sábado, 3 de maio de 2014

Caminhos interrompidos

Famosa por seu planejamento urbano, Brasília exibe calçadas cheias de falhas, uma sinalização específica quase ausente e um conjunto ínfimo de profissionais para atender os mais de 500 000 deficientes que moram no DF.

               (Foto: Roberto Castro)
              
Entorno do Estádio Nacional: para entrar na arena, só passando pelo gramado ou pelo estacionamento.

Inaugurada dois anos antes de Brasília, a 308 Sul foi, desde o seu início, considerada o modelo ideal para as outras superquadras do Plano Piloto. Com paisagismo de Burle Marx, invejável infraestrutura de lazer e espaços bem definidos, ela até hoje recebe turistas que chegam para conhecer, na prática, o projeto urbanístico de Lucio Costa. Existe um ponto, no entanto, em que a 308 Sul está longe de ser referência positiva. Os moradores mais idosos e, especialmente, os 25 deficientes físicos que ali habitam encontram muitas dificuldades de locomoção. O dia a dia deles é marcado pelo desafio de encarar calçadas desniveladas e quebradas, sem rampas que facilitariam o deslocamento de quem anda em cadeira de rodas. Chegar à Igreja Nossa Senhora de Fátima, por exemplo, tornou-se uma via-crúcis. “A área é impraticável para pessoas com essas características. Isso é modelo para quem?”, reclama Edmilson Magalhães Filho, prefeito da quadra. Para vários deficientes, resta atravessar muitos trechos pelo asfalto, dividindo o espaço com os carros.

Infelizmente, as adversidades não ficam restritas a essa zona simbólica de Brasília. Nem são exclusivas dos cadeirantes. Em todo o Distrito Federal faltam rampas, meios-fios rebaixados, semáforos sonoros e pisos táteis. Além disso, são escassas as informações em braile, sistema de leitura para cegos, e raros os profissionais disponibilizados para ajudar os cidadãos surdos por meio da língua brasileira de sinais (Libras). Em resumo, não estamos prontos para dar aos deficientes físicos as condições mínimas de deslocamento. E, ao contrário do que muitos acreditam, essa parcela da população é bem grande. De acordo com o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 573.800 indivíduos no DF com algum tipo de deficiência — ou cerca de 20% dos moradores da capital. Nesse universo, 365.568 pessoas, ou seja, 63,71%, sofreram perdas visuais sérias. Em seguida, vêm aquelas com dificuldades motoras. Elas totalizam 103.399, ou 18,02% do conjunto. As estatísticas ainda relacionam 82.685 deficientes auditivos (14,41%) e 22 091 habitantes (3,85%) com déficit intelectual.


Para saber como membros dos três grupos majoritários de deficientes têm a vida afetada pela formatação da capital, VEJA BRASÍLIA realizou um teste com um representante de cada uma dessas limitações físicas. Eles percorreram três roteiros no centro da cidade, muito frequentados por moradores e turistas (confira os detalhes no quadro acima). Todos usaram como ponto de partida a Rodoviária do Plano Piloto e seguiram para sentidos diversos. O primeiro, via Esplanada dos Ministérios, tinha como destino a Praça dos Três Poderes. No segundo, o traçado cortava o Setor Comercial Sul e acabava no Shopping Pátio Brasil. O Setor Hoteleiro Norte e o Estádio Nacional estavam na rota do terceiro.

A saída inaugural foi com Izana Barbosa, funcionária pública que perdeu o movimento das pernas após um acidente de carro há dezessete anos. Na época, iniciava carreira como modelo e estava grávida de dois meses. Mesmo com a grave lesão na coluna, não houve problema com o bebê, que nasceu saudável. Hoje ela não reclama de sua condição, mas admite que a cidade ainda tem muito que melhorar. “Para evitar as ruas, saio sempre de carro e desço próximo de onde quero chegar”, explica Izana, proprietária de um veículo automático com freio e acelerador manuais. Durante o teste, obstáculos, como carros mal estacionados, impediram a livre circulação no Setor Comercial Sul. O trajeto até a Praça dos Três Poderes, que leva meia hora para um pedestre comum, durou o dobro do tempo para a cadeirante. Entrar em pontos turísticos como o Museu da Cidade ou o Espaço Lucio Costa, apenas se usasse as escadas — com a ajuda de outras pessoas, claro. Ao seguir para o Estádio Nacional Mané Garrincha, os mesmos problemas de infraestrutura. A cereja do bolo? Bem adaptada para receber deficientes em suas dependências internas, nossa arena da Copa não oferece calçadas de acesso do lado de fora. Izana terminou o passeio com sua cadeira enlameada.

As histórias de superação são marcantes na vida dessas pessoas. Cego desde o nascimento, devido a uma disfunção genética, o técnico em informática Leonardo Moreno já caiu e levantou sozinho muitas vezes por não saber onde estava pisando. Para facilitar os deslocamentos, sua família se cotizou e comprou um cão-guia, um labrador que custou 25000 reais. Ao lado do animal, o rapaz estava consciente de que tanto o trajeto pela Esplanada quanto o do estádio seriam obstáculos difíceis em sua condição. Dependo dos motoristas para que me avisem e parem para eu atravessar a rua. Algumas vezes, tive de esperar mais de quarenta minutos”, diz Moreno. Ao cruzar o Setor Comercial Sul, a dificuldade a ser vencida era o desrespeito dos frequentadores da região. Uma vergonha.

