sábado, 16 de novembro de 2013

Diabetes infantil

Imagem internet ilustrativa

Prestar atenção aos sintomas e realizar exames periodicamente ajudam na prevenção e na detecção precoce da doença O Dia Mundial do Diabetes, dia 14 de novembro, teve o objetivo de conscientizar a população sobre a gravidade da doença, que compromete o pâncreas, não tem cura e tem apresentado aumento no número de casos entre crianças.


Segundo estudo da Federação Internacional de Diabetes, nos últimos anos houve um crescimento anual de 3% dos casos de diabetes tipo 1 no mundo, principalmente em menores de 14 anos. "Por ser uma doença cujas complicações podem levar à morte, o diagnóstico precoce por meio do exame de sangue (ponta de dedo) é fundamental.

Os pais devem ficar atentos também aos sintomas mais comuns que podem ser reconhecidos no dia a dia da criança como, por exemplo, beber muita água, urinar com freqüência, aumento do apetite e perda de peso", explica Felipe Monti Lora, endocrinologista pediátrico do Hospital Infantil Sabará, na capital paulista.

Existem vários tipos de diabetes, porém os mais conhecidos são o Tipo 1 e Tipo 2, sendo que os dois podem acometer tanto crianças quanto adultos.

A doença do Tipo 1 ocorre quando há uma predisposição genética e o sistema imunológico do paciente destrói as células do pâncreas que produzem a insulina, hormônio responsável pelo controle do nível de açúcar no sangue.

A do Tipo 2 tem maior influência de fatores ambientais como obesidade e falta de exercícios físicos. "Diferente do que a maioria das pessoas pensa, tanto crianças quanto adultos podem adquirir ou desenvolver qualquer um dos dois tipos do diabetes, embora seja mais comum a do Tipo 1 ser adquirida por crianças. E o tratamento também é diferenciado.

Em razão da falta da produção da insulina no organismo para o paciente com diabetes Tipo 1, é necessário o uso constante da aplicação da insulina injetável. Já para quem tem o diabetes Tipo 2, dependendo do caso, o tratamento pode ser realizado com o uso de medicamentos orais para controlar a glicemia", alerta o endocrinologista.

Preocupação global
Relatório recente sobre a doença apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça a preocupação com o diagnóstico precoce e controle do diabetes. O estudo aponta que 12 milhões de pessoas têm diabetes no Brasil.

A doença eleva o risco de acidente vascular cerebral (AVC), complicações como a cegueira e é a principal causa de amputações de membros inferiores.

Assim como os adultos, as crianças devem ter hábitos alimentares saudáveis e atividades físicas frequentes. "É importante educar as crianças nesse sentido para que os valores permaneçam presentes durante toda a vida, pois os hábitos da infância são o reflexo da vida adulta", finaliza Felipe Monti Lora.


Fonte:http://sentidos.uol.com.br/ -  Imagem Internet Ilustrativa - "Matéria postada em caráter informativo"

Governo lança Programa Mulher, Viver sem Violência

 Danilo Macedo - Repórter da Agência Brasil - Edição: Lílian Beraldo

                                                                                                                                                                          Imagem Internet Ilustrativa
  

Brasília - O governo federal lançou quarta-feira (13) o Programa Mulher, Viver sem Violência. O programa prevê a construção de centros chamados Casa da Mulher Brasileira, que integrarão serviços públicos de segurança, justiça, saúde, assistência social, acolhimento, abrigamento e orientação para o trabalho, emprego e renda em todas as 27 capitais brasileiras.
“A mulher terá todos os serviços, sem precisar peregrinar atrás de cada um deles”, disse a ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci. Ela explicou que serão investidos R$ 265 milhões até 2014, sendo R$ 115,7 milhões na construção dos centros, compra de equipamentos e manutenção, R$ 25 milhões na ampliação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, R$ 13,1 milhões na atenção à saúde, R$ 6,9 milhões na humanização da perícia para aperfeiçoamento da coleta de provas de crimes sexuais.
O custo médio de cada centro é estimado em R$ 4,3 milhões, incluindo construção e aquisição de equipamentos. O governo espera atender cerca de 200 mulheres por dia e 72 mil por ano em cada um deles.
Também serão investidos R$ 4,3 milhões em serviços de fronteira, aumentando o número de centros de atenção às mulheres nas fronteiras e estendendo os serviços para as regiões próximas à Bolívia, Guiana Francesa, Guiana Inglesa, ao Paraguai, ao Uruguai e à Venezuela. Atualmente, há três centros de atenção à mulher nas regiões fronteiriças. Além de apoio a migrantes, os centros também atuarão no combate ao tráfico de pessoas.
O modelo é inspirado no implantado em El Salvador, que tem o Cidade da Mulher, um centro de atendimento e assistência às mulheres, que reúne desde serviços de saúde até cooperativas de crédito. Na visita que fez à presidenta Dilma Rousseff no início do mês, a primeira-dama do país, Vanda Pignato, que é brasileira, explicou que cerca de 20 estruturas de Estado funcionam em um mesmo local. “Numa mesma manhã, a mulher faz o que levaria meses para resolver”, disse na ocasião.
Segundo o Mapa da Violência, publicado em 2012, pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), mais de 92 mil mulheres foram assassinadas no país entre os anos de 1980 e 2010, tendo quase metade dessas mortes se concentrado apenas na última década. Em 2011, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, registrou 70.270 atendimentos a mulheres vítimas da violência. A maioria delas tinha entre 15 e 29 anos e foi agredida por maridos ou namorados.
No ano passado, dez mulheres foram vítimas de maus tratos a cada hora, segundo dados da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180).
Em seu último pronunciamento na televisão, Dilma disse que a redução das diferenças de gênero passa pela intensificação do combate aos crimes contra as mulheres, que ela classificou de “monstruosos”, como a violência doméstica e o tráfico sexual. “A violência doméstica, aliás, tem que ser varrida dos nossos lares e do nosso território. Já temos instrumentos poderosos para isso, como a Lei Maria da Penha, que é uma das melhores do mundo. É preciso agora maior compromisso e participação de todos nós”.

Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/ - Imagem Internet Ilustrativa - "Matéria postada em caráter informativo"
 

Adolescente britânica só descobriu que não tinha vagina aos 17 anos

A adolescente britânica Jacqui Beck descobriu, aos 17 anos, que tem uma síndrome rara: a MRKH.

Do UOL, em São Paulo

Jacqui Beck/Arquivo pessoal/Daily Mai
A adolescente britânica Jacqui Beck descobriu, aos 17 anos, que tem uma síndrome rara: a MRKH
Reportagem publicada ontem (14)  no site do jornal britânico "Daily Mail", trouxe a história de Jacqui Beck, uma adolescente que ficou completamente em choque ao descobrir, somente aos 17 anos, que não tinha vagina. A garota, hoje com 19 anos, tem uma rara síndrome, MRKH (sigla para Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser), que afeta o sistema reprodutivo: ela não possui útero, colo de útero ou abertura vaginal.  
Ela só foi diagnosticada após ir ao hospital por causa de dores nas costas e mencionar, de passagem, que não tinha, apesar da idade, menstruado ainda. O médico, então, pediu alguns exames. Como não apresentaram nenhum diagnóstico, a jovem foi encaminhada a uma ginecologista que imediatamente viu que algo estava errado.

A adolescente soube que não poderia ter filhos e que corria o risco de ter de passar por uma cirurgia para conseguir ter relações sexuais. Mulheres nessas condições aparentam ter uma vagina normal, só descobrem a diferença quando tentam ter relações sexuais ou investigam o motivo da menstruação ainda não ter chegado, como nesse caso.

Beck declarou ao "Daily Mail": "Eu nunca me considerei diferente de outras mulheres e a notícia foi tão chocante que não podia acreditar no que estava ouvindo. Tinha certeza de que a médica havia errado, mas quando ela explicou que era por isso que eu não havia menstruado ainda, tudo fez sentido".


A jovem conta que deixou o hospital em lágrimas ao saber que nunca poderia engravidar e dar à luz, coisas com as quais ela havia sonhado e que foram apagadas de seu futuro. "Eu estava com muita raiva e me senti como se eu não fosse uma mulher de verdade".  Apesar da notícia chocante, ela está tentando ver sua condição de um modo positivo - e até mesmo como uma forma de certificar-se que encontrará o homem certo, já que ele terá de entender sua condição.

Tratamento
Beck foi admitida no Queen Charlotte and Chelsea Hospital, em Londres,  especializado em MRKH. Lá, ela recebeu um tratamento de dilatação, que envolvia o uso de diferentes dilatadores para tentar esticar seu canal vaginal e foi informada que se isso não funcionasse, teria que ser operada.  "Passei dois dias lá, sendo ensinada a usar o dilatador e aprendendo mais sobre MRKH. A primeira vez que a enfermeira me mostrou como usar o aparelho quase morri de vergonha. Mas agora eu já me acostumei com isso e enxergo como qualquer outra forma de tratamento", conta ela.

O hospital também a encaminhou a um grupo de outras mulheres com a mesma síndrome o que, segundo ela, foi muito bom para dividir o que estava sentindo. Felizmente, seu tratamento tem evoluído e se continuar assim, Beck não vai precisar de cirurgia.

"Se eu tivesse câncer, ou qualquer outro problema médico, as pessoas iriam ser solidárias. Então, recentemente revelei minha condição a todos no Facebook. Fiquei surpresa com a forma positiva como lidaram. Disseram que eu era corajosa e linda, agora eu gostaria de ter falado sobre isso desde o início".

O QUE É MRKH?

MRKH (Mayer Rokitansky Küster Hauser) é uma anomalia congênita que afeta uma em cada 5.000 mulheres no Reino Unido. É caracterizada pela ausência da vagina, útero e cérvix.

As mulheres que sofrem dessa condição terão ovários funcionando normalmente e, assim, os sinais normais da puberdade também aparecerão, mas não vão menstruar ou engravidar. Os órgãos sexuais externos são completamente normais e é por isso que, geralmente, a síndrome não é descoberta até que elas entrem na adolescência.

Muitas mulheres são capazes de criar um canal vaginal por meio de um tratamento de dilatação, que usa dilatadores em forma de cilindros de diferentes tamanhos para alongar os músculos. Porém, se isso não funcionar, será necessária uma cirurgia.

Fonte: noticias.bol.uol - "Matéria postada em caráter informativo"

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Criança com paralisia cerebral faz tarefas escolares com os pés

Menino de 12 anos mora com a família em Chapada dos Guimarães.
Paralisia cerebral foi causada por problemas durante o parto, diz mãe.

Brincar, ir à escola e ficar com a família. São algumas atividades que fazem parte do cotidiano da maioria dos meninos de 12 anos de idade. Mas para Gabriel dos Santos Rodrigues, que reside em Chapada dos Guimarães, a 60 km de Cuiabá, desenvolver essa rotina requer esforço. Portador de paralisia cerebral, o garoto buscou força nos pés, por exemplo, para desempenhar muitas ações, como desenvolver as atividades dentro de sala de aula.

Gabriel não fala e nem consegue se comunicar por meio de gestos, em razão da deficiência gerada durante o parto, entretanto, é capaz de entender as pessoas que conversam com ele. “Ele presta muita atenção nas professoras e, depois, eu vou auxiliando nos exercícios que são feitos no ritmo dele. O Gabriel escreve em uma espécie de quadro que fica no chão com moldes de madeira e imãs. Ele usa os pezinhos para montar as letras. Além disso, possui um computador adaptado e com os pés usa um mouse para clicar nas letras que aparecem na tela”, contou ao G1 a monitora que o acompanha diariamente na escola, Aparecida Ferreira dos Santos.

