sábado, 26 de julho de 2014

Pesquisadores criam ferramenta que faz cegos enxergarem com o ouvido

Projeto apelidado de “olho biônico” usa a mesma técnica dos morcegos. Ao encontrar obstáculos, ondas de ultrassom alertam para a distância do objeto.

  


Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte criaram uma ferramenta importantíssima para deficientes visuais.

Cada degrau é um obstáculo a menos para Bruno Lima. A bengala é a única ferramenta que ele tem para andar com um mínimo de segurança nas ruas. Mas ela não evita os acidentes.

Click AQUI para ver o vídeo.

"Orelhão é um caso seríssimo, porque a bengala não consegue detectar a parte de cima do orelhão. Ela só consegue detectar o chão”, explica o professor Bruno Lima.

Vanessa já passou por situações mais graves. "Fui acidentada em dois bueiros: um na universidade, outro próximo à minha casa. Ao chegar, caí, me machuquei, arranhou as pernas e a cabeça também bateu, na hora que eu caí", lembra a funcionária pública.

Em Natal, como na maioria das cidades do Brasil, a situação das calçadas é esta: tem carro estacionado em local onde só deveria ter pedestre, tem calçada desnivelada. Uma delas foi transformada em escadaria. Isso sem falar nos buracos, nos postes, enfim, diversos problemas que são difíceis de ser combatidos.

Mas um grupo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte resolveu ajudar os deficientes visuais a enxergar estes problemas de outra forma.

O primeiro teste foi num estúdio, com obstáculos que simulam situações encontradas na rua. O projeto, apelidado de “olho biônico” usa a mesma técnica dos morcegos, que emitem ondas de ultrassom. Ao encontrar obstáculos, essas ondas retornam. Com base no tempo desse retorno, é possível calcular a distância até o objeto.

O sistema utiliza três sensores: um instalado na aba do boné. Outro na altura da cintura, na própria bengala; e o terceiro na ponta da bengala.

“Ele pega aquela emissão de som e transmite esse sinal para o sensor auditivo do deficiente visual, orientando ele sobre a distância, se é um buraco, a que distância está esse buraco  ”, explica Ricardo Valentim, coordenador do projeto.

Um aplicativo, instalado no celular, emite os alertas sonoros. Levamos o equipamento para rua. Durante a caminhada a pessoa escuta mensagens diferentes. O resultado surpreendeu.

"Eu estou até emocionada, sabe, assim, de perceber que a gente vai poder andar na rua sem se machucar", afirma Vanessa da Silveira, funcionária pública.


E os pesquisadores disseram que gastaram um total de R$ 60 para desenvolver esse primeiro aparelho.

Universitárias criam tabela periódica para cegos

Alunos com deficiência visual que estudam na rede pública vão receber uma ferramenta importante para o aprendizado de uma disciplina que costuma ser temida. Seis estudantes do 2º e 3º anos de química e engenharia química da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) estão finalizando o protótipo de uma tabela periódica para cegos.

          Química
         Estudantes testam protótipo da tabela periódica; crédito: divulgação    

