sábado, 23 de fevereiro de 2013

Conselho Tutelar flagra deficiente mental preso em casa de cachorro

Garoto de 14 anos deve ser transferido para hospital psiquiátrico em Maceió e pai poderá responder por maus tratos.
Jobison Barros 

                                                           
Conselho Tutelar flagra deficiente mental preso em casa de cachorro (Fotos: Jobison Barros)


O Conselho Tutelar da 7ª Região, no Tabuleiro do Martins, flagrou um adolescente de 14 anos preso em uma casa de cachorro no Conjunto Santos Dumont, em Maceió. O garoto – que sofre com problemas psiquiátricos – era mantido no local pelo irmão e pelo pai, conforme denúncia. Nesta sexta-feira, conselheiros notificaram o responsável pelo menino e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, para transferi-lo para um hospital psiquiátrico.

O caso foi descoberto depois que vizinhos denunciaram supostos maus tratos sofridos por J.E.A.S., de 14 anos. Conselheiros foram até a casa do acusado e flagraram o menor sendo mantido em cárcere. "Quando o irmão mais velho da vítima percebeu que estávamos lá, ele retirou o adolescente da casa de cachorro. Questionado por nossa equipe, ele alegou que estava apenas dando banho na vítima", informou o conselheiro Arildo Alves de Souza.

O pai do adolescente, José Cícero, 44 anos, que é operador de máquinas agrícolas, negou que mantenha o filho na casa de cachorro. Ele explicou que mantém o adolescente lá "apenas quando ele está agitado". Segundo José Cícero, "não há condições" de deixar a criança "solta" durante crises.

Ele informou ao Conselho Tutelar que tenta, há anos, aposentar o filho, mas que, até agora, não conseguiu êxito. 

Os conselheiros informaram que vão elaborar um relatório e encaminhar ao Juizado da Infância e da Juventude de Maceió, para que sejam tomadas as medidas cabíveis. O pai do adolescente poderá responder por maus tratos, de acordo com o Conselho. A criança deve ser transferida para um hospital psiquiátrico ainda nesta sexta-feira.

Cadeirante denuncia descaso do transporte coletivo com deficiente

                         Agnes Maria                       
                                          


Cadeirante reclama ao Jornal da Manhã do descaso sofrido em relação às companhias de transporte coletivo da cidade, que não tratam o usuário portador de necessidades especiais da maneira correta.

Esta semana, o cadeirante Ivan José da Silva estava no ponto de ônibus aguardando o transporte coletivo que o levaria a um compromisso pessoal. “Quando o ônibus chegou à rampa, não funcionou, e eu tive que esperar o próximo. Essa situação é recorrente. As empresas não fazem a manutenção das rampas, por isso sempre enfrento esse problema”, conta.

Ivan relata ainda que por diversas vezes foi maltratado por funcionários da empresa, que inclusive alegaram não poder levá-lo porque o veículo estava lotado. “Eu, como cadeirante, sofro isso sempre. Tem dia que passam dois a três carros e eu não posso embarcar”, lamenta. Segundo ele, alguns motoristas não são treinados para utilizar o maquinário, utilizam de força e até chutam, o que contribui para que a rampa estrague.

De acordo com o superintendente de Transportes da Secretaria de Planejamento (Seplan), Claudinei Nunes, nenhum funcionário das empresas pode alegar que o ônibus está cheio, porque o espaço do cadeirante é reservado, muito menos destratar passageiro e demonstrar que não sabe utilizar o equipamento, pois todos eles são instruídos para isso. “Precisamos que a população denuncie essas situações para que possamos autuar a empresa. Ações como essa são passíveis de demissão”, informa Claudinei.

O superintendente relata que todos os ônibus são vistoriados e que não saem à rua com problemas, o que pode acontecer é a quebra durante o caminho. Ele informa ainda que para a população denunciar deve entrar em contato com o Departamento, informando o horário da ocorrência e o nome da linha. As reclamações podem ser feitas pelo telefone 3318-0408, de segunda a sexta, das 5h30 até as 23h30; no sábado, das 7h às 22h, e no domingo, das 7h às 19h.

Peso é ponto de divergência entre usuários e prestadores do serviço. De acordo com Claudinei Nunes, as rampas não suportam um peso superior a 250 quilos e Ivan passaria por esse problema por ter cadeira elétrica. Ele informa ainda que em casos como esse, a Seplan não possui nenhuma solução a oferecer ao usuário. Segundo consta, uma cadeira de rodas elétrica não passa de 70 quilos. Outro cadeirante, que prefere não se identificar e que utiliza um tipo de cadeira parecida, diz que se o problema for o peso, as rampas estão inadequadas. “O fato é a ausência de manutenção. Os próprios motoristas reclamam dessa falta de cuidado da empresa com os ônibus. Eles listam os defeitos e mesmo assim são obrigados a sair no dia seguinte sem que estes tenham sido solucionados.”

Ministério do Trabalho formaliza profissão de audiodescritor

                                                                            Imagem Internet                                              
                                                         
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta quinta-feira (31/01/2013) a atualização da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A revisão contou com a inclusão e exclusão de 60 ocupações, famílias ocupacionais e sinonímias. O arquivo passa a conter agora 2.619 ocupações, entre elas a profissão de audiodescritor.


"Os trabalhadores sentem-se amparados e valorizados ao terem acesso a um documento elaborado pelo governo que identifica e reconhece seu ofício. As inclusões das ocupações na CBO têm gerado, tanto para categorias profissionais quanto para os trabalhadores, uma maior visibilidade, um sentimento de valorização e de inclusão social", destaca o diretor do Departamento de Emprego e Salário do MTE, Rodolfo Torelly.

As novas atualizações buscam atender as demandas do público em geral e entidades governamentais como: Ministério da Saúde; do Desenvolvimento Social; do Turismo; Secretária de Direitos Humanos; Policia Federal; Classificação Internacional Uniforme de Ocupações (CIUO) da Organização Internacional do Trabalho; entre outros.

