sábado, 10 de agosto de 2013

Jornalista narra em “A Queda” a emocionante jornada ao lado do filho Tito, hoje com 11 anos
(Reportagem do ano de 2012)
Por Larissa Roso (Zero Hora)
Diogo Mainardi e seu filho Tito. Foto: Camilla Maia / Ag O Globo
Diogo Mainardi e seu filho Tito. Foto: Camilla Maia / Ag O Globo

Diogo Mainardi passou boa parte da vida, a sua e a do filho, fazendo contas. Dias, rotinas e trajetos foram medidos em passos a partir do momento em que Tito, o primogênito, começou a se arriscar na complexa arte de se locomover. Vítima de um erro médico grosseiro que levou a uma paralisia cerebral, o menino, que completa 12 anos este mês, tem sérias restrições motoras, que comprometem os movimentos das mãos e das pernas e também a fala. Eu conto seus passos, um por um, narra o pai em A Queda – As Memórias de um Pai em 424 Passos, lançamento da editora Record.
Colunista político controverso, semeador de paixões e discórdias, Mainardi interrompe seu autoimposto exílio literário com um livro soberbo. Há dois anos, abdicou do posto de cronista mais lido – e comentado, e criticado, e odiado, e exaltado – da revista Veja para retornar à Itália natal de sua mulher, a historiadora Anna, 48 anos, e do filho mais velho. Nico, o caçula de sete anos, nasceu no Rio de Janeiro,, onde a família morou por quase uma década, seguindo recomendações médicas – o calor e a areia fofa da beira-mar eram a combinação ideal para que Tito aprendesse a colocar um pé na frente do outro. “Ele sempre cai. Ele sempre cai gargalhando”, escreve.
Tito deu 16 passos seguidos em 2005. Batia seus próprios recordes a intervalos de meses, sempre seguido pelo pai, atento a qualquer movimento em falso: após os 16 passos, alcançou 27, e então 44, 71, depois 118. Em 11 de janeiro de 2008, foram 359 passos. “Saber cair tem muito mais valor do que saber caminhar”, reflete o pai-escritor à página 66.
A Queda não é um álbum de recortes sentimentalistas. Nem poderia ser. Mainardi, dono de um texto inquieto e insolente, por vezes até ofensivo, pariu um diário enxuto, preciso – e, talvez por isso mesmo, desconcertante. São 424 pequenos ou microcapítulos com lembranças envoltas em referências literárias, artísticas e históricas. A trajetória de Tito, sustenta o autor, é circular, desvendando e reencontrando coincidências, nomes, datas. Todas as citações – a obra de Rembrandt, o programa de extermínio de Adolf Hitler, a exuberância arquitetônica da cidade italiana que a família elegeu como lar – têm um propósito, tudo se relaciona ao personagem principal.
Antecipar aqui o desfecho de A Queda seria privar o leitor da emoção do primeiro contato com um trecho encantado. Se não valesse pelo conjunto, o título mais importante da carreira de Mainardi se justificaria pelas páginas finais. Sem prejudicar o deleite da leitura, pode-se resumir pouco mais do que o óbvio. Assim: Tito atingiu a marca mais incrível de sua ainda curta caminhada – 424 passos. O número inspirou um livro. E Mainardi parou de contar.
O paulistano, que faz 50 anos no próximo dia 22, conversou com um grupo restrito de jornalistas brasileiros. A Queda é tão valioso e tão íntimo, justifica ele, que teme desgastá-lo. De passagem pelo Rio, Mainardi concedeu, por telefone, a entrevista a seguir.
Diogo Mainardi e seu filho TitoDonna – Você classifica o amor pelo seu filho como “avassalador” e diz que A Queda é uma manifestação desse sentimento. Você escreveu o livro que gostaria de ter escrito?
Diogo Mainardi – É uma declaração de amor, uma declaração do jeito que eu sei declarar. É a minha serenata para o meu filho. Não sou uma pessoa particularmente sentimental. Para compreender esse amor avassalador, quase inexplicável, novo para mim, tive de recorrer aos meus instrumentos, que eram todos de natureza intelectual, estética. Foi assim que eu consegui resumi-lo, explicá-lo para mim e tirar dele o máximo que podia. O livro saiu exatamente da maneira que eu poderia escrevê-lo. É um livro verdadeiro, uma história verdadeira. Não poderia tê-lo feito de outra maneira porque é a minha história, ela está toda ali. Não fui catar referências eruditas porque elas podiam acrescentar alguma coisa ao texto. Catei o que havia à disposição, na minha cabeça, na história familiar, no arquivo fotográfico. Fui recolhendo o que havia em torno de mim. Nesse sentido, é o livro possível, o livro que eu podia fazer. É o máximo do meu amor, na expressão mais verdadeira desse amor.
