sábado, 22 de dezembro de 2012

Informação para a cidadania na área da deficiência: uma reflexão sobre a Rede SACI

Aline Lima Gonçalves é mestre em Ciência da Informação pela Escola de Comunicações e Artes da USP.
Aline Lima Gonçalves

Imagem Internet
A Deficiência é uma área marcada por diferentes ideologias, conceitos e preconceitos que frequentemente dificultam o exercício da cidadania por parte das pessoas com deficiência. Este artigo busca refletir sobre o papel da Rede SACI, um serviço online de informação sobre Deficiência estabelecido na Universidade de São Paulo (USP), no auxílio ao exercício da cidadania. A partir de uma reflexão de caráter exploratório, este texto traz considerações sobre a relação entre cidadania e informação, os principais modelos ideológicos referentes à área da Deficiência e, por fim, traça um panorama sobre os serviços desenvolvidos na fase inicial da Rede SACI, visando demonstrar sua importância como suporte ao exercício da cidadania numa época em que o interesse pela questão da Deficiência, bem como conceitos como acessibilidade digital, redes sociais e inclusão social começavam a ganhar mais importância no cenário brasileiro. Conclui-se que a Rede SACI é um bom exemplo sobre como serviços de informação podem lidar com a questão da “informação para cidadania”, a partir de uma compreensão dos contextos de uso, dos aspectos sociais e ideológicos envolvidos numa área temática e do reforço do serviço como mediador entre estoques de informação e seu s usuários.

Para ler toda a dissertação, clique aqui.

Fonte: Pós-Graduação ECA-USP - Imagem Internet

NO BRASIL, O DIREITO AO VOTO É REALMENTE IGUAL PARA TODOS?

Beto Pereira, Ethel Rosenfeld e Flavia Boni Licht

Descrição da imagem: pessoas numa fila de votação em Garopaba-SC que se estende por uma longa escadaria

“As urnas das seções eleitorais devem ser adequadas ao uso com autonomia pelas pessoas com deficiência e/ou com mobilidade reduzida e estarem instaladas em local de votação plenamente acessível e com estacionamento próximo”.

Isso foi decretado no longínquo ano de 2004! E até hoje – é bom lembrar que estamos em 2012, e já se passaram oito anos e quatro eleições – muitas, inúmeras urnas continuam inadequadas ao uso com autonomia pelas pessoas com deficiência e instaladas em locais de votação totalmente, absurdamente inacessíveis.

Então, sob a forma de depoimento, relatamos, a seguir, algumas situações vivenciadas por nós, e ficamos imaginando quantas outras semelhantes – ou até piores – ocorreram no último dia 7 de outubro, data da realização do primeiro, e, na maioria das cidades brasileiras, único turno das eleições 2012.

1º depoimento: eleitor em Jundiaí, fui votar, como faço há muitos anos, na Escola Estadual Ranieri Mazzilli, acompanhado de minha mãe e guiado por Simon, meu cão-guia. A poucos metros da sala de votação, um fiscal de nome Anderson repreendeu minha mãe de forma grosseira, dizendo não ser permitido o acesso de cães. Falando com o fiscal, disse-lhe que deveria dirigir-se diretamente a mim e, complementando, informei-lhe que a presença do cão-guia é autorizada por lei federal. Em resposta, ouvi do fiscal que o cão assustaria os demais eleitores e, ao tentar contrapor, fui avisado de que o referido fiscal tinha ido embora e me deixado falando sozinho. Em função da gravidade do fato, fui até a delegacia mais próxima onde registrei a ocorrência, não sem antes, claro, ter sido desencorajado por outras pessoas que ali trabalhavam: por um passe de mágica, agora, fariam o "favor" de liberar meu acesso acompanhado de Simon. No 4º Distrito Policial da cidade, fui otimamente atendido, instruído a retornar à seção eleitoral e, no caso de qualquer impedimento, solicitar a presença do juiz eleitoral ou até da polícia militar. Com o boletim de ocorrência em mãos, retornei e, em menos de 20 segundos frente à urna eletrônica, votei. Apesar de, conforme recomenda a legislação, não existir adaptação sonora com retorno de voz para que me fosse possível ouvir a confirmação do meu voto, o que deixa claro que a adaptação existente não passa de “tapa buraco”, um ludibrio às pessoas que não estão informadas acerca de acessibilidade, inclusão e direitos. Vale esclarecer que essas mesmas urnas, além do teclado em braile, devem ser dotadas de saída para fone de ouvido para que as pessoas com deficiência visual possam receber sonoramente todas as informações visuais que são dadas na tela às pessoas que enxergam.