Ela destaca que a criança assiste todas as aulas com os colegas e atua como monitora de Gabriel há três anos. O garoto nasceu no município de Alta Floresta, a 800 km da capital, mora com os pais e tem mais dois irmãos, sendo de 8 e 10 anos de idade. Há quatro anos mudou com a família para Chapada, onde reside em um loteamento. Gabriel é estudante do 6º ano do ensino fundamental e se esforça para acompanhar as aulas junto aos colegas de sala, na Escola Estadual Prof. Ana Tereza Albernaz, como destaca a professora de língua portuguesa, Ângela Malta do Carmo Faria. “O Gabriel é super participativo, tem uma ótima socialização com os colegas. É uma pessoa de bem com a vida, uma criança muito dedica e meiga”, avalia.

A dona de casa Maria das Graças, mãe de Gabriel, disse em entrevista que uma vez por mês leva o filho ao Centro de Reabilitação, em Cuiabá, com um carro disponibilizado pela prefeitura do município. No local, o garoto recebe atendimento de uma nutricionista, pedagoga e uma psicóloga que avaliam o seu desenvolvimento. Ela conta que em uma das consultas, Gabriel foi encaminhado para tratamento no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília (DF), onde recebeu uma cadeira de rodas provisória. Na ocasião, também foi concedida uma prescrição médica sobre a necessidade de outra cadeira que fosse adaptada e motorizada.

“Há mais de um ano estou recorrendo à  Justiça para pedir uma cadeira para meu filho, porque nós não temos condições de comprar uma adaptada. E até hoje não recebemos resposta”, lamentou a mãe, que acredita que o filho teria mais autonomia para desenvolver as atividades diárias se estivesse com a cadeira motorizada.

Procurado pela dona de casa, o Ministério Público de Chapada dos Guimarães ingressou com uma ação civil pública contra o estado e o município, para que a cadeira de rodas adaptada fosse fornecida a estudante, com intuito de minimizar as dificuldades causadas pela doença. A Justiça concedeu no mês de janeiro deste ano uma liminar determinando que o estado fornecesse a cadeira motorizada a Gabriel.

No entanto, o estado recorreu contra a decisão, o que impediu que a liminar fosse cumprida. A assessoria da promotoria de Justiça de Chapada dos Guimarães informou à reportagem que tomará as devidas providências contra o recurso.

Fontes: G1 - http://nandoacesso.blogspot.com.br/ - "Matéria postada em caráter informativo"

Deficientes têm mais 25% de risco de pobreza do que as pessoas sem deficiência

Os resultados do estudo mostram que "a taxa de risco de pobreza das pessoas com deficiência é 25% superior [à das pessoas sem deficiência] em países como a Bulgária, Chipre, a Estónia, a Grécia, a Espanha, a Finlândia, a Lituânia, Portugal, a Eslováquia e o Reino Unido".

Lisboa, 10 nov (Lusa) -- As pessoas com deficiência em Portugal têm uma taxa de risco de pobreza 25% superior à das pessoas sem qualquer deficiência, consequência da atual crise econômica, revela um relatório europeu, a ser divulgado segunda-feira.
O "Estudo de avaliação do impacto dos planos de austeridade dos Governos europeus sobre os direitos das pessoas com deficiência" vai ser apresentado no encontro sobre deficiência e inclusão, que decorre segunda-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e é da responsabilidade do Consórcio Europeu de Fundações para os Direitos Humanos e a Deficiência.
Fonte: http://expresso.sapo.pt/ - "Matéria postada em caráter informativo"



Jovem com paralisia cerebral escreve livro e vai se formar em faculdade

Estudante de 27 anos concluirá curso de história em dezembro, na UEG. Sem coordenação motora, ela digita com a ponta do nariz, em Goianésia.

Gabriela Lima

(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Lívia com os colegas de faculdade na UEG de Goianésia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Lívia com os colegas de faculdade na UEG de Goianésia


Uma jovem de 27 anos é exemplo de superação em Goianésia, a 198 quilômetros de Goiânia. Lívia Barbosa Cruz tem paralisia cerebral e está se formando em história na Universidade Estadual de Goiás. A jovem, que mexe apenas com a cabeça e fala com dificuldade, concluirá o curso no próximo mês e já se prepara para conquistar novos objetivos: "Quero publicar um livro que estou escrevendo e fazer uma pós-graduação".

Lívia teve paralisia cerebral ao nascer e não desenvolveu a coordenação motora. Sem dominar as mãos, ela precisou encontrar outra forma de escrever a monografia e o livro: digitar com a ponta do nariz e o queixo. O irmão Jeferson Barbosa Cruz, de 22 anos, ensinou o básico sobre o computador e ela, sozinha, aprendeu a mexer no Twitter e Facebook. A estudante gosta de usar as redes sociais para se comunicar com os amigos e com os primos que moram em outras cidades.

Em entrevista ao G1, pelo Facebook, a jovem conta que chegar até o fim do curso não foi fácil. Além de ter os movimentos do corpo limitados, também sofreu preconceito. "Tive problemas, mas venci e hoje estou muito feliz", comemora a estudante que escolheu a inclusão no ensino superior como tema para a monografia.

Professora do curso de história, Edilze de Fátima Faria elogia a aluna. "A deficiência física não afeta a inteligência dela. Ela é muito esforçada. Ela mora longe da universidade e vem todos os dias em uma cadeira [de rodas]. É um exemplo de vida", diz.

"Viciada em livros", como a própria Lívia diz, ela agora está escrevendo o seu próprio romance. A jovem adianta que o trabalho está em fase de conclusão e contará a história de amores platônicos. Segundo ela, a obra é baseada em fatos reais, tanto de casos que ela tomou conhecimento quanto dela mesma. "Quem nunca amou em segredo?", questiona.

Apoio 
Para realizar o sonho de fazer um curso superior, Lívia contou com a ajuda de algumas pessoas. O apoio principal vem da mãe, Cleones Barbosa dos Santos, de 43 anos, que desde 2009 leva a filha todos os dias para a universidade.

