sábado, 8 de fevereiro de 2014

Pessoas com deficiência podem comprar ingressos com 50% de desconto para o Carnaval 2014

Os ingressos já estão à venda e o cadastramento pode ser solicitado até o dia 21 de fevereiro.

da Redação

Imagem Internet/Ilustrativa
Os ingressos com desconto para pessoas com deficiência assistirem ao Carnaval 2014 no Sambódromo do Anhembi já estão à venda e o cadastramento pode ser solicitado até o dia 21 de fevereiro.

Além da possibilidade de realizar o cadastro pessoalmente na sede administrativa da SPTuris, este ano os interessados podem contar com uma novidade para fazer a solicitação e compra diretamente pela internet, com mais conforto e facilidade.

Para cadeirantes, haverá 70 lugares e mais outros 70 anexos para acompanhantes, distribuídos entre os setores A, B, D, E, F e G do Sambódromo.


Mais informações e compras no site: 

Fonte: Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida - Imagem Internet/Ilustrativa

Espaço para o diferente

Na Alemanha, a SAP cria um programa de inclusão para centenas de autistas e provoca um debate sobre a necessidade de inclusão de deficientes intelectuais e doentes neuropsiquiátricos no mercado de trabalho.


                                                                                                                                                                            Fabiano Accorsi/EXAME
       Funcionários do Citi, membros do projeto Somar
Funcionários do Citi, membros do projeto Somar: 42 pessoas com deficiência intelectual trabalham nas agências do banco em São Paulo.

São Paulo - Em setembro de 2013, a empresa de tecnologia SAP anunciou um projeto ousado na cidade alemã de Waldorf. A companhia colocou como meta ter 1% de autistas em seu quadro global de 65 000 empregados até 2020. A fase de recrutamento e capacitação já começou e, no primeiro semestre de 2014, pelo menos oito autistas já devem estar nas áreas de teste de software e programação.

Inovador, o projeto repercutiu no mundo todo.“Essas pes­soas precisam de um investimento de longo prazo e contínuo, por isso é difícil ver autistas ocupando vagas. É um funcionário de custo alto”, afirma a psicóloga Leila Bagaiolo, fundadora do Grupo Gradual, focado na intervenção comportamental de pessoas com desenvolvimento atípico. 
Tanto pelo alto custo como pela falta de uma cultura de inclusão, no Brasil esse movimento ainda é bastante tímido. Segundo dados do censo do IBGE e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), existem no país 45,6 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência.
Desses, apenas 306 000 fazem parte da população economicamente ativa. “Infelizmente, em nosso país a maioria contrata para cumprir cota, não por acreditar que o deficiente possa desempenhar bem determinada função”, afirma Renata Casimiro, diretora de RH do i.Social, consultoria especializada em recrutamento e seleção de pessoas com deficiência.
“Já deparamos com situações absurdas, como a do empregador que contratou um funcionário e o deixou num canto fazendo artesanato.” Se existe resistência em contratar profissionais com deficiência física, a pessoa com limitação intelectual exige um esforço ainda maior de inclusão e, portanto, está mais distante do mercado de trabalho.
“A procura por autistas, por exemplo, é menor porque as organizações só enxergam problemas”, diz Marcelo Vitoriano, gerente nacional de inclusão da  Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape). “De fato, a integração oferece dificuldade, mas, se identificados o perfil da pessoa e o tipo de apoio que precisa, ela poderá desempenhar muito bem suas funções.” 
Mais do que dificuldade de integração e preconceito, o Brasil enfrenta outros obstáculos para a entrada de deficientes intelectuais no mercado de trabalho: falta informação sobre o assunto e estrutura de apoio a essas pessoas. Muitas vezes, a síndrome ou deficiência é diagnosticada e acompanhada tardiamente e, com isso, as sequelas se tornam maiores.
“No Brasil, falta estrutura na educação e até na saúde para a identificação rápida de doenças e deficiências, o que prejudica o desenvolvimento dessas pessoas”, diz o psiquiatra Sérgio Tamai, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Outros países, como a Alemanha, estão em outro nível, por isso projetos como o da SAP são possíveis.”
Por aqui, também são poucas as instituições sérias que dão suporte a essas pessoas e seus familiares, o que dificulta a disseminação de programas de inclusão bem-sucedidos.
“Estudamos uma data para ampliar nosso projeto de inclusão para o Rio de Janeiro, mas estamos com dificuldade para encontrar parceiros na cidade”, afirma Henrique Szapiro, vice-presidente de recursos humanos e relações corporativas do Citi Brasil. 

A inclusão vai acontecer na medida em que possamos romper com a pressuposição e com a vergonha!

O artigo é de Alex Garcia, surdocego e presidente da Agapasm (Associação Gaúcha de pais e amigos dos surdocegos e multideficientes)

Alex Garcia

Imagem Internet/Ilustrativa
Diminuir o estigma favorece a inclusão? Como fazer para a inclusão acontecer? Estas são as duas perguntas que mais respondi nestes últimos anos em minhas palestras, Brasil e em vários países do mundo. Foram tantas as vezes que decidi escrever uma breve reflexão sobre isso. Pode ser que esta reflexão complique mais a situação, mas, a complexidade não está na reflexão e sim no tema inclusão que é de fato espinhoso.

