sábado, 31 de maio de 2014

Glúten e possíveis danos ao sistema nervoso central

Glúten e enxaquecas

Imagem retirada da Net
Hoje trago um artigo da Livestrong Foundation que aborda a temática do glúten e as enxaquecas, que não são um sintoma em que se pense de imediato quando se trata de uma condição associada a esta proteína. Gostaria, contudo, de chamar a atenção para o facto de que o conselho dado para experimentar a dieta sem glúten é aplicável apenas aqueles que já despistaram a doença celíaca, e tiveram um resultado negativo; a prova terapêutica serve apenas para estabelecer um diagnóstico de sensibilidade ao glúten não-celíaca.

"As enxaquecas são dores de cabeça graves e crónicas. Muitas vezes, a dor de uma enxaqueca é tão grave que os pacientes têm dificuldades em seguir uma vida normal. A causa das enxaquecas não é conhecida, mas os investigadores e os pacientes notam cada vez mais uma ligação entre enxaquecas e o consumo de glúten.

Significado
O glúten é uma proteína encontrada em grãos de trigo, cevada e centeio. Aproximadamente, uma em cada 100 pessoas sofre de um distúrbio auto-imune chamado doença celíaca, e a quem o glúten danifica realmente o intestino. Ocasionalmente, os pacientes com doença celíaca também sofrem de enxaquecas desencadeadas pelo glúten. Contudo, alguns médicos acreditam que é possível ser sensível ou intolerante ao glúten, sem ter a doença celíaca ou danos intestinais. Estes pacientes são mais propensos a ter sintomas neurológicos, tais como enxaquecas, quando consomem glúten.

Função
Em indivíduos sensíveis, o glúten pode causar inflamação no sistema nervoso central, que, por sua vez, conduz às enxaquecas. Num estudo de 2001 publicado na revista médica "Neurology", o Dr. Marios Hadjivassiliou, um médico de Sheffield, Reino Unido, testou 10 pacientes com cefaleias crónicas e descobriu que todos eram sensíveis ao glúten. Algumas delas também tinham outros sintomas tais como falta de equilíbrio ou de coordenação, e todos tinham inflamação do sistema nervoso central, de acordo com o estudo.

Tipos
O Dr. Rodney Ford, um pediatra em Christchurch, Nova Zelândia, escreveu em 2009 na revista médica "Medical Hypotheses" que a enxaqueca e outros sintomas neurológicos devidos ao consumo de glúten, podem ocorrer tanto em pacientes com doença celíaca, bem como em pacientes que não têm qualquer dano intestinal induzido pelo glúten. Além de enxaquecas, o glúten pode causar atrasos no desenvolvimento, distúrbios de aprendizagem, depressão e outras desordens do sistema nervoso, diz o Dr. Ford.

Benefícios
É difícil dizer se a enxaqueca é desencadeada pelo glúten porque os alimentos que contêm esta proteína são tão omnipresentes, e a maioria das pessoas consome trigo, cevada ou centeio várias vezes ao dia, todos os dias. Nenhuma medicação está disponível para reduzir os efeitos do glúten em alguém que lhe é sensível, mas uma dieta isenta de glúten (uma dieta isenta de produtos de trigo, cevada e centeio), geralmente, acaba com as enxaquecas quase completamente.

Prevenção/Solução
Para determinar se o glúten desencadeia as enxaquecas, um paciente de enxaqueca deve eliminar estritamente o glúten durante, pelo menos, um mês (dois a três meses, seria melhor), e depois reintroduzi-lo. A maioria das pessoas cujas enxaquecas são causadas ​​pelo glúten verá as suas dores de cabeça desaparecerem durante a sua experiência no período de eliminação, e depois regressarem reforçadas assim que reintroduzirem o glúten na sua alimentação."

Fontes:http://vidassemgluten.blogspot.com.br/2013/09/gluten-e-enxaquecas.html - diferenteeficientedeficiente.blogspot.com.br

Pacientes com doenças degenerativas sem acesso a respirador em SP

  • Impasse financeiro priva 113 pessoas de atendimento; uma delas morreu ontem.

Paciente em uso de Bipap -   Imagem meramente ilustrativa

SÃO PAULO - Respire pausadamente. Conte até três. Solte o ar e repita novamente. Banal, não? Para pacientes com doenças neurodegenerativas da rede pública de São Paulo, a realidade pode ser outra. Um impasse financeiro de R$ 110 mil por mês deixou 113 pacientes com Esclerose Lateral 
Amiotrófica (ELA) ou outras doenças neurodegenerativas sem acesso a respiradores mecânicos (BIPAP).

