sábado, 21 de junho de 2014

Comissão aprova infração grave para uso irregular de vaga para deficiente

Reportagem - Thyago Marcel - Edição – Janary Júnior
 (imagem Internet - foto do símbolo internacional de pessoas com deficiência, no asfalto ou piso, que deve estar pintado segundo as normas da ABNT nos estacionamentos como vaga preferencial, em espaços públicos)
Vagas preferenciais são desrespeitadasA Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou projeto que considera infração de trânsito grave o estacionamento irregular em vagas destinadas a pessoas com deficiência e idosos (PL 4124/98). Os veículos que estacionarem nesses locais estarão sujeitos, além da multa, à remoção ao depósito de automóveis apreendidos.
O projeto, de autoria do ex-deputado Paulo Rocha (PA), já havia sido aprovado pela Câmara, mas sofreu modificações do Senado e teve que retornar para nova apreciação. Entre as modificações realizadas no Senado está uma pena menor para quem estacionar em vagas reservadas a pessoas com deficiência e idosos - a Câmara havia aprovado infração gravíssima. Atualmente, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), a multa é de natureza leve.
As modificações foram acolhidas na Comissão de Viação e Transportes, após a aprovação do parecer do relator, deputado Milton Monti (PR-SP). Ele considerou "acertada a proposta do Senado de rebaixar a classificação inicial de gravíssima para grave, que melhor se adequa à dosimetria prevista no código".
O secretário do Idoso do Distrito Federal, Ricardo Quirino, elogiou a aprovação do projeto e defendeu o aumento de campanhas educativas. "Sou a favor do projeto. Campanhas devem ser realizadas, mas aqueles que não querem obedecer e se adequar ao que a lei diz, devem ser punidos com o rigor da lei", afirmou.
Tramitação
O projeto que tramitou por quase seis anos no Senado segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Seleção masculina de vôlei sentado disputa final do Mundial neste sábado, 21, contra a Bósnia

       

A Seleção brasileira masculina de vôlei sentado disputa neste sábado, 21, a medalha de ouro no Mundial da modalidade, disputado em Elblag, na Polônia. A equipe do Brasil avançou à final após vencer o Irã, vice-campeão paralímpico em Londres-212, por 3 sets a 2. Agora, o time verde amarelo buscará o título da competição contra a Bósnia, atual campeã paralímpica.  Enquanto isso, também neste sábado, a equipe feminina joga contra a Ucrânia, pelo quinto lugar no torneio feminino.
Na fase de grupos, a equipe masculina do Brasil venceu dois jogos – contra a Croácia e Cazaquistão (ambos 3 sets a 0) – e perdeu um  - contra a Bósnia (3 sets a 0). Com cinco pontos, terminou em segundo no grupo C, atrás da Bósnia, que teve 100% de aproveitamento.  Nas oitavas, os brasileiros  enfrentaram a Polônia  e avançaram às quartas após 3 sets a 0. Contra a Rússia, a equipe verde e amarela teve um jogo bem mais complicado, mas conseguiu fazer 3 sets a 2 nos adversários. O mesmo placar se repetiu na semifinal, quando encontrou o Irã,  atual vice-campeão paralímpico. Agora, após longa caminhada e apenas uma derrota, o Brasil se prepara para disputar a finalíssima contra os campeões paralímpicos em Londres-2012. O bronze será disputado entre Egito e Irã.
Enquanto isso, também neste sábado, as mulheres do Brasil disputarão a quinta colocação no torneio feminino contra a Ucrânia. Na fase de grupos, a equipe venceu três jogos – Japão, Ucrânia e Alemanha (todos por 3 sets a 0) – e perdeu dois –  China (3 sets a 0) e a Holanda (3 sets a 1). Com essa campanha, o time terminou em terceiro no Grupo B , com oito pontos, atrás de China e Holanda. Como apenas os dois primeiros colocados  da chave brigariam pelo ouro da competição, a Seleção Brasileira partiu para a disputa do 5º lugar. Venceu a Finlândia (3 sets a 0) e, agora, enfrenta a Ucrânia.   
Nos Jogos de Londres-2012, as duas equipes brasileiras de vôlei sentado terminaram na quinta colocação.
Mundial de vôlei sentado (Elblag, Polônia – 15 a 21 de junho)Masculino
Fase de grupo 

15 de junho – Brasil 3 x 0 Croácia
16 de junho – Brasil 0 x 3 Bósnia
17 de junho – Brasil 3 x 0 Cazaquistão
Oitavas de final18 de junho – Brasil 3 x 0 Polônia
Quartas de final19 de junho – Brasil 3 x 2 Rússia
Semifinal20 de junho – Brasil 3 x 2 Irã

Final
21 de junho – Brasil x Bósnia   
Feminino
Fase de grupo
15 de junho - Brasil 1 x 3 Holanda
16 de junho - Brasil 3 x 0 Japão
17 de junho – Brasil 0 x 3 China18 de junho – Brasil 3 x 0 Ucrânia
19 de junho – Brasil 3 x 0 Alemanha
Semifinal (5º ao 8º)
20 de junho – Brasil 3 x 0 Finlândia
Final (disputa pelo 5º lugar)
21 de junho – Brasil x Ucrânia
Assista o Mundial de vôlei sentado ao vivo: http://www.paravolley.pl/Media/livestream/
Assessoria de imprensa do CPB (imp@cpb.org.br)
Daniel Brito
Nádia Medeiros
Thiago Rizerio
Rafael Moura
Ivo Felipe
Ezequiel Trancoso (estagiário)
Fonte:cpb.org.br

Ministério da Saúde deposita dinheiro para bebê Sofia se tratar nos EUA

Menina Sofia Lacerda sofre de síndrome de Berdon, doença rara que afeta o sistema digestivo, e precisa de um transplante que não é realizado no Brasil.

