sábado, 27 de outubro de 2012

Boto da Amazônia auxilia no tratamento de crianças com deficiência.

por: Ricardo Shimosakai



Delicadeza das crianças ao entrar na água é logo quebrada pela algazarra dos brincalhões botos cor-de-rosa ou vermelho (Inia geoffrensis). O primeiro contato é de espanto, algumas crianças choram e riem ao mesmo tempo, uma gargalha e outra até canta: “A semana inteira fiquei esperando pra te ver botinho, pra te ver brincando.”
O relaxamento vem depois, como se aquele roçar dos corpos lisos dos botos oferecesse um toque de magia nos meninos e meninas portadores de necessidades especiais ou de doenças, como câncer. É a bototerapia, uma iniciativa inédita feita em Manaus há três anos por um fisioterapeuta que tem uma certeza: quem participa a primeira vez não quer parar mais.
A terapia com o golfinho de rio em seu hábitat natural tem o aval de um veterinário especialista em animais amazônicos, Anselmo Da Fonseca, de uma bióloga especialista em botos, Vera da Silva, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Participa também uma médica hematologista do Instituto de Hematoterapia do Amazonas (Hemoan), Socorro Sampaio, que acompanha mensalmente à bototerapia pelo menos dez crianças em tratamento de graves problemas, como leucemia.
No atendimento gratuito, também há crianças especiais, com síndrome de Down, hidrocefalia ou má formação genética, encaminhadas por instituições de Manaus.
A iniciativa foi apresentada há três anos para esses profissionais pelo fisioterapeuta Igor Simões, que passou seis meses nadando todos os fins de semana com os botos para estimular a interação deles com humanos. Conseguiu a parceria do hotel de selva Ariaú, que uma vez por mês banca a viagem de mais de uma hora até o local onde vivem os botos, além das refeições do grupo. “O problema é que não temos como trazer mais do que dez crianças e só uma vez por mês”, diz Simões.
Em busca de uma licença para uso terapêutico dos botos, que está em avaliação pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Simões conseguiu documento com as assinaturas da médica que trata das crianças, do veterinário e da bióloga.
“O documento comprova que o projeto não faz mal nenhum aos animais e muito menos às crianças, tanto que o Ibama já nos deixa atuar mesmo antes da licença”, afirma.
AUTOESTIMA
“Depois que começam a participar do projeto, as crianças passam a se alimentar melhor, ficam mais alegres, confiantes e com mais autoestima. Isso tudo ativa seu sistema imunológico”, afirma Socorro. “Gostaria de poder levar todos que se tratam no Hemoan, sair do ambiente do hospital e entrar naquela água com aqueles bichos tão grandes e dóceis.”
João Victor dos Santos, de 8 anos, que tem microcefalia, é “outro garoto” depois da bototerapia, conta sua mãe, Elizandra dos Santos. “Ele se desenvolveu demais, ficou falante, não é mais uma criança retraída.”
Leonardo de Souza Cavalcante, de 11 anos, não tem os dois braços por conta de uma malformação congênita. Mas a falta dos membros não faz diferença dentro da água, de colete, na algazarra com os botos. “Ele simplesmente não dorme nas vésperas de vir”, conta a tia Cleide Duarte. “Leo, neste um ano e meio de bototerapia, só vem melhorando e se mostrando mais corajoso em tudo, mais confiante, alegre e comunicativo.”
Darliane da Silva Guimarães, de 32 anos, tem dois filhos hemofílicos, Marcos Vinícius, de 10 anos, e Gabriel, de 7. “Gabriel não queria entrar na água no começo, hoje tem de segurar para ele não cair na água, já que é uma criança por vez”, conta, afirmando que também notou mudanças positivas no comportamento dos filhos, principalmente em relação à autoestima. “Eles se sentem meio super-heróis nadando com os botos”.
Hérica da Mota Melo, de 12 anos, que tem talassemia, e Rayane Costa Uchoa, de 9, que tem anemia falciforme, são as mais sorridentes do grupo, do qual participam há quase dois anos. A mãe de Hérica, Rosângela da Mota Melo, diz que a filha era muito deprimida e fechada. “A bototerapia é seu assunto preferido quando vai ao Hemoan semanalmente: pelo papo dela, quem não faz fica com vontade”, destaca.

Escolas têm que dar apoio especial a aluno deficiente

Juíza da cidade estipula multa diária de R$ 1 mil aos infratores.

Leandro Nogueira leandro.nogueira@jcruzeiro.com.br

Nova regra é válida para escolas estaduais e municipais - Por: FÁBIO ROGÉRIO
Todas as escolas na cidade de Votorantim, onde houver matriculado algum aluno com deficiência física ou intelectual, estão obrigadas a manter cuidadores que atendam às necessidades desse público e, quando for o caso, inclusive, dispor de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras). A determinação judicial foi anunciada na semana passada pela juíza de Votorantim, Karla Peregrino Sotilo. A regra vale tanto para as escolas municipais como as estaduais e o descumprimento será punido com multa diária de R$ 1 mil, a partir do décimo dia da solicitação feita por algum aluno ou responsável.Como a decisão é em primeira instância, cabe recurso, mas vale a partir da notificação dos responsáveis.

Apesar da decisão, a Justiça informou que, com base nas informações do Estado e do Município, foram iniciados os procedimentos para a contratação de professor leitor de libras e cuidadores, mas tais procedimentos não foram finalizados. Karla Sotilo destacou que o ensino público não conta com cuidadores e as escolas onde há profissional leitor de libras sofrem com os revezamentos de profissionais, uma vez que o número contratado não é suficiente par atender a demanda. Tanto Estado quanto Prefeitura alegam que já atendem a tais determinações. A Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos de Votorantim adiantou que não foi intimada da decisão e que não desrespeita as diretrizes constitucionais e legais quanto ao atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência.

A Secretaria de Estado da Educação divulgou que, segundo a Diretoria Regional de Ensino de Votorantim, do total de alunos matriculados nas 39 escolas de Votorantim, os 15 com deficiência e que necessitam do auxílio de apoiadores e os 13 estudantes que precisam do apoio de professores-interlocutores estão sendo atendidos nas escolas que frequentam. Informou que firma convênios com instituições filantrópicas para oferecer apoio especializado, nas próprias escolas estaduais, para alunos com deficiências que os impeçam de realizar atividades como alimentação, higiene bucal e íntima, utilização de banheiro, locomoção e administração de medicamentos, entre outras.