A crise começou em abril, quando a Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (Afip) proibiu a marcação de avaliações respiratórias no Instituto do Sono (IS). Sem o exame, os pacientes não conseguem a liberação do BiPAP, que auxilia na respiração e ajuda a prevenir complicações pulmonares causadas pela doença.
A entidade alega que desde 2010 realiza mais atendimentos do que é pago pelo município de São Paulo. Segundo valores levantados da Afip, o município está devendo à instituição R$ 1,3 milhão relativos aos últimos três anos de convênio. A prefeitura de São Paulo admite o déficit, mas não explica como vai sanar a dívida. Enquanto o impasse burocrático permanece, a situação de quem precisa do equipamento no município é crítica.
No domingo, José Maria Rodrigues, 47 anos, garçom, - uma das 133 pessoas encaminhadas pela rede pública de saúde ao instituto com avaliação positiva para a utilização do BiPAP - não pôde esperar mais. Há dois meses na fila por uma consulta no setor de Tratamento de Doenças Neuromusculares (TDN) Instituto do Sono, José, portador de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), teve que ser internado às pressas por conta de uma infecção respiratória.
- Não deu tempo, né? Ele vinha sofrendo muito e, no sábado, ele não aguentou mais. Se ele tivesse com o aparelho com certeza a situação seria outra. Não dá para avaliar se a infecção veio pela falta do aparelho, mas o que não ajudou foi ele ficar dois meses sem o BiPAP - relata a Sonia Maria Rodrigues, 51, que largou o trabalho há dois anos para cuidar do irmão.
Quem liga no TDN em busca de uma consulta recebe a mesma resposta: não há previsão para consultas a pacientes não cadastrados. Hoje, o setor tem 2.037 pacientes cadastrados ativos, dos quais 909 que utilizam ventilação mecânica. O município repassa por mês R$ 632,5 mil para a instalação e utilização dos aparelhos, enquanto a entidade gasta R$ 742,637 mil. A prefeitura admite o déficit a partir de setembro, mas discorda do valor apresentado ao GLOBO pela Afip.
- Chegamos a uma situação limite. Até então, estávamos segurando o atendimento, mas não dá mais. Se não, vamos acabar afetando o atendimento de outros setores - explica a diretora-administrativa e comercial da Afip, Tânia Regina Noquelli, que admitiu que há aparelhos disponíveis na unidade, mas que só serão distribuídos após a regularização do débito.
Pacientes não podem esperar
Para representantes do Instituto Paulo Gontigio (IPG), entidade sem fins lucrativos que promove e incentiva a pesquisa científica e presta atendimento aos pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), enquanto o impasse não for resolvido, o atendimento tem que ser continuado:
- O impasse financeiro não pode ser a justificativa final para não atender os pacientes. Há aparelhos disponíveis e o município e a Afip tem que chegar num denominador comum. O atendimento dos pacientes de ELA e outras doenças neurodegenerativas não pode esperar - cobra a diretora administrativa do IPG, Silvia Tortorella.
Na quarta-feira, em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo informou que avalia uma mudança do sistema de regulação dos pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) ou outras doenças neurodegenerativas que utilizam equipamentos respiratórios (BiPAP).
Segundo o município, o convênio atual com a AFIP existe desde agosto de 2003 e prevê repasse mensal de R$ 623 mil, o que corresponde a 23 mil procedimentos. O valor foi fixado com base no número de pacientes que realizavam tratamento no ano da publicação, ou seja, em 2008.
Ainda de acordo com o município, "até 2012 a AFIP recebia os recursos pelos serviços executados, sempre abaixo do limite contratual". Entretanto, admite que em 2013 a entidade sinalizou ao município que passou a realizar atendimentos acima do contratado.
Em setembro a pasta solicitou à Secretaria Estadual de Saúde a autorização para aumento da verba destinada a este serviço. O pedido foi encaminhado ao Ministério da Saúde somente este mês e ainda não teve a aprovação federal.
- E até quando minha mãe vai esperar? - questiona a técnica administrativa Valéria Bela Possidônio, filha da dona de casa Lourdes Possidônio, que sofre as sequelas de uma doença neurodegenerativa desde agosto do ano passado.
As mãos arqueadas pela perda muscular tentam segurar o pedido de consulta encaminhado por seu médico ao TDN. Desde o dia 3 de abril, a filha tenta, sem sucesso, uma consulta. A cada dia as forças de Lourdes diminuem. Na segunda-feira, quando a equipe de O GLOBO foi a sua casa no Jardim Patente, extremo Sul da capital paulista, ela pesava 28 quilos. Respirando com dificuldade e sem conseguir se mexer sem ajuda da filha, Lourdes desabafa:
- É muito difícil não respirar. Hoje, estou bem, mas amanhã eu não sei - falou com a voz quase inaudível.
Em meio a entrevista com a filha, um ronco profundo rompe a conversa. A filha acode a mãe sem ar.
- Respira, mãe. Um, dois, três e respira. Espera que eu vou ligar o ventilador para te ajudar, mãe. Respira. Calma e respira...
Auditoria
Na quarta-feira, O GLOBO voltou a questionar o município sobre o que ia ser feito para casos como o de Dona Lourdes e outros 112 pacientes que aguardam receber um aparelho enquanto não há uma autorização do Ministério da Saúde para aumentar o repasse à instituição. A Secretaria Municipal da Saúde informou, ontem, que fará uma auditoria nos serviços prestados pela AFIP de abril de 2012 até o momento e quitará os procedimentos que possam ter sido realizados acima do teto no que se refere ao BiPAP. O município também irá autorizar a conveniada a iniciar o atendimento dos cerca de 100 pacientes que aguardam na fila.
A secretaria de Saúde afirma que a partir desta sexta-feira, a marcação de consultas será normalizada no TDN. Os 113 pacientes que estavam na fila poderão, enfim, respirar um pouco mais aliviados.