Mesmo para quem enxerga e anda sem problemas não é fácil se deslocar pelo Plano Piloto. No trajeto realizado por Renata Rezende, professora de Libras no Instituto Federal de Brasília e surda desde os 4 anos em decorrência de uma meningite bacteriana, a acessibilidade ficou comprometida de outra forma: pela falta de comunicação. Por não ser oralizada, Renata não faz leitura labial e sofre para ser atendida em instituições públicas e privadas. Na Rodoviária, após muita mímica para explicar no guichê de informações que gostaria de ir à Praça dos Três Poderes, desistiu. Na Feira da Torre, o mesmo ocorreu na praça de alimentação. Passeios culturais, nem pensar. “Só há intérpretes em eventos especialmente voltados para os surdos. Ao resto, não temos condição de comparecer”, lamenta Renata, em tradução feita por Lenilson Costa, especialista que a auxilia em locais abertos.

O panorama é igualmente desalentador quando essas pessoas precisam usar o transporte público. Embora o número de ônibus com entrada especial para deficientes tenha saltado de 950 para 3000 nosúltimos nove meses, poucos cadeirantes se beneficiam dos novos veículos. Quando se arriscam, é comum ouvirem de condutores que o elevador está quebrado ou que eles não sabem operar o maquinário. No metrô, a estrutura também existe e, nesse caso, funciona bem. Mas os trens ainda são evitados por grande parcela de moradores com deficiência. Como os vagões lotam em horários de pico, eles se ressentem de atrapalhar o fluxo e sofrem com a falta de assistência dos usuários nesses momentos.

Na comparação com outras metrópoles, fica ainda mais evidente o descaso de Brasília, e do DF, com o público deficiente. Salvador, também sede de uma área considerada Patrimônio da Humanidade, passou por uma série de modificações, em 2013, para tornar as atrações do Centro Histórico acessíveis a qualquer visitante. Atualmente, a região do Pelourinho tem calçadas com rampas e corrimões, ruas revestidas em pedras niveladas e meios-fios rebaixados. Fora do Brasil, Paris talvez seja a maior referência. Lá, existem bairros inteiros preparados para receber pessoas com qualquer problema físico. Antes de sair de casa, o deficiente pode se informar sobre mais de 1600 pontos turísticos com equipamento e acessos específicos e, também, sobre linhas de transporte com facilidades.

Admitindo o quadro desfavorável, setores do governo se movimentam para alterar essa realidade. Desde o ano passado, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus) implementa o programa Viver sem Limites, que reúne 35 projetos voltados aos deficientes físicos. Um dos carros-chefe é a Central de Intérpretes, na qual cinco especialistas em Libras se esforçam para auxiliar mensalmente cerca de 1000 pessoas com problemas auditivos. Além do atendimento pessoal e via redes sociais, a instituição dispõe de um carro para acompanhar os deficientes em hospitais e fóruns. Outra iniciativa é o disque-acessibilidade. Ao ligar para o número 2104-1173, pode-se denunciar qualquer espaço público ou privado que não seja adaptado. No âmbito turístico também há novidades. Apesar de ter sido cancelado o investimento de 6,3 milhões de reais em acessibilidade nos principais monumentos da capital, a Secretaria de Turismo (Setur) deve lançar ainda neste ano o projeto Pegadas de Brasília. “O objetivo é criar diversos circuitos preparados para esse público”, afirma Luis Otávio Neves, secretário da pasta. Não será até a Copa que transformaremos a capital num modelo de atendimento aos que apresentam necessidades especiais. Mas, com vontade política e colaboração popular, quem sabe faremos a cidade se destacar, num futuro próximo, como bom exemplo de planejamento para todos. Todos mesmo. 
Travessia na Esplanada: numa área sem faixa de pedestres, é preciso usar a força dos braços para não ser atropelado (Foto: Michael Melo)
Rodoviária do Plano Piloto: as plataformas não condizem com os novos ônibus acessíveis (Foto: Michael Melo)
Costa e Renata: conhecer as atrações da Esplanada depende do auxílio de um intérprete particular (Foto: Michael Melo)
Renata e um dos responsáveis pelo guichê de informações da Rodoviária do Plano Piloto: tentativas infrutíferas de estabelecer um diálogo (Foto: Michael Melo)
Moreno ao cruzar uma via onde o Eixo Monumental se encontra com a W3 Norte: insegurança em pleno Setor Hoteleiro (Foto: Michael Melo)
Comércio sobre o piso tátil: os benefícios raros perdem seus efeitos se a população não colabora (Foto: Michael Melo)
Fontes: Veja Brasília - fernandazago.com.br

Bebê com 'ossos de vidro' morre dentro de casa, em Goiânia

Menino viveu no hospital até 1 ano e 5 meses, quando teve alta médica.

                                                           (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
                        Bebê com 'ossos de vidro' permanece em hospital de Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) 

  
O bebê de 1 ano e 8 meses, diagnosticado com uma doença rara popularmente conhecida como ‘ossos de vidro’, morreu na manhã desta sexta-feira (2), em Goiânia. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado por volta das 9h, mas os socorristas não conseguiram reanimar a criança. A suspeita é de que a criança tenha tido complicações em decorrência de uma pneumonia. Segundo a pediatra que acompanha o bebê, Paula Pires, há duas semanas, ele foi internado na UTI do Hospital da Criança com um quadro grave da doença. Recebeu alta uma semana depois, mas, já em casa, voltou a ter sintomas como febre, vômito e tosse constante.

Por ser extremamente frágil e exigir cuidados especiais, o bebê viveu no hospital até 1 ano e 5 meses, e só ganhou alta médica no último dia 17 de fevereiro, quando foi levado para a casa da avó materna, Juraci Quintino, no Setor Caravelas, na capital. Ela conseguiu na Justiça a guarda provisória da criança depois que a mãe alegou não ter condições de criá-la e disse que iria colocá-la para adoção.

