos 26 anos, Leonardo Ferraz de Castro Araújo sabe que seu modo de ser provoca estranheza, e os epítetos que recebe não são novidade para o recifense, estudante de biomedicina na Universidade Federal de Pernambuco e diagnosticado há seis anos como portador da síndrome de Asperger.


"Sinto-me uma pessoa normal, com minhas idiossincrasias, não como alguém com um transtorno que deva ser debelado a todo custo", afirma.


A síndrome de Asperger foi descrita em 1944, mas somente há 15 anos é reconhecida oficialmente. Trata-se de um transtorno do desenvolvimento caracterizado por deficit na sociabilidade. Os áspergueres --ou "aspies", como eles se definem-- têm geralmente interesses restritos por certas áreas do conhecimento ou temas, dificuldade em se adequar a condutas sociais entendidas como normais e linguagem "sem atraso, porém repetitiva e formal", como enumera Letícia Amorim, psiquiatra e mestre em psicologia pela USP.


A síndrome de Asperger pode ser entendida como uma espécie de autismo, uma vez que esse problema é compreendido atualmente pela medicina como uma disfunção comportamental em que os sintomas variam de acordo com o comprometimento cognitivo, conforme explica a psiquiatra.
Manter uma vida social é um dos grandes desafios dos "aspies", e é nisso que Leonardo vem se empenhando e avançando, ainda que seus patamares sejam considerados "insuficientes para a maioria das pessoas", como constata. Além de almejar uma melhoria em termos pessoais, o estudante se esforça para combater "o famoso estereótipo do autista inepto" ou "em seu próprio mundo". 


"O autismo não denota uma vida fadada ao fracasso nem à exclusão", diz.
À tarde, ele frequenta aulas na universidade e sessões com uma psicóloga que o acompanha há um ano e meio. Mas sua rotina é variável. Se, há algum tempo, uma simples mudança de sala podia lhe provocar tremores e taquicardia, hoje é a manutenção dos mesmos afazeres, horários e itinerários o que o exaspera.


Mas, apesar de estar mais tolerante às pequenas novidades que pontuam o cotidiano, situações ou mesmo detalhes aos quais não está habituado ainda lhe causam mal-estar. "Recentemente, uma lâmpada foi trocada na minha casa e fiquei importunado por vários dias porque a cor da luz é diferente."


Além da consciência de suas limitações e características --"me comunico melhor por e-mail e sou verborrágico [ao escrever]", avisou logo ao ser convidado para falar sobre a síndrome para a Folha, por exemplo--, uma marca de Leonardo é a sinceridade.


"Meus principais problemas são a socialização muito pobre e a pouca comunicação verbal. Falo muito pouco e, quando falo além do normal, incorro naqueles problemas de não esperar a vez do outro, por exemplo", descreve. "Com a idade superei em muito meus problemas da síndrome, mas a socialização ainda me deixa frustrado. Os poucos amigos que souberam de minha condição foram os da faculdade, e sempre fui tratado como normal."


Respostas
O estudante tem uma irmã mais nova, "perfeitamente normal", e diz receber apoio diário dos pais, tios e avós, apesar de a síndrome gerar mais instabilidade "do que uma relação entre pais e filhos ditos normais".


Pelo fato de se caracterizar por sinais, e não por exames específicos ou marcadores biológicos, detectar o problema depende da observação da família e da perícia profissional. Uma vez diagnosticado, o ideal é que os pais "tentem compreender as peculiaridades" de seus filhos, "potencializar suas habilidades e driblar suas dificuldades", aconselha Amorim.
"A principal característica é o deficit na interação social por terem dificuldade de perceber que os outros são diferentes deles e que têm experiências diferentes. São capazes de falar por muito tempo sobre temas que lhes agradam sem se darem conta do desinteresse do interlocutor. A linguagem é formal e monótona e tendem a focar detalhes", descreve a especialista, criadora do C.A.S.A. (Clube de Amigos da Síndrome de Asperger), ligado ao Instituto de Psicologia da USP e que promove encontros sobre o tema.


Desde 2001, Leonardo integra a rede Asperger Brasil, no Yahoo, formada por pessoas acometidas pela síndrome, familiares e profissionais ligados ao transtorno. Em conversas diárias, "aspies" de todo o Brasil trocam experiências, descobertas e informações.


"Criei o Asperger Brasil porque percebi que o grupo "autismo" não atendia às necessidades de autoconhecimento dos áspergueres. A pessoa ásperguer não se encontra no mundo", afirma o geólogo paulistano Argemiro Garcia, secretário da Abraça (Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas com Autismo).


"Somente quando entrei para o grupo e passei a pesquisar acerca da síndrome é que tive a certeza de tê-la. Lá, soube que meus problemas com sensibilidade do tato, sons, medos de ruídos, estereotipias (no meu caso, girar dedos, mãos e braços), peculiaridades na fala (eu repetia palavras) e até abordar pessoas estranhas para falar de assuntos de meu interesse eram característicos do autismo e da síndrome", diz Leonardo. "Encontrei respostas para meu jeito de ser tão estranho, que eu sabia ser algo além de depressão ou ansiedade, que era o que os médicos diziam."