De segunda a sexta-feira, Cleones anda cerca de três quilômetros a pé, no caminho de ida e volta para a UEG, empurrando a cadeira de rodas da filha. Enquanto Lívia assiste aula, ela espera do lado de fora. Para passar o tempo, faz bordados e crochê. Para a mãe, todo o esforço valeu a pena: "Eu não tenho palavras para dizer o que sinto. Ela conseguiu mostrar o valor dela".

Cleones conta que ficou grávida de Lívia aos 16 anos e parou de estudar no terceiro ano do ensino fundamental. Mas, ao ajudar a filha, acabou aprendendo e hoje até se expressa melhor. "Ele sempre gostou de ler e se interessou pelos estudos. Às vezes eu copiava a tarefa para ela e fui aprendendo. Tenho formação em ser mãe", diz. A filha retribui a dedicação da mãe: "Sem ela seria impossível chegar onde estou hoje".

Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Cleones Barbosa leva a filha todos os dias para a universidade (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Cleones Barbosa leva a filha todos os dias para a universidade 

Antes da faculdade, ela contou com o auxílio do irmão. Era Jeferson quem levava a irmã para a escola. "Estudávamos juntos até o terceiro ano do ensino médio", conta a universitária. Os dois tentaram o vestibular, mas só Lívia seguiu em frente.

No ensino médio, Lívia descobriu a paixão pela história nas aulas de Valdelice Camilo, sua grande incentivadora e também professora na UEG. Na universidade, a estudante também destaca as aulas do professor Paulo Bernardes.

Professora de apoio 
Quando Lívia conseguiu a aprovação no vestibular, o campus da UEG de Goianésia precisou fazer algumas adequações para recebê-la. A sala de aula foi transferida do primeiro andar para o térreo a universidade teve de contratar uma professora de apoio.

A contratação da docente especial foi a parte mais difícil, segundo a mãe de Lívia. A jovem precisa da professora de apoio para sentar ao lado dela e copiar o conteúdo nos dias de trabalho. "Foi um trabalhão danado para conseguir, porque não tinha esse cargo lá. Mas a direção conseguiu contratar uma professora de Libras e conciliar os horários para que ela pudesse atender a Lívia", relata Cleones.

Fontes: G1 -http://saci.org.br/ - http://www.deficienteciente.com.br/ -

   "Matéria postada em caráter informativo"

Jovem usa máquina feita pelo pai para aprender a andar em Santa Isabel

Pai sonha ver filho andar e se baseou em modelo feito na Argentina.
Jovem teve paralisia cerebral, identificada aos 11 meses.


Carolina Paes Do G1 de Mogi das Cruzes e Suzano

Uma máquina de 2 metros de altura e cerca de 40 quilos ganhou lugar especial na casa do ambulante José Dimas da Silva, em Santa Isabel (SP). Para recebê-la foi preciso mudar os hábitos da família: onde antes era a sala virou quarto e vice-versa. “Foi bom ganhar um quarto novo. Aqui é mais bonito, arejado e me deixa mais perto da máquina”, diz o estudante Hugo Aparecido da Silva. Finalmente, um ano após o pai de Hugo, José Dimas, decidir criar uma máquina que ajudasse o filho a andar, o equipamento começou a ser usado pelo jovem de 16 anos.


Hugo nunca andou sozinho. Uma experiência que desde o começo de novembro está chegando cada vez mais perto de ser realizada. “Estou andando pela quarta vez já”, dá risada o estudante. “Nunca fiz isso. É gostoso e diferente, mas muito bom. Quero mais. Não imaginava que andar mexia todas essas partes”.  Aos 11 meses a família descobriu em Hugo uma paralisia cerebral, que afetou a parte motora dos membros inferiores do adolescente.
A ideia do simulador veio depois que o pai dele encontrou na internet um equipamento  feito na Argentina. Segundo José Dimas, um mecânico fez uma máquina parecida para o filho. Ele tentou comprar, mas custaria US$ 30 mil. Apesar de não ter habilidades práticas, o pai de Santa Isabel, tinha o mesmo combustível que o pai argentino: o desejo de ver o filho caminhando. Depois de alguns meses de trabalho, de investir R$ 2,5 mil e de contar com a ajuda de amigos, Dimas esperou ansioso para que o filho pudesse usar o aparelho.
O uso do equipamento só foi liberado depois que Hugo se recuperou de uma cirurgia feita no joelho, em julho deste ano. Só então as sessões de fisioterapia voltaram e o simulador pode ser testado.
O fisioterapeuta que acompanha Hugo, Silvio Massaki Igarasi, se impressionou com a história. “Nunca tinha visto algo assim sendo usado para caso de paralisia, em que não se tem uma resposta muscular. Foi a primeira vez. Normalmente usamos esse tipo de máquina em atletas para dar mais mobilidade. Não imaginava que alguém poderia fazer um estímulo mecânico e usar um motor para fazer a função do cérebro. Achei muito interessante”, diz.
Dimas não sai nem um só minuto do lado do filho durante fisioterapia (Foto: Carolina Paes/ G1)Dimas não sai nem um só minuto do lado do filho
durante fisioterapia (Foto: Carolina Paes/ G1)
Movimentando as pernas

O G1 acompanhou uma sessão e pode comprovar os efeitos do "cérebro mecânico" criado pelo pai, que tem apenas um sonho: ver o filho andar. “Com ela meu filho fez algo que nunca tinha feito na vida e isso que é importante. Já é um sonho realizado, o que vier é lucro. Estamos muito animados”, diz Dimas.