2º depoimento: eleitora em Porto Alegre, fui votar, como faço há muitos anos, na Associação Leopoldina Juvenil, onde, no salão de festas do clube, são instaladas em torno de dez mesas eleitorais. Para chegar ao salão de festas, todos precisam subir uma sequência de duas escadas – uma, aproximadamente, com cinco degraus, outra certamente com o dobro disso. Por coincidência, na minha frente, uma moça, que caminhava com apoio de andador, subia aquelas escadas com gigantesca dificuldade. Chamava a atenção o fato de estar desacompanhada e negar-se a receber qualquer tipo de auxílio. Depois de votar, repetiu-se a coincidência: nova situação difícil vivenciada por outro eleitor que, com mobilidade reduzida, descia aquelas escadas de forma bastante penosa. Também ele estava sozinho e negava-se a receber auxílio. Ambos, pareciam acreditar na legislação que, desde 2004, exige locais de votação plenamente acessíveis. Vale lembrar que pessoas da minha família, votantes na Escola Estadual Visconde de Pelotas, eleição após eleição ficam perplexas ao observar todas as urnas eletrônicas colocadas em salas no segundo andar do prédio (sem elevador, claro). Ou seja, todas as pessoas – inclusive as com deficiência, os idosos e as gestantes – têm que subir escadas para poder votar. E trata-se, aqui, de uma escola pública que, pela lei em vigor no Brasil, já deveria estar plenamente adaptada há muitos anos.

3º depoimento: eleitora no Rio de Janeiro, fui votar, como faço há muitos anos, na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil. Lá, já se acostumaram com meu cão-guia. Mas, sempre temos histórias para contar. Dessa vez, a presidente da mesa perguntou à minha prima se eu assinaria meu nome. Eu me abaixei, peguei a caneta e disse baixinho, só para ela: podes falar diretamente comigo, não precisas dirigir a palavra à minha acompanhante! Também naquela seção eleitoral, apesar de a urna ter teclado em braile, o retorno sonoro, que daria aos eleitores cegos a segurança da confirmação do voto, inexiste. Por essa razão, voto acompanhada – por uma pessoa da minha confiança, mas, mesmo assim, meu voto deixa de ser secreto, o que me coloca em situação de desigualdade em relação a milhões de eleitores brasileiros. Há alguns anos, decidi que não votaria mais “no escuro”. Naquela ocasião, a presidente da mesa me impediu de votar pois, argumentava ela, há braile no teclado, não precisas de acompanhante... e a “solução” encontrada pelo pessoal que controlava a mesa eleitoral veio sob a forma de duas alternativas: que eu não votasse e pagasse a multa correspondente. Ou que eu passasse a votar no Instituto Benjamin Constant, o que demonstra que muita gente não tem a menor ideia do significado da palavra inclusão.

É, há coisas que parecem piada! Como o que ocorreu com um candidato a vereador, carioca, paraplégico, usuário de cadeira de rodas. Depois de muito trabalho em campanha, na última semana antes das eleições – ou seja, quase às vésperas do pleito –, sua candidatura foi impugnada pois descobriram que ele não havia votado na eleição de 2010. E por que ele não votou? É que, para chegar à sua seção eleitoral, teria que subir uma imensa escadaria e ninguém, na ocasião, dispôs-se a carregá-lo. Ou seja, por absoluta falta de acessibilidade, ele não pôde votar em 2010 e não pôde candidatar-se em 2012. E ainda existe gente que acha que as pessoas com deficiência são intransigentes quando exigem que seus direitos sejam respeitados...

Nas cidades onde as últimas eleições não se decidiram no primeiro turno, ainda há tempo para o Tribunal Superior Eleitoral obedecer às leis brasileiras de acessibilidade vigentes desde 2004. Infelizmente, na maioria esmagadora dos municípios brasileiros isso apenas poderá ocorrer em 2014. Até lá, vamos ficar na expectativa, cada um de nós fazendo sua parte para construir uma sociedade mais acessível, justa e solidária.

beto@betopereira.com.br | ethel@ethelrosenfeld.com.br | flaviaboni@via-rs.net 

Decreto nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004 - regulamenta as leis nº 10.048, de 8/11/2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas com deficiência e/ou com mobilidade reduzida, e nº 10.098, de 19/12/2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência e/ou com mobilidade reduzida. O Instituto Benjamin Constant foi criado no Rio de Janeiro, pelo Imperador D. Pedro II, por Decreto Imperial n.º 1.428/1854, e inaugurado no dia 17 de setembro do mesmo ano com o nome de Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Aos poucos, o Instituto foi derrubando preconceitos e mostrando não ser utopia a educação e a profissionalização das pessoas cegas. Hoje, o Instituto Benjamin Constant é um centro de referência nacional para questões da deficiência visual.

Projeto garante a autistas os mesmos direitos de pessoas com deficiência

A proposta, que surgiu a partir da pressão popular, foi aprovada nessa quinta-feira (6), no Senado

Imagem Internet
Os brasileiros com autismo, agora, vão ter os mesmos direitos de pessoas com deficiência para todos os efeitos legais. A proposta, que surgiu a partir da pressão popular, foi aprovada nessa quinta-feira (6), no Senado. O Projeto de Lei 168/11, que cria a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. 


Especial sobre autismo Além de articular as ações de órgãos e serviços em todos os níveis de governo nas áreas de saúde, educação, assistência social, trabalho, transporte e habitação, o texto aprovado prevê punições para atitudes discriminatórias, como multa de três a 20 salários mínimos e sanções administrativas para o gestor escolar que recusar a matrícula de aluno com autismo.