A decisão da Justiça foi provocada por uma ação civil pública movida em agosto do ano passado pela promotora de Justiça, coordenadora do 4º Núcleo de Direitos Sociais de Sorocaba e Região.

Fabiana Dal"Mas Rocha Paes. A motivação foram as denúncias a partir das quais foram confirmados casos envolvendo dois alunos. Um deles é de uma jovem portadora de deficiência com rebaixamento intelectual para as atividades, com 13 anos de idade, e que necessitava de cuidador. Outro, de adolescente que não fala e escuta, que necessitava de professor intérprete de Libras. Ambos estudavam em escola municipal de Votorantim. Na decisão, a juíza observou que os dois alunos foram transferidos para escolas de outras cidades, prejudicando o pedido formulado em benefício deles.

Na ação civil pública, a promotora pediu que fosse antecipada, antes da decisão final do processo, que a Justiça determinasse o prazo de 10 dias para que o município adotasse as providências administrativas necessárias a fim de contratar ao menos um profissional cuidador e um professor de Libras para atender a demanda de no mínimo uma escola municipal, sob pena de multa diária de R$ 1 mil. Ao final, solicitou a condenação do governo do Estado e da Prefeitura de Votorantim para contratarem profissional cuidador e professor de linguagem de sinais para todos os alunos com deficiência matriculados na rede pública de ensino municipal e estadual, também sob pena diária. A juíza acatou ao pedido de liminar, mas o Estado já recorreu da decisão provisória ao Tribunal de Justiça do Estado, ainda pendente de julgamento.

Para ingressar com a ação, a promotora de Justiça apoiou-se no artigo 5º da Constituição Federal, que prevê o atendimento especializado aos portadores de deficiência física, sensorial e mental, determinando a integração social do adolescente portador de deficiência e nos artigos 227 e 208, que preveem assistência educacional especializada aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

Cadeirante reclama da falta de acessibilidade no metrô de São Paulo (SP)

Balanço Geral SP

O quadro O Povo Sofre desta sexta (26) mostrou a dificuldade de um jovem cadeirante para usar a estação Armênia. O local não possui elevador nem rampa de acesso.

MPT aciona CPFL por tratamento diferenciado a funcionários com deficiência

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

                                                                                   Imagem Internet
São Paulo - O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com ação civil pública na Justiça do Trabalho de Campinas contra a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) por considerar que a empresa dá tratamento diferenciado aos funcionários com deficiência com relação àqueles sem deficiência. Segundo a ação, os trabalhadores com necessidades especiais recebem salários menores e têm jornada de trabalho não previstas em acordo coletivo com o sindicato.

Ao todo, o MPT pede que sejam pagos pela empresa R$ 3 milhões de indenização por danos morais coletivos, além de mais R$ 3 milhões de diferenças salariais devidas aos deficientes. 

De acordo com o procurador do Trabalho em Campinas, Alex Duboc Gardellini, em 2007 a empresa aceitou fazer um acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Campinas e Região (Stieec), Ministério Público do Trabalho e Ministério do Trabalho e Emprego, no qual se comprometia a cumprir a cota de contratação de trabalhadores portadores de deficiência prevista na Lei 8.213/91.

“Na época, a empresa alegou que não havia pessoas qualificadas para as funções e ficou acordado que a CPFL teria dois anos, prorrogáveis por mais um, para contratar e qualificar os funcionários para preencher a cota”.

Durante esse período, a CPFL teve a permissão para contratar as pessoas por quatro horas diárias e salário proporcional. Ao fim do prazo, durante o qual passariam por programa de qualificação, todos os funcionários deveriam ser contratados para o período regular de oito horas e ter o salário reajustado de acordo com a jornada. “Entretanto, o prazo se encerrou em 2010 e os funcionários continuaram na mesma condição”, disse Duboc.

O procurador explicou ainda que foram feitas audiências e, depois de fiscalizações, o MPT resolveu entrar com a ação, pedindo a contratação regular de 100 pessoas nessas condições. “Tem que ter contrato de trabalho adequado a oito horas e piso salarial de acordo. Tudo isso pago retroativamente a 2010. A CPFL vai ter que pagar a diferença desde a época em deveria ter regularizado”.

A audiência está prevista para fevereiro. Em caso de condenação, a indenização por danos coletivos será destinada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e as diferenças salariais pagas diretamente aos trabalhadores prejudicados. O processo tramita na 11ª Vara do Trabalho de Campinas.

A CPFL foi procurada, mas até a publicação desta matéria não havia se pronunciado. A empresa foi privatizada em 1997 e é controlada, desde então, pela VBC Energia (integrado por Grupo Votorantin, Bradesco e Camargo Correa), pelo Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) e pela Bonaire Participações (que reúne os fundos de pensão Funcesp, Sistel, Petros e Sabesprev).

Em resposta enviada posteriormente à Agência Brasil, a CPFL negou a existência de conduta trabalhista discriminatória contra funcionários com deficiência e informou que vai cumprir as exigências do acordo a partir de 1º de novembro, promovendo “a migração da jornada de trabalho de todos os colaboradores que quiserem e que não tenham impedimentos médicos para estender a jornada de trabalho”.

A empresa alega tratar-se de uma antecipação do compromisso, porque o acordo com o sindicato da categoria prevê prazo até 31 de dezembro de 2012 para adequação de salários e horários dos funcionários com deficiência. Informa também que os benefícios pagos a esses colaboradores são os mesmos daqueles que cumprem jornadas de oito horas.

Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br - Imagem Internet

Menino de 3 anos doa medula e salva vida de irmão de 5

O menino mais novo, Benjamín, abraça o irmão Faustino, que recebeu o transplante.
do UOL Notícias
Marcia Carmo De Buenos Aires para a BBC Brasil 

                                          Imagem, cortesia família Cascallares
Um menino de três anos doou células de sua medula óssea ao irmão de cinco anos e salvou sua vida, de acordo com seus pais e com médicos argentinos.

Com ajuda dos especialistas, os pais das crianças lhes explicaram como seria a intervenção médica e que um irmão ajudaria o outro a voltar para casa, após dias de hospital.

