sábado, 9 de novembro de 2013

Acessibilidade para pessoas gordas: um ponto esquecido


Cadeiras exclusivas para obesos no Metrô de São Paulo. Formatos e cores diferenciadas podem ser muito chamativos e constrangedores.

O mundo é projetado para os magros: as roupas são pequenas, as cadeiras são frágeis e não há representação positiva de quem é gordo na televisão, nos livros ou nas revistas. A preocupação da sociedade parece se voltar muito mais para questões de estética e beleza, quase sempre mascarada sob a noção invasiva de aconselhamento quanto a saúde de quem é gordo. A preocupação com o bem estar – se existir de alguma forma – está enterrada debaixo de muita gordofobia, nojo e intolerância. Logo, não é nenhuma surpresa ou novidade o fato de que ser gordo, em nossa sociedade, é muito difícil.

Recentemente, a questão da gordofobia tem sido mais problematizada em meios de discussão sobre gênero, primordialmente porque mulheres gordas são muito mais hostilizadas e cobradas do que homens com as mesmas características. A principal causa dessa disparidade é a exigência e a pressão social para que as mulheres se enquadrem no padrão de beleza. E embora a beleza e a autoestima sejam questões profundamente importantes tanto para mulheres quanto para homens, há uma necessidade urgente de se discutir e promover ações sobre acessibilidade.

É fato que a acessibilidade ainda é um tema carente no Brasil de forma geral. Pessoas idosas e com deficiência ainda enfrentam dificuldades constantes no dia-a-dia, algo que acontece devido a um misto de desrespeito e omissão – não apenas do Estado, como também dos outros cidadãos. No entanto, é preciso lembrar que a questão também diz respeito às pessoas gordas. Embora esse grupo esteja em uma situação de vulnerabilidade física e  o direito já exista na teoria, há pouquíssima compreensão no que diz respeito a acessibilidade.

Obviamente, as pessoas gordas não são todas iguais. Algumas possuem problemas cardíacos ou colesterol elevado enquanto outras são perfeitamente saudáveis; umas são sedentárias, outras praticam exercícios; certas pessoas são gordas por conta de uma dieta calórica, enquanto outras possuem disfunções hormonais. Há muitas que aguentam ficar em pé por incontáveis horas e possuem fôlego para praticar atividades intensas. O condicionamento físico de cada um é algo extremamente individual, independente de seu peso.
Porém, algumas dificuldades são comuns a maioria das pessoas gordas, como a necessidade de assentos mais largos e resistentes. Para muitos, ficar de pé por períodos prolongados pode provocar dores intensas nas articulações ou até complicações de saúde. É por isso que as pessoas gordas também devem ter acesso a lugares e atendimento preferencial; qualquer impedimento é uma forma de privá-las de seus direitos fundamentais.

É lamentável que a maior parte da população não tenha conhecimento de que as pessoas obesas possuem direito a assentos e auxílio especial; esse é mais um motivo para que elas frequentemente sintam-se desconfortáveis ao solicitar assistência, pois temem ser constrangidas publicamente. Quase ninguém se sente livre para reivindicar seus direitos. Isso acontece porque a sociedade se incomoda com o espaço que as pessoas gordas ocupam e manifesta isso de diversas maneiras, seja lançando olhares de repulsa e reprovação ou chegando ao ponto de reclamar por qualquer benefício que alguém gordo possa conquistar. Em nossa cultura, o ideal seria que todos fossem magros. É por isso que tantas pessoas repetem afirmações como “se não gosta, emagreça” ou “é gordo porque quer, problema seu”. Muitos até acham que quem é gordo não deve ter acesso a saúde, que deveria ser priorizada somente a quem é magro!

Isso é mais do que uma questão de direitos humanos, é uma questão de coerência: ninguém sai por aí questionando para um cadeirante se ele perdeu o movimento das pernas porque alguém atirou em sua coluna vertebral ou se foi um acidente de carro causado por ele próprio enquanto estava bêbado. Essa não é uma questão relevante, pois independente da causa da deficiência, a pessoa lida com as próprias dificuldades e é impedida de viver em sociedade. É preciso que o mundo se adapte às condições das pessoas com deficiência e se torne cada vez mais acessível e confortável para elas. O mesmo raciocínio deveria entrar em voga para quem é gordo: a causa do seu peso é algo particular e a discriminação é algo que somente esse sujeito vivencia. Independente de se tratar ou não de uma condição definitiva, ter a mobilidade reduzida faz parte da realidade de muitas pessoas gordas.

Por vezes, a sociedade parece caminhar em um sentido oposto à inclusão. Eliminar as pessoas fora do padrão e hostilizá-las parece muito mais fácil  do que trabalhar para inclui-las. Dificilmente se consegue despertar qualquer empatia de quem é magro, pois o fato de que muitos gordos não conseguem ficar em pé por muito tempo e sentem dores insuportáveis costuma despertar um sentimento de ódio, como se o sofrimento das pessoas gordas fosse “bem merecido”. Os direitos de ir e vir, sentar, pagar contas ou vestir uma roupa confortável são as coisas mais simples e mais básicas, mas um mero “esquecimento” quanto a questão da acessibilidade já basta para impedir quem é gordo de usufruir desses direitos.

O movimento feminista, em especial, já tem uma certa disposição para falar de mulheres gordas, afirmando que seus corpos também são bons, belos e completamente funcionais. No entanto, também se mostra necessária a discussão sobre políticas públicas e a promoção da inclusão social no dia-a-dia, garantindo a quem precisa assentos e filas preferenciais. A sociedade ainda é muito fechada a ouvir pessoas gordas e aceitar com humanidade suas necessidades, mas esse trabalho é fundamental e necessário. A acessibilidade para pessoas gordas é uma tema urgente: sua ausência gera segregação e violência, mas sua implementação promove autoestima e aceitação.