O presidente da Associação Brasileira para Ação por direitos das pessoas com Autismo (Abraça), Alexandre Mapurunga, o projeto tem muitos pontos positivos. “O mais positivo é que considera a pessoa com autismo uma pessoa com deficiência. Isso vai reafirmar o direito das pessoas com autismo. É uma conquista muito importante, porque sempre pairava uma dúvida se era ou não uma deficiência”, disse.

De acordo com Mapurunga, a reafirmação dos direitos é baseada na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que assegura uma série de garantias. “Educação inclusiva, não receber tratamento cruel, nem ser abandonado pela família, direito a ser protegido contra situação de pobreza, direito ao trabalho (…)”, ressaltou.

Pequeno detalhe
Mesmo com todas as garantias, Mapurunga alertou que há um problema no projeto. “Seria o Artigo 7, que tem uma limitação ao direito de pessoas com autismo no acesso à escola. Ele pune o diretor que recusar matrícula de pessoas com autismo com multa. Mas a lei anterior punia com prisão e multa. O artigo também prevê ressalva de punição, admitindo que o aluno autista seja excluído da escola regular, em função das condições específicas, o que é inconstitucional”, informou.

O presidente da Abraça considerou que o artigo dá punição leve ao diretor, nesses casos. “A pessoa com autismo vai ter que provar que tem autismo para estudar. A escola é que tem que se adaptar e não a pessoa. Médico é caro e se for esperar pelo SUS vai levar um bom tempo”, disse.

Possível veto
O presidente ainda informou que está acontecendo a 3ª Conferência Nacional dos Direitos de Pessoas com Deficiência, em que aprovou-se uma moção de veto do Artigo 7. “Se temos uma lei com ressalva por algum motivo ela pode abrir brecha para haja discriminação no acesso à escola por pessoas com deficiência”, concluiu.

Segue o texto da moção de veto:
“Os delegados da III Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência pedem o veto Artigo 7 e de seu parágrafo único do PLS 168/2011 que institui a Política Nacional dos Direitos das Pessoas com AUTISMO. O paragrafo único do artigo 7 ANISTIA de punição o diretor e gestor escolar que recusar matrícula de pessoas com autismo em função das especifidades dos alunos.
O caput do artigo 7 também reduz a pena para recusa de matrícula de pessoas com autismo e com outras deficiências, que era de 1 a 4 anos mais multa na Lei 7853/89, para somente multa de três a vinte salários mínimos e perda de cargo em caso de reincidência, tornando mais branda à punição ao crime de discriminação de pessoas com deficiência no acesso à escola. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que no Brasil tem força de emenda constitucional, em seu artigo 5, proíbe toda forma de discriminação baseada na deficiência e no seu artigo 24, inciso 2.a, assegura que as pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema regular de ensino sob alegação de deficiência, ou de condições específicas.
As pessoas com autismo têm direito à educação inclusiva de qualidade, com oferecimento de todos os recursos e apoios necessários para seu desenvolvimento. POR ISSO PEDIMOS O VETO DO ARTIGO 7 E DE SEU PARÁGRAFO ÚNICO”.
Fonte:http://www.jangadeiroonline.com.br - Imagem Internet

Discurso de psicóloga no "Domingão do Faustão" deixa mães de autistas e especialistas indignados

A psicóloga Elizabeth Monteiro comentou o caso de Adam Lanza, autor do massacre na escola de Connecticut, no programa do último domingo (16).
Tatiana Pronin

Reprodução/Imagem Internet
Um comentário de poucos minutos feito pela psicóloga Elizabeth Monteiro no programa do Faustão, na TV Globo, gerou indignação em centenas de mães de autistas e especialistas no último domingo (16). Misturando conceitos de psicopatia e da síndrome de Asperger, um tipo de autismo, a declaração fez muitas crianças diagnosticadas com o transtorno ficarem com medo de voltar à escola e serem tratadas como potenciais assassinas.

O apresentador aproveitou a presença da psicóloga no programa para comentar o caso de Adam Lanza, de 20 anos, que matou a própria mãe, 20 crianças e outros seis adultos em uma escola em Connecticut, nos EUA. Logo depois de descrever características comuns a psicopatas, como a inteligência e a falta de empatia, a psicóloga disse que tinha lido que Adam Lanza era um Asperger. "O Asperger é um tipo de autismo. Não é aquele autismo tradicional, que a pessoa não faz contato e às vezes não consegue aprender. O Asperger faz contato e às vezes ele é considerado uma pessoa inteligente", declarou.

Ela foi interrompida por Faustão, que passou a questionar se esse tipo de crime não poderia ser prevenido se os pais fossem capazes de notar comportamentos estranhos nos filhos precocemente. "Tem mãe que é cega", respondeu a psicóloga, citando como exemplo o caso de Suzane von Richthofen, que matou os pais em 2002 e era filha de psiquiatra.

O psicólogo Alexandre Costa e Silva, presidente da Casa da Esperança (instituição especializada em pessoas com transtorno do espectro autista), em Fortaleza, não acredita que Elizabeth Monteiro seja tão desinformada a ponto de confundir autismo com psicopatia. "Mas o fato é que, do modo como foram feitas, em um programa de grande audiência, as afirmações dela têm potencial para causar bastante confusão", diz o especialista.