Já foram 15 sessões de fisioterapia, mas apenas há quatro o estudante tem usado o simulador. Além de ter que fazer alguns ajustes no equipamento, como a colocação de fivelas nas costas e pernas para dar mais segurança e conforto para Hugo, foi preciso cuidar de alguns detalhes antes de estrear a máquina. “O uso dela atrasou em um mês, pois tivemos que curar algumas feridas no corpo por ele ter ficado muito tempo deitado no pós-operatório. Além disso tivemos que fazer com que os joelhos dele dobrassem de novo com exercícios manuais”, explica o fisioterapeuta.
Desde que inventou o simulador, Dimas tinha receio do equipamento não ser aprovado. Um medo que dia a dia foi ficando cada vez mais distante. “Estava com medo dos médicos recusarem, mas toda a equipe olhou a foto que levei no dia da consulta e gostou. Ai você fica aliviado e contente. Depois disso minha esperança na máquina aumentou mais. Por alguns minutos achei que não iam aprovar”, lembra. A opinião do fisioterapeuta só confirmou as expectativas do ambulante. “Quando as sessões começaram aqui em casa perguntei para ele o que precisávamos para melhorar o Hugo. Ele respondeu muita caminhada. Ai mostrei a máquina.”
Hugo usa a máquina pela quarta vez (Foto: Carolina Paes/ G1)Hugo usa a máquina pela quarta vez (Foto: Carolina Paes/ G1)
E em pouco tempo de uso todo o esforço já vem dando resultado. Hugo vem correspondendo bem ao tratamento sem dores na perna e com alguns efeitos positivos. “Nas últimas vezes ele está sentindo as pernas formingando, o que no caso dele é um sinal de que os nervos estão melhorando a sensibilidade. Depois disso vem o estímulo motor e a contração muscular. Ai estamos perto para ele conseguir andar”, diz Igarasi.
O fisioterapeuta ainda explica que tudo isso também depende das respostas do organismo e dos estímulos. É preciso muita persistência. “Tratar o Hugo é bom porque ele é um paciente motivado que tem força de vontade e procura sempre te ajudar quando precisamos dar uma reposta positiva. Além de tudo, ele tem força para vencer mais essa etapa da paralisia cerebral que é bem complicada. Nem todos os pacientes têm essas respostas que ele está tendo. Ele tem bons resultados apesar da doença  e chances de um dia andar sem muleta, mas é preciso muito estímulo. Não temos certeza que ele vai ter toda a recuperação que esperamos, mas depende da persistência”, afirma o fisioterapeuta.
De acordo com Igarasi isso deve acontecer pelo estímulo que a máquina causa na articulação do tornozelo, do joelho e do quadril. “Apenas com exercício manual não conseguimos isso. O estímulo da máquina é contínuo e ajuda na contração da musculatura. Esperamos então desenvolver mais a área motora do cérebro dele para desenvolver a marcha”, explica.
Mas para o pai essa resposta do corpo já é a faísca necessária para ele não parar. “ A resposta foi boa. Fico feliz. O formigamento é bom porque é um sinal que está mexendo algo lá. Está dando certo então”, afirma o ambulante.
Bem calmo e tranquilo, diferentemente do pai agitado, Hugo revela sua opinião sobre a nova 'queridinha da família'. “ Eu gostei de usar. Gosto de ficar nela. No começo tinha medo de cair”, desabafa. “Mas depois criei coragem e fui. A vontade de melhorar é maior. Quero sair da cama e devo isso a meu pai também. A sensação das pernas mexendo sozinhas, como se estivesse andando, é gostoso”.
Dimas e o filho orgulhosos dos resultados da máquina (Foto: Carolina Paes/ G1)Dimas e o filho orgulhosos dos resultados da máquina (Foto: Carolina Paes/ G1)Liberdade
Três vezes na semana, de 20 a 30 minutos. Esse é o tempo permitido para Hugo usar o simulador.  A velocidade, segundo o fisioterapeuta, é baixa, de menos de 10 km/h. As sessões de fisioterapia começam sempre com a movimentação dos joelhos e um alongamento.

Mas apesar da máquina ser grande e cheia de cabos, botões, travas de segurança, guindaste e fivelas, Hugo não a larga por nada. “Eu gosto de andar nela e só não gosto quando tenho que sair. Quero sempre ficar mais”, diz. “Com ela, tenho a sensação de liberdade também porque ali estou caminhando sem as muletas. O Silvio pede que na hora que estou nela me imagine andando de verdade. Ai nessa hora penso que estou caminhando sozinho pela cidade. É um incentivo para ir mais rápido. Hoje acredito que isso possa ser possível mesmo e cada vez mais me orgulho do meu pai”, afirma Hugo.
E como não poderia deixar de ser, o ambulante, mecânico, pai, ganha mais uma função. Dessa vez ele vira assistente de fisioterapia e não para um só minuto. Mexe daqui. Levanta dali. Questiona o profissional. Anima o filho e olha para o canto da casa com a certeza de que os passos reais de Hugo não estão distantes de serem vistos. “Sofremos juntos e em cada vitória estamos unidos também. O que importa é ver o Hugo feliz e caminhando. Sei que isso não está longe e não posso parar.”
Fonte: http://g1.globo.com/ - "Matéria postada em caráter informativo"

Avança projeto que exige táxis adaptados para pessoas com deficiência

Empresas com 20 ou mais veículos terão que adaptar pelo menos 5% de sua frota.

Da Agência Senado



Projeto foi aprovado nesta quarta-feira - Getty Images

Empresas e cooperativas de táxi que operam com 20 ou mais veículos poderão ser obrigadas a adaptar pelo menos 5% de sua frota para pessoas com deficiência.
É o que determina o projeto que foi aprovado nesta quarta-feira (13) pela Comissão de Serviços de Infraestrutura.

O objetivo da proposta, que segue agora para a CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa), é permitir a cadeirantes embarcar e desembarcar do automóvel sem a necessidade de que sejam retirados de suas cadeiras de rodas.
O senador Sérgio Souza (PMDB-PR), autor do projeto, argumenta que os benefícios fiscais concedidos na aquisição de táxis devem ser revertidos à sociedade de alguma forma.
Na justificativa do projeto, ele acrescenta que os cadeirantes preferem fazer seus deslocamentos, sempre que possível, sem a necessidade de ajuda ou de retirada de suas cadeiras de rodas.
— Isso porque eles querem se sentir produtivos e capazes de gerir suas vidas sozinhos, como o restante da população. Nesse sentido, é importante que haja táxis adaptados para as peculiaridades desses brasileiros.
O projeto estabelecia inicialmente que apenas as empresas estariam sujeitas à obrigação de adaptar 5% da frota, mas o relator, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), incluiu as cooperativas.
Ele lembra que em muitos municípios os serviços de táxi são prestados não apenas por permissionárias ou concessionárias, mas também por cooperativas formadas por condutores anônimos. A CDH examinará a matéria em caráter terminativo.
Fonte: http://noticias.r7.com/ - "Matéria postada em caráter informativo"

Lei que obriga bancos a terem intérprete de libras causa polêmica

Bancários e público alvo não veem a necessidade do serviço em Marília.
Em caso de descumprimento, agências bancárias serão multadas.


