sábado, 11 de janeiro de 2014

Mineiros com deficiência reclamam por mais audiodescrição

Em um mundo em que tudo é construído e planejado para quem dispõe de todos os cinco sentidos em perfeito estado, é 'comum' que o diferente seja ignorado, esquecido ou nem sequer cogitado.

                         Pintura de figura humana
Acessibilidade ainda está distante. BH está entre as várias capitais brasileiras que não têm cinemas, teatros ou museus oferecendo a audiodescrição para deficientes visuais. Mapeamento mostra que, em 2009, 70% da população cega da cidade nunca tinha ido ao cinema e 50% nunca tinha visto um filme em DVD. Em um mundo em que tudo é construído e planejado para quem dispõe de todos os cinco sentidos em perfeito estado, é 'comum' que o diferente seja ignorado, esquecido ou nem sequer cogitado.

a pintura, uma figura humana nua e de pele clara, com pés, mãos, braços e pernas imensos, está sentada sobre uma planície verde. Seu braço, dobrado, repousa sobre o joelho, a mão sustenta a cabeça, bem menor que as outras partes do corpo. Ao lado, há um cactos verde e um círculo amarelo, que remete tanto a flor de cactos, quanto ao sol sob o céu azul.

O texto acima é parte da audiodescrição de uma das obras de arte brasileiras mais famosas, o "Abaporu", de Tarsila Amaral. Nesse caso, as palavras que aparecem na tela do seu computador substituem as palavras que seriam faladas, gravadas e tocadas junto à obra em um museu ou galeria. "Mas para que 'substituir' o que a pintora conseguiu tão sensivelmente capturar por palavras?" - você deve se perguntar. O questionamento é bem natural, na verdade. Em um mundo em que tudo é construído e planejado para quem dispõe de todos os cinco sentidos em perfeito estado, é 'comum' que o diferente seja ignorado, esquecido ou nem sequer cogitado. Apesar de muito nova no Brasil, a audiodescrição é um recurso de acessibilidade essencial para dar 'visão' à quem não enxerga.

                          sao paulo e rio de janeiro
Em São Paulo e no Rio de Janeiro algumas salas de cinema e teatros oferecem o serviço de audiodescrição para pessoas com deficiência visual. O público de Belo Horizonte só tem acesso à produtos visuais em projetos pontuais.

Imagine poder só ouvir um filme. Assim como outras formas de entretenimento, vide programas de televisão, espetáculos de dança e peças de teatro, o cinema é construído para quem vê. O silêncio entre as personagens, a transição de uma cena à outra e até a trilha sonora subindo gradativamente para criar tensão não funcionam sem estarem associados à imagem. Essa barreira manteve – e ainda mantém – muitos deficientes visuais longe de produtos culturais. A audiodescrição, técnica que faz a 'tradução' de todas as informações que compreendemos visualmente, tem transformado isso e promovido a inclusão dessas e outras pessoas que precisam de mais do que a imagem para entender e experimentar o mundo.

O servidor público federal Romerito Costa Nascimento, de 27 anos, teve baixa visão até os 13 anos e depois disso perdeu a visão completamente. No Instituto São Rafael, em Belo Horizonte, ele foi apresentado ao cinema quando a audiodescrição ainda não existia formalmente no Brasil. Na época, professores e funcionários transmitiam de maneira 'bem amadora' as informações das quais Romerito e seus colegas não tinham acesso. Mas o que ele tinha dentro de sala, não encontrava e ainda não encontra pela rua.

"Fui a um teatro recentemente e a peça tinha muitos diálogos, mas tinha também muita expressão corporal e até informações no cenário fundamentais para entendê-la. Era filosófica. Garanto que entendi 70%, mas não entendi 100%", afirma ao tentar explicar a importância da técnica na vida do deficiente visual. "Nela os personagens faziam pão de queijo e colocavam para assar lá mesmo, no palco. Só fiquei sabendo disso depois que começou a cheirar. Para mim essa informação veio tardiamente e talvez ela teria causado sensações diferentes para o entendimento da peça se tivesse vindo antes. Agora eu preciso voltar lá com um amigo para que ele me descreva algumas coisas e eu entenda completamente", completa.

                      romerito costa nascimento
"O desejo de todos nós é poder ir ao cinema, ter acesso ao nosso fone de ouvido, sentar com nossa pipoca e refrigerante e ter acesso à arte como qualquer outra pessoa", comenta o servidor público Romerito Costa Nascimento.

Mas a persistência e sede de Romerito por teatro, cinema e outras artes não é comum à todos os deficientes. "A gente ainda encontra pessoas resistentes a acessarem bens culturais justamente pela dificuldade de acessibilidade", afirma. No entanto, ele acredita que a audiodescrição é um “motor propulsor capaz de levar pessoas a acessarem esses bens”.

A teoria de que muitos deficientes visuais não tinham acesso à cultura chegou a ser confirmada em um mapeamento feito pela mestre e doutoranda em audiodescrição, Flavia Mayer, que estuda o tema desde sua graduação. "O diagnóstico, realizado em 2009 em Belo Horizonte, mostrou que 70% dos cegos entrevistados nunca tinham ido ao cinema ou ao teatro. “O que chamou a atenção mesmo é que 50% das pessoas nunca tinham visto DVDs também. Isso mostra que o problema não era o deslocamento ou o acesso", pontua.

Desde 2000, a Lei 10.098 estabeleceu que as redes de televisão tivessem, no mínimo, duas horas de programação semanal com audiodescrição. A proposta deveria ter sido implementada em 2008, mas em 2009 - época em que a pesquisa de Flavia foi realizada - a maioria dos brasileiros tinha sequer ouvido falar da técnica. Somente em 2011 a lei entrou em vigor e a especialista acredita que hoje o cenário mudou significativamente. "Pelo menos entre as pessoas com deficiência, a audiodescrição não é uma palavra completamente estranha. A TV pode ainda não estar muito acessível, mas as pessoas têm algum contato", comenta.

