sábado, 1 de dezembro de 2012

COMO UMA PESSOA CONSEGUE CONTROLAR UMA PRÓTESE COM O PENSAMENTO?

por:Lázaro Britto



Recentemente, o Instituto de Reabilitação de Chicago (RIC) apresentou o caso do engenheiro de software Zac Vawter (foto), de 31 anos, o primeiro americano amputado de perna que conseguiu subir 103 andares de um dos maiores arranha-céus do mundo, o Willis Tower, antiga Sears Tower, em Chicago, com o uso de uma prótese biônica controlada pelo cérebro. Zac perdeu uma das pernas num acidente de moto em 2009.
Antes disso, o mesmo instituto americano havia apresentado Claudia Mitchell (foto), a primeira mulher a receber a tecnologia do “braço biônico”. Ela teve o braço esquerdo amputado até o ombro depois de um acidente de moto e agora consegue segurar um puxador de gaveta com sua mão artificial por meio do pensamento “segurar o puxador de gaveta”.
First "Bionic Woman" Demonstrates Thought-Controlled Prostheses
O fato de uma pessoa conseguir controlar com êxito vários e complexos movimentos de um membro postiço com seus pensamentos abre um mundo de possibilidades para os amputados. A estrutura, tanto cirúrgica quanto tecnológica, que torna esse feito possível é quase tão incrível quanto os resultados do procedimento.
Tanto Claudia Mitchell quanto Zac Vawter são exemplos de pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico chamado “Targeted Muscle Reinnervation” nos EUA (Reinervação Muscular Dirigida ou Orientada), que redireciona os sinais do cérebro dos nervos cortados durante a amputação para músculos intactos, permitindo ao paciente controlar sua prótese intuitivamente.
TRM-2
A TÉCNICA – A tecnologia do “braço biônico” é possível basicamente por causa de dois fatos da amputação. Em primeiro lugar, o córtex motor no cérebro (a área que controla movimentos voluntários dos músculos) ainda envia sinais de controle mesmo que certos músculos voluntários não estejam mais presentes para serem controlados. Em segundo lugar, quando os médicos amputam um membro, eles não removem todos os nervos que antes transmitiam sinais para esse membro.
Então, se o braço da pessoa foi amputado, existem nervos que terminam no ombro e simplesmente não têm mais lugar para enviar suas informações. Se essas terminações nervosas puderem ser redirecionadas para um grupo muscular que funcione, a pessoa pensa “segurar a maçaneta com a mão” e o cérebro envia os sinais correspondentes para os nervos que deveriam se comunicar com a mão, e esses sinais acabam no grupo muscular que funciona em vez de irem para as terminações do ombro.
TRM-7
Redirecionar esses nervos não é uma tarefa simples. O Dr. Todd Kuiken (foto), do Instituto de Reabilitação de Chicago, é o criador da técnica denominada Targeted Muscle Reinnervation (TMR), ou Reinervação Muscular Dirigida. Os cirurgiões basicamente operam o ombro para ter acesso às terminações nervosas que controlam os movimentos das articulações do braço, como cotovelo, pulso e mão. Em seguida, sem danificar os nervos, eles redirecionam as terminações para um grupo muscular que funciona.

No caso do “braço biônico” do Instituto, os cirurgiões ligaram as terminações nervosas a um grupo de músculos peitorais. São necessários vários meses para que os nervos se juntem a esses músculos e se tornem totalmente integrados. O resultado final é um redirecionamento dos sinais de controle: o córtex motor envia sinais para o braço e mão através de ligações nervosas, como sempre fez, mas em vez de esses sinais acabarem no ombro, eles acabam no peito.
Para usar esses sinais no controle do braço biônico, a parafernália do Instituto coloca eletrodos na superfície dos músculos peitorais. Cada eletrodo controla um dos seis motores que movimentam as articulações do braço postiço. Quando a pessoa pensa “abrir a mão,” o cérebro envia o sinal de “abrir a mão” para o nervo apropriado, agora localizado no peito.
Quando as terminações nervosas recebem o sinal, o músculo peitoral em que estão ligadas se contrai. Quando o músculo peitoral responsável por “abrir a mão” se contrai, o eletrodo nesse músculo detecta a ativação e faz com que o motor que controla a mão biônica se abra. E como cada terminação nervosa está integrada a partes diferentes do músculo peitoral, uma pessoa com um braço biônico pode mover os seis motores ao mesmo tempo, o que resulta em uma série de movimentos bastante naturais para a prótese.

DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA A AIDS

O dia primeiro de dezembro foi escolhido como o Dia Mundial da Luta contra a AIDS, doença transmitida por contato entre o sangue contaminado e o sangue não contaminado.

A sigla AIDS significa síndrome da imunodeficiência adquirida, mas sua origem vem do inglês – Acquired immunodefiecience syndrome.

A data foi instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas), a fim de fazer dela um dia de batalha contra a doença, visando mobilizar a opinião pública sobre a gravidade da doença, mas de amenizar o preconceito sofrido pelos portadores do HIV, o vírus causador da doença.

No Brasil, a data foi estabelecida desde 1988, a fim de alertar a população sobre as formas de transmissão da doença e os avanços dela pelo país.

Normalmente, as pessoas que adquirem o vírus HIV (vírus humano da imunodeficiência) desenvolvem várias doenças, pois o mesmo destrói os glóbulos brancos, conhecidos como linfócitos T-CD4, que dá imunidade ao organismo, enfraquecendo o meio de defesa natural. Com essa destruição, o corpo fica abatido, sujeito a adquirir doenças oportunistas, como pneumonias, infecções, herpes, diarreias e alguns tipos de câncer. Na fase mais avançada da doença, podem aparecer doenças mais graves, como tuberculose, meningite, dentre outras.