 De acordo com Juraci Quintino, o neto acordou tossindo muito, fraco e não conseguia respirar direito. Quando o Samu chegou, ela conta que o menino não apresentava mais sinais de vida. Os socorristas tentaram reanimá-lo por cerca de 30 minutos, mas o bebê não resistiu. "Ele já estava comigo há três meses e agora saiu assim, tão rápido. Não quero aceitar", disse Juraci ao G1.
Como morreu em casa, o corpo do menino foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) e, até as 13h30, ainda não havia previsão de quando seria liberado. O velório e o enterro serão na casa da avó paterna, na cidade de Avelinópolis, a cerca de 60 km de Goiânia.

 Por causa da enfermidade, o bebê nasceu, no dia 30 de agosto de 2012, com inúmeras fraturas pelo corpo, razão pela qual foi levado diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Durante nove meses, o menino respirou com a ajuda de aparelhos.

Mesmo na UTI, o bebê quebrou o braço duas vezes ao brincar com um chocalho. Quando teve alta médica, a fisioterapeuta Fernanda Ameloti Gomes Avelino, que cuidou da criança, explicou que ele entendia tudo e tinha um funcionamento cerebral bom.
A história da criança ganhou repercussão e mobilizou campanhas de doações. Ainda no hospital, o bebê recebeu ajuda e um dos voluntários, inclusive, pagava o plano de saúde para ele.

Para receber a criança, a avó reformou a casa e contou com a ajuda de vizinhos.Os cômodos foram pintados e a sala se transformou no quarto do bebê e dos avós, que devem dormir no mesmo cômodo. Juraci também comprou um guarda-roupa novo para guardar as coisas do menino. A maioria foi doada enquanto ele estava no hospital. Todas as doações que o bebê ganhou foram levadas para a residência, entre elas, o berço e um ursinho, que era o brinquedo preferido dele.

Juiz ameaça prefeito de Jacarei de prisão por descumprir ordem


Imagem Internet/Ilustrativa

O juiz da Vara da Fazenda Pública, Eurípedes Gomes Faim Filho, ameaçou de prisão o prefeito Hamilton Mota, por estar se negando a cumprir ordem judicial. O juiz enumerou os casos em que a lei pode ser aplicada para punir atos de desobediência (improbidade, crime de responsabilidade, infração penal). 

O processo originou-se no pedido de uma cadeira de rodas e a liminar obtida pelo advogado José Francisco Ventura Batista, deu 10 dias de prazo para ser cumprida, sendo ignorada pela prefeitura. Ao tomar ciência do fato, o juiz Faim Filho, enumerou as infrações a que está sujeito a responder o prefeito Hamilton Mota, destacando sem seu despacho: 

“O autor apresentou requerimento administrativo, onde a municipalidade reconheceu a necessidade da cadeira de rodas e tomou providências para fornecimento. No entanto, observamos falhas administrativas que resultaram em demora exagerada para entrega da cadeira de rodas. O equipamento é necessário para garantir a saúde e bem estar do requerente, que não pode mais suportar a demora no fornecimento. Ante o exposto, defiro a antecipação dos efeitos da tutela determinado a entrega de cadeira de rodas adaptada, observadas as prescrições dos profissionais habilitados, no prazo de 10 dias”. 

Após fixar multa diária de R$10 mil, o juiz ressaltou que a multa vai apenar o contribuinte, pois é o Município quem paga pela desobediência, resolvendo substitui-la pela ordem de prisão nos seguintes termos:

“Portanto, se o Prefeito não cumprir esta ordem, expeça-se novo mandado URGENTE de condução coercitiva até o Tribunal de Justiça para que esse delibere sobre eventual prisão em flagrante, bem como oficie-se ao Ministério Público para as providências cabíveis”. (Processo nº 1000115-16.2014.8.26.0292)


Fonte: imprensajacarei.com.br - Imagem Internet/Ilustrativa

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Não tem rampa

POR JAIRO MARQUES

No final de semana, assisti a um vídeo que mostra o sufoco de um cadeirante no Paraná ao tentar atravessar uma via que não possuía rampas. Ele precisava vencer duas pistas, chegar ao canteiro e atravessar outras duas faixas de rolamento.

Convencido de que seria “complicoso” demais a travessia, após alguns minutos tentando pensar em uma saída, ele resolver apelar e pedir socorro aos motoristas que passavam pelo local para darem a ele uma “mãozinha”.

O vídeo é bem simples, meio rústico, longo, mas tem uma mensagem que fazia tempo não me incomodava tanto: o quanto a ausência de planejamento urbano, visando a acessibilidade, prejudica duramente a vida das pessoas com deficiência.

Para assistir o vídeo, clique AQUI

Digo que fazia tempo eu não sentia o “impacto” porque, pelo fato de eu ter hoje uma condução (uma Kombi veia ), ser privilegiado de ter um bom emprego, poder parar em locais onde sempre tem alguém para me dar um ‘help’, às vezes, foge de mim a situação crua.

A realidade ainda é a que o “Pastelzinho”, o camarada cadeirante do vídeo, exibe e relata: rampas de acesso ainda são “esquecidas”, o direito à inclusão ainda é relegado e o povo “malacabado” ainda é humilhado ao tentar “caminhar” pela rua.

Para quem anda normalmente, talvez, o absurdo da situação não seja sentido com todo o asco que ele tem poder de provocar. Saber que sua vida é paralisada por meio metro de concreto em desacordo com a lei, provoca uma sensação de impotência desconcertante.

Quando o poder público ou um comércio, estabelecimento privado não dão condições amplas de acesso (ou mesmo algo simples, se for o caso, como UMA rampa), está se apartando seres humanos do básico, que é poder desfrutar da LIBERDADE de ir e vir.