Diminuir o estigma favorece a inclusão? 

Sim! Diminuir o estigma favorece a inclusão, mas, na verdade não seria atacar o estigma diretamente. Devemos atacar o que constrói o estigma, ou seja, a pressuposição e a vergonha. A pressuposição e a vergonha são poderosas ferramentas de controle social. Vivemos numa sociedade em que a relação de poder está instalada e por conseqüência a tendência ao controle é enorme e quase uma regra. Nessa relação de poder as pessoas "precisam" controlar outras para justamente manter o poder e para isso usam as ferramentas de controle - pressuposição (pensamento antecipado) e a vergonha.

Essa pergunta: Diminuir o estigma favorece a inclusão? Tem a mesma essência da pergunta que respondo em todas as partes do mundo: Como fazer para a inclusão acontecer? E sempre respondo: A inclusão vai acontecer na medida em que possamos romper com a pressuposição e com a vergonha!

A pressuposição, para mim, depois de ser aplicada sobre a identidade de uma pessoa, por muito tempo, então, solidifica o que chamamos de estigma, uma marca. Exemplo de como a pressuposição afeta a identidade: As pessoas, em geral, ao avistarem uma pessoa cega na rua pensam: - Um cego coitado não enxerga! Em geral, ao avistarem uma pessoa cadeirante na rua pensam: - Coitado não pode caminhar! E isso, em geral, acontece com todas as pessoas com deficiência. Então: Porque sempre "coitado". E assim passa os anos. Sempre a identidade sendo regada pelo "coitado". E depois de muitos anos o que temos? Ora, temos mais um cego coitado, mais um cadeirante coitado, mais uma pessoa com deficiência coitada. Vou ser um coitado porque todos me vêem como coitado! Fim. A pressuposição venceu. A ferramenta de controle cumpriu com seu dever. O Poder - precavido - aniquilou a possibilidade de esta pessoa ser alguém que poderia "perturbar".

É nesta linha reflexiva que digo: - Temos um bilhão de pessoas com deficiência no mundo, somos a maior minoria mundial, mas muito poucas com soberania. A "esmagadora" maioria vive sua identidade pressuposta, com nada de poderes nas relações de poder, ou seja, vivem controladas.

E a vergonha? 

A vergonha para mim é a mais terrível ferramenta de controle. Terrível porque age na ignorância social e do ser humano em confundir "culpa e vergonha". E onde está esta confusão? Em geral as pessoas sentem vergonha sem serem culpadas. Não são culpadas, mas sentem vergonha e aqui está o poder-controle da ferramenta vergonha.

Nas minhas palestras pergunto para as pessoas:

- Você sente vergonha? 
As pessoas respondem:

- Sim eu sinto.

E eu novamente pergunto:

De que você sente vergonha? 

As pessoas - depois de olharem para todos os lados e ficarem vermelhas - respondem:

- De muitas coisas, mas na verdade não sei bem.

Como podem observar as pessoas não tem certeza da culpa. A vergonha como ferramenta de controle age justamente nesta incerteza. Para mim está claro e provado - depois de vivenciar diversas culturas e comportamentos - que as pessoas com deficiência mais desenvolvidas são aquelas que têm bem claro "culpa" e "não culpa". Elas apenas sentem vergonha se são culpadas. Se não são culpadas elas não sentem vergonha.

A pressuposição e a vergonha: na corrente do interesse 

A pressuposição e a vergonha à medida que subalternizam pessoas com deficiência, também dão poderes a elas. É o que chamo de "na corrente do interesse". O Poder na grande maioria das vezes escolhe pessoas com deficiência pontuais e subalternas para receberem cargos, status e prestígio, mas, esta escolha serve justamente para manter o controle. Todos sabem que nos dias atuais essa prática é comum. Muitos de nossos "líderes" são assim. O Poder dá o "Poder" para aqueles que não vão ser agentes, para aqueles que não vão "ferir" as relações de poder, ou seja, aqueles que não vão "quebrar" a corrente.

O que acabamos de refletir é definitivamente espinhoso. É justamente este tema que debato em minhas palestras. Este tema é tão espinhoso que não conheço no mundo outra pessoa a abordá-lo tão abertamente em congressos além de mim. Debater este tema - pressuposição-vergonha-poder-subalternidade - é sim, acertar diretamente na "ferida" da essência humana e social. Quem tem disposição em abordar este tema deve estar ciente de que estará atingindo a "normalidade", o "poder".

Fontes: saci - Agapasm - Imagem Internet/Ilustrativa

INCLUSÃO ESCOLAR: VISÃO DE ALUNOS SEM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

O estudo trata de questões referentes à inclusão de alunos com deficiência em classes comuns do ensino regular e foi realizado por três acadêmicas do curso de Psicologia, bem como por uma docente do mesmo curso.

da Redação

Teve por objetivo geral verificar a visão de alunos sem necessidades educativas especiais sobre a inclusão escolar. Participaram da pesquisa 40 alunos de escolas públicas de ensino básico com vivências diferentes quanto à inclusão (20 alunos que participavam da inclusão escolar e 20 que não participavam).