Eduardo Schiavoni Do UOL, em Americana (SP

Divulgação/Campanha Ajude a Sofia
Menina Sofia Lacerda sofre de síndrome de Berdon, doença rara que afeta o sistema digestivo, e precisa de um transplante que não é realizado no Brasil
O Ministério da Saúde depositou nesta sexta-feira (20) a quantia de R$ 2,2 milhões em conta judicial destinada ao custeio do tratamento e transporte da bebê Sofia Lacerda, de cinco meses. Com isso, a menina, que precisa de um transplante multivisceral para viver, poderá embarcar para os Estados Unidos nos próximos dias.


A família comemorou o depósito. "Estou muito, muito feliz! Essa luta não foi só minha, foi de todo o povo brasileiro, e também do doutor Miguel Navarro, que comprou essa briga e lutou bravamente", disse Patricia Lacerda, mãe de Sofia, em fala entrecortada por lágrimas durante entrevista exclusiva aoUOL.

Segundo o Ministério, o depósito ocorreu logo após a pasta receber um laudo atestando que a criança tem condições clínicas de viajar. "A remoção, neste momento, depende da transferência dos recursos pagos ao hospital em que será realizado o tratamento. A transação bancária fica a cargo da família beneficiada", disse a instituição, em nota oficial.

Ainda segundo o ministério, até quarta-feira (25) o hospital Jackson Memorial, de Miami, fará a confirmação do pagamento, e a família poderá embarcar para os Estados Unidos para iniciar o tratamento. "O Ministério da Saúde providenciou também a cotação do voo de UTI aérea e a emissão de passaportes da criança e acompanhante em 72 horas", informou o órgão.

Síndrome de Berdon

Sofia possui a síndrome de Berdon, uma doença rara que provoca problemas no intestino, bexiga e estômago. Ela precisa de um transplante multivisceral e a família quer que a bebê seja operada nos Estados Unidos porque no Brasil a cirurgia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ainda é experimental. Nenhum procedimento do tipo foi feito no país e há apenas pesquisas sobre o assunto.

Patrícia afirmou, no entanto, que a campanha para a doação de recursos, que já arrecadou cerca de R$ 1,9 milhão, será mantida.  "A luta não termina aqui. Todas as doações serão destinadas ao tratamento da Sofia. Ficaremos dois anos no Estados Unidos e ainda nem sabemos como vai ser. O custo para a recuperação é alto", disse. A página da campanha é https://www.facebook.com/AjudeaSofia?fref=ts

Decisão judicial

O depósito atende a uma decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo (TRF). No último dia 28 de maio, o desembargador Mário Moraes havia determinado que a União providenciasse a remoção de Sofia para que fosse feito o procedimento cirúrgico, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. O procedimento será realizado pelo médico Rodrigo Vianna, brasileiro que trabalha na instituição.
Após a decisão, Sofia deixou o Hospital das Clínicas de São Paulo e foi transferida para o Hospital Samaritano, onde está internada à espera da viagem para os Estados Unidos. O prazo dado para a remoção venceu em 13 de junho, mas, em 10 de junho, a União recorreu.
A família de Sofia chegou a pedir, em 16 de junho, a prisão do ministro da Saúdepor descumprimento da decisão. Em 17 de junho, o Ministério da Saúde disse que não iria recorrer e que faria o pagamento.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Protagonismo da pessoa com deficiência visual em busca da audiodescrição

por Luciane Molina*

Luciane Molina

Nos últimos meses me dediquei exclusivamente aos cursos de formação de professores, tendo atuado, simultaneamente, em três municípios no interior de São Paulo: Caraguatatuba, Tremembé e Cruzeiro. Apesar de ministrar cursos de Braille para professores desde 2006, esses três, em especial, tiveram algo de diferente e de muito inovador. Foi a primeira vez que, em uma formação presencial, adotei a disciplina de audiodescrição (AD), dedicando um dos nossos encontros para apresentar esse recurso aos cursistas videntes. Pretendo registrar aqui o motivo pelo qual passei a investir muito na divulgação da AD entre os profissionais da educação e o público em geral.

Estar em um município no interior do Estado de São Paulo é um privilégio e, ao mesmo tempo, um isolamento cultural no que diz respeito a acessibilidade. Na medida em que as pessoas com deficiência visual começam a ter acesso à informação, em especial a existência da audiodescrição e sua crescente adoção em eventos culturais nos grandes centros urbanos, passam a cobrar acessibilidade. Entusiasmados com essa nova realidade e ansiosos pela chegada dessa novidade por aqui, esse público se sente vitorioso e aguarda, como um troféu, que tal recurso ganhe mais popularidade.

Acontece que a cobrança por si só não garante a divulgação e o protagonismo da pessoa com deficiência frente a uma acessibilidade desconhecida por muitos, porém necessária para todos. Essas pessoas precisam assumir a responsabilidade de cobrar o direito e também devem ter o dever de participação como atores desses espetáculos.

Certa vez, quando foi promovida uma peça de teatro com audiodescrição, a primeira na cidade de Guaratinguetá, acontecida em junho de 2012, muitas eram as expectativas e bastante eram os entusiasmados inscritos para esse evento. A divulgação aconteceu com muito primor, em veículos locais e regionais de comunicação, nas mídias impressas e faladas, de boca em boca e através da distribuição de panfletos em Braille. A cobrança desse público não passou de mera especulação, porque no dia do evento poucos foram os que realmente apareceram por lá. Depois disso nada mais aconteceu, nem mesmo um retorno por parte de quem assistiu, nenhuma cobrança e nenhum outro evento promovido.