Fontes: Uol Notícias - http://saci.org.br Imagem Internet

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Campanha pelo veto presidencial ao art. 7 do PLS 168/2011

Por Equipe Inclusive

Por que isto é importante?

O Artigo 7º fragiliza garantias constitucionais de não discriminação das pessoas com deficiência já há décadas celebradas no Brasil e permite que pessoas com autismo sejam impunemente excluidas da escola regular, por isso é fundamental o VETO PRESIDENCIAL AO ART. 7º!


O Artigo 7º do PLS 168/2011, aprovado no Congresso, reduz a pena para recusa de matrícula de pessoas com autismo e com outras deficiências, que era de 1 a 4 anos mais multa na Lei 7853/89, para somente multa de três a vinte salários mínimos e perda de cargo em caso de reincidência, tornando mais branda a punição para o crime de discriminação de pessoas com deficiência no acesso à escola. No seu paragrafo 2º, o artigo 7º ainda prevê ANISTIA de punição ao diretor e gestor escolar que recusar matrícula de pessoas com autismo em função das especifidades dos alunos.

O Artigo 7º fragiliza garantias constitucionais de não discriminação das pessoas com deficiência já há décadas celebradas no Brasil e permite que pessoas com autismo sejam impunemente excluidas da escola regular, o que está frontalmente em desacordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Por isso pedimos o VETO PRESIDENCIAL AO ART. 7º do PLS 168/2011!

Falta de oxigenação cerebral em fetos aumenta o risco de TDAH


Pré-eclâmpsia na gravidez eleva as chances do transtorno em até 47%

da Redação

Um estudo desenvolvido pelo Departamento de Pesquisa e Avaliação da Kaiser Permanente, uma organização americana sem fins lucrativos, descobriu que a falta de oxigenação (hipóxia cerebral) no cérebro de um bebê que está no útero materno pode aumentar o risco de essa criança desenvolver transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na infância. Os resultados foram publicados dia 10 de dezembro na revista Pediatrics.

A pesquisa analisou os dados de 82.000 crianças, todas com cinco anos da idade. Os resultados revelaram que a privação de oxigênio no cérebro de um feto aumenta em 16% o risco de TDAH na infância, em média. Se o problema acontece devido a um quadro de pré-eclâmpsia, as chances aumentam para 34%. Se a falta de oxigênio ocorre por causa de uma lesão pulmonar que impede os alvéolos do bebê de permanecerem abertos (síndrome da angústia respiratória), essa chance pode ser 47% maior.

O trabalho também mostrou que a associação entre hipóxia cerebral e TDAH foi mais forte em partos prematuros. De acordo com os autores, as descobertas podem ter implicações clínicas importantes, como ajudar os médicos a identificar recém-nascidos com maior risco de apresentar TDAH e beneficiá-los com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado.

Conheça os principais sinais de TDAH 
Caso a mãe ou o bebê tenha sofrido alguma complicação durante a gravidez que tenha impedido a oxigenação adequada e haja a suspeita de TDAH, é preciso ficar de olho nos sintomas. A psicoterapeuta cognitivo comportamental Evelyn Vinocur, especialista em crianças e adolescentes, de São Paulo, mostra quais são os sintomas mais comuns do transtorno nessa faixa etária, além da dificuldade de concentração e falta de atenção:

Baixa autoestima
É comum adolescentes e adultos com TDAH terem uma impressão muito ruim sobre si mesmos. Eles têm a sensação de que não desenvolveram todo o seu potencial. Notam que são diferentes, que não conseguem acompanhar o grupo na escola pela desatenção, inquietude, irritabilidade e impulsividade, sendo geralmente vítimas de retaliação ou apelidos.

Sonolência diurna 
Mesmo após uma boa noite de sono, a sonolência pode aparecer. A família fica surpresa como pessoas tão agitadas conseguem dormir como pedra, até no banco de trás do carro, por exemplo. Eles também sentem dificuldade em levantar de manhã e se ativar para começar o dia.

Pavio curto 
Dificilmente você verá alguém com TDAH mantendo a calma ou engolindo sapos por aí. Isso porque essa capacidade fica diminuída pela impulsividade e irritabilidade que o TDAH acarreta. Variações frequentes de humor também são identificadas em pessoas com o transtorno.

Necessidade de ler mais de uma vez para fixar o que leu 
Fazer uma leitura automática, ou seja, sem entender a ideia global ou sem memorizar os temas importantes, apesar de compreenderem as palavras, é um sinal importante do transtorno.

Intolerância a situações monótonas ou repetitivas 
Pessoas com TDAH mudam de interesse o tempo todo. No início, as coisas são muito empolgantes e interessantes, mas logo se tornam chatas. Por conta disso, eles estão constantemente buscando coisas estimulantes e diferentes ao mesmo tempo em que ficam adiando compromissos ou promessas anteriores.

Choro do bebé aos 6 meses pode ajudar a diagnosticar autismo

Investigadores da Brown University, nos EUA, descobriram que choro dos bebés aos 6 meses de idade pode ser usado, juntamente com outros factores, para determinar o risco de autismo, avança o portal Isaúde.