Do G1 Bauru e Marília

A Câmara Municipal de Marília (SP) quer que os bancos contratem um funcionário que domine a linguagem dos sinais para atender pessoas com deficiência auditiva. No entanto, nem o sindicato dos bancários nem o público alvo veem a necessidade desse serviço.

De acordo com a proposta, as agências do centro de Marília ficam obrigadas, durante o horário de atendimento, a disponibilizar pelo menos um funcionário que saiba a linguagem dos sinais. A ideia é ajudar pessoas surdas e mudas a se comunicarem quando precisam pagar uma conta, pedir um empréstimo ou investir em uma aplicação. “A ideia desse projeto veio após uma pessoa presenciar a dificuldade de um deficiente de se comunicar em uma agência bancária. Todo mundo tem o direito ser atendido e ser entendido em qualquer lugar”, diz o vereador autor do projeto Sílvio Harada.
Existem cerca de 40 agências bancárias em Marília. As que estão localizadas nos bairros ficam de fora dessa obrigatoriedade, mas deverão ter um cartaz avisando qual agência do centro oferece o serviço. Caso a lei não seja cumprida, as penalizações vão desde multa de R$ 1 mil até o cancelamento do alvará daquela agência.
Bancários e público alvo não veem a necessidade do serviço em Marília (Foto: Reprodução/TV Tem)Bancários e público alvo não veem a necessidade
do serviço em Marília (Foto: Reprodução/TV Tem)
Apesar da proposta ter sido aprovada por unanimidade aqui na Câmara de Marília, ela vem causando polêmica tanto entre as pessoas que seriam beneficiadas com esse serviço quanto entre os bancários.
Por causa do custo, o presidente do sindicato não acredita que os bancos contratem um profissional exclusivamente para esta finalidade.Com isso, os próprios bancários é que vão ter que fazer cursos para se adequar às exigências. "Essa medida vai se tornar mais um afazer para o trabalhador. Desta forma, vemos isso com dificuldade já que as empresas teriam que treinar todos os funcionários e não uma pessoa específica”, diz o presidente do sindicato dos bancários, Edílson Julian.
A prefeitura de Marília tem até o dia 17 de novembro para sancionar o projeto. A partir daí, as agências do centro da cidade terão 180 dias de prazo para adequação, ou seja, para contratar o profissional. Em caso de descumprimento serão cobradas multas.
Os valores variam de R$ 1 mil na primeira ocorrência a R$ 3 mil, além de suspensão do alvará de funcionamento temporário e até de forma definitiva após a quarta reincidência. Além de sancionar o projeto, a prefeitura também será responsável por determinar qual secretaria vai fiscalizar o cumprimento da lei pelos bancos.
Em caso de descumprimento, agências bancárias serão multadas (Foto: Reprodução/TV Tem)Em caso de descumprimento, agências bancárias serão multadas (Foto: Reprodução/TV Tem)Fonte: http://g1.globo.com/ "Matéria postada em caráter de informação"

