sábado, 29 de dezembro de 2012

Inclusão e os labirintos da educação

Por Lucio Carvalho *

Já faz algum tempo que eu desconfio dos trajetos sem percalços. Da realização pessoal custe o que custar. Do sucesso a qualquer custo. Dos resultados, metas, indicadores e dos gráficos-pizza. Desconfio também dos objetivos sublimes e metas solenes. E desconfio mais ainda de qualquer projeto educacional cuja métrica seja meramente cumulativa ou comparativa. Que trate de pessoas como se fossem recipientes de um saber sempre suposto, porque nem na ciência mais avançada há verdades absolutas. Eu quero dizer que estamos historicamente nos utilizando de indicadores equivocados para avaliar as pessoas, na escola e também fora dela. E quero insistir que levar a educação inclusiva por esse caminho compete em um risco imponderável.

Por isso pretendo me tornar, em 2013, um pregador do uso do FIB (Felicidade Interna Bruta) ao invés do PIB (Produto Interno Bruto) como único critério cabível para os estudantes, principalmente as crianças, e para seus pais e professores também. Chega de tanto sequestro de felicidade em nome de “desempenho”. Estamos falando de pessoas, não de “economês”. Pode estar certo que muitos de nós não hesitem em adotar a terminologia do mercado até mesmo para avaliar a própria vida, mas não temos o direito de fazer isso a mais ninguém exceto a nós mesmos. Muito menos a nossos filhos ou alunos.

Eu digo isso porque precisamos lidar com os fracassos, conhecê-los em detalhe, e não fugir deles como o diabo foge da cruz. A impressão que tenho, muitas vezes, é de que estamos impregnados de critérios alienígenas, que sequer aos próprios alienígenas se prestam. Apesar disso, nos últimos anos não posso mais contar nos dedos as histórias de sucesso envolvendo as vidas de pessoas com deficiência sobre as quais tomei conhecimento. Falo aqui especialmente das pessoas com deficiência intelectual de quem se espera, inclusive, que não reportem traços de sua deficiência, num tipo de reconhecimento social bastante típico desta época.

A mensagem que temos deixado é de que é preciso que as crianças, as com deficiência ou qualquer outro tipo de dificuldade, superem as dificuldades, custe isso o que lhes custar. Nos portamos como seus credores, como se tivéssemos algum crédito em manter uma vida tão sem equilíbrio, uma sociedade tão pouco solidária e tão deslavadamente competitiva. Na verdade, não temos nenhum crédito. Gastamos todas as fichas mantendo a estrutura das coisas, os tais paradigmas e também as esferas de poder. Temos nossa culpa, mas não a admitiremos em público. Mais fácil é apontar o erro dos outros. Vamos assim, sem perceber que o erro é uma oportunidade e que, sem ele, não temos onde nos firmar.

Há alguns anos, em entrevista, o escritor italiano Umberto Eco declarou que toda a graça, para o caçador, consiste em ir a caça, não em observar a presa, abatida, definitivamente imóvel. Em nossa tendência de empacotar receitas fácies e venais de felicidade e de decência, temos sido indecentes e infelizes ao imaginar que nossos filhos devam ser um prolongamento de nossa auto-imagem e que tudo que saia desse script seja erro e incorreção. Nossas instituições também são assim, valem-se da mesma ideologia. Lavam as mãos assim como nós lavamos as nossas. Sem culpa. Os erros são sempre alheios, mesmo quando refletem claramente que nossas opções não tem servido nem sequer a nós mesmos.

Eu temo por aqueles que afirmam terem encontrado a receita ideal (obviamente a única certa) de inclusão, de educação inclusiva, de respeito à diversidade e até mesmo de busca por igualdade. Não percebem que estão tocando como se numa escultura de areia que, por mais que possamos mantê-la intocada com o objetivo de contemplação, algo como o vento se encarregará de desmanchar, porque feita igualmente de uma concepção arbitrária, como a que tem pretensão de substituir. Nesse ciclo, haverão certamente novos casos de sucesso que voltarão a ganhar a mídia – por menos espetaculosos que pretendam ser – e tantos outros fracassos, que não serão sequer reportados.

A educação inclusiva está cheia de falhas e erros. E isso, ao invés de fracasso, é um incrível sinal de sucesso. Se tivéssemos de antemão uma educação infalível, nossos resultados – vistos periodicamente pela UNESCO e outros órgãos internacionais – seriam inteiramente outros. Não são. Guiar-se por este modelo, portanto, é como entrar num labirinto, mas sem novelo de lã. Ao invés de ir pelo mesmo caminho, com todos os seus erros e dificuldades, a educação inclusiva continua sendo a oportunidade que falta à educação como um todo em aprender com os erros, ao invés de simplesmente, ano após ano, replicá-los.

*Coordenador-Geral da revista digital Inclusive – inclusão e cidadania (www.inclusive.org.br) e autor de Morphopolis (www.morphopolis.wordpress.com).

Ensino de Libras é abordado no curso Unesp/Univesp

Alunos do Polo Bauru se reuniram para assistir a palestras complementares.

Polo Bauru
Em continuidade à disciplina Conteúdos e Didática de Libras, o curso de Pedagogia do projeto Unesp/Univesp promoveu para quarenta cursistas de Bauru duas palestras com o Intérprete nesta linguagem Luis Matheus, também professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) para alunos com surdez.

A ação contou com uma apresentação geral da Libras e sua gramática. Além disto, o palestrante exibiu diferentes configurações das mãos e, ainda, fez explanações sobre a utilização do espaço e do movimento.

