sábado, 22 de março de 2014

“Deus tira os dentes, mas abre a goela”

Texto da semana de Adriana Lage

Adriana Lage

Sempre escrevo sobre as diversas reações que as pessoas costumam ter quando se deparam com um cadeirante. Normalmente, oscilamos entre os papéis de coitadinhos e de super heróis.

Adriana Lage 

Nos últimos dias, ri demais com algumas situações. Vamos a elas.


- “Deus tira os dentes, mas abre a goela”

Na rua da minha casa, mora uma senhorinha de uns 80 anos. Todas as vezes que me via passar do outro lado da rua, me dava um sorriso de piedade. No último sábado, encontrei com ela próximo ao supermercado. Ela achou interessante minha cadeira motorizada e se assustou ao me ver na avenida entre os carros. Quando subi para a parte mais acessível da calçada, ela se dirigiu a minha mãe e perguntou sobre mim. Quando viu que eu mesma respondi à pergunta e que não mordia, ela soltou a pérola: “ela tem uma carinha tão boa! É tão sorridente mesmo na cadeira de rodas”. Assim que respondi, toda sorridente, um “temos que ser, né”, ela me disse uma bela frase que me fez rir muito: “Deus tira os dentes, mas abre a goela”! Essa expressão é engraçada, mas verdadeira. Mesmo com algumas limitações e dificuldades, sempre encontramos alternativas. Basta querermos!

- Natação
Faço aulas após uma turma de crianças. É claro que o primeiro contato com a cadeirante costuma ser regado a curiosidades. Perguntas e mais perguntas. Explico sem problemas. Só fico boba (e indignada) com a reação de alguns pais que saem puxando seus filhos, xingando-os e dizendo para me deixar em paz. Sempre que possível, puxo, educadamente, a orelha desses adultos. Meu professor dá aula para uma menininha super falante. Num dia desses, ela quis matar sua curiosidade e me assistir nadando. Enquanto me preparava para entrar na piscina, ela me perguntou como eu conseguia nadar. Abri um sorriso e disse: “Xi, nem eu sei te explicar! É uma coisa mágica. Muito doida”! Como a fábrica de por quês infantis não pára, ela me perguntou se eu iria pular na piscina com cadeira e tudo. Expliquei que fazendo isso estragaria a cadeira e, provavelmente, me afogaria. Brinquei se ela iria me salvar e recebi como resposta um monte de risos e a frase: “não! Você é muito grande”. Quando nosso professor me carregou, ela ficou ainda mais fã dele. Foi alçado ao cargo de super herói por ser tão forte. Ela ficou me assistindo por um tempo. A cabecinha fervilhou. Acho legal e importante essa interação, pois ajuda a formarmos adultos menos preconceituosos.

- Eu, mamãe!
Na segunda, fui fazer um ultrassom para finalizar meu check up momesco. Como precisei tomar muita água e desregulei todos os meus horários de xixi, não fui trabalhar. Resultado: fui passear com meu sobrinho super delícia. Estávamos em uma loja no shopping, quando me deparei com a seguinte cena: o Rafinha deitado no meu colo (é claro que usando a cadeira de rodas como apoio para a cabeça e os pés dele), enquanto eu o balançava lentamente tentado fazer com que a figura tirasse um cochilo. A mãe dele estava longe, pagando contas no caixa. Ao meu lado, estava minha mãe, tentando mudar a posição do carrinho do bebê.

Bolsas no chão, sapatinho caído... quando percebi, duas mulheres pararam ao meu lado, com um olhar de compaixão que doeu a alma e disseram “é difícil demais, né?”. Pela cara das duas, imaginaram que a mãe do bebê era eu. Provavelmente, uma doida que colocou filho no mundo para a avó criar. Realmente, no meu caso, precisaria de muita ajuda para criar/cuidar de um filho, sobretudo nessa fase inicial. Aqui vale ressaltar a importância de nós, mulheres com ou sem deficiência, nos cuidarmos, de exigirmos o uso de camisinha, de visitarmos regularmente o ginecologista. Como bem lembrou minha médica, os namorados passam e as doenças ficam. Quem ama de verdade se cuida e cuida do parceiro.

- Sacolão
Logo que entrei no sacolão com minha cadeira motorizada, me senti um ET. Uma criança de uns 08 anos arregalou os olhos quando me viu e correu para cochicar com sua mãe. A mulher sussurou algumas palavras para o filho e falou para não me fazer perguntas. Nesse caso, nem um sorriso permitiu uma interação. Cada uma...

Fonte: saci.org.br

Aplicativo denuncia quem estaciona ilegalmente em vaga para deficientes

Estacionar em vaga especial quando não se é especial.

Thiago Monteiro


Hoje, essa situação acontece em muitos lugares. Quando você se depara com isso, o que você faz? Deixa passar, tira satisfação com o motorista do veículo ou fotografa e coloca na rede social? A última opção tem sido bastante escolhida pelas pessoas.


Segundo a lei federal nº 10.098, pelo menos 2% do total de vagas de um estacionamento devem ser reservadas para veículos que transportem pessoas portadoras de deficiência física ou visual, desde que devidamente identificados.

