sábado, 6 de abril de 2013

Seminário mostra como tornar espetáculos culturais acessíveis a pessoas com todo tipo de deficiência


No período da tarde, haverá oficinas mostrando como tornar acessível um produto cultural, através de recursos como legendagem, libras, audiodescrição, estenotipia, entre outros.

da Redação

A Secretaria da Cultura e a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo realizam nos dias 23 e 24 de abril o I Seminário sobre Cultura e Acessibilidade, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Voltado a produtores e gestores culturais, o encontro irá demonstrar técnicas e debater formas de estimular a adoção de recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência.

No evento, o público aprenderá que um espetáculo cultural acessível ao público com deficiência não se limita a instalar rampas e reservar lugares especiais na plateia. Há uma série de técnicas e recursos tecnológicos capazes de garantir que pessoas cegas ou surdas tenham pleno acesso ao conteúdo de peças teatrais, balé, óperas, exposições e shows musicais.

O objetivo do seminário é apresentar o acesso à cultura como direito fundamental de todo cidadão, demonstrando como gerar espaços culturais públicos e privados bem equipados e devidamente preparados para recepcionar esse público.

O evento terá mesas-redondas abordando temas como Acessibilidade Comunicacional, suas características, recursos e tecnologias; Acessibilidade Física nos espaços culturais; cases de sucesso; e também o conceito de “arte inclusiva”.

Oficinas e linhas de fomento 
No período da tarde, haverá oficinas mostrando como tornar acessível um produto cultural, através de recursos como legendagem, libras, audiodescrição, estenotipia, entre outros.

No dia 24, os secretários Marcelo Mattos Araújo (Cultura) e Linamara Rizzo Battistella (Pessoa com Deficiência) anunciam uma parceria entre as duas secretarias por meio de editais específicos para estimular a adoção de recursos de acessibilidade em produtos culturais no Estado de São Paulo, além de uma parceria com corpos estáveis e equipamentos da Secretaria de Estado da Cultura para apresentações acessíveis. 

O seminário será realizado na Oficina Cultural Oswald de Andrade, das 9h às 18h30.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail generos.etnias@sp.gov.br ou pelo telefone (11) 2627-8024, informando nome do participante, e-mail para contato e indicando a oficina de que deseja participar.

Confira a programação completa no site  http://www.generoseetnias.com.br/

I Seminário sobre Cultura e Acessibilidade 
Horário:
 Das 9h às 18h30
Quando: Dias 23 e 24 de Abril
Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro - São Paulo - SP

Fontes:Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência - http://saci.org.br/

Seminário regional discute direitos da pessoa com deficiência

da redação

Hortolândia esteve representada no XVI Seminário Regional da Pessoa com Deficiência, promovido pelo Núcleo Regional III do Conselho Estadual de Direitos da Pessoa com Deficiência (PCD). Composta por quatro pessoas, a comitiva reuniu membros do poder público e da sociedade civil, dentre eles as servidoras da Secretaria de Chefia de Gabinete da Prefeitura de Hortolândia, Elaine Ap. Gombrade de Oliveira (Setor de Políticas Públicas para a Pessoa com Deficiência) e Laureana de Souza Gomes (Diretora do Departamento de Políticas Públicas para a Mulher), Gilmara Mara de Souza, membro do Conselho Municipal da PCD, e Milene Maciel, representante do CCART (Centro de Convivência, Aprendizagem, Reabilitação e Trabalho). O município sediará um dos encontros do Núcleo, previsto para 16 de outubro deste ano. 

Realizado nesta quarta-feira (03/04), em Mogi Mirim, o evento teve como tema central “Um olhar através da convenção da ONU sobre os direitos da pessoa com deficiência: novas perspectivas e desafios. A representante da ONG (Organização Não Governamental) CVI-Campinas (Centro de Vida Independente de Campinas),Ida Célia Palermo, fez palestra sobre o “Conselho e o papel dos conselheiros”. Depois, foram eleitos os delegados que vão representar a região no seminário estadual, em julho deste ano.

“Na Administração, há um setor que cuida especificamente da pessoa com deficiência, articulando as políticas públicas entre as secretarias para que a pessoa com deficiência seja bem atendida e incluída em todas as suas ações, seja na educação, seja na saúde, na inclusão social ou em outras áreas”, esclarece a secretária de Chefia de Gabinete, Sandra Fagundes Freire. “A participação no seminário é muito importante, porque vamos nos atualizando com relação aos princípios norteadores das políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência e nos articulamos também com outras cidades, para que estejamos alinhados com o que é desenvolvido em outras cidades e com o governo federal. Isso nos fortalece no município e na região”, afima a secretária.

Saiba como o Conselho do Atleta pode te ajudar e como você pode pedir ajuda

Da reportagem

                        

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) criou neste ano o Conselho dos Atletas, que é um grupo de sete esportistas, que representarão a classe dos paratletas brasileiros. Mas para facilitar a sua vida, o PARATLETA BRASIL falou com a presidente do grupo, Simone Rocha, para explicar como pedir ajuda para o Conselho.

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CPB apresenta Conselho dos Atletas, com Simone Rocha como presidente Ouça a entrevista de Simone Rocha ao PARATLETA BRASIL


Assim que o papo começou, Simone destacou um importante detalhe, logo nas primeiras palavras: "É importante frisar que o conselho visa o lado do atleta de forma coletiva, não individual. O Conselho discute questões comuns aos atletas e não podemos confundir. Às vezes trazem algumas questões técnicas, mas isso precisa ser definido entre os técnicos", disse Simone, à nossa reportagem.