A iniciativa desta atividade veio a partir da sugestão de alguns alunos do polo, e das orientadoras Ana Beatriz Cardoso Domingues e Cínthia Magda Fernandes Ariosi. Para elas, foi de extrema importância levar aos cursistas de Bauru alguém que tem profundo conhecimento da linguaguem estudada na disciplina 24, para que fosse possível garantir um melhor aprendizado destes conteúdos.

“Fiquei mais tranquila por oferecer a eles a oportunidade de ouvir um profissional da área, com toda a qualificação necessária para tirar dúvidas e dar dicas importantes”, explica Ariosi.

Segundo a aluna Ana Carolina Faustino, estes momentos propiciaram o reconhecimento da realidade do trabalho com Libras na região, o esclarecimentos de algumas questões e a amenização de receios que muitas profissionais da educação possuem em relação a língua.

A docente Camila Chiquito Palhares, também cursista de Pedagogia, pondera que mesmo com a disponibilização de videoaulas, nada substitui a presença do professor. “Neste sentido, poder ter um contato pessoal, e não virtual, com um especialista no assunto foi bastante enriquecedor para todos”, relata. 

Ariosi afirma, ainda, que incluir não somente atividades complementares no decorrer do curso, mas o próprio ensino de Libras como disciplina obrigatória já é um grande avanço na formação docente. “Pensando nisso, o tempo de duração da D24 poderia ter sido maior. Sabemos que não é possível, pois temos todo um cronograma ainda a cumprir, mas quanto mais nos aprofundamos melhor o resultado em sala de aula”.

A atividade foi realizada em duas etapas, 26 de novembro e 3 de dezembro

Regulamentação da Libras
O ano de 2012 marcou o aniversário de 10 anos da regulamentação da Língua Brasileira de Sinais, que destaca em parágrafo único: “Entende-se como Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil”. Já no quarto parágrafo, determina que ela seja obrigatória em alguns currículos escolares.

Desde a sanção do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso, a lei não apresentou mudanças. Ainda assim, de acordo com a professora de Libras Laís dos Santos di Benedetto, ela tem uma importância extrema pois trouxe uma valorização da língua no mundo atual e abriu caminhos para que as pessoas surdas tivessem uma vida como qualquer outro cidadão, com direitos e deveres.

“É claro que ainda não é totalmente aceita, pois existem pessoas com deficiência auditiva à margem deste progresso. Mas, de uma maneira geral, a regulamentação trouxe desenvolvimento e cidadania a esta parte da sociedade”, finaliza Benedetto.

Soraia Marino, NEaD/Unesp

Comissão aprova regras para decisões de pessoa com deficiência intelectual


A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou, no último dia 5, o Projeto de Lei 2063/11, do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que permite ao indivíduo com condições intelectuais, cognitivas ou psicossociais reduzidas tomar decisões da vida civil com o apoio de pessoas com as quais mantenha vínculo.

O projeto incorpora ao Código Civil (Lei 10.406/02) a chamada "tomada de decisão apoiada", regulamentando dispositivos da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada em 2008 pelo Brasil.
Arquivo/ Beto Oliveira
Rosinha da Adefal
Rosinha da Adefal: "Há deficiências intelectuais que deixam a pessoa sem condições de decidir por si só, mas não é a totalidade".

A relatora do projeto, deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), recomendou a aprovação do texto, com duas emendas modificativas. Uma delas estabelece que a necessidade de utilização de guia intérprete não restringe o exercício da capacidade plena da pessoa.
A proposta já prevê o mesmo para a necessidade de linguagem simplificada, tecnologias assistivas, intérprete, tradutor ou qualquer outro suporte para expressão da vontade da pessoa.
A outra emenda apenas faz ajuste de redação em um dispositivo da proposta. O dispositivo determina que, antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o juiz, assistido por especialistas e após manifestação do Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe prestarão apoio.
Rosinha explicou que as pessoas com deficiência intelectual são hoje consideradas pela lei incapazes de exercerem por si só seus direitos civis, tendo declaradas a interdição total ou parcial. Com isso, segundo a deputada, mesmo que a deficiência seja leve, os indivíduos não têm autonomia legal.
"Há deficiências intelectuais que realmente deixam a pessoa sem condições de decidir por si só, mas não é a totalidade. Por exemplo, muitas pessoas com Síndrome de Down já estão terminando nível superior, estão incluídas no mercado de trabalho, têm até sua família formada, são casados, têm filhos, mas, para qualquer ato da vida civil, precisam ser tutelados. "
Tramitação 

A matéria tramita em caráter conclusivo e ainda será examinada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Íntegra da proposta:

Reportagem – Oscar Telles
Edição – Pierre Triboli








Fonte:http://www2.camara.leg.br

Estado negligencia pessoas com deficiência

Por Janaina Negreiros
No último dia 3 de dezembro, foram realizadas em todo país manifestações comemorativas ao Dia Internacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Mas teria Pernambuco motivo para comemorar? O Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicou Pernambuco como quarto estado do país com maior proporção de pessoas com deficiência (17,24%). Este dado abarca a deficiência física, intelectual, visual ou auditiva. Pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a média no planeta é de 10%.

Aqui, assim como no resto do País, pessoas com deficiência nunca deixaram de serem excluídas do mercado de trabalho, da educação e da cultura. As barreiras físicas e comportamentais impedem ou dificultam o acesso dessas pessoas aos seus direitos mais básicos.