Os sintomas da doença podem demorar a aparecer, um dos grandes problemas para a contaminação. A pessoa contaminada com o vírus HIV pode transmiti-lo através de relações sexuais ou de formas mais simples, quando o seu sangue entra em contato com o sangue de uma pessoa saudável. Isso é muito sério, pois esse contágio tem ocorrido em salões de beleza, através de alicates de unha, no uso compartilhado de agulhas, ao colocar piercings e fazer tatuagens, em consultórios odontológicos e etc.

Existem casos de pessoas que já foram contaminadas em transfusões de sangue, mulheres grávidas também podem transmitir o vírus para os bebês.

O preconceito faz com que as pessoas acreditem que possam ser contaminadas por outras formas. Isso não é verdade! O vírus HIV não é transmitido através de relações sexuais com o uso de preservativos (camisinhas), beijo no rosto ou na boca, picada de insetos, abraços, contato com o suor do doente, compartilhar objetos, como toalhas, sabonetes, talheres, assentos de ônibus, piscinas e muito menos pelo ar.

Diferente do que muitos pensam, os doentes de AIDS ficam muito fragilizados emocionalmente, precisando de atenção, amor e carinho, amizade e proximidade das pessoas.

No mundo todo, o continente africano é o mais contaminado com essa doença, mas os índices de maior aumento da contaminação pelo HIV aparecem na Ásia Central e no Leste Europeu.

No Brasil, o governo oferece tratamento gratuito para os contaminados, mas nem sempre os medicamentos são encontrados nos hospitais que oferecem o tratamento. São coquetéis montados especificamente para combater a doença, sendo o custo muito alto, dificultando a distribuição para os doentes. O remédio é muito agressivo para o organismo, que já se encontra fragilizado, causando efeitos colaterais muito sérios, como problemas renais e de fígado.

O governo brasileiro oferece exame para constatar a doença, através dos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), que dão todo o apoio para os infectados.

Acessibilidade digital: Tecnologias para pessoas com deficiência

Preparando uma empresa ou organização para receber pessoas com deficiência entre seus clientes, funcionários e alunos.
da Redação

Imagem Internet
Acessibilidade e a inclusão da Pessoa com Deficiência (PcD) são temas atuais. No entanto, muitos conhecem somente a acessibilidade arquitetônica, como construções de rampas, delimitações de vagas e adaptações prediais, não reconhecendo as diversas barreiras existentes no ambiente digital.

A tecnologia é estratégia na inclusão da pessoa com deficiência. O objetivo do workshop é sintetizar informações que auxiliem os profissionais a conhecerem as tecnologias assistivas e a sua importância no processo de inclusão das PcD de forma digna e produtiva.

O aluno terá uma visão panorâmica das questões da deficiência no Brasil e no mundo, boas práticas na convivência com a PcD e conhecerá as tecnologias assistivas no uso do computador e as principais questões da acessibilidade na WEB e documentos digitais.

Conteúdo programático:

Convivendo com a Pessoa com Deficiência
- Panorama da deficiência no Brasil e no mundo
- PcD em números
- A legislação brasileira e os direitos da PcD
- Tipos de deficiência e suas principais barreiras
- Terminologia

Prática
- Tecnologias assistivas
- Tecnologia: a revolução no mundo da deficiência
- Tecnologias assistivas gratuitas e de mercado
- Como as PcD utilizam o computador
- Prática: demonstração do uso de computador por uma pessoa com deficiência visual. 

Acessibilidade na Web e documentos acessíveis (03h00 min)
- O problema na web
- Os padrões de acessibilidade
- Exemplos e contra-exemplos
- Documentos acessíveis - Livros digitais
- Reflexões sobre o tema

Público alvo:
Profissionais de todas as áreas envolvidos de alguma forma com pessoas com deficiência: Captadores de Recursos, Recursos Humanos, Treinamento, Tecnologia da Informação, Gestores em geral, Administração, Marketing ou qualquer pessoa interessada no tema.

IMPORTANTE: Caso haja algum participante com deficiência e que necessite de algum apoio específico, por gentileza enviar email para: lucinda.leria@uol.com.br