Foi utilizado um questionário composto por três questões abertas. Os dados foram examinados mediante análise de conteúdo e análise estatística (qui-quadrado).

Tais resultados revelaram que a maioria dos participantes demonstrou credibilidade à inclusão escolar, e apontaram várias dificuldades envolvidas
nesse processo, destacando-se a discriminação social. Os sentimentos decorrentes da inclusão que predominaram entre os participantes foram
positivos.

O estudo foi realizado por Nilza Sanches Tessaro, Doutora em Psicologia e docente do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá, e pelas acadêmicas do 5º ano do mesmo curso, Ana Sayuri Ribeiro Waricoda, Renata Cristina Marques Bolonheis e Ana Paula Barletta Rosa.

Para ler o artigo completo,Click AQUI

Fontes: saci Scielo

Mulheres correm maior risco de sofrer AVC do que os homens



                                                                                                                                                                                               Getty Images
mulher

As mulheres correm um risco maior de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do que os homens, particularmente devido a distúrbios relacionados com a pressão alta na gravidez e outros fatores hormonais, afirmaram médicos americanos nesta quinta-feira.
O alerta integra as novas diretrizes para prevenir derrames, divulgadas pela Associação Americana do Coração e pela primeira vez se dirigiu especificamente às mulheres, que são mais propensas a morrer de acidentes vasculares cerebrais do que os homens.
As mulheres correm um risco maior de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do que os homens, particularmente devido a distúrbios relacionados com a pressão alta na gravidez e outros fatores hormonais, afirmaram médicos americanos nesta quinta-feira.
O alerta integra as novas diretrizes para prevenir derrames, divulgadas pela Associação Americana do Coração e pela primeira vez se dirigiu especificamente às mulheres, que são mais propensas a morrer de acidentes vasculares cerebrais do que os homens.
"Se você é uma mulher, você compartilha muitos dos mesmos fatores de riscos com os homens", disse Cheryl Bushnell, autora de um novo comunicado científico publicado no periódico Stroke, da Associação Americana do Coração.
Estes riscos compartilhados incluem pressão alta, tabagismo e diabetes.
"Mas o seu risco também é influenciado pelos hormônios, a saúde reprodutiva, a gravidez, o parto e outros fatores relacionados com o sexo", afirmou Bushnell, neurologista e diretora do Centro de Derrame do Centro Médico Batista Wake Forest na Carolina do Norte.
As diretrizes dão recomendações de cuidados básicos a médicos e ginecologistas e obstetras sobre a melhor forma de rastrear e tratar as mulheres com risco de derrame.
Elas incluem uma avaliação rigorosa de todas as mulheres que sofreram pré-eclâmpsia, uma condição perigosa relacionada com a pressão alta que pode dobrar os riscos de uma mulher vir a sofrer um AVC.
Os médicos deveriam considerar prescrever aspirina em doses baixas ou outros remédios necessários às mulheres que tiveram pressão alta durante a gravidez.
As mulheres em idade reprodutiva deveriam ser examinadas para verificar se têm pressão alta antes de receber pílulas anticoncepcionais e deveriam ser lembradas de que não devem fumar.
Mulheres mais velhas deveriam ser examinadas para identificar irregularidades nos batimentos cardíacos, uma condição conhecida como fibrilação atrial, pois pode quintuplicar os riscos de uma mulher sofrer derrame após os 75 anos.
Nos Estados Unidos são registrados 800.000 derrames todos os anos. Mais da metade ocorrem em mulheres e 60% das mortes relacionadas com derrames acontecem em mulheres.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Acessibilidade é entrave ao receptivo de turistas

Poucos estabelecimentos possuem estrutura e equipamentos para receber pessoas portadoras de deficiência ou mobilidade reduzida.

Adriana Lampert

Célia critica a falta de estrutura oferecida por diversos serviços
turísticos no Brasil - ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Célia critica a falta de estrutura oferecida por diversos serviços turísticos no Brasil
Às vésperas da Copa do Mundo no Brasil, pelo menos um aspecto ainda exige mudanças urgentes no trade turístico: a acessibilidade nos espaços públicos e privados. Poucos empresários do setor se deram conta do potencial de mercado quando o assunto é melhor atender portadores de deficiências físicas, auditivas ou visuais. O nicho de pessoas com mobilidade reduzida – que ainda inclui gestantes, idosos, obesos e anões –, ocupa o terceiro lugar no turismo em todo o mundo. Algumas delas devem desembarcar no País em junho deste ano, e outras durante os Jogos Paralímpicos de Verão, que ocorrerão em setembro de 2016 no Rio de Janeiro. 


“Será uma vergonha”, sentencia a vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Condefi) da cidade paulista de Santos, Célia Regina Saldanha Diniz. Cadeirante desde os dois anos de idade, a dirigente, que também é funcionária pública municipal, hoje com 49 anos, critica diversos serviços turísticos, desde a aviação até a rede hoteleira. “Como receber um avião cheio de cadeirantes (referindo-se aos paratletas que virão disputar os jogos de 2016), se, nos aeroportos, em situações cotidianas, a presença de um ou dois passageiros já causa diversos constrangimentos?”, questiona. 