A situação mais preocupante refere-se aos conselhos municipais – órgãos que possibilitam a fiscalização e proposição de políticas públicas pela sociedade civil. Nenhum dos 11 municípios pernambucanos com maior proporção de pessoas com deficiência possui conselhos.


O Censo de 2010, recentemente iniciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está utilizando novamente o método de amostragem para captar dados sobre as pessoas com deficiência. Dos grupos vulneráveis, somente esse segmento não consta em todos os formulários. A presidente do Conselho Nacional de Defesa da Pessoa com Deficiência (Conade), Denise Granja, argumenta que o método não será capaz de trazer dados confiáveis e satisfatórios para se traçar políticas públicas. “Em apenas um de cada dez questionários haverá perguntas sobre essas pessoas”, ressalta. 

A Conferência deficiente

Por Andrei Bastos *

Seria cômico se não fosse trágico. Quando vi figuras importantes da República dos Deficientes comemorando tolamente felizes, aos risos e tapinhas nas costas, com a mais importante delas até subindo numa cadeira em tentativa de demonstrar autoridade ao ser acusada de golpista, fiquei entre a vergonha alheia e a gargalhada.

Tal cena constrangedora aconteceu quando eram discutidas propostas do grupo de educação da 3ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência. A turma que a protagonizou, que entrou sorrateira e em bloco num determinado momento do dia no plenário, tinha o objetivo claro de votar contra a educação inclusiva.

Mas como é possível pessoas com deficiência serem contra a inclusão pela educação? Ora, isso é o mesmo que perguntar por que negros escravizaram negros, vendendo-os a peso de ouro para os regimes escravagistas, como fez Zé Alfaiate, que depois de comprar sua carta de alforria se tornou o maior traficante de escravos para o Brasil no final do século XVIII.

Por falar em século XVIII, foi logo depois dele, em 1880, que ocorreu o maior retrocesso da história da deficiência no Congresso de Milão, conferência internacional de educadores de surdos, que decidiu excluir a língua de sinais e adotar o oralismo, literalmente amarrando as mãos dos surdos às costas – o que valeu por cem anos.

Pois agora, no século XXI, parece que os “escravagistas” de plantão da 3ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência querem a todo custo superar as marcas de inumanidade e retrocesso relatadas acima e defendem com unhas, dentes e astúcia suas trincheiras de poder político e financeiro. Afinal, tal como Zé Alfaiate, eles procuram manter seus bolsos bem forrados.

E nada pior para assombrar as noites dos “escravagistas” reviventes do que a ameaça de furos nos seus bolsos apresentada pela educação inclusiva – ampla, geral e irrestrita –, especialmente se adotada como política pública federal, de alcance nacional efetivo viabilizado por recursos públicos compatíveis. Com a inversão da equação em que a regra é a ausência de crianças com deficiência nas escolas comuns para a regra da presença maciça dessas crianças em tais escolas, logo estarão extintos os guetos excludentes, segregadores, e altamente lucrativos, que perversamente negam à maioria de tais crianças seu direito ao pleno desenvolvimento cognitivo.

Uma conferência nacional deveria tratar dos aspectos mais amplos e gerais da questão da deficiência e não de situações particulares e de exceção, como são os casos de crianças com deficiência que real e completamente dependem do ensino especial. Tentar transformar em regra geral procedimento cabível apenas em casos excepcionais é defender interesses particulares e inconfessáveis com impudência.

Cabe agora ao Executivo e ao Legislativo a tarefa de reverter este surto de retrocesso, até por inconstitucional, promovido por quem mais deveria querer avançar, mas que, infelizmente, foi manobrado pela manha dos “escravagistas” de plantão contra a inclusão.

* Jornalista.

CONVÊNIO VAI CAPACITAR PROFISSIONAIS NA FABRICAÇÃO DE PRÓTESES E ÓRTESES

Para reduzir a carência de profissionais que produzem órteses e próteses, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, o Ministério da Saúde fez uma parceria com a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) que prevê a liberação de R$ 348 mil para a capacitação de mais de 200 pessoas para atuar nesse trabalho. O convênio foi assinado no último dia 21 pelo ministro Alexandre Padilha (foto), no Hospital Abreu Sodré, em São Paulo.

“Queremos capacitar mais de 200 profissionais em órteses e próteses aqui na oficina da AACD em São Paulo e, com isso, ter lá no interior e nas capitais do Nordeste profissionais capacitados para fazer órteses e próteses”, disse o ministro, após visitar a sede da associação em São Paulo.

Segundo Regina Helena Scripilliti Velloso, presidenta voluntária do Conselho de Administração da AACD, a assinatura do convênio deve ajudar a suprir a falta de mão de obra de ortesistas e protesistas do país. “Por meio desse convênio, a AACD vai disponibilizar sua estrutura e seu conhecimento e vai capacitar entre 200 e 300 pessoas para as oficinas ortopédicas do Nordeste”, explicou.

Além da parceria, outros dois convênios foram assinados na tarde de hoje (21) entre o Ministério da Saúde e a AACD. Um se refere a recursos para ajudar a AACD a ter novos equipamentos para cuidar de crianças, sobretudo na parte de reabilitação, com investimento de R$ 500 mil. Outra parceria apoia a associação no desenvolvimento de um novo aparelho para reabilitação física.