Foi com essa ideia que surgiu a criação de um aplicativo que acusa esses infratores. O Parking Mobility permite denunciar violações de estacionamento em menos de dois minutos. Tudo funciona com apenas três fotos. A primeira deve ser da traseira do carro, indicando a placa, a marca e o modelo. A segunda, mais ampla, precisa mostrar o veículo, o estacionamento e o local reservado para deficientes. A última foto é do pára-brisa dianteiro, permitindo saber se o carro é ou não autorizado a estacionar no local.

Depois dessas etapas, o denunciante deve compartilhar com outros usuários ou encontrar locais para portadores de deficiência em qualquer lugar, sempre a partir de sua localização atual.

O aplicativo, gratuito, está disponível para Android, Iphone, Ipad, Ipod touch e Blackberry.




Fontes:  Catraca Livre - saci.org.br 

Estudo mostra que pessoas com síndrome de Down agregam valores às empresas

Imagem Internet/Ilustrativa
O Instituto Alana junto com a McKinsey & Company acabam de publicar um estudo mostrando o valor que os colaboradores com síndrome de Down podem agregar às organizações.

“Em vários países do mundo, há legislações específicas que tornam obrigatória para as empresas a contratação de pessoas com deficiência. De maneira geral, há um foco maior sobre os desafios da inclusão do que no real valor que essas pessoas podem agregar às organizações.
As empresas descobriram que essas pessoas podem agregar valor à “saúde organizacional” (habilidade de uma organização alinhar-se, executar e renovar-se mais rapidamente que seus concorrentes para sustentar um desempenho excepcional ao longo do tempo). Em particular, os colaboradores com síndrome de Down formam um caso interessante a ser investigado, já que possuem características que aumentam o desafio associado à inclusão, mas também trazem vantagens adicionais.
Existem benefícios mútuos no processo de inclusão de pessoas com síndrome de Down. Por um lado, essas pessoas ganham oportunidades de desenvolvimento e, assim, maior qualidade de vida. Por outro lado, as empresas têm sensíveis melhorias em sua saúde organizacional.”

Fonte: catracalivre - Imagem Internet/Ilustrativa

Após nascimento de filha com síndrome de Down, Romário diz que se tornou uma pessoa "muito melhor"

De acordo com o deputado, parte da população é mal informada sobre a síndrome.

Da Agência Brasil
Romário ao lado da filha Ivy, nove anos de idade (centro da foto)Reprodução/Instagram
Na véspera do Dia Internacional da síndrome de Down, os avanços das políticas públicas e os desafios das pessoas com a síndrome foram lembrados em uma sessão solene desta quinta-feira (20) no Senado. Pai de Ivy Bittencourt, de nove anos de idade, que tem a síndrome, o deputado Romário (PSB-RJ) avaliou que o Brasil tem avançado na atenção às pessoas com a síndrome.
— Há nove anos não existia nada. Hoje, por mais que nós estejamos longe do ideal, [o que temos]  já é um alento.
Ao contar que depois do nascimento de Ivy se tornou uma pessoa “muito melhor”, Romário destacou que parte da população ainda está mal informada sobre a capacidade das pessoas com a síndrome de Down, que praticam esportes e participam cada vez mais da vida em sociedade. Para o parlamentar, em breve, elas ocuparão cargos, que hoje são considerados inviáveis.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) lembrou que no final do ano passado a Casa aprovou o PNE (Plano Nacional de Educação), que agora está tramitando na Câmara dos Deputados. A Meta 4  do PNE prevê a garantia de acesso à educação básica para os estudantes com deficiência.
Pela proposta, o ensino deverá ser, preferencialmente, na rede regular, mas as escolas especiais serão mantidas para complementar a educação dos estudantes com deficiência. Atualmente, o Senado analisa uma proposta de lei, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PcdoB- AM), que prevê a dedução em dobro da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física de encargo por dependente acometido de uma série de problemas genéticos, como a síndrome de Down.
Fonte: noticias.r7

SUS não está preparado para tratamento de doenças mentais

 Mara Gabrilli Especial para o UOL

Imagem Internet/Ilustrativa
Era uma manhã de domingo quando Jorge Cândido de Assis entrou na estação de metrô Liberdade, em São Paulo. Já na plataforma, ouviu uma voz dizer: "por que você não se mata?". Três dias depois, acordou em um hospital, sem a perna direita. Aos 21 anos, em um surto de esquizofrenia, o estudante se jogou na frente do trem.

Em 2003, após quatro graves crises psicóticas, Jorge passou a fazer parte de um grupo de apoio comandado pelo psiquiatra Rodrigo Bressan. O Programa de Esquizofrenia da Unifesp (Proesq) atende pacientes encaminhados pelos centros de apoio psicoterapêuticos (CAPs) e ambulatórios do Sistema Único de Saúde (SUS) que, por falta de infraestrutura, são mal preparados para realizar todos os tipos de atendimento.

DESCASO

A precariedade no tratamento de doenças mentais é reflexo de uma política pública que até os anos 1980 mantinha em funcionamento os manicômios, onde pacientes eram submetidos a tratamentos desumanos.