O projeto é constituído de duas partes: a primeira é a distribuição eletrônica de Linus Paulling em forma de uma régua, onde o aluno com deficiência visual localiza o período e o grupo do elemento químico; a segunda é a tabela periódica propriamente dita, produzida em placa na mesma composição dos grupos da tabela impressa, para que ele encontre o elemento e as informações do símbolo, da nomenclatura, da massa atômica e da sua estrutura eletrônica.
Ligiany, Anna Caroline, Karolina, Letícia e Bruna catalisando o silicone para criar o molde
“Ambos serão confeccionados em resina cristal, que permite rápida secagem, leveza do material, resistência e boa apresentação do relevo braille”, afirma Marcos Freitas de Moraes, professor que orienta as estudantes Anna Caroline Rodmann, Bruna Rafaella dos Santos, Letícia Costa Curta, Ligiany Passos, Karolina Royer e Paula Nogueira.
Já existem várias tabelas impressas através das impressoras braille. O maior problema é que o tamanho da página é muito grande, e a quantidade de folhas, também. Com o passar do tempo, de tanto manipular o material, o relevo começa a amassar, deixando uma lacuna na informação.
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Alunas preparam protótipo usando tesoura, cola e máquina Braille; crédito: divulgação
“Com o material resinado e em forma de placas, o aluno somente manipulará o grupo indicado na distribuição eletrônica ou o que lhe interessar estudar, sem se preocupar com a pressão do seu tato”, explica o professor.
A aluna Edina tendo contato com a régua da distribuição
Uma aluna com deficiência visual do Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) de Toledo (PR) já está testando o material eletrônico. A tabela periódica está em fase de montagem das peças, que foram moldadas em silicone.
Peça seca, sendo retirada do molde sem acabamento
“Alunos que precisam de uma atenção especial muitas vezes deixam de aprender por falta de materiais didáticos”, diz Moraes. “Sou professor de matemática e trabalho com um material chamado Multiplano, para cegos. Nos colégios que possuem essa ferramenta, os alunos têm uma grande facilidade para entender a potenciação. O mesmo não acontece nas que não a possuem.”
“Ensino da Química: a Distribuição Eletrônica e a Tabela Periódica para Alunos com Deficiência Visual” venceu o edital de apoio à pesquisa do Parque Tecnológico Itaipu, recebendo um aporte de R$ 72.980 para o pagamento de cinco bolsas de iniciação científica e a aquisição de materiais para a construção do protótipo.
A proposta surgiu durante um curso sobre inclusão oferecido pelo Programa Institucional de Ações Relativas a Pessoas com Necessidades Especiais (PEE) no campus de Cascavel da Unioeste.
“A universidade é feita para a comunidade”, pontua Moraes. “Tenho certeza que a satisfação de saber que um aluno aprendeu algo sobre a tabela periódica através do material desenvolvido por elas é gratificante, sem dúvida nenhuma. Isto é permitir a verdadeira inclusão social.”

Workshop - Ensinar com criatividade para expandir os limites

tema: "“O aluno com deficiência visual e deficiência múltipla na escola regular: professores do ensino regular, do atendimento educacional especializado e os pais, como parceiros na educação inclusiva”".

            Workshop - Ensinar com criatividade para expandir os limites
Imagem de um quadro de lousa com três postits fixados com taxinhas e as informações do workshop distribuidas com textos coloridos.

WORKSHOP - ENSINAR COM CRIATIVIDADE PARA EXPANDIR OS LIMITES
Tema - “O aluno com deficiência visual e deficiência múltipla na escola regular: professores do ensino regular, do atendimento educacional especializado e os pais, como parceiros na educação inclusiva”.

16, 17 e 18 de setembro de 2014 | 8h00 - 17h00

Objetivo EspecíficosPropiciar a troca de experiências com professores do ensino da matemática, biologia e geografia em parceria com professores do apoio educacional especializado em diferentes modalidades de atendimento.
Área - PedagogiaPúblico Alvo
  • Professores do ensino fundamental I e II, ensino médio, educação de jovens e adultos e do apoio educacional especializado.
  • Estudantes de pedagogia, matemática, biologia e geografia.
  • Psicólogos
  • Pesquisadores
  • Profissionais de áreas afins.
InvestimentoO valor inclui: coffee-break, almoço e certificado.
  • Por área de interesse - 01 dia - R$100,00
  • Integral - 03 dias - R$250,00
Desconto 15%
Para os três dias aos estudantes dos cursosde graduação.
Desconto 15%

Para os três dias: grupos com 05 pessoas.
 
16 de Setembro de 2014

8h00 Credenciamento e Abertura
8h30 Coffee-break
9h00 - 11h30 Painel: Importância, Articulação e Modalidades do Atendimento Educacional Es­pecializado no Ensino Regular.