"Eu disse a eles toda a verdade desde o início. A Benjamín, de três anos, eu disse que ele ajudaria o irmão, Faustino, de cinco anos, a sair do hospital e a voltar pra casa para brincar com ele", disse Mariana Torriani, mãe das crianças, à BBCBrasil.

Ela contou que "em momento algum" Benjamín chorou ou demonstrou medo de ser internado. "Eu expliquei a Benjamin que seria como doar sangue ao irmão e ele entendeu a situação", afirmou.

As crianças foram atendidas no hospital público e pediátrico Sor María Ludovica da cidade de La Plata, na província de Buenos Aires.
"Eu quis revelar o que aconteceu com meus únicos filhos para que as pessoas não tenham medo de ser doadoras.

Não tenham medo de salvar vidas", disse Mariana, de 32 anos. Mariana, o marido, Martín, e os filhos moram na cidade de Laprida, em uma área de fazendas, na província de Buenos Aires.

"Depositei toda a confiança nos médicos. Eles me explicaram que hoje os riscos são mínimos para o doador e que o tratamento também avançou muito para os que necessitam do transplante. Mas Faustino ainda precisa de cuidados, que também estavam previstos antes da operação", disse.
Além dos especialistas, as crianças contaram com apoio de psicólogos do hospital.

Um ano

Tudo começou quando há um ano, em 27 de outubro, os médicos diagnosticaram que Faustino sofria de leucemia e que o melhor caminho para seu caso seria o transplante de medula óssea.

"Foi muito forte saber o diagnóstico. A única opção era lutar, enfrentar o problema", disse Mariana.


Ele realizou tratamento de quimioterapia durante alguns meses e os médicos sugeriram a alternativa do transplante de medula óssea, como contou a chefe do serviço de hematologia do hospital, Alcira Fynn.

"Os irmãos são normalmente os mais compatíveis para ajudar um ao outro. Filhos dos mesmos pais, eles possuem a mesma, digamos, matriz. E foi o que aconteceu", disse Fynn. 

Segundo ela, foi retirado "sangue do osso" do doador que, no caso de Benjamin, passou quarenta e oito horas internado.

"Os tecidos (das células) são renováveis. A doação hoje é mais simples e frequente do que se imagina. Existem riscos? Sim, mas para o doador ligados à anestesia apenas", disse a especialista.

Faustino foi operado em junho e voltou para casa dez dias após a cirurgia, de acordo com a médica. 

"No ano que vem ele já poderá voltar para a escola", disse Fynn. Ela afirmou que dos 210 casos de transplantes realizados no hospital, cem foram com a doação de um familiar direto da pessoa em tratamento.

Mariana contou que Benjamin retornou às aulas no jardim de infância poucos dias após ter sido internado para ajudar o irmão.
"Agora é ter cuidado e paciência para a conclusão do tratamento e para que Faustino volte à vida normal", disse ela.

Como transplantado, o menino não pode ser exposto a bactérias para que não sofra nenhuma infecção.

"Nós achamos que o pior já passou e que de agora em diante tudo será cada vez melhor. Os dois são muito unidos e depois da experiência ficarão ainda mais unidos", disse Mariana à imprensa argentina.

De acordo com dados oficiais, somente na província de Buenos Aires contam-se 15.100 doadores no registro nacional de doadores de células-mãe.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mãe de criança com síndrome de Down e defende o direito ao aborto criticaram a hipocrisia da sociedade

por Sua Voz 
                                                     Imagem: Erre Ortega (CC)
No blog BioBioChile publicado sábado 17 março de 2012, sobre o tema do aborto, o Sr. Alberto Gonzalez pergunta: Você não tem o direito de viver uma criança com síndrome de Down? ". Como mãe de uma criança com Trissomia 21 (síndrome de Down) têm-me perguntado várias vezes se, no caso em que fosse legal, teria abortado meu filho se ele havia conhecido antes de ele nascer eu tinha essa síndrome.

É uma pergunta difícil de responder, porque o meu filho está aqui comigo e cativante parte da minha vida. Mas essa questão é muito diferente do que faz o Sr. Gonzalez. Ele diz: "Você não tem o direito de viver uma criança com síndrome de Down?". O que ele destaca aqui é outra questão, os direitos das mulheres adultas contra os direitos de um feto.

É complicada a questão de direitos em geral, mas especialmente em uma sociedade como a nossa. Uma sociedade onde é evidente a todos os direitos são frequentemente violados-hoje, como eu escrevo e como todos sabemos, foram sistematicamente violados por 17 anos. É suficiente lembrar caso após caso de mulheres grávidas torturadas até que perdeu seus filhos nascituros. Mulheres crivados de um bebê no útero. Homens e mulheres executados e martirizados, todos os filhos e filhas de alguém.

Se você falar de direitos, eu também posso falar sobre direitos. Meu filho de 8 anos tem síndrome de Down e não tem direito a uma educação gratuita e de qualidade neste país, e se você não acredita em mim ou qualquer outra pessoa, eu estou mais do que disposto a se encontrar com as pessoas e mostrar-lhes as minhas razões. Ele não tem voz neste país hipócrita, muitas vezes não é aceito em oficinas simples crianças "normais" em comunas como avançado como Ñuñoa.

Acho que a questão em qualquer caso, deve ser: Não tem o direito de viver uma vida digna de uma criança com síndrome de Down? E a resposta não é no Chile. Não, porque no Chile são atualmente poucas crianças têm esse direito. E a menos que você está indo para ter um filho com síndrome de Down ou de uma criança com paralisia cerebral, ou uma criança com autismo, cegueira, surdez ... a lista é interminável. Sabemos, como já vimos.

Enfim, de volta para a direita do feto. Se legalizou o aborto, como deve aumentar? Quanto tempo a perspectiva da mãe ou da criança? Quem deve decidir - a mãe ou os outros? Aborto terapêutico, não importa quão grande a sua definição (incluindo a eugenia e o aborto após estupro), coloca a decisão final nas mãos de outras pessoas, os médicos, porque eles vão determinar sinal e recorde-se de fato que a saúde da mãe está em risco se você tem um filho. 

Aborto terapêutico exige que as mulheres fingem uma explicação, dar uma desculpa aceitável para o mundo. No entanto, todos nós sabemos que na Índia, a maioria das mulheres que fazem aborto ilegal, de fato, muitos o fazem não porque seus filhos vêm com uma deficiência, ou porque suas vidas estão em risco se forçados a tê-lo, mas eles não querem ou não podem ou não se atrevem a ter. Isso fica claro a partir do momento em aborto ilegal do Chile.