Célia refere-se ao fato de que poucos desses empreendimentos e companhias aéreas no Brasil possuem o ambulist, elevador de embarque e desembarque para deficientes ou pessoas com mobilidade reduzida. “Eu viajo muito, e, cada vez que chego a um aeroporto, é um ‘perrengue’ diferente. Eu não posso ter pressa, e me nego a embarcar e desembarcar no colo de alguém desde a última vez que, com a escada do avião molhada porque estava chovendo, quase me derrubaram”, ilustra a funcionária pública. “Tenho uma amiga cega, que, certa vez, para ser ‘auxiliada’ na descida da aeronave, foi literalmente puxada pela bengala – que é, na prática, o olho dela! Isso não é digno, não é decente. É muito difícil”, desabafa a dirigente. 

Dados do Ministério do Turismo (MTur) apontam que, somente no Brasil, existem 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida. E com alguns direitos básicos, conquistados após anos de luta (como acesso à educação e ao sistema de saúde), agora os portadores de necessidades especiais querem poder viajar, fazer esporte e ter momentos de lazer com as mesmas vantagens que qualquer outra pessoa, aponta o coordenador geral do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Jorge Amaro de Souza. 

“Nos últimos anos, dados do Ministério da Educação mostram que o número de pessoas com alguma deficiência aumentou em 900% no Ensino Superior”, mensura Souza. Ele destaca que este nicho – ao contrário do que alguns empresários pensam – é formado por um público de diversas classes sociais e que representa uma boa parte dos turistas que circulam em solo nacional. E, com melhor infraestrutura, este volume pode aumentar, gerando lucro para as empresas que apostarem no investimento em estrutura e equipamentos acessíveis. 

“Algumas redes hoteleiras já começaram a se dar conta que essas pessoas também fazem turismo e que um portador de deficiência nunca viaja sozinho, sempre terá pelo menos um acompanhante”, ressalta o coordenador do Conade. Segundo Souza, o investimento em acessibilidade não é caro, quando feito no início de uma obra. “Representa 2% a 5% do total da construção, é um recurso que volta muito rápido”, garante. 

“O investimento que se faz para tornar um estabelecimento acessível, se paga muitas vezes somente com a divulgação espontânea na mídia e com a repercussão entre os hóspedes. As pessoas gostam e indicam”, concorda o diretor do Villa Bela Hotel Conceito, Roger José Bacchi, que recentemente teve a hospedagem reconhecida pelo I Prêmio Inovação do Turismo RS (promovido pelo governo do Estado), na categoria Infraestrutura para Portadores de Deficiência – Acessibilidade Universal. 

MTur lança campanha nacional para mobilizar empreendedores a melhorarem o trade

Com o objetivo de mobilizar o setor e alertar viajantes com deficiências sobre seus direitos em atividades relacionadas ao turismo, o MTur lançou recentemente uma campanha (com o slogan Turismo Acessível – Um Brasil onde todos podem viajar) que apresenta as dificuldades vividas por pessoas com deficiência auditiva, visual, motora e intelectual em atividades relacionadas ao setor turístico. A ação do Ministério é realizada em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade). Direcionada às empresas do trade, busca informar gestores e funcionários para que saibam como agir e melhor receber o segmento. 

De acordo com o secretário de Políticas de Turismo do órgão federal, Vinicius Lummertz, a ideia inclui capacitar também aqueles empresários que já apostam suas fichas na implementação de infraestrutura adequada e na compra de equipamentos que ajudem a independência dos portadores de necessidades especiais, tanto no deslocamento quanto no desfrute dos serviços.

Em 2013, o governo federal ainda disponibilizou R$ 98 milhões em obras de infraestrutura para acessibilidade nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo. Também estão sendo qualificados 8 mil profissionais no mercado, para atender melhor ao segmento de deficientes e pessoas com mobilidade reduzida. “Queremos multiplicar o conhecimento. Para isso, fizemos um manual que ensina o caminho que o setor deve trilhar e ainda divulga os destinos que estão apostando nessa ideia”, diz. 

Lummertz ressalta que a complexidade da acessibilidade presente em “uma cidade inteira”, inicia-se desde a hora do desembarque do turista, passando pelo transporte de carro ou ônibus, pelas calçadas e entradas de prédios até o banheiro do quarto do hotel. “Meia acessibilidade pode ser cruel”, avalia o secretário do MTur, ao dar o exemplo hipotético de um deficiente visual ou motor caminhando por uma rua acessível que chegue em um estabelecimento onde “tudo complique”. 

Mas a realidade é ainda pior. “Eu não encontro nenhum lugar onde se possa caminhar tranquilamente nas calçadas – as principais capitais não têm acessibilidade, no máximo meia dúzia de rampas e pisos táteis que vão do nada a lugar nenhum”, dispara a fonoaudióloga Naira Rodrigues Gaspar, de 44 anos. “Certa vez, em Curitiba, que é lotada de pedras portuguesas na calçada, tive que usar uma ciclovia para me deslocar levando as malas até o hotel – imagine o transtorno!”, observa Naira. 

A situação não melhorou quando ela chegou na hospedagem: teve de entrar pela garagem, única alternativa, além da escadaria “enorme” na entrada do estabelecimento. “E o quarto, dito adaptado, tinha um banheiro que alagava, e sequer havia uma tomada na parede”, conta a fonoaudióloga, apontando que ainda “há desleixo e discriminação” em relação aos turistas com necessidades especiais. 