Percebo que a audiodescrição é um recurso essencial para pessoas cegas e com baixa visão e que pra ganhar popularidade, até mesmo entre esse público, é preciso investir na divulgação. Antes disso, é indispensável que esse público, mesmo que minoritário, dê o feedback para que os profissionais da audiodescrição consigam compreender a abrangência e aprimorar a qualidade desse trabalho, que se encontra em franca expansão. Isso significa que não basta cobrar se não houver a participação efetiva das próprias pessoas com deficiência envolvidas e que muito se beneficiariam com a presença em massa desse recurso.

Partindo dessa premissa, passei a introduzir o conceito de audiodescrição dentro dos cursos de Braille que ministro a fim de que esses professores levem a audiodescrição para dentro de suas aulas, para as exposições escolares, para os eventos e, principalmente, interajam com o governo local para que promovam espetáculos acessíveis. De posse desse conhecimento, cabe a eles, pesquisar, estudar e expandir o conhecimento e a prática da audiodescrição quando apresentarem em suas aulas conteúdos e conceitos no formato de imagem. De repente um livro didático passa a ganhar maior significado para o aluno cego, um mapa torna-se mais compreensível, uma obra de arte, uma fotografia, um filme, entre outros. A audiodescrição está presente em todos os lugares, por todos os cantos e, dentro do ambiente escolar ela se fará visível pela voz desses professores e se multiplicará pelo ecoar de vozes em direção da pessoa cega e com baixa visão em busca de uma maior e de uma melhor acessibilidade.

Relato o quão significativa foi nossa penúltima aula em Caraguatatuba, cuja audiodescrição esteve presente durante a exposição dos conceitos e na exibição de obras que continham essa narrativa, como filmes, peças publicitárias, trecho de documentários, reportagens, teatro, esculturas e fotografias. A cada nova descoberta, as expressões de espanto e de gratidão tomavam conta do ambiente. O desconhecido universo da audiodescrição contagiou todos naquela aula. Compreenderam algumas diretrizes, prestaram a atenção em cada detalhe e começaram a perceber que nem tudo pode ser explicado e compreendido apenas por imagens. Até arriscaram algumas pequenas audiodescrições ao vivo e algumas construções improvisadas de roteiros. Embora pertençamos ao mundo visuocêntrico, muito do nosso repertório imagético depende, também, de outras sensações e é na junção de todas essas formas de perceber as imagens que eles puderam compreender a importância da tradução visual por meio de palavras.

Luciane Molina - pessoa com deficiência visual que atua com formação de professores na área da deficiência visual. Consultoria em inclusão escolar e acessibilidade.


Solicitação de seção eleitoral acessível pode ser feita pela internet

Segundo o artigo 3º da Resolução n.º 21.008/02 do TSE, até 90 dias antes das eleições (neste ano o prazo é até 07/07/2014), os eleitores com deficiência poderão comunicar ao Juiz Eleitoral, por escrito, suas restrições e necessidades a fim de que a Justiça Eleitoral, se possível, providencie os meios e recursos destinados a facilitar-lhes o exercício do voto.

Para facilitar o acesso do eleitor com deficiência a esse serviço, foi desenvolvido um formulário eletrônico, que já está disponível no portal da internet (www.tre-ms.jus.br), na opção Eleitor > Acessibilidade Requerimento. Após o preenchimento dos dados nesse formulário, um e-mail é enviado automaticamente com o requerimento pronto à Zona Eleitoral do eleitor. (Observação: Os links exemplificados acima são para os eleitores de Mato Grosso do Sul. Eleitores de outros estados deverão acessar os sites dos seus respectivos TREs, substituindo na URL o “ms” pela sigla do seu estado).

Recebido o requerimento, a Zona Eleitoral submete o pedido à análise do Juiz Eleitoral e, na medida do possível, providencia os meios e recursos solicitados.

Por fim, lembramos que, se ainda assim o eleitor não tiver como comunicar suas necessidades, ele poderá, no dia da eleição, informar ao mesário sobre sua condição, para que o auxílio adequado seja providenciado. 

Adriana Morales - Analista Judiciário do TRE-MS; graduada em Direito pela UFMS em 2006; especialista em Direito Constitucional pela Uniderp desde 2008.

Twitter: @dricamorales15

Projeto ensina dança para crianças, deficientes e idosos em Araxá

Objetivo é levar atividade para quem não tem acesso e trabalhar a inclusão.
Cadeirantes e 'andantes' compõem grupo de instrutores.


Levar a dança e a música para pessoas que não têm acesso é o objetivo de um projeto em Araxá, no Alto Paranaíba. O “Araxá Dance Company – Dança Comunidade” foi idealizado pela professora Wânessa Borges. A dançarina, que nunca encontrou barreiras na arte, começou com um trabalho de dança para cadeirantes e decidiu expandir. Atualmente, a atividade atinge crianças, idosos, deficientes visuais, mentais e de mobilidade reduzida em diferentes instituições da cidade.

Segundo Wânessa, não há distinção. “Nossos instrutores são cadeirantes e ‘andantes’. Esta convivência entre eles deixa tudo natural e é a partir disso que há a inclusão. Fazemos tudo isso pensando na qualidade da dança de forma profissional e o conviver entre as pessoas”, destacou.