“A AACD desenvolveu, ao longo do último ano, um equipamento utilizado para reabilitação de pacientes que tiveram isquemia, derrame cerebral e de crianças com paralisia cerebral. O Ministério da Saúde tem todo o interesse em ter dados mais detalhados da recuperação das pessoas utilizando esse equipamento para incorporarmos seu uso a outras unidades do Sistema Único de Saúde”, disse o ministro. As iniciativas fazem parte do Programa Viver sem Limite, criado em novembro do ano passado e que prevê a ampliação do acesso e a qualificação do atendimento às pessoas com deficiência permanente ou temporária no Sistema Único de Saúde (SUS), entre outras ações.

Fonte:http://passofirme.wordpress.com

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Órfãos russos deficientes seriam principais vítimas de proibição à adoção pelos EUA

Reuters
Por Nastassia Astrasheuskaya e Alissa de Carbonnel

                                                                                                   Grigory Dukor / Reuters/Imagem Internet
                                    O presidente russo, Vladimir Putin

MOSCOU, 26 Dez (Reuters) - Cartões de Natal da família e fotos de crianças sorridentes enviadas por seus pais adotivos norte-americanos preenchem o escritório de Galina Sigayeva na segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo.

Muitos deles eram doentes e precisavam desesperadamente de cuidados médicos antes de sua agência ajudar a organizar a sua adoção para famílias norte-americanas, lembra ela.

Ativistas dos direitos da criança dizem que crianças como estas serão as mais afetadas se o presidente russo, Vladimir Putin, assinar uma lei proibindo adoções pelos EUA que foi aprovada pelos legisladores russos. O ato é uma retaliação contra uma nova lei dos EUA que punirá russos acusados de violações dos direitos humanos.

Os críticos da lei argumentam que os orfanatos russos estão lamentavelmente superlotados e o destino de crianças vulneráveis não deve ser usado como moeda de troca em uma disputa bilateral.

"Essas crianças não são nem oferecidas aos estrangeiros até obterem um certo número de recusas (de adoção) por russos", disse Sigayeva, que dirige a Agência de Serviços de Adoção New Hope Christian.

"São crianças com diagnósticos complicados, realmente complicados. São crianças muito doentes."

Ela sorriu enquanto folheava fotos de crianças abraçadas por seus pais adotivos, brincando com animais de estimação da família e desfrutando de presentes e outros momentos de Natal.

"O que me surpreende é que aqui todas parecem tão saudáveis, tão fantásticas, mas você deveria ver como elas se parecem quando são levadas daqui", contou Sigayeva.

"Algumas tiveram que ser transportadas para a fronteira. Tivemos uma menina com hepatite que ajudamos da sala de emergência."

Ambos os lados no debate acalorado em torno do projeto de lei concordam que o sistema de orfanatos da Rússia está sobrecarregado, assolado pela corrupção e, principalmente, fracassa em colocar as crianças em famílias.

Mais de 650.000 crianças são consideradas órfãs na Rússia -- embora algumas tenham sido rejeitadas por seus pais ou tiradas de lares com problemas. Desse total, 110.000 viviam em instituições do Estado em 2011, de acordo com o Ministério da Ciência e Educação.

Por outro lado, nos Estados Unidos --que tem mais de duas vezes a população da Rússia-- cerca de 58.280 crianças viviam em lares e instituições no ano passado, de acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA.

Adoções por famílias russas continuam modestas, com cerca de 7.400 adoções em 2011 em comparação com 3.400 adoções de crianças russas por famílias no exterior.

Famílias norte-americanas adotam mais crianças russas --956 no ano passado-- que de qualquer outro país. Das crianças adotadas pelos norte-americanos em 2011, 9 por cento --ou 89-- eram deficientes, de acordo com números oficiais russos.

Os opositores da legislação --que incluem altos funcionários como o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov-- afirmam que a politicagem não deve privar os órfãos desta chance de uma vida melhor.

A proibição responde a uma lei dos EUA conhecida como a Lei Magnitsky que pune russos suspeitos de envolvimento na morte por encomenda do advogando anticorrupção Sergei Magnistky em 2009 e outras violações dos direitos humanos, ao impedi-los de entrar nos Estados Unidos.

Fonte:http://g1.globo.com - Imagem Internet

Parlamentar será o representante das pessoas com deficiência

                                                                                                                                                           foto arquivo: 
                                        Ueslei aceitou o convite e se colocou a disposição da classe

BARRA MANSA - Foi realizada no início da semana uma reunião na APDFBM, Associação dos Portadores de Deficiência Física de Barra Mansa, onde o vereador Ueslei foi convidado pelo Presidente da Entidade, Neri Vicente, para ser o representante das pessoas com deficiência no poder legislativo. A casa que existe há 17 anos começou com o objetivo de inserir profissionais deficientes no mercado de trabalho. As atividades começaram em 1995 com apenas doze colaboradores e a primeira sede foi uma sala emprestada pela maçonaria. Pensando no crescimento da APDFBM, o representante da entidade resolveu procurar a ANDEF – Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos, já que a mesma estava sendo responsável pelo recrutamento de profissionais de Barra Mansa e região.

“Fomos até Niterói para mostrar que a cidade possuía uma associação e queríamos uma parceria para empregar as pessoas daqui”, disse Vicente. A ANDEF aceitou a proposta e solicitou que as indicações fossem feitas por aqui, mas alguns anos depois perdeu o contrato com as empresas e a associação continuou buscando parcerias em prol das pessoas que tem mais dificuldade de inserção no mercado.

