sábado, 11 de maio de 2013

Mostra de artes feitas por deficientes estimula a reflexão em Araraquara


Exposição de telas gratuita 'LiteraTinta' pode ser vista até o dia 29 de maio. Maria Goret Chagas expõe obras que proporcionam experiência sensorial.

Do G1 São Carlos e Araraquara

Araraquara apresenta exposição de Maria Goret
Chagas (Foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara)
Teatro Municipal de Araraquara apresenta obras de Maria Goret Chagas (Foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara)O Teatro Municipal de Araraquara (SP) apresenta, até o dia 29 de maio, a exposição “LiteraTinta: A Estrela de uma Ponta”, que tem o objetivo de divulgar a arte feita por deficientes e estimular a reflexão da sociedade sobre a verdadeira inclusão cultural. A mostra é gratuita.

Estarão expostas 25 telas em vários formatos da artista plástica Maria Goret Chagas. A maioria das obras é feita em alto relevo para proporcionar uma experiência sensorial aos deficientes visuais, que podem ter acesso às informações dos quadros pelo toque. Todas as telas têm também tarjetas em Braille.

O local da exposição conta com quatro portais, cada um com dois metros de largura e rampas de acesso para cadeirantes. A mostra pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. O Teatro Municipal fica na Avenida Bento de Abreu, s/ nº, na Fonte Luminosa.

A artista
A mineira Maria Goret Chagas integra a Associação dos Pintores com a Boca e Pés. Sua técnica oscila entre aquarela e acrílico sobre tela, com estilo acadêmico livre, repleto de sensibilidade e cores que revelam luz e vida.

Maria Goret participa de exposições nacionais e internacionais e possui cartões reproduzidos no Brasil, Argentina, Finlândia, Noruega, Suíça e Canadá. Licenciada em Letras e em Educação Artística, além de artista plástica é escritora, autora do livro ‘’Realize... tudo o que seu coração deseja!’’, e palestrante motivacional.

Serviço
O quê: Exposição LiteraTinta
Onde: Teatro Municipal (Avenida Bento de Abreu, s/ nº - Fonte Luminosa)
Quando: até 29 de maio
Horário de visitação: de segunda à sexta-feira, das 9 às 17 horas
Quanto: gratuito

Fonte: http://g1.globo.com/  - “Matéria postada em caráter informativo”

Para tudo! - Educação Inclusiva um passo a mais

por ANTÔNIA YAMASHITA


Novidade boa é para ser contada mas confesso que está difícil conciliar tantos afazeres. Esse ano já iniciou conturbado e não postei nada aqui porque qualquer palavra que escrevesse seria de tristeza, desanimo e frustração mas agora que tudo passou vale a pena arrumar um tempo e postar a novidade.


Ano passado já estava cansada de lutar para ter respeitado o direito do meu filho de ter um cuidador na escola e estava cogitando o fato de ter que trocá-lo de escola mas a promessa da chegada do cuidador para fevereiro deste ano me fez renovar a matrícula, comprar os uniformes, materiais e deixar tudo preparado para mais um ano letivo.

Lucas porém estava desde novembro com alergia a fralda descartável e desesperado para voltar para a escola. Não aguentava mais ficar em casa mas na volta as aulas fiquei frustrada. Ninguém sabia nada a respeito do cuidador e não tinha sequer espaço para fazer a troca de fralda. Não dava para deixá-lo voltar naquele estado e ele viu o irmão ir para a escola enquanto ele tinha que ficar em casa conosco perguntando quando poderia ir também.

Corri para a Vara da Infancia e cheguei até a ser rude. A promotora me recebeu da mesma forma que cheguei lá, arisca, mas no final nos entendemos. Infelizmente nem mesmo a promotoria pode fazer muita coisa e lá fui eu, depois de uns telefonemas e algumas outras tentativas, decidi que era hora de ir direto ao ponto. Escrevi uma carta ao Secretário de Educação ilustrando com fotos de Lucas e finalmente a situação começou a andar.

Essa é uma história muito longa, difícil, desanimadora e triste. O descaso com a educação das crianças com deficiência chega a me abater em alguns momentos.  Ainda bem que avançamos um pouco. Depois de muita briga conseguimos finalmente o cuidador para o Lucas e para as demais crianças que necessitam e estudam na mesma escola. Chegaram dois cuidadores um homem e uma mulher para esses alunos.

Quanto a Lucas, está mais satisfeito, alimenta-se melhor, não temos mais problemas de roupas molhadas de xixi. Só temos que comemorar pois o rapaz que cuida dele é muito dedicado, alegre e apesar de não ter experiência está conseguindo realizar um ótimo trabalho.

Essa luta não foi nada fácil e nem vou entrar em detalhes mas passei por maus bocados. Foram momentos que me fizeram pensar e querer desistir mas valeu a pena quando finalmente conseguimos nosso objetivo, quando vemos o resultado positivo dos nossos esforços. Infelizmente nosso país só avança dessa maneira.

Já faz mais de um mês que o cuidador chegou na escola e Lucas no início fazia questão de contar para as pessoas que "chegou o cuidador". Agora nos resta renovar as forças e partir para uma nova luta em busca de novos objetivos ficando na torcida para que outros pais entrem nessa luta também porque juntos fica muito mais fácil!


Essa foto é do primeiro dia de aula e agora temos mais motivos para ir a escola todos os dias já que temos transporte e cuidador.

Viva os avanços!!