O projeto atende a Associação dos Aposentados e Pensionistas, a ala de deficientes mentais do Hospital Casa do Caminho, o Centro Educacional Infantil Vovó Sérgia, o Recanto do Idoso São Vicente, o Centro Social Urbano (CSU) e a Associação de Assistência a Pessoa com Deficiência (Fada). De acordo com a professora, a modalidade da dança varia. “Para idosos, por exemplo, trabalhamos com dança de salão. Já crianças com danças populares, balé e musicalização. Para os alunos deficientes mentais, dança terapia”, explicou.

Ao todo, 15 profissionais, dentre eles cinco com necessidades especiais, qualificaram-se para repassar o conhecimento. “Nossa missão é abrir possibilidades. Nos primeiros dias que fomos trabalhar com crianças, elas não queriam as nossas músicas e sim funk ou axé. Hoje, elas têm disciplina, bons hábitos e aceitam os clássicos do balé. Conquistamos os deficientes mentais pelo som, colocamos o que eles gostam de ouvir. Para os aposentados e idosos, variamos a dança de salão. Se eles querem só forró, mostramos possibilidades como o tango e o bolero”, contou Wânessa.

De acordo com a idealizadora, o trabalho realizado durante um ano será apresentado no Teatro Municipal de Araxá, entre os dias 21 e 27 de julho, além de participar de mostras em cidades vizinhas. “Independentemente do belo espetáculo, só o fato de estarem no palco e ultrapassando todas as barreiras, isso já é alcançar o meu objetivo, além de ver a evolução e a melhor aceitação. Levo a arte até eles e, se eles acatarem, é sinal de que deu e está dando certo”, concluiu.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Aceitando as diferenças: o surdo e as LIBRAS.

Conheça o universo daqueles que apesar de não escutarem, têm muito a dizer.

Jéssica Soler

Imagem/jpress.jornalismojunior.com.br
A humanidade sempre relutou em aceitar as diferenças existentes entre os indivíduos. Desde a Antiguidade, as pessoas rejeitavam aqueles que por algum motivo divergiam do padrão estabelecido pela sociedade. No Brasil, não é difícil perceber que o preconceito para com o diferente diminuiu, contudo, é nítido que ele persiste e está atrelado ao dia-a-dia, ainda que não seja notado. Quanto aos surdos, não há muita diferença. O preconceito contra a pessoa surda existe, e somente a busca por esclarecimentos poderá reduzi-lo.

De acordo com o Art. 2o da Lei nº 10.436, pessoa surda é aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

TEXTO Uma breve história sobre os surdos e a LIBRAS
A Grécia Antiga sempre foi muito preocupada com a estética e a perfeição corporal, costumavam desprezar os deficientes. Muitos deles eram mortos logo que nasciam, justo pelo fato de não corresponderem a um ideal atlético perfeito. No livro A política de Aristóteles, o filósofo considera, aproximadamente em 300a.C., que “(...) com respeito a conhecer quais os filhos que devem ser abandonados ou educados, precisa existir uma lei que proíba nutrir toda criança deforme”.

Em relação aos surdos, a História se repete. Em Esparta, costumavam arremessá-los do alto das montanhas. Na Antiguidade Chinesa, eles eram atirados ao mar e, em Roma, não podiam exercer seus direitos como as outras pessoas. No século XIX, Jean Marc Gaspard Itard, médico cirurgião, procurando encontrar a cura para a surdez chegou a dissecar cadáveres de surdos, perfurar membranas timpânicas de alunos e até mesmo aplicar descargas elétricas nos ouvidos de alguns deles.

A educação de surdos, porém, se iniciou no século XVI, na Espanha, com Pedro Ponce de Leon, considerado o primeiro professor de surdos, que utilizava a escrita e gestos manuais simples na instrução dos alunos. Na Inglaterra, século XVII, William Holder também dava os primeiros passos para a aprendizagem dos surdos. No Brasil, a primeira escola para deficientes auditivos foi fundada em 1857, no Rio de Janeiro. A pedido de Dom Pedro II, Ernest Huet, professor surdo e francês, veio ao país ensinar a Língua de Sinais da França. Motivo que contribuiu para que, até hoje, a LIBRAS possua influências da Língua de Sinais Francesa.

Contudo, em 1880, um Congresso realizado em Milão decidiu que o ensino oralizado deveria ser privilegiado em relação ao ensino gestual, proibindo então que se utilizasse a língua de sinais em escolas. Essa decisão prejudicou o desenvolvimento das línguas gestuais em todo o mundo. Entretanto, os surdos não extinguiram os sinais de suas vidas e continuaram usando-os, às escondidas, até que pudessem, novamente, comunicar-se por meio deles. Com o passar do tempo e o surgimento de novas teorias, as línguas gestuais conseguiram, aos poucos, retomar seus papéis na aprendizagem do surdo.

No Brasil, com a promulgação da Lei nº 10.436, em 2002 e com sua regulamentação pelo decreto 5626, em 2005, a LIBRAS passou a ser a língua oficial da comunidade surda no país.

LIBRAS, o quê?
Muitas pessoas costumam passar despercebidas diante das mais de cinco milhões de outras que utilizam uma língua diferente do português para se comunicarem. Seria o inglês? O espanhol? O francês? Não! A LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais é reconhecida como o segundo “idioma” oficial.

De acordo com o Art. 1º da Lei nº 10.436, a LIBRAS é uma forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um mecanismo linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

A LIBRAS é uma língua e não apenas uma tradução do português para o gestual. Ela possui uma gramática própria, com regras independentes da Língua Portuguesa. Ao contrário do que muita gente pensa, ela também não é uma língua universal. Nenhuma língua oral, aliás, é universal. Não há motivos, portanto, para que haja uma língua gestual global. Cada país possui a sua língua de sinais oficial, como a Língua de Sinais Americana (ASL), a Língua de Sinais Francesa (LSF), a Inglesa (SE), dentre outras. Existe, porém, a Língua Internacional de Sinais (Gestuno), que é uma linguagem e não uma língua de fato, já que não possui uma gramática própria. Ela é utilizada geralmente em reuniões ou em conferências internacionais.