Cidades gaúchas investem em estrutura acessível

Graças ao posto de cidade-sede da Copa do Mundo, que ocorrerá em junho, a Capital gaúcha está entre as beneficiadas com recursos do MTur para investir em acessibilidade. Serão injetados R$ 4,8 milhões a partir de março. O primeiro trecho a ser contemplado será o Caminho do Gol, que vai do Largo Glênio Peres até o estádio Beira-Rio.

“Este deve ficar pronto até a Copa”, garante a coordenadora de Planejamento da Secretaria Municipal de Turismo (SMTur), Maria Helena Müller. Segundo ela, neste trajeto serão inseridas rampas, rebaixamentos de calçadas, sinaleiras sonoras, pisos táteis e outras soluções técnicas. Mas a ideia é que, até o final do ano, outras regiões de Porto Alegre recebam a mesma infraestrutura, entre elas, o Centro Histórico, os bairros Moinhos de Vento e Cidade Baixa, o Parque Farroupilha e o acesso ao terminal hidroviário. 

Para a coordenadora de Planejamento da SMTur, esse aspecto é “um caminho sem volta” para os destinos que quiserem ampliar o número de turistas. “Acho que é uma tendência”, diz Maria Helena, que acredita que a maioria dos empresários do setor privado já está “assimilando” a ideia. “Temos registro de que 56% dos hotéis cadastrados na SMTur possuem no mínimo uma unidade para deficientes”, alega. 

O proprietário do Villa Bela, Roger José Bacchi, adverte que investir em acessibilidade vai além de quartos adaptados. É preciso uma estrutura com mobilidade universal na entrada do hotel, na recepção, no restaurante, na piscina, enfim, em todos os ambientes do estabelecimento. “E os municípios também precisam investir nesse sentido”, ressalta Bacchi. 

Na cidade onde o Villa Bela está localizado, em Gramado, o poder público começa a planejar melhorias. A prefeitura desenvolveu um projeto que tem como objetivo transformar Gramado em um destino totalmente acessível a todas as pessoas com necessidades especiais. A busca de recursos para essa iniciativa foi solicitada em Brasília. “Nossa meta é tornar o município referência nacional em acessibilidade no turismo”, afirma o prefeito Nestor Tissot. (AL).


Polícias burlam Justiça para não aprovar deficientes em concursos

Obrigadas a reservar ao menos 5% das vagas a deficientes em concursos, polícias eliminam esses candidatos na perícia.


Imagem Internet/Ilustrativa
As polícias Federal (PF), Rodoviária Federal (PRF) e Civil do DF (PCDF) encontraram uma brecha para burlar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e não incluir, entre os aprovados nos concursos públicos, pessoas com deficiência de qualquer tipo. No ano passado, a Corte determinou à PF que retificasse o edital e passasse a reservar, pelo menos, 5% das oportunidades da última seleção a esse público — assim como é estipulado por lei. A decisão do STF vale para todos os certames da área de segurança pública. Mesmo assim, nos três casos, todos os deficientes foram reprovados na perícia médica.

Considerando-se os três concursos, estão em jogo 89 vagas — 50 na PRF, 34 de perito, delegado e escrivão na PF e cinco de escrivão na PCDF — que seriam destinadas a pessoas com deficiência e não foram preenchidas, ficando disponíveis à ampla concorrência. Nos casos de delegado e escrivão da Polícia Federal, inclusive, o certame já está na fase final de convocação para o curso de formação. Antes de fazerem a perícia, esses candidatos foram aprovados, pelo menos, nas provas objetivas e discursivas e no teste de capacidade física.

Os resultados da perícia não justificam as reprovações. Apenas dizem que “não houve candidato qualificado”. Diante da situação, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública em janeiro passado contra o certame da PRF. Segundo o próprio MPF, “analisando a extensa listagem do edital que definiu as condições consideradas incapacitantes para as atribuições do cargo de agente da PRF, o Ministério Público verificou que todas as categorias de deficiência foram inseridas como circunstâncias incapacitantes. Ou seja, a deficiência virou justificativa para a eliminação”. 

Fonte: correiobraziliense - Imagem Internet/Ilustrativa


Dilma Rousseff sanciona lei que prevê prioridade na adoção de crianças com deficiência

Dilma Rousseff sanciona lei que prevê prioridade na adoção de crianças com deficiência
A presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.955 que estabelece prioridade de tramitação aos processos de adoção em que a criança ou o adolescente tenha deficiência ou doença crônica. A medida foi publicada nesta quinta-feira (6) no Diário Oficial da União.

A lei acrescenta ao Artigo 47 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) o parágrafo nono que determina prioridade de tramitação aos processos de adoção “em que o adotando for criança ou adolescente com deficiência ou com doença crônica”.
Para a deputada Nilda Gondim (PMDB-PB), autora do projeto de lei, a intenção é acelerar o andamento dos processos nos quais o adotado se encontre em uma dessas condições. Isso não significa, segundo ela, ultrapassar etapas ou flexibilizar procedimentos. A deputada alerta que todos os cuidados devem ser tomados para que a família acolha essa criança ou adolescente com responsabilidade e segurança.
Fonte:Agência Brasil - bhaz.com.br

Amor imperfeito - A história da Miss Bumbum que se apaixonou por um paraplégico

A história da Miss Bumbum que se apaixonou por um paraplégico expõe o tabu que cerca a vida sexual das pessoas com deficiência.


