sábado, 31 de agosto de 2013

Torcedores criam torcida organizada para Pessoas com "Deficiência"

 

Casos de violência recentes no futebol tornaram o termo 'organizada' quase sinônimo de confusão. Mas um grupo de torcedores do Grêmio, aproveitando as boas condições da Arena, tenta mudar o quadro. Eles criaram a TAAG [Torcida Acessível da Arena do Grêmio], e superam as dificuldades de locomoção pelo amor ao Tricolor.

A iniciativa surgiu na data de apresentação do projeto da Arena, em 2011. E tomou corpo na inauguração do novo estádio, em 8 de dezembro do ano passado.

"Em 23 de março se apresentou o projeto de acessibilidade da Arena. Mas queríamos ver se tudo sairia do papel. Fomos à inauguração, éramos 15 cadeirantes. Quando vimos a rampa pensamos: não vamos conseguir subir. Mas logo veio um orientador e ajudou cada um de nós. Subimos a rampa, pegamos elevador, e no corredor fizemos um teste. Coube 15 cadeirantes lado a lado e mais 10 pessoas mais ou menos. Olhamos a visão do campo, não sabíamos se ríamos, chorávamos ou saíamos correndo. Sair correndo não dava (risos). Chegamos a conclusão que era necessário fazer uma torcida, chamar mais gente, mostrar que havia um espaço para nós no estádio", disse o presidente da TAAG, Osório Martins, ao UOL Esporte.

A Arena do Grêmio foi toda projetada para receber portadores de necessidades especiais. O estádio é 100% acessível. Há elevadores, corredores, banheiros específicos, indicações, espaços previamente determinados. Tudo para acomodar tais aficionados.

A iniciativa de Osório e os demais membros da TAAG partiu, também, de outras duas torcidas organizadas nos mesmos moldes. A DeFiel, do Corinthians, e a Eficigalo, do Atlético-MG, mantém a ideia dos gremistas. A inclusão de todos é a meta.

"Nossa ideia é incluir todos que têm alguma deficiência em um local que quem não tem nada disso também frequenta. O esporte é fundamental. Sendo divulgado desta forma, um empresário no Paraná, por exemplo, vai imaginar que se há esta mobilização, é necessário que o estádio do time dele também seja acessível, a loja dele, e assim por diante. Querendo ou não, influenciamos muita gente", afirmou Osório.


A TAAG tem página no Facebook [com mais de 1.100 curtidas], perfil no Twitter [com 323 seguidores] e blog [com acessos registrados de mais de 12 países]. Para fazer parte deste grupo ou apoiar de alguma forma basta acessar as redes sociais. E os objetivos para 2014 são audaciosos.

"Queremos audiodescrição dos jogos para cegos, escalação no telão em libras [Linguagem Brasileira de Sinais] para surdos. Estamos trabalhando nisso", afirmou o presidente, que concorre a uma vaga no Conselho Deliberativo do Grêmio para defender tal bandeira.

A partir do ano que vem, também, a TAAG passará a cadastrar seus torcedores. Mas não haverá cobrança de mensalidade. "Falta só o clube nos reconhecer como organizada oficialmente. Estamos esperando", reclama. Com os aficionados devidamente cadastrados, será possível ampliar algo que já ocorre: o desconto de 50% em ingressos para cadeirantes e acompanhantes.

"Estamos fazendo nossa parte para que todos tomem conhecimento da importância de ações como essa. O Grêmio é nossa grande paixão, sendo cadeirante, ou não", concluiu.

Desmistificando alguns pensamentos sobre a Paralisia Cerebral

Por: Maria Alice Furrer

  Foto: Revista Sentidos
  

É comum lermos e ouvirmos por aí que uma pessoa com Paralisia Cerebral não compreende o que ocorre ao seu redor ou até mesmo vive em "estado vegetativo". Talvez devido ao nome dessa patologia, muitas pessoas acham que trata-se de um "cérebro paralisado", inativo, sem função ou algo do gênero, o que não é verdade.


Nosso objetivo com este post é esclarecer, resumidamente, o que é a Paralisia Cerebral, baseando-nos em alguns conceitos e definições clínicas. 

Em 1988, a Comissão Mundial de Paralisia Cerebral conceituou-a como "um distúrbio de postura e movimento persistente, porém não imutável, causada por uma lesão no sistema nervoso em desenvolvimento, antes ou durante o nascimento ou nos primeiros meses de lactância".

A designação "Paralisia Cerebral" é clássica, porém não é a mais adequada, já que o cérebro não se encontra paralisado, mas sim incapacitado de comandar, principalmente, a função motora. Desta forma, torna-se inadequado e totalmente inconcebível achar que todo o indivíduo com Paralisia Cerebral não tenha preservada as funções cognitivas (percepção, atenção, memória, linguagem, funções executivas e outras).



Foto: Divulgação / Comitê Paraolímpico Brasileiro retirada do G1 

Clodoaldo Silva, nadador paraolímpico brasileiro, tem Paralisia Cerebral

 A prevalência da Paralisia Cerebral na população mundial atinge 1,5 a 2,5 indivíduos a cada 1000 nascidos vivos.