A mulher que faz um aborto no Chile não vai a um médico primeiro para perguntar se o seu filho tem uma doença genética ou outros. Não vá ao médico para perguntar se o filho teria ameaçado sua própria vida. Pelo contrário, o mais provável percebendo que ela está grávida e não quer ter a criança, procure ajuda médica evitar assim esconder a gravidez para que você possa mais tarde terminá-la, porque em nosso país o médico tem um dever de proteger e salvaguardar a vida do nascituro.

Sim, no Chile, a Constituição de 1980 prevê que: "A lei protege a vida do nascituro". Isso nos leva a uma outra verdade que assombra todo o debate sobre o aborto. E a criança que nasce? Quem cuida dele ou dela? Quem ajuda a proteger, por exemplo, quando a criança tem uma deficiência física ou mental? Don Francisco? Vamos ser honestos, no Chile a criança nasceu com uma desordem ou doença de nenhuma importância para a sociedade e do Estado. Isto é assim evidente que não é necessário para dar alguns exemplos.

No final do dia, a verdade é que nós damos uma infância maldita. O mau estado da educação em Portugal e destaca a falta de carinho e respeito que existe na sociedade chilena em relação às crianças em geral. O discriminar a partir do momento em que nascem, sua classe social, seu nome, a cor de sua pele, sua condição física, sua capacidade ou incapacidade. Bem, diga-me sobre o seu rendimento pais, e eu lhe direi quem você é. E se a baixa remuneração de seus pais adicionar sua deficiência, você está duplamente marginalizada.

O aborto é ilegal no Chile porque uma lei arbitrária de uma ditadura determinou que o Estado pode intervir e decidir se quer ou não uma mulher está grávida de um filho. Mas por que o Estado não intervém a cuidar de crianças e recém-nascidos? Na verdade, quem protege a lei sobre o aborto no Chile? Fazer filhos? Será que as mulheres? Ou, para os valores supostamente de uma raça que envia? Valores que as mulheres como Lady Von Baer, ​​que sentem que fornecer o seu corpo como uma mercadoria?

A questão da legalização do aborto a partir da perspectiva do aborto terapêutico é uma pretensão no Chile século. O conceito de aborto terapêutico coloca as mulheres e toda a sociedade em uma dimensão complicada, porque alguém tem que realmente definir quando a vida da mulher está em risco, e existe a possibilidade de que a restrição das mulheres de exercer o seu direito de decidir o que fazer com sua vida.

O debate sobre o aborto deve procurar rapidamente para colocar as mulheres no centro da discussão. E eles, nós, devemos entender que hoje, para proibir o aborto, o que a lei (supostamente) protege é o direito do nascituro. Devemos urgentemente introduzir o debate o conceito de aborto livre, que não exige nenhuma justificativa ou mentiras de qualquer tipo, um que incide sobre o direito das mulheres de decidir se quer continuar com a gravidez ou não.

Aborto terapêutico mina essa idéia de direitos das mulheres, uma idéia neste momento não deve ser radical, mas é. A mina mantém colocando a ênfase sobre terceiros e não das mulheres, neste caso, na decisão médica, quando todos sabemos que a decisão médica não é, na grande maioria dos casos, mas pessoal.

Mulheres no Chile de todas as idades, de todas as esferas da vida e de toda a abortar. Vamos ser honestos, não vemos a sorte entre os ciganos. Eu aposto tudo o que tenho (que não é muito) para quase todas as mulheres, se não todos, mais de 30 anos no Chile se encontra com outro que teve um aborto ou que procurou deixá-los, se não for feito uma mesma.

Sim, eu tive meu filho com Síndrome de Down. E sim, eu acho que eu teria mesmo sabendo isto de antemão, porque eu decidi assim, não porque uma lei ditatorial e sem base dita assim.

Eu tive os meus filhos, porque eu fiz essa determinação, não por razões morais, mas simplesmente porque eu era capaz de ter-los financeiramente e emocionalmente, e eu peguei sabendo que iria garantir seu bem-estar e sua saúde física e mental ao longo da vida, provavelmente, e sem o auxílio do Estado. Mas o fato de eu ter tomado essas decisões não força uma mulher para levá-los. E eu despojado o entendimento de que toda mulher tem um preço - que o preço que você está disposto a pagar ... Eu digo não! 

Isabel Toledo 8.125.XXX RUT-X

Texto original em Espanhol: http://rbb.cl/2fvh

Fonte:http://translate.google.com.br/translate?sl=es&tl=pt&js=n&prev=_t&hl=pt-BR&ie=UTF-8&layout=2&eotf=1&u=http%3A%2F%2Fwww.biobiochile.cl%2F2012%2F03%2F20%2Fmadre-de-nino-con-sindrome-de-down-defiende-derecho-al-aborto-en-chile-no-tienen-una-vida-digna.shtml&act=url

Histórias de vida de crianças com deficiência é tema de prêmio

Por Equipe Inclusive

“As crianças que vivem com deficiência têm os mesmos direitos que todas as outras”. A partir desse pensamento e com o tema Olhe para a capacidade! é lançado o Concurso juvenil de vídeos de um minuto, que tem a proposta de transmitir de forma positiva os diversos olhares sobre a deficiência de meninos e meninas. Até o dia 15 de dezembro de 2012 jovens menores de 25 anos podem enviar seus vídeos com enfoque no tema da deficiência infantil para o e-mail unicef.videocontest@gmail.com.

A escolha do tema deu-se ao fato de que as crianças com deficiência, muitas vezes, são tratadas como seres abandonados, frágeis e que necessitam de compaixão, mas essas impressões só acentuam as crenças negativas e impedem que as relações se constituam de maneira natural. É necessário criar outras perspectivas que, por sua diversidade, podem ser potenciadoras, construtivas e que contribuam para abrir os olhos das outras pessoas.

Estas perspectivas devem ser narradas de maneira única e criativa, através de elementos como drama, comédia, ficção, documentário, animação ou filme. As histórias devem ser relatadas para mostrar as dificuldades que as crianças com deficiência enfrentam no dia a dia devido às diferenças, porém, também servirão para promover uma conscientização social e cultural em torno desta temática.