Donna – Quem é o Tito?
Mainardi – Tenho dois filhos e não vejo nenhuma diferença entre eles. Filho é filho. Tito é igual ao meu outro filho. Eles se dão muitíssimo bem. Tito tem um amor absoluto pelo irmão. Ele, como criança, é igual a todas as outras. Tive por ele algo que não é igual ao que eu teria de outra maneira. Sei que todos os pais amam os filhos, mas no meu caso esse processo foi muito rápido, surgiu de uma hora para outra. Por isso mesmo foi avassalador. Com meu outro filho, houve um período em que pude conhecê-lo, reconhecer nele as características que me pertencem também. Você vê no seu filho o que é parecido com você. São os velhos chavões da paternidade. No caso do Tito, aprendi a ver também o que era diferente. Foi um aprendizado sentimental muito violento. Comemorei, depois de três dias de vida, o fato de que ele estava vivo. Ele era um morto até então. Foi o único momento de verdadeira comoção que tive desde que ele nasceu. Na verdade, foi o único momento de comoção da minha vida. Eu nunca tinha tido uma comoção, de fato, e nunca tive outra depois disso. No livro, busquei o equivalente intelectual para exprimir um sentimento. O (Marcel) Proust tem essa frase maravilhosa que diz que para exprimir um sentimento tem de buscar um equivalente intelectual, porque você não pode só ficar ali tocando um violãozinho. Fica empobrecido. Tem que buscar uma linguagem capaz de exprimir esse amor de maneira mais elaborada.
Donna – Você repete que não foi um choque ou uma dor profunda ter um filho com paralisia cerebral, em nenhum momento. No Roda Viva (Mainardi foi o convidado do programa do dia 20 de agosto), da TV Cultura, alguns dos seus entrevistadores insistiram nesse ponto, parecendo bastante surpresos com o fato de não ter havido desespero. As pessoas geralmente deixam transparecer essa incredulidade em relação a isso?
Mainardi – É sempre assim. As pessoas acham que é um drama aquilo que não é um drama e não foi um drama. Parte do prazer de escrever esse livro é que é um relato prazeroso, de gozo absoluto, de prazer absoluto. Tive um pequeno encontro com os vendedores da Livraria da Travessa. Quando eles disseram que o meu livro vendeu mais do que Cinquenta Tons de Cinza, eu disse que tem mais gozo, mais prazer sensual no meu livro do que no outro (risos). O livro é fruto desse prazer, desse transbordamento de amor.
Donna - Há pais com muita dificuldade para ver e aceitar as limitações de um filho com necessidades especiais, traçando metas inatingíveis para a criança. Como você adapta suas expectativas?
Mainardi – Nunca tive expectativa em relação a ninguém, nem a mim mesmo. Isso facilitou o período de aceitação, que foi natural, imediato. Depois de alguns anos, em relação aos médicos, passei a saber exatamente o que podia esperar, e não só pela barbeiragem que causou o dano cerebral. Nós, hoje em dia, fazemos pequenas escolhas funcionais para o nosso filho, como o fato de voltar a Veneza, por exemplo, que garante a ele um tipo de autonomia que ele não poderia ter no Rio de Janeiro, onde estávamos muito bem. Mas na Itália ele tem independência, que para nós é prioritário hoje. Para ele, um menino de 11 anos, nada é mais importante do que passear sem mim, passear sozinho, não ser protegido. Se dou um beijo, ele limpa a minha baba por 20 minutos. Tem nojo de mim, vergonha. Para mim, é ótimo que ele não se sinta dependente a ponto de precisar esconder esse nojo. Ele se sente perfeitamente à vontade em exprimir seus desejos. A grande ambição da vida dele é morar sozinho, já aos 11 anos. E eu mudei para a Itália também porque os filhos ficam até os 40 anos na casa dos pais (risos). Quero mantê-los perto de mim o máximo possível. Mas o pivete quer se separar cedo demais, o que é saudável, no caso dele mais ainda. Obviamente, a independência dele não vai ser totalmente conquistada, ele vai depender de nós.