Segundo levantamento do programa, 85% dos pacientes que fazem uso da medicação closapina, usada para tratar a esquizofrenia refratária, não conseguem receber o remédio nas unidades do SUS.
O panorama é ainda mais alarmante se levarmos em consideração o número de unidades especializadas em saúde mental disponíveis no país. Na região Norte, só há dois centros de atenção psicossocial infantil (CAPi) – localizados no Amazonas e no Pará.
No Nordeste, em Alagoas, não há nenhum. Na região Centro-Oeste, a maior concentração está em Goiás, e no Distrito Federal há apenas um. No total, somente 11 Estados contam com o serviço. Os dados são da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre).
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 3% da população sofre com transtornos mentais severos e persistentes, como a esquizofrenia. No Brasil, cerca de 1% tem a doença que, na maioria dos casos, só é diagnosticada quando o paciente já apresenta sintomas severos e contínuos, como delírios e alucinações. 
Tal precariedade é reflexo de uma política pública que até os anos 1980 mantinha em funcionamento os famigerados manicômios, onde pacientes eram submetidos a tratamentos que, além de inadequados, eram desumanos. Esses depósitos de gente não só içavam um muro entre os pacientes e a sociedade, como criaram um estigma sobre o assunto que se estende até hoje. 
Publicada em 2001, a Lei nº 10.216, conhecida como Lei Paulo Delgado, "dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental". Contudo, por negligencia e omissão do governo, familiares e pacientes ainda aguardam sua regulamentação.

DESPREPARO

Se levarmos em consideração o número de unidades especializadas em saúde mental disponíveis no país, o panorama é alarmante 

A pedidos dessas pessoas, protocolei recentemente um requerimento para que o ministro da Saúde, Arthur Chioro, preste informações sobre a política de saúde mental no âmbito do SUS. Dentre as demandas, exigimos atendimento humanizado, acompanhamento multiprofissional, implantação de leitos e enfermariaspsiquiátricas em hospitais gerais e apoio ao convívio entre pacientes e familiares.
Assim como a legislação prevê direitos para quem tem uma deficiência, pessoas com transtornos mentais não podem ficar à margem de direitos básicos, como saúde e trabalho.
Pacientes com esquizofrenia, sob tratamento adequado, passam por programas de reabilitação que os preparam para voltar ao mercado profissional. As empresas, no entanto, recusam a contratação, submetendo esses candidatos a mentir e negar parte de sua vida. Como se a doença em si o definisse.
A esquizofrenia e outros transtornos da mente são doenças crônicas que passeiam por nossas emoções. Acreditar no potencial desses indivíduos de se reconectarem à vida é o primeiro passo para fortalecer uma política pública de saúde mental e derrubar preconceitos.
Fonte: noticias.uol Imagem Internet/Ilustrativa

Experiência completa para os deficientes visuais

“Para que um deficiente visual tenha a experiência completa em um estádio de futebol, ele precisa entender o que acontece no gramado e ao seu redor.” Foi com essas palavras de Joyce Cook, diretora geral do Centro de Acesso ao Futebol na Europa (Centre for Access to Football in Europe - CAFE), que a Copa do Mundo da FIFA 2014 deu o pontapé inicial na parte prática de um projeto inovador no Brasil.



Preocupados em melhorar a experiência de cegos e pessoas com baixa visão nos estádios, a FIFA e o COL oferecerão um serviço pioneiro de narração audiodescritiva em quatro estádios da Copa do Mundo da FIFA no Brasil. Nesta quarta-feira, no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, foi iniciado o seminário de treinamento de narradores voluntários.

A audiodescrição é semelhante à narração de rádio, mas com ênfase na experiência do estádio. O narrador especialmente treinado fornece uma descrição adicional de todas as informações visuais significativas, como linguagem corporal, expressão facial, entorno, lances, uniformes, cores e qualquer outro aspecto importante para transmitir a aparência e o ambiente do estádio.

“O serviço de audiodescrição fala como a torcida está se portando, quais são as brincadeiras, como o juiz corre… Algumas coisas que ninguém acha que são importantes, porque estão todos vendo”, diz Anderson Dias, presidente da Urece Esporte e Cultura para Cegos, ONG parceira da FIFA e do COL que trabalha com projetos especiais para pessoas com deficiência visual. “Na audiodescrição de avaliação de voluntários, ouvi o gol do Ronaldo na final da Copa do Mundo de 2002 e ouvi que o Oliver Kahn fica no chão, chateado, triste, e o Ronaldo sai comemorando de braços abertos. Isso se perde nas transmissões de TV e rádio”, completa Dias, que foi bicampeão mundial e campeão paralímpico de Futebol de 5 em Atenas 2004.

Convidado especial do primeiro dia do seminário, o árbitro Arnaldo Cézar Coelho, que comandou a final da Copa do Mundo da FIFA Espanha 1982, provocou risos na plateia ao revelar que já foi chamado de cego por muitos torcedores e se mostrou encantado com a iniciativa. Ele falou aos voluntários sobre a importância de se conhecerem as reações de um árbitro.

“Ter a FIFA se preocupando com os deficientes visuais em campo é muito legal. Melhor ainda é ter um narrador para explicar e comentar todas emoções de um jogo de Copa do Mundo. Minha presença foi para explicar as reações que os árbitros têm, para que os narradores orientem seus ouvintes. É uma iniciativa brilhante da FIFA. Nunca tinha visto isso.”