Palestrantes convidados
• Profa. Josely de Castro
• Profa. Dra Shirley Maia
• Profa. Mestre Walkíria de Assis

11h30 - 12h30 Interação com os participantes por meio de perguntas escritas.
12h30 - 13h30 Almoço
13h30 - 14h30 Painel: Importância da Institui­ção Especializada no Cenário Social, Educacio­nal, Profissional e Político.
14h30 - 15h30 Palestra Magna: A importância da família, da escola e da sociedade na educa­ção da pessoa com deficiência visual e múltipla.
15h30 - 15h45 Coffee
15h45 - 17h00 Experiências de Sucesso: Apresenta­ção de posters com o trabalho dos convidados e da equipe técnica Laramara.

17 de Setembro de 2014

8h00 - 10h00 Definição e conceituação Deficiên­cia visual: Cegueira e Baixa Visão.
Características do aluno com cegueira e a importância das adaptações curriculares.
10h00 - 10h30 Coffee
10h30 - 12h30 Características do aluno com baixa visão e a importância das adaptações curriculares.
12h30 - 13h30 Almoço
13h30 - 15h30 Definição e conceituação Deficiên­cia Múltipla Características do aluno com Defici­ência Múltipla e a importância das adaptaçõescurriculares.
15h30 - 15h45 Coffee
15h45 - 16h30 O papel da audiodescrição na es­cola e vida social.
16h30 - 17h00 Educação Tecnológica

18 de Setembro de 2014

8h00 - 10h30 Painel: Estratégias para as adap­tações curriculares nas disciplinas exatas ebiológicas no ensino fundamental II e médio - Geografia e Matemática.

10h00 - 10h30 Coffee
10h30 - 11h30 Painel: Estratégias para as adap­tações curriculares nas disciplinas exatas e biológicas no ensino fundamental II e médio -Biologia.
Palestrantes Biologia (60 minutos).

11h30 - 12h30 Interação com os participantes: Levantamento de necessidades e dificuldades.
12h30 - 13h30 Almoço
13h30 - 17h00 Como trabalhar o ensino da biologia.
13h30 - 17h00 Como trabalhar o ensino da matemática.
15h15 - 15h30 Coffee
13h30 - 17h00 Como trabalhar o ensino da geografia.
17h00 Avaliação e encerramento.

INFORMAÇÕES
eventos@laramara.org.br
(11)3660-6412


Essas pessoas com deficiência

“Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho ímpar.”

Carlos Drummond de Andrade, Igual-Desigual, in A Paixão Medida (1980).


Por Lucio Carvalho*

                              Inclusive - diversidade.

Elas já foram deficientes. Excepcionais. Portadores de deficiência. Portadores de necessidades especiais. Agora, ou melhor, desde que a Convenção sobre Os Direitos das Pessoas com Deficiência foi promulgada com status de emenda constitucional, em 2008, são apenas pessoas com deficiência. Mas nem assim cessou o preconceito e superou-se a estigmatização.

Como parece impossível que sejam pessoas simplesmente nomeadas ou apontadas em um contexto social heterogêneo, a redação jornalística contemporânea vem encontrando novas e inadvertidas forma de estigmatização. Pessoas com deficiência, para efeito de referência, são “essas pessoas”. É o que se encontra invariavelmente em 99% dos textos jornalísticos e reportagens sobre qualquer tema envolvendo a deficiência. Por que não simplesmente usa-se “eles”, “nós” ou os demais pronomes pessoais e oblíquos disponíveis no vernáculo é algo ainda a ser melhor compreendido.

O problema é que, até chegar ao ponto de compreender o que acontece, muito do que está oculto e embutido na linguagem e na forma como ela é empregada emerge, quando não simplesmente salta aos olhos. Ou até mesmo agride.

Isso é o que acontece, por exemplo, quando se procura usar qualquer tipo de deficiência como um qualificativo, ou até mesmo uma metáfora. Ser cego, surdo, autista ou ter uma deficiência intelectual não são experiências comparáveis, razão pela qual o uso de qualquer um dos termos (e qualquer outro tipo ou denominação e deficiência) resvala quase sempre para um significado depreciativo, o que empresta e corrobora um sentido negativo para as condições, absolutamente normais na experiência humana.