Os investigadores gravaram o choro de 39 crianças de 6 meses de idade, das quais 21 estavam em risco para autismo porque tinham um irmão mais velho com a condição. Os outros eram bebés saudáveis, sem histórico familiar de autismo.

Uma análise assistida por computador mostrou que o choro dos bebés em situação de risco elevado para o autismo eram mais elevados e agudos do que os bebés que não corriam risco da doença.

Segundo o líder da pesquisa, Stephen Sheinkopf, este resultado só foi verdadeiro quando o choro foi causado pela dor, como quando um bebé caiu e bateu com a cabeça.

No entanto, os investigadores ressaltam que as diferenças de choro dos bebés autistas "provavelmente não poderiam ser detectadas pela maioria das pessoas utilizando somente os seus ouvidos".

No momento em que as crianças do estudo fizeram três anos de idade, três delas foram diagnosticadas com autismo. Enquanto bebés, estas três crianças tinham choro que estava entre os mais altos e agudos e que soava mais tenso.

As descobertas sugerem que o choro dos bebés de 6 meses pode ser usado, juntamente com outros factores, para determinar o risco de um bebé ter autismo.

Se confirmada em estudos futuros, a descoberta pode permitir aos investigadores identificar crianças com risco da doença muito antes dos problemas de comportamento típicos se tornarem aparentes.

Estudos anteriores sugeriram que com um ano de idade, as crianças com autismo produzem sons e gritos que atípicos, mas esta pesquisa é a primeira a avaliar os bebés a partir dos seis meses.

A equipa ressalta que mais estudos são necessários para confirmar os resultados. O trabalho foi publicado na revista Autism Research.

Notícias relacionadas

Autismo: um diagnóstico que exige atenção dos pais


Ana Elisa Santana - Portal EBC
Pesquisa do Centers for Disease Control and Prevention que número de crianças com autismo está crescendo (Foto: Observatorio de la Infancia en Andalucía/Creative Commons)
Acompanhar o desenvolvimento dos pequenos é um dos maiores prazeres que os pais podem ter. Mas há algumas crianças que não seguem o mesmo ritmo que as outras da mesma idade em algumas características: demoram mais para começar a andar ou tentar subir nos móveis, ou não acompanham com os olhos quando alguém aponta um objeto, por exemplo.

Veja também:

Esses podem ser alguns dos sinais do autismo, um transtorno de desenvolvimento que exige tratamento especial tanto dentro de casa como na escola. Não há estatísticas oficiais sobre o autismo no Brasil. Mas, para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, a estimativa é de que uma em cada 88 crianças seja autista, segundo pesquisa do Centers for Disease Control and Prevention (Centro de controle e prevenção de doenças do governo norte-americano). O número cresceu 23% em relação ao último levantamento, feito em 2009.

Segundo o professor doutor Carlos Aucélio, coordenador da unidade de neuropediatria da Faculdade de Medicina da UnB, o diagnóstico do autismo geralmente é feito após os cinco anos. Mas é possível identificar alguns dos sintomas antes desta idade. As crianças autistas geralmente têm atraso no desenvolvimento da linguagem, da coordenação motora, são hiperativas, excessivamente irritadas e têm uma dificuldade muito grande para interagir socialmente. Mas o autismo não é uma combinação de todos essas características. "Quando temos o quadro completo, o diagnóstico é mais fácil. Mas o mais comum é a criança ter um ou outro sintoma", explica o neurologista.

O autismo geralmente vem acompanhado de um comprometimento cognitivo, e por isso é importante que o transtorno seja identificado o quanto antes. "Normalmente, a autista é uma criança que não se comunica e não interage, e o diagnóstico é fundamental para que ela participe de um processo de ensino especial", afirma Carlos Aucélio.

O autismo geralmente vem acompanhado de um comprometimento cognitivo, e por isso é importante que o transtorno seja identificado o quanto antes (Foto: Observatorio de la Infancia en Andalucía/Creative Commons)
A forma branda do autismo, também configurada como transtorno de desenvolvimento, é chamada Síndrome de Asperger. As crianças e adultos que têm a síndrome, em geral, não têm comprometimento cognitivo, de acordo com o neurologista. "O paciente pode levar uma vida normal, estudar, fazer faculdade. Mas ele tem uma dificuldade para interagir. Muitas vezes é confundido com timidez", conta Aucélio.

Para conseguir identificar o autismo, os pais devem procurar médicos da área de saúde mental, como neuropediatras ou psiquiatras. Mas o tratamento é feito de forma multidisciplinar: precisa tanto dos médicos quanto de profissionais como psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e fisioterapeuta. De acordo com a Associação de Amigos do Autista, , há três métodos mais utilizados para ajudar a desenvolver a pessoa com autismo:

- TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handcapped Children): um programa estruturado que combina diferentes materiais visuais para organizar o ambiente físico através de rotinas e sistemas de trabalho, de forma a tornar o ambiente mais compreensível, esse método visa a independência e ao aprendizado.

- PECS (Picture Exchange Communication System): um método que se utiliza figuras e adesivos para facilitar  a comunicação e compreensão ao estabelecer uma associação entre a atividade/símbolo .