A narração audiodescritiva será disponibilizada em português em quatro estádios da Copa do Mundo da FIFA: Belo Horizonte (Estádio Mineirão), Brasília (Estádio Nacional de Brasília), Rio de Janeiro (Estádio do Maracanã) e São Paulo (Arena de São Paulo). Haverá dois locutores por jogo, e a narração será transmitida por radiofrequência e captada em fones de ouvido individuais. Torcedores cegos ou com baixa visão podem sentar-se em qualquer lugar do estádio.

No total, pelo menos 16 voluntários, quatro de cada uma das cidades-sede selecionadas, passarão por um programa de treinamento intensivo promovido pelo CAFE e pela Urece. Após a conversa com Arnaldo Cézar Coelho, os voluntários foram orientados em um exercício no qual tiveram de guiar e serem guiados por companheiros enquanto percorriam as instalações do Maracanã. O exercício fez com que muitos percebessem as dificuldades de visitar um local sem enxergar e, ao mesmo tempo, reconhecessem a responsabilidade de descrever a um cego tudo o que está a seu redor.

A voluntária Natália Caldeira, de 29 anos, que trabalha com deficientes visuais desde 2004, comemorou a chance de participar desse projeto na Copa do Mundo da FIFA em seu país. “É uma oportunidade incrível. Não só de estar num jogo de Copa, mas de transmitir a essas pessoas o que acontece e tornar sua experiência mais real. É uma responsabilidade muito grande, mas tenho certeza de que a gente vai ter diversas lições até lá e vai conseguir fazer isso direitinho. Estou preparada.”

Tão importante quanto o aspecto inovador do projeto em solo brasileiro é seu legado. Após a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, o equipamento de narração instalado em cada estádio será doado às entidades locais dispostas a fazer parte do legado do projeto.

“O mais interessante é o legado humano que estamos deixando: esses voluntários estão recebendo o conhecimento sobre como passar a narração para pessoas que são cegas ou com baixa visão”, ressalta Paula Gabriela Freitas, líder da Equipe de Sustentabilidade da FIFA no Brasil. “São brasileiros que vão ficar aqui e vão poder, depois, realizar esse serviço não somente em jogos ou eventos esportivos, mas em eventos culturais e de outros tipos.”

Joyce Cook, do CAFE, reforça o discurso e mostra objetivos ambiciosos para o Brasil. “Nossa vontade é ver todos os estádios e arenas esportivas do Brasil com este serviço; que se torne algo normal. Que pessoas cegas e com deficiência visual possam ir a eventos esportivos com naturalidade, ouvindo o serviço de narração audiodescritiva e tendo o serviço completo.”

As pessoas com deficiência representam pelo menos 12% da população mundial: são mais de 840 milhões de pessoas com deficiência, das quais 285 milhões são cegas ou têm visão subnormal. Até o momento, pouquíssimos locais no Brasil oferecem serviços para pessoas cegas ou com baixa visão que comparecem a eventos ao vivo, como jogos de futebol.

Para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, e de acordo com as leis brasileiras, pelo menos 1% do número total de ingressos oferecidos é disponibilizado para pessoas com deficiência – e todas elas podem solicitar bilhetes complementares para um acompanhante. Os estádios da Copa do Mundo da FIFA são acessíveis a pessoas com deficiência, pessoas com mobilidade reduzida e pessoas obesas. Assentos acessíveis, banheiros e passarelas estão disponíveis. Há entradas exclusivas para pessoas com deficiência ao lado dos acessos para pessoas sem deficiência.

Fontes: Fifa.com - sempreincluidosoficial

Meu curumim tem síndrome de Down

Por Lucio Carvalho *

cest yanomani com tampa aberta
Não costuma acontecer de você, não sendo você próprio(a) ou seu parceiro(a) um indígena, ter um filho indígena. Mas, por circunstâncias misteriosas, isso às vezes pode acontecer. Meu filho nasceu com a síndrome de Down e, por causa dele, hoje eu também faço parte dessa tribo.


É estranha, num primeiro momento, a percepção de que seu filho – vou deixar isso no masculino daqui em diante – não é esperado por ninguém na face da Terra. Nem pela equipe médica, se você tiver acesso a uma, nem pela sua família e nem por você mesmo (vou deixar isso no masculino daqui em diante também).

Como o índio cantado por Caetano Veloso, essa pequena criança parece mesmo que “desceu de uma estrela colorida, brilhante”. A alguns ela parecerá ainda mais estranha do que um índio real parece ser ao cidadão mediano destes tempos hiperinformados. Aos mais desinformados, ele parecerá mesmo um extraterrestre autêntico. Em carne e osso. Não raramente, lamentarão pelo seu imenso azar, mesmo quando você já estiver convencido (via de regra isso acontece através da própria criança) de que tirou a sorte grande.

Curiosamente, hoje a ciência não se debruça tanto em entender quem são, do que se compõem e necessitam para viver melhor essas pessoas quanto em evitar que elas nasçam. Deve ser por medo de alguma coisa, afinal os extraterrestres (e as pessoas diferentes de um modo geral) costumam mesmo ser muito mais assustadores do que os seres humanos regulares, embora sejam estes últimos os causadores das coisas mais horripilantes de que você pode lembrar por conta própria.