Juliana Fernandes, diretora administrativa da FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) na cidade de São Paulo, explica que a LIBRAS sofre alterações como qualquer outra língua. “Nós temos dialetos, temos o aipim, a mandioca e a macaxeira, no português. As línguas de sinais também possuem essas variações sócio-dialetais que nós identificamos na língua portuguesa e em qualquer outra língua oral”. Segundo Juliana, o vocabulário da LIBRAS vem crescendo cada vez mais: “Hoje em dia, os surdos estão indo fazer engenharia, arquitetura, matemática. E os sinais técnicos, os jargões existem. A língua vem sofrendo um boom, um grande aumento de vocabulário”.

A FENEIS SP
A FENEIS é uma instituição sem fins lucrativos e um dos órgãos de maior representatividade da comunidade surda no país. Desde que foi fundada, em 1987, realiza um importante trabalho de divulgação da língua de sinais. Oferece cursos de LIBRAS para surdos, intérpretes e ouvintes; promove debates, palestras e está sempre envolvida em movimentos que lutam pela causa surda no Brasil.

Juliana Fernandes explica que muitos surdos vão à Feneis SP procurar ajuda para que possam ir ao Ministério Púbico e exigir a presença de um intérprete em sua universidade. “Ainda não aconteceu, mas o dia que um surdo passar na FUVEST [Fundação Universitária para o Vestibular], será obrigatória a presença de intérpretes na USP [Universidade de São Paulo]”, completa.

Para ela, é possível garantir acessibilidade para o surdo. “A grande barreira para eles é a barreira linguística. Garantir a inclusão é garantir a presença de intérpretes nos espaços públicos. Nos cinemas, nas universidades, dentro de hospitais, aeroportos, enfim, é garantir intérpretes. Além disso, é preciso que existam mais escolas bilíngues, este é um dos grandes pleitos do surdo”.

Quanto à questão do preconceito, a FENEIS vem lutando em busca de um maior esclarecimento por parte da população. “Existe muito preconceito pelo fato do desconhecimento das pessoas. Nosso trabalho é de ‘formiguinha’, exige paciência e determinação”. Ela conta que em empresas, mesmo com a inclusão por cotas, existe receio. “Nós percebemos o preconceito ainda muito atrelado. As empresas dizem que aceitam surdos, mas querem surdos que saibam falar, escrever, fazer tudo. Ou seja, não querem um surdo, querem alguém que escute um pouquinho”.

O ambiente escolar: uma difícil escolha
Carolina Vieira Dirolli, 11 anos, ficou surda devido a uma meningite bacteriana que a atingiu ainda muito pequena. Os pais a colocaram numa escola particular regular aos dois anos de idade. Carolina sempre foi muito esperta e comunicativa, mas deu-se o momento em que ela já não conseguia mais acompanhar o ritmo de seus colegas de classe. E a escola, segundo o pai, Marcelo Dirolli, não estimulava sua filha à aprendizagem.

No começo deste ano, os pais se viram, então, numa situação complicada. Tirar a menina da escola particular, em que sempre estudara, ou procurar uma escola pública especializada. Esta é uma dúvida corriqueira de grande parte das famílias de crianças surdas.

Depois de muita procura, porém, os pais de Carol encontraram a EMEBS (Escola Municipal de Ensino Bilíngue para Surdos) Helen Keller e finalmente decidiram matriculá-la. A Helen Keller é uma escola bilíngue que atende crianças, jovens e adultos com surdez e com surdez associada a outras deficiências. As aulas, sejam elas de português, ciências ou matemática, são todas ministradas em LIBRAS. Foi a escola pioneira dentre as EMEBS de São Paulo. Possui um amplo espaço físico, com direito a playgrounds, horta, quadra, “Jardim dos Sentidos”, sala multimídia, diversos espaços de artes, um deles, inclusive, preparado para receber alunos surdo-cegos e muitos outros.

A diretora Mônica Lemos Amoroso explica que existe um grande cuidado com os alunos. “Aqui temos poucos alunos, eles são atendidos em grupos de dez, podemos dar a atenção que eles precisam”. Ela conta ainda, que a escola oferece curso de LIBRAS gratuito para pais e familiares. “É necessário facilitar a comunicação entre eles”.

Quanto a Carolina, Mônica fala sobre sua rápida adaptação. “A gente sente a diferença na aquisição da língua, quando ela chegou aqui sabia um pouquinho e, hoje, nem parece a mesma criança no sentido linguístico. Ela é muito querida, a gente vê que ela se encontrou, tem muitos amigos, não parece a mesma menina que entrou”.

Hoje, os pais de Carolina sentem que fizeram a escolha certa. Ela já possui um bom conhecimento da Língua de Sinais e consegue se comunicar muito melhor com os pais, que frequentam o curso oferecido pela escola. “Vemos que ela tem mais autonomia, mais amigos, vemos que ela pode crescer. Eu sei que foi o certo, hoje ela está feliz”, completa o pai.