Donna – Que nível de independência Tito tem hoje? Você relata o período em que ele usava um comunicador, apertando botões com figuras para expressar pensamentos e necessidades.
Mainardi – Hoje ele fala e usa um andador fora de casa. Em casa, ele tem uma muleta com quatro rodas porque os espaços são mais estreitos. Na rua, ele corre, atravessa a cidade todos os dias. Seria capaz até de dar passos independentes dentro de casa se não tivesse tanto medo. Quando tem medo, os músculos se contraem, e ele cai. Mas hoje ele cai bem, e isso é um conforto.
Donna - A reação dos outros o incomoda? Existe preconceito? Você observa que as pessoas se habituaram a Tito: o jornaleiro, o barbeiro, o quitandeiro. Você acha que essa é a reação mais comum em relação a pessoas com necessidades especiais, a maioria tem o choque inicial e depois se habitua?
Mainardi – As pessoas se habituam, mas continuam excessivamente complacentes em relação à criança, com um excesso de comiseração, e isso é inevitável. A gente se acostumou. Você não pode dizer a todos: “Olha, meu filho é inteligente, ele entende o que você está dizendo”. Alguns falam: “Puxa, ele sabe o meu nome!”. Ele, por sorte, acha a maior graça disso. Meu filho acha que é um privilégio ser deficiente. Fura a fila no aeroporto e acha a maior graça. O irmão dele diz: “Que bom ter um irmão deficiente”. Essa é a frase padrão no aeroporto. Nós aproveitamos as vantagens, é claro, porque precisamos, temos duas mãos cada um. Passamos na frente. Mas ele gosta do banheiro para deficientes, do elevador para deficientes, ele acha que faz parte de um mundo melhor, privilegiado, em relação ao nosso. Acho muita graça disso, minha mulher também. E o irmão tem uma ponta de inveja e de orgulho também.
Donna – Foi difícil tomar a decisão de ter o segundo filho? Surgiu algum receio com a proximidade do parto?
Mainardi e os filhos Tito e Nico Foto divulgação Revista Veja
Mainardi e os filhos Tito e Nico (Foto divulgação Revista Veja)
Mainardi – Nenhum receio, zero. Nico foi parido em um outro hospital, a única precaução foi essa. Eu não teria feito o mesmo erro duas vezes, isso não. O parto dele foi cercado de cuidados aqui no Rio de Janeiro. Nem isso, já que ele nasceu algumas horas antes da programação, mas foi tudo tranquilo. A gente não tinha medo nenhum com o Tito também. Foi uma barbeiragem grosseira, mas não havia nenhum temor. Meu, zero. A minha mulher, como eu digo no livro, tinha medo do hospital, mas não da gestação. Fizemos os exames de praxe e só.
Donna – Escrever um livro como este é se mostrar bastante e também se oferecer a múltiplas interpretações. A revelação dos seus pensamentos e sentimentos mais íntimos pode ser recebida com elogios, críticas, julgamentos apressados. Você teve que se preparar emocionalmente para essa ampla exposição?
Mainardi – Nada, nada. Esse livro faz parte do meu universo intelectual. Tem uma exposição brutal do que sou, completa. É óbvio que eu fico de cuecas, mas a visão, toda ela, é intelectual. Não vou me comparar ao Montaigne, mas, quando contava as histórias dele, ele tentava ir mais longe. O meu livro tenta ir um pouquinho mais longe.
Donna - O que o Tito achou de um livro sobre ele?
Mainardi – Ele acha muita graça. Acabei de receber um comentário muito lisonjeiro da Lya Luft, sua conterrânea, e ela nota que, em todas as fotos em que o Tito aparece, ele está sempre rindo. Ele ri, acha graça, acha graça dele mesmo. Tem um sentido de autodepreciação que o protege também contra o preconceito. Ele ajudou a coletar as fotos, conhece todas as histórias, obviamente. Não tem um interesse particular por ele mesmo, não é excessivamente vaidoso, mas acha muita graça sobretudo do que aconteceu quando era recém-nascido e nos primeiros anos. Quando não tem uma memória própria, ele tem curiosidade de saber a minha memória. A partir do momento em que o livro entra na memória mais recente, aí ele não tem muito interesse porque tem a versão dele, que é melhor do que a minha, provavelmente (risos).