Desde que foi introduzida por aqui a controvertida ideia do “politicamente correto”, a situação não melhorou nem um pouco, porque o cuidado excessivo acaba derivando para outra forma de discriminação e exageros igualmente estigmatizadores. Uma dica elementar para alguém entender se está se referindo de forma efetivamente preconceituosa, ao usar uma metáfora ou comparação, é verificar se o termo escolhido é elogioso ou caluniante. Se for caluniante ou prestar-se a um xingamento, não há então do que duvidar, é preconceito.

O “essas pessoas”, no entanto, surge em muitos outros contextos e, na maioria das vezes, de forma absolutamente gratuita. Seja num anúncio simples de um serviço oferecido às pessoas com deficiência ou uma situação envolvendo grupos sociais, quando se refere às pessoas com deficiência como “essas pessoas” o que se obtém é uma diferenciação automática em relação aos demais e uma uniformização de identidades.

Como se de um contexto social múltiplo e diversificado elas fossem arrancadas ao grupo homogêneo de seus iguais, quando é óbvio pensar que, como quaisquer outras pessoas, nem mesmo pessoas com a mesma deficiência são pessoas iguais, imbuídas de uma personalidade única. Além disso, a deficiência é uma expressão decorrente da relação do indivíduo com o meio social, não é um conceito ambulante.

Talvez alguém faça a objeção de que é apenas uma tentativa de agrupamento, inocente e inofensiva, que aqui há mais politicamente correto. Basta substituir o termo por outros e proceder a verificação. Se, em um texto, por exemplo, sobre a população negra, gays ou outras minorias se substituísse o coletivo por “esses negros”, ou “esses gays” ou mesmo “essas pessoas” o texto soaria claramente preconceituoso, não? Por que então, com as pessoas com deficiência, poderia ser diferente?

Cada pessoa é uma pessoa e cada pessoa com deficiência é uma pessoa também, por isso utilizar a expressão “essas pessoas” na redação jornalística ou em qualquer outra é um tipo de uniformização sem sentido. Caso se tratasse de animais, poderia dizer-se “essas vacas” ou “esses dromedários”, mas ao tratar-se de pessoas nunca é demais lembrar que ninguém é igual a ninguém e que tomar o sujeito pela característica anula o que há de mais precioso nele, ou seja, sua própria, implícita e incomparável humanidade.

* Coordenador-Geral da Inclusive – Inclusão e Cidadania

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Profissionais da área da saúde auxiliam atletas brasileiros durante o Mundial de Tiro Esportivo

                               Graziella Batista/CPB/MPIX
                        Delegação brasileira em Suhl, na Alemanha

