sábado, 16 de junho de 2012

O correto é: Portador de Deficiência, Portador de Necessidades Especiais ou Pessoa com Deficiência?

por Ricardo De Melo



Muitas pessoas ficam confusas na hora de usar uma terminologia para identificar um deficiente, seja qual for a deficiência. Com o passar do tempo surgem terminologias tidas como “corretas” ao passo que outras são abandonadas com o argumento de politicamente incorretas. Afinal, qual termo é correto e por quê?

Tentarei responder, mas quero deixar bem claro que tal resposta é extremamente pessoal e baseada na minha experiência como deficiente visual. Deixo o espaço dos comentários para você, caro amigo internauta, deixar registrada sua opinião.
Portador de Deficiência
O argumento a seguir, já foi citado em muitos lugares e situações, que é: Eu não porto minha deficiência como uma carteira ou uma chave. Eu não tenho a opção de deixá-la em casa. Quando saio de casa verifico se minhas chaves estão no bolso, se estou levando meu cartão de transporte público, meu óculos escuro e meu celular. Se eu portasse minha deficiência, eu provavelmente a esqueceria debaixo das almofadas da sala, de propósito.
Imagine a situação:
Você ceguinho, sai de casa e no meio do caminho fica olhando para aquela mulher loira, “simpática de corpo” e de vestido vermelho, só então percebe que está enxergando e que esqueceu sua cegueira em casa.
“Putz, esqueci minha deficiência na mesa de casa, recarregando a bateria!”
Aí não dá! Se eu portasse minha deficiência visual, faria questão de esquecê-la no porão ou deixá-la cair no chão e quebrar.
Pléfiti! Ih, foi mal aí, eu não tinha visto minha deficiência na beira da mesa!”
Portador de Necessidades Especiais
Essa pra mim é a pior de todas! Além de você ter que “portar”, o negócio ainda por cima é especial. O único Portador de Necessidades Especiais que conheço é o Lex Luthor, arqui-inimigo do Super-Homem. Pense comigo: O cara para poder realizar todas as suas malvadezas precisa andar com uma pedra de Kryptonita no bolso (altamente cancerígena), para poder usá-la contra o Homem de Aço.
O prefeito dessa cidade, Metrópole, é outro com necessidades especiais. Imagina você ter que reconstruir metade da cidade, quase que diariamente, só porque o Super resolveu “salvá-la” do ataque de seres de outros planetas.
Agora, se você não sabe quem é Superman, sua necessidade especial do momento é deixar de ser alienado, meu querido.
Necessidade Especial para mim é ter que tomar um copo de ácido sulfúrico todo dia pela manhã, por recomendação médica, é claro! Portador de Necessidade Especial então é ter que levar um alienígena com um mini canhão de plasma orbitrónico (seja lá o que isso quer dizer!) no bolso traseiro da calça.
Deficiente Total
Nós, os deficientes visuais, somos classificados (vamos por assim dizer) de duas formas: Deficiente Visual Total, conhecido como cego e Deficiente Visual Parcial, conhecido como baixa visão. E é na hora de tentar diferenciar os cegos dos baixa visão, que surgem os Deficientes Totais. Ouço diariamente frases do tipo:
“Ah, Fulano é Deficiente Total!”, “Eu sou Deficiente Total!” ou mais estranho ainda “Ele é Total!”
Levando pelo lado do bom humor, não vejo problema nessas afirmações, mas cá entre nós, se formos levar ao pé da letra, ser Deficiente Total, deve ser uma droga, não é mesmo?
Imagina levar nas costas o peso de todas as deficiências, não só as físicas, mas também as mentais, atitudinais, sociais e culturais? Isso é, se suas costas estiverem boas!
Imagina não ser eficiente no que você for fazer? Eu ficaria extremamente desmotivado em viver. Provavelmente iria me jogar da ponte tentando me matar, e provavelmente, iria fracassar ferozmente, pelo fato de ser um deficiente total, ou seja, tudo que eu fosse fazer não seria bom e eficiente o bastante para ser concretizado.
Pessoa com Deficiência
De cara, afirmo que esse termo me agrada mais. Aqui, enfim eu não porto nada, nem nada é especial e muito menos sou um fracassado total. Simples, objetivo e sem colocar minha deficiência na frente do meu caráter.
Pessoa com deficiência, ou PCD como alguns dizem, é o mesmo que dizer: rosto com espinhas, carro com freio ABS, policial com arma e político com dinheiro na cueca.
E o melhor de tudo, é que pessoa com deficiência não restringe ninguém, afinal todos temos algum tipo de deficiência. Ninguém é eficiente completamente, ninguém é perfeito, ninguém sabe tudo.
Eu por exemplo, além de deficiente visual, sou deficiente monetário, deficiente de status social, e nesse momento, deficiente de ideias legais para terminar esse artigo.

Fonte: Movimento Livre - http://fezago.blogspot.com.br

Metas educacionais voltam a apoiar classes só para deficientes

Novo texto do Plano Nacional de Educação prevê o atendimento em casos que a inclusão não funcionar, polêmica entre educadores.
Priscilla Borges, iG Brasília
Alan Sampaio 
Novo texto do PNE reforça papel de escolas exclusivas para deficientes, 
como o Centro de Ensino Especial nº 1 de Brasília
O Plano Nacional de Educação (PNE) ganhou metas diferentes das propostas pelo Ministério da Educação no Congresso Nacional. texto for aprovado como está, as classes exclusivas para estudantes deficientes voltarão a receber estímulo. A definição contraria as políticas mais recentes do ministério, que defende a inclusão desses alunos em escolas convencionais.