Donna – Algumas das passagens mais tocantes se referem aos momentos em que você acompanha o Tito caminhando e vai contando os passos, recomeçando do zero a cada vez que ele pisa em falso ou cai. Depois da marca de 424 passos, registrada no subtítulo, você abandona essa prática.
Mainardi – Esse livro não tem uma linha sequer inventada. Parei de contar no final do livro e parei de contar na vida real. Nossas expectativas são para amanhã de manhã, no máximo. Não tenho a ideia fantasiosa de que vamos triunfar sobre a deficiência. Não é um livro de superação. A nossa história não é uma história de superação. A gente não superou coisa nenhuma. Meu filho tem uma paralisia cerebral debilitante. Vivemos muito tranquilamente com isso, mas sem a ilusão de que ela foi vencida. Detesto essas histórias de superação, não acredito nelas. Sou realista, vejo as coisas como elas são.
Donna – Ainda que não faça projeções para muito adiante, o que você imagina para o futuro dele?
Mainardi – É melhor nem repetir porque é tudo bobagem alucinada de menino de 11 anos.
Donna – Ele quer ser astronauta?
Mainardi – Não, não (risos). Ele sabe que astronauta não vai ser, não. Até os nove, 10 anos, ele queria ser vagabundo, não fazer nada. E achava muita graça quando dizia isso. Na época, eu trabalhava muito, mas talvez fosse o meu plano e ele tivesse incorporado isso (Mainardi parou de trabalhar e diz que adora ser “vagabundo”). Não tenho ideia. Hoje em dia, ele diz que quer ter uma temakeria com o irmão, mas não é nada muito sério. A avó disse que ele tinha que ser tabelião. Isso é muito italiano. É uma daquelas funções burocráticas que sobrevivem na Itália. Aí ele diz: “Serei tabelião”.
Donna – O idioma que vocês usam em casa é o português ou o italiano?
Mainardi – Italiano. Eles estão perdendo o português. Quando estou sozinho com eles, falo português. Minha mulher é veneziana. Eu a conheci em italiano, então a nossa língua afetiva sempre foi o italiano. Logo que o Tito nasceu, nos transferimos para o Rio e não imaginamos que pudéssemos voltar para Veneza. Então, não queríamos que os nossos filhos perdessem o italiano. A gente falava italiano em casa. Acabou que voltamos, e a língua familiar continuou a mesma, é impossível mudar. Eles entendem tudo em português, falam um pouquinho, se viram – o Tito melhor do que o Nico. O Nico saiu daqui pequenininho, tem muita inibição de falar em português. O Tito se vira, e o Nico, pessimamente.
Donna – Sua família ganhou uma indenização (mais de 3,1 milhões de euros, cerca de R$ 7,9 milhões) no processo contra o hospital, o que representou um alívio grande em relação ao futuro do menino – você comemorou, à época, a tranquilidade de, enfim, poder morrer. Ainda assim, você teme o momento em que o Tito não tiver mais o apoio e a segurança dos pais? Vocês pensam que o irmão menor pode acabar assumindo essa grande responsabilidade?
Mainardi – Não. Se ele, por ventura, se dispuser a fazer alguma coisa, a gente vai ficar muito feliz, mas não será uma imposição. Como o irmão é rico, é bem possível que o canalha se aproxime dele (risos). Um é milionário, o outro é duro, então é bem possível que um seja obrigado a tutelar o outro. Mas o Nico não vai ter acesso ao dinheiro do irmão, a gente vai deixar tudo certinho para que eles possam usar o dinheiro mês a mês. Estou brincando, claro. Espero que eles tenham uma boa relação. Não quero que o menor seja enfermeiro do maior, mas se ele puder ajudar quando for necessário, e a gente nem sabe quanto vai ser necessário… Aceitei com naturalidade toda a questão. Se surge uma oportunidade, a gente colhe, se surge uma dificuldade, a gente tenta resolver da melhor maneira. Quando não é possível resolver, paciência. É assim que tem sido. Aos 11 anos, ainda é cedo. Onze anos eram o suficiente para arrematar toda essa primeira fase da vida e fazer um livro? Isso, sim. Já dava para tirar a soma sentimental e intelectual da história. Não tenho mais o que dizer nessa área. Agora é tocar.
Fonte: Donna (Zero Hora) - http://www.deficienteciente.com.br/
                                  “Matéria postada em caráter informativo”