"Matéria postada em caráter informativo"

A inclusão de profissionais com deficiência no mercado de trabalho: um panorama positivo para uma mudança necessária

* autoria de Jaques Haber



É indiscutível a importância das contratações de profissionais com deficiência para a economia do Brasil. Além da geração de emprego, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho contribui para trazer dignidade a essas pessoas. Ao inclui-las, não estamos apenas ofertando um salário, mas também a oportunidade de se reabilitar socialmente e psicologicamente.

É sabido que o exercício profissional traz consigo a interação com outras pessoas, o sentimento de cidadão produtivo, a possibilidade de fazer amigos, de encontrar um amor, de pertencer a um grupo social. Até o status adquirido junto à própria família muda para melhor. Sem contar que a presença de pessoas com deficiência no mercado de trabalho contribui para humanizar mais a empresa e enriquecer o ambiente corporativo com visões e experiências diversificadas.

Ao incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, configura-se um novo grupo de consumidores, até então excluído da economia. Com a geração de renda, esse grupo passa a consumir avidamente, já que possui muitas carências, desde elementos essenciais, como o acesso a questões de saúde, até a concretização de desejos não tão de primeira ordem, como a compra de tablets e smartphones, por exemplo. Com a renda, as pessoas com deficiência passam a circular mais, e isto enseja maior convivência com pessoas sem deficiência, o que desperta a atenção para oportunidades de se criar mais produtos, serviços e ambientes que atendam às necessidades específicas dessa parcela da população.


Nessa perspectiva, a inclusão de profissionais com deficiência no ambiente de trabalho cria oportunidades também para as empresas gerarem mais negócios. Uma pessoa que está acostumada a enfrentar desafios diários por falta de acessibilidade ou sensibilização da população em geral, se adapta melhor ao mundo do trabalho. Uma pessoa com deficiência está mais preparada para lidar com situações críticas e a resolver problemas, além de trazer uma visão diferente, o que contribui para o processo de criação ou tomada de decisões.

 

Em relação à qualificação das pessoas com deficiência, podemos afirmar que segue basicamente o mesmo padrão da população brasileira sem deficiência. É um falacioso generalizar a falta de qualificação das pessoas com deficiência. Por questões de exclusão histórica, a maioria das pessoas com deficiência é pouco qualificada, mas, essa baixa qualificação também incide na população em geral. Mas, isto não significa que não existam pessoas com deficiência qualificadas. Por exemplo: no banco de currículos dai.SocialSite externo., mais de 80% dos 30.000 profissionais cadastrados possuem ao menos ensino médio completo, chegando até a mestrado e doutorado.

Na esteira, observamos que o maior empecilho para a inclusão de profissionais com deficiência ainda é cultural. Ou seja, as relações interpessoais ainda estão muito calcadas em estereótipos e preconceitos. Além disso, as vagas que são oferecidas às pessoas com deficiência ainda são muito operacionais e pouco atrativas. Os líderes e gestores das empresas ainda não consideram incluir profissionais com deficiência em cargos mais estratégicos, pois tendem a achar que estes profissionais são menos produtivos ou geram mais custos com acessibilidade, o que não é verdade. Dessa forma, não é exagero afirmar que a questão cultural ainda é o maior desafio. A falta de acessibilidade é reflexo da falta de cultura inclusiva. Enquanto não transformarmos a mentalidade antiga de que as pessoas com deficiência são menos qualificadas, menos produtivas e que exigem muitos investimentos, não daremos um salto de qualidade no processo de inclusão.

Por isso, os treinamentos devem ser constantes para preparar principalmente os gestores que são as pessoas responsáveis por aprovar os candidatos. O departamento de RH pode até estar sensibilizado e aberto para a contratação de um funcionário com deficiência, mas se o gestor, que é o “dono” da vaga, não estiver informado e pronto para gerenciar a diversidade, nada será feito e o candidato com deficiência continuará preterido.

O mesmo raciocínio aplica-se se a alta liderança não aprovar vagas mais estratégicas para os profissionais com deficiência: o RH fica atado apenas às vagas operacionais, que são menos atrativas e só atraem pessoas menos qualificadas, reforçando a percepção de que pessoas com deficiência não possuem perfil necessário para posições melhores.

É por isso que sempre afirmamos que o processo de inclusão deve ser abraçado por todos os funcionários de uma empresa e todos os cidadão do Brasil.

* Jaques Haber, diretor da i.Social.


Robôs de ajuda a idosos e deficientes fazem sucesso em Tóquio

AFP - Agence France-Presse

Traje com ar comprimido em um tanque que fica nas costas é muito prático e dá poder extra a cuidadores para levantar um paciente acamado.

Traje com ar comprimido em um tanque que fica nas costas é muito prático e dá poder extra a cuidadores para  levantar um paciente acamado  (AFP PHOTO / Yoshikazu TSUNO )
TÓQUIO - Em um país onde um quarto da população de 128 milhões de habitantes tem mais de 65 anos, inovações que facilitam a vida dos idosos ou de seus cuidadores são alvo de muitas pesquisas e têm enorme potencial de negócios, como mostra a Exposição Internacional de Robôs, em Tóquio. Veja mais na galeria de fotos.


Trajes com músculos pneumáticos e uma bengala que se comporta como um cão guia disputaram as atenções dos visitantes com um robô manicure neste evento que se estende até sábado na capital japonesa.

O traje musculoso que dá poder extra a cuidadores para ajudá-los a levantar um paciente acamado é uma das principais atrações do evento. Vestido como se fosse uma mochila, o dispositivo é alimentado com ar comprimido e permite à enfermeira ou cuidador ter mais força muscular extra nas costas e coxas ao erguer alguém idoso ou incapacitado.

A máquina, desenvolvida pela Universidade de Ciência de Tóquio e por uma empresa de enfermagem, é ativada por um tubo na boca do usuário, que adiciona sustentação ao inspirar e desliga o equipamento ao expirar.