Pois então agora, fulcrado pela imprevidência divina, você precisa encarar essa fatalidade. Mas não vá se achando muito especial por isso. Os mundurukus, pataxós, guaranis e todos os índios de verdade, você pode imaginar mesmo o que eles têm passado para simplesmente poder existir justamente aqui, em sua terra natal?

Também preciso avisar que infelizmente muitas vezes lhe ocorrerá, ao procurar simplesmente dispor dos recursos sociais mais elementares para fazer cumprir os ritos sociais que se exigem dos cidadãos, de que o acesso a tais recursos lhe seja terminantemente negado. Não aceitamos crianças “assim”, é o que é dito em alto e bom som pelos caras pálidas (ou seria cara de mogno?). Não estamos preparados para lidar com essas pessoas esquisitas. E você então colecionará muitos nãos na sua carreira de pai/mãe. E quando receber um “sim” será como uma divinação. E então você perceberá que graças a pessoas assim o mundo ainda vale a pena. Conselho de pai de um curumim que tem síndrome de Down: agarre-se nessas pessoas, elas são da sua tribo!

Segundo os acordos tácitos do mundo em que vivemos, é seu dever fundamental prover cuidados e educar qualquer filho que venha a ter. Profissionais exagerados, exasperados e despreparados dirão para que faça isso a despeito inclusive dos seus direitos mais elementares de criança, a saber: o direito de brincar e, em se tratando de crianças em idade escolar, o de errar até aprender. Numa inversão mágica imaginada por muitas pessoas dedicadas ao estudo e aplicação dos processos educativos, o erro, no caso de crianças “assim”, não é mais que a confirmação de um desígnio divino. Não seria uma possibilidade nem sequer a única condição possível para o aprendizado cultural (alguém já se perguntou sobre o significado da frase “errando é que se aprende”?). Se você deseja, portanto, que seu filho(a) vá a escola ou, mais tarde, arranje um emprego, certifique-se de que ele já prescinde de aprender e de que seu trabalho seja dispensável. Não há maior garantia de sucesso e tranquilidade!

É bem verdade que um índio jamais deixará de ser um índio e que um filho jamais deixará de ser um filho. Mas também é verdade que você jamais deixará de ser seu pai ou sua mãe. Em nome de muitos valores autênticos ou esdrúxulos, é possível que você sinta-se lá pelas tantas convencido a ter de transformar aquele bebezinho fofo num exemplo formidável de não-índio e que, porque isso não é uma regra aplicável a ninguém (nem aos não-índios), pode também ter de arcar com uma grande dose de frustração.

Pode ser também que o desejo (o dele, principalmente) acabe por lhe enveredar para outros destinos, que não é possível nem justo existir apenas um. O mais importante, eu quero crer, sempre será preservar o seu direito em ser exatamente como deseja e a descobrir-se como sujeito social, a seu tempo, com tudo o que isso pode (e irá, não tenha dúvida disso) envolver. Não esqueça de que é somente contando com o seu afeto e com o reconhecimento autêntico da sociedade que seu curumim/cunhatã um dia irá se tornar um adulto com autoestima e tão cidadão quanto qualquer outra pessoa.

21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down
No próximo 21 de março será celebrado em todo o planeta o Dia Internacional da Síndrome de Down. Eventos em todo o mundo enfatizarão o direito e o acesso à saúde pelas pessoas com síndrome de Down (ver aqui). Ao passo em que as condições de vida das pessoas com síndrome de Down nunca tenham sido tão boas (ver aqui), é sempre bom lembrar a necessidade de seguimento clínico e cuidados preventivos, assim como uma estrutura pública de qualidade, capaz de atender a todos (inclusive os não índios e os indígenas de verdade). Assista abaixo o vídeo global do evento, que reúne pessoas de todo o mundo, inclusive do Brasil.


* Coordenador-Geral da Inclusive: Inclusão e Cidadania

sexta-feira, 21 de março de 2014

Futura mãe inspira vídeo de campanha sobre Síndrome de Down

REPRODUÇÃO


A campanha de uma associação italiana para pessoas com síndrome de down, a Coordown, para o Dia Mundial da Síndrome de Down, trás um vídeo inspirado em um e-mail de uma mulher, que descobre que será mãe de uma criança com a doença genética. 


No e-mail, a mãe pergunta "que tipo de vida o meu filho vai ter?". A resposta é dada por 15 portadores de Síndrome de Down em um vídeo que falam das alegrias e dos desafios que o filho poderá enfrentar. 

O filme, intitulado #DearFutureMom, traz o conceito "todo mundo tem o direito de ser feliz", é um trabalho da agência de publicidade Saatchi & Saatchi e foi produzido especialmente para o Dia Mundial da Síndorme de Down, celebrado no dia 21 de Março. 

Vale a pena conferir o vídeo:



Fonte: opovo.com.br

Falta de acessibilidade impede deficientes de conseguirem emprego

Problema acontece em Petrópolis, interior do Rio.
Atualmente, há mais de 70 vagas disponíveis.