A mudança na redação original do PNE, proposta pelo relator do projeto na Câmara dos Deputados, Ângelo Vanhoni (PT-PR), causou polêmica entre especialistas na última semana. E representou alívio para muitas famílias e representantes de entidades que cuidam de espaços de atendimento específico para deficientes.


Para o MEC, as crianças com deficiências ou transtornos globais de desenvolvimento devem estudar em escolas públicas convencionais. Os colégios têm de se adequar às necessidades dos alunos e dar a eles a chance de conviver com pessoas sem deficiência. A inclusão, , na opinião dos gestores e corroborada por muitos especialistas, promove o fim do preconceito e crescimento dos estudantes.


O texto apresentado por Vanhoni aos parlamentares, que votarão a proposta no dia 12 de junho, abre possibilidades diferentes. Define, na meta 4, que será objetivo do País atender esses alunos, de preferência, na rede regular de ensino. Porém, “garantindo o atendimento educacional especializado em classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível sua integração nas classes comuns”.


Na opinião do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que faz parte do movimento das Apaes há 30 anos, o relatório, agora, “contempla o anseio da sociedade”. Para ele, a decisão “muito técnica” do MEC foi superada por uma “decisão política de governo”.
Mais opções
“Somos a favor da coexistência dos dois tipos de escola para a ampliação das oportunidades educacionais para muitas crianças que não recebem atendimento adequado em escolas regulares”, comenta Sandra Marinho Costa, secretária-executiva e procuradora jurídica da Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), entidade que atende pessoas excepcionais.


Sandra conta que 250 mil pessoas são atendidas pelas Apaes em todo o Brasil. Muitas delas, ela diz, tentaram se manter em escolas convencionais, mas não tiveram sucesso. “Fazer matrícula e ir para a escola é uma coisa. Estar incluído é outra bem diferente. Há pessoas com comprometimentos tão sérios que não conseguem receber atenção adequada e terminam isoladas nesses ambientes”, diz.
A representante de uma das associações que mais trabalhou, nos bastidores, para convencer o deputado Vanhoni de que a mudança na meta de número 4 do PNE era importante garante que a defesa das Apaes é por um sistema inclusivo de educação. Segundo Sandra, as famílias têm de ter opções. “E há crianças que, após um atendimento especializado, são plenamente capazes de frequentar escolas regulares e aprender. Outras não”, ressalta.


Leia também: Plano Nacional de Educação é reapresentado com 7,5% do PIB
Sabine Antonialli Arena Vergamini, diretora de Unidade Socioeducacional do Centro de Educação para Surdos Rio Branco, em São Paulo, também critica a ideia de que as escolas regulares fazem inclusão. “Divisão do espaço físico não significa incluir. Para 99% dos surdos, uma escola só deles é muito melhor, afirma. Na escola que coordena, Sabine conta que as crianças são alfabetizadas, primeiro, na Língua Brasileira de Sinais (Libras). A língua portuguesa é ensinada como uma segunda língua. As famílias são incluídas no processo.


Mantida pela Fundação Rotariana de São Paulo, a escola só atendia crianças carentes até bem pouco tempo. Por conta da demanda, eles decidiram abrir algumas vagas para famílias que podem pagar uma mensalidade: um aluno por cada classe. As turmas têm, no máximo, 10 crianças e as atividades ocorrem em período integral.


Fonte: IG - Último Segundo - http://fezago.blogspot.com.br

Deficiência tem prevenção?

Um dos pontos mais esquecidos quando falamos sobre inclusão é a deficiência adquirida. Colocar o tema inclusão em pauta tem muito a ver com discutir medidas voltadas ao atendimento da pessoa que já tem deficiência, mas, fala-se pouco sobre as causas desse quadro. Esse assunto não poderia estar tão à margem desse debate, porque ele provocaria uma reviravolta no olhar para a pessoa com deficiência.


Essa ideia é muito palpável para mim e, infelizmente, eu encontrei dados relacionados apenas à deficiência física. Não posso afirmar se dentre os quadros adquiridos, as limitações motoras são as mais frequentes, mas, deveriam ser pelo menos, as que mais preocupam. Entenda porque:


Casos de invalidez permanente entre trabalhadores vítimas de acidentes de trânsito se multiplicaram por quase cinco entre 2005 e 2010, passando de 31 mil para 152 mil por ano.
Nos primeiros nove meses de 2011, houve novo aumento de 52%, para 166 mil, segundo números do DPVAT, seguro obrigatório pago por proprietários de automóveis. Os dados revelam que a maioria dos acidentados (mais de 70% dos casos em 2011) usava moto e está em plena idade economicamente ativa, entre 18 e 44 anos.


O quadro preocupa a Previdência Social, que teme ter de arcar com os custos de uma geração de jovens aposentados por incapacidade. Projeções apontam que o INSS gastou R$ 8,6 bilhões com benefícios gerados por acidentes de trânsito. A cifra representa 3,1% de todas as despesas previdenciárias.


Essa notícia me fez lembrar de um dos primeiros textos que escrevi aqui no blog. Em maio de 2010 eu entrevistei o Rodrigo Board, um rapaz que no início dos seus 20 anos sofreu um acidente de trânsito e perdeu a movimentação das pernas. Rodrigo trabalhava como motoboy e estava redescobrindo suas possibilidades nessa nova condição.


O Rodrigo é um exemplo emblemático em um grupo que não para de crescer. Colocar a deficiência adquirida na roda de conversa não é só uma questão de prevenção. É a chance que nós temos de olharmos para uma pessoa com deficiência e abandonarmos o posicionamento de pena, de assistencialismo, ou de medo. É assumirmos que a deficiência está mais próxima do que imaginamos e que qualquer um de nós pode estar nessa condição amanhã.


Para entender mais sobre como essa postura pode mudar a sua visão sobre inclusão, leia a entrevista com Rodrigo Board, no texto  Narração interrompidaClique aqui.