Os trabalhos devem conter 60 segundos de duração e só será permitido apenas um vídeo por pessoa ou grupo participante. Cada inscrição deve ser enviada com os seguintes dados: nome, idade, link do vídeo adicionado (YouTube, Blip, Dailymotion, o Vimeo), título do vídeo, endereço completo, e-mail e número de telefone. Ou então enviar o material como um arquivo .mov em CD/DVD pelo correio: Unicef – Room 933, 3 UN Plaza – New York, NY 10017 / USA.  

O vídeo ganhador será utilizado nos materiais de difusão internacional do Estado mundial da infância de 2013, um informe publicado todos os anos pela Unicef. Além disso, também será colocado à disposição de emissoras de todo o mundo e distribuído através de canais online. O realizador do vídeo receberá uma HDV Flipcam da Sony.

Para maiores informações e dúvidas: unicef.youthvideocontest@gmail.com

A educação especial na perspectiva da educação inclusiva: ajustes e tensões entre a política federal e a municipal

Por Equipe Inclusive

A educação especial na perspectiva da educação inclusiva: ajustes e tensões entre a política federal e a municipal.
por Solange Santana dos Santos Fagliari.  - Faculdade de Educação/USP, 2012.
Link para download.

RESUMO

A perspectiva da construção de uma educação inclusiva em nossa realidade brasileira acentuou-se a partir dos anos 90, em um contexto desencadeado por reformas significativas que envolveram a educação básica e, mais especificamente, o ensino fundamental, com vistas a responder ao desafio de promover uma educação para todos.

Com a democratização do acesso, em meio a essa diversidade de alunos que necessita ser incluída nos sistemas de ensino, encontra-se o público-alvo da educação especial.

Se desde o final da década de 1980 o locus prioritário de atendimento desse público tem sido, preferencialmente, a classe comum, identifica-se, a partir de 2008, uma série de diretrizes e documentos legais que anunciam e induzem que a classe comum seja o seu espaço de matrícula.

O documento Política Nacional de Educação Especial na perspectiva de educação inclusiva, publicado em 2008, preconiza o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, e foi reiterado em legislação posterior, regulamentadora do financiamento do atendimento educacional especializado.

Diante do exposto, essa pesquisa investigou como o município de São Bernardo do Campo, em São Paulo, ajustou sua política local no período de 2009 a 2011 às diretrizes preconizadas pela Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva, bem como aos demais documentos orientadores emanados do governo federal. Em 2009, o município passou a ser administrado por um prefeito pertencente ao mesmo partido do governo federal; além disso, destaca-se o fato de o município possuir, desde a década de 1950, uma trajetória no atendimento ao público-alvo da educação especial.

Com o intuito de alcançar os propósitos deste estudo, optou-se por uma pesquisa qualitativa, por meio da análise de legislação, de documentos produzidos pela Secretaria de Educação e Seção de Educação Especial e de entrevistas com a equipe de orientação técnica e gestora municipal da Seção de Educação Especial.

A análise dos dados considerou os documentos orientadores e legais do governo federal e o referencial teórico concernente a políticas públicas, educação especial e educação inclusiva. A partir de 2009, o município definiu que a política de atendimento ao público-alvo da educação especial seria implementada de acordo com as diretrizes e normas oriundas do governo federal. Identificou-se uma reversão significativa dos serviços que operavam em uma perspectiva substitutiva, embora ajustes não preconizados no âmbito federal tenham sido operacionalizados no plano local.

O ponto de tensão entre a política federal e a local ocorreu em relação à educação de surdos, pois, além de ser ofertado o atendimento educacional especializado em uma perspectiva complementar da educação infantil à educação de jovens e adultos, manteve-se a escola especial que atua em uma perspectiva substitutiva.

Concluímos que a implementação dessa decisão, ajustar a política local às diretrizes federais, demonstrou ser tarefa bastante complexa, sobretudo em um município com trajetória e histórico de investimento público em serviços educacionais especializados; até o término desta pesquisa, ainda não havia sido possível implantar totalmente o modelo preconizado pelo governo federal no plano local.

CDH debate projetos para assegurar acessibilidade nas cidades

Iara Guimarães Altafin


Os projetos e as políticas do governo federal para assegurar acessibilidade nas cidades serão discutidos em audiência pública que a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) promove na segunda-feira (29), às 9h.

Representantes do Ministério das Cidades, do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência e especialistas analisam a implantação de programas que visam ampliar a acessibilidade para pessoas com restrição de mobilidade e deficiência.

Os convidados devem discutir, por exemplo, o avanço do processo de remoção de barreiras arquitetônicas e de implantação de rampas, piso tátil, sinalização em braile e sinalização com sonorização. Também deve ser debatido o programa que objetiva adaptar aeroportos e demais terminais de transporte coletivos, que serão muito demandados durante a realização dos grandes eventos esportivos que o país sediará nos próximos anos.

Foram convidados para a audiência pública Antônio José Nascimento Ferreira, secretário de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência; Leodegar da Cunha Tiscoski, secretário de Acessibilidade e Programas Urbanos, do Ministério das Cidades; Yuri Rafael Della Giustina, diretor do Departamento de Políticas de Acessibilidade e Planejamento Urbano do Ministério das Cidades.

Também devem participar do debate Marçal Rodrigues Goulart, superintendente de Gestão Operacional da Infraero. Moisés Bauer, presidente do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência (Conade); Carlos Penna Brescianini, mestre em Políticas Públicas e Formas Alternativas de Energia; além de representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Requerimentos

Ainda na segunda-feira, após a audiência pública, a CDH vota requerimentos do senador Paulo Paim (PT-RS) para realização de debates sobre direitos dos trabalhadores e o Simples Trabalhista; a situação do Fundo de Previdência Complementar dos Portuários; a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e as centrais sindicais; e o papel das emissoras de TV comunitárias na promoção dos direitos humanos. 

 Fonte: Agência Senado - http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2012/10/25/cdh-debate-projetos-para-assegurar-acessibilidade-nas-cidades

Votorantim, SP, terá que contratar cuidadores para deficientes

Prefeitura e a Fazenda Pública Estadual devem prestar assistência especial.
Determinação visa atender crianças e adolescentes de escolas públicas.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí 

A Vara da Infância e da Juventude de Votorantim (SP) condenou a prefeitura e a Fazenda Pública Estadual a prestarem atendimento a todas as crianças e adolescentes com deficiência por meio da contratação de cuidadores e leitores de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) nas escolas municipais e estaduais da cidade.