Curiosidades
Já ouviu falar em cão ouvinte? Eles são cãezinhos treinados para auxiliar surdos no seu dia-a-dia. Identificados com coleiras laranja ou vestimentas com os dizeres hearing dog (cão ouvinte), esses animais são responsáveis por reconhecer sons que possam fazer parte do cotidiano de seus donos. Sendo assim, capazes de alertá-los sobre simples chamadas telefônicas e campainhas ou, até mesmo, sobre o disparo de alarmes de incêndio, choro de bebês e veículos dando ré.

A escola EMEBS Helen Keller é uma homenagem a essa grande mulher. Helen Keller (1880-1968) ficou surda-cega ainda quando criança. Com a ajuda de Anne Sullivan, sua professora, Helen cresceu, formou-se, tornou-se escritora, filósofa, jornalista, foi premiada pelas maiores instituições de ensino do mundo, em diversos países, recebeu inúmeras condecorações e sempre lutou pelos direitos dos deficientes. Uma parte de sua vida é contada no filme “O Milagre de Anne Sullivan”, que narra as dificuldades da professora para ensinar e educar a menina, até então, muito mimada e protegida pelos pais. O filme, extremamente emocionante, é um exemplo de vida e superação para cada um de nós.

Para aguçar os sentidos 
Não deixe de conferir alguns vídeos que tratam do assunto!


Para mais informações, acesse:
feneis.com.br
feneissp.org.br
surdo.org.br

Fontes: J. Press - saci.org.br

MP apura falta de profissionais para acompanhar deficientes em escolas

Colégios de Ribeirão Preto (SP) não respeitam política nacional, diz OAB.
Prefeitura alega que depende de lei municipal para contratar mais agentes.

Do G1 Ribeirão e Franca


O Ministério Público instaurou um inquérito para apurar a falta de profissionais capacitados para acompanhar alunos com algum tipo de deficiência dentro das salas de aula em Ribeirão Preto (SP). Segundo a OAB, que realizou a denúncia à Promotoria, algumas crianças estão sem frequentar a escola porque não existem cuidadores especializados nas unidades escolares.

A Política Nacional de Educação Especial, estabelecido pelo Ministério da Educação em 2008,  orienta que estudantes com deficiência sejam incluídas no ensino regular, seja em escolas da rede municipal, estadual, ou colégios particulares. Para isso, as unidades devem oferecer pessoas capacitadas para atender todos os tipos de deficiência, o que não acontece em Ribeirão Preto, segundo a advogada Samira Fonseca, coordenadora da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB.

Samira diz que já recebeu 25 reclamações de famílias, alegando falta de profissionais capacitados nas escolas. Ela afirmou ainda que entrou em contato com a Secretaria da Educação de Ribeirão, que teria prometido solucionar o problema até março deste ano. “Infelizmente, não foi o que aconteceu. Eles disseram que teria uma pessoa em cada escola e que esse número mudaria em relação à necessidade das escolas.”

Problema
A dona de casa Joana D’arc Padilha é uma das moradores que reclama da situação. Ela contou que há quatro anos tenta matricular o filho autista, de 11 anos, em uma escola de ensino regular, mas não consegue porque precisa de um mediador para auxiliá-lo. “Eu já entrei em contato com várias escolas estaduais e municipais, mas ele só é atendido pela AMA [Associação de Amigos do Autista], onde tem aulas duas vezes por semana.”

Joana D'arc diz que tenta matricular o filho autista
em escola regular há 4 anos em Ribeirão Preto
(Foto: Valdinei Malaguti/ EPTV)
A dona de casa Joana D'arc tenta há 4 anos matricular o filho autista em uma escola de ensino regular em Ribeirão Preto, SP (Foto: Valdinei Malaguti/ EPTV)
Já na escola onde o filho da dona de casa Rosana Carla dos Santos estuda, existe apenas um cuidador para cinco crianças deficientes. “Ela acaba não conseguindo dar atenção para todos eles da maneira como deveria. Fica difícil, não quero que ele fique apenas brincando na escola ou sentado na cadeira, quero que ele socialize, que aprenda”, disse Rosana.


Priorização

A coordenadora de Educação Especial da Prefeitura de Ribeirão, Odete Hirota, afirmou que a rede municipal conta, atualmente, com 57 profissionais treinados, que atuam em 70 unidades de ensino. Para a contratação de mais especialistas, segundo ela, é necessária a criação de uma lei municipal.


“Estamos com dificuldade de contratação de professores, mas elencamos as escolas com um comprometimento maior”, disse Odete, que não informou um prazo para que essa situação seja resolvida.



Violência e violação de direitos de pessoas com deficiência, negros, idosos e mulheres é tema de debate entre gestores municipais e sociedade

Seminário tem objetivo de articular profissionais de diversas áreas para a prevenção, conscientização e combate da violência.

da Redação

Com o objetivo de articular profissionais de diversas áreas para a prevenção, conscientização e combate da violência foi realizado o seminário "Violências e Violação de Direitos: Tecendo Redes de Enfrentamento", no último dia 10, no CEU Butantã. O evento é uma das ações em celebração ao Dia da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa; celebrado em 15 de julho. O cronograma deste ano esta com um formato novo de integração para refletir as bases e os fatores que integram as violências em todos os seguimentos da população, como negros, pessoas com deficiência, mulheres, idosos, entre outros.

Participaram da mesa de abertura o secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottili; a secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marianne Pinotti; a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciana Temer; coordenador de Saúde da região centro-oeste da Secretaria Municipal de Saúde, Alexandre Nemes Filho; secretária adjunta de Políticas para as mulheres, Dulce Xavier; o presidente do Grande Conselho do Idoso, Rubens Casado; e o representante do secretário Municipal de igualdade Racial Marco Antonio Silva.