Fonte: http://umamaeespecial.blogspot.com.br/
                 “Matéria postada em caráter informativo”

Os desafios da acessibilidade em São Paulo


Durante uma semana, o estadão.com.br acompanhou os caminhos de Michelle Balderama, estudante de 26 anos que usa uma cadeira de rodas há seis, após sofrer um acidente. Essa série especial de reportagens, feita pelo blog Vencer Limites e pela TV Estadão, apresenta, a partir desta segunda-feira, 6, cinco vídeos sobre os desafios da acessibilidade em São Paulo.
Michelle mora no bairro do Tremembé, na zona norte da capital paulista. Trabalha na Vila Mariana, zona sul da cidade, em uma loja especializada em tecnologia para mobilidade e reabilitação. E cursa o terceiro ano de administração de empresas na Unip, no campus do Paraíso, também na região sul. Diariamente, ela percorre todos esses trajetos usando transporte público, ônibus e metrô.
“O pior são as calçadas. Em muitos locais, sou obrigada a circular pela rua, bem próximo de carros, ônibus e motos. Pouco tempo atrás, cheguei no trabalho toda suja, com a roupa rasgada e o joelho sangrando, porque tinha um buraco na calçada”.



Veja mais:

                “Matéria postada em caráter informativo”

Mãe de coração, mulher adota quatro crianças deficientes no Rio Grande do Norte


Lana Ribeiro de Araújo, 53 anos, tem dez filhos entre biológicos e adotivos. Atualmente cinco moram com ela em Parnamirim, na Grande Natal.

Por Felipe Gibson

Casal Gediel e Lana reunido com cinco dos seis filhos adotivos (Foto: Felipe Gibson/G1)
Casal Gediel e Lana reunido com cinco dos seis filhos adotivos (Foto: Felipe Gibson/G1)


Depois de quatro filhos biológicos, a funcionária pública Lana Cristina Ribeiro de Araújo, de 53 anos, deu início ao que ela chama de “partos do coração”. Até agora seis, todos de crianças encontradas em situações de risco, com problemas de saúde ou algum tipo de deficiência. As adoções ocorreram em um intervalo de 18 anos, entre 1992 e 2010. “Às vezes perguntam se eu tenho uma creche. Não, são todos meus filhos. Não nasceram do meu ventre, mas nasceram do meu coração”, diz Lana, que não contém as lágrimas ao contar a história de cada um deles. A pouco menos de uma semana do Dia das Mães, ela é a prova do quão grande pode ser o amor materno.

Gessica, 24 anos, Gean, 11, Gabriela, 11, Gabriel, 11, Giovana, 10, e Guilherme, 3, tiveram histórias de vida difíceis, mas que ganharam um enredo de amor ao encontrar Lana. Todos com o nome iniciado pela letra G, como quis o pai Gediel Ribeiro de Araújo, de 60 anos, reservista da Aeronáutica que deu sequência à tradição iniciada com os filhos biológicos Gediel Júnior, Gedielson, Gediendson e Gedilana. Se o nome não começava com G, o pai fazia questão de mudar. Jéssica, por exemplo, virou Gessica. O menino João Maria virou Gean. E assim foi com todos os demais filhos adotivos.

Na casa de quatro quartos, em Parnamirim, na Grande Natal, moram cinco dos seis filhos adotivos. Com exceção de Gessica, os demais continuam sob a asa da mãe. Quatro deles possuem algum tipo de deficiência. Os que requerem mais cuidados são Gean e Guilherme. Acometido por uma paralisia cerebral desde o nascimento e com grandes limitações para se movimentar, Gean vive em uma cadeira de rodas e não fala. O acompanhamento médico tem de ser constante para evitar complicações na saúde do garoto.

Já o integrante mais novo da família, Guilherme, sofre de síndrome de Moebius, um distúrbio neurológico que ataca o desenvolvimento dos nervos e afeta principalmente as expressões faciais. Nada que impeça o menino de correr e brincar o tempo inteiro. A entrevista foi interrompida algumas vezes para chamar a atenção de ‘Gui’, como é carinhosamente chamado. Além deles, Gabriela nasceu com uma má formação na mão direita, e Giovana teve sequelas de um atropelamento sofrido antes da adoção.


Lana Ribeiro se emociona ao contar história dos
filhos (Foto: Felipe Gibson/G1)
Lana Ribeiro se emociona ao contar história dos filhos (Foto: Felipe Gibson/G1)
Lana costuma dizer que a porta de seu coração foi aberta por Gessica, primeira filha adotada, na época que o casal morava em São Paulo, em 1992. Dez anos depois, já no Rio Grande do Norte, vieram os outros cinco, que garantem um dia a dia corrido. “Para muita gente nós não temos juízo (risos). Mas me sinto uma mãe realizada e abençoada. Se você não pode ser mãe do ventre, você pode ser de coração”, afirma.

Crianças tiveram passado difícil
Lana conta que encontrou Gean na creche Menino Jesus, para onde foi depois de ser entregue ao conselho tutelar pela família biológica. “Ele passava mais tempo internado no Hospital Infantil Varela Santiago do que no abrigo”, lembra Lana. Mesmo sabendo das limitações e dos cuidados necessários para cuidar de Gean, a mãe não titubeou em adotar o garoto.

Giovana ouve Lana contar sua história de vida
(Foto: Felipe Gibson/G1)
Giovana ouve Lana contar sua história de vida (Foto: Felipe Gibson/G1)
A mãe relata que as dificuldades eram grandes no começo, porém desde que conseguiram incluir o Home Care – serviço de acompanhamento clínico fora do hospital – no plano de saúde, a situação melhorou. “Tem a dificuldade, o trabalho e o gasto, mas não importa. Gean é nosso filho e vamos brigar com ele”, reforça a funcionária pública.


Com acompanhamento especializado dentro de casa, o garoto pode crescer junto da família e se desenvolver, mesmo dentro de suas limitações. Para alegria da mãe. “Hoje ele se mexe e responde a alguns estímulos”, conta. Adotado em 2003, quando tinha menos de um ano de vida, Gean veio do mesmo abrigo de Gabriel e Gabriela.

Lana conta que Gabriel sofria de pneumonia crônica. Quando o viu, foi amor à primeira vista, confessa. “Quando peguei o Gabriel, disse logo que era meu. Fui impedida de entrar no hospital quando ele estava internado porque não era a mãe biológica. Lá mesmo falei ‘só saio daqui com meu filho’”, recorda.