A CBO retrata a realidade das profissões do mercado de trabalho brasileiro. A atualização e modernização do documento ocorrem para acompanhar o dinamismo das ocupações e mudanças econômicas, sociais e culturais pelas quais o país passa. Essas modificações e inclusões são elaboradas com a participação efetiva de representantes dos profissionais de cada área, em todo o país.

Aplicação - A CBO é utilizada pelo MTE na confecção da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no cruzamento de dados do Seguro-Desemprego e na formulação de políticas públicas de geração de emprego e renda.

Outras instituições governamentais utilizam a CBO para seus produtos, como a Declaração de Imposto de Renda, o cadastramento no INSS, em políticas públicas de Saúde, no Censo Educacional e em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte:http://www.blogdaaudiodescricao.com.br -   Imagem Internet    

CPB e Ministério do Esporte firmam convênio

                                        


O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e Ministério do Esporte firmaram um convênio para o ano de 2013 no valor de R$ 38.834.471,85. Esse total contemplará as modalidades de atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, ciclismo, esgrima, futebol de 5 (cegos), futebol de 7 (paralisados cerebrais), goalball (cegos), halterofilismo, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas, remo, vela, tiro esportivo e vôlei sentado. Atletismo e natação poderão utilizar parte de seus recursos em 2014.
O objetivo é a preparação específica e de alto nível as seleções permanentes e aos jovens atletas visando os Jogos Paralímpicos do Rio-2016. As ações envolvidas neste convênio são: fases de treinamento, intercâmbios internacionais, participações em competições nacionais e internacionais, aquisição de materiais esportivos e contratação de recursos humanos.
O convênio foi publicado no Diário Oficial da União em 24/12/2012. O primeiro repasse, no valor de R$ 16.708.223,72, foi feito em 04/02/2013. O convênio é o maior já firmado entre o CPB e o Governo Federal, via Ministério do Esporte. Para 2012, por exemplo, o acordo entre Ministério e Comitê Paralímpico brasileiro era de R$ 8,730.291,37.
“Esta parceria com o Ministério do Esporte é extremamente importante porque nos dá condições inéditas para desenvolvermos o Movimento Paralímpico brasileiro e trabalharmos firme no objetivo de chegar ao quinto lugar nos Jogos do Rio-2016”, comentou Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Guia prático: o direito de todos à educação

                                                   

Faça download neste link. 


O ‘Guia Prático: O direito de todos à educação’ foi desenvolvido por meio da parceria do Ministério Público do Estado de São Paulo e a SORRI-BRASIL. A presente cartilha apresenta um diálogo com os Promotores de Justiça do Estado de São Paulo, trabalhando as questões do direto de todos à educação.

Apresentação
Os avanços do nosso país, e de nosso Estado, na área de educação são incontestes. A implementação da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva é um fator que contribuiu e contribui inegavelmente para a construção de um sistema educacional universal, público, gratuito e de qualidade, onde a diversidade é um valor democrático a ser cultivado.


A atuação dos promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo em relação aos direitos das pessoas com deficiência, como em todas as demais áreas, é decisiva para a promoção da justiça e equidade social. No entanto, era necessário o alinhamento conceitual, bem como a oferta de subsídios, para que a prática dos promotores se tornasse uniformizada e cada vez mais resolutiva no campo da educação das pessoas com deficiência.

Esperamos que o esforço de produzir este Guia, que não foi pequeno e envolveu o investimento de muitas horas de trabalho dos autores que, por sua vez, dedicaram-se incansavelmente à consecução deste produto, venha a ser recompensado pelo envolvimento do conjunto de Promotores de Justiça do Estado de São Paulo.

Desejamos que este Guia se torne uma ferramenta efetiva e de uso frequente no cotidiano de nossos colegas, na defesa e garantia da cidadania das pessoas com deficiência que, indubitavelmente, têm, na educação, uma
base de construção de uma sociedade inclusiva.


Fernando Grella Vieira
Procurador-Geral de Justiça


Escola que se recusar a matricular autista será punida

Gestores receberão multa e poderão perder o cargo; lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff.


Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo

Imagem Internet

Gestores de escolas que se recusarem a matricular alunos com transtorno de espectro autista serão punidos com multa e, em caso de reincidência, poderão perder o cargo. A regra integra a Política de Proteção dos Direitos de Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, sancionada semana passada pela presidente Dilma Rousseff.

“A lei representa um passo importante, mas, agora, tem de ser colocada em prática”, afirmou a presidente da Associação Brasileira de Autismo, Marisa Furia Silva. O texto prevê a participação da sociedade em todas as etapas da política: desde a implantação até o controle da execução das ações.

Para Marisa, um dos maiores avanços do texto é deixar claro que o autista deve ser considerado como deficiente. “Até hoje, pessoas com transtorno estavam à margem do sistema de atenção”, avaliou. Ela conta que em muitos casos havia dúvida se o tratamento deveria ser feito na área de saúde mental, se o autista deveria ter assegurada todas as garantias previstas na política de pessoas deficientes. “Isso agora está resolvido.” O mesmo ocorre com o acesso à educação. “Como todo cidadão, o autista deveria ter assegurado todo atendimento e assistência. Mas isso, muitas vezes, ficava apenas no papel: incluindo as vagas nas escolas.”

A lei assegura a participação da comunidade na elaboração e controle da política. As ações deverão ser feitas de forma intersetorial. “A ideia é criar estratégias dentro de várias áreas: saúde, educação, previdência”, completa a presidente da associação.
A lei foi batizada de Berenice Piana, em homenagem à autora do projeto apresentado no Congresso, também mãe de autista. A ideia é assegurar, com a norma, acesso a ações e serviços de saúde, educação, ensino profissionalizante, à moradia, ao mercado de trabalho e à previdência e assistência social.

Marisa considera essencial garantir o diagnóstico precoce da doença. “Há ainda muito o que se melhorar”, avalia. Ela observa, no entanto, que quanto melhor a qualidade da assistência, menor o gasto, tanto do governo quanto das famílias de autistas.

Outro ponto importante, completa, é a formulação de um sistema de tratamento para pacientes em todas as fases da vida: desde a infância até a terceira idade. “Quem vai cuidar do idoso autista? Os pais morrem, os irmãos possivelmente também já estarão na terceira idade.”Ações para crianças, para estudantes, jovens e idosos”.