- ABA (Applied Behavior Analysis): analise comportamental aplicada que se embasa na aplicação dos princípios fundamentais da teoria do aprendizado baseado no condicionamento operante e reforçadores para incrementar comportamentos socialmente significativos, reduzir comportamentos indesejáveis  e desenvolver habilidades.

Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0

Bertioga: Encontro Praia Acessível superou a chuva


A chuva fininha que caiu o dia todo ontem não desanimou a galera para ir ao 2º Encontro Praia Acessível em Bertioga. Mais de 40 participantes com deficiência vindos de São Paulo, São Bernardo e Osasco. Mesmo molhados e com frio, se divertiram bastante. Afinal, ir à praia é ir à praia.
Wagner, depois de 10 anos se delicia no mar. Ao fundo Bruno o grande crac do kayaksurf
“Depois de 10 anos, data de quando fiquei com deficiência, é a primeira vez que venho no mar. Está sendo muito bom. Quem não veio, não sabe o que tá perdendo”, disse Wagner Trindade Novaes, que perdeu os movimentos das pernas após uma injeção aplicada erroneamente.
“Já é a segunda vez que venho. E desde a última já deixei meu nome anotado para me convidarem de novo. É uma iniciativa brilhante de proporcionar esta oportunidade pras pessoas com deficiência, porque que nem todos podem vir à praia”, disse Luis Henrique da Silva Júnior, lesionado medular.
Bia está sentada no colo da Mae na cadeira anfíbia
Veronica e Beatris curtindo a praia.
Veronica Caes de Novaes trouxe a pequena  Beatriz, que tem deficiência na coordenação motora “A Bia foi na água, ela adorou . Deveria ter uma vez ao mês, de tão bom que é.”, sugeriu ela.
O evento contou com a presença de muitos voluntários, entre eles – fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, personal trainers, salva-vidas, entre outros muitos amigos que comparecerão para esta bela festa. Além do mais, cada participante Encontro teve direito a dois açaís, frutas e água a vontade.
“A confraternização do  Programa Praia Acessível é sempre bem vindo na nossa cidade. Abraçamos esta causa e inclusive estamos concorrendo ao prêmio de ações inclusivas com atividades náuticas inclusiva. Temos o Ecovela, Ecokayak, tudo para incluir ao máximo as pessoas com deficiência”, comentou o  Professor José Augusto Coelho – Diretor de Assuntos Náuticos, Inclusão e Acessibilidade da Prefeitura Municipal de Bertioga.
Sandra.está.curtindo.a.massagem,sentada.na.cadeira
Os massagistas voluntários Fernando e Sidnei garantiram o relax da galera
A iniciativa partiu do campeão sul americano de kayaksurf 2011 – Bruno Guazzelli Filho, “Mesmo com o tempo, graças a Deus a todo o envolvimento que o pessoal teve, da Theracqua, da divulgação. Agradeço demais a Viação ABC e a RCG Logística, que patrocinaram os ônibus. Se a gente não organiza isso, facilitando o transporte deles até a praia, muitos não viriam, por falta de condições mesmo. Gostei demais e estou muito grato a todos”, comentou.
Equipe da Theraqua sorteou uma handbike durante o evento
Os parceiros do evento foram: a Prefeitura Municipal de Bertioga,  Theracqua – Terapia Aquática e RCG Logística. Além dos grandes colaboradores para que o evento realmente aconteça – Rota dos Tubos Videoprodutora,www.Focosurf.com.br  , Estudio FG serviços gráficos, Auto Viação ABC, www.guiadodeficiente.com.br , WAY
Wagner TrindadeKayak, www.caseadventure.com , Board House Surf Skate, RPF Kayaks, OM Imagens, Grupo Playmídia, www.kayaksurf.net Eureka artefatos em E.V.A., www.theefficiente.com.br e Açaí do Guerreiro.   Venham conferir mais um dia ESPECIAL…

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cadeiras proporcionam segurança para entrar no mar

Foto: Janete Jachetti
Rio Grande do Sul - Um projeto piloto voltado às pessoas com deficiência foi implantado pelo Governo do Estado, no domingo 16/12, em Capão da Canoa, no Litoral Norte. Parte integrante das ações da Operação Verão Numa Boa, o Praia Acessível disponibilizará cadeiras anfíbias para as pessoas com deficiência entrarem no mar com segurança.

O teste do equipamento foi realizado por funcionários da Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Altas Habilidades (Faders), responsável pelo projeto, em Torres, durante o lançamento da operação. Mais leves e com pneus especiais para a areia, as cinco cadeiras compradas pela Fundação serão disponibilizadas às sextas-feiras, aos sábados e aos domingos, ao longo do verão, em Capão da Canoa, e os veranistas terão a ajuda de um salva-vidas.

"Temos o programa de geração de oportunidades e a ideia foi fazer uma praia acessível dentro do Verão Numa Boa e fazermos com certeza uma praia democrática, dando oportunidades a todos", afirmou o secretário da Justiça e dos Direitos Humanos, Fabiano Pereira, que acompanhou o teste das cadeiras em Torres.