Então, quando se solicitar ajuda ao Conselho, é preciso que seja algo importante para os atletas, como um todo. "Se tiverem algum problema em competições, ou de treinamento, ou se precisarem de algum suporte, podem procurar o Conselho. Só não pode reclamar de convocação, ou outra coisa individual".


TEM ALGO A FALAR?
Deixe sua sugestão em nosso fórum. O Paratleta Brasil leva ao Conselho do Atleta

Simone falou também que o Conselho não tem poder de decisão. O que se faz é representar os atletas em reuniões junto ao CPB, para que o Comitê, sim, trabalhe a favor dos esportistas. "O Conselho foi criado para o atleta ter voz no CPB. Ele funciona como um conselho, como diz o nome, não tem poder de decisão. Temos como objetivo trabalhar questões da vida do atleta".

A calçada, você e o outro

Você já parou para pensar em como as calçadas têm ligação com as nossas vidas? 

Por Mara Gabrlli *


Não só por nos ligar aos serviços e lugares que fazem parte de nossas histórias, mas por serem, em sua essência, um elo de concreto, que sob nossos pés, nos permite chegar ao outro. Na Avenida Paulista, cartão postal da capital paulista, entre empresas, bares, cinemas e tantos outros estabelecimentos, circulam mais de 450 mil pedestres por dias. Em cada pedaço do lugar é possível encontrar um mundo diferente de serviços e pessoas, coexistindo sobre o passeio universal da avenida.


Segundo o IBGESite externo., 30% das viagens diárias realizadas em todo o País são feitas a pé. Por conta do alto custo do transporte público, andar não é apenas uma alternativa saudável, é também o meio mais econômico de se locomover e interagir com a cidade e com quem faz parte dela.


Pense em quantas pessoas você cruza apenas quando faz o seu caminho de casa ao trabalho? Mesmo que o seu trajeto seja realizado por transporte público ou próprio, por algum momento você precisou da calçada. E por um instante, ela o conduziu a alguém.
Longe dos centros urbanos, as calçadas também cumprem seu papel de promotora de encontros. Ao entardecer, é muito comum que as pessoas coloquem suas cadeiras nas calçadas para conversar ou ver as crianças brincarem na rua. O morador precisa da calçada do vizinho para chegar até ele, seja para lhe fazer uma visita, pedir um favor, prestar socorro, jogar conversa fora, oferecer um carinho... Ainda há bairros onde as pessoas se reúnem durante a Copa para pintar as calçadas com as cores do país. Há demonstração mais prática de que a calçada solidifica a união entre pessoas?
Agora, imagine a situação oposta, quando por falta de cuidados, a calçada perde seu papel benevolente de conectar pessoas. Você não encontrará um cadeirante ou um cego, por exemplo, transitando livremente pelo mesmo trecho que um pedestre sem deficiência, se neste local não existir um mínimo de condições de acessibilidade. Para muita gente, a calçada mal conservada representa um obstáculo, mas para outras pessoas ela simboliza uma barreira intransponível que lhes subtrai o direito de simplesmente fazer parte.
No final de abril de 2012, o Mobilize publicou a campanha  Calçadas do BrasilSite externo., mostrando o resultado da avaliação de calçadas em 12 cidades brasileiras. Entre abril e julho do mesmo ano, com o apoio de voluntários, o estudo foi ampliado para a avaliação de 228 ruas em 39 cidades do País. O resultado ficou abaixo das expectativas e trouxe a nota média de 3,40, numa escala de zero a dez.
Também no ano passado, os Guardiões das CalçadasSite externo. vistoriaram cerca de 200 km de calçadas em São Paulo. Nas mais de 40 vistorias realizadas, o que se viu foram muitos problemas e pouca participação dos órgãos responsáveis.
Para este ano, o grupo formado por minha equipe de trabalho e alguns voluntários farão as vistorias concentradas nas vias constantes do Decreto Municipal nº 49.544/08, que define as rotas emergenciais abrangidas pelo Plano Emergencial de Calçadas – PEC. Instituído pela Lei nº 14.675/08, o PEC é uma Lei de minha autoria, enquanto vereadora de São Paulo. Hoje, dos 30 mil km de passeio, cerca de apenas 500 km foram reformados respeitando a legislação.
É importante lembrar que essa lei prevê que a Prefeitura seja responsável pela reforma das calçadas em todas as vias constantes do Decreto. São ruas que priorizam os focos geradores de maior circulação de pedestres, incluindo locais de prestação de serviços públicos e privados em todas as regiões da cidade de São Paulo, em sinergia com paradas ou estações para embarque e desembarque de passageiros em ônibus e metrô.
Ainda vale dizer que, ao melhorar 10% dos acessos nesses pontos estratégicos, estamos melhorando 90% da mobilidade urbana de toda a cidade. O resultado dessa simples conta é menos trânsito, filas, acidentes, estresse e também solidão. Afinal, quando facilitamos acessos, chegar ao outro se torna mais fácil e natural.
Iniciativas como a do Mobilize Brasil e dos Guardiões das Calçadas mostram que tanto as cidades quanto as pessoas demandam cuidados, pois a condição do passeio público reflete diretamente no bem-estar da população. Não é por acaso que muitos especialistas afirmam que a qualidade das calçadas é o melhor indicador de desenvolvimento humano, além de funcionar como um sensor para medir o nível de civilidade de um povo. Cuidar da própria calçada e cobrar por sua manutenção e reforma é um ato de cidadania que deflagra seu amor pela cidade e pelas pessoas – um encontro que você pode ajudar a promover todos os dias.
* Mara Gabrilli é psicóloga e publicitária, 42 anos, ficou tetraplégica por conta de um acidente de carro em 1994. Em 1997, fundou a Ong Projeto Próximo Passo, hoje Instituto Mara Gabrilli, que apoia atletas com deficiência, promove o Desenho Universal, fomenta pesquisas científicas para cura de paralisias e é parceiro oficial do Vida Mais Livre.