A secretária municipal da Pessoa com Deficiência Marianne Pinotti falou a importância da articulação das diversas secretarias para o combate e prevenção à violência. “Necessitamos unir nossas forças para que todos os segmentos da população, sejam eles idosos, pessoas com deficiência, mulheres ou negros, não sofram mais com a violência”, disse a secretária.

Em seguida, iniciou a mesa de reflexão sobre os desafios para articulação em redes de Políticas de Enfrentamento das Violências no município de São Paulo, onde representantes das secretarias municipais e demais participantes falaram das ações que estão realizando na cidade.

A Coordenadora de Projetos de Inclusão da SMPED, Liliane Garcez, falou sobre o Plano São Paulo Mais Inclusiva e da importância de articulação das políticas públicas para a realização das ações para os munícipes. “Não dá para pensar em políticas públicas desarticuladas. A integração das secretarias municipais é de extrema importância para realizarmos uma ação que de fato irá beneficiar a população”, completou a coordenadora.

Outros seminários estão sendo agendados para dar continuidade ao processo de articulação.

Jovem supera deficiência e escreve livro para contar sua história

Messias Fernandes tinha apenas 14 anos quando, após bater a cabeça no fundo de um rio, perdeu o movimento dos braços e das pernas. Da experiência nasceu o livro “Renascendo de um mergulho. Uma história de luta e fé”.

da Redação

Imagem/www.renascendomergulho.com.br
A obra, editada pela Nitpress, traz a trajetória do autor pernambucano desde o acidente, ocorrido quando passava férias no Rio de Janeiro, até sua recuperação e suas conquistas profissionais. A apresentação é do médico ortopedista Deusdeth Gomes do Nascimento, especializado em cirurgia de coluna vertebral e atual presidente da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR).

Nascimento foi o médico que acreditou na recuperação de Messias e decidiu operá-lo, contrariando os prognósticos. E foi na instituição que o autor iniciou sua reabilitação, voltando um ano e meio depois para Pernambuco.

Em uma narrativa emocionante, Messias Fernandes detalha os sentimentos e acontecimentos que envolveram o acidente, e relata como conseguiu dar a volta por cima.

Livro: Renascendo de Um Mergulho – Uma história de luta e fé
Editora: Nitpress
À venda: http://www.renascendomergulho.com.br/
Preço: R$ 29,90

Sobre o autor: Messias Fernandes de Oliveira nasceu em 10 de fevereiro de 1981, na cidade de Limoeiro, interior de Pernambuco, e viveu grande parte de sua vida em Bom Jardim. É o caçula de uma família de 12 irmãos, sendo oito deles por parte de pai. Tem no cavalo a sua grande paixão. Após o acidente, ficou internado na ABBR por um ano e meio, retornando depois para o nordeste. Voltou ao Rio anos mais tarde, formando-se em Psicologia em dezembro de 2009. Trabalha hoje atendendo pacientes na instituição que o reabilitou.

Justiça nega recurso e bebê com doença rara vai aos Estados Unidos

Estadão Conteúdo

José Maria Tomazela

         Divulgação/Campanha Ajude a Sofia
         16.jun.2014 - A menina Sofia Lacerda sofre de síndrome de Berdon, , doença rara que afeta o sistema digestivo, e precisa de um transplante que não é realizado no Brasil
A menina Sofia Lacerda sofre de síndrome de Berdon, , doença rara que afeta o sistema digestivo, e precisa de um transplante que não é realizado no Brasil.


Sorocaba - O Tribunal Regional Federal (TRF) em São Paulo manteve a liminar que determinou a transferência da menina Sofia Lacerda, de cinco meses, internada em Sorocaba, para um hospital de Miami, nos Estados Unidos. A criança é portadora da síndrome de Berdon, doença que afeta o sistema digestivo, e precisa de um transplante para sobreviver. Hospitais brasileiros não têm condições de realizar a cirurgia. O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira, 17, que está providenciando o transporte para Sofia.

A transferência para o hospital americano havia sido determinada após ter ficado comprovado que não havia condições de fazer e cirurgia no Brasil. O custo do transplante é de R$ 2,4 milhões e, conforme a liminar do TRF, o Estado brasileiro tem de prover os meios para o tratamento. O prazo para providenciar o transporte do bebê venceu na última sexta-feira, 13, mas o Ministério entrou com recurso. Na segunda-feira, 16, o advogado da criança chegou a pedir a prisão do ministro da Saúde, Arthur Chioro, por descumprir a ordem judicial. Em resposta, o Ministério informou que irá cumprir a decisão da Justiça.



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Experiência Única

por 

Meus Amigos, hoje fiz a minha estreia assistindo ao vivo um jogo de Copa do Mundo. Vi França e Honduras. Foi sensacional! Que bom se um jogo de futebol fosse sempre assim.

Primeiramente, fiquei feliz por poder levar o meu pai (foto ao lado). Ele não ia a um estádio fazia 13 anos.O último jogo dele tinha sido um Brasil e Paraguai, em 2001, pelas eliminatórias da Copa de 2002. Bom, saímos de casa às duas e quinze (a partida foi às quatro). O trânsito, obviamente, estava pesado. Depois, piorou porque o ônibus de Honduras passou do nosso lado. Confesso que achei que não fosse dar tempo. Mas nada como ter um adesivo para pessoas com deficiência. Chegamos ao Caminho do Gol e aí tudo melhorou 1000%. Poucas pessoas tinham essa autorização. Eram várias pistas e estávamos praticamente sozinhos. Seguimos as indicações dos voluntários e chegamos fácil ao estacionamento.