A sentença foi proferida na semana passada como resposta à ação civil movida pelo Ministério Público em agosto de 2011. A denúncia foi feita depois que o 4° Núcleo de Direitos Sociais de Sorocaba e Região recebeu diversas reclamações de pais de deficientes, que afirmavam que os filhos não tinham acesso a educação e cuidados especiais.

Uma liminar foi concedida a dois casos específicos, mas o pedido principal da ação requeria a condenação do Município e do Estado na obrigação de contratar cuidadores e leitores de Libras para todas as escolas.

Em sua decisão, a juíza Karla Peregrino Sotilo também fixou multa diária de R$ 1 mil para o descumprimento da determinação, válida a partir de dez dias após a solicitação de vagas realizadas pelos pais.

Em nota, a Prefeitura de Votorantim informou que não foi intimada da decisão e afirmou que nunca desrespeitou as diretrizes constitucionais e legais quanto ao atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência.

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2012/10/votorantim-sp-tera-que-contratar-cuidadores-para-deficientes.html

Pessoas com deficiência defendem empréstimo para centro de reabilitação


O objetivo da visita foi sensibilizar os deputados estaduais para a necessidade de desenvolvimento da Política de Atenção à Pessoa com Deficiência, que precisa da vinda dos recursos para iniciar a consolidação de uma rede de atendimento.

O Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Sergipe (CEDPcD) e representantes de conselhos municipais e entidades ligadas ao atendimento das pessoas com deficiência foram nessa quarta-feira, 24, à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) entregar nos gabinetes dos parlamentares a resolução aprovada na última terça, 23, em defesa da aprovação dos recursos do Proinveste.

O objetivo da visita foi sensibilizar os deputados estaduais para a necessidade de desenvolvimento da Política de Atenção à Pessoa com Deficiência, que precisa da vinda dos recursos para iniciar a consolidação de uma rede de atendimento a partir da construção do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caicad).

Uma emenda parlamentar assegura R$ 18 milhões dos R$ 23 milhões necessários à construção do equipamento. O restante do recurso, que é a contrapartida estadual, depende da aprovação do Proinveste. De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, Sergipe possui 518 mil pessoas com deficiência, o que corresponde a 25,09 % da população do Estado.

Recebidos pelo vice-presidente da Casa, deputado Garibalde Mendonça, a comissão entregou o documento ao parlamentar e explicou a importância da aprovação do empréstimo às pessoas com deficiência do Estado.

“Nesse projeto do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente, o Governo do Estado tem uma contrapartida de R$ 4,7 mi. Esse valor está dentro da discussão do Proinveste. Nosso interesse é organizar a rede de atenção integral a pessoa com deficiência, sendo que o Centro será um equipamento muito importante para a formação da rede, ressaltou Jane Rocha, presidente do CEDPcD.

A perspectiva é integrar no Caicad as áreas de saúde, educação, assistência social, esporte e lazer, entre outras demandas que sejam necessárias para a pessoa com deficiência. Estamos pleiteando a responsabilidade do Governo do Estado para que ele também formate a rede de atenção integral. Estamos passando e pedindo a colaboração dos deputados para essa luta”, acrescentou Jane Rocha.

O deputado Garibalde Mendonça entrou nesta quarta-feira, 24, com requerimento solicitando o pronunciamento dos conselhos e entidades da pessoa com deficiência na Assembleia. “Assim que o requerimento for aprovado, marcaremos uma data com a comissão para que possam pleitear com os demais deputados a aprovação da verba para o centro de reabilitação, através do Proinveste. Vou tentar marcar para a próxima semana”, assegurou.

Audiência na Seides

Após a visita à Assembleia, os representantes dos deficientes tiveram uma audiência com a secretária de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social, Eliane Aquino, na sede da secretaria, para entregar uma cópia do documento e conversar sobre o tema.

“O prazo para aprovação do Proinvest é até a semana que vem. Por isso é tão relevante a iniciativa dos conselhos e das entidades de conscientizar os parlamentares sobre a importância do empréstimo para auxiliar na construção do Caicad. Temos ainda um grande desafio nas mãos, que é o de melhorar a situação das pessoas com deficiência em Sergipe e esse centro será um passo importantíssimo para nossa luta”, destacou Aquino.

Fonte:http://www.faxaju.com.br

Por que falar é viver

“A quem mais amamos, menos sabemos falar” (Provérbio inglês)
Por Nei Alberto Pies *


Todo tipo e forma de discriminação, além de ser um problema pessoal de quem os sofre, é também um problema social. A gagueira, como outros tantos limites humanos, deixa marcas e imprime jeitos de resistir para sobreviver socialmente. Como eu, pelo menos 1.700.000 pessoas em todo o nosso país apresenta algum grau de gagueira na sua comunicação, conforme dados do Instituto Brasileiro de Fluência. A gagueira ganhou também um dia internacional: dia 22 de outubro.

A fala é o meio mais eficaz e mais utilizado para a nossa comunicação e interação social, porém não a única. Esta é a maior descoberta para alcançarmos reconhecimento social, através da comunicação. Se não falamos fluentemente ou temos algum grau de timidez, arranjamos jeitos de ser reconhecidos e valorizados socialmente por alguma outra habilidade ou virtude. Se não somos “experts” na fala, podemos ser bons na escrita, no canto, na representação, no estudo, na convivência ou nas relações. A qualidade da nossa comunicação depende da interação de todos, inclusive do apoio e compreensão que temos de dar àqueles que sofrem para se comunicar.

O ser humano é especialista na arte de compensar. Sem compensar não sobreviveria, porque se não é possível ser bom em tudo, é necessário ser bom e útil em alguma coisa. Por isso a gente se faz “agarrando-se” ao que tem de bom, àquilo que tem facilidade e àquilo que nos renda reconhecimento dos outros. A gente inventa e re-inventa jeitos e trejeitos para ser querido, amado e promovido pelos outros. O reconhecimento social é uma das maiores necessidades humanas, pois ninguém sobrevive se não comprovar para si mesmo o quanto é útil, importante, querido e estimado pelos outros.