Fonte: http://vidamaislivre.com.br/ - Imagens Internet/Ilustrativa



HISTÓRIA DE VIDA - "Meu irmão é a razão do meu trabalho"


Calista Pierce, 13 anos, vende bijuterias para ajudar atletas deficientes.



                                                                                                                                     Arquivo pessoal
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Desde pequena, Calista tinha um objetivo: fazer a felicidade de crianças com deficiência. O motivo desse esforço era o amor por Austin, seu irmão mais velho, que tem distrofia muscular e anda de cadeira de rodas. "Ele é minha inspiração", conta Calista. "Mesmo com tantas limitações impostas pela doença, ele luta para conseguir o seu espaço e para fazer o que mais ama: praticar esportes!" 

Aos cinco anos, Calista, que mora com a família na Pensilvânia (EUA), começou a acompanhar o irmão a todos os treinos e competições do Special Olympics, uma organização que apoia atletas com necessidades especiais. "Era um jeito de incentivar e de mostrar que eu estou do lado dele para tudo o que precisar." 

Em 2005, os organizadores perderam o evento de arrecadação de fundos e não poderiam mais levar os atletas para as competições. "Fiquei pensando em como o Austin ia ficar triste. Competir era uma maneira de ele se sentir como os outros garotos", lembra. Para ajudar, a menina começou a vender bolos durante os treinos.



Dois anos depois, ela já tinha uma barraquinha com bijuterias e ímãs de geladeira confeccionados por ela a cada fim de partida. Calista conseguiu arrecadar cerca de US$ 15 mil. O dinheiro foi usado no transporte de atletas até as competições e também na manutenção de equipamentos e uniformes. Austin estava de novo nas pistas de corrida! 

E ela não parou por aí. Em 2009, Austin foi qualificado para ter seu desejo realizado pela fundação Make-A-Wish e isso despertou o interesse de Calista. "Ele queria ir para a Disney! Ver a felicidade dele me fez querer realizar o desejo de outras crianças também e dar a elas um momento para se esquecerem dos seus problemas." 

Além de montar sua barraquinha em eventos, Calista criou o site http://www.calistacares.com/, em que é possível comprar suas bijuterias. Detalhe: elas são entregues no Brasil! Ela já arrecadou mais de US$ 14,5 mil e realizou o desejo de outras quatro crianças. Como toda boa ação merece ser reconhecida, Calista recebeu seis prêmios, incluindo o de voluntária mais jovem pelo Special Olympics Pennsylvania

Mesmo tão novinha, ela já sabe o que quer para o seu futuro: "Vou ser técnica do Special Olympics! Também quero continuar com meu artesanato e ser fotógrafa nas horas vagas".

Boa sorte, Calista!

Vítimas de escalpelamento receberão próteses auriculares

A lei 11.970/2009, da deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), é o marco legal que provocou a redução dos acidentes ribeirinhos com escalpelamento na Amazônia em até 75%. O Pará registrou 12 casos no ano passado e o Amapá mantém a taxa zero desde 2011.




Brasília, 04/04/2013 – A lei 11.970/2009, da deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), é o marco legal que provocou a redução dos acidentes ribeirinhos com escalpelamento na Amazônia em até 75%. O Pará registrou 12 casos no ano passado e o Amapá mantém a taxa zero desde 2011. A afirmação foi feita nesta quinta, 04, pela defensora pública Luciene Strada, e reafirmada por técnicos da saúde de dois estados, em reunião no Ministério da Saúde que tratou das cirurgias de alta complexidade para instalar próteses de orelhas nas vítimas daqueles acidentes. Em 2009, por conta da lei, iniciaram as primeiras campanhas de prevenção e cobertura do volante e eixo dos motores que empurram os barcos ribeirinhos.


Próteses – A secretária de Saúde Governo do Amapá Olinda Araújo, técnicos do Governo do Pará, além da Defensoria Pública da União e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica apresentaram ao Ministério da Saúde a demanda por instalação de próteses de orelhas. São 23 pacientes avaliadas no Amapá e 58 pacientes avaliadas no Pará. Elas não podem ter o órgão recuperado implante de cartilagem.

O Ministério da Saúde está providenciando a compatibilização do procedimento na tabela do SUS para que o hospital ou o Governo do Estado recebam os recursos pelas cirurgias e implantes realizados, permitindo o pagamento das próteses e cirurgias. Inicialmente, deverão estar disponíveis R$ 8 milhões do SUS para o custeio.

O estado do Amapá, especificamente, apresentará formalmente a necessidade e o interesse em realizar as cirurgias, além de profissional e hospital habilitados. Os recursos para o custeio dos procedimentos poderão ir diretamente para o Governo do Estado. Ainda não há data para que sejam realizadas as cirurgias de instalação das próteses, que deverão ocorrer em duas etapas.

Mutirões – Junto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o Amapá já realizou cinco mutirões de cirurgias reparadoras que atenderam 64 vítimas de escalpelamentos. Algumas passaram por até 3 intervenções. Durante o tratamento pago pelo Governo do Estado, elas ficam hospedadas em um hotel e recebem uma ajuda de custo de meio salário mínimo e acompanhamento multiprofissional.

Outras ações que deverão ser feitas em conjunto com o Ministério da Saúde, conforme discutido na reunião, são campanhas de conscientização e prevenção além da negociação do projeto de lei para instituir uma linha de crédito com recursos do Fundo da Marinha Mercante e subsídio do Tesouro Nacional para a renovação da esquadra ribeirinha na Amazônia, tirando de operação os motores antigos adaptados à navegação.