Do G1 Região Serrana

 As empresas de Petrópolis, Região Serrana do Rio, têm dificuldades em cumprir cota de funcionários portadores de deficiência física. O motivo é a acessibilidade, ou falta dela, na hora de chegarem ao local de trabalho. Embora a cidade já possua ônibus adaptados, em muitos bairros a falta de estrutura das vias impossibilita o funcionamento dos veículos.

De acordo com o Ministério do Trabalho, as empresas com mais de 100 funcionários têm que ter de 2% a 5% das vagas preenchidas por pessoas portadoras de deficiência. Atualmente no município, há mais de 70 vagas abertas nas empresas, mas faltam candidatos, já que muitas pessoas não conseguem sair de casa para chegar ao trabalho.

A adaptação dos ônibus da cidade foi um avanço. Parte da frota já tem elevadores para uso dos cadeirantes, mas 20% dos ônibus ainda não contam com esse sistema. Apesar de alguns bairros já receberem esse serviço, a falta de acessibilidade continua sendo um problema. “Emprego tem, mas difícil é chegar nele”, comenta o auxiliar de serviços gerais, Luciano Monteiro Vianna. Ele mora em uma ladeira e necessita de ajuda na hora de descer para chegar ao ponto de ônibus.

A dificuldade para cumprir a cota do Ministério do Trabalho é tanta que já existe uma disputa por esses profissionais no mercado de trabalho e a rotatividade é grande. Eles vão de um emprego para o outro, dependendo da proposta. Até empresas de outras cidades, como Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e São José do Vale do Rio Preto, também na Região Serrana, estão buscando esses profissionais em Petrópolis.

Para segurar o deficiente no emprego, as empresas fazem de tudo: pagam cursos, fazem treinamentos, adaptam as instalações e até fazem o transporte dos trabalhadores de casa para o trabalho e do trabalho para casa. “A empresa que oferecer mais vantagens e condições de trabalho leva”, afirma o presidente da Associação Pró-deficiente, Marcelo da Silveira.

Fonte: g1.globo.com
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Plano da OMS de redução de doença ocular vai até 2019

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) referentes a 2010, 285 milhões de pessoas em todo o mundo, o equivalente a 4,24% da população do planeta, têm alguma deficiência visual. Desse grupo, 14%, ou 39 milhões, são cegas. O que chama mais atenção é que, segundo o órgão, 80% dos casos poderiam ser evitados.

No que se refere a quem tem baixa visão, o principal problema, com 42% do total dos casos registrados, são os erros de refração não corrigidos, ou seja: miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia que, se não são tratados, podem levar à baixa visão severa e até à cegueira. Em segundo lugar vem a catarata, com 33%, doença que pode ser corrigida numa cirurgia relativamente simples.

Pessoa cega caminha com bengala
No Brasil, são 39 milhões de cegos, segundo a OMS; foto Reprodução
Entre os cegos, é exatamente a catarata a principal causa, com 51% dos casos, seguida pelo glaucoma, que é responsável por 8%. Apenas 4% ficaram cegos na infância.

Mas números sozinhos não mudam nada. Para tentar mudar esse retrato, a OMS criou o Plano de Ação para Prevenção da Cegueira Evitável e de Deficiências Visuais 2014-2019, um conjunto de esforços que depende da ação de cada país-membro, e de cada cidade, para que as metas sejam alcançadas. A principal delas é que, até 2019, as doenças oculares sejam reduzidas em um quarto.

Estamos no início do programa. Vale conferir seus resultados.

Fonte:f123.org

Avaliação adaptada é apresentada a consultora do MEC

Equipe da Semed apresentou processo de avaliação para técnicos do MEC.

foto assessoria.
A avaliação adaptada, prova aplicada aos alunos com deficiência da rede municipal de ensino durante no SAEM (Sistema de Avaliação da Educação Municipal), foi apresentado à consultora do Ministério da Educação (MEC), Marcella Di Santo, nesta quinta-feira (13) durante reunião técnica com os cinco polos do Estado que integram o Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade.

A reunião ocorreu em Cuiabá e o sistema de avaliação constará no documento do evento destinado ao MEC. A consultora elogiou a iniciativa e disse que este é um importante instrumento, já que, possibilita uma avaliação paralela para comparar os índices do município com os oficiais do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e também um instrumento de participação de todos e de todas no processo. Conceito que vai ao encontro da política nacional de direito à diversidade, que é educação para todos e todas.

A apresentação da metodologia usada na aplicação do modelo de avaliação do SAEM para todos os alunos das fases finais de cada ciclo foi apresentado pela gerente do Departamento de Ensino Fundamental Marisa Brescovici e a adaptação desta mesma avaliação, assim como a técnica usada para que os alunos com deficiência participem do processo, foi detalhada pela pedagoga com habilitação em Deficiência Intelectual Ariane Lima Martin.

Entre os pontos a serem observados, estão o tipo de letra, o uso das letras em caixa alta, o espaço nas entrelinhas, a disposição das questões em uma por página, a importância da ilustração da questão para não poluir visualmente e propiciar uma leitura objetiva à criança, a impressão colorida e o modo de aplicação, que em alguns casos necessita de um profissional especializado para ler ou escrever o conteúdo.