"Parece que você está usando a metade da força para levantar as pessoas", disse o cuidador Norikatsu Kimura, que participou de um teste com a empresa especializada em cuidados com idosos Asahi Sun Clean. "A ajuda me dá um alívio porque sempre nos preocupamos em machucar a parte de baixo das costas", acrescentou. "Já vi muitas pessoas que gostariam de continuar com este trabalho, mas precisaram parar por causa das dores", contou.

A força por ar comprimido do dispositivo o torna seguro para uso na água, importante pela necessidade de levantar pacientes durante o banho. O aparelho pesa 10 quilos, incluindo o tanque de ar de 2 quilos.

Entre as 300 companhias que apresentam inovações na feira de quatro dias está a NSK, que apresenta um dispositivo semelhante a uma bengala para ajudar deficientes visuais em seus deslocamentos, com apoio físico e orientação espacial.

O LIGHBOT, que lembra um cano fincado em um carrinho minúsculo, consegue guiar o usuário com problemas de visão a um destino pré-programado. O dispositivo percebe perigos ao longo do caminho, como buracos ou muros, e obstáculos como bancos de praça.

"Graças a sensores, esta máquina evita qualquer obstáculo e permite aos deficientes visuais se movimentarem de forma segura", explicou Mayuko Mori, da NSK.

"Há uma falta séria de cães guias e, de qualquer forma, algumas pessoas não podem manter animais em seus apartamentos", continuou.

Segundo ela, ainda não foi tomada uma decisão sobre uma produção do dispositivo em larga escala, mas testes de campo em hospitais e outras instituições começarão em breve.

Outra empresa, a Funai Electric, exibe um carrinho assistente para caminhadas, que espera começar a comercializar em 2015.

O aparelho é uma versão moderna do carrinho de compras tradicional, em que motores de bordo auxiliam o usuário em subidas e aplicam uma frenagem constante na descida. Equipado com dispositivo GPS, o aparelho pode auxiliar familiares a localizar um parente perdido.
Robô manicure aplica com precisão camadas de esmalte e decora as unhas com minúsculos cristais (AFP PHOTO / Yoshikazu TSUNO )
Robô manicure aplica com precisão camadas de esmalte e decora as unhas com minúsculos cristais
Na parte recreativa da feira, a Toyo Riki apresentou um "robô manicure", na verdade um braço mecânico industrial que faz uso de sua inacreditável precisão para aplicar camadas de esmalte e decorar as unhas com minúsculos cristais.

"Muitas pessoas imaginam que os 'robôs industriais' fazem trabalhos de solda em grandes fábricas, mas nós fizemos esta demonstração para mostrar como eles são habilidosos", explicou o diretor da empresa, Narito Hosomi.

Fonte:http://www.em.com.br/ - "Matéria postada em caráter informativo"

Campinas inaugura centro de atendimento a deficientes

iG Paulista - Patrícia Azevedopatricia.azevedo@rac.com.br

Salão de beleza para pessoas que frequentam o Centro Dia da Pessoa com Deficiência.

                                                        Foto: César Rodrigues/AAN
                                         Salão de beleza para as pessoas que frequentam o Centro Dia da Pessoa com Deficiência

A Prefeitura de Campinas inaugurou nesta quinta-feira (7)  a primeira unidade do Centro Dia da Pessoa com Deficiência.
O local funcionará como uma espécie de Centro de Convivência que abrigará pessoas com qualquer tipo de deficiência. Elas poderão permanecer no local por um período de 4 a 10 horas e terão acesso a uma série de atividades que vão desde o atendimento com terapia ocupacional, oficinas de dança e artesanato e salão de beleza.

"A intenção é devolver a autoestima às pessoas que têm deficiência e dar uma chance para que o familiar que cuida da pessoa possa se reinserir no mercado de trabalho" , explica a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Emmanuelle Alkmin.

A Casa terá capacidade para atender 60 pessoas em dois turnos com atendimento de uma equipe com dez pessoas entre psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional e nutricionista.

Cuidar de pessoas deficientes muda a rotina das famílias. "Muitas famílias têm que reduzir a renda pela metade porque a mãe geralmente para de trabalhar para cuidar do filho. A ideia desse Centro é oferecer uma alternativa para que as famílias possam se reestruturar. Ao mesmo tempo, a ideia é devolver aos deficientes uma autoestima por meio das oficinas", explica Emmanuelle.

A secretária conta que pretende abrir outro centro, mas ainda não há prazo para isso. Antes, afirma Emmanuelle, é preciso fazer um censo sobre a população com deficiência na cidade. "Estamos elaborando o projeto para realizar o censo em 2014", diz.

As atividades do Centro serão desempenhadas pela Organização Não Governamental (ONG) Sorri Campinas, que desenvolve programas de inclusão social, com o objetivo de garantir os direitos humanos, especialmente das pessoas com deficiências.
"O governo federal vai custear R$ 40 mil mensais, o Estado destinará R$ 20 mil e o município, R$ 10 mil", explica o prefeiro Jonas Donizette (PSB).

A secretária de Cidadania, Assistência e Inclusão Social, Jane Valente, conta que, para pleitear uma vaga na casa, é preciso passar por atendimento no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). O centro emitirá um laudo e será feito um estudo de casa caso em conjunto com a Assistência Social.

A casa funciona na Rua Rouxinol, na Vila Teixeira. Serão atendidos no espaço pessoas com idades entre 18 e 60 anos. Sete pessoas já estão sendo atendidas no local. Uma delas é Marta Chidoreli, que participou da inauguração do Centro. "Eu estou adorando tudo, até o salão de beleza", disse, com as unhas pintadas de vermelho e o cabelo arrumado em um trança lateral.

Fonte:http://correio.rac.com.br/ - "Matéria postada em caráter informativo"

Superação: homem cego ultrapassa limites e vira guitarrista

Com apenas nove anos de idade, o Marcos descobriu que tinha um problema de visão e, durante uma cirurgia, por causa de um erro médico, perdeu a visão totalmente. Mesmo sem enxergar, ele enfrentou os desafios e aprendeu a tocar guitarra.

da Redação

Assista à videorreportagem clicando aqui.