O projeto Praia Acessível contempla ainda esteiras ecológicas, feitas por um funcionário da própria Faders, para facilitar o acesso dos cadeirantes à praia. A iniciativa, explica a presidente da Fundação, Marli Conzatti, faz parte do plano RS Sem Limites, voltado às pessoas com deficiência. "Em novembro do ano passado, a presidente Dilma lançou o plano Viver Sem Limites e o Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado a aderir à proposta", destacou.

Fontes: Secretaria de comunicação do governo RS - http://sentidos.uol.com.br

Linha de cuidado para tratamento de autismo é apresentada ao CNS

Fotos: Rafael Bicalho
240ª RO240ª RO
240ª RO240ª RO
Para visualizar as fotos do 1º dia da 240ª RO, clique aqui.

Estima-se que cerca de dois milhões de pessoas vivem com autismo no Brasil. A disfunção afeta principalmente a capacidade de interação social, dificuldades de comunicação e alterações de comportamento. Para debater a situação do atendimento a essas pessoas dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), o Conselho Nacional de Saúde (CNS) debateu na tarde dessa terça-feira (11) a Linha de Cuidado para Pessoas com Autismo no SUS.

Mãe de um autista, militante da causa, conselheira nacional de saúde e principalmente usuária do SUS, Marisa Furia, representante da Associação Brasileira de Autismo (ABRA) expôs em uma fala emocionada sobre as dificuldades enfrentadas pelos autistas. Para ela é importante garantir que as redes de atenção do sistema público se atenham às demandas dessa população. “A minha família inteira apoiou a minha militância e por isso estou aqui hoje. Essa Linha de cuidado é uma grande esperança para nós. Espero que ela seja implantada de forma correta e ampla para todas as metodologias aprovadas”, disse.  

Engajada também na luta das mães com filhos autistas, a representante da ABRA, Maria Helena de Azeredo tem filhos gêmeos com autismo. Foi escolhida pela entidade para fazer parte do grupo de trabalho que se debruçou no desenvolvimento do conteúdo da Linha de Cuidado. Ela conta que antes de surgir às diretrizes analisadas, o movimento encaminhou ao Ministério da Saúde questões que deveriam ser tratadas pela pasta. Entre elas estavam à realização de uma campanha nacional informativa sobre o autismo, um protocolo para diagnostico e tratamento do autismo no SUS, e a criação de Centros de Referência em autismo.

“Melhorar o atendimento a esses seres humanos é reconhecer uma população que sempre foi negligenciada nesse País. Os nossos filhos precisam de tratamentos específicos que garantam também a inserção social. O autismo é um problema mundial, o investimento nessa área é necessário”, salientou Maria Helena.

Intervenção precoce
Felipe Cavalcanti, psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) apontou que o atendimento aos autistas deve incluir uma mudança no histórico de tratamento no Brasil, em que ainda prevalece um número de especialistas insatisfatório, infraestrutura de formação de especialistas inadequada, concentração demográfica desigual, entre outros aspectos.

Nesse contexto, Cavalcanti também apontou para a necessidade de intervenção e diagnóstico precoce do autismo. “As novas intervenções com pessoas com autismo tem obtido resultados promissores que permitem a essas pessoas frequentar e acompanhar seus pares em ambientes escolares, comunitários e de trabalho”, ressaltou o pesquisador.

Documento
Responsável por conduzir os trabalhos do grupo que elaborou a Linha de Cuidado, Luciana Togni assessora técnica do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde afirmou que: “O SUS reconhece a negligência a essa população”. Segundo ela o documento dirige-se a gestores e profissionais do sistema, com vistas à ampliação do acesso e à qualificação da atenção às pessoas com autismo e suas famílias, em todos os pontos de atenção das diferentes Redes de Atenção à Saúde, capitaneado pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

A implementação da Linha de Cuidado, segundo Togni traz uma série de ações direcionadas ao tratamento das pessoas com autismo. “Espera-se que este guia possa servir como norteador das ações de ampliação do acesso e qualidade do cuidado ofertado às pessoas com autismo e suas famílias, como referência para as capacitações promovidas pelo Sistema Único de Saúde; como bibliografia de apoio a estudantes, familiares, profissionais e gestores de diferentes áreas”.

 Ao final do debate os conselheiros decidiram que o documento deverá ser analisado para considerações da Comissão Intersetorial de Saúde da Pessoa com Deficiência do CNS.


Equipe de Comunicação do CNS
Fone: (61) 3315-3576/3179
Fax: (61) 3315-2414/3927
e-mail: cns@saude.gov.br
Site: www.conselho.saude.gov.br

Especialistas veem exagero em diagnósticos do TDAH e criticam medicação excessiva

Cristiane Capuchinho Do UOL, em São Paulo

                                                                                                                                                                     sxc.hu

Pais e professores enfrentam um dilema: quando a falta de atenção do estudante em sala de aula é problema de saúde e quando é um problema com os métodos do professor? Especialistas embatem sobre o aumento do uso de remédios, como a ritalina, no combate de deficiências escolares e o diagnóstico preciso do TDAH (Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade). 