Texto e foto:
Sizan Luis Esberci

Fonte: Gabinete da deputada federal Janete Capiberibe – PSB/AP

Espanha tem a primeira vereadora com síndrome de Down

Por Eva Martin.

A vereadora espanhola, Angela Bacheler
Valladolid terá a primeira vereadora municipal com síndrome de Down da Espanha, segundo anunciou nesta quarta-feira o prefeito de Castilla y León, Francisco Javier León de la Riva.


A futura vereadora, que estava em 18 º na lista das últimas eleições, entra em substituição de Jesus Garcia Galvan, que está prestes a deixar o cargo.

“Até o momento, a candidata número 18  do PP municipal, Angela Bacharel, trabalha como assistente administrativa na cidade de Valladolid.”

Nesta entrevista abaixo,  concedida à repórter Eva Martin, realizada no final das últimas eleições municipais, Angela Bacharel justificou a sua decisão de participar do pleito: “é para que as pessoas a percebam que nós, pessoas com deficiência, podemos tudo, temos muita força de vontade”.

“Esta é a opinião de Angela Bacharel, a primeira pessoa com síndrome de Down que participou das recentes eleições nas listas do PP em Valladolid.

Embora não tenha saído no jornal nem aparecido nos cartazes eleitorais da última eleição, pode-se dizer que ela é a política com quem mais se identificam as pessoas com deficiência intelectual, por sua firmeza de ideias e forma natural de expressá-las.

Angela Bacharel é um exemplo de inclusão na sociedade. Como todos os adultos espanhóis, pode exercer o seu direito de participar de listas de partidos políticos se tem habilidades e competência para isso. E nesse caso ela é um “vulcão” de otimismo e compromisso com os seus pares. Participa na política apenas para que a sociedade conheça mais as pessoas com deficiência intelectual e para que as barreiras mentais que existem  desapareçam.

Depois de seu dia de trabalho e antes do penúltimo comício com candidatos do PP tomei um café com ela e sua mãe, dois exemplos de mulheres lutadoras.

Angela, você sente orgulho de ter entrado nas listas de um partido?
Sim, e gostei muito de fazer a campanha. Fiquei super contente de ter podido participar da lista. O prefeito disse que fui um exemplo de esforço e superação … Fiquei emocionada quando me disseram que fazia parte da lista do partido.

Gosta de política?
Não

Então … por que você decidiu dar este passo?
Para as pessoas perceberem que as pessoas com deficiência podem tudo, têm muita força de vontade.

Imagino que esta passagem ”temporária” pela política tenha sido uma experiência inesquecível. Você recomendaria a outras pessoas com deficiência intelectual que também o fizessem?

Claro. Elas podem.


O que você acha que você pode oferecer ao partido?
Eu acho que se deve trabalhar mais questões das pessoas com deficiência, como o emprego (pensa alguns minutos e repete enfaticamente). Emprego.

O que você acha que pode melhorar na sua cidade para as pessoas com deficiência?
Participarmos mais e sermos mais ouvidos. Nós poderíamos melhorar ainda mais a acessibilidade dos locais como museus, transporte … também organizar mais atividades para nós na área de lazer e esporte.

Nas organizações de pessoas com deficiência optamos por uma sociedade justa, mas a realidade é que a sociedade discrimina as pessoas com deficiência pelo fato de terem uma deficiência …
Sim, sim. Acho que sim.

Como você acha que poderia ser mudar a sociedade?
Educação.

A educação e a formação são dois pontos que Angela destacou várias vezes nesta entrevista em que ele termina com um provérbio que ela segue e recomenda a todos “não se preocupe, ocupe-se.”


Fonte: Down21 e FEAPS Castilla y León - http://www.inclusive.org.br/

sexta-feira, 5 de abril de 2013

População de paises de primeiro mundo exigem acessibilidade nas residências



Portas automáticas que podem ser acionadas apertando um botão de fácil acesso melhora a qualidade de vida de pessoas com deficiências

Nos países industrializados, as populações em vias de envelhecer estão obrigando arquitetos, designers e urbanistas a levar em conta as necessidades dos idosos e portadores de deficiência.

Para cerca de 650 milhões de pessoas com deficiências em todo o mundo, uma moradia normal não é um abrigo seguro, mas uma armadilha de limites perigosos e ângulos que dificultam a locomoção. Construir edifícios e locais públicos sem esses obstáculos é um enorme desafio. A acessibilidade dos locais para pessoas com deficiência física, conhecida como design universal, é mais do que nunca uma prioridade premente devido ao envelhecimento das sociedades na Europa e na Ásia.

Já que muitos idosos atualmente desejam permanecer em suas casas e ‘envelhecer no seu lugar’, muitos edifícios privados requerem uma reforma total. As superfícies dos pisos de todos os aposentos, por exemplo, deveriam estar bem niveladas entre si para reduzir o risco de tropeços. Corredores e vãos de portas precisam ser largos o suficiente para as cadeiras de rodas, e as escadas deverão ser substituídas por rampas de inclinação suave. Banheiros e cozinhas para cadeirantes precisam ter interruptores de luz, maçanetas, puxadores e demais acessórios posicionados em uma altura adequada.

Numa casa-padrão, os cadeirantes frequentemente ficam entalados ao tentar executar as tarefas do dia a dia. Cozinhas que permitem a circulação e vãos livres embaixo do fogão e da pia podem ajudá-los a cozinhar e fazer a limpeza. Nos banheiros, as banheiras tradicionais – um obstáculo insuperável – podem ser substituídas por alternativas com perfil rebaixado ou sifão embutido no chão. Banheiras e vasos sanitários com sistemas de içamento e espaço para cadeiras de rodas oferecem soluções ainda mais convenientes.