Fontes:  http://www.vsb.org.br/new/index.php?c=21 - http://fezago.blogspot.com.br

Desenho universal supera direitos de deficientes em empresas


















Preocupados em atender às especificações da legislação, assim como exigências de clientes, empresas têm buscado dar um passo além e aplicar o desenho universal em seus projetos arquitetônicos.
Foto: Dreamstime/Especial para Terra

Preocupadas em se manter longe de problemas com a legislação - e, ao mesmo tempo, tentando atrair um público cada vez mais ciente de seus direitos -, muitas empresas têm procurado escritórios de arquitetura que atendam a demandas específicas do chamado desenho universal.

O conceito foi popularizado em meados da década de 60 nos Estados Unidos pelo arquiteto Selwyn Goldsmith. Ele vai além da legislação pela acessibilidade das pessoas com deficiência e prega o desenho de produtos e ambientes que sejam utilizáveis por todo tipo de indivíduo - crianças, grávidas, idosos, adultos, pessoas com problemas de locomoção ou outros.

O desenho universal foca em não criar uma adaptação específica para nenhum deles. Segundo esse conceito, em vez de se projetar uma cabine de banheiro específica para cadeirantes, deve-se construir todas de forma que possam ser utilizadas tanto por esse público quanto por pessoas sem necessidades especiais. "É uma arquitetura pela acessibilidade plena", define Camila Caruso, sócia da Desenho Universal Consultoria em Acessibilidade (Duca).

Depois de passar quatro anos na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade de São Paulo, a arquiteta especializada em acessibilidade fundou a empresa em 2009, junto com dois sócios. Desde então, o escritório vem atendendo principalmente a grandes empresas, como McDonald's, Makro e Itaú.

Camila afirma que a Duca é pioneira em desenho universal no País e conta que cerca de 70% do público busca a empresa depois de ter algum problema com a legislação. "O número de fiscais é pequeno, mas o munícipe faz muitas reclamações, tanto ao governo, quanto à loja", conta.

A Duca trabalha tanto oferecendo consultoria a equipes de arquitetura responsáveis por grandes projetos quanto diretamente na elaboração de adaptações e na criação de edifícios inteiros. "Em muitos casos, trabalhamos como um serviço complementar, como se desenvolvêssemos a parte elétrica ou hidráulica", explica Camila.

A unidade do McDonald's da Rua Henrique Schaumann, em São Paulo, foi desenvolvida inteiramente pela Duca. O edifício atende à legislação pró- acessibilidade, mas tem algumas preocupações que extrapolam suas exigências, como um mapa em braile do local.

Exigências legais
O vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Pedro da Luz Moreira, que também é professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que tem observado uma maior pressão do poder público em prol da acessibilidade. Desde 2004, a Lei da Acessibilidade obriga os empreendimentos arquitetônicos a se adaptarem às regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por exemplo.

"O programa Minha Casa Minha Vida inclui uma porcentagem de moradias populares adaptadas para cadeirantes. Há também uma portaria do governo federal que exige que se implante em edifícios públicos a acessibilidade universal", completa Pedro.

Eventos esportivos
As obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 e de Olimpíadas de 2016 têm sido acompanhadas de perto por certa parcela do público: 46 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência locomotiva, auditiva, visual entre outras. Com o objetivo de discutir a acessibilidade aos novos estádios, metrôs, hotéis e aeroportos nacionais, está sendo organizado para os dias 11 e 13 de junho, em São Paulo, o ciclo de debates Copa For All.

Os novos eventos servem para colocar as regras nacionais à prova frente a padrões internacionais. Nos estádios que estão sendo construídos, a legislação do País determina o número de lugares destinados a pessoas com deficiência, enquanto que normas da Federação Internacional de Futebol (Fifa) reforçam apenas orientações quanto a procedimentos e equipamentos para a evacuação do público.
Para o vice-presidente do IAB, a nova realidade exige providências técnicas, mas também mudanças culturais e de hábitos. "Em outros países, a acessibilidade já é banalizada. Na sociedade brasileira, já é comum que se construam elevadores de acesso para cadeirantes para se adequar à lei; o problema é que muitos nunca entram em funcionamento", diz Pedro. 
Fonte: http://invertia.terra.com.br/empreendedor/noticias/0,,OI5820988-EI19586,00-Desenho+universal+supera+direitos+de+deficientes+em+empresas.html

Inclusão: do que estamos falando?

Ana Luisa Feijo Cosme, formada no Curso de Magistério e acadêmica do curso de licenciatura em Letras Português-Literatura pela Furg, traz à tona uma importante discussão acerca da inclusão de pessoas com deficiência.

por Ana Luisa Feijo Cosme
                                                           Imagem Internet
Sabemos que toda a criança portadora de necessidades especiais tem o direito à aprendizagem preferencialmente na rede regular de ensino e de receber todos os recursos necessários para que a aprendizagem se dê de maneira satisfatória em todos os seus aspectos.


Há muito tempo, este é um direito disposto em lei. Em diversos documentos, como a Constituição Federal (1988), o Estatuto da Criança e do adolescente (ECA-1990), a Declaração de Salamanca (1994) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB-1996) encontramos disposições legais referentes à educação escolar de portadores de necessidades especiais.


Estes documentos trazem claramente o dever do estado em disponibilizar aos educandos com necessidades especiais: a inclusão, através de educação escolar na rede regular de ensino; professores com especialização adequada para o atendimento especializado; currículo, métodos e técnicas para atender às necessidades especiais. No entanto, colocando todos esses direitos em prática e nos direcionando para a realidade da sala de aula nos perguntamos: “Do que realmente estamos falando?”.