Foco, concentração e equilíbrio são as principais características do tiro esportivo. Para dar o devido suporte aos atletas da Seleção Brasileira que estão participando do Mundial da modalidade, em Suhl, Alemanha, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) põe à disposição dos participantes uma equipe multidisciplinar, que inclui preparador físico e psicóloga – profissionais que se adequam às características do esporte.
Rodrigo Hernandes é educador físico e há um ano participa da preparação dos atletas brasileiros. Apesar do pouco tempo à frente do grupo, desenvolveu um estudo entre os atiradores para captar as características e necessidades de cada um. Ele implementou ainda um trabalho que permite mexer com o equilíbrio postural do atleta, um exercício chamado de propriocepção. A prática ainda oferece, segundo Rodrigo, um desconforto para o momento da execução do tiro.
“É basicamente uma simulação que fazemos para que, na hora da competição, o atleta saiba o que fazer. Eu tiro ele do ponto natural para que consigam superar o estresse na prova, como uma possível rajada de vento ou uma possível falta de iluminação no alvo, por exemplo”, explica o profissional.
No ramo do esporte de alto rendimento há 12 anos, Rodrigo Hernandes ressalta que trabalhar com o tiro esportivo envolve cuidados específicos. “Nem todos os atletas estão acostumados a fazer atividade física como parte do treino. E é necessário que eles façam, a fim de prevenir lesões. Em uma prova masculina, podem ser feitos mais de 100 movimentos repetidos com a arma. Os nossos atletas já entenderam essa necessidade e já aceitam o meu trabalho”, disse Rodrigo, que durante o Mundial observou que grande parte das seleções também realizam este trabalho.
Já Sílvia Deschamps, a responsável pelo trabalho psicológico do grupo, exerce um papel que visa a melhora contínua dos atletas brasileiros. “O esporte de alto rendimento está ligado à mentalidade. Eu estou sempre perto dos atletas para conversar, escutar as metas deles e tirar o maior proveito. Muitos deles vêm com alguns problemas anteriores, que tentamos amenizar para eles estarem o mais focado possível para a competição”, disse.
Resultados
Nesta quinta-feira, 24, dois atletas brasileiros competiram no Mundial de Tiro Esportivo, em Suhl, Alemanha. Debora Campos e Geraldo Von Rosenthal estiveram no estande e participaram da prova P4, Pistola Livre – 50m. O gaúcho terminou em 30º, com 501 pontos somados, e a carioca encerrou em 40º, depois de registrar 476 pontos. Vale ressaltar que Debora assegurou na quarta-feira um lugar para o Brasil nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016. Ela é a primeira mulher do país a conseguir tal feito.

Em contagem regressiva para o fim da competição internacional, nesta sexta-feira, 25, o Brasil compete com Carlos Garletti e Helcio Perilo na prova R7, Carabina .22 – 50m Três Posições.
O Mundial de Tiro Esportivo Paralímpico tem a participação de 270 atletas, de 55 países. O evento distribuirá 63 vagas para os Jogos Paralímpicos do Rio-2016. Os que não obtiverem índice neste ano, ainda poderão tentar nas etapas da Copa do Mundo da próxima temporada.
Fotos: www.fotocom.net e www.flickr.com/photos/cpboficial
Assessoria de Imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro em Suhl
Rafael Moura (rafael.moura@cpb.org.br / 61 8117 9926 – disponível no WhatsApp)

Fonte:cpb.org.br

SP: Aplicativo avisa chegada de ônibus a deficientes visuais

                         
Pessoas com deficiência visual que utilizam o transporte municipal de São Caetano (SP) passaram a contar, desde o dia 16, com um aplicativo para smartphone que avisa, por voz, qual ônibus está se aproximando do ponto de parada. A primeira versão do programa já funciona desde o mês passado.

A iniciativa é do morador da cidade e programador Luiz Eduardo Porto, que possui deficiência visual. “Um dia fui pegar ônibus e não tinha ninguém para me ajudar no ponto. Tive que ficar atento ao barulho e dar sinal, perguntando para o motorista se ia para onde eu queria.”

O programador se reuniu com a Prefeitura, a Vipe (Viação Padre Eustáquio), responsável pelas linhas municipais, e a Cittati, empresa que desenvolveu o aplicativo e é especialista em soluções de Mobilidade Urbana. “A aplicação do comando de voz em São Caetano foi fácil porque a cidade tem apenas uma prestadora de serviço”, disse o gerente de produtos da Cittati, Ramon Canales.

A Prefeitura não teve nenhum gasto para a implantação, que foi totalmente custeada pela Vipe. A ferramenta é gratuita e está disponível para os celulares com sistema Android ou iOS.


Cadeirante registra BO por ter embarque em ônibus negado

Fabiana Marchezi Do UOL, em Campinas (SP)

Imagem Internet/Ilustrativa
Um cadeirante de 30 anos registrou boletim de ocorrência nesta terça-feira (23) após ter sua entrada em um ônibus do transporte coletivo negada por um motorista no centro de Campinas (93 km de São Paulo).