Apesar de a desordem motora ser um denominador comum da Paralisia Cerebral, outras desordens do desenvolvimento também podem estar presentes. As principais são:
  • Alterações oculares e visuais;
  • Déficit cognitivo;
  • Distúrbios de fala e linguagem;
  • Dificuldades de alimentação;
  • Disfunções corticais superiores (apraxia: incapacidade de realizar um movimento complexo que já aprendeu; agnosia: ausência de reconhecimento, como por exemplo conseguir pegar uma bola e não saber o que é) e os distúrbios de atenção;
  • Convulsões.
A Paralisia Cerebral possui um quadro clínico muito variado, como veremos a seguir. E além do quadro ser variado, existem outras manifestações associadas ao distúrbio motor, como citamos anteriormente. Essa variedade se deve ao fato de o sistema nervoso central ser muito complexo, e a caraterística da Paralisia Cerebral está intimamente relacionada com a área (ou áreas) deste sistema que foi lesada.
 
A Paralisia Cerebral é classificada de acordo com sua forma clínica (distúrbio do movimento) e topografia (distribuição do distúrbio do movimento). A forma clínica, que é a desordem motora, está intimamentre relacionada com a área do sistema nervoso central acometida, onde os seguintes tipos clínicos podem ser encontrados:

Espástico: Hipertonia muscular, espasticidade ("rigidez" muscular). Lesão do córtex e das vias córtico-espinais.
Discinéticos: Caracterizado pela presença de movimentos involuntários. Lesão dos núcleos da base.
Atáxicos: Incoordenação e equilíbrio prejudicados. Lesão do cerebelo.
Misto: Alteração em mais de um dos sistemas citados anteriormente.
 
Existem sub-grupos (mais específicos) na classificação clínica mencionada acima, porém, nosso objetivo com este post é apenas fazer um apanhado geral, desmistificando alguns conceitos sobre a patologia.
 
A classificação topográfica se refere à distribuição corporal da lesão. Atualmente, existem classificações específicas que detalham ainda mais o comprometimento motor. Abaixo vamos conhecer apenas a distribuição topográfica geral:

Quadriparesia: Acometimento dos quatro membros.
Diparesia: Comprometimento dos membros superiores mais leve (ou inexistente) do que nos membros inferiores.
Hemiparesia: Apenas um lado do corpo é comprometido (membros superior e inferior esquerdos, por exemplo).

Portanto, uma pessoa com Paralisia Cerebral não tem o cérebro e a vida paralisados! Essa desordem cerebral tem como denominador comum o prejuízo motor, mas os problemas associados podem ou não estar presentes.

Na grande maioria dos casos, as pessoas com Paralisia Cerebral possuem plenas condições de se desenvolver e ter uma vida normal, contanto que sejam bem estimuladas física e mentalmente (principalmente quando criança) e tenham à disposição recursos de acessibilidade e tecnologia assistiva. Por isso, não é raro encontrarmos Médicos, Psicólogos, Engenheiros e até Artistas Plásticos com Paralisia Cerebral.

Referências:

GIANNI, M.A.C. Paralisia cerebral aspectos clínicos. In: MOURA, E.W; SILVA, P.A.C.Fisioterapia: Aspectos clínicos e práticos da reabilitação, 1a ed. São Paulo: Artes Médicas, 2005. cap. 2, p. 13-25.

 

Maria Alice Furrer

Fonte: Blog Acessibilidade na Prática - http://www.fernandazago.com.br/

STF mantém decisão que obriga Gol a dar passe livre a deficiente carente

TRF-1 determinou reserva de ao menos duas poltronas em todos os voos.
Empresa pediu para STF suspender decisão, mas Joaquim Barbosa negou.


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, negou pedido para suspender decisão que obrigou a companhia aérea Gol a reservar ao menos duas poltronas com passagens gratuitas para pessoas com deficiência e comprovadamente carentes em todos os voos dentro do território brasileiro.

A obrigatoriedade foi determinada em liminar (decisão provisória) da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) no dia 12 de agosto. A Gol, então, entrou com pedido de suspensão de liminar no Supremo, que foi analisada por Barbosa. O presidente do Supremo rejeitou o pedido da empresa na terça-feira (27) e a decisão foi divulgada pela assessoria do tribunal nesta sexta (30).

Quando proferiu a decisão, o TRF-1 informou que a decisão se referia especificamente à Gol pois era a única entre as empresas aéreas que não cumpriam essa regra.

Uma lei de 1994 concedeu o direito do passe livre no transporte interestadual. O Ministério Público, então, entrou na Justiça por entender que isso se estenderia para o transporte aéreo.

Ao analisar o caso, Joaquim Barbosa disse que a decisão do TRF-1 não iria "inviabilizar o transporte aéreo". "Não há comprovação, além de dúvida razoável, de que a decisão impugnada poderia tornar insustentável a exploração dos serviços de transporte aéreo de passageiros."

O ministro entendeu que caberia à Gol demonstrar os reais prejuízos e "ir além de ilações ou de conjecturas".