Apartar um “serumano” da capacidade mínima de ter autonomia, um dia, ainda vai ser considerado crime grave tamanho o desassossego, a angústia e o abalo que provocam em gente que só busca o que é básico do viver.

Fonte:assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br

Curso para assistentes sexuais de pessoas com deficiência

Apresento a vocês meus amigos, a novidade do momento, o site suíço SECARE.CH, o primeiro site a oferecer curso de formação para garotas de programa que quer aprender a “dar” prazer para deficientes físicos!


O curso custa em cerca de 370€ e é dedicado para meninas que já trabalham na profissão, e que desejam ampliar a sua lista de clientes.


Para quem gostou da novidade os idealizadores do site Isabelle Andreas e Schürch Koelbl oferece dois meses de publicidade no portal para as meninas que completarem o curso.

A Isabelle explica o porquê da iniciativa: ”O objetivo de nosso trabalho é deixar claro o fato de que uma pessoa com deficiência pode ter relações sexuais, assim como uma pessoa saudável”. www.sexcare.ch

Fontes: Ser Lesado - tetraplegicos.blogspot.com.br

Escolas dão exemplo de acessibilidade e inclusão

Escolas e instituições de ensino têm a obrigação social de atender todos os alunos, sejam eles pessoas com deficiência, ou não.

                                  

Escolas estaduais e municipais de Manaus e Curitiba têm ótimos exemplos de preocupação com acessibilidade e inclusão do aluno com deficiência visual. São ações simples que fazem uma diferença muito grande na vida do aluno.

Em Manaus, professores recebem treinamento para atender alunos com deficiência visual através do Projeto Atendimento Educacional Especializado, que ensina professores da rede pública municipal a lecionarem com o sistema braille para alunos cegos ou com baixa visão.

O projeto recebe do MEC alguns materiais essenciais para os alunos, como lápis adaptados, material em Braille e bengala e também é responsável pela criação de materiais especiais, como livros programas de computadores.

Outro bom exemplo acontece no estado do Paraná, onde 250 escolas estaduais e municipais contam com salas de recursos com atividades multifuncionais na área visual para alunos cegos e de baixa visão.

As aulas, que acontecem no contraturno, são focadas na área visual e desenvolvidas com acompanhamento pedagógico, com atividades de orientação e mobilidade, vida autônoma, braille, soroban, entre outras.

Ficamos na torcida para que mais exemplos como este existam em escolas de todo o Brasil.


Tecnologia facilita a vida dos deficientes visuais

       

A tecnologia assistiva – aquela que transforma a vida de pessoas com necessidades especiais – é uma área que avança a passos largos e contínuos; sempre há novidade e gente inteligente quebrando a cabeça para melhorar a vida de quem realmente precisa. 

Entre os deficientes visuais, uma ferramenta muito popular é o leitor de tela para computadores. O software de interação via áudio com o micro permite que o cego tenha uma vida online completa, mas essa inclusão digital promete ganhar uma nova realidade com a linha braile.

A linha braile é a conexão direta e completa do deficiente visual com o mundo digital; claro, em braile.

"É bem mais importante porque a gente tem acesso à grafia e ela nos dá autonomia porque tudo na tela está em braile", afirma Wilcler Vieira, analista de suporte / Tecassistiva.

"Avançando ou retrocedendo, você tem acesso a todo o texto que está ali no computador, com várias linhas de atalho, que são facilmente compreensíveis", conta Alessandro Augusto, diretor comercial / Tecassistiva.

De volta ao mundo offline, outros equipamentos também já disponíveis no Brasil contribuem bastante para uma maior autonomia dos deficientes visuais. Um bom exemplo é este leitor autônomo... "Você coloca o documento em cima do equipamento. Ele nem tem tampa, então é muito fácil de utilizar, passando a ler o arquivo automaticamente", afirma Augusto, diretor comercial / Tecassistiva.

Através de uma microcâmera e um software de reconhecimento de texto, o equipamento fotografa o documento e o transforma em áudio para que o usuário possa ouvir o que está escrito.

"Fica muito difícil ler as correspondências que chegam em sistema comum sem uma pessoa para ler para a gente. Com o scanner, nós passamos a ter autonomia".

Todos esses equipamentos são importados (e caros), mas já contam com um incentivo do governo para a redução de impostos e diminuição dos custos. As linhas brailes e os leitores autônomos já podem ser encontrados em algumas redes de ensino e até em instituições, como é exemplo o Sesc de Sorocaba, no interior de São Paulo.

Aqui a biblioteca está equipada com um scanner com as mesmas funções do leitor autônomo. O equipamento é capaz de reconhecer e ler qualquer texto...

"Esse equipamento facilitou muito o acesso porque eles podem vir à biblioteca e utilizar qualquer livro através do equipamento", diz Tatiana Amorim, bibliotecária / SESC Sorocaba.

Outro novo dispositivo que chama a atenção é esta máquina fusora. A máquina oferece uma experiência tátil para o cego além do braile. Com ela, o deficiente visual é capaz de, por exemplo, reconhecer um desenho, uma planta de um apartamento e até uma assinatura.

"É a reação deste papel especial com a tinta preta - que contém muito carbono - e na temperatura correta, dá este alto relevo. Isso dá a possibilidade de uma pessoa com deficiência visual aprender geografia e geometria", afirma Augusto, diretor comercial / Tecassistiva.

Segundo o IBGE, no Brasil são mais de sete milhões de cegos e outros 21 milhões de pessoas com baixa visão. A tecnologia, na medida em que se populariza e se torna acessível à essa população, é uma ferramenta indispensável para devolver a autonomia e oferecer uma nova realidade ao deficiente visual.