Fontes:                http://oglobo.globo.com/sociedade/pacientes-com-doencas-degenerativas-sem-acesso-respirador-em-sp-12655503 - falandosobreela.blogspot.com.br

Células-tronco e estímulo elétrico recuperam movimento de paraplégicos

Técnicas atuam diretamente na lesão que causou a paralisia, para reestabelecer a comunicação natural entre os membros e o cérebro
Por Juliana Santos
Vestindo um equipamento robótico, que envolverá suas pernas e tronco, um adolescente paraplégico dará o chute inicial na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, em 12 de junho. Mas, para voltar a andar, quem perdeu o movimento das pernas talvez não precise se parecer com um ciborgue. Enquanto as vestes robóticas, ou exoesqueletos, auxiliam a locomoção do paciente, outras abordagens tentam resolver o problema de dentro para fora, ao reestabelecer a comunicação natural entre os membros e o cérebro. Técnicas como células-tronco e estímulos elétricos atuam diretamente na lesão que causou a paralisia.
No Brasil, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem usado estímulos elétricos para devolver a diversos pacientes a capacidade de se locomover sozinhos, ainda que com ajuda de muletas ou andadores. Pacientes com lesão na medula recebem estímulos por meio de eletrodos fixados superficialmente nas pernas. As correntes elétricas atingem as raízes lombo-sacrais do paciente, neurônios que atuam na ativação dos músculos de membros inferiores, fazendo com que eles comecem a andar de forma automática. Dessa forma, a medula aprende o movimento de caminhar por repetição, sem a participação do cérebro, em um primeiro momento. “Trata-se de um mecanismo semelhante àquele em que a gente retira rapidamente a mão de uma superfície muito quente, por reflexo. A reação é tão rápida que não dá tempo da informação chegar ao cérebro”, explica Alberto Cliquet Júnior, professor titular do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unicamp e de Engenharia Elétrica na Universidade de São Paulo.
Paciente paraplégico durante condicionamento muscular dos membros inferiores utilizando a Estimulação Elétrica Neuromuscular (Reprodução/EESC USP)
Paciente paraplégico durante condicionamento muscular dos membros inferiores utilizando a Estimulação Elétrica Neuromuscular (Reprodução/EESC USP)
Com o tempo, o treino repetitivo da caminhada refaz a ligação entre o cérebro e o músculo, permitindo que o controle do movimento seja voluntário. Esse tratamento é aplicado tanto em pacientes paraplégicos quanto tetraplégicos, mas a movimentação dos membros inferiores só pode ser recuperada em lesões que se localizam da região do umbigo para cima (até a vértebra T-12). Mais abaixo disso, as raízes motoras são comprometidas, e a estimulação elétrica não consegue atuar.
Movimentos Recuperados
Cliquet conta que um dos primeiros pacientes que voltou a andar estava paralisado há cinco anos, em razão de um tumor na medula. Ele recuperou a capacidade de flexionar o pé, e, a partir daí, ganhou movimentos até caminhar com ajuda de muletas. Outro paciente, paraplégico por cinco anos devido a uma infecção do sistema nervoso, afirmava sentir a perna esquerda quando a direita era cutucada, e vice-e-versa, após dois anos de tratamento. Três anos mais tarde, deu os primeiros passos voluntários. “É algo que acontece de um dia para o outro, com algum tempo de tratamento. Quando a conexão é refeita, os movimentos começam a voltar”, explica o pesquisador.
Para ele, esses casos de sucesso devem ser considerados “quase ficção”, porque não há garantias de que todos os pacientes terão o mesmo êxito. “Alguns conseguem caminhar com apoio de muletas ou andadores, enquanto outros apenas recuperam alguns movimentos e uma parcela sequer reage ao tratamento”, diz Cliquet. Não está claro porque a resposta aos estímulos varia, nem quais pacientes são mais propensos a obter benefícios.
Um dos obstáculos enfrentados pelos cientistas é que nem sempre os pacientes recuperam totalmente a sensibilidade nas pernas, o que prejudica seu equilíbrio e exige instrumentos de apoio. Ainda assim, o fato de voltar a caminhar, ainda que com os estímulos elétricos, já traz benefícios cardiovasculares e de ganho de massa óssea para os pacientes. O Ambulatório de Reabilitação Raquimedular do Hospital de Clinicas da Unicamp, que promove esse tratamento há mais de dez anos, está no limite de sua capacidade, realizando por volta de 100 atendimentos por semana.
Células-tronco
Em 2011, um grupo brasileiro ficou conhecido por um caso de sucesso no tratamento de lesão medular, com uso de células-tronco: o ex-policial baiano Maurício Ribeiro, de 47 anos, recuperou parte dos movimentos das pernas e voltou a caminhar com a ajuda de um andador, depois de nove anos paraplégico. Maurício participou da primeira etapa do projeto liderado por Ricardo Ribeiro, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e coordenador do Centro de Terapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador. Nessa fase da pesquisa, catorze pacientes tiveram células-tronco inseridas no local da lesão por meio de uma cirurgia. Atualmente os cientistas estão se preparando para iniciar a segunda fase, com 60 pacientes. Nessa etapa, as células serão injetadas na lesão com uma agulha. “O novo método é menos invasivo, e vai poder ser repetido mais de uma vez no mesmo paciente, enquanto com a outra técnica fizemos a inserção das células-tronco apenas uma vez”, explica Ribeiro.
O tratamento retira células-tronco adultas da medula óssea do próprio paciente. Essas células, chamadas mesenquimais, são cultivadas em laboratório por cerca de 30 dias, quando aumentam em quantidade, para depois serem injetadas. O objetivo principal dessas células não é reconstituir neurônios, mas liberar substâncias que estimulam o crescimento das ligações nervosas na área lesionada. “Na região da medula onde há lesão existem poucos neurônios. O maior problema é a junção nervosa, o ‘fio’ que foi quebrado e precisa ser restaurado. A célula mesenquimal secreta substâncias que diminuem a inflamação e estimulam a religação do nervo”, diz Ribeiro.
Até agora, os implantes foram realizados apenas em pacientes paraplégicos, com lesões na região lombar. A nova etapa vai incluir tetraplégicos também. As lesões tratadas são provocadas por traumas, como acidentes de automóvel ou quedas — ferimentos provocados por tiros, onde há o rompimento completo da medula, não participam das pesquisas até o momento.
O maior desafio na recuperação desses pacientes é a atrofia muscular após anos de paralisia — o que torna a fisioterapia essencial para o sucesso dessa técnica. Dentre os catorze pacientes que participaram do início da pesquisa, quatro conseguiram voltar a se locomover com ajuda de um andador. Trata-se de um resultado promissor, considerando-se que o principal objetivo do estudo era mostrar que o uso de células-tronco não acarretaria efeitos colaterais. “A expectativa é que com várias aplicações a gente possa obter resultados melhores, mas ainda é um caminho muito longo e difícil. Acredito que dentro de dez a quinze anos será possível alcançar resultados fantásticos com essa técnica”, afirma Ribeiro.
Fontes: Revista Veja - deficienteciente.com.br