Fora da caixa preta, no entanto, a acessibilidade não chega a todo lugar. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro têm alguns teatros e cinemas que oferecem o recurso, em Belo Horizonte o único momento em que cegos podem assistir à uma sessão de cinema é durante um festival anual com proposta inclusiva. "Não dá para dizer que BH está atrasada porque o Brasil ainda está se desenvolvendo na área. Locais com audiodescrição são muito pontuais hoje. Mas vejo as coisas acontecendo de maneira significativa", afirma Flavia.

Pipoca e refrigerante como qualquer outra pessoa
Já Romerito é categórico ao dizer que Minas Gerais está muito aquém de outros estados brasileiros. "Existem projetos pontuais, instituições como a UFMG que se preocupam com o tema e tentam incluir a ferramenta, mas o público de massa não tem acesso a isso em BH, ao contrário do que acontece em outros estados", diz.

Como a ferramenta de inclusão ainda é nova no país, fica difícil se falar no tamanho da demanda que existe pela audiodescrição. O servidor e ativista acredita que existe uma desconfiança entre os deficientes visuais em relação a esses bens. "A ideia que temos é de que se não vamos encontrar acessibilidade, então para que acessar? Isso gera a não criação de demanda. Aí escutamos produtores dizerem que não existe procura por produtos culturais, sendo que 3% da população brasileira têm deficiência visual ou são cegos", destaca.

Romerito espera o cumprimento de um direito e dispensa o sentimento de pena. "O mais importante é mostrar que a audiodescrição é um investimento porque esse público vai consumir cultura. Não é esmola. Essas são pessoas que têm condição e vão consumir. A prova disso é que os projetos pontuais que existem têm adesão. Existe também uma legislação. Ela fala de acessibilidade, direito de acesso, e isso não tem que ser discutido, se é direito e é legal precisa que as instituições entendam que não é um favor".

Ele ainda garante que sendo clara ou não a demanda, "o desejo de todos (deficientes) é poder ir ao cinema, ter acesso ao seu fone de ouvido, sentar com pipoca e refrigerante e ter acesso à arte como qualquer outra pessoa".
"Estamos formando um novo público, que tem acesso às imagens por meio das palavras", afirma a audiodescritora e coordenadora do primeiro curso de pós-graduação no tema do Brasil, Lívia Motta.

Mais profissionais
Uma das ações necessárias para a mudança do cenário é aumentar o número de audiodescritores no país. Para tanto, a Universidade Federal de Juiz de Fora será a primeira no Brasil a lançar um curso de pós-graduação em Audiodescrição. Até então, os cursos brasileiros que ofereciam a capacitação tinham carga horária considerada insatisfatória para a exposição completa de conteúdo necessário pelo audiodescritor. O curso criado em Minas Gerais terá duração de um ano e meio e carga horária total de 405 horas.

Apesar de grupos difundirem a técnica para Pernambuco, Bahia, Amazonas, Ceará, Rio Grande do Sul e Brasília – além de Minas, Rio e São Paulo -, ainda não é possível dizer que ela seja conhecida por todos os cantos do Brasil. Uma das coordenadoras do curso e uma das pioneiras na implantação da técnica no Brasil, Lívia Motta, pontua que, para desconcentrar a atuação dos audiodescritores do Sudeste do país, a pós-graduação terá 50 vagas divididas em cotas por região brasileira. "Esse profissional é de fundamental importância porque ele permite o acesso à informação e ao conhecimento, ele abre portas e janelas para o mundo. Faz o deficiente sentir-se respeitado e igual", destaca.

Audiodescritora desde 2005, Lívia não esconde o carinho que sente pelo trabalho que faz, tampouco a satisfação que tem de fazê-lo. "É fantástico", confessa. "Essas pessoas sempre ficaram à margem de produtos audiovisuais justamente porque ir sem entender é sempre uma frustração e isso acabava os afastando. Agora não. Estamos formando um novo público, que tem acesso às imagens por meio das palavras", observa.

Essas portas e janelas abertas têm promovido sede por mais e um novo uso para a audiodescrição ter surgido a partir da demanda de um grupo que uma vez se via excluído cultural e socialmente. A nova tendência é levar para eventos sociais, como casamentos, partos, festas e outras celebrações o uso dessa espécie de tradução também.

William e Adriana foram o primeiro casal de cegos a ter um casamento 'traduzido' no Brasil.

Primeiro casamento traduzido do Brasil
O professor William Cesar Rodrigues, de 47 anos, e a pedagoga Adriana Barsotti, de 42, foram o primeiro casal de cegos a ter um casamento descrito ao vivo no país. Até então casamentos aconteciam, mas os detalhes do vestido, decoração e até as lágrimas ficavam por conta da imaginação de cada um. O contato prévio com a audiodescrição foi o que inspirou Adriana a inovar levando a técnica também para eventos sociais.

"Foi um dos melhores momentos da minha vida", diz sem pestanejar. "As coisas na minha vida não são fáceis de se conseguir, então quando realizo um sonho como esse é a coisa mais magnífica. O casamento ficou perfeito e não tem uma pessoa que não diga que não foi o casamento mais lindo que já viram", comenta.

Lívia descreveu a igreja, as roupas, a reação dos noivos e de seus parentes. O trabalho deu uma outra dimensão do que acontecia aos convidados também deficientes visuais e aos próprios noivos que tiveram uma percepção mais completa do que acontecia.

No final do ano passado a audiodescritora tinha compromisso marcado com o casal mais uma vez. Dessa vez para descrever o nascimento do primeiro filho deles. Diante da atitude de Adriana, provavelmente não será a última vez. "Para pessoas com deficiência tudo é mais difícil. Nossa sociedade não é inclusiva. Sou pedagoga e trabalho em uma ONG que ajuda crianças com deficiência visual. Para eu chegar a me formar não foi fácil. Eu tive que correr atrás de tudo e até hoje é assim", afirma.


Fontes: jornal Estado de Minas - blogdaaudiodescricao

Dos entraves do Viver Sem Limites

Artigo de William Machado.