Aqui no Olhar Digital, a gente já publicou uma série muito interessante sobre tecnologia assistiva. Se você perdeu ou quiser rever as matérias, acesse nosso site. Os links estão logo abaixo do vídeo desta reportagem. Aproveite e deixe seus comentários no nosso fórum...participe!

Click AQUI para assistir o vídeo.

Fontes: Olhar digital - fernandazago.com.br

Acessibilidade nos hotéis: hospede essa ideia

                        A acessibilidade em hotéis para deficientes visuais, geralmente está relacionado à cegos, quase nunca se pensam em pessoas com baixa visão
A acessibilidade em hotéis para deficientes visuais, geralmente está relacionado à cegos, quase nunca se pensam em pessoas com baixa visão 

Eu sempre gostei muito de viajar, principalmente depois de adolescente quando pude passar a escolher para onde eu iria. Faço isso menos do que gostaria, devido ao tempo curto e às vezes por questões financeiras. Contudo, minhas incursões por terras nunca antes visitadas – pelo menos por mim – são cada vez maiores. Isso me causa muita alegria, e ao mesmo tempo tenho a necessidade de aumentar a minha dose de paciência. Afinal, muitas instalações como hotéis, bares e restaurantes ainda carecem muito de acessibilidade, o que me causa certos embaraços.
É sobre a falta de acessibilidade que eu pretendo falar, pois não creio que seja de interesse coletivo minhas aventuras turísticas pelos cantos do mundo. Quando a viagem é feita com alguma companhia as coisas ficam mais fáceis, já que aquela pessoa que está comigo pode ajudar a evitar algumas dificuldades com relação à acessibilidade. Mas as coisas pioram quando estou sozinho por alguma eventualidade ou por se tratar de uma viagem de trabalho, por exemplo. O assunto é sério e grave, e ainda nos causa dificuldade, mas muitas situações acabam sendo cômicas por serem trágicas – ou vice versa.
Vou contar duas delas antes de analisar a situação dos hotéis que já encontrei por esse Brasil afora.
Lembro da vez em que estava fazendo meu check-in e estava um tanto… apertado para usar o sanitário. Como todo o processo demorou muito, comecei a verificar onde eu poderia encontrar um desses ambientes no hall do hotel, e como os funcionários estavam ocupados eu não poderia contar com eles. Em um ato um tanto desesperado, vi que havia uma porta que para mim – o que não significa que de fato parecesse a todos – era semelhante a uma porta de banheiro. Entrei rápido pois a situação estava crítica, e em ato continuo fui já tomando “providencias iniciais” quando de repente percebi que entrei na cozinha e não no banheiro. Fui veloz em contornar o fato e solicitar que me indicassem o wc, usado a tempo, felizmente.
Outra vez, estava no restaurante do hotel e como sempre faço, perguntei se havia cardápio em braile – eu sei que não há mas sempre pergunto -, eis que quando perguntei ao garçom ele sai sem que eu possa continuar a conversa. Retorna rapidamente com uma expressão de regozijo e felicidade:
- O senhor vai ser o primeiro a usar nosso cardápio em braile.
Com uma certa dose de surpresa e achando a situação engraçada, disse:
- Desculpe, não vou não. Eu não sei ler em braile, eu só perguntei se tinha o cardápio adaptado, não disse que eu queria usar…
Cheguei a ficar com pena do sujeito quando vi seu semblante de frustração, mas fazer o que, eu tenho baixa visão e se ele tivesse um cardápio com fontes ampliadas eu usaria. Acabei fazendo como sempre e pedindo uma A la minuta, afinal como a gente não consegue ler os cardápios sempre pede os pratos que são comuns e existem em todos os lugares.
Bem, eu devo dizer que na maioria dos hotéis em que estive os funcionários foram sempre solícitos. Mas, nem sempre a solidariedade e o bom tratamento resolvem as coisas. Eu tenho a mania de querer fazer tudo que for possível sozinho, e por mais tempo que eu leve para conseguir algo, pelo menos terei feito de modo autônomo. Então, acessibilidade não é apenas ter um funcionário que faça as coisas por mim, mas ser um local em que eu possa fazer tudo por conta própria sem precisar de auxilio extra estando ao sabor da boa vontade ou da disponibilidade de um colaborador do hotel.
Assim, sempre dispenso ajuda para encontrar o quarto onde eu devo me hospedar, mesmo que seja no 19º andar como já ocorreu. Por mais que as normas técnicas (NBR9050) estabeleçam regras de sinalização acessível, a maioria delas é ignorada pelos hotéis. As sinalizações nos andares são precárias com letras pequenas e tão fora do campo visual adequado e sem contraste, que se essas informações não estivessem ali daria no mesmo.
A iluminação nos andares são sempre mais fracas que o ideal, o que dificulta ainda mais a leitura de informações importantes. Encontrar o próprio quarto é uma aventura muitas vezes estressante, pois na imensa maioria, a numeração dos quartos são em tamanho muito pequeno e sem contraste, ou como dito antes em uma altura que torna impossível a leitura. Eu sempre tento achar sozinho até o último instante de paciência e até hoje eu nunca deixei de encontrar, por mais tempo que demorasse.
Entrando no quarto…
Os quartos são outras “pérolas” em termos de acessibilidade. Muitos deles são pequenos o que até facilita encontrar as coisas pois o universo espacial é menor. Contudo, a dificuldade é grande em conseguir achar uma tomada, travesseiros e cobertas, o controle da TV ou mesmo a própria TV. Quando há ar-condicionado então… nem tente ligar. Primeiro porque não há instruções claras, segundo que as letras são muito pequenas e se você não deseja ficar em uma sauna ou em um frigorifico, é melhor deixar quieto.
A luminosidade de TODOS os quartos em que me hospedei me fizeram sentir como se estivesse em uma boate, pois a maioria delas é fraca e não são com foco direto. Ou seja, para quem tem baixa visão a iluminação que é fator fundamental, torna-se uma das maiores dificuldades, pois a simples atividade de usar o computador ou ler algo torna-se uma tarefa epopéica. É um pouco complicado para mim que lido justamente com a leitura como minha ferramenta de trabalho ficar esse tempo sem estudar. Gostaria tanto de encontrar quartos mais iluminados e que me ajudasse e não me atrapalhassem em tarefas simples mas fundamentais como usar meu notebook, por exemplo.
Outra dificuldade agravada pela situação relatada acima, são os folhetos, cardápios e folders disponibilizados pelos hotéis. Sejam materiais de boas-vindas, de instrução de funcionamento do estabelecimento, cardápio do room service ou informações turísticas, todas elas escritas com fontes pequenas e sem muito contraste.
Isso significa que na maioria das vezes nós ficamos sem as informações que poderíamos e que gostaríamos de ter por falta de acessibilidade. Não creio que seja tão difícil disponibilizar exemplares dos materiais em braile ou em fontes ampliadas. Sempre pergunto se existem, mas em nenhum local consegui encontrar.
Como poderei saber os pontos turísticos, telefones úteis ou se no meio da madrugada der fome, o que eu posso pedir? Mais que isso, estando a trabalho, se tiver que lavar ou passar roupa no hotel, como proceder? quanto pagar? Como usar o telefone para ligar para casa ou sabe-se lá para onde?. Seja como for, estamos mal nesse quesito.
Apesar disso tudo eu continuo gostando de viajar, mesmo sabendo que a hospedagem é sempre uma aventura com grande dificuldade na acessibilidade. Eu continuarei tentando até que eu consiga encontrar um hotel plenamente acessível, ou mesmo ajudar a colocar a questão para reflexão de gestores e proprietários desse tipo de estabelecimento. Por fim eu proporia aqui uma reflexão: imaginem se  um hotel investisse maciçamente em acessibilidade de todos os modos, talvez fosse um “gasto” grande no principio, mas… se pensado a longo prazo, usando os instrumentos midiáticos e divulgando às pessoas com deficiência que em tal cidade existe um hotel acessível, será que deixariam de se hospedar em um hotel como esse? Será que se pensassem nas pessoas com deficiência visual como um grande público consumidor a ser conquistado e fidelizado a acessibilidade não seria entendida como custo, mas como investimento? Eis perguntas que carecem de respostas.
Fontes: Arte, Cultura e Deficiência Visual - turismoadaptado.wordpress.com