País terá programa de acessibilidade turística para pessoas com deficiência


Programa Turismo Acessível garante fortalecer ações de infraestrutura e capacitação profissional para atender portadores de deficiência física
 Portal Brasil 
Divulgação / Prefeitura de Colatina - ESO programa visa a capacitação de profissionais para atender os deficientes e manusear os equipamentos de forma adequada
  • O programa visa a capacitação de profissionais para atender os deficientes e manusear os equipamentos de forma adequada
Com o objetivo de promover a inclusão social e o acesso de pessoas com deficiência, ou mobilidade reduzida, às atividades turísticas no Brasil, foi lançado nessa sexta-feira (23) o Programa Turismo Acessível. O lançamento aconteceu durante o 24º Festival de Turismo de Gramado (Festuris) e conta com a parceria do Ministério do Turismo (MTur), Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur)  e a Secretaria Especial de Direitos Humanos.
As ações do Programa visam atender as necessidades de pessoas que possuem algum tipo de deficiência, oferecer o alcance e a utilização de serviços, edificações e equipamentos turísticos com segurança e autonomia. Outras ações serão organizadas junto aos empresários da cadeia produtiva do setor para ampliar oportunidades no mercado de trabalho para esse público.
Outras três metas específicas do Programa devem ser incorporadas ao Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, lançado pelo governo federal, o chamado “Viver sem Limites”. Uma delas é qualificar cerca de oito mil profissionais, sensibilizando para o tema de acessibilidade. As demais envolvem as 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014: apoio a 100 obras de implantação e adequação de infraestrutura turística e ampliação do número de unidades habitacionais hoteleiras acessíveis.
Um dos principais desafios é a qualificação dos serviços turísticos. O governo estuda a implantação de um sistema online com informações acerca da acessibilidade de empreendimentos e atrativos turísticos de destinos brasileiros. Além disso, o programa pretende aumentar para 5% o número de unidades habitacionais acessíveis nas cidades-sede da Copa 2014. “Não se trata, no entanto, de um esforço apenas do governo. Precisamos do apoio da iniciativa privada e da sociedade, esta atuando como fiscalizadora dessas ações”, pontuou o representante do Mtur, Wilken Souto.
 Acessibilidade
De acordo com o Censo de 2010, 23,9% da população brasileira possuem alguma deficiência. No entanto, somente 1,5% das unidades habitacionais no setor hoteleiro é adaptado à acessibilidade. "Com o programa, pretendemos conseguir aumentar para 5% essas unidades nas cidades-sede e seus entornos”, afirmou o secretário Nacional de Políticas do Mtur, Vinícius Lummertz.
A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, apontou a questão da infraestrutura como um dos maiores desafios a serem enfrentados para avançar na questão da acessibilidade. “Não há limite na condição da pessoa com deficiência. Os limites estão na arquitetura e no preconceito da sociedade”, disse. A ministra também defendeu a continuidade de políticas públicas voltadas a esse segmento.
A capacitação de profissionais para atender os deficientes e manusear os equipamentos de forma adequada é imprescindível. A mão de obra entre as pessoas com deficiência ou alguma mobilidade reduzida também pode ser muito bem aproveitada no turismo. É o que explica Guilherme Paullus, presidente do Conselho de Administração CVC Turismo e presidente do Grupo GJP Hotéis. “Para isso, precisamos exigir o cumprimento das leis e cobrar apoio das autoridades para projetos em empreendimentos”, sugeriu
Orientações para a adaptação de estabelecimentos turísticos estão previstas na norma técnica NBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), , sobre Acessibilidade a Meios, Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos.
 Festival de Turismo
O lançamento do Programa aconteceu durante o 24 Festival de Turismo de Gramado (Festuris) e contou com a presença do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro; da ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário; do prefeito de Gramado, Nestor Tissot; e da secretária de Turismo do estado, Abigail Pereira.
Ao todo, 13 roteiros foram selecionados para participar do Festuris, com seus produtos agroindustriais e artesanais. “A produção das pequenas empresas rurais, além de ser uma manifestação cultural que agrega valor e personalidade ao turismo, também confirma a característica de distribuição de renda que somente o turismo é capaz de fazer”, afirmou Lummertz.

Nota pública: escolas públicas e privadas não podem discriminar em razão da deficiência

POR INCLUSÃO JÁ!


NOTA DA CONFENEN – CONSIDERAÇÕES E REIVINDICAÇÕES
Tendo em vista o texto publicado no boletim da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (CONFENEN), em seu boletim (páginas 8, 9 e 10), o Fórum Nacional de Educação Inclusiva, o Portal Inclusão Já e a Rede Inclusiva – Direitos Humanos BR vêm, por meio desta, repudiar tal o teor do referido texto, que orienta para a restrição do acesso e permanência na educação, promovendo diretamente a exclusão educacional de pessoas com deficiência. A nota é um incentivo à pratica do bullying, à violação do direito humano à educação e ao preconceito e à discriminação de pessoas com deficiência.
Aproveitamos esta feita para esclarecer à Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino – CONFENEN que Educação é direito humano e, portanto inalienável, direito que não se pode dispor, direito da criança e do adolescente, seja ela ou ele Pessoa comou sem deficiência.
Esclarecemos também que as escolas privadas não são regidas por legislação diferenciada e que, à parte disso, discriminar é crime. Negar ou fazer cessar matricula por motivo de deficiência é crime, com pena de reclusão de 1 a 4 anos (Lei 7.853/89).
É importante também esclarecer que, a despeito do posicionamento da entidade, muitas escolas privadas trabalham em concordância com a legislação vigente e que estas escolas cumprem com o seu papel social e seguem as diretrizes nacionais para a oferta da educação.
Reafirmamos ainda que estabelecimentos de ensino públicos ou privados devem respeitar e se organizar dentro dos parâmetros da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Código de Defesa do Consumidor, no Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Viver Sem Limite, da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC/2008) e todas as diretrizes e orientações do Ministério da Educação para a inclusão educacional.
As lutas do movimento social organizado levaram a conquistas em benefício de pessoas com e sem deficiência. O acesso e a permanência na educação se tornaram realidade devido a políticas públicas de educação inclusiva do governo federal na última década, que, implementadas por estados e municípios, possibilitaram a crianças e adolescentes do Brasil a escolarização, garantindo, assim, o direito constitucional à educação. Ainda com um longo caminho a percorrer para garantir escola de todos e de cada um, aprender junto e com – com recursos e verbas públicas carimbadas – é hoje a nossa realidade nas escolas públicas.
Cabe às escolas privadas cumprir com o seu papel e ofertar a educação com base na equiparação de diretos e igualdade de condições e oportunidades.
A possibilidade da oferta do ensino, para a iniciativa privada, foi assegurada pelo legislador no artigo 209 da Constituição Federal, masdesde que respeitados o cumprimento das normas gerais da educação e a autorização e avaliação de qualidade pelo poder publico. Já no artigo 206 da CF/88, a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola e a qualidade do ensino são princípios sob os quais o ensino deve ser ministrado. Não podemos discriminar e manter pessoas na invisibilidade.
A nota da CONFENEN fere todos os princípios fundamentais da Carta Magna e hierarquiza seres humanos.
Tendo em vista que a universalização do acesso e a permanência na educação em estabelecimentos públicos e privados são assegurados pela Constituição Federal, cujo objetivo maior é a promoção do bem comum, a CONFENEN tenta relativizar o sujeito de direitos, como se a pessoa com deficiência não fosse Pessoa por completo. O fomento ao conhecimento e a educação torna-se, então, um incentivo à discriminação e a praticas sociais abusivas e ilegais.
Segregar seres humanos e torná-los invisíveis frente à sociedade é o contrário de educar. É vergonhoso. Pretender hierarquizar seres humanos esquecendo que a escola é espaço de aprendizado junto e com e de exercício da cidadania é algo que a sociedade deve repudiar, além de pedir que providências sejam tomadas. Educação não é preparação para a vida, é a própria vida. Lugar de criança com ou sem deficiência é na escola, seja ela pública ou privada. É uma questão de direito.
A nota de incentivo à discriminação, ao preconceito e à violação dos direitos humanos nos pegou de surpresa, pois não é de se esperar orientação para o preconceito de entidade da Educação Privada, pois educação, além de direito inalienável, é um direito central e imprescindível para o exercício dos demais direitos. No que diz respeito à educação, o público e o privado seguem as mesmas regras.
Na escola privada, de livre escolha da família, estuda quem paga a mensalidade, estuda quem paga as cobranças comuns a todos os estudantes, por que é fundamental esclarecer que nenhuma família tem a obrigação de custear mediadores, pagar taxas extras e pagar pela oferta do atendimento educacional da especializado. Tudo isso é obrigação dos estabelecimentos de ensino. No âmbito público e no privado, Inclusão, Acessibilidade e Desenho Universal são atribuições da educação, em todos os níveis, fases e etapas do ensino.
Por fim, reivindicamos que a CONFENEN retrate-se e oriente as escolas privadas em conformidade com a legislação vigente. Pedimos que o Conselho Nacional de Educação se manifeste sobre a referida nota, bem como o Ministério da Educação e a Secretaria de Direitos Humanos. Reivindicamos que o Ministério Público oriente a entidade em relação aos direitos das pessoas com deficiência e tome as providencias que considerar cabíveis.
Todos os anos inúmeras famílias matriculam os seus filhos com deficiência em escolas privadas, muitas são bem atendidas, mas tantas outras ainda não. Esperamos que a CONFENEN oriente os estabelecimentos privados de ensino para a oferta da educação em conformidade com os ditames, em futuras notas que priorizem o respeito à legislação vigente, pois é o mínimo que se espera de quem se propõe a oferecer educação.
O Brasil mudou, já vencemos o medo e a chama da esperança está viva. O paradigma é o do direito; vamos respeitar as conquistas da sociedade brasileira e garantir que crianças e adolescentes com deficiência sejam os protagonistas de suas próprias vidas.
Educação é Direito e é Vida.
Colocamos-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos. Como dizia Paulo Freire: “Não há saber mais. Não há saber menos. Há saberes diferentes”.
Claudia Grabois - Coordenadora jurídica e de políticas públicas do Portal Inclusão Já - Coordenadora do Fórum Nacional de Educação Inclusiva e da Rede Inclusiva – Direitos Humanos BR
Você sabia…
… que escolas particulares não podem negar matrícula ou cobrar taxas extra em razão da deficiência? Leia mais sobre esse assunto:

Conferência Nacional começa no Dia da Pessoa com Deficiência

Por Equipe Inclusive

O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, na próxima segunda-feira (03/12), será marcado pela abertura da III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em Brasília. Com o tema “Um olhar através da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, da ONU: novas perspectivas e desafios” o encontro é uma oportunidade de desenvolver políticas públicas efetivas para esta parcela da população – segundo o IBGE, o país soma 45,6 milhões de pessoas têm alguma deficiência, o que corresponde a 23,91% dos brasileiros. O evento contará com a participação de representantes do governo e da sociedade civil organizada.

A conferência aconterá ao longo de quatro dias e são esperados 1.500 partipantes. “Estaremos recebendo delegados e delegadas de todo o Brasil. É a maior conferência sobre os direitos da pessoa com deficiência que o Brasil já realizou”, ressalta a ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, Maria do Rosário. Durante o encontro, será apresentado um balanço das ações do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver Sem Limite, lançado em novembro de 2011.

No painel “Políticas Públicas e Mulheres com Deficiência”, que acontece na terça-feira (04/12), a mesa, coordenada pela Secretaria de Politica das Mulheres, aborda a necessidade de incorporar a perspectiva de gênero aos esforços para promover o pleno exercício dos direitos humanos. O Relatório Mundial Sobre Pessoas com Deficiência, de 2011, aponta que as mulheres, em geral, recebem menos acesso a cuidados médicos qualificados e reabilitação. A Convenção da ONU também reconhece que mulheres e meninas com deficiência estão expostas a maiores riscos, tanto no âmbito familiar quanto fora dele. Pesquisas sugerem que este quadro se agrava quando a deficiência é intelectual, embora haja poucas informações sobre o assunto.

Em preparação para a conferência, foram realizadas, desde novembro de 2011, etapas preparatórias municipais, estaduais e distritais. Nelas, cada conselho local debateu os quatro eixos temáticos (Eixo I – Educação, esporte, trabalho e reabilitação profissional; Eixo II – Acessibilidade, comunicação, transporte e moradia; Eixo III – Saúde, prevenção, reabilitação, órteses e próteses; Eixo IV – Segurança, acesso à justiça, padrão de vida e proteção social adequados) e elaborou até 40 propostas, dez de cada temática. Os resultados dessas etapas preparatórias serão apresentados na conferência.

‘3ª Virada Inclusiva’ de Nava Odessa acontece hoje 1º de dezembro

por: Ricardo Gonçalves

Imagem Internet
A “3ª Virada Inclusiva” - ação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência -, para comemorar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, este ano, será realizado no dia 1º de dezembro, às 19h30, no saguão do Paço Municipal com uma programação especialmente voltada para toda à população novaodessense.