A inclusão educacional tem ocupado significativo espaço de reflexões em todo o mundo. Existem inúmeras e contraditórias formas de pensar e agir, no que diz respeito à educação inclusiva. Porém, uma coisa é clara: a inclusão deve ocorrer de maneira efetiva, física, cognitiva e socialmente, caso contrário, as crianças acabam vivenciando a escolarização como meras espectadoras, pois o processo de inclusão não se consuma de fato.


Não basta incluir os alunos portadores de necessidades especiais em classes inclusivas uma vez que estes não participem do processo de interação em sala de aula e depois sejam direcionados ao atendimento especializado na sala de recursos da escola em turno inverso o da sua “aula regular”. É preciso que o educando participe de fato do processo educativo e das aulas propostas pelo professor. Portanto é preciso evidenciar os problemas em vez de evitá-los, pois só assim eles serão resolvidos.


Se olharmos para a realidade educacional, encontraremos, muitas vezes, uma inclusão marginal, na qual os aprendizes estão inseridos fisicamente nas turmas do ensino regular, mas não conseguem participar das mesmas atividades propostas aos demais. Essa inclusão não é real, pois o aluno portador de necessidades especiais não se apropriará de conhecimento algum, ele apenas ficará anos e anos assistindo as mesmas aulas, sem que essas façam sentido algum e ele nem saiba o porquê de estar nessa situação.


Desta forma, estar inserido em uma turma de educação inclusiva, não é mais algo prazeroso, que desperta expectativas do educando, e sim algo decepcionante e penoso, pois a cada ano se vê a promoção dos colegas de classe, enquanto o aluno portador de necessidades especiais está ali para cumprir algo puramente burocrático.


Podemos comparar esse fato com o velho ditado de “tapar o sol com a peneira”. Nos termos da lei, a inclusão está funcionando, pois alunos com necessidades educativas específicas estão frequentando escolas regulares e tendo, teoricamente, um ensino proveitoso. Entretanto, a realidade é que esses alunos são deixados de lado dentro da sala de aula devido às peculiaridades deles. As salas de aula regulares possuem um ambiente rico em situações de aprendizagem e por isso possibilitam a alunos com necessidades especiais o desenvolvimento de habilidades de participação ativa nas atividades escolares.


O grande desafio é como planejar e desenvolver práticas pedagógicas verdadeiramente inclusivas, de modo a atender a todos e a cada um, valorizando o trabalho da diversidade, entendida como um recurso, que proporciona novas experiências tanto ao aluno portador de necessidades especiais quanto seus colegas e professores que vivenciarão uma aprendizagem escolar diversificada. Pode-se imaginar quão rica pode ser a experiência de vivenciar a evolução da aprendizagem de determinado aluno ou colega com necessidades especiais.Talvez, a saída para o começo de uma transformação concreta na educação inclusiva esteja nos professores. Estes precisam entender que para que a inclusão ocorra de forma adequada e proveitosa é necessário que se encontre uma forma de interação entre esses alunos com dificuldades, o professor e os seus colegas, pois só assim, os alunos com necessidades de aprendizagem específicas passarão de alunos passivo e espectadores, para alunos ativos e reflexivos, capazes de participar ativamente da sociedade e exercer o papel de cidadão, capaz de tomar decisões, opinar, questionar, e principalmente, aprender.