Os defensores da campanha contra a medicalização da educação entendem que muitas vezes existe um tratamento de diferenças comportamentais como se elas fossem doença. Para eles, o diagnóstico foi banalizado e problemas que são pedagógicos – e deviam ser tratados com estratégias de ensino – vão parar no âmbito da saúde.
Psiquiatras e neurologistas, por outro lado, apontam para a importância do diagnóstico correto do transtorno para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Sem remédio

Para a psicóloga Carla Biancha Angelucci, presidente do CRP (Conselho Regional de Psicologia) de São Paulo, a escola não consegue lidar com as diferenças entre as crianças e usa métodos pedagógicos que não atingem todos os alunos. "Se a criança não se interessar pela educação é muito possível que ela comece a apresentar hiperatividade, situações de conflito. Não temos que mexer na criança para que ela possa suportar com tranquilidade uma aula desinteressante", afirma.
"Se em casa a criança é de um jeito e na escola é de outro, os pais devem tentar descobrir o que está acontecendo de errado para haver um conflito escolar. Os pais devem conversar com professores e com outros pais de alunos", recomenda Angelucci.

VEJA POSSÍVEIS SINAIS DO TDAH

O diagnóstico do TDAH é clínico e deve ser feito por um médico, mas fique atento aos seguintes sintomas, especialmente se eles causam prejuízo às vidas social, escolar e familiar:

Desatenção: a criança não consegue ler sem perder o foco. Essa atividade é de extremo esforço e penosa. Pequenos estímulos externos são valorizados, quando as demais crianças não os perceberiam. Perda frequente de objetos. Comportamento de quem parece não escutar. Mas atenção: esse sintoma, isolado, pode estar relacionado a outros distúrbios.

Hiperatividade: : não consegue ficar sentada por muito tempo ou parada. A sensação que se tem é que é movida por um motor. Agitação, fala em demasia.

Impulsividade: tem dificuldade de esperar sua vez, interrompe conversas, não espera a finalização de respostas para sua pergunta, age antes de pensar.

Dificuldade de memória de trabalho: : é incapaz de gerir várias informações ao mesmo tempo para execução de uma tarefa.

Pressão social versus problema médico

"Na nossa sociedade, o que é preciso para ser considerado bem-sucedido é ser multifuncional, ter muitas janelas abertas, ser egoísta. Mas quando você vê isso em um aluno se diz que ele tem um problema", aponta a psicóloga Gisela Untoiglich, professora da Universidade de Buenos Aires.
O TDAH atinge entre 3% e 6% das crianças em idade escolar. A estimativa é feita a partir de diferentes pesquisas internacionais, afirma o neuropediatra Mauro Muzcat, coordenador do Ambulatório de Deficit de Atenção da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que trata 650 crianças atualmente.
Desses, pouco mais de 50% dos diagnosticados terão o mesmo transtorno quando adultos, afirma.
Muzcat explica que no diagnóstico do transtorno não basta ver os sintomas, é importante perceber o quanto os sintomas afetam a vida das crianças.

Aumento na venda de remédios

Entre 2005 e 2010 a dispensação de comprimidos com o composto químico cloridrato de metilfenidato, princípio ativo de remédios como a ritalina, cresceu 1.645% no Estado de São Paulo. Os dados são de um levantamento feito pelo CRP-SP com informações de 287 municípios.
O uso do medicamento tem "efeitos muito bons nos pacientes diagnosticados" que "em média fazem o tratamento por dois anos", segundo Muzcat.
No entanto, a preocupação se justifica pelo aumento no número de estudantes que buscam na ritalina a solução para se concetrarem nos estudos. "As famílias também estão afetadas pelo ímpeto de produção. O aluno tem que ter boa performance, tem que acompanhar as aulas no mesmo ritmo dos outros alunos", explica Carla Biancha Angelucci, presidente do CRP-SP.

Veja por que alguns astros do rock não gostavam da escola



Foto 1 de 18 - Ozzy Osbourne - "Eu odiava a escola. Odiava. Ainda consigo lembrar meu primeiro dia no Prince Albert Juniors em Aston: tiveram de me arrastar até lá pelo colarinho, por que eu chutava e chorava muito. A única coisa que queria da escola era que o sinal tocasse às quatro da tarde. Eu não conseguia ler direito, por isso não tinha boas notas. Nada entrava na minha cabeça e não conseguia entender por que meu livro e era como se tudo estivesse escrito em chinês. Sentia que não era bom em nada, como se fosse um desastre. Só com trinta anos descobri que tinha dislexia, além de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Ninguém sabia dessas coisas na época. Estava numa classe com quarenta crianças e, se não entendesse, os professores não tentavam ajudar - eles o deixavam de lado. Foi o que aconteceu comigo. E quando eu precisava fazer alguma merda - como quando tinha de ler em voz alta - eu tentava divertir a classe. Pensava em todos os tipos de coisas doidas para fazer os outros rirem"

Trecho extraído do livro "Eu Sou Ozzy", de Ozzy Osbourne com Chris Ayres (Tradução: Marcelo Barbão. Editora: Saraiva, 2010) Lucas Lima/UOL
Fonte:http://educacao.uol.com.br