Joaquim Barbosa destacou ainda as empresas aéreas têm uma série de desonerações e podem obter lucro de outras maneiras.

"O hipotético transporte gratuito de até dois passageiros a cada voo não tem intensidade suficiente para retirar completamente o interesse na exploração econômica dos serviços de transporte aéreo de passageiros."


Gregos com deficiências nadam graças a cadeira a energia solar

Dispositivo Seatrac permite que pessoas entrem e saiam do mar sozinhas.
Equipe tenta vender aparelho a Croácia, França, Emirados Árabes e Israel.

Da Reuters
 Lefteris Theofilou, de 52 anos, que sofre de paraplegia, entra no mar com a ajuda do "Seatrac", dispositivo movido a energia solar que permite pessoas com deficiência entrem e saiam do mar de forma autônoma, em praia de Alepochori, no oeste de Atenas, no dia 12 de julho  (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
Lefteris Theofilou, de 52 anos, que sofre de paraplegia, entra no mar com a ajuda do Seatrac, dispositivo movido a energia solar que permite que pessoas com deficiência entrem e saiam do mar de forma autônoma, em praia de Alepochori, no oeste de Atenas, no dia 12 de julho (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
Pessoas com deficiências físicas podem nadar sozinhas na Grécia graças a uma cadeira movida a energia solar desenvolvida por uma equipe de cientistas. O dispositivo Seatrac permite que os indivíduos entrem e saiam da água de forma autônoma, por meio de um trilho que os leva até o mar e os traz de volta à areia.
O aparelho foi criado em 2008 e protegido por leis de patente europeias e americanas. Ele opera sobre um mecanismo de controle fixo, que permite que até 30 cadeiras de rodas sejam movidas diariamente para dentro e fora do mar.
Atualmente, 11 dispositivos Seatrac estão instalados na Grécia, um país com milhares de ilhas e uma das maiores costas do mundo. Os pesquisadores tentam agora expandir o negócio: o produto já foi exportado para o Chipre, e há negociações com países como Croácia, França, Emirados Árabes Unidos e Israel.
Os criadores do dispositivo também se beneficiaram do clima da Grécia, onde faz sol quase o ano todo, mas ainda há pouca acessibilidade para pessoas com deficiência. Além disso, o Seatrac pode ser configurado facilmente em praias sem rede elétrica e desinstalado ao fim da temporada, sem danos para o meio ambiente.
A equipe espera que o aparelho impulsione o turismo no Mediterrâneo, o setor mais lucrativo da região. Os cientistas lamentam, porém, a falta de apoio das autoridades locais, que compraram o dispositivo por R$ 90.810 cada, e são responsáveis pela manutenção após o primeiro ano de uso.
Paralisado da cintura para baixo, o mecânico Lefteris Theofilou, de 52 anos, passou quase metade da vida ligado a uma cadeira de rodas. Ele lembra como se fosse um sonho a primeira vez que a cadeira movida a energia solar lhe permitiu nadar sozinho no mar grego, em uma noite quente de verão.
Ele se sentou na cadeira e, ao apartar um botão, subiu nela sem ajuda e andou 20 metros pela costa até a água.
"Temos milhares de praias, as mais belas do mundo, e ainda assim não somos capazes de nadar nelas? Isso faz você se sentir livre e capaz de coisas que não poderia imaginar que faria em seu próprio país", disse. "Esses caras criaram uma coisa incrível, e ainda tropeçamos em problemas do Estado. Esse é o desleixo do Terceiro Mundo", afirmou Theofilou.
O engenheiro Ignatios Fotiou, um dos inventores do Seatrac, comparou a falta de apoio do governo à "construção de um apartamento de cobertura sem um edifício embaixo dele".
Em uma praia movimentada na cidade costeira de Alepochori, perto de Atenas, vandalismo e roubos de painéis solares são comuns. Se alguma coisa quebra, os moradores dizem que pode levar dias para o município corrigir o problema, o que às vezes é adiado ainda mais por trabalhadores em greve. Muitas vezes, adolescentes também usam a máquina como trampolim de mergulho.
O grego Minas Georgakis – cuja mulher, Matoula Kastrioti, de 46 anos, sofre de esclerose múltipla e está em uma cadeira de rodas – disse que precisou tomar o assunto nas próprias mãos, porque a ajuda da administração local "simplesmente não existe".
Com pranchas de madeira, ele construiu uma rampa adicional para permitir o acesso ao Seatrac, já que as cadeiras de roda convencionais não podem ser conduzidas sobre a areia. Mesmo assim, o caminho que leva até o dispositivo é frequentemente bloqueado por motocicletas estacionadas e lixo não recolhido.
Homens trabalham na instalação do Seatrac na praia de Nea Makri, a leste de Atenas (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)Trio trabalha na instalação do Seatrac em Nea Makri, a leste de Atenas (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
Trilhos do Seatrac em uma praia de Alepochori, a oeste de Atenas, no dia 12 de julho (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)Trilhos do Seatrac em praia de Alepochori, a oeste de Atenas, em julho (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
Lefteris Theofilou, que sofre de paraplegia, é ajudado pela mulher, Eleni, de 37 anos, que tem paralisia cerebral (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)Lefteris Theofilou, que sofre de paraplegia, é ajudado pela mulher, Eleni, de 37 anos, que tem paralisia cerebral. Dispositivo a energia solar ajuda pessoas com deficiência a nadar (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
Matoula Kastrioti, de 46 anos, que sofre de esclerose múltipla, observa praia em Alepochori (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)Matoula Kastrioti, de 46 anos, que sofre de esclerose múltipla, entra no mar em praia em Alepochori, a oeste de Atenas, com ajuda de aparelho movido a energia solar que vai até a água (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
Matoula Kastrioti, de 46 anos, que sofre de esclerose múltipla, observa praia em Alepochori (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)A grega Matoula Kastrioti observa praia em Alepochori, no dia 12 de julho (Foto: Yorgos Karahalis/Reuters)
Fonte:http://g1.globo.com/ - “Matéria postada em caráter informativo”