A Virada Inclusiva é desenvolvida por entidades da cidade que atendem pessoas deficientes, como a Apnen (Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de Nova Odessa), Apadano (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Nova Odessa) e a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

Nesta edição, a Virada Inclusiva se inicia com a apresentação da aluna da Apnen, Daniele Vilas Longhini, que é deficiente visual e pretende trazer música e diversão para as pessoas, tocando o piano de um quarto de cauda que se encontra no Saguão da Prefeitura de Nova Odessa. Também estarão presentes a mãe e a professora de piano da aluna.

Em sequência da programação, alguns atletas da cidade darão verdadeiros depoimentos de “superação”, como classifica o organizador da 3ª Virada Inclusiva em Nova Odessa, o presidente da Apnen, Carlos Alberto Raugust. “A 3ª Virada Inclusiva acontece em várias cidades e assim como em edições anteriores, tem como principal objetivo promover a inclusão e mostrar que as pessoas com deficiência também são capazes de praticar esportes e realizar diversas ações dentro de suas possibilidades”, explicou Raugust.

Os atletas novaodessenses que estarão no saguão da Prefeitura para dar depoimentos são: Alan Marcel Carneiro, Juliano Henrique Cavaglieri e Renato Alfred Raugust, os esportistas praticam as modalidades de atletismo, arte marcial “Muay Thai” e tênis adaptado, respectivamente.

Ainda na programação estão previstos, a exibição de um videoclipe com a música “Para ser Feliz” do cantor Daniel - que aborda as questões de inclusão social -, e, uma palestra sobre “Acessibilidade e Inclusão” ministrada pelo vereador Vagner Barilon que vai abordar também a necessidade de superação de obstáculos.

“Esse é um importante evento que ajuda a promover a inclusão em todos os municípios e, é interessante porque acabamos levando para todos, a necessidade de inclusão social das pessoas com deficiência”, disse o vereador Vagner Barilon.

Toda a população está convidada a prestigiar as apresentações da “3ª Virada Inclusiva” que acontece no próximo sábado, dia 1º de dezembro, às 19h30, no saguão do Paço Municipal. A Prefeitura de Nova Odessa fica na Avenida João Pessoa, nº 777, no Centro.

Toda programação desenvolvida no município será notificada ao Secretariado da ONU (Organização das Nações Unidas) através da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Para mais informações sobre a entidade Apnen acesse www.apnen.com.br.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

1/3 das cidades não tem prédio escolar com acessibilidade

Segundo o IBGE, em 2011, 33,6% das redes municipais de ensino do país não tinham nem mesmo uma escola apta a receber essa parcela da população.
da Redação

Imagem Internet

Matricular o filho com algum tipo de deficiência em uma escola da rede pública é um desafio para pais em cerca de um terço dos municípios brasileiros.

Segundo o IBGE, em 2011, 33,6% das redes municipais de ensino do país não tinham nem mesmo uma escola apta a receber essa parcela da população, tanto pela estrutura física inadequada quanto pela falta de recursos pedagógicos e profissionais capacitados.

Além disso, quase a totalidade dos municípios (93,7%) diz desenvolver algum tipo de ação ou programa para promover a inclusão na educação. As mais comuns são a criação de salas com recursos multifuncionais (82,6%) e o aumento do número de itens de acessibilidade nas escolas, como rampas (76,3%).

Para Rodrigo Mendes, superintendente de instituto homônimo que trabalha com pesquisa e formação na área da educação inclusiva, é preciso mais recursos.

Cadeirante, Felipe Simões, 18, estudante de Salvador, sabe o que é isso, pois enfrenta obstáculos para chegar às salas de aula. "Nos dois colégios públicos que Felipe frequentou, não existia a mínima estrutura", reclama o pai, Joaquim.

São Caetano do Sul dá largada em mobilidade urbana

Pioneira mundial no empréstimo de bicicletas públicas adaptadas às pessoas idosas e com deficiência, apresentará os veículos nesta sexta (30), às 10h, na Câmara Municipal da cidade.

Triciclo Crédito: Divulgação
Pedalar faz bem à saúde, assegura a boa fluidez do trânsito e contribui na sustentabilidade socioambiental. Por isso, a Prefeitura de São Caetano do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), aposta em ações inovadoras em prol da melhoria da qualidade de vida da população. A cidade será pioneira mundial em empréstimo de bicicletas públicas adaptadas às pessoas idosas e com deficiência. Os veículos serão apresentados nesta sexta (30), às 10h, na Câmara Municipal – Avenida Goiás, 600 – Centro. Ao todo serão 30 triciclos (bicicletas com três rodas) e handbikes, que são pedaladas com as mãos, em posição sentada (passeio) ou deitada (esportiva). A iniciativa faz parte do projeto experimental SancaBike, em parceria com a Brasil e Movimento, que teve início em 30 de outubro deste ano, e disponibiliza bicicletas grátis à população por um período de 45 minutos. O projeto já tem 2 mil usuários cadastrados e uso semanal de 1.200 viagens.

Por meio do SancaBike, os munícipes já contam com 60 bicicletas, distribuídas em 9 estações e localizadas em pontos estratégicos da cidade. A previsão é inaugurar 30 estações até o final da primeira etapa do projeto, em março de 2013, de acordo com a diretora de Transportes da Semob, Cristina Baddini. “Na verdade, nossa expectativa é alcançarmos a marca de 100 estações e 1000 bicicletas”, diz.

A diretora ressalta que a cidade tem uma área territorial de apenas 15 km² e conta com 150 mil habitantes, correspondente ao número de veículos. Isso significa um carro para cada morador. Além disso, recebemos veículos de outras cidades. Por isso, temos de conscientizar as pessoas sobre o uso da bicicleta”.