A lista de deficiências é interminável, assim como a lista das características necessárias a uma vida com acessibilidade plena. Soluções de ‘tamanho único’ são impossíveis, pois cada uma das deficiências e sua severidade variam de pessoa para pessoa.

Pessoas com destreza manual reduzida podem viver de modo independente se as torneiras, maçanetas e demais itens forem de dimensões adequadas e fáceis de manusear, ou se forem controlados eletronicamente. Para pessoas com deficiências severas, computadores e sistemas de controle remoto podem ajustar iluminação, ventilação e outras funções de acordo com tempo, estação e preferência.

Fazer certo desde o começo
A fim de evitar reformas custosas, algumas autoridades governamentais e planejadores urbanos começaram a incorporar características similares nas novas construções, de modo que as casas não exijam modificações posteriores.

O governo japonês publicou suas diretrizes de projeto de moradias para uma sociedade em vias de envelhecer, recomendando que todas as novas moradias sejam projetadas com pisos nivelados, barras de apoio, portas e corredores mais largos. Esses itens são obrigatórios nos novos conjuntos residenciais, e os incorporadores que aplicarem essas diretrizes poderão se candidatar a empréstimos com juros mais baixos.

A Finlândia oferece subsídios similares para a construção de moradias novas e sem barreiras. Desde meados dos anos 1990, o bairro de Marjala, na cidade de Joensuu, foi desenvolvido com moradias, instalações compartilhadas, ruas, calçadas, praças e parques acessíveis a todos. Um canal multisserviço computadorizado mantém os moradores conectados com seus médicos. A comunidade oferece até oportunidades de trabalho em casa ou a distância para funcionários municipais.

A fim de capacitar as pessoas a se deslocar livremente além do seu bairro, a Finlândia foi pioneira na implantação de um sistema de transporte por chamado, conhecido como DRTS (sigla em inglês para Demand Responsive Transportation System), que hoje é utilizado em mais da metade de todos os municípios finlandeses. Esse sistema público flexível combina táxis, ônibus e trens para prover transporte sob demandas para pessoas idosas e deficientes.

A Finlândia pode ser um exemplo de excelência, mas, com apenas cinco milhões de habitantes, isso não passa de uma gota no oceano. O desafio de verdade será atender os centenas de milhões de pessoas disfuncionais nos países em desenvolvimento que ainda não contam com o benefício de qualquer tipo de assistência.

Câmara aprova aumento de pena para sequestro de grávida e deficiente

Punição nesses casos passa de 1 a 3 anos para 2 a 5 anos de reclusão. Proposta segue para votação no Senado antes de ir à sanção presidencial.
  Imagem Internet/Ilustrativa
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (2) projeto de lei que aumenta a pena para sequestro e cárcere privado quando a vítima estiver grávida, enferma ou tiver alguma deficiência. 

O texto agora segue para votação no Senado, antes de ir à sanção presidencial. Pela proposta, de autoria do ex-deputado Celso Russomano, a pena nesses casos passa de 1 a 3 anos para 2 a 5 anos de reclusão.

Atualmente, a pena do crime de sequestro é agravada quando a vítima é menor de 18 anos ou maior de 60, se o delito é praticado contra descendente, ascendente, companheiro ou cônjuge, se houver intenção libidinosa, se a privação de liberdade durar mais de 15 dias ou se for praticado mediante internação em casa de saúde ou hospital.

O objetivo de estender o aumento de pena para crimes cometidos contra grávidas, enfermos ou portadores de deficiência física ou mental é proteger pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade.

Fonte: G1 - Imagem Internet/Ilustrativa

E agora, José? Como pesar um cadeirante?!


Artigo de Adriana Lage

Adriana Lage


                                                               Imagem Internet/Ilustrativa.

Ultimamente, ando numa correria tão grande que mal anda sobrando tempo para me dedicar aos meus textos como gostaria. Tenho evitado mexer nas redes sociais. Não tem jeito: elas sabotam meu tempo mesmo! Fica difícil resistir a uma boa conversa, a fotos de cachorros, matérias interessantes... Meu bate papo já está com teia de aranha por falta de uso. Na semana passada, alguns amigos cadeirantes levantaram um tema que não deixa de ser um dilema para quem é cadeirante: como se pesar?


Alguns amigos paraplégicos já me disseram que usam a parede como apoio ou mesmo muletas. Que eu saiba isso costuma alterar um cadinho o peso. No meu caso, como andei apenas até meus 12 anos, nem me lembro como fazia para me pesar. Sei que ficava em pé na balança, mas não me lembro se as bengalas ficavam em contato com o chão.

Morri de rir quando meu amigo Gil disse que, na primeira vez em que se pesou após o acidente, ele se sentou na balança. A foto é cômica! A figura, sentadinha na balança, fazendo pose de meditação. Gostei da ideia. Vou pedir minha irmã para ser a cobaia e me dizer se a diferença no peso será grande. Se não for, será mais fácil fazer o monitoramento do peso. Outra amiga reclamou que se pesa sentada e que acha muito desconfortável se sentar num local onde as demais pessoas pisam. É complicado mesmo!

No Sarah, existe uma balança onde se pesa na própria cadeira de rodas. Eu bem que tentei, mas a médica não me deixou experimentar já que estava fazendo uma sessão no ginásio e não com a nutricionista. Sei que a pessoa sobe na balança com a cadeira de rodas e depois é descontado o peso da cadeira. Nunca pesquisei a respeito, mas acho a alternativa mais viável e confortável para o cadeirante.