Expert em autismo na Flórida, médico brasileiro incentiva pesquisa no Brasil

Sabe aquela pergunta tradicional: o que você quer ser quando crescer? Então, Carlos Gadia sempre soube cirurgicamente a resposta. "Quero ser neurologista pediátrico", dizia.
Mas a resposta, que pode parecer complexa para uma criança de 8 ou 9 anos, no caso de Gadia tinha uma justificativa bastante forte. Ele tinha uma extrema admiração por sua irmã, Dra. Newra Tellechea Rotta, pioneira na área de neurologia infantil, que se tornaria, anos depois, a primeira mulher presidente da Academia Brasileira de Neurologia.
"Ela foi e ainda é um modelo muito forte para mim", diz Gadia, que nasceu em 1957, um ano antes de a irmã entrar na faculdade de medicina.
E hoje, aos 56 anos, Gadia também se tornou um expoente na sua profissão. Considerado um dos maiores especialistas em autismo na Florida, ele estará no Brasil, entre os dias 14 e 16 de novembro, levando um pouco dessa experiência.
Dr. Gadia vai participar do 8º Congresso Brasileiro de Neurologia Infantil em São Paulo, onde fará duas palestras, uma delas sobre a situação atual do autista no Brasil e o papel da neuropsiquiatria infantil.
E também, como diretor médico da ONG brasileira Autismo e Realidade, ele vai aproveitar a ocasião para anunciar o segundo "Edital - Prêmio Prof. Dr. Marcos Tomanik Mercadante," que leva o nome do responsável pela fundação da entidade – e antes de morrer, passou o cargo ao Dr. Carlos Gadia.
"Marcos era um rapaz jovem, brilhante, que realmente fez uma diferença enorme em relação ao autismo no Brasil", diz Gadia. "Quando soube que tinha um câncer intratável, o último legado dele foi chamar quatro famílias que atendia e pedir que elas criassem uma organização para divulgar o autismo no Brasil".
No primeiro edital, os finalistas receberam R$ 30 mil nas áreas de pesquisa e capacitação de profissionais, e este ano, o valor vai aumentar para R$ 50 mil em cada área.
"O objetivo do edital é estimular a pesquisa sobre autismo no Brasil e proporcionar uma sementinha para permitir que pesquisadores possam, pelo menos, começar um projeto de pesquisa", diz Gadia, que, depois de mais de três décadas fora do seu país, se sente privilegiado de poder levar um pouco de sua vasta experiência e conhecimento de volta ao Brasil.
"Sempre tive essa ideia de que eu precisava devolver para o meu país o que o meu país tinha me dado, que precisava voltar para ensinar, para colaborar", diz Gadia, reconhecendo que sua trajetória teria sido bem mais fácil se tivesse seguido os passos da querida irmã, com todos seus caminhos abertos em Porto Alegre.
Mas seu sonho era vir para o Estados Unidos, em busca de independência e novas experiências. E assim foi – com a bênção e estimulo da Dra. Newra Rotta.
Gadia se formou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1980 e, um ano depois, desembarcou em Miami, onde fez residência no Jackson Memorial Hospital.
"Morava num apartamentinho perto do Jackson. Não sabia nem cozinhar um ovo", diz.
Aprendeu, e não só a cozinhar um ovo, mas também a construir uma carreira independente. Hoje, Gadia é diretor do Miami Children’s Hospital Dan Marino Center, um dos maiores centros de tratamento de autismo na Flórida, Professor Assistente do Departamento de Neurologia da Universidade de Miami e Professor Adjunto do Departamento de Neurologia da nova faculdade de medicina Herbert Wertheim da Florida International University
No hospital, Gadia recebe, em média, dez novos casos por semana e, frequentemente, são pacientes que vêm do Brasil.
Por ser um apaixonado pelo que faz e acreditar no potencial transformador do tratamento, muitos pacientes marcaram sua vida.
Um deles é Rafael Ferraz de Oliveira. O menino foi diagnosticado com autismo quando tinha menos de 2 anos. No mesmo dia em que recebeu a notícia, a família de Rafael embarcou para Miami em busca de tratamento e chegou no consultório de Gadia de surpresa, sem consulta marcada.
Hoje, a advogada Alessandra Camargo Ferraz, mãe de Rafael, se tornou uma voz ativa em prol dos direitos de indivíduos com autismo no Brasil. Ela é diretora jurídica da Autismo & Realidade, a ONG que desde 2010 trabalha para mobilizar, conscientizar e, o "mais importante", diz Gadia, esclarecer as pessoas sobre o transtorno do espectro autista.
"O que mais me comove é quando as famílias resolvem estender o bem que conseguem para outras", comenta Gadia, que espera com seu trabalho nos Estados Unidos e junto à ONG poder ajudar cada vez mais na conscientização do que realmente constitui "TEA" - "Transtornos do Espectro Autista".
E para isso, diz Gadia, é importante que as pessoas assumam a condição dos filhos, como fez Alessandra, para que diminua o preconceito.
"As pessoas, mesmo imaginando que seu filho possa ser autista, talvez não queiram que isso seja de conhecimento", diz Gadia. "Acho que o problema maior seja a falta de informação da população e de ‘capacitação’ dos profissionais".
Gadia conta que nos Estados Unidos também foi difícil superar os obstáculos. Lembra que durante muito tempo a falta de conhecimento impedia o diagnóstico precoce, o que é essencial para o melhor desenvolvimento da criança autista.
Muito da transformação aqui, diz ele, se deve a pessoas como Dan Marino, que dá o nome do centro onde o neuropediatra brasileiro trabalha.
Dan Marino foi um dos maiores jogadores de futebol americano da história. Um de seus filhos, Michael, foi diagnosticado com autismo com 2 anos e a família decidiu agir rapidamente. Não só começou um tratamento completo, como também percebeu que precisava mudar a sociedade para que a inclusão de crianças como Michael acontecesse. Marino usou o seu prestigio e fortuna para divulgar a causa: abriu o centro médico com capital inicial próprio e, com todo orgulho de pai, apresentou o filho para o mundo num comercial pago durante o Super Bowl, um dos mais caros minutos da televisão americana.
Hoje, mais de 20 anos depois do diagnóstico, Michael fez faculdade, é DJ e se uniu ao pai para fazer a diferença na vida de tantas outras crianças com este transtorno do nos Estados Unidos e no mundo – uma em cada 88 crianças, de acordo com os últimos dados.
E é essa conscientização da população e da sociedade, assim como a "cultura da filantropia" tão enraizada nos Estados Unidos, que Gadia espera poder levar, cada vez, mais para o Brasil.
"A alavanca do autismo são as organizações de pais, que empurram o tema do autismo para a medicina, para a legislação, para a mídia," diz Gadia. "O Brasil tem feito pesquisas de autismo de altíssima qualidade. O que existe é uma grande separação entre o nível da pesquisa que está sendo feita e o serviço que chega à população."
No vídeo, Dr. Carlos Gadia, revela o segredo do seu sucesso e o maior presente que recebeu da vida:
 
Fonte:http://www.estadao.com.br/ -  "Matéria postada em caráter informativo"

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Silêncio incompreensível frente ao debate da Meta 4

A omissão é um desserviço à causa da inclusão. Trata-se de um problema delicado que afeta a todos e não temos desculpa para deixar algumas pessoas com deficiência por conta e risco de pais, instituições especializadas e senadores.

*Izabel Maior

                                Imagem Internet Ilustrativa
                             
Não pretendo atacar nem colocar lenha na fogueira armada nas comissões da Câmara e do Senado por onde a votação do projeto de lei do Plano Nacional da Educação – PNE se arrasta desde fins de 2010. Nessas arenas temos grupos bem identificados e corre-se o risco de serem considerados suficientes para o debate da Meta 4 do PNE. Estamos vivendo o momento de definir para os próximos dez anos como universalizar o atendimento escolar para a população de 4 a 17 anos. A minha leitura é que faltam atores nessa discussão. 

Sinto-me desapontada ao assistir nossos representantes no legislativo valendo-se de frases superficiais para expor, sem nenhuma consistência, argumentos contra ou a favor da inclusão escolar das crianças e adolescentes com deficiência e transtorno global do desenvolvimento. A respeito das pessoas com altas habilidades ou superdotação, nem um pio. Voltarei a esse ponto adiante.