Cristina lembra que a adoção da bicicleta como meio de transporte é benéfica, principalmente na área da saúde. “A poluição causada pelos motores dos veículos está relacionada a doenças pulmonares, cuja mortalidade tem aumentado e é preocupação. A obesidade também é um alerta. As pessoas só querem andar de carro e não se movimentam”, conclui.

Para ter acesso às bicicletas, os interessados devem preencher um cadastro no site www.brasilemovimento.com.br  e pagar uma taxa de R$ 10 para efetivar um cartão que servirá como passe. Também é necessário pagar outra taxa de R$ 10 para ter cobertura de um seguro de acidentes.

SancaBike
O programa dá continuidade às ações da Prefeitura voltadas para as pessoas com deficiência. Entre elas os táxis adaptados, as iniciativas esportivas e a criação da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência ou Mobilidade Reduzida (Sedef) e também de seu respectivo Conselho Municipal.

A secretária da Sedef, Liliam Fernandes, destaca que o Sancabike é de extrema importância, pois permite que as pessoas com deficiência se sintam incluídas em todas as atividades esportivas adaptáveis. “No Brasil ainda estamos engatinhando nessa área, mas assim como países do primeiro mundo, São Caetano dá um passo à frente em termos de transporte adaptado”, diz.

Já para o Secretário Municipal de Mobilidade Urbana, Iliomar Darronqui, “o projeto visa, além do esporte, a inclusão social nos deslocamentos, já que todas as pessoas podem se dirigir de estação para estação com as bikes”.

Brasil e Movimento
O SancaBike é fruto da parceria público-privada (PPP) entre a Prefeitura de São Caetano do Sul e a Brasil e Movimento, sócia da Movement Barcelona – única empresa europeia que gerencia o transporte público de bicicletas na Europa, Estados Unidos, México e Peru e única no mundo que possui ISO 9001 no segmento.

O projeto no município foi desenvolvido nos mesmos moldes do de Barcelona (Espanha), considerada o maior case de sucesso, onde foram implantadas 430 estações e emprestadas 6 mil bicicletas a 100 mil usuários por dia.

No entanto, o conceito inovador das bikes adaptadas para pessoas idosas e com deficiência só foi adotado, no primeiro momento, em São Caetano do Sul.

Palavra de ordem é 'autonomia', diz ministra sobre conferência da pessoa com deficiência

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Há poucos dias do início da 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse hoje (29) que a palavra de ordem para o encontro é 'autonomia'.

“Estaremos recebendo delegados e delegadas de todo o Brasil. É a maior conferência sobre os direitos da pessoa com deficiência que o Brasil já realizou”, disse, após participar do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência em parceria com a EBC Serviços.

Segundo Maria do Rosário, durante a conferência, o governo pretende apresentar um balanço das ações previstas no Plano Viver sem Limites, lançado em novembro do ano passado, que inclui iniciativas nas áreas de acessibilidade, educação, assistência social, trabalho e saúde. 

“Estamos implantando políticas públicas em todo o território brasileiro, com o apoio dos governos estaduais e das prefeituras. Temos R$ 7 bilhões em investimentos até 2014”, disse. “Estamos vivendo essa conferência com muita vontade de que os resultados sejam uma cidadania cada vez mais ativa”, completou.

Para o secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio José Ferreira, a expectativa pelo encontro é grande. Ao todo, 1.500 pessoas devem participar da conferência, sendo 900 delegados.

“Estamos preparando uma grande operação para receber bem essas pessoas, desde o aeroporto até o salão das plenárias. Elas serão atendidas, acompanhadas e terão toda acessibilidade nas salas, com audiodescrição, legenda em tempo real e intérprete de Libras. O maior sentido da conferência é acompanhar o que governo tem feito pelas pessoas a partir de suas propostas”, concluiu Ferreira.

Edição: Denise Griesinger

Veterano de guerra comanda prótese do braço com sinais do cérebro

Nos próximos anos, nova tecnologia permitirá aos amputados sentir com suas próteses ou usar programas de reconhecimento de padrões para movimentar seus dispositivos mais intuitivamente.


Após a explosão, o cabo Sebastian Gallegos despertou para ver o sol de outubro cintilando na água, uma imagem tão adorável que ele achou que estava sonhando. Então algo chamou sua atenção, o arrastando de volta à dura realidade: um braço, boiando perto da superfície, com um elástico preto de cabelo em volta do seu pulso.

O elástico era uma recordação de sua esposa, um amuleto que ele usava em toda patrulha no Afeganistão. Agora, das profundezes de sua bruma mental, ele o observava flutuando como um pedaço de madeira em uma leve correnteza, preso a um braço que não estava mais ligado a ele.

Ele foi vítima de uma explosão e estava no fundo de uma vala de irrigação.

Dois anos depois, o cabo se vê ligado a um tipo diferente de membro, um dispositivo robótico com motor eletrônico e sensores capazes de ler sinais de seu cérebro. Ele está no consultório de sua terapeuta ocupacional, levantando e baixando uma esponja enquanto monitora uma tela de computador, que rastreia os sinais nervosos em seu ombro.

Fechar a mão, levantar o cotovelo, ele diz para si mesmo. O braço mecânico levanta, mas a mão como garra abre, soltando a esponja. Tente de novo, instrui a terapeuta. Mesmo resultado. De novo. Engrenagens minúsculas chiam e sua testa enruga com o esforço mental. O cotovelo levanta e desta vez a mão permanece fechada. Ele respira aliviado.

Sucesso.
“Como um bebê, você pode segurar um dedo”, disse o cabo. “Eu tenho que reaprender.”