De acordo com o governo, para cumprimento das diretrizes de saúde, educação e ensino profissionalizante, o poder público poderá firmar contrato de direito público ou convênio com pessoas jurídicas de direito privado.

Fonte:http://www.estadao.com.br - Imagem Internet

Como obter a isenção na compra de carros para deficientes

                                                                                                                          Imagem Internet                                         


Caso o deficiente se enquadre no grupo dos Condutores, ele deverá:

1º) tirar ou mudar o tipo da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O interessado deve conseguir a carta especial no Departamento de Trânsito do seu Estado -a única diferença em relação a carteira de habilitação normal é uma junta de médicos que examina a extensão da deficiência e desenvoltura do candidato. Deverá, então, passar por perícia médica (credenciada ao Detran). Em seguida, com o resultado do laudo, terá que se matricular em um Centro de Formação de Condutores (CFC) para fazer a prova teórica. Para a realização do teste prático, o candidato precisa procurar uma autoescola (que tenha um carro adaptado). Na carteira ficará discriminado o tipo de veículo que o condutor está apto a guiar.

2º) Para obter isenção do IPI e do IOF, o deficiente deve procurar a Receita Federal e montar um processo (reunir documentos e laudo da perícia médica) para cada tipo de imposto que requisitar o não-pagamento. Não há nenhuma taxa para pedir o benefício. O formulário pode ser encontrado no site da instituição: http://www.receita.fazenda.gov.br . (Clique aqui para ter acesso ao documento) .

3º) Quando já estiver com o documento da Receita, que libera a isenção do IPI, o solicitante vai até uma loja de carros e escolhe o modelo adaptado no valor de até R$ 70 mil. (Clique aqui e veja reportagem sobre o desconto). A concessionária dará uma carta, relatando o modelo selecionado pelo consumidor. (Clique aqui e veja os modelos automáticos disponíveis no mercado).

4º) Com a carta da loja em mãos, o consumidor pode dar entrada na Secretaria da Fazenda (de seu Estado) e pedir a anulação da taxa do ICMS.

5º) Com todos os documentos, o deficiente já pode comprar o carro.

6º) Depois é necessário passar pelo Detran, para que no documento do veículo tenha a seguinte observação: ?intrasferível?. Para não pagar o IPVA, o consumidor também deve pedir a isenção da taxa no local ou lembrar o despachante, que vai cuidar de seu caso.

7º) Para conseguir a liberação do rodízio, é preciso pedir o benefício no Departamento de Operação do Sistema Viário de São Paulo (DSV).

Para o grupo dos ?Não-Condutores? é necessário:

1º) Passar por perícia de um médico credenciado no SUS (Sistema Único de Saúde). É importante levar o formulário da Receita Federal (para cada deficiência há um tipo) ? o documento está disponível no site: www.receita.fazenda.gov.br. Atenção: para o grupo dos ?Não-Condutores? não é preciso que o deficiente tenha habilitação para dirigir, já que o motorista será uma outra pessoa indicada por ele.

2º) Quando o deficiente tem autismo, Síndrome de Down ou problema mental, mas tem até 16 anos, os representantes legais podem recorrer ao benefício da isenção do IPI por ele. Porém, se o deficiente tiver mais de 16 anos, os responsáveis terão que entrar na Justiça para pedir por esse direito.

3º) Neste grupo, o automóvel com desconto sai no nome do deficiente. No entanto, os representantes legais dirigem ou podem indicar até três condutores para esse veículo.

DEPOIS DE QUANTO TEMPO O CARRO PODE SER VENDIDO?

Caso o deficiente tenha pedido só a isenção do IPI, ele não poderá vender o veículo até 2 anos depois da compra. Porém, se tiver conseguido a liberação de outra taxa, fica impedido de vender o automóvel durante 3 anos após a compra.

Se o deficiente tiver alguma dificuldade para conseguir o processo sozinho, ele pode procurar empresas especializadas no assunto. Em São Paulo, por exemplo, a “Névia Isenções” faz esses procedimentos. O endereço é rua Dr. Neto de Araújo, 320 - cj 205, na Vila Mariana. Mais informações pelo telefone (11) 5082-3111. Há também empresas especializadas em adaptações de automóveis para deficientes. Uma das opções no mercado é a Cavenaghi. O site é http://www.cavenaghi.com.br/.

Fonte:http://www.carrosparadeficientes.com.br -     Imagem Internet



Alckmin amplia isenção de ICMS para veículos novos a pessoas com deficiência e autistas

Pessoas com deficiência física, intelectual ou visual poderão comprar veículos zero com isenção de ICMS apontando até três condutores.
                                                                                                                                       Mauricio Rummens
                                                 
Alckmin durante reunião para assinatura de ampliação da isenção de ICMS na venda de veículos novos para pessoas com deficiência

Nesta quarta-feira, 20, foi assinado pelo governador Geraldo Alckmin um decreto que concede isenção do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para veículos zero quilômetro adquiridos por pessoa com deficiência física, visual, intelectual severa ou profunda e autistas. 

"A grande novidade é a extensão da isenção que anteriormente beneficiava apenas as pessoas com deficiências físicas habilitadas a conduzir o próprio veículo. O beneficiário [agora] não precisa ser necessariamente o condutor, podendo indicar até três pessoas para essa função", esclareceu o secretário de Estado da Fazenda, Andréa Calabi.


O governador Alckmin ressaltou a importância do decreto. "Isto significa liberdade e inclusão. Nós estamos fazendo acessibilidade em todas as estações de metrô, todas as estações de trem, todos os nossos equipamentos públicos para facilitar a vida das pessoas com deficiência e agora quem puder também adquirir o automóvel vai ter esse estímulo, o carro 12% mais barato sem nenhum imposto do Estado de São Paulo", disse.