Apaes realizam protesto contra a ameaça de extinção das escolas especiais

                                              Imagem Internet/Ilustrativa

 
As Associações de Pais e Amigos Excepcionais (Apaes) de todos os estados do Brasil paralisaram suas atividades ontem (06-08-2013). A mobilização é contra a medida do Plano Nacional de Educação (PNE). O plano prevê o corte de repasse para escolas especiais, como também ordena a matrícula dos alunos especiais em escolas da rede regular.

Segundo a diretora da Apae de Umuarama, Elaine Soares Cerci, hoje será realizada uma carreata na avenida Paraná e movimentação de protesto na praça Arthur Thomas “Um aluno com deficiência intelectual ou múltipla precisa de um local de ensino adequado. A rede comum não consegue suprir essa demanda”, comentou.

Ainda segundo a diretora, a inclusão desses alunos na rede regular é uma utopia devido a necessidade de integração com os profissionais da educação e da saúde. Elaine também lembrou do bullying sofrido, o que prejudica ainda mais o desenvolvimento dos alunos com deficiências. “Nossa missão é incluir, mas de maneira responsável. Hoje a Apae de Umuarama oferece atendimento, além dos profissionais da educação, com fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicologia e psiquiatra. Os pais da Apae não ficam na fila do SUS (Sistema Único de Saúde)”, informou.

Em Umuarama são 250 alunos, entre 0 a 60 anos, sendo beneficiados com os serviços da Apae. Alguns desses estudantes participam de cursos técnicos e devido ao desenvolvimento conquistado durante o período de aprendizado, hoje alguns estão empregados. “Os pais dos alunos da rede regular podem matricular seus filhos em uma escola pública ou particular. Nossos pais não terão essa escolha e serão obrigados a matricular em uma escola pública normal”, disse.

O protesto será contra o Ministério da Educação (MEC) idealizador da proposta de alteração do texto do PNE. A alteração foi aprovada na Câmara dos Deputados e agora foi encaminhado para o Senado. Caso a medida seja aprovada, os alunos especiais devem ser encaminhados para colégios comuns. 

Uma segunda mobilização deve acontecer no dia 14 de agosto, no senado em Brasília. Representantes dos estados, profissionais da educação, e pessoas com deficiências devem se encontrar para defender a atuação das APAEs. O MEC ainda não tem data estabelecida para a votação do PNE.
 
Números da Apae
 
De acordo com a presidência da associação, as APAEs estão presentes em 2.120 municípios em todo o território nacional e atendem 250 mil pessoas com deficiência. No Paraná, há 327 associações, que beneficiam 41 mil alunos. Além disso, no estado, três mil estudantes especiais já foram repassados para a rede comum de ensino – depois de avaliação realizada pelos profissionais das APAEs, que aponta quando o aluno tem condições de acompanhar o estudo regular.
 
Fonte: http://www.ilustrado.com.br - Imagem Internet/Ilustrativa
                                            “Matéria postada em caráter informativo”

4ª Conferência Municipal de Cultura prioriza acessibilidade


   Deficientes visuais e pessoas com baixa visão receberam material em braile e audiobook.