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Triatleta supera esclerose múltipla e dá a volta por cima com a ajuda do esporte


Cristiane Prado tinha 26 anos e estava prestes a se casar quando foi diagnosticada com esclerose múltipla, que não tem cura.Sem conseguir trabalhar, ela resolveu se alistar no Exército e com a ajuda do esporte e de fortes desafios físicos, ela conseguiu controlar a doença.


Hoje, após oito anos, ela já consegue correr centenas de quilômetros sem sentir as dores típicas da doença. 

Há um ano e meio eu parei de tomar o remédio. Seria uma forte possibilidade de reativar a doença e não reativou e, atualmente, o exercício é uma prescrição médica.

Ela seguiu à risca o conselho e, com a ajuda do treinador, aprendeu a nadar e a pedalar para se tornar uma triatleta. Hoje ela já acumula diversas medalhas na modalidade.

A recuperação também a ajudou no trabalho, já que Cristiane é anestesista, mas também especializada em medicina esportiva.

A visão que eu tento passar para todos, independente de ser a pessoa mais sedentária possível, quanto de um atleta de ponta que vem para cá buscando os nossos testes, buscando um melhor resultado, é que você sempre pode, se você quiser.


                                      “Matéria postada em caráter informativo”

Consulta Pública para Programa Estadual de Combate à Violência contra Pessoas com Deficiência tem prazo prorrogado

O novo prazo, para quem quer participar, vai até 1 de setembro.

Luiz Carlos Lopes

Informamos prorrogação de prazo para participar de uma importante ação promovida pelo GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO e que impacta na vida de todos nós, pessoas com e sem deficiência: a violência. Até dia 1º de setembro você pode enviar sugestões para o Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra Pessoas com Deficiência.

Mesmo que você não tenha nenhuma relação com o universo das pessoas com deficiência, pode contribuir com a construção de uma sociedade mais justa, humana e inclusiva.

Leia o programa e envie sua contribuição para aprimoramentos. Acesse:
http://pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/usr/share/documents/MINUTA_CONSULTA%20PUBLICA%20DO%20PROGRAMA.pdf



                                               “Matéria postada em caráter informativo”

Empresa desenvolve equipamento para estudantes com baixa visão

Por Elton Alisson
Sistema possibilita a estudantes enxergar de forma ampliada o que está na lousa e o que eles copiam no caderno em sala de aula.

(divulgação)

Agência FAPESP – A Bonavision – empresa fundada por um pesquisador da clínica oftalmológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) – desenvolveu um sistema para que estudantes com visão abaixo de 30% ou subnormal – que enxergam em um campo de visão a até 20% do normal – possam enxergar de forma ampliada e com maior comodidade o que está na lousa e o que eles copiam no caderno, em sala de aula.