Chegando no estacionamento (que é um pouco longe do estádio), pegamos o carrinho de golfe prometido e nos aproximamos do Beira Rio. Passamos pelo detector de metais (tinha fila preferencial) e pela catraca. Aqui, uma crítica: a sinalização da sua fileira e da sua cadeira não é clara. Precisamos da ajuda do pessoal de apoio para achar os nossos lugares. Mas também um baita elogio: o Beira Rio tá lindo. Me rendi, colorados! Parabéns! Só precisa tirar uns pontos cegos (foto ao lado). Mas, de resto, ficou muito legal o estádio.

Deixa eu falar um pouco do serviço de segurança. Aqui está um dos aspectos mais importantes do padrão Fifa. O policiamento local não entra no estádio. Os seguranças também servem de orientadores. Não deixam os torcedores ficarem de pé (por causa dos malditos pontos cegos. Franceses tiraram a minha visão várias vezes) e não deixavam as pessoas cortar caminho. Sempre interviram rapidamente.

O jogo foi como se imaginava. Honduras até jogou de igual para igual nos primeiros momentos mas depois do pênalti e do hondurenho expulso, a França se impôs e mereceu os 3 a 0.

A torcida foi o ponto alto da tarde. Uma convivência extremamente pacífica. Como eu disse no facebook, parecia que eu estava na Disneylândia do futebol. Camisetas de vários times e seleções, hondurenhos e franceses torcendo lado a lado. Hondurenhos reclamavam da arbitragem, franceses ironizavam imitando choro e ficava por isso mesmo. Sem brigas. Colorados cantaram "vamo, vamo Inter" antes do jogo (acho que eles pensaram que estavam numa partida de Gauchão). Gremistas ensaiaram um grito no segundo tempo e foram vaiados pelos torcedores do Inter. Mas nada além disso. Tudo na maior civilidade. Como devia ser sempre.

E essa foi a maior lição do jogo de hoje: futebol pode se feito só com alegria e respeito. Torcedores adversários podem conviver lado a lado numa boa. O acesso dos torcedores, dentro e fora do estádio, pode ser facilitado. Quarenta e cinco minutos depois da partida, eu já estava em casa.

Assim dá gosto de ir num jogo de futebol. Gostaria de vivenciar isso outras vezes, aqui no Brasil mas acho muito difícil. Nosso futebol é muito esculhambado na organização.
Nas oitavas de final, eu volto. Até lá!

Cinemas cariocas terão salas equipadas para deficientes visuais e auditivos

Enquanto algumas salas fecham, outras se adaptam. Na semana em que frequentadores de cinemas do Rio receberam com pesar a notícia de que dois cinemas tradicionais da cidade encerrariam as atividades por tempo indeterminado — o Cine Leblon, por uma crise financeira, e o Cine Odeon, para reformas — a Secretaria Muncipal de Cultura anuncia um edital para ampliar a inclusão de deficientes visuais e auditivos em dez salas de cinema digitais da cidade, num prazo de, no máximo, cinco meses.

Intitulado “Cinema acessível RioFilme”, o programa vai oferecer R$ 200 mil para que dez cinemas de diferentes regiões da cidade criem a estrutura tecnológica necessária para a exibição de filmes com ferramentas de audiodescrição, para deficientes visuais, e legenda oculta, para deficientes auditivos.

É menos complicado do que parece, explica o secretário e presidente da RioFilme Sérgio Sá Leitão, ao detalhar o software a ser implementado nas salas contempladas.

— O processo é muito simples, por isso deverá ser concluído em cinco meses, no máximo. Cada sala deve licenciar o software necessário, adaptar as salas com wi-fi e oferecer alguns tablets para os usuários que não tenham. O espectador com deficiência sensorial vai usar o aplicativo correspondente no tablet ou smartphone durante a exibição do filme. O que também não atrapalha os outros espectadores, pois o aplicativo é usado em tela sem brilho — explica o secretário. — Há um público significativo na cidade, cerca de 10% da população, que tem algum tipo de deficiência sensorial, e acaba ficando excluído da experiência de assistir a um filme no cinema. Há uma pressão por acessibilidade pela sociedade e o setor de exibição ainda não havia se manifestado neste sentido.Decidimos facilitar as coisas. Se as salas não se adaptam por conta própria, vamos romper a inércia, bancando a adaptação de pelo menos dez delas.

De acordo com Sá Leitão, o Rio será pioneiro na experiência, pois não há iniciativas semelhantes no país. A tecnologia necessária foi importada da Espanha, país que já tem 100 cinemas totalmente adaptados.

Além de ser uma questão de cidadania, é preciso mobilizar o mercado distribuidor. Não adianta as salas se adaptarem se os distribuidores não oferecerem os filmes com essas opções de exibição (com audiodescrição e legenda oculta) — atesta o secretário, lembrando que os próprios títulos da RioFilme terão de ser acessíveis a partir deste ano, como uma contrapartida obrigatória registrada em contrato.

Sobre a implantação da tecnologia nos equipamentos da própria prefeitura, o secretário garante que será feita depois de uma avaliação do funcionamento dessas dez salas experimentais.

— Em cinco anos, todas as salas de cinema da cidade, e estamos falando de 150, deverão estar adaptadas. É importante que esta medida não seja obrigatória, coercitiva, para que o próprio mercado absorva a demanda de maneira espontânea. Os exibidores, distribuidores e o próprio público vai perceber que é possível tornar o cinema mais acessível a custo baixo, ampliando a receita do setor na cidade — argumenta o secretário, lembrando que é a receita o principal problema dos cinemas de rua atualmente.

Fontes: Site do Jornal O Globo e Blog Sempre Incluídos - fernandazago.com.br