William Machado*

                        Imagem Internet/Ilustrativa
                        

Criado através do Decreto nº 7.612, de 17 de novembro de 2011, sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos, o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Plano Viver sem Limite, visa a atender os cerca de 45 milhões de brasileiros - 23,9% da população que possuem algum tipo de deficiência, com metas que devem ser atingidas até o ano de 2014, com recursos da ordem de R$ 7,6 bilhões. Seus eixos temáticos giram em torno do Acesso à Educação, Atenção à Saúde, Inclusão Social, e Acessibilidade, e vinculam recursos orçamentários diretamente aportados nos Ministérios de competência, conforme determina o Decreto em baila.

O “simples” detalhe de os recursos do Plano estarem aportados em vários ministérios implica que os mesmos, em termos práticos, são engessados no nascedouro, pela dificuldade dos gestores municipais em agilizar a sua captação e utilização em atendimento às reais demandas do segmento nas cidades brasileiras. Tudo alinhavado sem o entendimento e amadurecimento de medidas político-institucionais fundamentais para sua operacionalização, como a criação e implementação de um FUNDO NACIONAL DA PcD, e, conseguintemente, estimulando a criação dos Fundos Estaduais e Municipais. 
Fundo Nacional voltado para centralizar recursos e direcioná-los às esferas públicas de competência nos Estados e Municípios brasileiros. Embora não pairem dúvidas de que beneficiariam diretamente os maiores interessados, pessoas com deficiência e seus familiares, pois chegariam com mais presteza onde essas pessoas vivem e de fato podem ter suas vidas transformadas pelas ações programáticas do Viver sem Limite.

Como é sabido, são quinze órgãos federais integram o Plano: Casa Civil, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Secretaria Geral da Presidência da República, Ministérios da Educação, Saúde, Trabalho e Emprego, Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Ciência, Tecnologia e Inovação, Cidades, Fazenda, Esporte, Cultura, Comunicações, Previdência Social e Planejamento, Orçamento e Gestão, o que torna deveras difícil identificar a qual encaminhar projetos municipais. O que não garante que esse mosaico possa ser desdobrado sem entraves burocráticos.

Para exemplificar o quanto relativo o alcance das metas traçadas pelo Viver sem Limite, é imperativo compreender que os recursos do eixo “Acesso à Educação” são direcionados ao orçamento das Secretarias Municipais de Educação, majoritariamente, sob a gestão pública de pessoas sem envolvimento com as aspirações, necessidades e especificidades das pessoas com deficiência. Não se pode pensar mais na Educação Inclusiva sem que a gestão dos recursos públicos a ela direcionados sejam administrados por agentes públicos que vivenciam realidades adversas aos fundamentos norteadores do Plano. Ao menos deveriam envolver representações do segmento social organizado das PcD, pessoas com mais sensibilidade e abertura empática para com as necessidades educacionais especiais de milhões de crianças, adolescentes e adultos com algum tipo de deficiência.

O Relatório da Organização Mundial de Saúde, de 2011, chama atenção para crenças e preconceitos que se constituem barreiras a educação, ao emprego, aos serviços de saúde e a participação social. Por exemplo, as atitudes de professores, administradores de escolas, outras crianças e ate mesmo de membros da família afetam a inclusão de crianças com deficiência nas escolas regulares. Concepções erradas dos empregadores de que as pessoas com deficiência são menos produtivas do que suas contrapartes sem deficiência, e a ignorância a respeito dos ajustes disponíveis para os ambientes de trabalho limitam as oportunidades de emprego.

Ademais, o Relatório da OMS, destaca que cada vez mais evidencias sugerem que as PcD experimentam níveis de saúde mais precários do que a população em geral. Dependendo do grupo e do ambiente, pessoas com deficiência podem experimentar maior vulnerabilidade a condições secundarias, co-morbidades e condições relacionadas à idade que podem ser prevenidas.

O mesmo se aplicam aos recursos destinados aos demais eixos do Plano, cujos aportes orçamentários para suas execuções acabam se perdendo no caminho e não beneficiando a quem de direito. Enfim, a transformação de vidas de pessoas com deficiência só ocorrerá a partir do momento em que se transformem no nascedouro as políticas públicas nas três esferas de governo. É fundamental que sejam criados o Fundo Nacional, os Fundos Estaduais, e os Fundos Municipais de Direitos das PcD, com vistas na facilitação das ações do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - VIVER SEM LIMITE.

Fundos Nacional, Estaduais e Municipais, para facilitar a captação direta de recursos no sistema fundo a fundo, sem a necessidade de passar pelos exaustivos trâmites burocráticos, quando a única alternativa é recorrer às solicitações de convênios entre municípios e estados, por exemplo.

Exato por isso, mais adequado seria se tais recursos fossem direcionados ao orçamento das Secretarias Municipais de Direitos da Pessoa com Deficiência, tornando sua efetivação mais objetivada, fidedigna, eficiente, inclusiva. Nossa experiência na gestão pública municipal há cinco anos é credencial para tal afirmativa. Muitas têm sido as dificuldades para captação de recursos para dar conta das várias demandas de pessoas com deficiência. Acreditem! Precisamos desvendar meios, abrir caminhos, construir pontes, identificar estratégias operacionais que viabilizem pleno acesso aos recursos disponíveis no Viver sem Limite.

Como delineado pelo Ministério da Saúde em – “A pessoa com deficiência e o Sistema Único de Saúde” –, a inclusão prevê a modificação da sociedade para que todos, sem distinção de grupo, raça, cor, credo, nacionalidade, condição social ou econômica, possam desfrutar de uma vida com qualidade, sem exclusões. Quanto maior a convivência, sem discriminações, maior a inclusão. Por meio do relacionamento entre os indivíduos diferentes entre si, previsto na sociedade inclusiva, é que se constrói e se fortalece a cidadania.

Por fim, reiteramos imprescindível a criação de Secretarias Estaduais e Secretarias Municipais de Pessoas com Deficiência, para gestão mais objetiva e direcionada das nuances do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - VIVER SEM LIMITE.

Como tudo isso depende da iniciativa dos nossos representantes nos fóruns políticos, em ano eleitoral, talvez possa se tornar mais uma bandeira na nossa já vasta pauta de reivindicações. Quiçá a mais premente!