Surdos podem recuperar a audição através de um implante genético

Daqui a dois meses um grupo de pessoas que perderam completamente a audição poderá recuperar o sentido. Elas são voluntárias em um teste de um novo tipo de tratamento, uma terapia que promove a reconstrução de sensores auditivos a partir dos genes.

A ideia é que os pacientes recebam em seus organismos um vírus inofensivo, mas que carrega um gene que pode promover o crescimento dos sensores. A ideia é oferecer a deficientes auditivos uma audição mais natural do que outras tecnologias. Aparelhos de surdez, por exemplo, apenas amplificam sons, não ajudando a distinguir entre vozes ou entre nuances de músicas. De acordo com um dos cientistas responsáveis, Hinrich Staecker, da Universidade do Kansas, o objetivo é recuperar a audição natural e não imitar, de forma artificial, o que ela faz.

A possível solução é cogitada desde 2003, quando pesquisadores descobriram que alguns genes podem transformar em células capilares do ouvido, que ajudam a capturar os sons. Essas células ativam a eletricidade em neurônios, passando informações sonoras para o cérebro. Porém, elas podem ser danificadas através da exposição constante a sons altos, a antibióticos e doenças - e não crescem de volta.

Os genes capazes de controlar a recuperação delas, chamados de Atoh1, podem ser inseridos no organismo de pacientes através de um vírus inofensivo. A técnica já foi testada em ratos - dois meses depois da inserção do vírus nos animais, aqueles com audição danificada haviam recuperado suas células capilares e, por consequência, sua audição.

Da mesma forma que nos ratos, os voluntários humanos terão os vírus injetados diretamente em seus ouvidos. Ao chegar até as células de suporte, o gene Atoh1 deverá instruí-las a se dividir em novas células capilares. Os resultados devem começar a ser notados de duas semanas até dois meses depois da aplicação. Vale lembrar que a técnica só pode recuperar pessoas que perderam a audição devido à morte das células capilares.

Brasil derrota Alemanha no Mundial cadeirante

O Brasil teve uma grande estreia no Grupo Mundial II do BNP Paribas World Team Cup, o Campeonato Mundial de Tênis em Cadeira de Rodas, em Alphen, na Holanda. Em confronto que começou a ser disputado na segunda-feira e concluído nesta terça devido à chuva, o Brasil venceu a Alemanha, de virada, pelo Grupo A.

Carlos Jordan jogou a primeira partida e perdeu uma partida acirrada com o alemão Sven Hiller com parciais de 6/4 e 7/5. Daniel Rodrigues igualou o confronto ao vencer Steffen Sommerfeld por duros 7/5, 3/6 e 6/4. Nas duplas, Daniel Rodrigues e Rafael Medeiros derrotaram Hiller e Sommerfeld por 6/4 e 6/2.

A vitória foi um passo importante para o Brasil se garantir no Mundial de 2015. Na quinta-feira, a equipe brasileira enfrenta a Malásia em busca da segunda vitória no grupo. A equipe brasileira é formada por Carlos Santos, o Jordan, Daniel Rodrigues e Rafael Medeiros, que estão acompanhados do técnico Leonardo Oliveira, e conta com o apoio do convênio da Confederação Brasileira de Tênis com o Comitê Paralímpico Brasileiro.

Fontes: Site Tenis Brasil - Blog Sempre Incluídos - fernandazago.com.br

Programa ajuda pessoas com deficiência a fazerem suas compras na rede

A ferramenta é gratuita e funciona como uma “cadeira de rodas virtual”

Do R7

                               
O software possui soluções como substituição de teclado e mouse por meio do sistema "hands-free"Divulgação/eSSENTIAL Accessibility™

Uma empresa canadense desenvolveu uma nova tecnologia digital para facilitar a conexão de pessoas com deficiência física à internet.

Hoje, mais de 120 empresas já utilizam a ferramenta assistiva em todo o mundo. No Brasil, a Renner, a Magazine Luiza, aMastercard, a 3M e a Universidade Cruzeiro do Sul oferecem gratuitamente o programa para seus clientes e alunos.
O eSSENTIAL Accessibility™ é um software gratuito que funciona como uma “cadeira de rodas virtual”.

A ferramenta possui soluções como substituição de teclado e mouse por meio do sistema "hands-free" (mãos livres) de rastreamento de movimento, autoclique, escaneamento automático de links e outros recursos.


Para aqueles com dificuldades de leitura devido a limitações de alfabetização, dislexia ou deficiência visual moderada, o dispositivo utiliza uma ferramenta que lê o conteúdo da web e, também com sistema de reconhecimento de voz.
 
Os softwares existentes no mercado para atender à demanda do deficiente custa, em média, US$ 3 mil, aproximadamente, R$ 6,6 mil. O aplicativo pode ser baixado e instalado rapidamente em um computador com sistema Windows ou MAC. 

O valor inicial investido pela empresa desenvolvedora no mercado brasileiro será de R$ 200 mil.