Fonte:Jornal Agora - Imagem Internet

Rede estadual avança na inclusão de deficientes

Escola Ernesto Monte tem inclusive coral formado por alunos deficientes auditivos e estudante com deficiência visual que sonha ser atriz.
da Redação
                                                        Imagem Internet
As lembranças do parquinho, na época em que frequentava o ensino infantil, não são boas para a estudante Dayane Alves Camargo, 18. Cega desde o nascimento, ela conta que ficava isolada e sofria.
A inclusão de alunos deficientes avançou nos últimos anos e hoje Dayane encontra uma realidade diferente. Aluna do primeiro ano do ensino médio na escola estadual Ernesto Monte, em Bauru, ela tem a ajuda dos colegas de classe para aprender as lições. Não é só isso. A escola é polo de educação inclusiva na cidade. Recebe principalmente alunos surdos, mas também atende casos como o de Dayane, que cursa o ensino médio. Moradora do Popular Ipiranga, ela chega todos os dias no Ernesto Monte no ônibus do transporte escolar.
Apostilas em Braille, máquina de escrever para cegos, computador adaptado e uma pedagoga especializada fazem parte da estrutura para poder atender deficientes visuais.
O  Bom Dia entrevistou Dayane no momento em que ela fazia a prova da Olimpiada de Matemática ao lado da especialista Edinéia Terezinha de Jesus, que dá apoio pedagógico para estudantes cegos da rede estadual de ensino.
Faz parte do trabalho dela, por exemplo, recuperar o conteúdo perdido por Dayane nos anos em que ela enfrentou dificuldades para estudar. No mesmo dia, a reportagem acompanhou a apresentação de um coral em que a metade dos integrantes (15) é formada por deficientes auditivos. Eles “cantam” usando a Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Movimentam o corpo de acordo com o ritmo que sentem, mesmo sem ouvir.
A escola Ernesto Monte atende 30 alunos com deficiência auditiva. Treze são matriculados na unidade. Os demais vêm de outras escolas para frequentar uma das três salas de recursos, participar do coral e de outras atividades. Incluídos nas salas de aula, os meninos e meninas que não ouvem contam com o auxílio de interlocutores. São intérpretes que traduzem tudo o que acontece, inclusive possíveis discussões.
Ao mesmo tempo, a escola se adapta para receber portadores de outras deficiências, como Dayane. Além dela, três cadeirantes já fazem parte da turma e encontraram condições de acessibilidade para estudar.
Aos seis meses de idade, a estudante Janaína da Silva Santos, 17, perdeu 75% da audição por causa de uma meningite. Já frequentou várias escolas e atendimentos especializados. A aluna do terceiro ano do ensino médio, faz parte do coral da escola Ernesto Monte e pensa em ser veterinária.
Dayane, fã das novelas da Globo, gostaria de trabalhar como atriz de “Malhação”. A menina não enxerga nada, mas acompanha as histórias dos adolescentes da novelinha e sonha em fazer parte desse mundo.
Mesmo ouvindo pouco, Janaína tem sua música preferida nas apresentações do coral: “É preciso saber viver”, de Roberto Carlos. É aquela que diz: “Toda pedra no caminho, você deve retirar...”
Os alunos deficientes contam com materiais adequados e acompanhamento de professores de educação especial e frequentam as salas de recurso duas vezes por semana.
Entre os equipamentos específicos para alunos com deficiência visual estão instrumentos para ampliação de livros, máquinas Braille e computadores com softwares adequados
Estado assume a missão de incluir alunos deficientes
A Diretoria Regional de Ensino de Bauru possui 30 Sapes (Serviços de Apoio Pedagógico Especializado), com 20 salas para deficientes intelectuais, duas para deficientes visuais, cinco para deficientes auditivos e três serviços na área de deficiência intelectual. São atendidos 30 alunos com deficiência auditiva, 40 com deficiência visual e 270 com deficiência mental.
Um dos motivos que levaram a escola Ernesto Monte a ser transformada em polo de atendimento de alunos com deficiência auditiva é a localização, na região central de Bauru, o que é estratégico para a chegada de alunos de diversos bairros
“Toda equipe escolar se dispõe a trabalhar respeitando os alunos em sua singularidade e agrupando os estudantes com deficiência auditiva visando facilitar a socialização e o acesso ao currículo”, informa a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
Segundo a assessoria, a rede estadual é pioneira na oferta de atendimento educacional especializado a alunos com necessidades especiais.
“Antes restrito a classes especiais e salas de recursos, esse atendimento atinge, atualmente, a dimensão de todas as escolas, inserindo alunos com deficiência em classes comuns”, diz nota divulgada pela secretaria.
Por meio do Cape (Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado). são priorizadas orientações técnicas e cursos para profissionais como supervisores de ensino, assistentes técnicos pedagógicos, professores-coordenadores, professores especializados em educação especial e docentes do ensino fundamental e médio.
O Cape foi criado no ano 2000. Além dele, cada diretoria regional de ensino conta com uma equipe responsável pela educação especial. As escolas estaduais estão abertas para matricular alunos com deficiência, altas habilidades/superdotação e transtorno globais do desenvolvimento.
Aluna deficiente auditiva só tem notas azuis no boletim
A pedagoga Fernanda Cristina Manzano Carvalho, 22, aprendeu a linguagem dos sinais por causa da igreja que frequenta, a Testemunhas de Jeová. Como há um grupo de surdos na igreja, ela sempre conviveu com a linguagem e depois fez um curso para se aprimorar.
Hoje é uma das interlocutoras dos alunos com deficiência auditiva da escola estadual Ernesto Monte. De acordo com a pedagoga, a música ajuda no aprendizado da linguagem de sinais, nem sempre utilizada pelos familiares dos surdos. Janaína, por exemplo, precisa fazer leitura labial em casa. Também recorreu à leitura dos lábios na época em que estudou em escolas não adaptadas para receber deficientes.
Mesmo com as dificuldades, nunca perdeu um ano e é considerada boa aluna. “Ela só tem notas azuis”, completa a professora coordenadora Ana Maria Pedon. Os líderes do coral de surdos da Ernesto Monte escolhem músicas cujos temas ajudam a estimular.

Fonte: Bom Dia Bauru - Imagem Internet

Deficientes mentais na UE continuam a ser vítimas de discriminação e austeridade agrava situação

Apesar da legislação que estabelece um conjunto de direitos, as pessoas com deficiência mental continuam a ser vítimas de discriminação numa série de aspectos, na generalidade dos Estados-membros da UE, dizem dois relatórios da Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais (FRA), que acabam de ser apresentados em Copenhaga (Dinamarca), numa conferência sobre “Autonomia e inclusão”. Pior ainda: as medidas de austeridade estão a agravar a situação.