*Wiliam Machado
Secretário do Idoso e da PcD – Três Rios/RJ

Fonte: saci - Imagem internet/ilustrativa

Pessoas com deficiência e maiores de 60 anos terão auxílio para uso do PJe

Garantir auxílio às pessoas com deficiência ou com idade igual ou superior a 60 anos foi motivo de preocupação do CNJ por ocasião da elaboração e aprovação da Resolução nº 185, que disciplina o Processo Judicial Eletrônico - PJe.

Esse cuidado resultou no art. 18 da Resolução. Segundo o caput do artigo “os órgãos do Poder Judiciário que utilizarem o Processo Judicial Eletrônico – PJe - manterão instalados equipamentos à disposição das partes, advogados e interessados para consulta ao conteúdo dos autos digitais, digitalização e envio de peças processuais e documentos em meio eletrônico”. Já o parágrafo 1º determina que “os órgãos do Poder Judiciário devem providenciar auxílio técnico presencial às pessoas com deficiência e que comprovem idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos”.

Conforme ressaltou o Conselheiro Rubens Curado, relator da proposta de resolução (ATO nº 0004441-97.2013.2.00.0000), a mencionada norma, ao determinar que os tribunais mantenham estrutura de apoio para consulta a processos, digitalização e envio de peças, garante uma transição tranquila do modelo em papel para o eletrônico aos advogados com eventuais dificuldades de adaptação ao sistema ou impossibilitados de utilizá-lo. Segundo o conselheiro, “com essa previsão, notadamente para os advogados e partes com deficiência ou com idade igual ou superior a 60 anos, faculta-se a consulta e peticionamento no PJe, em essência, da mesma forma como no processo em papel, já que basta ao profissional se dirigir ao fórum munido da petição em arquivo ou impressa para protocolá-la nos autos, com a vantagem de que nem sequer será necessário imprimir a peça processual. Isso se não quiser ou puder fazê-lo pela internet, de qualquer lugar do mundo”.

As pessoas com deficiência estão no centro das preocupações do CNJ no que se refere ao desenvolvimento do sistema PJe. O Ministro Joaquim Barbosa, Presidente do CNJ, solicitou aos tribunais a indicação de magistrados e servidores com deficiência para comporem grupo de definição e desenvolvimento de melhorias no sistema com vistas a assegurar ampla acessibilidade.

Em 04 de dezembro de 2013, atendendo à proposição do conselheiro Saulo Bahia, a Comissão de Tecnologia da Informação do CNJ, por ele presidida, indicou o Desembargador do Trabalho Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, do TRT da 9ª Região (Paraná), que é deficiente visual, para coordenar as atividades do grupo de definidores de requisitos de acessibilidade do PJe.

Inclusão - Pesquisador defende iniciação esportiva de deficientes ainda na infância

No país-potência do esporte paralímpico, o acesso a atividades esportivas geralmente ocorre apenas na idade adulta.

por Cida de Oliveira, da RBA - Colaboração Lauany Rosa
                                                                                                                                                                                     PARALYMPICS2012.ORG
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Maioria dos atletas deficientes iniciam atividades esportivas já adultos, mas poderiam usufruir de seus benefícios desde a infância

São Paulo – Destaque em eventos internacionais, o esporte paralímpico nacional deverá estar entre os cinco primeiros do quadro de medalhas dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Pelo menos, é o objetivo do Plano Brasil Medalhas, do Ministério do Esporte, animado com o bom desempenho dos atletas brasileiros nas competições de que participa.
De acordo com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o país começou a ganhar destaque em 2004, em Atenas, quando ficou em 14º lugar, com 33 medalhas, sendo 14 de ouro. Em 2008, em Pequim, foram 47 medalhas, sendo 16 de ouro, e um nono lugar. Já em 2012, em Londres, o esporte adaptado brasileiro melhorou sua performance e conquistou o sétimo lugar, com 43 medalhas, sendo 21 de ouro – ano em que os atletas olímpicos brasileiros ficaram em 22º lugar, e com 17 medalhas, e apenas três de ouro.
A evolução também pode ser acompanhada nos Jogos Parapanamericanos. Em 2007, os jogos foram realizados no Rio de Janeiro e o Brasil conquistou a 1ª colocação e o total de 228 medalhas, sendo 83 de ouro, 68 de prata e 77 de bronze. Já na última edição, realizada ano passado em Guadalajara, os paratletas mantiveram a 1ª posição e conquistaram 197 medalhas na competição, sendo 81 de ouro, 61 de prata e 55 de bronze. O resultado demonstra o empenho e o esforço de quem dá tudo de si e mostra a verdadeira identidade do atleta brasileiro que é movido pela determinação e paixão ao esporte.

Excelência

Para o diretor-técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Edilson Rocha, o Tubiba, o país chegou a um nível de excelência. E vai ainda mais longe com a entrada em funcionamento do Centro Paralímpico de Treinamento, em construção na capital paulista. O projeto prevê espaço adequado para 15 modalidades, estrutura para fisiologia do exercício, área para atendimento médico e avaliações biomecânica e de resultados. “Um boom para assegurar o lugar do Brasil entre as potências paralimpícas”, comemora, ressaltando a oferta, hoje em dia, de locais e patrocínio para os atletas de alto rendimento que participam dos eventos mais importantes.
Os resultados brasileiros, entretanto, poderiam ser muito melhores se o país, em vez de colher os frutos da superação individual dos atletas vencedores, passasse a investir na iniciação esportiva de deficientes ainda na infância. No país da potência paralímpica faltam espaço e oferta de atividades físicas específicas para crianças com deficiência.
Para o educador físico Flávio Anderson Pedrosa de Melo, mestrando do programa de pós-graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é preciso democratizar o acesso a essas práticas e estabelecer parâmetros para avaliação do desenvolvimento físico, ou pouco valerão iniciativas ainda tímidas como Clube Escolar Paralímpico, do CBP, e as Paralimpíadas Escolares.
Ele é autor de um estudo que avaliou a evolução de quatro crianças cadeirantes, com idades entre 6 e 10 anos, incluídas em aulas com atividades lúdicas combinadas com fundamentos de modalidades esportivas. Para avaliar as três habilidades motoras fundamentais – locomoção, estabilização e manipulação – ele desenvolveu e aplicou um protocolo específico, sensível ao grupo. Em todas houve avanços, o que representa ganhos para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional – aos quais a ampla maioria das crianças com deficiência não tem acesso.