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Adaptware – moda e acessórios adaptados

Bolsa Canguru Adaptwear facilita o cotidiano dos cadeirantes

Criada em 2013 pela administradora Ana Cristina Ekerman, a Adaptwear é voltada para pessoas com restrições físicas que se preocupam em se vestir bem e buscam roupas que aliam conforto com as tendências da moda, aumentando, assim, a autoestima das pessoas com deficiência.

Com modelagem adaptada, o objetivo da marca é facilitar o dia a dia de pessoas com restrições físicas perenes ou temporárias e seus cuidadores.

A Adaptwear, marca de moda voltada para deficientes físicos e pessoas com restrição de mobilidade perene ou temporária, apresenta mais um lançamento para auxiliar o dia a dia de seus usuários: a bolsa canguru, desenvolvida especialmente para ser utilizada embaixo da cadeira de rodas e oferecer mais conforto ao cadeirante.

Com regulagem feita por tiras de velcro ajustáveis, a bolsa se adapta à cadeiras entre 36 cm e 56 cm de largura. É confeccionada em borracha resistente, o que promove uma maior durabilidade, e possui furos no material, permitindo o fácil escoamento de líquidos.

Além disso, acompanha uma nécessaire de fácil manuseio, que não se solta, pois é  ligada à bolsa por meio de uma presilha retrátil e mosquetão de metal – disponível nas cores azul, prata, roxo, verde, vermelho e laranja. Um dos destaques é o puxador diferenciado para o encaixe dos dedos, que viabiliza o uso de quem tem problemas de coordenação fina das mãos.

Entre todas as vantagens, a bolsa canguru Adaptwear também é excelente para a segurança e proteção dos pertences do cadeirante, uma vez que este ganhou mais autonomia e independência, circulando ativamente por todos os lugares, mas ainda assim, está passível de roubos e pequenos furtos.

Sempre pensando no conforto e bem estar, a Adaptwear apresenta uma gama de peças para as mulheres que estão amamentando. São modelos contemporâneos e versáteis, que aliam beleza à praticidade da peça e dão um charme todo especial ao look. A regata, com três padronagens de estampas – como o floral, étnico e o animal print – tem fechamento em velcro nos ombros, o que garante total praticidade às lactantes.

Para as mais clássicas, a blusa sem manga Miami promete arrematar o visual com apliques brilhantes nos ombros que harmonizam perfeitamente ao tom das peças: coral ou preto.
Já o vestido Búzios é a aposta para os dias mais quentes, oferecendo leveza e feminilidade à lactante. Nas cores preto e coral, são a promessa de muito estilo para as mamães de plantão.

Prático e versátil, o acessório prioriza a segurança e é equipado com necessaire presa por um mosquetão colorido.