A APDFBM criou no dia 3 de dezembro de 2011 um projeto de inclusão, onde firmaram parcerias com algumas empresas, com o Sindicato dos Metalúrgicos e Ministério do Trabalho. As etapas são divididas em captação de pessoas, ressocialização e capacitação de acordo com a necessidade do contratante, realizada em parceria com o UBM – Centro Universitário de Barra Mansa, através do Coordenador de Extensão Fernando Vitorino.

Após o término dessas etapas a empresa que realiza o convênio e contrata o funcionário, paga 10% referente do salário de cada pessoa para a associação, o que garante o seu funcionamento.

Hoje, a entidade tem 1.375 portadores inscritos, sendo que trezentos já estão preparados para ocuparem os cargos oferecidos pelos empresários filiados.

A escolha do nome do vereador Ueslei se deu através do político ser pai de uma pessoa com deficiência. “ O Ueslei é um homem comprometido com a causa e sempre levantou essa bandeira, além de ter experiência e um ótimo relacionamento com o Deputado Estadual Edson Albertassi, que também se senbiliza e luta por nós, disse Neri”.

O vereador aceitou prontamente o convite e já se colocou a disposição para ajudar no que for preciso. “É uma honra receber um convite tão especial, pois sei bem das dificuldades encontradas por eles.Farei o possível para ajudar todas essas pessoas, para que possam viver com mais dignidade. O primeiro passo será procurar o deputado Edson Albertassi e solicitar apoio com os projetos que iremos criar para os próximos anos, disse Ueslei”

O vereador também disse que em sua primeira visita a sede, constatou que mesmo com a falta de estrutura e sem apoio, eles vêm realizando um excelente trabalho.

A reunião contou com a presença do atleta paralímpico Vanderson Silva, que solicitou a implantação de projetos esportivos na cidade, tanto olímpico quanto paralímpico. “ O meu sonho é que Barra Mansa seja conhecida como a cidade do esporte, falou o campeão”.

Satisfeito com a participação do atleta e seu interesse em melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência, o presidente da associação convidou Vanderson, para que o mesmo abra as portas para o esporte na cidade, sendo representante da entidade criando projetos esportivos. Aceita a proposta, o recordista participará no dia 22 de dezembro, às 9h, de um café da manhã, no UBM – Centro Universitário de Barra Mansa, onde serão apresentadas trinta pessoas que já estão preparadas para o trabalho. “ Temos que valorizar o que é nosso. Sempre exaltei o nome da minha cidade”. Essa parceria com o vereador e com a associação será que grande importância para todos, finalizou silva.

A expectativa para o ano de 2013, devido a fiscalização das empresas em relação à cota de pessoas com deficiência, é de que até 500 pessoas até dezembro estejam trabalhando.

Após ficar paraplégica, empresária supera dificuldades e abre consultoria

A empresária Carolina Ignarra, ficou paraplégica após sofrer acidente de moto em 2001 (foto)

Afonso Ferreira Do UOL, em São Paulo

O acidente de moto que tirou os movimentos das pernas da professora de educação física Carolina Ignarra, 34, quase acabou com seus sonhos profissionais. Mas, após seis anos em uma cadeira de rodas, a decisão de empreender mostrou o caminho da superação. Hoje, dona de uma consultoria especializada em incluir pessoas portadoras de deficiência física no mercado de trabalho, seu sucesso abre portas para outras pessoas na mesma condição.

Ignarra é fundadora da Talento Incluir. O negócio de pequeno porte conta com oito funcionários –três deles portadores de deficiência física– e presta serviços para grandes empresas como Ambev, Bradesco, Itaú, Santander e Vale.

A oportunidade surgiu em 2007, depois que a empresária se desligou de uma consultoria para a qual trabalhava. Um primo, que era gestor de RH em uma grande empresa, a indicou ao patrão para fazer o trabalho de inclusão dos funcionários com deficiência física recém-contratados.

Ao olhar para o mercado, ela percebeu que havia poucos concorrentes e a cultura de inclusão de pessoas com deficiência no trabalho era pouco disseminada. Estar em uma cadeira de rodas a fez entender melhor as necessidades de seus clientes. “Se não estivesse nessa situação, não entenderia sobre este mercado”, diz.

Empresária teve ajuda de antigos patrões para abrir negócio
Para abrir o próprio negócio, Ignarra contou com a ajuda da empresa para a qual trabalhava na época do acidente, a Movimento –prestadora de serviços na área de ginástica laboral. Com a ajuda dos antigos gestores, a empresária criou um projeto para atender ao mercado. A consultoria nasceu com o nome de Movimento Incluir.


“Foram pessoas que sempre me ajudaram muito. Não tive vergonha de bater na porta delas”, afirma. Em 2009, a empreendedora fundiu o negócio com a empresa de uma amiga. A consultoria virou, então, Talento Incluir e a amiga se tornou sócia-investidora.

Após acidente, empreendedora cogitou fazer artesanato

Quando sofreu o acidente, em 2001, a empresária tinha 22 anos. Foram três meses de fisioterapia até se adaptar à cadeira de rodas. Jovem, ela diz que tomava medicamentos fortes e chegou a pensar em trocar de área por não poder dar aulas de ginástica laboral como fazia antes. “Pensei que teria de fazer artesanato ou outra atividade em casa. Não me via no trabalho”.


Mas, quando a empresa lhe pediu que voltasse a trabalhar, Ignarra se sentiu valorizada. No início, montava as aulas em casa para os outros professores aplicarem. Depois, começou a ir pessoalmente à empresa. Dois anos após o acidente, deu a primeira aula de ginástica laboral em uma cadeira de rodas.