Limites da inclusão

"Como não podem participar das aulas comuns de educação física e a elas não são propostos exercícios adaptados a suas condições, essas crianças acabam de fora e deixam de ter acesso aos benefícios proporcionados", explica. "Foi muito gratificante ver que elas apresentaram desenvolvimento em todos os aspectos", diz Flávio, que também atua como técnico da equipe de handebol em cadeira de rodas da UFSCar e, recentemente, assumiu o posto de auxiliar técnico da equipe brasileira, que venceu o último campeonato mundial da modalidade.
Para o educador físico, as aulas de educação física são também a melhor oportunidade para a iniciação das crianças na prática esportiva e posterior treinamento em centros específicos. No entanto, há as barreiras impostas pela formação deficiente dos professores da área, que os incapacita a lidar com as diferentes necessidades impostas pela deficiência, a falta de acessibilidade nos espaços e o próprio preconceito.
A própria carência de atividades físicas adaptadas inspirarou a professora Mey de Abreu van Munster, do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana (DEFMH) da UFSCar,  a desenvolver, no âmbito dos programas de extensão, um projeto de atividades Físicas e de lazer adaptadas às pessoas com deficiência (Proafa) no campus da UFSCar. Participam atualmente das aulas oito crianças participam das aulas. O objetivo é despertar o prazer pela descoberta do corpo e de suas possibilidades no universo da cultura corporal do movimento. São oferecidas atividades de natação adaptada e handebol em cadeira de rodas, entre outras.
O Brasil está entre os países com maior número de pessoas com deficiência em todo o mundo. De acordo com o IBGE, são aproximadamente 24,6 milhões de brasileiros com deficiência em todo o país. Isso corresponde a 14,5% da população, o que é bastante expressivo. Desse total, 7% têm limitações motoras. Na cidade de São Paulo, 23% das pessoas são deficientes e pouco mais de 6% possui algum tipo de problema motor.
Apesar dos dados expressivos, essa parcela da população conta com cuidados e melhorias insuficientes. É recente o debate sobre acessibilidade, inclusão e convívio social na tentativa de oferecer melhor qualidade para essas pessoas. Em comparação com os demais países e suas políticas, há muito a caminhar.

Minas Gerais: por acessibilidade, MPF processa ANTT, Inmetro e empresas de ônibus

por: Ricardo Shimosakai 

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                Identificar o veículo com o símbolo de acessibilidade sem possuir os recursos de acesso é ilegal, seja por parte da fábrica ou do cliente.
Identificar o veículo com o símbolo de acessibilidade sem possuir os recursos de acesso é ilegal, seja por parte da fábrica ou do cliente.

O Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia (MG) ajuizou ação civil pública contra 28 empresas de transporte rodoviário interestadual e intermunicipal, para obrigá-las a adaptar seus veículos para o embarque e desembarque de passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida. Além das empresas, também são réus na ação a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Segundo o MPF, uma denúncia feita pelo Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência (Compod), em fevereiro de 2012, informou que as empresas de transporte coletivo usavam o Símbolo Internacional de Acesso (SIA) nos veículos sem disporem das adaptações exigidas pela legislação.
O MPF afirmou que, nas investigações, identificou muitos veículos inacessíveis com o adesivo do SIA. De acordo com a promotoria, os veículos que não tinham o símbolo adesivado em sua carroceria na sua fabricação eram sinalizados posteriormente pelas próprias empresas.
A Turismo Adaptado já procurou montadoras e empresas de ônibus para esclarecer a sinalização de acessibilidade.  “A identificação com o SIA pela fábrica não é lógica, pois o equipamento de acessibilidade não é fornecido pela mesma, devendo ser colocada posteriormente pelo cliente. Incrivelmente, essa irregularidade é feita de forma consciente pelas empresas”, comenta Ricardo Shimosakai , Diretor da Turismo Adaptado.
Segundo informações obtidas pelo MPF com funcionários das empresas, o embarque e desembarque de passageiros deficientes ou com mobilidade reduzida eram realizados pelos motoristas, que os carregavam nos braços.
Ainda de acordo com a denúncia, a ANTT foi omissa em cobrar das empresas a segurança e o conforto desses passageiros. “No que diz respeito ao uso indevido do símbolo da SIA, que se revelou uma prática generalizada em todo o território nacional, a ANTT simplesmente se exonerou de responsabilidade, imputando-a ao Inmetro, já que seria desse órgão a competência técnica para vistoriar veículos e certificar se estão devidamente adaptados”, afirmou o procurador da República Cléber Eustáquio Neves. “Por sinal, durante a investigação, muitas empresas alegaram ter recebido aprovação do Inmetro após a realização de vistoria em seus veículos.”
Segundo o MPF, a maioria dos veículos possui apenas alguns elementos de acessibilidade, como poltronas largas reservadas e sinais luminosos, o que não as autoriza a utilizar o SIA. “O acesso dos passageiros com deficiência ou com mobilidade reduzida ao interior dos ônibus, carregados no colo pelos motoristas, demonstra claramente o descumprimento das normas de acessibilidade”, disse Neves.
“O pior é que existe uma resolução da ANTT, a 3871/2012, que obriga a disponibilização de uma cadeira de transbordo nos terminais rodoviários, mas nem essa norma é cumprida, nem a ANTT fiscaliza seu cumprimento.”
Ação cobra inspeção em empresas
Na ação, o MPF pediu que a  Justiça Federal determine à ANTT e ao Inmetro a realização imediata de vistoria nos veículos de transporte coletivo rodoviário, e que informe mensalmente ao juízo o resultado da fiscalização. As empresas de ônibus terão que adaptar seus veículos para o transporte de pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida.

O Inmetro afirmou que aguarda notificação da Justiça para se posicionar. Procurada pelo Terra, a ANTT não se manifestou até o momento da publicação desta matéria.
Fontes: Terra - turismoadaptado



Ministério da Saúde recebe primeiro lote de vacinas contra HPV

FABRÍCIO LOBEL DE SÃO PAULO

Em sua 19ª visita ao Estado de São Paulo em seis meses, o ministro da Saúde e pré-candidato ao governo paulista, Alexandre Padilha (PT), anunciou ontem o recebimento do primeiro lote de vacinas contra o HPV, que devem ser ofertadas pelo SUS a partir de março.