Condições
A isenção poderá ser solicitada uma única vez no período de dois anos contados da data da aquisição do veículo de valor até R$ 70 mil. Para ter direito à aquisição do veículo zero quilômetro sem ICMS, o interessado ou seu representante legal deve apresentar em uma unidade da Secretaria da Fazenda os seguintes documentos:

- Laudo médico que comprove o tipo de deficiência ou o autismo;
- Comprovação de disponibilidade financeira ou patrimonial para fazer frente aos gastos com a aquisição e a manutenção do veículo a ser adquirido;
- Cópia autenticada da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) dos condutores;
- Comprovante de residência.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dispositivo garante visão parcial a cegos

Pam belluck do "New York Times"  - (Tradução Clara Allain) 

                            magem Internet

A FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA) aprovou na quinta-feira o primeiro tratamento para proporcionar visão limitada a cegos, envolvendo uma tecnologia conhecida como retina artificial.

Com o dispositivo, pessoas que apresentam um tipo determinado de deficiência visual grave conseguem detectar faixas de pedestres nas ruas, a presença de pessoas ou carros e, em alguns casos, até mesmo números ou letras grandes. A aprovação do sistema é um marco numa nova fronteira das pesquisas com visão, um campo em que cientistas vêm alcançando avanços grandes com terapia genética, optogenética, células-tronco e outras estratégias.

"Isto é apenas o começo", disse Grace Shen, diretora do programa de doenças retínicas no National Eye Institute (instituto nacional dos olhos), que ajudou a financiar a pesquisa com retinas artificiais e está dando suporte a muitos outros projetos de terapias para deficiência visual grave. "Temos muitas novidades emocionantes quase prontas para sair."

A retina artificial é uma folha de eletrodos implantada no olho. O paciente também recebe óculos com câmera e processador de vídeo portátil acoplados. Conhecido como Argus II, o sistema permite que sinais visuais passem ao largo da parte danificada da retina e sejam transmitidos ao cérebro.

Com a retina artificial, ou prótese retínica, um cego não consegue enxergar no sentido convencional do termo, mas pode identificar os contornos e limites dos objetos, especialmente quando há contraste entre luz e sombra --por exemplo, fogos de artifício contra um céu noturno ou meias brancas misturadas com pretas.

"Sem o sistema, eu não poderia enxergar nada. Se você estivesse diante de mim e se movesse para a esquerda ou para a direita, eu não saberia", comentou o encanador aposentado Elias Konstantopoulos, 74 anos, de Baltimore, um dos 50 americanos e europeus que vêm usando o dispositivo em testes clínicos. Ele disse que o aparelho lhe permite diferenciar o meio-fio da rua e detectar os contornos de objetos e pessoas. "Quando você não tem nada, isso é alguma coisa. É muita coisa."

A FDA aprovou o Argus II, fabricado pela Second Sight Medical Products, para o tratamento de pessoas com retinite pigmentosa grave, na qual as células fotorreceptoras, que recebem a luz, se deterioram.

A câmera ocular capta imagens que o videoprocessador traduz em desenhos pixelados de luz e sombra, transmitindo-os aos eletrodos. Estes, por sua vez, os enviam ao cérebro.

"As questões que este dispositivo colocou para a FDA foram muito novas", comentou a Dra. Malvina Eydelman, diretora da Divisão de Dispositivos Oftalmológicos e de Otorrinolaringológicos da FDA. "Trata-se de um grande avanço para todo o campo da oftalmologia."

Cerca de 100 mil americanos sofrem de retinite pigmentosa, mas num primeiro momento entre 10 mil e 15 mil poderão ser beneficiados com o Argus II, segundo a empresa. Para isso, as pessoas precisam ter mais de 25 anos, terem tido vista útil anterior e terem deficiência visual tão grave que o dispositivo representaria uma melhora para elas.

Mas especialistas disseram que a tecnologia é promissora para outros cegos também, especialmente os que apresentam degeneração macular avançada e relacionada à idade --a maior causa de perda de visão entre pessoas mais velhas, que afeta cerca de 2 milhões de americanos. Cerca de 50 mil pessoas teriam deficiência visual suficientemente grave para que o dispositivo as ajudasse, disse o Dr. Robert Greenberg, executivo-chefe da Second Sight.

Na Europa, o Argus II foi aprovado em 2011 para o tratamento de cegueira grave decorrente de qualquer tipo de degeneração retínica externa, mas até agora está sendo vendido para retinite pigmentosa. Nos Estados Unidos serão necessários testes adicionais para que essa aprovação seja conseguida.

Com o tempo, disse Greenberg, a empresa pensa em implantar eletrodos diretamente no córtex cerebral, "para podermos tratar cegueira de qualquer origem".

Num primeiro momento o Argus II será disponibilizado em sete hospitais de Nova York, Califórnia, Texas, Maryland e Pensilvânia. O dispositivo vai custar cerca de US$150 mil, valor que não inclui a cirurgia e o treinamento. A Second Sight disse estar otimista quanto às chances de o seguro-saúde cobrir o custo do sistema.

O Argus II foi desenvolvido ao longo de 20 anos pelo oftalmologista e engenheiro biomédico Mark S. Humayun, da universidade de Southern California. Parte do financiamento veio de fontes privadas e do Fundação Nacional dos Olhos, a Fundação Nacional de Ciência e o Departamento de Energia, todos organismos federais.

Humayun disse que enxerga a possibilidade de aplicar a tecnologia a outras condições além da deficiência visual, implantando eletrodos em outras partes do corpo para tratar problemas de controle da bexiga, por exemplo, ou de paralisia da espinha. "Não visualizamos o corpo humano como uma grade elétrica, mas ele funciona com impulsos elétricos", ele explicou.

O Argus II foi aprovado sob um programa especial da FDA que o descreveu como "dispositivo de uso humanitário", descrição que, segundo Eydelman, se aplica a terapias que serão usadas para menos de 4.000 pessoas por ano. O Argus II é apenas a 57º isenção concedida pela agência para aparelhos humanitários. As empresas que buscam a aprovação de dispositivos humanitários podem conduzir provas clínicas muito menores --a Second Sight apresentou dados relativos a apenas 30 pacientes-- e só precisam apresentar provas da segurança de uso e do "benefício provável" de uso do aparelho, não provas de sua eficácia, disse Eydelman.