Material audiodescritivo, braile e duas tradutoras de Libras. Itens indispensáveis de inclusão para deficientes visuais e pessoas com baixa visão foram distribuídos durante o credenciamento da 4ª Conferência Municipal de Cultura (CMC) de São Luís, que está acontecendo desde quarta-feira (07), no WH Rio Poty, bairro da Ponta D’Areia. A programação será encerrada nesta sexta-feira (09).
A iniciativa partiu dos diálogos entre a Fundação Municipal de Cultura (Func) e o Movimento de Pessoas com Deficiência. Dentre as reivindicações de inclusão do Movimento, que tem como tema nacional “Nada sobre nós sem nós”, estão os itens de acessibilidade que vão, além da tradicional rampa, espaços adaptados, como banheiros.
De acordo com a produtora Alessandra Pajama, coordenadora de Cultura, Turismo e Esporte do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPD) e coordenadora de Cultura do Fórum Maranhense de Entidades da Pessoa com Deficiência e Patologia, a provocação a respeito da acessibilidade surgiu ainda nas reuniões de mobilização dos segmentos para a construção do Plano Municipal de Cultura (PMC) de São Luís.
“As discussões tiveram resultado. Para mim, que sou militante do Movimento da Pessoa com Deficiência este é um grande passo, pois representa o direito à inclusão e o acesso à informação”, comentou.
Para a coordenadora da 4ª CMC e do PMC de São Luís, Elizandra Rocha, trata-se de um processo inicial que pretende ser estendido a todas as ações da Func. “A questão da acessibilidade na 4ª CMC é uma das metas previstas no PMC que já está sendo aplicada. O que pretendemos é que, a partir de então, todos os eventos da Func possam contar com esta iniciativa”, destacou.
Segundo Divaldo Saraiva Falcão, deficiente visual, integrante do Fórum Maranhense de Entidades da Pessoa com Deficiência e Patologia, o critério da acessibilidade é um direito primordial que deveria ser pensado em todas as esferas da sociedade. No caso da 4ª CMC São Luís, torna-se fundamental, pois inclui literalmente o Movimento da Pessoa com Deficiência nas políticas públicas culturais. “O material em braile nos dá o entendimento sobre os documentos e o audiobook favorece o deficiente que não sabe ler em braile”, frisou.
"NADA SOBRE NÓS SEM NÓS"
O tema "Nada sobre nós sem nós", definido em 2004, por ocasião das celebrações do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, pela Convenção da ONU tem como principal intuito, a promoção efetiva da emancipação e da autonomia da pessoa com deficiência.
 
Fonte:  http://www.saoluis.ma.gov.br/ - “Matéria postada em caráter informativo”
 
 

Projeto Raia Manta torna o mergulho um esporte possível para pessoas com deficiência

           Projeto Raia Manta torna o mergulho um esporte possível para pessoas com deficiência
 
Pessoas com Síndrome de Down em curso de mergulho adaptado. Valorizando capacidades, deixando de lado discriminações.
São muitas as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência em seu dia a dia. Mas os que moram em Brasília estão tendo a chance de superar uma delas de forma surpreendente. Graças a um projeto de inclusão esportiva, eles estão praticando mergulho. É isso mesmo. O mergulho adaptado tem conquistado cada vez mais adeptos, animados com a perspectiva de ultrapassar alguns limites impostos por sua deficiência.
O projeto foi criado por Luciano Terra, mergulhador e instrutor profissional, que há mais de 10 anos trabalha com pessoas com necessidades especiais na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).
As aulas, pagas, acontecem no Lago Paranoá, em piscinas de clubes ou nas academias da cidade. Durante o curso de mergulho, os alunos assistem a aulas teóricas e práticas, ministradas pelo próprio Terra, que ensina o uso correto dos equipamentos e os sinais básicos utilizados na prática do esporte.
O Projeto Raia Manta, que surgiu em 2011, é mais uma mostra de que qualquer pessoa – independente da natureza de sua deficiência, seja ela física ou intelectual – pode ir além do que se imagina e abrir novos horizontes. No caso do mergulho adaptado, a realidade vem mostrando que sua prática melhora não só a qualidade de vida dos alunos como também sua autoestima.
“Quero que as pessoas sintam o que eu sinto, independentemente delas serem ou não deficientes. As pessoas com deficiência só precisam de mais estímulos”, ressalta Luciano Terra.
Fonte: Rede de Mobilização Social -http://www.fernandazago.com.br/
 
                                                     “Matéria postada em caráter informativo”
                    
 
 

“Possibilidades de Ver”. Oficina de Máscaras aproxima deficientes visuais da arte.

 

Uma escultura fiel do rosto, a máscara pode até servir de uma espécie de “retrato tátil” para cegos.
mascara
 

Por parte do próprio participante, a oficina propõe a confecção de máscaras para a modelagem de sua auto-imagem em gesso. “Possibilidades de ver” convoca os outros sentidos, que não o da visão, na realização coletiva da atividade.