Fonte:R7 - http://saci.org.br/ - "Matéria postada em caráter informativo"

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Menina com paralisia cerebral vira modelo de loja

Uma menina de 7 anos que sofre de um tipo de paralisia cerebral se tornou a nova garota propaganda de uma marca de roupas no Reino Unido

Holly Greenhow enfrenta dificuldades em quase todas as suas atividades diárias, desde falar até sentar, mas isso não a impediu de ser escolhida pela marca, segundo o jornal britânico “Daily Mail”.

Holly é de Cambridgeshire. Sua paralisia cerebral foi causada por uma prolongada falta de oxigênio durante seu nascimento.

A menina foi escolhida para fazer a propaganda da linha infantil da marca Boden após ter participado de um teste este ano. Na ocasião, ela se saiu muito bem em frente às câmeras.
Após ser escolhida, ela passou um dia em Londres fotografando com as roupas da marca, e agora pode ser vista em uma campanha publicitária na internet.

                                             MÃE DE HOLLY

“Holly tem um lindo sorriso, e ser modelo não significa apenas ser perfeito, então pensamos: 'por que ela não pode ser considerada?’”, diz a mãe da menina, Fiona, de 42 anos.
“Há várias coisas que ela não pode e nunca poderá fazer, então foi muito bom para ela ter esta experiência. Esperamos que isso ajude a melhorar a imagem das crianças com deficiência e também abra os olhos das pessoas para o fato de que há muitas crianças que não são perfeitas.”

A paralisia que atinge Holly afeta seus movimentos, seu equilíbrio e sua fala.

Ela usa uma cadeira de rodas para se locomover e recentemente começou a se comunicar utilizando um sistema computadorizado operado por seus olhos – similar ao utilizado pelo físico Stephen Hawking.
Mesmo com as limitações, a menina sempre gostou de escolher suas próprias roupas.  A família espera que ela tenha mais oportunidades semelhantes e participe de outras campanhas.

Fonte-G1 - http://nandoacesso.blogspot.com.br/ - Matéria postada em caráter informativo"

“Disfarça, faz que nem me viu, que não me ouviu te chamar”

Mais um artigo de Adriana Lage.

Adriana Lage\ Imagem http://www.bhlegal.net
Adriana Lage.
Quando eu era bem pequenininha, era louca pela Mulher Maravilha. Minha mãe sempre dizia que eu era uma criança “aparecida”. Perguntavam meu nome e eu logo respondia: “sou a mulher maravilha e minha irmã, a Aracy de Almeida”! Espírito de porco nem um pouco ne? Só sei que tinha até a fantasia. Realmente, quando devidamente vestida, me sentia superpoderosa. Uma das coisas que mais me encantavam no desenho da Mulher Maravilha era seu avião invisível. Ficava curiosa com aquilo. Como era possível isso se, na vida real, era tudo diferente? Só que, assim como minha heroína, a vida também me reservou momentos de invisibilidade! Pena não poder contar com os braceletes de prata, a bela tiara, o manto digno de miss e um laço poderosíssimo. Fico boquiaberta com a invisibilidade que as pessoas com deficiência possuem. Tanto que é um tema recorrente em meus textos. Engraçado como nossos direitos evoluíram e se consolidaram, mas muita coisa ainda continua atrasada. Hoje, vou comentar mais um pouco sobre essa invisibilidade social. 


Chuva x Cadeirante 

Nessa semana, retomei meus treinos na natação. Após um mês cheio de probleminhas de saúde, vida nova! Nada melhor do que uma mudança de professor para ganhar motivação. Estou encantada! O desafio de aprender coisas novas e melhorar – mesmo que as chances sejam bem pequenas – me fascina. Nunca me imaginei nadando costas com os braços alternados e muito menos aprendendo as braçadas de crawl e borboleta. Fantástico! Bem, marquei com meu professor a retomada das aulas. Só que despencou uma chuva daquelas. Meia hora antes da aula, liguei para academia desmarcando o compromisso. Como meu novo professor é estilo Capitão Nascimento, assim que recebeu meu recado e notou que a chuva havia diminuído, me ligou convocando para a aula. Ainda caiam belos pingos de uma chuvinha fria. Havia muita enxurrada pela rua. Fiquei boba com a falta de educação das pessoas. Estava na chuva, com minha mãe empurrando minha cadeira de rodas, e os motoristas não tiveram a gentileza de me deixar passar no cruzamento. Sem brincadeira, foram cinco carros. Todos me viram, mas passaram assim mesmo. Sem comentários...

Pior ainda é quando precisamos de ajuda (lembrando que qualquer pessoa um dia pode precisar) e estamos ali, parados, claramente necessitando de algum auxílio e as pessoas passam, solenemente, e por conveniência, fingem não nos ver com medo de pedirmos alguma coisa ou de darmos algum trabalho a elas. Dá vontade de gritar: “Será que estou invisível”? Ou quando alguém te responde: “Meu ônibus tá chegando, pede pra outra pessoa”! “Ora: se você estivesse no meu lugar, nem conseguiria pegar ônibus algum, pois seria incapaz até mesmo de cuidar da tua vida!”

Voltando à academia, para compensar a falta de educação, assim que cheguei na porta, um senhor que estava descendo as escadas me ofereceu ajuda. Meu professor sempre me busca às 20 horas; Como estava com frio e a chuvinha engrossando, aceitei a ajuda na hora.

Atendimento Preferencial 
Sempre que posso, evito utilizar o atendimento preferencial. Nunca vi tanto idoso sem educação. Já cansei de escutar que estou sentada, sou nova e, por isso, posso esperar mais um pouco.

Essa situação se repete em filas de supermercado, lojas, bancos e restaurantes. Até onde sei, numa fila de atendimento preferencial, não existe prioridade sobre as prioridades. Vale a ordem de chegada.