“Tivemos crianças com deficiência mental que produziram um texto. Não estão escrevendo, estão contando e o escriba (papel do professor que aplica a prova) redigiu”, detalhou Ariane para espanto dos profissionais presentes.

Exemplares de todas as provas adaptadas foram entregues às técnicas da Secretaria de Estado de Educação, Sônia Maria Bispo Amorim e Neide Conceição Rondon. A avaliação foi apresentada como modelo para as cidades polo de Alta Floresta, Cuiabá, Pontes e Lacerda e Sorriso.

Na oportunidade, foram discutidas as experiências exitosas dos municípios no que diz respeito ao direito à diversidade, que engloba ações com indígenas, quilombolas, deficientes, entre outros e expostas às dificuldades encontradas pelas equipes técnicas de cada região.

Rondonópolis reivindicou a implantação de um centro para formação continuada para atendimento à diversidade e verba para que os coordenadores possam fazer visitas técnicas aos municípios que compõem o polo. Segundo Marcella, essas duas sugestões já estão em estudo no SECADI/MEC (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão).

Durante a reunião também foram reavaliadas as composições dos polos no que diz respeito ao atendimento dos municípios. Em junho, Rondonópolis deverá reunir durante um seminário dos municípios da região Sul para discutir políticas voltadas para o direito à diversidade.



CONVENÇÃO INTERNACIONAL - Pessoa com deficiência mental pode se casar, diz PGJ-SP

Por 

Imagem Internet/Ilustrativa.

Com status de emenda constitucional, a incorporação no Direito brasileiro da convenção internacional que impede a discriminação de pessoas com deficiência derruba qualquer norma ou interpretação que proíba o deficiente de casar. Essa foi a análise da Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo ao reconhecer posição de um promotor de Justiça que se negou a ajuizar ação anulatória de um casamento em São Bernardo do Campo.


O matrimônio foi registrado em dezembro de 2011, sob o regime da comunhão parcial de bens. No entanto, o cartório de registro civil de Riacho Grande (distrito de São Bernardo) percebeu depois que a noiva havia sido interditada cinco anos antes, por ter deficiência mental. Mesmo com apoio do casamento pela mãe, curadora, o caso foi enviado ao Ministério Público, mas o promotor Maximiliano Roberto Führer decidiu arquivá-lo.
Embora o Código Civil declare nula a capacidade de enfermo mental discernir atos da vida civil, ele avaliou que “deficiência mental (retardo mental) não é enfermidade e, portanto, não é causa de impedimento para o casamento”. Com entendimento contrário ao arquivamento, o juízo da 3ª Vara de Família e Sucessões da comarca encaminhou o caso à Procuradoria-Geral, “para, se for o caso, designar outro promotor de Justiça a fim de propor ação declaratória de nulidade do casamento”.
Ao analisar a discussão, o procurador-geral Márcio Elias Rosa (licenciado para concorrer à reeleição) considerou adequada a posição do promotor e acrescentou a tese de que impedir o casamento seria contrário à Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada nos Estados Unidos em 2007 e aprovada no país pelo Decreto Legislativo 186/2008. Por abordar direitos humanos, vale como emenda à Constituição, afirmou Elias Rosa.
O entendimento foi publicado no último sábado (15/3). Para o promotor Führer, apesar de a decisão não ser vinculante no Ministério Público, a tese pode provocar uma série de desdobramentos positivos futuramente em São Paulo. “Não havendo abuso ou fraude, o Estado deve se afastar de casos como esse. O deficiente mental tem direito a ter uma família", afirma o promotor.
Clique aqui para ler a decisão.
Fonte: conjur.com.br - Imagem Internet/Ilustrativa.

Estudante não conta com professor auxiliar e de recursos na instituição.

Mãe cobra estrutura para que a filha não se desestimule com os estudos.