Ednilson Sacramento fala dos desafios da acessibilidade à cultura

“Ficar cego dá uma sensação de vazio, de estar num mundo que não te pertence mais. Aos poucos, fui perdendo a possibilidade de ler um livro, de ir ao cinema. Acessibilidade à cultura, para mim, é poder me sentir, de novo, inserido no mundo”.

Da Redação

Ednilson Sacramento perdeu a visão gradualmente, em decorrência de uma retinose pigmentar, doença hereditária que causa a degeneração da retina. Há 14 anos, ele não enxerga. Integra o Movimento de Defesa da Pessoa com Deficiência e está presidente do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência de Salvador. Recentemente concluiu o Bacharelato Interdisciplinar em Humanidades na Universidade Federal da Bahia e atualmente cursa Jornalismo na Faculdade de Comunicação da UFBA. Ednilson também é integrante da diretoria da Associação Para a Inclusão à Arte, Cultura e Comunição (ARCCA), organização não-governamental baiana que completa em outubro 15 anos de luta em defesa dos direitos das pessoas com deficiência, em especial, pessoas com deficiência visual. Em entrevista para a equipe da Mostra Terceiro Olho, Ednilson fala dos desafios da acessibilidade à cultura e, também, de possibilidades e destaca a importância que recursos relativamente simples – como a audiodescrição – pode trazer para a vida de todas as pessoas, principalmente para aquelas que nasceram sem a visão ou, como foi o seu caso, a perderam depois de adultos e tiveram que reinventar sua forma de estar, de enxergar, de sentir o mundo. Conta também como ao longo desses 14 anos, vêm lidando com o vazio que ficou em sua vida quando perdeu a visão. Confira a entrevista completa abaixo!



Poderia começar, definindo para a gente o que é acessibilidade à cultura? 

Acessibilidade à cultura é um conjunto de meios, formas e possibilidades de fazer chegar a produção artística e cultural ao maior número de pessoas: as que enxergam e as que não enxergam também. Garantir a acessibilidade de um produto cultural não é mudar o produto. A peça de teatro é uma peça e pronto. Não preciso fazer uma peça para surdos. Não é isso. É preciso criar canais para a intermediação. A intermediação é a acessibilidade, que vai ajudar a garantir que as pessoas com algum tipo de limitação possam usufruir daquela obra de arte. Um exemplo claro: se você produz um filme brasileiro e quer que ele seja assistido em Berlim você vai ter que garantir o acesso dos alemães à língua não é? Acessibilidade é isso.

De acordo com os dados do último Censo do IBGE, de 2010, 18,6% da população brasileira tem deficiência visual. Na Bahia, são mais de 510 mil pessoas que não enxergam ou enxergam com grande dificuldade. De que forma estas pessoas têm conseguido acessar os bens culturais?

Sabe o que é o pior dessa realidade? É que a maior parte desse contingente de pessoas nem sabe que tem e que pode ter acesso à cultura. Pessoas cegas e de baixo poder aquisitivo já têm logo de cara duas limitações: a de não enxergar e a de não ter condições financeiras para ir ao cinema, ao teatro, a um espetáculo de música. Na Bahia, a maior parte das pessoas cegas não tem acesso à cultura. Muitas nunca foram ao cinema. A grande chave da acessibilidade à cultura é poder oferecer a essas pessoas a possibilidade de usufruir desses produtos.


Como se garante a acessibilidade de produtos culturais? 


A primeira coisa é que o produtor artístico deve internalizar a ideia de que o seu produto, a sua produção precisa chegar ao maior número de pessoas. Como se faz isso? Através da inclusão de alguns recursos técnicos, como a interpretação em libras e a audiodescrição, que possibilita o acesso de pessoas surdas e cegas. Você deve encaixar na sua cadeia produtiva esses elementos, assim como encaixaria a dublagem, a legenda, entre outros elementos.


O que pode encarecer a produção...

Inevitavelmente encarece. Principalmente porque é um recurso novo, os patrocinadores não conhecem e, portanto, vão estranhar. As pessoas não entendem a sua importância. Mas, aí é que entramos na dimensão social da cultura. Aí é que entra a necessidade de apoio do poder público. É preciso deixar claro que não se trata de encarecimento do produto, mas sim de enriquecimento da produção. Ao financiar, ao adicionar estes recursos, você está promovendo a acessibilidade, fazendo valer a legislação que garante que os produtos de comunicação tenham acessibilidade.


Esta legislação é implementada? Quais os desafios para sua implementação na Bahia? 

Temos o Decreto 5296, de dezembro de 2004, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Mas, ainda não temos garantida a sua regulamentação. A própria produção cultural na Bahia é dificultosa, enfrenta várias barreiras. O poder público precisa dar o exemplo. Se a iniciativa privada embarcar, ótimo. Recentemente, o Ministério da Comunicação baixou uma portaria que obriga as redes abertas de televisão a exibirem programas com audiodescrição. Outra novidade nesse sentido é a Normativa da ANCINE [Agência Nacional do Cinema] que fala sobre normas e critérios de acessibilidade a serem observados por projetos audiovisuais financiados com recursos públicos federais geridos pela ANCINE. Bem, há algumas iniciativas. Vamos ver o que virá. Isso seria um grande avanço.


Neste sentido, para você, qual a importância da Mostra Terceiro Olho? 


Primeiro, o fato de reunir a produção de realizadores de cinema que incluíram a audiodescriação nos seus filmes e, também, de estimular que outros produtores façam isso. E a outra questão é a difusão do conceito de acessibilidade à cultura. O que é isso? O que é audiodescrição? São perguntas que ficam na cabeça de muita gente.

Como você explicaria o que é audiodescrição? 