Se me pedem com educação, costumo passar minha vez. Mas se vierem com arrogância ou falta de educação, minha porção oncinha entra em ação. Um dia desses, uma senhora estava com um chinelo nas mãos. Ao me ver na fila, foi tomando minha frente dizendo que estava com pressa e que meu carrinho tinha muita coisa (uns 10 itens apenas); Dei uma fuzilada nela e perguntei se não tinha educação. Ela e a funcionária do caixa ficaram sem graça. Para evitar mais confusão, a funcionária me pediu para atender a senhora primeiro. Acabei deixando.

Em outra ocasião, uma senhora puxou o carrinho de compras da minha mãe para trás roubando seu lugar na fila. Não deixei. Perguntei a ela se não estava me enxergando. A mulher não sabia onde se esconder de vergonha...

Achei fantástico um caso que escutei: um homem, aparentemente sem deficiência, estava na fila do caixa. A senhora, muito mal educada, queria passar na sua frente alegando que ele não era prioridade. O homem levantou sua calça jeans, tirou sua prótese e jogou no caixa perguntando qual o preço da Coca Cola. Não preciso nem contar o final da história, né?

Hospital 
Em hospital, os critérios para o atendimento preferencial são outros. Para mim, isso é indiscutível. Um dia desses, tive uma crise horrorosa de amigdalite. Estava na fila de espera quando uma moça, folgada nem um pouco, teve a cara de pau de me pedir para ser atendida na minha frente. Expliquei a ela que estava muito mal – e isso era verdade, tanto que fiquei três dias de licença médica – e que não cederia minha vez. Também estava em horário de trabalho. A mulher ficou morrendo de raiva. Achou um absurdo a minha recusa. Pode isso? É engraçado como, raramente, algumas pessoas se colocam no lugar do outro.

Em outra ocasião, fui testar a emergência de outro hospital conveniado ao plano de saúde. Quando chegou minha vez de passar na salinha da triagem, um casal, na maior cara de pau, entrou na minha frente. Pensei em criar caso, mas, de gente assim é melhor manter distância.

Quando vou a alguma emergência, sempre passo por uma situação engraçada. Os médicos e enfermeiros se surpreendem quando descobrem que sou cadeirante de verdade. De onde essa idéia de que, em hospitais, o cadeirante só está na cadeira por causa da emergência; Certa vez, o médico residente que me atendeu ficou perdido quando comentei sobre meu comprometimento motor na C5. Teve que buscar outro médico para ajudá-lo. Cada uma...

Companhias Aéreas 

Um dos lugares onde mais me sinto invisível é no aeroporto. Alguém poderia me explicar por que devemos preencher a solicitação de assistência na compra da passagem aérea se, na prática, ninguém lê?

Em quase todos os check-in passo pelo mesmo problema. “A senhora consegue andar”? “A senhora sobe escadas”? Isso quando não preciso responder as mesmas perguntas a vários funcionários!

Por falar em viagens, em muitos casos temos um jogo de empurra empurra entre a agência de viagem, a companhia aérea, o hotel e o receptivo. No final das contas, o grande lesado da história é sempre a pessoa com deficiência.

Estabelecimentos Comerciais (restaurantes, lojas, etc) 
O comércio é um dos grandes perpetuadores da invisibilidade social. Frequentemente, deixo de ser atendida em alguma loja porque o belo vendedor cismou que cadeirante não tem poder aquisitivo para comprar seu produto. Hoje em dia, não compro e ainda reclamo junto ao gerente. Quase “apanhei” da minha irmã, há uns 4 anos, quando comprei um maiô numa loja de um shopping de BH. A vendedora falou, claramente, que ele era caro e que eu deveria olhar um modelo que fosse mais barato. Como o maiô era lindo, engoli o sapo e me fingi de surda. Atualmente, não admito esse tipo de situação.

Sempre que vou a algum restaurante com meu namorado, oscilo entre o papel de E.T. e de ser invisível. Se estamos com a cuidadora por perto, o povo tem mania de perguntar tudo para ela e, inclusive, entregar a conta para ela. O bom é que sapríncipe nunca deixa por menos. Num dia desses, não consegui parar de rir com a cena. A gerente do restaurante perguntou para minha cuidadora o que meu namorado iria beber. Ele logo retrucou: “pode falar comigo; eu entendo um pouco de português”! A mulher ficou toda sem graça e pediu desculpas. Depois, ficou parecendo uma ameba achando lindo tudo o que fazíamos – “Cachaça? Adoroooo!”

O título do texto foi “roubado” de uma música do RPM que adoro. Sentir-se invisível, por qualquer motivo, é sempre desagradável. Ninguém merece! Só mesmo mantendo o bom humor e alimentando nossa porção de Mulher Maravilha, diariamente, para encararmos essa invisibilidade de maneira construtiva.

Fonte:Rede Saci - "Matéria postada em caráter informativo"

Impressão 3D transforma vida de crianças deficientes

Lucas Agrela

                                                                                                                                             Divulgação
                  


impressão 3D pode ser usada para uma ampla variedade de coisas, como imprimir minuaturas, comida e há até quem queira imprimir o ser humano. A empresa Robohand usa essa tecnologia para transformar crianças deficientes em "ciborgues", segundo o Kotaku.

Com impressoras 3D, a companhia cria peças necessárias para montar braços, mãos e dedos robóticos para pessoas com deficiência física.

Dessa forma, a Robohand informa que reduz o alto custo de próteses robóticas. Em vez de comprar componentes, muitos deles são fabricados com impressão 3D, tornando o processo "funcional, seguro e econômico".

Apesar da empresa também fabricar próteses para adultos, a maioria dos clientes são crianças, que agora têm mãos à la Homem de Ferro (ou Luke Skywalker).

A Robohand utiliza o material chamado Orthoplastic de um modelo feito especialmente para o usuário a limitar a possibilidade de lesões da pele e infecções. O Orthoplastic permite que a pele respire, é lavável e clinicamente aprovado para este tipo de utilização.