Resultado de um projeto realizado com apoio dos Programas Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI), da FAPESP, o equipamento é mais ergonômico e custa a metade do preço de produtos importados voltados para essa finalidade, afirma o oftalmologista José Américo Bonatti, um dos diretores da empresa.
“O preço de um equipamento importado é por volta de R$ 8 mil, enquanto o sistema que desenvolvemos custa R$ 4 mil e é mais ergonômico”, disse Bonatti à Agência FAPESP.
De acordo com o pesquisador, os equipamentos importados são compostos por uma câmera de vídeo com ajuste para longe e para perto, presa a uma base fixa com haste flexível para cima e para baixo e conectada a um monitor de computador ou TV – como uma webcam.
Para o estudante enxergar ampliado na tela do monitor com o equipamento, colocado sobre a carteira escolar, é preciso ajustar com a mão a câmera de vídeo para cima, em direção à lousa. Já para ver também de forma ampliada o que se está escrevendo, é preciso virar a câmera para baixo, em um ângulo de 90º, a fim de focalizar o caderno.
Ao retornar o foco da câmera de vídeo para a lousa e vice-versa, no entanto, perde-se o ponto em que se estava. “Se o estudante esquecer o que estava escrito na lousa quando estiver copiando, com a câmera focalizada no caderno, ele terá que direcioná-la novamente para a lousa e, com muita dificuldade, procurar o ponto em que estava antes. Isso desestimula o aprendizado”, avaliou Bonatti.
Nos últimos quatro anos, o pesquisador e sua sócia, a doutora em design pela Faculdade de Arquitetura da USP Fernanda Bonatti, estudaram uma forma de contornar esse problema. A solução a que chegaram foi um sistema com duas câmeras de vídeo com alternância, conectadas a um mesmo monitor.
A primeira câmera de vídeo do equipamento, voltada para a lousa, é presa a um suporte vertical fixo com haste flexível para cima e para baixo e para os lados, apoiado sobre a carteira escolar. Já a segunda câmera de vídeo, voltada para perto, desliza sobre um trilho de uma prancha para leitura e escrita desenvolvida anteriormente pela empresa.
A fim de alternar o uso das duas câmeras, sem que a primeira perca o foco da lousa e a segunda o do caderno, os pesquisadores desenvolveram um botão de controle que pode ser acessado pelo usuário no momento em que desejar.
“Com o botão de controle, o estudante pode alternar o uso das duas câmeras de vídeo na mesma tela. Quando estiver escrevendo e esquecer o que estava escrito na lousa, basta apertar o botão e a imagem exata do que estava copiando aparecerá na tela. Ao apertar novamente o botão, surgirá a imagem do caderno e assim sucessivamente”, exemplificou Bonatti. 
Sistema inclusivo
O equipamento começou a ser comercializado no início deste ano por meio do site da empresa. Além de possibilitar a alternância das câmeras e ampliar de dez a 15 vezes o foco para longe, outras vantagens do equipamento, segundo Bonatti, são a facilidade de uso e a inclusão do estudante com deficiência visual, dispensando a necessidade de ser acompanhado por uma pessoa em sala de aula para ler o que está escrito na lousa.
“Há casos de professores de estudantes com deficiência visual que têm de ficar ao lado do aluno para ler o que está escrito na lousa ou de estudantes que têm de ficar com o rosto muito próximo à lousa para ler o que está escrito e voltar para a carteira para copiar”, disse Bonatti. “As duas situações são extremamente cansativas”, avaliou.
O produto é o quarto lançado pela empresa. O primeiro, em 2008, foi uma lupa especial para leitura que amplia textos em sete vezes. Já em 2009, os pesquisadores da empresa lançaram uma prancha de leitura acoplada à lupa. Em 2011, desenvolveram uma versão eletrônica da prancheta, na qual se basearam para desenvolver o sistema com alternância de câmeras.
Assim como os outros equipamentos, o sistema foi desenvolvido para ser utilizado com treinamento mínimo do usuário, ressaltou Bonatti. “Procuramos desenvolver um sistema simples, que permite ao usuário memorizar o que está na lousa linha por linha ou mais linhas, dependendo da capacidade de memorização dele, e fácil de usar. Demoramos mais para desenvolver uma solução de uso simples do que para desenvolver a tecnologia em si”, disse Bonatti.
O pesquisador fez uma apresentação sobre sua experiência com o desenvolvimento de equipamentos de apoio à leitura para pacientes de baixa visão no dia 14 de agosto, durante a 5ª Semana de Propriedade Intelectual & Inovação, promovida pela Agência USP de Inovação. 

Fonte:http://agencia.fapesp.br/ - “Matéria postada em caráter informativo”

 

Sabedoria no conviver com uma deficiência

Artigo de William Machado, Secretário Municipal do Idoso e da PcD em Três Rios-RJ.

William Machado

                                                                                                                                             Imagem Internet/Ilustrativa
                                     
                                               Dr. William Machado, secretário do Idoso e da PcD de Três Rios

Que a nossa vida de hoje seja reflexo de uma série de idas e vindas através do eterno presente, fica restrita à compreensão direta ou indiretamente veiculada pelas mais diversas concepções religiosas em suas sagradas escrituras. Como compreensão hermenêutica, portanto, interpretativa da realidade e criada para a elaboração de uma variedade de versões, muitas vezes controversas em questões da mesma natureza, resta-nos buscar na sabedoria universal o que melhor nos adéque.

Nesse contexto, a felicidade pode estar relacionada à capacidade de cada um de nós enfrentar a realidade que nos está sendo apresentada por contingências que se colocam em dimensões além da nossa cognição, em particular, no que diz respeito ao que não pode ser mudado pelo esforço e vontade própria de cada um. Há situações em que mudanças advêm apenas da conjunção de forças geradas pelo que não compreendemos objetivamente, não obstante possamos até perceber na forma de inexplicáveis percepções extra-sensoriais.

Via de regra, estabelecemos prioridades para mudanças no plano material da nossa manifestação corporal, seja física, mental ou emocional. Como se não houvesse qualquer relação do que nos parece perene com o que trazemos de experiências anteriores, vividas nesse mesmo eterno presente.

Assim, viver no eterno presente significa acolher com sabedoria e amor o que nos é chegado. Reconhecer que existem mudanças planejadas para ocorrer em função do nosso ritmo interior, nossa sintonia com o sagrado Ser que trazemos em nós mesmos. Sintonia com nossa essência, nossa Luz, nosso Eu Superior.