O vírus, sexualmente transmissível, está relacionado a vários tipos de câncer, principalmente ao de colo de útero (95% dos casos) e ao surgimento de verrugas genitais. O câncer de colo de útero é o segundo tipo que mais atinge as brasileiras, atrás do câncer de mama.

A meta é vacinar, até o fim do ano, 5 milhões de garotas entre 11 e 13 anos. Para isso, o Ministério da Saúde comprou 15 milhões de doses da vacina -três por menina.

Para alcançar essa meta, o governo pretende realizar vacinações também em escolas públicas e privadas, além dos postos de saúde.

"A idade escolhida é uma recomendação da Organização Mundial de Saúde, para que se faça a vacinação antes da iniciação sexual, antes que a garota possa ter contato com o vírus", disse Padilha.

Fonte:folha.uol

Americana - Deficiente reclama de condições de parque

Parque Ecológico: reclamação de deficiente.

por: Kaique Barreto

Cláudio Mariano | TodoDia Imagem

Deficiente físico desde criança, o auxiliar administrativo Gilmar Pereira dos Santos, 33, reclama que o Parque Ecológico Municipal Cid Almeida Franco, o Zoo Americana, não tem uma cadeira de rodas adequada para fornecer a pessoas como ele, que desejam passear pelo zoo.


“Tem uma cadeira, mas ela está velha e os dois pneus estão murchos. Não tem condições de uso”, disse.

A prefeitura, através de sua assessoria de imprensa, contesta a denúncia, classificada como “não procedente”.

“Existe, sim, uma cadeira de rodas funcionando normalmente na portaria. O morador deveria procurar a portaria para solicitá-la”, informou a assessoria. “A cadeira está em perfeita condição”, reforçou.

“O certo seria o zoo ter uma cadeira motorizada”, comentou Santos, que teve paralisia infantil e tem de usar próteses e muleta para andar.

“Temos o direito de andar no zoológico. Não consigo sem uma cadeira. Vou com meus sobrinhos, mas fico só no parquinho, que é perto da entrada”, relatou. “Além disso o caminho é cheio de buracos e há rampas muito inclinadas”, completou. A prefeitura também contestou a reclamação sobre acessibilidade. “O zoo é acessível em todos os quesitos”, finalizou.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Proposta regulamenta profissão de transcritor e revisor de textos em braile

O projeto torna obrigatória a presença desses profissionais na atividade de produção de textos em braile para fins comerciais, educacionais ou culturais.

Tiago Miranda

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Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5732/13, do Senado, que regulamenta a profissão de transcritor e revisor de textos em braile.


De acordo com a proposta, poderão exercer as profissões aqueles que tenham completado pelo menos o ensino médio e que possuam certificado de habilitação expedido por órgão oficial, reconhecido pelo Ministério da Educação ou por entidades representativas das pessoas com deficiência visual.

Estarão dispensados do certificado os profissionais tenham exercido o ofício por, pelo menos, três anos antes da promulgação da lei. Para o caso de transcritor, além do período de experiência, será exigida aprovação em exame oficial a ser definido em regulamento. O exame deve atestar o conhecimento de um programa de computador de transcrição de textos em braile e o manuseio de impressora braile.

Jornada de trabalho 
O projeto estabelece que a duração máxima do trabalho de transcritor e de revisor de textos em braile será de 6 horas diárias e de 30 horas semanais. O empregador também deverá assegurar aos profissionais acesso à internet, a códigos de transcrição em braile, às normas técnicas aplicáveis a esse sistema e a dicionários. Os trabalhadores deverão ter 10 minutos de repouso a cada 120 minutos de trabalho.

Segundo o autor da proposta, senador Paulo Paim (PT-RS), é preciso regulamentar essas profissões, que estão estabelecidas há décadas. Ele afirma que o texto do projeto é "uma homenagem aos brasileiros afetados com cegueira".

A proposta nasceu, de acordo com ele, da sugestão de dois servidores de seu gabinete, que têm deficiência visual.

Tramitação 
A proposta tramita em caráter conclusivo e em regime de prioridade e será analisada pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:
PL-5732/2013

Fonte: saci  - Imagem Internet

Estudantes surdos e disléxicos terão mais tempo no Enem

Mudanças no edital também preveem correção diferenciada das redações.


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O paulista Cláudio da Silva Junior, de 19 anos, se prepara para enfrentar um desafio comum para a maioria dos estudantes do 3º ano do ensino médio como ele: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ele, porém, ao contrário da maioria, precisa de condições especiais para competir em pé de igualdade com os milhões de candidatos que farão a prova.


Cláudio é surdo. Utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para tudo. Para ele e seus pares, essa é sua primeira língua. O português é apenas o segundo idioma. Isso significa que a compreensão de conteúdos, provas e comandos em língua portuguesa fica prejudicada. Especialmente em provas de seleção.

Na escola onde estuda, o Colégio Rio Branco, em São Paulo, durante as aulas e nas provas, ele e os colegas surdos – que estudam em classes regulares – recebem apoio especializado. Uma intérprete de Libras os acompanha o tempo todo. No Enem, esse tipo de apoio também pode ser solicitado. Além disso, eles terão tempo a mais para fazer as provas.

As regras para atendimento diferenciado para candidatos deficientes têm se aprimorado, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Este ano, o edital deixou bem claro que, além dos alunos com deficiência física, auditiva e visual que, em geral, podem solicitar atendimento especial, outros grupos serão contemplados.

Saiba como se inscrever no Enem
Pela primeira vez, as regras do exame orientam estudantes com dislexia, hiperativos e autistas, por exemplo, a pedir ajuda especial dos organizadores do exame. Todos têm direito a auxílio de um profissional ledor e transcritor, podem solicitar tempo a mais para fazer as provas e suas redações serão corrigidas sob critérios diferenciados de avaliação.