Ivan Marsiglia - O Estado de S. Paulo

Dos dois, Rafael é quem adora sair à noite;
Daiane é mais caseira  - Leo Franco/AGNews
Dos dois, Rafael é quem adora sair à noite; Daiane é mais caseira - Leo Franco/AGNews
Ela desceu do elevador com as mãos trêmulas e o coração aos pulos. Tomou fôlego na portaria do prédio antes de entrar, de uma vez só, no carro estacionado em frente. Olhou para o homem atrás do volante pela primeira vez na vida e, sem dizer coisa alguma, o beijou.

O primeiro encontro de Daiane e Rafael não teria nada de extraordinário nesses tempos de amores incubados nas redes sociais. Afinal, os dois se conheceram pelo Facebook e combinaram em evitar com um beijo o constrangimento das primeiras palavras no mundo real. O extraordinário mora num detalhe – a diferença incômoda para uns, encantadora para outros: ela é Miss Bumbum e ele não move o corpo da cintura para baixo.
No último dia 24, o casal já contava oito meses de namoro quando uma foto publicada no site de uma revista de celebridades causou polêmica na internet. O texto registrava em tons glamourosos o acontecimento da noite: "Dai Macedo, vencedora do concurso Miss Bumbum 2013, comemorou seu primeiro aniversário como rainha da preferência nacional muito bem acompanhada. Com o namorado, Rafael Magalhães, ela usou um modelito curtinho ao marcar presença na casa noturna Outlaws, em São Paulo, e dançou muito na pista ao som do funk de MC Gui". Nos comentários da página, internautas manifestaram "opiniões" com o peculiar senso de humor que se ampara no anonimato: "kkkkk, coitado do cara só fica no desejo. ela é muito sacana", "ela tem muito fogo para se contentar com posições limitadas rsrsrs", "cadeirante kkkk tem treta isso... esse cara tem grana e chifre de rosca", "primeira vez que vejo um boi na cadeira de rodas", "o antena de televisão sentadinho e ela se acabando nos outros cômodos da casa", "essa menina é muito experta... puxa a capivara dela antes, cuidado para ela não engravidar a pensão será maior".
O que esses despeitados piadistas não sabem é que, quando Daiane e Rafael se conheceram, foi a diferença que a instigou. Ela conta (Rafael não deu entrevista; diz que prefere não se expor mais) que recém havia se mudado de sua Goiânia natal para São Paulo para defender a candidatura ao Miss Bumbum Brasil. Organizado há três anos pelo promoter Cacau Oliver, o concurso promove uma votação na internet com candidatas dos 27 Estados da Federação, de onde saem as 15 indicadas para a finalíssima, decidida por jurados em um hotel de luxo na cidade. A goiana de 26 anos montou seu "comitê de campanha" no Facebook e adotou a política de aceitar todos os convites de amizade que marmanjos-eleitores lhe propusessem. Um deles foi Rafael, que só tinha fotos da cintura para cima em seu perfil. "Todo dia ele me escrevia no inbox, a conversa era até boa, mas sempre terminava com ele me convidando pra sair", lembra ela. "Eu pensava: ‘Que cara enxerido! Só porque é bonito tá achando que vai me pegar?’." Apenas na enésima proposta ele enviou uma foto sentado na cadeira de rodas. Daiane conta que levou um susto, mas ficou curiosa. "Mulher adora uma história triste, né?" Aceitou. O resto você já sabe: ele foi buscá-la em seu Chevrolet Captiva adaptado para cadeirantes. Beberam, dançaram e terminaram a noite juntos.
"Muita gente não consegue imaginar que uma pessoa com deficiência tenha vida sexual", afirma o escritor e colunista do Estado Marcelo Rubens Paiva, cadeirante desde 1979, quando, aos 20 anos, fraturou a quinta vértebra cervical ao mergulhar em um lago. "A sociedade não consegue perceber esse cara como alguém que pode ser atraente, ter bom papo, ser bom de cama. Prefere vê-lo como doente, um coitadinho. Foi por isso que escrevi Feliz Ano Velho (lançado em 1981 pela Editora Brasiliense e relançado pela Objetiva). Para mostrar que um jovem nessas condições não deixa de ter sonhos, ambições e desejos."
Marcelo chama a atenção para o fato de que alguém pode estar numa cadeira de rodas pelas mais variadas razões – ser paraplégico, diabético ou amputado, ter paralisia cerebral, ter sofrido derrame. Condições com sequelas físicas totalmente distintas. "Pouca gente sabe, mas é só uma minoria dos cadeirantes que não consegue ter ereção." E diz ter sentido na pele o tipo de bullying que vitimou o namorado da Miss Bumbum: "Certa vez estava em um bar com a minha namorada e o colega de um amigo na mesa a elogiou para mim. Então, ele disse: ‘Deus dá asas a quem não precisa’. Na hora, eu queria esganar o cara, mas percebi que a frase tinha saído tão automática que ele nem se deu conta".