Passados 19 anos em cadeira de rodas, paraplégico, reconheço-me mais forte, fraterno e solidário para com meus semelhantes. Não há nenhum mérito nisso. Trabalho e me dedico ao bem comum, especialmente, como interlocutor entre aspirações de uma vida melhor para idosos e pessoas com deficiência e o implemento de políticas públicas voltadas para esses dois segmentos da sociedade. Caminhos tortuosos, esses por nós trilhados, em contrapartida, muitos ganhos temos contabilizado, mas é preciso agir sempre com serenidade para avançar no momento mais oportuno.

Tenho dúvidas se teria a mesma percepção da vida, da relação que estabelecemos com nosso semelhante, se meus passos não tivessem sido tolhidos pela Vontade Uma. É verdade que chegamos neste Planeta com missão especial, ninguém está aqui a passeio, nada acontece que não haja razão Maior para que ocorra.

Creio que a condição de pessoa com deficiência, paraplégico, tenha me legado uma melhor compreensão da vida, talvez pela oportunidade de sentir na própria pele o significado de viver uma diversidade humana com inevitável dependência da ajuda e cuidado prestados por outra pessoa. Cuidados cotidianos, sem os quais não seria possível a sobrevida com mínimas condições de apresentação pessoal.

Um Cheque mate no ego para que despertemos para o que de fato devemos fazer. Como todos que aqui estão em matéria, tenho muito a evoluir na superação de limitações pessoais, e investir no alcance da tão sonhada felicidade plena. Afinal, a felicidade é um dom dos que aprenderam com vida a difícil lição de que o amanhã será melhor na medida do que possamos fazer agora.


         “Matéria postada em caráter informativo” -  Imagem Internet/Ilustrativa


Didática inclusiva no ensino de Física

Por Noêmia Lopes
Pesquisador da Unesp aborda a docência da disciplina em turmas formadas por alunos com e sem deficiência visual em livro disponível para download gratuito.

(foto: Paulo Maciel)                                                              

Agência FAPESP – Muitas das estratégias comunicativas utilizadas em sala de aula são, em geral, baseadas em linguagens audiovisuais. Ou seja, para ter acesso às informações, construir conhecimentos e levantar questões, os alunos precisam escutar instruções ditas pelo professor e, simultaneamente, enxergar imagens e materiais variados – característica particularmente marcante no ensino das ciências exatas.

“Tal abordagem pode limitar a aprendizagem de alunos com e sem deficiência visual. A audição e a visão permitem percepções sintéticas (que nos levam a sintetizar o que ouvimos e vemos). Por outro lado, uma abordagem multisensorial, que também considere o tato, viabiliza percepções analíticas que nos fazem construir o todo por meio da análise das partes”, disse Eder Pires de Camargo, professor do Departamento de Física e Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Ilha Solteira (SP), à Agência FAPESP.
Camargo é autor do livro Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Física, no qual demonstra que muitos conceitos da disciplina independem da visão. O livro está disponível para download gratuito no site da editora).
“Tomemos como exemplo a óptica, comumente associada à capacidade de ver para entender. Um cego de nascimento não fará construções visuais sobre as cores, não pensará no azul ou no amarelo. Mas pode construir significados sobre uma série de outros conceitos, como o comportamento da luz sob a forma de partículas ou ondas, trajetórias e refração, desde que se crie canais de comunicação para tanto”, afirmou Camargo.
Para construir esses canais bastam, muitas vezes, materiais simples e de baixo custo, como barbantes, arames, placas de isopor e massa para espaguete. No livro de Camargo, materiais assim dão forma, por exemplo, a maquetes sobre dispersão de luz, câmara escura e reflexão regular e difusa.
Contudo, para lançar mão do que o autor chama de linguagem semântico-sensorial – trabalhar o significado das palavras com percepções e sensações que vão além do som e da imagem – e, assim, incluir todos os alunos nas atividades de Física, é essencial que os professores detenham certos saberes.
Nesse sentido, entre as recomendações de Camargo aos docentes estão conhecer a história visual dos estudantes com deficiência (se nasceram cegos, se perderam a visão ao longo da vida, se têm baixa visão, se conseguem enxergar textos e imagens ampliadas), dominar a linguagem matemática e promover a interação entre estudantes com e sem deficiência usando recursos tátil-visuais.
Pesquisa em sala de aula
O livro lançado por Camargo é resultado de dois estudos: um projeto de pós-doutorado, realizado entre os anos 2005 e 2006, com apoio da FAPESP, e de um plano trienal de atividades (2006 a 2009), vinculado à Unesp. A supervisão foi do professor Roberto Nardi, do programa de pós-graduação em Educação para a Ciência, da Unesp de Bauru.
Na primeira etapa, o pesquisador propôs aos alunos da disciplina Prática de Ensino de Física, do curso Licenciatura em Física da Unesp de Bauru que, divididos em cinco grupos, preparassem minicursos temáticos de 16 horas sobre óptica, eletromagnetismo, mecânica, termologia e física moderna. Os planos de aula deveriam atender simultaneamente a alunos com e sem deficiência visual.
O passo seguinte consistiu na aplicação dos planos de aula, sob forma de curso de extensão, a uma turma de 37 alunos. Trinta e cinco deles estudavam no Colégio Técnico Industrial (CTI), instituição vinculada à Unesp de Bauru.
Dada a ausência de estudantes com deficiência visual no CTI, Pires de Camargo e sua equipe procuraram alunos na Escola Estadual Mercedes P. Bueno, no mesmo município. “Fizemos um convite e dois alunos se interessaram, um cego de nascimento e um que perdeu a visão ao longo da vida”, disse o autor.
Ao longo das 80 horas de atividades, Camargo observou que a comunicação foi um dos principais entraves: “Eu também sou cego e ali, como observador passivo, pude perceber como a linguagem usada para abordar fenômenos e conceitos físicos é fundamentada na relação audiovisual que veicula a informação”.
Todas as aulas foram gravadas e transcritas, material sobre o qual o pesquisador se debruçou para criar três categorias de análise.
A primeira, Comunicação, voltada à compreensão das informações passadas por professores e colegas e da influência da visão no entendimento de fenômenos e conceitos físicos.
A segunda, Contexto comunicacional, ligada à participação dos alunos com deficiência visual nas atividades e à caracterização do discurso que se estabelecia nesses momentos. E a terceira, Recurso instrucional, vinculada aos multimeios utilizados (lousa, cartazes, fotografias, figuras, mapas, transparências, simulação computacional, data show, rádio, DVD, TV etc.)
A partir dessas três categorias, Camargo chegou a aspectos que dificultaram e a outros que contribuíram como facilitadores dos processos de ensino e aprendizagem. Entre as dificuldades foram identificados problemas de comunicação e obstáculos relacionados a operações matemáticas, simulações computacionais, operação de softwares e experimentos.
“A tecnologia, embora bastante utilizada, ainda tem muito a avançar. Os ledores dos computadores com recurso de voz não leem equações e potenciações, por exemplo. Agora, estamos buscando adaptar essas informações à linguagem de programação e, assim, solucionar os problemas causados pelos ledores”, disse o autor.
Por outro lado, foram facilitadores o uso de materiais alternativos e a apresentação de modelos tátil-visuais (como as maquetes) e a própria comunicação, quando bem trabalhada.
Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Física
Autor: Eder Pires de Camargo 
Lançamento: 2013 
Preço: gratuito para download 
Páginas: 276 