Aos que enfrentam a síndrome, Leonardo aconselha: "Usem de seus meios para melhorar a socialização -psicólogos, grupos de ajuda, instituições que organizam eventos para fomentar a interação social e até mesmo a internet".


Na vida adulta, continua ele, a dica é "tentar seguir áreas nas quais sejam talentosos e respeitar seus limites, mas não duvidem de suas capacidades". E, aos pais, um pedido: "Jamais desistam de desenvolver as habilidades de seus filhos e sejam compreensivos quando começarem a ter responsabilidades".


Fonte:http://caminhosdoautismo.blogspot.com.br

Parlamentares e governantes: Cadê os ônibus adaptados e outros benefícios para pessoas com deficiência menos favorecidas?

Nobres parlamentares e governantes: Cadê os ônibus adaptados e outros benefícios para as pessoas com deficiência menos favorecidas?


O texto abaixo foi escrito por Deoclécio de Oliveira, amigo e colaborador do blog. Deoclécio é pai de uma jovem com paralisia cerebral.


Acompanho nas redes sociais pessoas com deficiência cobrando cada vez mais a acessibilidade. Esta cobrança é o carro chefe das reivindicações e é um dever do poder público oferecer esse tipo de serviço a todo segmento, uma vez que também poderá beneficiar pessoas da terceira idade e outras situações.
Um país que se preocupa com estas políticas públicas, por certo está cumprindo seu papel e zelando pelos seus cidadãos… Por outro lado tenho percebido que estas cobranças são feitas com mais afinco por uma parcela da população mais esclarecida e com um melhor poder aquisitivo, e acabam focando sempre num ponto especifico, esquecendo que as necessidades de uma pessoa com deficiência vão além da acessibilidade, compra de veículos com isenção fiscal, vagas para estacionamento. ..
É preciso lembrar que no universo da deficiência existem pessoas que precisam e sofrem por falta de recursos básicos. No entanto estas questões são deixadas para trás e não são consideradas prioritárias pelo poder público, que ainda faz vista grossa.  Vemos também que nossos representantes políticos, principalmente alguns que são pessoas com deficiência, acabam focando também na questão da acessibilidade e se esquecem de reivindicar por itens básicos que a maioria das pessoas com deficiência necessita.
Quanto às pessoas com deficiência que tem um melhor poder aquisitivo, ou seja, podem adquirir uma cadeira de rodas de última geração, podem comprar um carro e adaptar, tem convênio médico e recursos para o trabalho e lazer, é evidente que estas não estão preocupadas em lutar por um ônibus adaptado, por um melhor serviço de saúde, pela entrega gratuita e sem burocracia de próteses e cadeiras de rodas de qualidade para pessoas que não tem estes mesmos recursos. “Por isso não são solidários” em somar com os menos favorecidos, em cobrar dos nossos representantes parlamentares, órgãos governamentais… Agindo assim, caracteriza uma “postura de egoísmo”.
O mesmo acontece com parlamentares com deficiência e que tem um melhor poder aquisitivo, eles também não se esforçam em criar projetos de lei, como por exemplo, a inclusão escolar sem estes traumas que passam as famílias quando vão em  busca de matrículas para  seus filhos em escolas estaduais e municipais. Esses parlamentares não se preocupam em exigir do Governo Federal o fim deste cálculo do INSS de 25 % da renda per capita em fornecer o benefício LOAS as famílias que cuidam de pessoas com patologias crônicas que as impedem de trabalhar. Pois o correto seria ver a necessidade financeira individualmente.
Está na hora de ativistas que defendem os direitos das pessoas com deficiência, parlamentares que também são deficientes e políticos não deficientes, pararem de usar a MÍDIA com discurso demagogo… Políticos dizendo que vão defender os direitos do segmento apenas com interesse de votos. Vamos acabar com esta cultura e fazer menos MÉDIA NA MÍDIA, com menos posturas de estrelismos e respeitar as pessoas que tanto sofrem por falta das políticas públicas e sociais, que é um direito de todo cidadão. Precisamos sim, de representantes que tenham uma visão universal, com coerência…  Não precisamos de representantes que apenas têm interesses específicos numa parcela do segmento e/ou interesse pessoal e político partidário.
Deoclécio Oliveira

CANECA PARA CEGOS

QUE TAL SERVIR-SE SEM DERRAMAR OU TER QUE COLOCAR O DEDO DENTRO DO COPO PARA SABER O NÍVEL DO LÍQUIDO?