Nunca tive tendências a engordar. Até 2007, era praticamente uma anoréxica. Se pensarmos que tenho, aproximadamente, um metro e sessenta e cinco, pesar 32 quilos era demais. Só depois que comecei a nadar e a fazer acompanhamento com uma nutricionista é que cheguei próximo ao meu peso ideal. Em dois anos, pulei do manequim PP para o M. Perda total do guarda roupa. Há uns três anos, consegui me estabelecer na casa dos 48 kg. Felizmente, nunca cheguei aos 50 kg. Nesses períodos de estresse, consegui, mesmo sem nadar com freqüência, emagrecer. A forma mais tranqüila que encontrei para me pesar foi subir na balança carregada por outra pessoa. Depois, descontamos do total o peso da pessoa. É um valor aproximado, mas que serve como referência.

O lift de transferência que comprei possui uma versão que vem com balança. Confesso que quase caí em tentação de comprá-lo, mas só a balança já custaria R$ 1800,00. Acho que teria fortes tendências a ficar neurótica com o peso se tivesse essa balança por perto. Já pensou saber seu peso toda vez que for feita uma transferência? Melhor não... Segundo o fabricante, essa versão com balança é indicada para clínicas e hospitais.

Fiquei boba quando alguns amigos disseram que já sugeriram a eles que se pesassem em frigoríficos! Pode isso? Eu me sentiria uma vaca...

Sempre tive problemas quando fazia avaliação física na academia. Pesava no colo do meu personal. O problema maior era a medição das circunferências. Meu personal me virava de um lado pro outro e me deixava em pé me segurando pelo tronco enquanto o avaliador fazia mágica para tentar obter as medidas. Como o transtorno era muito grande e acabei desistindo da ideia de ser atleta, acabei deixando essas avaliações físicas de lado. Hoje, controlo minhas medidas com apoio da nutricionista, fisioterapeuta e meu técnico. Tudo sem grandes acrobacias!

Enfim, enquanto não vivemos num mundo adaptado para cadeirantes, o jeito é ir se adaptando às situações. A gente vai levando...

Fonte: Rede Saci - Imagem Internet/Ilustrativa.

Mulher Cadeirante é Covardemente Agredida pelo Marido

por Márcia Gori


A violência está indo além dos limites, se é que existe limites para violência.  Em São Carlos e na manhã deste sábado, um ato cruel foi registrado pela Polícia Militar quando uma mulher cadeirante, R.G.G., 37 anos, foi agredida pelo marido por volta das 8h na rua Afonso dos Santos (antiga rua 80) no Cidade Aracy.



Foi apurado que policiais militares foram até a residência, não encontrando J.F.L., 46 anos, padeiro, que estava nas proximidades quando foi indagado sobre tal agressão, o que foi negado. Sobre a acusação de ter rasgado uma "medida protetiva", na qual tem que ficar afastado da residência, também foi negado, salientando que havia deixado em algum lugar e que não se lembra onde.

Durante a abordagem ao acusado, em sua residência, na garagem, os policiais encontraram duas armas, sendo uma espingarda de pressão e uma arma de fogo, calibre 36, fabricação caseira.
O casal foi conduzido até o plantão policial onde o delegado Walckmar Silva Negretti deverá tomar as providências cabíveis. 

A pergunta que não quer calar, até quando isso? Acompanhe o vídeo e deixe seu comentário ao final dessa postagem, obrigado.



Faça parte da ong essas mulheres, compartilhe e divulgue nosso espaço, essa será a nossa luta constante e diária contra violência, impunidade e abusos contra mulheres. http://www.essasmulheres.org/


Primeiro aplicativo para smartphones capaz de traduzir fala para a Língua Brasileira de Sinais - Libras.

ProDeaf

                            


O ProDeaf anunciou no dia 02 de abril a disponibilização ao mercado brasileiro do primeiro aplicativo para smartfhones capaz de traduzir fala para a Língua Brasileira de Sinais - Libras. Desenvolvido pela companhia pernambucana, o projeto é fruto de um investimento de R$ 500 mil, feito pelo ProDeaf - com financiamento do Sebrae e do CNPQ -, e do patrocínio do Grupo Bradesco Seguros.

De acordo com o CEO do ProDeaf, João Paulo Oliveira, o desenvolvimento do aplicativo levou 2 anos e contou com a participação de 12 profissionais, incluindo designer, intérpretes, linguistas e programadores, liderados por ele, pelo Chief Operations Officer Flávio Almeida, e pelo Chief Technology Officer da companhia, Amirton Chagas. O projeto contou ainda com a participação de colaboradores surdos das empresas do Grupo Bradesco Seguros. "A comunidade surda atuou nos fornecendo feedback para chegássemos a este resultado", explica Oliveira, lembrando que as primeiras versões do aplicativo não agradaram aos avaliadores surdos. "Os feedbacks nos ajudaram a melhorar o produto até chegarmos à versão que colocamos agora no mercado".

O aplicativo ProDeaf Móvel chega ao mercado pronto para a plataforma Android e, nos próximos meses, serão disponibilizadas versões para as plataformas iOS e Windows Phone . A versão atual está disponível no Google Play ou diretamente no site da companhia, no link prodeaf.net/download, podendo ser baixada gratuitamente. "Os custos operacionais da distribuição do aplicativo estão sendo subsidiados pelo Grupo Bradesco Seguros, que com isso está levando a tecnologia aos surdos de forma gratuita", ressalta Oliveira.