Conduzida a partir do processo de áudio-descrição, inspiração que serviu a esta proposta, de fato surgida a partir de uma visita a exposição Gabinete Fluidificado do artista Mário Ramiro, com auxílio do método apresentado sob o acompanhamento da gestora para assuntos de acessibilidade do CCSP, Maria Helena Chenque. Ramiro é convidado da IV Mostra do Programa de Fotografia 2012/2013 pela curadoria de artes visuais, em cartaz até 25/8 no piso expositivo Flávio de Carvalho.

Desde que notório a falta de algo prático no ato de “sentir” outras maneiras de visitar uma exposição, escolhemos um objeto em exibição, o foto-livro chamado “Livro das Máscaras”, para desenvolver formas novas de pensamento e percepção acerca dos modos de ver arte.

Baseando-se na realidade de que as mostras de arte tem seu acesso estritamente circunscritas ao âmbito visual; por meio desta oficina aqui apresentada como ideia, nossa intenção é ativar impressões simbólicas além do espaço expositivo de Gabinete Fluidificado- e questionar as motivações e pretensões de torná-las acessíveis àqueles que não enxergam- o que geralmente é feito com a manipulação de material tátil fornecido institucionalmente como um modelo já pronto e fechado para a imaginação.

 A dinâmica da oficina consiste em se criar um percurso de visita específico à exposição mencionada, assumindo experimentalmente que utilizaremos os recursos possíveis de áudio-descrição encontradas na mostra Gabinete Fluidificado de Mário Ramiro, quando moldaremos máscaras diretamente sobre as faces uns dos outros, para o grupo ao final poder senti-las como a criação de um conjunto colaborativo. 

O curioso é notar que a palavra IMAGEM vem do latim imago; o que significa representação, imitação: as máscaras na antigüidade eram geralmente feitas de cera e/ou gesso, e manuseadas a partir de um modelo de semblante, cópia das feições de um rosto.

Aos interessados: público entusiasmado em geral com a proposta, estudantes de arte, artistas em formação (videntes e pessoas com deficiência visual).

É preciso trazer os seguintes materiais: gaze gessada e/ou gaze normal, gesso, vaselina, tesoura, bacia, toalha de rosto.

Quando e onde: dia 15/8 (quinta-feira), das 14h as 17h e dia 17/8 (sábado) das 10h as 12h na Sala das Oficinas do CCSP (junto ao Espaço Missão).

Inscrições: até o dia 13/8 (terça-feira): pelo e-mail artesplasticasccsp@gmail.com- vagas limitadas.

Coordenação: Maria Helena Chenque (Gestão de Acessibilidade)
Orientação: Diana Tsonis (Curadoria de Artes Visuais)
Colaboração: Biblioteca Louis Braille do CCSP

Fonte:
 CCSP -Centro Cultural de São Paulo -
http://queremosacessibilidade.blogspot.com.br/   

                                           “Matéria postada em caráter informativo”

Americana cega lança livro de receitas e estimula debate sobre cozinhar sem enxergar

GUSTAVO SIMON DE SÃO PAULO
Ouvir o texto

"Você é mesmo cega?", pergunta o chef Gordon Ramsay, que acumulou 11 estrelas no guia "Michelin", à americana de ascendência vietnamita Christine Ha, 33.
 
O apresentador do "Masterchef", reality show com cozinheiros amadores, estava diante de um ceviche de caranguejo que Christine preparara na terceira edição do programa. Um ceviche, nas palavras de Ramsay, temido pela verborragia pouco elogiosa, "visualmente deslumbrante".
 
 
Pois, em setembro do ano passado, ela (a única cega!) desbancou outros 17 cozinheiros e venceu o "MasterChef", que foi ao ar nos EUA. Ainda não há previsão para ser transmitido no Brasil.
Karime Xavier/Folhapress
A musicoterapeuta Helena D'Angelo manipula alimentos na cozinha Dedo de Moça, em São Paulo
A musicoterapeuta Helena D'Angelo manipula alimentos na cozinha Dedo de Moça, em São Paulo
 
Fazia parte do prêmio, somado a um valor equivalente a R$ 560 mil, a publicação de um livro. "Recipes from My Home Kitchen: Asian and American Comfort Food" (receitas de casa: "comfort food" asiática e americana) acaba de chegar às livrarias dos Estados Unidos.
 