Gabriel entrou na família aos cinco meses, em 2002, pouco depois de Gabriela, que virou uma Ribeiro de Araújo aos dois meses. A menina nasceu com uma má formação na mão direita, na qual só tem dois dedos. “A assistente social me mostrou a foto dela e decidi adotá-la”.

Seis anos depois, em 2008, foi a vez de Giovana, que tinha seis anos quando foi adotada. Atropelada por um ônibus aos dois anos de idade, ela passou um ano internada no Hospital Maria Alice Fernandes. Em decorrência do acidente, perdeu um rim e teve problemas nas pernas e no pé. Os pais biológicos perderam a guarda da filha, que foi encontrada por Lana na Casa de Passagem I. Com sorriso estampado no rosto durante a entrevista da mãe, Giovana diz: “daria todo o meu amor pra ela”.

Gediel Ribeiro relata dificuldade no processo de
adoção de Gean (Foto: Felipe Gibson/G1)
Gediel Ribeiro relata dificuldade no processo de adoção de Gean (Foto: Felipe Gibson/G1)
Novos filhos? Por enquanto não


Ao ser perguntada se adotaria mais algum filho, Lana acha que a família está de bom tamanho, mas reluta. ”Não vou dizer que dessa água não beberei (risos), mas já avisei a Deus que está bom”, diz. O marido Gediel confessa que é apertado manter a família, porém com ajuda o casal não deixa faltar nada em casa. ”Além dos nossos salários, os meninos recebem bolsa de estudos na escola e ganhamos algumas doações de roupa. Dá para se virar”, garante.

Gediel, por sinal, tem que se virar para cuidar das crianças quando Lana está ausente. ”Quando preciso ficar no hospital com Gean, o pai cuida da casa, faz supermercado e leva as crianças na escola”, conta.

O casal Lana e Gediel se conheceu no interior de São Paulo, na cidade de Lorena. Gediel fazia um curso da escola de sargentos da Aeronáutica quando conheceu a paulista Lana numa reunião evangélica. Depois de morar em outras cidades do país, o casal fixou residência no RN.

Para os dois, todo o esforço é válido para dar um futuro digno às crianças. A primeira filha adotiva, Gessica, já casada e com filho, deixa o casal orgulhoso. “É formada em jornalismo e trabalha em uma companhia aérea, o que rende até alguns descontos na hora de viajar”, brinca o pai. Lana acredita que assim como os filhos mais velhos, os mais novos também seguirão um caminho de sucesso na vida. ”Que eles sejam homens e mulheres de bem”, deseja a mãe.

                         “Matéria postada em caráter informativo”





Após 125 anos, crianças sentem que ainda há o que abolir: o preconceito!

Por Leila Gapy no Correio do Sul

Inclusive - diversidade.
A Abolição da Escravatura, comemorada no próximo dia 13 de maio, aconteceu há 125 anos e ainda há, nos dias de hoje, o que se libertar! O preconceito é uma delas. Kathleen Cristina Alves Antunes, de 16 anos, sabe bem disso. “Esta data foi o primeiro passo em direção da igualdade racial no Brasil, mas ainda há muito que se lutar. O preconceito ainda existe”, conta ela que é filha de mãe branca e descendente de italianos, e pai negro, afrodescendente. Tanto é que, quando criança, recorda, sofria mais preconceito que hoje. “Já fui xingada de várias formas”, relata.


Preconceito esse que o pequeno Ariel Camargo Vaz, de 9 anos, já percebeu, apesar de não ser alvo. “Eu já vi alguns meninos xingarem os meus amigos negros. Eu fico quieto, acho feio. Só defendo quando eles brigam”, confessa. A pequena Isadora, de 9 anos, também conta uma visão semelhante. Afrodescendente, ela diz que já foi chamada por nomes feios. “Eu não gostei”, diz magoada, assumindo que, como sabe que hoje isso é proibido, recorreu naquela ocasião à justiça por meio da professora.

“Ela chamou a atenção dele e o suspendeu das aulas por alguns dias. Aí pararam de fazer isso comigo”, diz ela satisfeita. Para as crianças e adolescentes como Kathleen, Isadora e Ariel, que participam do Centro Cultural Quilombinho Sorocaba, a luta pelos direitos, pela igualdade e pela justa menção à história do povo negro, ainda é uma conquista diária. “Houve a abolição da escravatura, mas o negro ainda não é livre. Existem inúmeras formas de escravidão, prisão e preconceitos, como o da sexualidade, da religião. Há muito o que se lutar”, diz Kimberly Caroline Conceição, de 14 anos.

Ela é amiga de Gabriel Camargo, de 14 anos também. E foi justamente a exclusão que os uniu ainda mais. “Sou repetente na minha classe de escola e os afrodescendentes é que aceitaram ser meus amigos. Felizmente, como frequento o Quilombinho, a maioria dos meus amigos é negra e eu não vejo problema nisso”, diz Gabriel. “As pessoas fazem isso por ignorância”, acrescenta Gabriel de Lima Moraes, de 10 anos. Kimberly endossa, lembrando que seus antepassados foram iludidos quanto ao Brasil, quando na verdade estavam sendo traficados.

“O tráfico humano existe há séculos. Acho que temos que comemorar o 13 de maio, porque trata-se de um primeiro passo dado lá no passado. Mas ainda temos muito o que lutar hoje e a causa agora é mais ampla. Outras minorias se juntaram a nós, como pessoas que sofrem outros preconceitos, outros tipos de escravidão”, afirma. E Kathleen finaliza: “Uma pena que 125 anos depois da abolição ainda tenhamos tantos preconceitos a serem rompidos. Mas acho que a maior parte das pessoas sabem que os preconceituosos são ignorantes, pois somos todos iguais”, ensina.