O resgate da auto-estima e a auto-aceitação são preponderantes para a cura ou convivência com a gagueira. A gagueira é influenciada por fatores neurobiológicos ou emocionais. Conhecer-se, estudar o seu problema, procurar auxílio e terapias, aumenta as possibilidades de conviver socialmente, sem maiores traumas. É fundamental, ainda, assumir publicamente os limites da fala e da comunicação sempre que se puder. Assumir os limites da fala propicia discernimento e tranqüilidade interior para lidar com os desafios de se comunicar melhor. Quem fala se liberta!

Falar é a forma mais concreta de nos apresentar ao mundo. Por isso mesmo, falar pressupõe primeiro aceitar-se como se é para depois buscar o reconhecimento junto aos outros. A felicidade de “seres humanos falantes” alicerça-se tanto nos fracassos e limites como nos êxitos e nas conquistas, pessoais e coletivos. Uma boa convivência social pressupõe a aceitação de todos os limites humanos e a superação de todas as formas de discriminação.

* Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.

BLOG PROMOVE A TROCA DE CALÇADOS ENTRE AMPUTADOS

Pessoas amputadas de membros inferiores que não utilizam perna mecânica enfrentam o maior dilema na hora de comprar um calçado novo. O que fazer com pé do sapato que não será usado? Para auxiliar amputados que desejem trocar seus calçados que não são usados foi criado recentemente o blog Pé Trocado“.

De acordo com o idealizador da comunidade, Márcio Coutinho, a ideia é que aquele pé de calçado não usado seja trocado com outros amputados de acordo com a necessidade. “O objetivo não é trocar produtos usados e sim novos, nunca usados por absoluta falta de uso”, afirma.

O site funciona como canal de interlocução e de divulgação entre os interessados, mas não se responsabiliza pelas negociações que acontecerem por meio dele. O interessado envia um anúncio com foto e dados do calçado que deseja permutar, de acordo com as condições de uso estabelecidas, e negocia diretamente com o interessado. Não há qualquer intervenção e o melhor: o site é inteiramente gratuito. Vale a pena conhecer!

Saiba aqui como anunciar.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O que você está falando?

Imagine um rádio FM tentando sintonizar uma programação emitida em ondas curtas. Frustrante, desanimador...

Paulo Lima
                                                     Bia Paiva, uma agente de transformação

Durante um seminário que discutia Aids e deficiências em João Pessoa, Paraíba, Thiago Rodrigues pede licença e diz: “Pessoal, me desculpe, mas eu não estou entendendo o que vocês querem falar.” Esta interrupção corajosa gerou a frase que deu o título ao livro “Mude Seu Falar Que Eu Mudo Meu Ouvir”, o primeiro escrito por portadores de síndrome de Down no Brasil. O livro é um marco na busca da acessibilidade para o deficiente intelectual e foi lançado na sede da ONU em Nova York, em versões em português e inglês.

Tudo começou com a associação sem fins lucrativos Carpe Diem, que desde 1996 atua na busca da inclusão social de jovens com deficiência intelectual. Para que conquistem autodeterminação, ou seja, capacidade para exercer um controle cada vez maior sobre suas vidas, os profissionais da associação passaram a instigar os jovens a assumir um posicionamento crítico diante de suas condições. Participar de palestras sobre o tema em todo o Brasil foi uma das ações desenvolvidas nesse sentido.

Na volta daquela viagem à Paraíba, Bia Paiva, Thiago Rodrigues, Bia Ananias, Cláudio Arruda, Carolina Maia e Carolina Golebsky, todos com síndrome de Down, se juntaram para elaborar um manual para facilitar o acesso às pessoas com deficiência intelectual. O trabalho da equipe de apoio à autodeterminação da Carpe Diem foi organizar as falas dos seis, que eram transcritas em capítulos, e também cuidar de aprofundar algumas importantes ideias por eles colocadas.

“Esse manual é para abrir o coração”, fala Thiago Rodrigues em entrevista dada ao site do Prêmio Trip Transformadores 2012, em que Ana Beatriz Pierre Paiva, uma das autoras do livro e que você vê na foto ao lado, será homenageada no próximo dia 24. “A gente quis contar quais são as nossas dificuldades e necessidades. Por exemplo, como a gente lida com o tempo, o dinheiro, etc. Se você ler o livro, tem várias ilustrações que mostram os atos daquilo que a gente está querendo falar. Esse livro fala de seres humanos, de sentimentos, não é um livro técnico.”

Em outras palavras, a pessoa com deficiência intelectual precisa que seu interlocutor entenda quais são suas limitações e aprenda a se comunicar com ela de forma que o entendimento seja possível. Uma adaptação de códigos de linguagem, do tempo da fala, do jeito de transmitir as ideias e as informações. Se assuntos razoavelmente complexos forem explicados com a ajuda de ilustrações, por exemplo, e num ritmo um pouco menos acelerado, a compreensão pelo indivíduo com síndrome de Down será infinitamente facilitada. O livro, grosso modo, cuidou apenas de ensinar às pessoas o jeito de se fazerem entender por quem funciona em outra frequência, mas quer sintonizar na mesma estação.

No Brasil há 2,6 milhões de pessoas deficientes intelectuais. Melhorar a capacidade de comunicação com elas é um passo decisivo para romper os preconceitos, construir uma sociedade mais inclusiva e parar de desperdiçar talentos emocionantes como o de Bia Paiva e seus amigos. 

Menino deficiente encanta jogadores do Barça

Redação SRZD

Encantador! Com apenas 11 anos, o menino Gabriel, de Saquarema, no Rio, conquistou os jogadores do Barcelona.

Ele é conhecido não apenas por não ter os dois pés, mas também, por ser dono de uma habilidade de dar inveja.

O garoto conheceu os craques do Barça e até bateu bola com o melhor jogador do mundo, Messi.  


A lei que inclui

Por Priscila Sampaio / Fotos Divulgação / SEDPCD / Ricardo Alcará



A Lei de Cotas completa 21 anos e tem motivos para comemorar. Um deles é a evolução na vida social que a pessoa com deficiência conquistou. "O trabalho dignifica o homem", diz o ditado popular e essa dignidade não é só em conseguir o emprego, mas ter a oportunidade de voltar a estudar, crescer profissionalmente e garantir os direitos de cidadão.