A FDA colaborou com a Second Sight para desenvolver maneiras de medir os benefícios, incluindo tarefas como caminhar por uma calçada sem sair dela e juntar meias brancas, cinzas e pretas com seus pares.

Dos 30 pacientes que participaram dos testes clínicos do dispositivo, 11 apresentaram um total de 23 efeitos negativos, disse o FDA, incluindo descolamento da retina e erosão da esclera.

Eydelman disse que a empresa "tomou medidas substanciais" para resolver os problemas de segurança de uso, fazendo "muitas modificações no dispositivo". De acordo com Greenberg, apenas duas pessoas precisaram ter o implante removido. Em setembro passado, um grupo de assessoria do FDA votou por unanimidade pela aprovação do aparelho, concluindo que seus benefícios superam os riscos.

Alguns pacientes apresentam mais melhoras que outros, por motivos que a empresa ainda não pôde determinar. Kathy Blake, de Fountain Valley, Califórnia, contou que vem tendo êxito com um exercício da Second Sight para verificar se os pacientes conseguem identificar números ou letras grandes sobre uma tela de computador.

O advogado Dean Lloyd, de Palo Alto, Califórnia, contou que num primeiro momento se perguntou "será que vale a pena gastar todo esse tempo e dinheiro? Pensei que não, inicialmente." No início apenas nove dos 60 eletrodos estavam funcionando, mas com o tempo seu implante foi ajustado de modo que mais eletrodos reagiram, e hoje 52 deles funcionam. Lloyd consegue enxergar clarões de cor, algo que nem todos os pacientes conseguem; ele usa os óculos e o videoprocessador constantemente.

"Se não estou usando, é como se eu estivesse sem calças", ele explicou. "Já cheguei a adormecer com esta coisa."

Stephen Rose, diretor de pesquisas da Fundação para o Combate à Cegueira, que apoiou os trabalhos muito iniciais de Humayun mas não os financiou desde então, disse que, com o tempo, a retina artificial será apenas uma das opções para ajudar os deficientes visuais.

"Acho que as possibilidades são tremendas", ele comentou. "Não estou minimizando a importância da prótese retínica, não me entenda mal. Ela é importantíssima para algumas pessoas e já existe."

Barbara Campbell, 59 anos, aprecia o fato de o aparelho ajudá-la a andar pelas ruas de Manhattan, localizar o ponto de ônibus e enxergar a lâmpada na entrada de seu edifício quando está andando de táxi. Mas o mais emocionante é que ele a ajuda a apreciar museus, teatro e concertos.

Num show de Rod Stewart, ela contou, "consegui enxergar o cabelo dele", loiro quase branco sob os holofotes. Num concerto de Diana Ross, apesar de Campbell estar sentada longe do palco, a cantora "estava usando uma roupa brilhante, e eu consegui enxergá-la".

Mas ela não teve a mesma sorte num show de James Taylor. A roupa discreta dele não gerou contraste que a retina artificial conseguisse registrar. Uma pena: "Ele não brilhou tanto", disse Campbell.

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br -Imagem Internet

É preciso perder o medo mútuo entre escola e autistas

Profissionais da educação e da saúde defendem a escola como uma das grandes forças para o bom desenvolvimento do portador da Síndrome de Asperger.
da Redação
                                                                                                    Imagem Internet
                                                     


“Ainda existe uma grande dificuldade da escola regular para lidar com a neurodiversidade”, declara a médica Fátima Dourado. A afirmação foi sentida nas angústias dos pais e portadores de Asperger ouvidos pelo O POVO. “O mais difícil de tudo é encarar a escola. Não existem profissionais treinados para receber as crianças”, diz uma das mães. “A escola tem um modelo padrão de tudo para seguir. É doloroso saber que os seus filhos não são bem aceitos”, desabafa um pai.

A Política de Proteção dos Direitos de Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, sancionada pela presidente Dilma Rousseff na última semana de dezembro de 2012, prevê punições aos gestores de escolas que se recusarem a matricular alunos com autismo. A rejeição pode provocar multas aos diretores, e, em caso de reincidência, a perda do cargo. A lei, batizada de Berenice Piana, em homenagem à autora do projeto apresentado no Congresso, também mãe de autista, fala ainda acerca da participação da sociedade em todas as etapas da política: desde a implementação até o controle da execução das ações.

Para os pais de crianças e adolescentes com Asperger, a lei é importante, embora a grande preocupação seja ainda a forma como a escola conduz o processo de ensino-aprendizado deles.

A professora da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Ceará (UFC) Rita Vieira defende que, apesar do medo dos pais, é importante matricular a criança na escola. “Nenhuma criança deve ficar de fora da escola, que tem a obrigação não somente de aceitar, mas de cuidar da melhor maneira e com as particularidades necessárias ao bom desenvolvimento dela”, diz Rita, que é phd em psicopedagogia e pesquisadora no campo da inclusão escolar.

A psicomotricista Clarissa Leão reforça que no ambiente escolar, os “aspis” costumam apresentar bom desempenho nas primeiras séries e podem inclusive aprender a ler sozinhas. A médica Fátima Dourado completa que crianças com Asperger não apresentam deficiência intelectual e precisam da convivência com os seus pares cronológicos para o desenvolvimento acadêmico e social.

Inclusão nas públicas
A pesquisadora Rita Vieira afirma que a escola pública municipal está mais à frente no processo de inclusão do que as escolas particulares da Capital. “Existe, hoje, na maioria das escolas, professores treinados pela Universidade que atuam em salas de recursos multifuncionais, responsáveis por realizar atendimento em educação especial. No caso dos autistas, eles são orientados para agir no processo de socialização e interação”.