Também é usado aço inoxidável, para evitar ferrugem ou descolação, além de ser um material mais barato e indicado por médicos, segundo a companhia.



Pai imprime em 3D mão biônica para filho de 12 anos.

Vanessa Daraya

                                                                           Reprodução/YouTube


A maior recompensa que um pai pode ter é fazer seu filho feliz. Paul McCarthy acredita nisso e criou uma prótese com uma impressora 3D para seu filho Leon, de 12 anos. O custo do material usado na mão biônica personalizável 

A história do garoto Leon foi contada pelo programa Evening News, da emissora CBS nos Estados Unidos. Leon teve um problema de formação quando ainda estava no útero. Isso fez com que o garoto nascesse com a mão esquerda atrofiada.

Como não tinha condições de comprar uma prótese, Paul resolveu criar sozinho uma mão biônica para seu filho a partir de instruções e designs de vídeos no YouTube. A mão biônica saiu mais barata do que as próteses tradicionais, que podem chegar a 30 mil dólares. Além disso, conforme Leon crescer, a mão poderá ser reimpressa.

A mão biônica funciona a partir de movimentos feitos no pulso do Leon. O garoto pode levantar ou abaixar o pulso para a prótese abrir ou fechar, permitindo que ele segure objetos, como uma caneta, e até mesmo ande de bicicleta.


Veja a reportagem (em inglês) abaixo:

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/ "Matéria postada em caráter informativo"

Estudo revela potencial brasileiro para tecnologias assistivas

País está apto a desenvolver ferramentas e recursos que proporcionem mais autonomia às pessoas com deficiência.

da Redação
As universidades e os institutos de pesquisa e de tecnologia estão repletos de ideias e projetos que podem melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Essa é uma das conclusões do Estudo de Mapeamento de Competências em Tecnologia Assistiva, realizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Parte do resultado desse trabalho foi apresentado pelo assessor técnico da instituição, Milton da Paz, em palestra durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2013 em Brasília.

São consideradas tecnologias assistivas as ferramentas ou recursos utilizados com a finalidade de proporcionar mais autonomia às pessoas com deficiência. Na avaliação do especialista do CGEE, há potencial intelectual no Brasil para o desenvolvimento dessas tecnologias, em condições semelhantes ou até superiores em relação a iniciativas de instituições em países como a Alemanha, a Inglaterra e os Estados Unidos.

Paz defende a participação de vários atores da sociedade para que os muitos projetos brasileiros possam ser usufruídos pelo seu público alvo. “Para isso, é fundamental a participação da indústria, dos institutos de pesquisa e das universidades”, avaliou. “E o governo pode fazer um esforço de integração de toda essa inteligência nacional em prol de soluções eficientes que gerem produtos e serviços com dignidade”.

Pesquisa
O estudo foi encomendado ao CGEE pela Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secis/MCTI), com a proposta de traçar um diagnóstico sobre oferta, demanda e tendências tecnológicas, bem como sobre as ameaças e as oportunidades neste setor.

“A ideia é que o resultado final do estudo permita àquele que o leia, especialmente o tomador de decisão, ter um conjunto de informações extremamente ricas para que se possa unir todas as iniciativas que existem hoje e criar grandes alavancas através de outros esforços”, reforçou Paz.

O material também traz recomendações a gestores públicos. Uma delas é a criação de Centros Integrados de Saúde da Pessoa em cada estado do país, que funcionariam como unidades multidisciplinares para o atendimento da pessoa com algum tipo de deficiência.

“A necessidade desse público é muito complexa e há um trabalho muito grande a ser feito. Tem coisas acontecendo, mas pontuais, que não atingem o país como um todo”, observou o assessor do CGEE. “É preciso um grande planejamento estratégico e um esforço coletivo de especialistas, não só do governo, mas da academia, da indústria, dos institutos de pesquisa e, principalmente, do usuário", reforçou.

Participaram do mapeamento consultores e especialistas de diversas áreas, incluindo pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O material será disponibilizado para consulta até o final deste mês no site www.cgee.org.br.

Inovação
Alguns produtos de tecnologia assistiva voltados para deficiência visual foram apresentados no estande do Instituto Federal do Ceará durante a SNCT, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. Entre as novidades, uma bengala com sensor que permite a orientação sobre a localização exata do usuário por celular, além de sistemas de áudio e equipamentos que facilitam a digitação e a leitura em computadores.

Entre os projetos do instituto em fase adiantada estão o teclado em braile para dispositivo touch screen na plataforma androide, por meio do qual é possível navegar na tela e ter o retorno sonoro das informações; o mouse acessível para deficiente motor, que é substituído pelo tablet e usa sistema bluetooth, permitindo melhor controle da tela no computador; e a audiodescrição de cenários de filmes para deficientes visuais, com a uso de voz sintética.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Tecnologia Assistiva do Instituto Federal do Ceará, Agebson Rocha, o projeto funciona desde 2009 e ganhou impulso a partir do lançamento do Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência - Viver sem Limite. Com a iniciativa, o grupo pôde receber apoio financeiro por meio de chamada lançada pela Secis/MCTI no ano passado.

O núcleo do Ceará é uma das 29 unidades ligadas a universidades e institutos do país que fazem parte de uma rede coordenada pelo Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva (CNRTA), ligado ao Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCTI). O CNRTA é uma das ações previstas no plano e atua como órgão articulador da Rede Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Tecnologia Assistiva.

Edital
Em reunião executiva do Viver sem Limite, realizada durante a SNCT, o secretário da Secis, Oswaldo Duarte Filho, destacou a abertura da chamada pública nº 84/2013, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), que prevê R$ 13 milhões para o apoio de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico na área. O prazo para o envio de propostas termina em 8 de novembro.

Conheça os núcleos de TA: http://www.cti.gov.br/cnrta-nucleos

Fonte: Portal Brasil -  "Matéria postada em caráter informativo"

Observatório Nacional de Educação Especial analisa de forma inédita a inclusão escolar no Brasil

Iniciativa promete trazer avanços para a educação inclusiva. 