Os documentos dizem que é necessária uma "reforma da política social"
                                                                    (Foto: Rui Gaudêncio)
“Há ainda muito a fazer para tornar realidade os direitos dos 80 milhões de pessoas com deficiência na Europa”, diz o director da FRA, Morten Kjaerum, citado num comunicado da agência. “Os direitos fundamentais das pessoas com deficiência não acompanham as garantias jurídicas, em especial numa altura em que se começam a sentir os efeitos das medidas de austeridade”, acrescenta o responsável, que na próxima semana estará em Portugal, para contactos com responsáveis governamentais e organizações da sociedade civil.
Os dois relatórios, feitos a partir de entrevistas a pessoas com deficiência, retratam as experiências de exclusão ou discriminação de pessoas com deficiência intelectual ou com problemas de saúde mental.
A FRA identifica três áreas fundamentais em que a discriminação se faz sentir: “leis e políticas que não permitem que as pessoas com deficiência tenham uma vida autónoma; atitudes negativas e preconceito que não reconhecem o contributo dado à sociedade pelas pessoas com deficiência; e ausência de oportunidades de emprego, que gera dependência da ajuda e subsídios estatais.”
Nos relatórios, aponta-se ainda a necessidade de “passar da institucionalização a um modo de vida baseado na comunidade e de reformular a legislação e as políticas, de modo a torná-las mais inclusivas”. O director da FRA, Morten Kjaerum, diz que o trabalho feito pela agência “fornece uma base para discutir medidas práticas que farão uma diferença nas vidas quotidianas” destas pessoas.
A FRA sugere que a autonomia destas pessoas só se conseguirá se a desinstitucionalização, que está a ser seguida em vários países, for “acompanhada por uma reforma da política social nos domínios da educação, cuidados de saúde, emprego e opções de apoio pessoal”.
Outra chamada de atenção importante é a necessidade de “envolver as pessoas com deficiência no desenvolvimento” das políticas a elas destinadas. Um dos entrevistados, um búlgaro de 32 anos, diz: “As pessoas que trabalham nos ministérios e as autoridades deviam falar com pessoas como eu quando preparam legislação e políticas. Deviam perguntar-nos o que queremos e quais são as nossas necessidades em vez de tornarem as nossas vidas ainda mais difíceis.”
Num dos relatórios, trata-se da questão do internamento ou do tratamento compulsivo, alertando para a necessidade de garantir os direitos fundamentais da pessoa, em conformidade com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que foi ratificada pela União Europeia e por 20 dos seus Estados-membros. O relatório alerta para a existência de “experiências terrivelmente negativas de internamento ou tratamento compulsivos”, apesar de os Estados-membros terem garantias mínimas neste campo.
Os estudos pretendiam analisar a capacidade de vida autónoma de pessoas com deficiências intelectuais ou com problemas de saúde mental. Foram seleccionados nove países-membros, representando diferentes realidades geográficas e legislativas: Alemanha, Bulgária, França, Grécia, Hungria, Letónia, Reino Unido, Roménia e Suécia. Além das experiências recolhidas no trabalho de campo, os relatórios fazem uma análise comparativa da legislação dos 27 Estados-membros.
O director da FRA considera que a convenção das Nações Unidas aponta “um caminho ambicioso para melhorar a situação das pessoas com deficiência”. A convenção foi adoptada em 2008 e já ratificada por 20 Estados-membros da UE e pela própria União e é o primeiro instrumento internacional de direitos humanos juridicamente vinculativo de que a UE é parte.


Fonte:http://www.publico.pt/Sociedade/deficientes-mentais-na-ue-continuam-a-ser-vitimas-de-discriminacao-e-austeridade-agrava-situacao-1549325/

Escolas poderão ser obrigadas a ter programa de tratamento da dislexia

Manoel Junior: o diagnóstico precoce melhora o aprendizado dos alunos com dislexia.
da Redação

                                           Imagem Internet 
A Câmara analisa o Projeto de Lei 3394/12, do deputado Manoel Junior (PMDB-PB), que obriga estados e municípios a manter programa nas instituições de educação básica para diagnóstico e tratamento de estudantes com dislexia.
Conforme a proposta, as escolas deverão ter material didático para aprendizagem de crianças e adolescentes disléxicos. Além disso, os professores da rede de ensino receberão cursos sobre o assunto.
O diagnóstico e o tratamento do transtorno serão feitos, de acordo com o texto, por equipe multidisciplinar, com a participação de educadores, psicólogos, psicopedagogos e médicos.
Dislexia
A dislexia é um transtorno de aprendizagem de leitura crônico, de origem neurobiológica. É o distúrbio de maior incidência nas salas de aula e atinge entre 5% e 17% da população mundial, segundo a Associação Brasileira de Dislexia.
Manoel Junior lembra que, apesar de não ser doença, a dislexia requer serviços especializados. “A criança com dislexia, devido às suas dificuldades de acompanhar o processo de aprendizagem dos demais alunos, tende a sentir-se frustrada e pode desenvolver problemas emocionais”, diz o deputado. O diagnóstico e o tratamento precoces aceleram, argumenta ele, a integração da criança com colegas de escola e melhoram o aprendizado.
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Fonte: Câmara dos Deputados - Imagem Internet

Estudantes com deficiência auditiva e disléxicos terão mais tempo para fazer o Enem

Mudanças no edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012 garantem atendimento especializado para necessidades especiais dos candidatos, além de correção diferenciada das redações.
da Redação
Estudantes surdos ou que sofrem com dislexia podem pedir apoio durante as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012. Devido às suas dificuldades de compreensão da língua portuguesa, os alunos ganharão mais tempo para realizar as provas.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as regras para o atendimento diferenciado para os candidatos deficientes têm se aprimorado. No edital deste ano fica claro que, além dos estudantes com deficiência física, auditiva e visual, que em geral podem solicitar atendimento especial, outros grupos também serão contemplados.
As regras do exame orientam, pela primeira vez, candidatos com dislexia, hiperativos e autistas a solicitarem ajuda especial dos organizadores do exame. Todos esses perfis têm direito a auxílio de um profissional ledor e transcritor, além de poderem solicitar mais tempo para fazer suas provas. Além disso, as redações serão corrigidas sob critérios diferenciados de avaliação.
No entanto, as ferramentas de auxílio – determinadas em lei – devem ser solicitadas no momento da inscrição para o exame. Após a solicitação, funcionários do Inep entrarão em contato com o candidato via telefone, confirmando os pedidos feitos pela internet. Nesse momento o estudante pode solicitar, também, o tempo adicional para fazer a prova. O tempo no Enem será de uma hora a mais.
Correção
As dificuldades com a linguagem também serão consideradas na correção das provas, de acordo com o Inep. Os mecanismos de avaliação dos textos de participantes portadores de deficiência auditiva são coerentes ao aprendizado da língua portuguesa apenas como segunda língua. Serão levadas em conta, também, as características linguísticas de quem possui dislexia.