“Sabia que minha lesão era irreversível. Pensei: ‘se é assim que estou, como posso viver melhor?’ Não me prendi à esperança de voltar a andar”, declara.

Empresas ainda desvalorizam pessoas com deficiência

A maior dificuldade da empresária é crescer em um mercado restrito. Segundo ela, poucas empresas estão dispostas a criar uma política de valorização de pessoas com deficiência física no ambiente de trabalho.


Na opinião dela, a maioria apenas contrata esses profissionais como cumprimento à lei de cotas, que obriga empresas a destinarem uma porcentagem das vagas de emprego a pessoas com deficiência. “Há empresas que contratam, mas deixam a pessoa escondida. Mais do que auxiliar no cumprimento de lei, nós apostamos em envolver funcionário na rotina do negócio”, afirma.

Apesar do desafio, Ignarra diz que a cultura empresarial está começando a mudar. Aos poucos, o mercado parece se abrir para a inclusão de pessoas com deficiência. “Às vezes, nas folgas, as pessoas chegam para me perguntar sobre inclusão e sempre tenho um cartão da minha empresa para entregar. O fato de ter deficiência é um outdoor”, declara.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Fotógrafo palestino que perdeu as pernas em ataque israelense segue trabalhando em Gaza

Manifestantes pedindo a libertação de palestinos em prisões israelenses são fotografadas, na Cidade de Gaza, por Moamen Qreiqea. O fotógrafo de 25 anos perdeus as pernas em um ataque aéreo israelense em 2008, enquanto trabalhava no leste da cidade Suhaib. Foto: Salem/Reuters


Moamen Qreiqea acompanha manifestantes pedindo a libertação de palestinos em prisões israelenses, na Cidade de Gaza, maior cidade da faixa de Gaza, território Palestino ao sul de Israel Suhaib. Foto: Salem/Reuters
Fotógrafo palestino Moamen Qreiqea usa computador em academia na Cidade de Gaza. Apesar da deficiência ele segue trabalhando como fotógrafo na faixa de Gaza, onde foi atingido em 2008 por um ataque aéreo israelense que lhe tirou as pernas. Foto: Suhaib Salem/Reuters
Moamen Qreiqea é ajudado a se acomodar na cadeira de rodas ao chegar à academia com seu irmão, na Cidade de Gaza. Qreiqea, 25, perdeu as duas pernas em um ataque aéreo israelense em 2008, enquanto tirando fotos ao leste da faixa de Gaza, território palestino. Foto: Suhaib Salem/Reuters
Fotógrafo palestino Moamen Qreiqea é ajudado por seu irmão em sua casa na Cidade de Gaza. Qreiqea perdeu as duas pernas em um ataque aéreo israelense em 2008, aos 21 anos, enquanto fotografava o leste de Gaza. Ele está determinado a continuar a carreira, apesar das dificuldades. Foto: Suhaib Salem/Reuters
Moamen Qreiqea, cadeirante e fotógrafo, tira fotos de sua filha em frente à sua casa em Gaza. Qreiqea perdeu suas duas pernas após ataque aéreo israelense em 2008, enquanto tirava fotos em Gaza. Foto: Suhaib Salem/Reuters


‘Ele perdeu a alegria de viver’, diz pai de Guilherme Karam, que sofre de uma doença degenerativa


Longe da TV e dos olhos do público desde 2005, quando fez parte do elenco da novela "América", Guilherme Karam tem vivido os últimos meses isolado em sua casa, na Barra, numa cadeira de rodas.

O ator, de 55 anos, dono de papéis memoráveis na televisão, sofre de uma doença degenerativa, uma síndrome neurológica chamada Machado-Joseph, que compromete a capacidade motora do paciente.

"Ele herdou da mãe. Perdi um filho com a mesma doença. Guilherme fica na cadeira de rodas o tempo todo. Tem horas que ele está lúcido e tem horas que não", diz seu pai, Alfredo.

Guilherme Karam, que também sofre de problemas na coluna, vive sob os cuidados de dois enfermeiros, e recebe, três vezes por semana, a visita de um fisioterapeuta. É o máximo de contato que tem com o mundo externo. Deprimido, não quer receber visitas.

À amiga e autora Gloria Perez, ele pediu que não o visitasse mais. Karam prefere não ver mais TV e nada que lembre seu passado. "Ele não quer falar com ninguém. Está deprimido. E é um ponto de vista que temos que respeitar. Eu, como pai, compreendo e dou toda a assistência que posso", conta Alfredo


Apesar da depressão, a família continua acreditando na recuperação e no retorno do ator ao trabalho: "As pesquisas continuam. Quem sabe não descobrem um antídoto para que ele possa voltar ao que era antes. Ele fica muito triste, era um homem alegre e acabou perdendo a alegria de viver".



Gerson Brenner completa 53 anos e ainda luta para superar os traumas do assalto, em 98

Gerson Brenner hoje, com 53 anos.

                                                                                                                           Foto: Reprodução

No último sábado, Gerson Brenner completou 53 anos. A coluna teve acesso à foto mais recente do ator, que, desde 1998, quando foi baleado na cabeça durante um assalto numa rodovia, luta diariamente para superar os traumas do episódio. Duas vezes por semana, em São Paulo, onde vive, Gerson vai à Fundação Selma, especializada na recuperação de pessoas com deficiência.