Não é uma tarefa fácil. Dos mais de 1.570 militares americanos que tiveram braços, pernas, pés ou mãos amputados por ferimentos no Iraque ou Afeganistão, menos de 280 perderam membros superiores. As dificuldades deles no uso de próteses são em muitos aspectos muito maiores do que para aqueles que perderam membros inferiores.

Entre os ortopedistas, há um ditado: as pernas podem ser mais fortes, mas braços e mãos são mais inteligentes. Com um grande número de ossos, juntas e riqueza de movimento, os membros superiores estão entre as ferramentas mais complexas do corpo. Reproduzir suas ações com braços robóticos pode ser extremamente difícil, exigindo que os amputados entendam as contrações distintas dos músculos envolvidos em movimentos que antes faziam sem pensar.

Dobrar o braço, por exemplo, exige pensar na contração de um bíceps, apesar do músculo não existir mais. Mas o pensamento ainda envia um sinal nervoso que pode dizer à prótese para dobrar. Toda ação, de pegar um copo a virar as páginas de um livro, exige algum exercício do cérebro.

“Há muita ginástica mental com as próteses de membros superiores”, disse Lisa Smurr Walters, a terapeuta ocupacional que trabalha com Gallegos no Centro para os Intrépidos, do Centro Médico Brooke do Exército, em San Antonio.

A complexidade dos membros superiores, entretanto, é apenas parte do problema. Apesar da tecnologia das próteses de pernas ter avançado rapidamente na última década, as próteses de braços têm sido mais lentas. Muitos amputados ainda usam ganchos movidos pelo corpo. E os braços eletrônicos mais comuns, dos quais a União Soviética foi pioneira nos anos 50, melhoraram com os materiais mais leves e microprocessadores, mas ainda são difíceis de controlar.

Aqueles que perdem membros superiores também precisam lidar com a perda crítica das sensações. O toque –a habilidade de diferenciar uma pele de bebê de uma lixa ou de dosar a força para segurar um martelo ou dar um aperto de mão– deixa de existir.

Por todos esses motivos, quase metade daqueles que perdem membros superiores optam não pelo uso de uma prótese, mas por seguir em frente com apenas um braço. Em comparação, quase todos aqueles que perdem membros inferiores usam próteses.

Mas Gallegos, 23 anos, faz parte de uma pequena vanguarda de militares amputados que está se beneficiando com os novos avanços na tecnologia de membros superiores. Neste ano, ele foi submetido a uma cirurgia pioneira conhecida como reenervação muscular seletiva, que amplifica os sinais nervosos minúsculos que controlam o braço. Na prática, a cirurgia cria “soquetes” adicionais, nos quais os eletrodos da prótese podem ser conectados.

Um maior número de soquetes lendo sinais mais fortes tornará o controle de sua prótese mais intuitivo, disse o dr. Todd Kuiken, doInstituto de Reabilitação de Chicago, que desenvolveu o procedimento. Em vez de ter que pensar em contrair tanto o tríceps quanto bíceps apenas para fechar a mão em punho, o cabo poderá apenas pensar “fechar a mão” e os nervos apropriados poderão ser ativados automaticamente.

Nos próximos anos, nova tecnologia permitirá aos amputados sentir com suas próteses ou usar programas de reconhecimento de padrões para movimentar seus dispositivos mais intuitivamente, disse Kuiken. E um novo braço em desenvolvimento pelo Pentágono, o DEKA Arm, é muito mais hábil do que o atualmente disponível.

Mas para Gallegos, controlar sua prótese de US$ 110 mil após a cirurgia de reenervação continua sendo um desafio e provavelmente exigirá mais meses de exercícios tediosos. Por esse motivo, apenas os amputados mais motivados –superusuários, como são chamados– são autorizados a receber a cirurgia.

Gallegos nem sempre foi assim.
Seu pai, um veterano do Exército, não queria que ele ingressasse na infantaria, mas seu filho era como ele e ignorou o conselho.

Gallegos cresceu no Texas, criado na pobreza principalmente por sua mãe divorciada. Ele era inteligente, ambicioso e um pouco sabe-tudo, disse sua esposa, Tracie, que cursou o colégio com ele. Uma bolsa universitária parecia certa.

Mas a ideia do serviço militar falou mais alto.
“Eu sentia que era imaturo demais para ir à escola e ser um moleque na faculdade”, ele disse. 

O Corporação dos Marines parecia ser o desafio perfeito.
Ele amava a corporação e a corporação parecia amá-lo. Antes de ser enviado para o campo de batalha em 2010, ele foi nomeado líder de uma equipe de três e enviado para aprender pashtu básico, a língua do maior grupo étnico do Afeganistão. Sua unidade, a Companhia Lima do 3º Batalhão, 5º dos Marines, saiu do Campo Pendleton, chegou à província de Helmand em setembro daquele ano e imediatamente enfrentou alguns dos combates mais duros da guerra, que resultaram na perda de 25 homens em sete meses, a maioria por artefatos explosivos improvisados, ou AEIs.

Em outubro, Gallegos, estava caminhando na segunda posição em uma patrulha pelo distrito de Sangin quando pisou em um canal de irrigação, ouviu uma explosão e apagou. Quando despertou, ele se viu ancorado no fundo por sua armadura e armamento. Ele tentou se soltar com seu braço direito, sem perceber que ele tinha sido virtualmente partido abaixo do ombro. 

No helicóptero de evacuação, o cabo vislumbrou seu braço intacto envolto em bandagens, o que lhe deu esperança de que os médicos conseguiriam reimplantá-lo.

Essa esperança acabou no Centro Médico Brooke do Exército, onde ele deu início ao longo processo de recuperação. Sua postura, ele reconhece agora, foi negativa, influenciada por outro marine que raramente usava sua prótese porque a considerava muito desconfortável.