Auxílio
Podem pedir auxílio pessoas que portem as seguintes deficiências:
1. Baixa visão: ledor, transcritor, prova ampliada, sala de fácil acesso;
2. Cegueira: prova em Braille, ledor, transcritor, sala de fácil acesso;
3. Deficiência física: transcritor, sala de fácil acesso, mesa e cadeira sem braços, mesa para cadeira de rodas, apoio para perna;
4. Deficiência intelectual: ledor, transcritor, sala de fácil acesso;
5. Deficiência auditiva: tradutor-intérprete Libras, leitura labial;
6. Surdez: tradutor-intérprete Libras, leitura labial;
7. Surdocegueira: guia-intérprete, prova ampliada, prova em Braille, tradutor-intérprete Libras, leitura labial, ledor, transcritor, sala de fácil acesso;
8. Autismo: ledor, transcritor;
9. Déficit de atenção: ledor, transcritor;
10. Dislexia: ledor, transcritor;
11. Gestantes e lactantes: sala de fácil acesso, mesa e cadeira sem braços, mesa para cadeira de rodas, apoio para perna;
12. Idoso: sala de fácil acesso.


Para mais informações sobre as provas do Enem, clique aqui.


Fonte: Universia

Educação Inclusiva e Violência nas Escolas

Em todos os povos tem-se registro histórico quanto a pessoas com deficiência. Em determinadas culturas, matar ou abandonar pessoas com deficiência e entregues à própria sorte, era postura socialmente aceita. A clássica obra de Victor Hugo, O Corcunda de Notre Dame (1831), mesmo sendo ficção literária expressava valores da época medieval quanto aos maus-tratos a pessoas com deficiência. O avanço civilizatório dos tempos atuais, especialmente nos aspectos morais, éticos e políticos põe na pauta das transformações sociais o inadiável processo de inclusão social de pessoas com deficiência. Através das obras Utopia (1516) e Cidade do Sol (1623), Thomas More e Tommasio Campanela foram os primeiros autores da literatura clássica a sinalizarem a inclusão social irrestrita para pessoas com deficiência. A exclusão destes segmentos é milenar. A dívida social para com eles parece ultrapassar a de qualquer outro segmento historicamente excluído, especialmente quando se soma a condição deficiência à falta das mínimas condições de vida.


Para fazer o download gratuito do livroclique aqui


Fonte:http://www.unama.br/editoraunama/index.php/catalago/livros/educacao-e-cultura/87-educacao-inclusiva-e-violencia-nas-escolas

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Visão histórica da Deficiência

Visão histórica da Deficiência

História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil

 Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil

Menina recebe veia transplantada obtida de células-tronco próprias

                                                                          
                                                                           Foto de Reprodução
Cirurgiões anunciaram ter transplantado a primeira veia desenvolvida em laboratório a partir das células-tronco de uma paciente de 10 anos, poupando-a do trauma de ter retirados vasos de seu próprio corpo.
O procedimento inovador pode dar esperanças a pacientes que não têm veias saudáveis para uso em diálise ou cirurgia de ponte de safena, destacou um artigo publicado na revista médica The Lancet.
Veias sintéticas são propensas a desenvolver coágulos e sofrer bloqueios e os receptores de veias de doadores precisam tomar medicamentos imunossupressores para o resto da vida para evitar rejeição.
No caso estudado, uma equipe médica da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, extraiu um segmento de 9 centímetros da veia da virilha de um doador falecido e removeu todas as células vivas.
Eles, então, injetaram no tecido células-tronco obtidas da medula da menina, diagnosticada com um bloqueio potencialmente letal da veia porta, um grande vaso que leva sangue ao fígado.
Duas semanas depois desta "semeadura", a veia foi implantada na paciente, usando a técnica da ponte de safena, acrescentaram os médicos.
"A menina do estudo foi poupada do trauma de ter veias retiradas do pescoço ou da perna com o risco associado de problemas nos membros inferiores", escreveram os pesquisadores Martin Birchall e George Hamilton em comentário publicado com o artigo.
As cirurgias para restaurar o fluxo sanguíneo da porta usando veias artificiais ou de doadores tiveram resultados diversos até agora.
A equipe de cientistas explicou que a paciente não teve complicações na cirurgia e que o fluxo sanguíneo normal foi restaurado imediatamente. E uma vez que as veias continham as próprias células da menina, ela não precisa tomar medicamentos imunossupressores.
A menina precisou de outro enxerto um ano após o primeiro, mas goza de boa saúde, consegue fazer longas caminhadas de até 3 quilômetros e faz ginástica moderadamente, destacou o artigo.
O novo método resultou em "uma melhora impactante na qualidade de vida da paciente", destacaram os autores do estudo, em um comunicado.
Birchall e Hamilton observaram que o alto custo e o longo prazo exigido para preparar este tipo de enxerto torna improvável que seja adotado como um tratamento normal imediatamente.
Embora o procedimento seja promissor, acrescentaram, é preciso que a técnica evolua passe por testes clínicos completos.

Fontes: EFE - http://www.nopoder.com.br/materias.php?id=18039&subcategoriaId=6&id=18018&

Bibliotecárias participam de capacitação sobre acessibilidade

As bibliotecárias Clemência Aparecida Canoas de Andrade e Marina Ferreira de Paula Elias, responsáveis pelas duas bibliotecas públicas municipais de Franca, participarão da Oficina Acessibilidade e Inclusão de Pessoas com Deficiência (PcD) em Bibliotecas Públicas, em Rifaina, nesta quinta-feira. O evento faz parte de um Circuito de Oficinas oferecido pelo Governo do Estado, Secretaria da Cultura e Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas. A facilitadora será Renata Andrade, bacharel em Filosofia pela PUC-Minas, qualificada em Orientação e Mobilidade para atendimento à pessoa com deficiência visual e pós-graduada em tecnologia assistiva aplicada à inclusão da PcD pela Fundação Don Carlo Gnocci de Madrid. Há doze anos, Andrade atua como pesquisadora e consultora em acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência.