Para a psicóloga e professora da Unesp de Bauru Ana Cláudia Bortolozzi, a sexualidade das pessoas com deficiência é tabu por associar um tema difícil em si – o sexo – a padrões preconcebidos de normalidade e complexos em relação ao corpo e ao desempenho na cama. "Esses comentários ocultam o fato de que pessoas que não tenham deficiências também têm dificuldades ou limites sexuais ao longo da vida", diz. No estudo Inclusão e Sexualidade na Voz de Pessoas com Deficiência Física (2011, Editora Juruá), a pesquisadora identifica nos relatos delas dificuldades de autoestima, com a estética ou o desempenho, mas também depoimentos que revelam "pessoas determinadas, alegres, satisfeitas com a vida, que fazem sexo, namoram e se casam". A conclusão é que as dificuldades enfrentadas por elas têm mais a ver com aspectos psicológicos e sociais que com as limitações impostas pela deficiência. Uma realidade retratada no filme As Sessões (2012), do diretor Ben Lewin, que rendeu uma indicação ao Oscar para Helen Hunt no papel da terapeuta que ajuda na iniciação sexual de um homem paralisado pela poliomielite.
Já para o secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, Antônio José Ferreira, importa ressaltar a gravidade dessas "ofensas disfarçadas de ‘brincadeirinhas’ nas quais se reforçam estigmas e preconceitos da forma mais vil e cruel". Na opinião do secretário, que é deficiente visual, o Brasil carece de uma lei que criminalize esse tipo de agressão, embora as atuais políticas de cotas no serviço público e na iniciativa privada, além de investimentos em acessibilidade e educação, venham surtindo efeito.
Assim como o autor de Feliz Ano Velho, Rafael Magalhães perdeu os movimentos em um acidente. Foi em 2005, quando sofreu uma lesão na medula ao capotar o carro que dirigia sozinho e embriagado na volta de uma balada. O advogado de 31 anos, festeiro e praticante de esportes, tinha pouco mais de 20 à época – também como Marcelo. Ainda assim, após a reabilitação na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), se casou com sua namorada na ocasião e teve um filho, Lorenzo, hoje com 5 anos. Separado, tinha voltado a morar com os pais quando conheceu Daiane, mas nunca abriu mão da autonomia com que circula e viaja desacompanhado, inclusive para o exterior. Dos dois, é ele quem adora sair à noite; ela é mais caseira.
Recentemente, foi encontrar a musa em Goiânia e conquistou também o coração da família. É o xodó de Nilza, avó materna e incentivadora dos talentos de Daiane desde menina. "Daiane Macedo Pina, perna grossa e canela fina", caçoava do nome completo e genética transbordante da neta. Gordinha na escola, a partir da adolescência se jogou na malhação nas horas vagas do trabalho no salão de estética da mãe, o Beleza Pura. O modesto estabelecimento alavancou as finanças da família ao oferecer um "bronzeamento com marquinha" inédito na cidade. "A gente colocava esparadrapo em forma de biquíni nas clientes antes de elas deitarem debaixo da lâmpada", ri Daiane, que com os dividendos pagou a faculdade de administração (hoje trancada) e deu entrada em um apartamento de 60 m² no ascendente bairro Jardim Amazônia que está acabando de quitar.
Foi vó Nilza quem levantou o moral de Dai Macedo (na numerologia escolhida pela representante de Goiás) quando ela voltou desanimada de uma das viagens a São Paulo. A moça tinha ouvido dizer que o Miss Bumbum era comprado, e a ganhadora, aquela que tivesse a maior poupança – no sentido bancário. "Minha filha, você vai ganhar esse concurso. Pra Deus nada é impossível", garantiu d. Nilza, com o conhecido fervor evangélico dos Macedos na vizinhança. Não deu outra. Se Deus ajudou, Daiane também se mostrou toda poderosa, do alto de seu 1,75 m, 65 cm de cintura, 88 de busto e brasileiríssimos 106 cm de quadril.
No dia 13 de novembro de 2013, ela pôs a faixa de campeã e saiu para comemorar com o namorado. "Ele sempre me apoia no que eu faço. Por incrível que pareça, a ciumenta da relação sou eu", confessa a miss, que já atirou o celular de Rafael pela janela do quarto andar por causa do assédio cibernético da concorrência. "As meninas caem em cima dele, morro de raiva." Ela, que se mudou definitivamente para a capital paulista e faz curso de apresentação de TV no Senac, tem outros planos para 2014. "Nunca fui tão feliz com alguém. O Rafa é tão inteligente, criativo. E, entre quatro paredes, me satisfaz totalmente. Às vezes ele entra no boxe do chuveiro para tomar banho comigo, ficamos sentados no chão, dando altas risadas." Até o fim do ano – apesar do show dos invejosos – os dois pretendem se casar.
Fonte: estadao

Acessibilidade em São Paulo: adaptações são discriminatórias, afirma especialista

Arquiteta Karen Lima Biz E Deputada Mara Gabrilli Apontam Problemas Da Cidade Para Receber Deficientes Físicos Na Copa.