  Crédito da imagem: iStock
  Iniciativa promete trazer avanços para a educação inclusiva. Crédito da imagem: iStock

Em uma iniciativa inédita na história da área de Educação Especial no Brasil, um grupo formado por mais de 200 pesquisadores está trabalhando de forma conjunta no Observatório Nacional de Educação Especial (ONEEsp), criado em 2010 e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O Observatório é uma rede de pesquisa que envolve 24 universidades de 18 Estados do País, sob coordenação de Eniceia Mendes, docente do Departamento de Psicologia (DPsi) da UFSCar. Entre os integrantes da rede estão professores e estudantes de graduação e pós-graduação espalhados por 59 municípios brasileiro. O objetivo é mapear de forma integrada a educação de estudantes com deficiências e, atualmente, o grupo avalia o programa de implantação de serviços de apoio do Ministério da Educação (MEC).

Até a década de 1960, a Educação Especial no Brasil acontecia primeiramente em escolas filantrópicas e particulares e, depois, em classes especiais dentro das escolas regulares da rede pública de ensino. Há apenas poucos anos teve início a construção da Educação Especial nos moldes conhecidos atualmente, integrada ao ensino regular. No entanto, embora projeções indiquem que o país pode ter de 5 a 10 milhões de pessoas em idade escolar com deficiências, segundo o Ministério da Educação apenas 700 mil estão matriculadas nas escolas públicas brasileiras.

Em seu estudo inaugural, realizado há três anos e com previsão de término em 2014, os pesquisadores do ONEEsp trabalham com o objetivo de produzir conhecimento em larga escala para avaliar se as políticas de Educação Especial em implantação são efetivas ou não e, também, para definir caminhos que possam ser tomados para aprimoramento dos processos de inclusão escolar. Especificamente, o Observatório analisa a implantação das Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) em escolas públicas das redes de ensino. Oferecidas pela Secretaria de Educação Especial do MEC, hoje já são mais de 15.500 SRMs em todo o País, divididas entre cerca de 4.500 municípios brasileiros. Para implantação das SRMs, é disponibilizado às escolas um conjunto de equipamentos de informática, mobiliários, materiais pedagógicos e de acessibilidade para a organização do espaço de atendimento educacional especializado.

Para o estudo do Observatório, foram realizadas entrevistas com mais de 2.500 professores das SRMs. Eniceia Mendes conta que a primeira etapa foi a avaliação de como as crianças são identificadas. Segundo a pesquisadora, percebe-se que as escolas têm dificuldade de identificar crianças com deficiência intelectual ou superdotação devido à falta de diretrizes. “Há dificuldade também com relação à avaliação para o planejamento do ensino desses alunos, de modo que a estadia deles na sala de aula comum e nas salas com recursos multifuncionais tenha um projeto de escolarização integrado”, relata Mendes. Apesar de ainda estar em andamento, a pesquisa também aponta problemas na avaliação do rendimento, já que as escolas não realizam provas adaptadas. “Muitas escolas acham que a criança com deficiência intelectual está na sala de aula apenas para socializar, e não para aprender”, conta a coordenadora do Observatório.

Outro eixo pesquisado foi a formação de professores para a Educação Especial. Atualmente, no Brasil, há apenas dois cursos de licenciatura em Educação Especial, sendo um oferecido pela UFSCar e outro pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e apenas um programa de pós-graduação, também oferecido pela UFSCar. “Faltam professores para trabalhar com essas crianças e os educadores que trabalham não estão preparados, pois não há opções de formação no Brasil. Os próprios professores não se sentem aptos a ensinar essas crianças nas salas de recursos”, afirma Mendes. Segundo ela, sem nenhum padrão previsto, cada professor pode trabalhar da maneira como achar melhor nas SRMs. Além disso, um dos desafios encontrados diz respeito à diversidade do público, já que, nas salas, o professor atende alunos com deficiências variadas. “O professor não sabe o que fazer para complementar a escolarização das crianças. Uns trabalham com atividades lúdicas, outros preferem ensinar atividades diárias, como comer e lavar as mãos”, relata Eniceia.

Com a coleta de dados concluída, agora os pesquisadores estão sistematizando o conjunto de informações recolhidas. O projeto do Observatório, segundo a coordenadora, é apontar o problema e sua solução. “Se nós ficarmos só na denúncia, não contribuímos com a área e com o avanço em relação ao direito à educação dessas crianças. O Observatório, como se aproxima muito dos professores e da rede pública, consegue identificar as demandas de formação e, também, como a universidade pode contribuir”, conclui Mendes.

Mais informações sobre o Observatório, incluindo documentos produzidos por seus pesquisadores, podem ser consultado no site do projeto, em www.oneesp.ufscar.br.

Fonte: UFSCar - http://www.movimentodown.org.br/ - "Matéria postada em caráter informativo"


As crianças trans existem e querem ser felizes


Málaga, Espanha e Buenos Aires, Argentina, 7/11/2013 – Enquanto em vários lugares do planeta a inclinação sexual pode ser punida com a morte, em outros o direito de escolher a identidade de gênero se conquista na primeira infância, abrindo, assim, todo um novo campo de desafios. Gabi nasceu há seis anos com genitais masculinos, mas sempre se vestiu de princesa, usou colares e simulou tranças para que todos vissem nela uma menina.


“Não são crianças presas em um corpo errado, mas crianças que nascem com genitais contrários ao gênero com o qual se identificam”, disse à IPS a mãe de Gabi, Pilar Sánchez, em sua casa na cidade espanhola de Málaga. Em um armário guarda, desde setembro, sem usar, a saia verde do uniforme feminino da escola frequentada por Gabi e seus dois irmãos, de oito e 13 anos. A escola não permite que se vista como as demais meninas, contrariando as diretrizes fixadas pelo governo da comunidade de Andaluzia.