Fontes: Cruzeiro do Sul -http://www.inclusive.org.br/

“Matéria postada em caráter informativo”

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Todas as crianças são bem-vindas à escola

Maria Teresa Eglér Mantoan
Universidade Estadual de Campinas / Unicamp Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Reabilitação de Pessoas com Deficiência – LEPED/ FE/ Unicamp

Imagem Internet/Ilustrativa
A inclusão é uma inovação, cujo sentido tem sido muito distorcido e um movimento muito polemizado pelos mais diferentes segmentos educacionais e sociais. No entanto, inserir alunos com déficits de toda ordem, permanentes ou temporários, mais graves ou menos severos no ensino regular nada mais é do que garantir o direito de todos à educação – e assim diz a Constituição!

Inovar não tem necessariamente o sentido do inusitado. As grandes inovações estão, muitas vezes na concretização do óbvio, do simples, do que é possível fazer, mas que precisa ser desvelado, para que possa ser compreendido por todos e aceito sem outras resistências, senão aquelas que dão brilho e vigor ao debate das novidades.
O objetivo de nossa participação neste evento é clarear o sentido da inclusão, como inovação, tornando-o compreensível, aos que se interessam pela educação como um direito de todos, que precisa ser respeitado. Pretendemos, também demonstrar a viabilidade da inclusão pela transformação geral das escolas, visando a atender aos princípios deste novo paradigma educacional.
Para descrever o nosso caminho na direção das escolas inclusivas vamos focalizar nossas experiências, no cenário educacional brasileiro sob três ângulos : o dos desafios provocados por essa inovação, o das ações no sentido de efetivá-la nas turmas escolares, incluindo o trabalho de formação de professores e, finalmente o das perspectivas que se abrem à educação escolar, a partir de sua implementação.
UMA EDUCAÇÃO PARA TODOS
O princípio democrático da educação para todos só se evidencia nos sistemas educacionais que se especializam em todos os alunos, não apenas em alguns deles, os alunos com deficiência. A inclusão, como consequência de um ensino de qualidade para todos os alunos provoca e exige da escola brasileira novos posicionamentos e é um motivo a mais para que o ensino se modernize e para que os professores aperfeiçoem as suas práticas. É uma inovação que implica num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais da maioria de nossas escolas de nível básico.
O motivo que sustenta a luta pela inclusão como uma nova perspectiva para as pessoas com deficiência é, sem dúvida, a qualidade de ensino nas escolas públicas e privadas, de modo que se tornem aptas para responder às necessidades de cada um de seus alunos, de acordo com suas especificidades, sem cair nas teias da educação especial e suas modalidades de exclusão.
O sucesso da inclusão de alunos com deficiência na escola regular decorre, portanto, das possibilidades de se conseguir progressos significativos desses alunos na escolaridade, por meio da adequação das práticas pedagógicas à diversidade dos aprendizes. E só se consegue atingir esse sucesso, quando a escola regular assume que as dificuldades de alguns alunos não são apenas deles, mas resultam em grande parte do modo como o ensino é ministrado, a aprendizagem é concebida e avaliada. Pois não apenas as deficientes são excluídas, mas também as que são pobres, as que não vão às aulas porque trabalham, as que pertencem a grupos discriminados, as que de tanto repetir desistiram de estudar.
OS DESAFIOS
Toda criança precisa da escola para aprender e não para marcar passo ou ser segregada em classes especiais e atendimentos à parte. A trajetória escolar não pode ser comparada a um rio perigoso e ameaçador, em cujas águas os alunos podem afundar. Mas há sistemas organizacionais de ensino que tornam esse percurso muito difícil de ser vencido, uma verdadeira competição entre a correnteza do rio e a força dos que querem se manter no seu curso principal.
Um desses sistemas, que muito apropriadamente se denomina “de cascata”, prevê a exclusão de algumas crianças, que têm déficits temporários ou permanentes e em função dos quais apresentam dificuldades para aprender. Esse sistema contrapõe-se à melhoria do ensino nas escolas, pois mantém ativo, o ensino especial, que atende aos alunos que caíram na cascata, por não conseguirem corresponder às exigências e expectativas da escola regular. Para se evitar a queda na cascata, na maioria das vezes sem volta, é preciso remar contra a correnteza, ou seja, enfrentar os desafios da inclusão : o ensino de baixa qualidade e o subsistema de ensino especial, desvinculadae justaposto ao regular.
Priorizar a qualidade do ensino regular é, pois, um desafio que precisa ser assumido por todos os educadores. É um compromisso inadiável das escolas, pois a educação básica é um dos fatores do desenvolvimento econômico e social. Trata-se de uma tarefa possível de ser realizada, mas é impossível de se efetivar por meio dos modelos tradicionais de organização do sistema escolar.
Se hoje já podemos contar com uma Lei Educacional que propõe e viabiliza novas alternativas para melhoria do ensino nas escolas, estas ainda estão longe, na maioria dos casos, de se tornarem inclusivas, isto é, abertas a todos os alunos, indistinta e incondicionalmente. O que existe em geral são projetos de inclusão parcial, que não estão associados a mudanças de base nas escolas e que continuam a atender aos alunos com deficiência em espaços escolares semi ou totalmente segregados (classes especiais, salas de recurso, turmas de aceleração, escolas especiais, os serviços de itinerância).
As escolas que não estão atendendo alunos com deficiência em suas turmas regulares se justificam, na maioria das vezes pelo despreparo dos seus professores para esse fim. Existem também as que não acreditam nos benefícios que esses alunos poderão tirar da nova situação, especialmente os casos mais graves, pois não teriam condições de acompanhar os avanços dos demais colegas e seriam ainda mais marginalizados e discriminados do que nas classes e escolas especiais.