Imagem internet/ilustrativa

São Paulo ainda está longe de tornar-se uma cidade acessível a deficientes físicos ou pessoas com mobilidade reduzida e garantir a esse público a total inclusão na sociedade. 

Pelo menos é essa a opinião das especialistas no assunto Mara Gabrilli, deputada federal pelo PSDB/SP, e Karen Lima Biz, arquiteta do escritório Diretório da Arquitetura. Em conversa com o Yahoo Esporte Interativo, elas explicaram por que a capital paulista tem tantos problemas no tocante à acessibilidade.

Segundo a deputada Mara Gabrilli, São Paulo não está pronta para sediar uma Copa do Mundo e promover o total acesso de torcedores e moradores deficientes físicos porque o transporte e a infraestrutura urbana ainda são muito precários. Ela, que ficou tetraplégica após sofrer um acidente, foi vereadora, esteve à frente da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na Prefeitura de São Paulo entre 2005 e 2007 e conhece bem as carências da cidade. "Somente 500 dos 35 mil quilômetros de calçadas são acessíveis e apenas 70% do transporte público tem acessibilidade. Muita gente vai ficar sem condição de ir e vir", prevê a deputada.

Gabrilli afirma que, no período em que foi secretária da pessoa com deficiência, o número de ônibus acessíveis na cidade cresceu de 300 para 3 mil. Ela lamenta que as gestões posteriores diminuíram o ritmo de ação, motivo pelo qual São Paulo ainda não conta com uma frota 100% acessível. Ainda assim, comemora o fato da acessibilidade fazer parte da agenda da Prefeitura atualmente.

A arquiteta Karen Lima Biz defende que os projetos de acessibilidade devem ir além das adaptações, pois estas não deixam de ser discriminatórias. O ideal, para ela, é que o desenho seja destinado a todas as pessoas. "O desenho universal é um meio que proporciona a concretização da inclusão, fortalecendo a aceitação das diferenças individuais e da valorização da diversidade humana, além de proporcionar a equiparação de oportunidades, com igualdade no meio físico e cultural", explica Karen.

Muito além da cadeira de rodas
A deputada faz questão de lembrar que pessoa com deficiência não é sinônimo de cadeirante. "As pessoas surdas ainda são muito excluídas dentro dos programas da cidade, porque pouquíssimos espaços estão preparados para atender a esse público. Temos hoje a Central de Libras, que foi um projeto de lei meu enquanto vereadora, mas que ainda não contempla a cidade inteira e não tem a qualidade necessária para resolver o problema da comunicação dos surdos", explica. Quanto aos deficientes visuais, Gabrilli critica a falta de sinalização e de formas de comunicação especiais, como aviso sonoro nos ônibus ou calçadas com piso podo tátil.

Já Karen destaca que a mobilidade reduzida não precisa necessariamente ser uma condição permanente e que todos estão sujeitos a isso. "A acessibilidade é pensada apenas em que tem deficiência permanente, mas ela deve ser garantida a todos que tenham alguma restrição de mobilidade, como uma mãe com carrinho de bebê, uma pessoa que se acidentou e momentaneamente encontra-se de muletas ou cadeira de rodas etc."

Descaso e Conscientização
As duas entrevistadas comemoram o surgimento de leis e normas que exigem ambientes acessíveis aos portadores de deficiência. A arquiteta, porém, chama a atenção para uma grave consequência: "apesar de se seguir leis e normas que estabelecem diretrizes para garantir a acessibilidade, a preocupação se restringe ao cumprimento da lei, e o que vai além dela é ignorado". Decorrem desta situação as adaptações mal feitas e o desrespeito às vagas de estacionamento reservadas a deficientes, por exemplo.

A conversa com Mara Gabrilli também é encerrada com uma constatação negativa. Ao pedir que aponte em quais áreas São Paulo ainda precisa avançar para que se torne uma cidade acessível às pessoas com deficiência, ela é taxativa: em todas. "Na educação, na saúde (em que o atendimento é praticamente miserável), no transporte, no esporte, na cultura, na assistência social, no trabalho, na infraestrutura", listou a parlamentar. São Paulo é uma cidade deficiente e ainda tem um longo caminho a percorrer em busca das condições ideais de acessibilidade.

Poder Público
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED) informou que, até junho deste ano, está prevista a reforma de 90 mil m² de passeios públicos nas chamadas rotas acessíveis, que incluem pontos turísticos e o acesso à Arena São Paulo. Foi articulado, junto ao Ministério do Turismo, o repasse de R$ 20 milhões para esta obra. Além disso, a SMPED está em tratativas junto à Secretaria de Transportes para utilização do Serviço Atende e de táxis acessíveis no transporte de passageiros com deficiência durante a Copa do Mundo.

Por fim, a SMPED também atua na formação de voluntários para atender ao público que apresenta deficiência física durante a Copa do Mundo, trabalha para facilitar a participação de candidatos com deficiência na seleção dos voluntários e irá inaugurar, até a Copa do Mundo, a Central de Interpretação de Libras - CIL, cujo objetivo é garantir o atendimento de qualidade às pessoas com deficiência auditiva.  

Fonte: esporteinterativo - Imagem Internet/Ilustrativa