É uma espécie de tradução da obra. Tradução em palavras verbalizadas. Uma linguagem auxiliar. No caso específico da produção audiovisual, ela transporta o filme para uma linguagem digerível para a pessoa cega. A audiodescrição não interfere no enredo, na história. É um suporte. Não é moda, não é um acessório para deixar o filme mais ou menos bonitinho. Outra coisa que é importante esclarecer é que não é preciso necessariamente fazer uma seção de cinema apenas para pessoas cegas. O filme deve ter a opção de audiodescrição, aí a pessoa que desejar o recurso, utiliza um fone de ouvido e seleciona o canal de audiodescrição.

Existem exemplos no Brasil de iniciativas que estão popularizando a audiodescrição? 

Ainda é tudo muito novo, incipiente. Em São Paulo, o Itaú Cinemas tem promovido seções audiodescritas. Há um aplicativo para smartphones, também, que permite sincronizar o celular com o filme e você, pelo celular, pode escolher o canal audiodescrito.

Na década de 90, você ficou bastante conhecido – principalmente pelos amantes do rock – pelo Telefanzine, uma espécie de caixa postal telefônica que fornecia notícias sobre agenda de shows, lançamentos, comentários e entrevistas sobre a cultura rock na Bahia e no mundo. Pode falar para a gente como surgiu a ideia de fazer esse programa e o que mudou de lá para cá em termos de formas de acesso à cultura?

Quando o Telefanzine surgiu o celular não era popular, muito menos a Internet. Divulgávamos um número de telefone, as pessoas ligavam e ouviam uma gravação com dicas culturais. O Telefanzine durou cerca de seis anos. As pessoas sabiam as informações em primeira mão. Ele reinou! Agora, os meios mudaram. Com a Internet, a velocidade do acesso à informação é outra. Por incrível que pareça, não criamos o Telefanzine para pessoas cegas, apesar de ser um recurso muito bom para elas. Nessa época eu estava perdendo a visão gradativamente e disse a mim mesmo: preciso fazer alguma coisa para ocupar minha mente. Eu trabalhava como técnico de fiscalização do CREA, mas como não conseguia mais ler, fui afastado. Como eu gostava muito de fazer fanzines impressos, resolvi fazer o Telefanzine.

Poderia nos contar um pouco sobre o seu processo de perda da visão... 

A perda da visão foi me afastando de tudo o que eu mais gostava: ler um bom livro, folhear revistas, ir ao cinema. Chegou um momento em que eu só conseguia ler as manchetes. Quando você perde a visão todas as revistas da cidade somem. Desde a Playboy com o bumbum da mulher mais linda do momento até a Veja, com uma bomba na capa. É uma sensação de vazio. De estar num mundo que não te pertence mais.

Há 14 anos você perdeu totalmente a visão. Desde então esse vazio continua com a mesma intensidade? 


Tenho aumentado meu leque de visão, claro que mais em texto e em áudio do que em imagem. É claro que as imagens do meu conhecimento não somem, mas as novas, preciso de ajuda para poder conhecê-las. Em tempos de Copa do Mundo... a Arena Fonte Nova, por exemplo, está só na minha imaginação. Preciso que alguém a descreva para que eu possa saber como ela é. Nesse sentido, voltando ao tema da acessibilidade à cultura. A audiodescrição é uma gota d’água nesse oceano que é muito maior. Não é uma revolução para a vida da pessoa cega. Mas, é uma gota muito importante. É a possibilidade de revisitar as imagens. Se tenho a descrição de um cartão postal atual de Salvador, por exemplo, vou me sentir revisitando a cidade...

Jovem sem braços é aprovada em concurso e sonha ser professora

Carolina Tanaka Meneghel, de 29 anos, vive com a família em Piracicaba.
Jovem se formou em educação física e sonha em começar a dar aulas.


Do G1 Piracicaba e Região

  

Abrir a porta, comer, se arrumar, lavar louças, dirigir e até fazer uma "selfie" podem parecer tarefas simples do dia a dia, mas já imaginou fazer isso com os pés? Para a educadora física Carolina Tanaka Meneghel, de 29 anos, que nasceu sem os dois braços, tudo isso é rotina. E, apesar das dificuldades e da necessidade constante de adaptação, a jovem foi aprovada em um concurso público da Prefeitura de Piracicaba (SP), cidade onde vive com a família, para o cargo de professora. Ela se formou em educação física em 2007 e sonha em começar a dar aulas.
Carolina lava pratos e ajuda nas tarefas da casa da família em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)Carolina lava pratos e ajuda nas tarefas na casa da
família, em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Antes de escolher educação física, a jovem chegou a cursar faculdade de rádio e TV. “Fui incentivada pelos amigos, que diziam que eu iria me dar bem por ser bastante comunicativa, mas durante o curso percebi que não era aquilo que queria para mim.”
Desde criança, Carolina sempre foi estimulada pelos pais a praticar exercícios físicos. A jovem vai à academia diariamente e foi daí que decidiu cursar educação física. “Meus pais me disseram para correr atrás dos meus sonhos. Foi o que eu fiz."
No dia a dia, a deficiência não é empecilho para a realização das tarefas. Com destreza e uma habilidade incomum nos pés, Carolina consegue lavar louças, passar rímel nos cílios, destrancar portas, se alimentar, cuidar da higiene pessoal e ainda dirigir um carro adaptado. Mais recentemente, ela também aderiu à moda das "selfies" (fotografias tiradas pelos próprios fotografados) e, com um celular nos pés, capturou imagens suas.