O lançamento estimula o debate sobre o desafio que é cozinhar -cortar ingredientes, usar o fogão, montar pratos bonitos- sem um dos sentidos.
Para desvendar esse desafio, a reportagem entrevistou Christine Ha e acompanhou dois deficientes visuais na cozinha, clientes da Fundação Dorina Nowill para Cegos.
 
A musicoterapeuta Helena D'Angelo, 29, que você vê na foto acima, cozinhava quando criança e quis manter o hobby depois de perder a visão, aos 13 anos.
A delicadeza, até lentidão de movimentos, não escondem sua desenvoltura entre panelas, facas e o fogão. "Pelo olfato, sei se o tomate no molho está cru. E brinco que um bolo assando tem três cheiros -o mais gostoso é o dele pronto", diz.
 
COZINHA DE SENTIDOS
"Escuto as bolhas na água para saber se ela ferveu; sinto o perfume do alho antes de ele queimar; toco a carne para saber se está crua, crestada ou ao ponto."
 
É com essa espécie de passeio pelos sentidos que Christine Ha responde à pergunta de quais táticas desenvolveu para cozinhar sem poder enxergar.
 
 
Greg Gayne/Divulgação
Christine Ha faz um preparo para empanar frangos na semifinal do reality show "MasterChef", exibido no ano passado
Christine Ha faz um preparo para empanar frangos na semifinal do reality show "MasterChef", exibido no ano passado
 
A americana começou a se aventurar entre panelas e talheres quando ainda enxergava e morava sozinha, durante a faculdade.
 
Era um modo de tentar recuperar os temperos e sabores asiáticos da mãe, imigrante vietnamita no Texas (EUA), com mão boa para a cozinha -ela morreu quando Christine tinha 14 anos, e não deixou receitas escritas.
 
Uma doença autoimune, que em 1999 a deixou cega (ela enxerga como se houvesse uma grossa nuvem de vapor à frente), não interrompeu essa procura.
Daí, como conta à Folha, Christine valoriza tanto a "comfort food".
 
Depois de surpreender os espectadores ao vencer o reality show "MasterChef", ela lançou no mês passado seu livro de receitas asiáticas. A seguir, leia trechos da entrevista.
 
Folha - Você tinha visão perfeita quando aprendeu a cozinhar. De que sente falta hoje?

Christine Ha - De ver os ingredientes -seu frescor, suas cores vibrantes. Há ingredientes com os quais eu não tinha mexido até perder a visão; jamais saberei como é trabalhar com eles.
 
Quais?O uni (ouriço-do-mar), por exemplo. Isso vale também para técnicas -eu não estava habituada a filetar peixes.
 
Você apurou outros sentidos depois que ficou cega?
Agora, mais do que antes, os uso mais. Mas o mais importante é o paladar -ele me ajuda a desvendar texturas e temperatura.
 
Sabores e aromas da sua infância foram potencializados?
Eles ainda me trazem memórias de quando eu podia enxergar. E muitas vezes são ainda mais intensos, sim.
 
No programa, a apresentação dos pratos é fundamental. Como alcançar isso?
Em casa isso não importa, mas, se estou servindo outras pessoas -amigos ou os jurados do programa-, confio na memória: posso lembrar de como cores se parecem, o contraste entre elas; sinto as coisas com a mão e as visualizo mentalmente.
 
Como você lida com os perigos da cozinha, como facas e fogo?
Sou cautelosa, meticulosa, me mexo mais devagar. Prefiro ser lenta e segura do que afobada e machucada.
 
Você achava que poderia vencer o programa, apesar da deficiência?
Eu não pensava nisso, nem me importava. Preocupava-me mais com a jornada do que com seu resultado. Estava lá para aprender e ser a melhor no que pudesse, apesar de minhas limitações.
 
Você parece ter se especializado em "comfort food". Como define essa cozinha?
É a comida que dá nostalgia, que invoca emoções e faz de algo simples, como comer, uma experiência transformadora. Eu levo minhas memórias para a cozinha. O livro é minha maneira de dividir esse meu mundo com os outros.
RECIPES FROM MY HOME KITCHEN
AUTORA Christine Ha
EDITORA Rodale Books
QUANTO US$ 23,99 (cerca de R$ 54), na Amazon.com (224 págs.)
 
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/  -  Matéria postada em caráter informativo”