Para se manter no tratamento, ele é um dos “adotados” por pacientes com mais condições financeiras. O ator, que anda numa cadeira de rodas, ainda faz sessões semanais de fonoaudiologia.

Esse foi o primeiro Natal de Gerson Brenner sem a mãe, Aselita, que morreu de infarto em setembro. Victoria, sua filha com Denise Tacto, sempre o visita e tem o sonho de seguir a carreira (interrompida) do pai. Procurada pela coluna, a família de Gerson decidiu não falar.

Gerson Brenner na novela 'Corpo dourado', em 1998
Gerson Brenner na novela 'Corpo dourado', em 1998 Foto: Arquivo/TV Globo


Em 1991, Gerson Brenner posa com os atores de 'Rainha da sucata'
Em 1991, Gerson Brenner posa com os atores de 'Rainha da sucata' Foto: Arquivo/O Globo/ Irineu Barreto
Fonte:http://extra.globo.com/famosos/gerson-brenner-completa-53-anos-ainda-luta-para-superar-os-traumas-do-assalto-em-98-7132999.html#ixzz2GCPuuMvi




Livro conta história de Heldy, surdocega que se comunica pelo tato

A história da menina acaba de ser publicada no livro "Heldy Meu Nome -- Rompendo as barreiras da surdocegueira", escrito pela pedagoga Ana Maria de Barros Silva.

                                                 Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress
Quando tinha pouco mais de um ano de idade, tudo que Heldyeine sabia fazer era chorar e se arrastar de costas no chão, o que lhe deixava com falhas no couro cabeludo. Surdocega congênita por causa da rubéola contraída pela mãe na gravidez, a criança parecia isolada.

Pouco a pouco, Heldy foi aprendendo a pegar objetos, andar, alimentar-se, tomar banho, reconhecer pessoas e emoções, expressar desejos e interagir com o mundo, tudo por meio do toque. 

Hoje, aos 21, Heldyeine Soares se comunica por Libras (Língua Brasileira de Sinais) tátil --os sinais são feitos nas mãos, que ficam em forma de concha, para que ela os sinta e os interprete.

Seu mundo, feito de gestos que identificavam coisas e pessoas, foi sendo traduzido para a Libras tátil, o que ampliou suas possibilidades de interação e abstração.

A história da menina acaba de ser publicada no livro "Heldy Meu Nome -- Rompendo as barreiras da surdocegueira", escrito pela pedagoga Ana Maria de Barros Silva, impressionada com o desempenho de Heldyeine.

"Essa é uma história de sucesso que não poderia ficar apagada. Surdocegos congênitos como ela tendem a ficar isolados, não têm esse desenvolvimento", diz a autora, que trabalha há 40 anos com a educação de surdocegos.

Grande parte desse sucesso é mérito da professora aposentada Marly Cavalcanti Soares, do Instituto dos Cegos de Fortaleza, que encarou o desafio de ensinar a menina, apesar de ter poucos recursos e de seu desconhecimento sobre a surdocegueira.

O livro só pôde ser escrito graças aos seus detalhados relatórios do progresso de Heldy. Anotava cada conquista, tirava fotos e fazia vídeos, batizados de "Renascer".

Os textos dão uma ideia de como o progresso foi alcançado e comemorado e mostram como Heldy aprendia rápido e dava sinais de que queria mais. Depois de aprender a andar, já recusava a ajuda da professora para subir escadas, como se pedisse mais autonomia.

Ela logo conseguiu identificar as pessoas --reconhecia a professora pelas blusas com botões e tinha um gesto para cada membro da família.

Parceria
Junto com Marly, a mãe e as irmãs de Heldy lutaram para que a menina se desenvolvesse dessa forma.

De origem simples, a família de Maracanaú (a 15 km de Fortaleza, CE) levava quase duas horas para chegar ao Instituto dos Cegos de Fortaleza de ônibus.  

A mãe, Jane, abandonada pelo ex-marido, cuidava sozinha de Heldy e das duas filhas mais velhas. Apesar das dificuldades, insistia na atenção especial à caçula.

"A Heldy é quem ela é hoje graças a Deus, à minha mãe e à tia Marly, que provou que, por amor, é possível tornar uma pessoa capaz como ela fez", conta Heldijane Cidrao, 26, irmã de Heldy.

Heldijane cuida da irmã desde os cinco anos --era chamada pela professora de "pequena grande mãe". Envolveu-se tanto que se casou com o professor de Libras de Heldy, que é surdo, e se tornou intérprete de surdos e surdocegos. 

"Esse livro me emociona porque ler é como viver tudo de novo. Quando eu tinha seis anos, a tia Marly me colocou no colo e me disse que, quando eu tivesse sede, Heldy também teria e que eu deveria dar água a ela. Quando estivesse com fome, deveria dar algo de comer a Heldy. Hoje tenho uma filha de seis anos e me imagino fazendo tudo que fiz na idade dela."

Agora, Heldy tem bastante autonomia --a família só não deixa que saia na rua sozinha ou cozinhe. Frequenta o Instituto de Surdos de Fortaleza para aprimorar seu conhecimento de Libras e faz bijuterias no tempo livre.

Algumas das anotações da professora Marly que estão no livro são dirigidas diretamente a Heldy. Seu sonho era que um dia a menina pudesse ler sua própria história.

Os primeiros capítulos foram enviados à jovem em braile --ela lê, mas não fluentemente --e o livro todo deve ser lançado nesse formato.