“Ao longo de sucessivas realizações do exame, o processo de eliminação de barreiras e de provimento de serviços profissionais especializados e de recursos de acessibilidade vem se aprimorando”, afirma o órgão em documento enviado ao iG. Para quem usufrui do atendimento, são essas peculiaridades que garantem a igualdade de condições.

Para Cláudio, o ideal seria que, além de serem distribuídas escritas na língua portuguesa, as provas fossem gravadas em Libras e ficassem disponíveis em notebooks ou tablets. “O aluno surdo poderia fazer a prova em seu tempo, retomando o vídeo quando necessário”, diz. A colega Andrezza Santos Gomes, 17 anos, acrescenta: “a seleção dos tradutores-intérpretes também precisa ser mais criteriosa”, avalia.

Direito
O atendimento diferenciado em provas de seleção é um direito de todas as pessoas com deficiência. De acordo com o Decreto nº 5.296/2004, esses jovens têm direito a instrumentos, equipamentos ou tecnologias adaptados para favorecer a autonomia deles. As ferramentas têm de ser solicitadas no momento da inscrição.

Após a solicitação, funcionários do Inep telefonam para cada candidato, confirmando os pedidos feitos pela internet. É nesse momento que os estudantes podem solicitar também tempo adicional para fazer as provas. Essa é mais uma possibilidade prevista em lei (no Decreto nº 3298/1999). No Enem, esses candidatos ganham uma hora a mais.

Nos casos de dislexia e déficit de atenção, por exemplo, quem não solicitar auxílio extra pode pedir mais tempo para resolver os itens por questões pedagógicas. Vale lembrar que é preciso comprovar, com laudos médicos, as necessidades especiais.

Andrezza e Cláudio dizem que a maior dificuldade que enfrentam é mesmo a compreensão dos comandos e dos itens em língua portuguesa. Por isso, gastam muito mais tempo que outros alunos para preencher todas as questões.

Correção
As dificuldades com a linguagem também serão consideradas este ano na correção das redações, segundo o Inep. Os mecanismos de avaliação dos textos de participantes surdos ou com deficiência auditiva são coerentes ao aprendizado da língua portuguesa como segunda língua. Para os disléxicos, as características linguísticas de quem possui esse transtorno também são levadas em conta.

Entenda o novo método de correção das redações do Enem
Os estudantes do Colégio Rio Branco também elogiam a medida. “Se isso não acontecer, certamente ocorrerão equívocos na correção, por desconhecimento da escrita dos surdos”, comenta Andrezza.
 
Confira trechos do edital:
"2.2 O PARTICIPANTE que necessite de atendimento DIFERENCIADO e/ou de atendimento ESPECÍFICO deverá, no ato da inscrição: 
2.2.1 Informar, em campo próprio do sistema de inscrição, a necessidade que motiva a solicitação de atendimento de acordo com as opções apresentadas:
2.2.1.1 Atendimento DIFERENCIADO: oferecido a pessoas com baixa visão, cegueira, deficiência física, deficiência auditiva, surdez, deficiência intelectual (mental), surdocegueira, dislexia, déficit de atenção, autismo, gestante, lactante, idoso, estudante em classe hospitalar ou outra condição incapacitante.
 
2.2.2 Solicitar, em campo próprio do sistema de inscrição, o auxílio ou o recurso de que necessita, em caso de atendimento DIFERENCIADO, de acordo com as opções apresentadas: prova em braile, prova com letra ampliada (fonte de tamanho 24 e com figuras ampliadas), tradutor-intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras), guia-intérprete, auxílio ledor, auxílio para transcrição, leitura labial, sala de fácil acesso e mobiliário acessível."
 

Quem pode pedir (e qual tipo) auxílio

a) Baixa visão: ledor, transcritor, prova ampliada, sala de fácil acesso;
 
b) Cegueira: prova em Braille, ledor, transcritor, sala de fácil acesso;
 
c) Deficiência física: transcritor, sala de fácil acesso, mesa e cadeira sem braços, mesa para cadeira de rodas, apoio para perna;
 
d) Deficiência intelectual: ledor, transcritor, sala de fácil acesso;
 
e) Deficiência auditiva: tradutor-intérprete Libras, leitura labial;
 
f) Surdez: tradutor-intérprete Libras, leitura labial;
 
g) Surdocegueira: guia-intérprete, prova ampliada, prova em Braille, tradutor-intérprete Libras, leitura labial, ledor, transcritor, sala de fácil acesso;
 
h) Autismo: ledor, transcritor;
 
i) Déficit de atenção: ledor, transcritor;
 
j) Dislexia: ledor, transcritor;
 
k) Gestantes e lactantes: sala de fácil acesso, mesa e cadeira sem braços, mesa para cadeira de rodas, apoio para perna;
 
l) Idoso: sala de fácil acesso.

Fontes: Último Segundo - cidadeverde

Cientistas reconstroem ossos com células-tronco de gordura

Agência EFE
                                                                                                                                                                                                      Divulgação

A implantação do "osso artificial" permitiu a regeneração das partes danificadas

Um grupo de cientistas belgas desenvolveu uma inovadora técnica para reconstruir partes de osso humano danificado a partir de células-tronco extraídas da gordura corporal do paciente, segundo divulgou nesta quinta-feira a imprensa do país. De acordo com os criadores do projeto científico da Universidade Católica de Louvain (norte da Bélgica), o método, até agora nunca utilizado, poderia revolucionar o tratamento das fraturas ósseas e de doenças como o câncer ósseo.
A técnica se baseia no cultivo de células-tronco extraídas da gordura corporal do paciente. Com elas, é criada uma espécie de pasta moldável e apta para ser reimplantada nas partes do osso danificadas.
Esta descoberta "vem da vontade de buscar soluções, principalmente para pacientes jovens com câncer ósseo", explicou o coordenador do projeto, Denis Dufrane, ao jornal "Le Soir".
Até o momento, na maioria das tentativas de regenerar o osso humano foi empregado células-tronco da medula espinhal, "com resultados decepcionantes", afirmou o especialista.
"Descobrimos que a gordura continha 500 vezes mais células-tronco que a medula, e além disso, elas podiam se transformar em osso e resistir perfeitamente à privação de oxigênio e de vasos sanguíneos", explicou Dufrane.
Os cientistas estão entusiasmados após testar o método em 11 pacientes que padeciam de uma degeneração dos discos vertebrais e doenças que impediam a regeneração óssea espontânea, entre elas tumores ósseos ou disfunções metabólicas como a síndrome de Blackfan-Diamond.
Em todos os casos, a implantação do "osso artificial" permitiu a regeneração das partes danificadas sem que se observassem fraturas posteriores.
Anteriormente, estes pacientes sofriam fraturas constantemente, múltiplas cirurgias e longos períodos hospitalizados, ressaltaram os especialistas.
Fonte:atarde

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Expedições às cegas

Um casal de deficientes visuais conhece quinze cavernas em dois anos e revela os bastidores das aventuras.