Em ambas as circunstâncias, o que fica evidenciado é a necessidade de se redefinir e de se colocar em ação novas alternativas e práticas pedagógicas, que favoreçam a todos os alunos, o que, implica na atualização e desenvolvimento de conceitos e em aplicações educacionais compatíveis com esse grande desafio.
Muda então a escola ou mudam os alunos, para se ajustarem às suas velhas exigências ? Ensino especializado em todas as crianças ou ensino especial para deficientes? Professores que se aperfeiçoam para exercer suas funções, atendendo às peculiaridades de todos os alunos, ou professores especializados para ensinar aos que não aprendem e aos que não sabem ensinar?
AS AÇÕES
Visando os aspectos organizacionais
Ao nosso ver é preciso mudar a escola e mais precisamente o ensino nelas ministrado. A escola aberta para todos é a grande meta e, ao mesmo tempo, o grande problema da educação na virada do século.
Mudar a escola é enfrentar uma tarefa que exige trabalho em muitas frentes. Destacaremos as que consideramos primordiais, para que se possa transformar a escola , em direção de um ensino de qualidade e, em consequência, inclusivo.
Temos de agir urgentemente:
  • colocando a aprendizagem como o eixo das escolas, porque escola foi feita para fazer com que todos os alunos aprendam;
  • garantindo tempo para que todos possam aprender e reprovando a repetência;
  • abrindo espaço para que a cooperação, o diálogo, a solidariedade, a criatividade e o espírito crítico sejam exercitados nas escolas, por professores, administradores, funcionários e alunos, pois são habilidades mínimas para o exercício da verdadeira cidadania;
  • estimulando, formando continuamente e valorizando o professor que é o responsável pela tarefa fundamental da escola – a aprendizagem dos alunos;
  • elaborando planos de cargos e aumentando salários, realizando concursos públicos de ingresso, acesso e remoção de professores.
Que ações implementar para que a escola mude?
Para melhorar as condições pelas quais o ensino é ministrado nas escolas, visando, universalizar o acesso, ou seja, a inclusão de todos, incondicionalmente, nas turmas escolares e democratizar a educação, sugerimos o que, felizmente, já está ocorrendo em muitas redes de ensino, verdadeiras vitrines que expõem o sucesso da inclusão.
A primeira sugestão para que se caminhe para uma educação de qualidade é estimular as escolas para que elaborem com autonomia e de forma participativa o seu Projeto Político Pedagógico, diagnosticando a demanda, ou seja, verificando quantos são os alunos, onde estão e porque alguns estão fora da escola.
Sem que a escola conheça os seus alunos e os que estão à margem dela, não será possível elaborar um currículo escolar que reflita o meio social e cultural em que se insere. A integração entre as áreas do conhecimento e a concepção transversal das novas propostas de organização curricular consideram as disciplinas acadêmicas como meios e não fins em si mesmas e partem do respeito à realidade do aluno, de suas experiências de vida cotidiana, para chegar à sistematização do saber.
Como essa experiência varia entre os alunos, mesmo sendo membros de uma mesma comunidade, aimplantação dos ciclos de formação é uma solução justa, embora ainda muito incompreendida pelos professores e pais, por ser uma novidade e por estar sendo ainda pouco difundida e aplicada pelas redes de ensino. De fato, se dermos mais tempo para que os alunos aprendam, eliminando a seriação, a reprovação, nas passagens de um ano para outro, estaremos adequando o processo de aprendizagem ao ritmo e condições de desenvolvimento dos aprendizes – um dos princípios das escolas de qualidade para todos.
Por outro lado, a inclusão não implica em que se desenvolva um ensino individualizado para os alunos que apresentam déficits intelectuais, problemas de aprendizagem e outros, relacionados ao desempenho escolar. Na visão inclusiva, não se segregam os atendimentos, seja dentro ou fora das salas de aula e, portanto, nenhum aluno é encaminhado à salas de reforço ou aprende, a partir de currículos adaptados. O professor não predetermina a extensão e a profundidade dos conteúdos a serem construídos pelos alunos, nem facilita as atividades para alguns, porque, de antemão já prevê q dificuldade que possam encontrar para realizá-las. Porque é o aluno que se adapta ao novo conhecimento e só ele é capaz de regular o seu processo de construção intelectual.
A avaliação constitui um outro entrave à implementação da inclusão. É urgente suprimir o caráter classificatório da avaliação escolar, através de notas, provas, pela visão diagnóstica desse processo que deverá ser contínuo e qualitativo, visando depurar o ensino e torná-lo cada vez mais adequado e eficiente à aprendizagem de todos os alunos. Essa medida já diminuiria substancialmente o número de alunos que são indevidamente avaliados e categorizados como deficientes, nas escolas regulares.
aprendizagem como o centro das atividades escolares e o sucesso dos alunos, como a meta da escola, independentemente do nível de desempenho a que cada um seja capaz de chegar são condições de base para que se caminha na direção de escolas acolhedoras. O sentido desse acolhimento não é o da aceitação passiva das possibilidades de cada um, mas o de serem receptivas a todas as crianças, pois as escolas existem, para formar as novas gerações, e não apenas alguns de seus futuros membros, os mais privilegiados.
A inclusão não prevê a utilização de métodos e técnicas de ensino específicas para esta ou aquela deficiência. Os alunos aprendem até o limite em que conseguem chegar, se o ensino for de qualidade, isto é, se o professor considera o nível de possibilidades de desenvolvimento de cada um e explora essas possibilidades, por meio de atividades abertas, nas quais cada aluno se enquadra por si mesmo, na medida de seus interesses e necessidades, seja para construir uma idéia, ou resolver um problema, realizar uma tarefa. Eis aí um grande desafio a ser enfrentado pelas escolas regulares tradicionais, cujo paradigma é condutista, e baseado na transmissão dos conhecimentos.