Fonte:http://agencia.fapesp.br/ - “Matéria postada em caráter informativo”



Pronatec tem mais de 13 mil vagas em cursos para pessoas com deficiência

Pronatec tem cursos em 17 estados brasileiros.

                                                                                                                                                                                                 Getty Images
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São oferecidos cursos técnicos e de formação inicial e continuada, em diversas cidades brasileiras

O Senai vai oferecer mais de 13 mil vagas em cursos gratuitos de formação inicial e continuada ou cursos técnicos para pessoas com deficiência. Os participantes terão direito a transporte, alimentação e material didático.
Disponibilizados pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), os cursos serão realizados em instituições de ensino em 17 estados brasileiros.
As inscrições podem ser feitas pelo site do Pronatec ou pessoalmente, nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), secretarias municipais de direitos humanos e a gências do Sistema Nacional de Emprego (Sine). Estudantes do ensino médio de instituições públicas podem se inscrever na secretaria das escolas. Os prazos de inscrição dependem do curso desejado.
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Fonte:http://catracalivre.com.br/ - “Matéria postada em caráter informativo”

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sou gay, tenho deficiência e agora?

Estamos vivendo momentos de reflexões profundas sociais, essa convivência com a diversidade humana, as alterações do modelo familiar, tudo vem contribuir para que haja estranheza da parte dos conservadores. Por outro lado temos que ter em mente que atravessamos de um século para outro com uma velocidade relâmpago, sociedade moderna com pessoas vivendo no século 19, aonde tudo era feio, proibido e pecado, é compreensível.

por Márcia Gori *


Em si a homossexualidade já traz toda uma bagagem de negações, de mazelas a ponto de existir grupos de exterminação deste público devido a sua orientação sexual, agora imagine se esta mesma pessoa tem uma preferência sexual que foge aos padrões do que é “correto” e ainda tem deficiência? É constrangedor a forma como é tratado este ser humano, no quanto de olhares de ironia, sarcasmo e intolerância social que enfrentará somente por querer viver a própria vida.

Normalmente já temos problemas com nossa sexualidade em ser heteros, ter deficiência, ter desejos e tesão por alguém, já somos marginalizados, porque o conceito social de que somos assexuados é absurdo, nossa beleza sempre é questionada, haja visto que fugimos de todos os protótipos enfiados goela abaixo por uma mídia que tem necessidade de padronizar tudo para todos ficarem como os homenzinhos azuis a propaganda da TIM.

Bom, se somos assexuados não podemos ter preferência por homem ou mulher para nos relacionar, não podemos abraçar, deitar na cama, se aconchegar no colo, beijar a boca que queremos? Temos que ficar quietos e riscar do nosso DNA toda nossa energia sexual e vital que corre em nossas veias? E porque não podemos ter um relacionamento homo afetivo? Será que a felicidade é para poucos?