Uma expedição, um dia, quem sabe. Desde que seus dedos percorreram um texto em braile em uma aula da infância, Priscila desejou conhecer uma caverna.

Seu pai disse que a levaria, mas nunca pode. Priscila terminou a escola, cursou psicologia, foi trabalhar em uma multinacional e começou a namorar com o também deficiente visual Luiz Eduardo, que desenvolve softwares para cegos.

Se casaram em 2010. Dois dias antes de embarcarem para a lua de mel, uma colega de trabalho de Priscila viu um hotel fazenda na internet. “Pri, olha só, lá eles fazem passeios pra cavernas”.

“Cavernas!”, seus ouvidos brilharam. Priscila cancelou a ida ao outro hotel que já haviam reservado e partiu com Luiz para o Vale do Ribeira, região ao sul do estado de São Paulo que concentra um grande número de cavernas.

Os dois receberam o kit fornecido a todos os visitantes, composto por capacete, cajado de bambu e lanterna. “Lanterna?”, pergunto. “Se a gente cai em algum lugar, a luz ajuda a nos encontrarem”, explicou Luiz, que até então nunca havia pensado em visitar uma caverna.

Os dois seguraram nos braços de seus respectivos guias e entraram na primeira das quinze cavernas que explorariam em pouco mais de dois anos (Duas em Minas Gerais e as demais no Vale do Ribeira).

Sentado ao lado de Priscila no sofá do apartamento onde moram em São Caetano do Sul, Luiz lembra com humor da primeira aventura: “Não esperava que a Priscila fosse me jogar no buraco logo depois de casado!”

Estiveram em cavernas secas, molhadas, e naquelas com aranhas e Morcegos. Também já visitaram uma caverna estruturada com corrimão e passarela. Mas eles preferem mesmo aquelas sem acessibilidade, pois querem entrar na água, rastejar nas passagens estreitas, sentir o revoar dos morcegos, pisarem na lama e tocar sempre que possível nos espeleotemas, estruturas milenares que revestem as cavernas. Para saberem o formato de tudo aquilo que o tato não alcança, contam com a descrição dos guias.

A caverna Agua Suja, no Vale do Ribeira, foi a mais marcante para Luiz. A delicadeza de sua natural decoração, esculpida sem pressa pelo tempo, cativou seus sentidos. “Ela me lembra um pouco de algo que eu não conheço nesse mundo.”

Priscila se encantou pela Ouro Grosso, também no Vale do Ribeira. “Nela a gente entra se rastejando por um buraquinho achando que não vai ter nada lá. Depois você sai em um espaço amplo e mais pra frente dá de cara com uma cachoeira, com todo aquele barulho de água. É bem louco!”

“Então vocês curtem mais essas cavernas molhadas?”. “Sim, nelas a gente nada e não tem o risco de cair”, explica Luiz. “É diferente, é mais emocionante!”, completa Priscila.

Outro diferencial desse tipo de caverna que impressiona o casal é o ecoar das águas, que dá a impressão de uma conversa. “Em uma caverna parecia que havia um monte de mulher falando da novela”, compara Priscila, que acredita que a falta da visão “contribui para que eles percebam essas metáforas.”

Fora um tombo sem importância de Luiz, os dois nunca se machucaram. “A gente sai das cavernas e vai se esborrachar no quarto do hotel!”, brinca Luiz.

Para compartilharem suas aventuras, criaram o blog Diário de Bordo: WWW.domvirt.com.br/blog. Um dos posts, sobre uma das visitas que fizeram à caverna do Guardião, no Vale do Ribeira, traz o seguinte trecho escrito por Luiz:

“Chegamos a uma parte onde precisamos usar o quinto apoio, ou seja, descer sentados mesmo porque estava muito escorregadio e ao nosso lado havia uma queda de uns dois metros”. Não é muito alta, mas eu não queria cair lá em baixo... Terminamos a descida e novamente ficamos em um salão diferente. Nem preciso falar que de vez em quando surgia um morcego de sei lá onde e indo sei lá para onde... Na nossa frente havia duas rochas de uns dois metros de largura, com uns 20 centímetros

De altura lembrando duas fatias de pão de forma (...).”

Antes de se infiltrarem nas cavernas, Luiz e Priscila tocam um capacete no outro, um cumprimento de boa sorte. Quando saem, querem saber onde está a próxima caverna que explorarão. Sabem que nenhuma será igual à outra. “Cada caverna que visitamos é sempre a primeira”, define Luiz. Para o futuro, planejam conhecer as cavernas da Chapada Diamantina, na Bahia, e as de Bonito, no Mato Grosso do sul.

Dentro das cavernas, os medos de Priscila e Luiz se perdem entre os espeleotemas. Os morcegos são amigos. As aranhas, que apavoravam Luiz quando ele enxergava, agora são indiferentes. “Eu passo a mão em paredes que elas podem estar. A gente tem que respeitar e não temer, é só conviver sem atrapalhar”, esclarece Luiz.

Nem o fato de que pessoas já morreram ao visitarem cavernas faz eles darem meia-volta. Com o máximo de segurança, os riscos ficam menores”, acredita Priscila. Luiz, por sua vez, tem uma filosofia de vida: “Eu não tenho medo de morrer. Tenho sim medo de não viver.”


(Publicado na Revista Sentidos, edição 79, novembro de 2013.)