O trabalho coletivo e diversificado nas turmas e na escola como um todo é compatível com a vocação da escola de formar as gerações. É nos bancos escolares que aprendemos a viver entre os nossos pares, a dividir as responsabilidades, repartir as tarefas. O exercício dessas ações desenvolve a cooperação, o sentido de se trabalhar e produzir em grupo, o reconhecimento da diversidade dos talentos humanos e a valorização do trabalho de cada pessoa para a consecução de metas comuns de um mesmo grupo.
tutoramento nas salas de aula tem sido uma solução natural, que pode ajudar muito os alunos, desenvolvendo neles o hábito de compartilhar o saber. O apoio ao colega com dificuldade é uma atitude extremamente útil e humana e que tem sido muito pouco desenvolvida nas escolas, sempre tão competitivas e despreocupadas com a a construção de valores e de atitudes morais.
Além dessas sugestões, referentes ao ensino nas escolas, a educação de qualidade para todos e a inclusão implicam em mudanças de outras condições relativas à administração e aos papéis desempenhados pelos membros da organização escolar.
Nesse sentido é primordial que sejam revistos os papéis desempenhados pelos diretores e coordenadores, no sentido de que ultrapassem o teor controlador, fiscalizador e burocrático de suas funções pelo trabalho de apoio, orientação do professor e de toda a comunidade escolar.
descentralização da gestão administrativa, por sua vez, promove uma maior autonomia pedagógica, administrativa e financeira de recursos materiais e humanos das escolas, por meio dos conselhos, colegiados, assembléias de pais e de alunos. Mudam-se os rumos da administração escolar e com isso o aspecto pedagógico das funções do diretor e dos coordenadores e supervisores emerge. Deixam de existir os motivos pelos quais que esses profissionais ficam confinados aos gabinetes, às questões burocráticas, sem tempo para conhecer e participar do que acontece nas salas de aula.
Visando a formação continuada dos professores
Sabemos que, no geral, os professores são bastante resistentes às inovações educacionais, como a inclusão. A tendência é se refugiarem no impossível, considerando que a proposta de uma educação para todos é válida, porém utópica, impossível de ser concretizada com muitos alunos e nas circunstâncias em que se trabalha, hoje, nas escolas, principalmente nas redes públicas de ensino.
A maioria dos professores têm uma visão funcional do ensino e tudo o que ameaça romper o esquema de trabalho prático que aprenderam a aplicar em suas salas de aula é rejeitado. Também reconhecemos que as inovações educacionais abalam a identidade profissional, e o lugar conquistado pelos professores em uma dada estrutura ou sistema de ensino, atentando contra a experiência, os conhecimentos e o esforço que fizeram para adquiri-los.
Os professores, como qualquer ser humano, tendem a adaptar uma situação nova às anteriores. E o que é habitual, no caso dos cursos de formação inicial e na educação continuada, é a separação entre teoria e prática. Essa visão dicotômica do ensino dificulta a nossa atuação, como formadores. Os professores reagem inicialmente à nossa metodologia, porque estão habituados a aprender de maneira incompleta, fragmentada e essencialmente instrucional. Eles esperam aprender uma prática inclusiva, ou melhor, uma formação que lhes permita aplicar esquemas de trabalho pré-definidos às suas salas de aulas, garantindo-lhes a solução dos problemas que presumem encontrar nas escolas inclusivas.
Em uma palavra, os professores acreditam que a formação em serviço lhes assegurará o preparo de que necessitam para se especializarem em todos os alunos, mas concebem essa formação como sendo mais um curso de extensão, de especialização com uma terminalidade e com um certificado que lhes convalida a capacidade de efetivar a inclusão escolar. Eles introjetaram o papel de praticantes e esperam que os formadores lhes ensinem o que é preciso fazer, para trabalhar com níveis diferentes de desempenho escolar, transmitindo-lhes os novos conhecimentos, conduzindo-lhes da mesma maneira como geralmente trabalham com seus próprios alunos. Acreditam que os conhecimentos que lhes faltam para ensinar as crianças com deficiência ou dificuldade de aprender por outras incontáveis causas referem-se primordialmente à conceituação, etiologia, prognósticos das deficiências e que precisam conhecer e saber aplicar métodos e técnicas específicas para a aprendizagem escolar desses alunos. Os dirigentes das redes de ensino e das escolas particulares também pretendem o mesmo, num primeiro momento, em que solicitam a nossa colaboração.
Se de um lado é preciso continuar investindo maciçamente na direção da formação de profissionais qualificados, não se pode descuidar da realização dessa formação e estar atento ao modo pelo qual os professores aprendem para se profissionalizar e para aperfeiçoar seus conhecimentos pedagógicos, assim como reagem às novidades, aos novos possíveis educacionais.
A metodologia
Diante dessas circunstâncias e para que possamos atingir nossos propósitos de formar professores para uma escola de qualidade para todos, idealizamos um projeto de formação que tem sido adotado por redes de ensino públicas e escolas particulares brasileiras, desde 1991.
Nossa proposta de formação se baseia em princípios educacionais construtivistas, pois reconhecemos que a cooperação, a autonomia intelectual e social, a aprendizagem ativa e a cooperação são condições que propiciam o desenvolvimento global de todos os alunos, assim como a capacitação e o aprimoramento profissional dos professores.
Nesse contexto, o professor é uma referência para o aluno e não apenas um mero instrutor, pois enfatizamos a importância de seu papel tanto na construção do conhecimento, como na formação de atitudes e valores do futuro cidadão. Assim sendo, a formação continuada vai além dos aspectos instrumentais de ensino.
A metodologia que adotamos reconhece que o professor, assim como o seu aluno, não aprendem no vazio. Assim sendo, partimos do “saber fazer” desses profissionais, que já possuem conhecimentos, experiências, crenças, esquemas de trabalho, ao entrar em contato com a inclusão ou qualquer outra inovação.