A professora Rita diz é possível perceber, cada vez mais, um fluxo de pais que mudam os filhos da escola particular para a pública em busca de melhor acolhimento. “As escolas de maneira geral ainda deixam muito a desejar no aspecto da inclusão. Porém, a concepção de incluir ainda é mais falha na rede particular do que na pública; pelo menos, na rede municipal. Poucas particulares conseguem fazer isso de fato. Na públicas, o processo já andou mais”, defende a acadêmica. (Sara Rebeca Aguiar)

Dicas de livros, filmes, sites e serviços 

Livros 
Olhe nos meus olhos
Síndrome de Asperger no ensino fundamental
Asperger no feminino
Tudo sobre a Síndrome de Asperger
Compreender a Síndrome de Asperger
A Síndrome de Asperger
Autismo e Cérebro Social (Fátima Dourado)
Filmes
Meu nome é Khan
Ben-X
Adam
Loucos de Amor
Mary & Max
Muito além do jardim

Sites
www.autismobrasil.org
www.apsa.org.pt (o site da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger – Apsa é considerado um dos melhores sobre o assunto. Além de ricas informações sobre a síndrome, traz guias para pais e professoras. A página disponibiliza ideias de atividades em sala de aula, um grande apoio aos professores. Há também mais dicas de livros e filmes).

Saiba mais 
A Síndrome de Asperger é reconhecida, hoje, como um dos transtornos do espectro do Autismo. Foi descrita pela primeira vez em 1943 por Hans Asperger, pediatra austríaco. Ele descreveu características comuns como isolamento social, linguagem precoce e formal, grande dificuldade na comunicação não verbal, incluindo gestos e expressão facial, desajeitamento motor e fixação em assuntos não usuais.

Onde se informar 
Centro Internacional de Análise Relacional (Ciar)
Realiza trabalhos que objetivam desenvolver o potencial do ser humano, elevando sua qualidade de vida socioafetiva e profissional. Presta serviços nas áreas de terapia, educação e saúde.
Endereço: Rua Monsenhor Catão, 1.179, Aldeota. (Fortaleza-CE)
Telefone: (85) 3244 1779
Site: www.ciar.com.br

Casa da Esperança 
Realiza trabalho com crianças e jovens autistas. Possui equipes multiprofissionais para atendimento. É credenciada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Faz parte de um movimento mundial de luta pela saúde, educação e dignidade de pessoas autistas.
Endereço: Rua Francílio Dourado, 11, bairro Água Fria.(Fortaleza-CE)
Telefone: (85) 3081 4873
Site: www.autismobrasil.org

Fonte: O Povo - Imagem Internet

Exército dos EUA aposta em máscara para tratar queimaduras de face

Nova técnica busca usar microcanais para tirar os fluidos da ferida.

                                            
  Lesões sofridas por Todd Nelson eram tão ruins que os médicos achavam que ele não sobreviveria


Especialistas nos Estados Unidos estão desenvolvendo uma máscara especial para tratar feridas abertas de pacientes com graves lesões de pele na face.
A terapia seria um grande avanço em uma área da medicina reconstrutiva que tem avançado lentamente nas últimas décadas e enfrenta vários desafios.
Os resultados do tratamento de um ex-sargento do Exército americano ilustram as dificuldades enfrentadas por especialistas na recuperação de graves ferimentos de pele.
As lesões sofridas por Todd Nelson eram tão ruins que os médicos achavam que ele não sobreviveria.
— Eu estava no meu comboio em Cabul, no Afeganistão. Estávamos indo para casa à noite quando passamos ao lado de um típico carro amarelo e branco. Quando eles nos viram passando, detonaram a bomba. A explosão aconteceu no meu lado do caminhão, eu estava no lado do passageiro. O caminhão foi arremessado contra uma parede de tijolos e estilhaços entraram no meu olho direito, na minha cavidade sinusal. Ambos os meus maxilares superiores e inferiores foram esmagados, assim como os osso ao redor do meu olho direito, e minha testa foi esmagada. A explosão queimou meu braço direito e minha cabeça, [e] cortou minha orelha direita fora.
Nelson passou por mais de 40 operações para reconstruir seu rosto. As cicatrizes são evidentes, mas o que não é tão aparente é a dor que ele ainda se sente em partes de seu corpo.
Nada funciona
O veterano agora trabalha com o coronel Robert Hale, do Instituto de Pesquisa Cirúrgica do Exército dos EUA, como parte de um painel consultivo. A dupla falou com repórteres em Boston, na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).
O coronel Hale está tentando desenvolver novas técnicas que darão a soldados feridos melhores resultados. Algumas lesões de Nelson destruíram todas as três camadas principais da pele — a epiderme, derme e hipoderme (superior, intermediário e inferior) — chegando até ao periósteo, a membrana que recobre o osso.
— A maneira como tratamos a condição de Todd tem sido usada por cerca de 30 e poucos anos. E não evoluiu muito. Nós basicamente removemos o tecido morto, mantemos o doente na cama da melhor maneira possível, e então cobrimos com enxertos de pele de espessura parcial retirada de sua coxa ou em algum lugar que não foi queimado em seu corpo. É uma maneira bem sucedida para fechar a ferida, mas deixa muita fibrose e cicatrizes que o cara simplesmente não pode tolerar. Se você tem um monte de cicatrizes e fibrose, o rosto não funciona como deveria. As pálpebras não fecham, o nariz não funciona, a boca não funciona.
Desenvolvimentos de curto prazo
Uma das grandes inovações dos últimos anos tem sido a terapia de pressão negativa. Isso envolve a selagem de uma espuma no fundo de uma ferida aberta, com sucção, para ajudar a condição dos tecidos de base e prepará-los para receber um enxerto. Pacientes preferem esta terapia, pois reduz o número de trocas de curativos dolorosos.
— Isso revolucionou nosso cuidado de feridas abertas', disse Hale, 'mas não podemos usá-lo no rosto, porque existem muitas áreas que vazam (fluidos) em torno da espuma de silicone, como as pálpebras, o nariz, e a boca.
Os médicos do Exército dos EUA estão, portanto, tentando desenvolver uma máscara especial que iria fazer o mesmo trabalho.
Em vez de usar uma espuma, seriam usados microcanais na máscara para tirar os fluidos da ferida. Em seguida, são usadas folhas moldadas, de pele artificial, para construir a camada intermédia, a derme, antes de se adicionar o enxerto externo empregando novas camadas de pele, de 20 células de espessura, retiradas de outra parte do corpo.
Para a camada mais profunda, a hipoderme, está sendo considerado o uso de gordura do abdômen, a ser injetado sob feridas em cicatrização.
— Todas as tecnologias que eu estou explorando atualmente em meu laboratório e que estou financiando em outros laboratórios de pesquisa são coisas que já estão ao nosso alcance. Em uns cinco, seis ou sete anos, devemos ter produtos e estratégias que podem ser aplicadas aos soldados que foram feridos na guerra, e tudo isso deve ser transponível para o público em geral.
BBC Brasil - Todos os direitos reservados

Acessibilidade para a segurança de todas as pessoas

Acessibilidade para a segurança de todas as pessoas.