Click AQUI para ver o vídeo:
Antes de iniciar a faculdade, Carolina conversou com o coordenador do curso, que a incentivou a seguir adiante. “Durante a faculdade foi muito gostoso. Os professores acabavam se adaptando às minhas necessidades. E até os colegas de sala. Tivemos disciplinas voltadas para a inclusão de deficientes físicos, visuais e auditivos e os alunos foram desafiados a jogar vôlei igual a mim, ou seja, com os pés.”
Carolina se maqueia sozinha em Piracicaba  (Foto: Fernanda Zanetti/G1)Carolina passa rímel nos cílios com
o pé (Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Depois de formada, Carolina nunca trabalhou na área. Chegou a fazer um curso técnico de gestão empresarial de empresas para ingressar no mercado, mas nunca conseguiu realizar o sonho de exercer a profissão de professora de educação física.
No entanto, a jovem viu no concurso da Prefeitura de Piracicaba a chance de realizar o sonho. “Quando vi as inscrições abertas para o concurso, não tive dúvidas. Quando vi que havia passado pelo sistema de cotas foi uma alegria. A proximidade da realização de um sonho me deixou ainda mais feliz. Será um novo desafio na minha vida. Quero poder ajudar as crianças com a minha história de vida e de superação. Criança tem curiosidade e quero ensinar tudo que sei e tudo que aprendi. Tenho certeza que a resposta será positiva.”
A Prefeitura de Piracicaba, por meio de assessoria de imprensa, informou que o concurso 002/2014, para o qual Carolina se inscreveu, foi homologado no último dia 2 de abril e, conforme o edital, tem prazo de um ano para convocar os aprovados.
Sem o auxílio de ninguém Carolina utiliza os pés para comer (Foto: Fernanda Zanetti/G1)Sem o auxílio de ninguém, Carolina utiliza os pés para se alimentar (Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Independência

Carolina sempre se virou sozinha e possui até Carteira Nacional de Habilitação (CNH). “Desde que consegui o carro adaptado não dependo mais de ninguém para me locomover. Vou para onde tenho vontade.” A jovem relatou que não permite que a deficiência seja encarada como obstáculo. “Faço tudo com muita naturalidade. Nem penso em como executar as tarefas, simplesmente vou e faço.”

Carolina e a mãe na casa onde moram em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)Carolina e a mãe, Dina de Paula Tanaka
(Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Infância

Os pais de Carolina não sabiam que ela não tinha os braços, já que o ultrassom durante a gravidez não detectou a deficiência. “O início foi muito complicado, mas quem deu a própria resposta foi a Carol, que desde pequena começou a usar os pés para tudo. O dia em que mais me surpreendeu foi quando ela, ainda muito pequena, logo após a refeição, juntou os pratos com os pés, os encaixou entre a cabeça e o pescoço e levou para a pia. Aquele dia foi inesquecível. Mostrou a força e a determinação da Carol", relatou a mãe, Dina de Paula Tanaka, de 55 anos.

Durante a infância, a jovem disse que não enfrentou problemas nem foi vítima de bullying. Carolina contou que, na época, as outras crianças queriam tentar fazer o que ela fazia com os pés, mas nem sempre conseguiam. Aos dois anos de idade, Carolina começou a praticar natação. Para ensiná-la, o professor chegou a amarrar os próprios braços para sentir como conseguiria se virar na água e, a partir da experiência, ele buscou uma técnica especial para ensiná-la a nadar.
Carolina dirige carro adaptado para ela desde 2007 (Foto: Fernanda Zanetti/G1)Carolina dirige carro adaptado para ela desde 2007 (Foto: Fernanda Zanetti/G1)Para Carolina, a adolescência foi o período mais difícil por causa do preconceito. "Eu saía na rua e as pessoas ficavam olhando com pena. Isso era muito difícil, mas nunca fiquei presa dentro de casa. Meus pais nunca me esconderam e sempre me incentivaram”, contou.
Carolina se casou com o vendedor Jonas Meneghel, de 30 anos, no dia 29 de novembro de 2011, após 13 anos de namoro. “Foi um dia muito especial na minha vida. Conversamos muito sobre a minha deficiência, mas ele é uma pessoa maravilhosa e sempre me apoiou. No dia do casamento, a curiosidade das pessoas era como eu colocaria a aliança na mão dele. Pra variar, usei os pés. Já a minha aliança eu guardo em uma corrente no pescoço.”
Para o futuro, a jovem pretende ser mãe. Carolina relatou que este deverá ser mais um desafio em sua vida. “Sei que será uma nova fase diferente de tudo o que já vivi, porque criança precisa do contato com a mãe. Mas tudo é superável e tenho certeza que vai dar tudo certo."
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Carolina e o marido Jonas no dia do casamento em Piracicaba (Foto: Ivan Delabio/acervo pessoal)Carolina e o marido Jonas no dia do casamento em Piracicaba (Foto: Ivan Delabio/acervo pessoal)
Fonte:g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Procon autua bondinho do Pão de Açúcar por falta de acessibilidade

 No Pão de Açúcar, os fiscais flagraram um cadeirante sendo carregado por seis pessoas, para conseguir subir as escadas e chegar ao bondinho.

   

Agentes do Procon fiscalizaram, nesta quarta-feira (21), restaurantes e lojas situadas na Urca, zona sul do Rio de Janeiro, onde fica a Escola de Educação Física do Exército. O local servirá de centro de treinamento para a seleção inglesa durante a Copa do Mundo.

De acordo com a Secretaria de Estado de Proteção e Defesa do Consumidor (Seprocon), os fiscais estiveram em 13 estabelecimentos e autuaram nove, que serão multados, por diversas irregularidades encontradas. Entre eles está a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, autuada por não oferecer acessibilidade ao consumidor.