Em nossos projetos de aprimoramento e atualização do professor consideramos fundamental oexercício constante de reflexão e o compartilhamento de idéias, sentimentos, ações entre os professores, diretores, coordenadores da escola. Interessam-nos as experiências concretas, os problemas reais, as situações do dia-a-dia que desequilibram o trabalho, nas salas de aula. Eles são a matéria-prima das mudanças. O questionamento da própria prática, as comparações, a análise das circunstâncias e dos fatos que provocam perturbações e/ou respondem pelo sucesso vão definindo, pouco a pouco, aos professores as suas “teorias pedagógicas”. Pretendemos que os professores sejam capazes de explicar o que outrora só sabiam reproduzir, a partir do que aprendiam em cursos, oficinas, palestras, exclusivamente. Incentivamos os professores para que interajam com seus colegas com regularidade, estudem juntos, com e sem o nosso apoio técnico e que estejam abertos para colaborar com seus pares, na busca dos caminhos pedagógicos da inclusão.
O fato de os professores fundamentarem suas práticas e argumentos pedagógicos no senso comum dificulta a explicitação dos problemas de aprendizagem. Essa dificuldade pode mudar o rumo da trajetória escolar de alunos que muitas vezes são encaminhados indevidamente para as modalidades do ensino especial e outras opções segregativas de atendimento educacional.
Daí a necessidade de se formarem grupos de estudos nas escolas, para a discussão e a compreensão dos problemas educacionais, à luz do conhecimento científico e interdisciplinarmente, se possível. Os grupos são organizados espontaneamente pelos próprios professores, no horário em que estão nas escolas e são acompanhados, inicialmente, pela equipe da rede de ensino, encarregada da coordenação das ações de formação. As reuniões têm como ponto de partida, as necessidades e interesse comuns de alguns professores de esclarecer situações e de aperfeiçoar o modo como trabalham nas salas de aula. O foco dos estudos está na resolução dos problemas de aprendizagem, o que remete à análise de como o ensino está sendo ministrado, pois o processo de construção do conhecimento é interativo e os seus dois lados devem ser analisados, quando se quer esclarecê-lo.
Participam dos grupos, além dos professores, o diretor da escola, coordenadores, mas há grupos que se formam entre membros de diversas escolas, que estejam voltados para um mesmo tema de estudo, como por exemplo a indisciplina, a sexualidade, a ética e a violência, a avaliação e outros assuntos pertinentes.
A equipe responsável pela coordenação da formação é constituída por professores, coordenadores, que são da própria rede de ensino, e por parceiros de outras Secretarias afins: Saúde, Esportes, Cultura. Nós trabalhamos diretamente com esses profissionais, mas também participamos do trabalho nas escolas, acompanhando-as esporadicamente, quando somos solicitados – minha equipe de alunos e eu.
Os Centros de Desenvolvimento do Professor
Algumas redes de ensino criaram o que chamamos de Centros de Desenvolvimento do Professor, os quais representam um avanço nessa nova direção de formação continuada, que estamos propondo, pois sediam a maioria das ações de aprimoramento da rede, promovendo eventos de pequeno, médio e grande porte, como workshops, seminários, entrevistas, com especialistas, fóruns e outras atividades. Sejam atendendo individualmente, como em pequenos e grandes grupos os professores, pais, comunidade. Os referidos Centros também se dedicam ao encaminhamento e atendimento de alunos que necessitam de tratamento clínico, em áreas que não sejam a escolar, propriamente dita.
Temos estimulado em todas as redes em que atuamos a criação dos centros, pois ao nosso ver, eles resumem o que pretendemos, quando nos referimos à formação continuada – um local em que o professor e toda comunidade escolar vem para realimentar o conhecimento pedagógico, além de servir igualmente aos alunos e a todos os interessados pela educação, no município.
Ao nosso ver, os cursos e demais atividades de formação em serviço, habitualmente oferecidos aos professores não estão obtendo o retorno que o investimento propõe. Temos insistido na criação desses Centros, porque a existência de seus serviços redireciona o que já é usual nas redes de ensino, ou seja, o apoio ao professor, pelos itinerantes. Não concordamos com esse suporte a alunos e professores com dificuldades, porque “apagam incêndio”, agem sobre os sintomas, oferecem soluções particularizadas, locais, mas não vão à fundo no problema e suas causas. Os serviços itinerantes de apoio não solicitam o professor, no sentido de que se mobilize, de que reveja sua prática. Sua existência não obriga o professor a assumir a responsabilidade pela aprendizagem de todos os alunos, pois já existe um especialista para atender aos caso mais difíceis, que são os que justamente fazem o professor evoluir, na maneira de proceder com a turma toda. Porque se um aluno não vai bem, seja ele uma pessoa com ou sem deficiência, o problema precisa ser analisado não apenas com relação às reações dessa ou de outra criança, mas ao grupo como um todo, ao ensino que está sendo ministrado, para que os alunos possam aprender, naquele grupo.
A itinerância não faz evoluir as práticas, o conhecimento pedagógico dos professores. Ë, na nossa opinião, mais uma modalidade da educação especial que acomoda o professor do ensino regular, tirando-lhe a oportunidade de crescer, de sentir a necessidade de buscar soluções e não aguardar que alguém de fora venha, regularmente, para resolver seus problemas. Esse serviço igualmente reforça a idéia de que os problemas de aprendizagem são sempre do aluno e que ó o especialista poderá se incumbir de removê-los, com adequação e eficiência.
O tipo de formação que estamos implementando para tornar possível a inclusão implica noestabelecimento de parcerias entre professores, alunos, escolas, profissionais de outras áreas afins, Universidades, para que possa se manter ativa e capaz de fazer frente às inúmeras solicitações que essa modalidade de trabalho provoca nos interessados. Por outro lado, essas parcerias ensejam o desenvolvimento de outras ações, entre as quais a investigação educacional e em outros ramos do conhecimento. São nessas redes e a partir dessa formação que estamos pesquisando e orientando trabalhos de nossos alunos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Educação / Unicamp e onde estamos observando os efeitos desse trabalho, nas redes.