Mas então Gallegos conheceu um amputado da Força Aérea que foi um dos primeiros em Brooke a receber a cirurgia de reenervação muscular seletiva. O aviador o alertou que a reabilitação seria frustrante e dolorosa, mas que a recompensa seria imensa.

“Não dava para perceber, a menos que olhasse atentamente para ele, que ele não tinha o braço”, disse Gallegos. “Então pensei: ‘Eu quero ser melhor do que ele’.”

Primeiro, entretanto, ele teve que aprender a lidar com a dor do membro fantasma. Uma sensação pulsante como a de ter um torniquete apertado no braço, a dor às vezes é forte o bastante para manter o cabo preso à cama, o que o deixa incapaz de se concentrar ou conversar.

“Ele vive com dor constante”, disse Tracie Gallegos, que está cursando enfermagem. “Mas ele não se queixa, porque não quer que as pessoas perguntem: ‘Você está bem?’ Essa pergunta realmente o incomoda.”

Com o passar do tempo, medicação e cirurgias reduziram a dor o suficiente para que ele voltasse a praticar com o braço robótico. Ele descobriu que o dispositivo é um enigma para o cérebro, frustrando seus esforços para fazê-lo obedecer. Mais de uma vez ele ameaçou atirá-lo pela janela.

Para motivá-lo nesses momentos, ele pensava em seus amigos marines. Ele então fez uma manga de silicone em tom de pele para sua prótese, gravada com os nomes de todos os 10 marines da Companhia Lima que morreram em Sangin. Agora, quando ele precisa de estímulo, ele olha para o braço – no local onde antes ele usava o elástico de cabelo de sua esposa– e recita todos os nomes deles como uma oração pessoal.

Quando ele começou a usar seus braços mecânicos por mais tempo a cada dia, seu protesista, Ryan Blanck, decidiu que Gallegos poderia estar pronto para a cirurgia de reenervação seletiva. O procedimento explora a capacidade natural dos músculos de amplificar os sinais nervosos. Ao redirecionar os nervos para os músculos saudáveis e redesenhar o tecido para deixá-los mais próximos dos sensores na prótese, o procedimento fortalece os sinais do cérebro e, consequentemente, a capacidade deles de controlar a máquina.

Ao usar o mesmo tipo de prótese que usava antes, Gallegos notou a diferença quase que imediatamente. Ele não mais precisava pensar tanto em contrair vários músculos: quando ele queria que o braço se movesse, ele se movia, mais rápido e com maior fluidez.

Mas isso não significava que ele se movia como ele queria. Ele ainda tem problemas com “linha cruzada”, quando certos nervos falam mais alto que outros. Se um nervo do pulso domina, por exemplo, um paciente pode ter que pensar em virar o pulso para poder fechar a mão. Mas com o uso repetido, os nervos passam a se entender e a necessidade de artifícios desaparece, disse Kuiken.

Apesar de todos seus ganhos com a prótese, Gallegos não superou o embaraço que sente quando usa seu braço robótico em público. Certa vez a mão se soltou em um restaurante lotado, assustando uma criança próxima. No escuro do cinema, os sons como do Exterminador do Futuro de seu braço provocam sussurros surpresos. E até hoje ele não veste camisas de manga curta em restaurantes.

“Mesmo que esteja calor, eu visto uma jaqueta para evitar que olhem”, ele disse.

Por um ano após quase se afogar no Afeganistão, Gallegos não conseguia se aproximar de água, qualquer que fosse, mesmo a River Walk, um calçadão margeado por restaurantes na margem do Rio San Antonio. Mas um terapeuta o ajudou a superar sua ansiedade, primeiro nadando, depois andando de caiaque e depois surfando.

Ben Kvanli, um ex-atleta olímpico que dirige um programa de caiaques para soldados inválidos, disse que Gallegos foi inicialmente um remador ambivalente. Mas sua técnica era boa, em parte porque a prótese o forçava a usar mais seus músculos principais. E ele era rápido.

Tão rápido que Kvanli o está encorajando a tentar participar da equipe nacional paraolímpica no ano que vem.

“Independência é uma grande parte disso”, disse Kvanli. “Ele está provando algo.”
Fortemente independente desde a infância, ele teve dificuldade com a perda da independência após perder seu braço. De repente, ele tinha que pedir ajuda com botões, zíperes e cadarços. E ele odeia pedir ajuda.

Há buracos na parede de sua sala de estar que testemunham suas tentativas fracassadas de pendurar coisas usando sua prótese. E ele ainda estremece com a lembrança de dar ordens para sua esposa enquanto ela montava os móveis da sala de estar que ele não podia montar. 

“Ainda há muita coisa complicada”, ele disse. “Eu ainda estou descobrindo dia a dia qual será o meu normal.”

Por esse motivo, ele não faz mais grandes planos para o futuro, como fazia antes. Mantenha tudo simples, ele diz para si mesmo: saia da Corporação dos Marines. Vá para a faculdade. Aprenda a amarrar o sapato com uma mão robótica.

E talvez, apenas talvez, se torne um atleta paraolímpico.
Assim, lá estava ele em uma tarde recente, andando de caiaque no ensolarado Rio San Marcos, usando a prótese errada, porque ele quebrou sua prótese para caiaque enquanto surfava. Normalmente ele fica à frente do grupo, mas naquele dia seu braço ficava se soltando e ele parecia sentir dor ao se esforçar para acompanhar os demais.

Mas de sua boca não saiu nada que parecesse uma queixa. E ao final da viagem de seis horas, ele subiu os quatro metros da Graduation Falls, a primeira vez que o fez de barco. Após a queda vertical na água espumante, seu caiaque desapareceu momentaneamente antes de voltar à superfície como uma rolha.

Com olhar sorridente sob a aba de se capacete, Gallegos remou até a margem, colocou seu barco no ombro bom e começou a caminhar penosamente rio acima.
Ele não pediu ajuda.