Regata adaptada da Adaptwear facilita o dia-a-dia da amamentação




Aprovada em primeiro turno a PEC que prevê que poder público garantirá educação especial

       
         Imagem Internet/Ilustrativa
         

Por unanimidade, a Assembleia Legislativa aprovou, em primeiro turno, na sessão da tarde desta terça-feira (29), a Proposta de Emenda à Constituição 227 2013, do deputado Adolfo Brito (PP) e mais 34 parlamentares, prevendo que o Poder Público garantirá educação especial às pessoas com deficiência e às pessoas com altas habilidades, em qualquer idade, nas modalidades que se lhe adequarem. A proposta também prevê que o Executivo fará constar em lei orçamentária anual os recursos financeiros para apoiar as entidades mantenedoras para a consecução dos objetivos previstos, inclusive para a cobertura de despesas de custeio, parametrizadas pelo número de alunos matriculados. A proposta ainda precisa ser aprovada em segundo turno, com um intervalo de três sessões plenárias.
Em sua justificativa para a proposta, o deputado Adolfo Brito destaca que, além de garantir o regime jurídico imprescindível para que o Poder Público faça constar nas leis orçamentárias os recursos necessários para a garantia da preservação do atendimento, ela vai ao encontro dos anseios sociais e das preocupações de pais, professores e comunidade apoiadora das APAEs.
Da tribuna, o autor da proposta usou da palavra para saudar representantes das APAEs presentes nas galerias do pleário e agradecer pelo trabalho dos parlamentares de todas as bancadas para que se chegasse ao projeto. Também utilizaram da tribuna os deputados Frederico Antunes (PP), Marisa Formolo (PT), Alexandre Postal (PMDB), Jorge Pozzobom (PSDB), Pedro Pereira (PSDB), Catarina Paladini (PTB), Luís Augusto Lara (PTB), Jeferson Fernandes (PT), João Fischer (PP) e Paulo Odone (PPS), que destacaram a importância da matéria, cumprimentando o deputado Adolfo Brito pela iniciativa.
Dia do Torcedor Colorado
Também por unanimidade foi aprovado o PL 385 2013, do deputado Paulo Borges (DEM), instituindo no calendário oficial do Estado o “Dia do Torcedor Colorado”, a ser comemorado, anualmente, em 17 de dezembro, data em que o Sport Club Internacional, em 2006, conquistou o título de Campeão Mundial da FIFA, diante do Barcelona.
A votação foi acompanhada das galerias do plenário por dirigentes colorados, inclusive do presidente Giovanni Luigi. Da tribuna, o autor do projeto, deputado Paulo Borges, destacou as conquistas da equipe gaúcha. Os deputado Frederico Antunes (PP), Alexandre Postal (PMDB) e Jorge Pozzobom (PSDB) usaram da palavra para manifestarem seus votos favoráveis e parabenizarem o deputado Paulo Borges e o Internacional.
Leite Compensado
Da Mesa Diretora da Casa, por sugestão do deputado Heitor Schuch (PSB), foi aprovado o requerimento ( RCR 2 2014) para a constituição de uma Comissão de Representação Externa, com o objetivo de acompanhar os desdobramentos junto ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e aos órgãos públicos dos governos federal e estadual, da Operação Leite Compensado, que investiga vários casos de adulteração do produto, especialmente no Rio Grande do Sul. A Comissão também terá como finalidade propor soluções e a criação de mecanismos para a fiscalização e punição efetiva dos responsáveis, a fim de que se impeça o surgimento de novos casos. A proposta foi aprovada por unanimidade.
Fontes: JusBrasil - deficienteciente.com.br

Daniel Dias nada sete provas, fatura sete ouros e é eleito o melhor nadador do Open Caixa Loterias

        


O nadador paulista Daniel Dias disputou duas provas no sábado, 26/04, último dia de competição do Open Brasil Caixa Loterias de Atletismo e Natação, na piscina do clube Hebraica, e fechou com chave de ouro a sua participação com mais dois ouros: 50m borboleta e o revezamento 4x50m livre. Além deste sábado, ele também triunfou nos 50m livre, 100m livre e nos 50m costas (classe S5), e mais três revezamentos durante os três dias de competição na capital paulista. Assim, com 100% de aproveitamento, ele se credenciou para ganhar o prêmio de melhor atleta do Open Caixa Loterias.

O atleta que treina em Bragança Paulista reconhece que poderia ter feito melhor, mas faz um balanço positivo da sua participação. “Por não estar 100%, fui muito bem. Cometi pequenos erros em algumas provas, mas sinto que estou no caminho certo”, ressaltou. O atleta ajudou o Brasil a ficar em primeiro lugar no quadro geral de medalhas do torneio com 126 medalhas, sendo 48 ouros, 48 pratas e30 bronzes. “Gosto de ajudar o meu país. Dentro da natação paralímpica, da forma que eu puder, continuarei ajudando”, ressaltou.

A premiação individual, oferecida pela Caixa Loterias, agraciará o campineiro com 3.000 euros (cerca de R$9 mil). Em 2013, ele também assegurou a premiação e observou uma evolução dentro do Open. “Com os Jogos Paralímpicos do Rio-2016 os estrangeiros estão vindo competir. Isso deixa o Open mais acirrado e é uma questão que eu, como atleta, fico muito contente”, afirmou.

Time São Paulo
Daniel Dias é atleta do Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado do Direito das Pessoas com Deficiência de São Paulo que beneficia 34 atletas e seis atletas-guiaClique aqui para saber mais sobre o Time São Paulo.

Convênio – Ministério do Esporte
A participação das seleções brasileiras adulta e de jovens no Open Brasil Caixa Loterias de Atletismo e Natação é custeada por um convênio entre o Ministério do Esporte e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Descobrindo o mundo de muletas. O turismo acessível para deficientes andantes.

por: Ricardo Shimosakai

                       Marcos Bauch já foi mochileiro na Nova Zelândia, viajou de carro até Machu Picchu, mergulhou em Bonito e saltou de paraquedas em Boituva
Marcos Bauch já foi mochileiro na Nova Zelândia, viajou de carro até Machu Picchu, mergulhou em Bonito e saltou de paraquedas em Boituva.