Não dispensamos os cursos, oficinas e outros eventos de atualização e de aperfeiçoamento, quando estes são reinvindicados pelo professor e nesse sentido a parceria com outros grupos de pesquisa da Unicamp e colegas de outras Universidades têm sido muito eficiente. Mas há cursos que oferecemos aos professores, que são ministrados por seus colegas da própria rede, quando estes se dispõe a oferecê-los ou são convidados por nós, ao conhecermos o valor de sua contribuição para os demais.
As escolas e professores com os quais estamos trabalhando já apresentam sintomas pelos quais podemos perceber que estão evoluindo dia -a- dia para uma Educação de qualidade para Todos. Esses sintomas podem ser resumidos no que segue:
  • reconhecimento e valorização da diversidade, como elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem;
  • professores conscientes do modo como atuam, para promover a aprendizagem de todos os alunos;
  • cooperação entre os implicados no processo educativo – dentro e fora da escola;
  • valorização do processo sobre o produto da aprendizagem;
  • enfoques curriculares, metodológicos e estratégias pedagógicas que possibilita, a construção coletiva do conhecimento.
É preciso, contudo, considerar que a avaliação dos efeitos de nossos projetos não se centram no aproveitamento de alguns alunos, os deficientes, nas classes regulares. Embora estes casos sejam objeto de nossa atenção, queremos acima de tudo saber se os professores evoluíram na sua maneira de fazer acontecer a aprendizagem nas suas salas de aula; se as escolas se transformaram, se as crianças estão sendo respeitadas nas suas possibilidades de avançar, autonomamente, na construção dos conhecimentos acadêmicos; se estes estão sendo construídos no coletivo escolar, em clima de solidariedade; se a as relações entre as crianças, pais, professores e toda a comunidade escolar se estreitaram, nos laços da cooperação, do diálogo, fruto de um exercício diário de compartilhamento de seus deveres, problemas, sucessos.
Outras alternativas de formação
Para ampliar essas parcerias estamos utilizando também as redes de comunicação à distância para intercâmbios de experiências entre alunos e profissionais da educação, pais e comunidade. Embora ainda incipiente, o Caleidoscópio – Um Projeto de Educação Para Todos é o nosso site na Internet e por meio deste hipertexto estamos trabalhando no sentido de provocar a interatividade presencial e virtual entre as escolas, como mais uma alternativa de formação continuada, que envolve os alunos, as escolas e a rede como um todo. O Caleidoscópio tem sido objeto de estudos de nossos alunos e de outras unidades da Unicamp, relacionadas à ciência da computação e está crescendo como proposta e abrindo canais de participação com a comunidade e com outras instituições que se propõe a participar do movimento inclusivo, dentro e fora das escolas.
Se pretendemos mudanças nas práticas de sala de aula, não podemos continuar formando e aperfeiçoando os professores como se as inovações só se referissem à aprendizagem dos alunos da educação infantil, da escola fundamental e do ensino médio…
AS PERSPECTIVAS
A escola para a maioria das crianças brasileiras é o único espaço de acesso aos conhecimentos universais e sistematizados, ou seja, é o lugar que vai lhes proporcionar condições de se desenvolver e de se tornar um cidadão , alguém com identidade social e cultural.
Melhorar as condições da escola é formar gerações mais preparadas para viver a vida na sua plenitude, livremente, sem preconceitos, sem barreiras. Não podemos nos contradizer nem mesmo contemporizar soluções, mesmo que o preço que tenhamos de pagar seja bem alto, pois nunca será tão alto quanto o resgate de uma vida escolar marginalizada, uma evasão, uma criança estigmatizada, sem motivos.
A escola prepara o futuro e de certo que se as crianças conviverem e aprenderem a valorizar a diversidade nas suas salas de aula, serão adultos bem diferentes de nós, que temos de nos empenhar tanto para defender o indefensável.
A inclusão escolar remete a escola a questões de estrutura e de funcionamento que subvertem seus paradigmas e que implicam em um redimensionamento de seu papel, para um mundo que evolui a “bytes”.
O movimento inclusivo, nas escolas, por mais que seja ainda muito contestado, pelo caráter ameaçador de toda e qualquer mudança, especialmente no meio educacional, é irreversível e convence a todos pela sua lógica, pela ética de seu posicionamento social.
A inclusão está denunciando o abismo existente entre o velho e o novo na instituição escolar brasileira. A inclusão é reveladora dessa distância que precisa ser preenchida com as ações que relacionamos anteriormente.
Assim sendo, o futuro da escola inclusiva está, ao nosso ver, dependendo de uma expansão rápida dos projetos verdadeiramente embuídos do compromisso de transformar a escola, para se adequar aos novos tempos.
Se hoje ainda são experiências locais, as que estão demonstrando a viabilidade da inclusão, em escolas e redes de ensino brasileiras, estas experiências têm a força do óbvio e a clareza da simplicidade e só essas virtudes são suficientes para se antever o crescimento desse novo paradigma no sistema educacional.
Não se muda a escola com um passe de mágica.
A implementação da escola de qualidade, que é igualitária, justa e acolhedora para todos, é um sonho possível.
A aparente fragilidade das pequenas iniciativas, ou seja, essas experiências locais que têm sido suficientes para enfrentar o poder da máquina educacional, velha e enferrujada, com segurança e tranquilidade. Essas iniciativas têm mostrado a viabilidade da inclusão escolar nas escolas brasileiras.
As perspectivas do ensino inclusivo são, pois, animadoras e alentadoras para a nossa educação. A escola é do povo, de todas as crianças, de suas famílias, das comunidade, em que se inserem.
Crianças, bem-vindas à uma nova escola!
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Fonte: ONG Pró-Inclusão - http://www.deficienteciente.com.br/ - Imagem Internet/ilustrativa
“Matéria postada em caráter informativo”