HELDY MEU NOME
EDITORA United Press
PREÇO R$ 22,90 (219 páginas)

Médicos e laboratórios serão obrigados a repassar dados de pacientes com HIV

Karine Melo Da Agência Brasil, em Brasília

Imagem Internet
Médicos e laboratórios que fizerem exames de detecção do vírus HIV serão obrigados a repassar os dados do paciente, em caso de resultado positivo, ao Ministério da Saúde. Atualmente, a Aids está incluída na lista de 40 doenças com notificação obrigatória no ministério, mas o vírus HIV não estava. A portaria que atualiza a lista de notificações compulsórias deverá ser publicada em janeiro de 2013 pela Secretaria de Vigilância em Saúde.

No caso do HIV, o objetivo é conhecer precocemente o status sorológico do paciente e, se for o caso, iniciar o tratamento mais rapidamente. Embora o Brasil tenha hoje 217 mil pessoas em tratamento antirretroviral, segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é que outras 150 mil não saibam que têm o vírus da Aids.

Ainda de acordo com o ministério, a recomendação de notificação do HIV havia sido discutida e acatada pelo governo brasileiro em novembro durante uma reunião da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), no Panamá. O encontro teve a participação de representantes de 30 países da América Latina e do Caribe.

"Essa medida traz dois benefícios: um individual e um coletivo. A pessoa que toma remédio mais cedo não vai desenvolver a Aids. O outro ponto positivo é que quando o paciente começa a tomar o medicamento, a carga viral é diminuída até que fique indetectável. Assim, você quebra a cadeia de transmissão da doença", explica o coordenador da Secretaria de Vigilância Epidemiológica do ministério, Gerson Fernando Mendes.

Uso frequente de aspirina eleva risco de perda da visão em idosos, diz estudo

                                                                                                                                              Imagem Internet

Tomar aspirina regularmente durante períodos prolongados pode aumentar o risco de que a pessoa apresente degeneração macular - transtorno associado à idade que provoca perda de visão. Essa foi a conclusão de um estudo com quase 5.000 participantes realizado nos Estados Unidos.

Baseado em dados colhidos ao longo de 20 anos, o trabalho foi publicado na revista científica Journal of the American Medical Association (Jama, na sigla em inglês).

O aumento nos riscos foi relativamente modesto: participantes que tomaram aspirina regularmente (mais de duas vezes por semana durante três meses) ao longo de dez anos ou mais apresentam quase duas vezes mais riscos de desenvolver degeneração macular do que os que não tomaram o medicamento.

Os riscos de vir a sofrer do problema são de 1% para quem não tomou aspirina e 1,8% para quem tomou. Quando se leva em conta o fato de que um alto número de pessoas consome aspirina com frequência, o aumento no risco passa a ser significativo, dizem os especialistas.

Benefícios da aspirina
A degeneração macular é a principal causa da perda de visão entre pessoas maiores de 60 anos. A enfermidade afeta a mácula - parte do olho que permite à pessoa ver imagens em detalhes - e pode, gradualmente, levar à cegueira. Embora exista um tratamento para retardar a perda de visão, não há uma cura ou forma de recuperar da visão perdida.

Nos últimos anos, estudos vêm apontando os efeitos protetores da aspirinas contra várias enfermidades. Especialistas dizem acreditar, por exemplo, que as propriedades anti-inflamatórias da substância ajudem a prevenir infartes e outros acidentes vasculares. Ela também é usada para aliviar a dor e a inflamação causadas pela artrite. Também há estudos vinculando o usa da aspirina e a proteção contra alguns tipos de câncer.

Como resultado, milhões de pessoas tomam aspirina regularmente no mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que 19,3% da população adulta tome aspirina regularmente. E o consumo tende a aumentar com a idade.

O país também apresenta uma alta incidência de casos de degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Segundo a Macular Degeneration Association, 9 milhões de pessoas maiores de 40 anos sofrem do problema nos Estados Unidos.

Há duas formas de DMRI: a "seca", em que a visão lentamente fica embaçada, tipo que responde pela maioria dos casos. E a chamada DMRI "úmida", menos comum, quando aparecem novos vasos sanguíneos sob a retina, provocando o vazamento de fluidos e levando, eventualmente, à cegueira.

O estudo
Para estudar a relação entre ingestão de aspirina e DMRI, a pesquisadora Barbara Klein, da Faculdade de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin, em Madison, analisou dados de um estudo populacional de doenças oculares associadas à idade.

Klein e sua equipe também fizeram testes de visão nos participantes, que tinham idades entre 43 e 86 anos no início do estudo.Os testes foram feitos a cada cinco anos durante duas décadas. Ao analisar os resultados, a equipe levou em conta fatores como idade, sexo e nível socioeconômico dos participantes.

A incidência de casos de DMRI em indivíduos que haviam ingerido aspirina durante mais de dez anos foi 1,8%. Entre os que não tomaram aspirina, a incidência foi 1 %. A degeneração macular associada ao uso da aspirina é do tipo úmido, segundo os especialistas. Não houve variação no número de casos de DMRI do tipo seco.

'Estatisticamente importante'
"A associação entre o uso regular de aspirina e a incidência de DMRI neovascular (úmida) é pequena, porém estatisticamente importante", ressaltaram os autores.

Eles acrescentaram que é necessário fazer mais estudos para confirmar os resultados.

"Se [os resultados] forem confirmados, é importante definir os mecanismos causais para que se desenvolvam métodos que bloqueiem esse efeito e previnam ou atrasem o desenvolvimento de DMRI neovascular em pessoas que tomem aspirina".