Ainda segundo a secretaria, somente no restaurante Terra Brasilis,  na Praça General Tibúrcio, os agentes encontraram mais de 48kg de produtos impróprios. Esta foi a maior quantidade de alimentos apreendidos em um único lugar nesta operação. Foram 23kg e 382g de legumes, frutas, massas, torta de limão e recheio de camarão com a data de vencimento passada, além de 24kg e 800g de carnes, pastéis, linguiça e mostarda sem informações sobre a validade. O local armazenava, ainda, mais de 104 litros de chope, suco e mate vencidos.

Já no Pão de Açúcar, os fiscais flagraram um cadeirante sendo carregado por seis pessoas, entre seguranças e outros visitantes, para conseguir subir as escadas e chegar ao bondinho.

 Na pizzaria Laguna, localizada na Av. Pasteur, os fiscais presenciaram o estabelecimento cobrando R$ 2 para a utilização dos banheiros, o que não é permitido por lei. O restaurante também não disponibiliza o exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC) para consulta dos clientes. Na cozinha foram inutilizados 3kg e 450g de produtos sem especificação, tais como frango, queijos, pimentão e cebola.

 Os restaurantes Urca, Garota da Urca, Julio Bresser e Urca Grill não apresentaram problemas durante a fiscalização.

Fontes: Manchete Online - Turismo Adaptado - fernandazago.com.br

3 razões para contratar pessoas com deficiência

     

Quais benefícios a contratação de uma pessoa com deficiência  pode trazer para a sua empresa? Ana Paula Peguim, gestora estadual do Programa de Acessibilidade do Sebrae-SP, lista alguns.

De acordo com ela, a Lei de Cotas para pessoas com deficiência só se aplica a negócios que têm a partir de 100 funcionários, o que não a torna obrigatória para micro e pequenas empresas. Apesar disso, o Sebrae estimula a contratação desses profissionais por empresas das duas categorias.

Conheça, abaixo, vantagens que o trabalho diário com esses profissionais pode trazer:

Aprender a valorizar os funcionários. Desde o momento da contratação, o empregador deve ter claro que vai contratar alguém levando em consideração suas competências. Nada diferente do habitual. “Deixar a deficiência no lugar dela e questionar quais as habilidades da pessoa é o caminho para fazer a escolha certa”. Que atividades aquele candidato sabe realizar? Do que ele gosta? Do que não gosta? Qual a sua formação? Sua experiência curricular? E só então deve vir a pergunta: do que você precisa? “A deficiência é uma característica e não um fator dominante”.

Aperfeiçoar a acessibilidade. Ao contratar uma pessoa com deficiência, o empregador pode se aproximar de uma realidade que talvez não conhecesse. Assim, além de proporcionar uma oportunidade, abre um canal para ajudar outras pessoas com deficiência. “Se o empreendedor tem um restaurante e não instala rampas de acesso, limita a recepção de um deficiente físico, seja ele seu cliente ou funcionário. Trazer as questões para mais perto de si ajuda a entender as necessidades dessas pessoas e colocar em prática o respeito aos seus direitos”.

Melhorar o clima organizacional. Frente a frente com uma pessoa com deficiência, é comum que outros profissionais reflitam sobre sua atuação. E isso não significa que alguém com deficiência provoque sentimento de pena ou dó, muito pelo contrário. Respeitadas suas necessidades, essa pessoa deve ser tratada como todos os demais. O fato é que sua atuação geralmente serve de exemplo. “Convivendo com quem enfrenta aparentes dificuldades, a equipe se sente motivada e com o ímpeto de colaboração maior”.

Ancine faz consulta pública sobre acessibilidade em filmes

Todos têm direito à cultura, conforme a Constituição brasileira de 1988. Porém, muitas pessoas com deficiência auditiva ou visual têm dificuldades de acesso ao cinema, pois raramente as salas disponibilizam audiodescrição (essencial para os cegos) ou legendas (indispensáveis para os surdos).

Visando diminuir essa barreira, a Ancine está criando uma instrução normativa que determinará normas e critérios de acessibilidade que deverão ser seguidos por futuros projetos de filmes que vierem a ser financiados com dinheiro público através da Ancine.

Caso esta instrução seja aprovada, assim que ela entrar em vigor, os projetos audiovisuais que receberem recursos federais da Ancine serão obrigados a oferecer acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou auditiva. Cidadãos comuns podem contribuir para elaborar esta instrução, através da consulta pública que está sendo promovida pela Ancine.

Até o dia 21 de maio, a minuta da instrução normativa está em consulta pública. Quem quiser participar pode se cadastrar no sistema de consultas públicas da Ancine e contribuir com sugestões. A participação popular é importantíssima, para ajudar a dar conta da diversidade das necessidades das pessoas com deficiência. Por exemplo, embora janelas com legenda em Libras sejam úteis para os surdos usuários da Libras, são inúteis para os surdos oralizados, que se comunicam através da língua portuguesa e precisam de legendas em português mesmo nos filmes nacionais.


Esta medida é apenas uma gota de água comparada ao esforço que precisa ser feito para que pessoas com deficiência tenham acesso ao cinema. Beneficia apenas uma parcela dos filmes nacionais, aqueles financiados através de editais da Ancine.

Falta uma política mais consistente para fazer com que os cinemas disponibilizem legendas em todas as sessões, para que surdos possam escolher onde, quando e quais filmes querem ver no cinema. Hoje a tecnologia facilita a transmissão de filmes com legendas, através de ferramentas como o aplicativo de celular Whatscine, que transmite a legenda do filme para o celular do espectador, sem a necessidade de colocar as legendas sobre a imagem no telão.