Izabel Maria Madeira de Loureiro Maior*
                                                                                                           Imagem Internet
                                             

A segurança das pessoas, que deveria ser a regra, somente é lembrada na comoção que segue uma tragédia, como a que tirou a vida de mais de duas centenas e deixou mais de cem frequentadores da boate “Kiss” com lesões severas (ainda com ameaça de morte), a maioria jovens universitários de Santa Maria, na madrugada do dia 27 de janeiro. Encontravam-se encurralados sem o saber - e foram submetidos ao fogo e à asfixia criminosa.

Com um soco no estômago e forte dor de consciência, o Brasil acordou para a precaríssima fiscalização a cargo do poder público, que se soma à negligência de empresários que exploram atividades em recintos fechados e recebem grande público. Esses locais também podem ser de propriedade ou operados pelo próprio governo e não nos causa surpresa serem lá encontradas as mesmas condições de desrespeito pela vida humana.

Em Santa Maria não houve fatalidade, e sim uma cadeia de irresponsabilidades da qual até agora não se conhecem nem o fim nem o começo, tampouco o grau de culpabilidade dos envolvidos. Quem não estava lá sabe que pode ter corrido risco igual - ou estar prestes a cair em semelhante arapuca.

"Reação" está sendo a palavra de ordem nos últimos dias. Ação preventiva entrou em cena, como nunca poderia ter deixado de acontecer. Estabelecimentos, agora vistoriados às pressas e lacrados por não apresentarem condições de funcionamento, eram indevidamente tolerados.

Os frequentadores como idosos, crianças e pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida não têm a mínima chance de sobrevivência nas “boates Kiss” que existem ao largo. E não é por falta de regras de acessibilidade. Tanto as normas técnicas de construção e de segurança como o Decreto nº 5.296/2004 determinam as condições obrigatórias a serem cumpridas. Este decreto contém parâmetros de acessibilidade, no conceito do desenho universal, que não são específicos para as pessoas com deficiência, já que teriam salvado a vida dos frequentadores da festa trágica. O decreto diz o seguinte:

Art. 23. Os teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, casas de espetáculos, salas de conferências e similares reservarão, pelo menos, dois por cento da lotação do estabelecimento para pessoas em cadeira de rodas, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT.

§ 4o Nos locais referidos no caput, haverá, obrigatoriamente, rotas de fuga e saídas de emergência acessíveis, conforme padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a fim de permitir a saída segura de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, em caso de emergência.

O texto é de fácil entendimento pelo proprietário ou operador dos espaços, pelo profissional que os projeta e ainda mais corriqueiro para os agentes públicos que concedem a multiplicidade de documentos indispensáveis (será mesmo?) para que entrem em funcionamento. Entretanto, via de regra, nada é inspecionado como deveria e as mudanças necessárias também não ocorrem e são deixadas de lado.

As determinações citadas acima se aplicam conforme o artigo 13: "Orientam-se, no que couber, pelas regras previstas nas normas técnicas brasileiras de acessibilidade, na legislação específica, observado o disposto na Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001, e neste Decreto:.. "II - o Código de Obras, Código de Postura, a Lei de Uso e Ocupação do Solo e a Lei do Sistema Viário;..."

Ficar em casa, ou sair e encontrar a galera depende da vontade de cada pessoa. Para que a escolha de fato exista, o movimento social das pessoas com deficiência lutou por seus direitos de participação na vida comunitária ao longo dos últimos 30 anos e ainda se confronta com diversas formas de discriminação, algumas delas não reconhecidas com facilidade. É o caso da inexistência do direito básico à acessibilidade física, de comunicação, de informação, nos transportes e no uso de tecnologia assistiva que aumenta sua funcionalidade e bem-estar.

Acessibilidade e inclusão são inseparáveis, significam igualdade de oportunidades e ganharam mais força como direito da pessoa e obrigação da sociedade, quer seja no âmbito público como no privado, com a adoção da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada de maneira inédita com equivalência à emenda constitucional (Decreto Legislativo nº 186/2008 e Decreto nº 6.949/2009, do Executivo). A Convenção, homologada pela ONU em 2006, representa um novo marco regulatório de cidadania para as pessoas com deficiência no país e no mundo. Aqui são 45,6 milhões e no mundo correspondem a um bilhão de pessoas, segundo dados do Censo IBGE-2010 e da OMS em 2011, respectivamente.

Convenção está acima das leis, dos decretos, dos códigos, das normas de segurança e supre as lacunas que ainda existam para garantir o direito humano de viver ativamente na comunidade. Tudo aquilo que a Convenção determina se impõe aos municípios, estados, à União, ao Poder Legislativo, ao Judiciário e à sociedade.

De acordo com o artigo 30 da Convenção ratificada, é obrigação do Brasil reconhecer o direito das pessoas com deficiência de participar na vida cultural, e para isso precisa tomar medidas apropriadas, entre elas “... ter acesso a locais que ofereçam serviços ou eventos culturais, tais como teatros, museus, cinemas, bibliotecas e serviços turísticos”.

Além dessas atividades, manda a Convenção assegurar que as pessoas com deficiência participem, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, de atividades recreativas, esportivas e de lazer, sendo obrigação do poder público tomar as medidas de acesso aos locais desses eventos e assegurar que as pessoas com deficiência usufruam dos serviços prestados por pessoas ou entidades envolvidas na organização de atividades recreativas, turísticas, esportivas e de lazer, resumindo o artigo.

Algumas vezes, mesmo correndo o risco de ser repetitivo, o texto da lei deve ser mostrado para divulgar o que as pessoas com deficiência têm direito, como todo mundo, e não deixar dúvida na cabeça de quem ainda não tenha despertado para o assunto.