Junto à mãe de Gabi, outras duas famílias de meninos transexuais de oito e nove anos, matriculados em escolas de Málaga, solicitaram ao governo andaluz que seus filhos fossem chamados em aula com o nome do gênero com o qual se identificam, pudessem vestir roupa ou uniforme segundo sua identidade sexual e escolher o banheiro que usariam.
Duas escolas acataram a decisão do governo, favorável às famílias. Não a de Gabi. Nessa escola, uma centena de mães e pais tacham a medida de “arbitrária” e garantem que “não se pensa nos efeitos adversos que pode provocar no normal desenvolvimento social e psicológico dos demais alunos”, segundo uma carta que assinaram e enviaram ao governo da comunidade.

“Isso não é um capricho infantil. As crianças transexuais são uma realidade que está ofuscada pelos preconceitos”, ressaltou Sánchez. Ela reconhece que vive um “pesadelo”, porque sou “a louca do colégio, quando só o que quero é ver meu filho feliz”. “Têm direito de ser felizes, serem quem são. Negar isso é uma crueldade e um crime”, afirmou Mar Cambrollé, a presidente da Associação de Transexuais de Andaluzia durante algumas jornadas contra a discriminação e os crimes de ódio realizadas no dia 24 de outubro em Málaga.

“Em um Estado aconfessional devem prevalecer as leis e o direito sobre as ideologias e a religião”, destacou Cambrollé sobre a atitude do colégio de Gabi, gerido por uma fundação da Igreja Católica e subvencionado em parte com dinheiro público. O princípio de igualdade e de não discriminação por razão de sexo consta do Artigo 14 da Constituição espanhola.

Enquanto enrola a fieira em um pião, Carlos Martín, de nove anos, cabelo curto e pele morena, diz à IPS que está animado em sua nova escola de Málaga, onde é tratado como o menino que se sente, apesar de ter nascido menina. “Se portaram mal com meu menino desde que tinha sete anos”, lamenta sua mãe, María Gracia García, se referindo ao colégio anterior, “um inferno” onde o chamavam de “travesti” e o submetiam a “maus tratos”.

Os centros educacionais espanhóis não contam com protocolos de atuação para casos de menores transexuais. “São crianças que têm pesadelos, que não podem se concentrar, que não querem ir à escola. Tratá-los de acordo com o gênero com o qual se identificam é devolver-lhes a felicidade”, afirmou Cambrollé. Segundo ela, a identidade de gênero “é um sentimento inato e imutável que se estabiliza entre dois e cinco anos de idade”.

Eva Witt, mãe de David, que nasceu menina há oito anos, destaca que as crianças, “desde que começam a se expressar, reclamam sua identidade de forma persistente. Desenham a si mesmos de acordo com o gênero em que se sentem e assumem esse papel nas brincadeiras”. Aos seis anos, David obteve um documento de identidade com seu nome masculino, um dos três concedidos até agora na Espanha para menores transgênero, segundo Witt, presidente da Associação Chrysalis, com meia centena de famílias espanholas com meninas e meninos transexuais.

Na Argentina se foi mais além. Luana, de seis anos, que nasceu menino junto com seu irmão gêmeo, já figura como sendo do gênero feminino em seu documento de identidade e na retificada certidão de nascimento. Para a família, a história foi muito dramática e a levou a consultar médicos e psicólogos, contou à IPS sua mãe, Gabriela. O processo foi doloroso, mas ela diz que agora a menina é feliz. A psicóloga de Luana, Valeria Paván, acrescentou que “não há patologia nem déficit de nenhum tipo. Ela simplesmente constrói sua identidade de maneira diferente, e nós profissionais devemos refletir sobre como isso incide em nossa prática”.

É a primeira vez que um Estado intervém no reconhecimento de uma identidade transexual de forma tão precoce e sem exigir um processo judicial, segundo a Comunidade Homossexual Argentina. “De repente, você entende tudo, todas as peças se encaixam. Se dá conta de que não estava permitindo sua filha de ser quem era”, disse à IPS a mãe de uma menina de nove anos de Aragón (nordeste da Espanha) que nasceu com corpo de homem. Desde que foi reconhecida como gênero feminino “é muito feliz” e quer ir à rua com seu cabelo sem cortar e seus vestidos.

Mas as famílias ouvidas pela IPS não podem deixar de olhar o futuro e se preocupam com o que acontecerá quando seus filhos e filhas chegarem à puberdade. Na Espanha não é possível recorrer a cirurgias de mudança de sexo até a maioridade. Mas é possível iniciar um tratamento reversível com bloqueadores hormonais, que ajudam a evitar o sofrimento de adolescentes “que prendem os seios” para esconder as mudanças físicas que a biologia impõe, afirmou Witt.

Leis trans
A Argentina reconhece por lei o direito das pessoas serem definidas em seus documentos com a identidade de gênero com a qual se autopercebem inclusive na infância, se seus pais estão de acordo, para o qual só falta um trâmite administrativo.

Em Andaluzia, grupos transexuais conseguiram, no dia 6, que fosse desbloqueado o trâmite parlamentar do projeto de Lei Integral de Transexualidade, prometido desde 2009, e suspenderam, portanto, uma greve de fome que planejavam iniciar hoje. Essa iniciativa estabelece a livre autodeterminação do gênero e a descentralização da atenção sanitária, e põe fim ao tratamento da transexualidade como uma patologia.

No momento, uma pessoa transexual que necessite de atenção sanitária pública em Andaluzia deve ir até à Unidade de Transexualidade e Identidade de Gênero, do hospital provincial de Málaga. Nesse local são feitos exames psicológicos que determinam, para o sistema de saúde, se a pessoa é transexual e tem direito, portanto, a tratamentos com hormônios ou cirurgia. Envolverde/IPS

* Com colaboração de Marcela Valente (Buenos Aires).

(IPS) (Envolverde)

Fonte: http://www.inclusive.org.br/?p=25720 - "Matéria postada em caráter informativo"