Verdadeiramente, o que mais me incomoda é o fato de os defensores do lema “Nada sobre nós sem nós” permanecerem calados enquanto a educação inclusiva está em xeque.

Há 30 anos, todas as pessoas com deficiência seguiam o caminho das escolas segregadas e adequadas para as suas limitações. As crianças com deficiência física estudavam em escolas dentro dos centros de reabilitação, durante seu longo período de pacientes internados. Após a alta, continuavam a frequentar as classes das escolas especiais construídas para elas. Cito apenas a ABBR, no Rio de Janeiro, e a AACD, em São Paulo. Sei que a experiência valeu para muitos e supriu a ineficiência das poucas classes especiais da rede pública. Dentro do mundo da reabilitação, essa era a possibilidade de adquirirem conhecimento. Estou fazendo referência à realidade nos anos 50, 60 e até 70. Surgiram líderes do movimento a partir desse modelo educacional que faz parte da história.

As escolas especiais para alunos com deficiência física desaparecerem após muita luta até que houvesse a mudança de percepção da sociedade acerca dessas pessoas. Não foram as pessoas com deficiência que deixaram de ter impedimentos, tais como falta de movimento e de coordenação. Mudaram as condições disponíveis para elas. As famílias se sentiram fortalecidas e tiveram o apoio dos professores, dos técnicos das equipes de reabilitação e obtiveram a aprovação da comunidade mais próxima. A barreira foi transposta e essas pessoas não aceitam mais ficar abrigadas nas instituições especializadas.

Muitas vezes, para a educação inclusiva de estudantes com deficiência física faltam condições arquitetônicas, de mobiliário, recursos pedagógicos, de transporte e o olhar da comunidade escolar ainda não está suficiente. Existe “bullying” contra elas? Não se duvida já que se trata de um problema geral, a ser enfrentado por todos e não admitido. Entretanto, nada disso representa obstáculo à inclusão das crianças com deficiência física na escola comum, nas classes comuns e nas rotinas da escola. Se a sala de aula é no pavimento superior e a escola não dispõe de elevador ou rampa, troca-se de sala, aceleram-se as obras de acessibilidade e o problema vira assunto dos conselhos de direitos das pessoas com deficiência e de educação. A denúncia chega ao Ministério Público e, mesmo a mídia, tão arredia ao tema da deficiência, se manifesta contra a violação dos direitos daquele aluno. É impensável devolver essas crianças às escolas especiais até que a escola regular esteja preparada. A escola tem a obrigação de mudar, de providenciar tudo agora.

O debate sobre a educação das pessoas com deficiência deveria ser pautado pelo texto constitucional “no sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida”. Foi esse avanço que as vozes do “Nada sobre nós sem nós” exigiram constar na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, marco constitucional do país (Decreto 6949/2009, art. 24). Lamentavelmente, legisladores e juristas desconhecem ou não sabem interpretar a mudança. O mesmo texto reconhece “a necessidade de promover e proteger os direitos humanos de todas as pessoas com deficiência, inclusive daquelas que requerem maior apoio”. Portanto, é claro que nenhuma condição de deficiência exclui a pessoa da proteção que a Convenção assegurou. Caso contrário, será discriminação por motivo de deficiência.

Apesar da Convenção, os Stephen Hawkings, por apresentarem deficiência múltipla, não teriam a oportunidade de viver no ambiente inclusivo no Brasil. A capacidade deles seria questionada e perdida, a não ser que muitas adaptações e apoios necessários fossem providenciados. Mas as escolas ainda não estão preparadas para eles. Quantas pessoas com deficiência e altas habilidades se encontram esquecidas pela sociedade, ainda que toda proteção lhes seja dada.

Voltando ao que me fez escrever. O movimento das pessoas com deficiência se define como “de pessoas” em contraposição aos dominantes, que falavam por todos, caracterizados por serem “para pessoas” com deficiência. Em razão desse cenário, impôs-se o lema “Nada sobre nós sem nós”, assumido mundialmente, para que leis, programas de governo, quaisquer iniciativas não possam ser elaboradas, aprovadas e implementadas sem a participação direta das pessoas com deficiência.

Debater a Meta 4 sem a voz das lideranças, sem a presença maciça das pessoas com deficiência, ainda que já tenham ultrapassado os muros das escolas especiais é tão absurdo que não consigo entender. Dói profundamente. Estariam discriminando com base na deficiência intelectual, múltipla ou no transtorno do espectro autista? Por ser mais recente, a política nacional desse último grupo merece ser destacada e nela se encontra,“ o gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos” (Lei 12.764/2012, art.7º).

Embora alguns poucos estejam de fato envolvidos no debate do PNE, faço uma provocação aos progressistas que participaram da elaboração e da ratificação da Convenção e a todos que defendem o texto na teoria. Onde vocês estão? Vão deixar de lado o bom combate? Esqueceram-se de que ninguém fala por vocês? Estão incluídos a tal ponto que não precisam mais pensar na educação inclusiva na educação básica? Acreditam que inclusão na escola é para quem pode?

A omissão é um desserviço à causa da inclusão. Trata-se de um problema delicado que afeta a todos e não temos desculpa para deixar algumas pessoas com deficiência por conta e risco de pais, instituições especializadas e senadores.

Seja qual for a posição do movimento das pessoas com deficiência, desejo conhecê-la. Preciso saber o que pensa cada conselheiro dos direitos de todas as pessoas com deficiência. Não ouvi a opinião do fórum de gestores que atuam na área da inclusão. Desconheço a participação desses grupos politizados que deveriam ser os principais atores do debate da Meta 4. O tempo está-se esgotando e até agora vence o “tudo sobre nós com os outros”.

*Izabel Maior é médica, cadeirante, ativista jurássica. Participou da elaboração e da ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Foi titular da CORDE-Nacional e da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, entre 2002 e 2010.

Fonte: http://saci.org.br/ (Texto enviado pela autora) - "Matéria postada em caráter informativo" - Imagem internet ilustrativa.