Nós, pessoas com deficiência sempre lutamos pelos nossos direitos, por uma inclusão social por inteiro, conseguimos muitas coisas, benefícios para termos uma qualidade de vida melhor e digna, entretanto esquecemos a nossa vida sexual e reprodutiva, a homossexualidade e lesbianidade então, nem se fala, assunto proibido perto da excomunhão... Complicada esta visão social que não temos sexualidade, será que somos considerados anjos ou demônios? Qualquer que seja a visão, não irá importar, pois temos que escolher o nosso caminho e fazer todo o processo de libertação, porém sem esquecer que toda escolha tem conseqüências, que diversas ocasiões envolverão outras vidas, a família sentirá os efeitos.

O livre-arbítrio existe justamente para que a nossa caminhada seja nossa e de mais ninguém, que essa construção da independência seja individual, contudo sem esquecer que a felicidade existe desde que poucas pessoas se machuquem diante desta metodologia de aceitação do ser sexual, independente do caminho a ser seguido.

Em várias ocasiões me peguei perguntando, como seria se minha orientação sexual fosse diferente das regras sociais? Com a família que tenho, com as filhas que criei, os amigos em tese não vejo grandes alterações, haja vista que a grande maioria são militantes de Direitos Humanos, porém acredito que no pessoal teria um paredão para escalar, seriam longas exposições de sentimentos, diversas catarses, até chegar a um denominador comum de aceitação da minha escolha.

Por mais que todos falem que é normal, que não vê problemas, porque a vida e as escolhas são individuais, no fundo causa constrangimento ver duas pessoas do mesmo sexo se amando, devido a toda criação que temos em acreditar que o certo é homem e mulher, misturando religiões, escrituras sagradas, embora na antiguidade era natural a iniciação sexual dos meninos serem com outros homens adultos, assim também nas “reuniões” ter relações homossexuais.

Antigamente os conceitos éticos e morais eram mais flexíveis, mais tolerantes, principalmente tratando-se na questão da sexualidade das pessoas que não tinham deficiência, enquanto em nosso caso éramos jogados de abismos por serem tratados como monstros, com espíritos malignos... rsrs... creio que estamos melhores agora, na monstruosidade ninguém mais acredita, porém não querem ver pessoas com deficiência pelas ruas trabalhando, passeando, namorando, se curtindo, vide a falta de acessibilidade que encontramos no dia a dia em nossas cidades, em nossos locais de trabalho, motéis, etc...
Preconceito, falta de compreensão, negação dos direitos alheios, julgamento das escolhas, alienação do que é certo, errado, moral e ética... enfim, é dessa forma que atualmente vimos os assuntos sérios serem tratados, abordados erroneamente incentivando todo tipo de discriminação, causando um apartheid cruel em nosso segmento, sonegando informações, orientações para que esta pessoa possa decidir-se mais facilmente qual o melhor caminho a tomar para que alcance sua realização pessoal.

 O amor não tem sexo, preferência de companhia, somente quer estar junto e completar-se, a deficiência, a sexualidade, a homossexualidade, a lesbianidade, a heterossexualidade, enfim não importa, na real o que é importante é a pessoa ser feliz do jeito que escolher e trouxer a realização pessoal, emocional e psicológico.


  Pode ser normal um casal homo afetivo, mas não é comum ver o mesmo casal com deficiência, devido a caminhada de reconhecimento que estamos iniciando de um direito primário que é usufruir o sexo e constituir família, até de andar de mãos dadas pelas ruas sem causar estranheza ou espanto da sociedade. A deficiência faz que a vida seja vista de forma diferente por nós, sentimos tudo de forma única, tentamos nos livrar do peso do errado e o pecado, porém quem está a volta insiste em nos deixar este peso em nossos ombros, com o intuito de frear a nossa libido, as nossas gestações de vidas e de pensamentos, nos dando uma imobilidade que não nos pertence, subjugando-nos a nossa capacidade em ser felizes.


  Ainda temos muito trabalho para fazer, orientar, incentivar essa galera que necessita em amar e com o coração explodindo de paixão e carência, sendo assim vamos amar, tocar, sentir, beijar, fazer amor com responsabilidades, lembrando que temos as DSTs por ai nos assombrando...


Até nosso próximo encontro!!!


           Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP, Presidente-fundadora da Ong “ESSAS MULHERES”, Idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos - ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/SP 2007/2009, ex - apresentadora do Programa Diversidade Atual no canal 30-RPTV, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011, ex-Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP 2009/2012, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Idealizadora do I Simpósio sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência do NIS – Núcleo de Inclusão Social da UNORP, Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na REATECH 2010/2011/2012/2013, co-realizadora do I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência em 2012, capacitadora e palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de Castro Fotografias.


Blog/site: www.marciagori.net

VAMOS FALAR DE SEXUALIDADE E DEFICIÊNCIA???
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                                                  “Matéria postada em caráter informativo”