Do  G1  Santos


As políticas adotadas pelo Ministério da Educação estabelecem que a educação é prioridade, mas nem sempre quem tem algum tipo de deficiência consegue a estrutura necessária para estudar. Um destes exemplos é a estudante Beatriz Santos Trianoski. Portadora de deficiência visual, a jovem precisa de um professor auxiliar para acompanhar as aulas e como não há esse tipo de profissional na escola estadual onde ela estuda, a sua mãe planeja entrar na justiça para conseguir esse direito.
Beatriz  nasceu com doença degenerativa no nervo óptico e tem apenas 5% da visão. Ela concluiu o ensino fundamental sem nunca repetir de ano e a mãe destaca que a estrutura oferecida pelas escolas municipais por onde passou foi fundamental para manter o estímulo da filha. “Sempre me ofereceram um professor auxiliar e um professor de recursos. O auxiliar acompanhava em classe, porque ela precisa de alguém para ler, já que ela não enxerga por causa da deficiência. O professor de recursos ficava em outra sala separada,  ampliando a lição dos livros, que ela também não consegue enxergar e fazendo a ampliação das provas”, diz a corretora de imóveis Fernanda Santos Rodrigues.
Beatriz nasceu com uma doença degenerativa no nervo ótico (Foto: Reprodução / TV Tribuna)Beatriz nasceu com uma doença degenerativa no
nervo ótico (Foto: Reprodução / TV Tribuna)
Preocupada, a jovem conta que tem tido dificuldades para acompanhar as lições passadas em classe. “Estou sem auxiliar e não consigo acompanhar a lição da lousa. Meu amigo dita, mas algumas não consigo acompanhar, porque fica difícil para ele ditar. Ele não consegue me ditar em inglês, é difícil. Algumas lições eu não tenho no caderno. Estou preocupada com as notas”, comenta.
Para ajudar a filha, Fernanda começou a tirar fotos do caderno de um amigo de classe de Beatriz e, aos finais de semana, as duas passam horas tentando colocar as lições em dia. Com medo que a filha perca o interesse pela escola, a mãe diz que vai entrar com uma ação na justiça para obrigar o estado a contratar uma professora auxiliar para escola. “Eu preciso e vou lutar porque não quero ver minha filha parando os estudos dela, por causa do governo não querer dar algo que é de direito dela, um direito constitucional de toda a criança e adolescente, que é frequentar a escola. Ela tem o direito de concluir o ensino médio e cursar a faculdade, que é o sonho dela”, afirma.
Em nota, a Diretoria Regional de Ensino de Santos diz que forneceu material específico para a estudante, como cadernos com pauta ampliada e uma prancha de leitura com uma lupa ampliadora, no valor de R$ 8 mil. Uma equipe de técnicos do Centro de Apoio Pedagógico Especializado, da Secretaria da Educação, analisa a situação dessa aluna. Os pais da estudante já foram chamados para uma reunião sobre o assunto.
Mãe de Beatriz ajuda a filha com o que é possível em Santos, SP (Foto: Reprodução / TV Tribuna)Mãe de Beatriz ajuda a filha com o que é possível em Santos, SP (Foto: Reprodução / TV Tribuna)
Fonte: g1.globo

Bailarina que perdeu a perna no atentado de Boston volta a dançar

Adrianne Haslet-Davis, 33, dançarina profissional de balé e professora de dança que teve o pé amputado após as explosões na Maratona de Boston, fez sua primeira apresentação desde o atentado, durante a conferência da fundação sem fins lucrativos TED, em Vancouver, Canada. Adrianne recebeu uma espécie de "perna biônica" feita especialmente para o seu caso e com especificações que a permitissem se movimentar o suficiente para retomar a carreira. A dançarina fez alguns passos de rumba sem esconder a emoção e as lágrimas. - Do UOL, em São Paulo

      Reprodução/Twitter
      
A bailarina Adrianne Haslet-Davis, 33, era uma das milhares de participantes da Maratona de Boston, em 15 de abril de 2013, quando duas bombas foram detonadas próximas à linha de chegada. O impacto e a explosão custaram lhe uma parte da perna esquerda e, naquele momento, sua paixão pela dança. O atentado deixou três pessoas mortas e cerca de 264 feridas.

Quase um ano depois do trauma, no entanto, seu sonho de voltar a dançar virou realidade, com uma grande ajuda da tecnologia. Adrianne, profissional da dança de salão, foi escolhida para ganhar uma perna biônica feita especialmente para ela, e com especificações que a permitem se movimentar o suficiente para retomar a carreira.


A prótese foi apresentada na quarta-feira (19), quando ela voltou a subir num palco pela primeira vez desde o atentado durante a conferência da fundação sem fins lucrativos TED, em Vancouver (Canadá). Por alguns poucos minutos, ela bailou ao som de uma rumba, estilo cubano, sem esconder a emoção e as lágrimas.

Adrianne foi apresentada por Hugh Herr, diretor de biomecânica da fundação TED. Ele lançou uma pesquisa que tomou 200 dias estudando as dinâmicas da dança – como os dançarinos se movimentam e onde a força é aplicada enquanto o fazem. Os resultados foram aplicados na prótese dada à norte-americana.

PERSONAGENS DA TRAGÉDIA

  • Reprodução/The Boston Globe
    Irmãos que assistiam à Maratona de Boston perdem uma perna cada um
  • Reprodução/Facebook
    Estudante chinesa morta na Maratona de Boston é identificada
  • Reprodução/Boston Globe
    Criança de 8 anos morta em ataque esperava o pai na chegada da maratona
  • Charles Krupa/AP
    Homem que tentou suicídio após filho morrer no Iraque vira herói
  • Reprodução/Facebook
    Mulher de 29 anos é a segunda vítima fatal da Maratona de Boston
"Em 3,5 segundos os criminosos tiraram Adrianne do salão de dança. Em 200 dias, a colocamos de volta", discursou Herr, ele próprio um biamputado após um acidente de escalada nos anos 1980.

O ataque

Ela e seu marido Adam Davis, um soldado da Força Aérea dos EUA que havia acabado de voltar do Afeganistão, estavam assistindo à competição próximos à linha de chegada.
Em entrevista ao canal de TV ABC Adrianne afirmou que não percebeu instantaneamente que foi ferida. "Não senti o calor da bomba. Apenas senti o ar se deslocando e, por isso, caí no chão", contou.

Julgamento

O julgamento de Dzhokhar Tsarnaev, acusado de ser responsável junto a seu irmão pelo duplo atentado que deixou três mortos durante a maratona de Boston em 2013, começou em 3 de novembro.