Nesta versão, o aplicativo reconhece a voz do usuário e traduz a fala diretamente para Libras, executada por um personagem na tela do celular. Para isso, ele usa como base um dicionário de cerca de 3.700 sinais. Mas isso não deve parar por aí. Já está nos planos do ProDeaf o aumento do número de sinais e a regionalização de sua base, permitindo o uso de sinais específicos de determinadas regiões do Brasil. 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no Brasil 10 milhões de surdos, e, deste total, 2,7 milhões não conhecem a língua portuguesa. O ProDeaf Móvel é útil, justamente, para eliminar esta barreira de comunicação que há entre ouvintes e surdos, especialmente entre pessoas do mesmo convívio social, como parentes e amigos.

O objetivo do Grupo Bradesco Seguros foi abraçar a causa da comunicação e da acessibilidade e ajudar os surdos na interação com as pessoas de seu círculo social. Um parente ou amigo pode usar o seu celular para transmitir uma mensagem que será compreendida pelo surdo. Nos testes que fizemos, eles ficaram muito contentes com a solução, pois muitos familiares e amigos não conhecem a linguagem Libra.

A expectativa é que sejam realizados 30 mil downloads no primeiro mês de disponibilidade do aplicativo. O executivo lembra que o ProDeaf - que já fornece ferramentas para tradução do conteúdo de sites para Libras - ainda deve investir muito em pesquisa, principalmente na área de reconhecimento de sinais. "Em alguns anos planejamos publicar ferramentas que permitam a comunicação com surdos em 2 vias, traduzindo português para Libras e Libras para português", afirma Oliveira.


Muito do rápido desenvolvimento do ProDeaf no mercado brasileiro deve-se às parcerias estratégicas estabelecidas pela companhia até o momento. A Microsoft, por exemplo, é a responsável pelo suporte de infraestrutura, computação em nuvem e softwares, atuando também no desenvolvimento tecnológico e consultoria. Outro parceiro estratégico é a Wayra, aceleradora de empresas da Telefônica, que é hoje sócia do ProDeaf, pois acredita no potencial e inovação dessa tecnologia e tem interesse tanto na inovação social quanto em lucros futuros do projeto.

Sobre o ProDeaf
É um Software inédito para tradução de conteúdo em Português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), segunda língua oficial do país, falada por mais de 5 milhões de brasileiros. O ProDeaf é o projeto carro-chefe da empresa homônima, uma startup pernambucana de soluções em tecnologia assistivas, com o foco na - comunicação e integração social entre Surdos e ouvintes. Em linha com a missão da empresa, de permitir a quebra das barreiras de comunicação, o software apresenta soluções viáveis para o mercado corporativo e usuário final, realizando traduções de sites e vídeos para Libras e traduzindo, através de aplicativos gratuitos, o som falado para a língua de sinais em tempo real. Com operações em Recife (PE) e São Paulo, a empresa oferece ao mercado serviços diferenciados e orientados por qualidade, resultado e especialização. É uma startup acelerada da academia de inovação da Telefonica (Wayra) e parceira da Microsoft.

Fonte: F2 Conteudo - http://sentidos.uol.com.br/

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Superar ou se abater: o que é mais forte na iniciação esportiva de alguém com deficiência

                    


O esporte paralímpico já se tornou uma realidade no país. Os ótimos resultados recentes, seguidos de grandes lições de superação de nossos atletas, têm chamado a atenção de novos pessoas com deficiência. No entanto, ainda há uma barreira a ser quebrada no esporte: a da insegurança.

A verdade é que algumas pessoas ainda não conseguiram assimilar a mensagem dos ídolos do paradesporto, de amenizar e ignorar as dificuldades da deficiência. Assim, entrar em um esporte, às vezes, pode parecer um desafio maior do que é, de fato.

“Por falta de conhecimento, muitos familiares acabam blindando a pessoa com deficiência, por achar que eles são incapazes de algo, quando não é verdade. Aí, alguns trazem esse pensamento quando são apresentados ao esporte”, conta o técnico de futebol para deficientes visuais, do Rio de Janeiro, Pedro Menezes.

O perfil é totalmente oposto ao implantado no paradesporto. É verdade que alguma diferença física pode mexer com a cabeça do atleta, mas no esporte se aprende a ignorar quaisquer dificuldades. Sendo campeão ou não, a tendência é que o esportiva assimile a real condição de igualdade, como diz o técnico da Seleção de atletismo, Ciro Winckler:

“Estamos em um momento de mudança, mas de paradigmas também. Aqui eles são atletas que têm como uma das características a deficiência. Não são deficientes, naquela concepção de ‘coitadinho’. Isso, no esporte, não dá. Aqui não se tem ajuda, se tem patrocínio. O Alan Fonteles e o Johansson Nascimento, por exemplo, não são conhecidos por não terem as pernas e as mãos (respectivamente), são conhecidos por serem muito rápidos. Essa é a diferença”.

                   

Mas a mudança de concepção já vem acontecendo. Prova disso é o aumento constante do número de paratletas no Brasil. Só para se ter uma ideia, na última edição das Paralimpíadas Escolares, em São Paulo, foram mais de 1200 inscritos. Essa quantidade, diga-se, foi a que classificou para o evento nacional. Se forem considerados os inscritos nas seletivas, esse número seria muito maior.

Quem comenta a mudança é o técnico de futebol de 5 do Instituto Superar, Renato Redovalio. Ele aponta essa como uma das modalidades mais difíceis de se praticar, mas entende que quando o atleta se adapta, os benefícios comportamentais crescem na mesma proporção.

“Muitos têm medo de bater um no outro, ou têm medo de correr sozinho em uma quadra,ou acham muito difícil. No futebol de 5, o jogador é totalmente independente, precisa ouvir o barulho da bola, o técnico, o chamador, o goleiro, isso com outros nove cegos em quadra, mas quem vê fica maravilhado e acha fantástico aquilo. Mas quem entra, fica maravilhado com a condição de superação, por poder jogar futebol sem ter a visão”.