O engenheiro agrônomo Marcos Bauch, 31 anos, nunca deixou que as muletas que usa desde criança – necessárias devido a uma artropatia nos dois joelhos – o prendessem em casa. Dificuldades existem. Das mais prosaicas, como os pisos escorregadios que já o derrubaram várias vezes, às mais inusitadas, como saltar de paraquedas sem pousar com os pés no chão. “Eu e o instrutor tivemos que bolar uma estratégia para o pouso. Treinamos uma descida sentados e deu certo”, conta o engenheiro.
Mas os desafios que enfrentou jamais o fizeram pensar em desistir das viagens. “São apenas percalços e aumentam o número de histórias para contar aos amigos”, diz ele. A exemplo de Marcos, há muito mais gente disposta a superar limites físicos para colecionar histórias e experiências.
O Brasil possui, atualmente, cerca de 46 milhões de brasileiros (24% da população) com deficiência intelectual, motora, visual e auditiva, conforme o Censo realizado em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). E, dentre eles, há muitos viajantes frequentes, segundo constatou o Ministério do Turismo, numa pesquisa realizada em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos, entre os dias 13 a 20 de maio de 2013, nas cinco maiores cidades emissoras de turismo doméstico brasileiro – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte Curitiba e Porto Alegre. A pesquisa apontou que o sentimento de superação, a liberdade e a autonomia são alguns dos principais elementos motivadores dos viajantes. Mas eles não querem só acessibilidade. Como qualquer outro turista, também buscam preços competitivos, belas paisagens, boas condições de transporte e aspectos históricos e sociais interessantes.
A cidade de Socorro, no interior de São Paulo, foi apontada pelos entrevistados como um modelo de turismo acessível, pois é a que oferece a melhor adaptação para pessoas com deficiência. Além de Socorro, Fortaleza (CE), Ilhabela (SP) e Maceió (AL) foram citadas por apresentar passeios, atividades esportivas e ecoturismo para as pessoas com mobilidade reduzida, deficiência auditiva ou visual. Atualmente, o Ministério do Turismo está financiando 14 projetos que envolvem acessibilidade, com investimentos na ordem de R$ 109 milhões.
Só rampa não basta
Mas investir em acessibilidade não é apenas construir rampas para cadeiras de rodas. “É um equívoco achar que tornar uma cidade acessível é só desobstruir barreiras arquitetônicas. É preciso eliminar as barreiras físicas para cadeirantes, mas também ter pessoas habilitadas a se comunicar com deficientes auditivos, disponibilizar material turístico acessível para deficientes visuais e treinar funcionários para atender a essas pessoas”, explica a psicóloga Adriana da Silva Souza, do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Específicas do IFRJ (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia).
“Ao escolher onde se hospedar, a primeira providência é checar se o local vai ajudá-lo nas suas dificuldades individuais. Porque mesmo com perfis parecidos, cada pessoa tem uma necessidade”, diz o turismólogo e cadeirante Ricardo Shimosakai, diretor da empresa Turismo Adaptado, que elabora roteiros de viagens para pessoas com necessidades especiais. A recomendação aqui é ser o mais detalhista possível, já que, muitas vezes, as empresas não entendem o conceito de acessibilidade. “Se você precisa de uma cadeira de banho, por exemplo, tem que ligar e verificar com o hotel se eles têm e explicar que cadeira de banho não é uma cadeira de piscina”, diz Shimosakai.
Uma vez escolhido o hotel, vale checar informações por telefone e até pedir fotos do local. As dimensões são importantes, especialmente se o turista for cadeirante. “Muitas vezes é preciso solucionar problemas e exigir os direitos antes de aproveitar a viagem. Ao chegar a um lugar, a pessoa com limitações motoras vai gastar tempo para saber quem tem a chave para abrir o elevador, com quem é preciso falar para poder estacionar mais perto ou, ainda, como encontrar alguém que possa ajudar a subir e a descer uma escada”, explica o engenheiro Marcos Bauch, que hoje compartilha as experiências acumuladas no blog “De muletas pelo mundo”. Já o portador de deficiência visual precisará de alguém que o acompanhe até o quarto de hotel e lhe mostre a localização de cada objeto. O deficiente auditivo, por sua vez, terá mais facilidade de se comunicar ao contar com o apoio de funcionários aptos em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.
Além disso, os passeios que serão feitos no destino também precisam levar em conta as limitações. Para o deficiente visual, por exemplo, no lugar de um museu em que apenas o título da obra está escrito em braile, será muito mais prazeroso visitar um jardim sensorial, disponível em alguns parques botânicos de cidades brasileiras, ou uma galeria tátil, como a existente na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A 134 quilômetros da capital paulista, a cidade atrai cada vez mais pessoas com mobilidade reduzida ou necessidades especiais, por conta do projeto Socorro Acessível, iniciado em 2005
Viagem inclusiva e os custos
Não necessariamente um deficiente gastará mais dinheiro para viajar. Os estabelecimentos não cobram mais caro por serem acessíveis, mas os custos podem aumentar conforme as adaptações que o turista precise fazer para usufruir de maneira prazerosa da viagem. “Quando fui para Machu Picchu contratei uma agência capacitada para levar pessoas com deficiência, mas tive que pagar por três guias para carregarem minha cadeira de rodas em uma parte do percurso”, explica Ricardo Shimosakai.
Como não são todos os locais que oferecem acessibilidade, a oportunidade de escolha é menor. Por isso, o deficiente nem sempre pode optar pelo hotel mais barato para se hospedar, o menor carro para alugar ou ainda, o restaurante mais econômico da região. É preciso escolher aquele que ofereça soluções para as necessidades individuais.
Fontes: RS Paradesporto - turismoadaptado.wordpress.com