De acordo com a programação, os trabalhos já começam com um momento de reflexão sobre os conceitos de inclusão, acessibilidade e desenho universal. Depois será introduzido o tema “Biblioteca para todos”, para discutir o papel da biblioteca no processo de inclusão da PcD e as características de uma biblioteca inclusiva. No período da tarde, será realizado o workshop “Biblioteca acessível para todos”, que incluirá a apresentação de diretrizes para a plena participação da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida; condições ideais de edifícios e equipamentos; ajudas técnicas e apoio pessoal; acervo, bibliografia, material e serviços bibliotecários; e, por último, boas práticas e casos de insucesso.
Adaptações
A Biblioteca Pública Municipal “Dr. Américo Maciel de Castro Jr”, instalada dentro do Colégio Champagnat, passou recentemente por adaptações na estrutura física. A reforma que, durou cerca de dois meses, repaginou o espaço ampliando a sua capacidade de utilização e conforto. Entre as novidades está a troca do piso por um antitérmico e antiderrapante. A principal preocupação da Educação era disponibilizar mais alguns dispositivos de acessibilidade para os usuários portadores de deficiência. Uma parte da bancada de atendimento foi rebaixada para que os cadeirantes possam ser atendidos com maior conforto e facilidade.

Fonte:http://www.franca.sp.gov.br

ENTRE O “NÃO” E O “SIM”

Marcela queria voltar a estudar com os irmãos. Mas, na visão de muitos gestores, a impossibilidade de subir escadas era motivo para a recusa da sua matrícula. Neste relato, o segundo da série especial para este blog, ela conta como foi o seu retorno à escola regular.
Por Marcela Cálamo*

“Preconceitos são vencidos com a convivência”.
Na foto, Marcela e a grande amiga Maria Lúcia.



Como contei no meu primeiro post, tornei-me paraplégica ainda na infância. Fiquei alguns meses em casa, fui alfabetizada por minha mãe e, depois de dois anos estudando e me reabilitando na AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente, estava pronta para retomar a vida em plenitude, incluindo a escola regular.
Era com ansiedade que aguardava este momento. Para mim, no auge dos meus 10 anos, era muito importante voltar a estudar com os meus irmãos. Assim, após uma rápida passagem pelo Colégio Caetano de Campos, no bairro paulistano da Aclimação, nós nos mudamos para outra região, onde meus pais peregrinaram de escola em escola até encontrar alguma que me aceitasse. “Não temos infraestrutura, faltam condições de acesso”, alegavam todas.
Após diversas tentativas, eles localizaram a escola municipal Martim Francisco Ribeiro de Andrada, que ficava bastante próxima à nossa nova casa (na Zona Norte) e era gerida por uma diretora de boa vontade, a D. Cecília. Na época (por volta de 1977), não havia lei que obrigasse as instituições de ensino a incluírem um aluno com deficiência, mas tampouco D. Cecília precisou de lei. Ela reativou uma sala no andar térreo e mudou uma classe inteira, para que eu pudesse continuar estudando.
Fui recebida sem muita surpresa pela turma e, muitos anos mais tarde, soube o porquê: Maria Lúcia, que desde o primeiro instante de aula se tornou amiga para a vida toda, contou-me que dias antes da mudança a professora da turma, D. Lurdinha, não deu explicações nem chamou a atenção para a minha chegada, apenas comunicou aos alunos a troca de sala.
Este ato simples fez com que meninos e meninas me recebessem naturalmente, sem expectativas: viram-me apenas como uma aluna nova. Fiz amizades facilmente e, quando precisava subir um degrau ou dois, havia sempre alguém pronto para ajudar, o que não me deixava fora de brincadeira alguma. Não fazia Educação Física, pois as atividades eram fora do horário escolar e eu não tinha como frequentar aulas extras, mas fazia todas as outras atividades, sem privilégios, nem proteção. Eu não era “a cadeirante” da turma, simplesmente era parte da turma.
Não se fez necessária uma revolução no colégio para que eu pudesse frequentá-lo. A boa vontade daquela diretora, que não se importou em modificar a estrutura de sua escola para receber uma menina que (apenas) não podia subir degraus, permitiu que eu fosse parte do todo. Num tempo em que não se falava em inclusão, ela foi além, não me excluindo.
Sua postura, acompanhada pela retidão da professora, que não me apresentou como um “ser especial”, ensinou aos alunos que preconceitos são desfeitos com a convivência, no dia a dia. Ao refletir hoje sobre a minha trajetória penso que se os diretores que disseram não aos meus pais tivessem se esforçado um pouco, considerado a possibilidade de achar uma solução para me receber, outras crianças teriam encontrado as mesmas oportunidades. Infelizmente, preferiram o conforto do “não”.
A maior barreira que um aluno com deficiência enfrenta é a atitudinal. A grande revolução pela inclusão ocorrerá quando todos nós, profissionais da educação, abandonarmos o “não” como resposta imediata e dizermos mais o “sim”, diante de algo que nos pareça de difícil solução. Quando isso acontecer, não falaremos mais em inclusão, todos os alunos serão parte de um grupo só, como eu fui. Eu tive a sorte de receber um “sim” num momento fundamental de minha vida. Por ele, sempre serei grata à D. Cecília e à D. Lurdinha.
*Marcela Cálamo é professora particular e autora de Rodas, pra que te quero! (Editora Ática, 2006). Paraplégica desde os 6 anos devido a uma infecção na medula, é mãe de dois filhos e vive rodando feliz por aí, sempre em busca da afirmação dos direitos das pessoas com deficiência.