O esporte segue fazendo bem sua parte no que diz respeito à inclusão social, mas se algumas das pessoas com deficiência permitirem, o resultado ainda pode ser muito maior.


Nadadora supera câncer, amputação, coleciona medalhas e vira tema de estudos na Suíça.


Um problema de saúde aos oito anos fez a jovem Taiana Lopes, de Niterói (RJ), tomar um susto. "tive osteossarcoma no fêmur direito. É um tipo de câncer ósseo muito comum, especialmente em crianças e adolescentes", explica a nadadora, hoje com 17 anos, sobre a doença que ela teve por duas oprtunidades e, na segunda, aos 11, a obrigou a amputar a perna direita.


Mas o drama infantil não parou por aí. Assim que foi curada, recebeu uma informação nada animadora do médico que a tratava. "Ele disse que mesmo se eu usasse prótese, eu teria de andar de muleta. Mas no primeiro dia de prótese já andei sem muletas. Ninguém acreditava, mas na verdade, eles é que deveriam me conhecer melhor (risos)", conta a atleta, se referindo à sua força de vontade em superar as dificuldades.

Mas a jovem não deixou nenhum dos dois sustos lhe perturbar. Mais ainda: encontrou na natação um caminho de motivação para mais conquistas. Em menos de dois anos, ela já faz as contas de seus títulos na Classe S9.

"Tenho uma prata e um bronze nas Paralimpíadas Escolares de 2011, e três bronzes e duas pratas no ano passado. Neste ano, quando conquistei vaga para o Nacional com mais um bronze", conta Taiana, que não só está classificada para o nacional deste ano, como ainda precisou antecipar a entrevista com nossa reportagem para chegar cedo ao treino. "O Nacional é logo ali, está chegando", brincou.

Ela até sente um pouco de desconforto com a prótese, mas nem se preocupa com isso. "É natural, toda prótese incomoda, no calor do Rio de Janeiro um pouco mais, mas nada grave". Já sua recuperação vai virar tema de um congresso na Suíça, no fim do ano.

"Vão levar essa questão para lá, porque parece que não é normal eu conseguir usar a prótese nas condições que eu consegui. Não há relatos sobre isso, por isso vão levar o caso para lá".

Enquanto isso, ela treina para evoluir na natação e superar barreiras. As que apareceram na frente de Taiana, apesar de grandes, não surtiram nenhum efeito.

Nadador com down ganha sete títulos mundiais e sonha com nova classe para 2016

                


As chances são pequenas, quase remotas, mas o Brasil pode ter mais um grande destaque das piscinas disputando uma Paraolimpíada. Mas se ele ficar fora de 2016, ou mesmo de 2020, não será por falta talento, e sim pela ausência de uma categoria específica para quem tem síndrome de down. Essa é a única barreira de Caíque Aimoré, 20 anos, um dos melhores do mundo em sua categoria, ainda não reconhecida pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

Mas às vezes a ausência dos Jogos nem parece ser grande coisa. Enquanto Daniel Dias e André Brasil chamavam a atenção do mundo nos Jogos de 2012, Caíque se tornava também o melhor do planeta, pena que com bem menos holofotes. No fim de 2012, ele ganhou sete medalhas de ouro no Campeonato Mundial para portadores de síndrome de down, em Loano, na Itália. Uma a mais do que Daniel Dias acabara de conquistar em Londres.

"Ele é muito dedicado e tem conquistado ótimos resultados entre pessoas com síndrome de down. Mesmo na categoria S14, a que ele tem condições de competir, ele sempre ganha alguma medalha aqui no Brasil, até em etapas nacionais", diz o irmão do nadador, Caiubi Aimoré, ao PARATLETA BRASIL, que completou:

"Em eventos internacionais, há uma movimentação nos bastidores para que entre uma categoria apenas de down nos Jogos. Atletas tem. Mas é muito difícil disso acontecer até os Jogos de 2016, não contamos com isso, infelizmente".

Mas Caíque compete em desvantagem nesta categoria, voltada para pessoas com deficiência intelectual, já que a síndrome de down provoca também algumas dificuldades físicas. Mesmo assim, ele faz planos de disputar uma Paralimpíada pelo Brasil, ainda que nesta condição desigual. Talento ele tem e não são só as medalhas que dizem. De todas as provas de natação, ele só não nada no estilo borboleta.

"Tenho orgulho de tudo que já conquistei, principalmente das 7 medalhas de ouro no Mundial de 2012, mas ainda sonho em representar o Brasil em uma paralimpíada. Quem sabe um dia, quero muito! Nado desde os 6 anos, cresci nas piscinas, e hoje a natação é a minha profissão, meu grande prazer. Todos que nadam comigo merecem ser vistos assim, como atletas, porque o que fazemos é mais do que superação, é esporte de alto rendimento", disse o nadador, à nossa reportagem.


                 


Quem também falou com a nossa reportagem foi Murilo Barreto, coordenador técnico da Seleção Brasileira de natação. Ele confirmou que a possibilidade da categoria fazer parte dos Jogos de 2016 é mínima, mas elogiou o atleta, que vem representando a natação brasileira cada vez melhor.

"É muito complicado, porque a categoria que ele compete, a S14, entrou há muito pouco tempo. Então, fica muito difícil de subdividirem essa categoria mais uma vez. Mas ele vai bem. É uma pena que não tenhamos essa subdivisão".

Mas nas etapas do Mundial, Caíque pode continuar disputando, vencendo e defendendo seu posto de melhor do mundo. Assim, o Brasil ganha outro fenômeno paraolímpico das piscinas.