Não é por acaso que conscientizar é um dos pontos fortes cobrados pela Convenção da ONU, e precisa ser feito com ações imediatas, efetivas e apropriadas para combater estereótipos, preconceitos e práticas nocivas em relação às pessoas com deficiência.

Campanhas bem elaboradas, variadas e veiculadas continuamente servem muito bem ao propósito de dizer ao público quem são as pessoas com deficiência, para combater a discriminação, “favorecer atitude receptiva em relação aos seus direitos e promover percepção positiva e maior consciência social em relação a elas”, extraído do artigo 8.

Voltando ao caso dos shows, bailes e baladas e o público que em maior número os frequenta, campanhas e redes sociais se complementam. É fácil, rápido e eficiente curtir, compartilhar e comentar as regras de segurança a serem observadas e fiscalizadas por todos, disseminar a informação que acessibilidade é primordial para todos (como direito de frequentar os locais para as pessoas com deficiência e como rota de fuga para qualquer um), denunciar ambientes fora das normas, denunciar casas violentas e discriminadoras, divulgar aquelas que são seguras senso amplo, tal como se faz ao dizer onde estão os ambientes mais agitados e interessantes.

Há muitos aspectos importantes frente à realidade que ainda se desenrola em Santa Maria, que vai deixar sequelas graves nas pessoas atingidas diretamente, sejam feridos, sobreviventes, famílias e amigos e repercutirá em todos os brasileiros e em suas cidades.

O primeiro ponto é desmascarar o “faz de conta” da fiscalização que, ao se dar de maneira fragmentada, acaba por não ser de responsabilidade de ninguém, quando a ideia é justamente a oposta. Espera-se que órgãos públicos e agentes idôneos atuem desde o projeto de construção ou de reforma incorporando o desenho universal (onde acessibilidade é carro-chefe), passando por todas as normas de adequação para aquilo a que o espaço fechado ou aberto se destina, com as garantias de segurança redobradas (não podem ser regras tão mínimas) para a vida humana. Não menos relevante é o controle sobre o funcionamento, quando superlotar a casa para o maior lucro está acima de qualquer coisa, mostrando a tolerância capitalista nefasta. Tudo cheira à fumaça da corrupção, como se sabe.

O segundo aspecto a ressaltar é a conscientização do público para a necessidade de cobrar segurança, denunciar o não-atendimento das normas e para isso tem de haver divulgação e preparo. Reconhecer entradas e saídas com acessibilidade, dimensões compatíveis com a capacidade de lotação (espaço bem grande e muitas portas largas abrindo para fora cm fácil acionamento), equipamentos de combate ao fogo como sprinklers (chuveiros automáticos para extinção de incêndios) e extintores de CO2, água ou pó químico, de acordo com o material que pode se incendiar, data de validade, sinalização que realmente aponte para as rotas de fuga.

Ainda nesse aspecto, os chamados “seguranças” não podem incitar e usar a prática da violência para prevenir abusos e manter o ambiente sadio, menos ainda participarem do crime organizado. Não se entende que haja regras para outros agentes particulares de segurança (de bancos, edificações, portarias) e nada seja requerido dos seguranças de boates e de quem os contrata.

Cabe lembrar o olhar míope para a venda de drogas e seu consumo, assunto de tamanha complexidade e tema de saúde pública, que por isso mesmo foge do alcance nesta abordagem sobre segurança. Mas que existe, não se tem dúvida, e que interfere com a segurança individual e social também não.

O terceiro ponto destaca os frequentadores e sua garantia de entretenimento, cultura, esporte, congraçamento, tudo com urbanidade e respeito às diferentes pessoas, chamando atenção para as pessoas com deficiência. Pessoas com deficiência intelectual, síndrome de Down, surdas, cegas, cadeirantes e muletantes gostam de frequentar boates e baladas, dançar, conversar, chegar junto e ficar, como é natural, sempre em condições de segurança para a sua integridade física e emocional, como qualquer outra pessoa.

São tantos os ângulos da segurança que um artigo não os esgota como a ação tempestiva e profissional de brigadas de incêndio e bombeiros, defesa civil, equipes de saúde, serviços de transporte de feridos, unidades de saúde, equipamentos de resgate e de atendimento, unidades de terapia intensiva, além de insumos para a saúde.

Não se pode passar ao largo, devido à sua importância, das atividades de apuração das causas dos incêndios e de outros sinistros, a perícia técnica e a medicina legal, as polícias investigativas, o ministério público e os tribunais. É imperioso conhecer como estão preparadas ou despreparadas e como cuidam do direito humano à segurança as instituições como prefeituras, governos estaduais e federal e legisladores, todos escolhidos pelo voto direto.

A proposta aqui trazida é não deixar cair no esquecimento os múltiplos e inaceitáveis erros que levaram à tragédia social em Santa Maria. Temos este ano a Jornada Mundial da Juventude e a Copa das Confederações, seguidas pela Copa da FIFA 2014 e Jogos Olímpicos e Paraolímpicos 2016. Então é indispensável ter consciência da ação preventiva que compete ao governo e à sociedade e as consequências punitivas correspondentes. Não aceitar a tolerância a riscos como incêndios e outras situações que estão à espreita em milhares de ambientes frequentados dia e noite. Enfatizar que a vistoria que está começando a ser feita cumpra a lei de forma verdadeira e coloque acessibilidade como requisito de segurança. Reafirmar o direito de todos de frequentar lugares desejados e, particularizando para as pessoas com deficiência, significa não haver mais estranhamento, discriminação e falta de condições acessíveis do meio. E finalizar chamando os protagonistas das redes sociais para serem fiscais das condições de inclusão e segurança da sociedade.

Izabel de Loureiro Maior
Docente da Faculdade de Medicina da UFRJ, consultora em direitos humanos, acessibilidade e inclusão, atuou na consultoria de acessibilidade da Rio+20, é ex-secretária da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Participou na ONU da elaboração da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de sua ratificação no Brasil.

Fonte: http://www.bengalalegal.com - Imagem Internet