Já tentou se vendar e colocar água num copo? Como você faria para saber em que nível está a água? Viu como é difícil?
A pessoa cega enfrenta essa dificuldade diariamente, tendo que mergulhar o dedo para identificar os níveis. Na água, suco ou líquidos frios ainda é fácil. E no café, chá ou leite? Muitas pessoas cegas utilizam o ouvido, o som do líquido caindo no copo ou caneca para identificar o nível. Mas não é privilégio de todos.
Pensando nisso os designers Sang-hoon Lee and Yong-bum Lim criaram um protótipo para a Braun. Uma caneca com sensores e sonora para os cegos. Na alça da caneca tem um indicador com 3 níveis em alto relevo que auxilia a escolha da quantidade de bebida dentro do recepiente. São 3 sensores, quando o líquido atinge o nível, a caneca emite um aviso sonoro, graças à um speaker no fundo da caneca. Uma ideia realmente inteligente e que proporcionará autonomia para as pessoas cegas.





Novo teste pode desvendar 3000 doenças no feto

Um grupo de cientistas norte-americanos conseguiu sequenciar o genoma de um feto às 18 semanas de gestação, utilizando para isso apenas uma amostra de sangue da mãe e de saliva do pai. Consequência disso é que o novo teste pode, no futuro, ajudar a detectar cerca de 3000 doenças, antes do nascimento.
Até agora os investigadores já conseguiam ler o genoma dos fetos através do líquido amniótico. Contudo, o exame necessário, a amniocentese (uma técnica invasiva), apesar de amplamente utilizada pela medicina, acarretava alguns riscos para a gravidez.
Há dois anos um grupo conseguiu também sequenciar o genoma do bebé a partir do sangue da mãe, mas a análise revelou-se mais incompleta, uma vez que carecia de amostras paternas. A experiência ainda está confinada aos laboratórios mas, à semelhança das outras descobertas, o avanço reacende o debate sobre as questões éticas do diagnóstico pré-natal e eventuais decisões que se sucedem.
O trabalho em causa acaba de ser publicado na revista científica Science Translational Medicine e, segundo os autores, representa um grande avanço no diagnóstico pré-natal de doenças de base genética, com a grande vantagem de ser um método não invasivo. A sequenciação do genoma permite, por exemplo, detectar doenças como trissomia 21 (síndrome de Down), doença de Huntington, síndrome de Marfan, retinoblastoma, fibrose quística e uma forma da doença de Alzheimer.
O estudo foi conduzido por Jacob Kitzman e Matthew Snyder, no laboratório de Jay Shendure, da Universidade de Washington. Num comunicado, os autores adiantam que o método explorado permite uma visão mais clara do genoma, uma vez que detecta as variações mais subtis, ao incluir tanto material da mãe como do pai. Ao todo poderão ser detectadas cerca de 3000 doenças genéticas, ainda que a sua incidência média seja de apenas 1%.
Os investigadores explicam também que muitas das mutações genéticas não podem ser observadas directamente nos pais, mas sim na formação do óvulo, do esperma e na concepção, pelo que é mais útil uma leitura já durante a gestação e numa fase em que o feto já tem a sua formação avançada, como é o caso das 18 semanas.
Na mesma nota, o grupo explica que repetiu o mesmo método (análises ao sangue e saliva) num casal que já se encontrava mais perto do final da gravidez. Em ambos os casos no parto foi recolhido sangue do cordão umbilical e foi feita uma nova análise do genoma dos bebés para se comparar com a leitura feita durante a gestação, tendo os resultados sido muito satisfatórios, com uma taxa de sucesso de 98%.
Já há muito que os cientistas sabem que no sangue materno é possível encontrar amostras do ADN do feto. Apenas algumas semanas depois da concepção, cerca de 10% das células de ADN em circulação na mulher são já provenientes do bebé. Nesse sentido, vários laboratórios têm vindo a desenvolver alguns testes baseados apenas no sangue materno e que consigam, de forma segura e pouco dispendiosa, ser utilizados pelos médicos, para substituir o tradicional exame invasivo ao líquido amniótico.
A investigação agora dada a conhecer tenta ir mais longe e detectar mais doenças do que as que são comummente procuradas. “Esta solução melhorada é como ser capaz de ver que em dois livros que estão juntos num deles uma palavra numa página está mal escrita”, exemplificou Kitzman.
Durante a investigação, o grupo norte-americano conseguiu também perceber na amostra de sangue que parte da informação genética pertencia ao feto e que parte era apenas da mãe, isto é, quais eram os seus haplótipos. A molécula de ADN humano (ácido desoxirribonucleico) contém 3 mil milhões de pares de bases, sendo um par de bases um conjunto de dois nucleótidos (compostos que auxiliam os processos metabólicos) opostos e complementares na cadeia de ADN. As bases são as “letras” que compõem o ADN (Adenina, Citosina, Guanina, Timina) e ligam-se por pares.
No entanto, os investigadores alertam que a técnica ainda precisa de ser aprofundada até ser clinicamente utilizada, uma vez que é preciso trabalhar mais a interpretação de resultados, assim como os custos e autonomia do teste.


Fonte:http://gritodemudanca.blogspot.com.br