Leonardo Roberto Lins, de 31 anos, tem paraplegia por consequência de um desvio na medula, que o deixou na cadeira de rodas, aos 16 anos. Ele precisou interromper seus estudos para intensificar a reabilitação e pode terminar o colégio em 2003. Então, foi tentar um negócio próprio, que não deu certo, tentou outros trabalhos informais até que em 2011 conheceu o Programa Febraban de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência no Setor Bancário em parceria com a Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape).

Por meio do projeto, ele conseguiu uma vaga de assistente bancário no Santander e iniciou em julho de 2011. "Quando eu entrei já não sentia que as pessoas me viam como mais um da Lei de Cotas, mas como um profissional, então, logo percebi que deveria entrar o quanto antes para a faculdade e poder me aperfeiçoar", afirma Lins, que trabalha na área de marketing e cursa a faculdade de administração.

Assim como Leonardo Roberto, Denis Cairiac de 27 anos trabalha no setor bancário. Ele ingressou o banco Itaú em janeiro de 2010, por intervenção de uma agência de empregos para pessoas com deficiência. Ele atua no SOS Bankline e acredita que poderá formar uma carreira profissional dentro da empresa.

"Quando eu entrei já não sentia que as pessoas me viam como mais um da Lei de Cotas, mas como um profissional", Leonardo Roberto Lins

"O banco é exigente na formação dos funcionários. Eles contratam pessoas com deficiência para preencher a cota, no entanto, quando você está lá, concorre às vagas como qualquer outra pessoa, por isso corri entrei na universidade para adquirir conhecimento e poder subir de cargo", afirma Cairiac que começou a cursar administração. O jovem ficou tetraplégico por ter pulado na piscina e quebrado o pescoço atingindo a 6ª vertebra aos 18 anos.

Fotos Divulgação
Evento no Pátio do Colégio, capital paulista: comemoração e reivindicação

Fotos Divulgação
Leonardo Roberto e sua colega no programa da Febraban: cotas favorecendo a educação
AVANÇOS REAIS
Em março deste ano, o ministro da educação Aloizio Mercadante afirmou que ofertar ensino a esse público é obrigação do Estado e a dívida com essa comunidade é muito antiga e grande.


O número de pessoas com deficiência frequentando escolas regulares e universidades aumentou de 43,9 mil (1998) para 558 mil em 2011, segundo dados no MEC. O Ministro ainda afirmou que esse ano será reservada 150 mil vagas para qualificação profissional, por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec).

Inclusão é realidade no setor público.

Nathália Blanco 

Presente no ABC, educação para alunos com necessidades especiais precisa, porém, de aperfeiçoamento
Foto: Divulgação/Escola Paulista
Não há como ignorar que a educação inclusiva e voltada para crianças com algum tipo de deficiência física ou mental é realidade no Brasil. Ainda que em processo de aperfeiçoamento e experimentação, quase todas as prefeituras do ABC possuem projetos de atenção aos estudantes com autismo, síndrome de Down, paralisia infantil, dificuldades auditivas, visuais e de locomoção e outras dificuldades, sempre na perspectiva da inclusão no ensino regular.

De uma forma geral, as secretarias municipais de educação apostam em grupos de profissionais especializados em educação inclusiva que fazem atendimento itinerante, uma a duas vezes por semana, aos professores com alunos especiais em sala de aula. São Bernardo, São Caetano e Diadema já podem atender alunos em todas as unidades municipais.

Nas salas de aula, um estagiário ou auxiliar de professor, enviado pelo programa, acompanha a criança nas tarefas. “Nosso projeto é voltado para o desenvolvimento da autonomia do aluno”, explica Cecília de Oliveira Prado, chefe de Divisão da Educação Especial de São Bernardo. Cecília conta que o tempo que o cuidador fica com o aluno depende do grau de comprometimento da realização de atividades corriqueiras, e isso é avaliado pelos professores com formação específica que fazem o atendimento itinerante. O grupo também monta planos pedagógicos individualizados para cada área de deficiência.

Formação incompleta

“Muitos professores reclamam que não têm formação pra isso, mas não existe um curso que prepare o professor para incluir, assim o processo formativo acontece a partir da chegada da criança”, diz Cecília sobre a formação dos professores da rede municipal, que primeiro recebem o aluno especial em sala, para depois se informar e receber assistência.

Fernanda Sanmarone, diretora da Escola Paulista de Educação Especial, em São Bernardo, afirma que a formação deve ser contínua, porém desde o início. “Não pode incluir depois formar. O professor precisa ter formação desde o começo, mas na prática é totalmente diferente e ele continua aprendendo”, analisa a diretora da Escola Paulista.

A mantenedora do Núcleo Terapêutico CrerSer, também em São Bernardo, Mariana Martin Bianco, critica o curso superior de Pedagogia. “Na faculdade não temos respaldo sobre o assunto e na pós-graduação só recebemos teoria”, reclama. “A maioria dos professores está buscando informação por conta própria e aceitando este aluno do jeito que dá”, conta. Rio Grande da Serra não respondeu ao questionamento do Repórter Diário.

Especialistas sugerem parcerias

É consenso entre Mariana Martin Bianco e Fernanda Sanmarone que a aliança entre educação regular e especializada pode dar certo. “A ideia de escola de apoio favorece o social e reforça algumas especificidades”, explica Mariana. Fonoaudiologia, Fisioterapia, Psicologia, Terapia Ocupacional e Musicoterapia são algumas delas.

Fernanda explica que a escola especial dá aparato para as regulares. Uma dica, segundo a diretora, é fazer parte das parcerias entre governos estaduais e municipais e escolas particulares, que geram redução nas mensalidades.

Santo André e São Caetano complementam o turno regular com atenção especializada nas Salas de Recursos Multifuncionais, que atendem deficiências específicas, como as visuais. São Bernardo tem a Escola Polo Para Alunos Surdos para os pais que optarem por este processo. Mauá tem cerca de 12 escolas polo.

Santo André mantém, ainda, convênio com a Fundação de Medicina do ABC, para que profissionais da área da saúde integrem o trabalho multidisciplinar nas unidades municipais. Outra frente são as avaliações multidisciplinares e os atendimentos clínicos, com fonoaudiologia, psicologia, orientação familiar e psicopedagogia. O mesmo serviço é feito no CAEM (Centro de Atendimento Educacional Multidisciplinar). Outro convênio permite curso de pós-graduação para o magistério na Fundação, com especialização na área de inclusão.