"Me senti sem valor nenhum. É como negar meu direito de ir e vir. Isso não pode acontecer novamente. Ele tinha que ter me embarcado. Eu estava indo trabalhar", disse o recepcionista Fábio Pereira Rodrigues.

Rodrigues disse que diariamente embarca no mesmo ônibus no ponto da rua Doutor Mascarenhas para ir ao trabalho, mas dessa vez a vaga de cadeirante estava ocupada.

"O motorista do ônibus que eu uso todos os dias me mostrou que a vaga estava ocupada e me orientou a entrar no ônibus que estava atrás. Quando eu pedi para embarcar no outro veículo o motorista fingiu que não viu e me deixou para trás. Aí eu aproveitei que o semáforo fechou e fui para o meio da rua, parei na frente do ônibus e impedi que ele saísse. Mesmo assim, ele não quis me levar", disse.

Segundo ele, várias pessoas que passavam pelo local e os próprios passageiros do coletivo ficaram revoltados com a atitude do condutor. "O motorista chegou a cruzar as pernas sobre o volante e não me embarcou, por isso liguei para polícia. Essas atitudes fazem a gente se sentir muito mal", afirma o cadeirante.

Assim que a polícia chegou, Rodrigues liberou o trânsito e os policiais o orientaram a ir à delegacia.

"Os próprios passageiros desembarcaram do ônibus e os policiais me ajudaram a subir no coletivo. Depois eles pediram para o motorista me levar à delegacia. A viatura acompanhou o ônibus", afirmou.

Segundo Rodrigues, o motorista acompanhou, de longe, a elaboração do boletim de ocorrência e depois foi embora.  

De acordo com Rodrigues, situações como a vivida nesta terça são comuns para pessoas que têm esse tipo de dificuldade.


"Infelizmente, eu passou por esses constrangimentos direto, desde que fiquei paraplégico, aos 9 anos, quando fui atingido por uma bala perdida", contou. O acidente aconteceu quando ele ainda morava em Fortaleza, no Ceará, onde nasceu.

Apesar de suas limitações, Rodrigues sempre tentou levar uma vida normal. Há nove meses, conseguiu seu primeiro emprego, como recepcionista de um hospital de Campinas, e cursa o 3º ano de faculdade. Ele estuda Sistemas de Informação.

"Tudo o que dá pra fazer sozinho eu faço, mas para algumas coisas, preciso de ajuda. O motorista só teria que descer o elevador e me ajudar a subir, mas ele se recusou", disse.

O boletim de ocorrência foi registrado no 1º Distrito Policial de Campinas como não criminal. A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) informou que a Itajaí, empresa responsável pelo ônibus, abriu uma sindicância para apurar o caso e admitiu a falha do motorista em não embarcar o passageiro.

O condutor recebeu uma suspensão de um dia e vai passar por reciclagem por descumprir o determinado pela empresa.

Segundo a Transurc, a Itajaí pediu desculpa em nome da empresa e do motorista ao passageiro. Apesar de aceitar as desculpas, Rodrigues disse que pretende processar a empresa por danos morais.

Fonte:noticias.bol.uol.com.br - Imagem Internet/Ilustrativa


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Médicos da Índia removem 232 dentes da boca de menino

BBC
                                                                                                                                                                                                               BBC
        Caso de Ashik Gavai foi descrito como "muito raro"
        Caso de Ashik Gavai foi descrito como "muito raro"


Médicos da Índia extraíram 232 dentes da boca de um garoto de 17 anos, em uma operação que durou sete horas.
Ashik Gavai chegou ao hospital com um inchaço na mandíbula direita, disse à BBC Sunanda Dhiware, a chefe do Departamento de Ortodontia do JJ Hospital de Mumbai, maior cidade da Índia.

O adolescente vinha sofrendo havia 18 meses e veio da sua aldeia para a cidade depois que os médicos locais não conseguiram identificar a causa do problema.

BBC

O pai de Ashik, Suresh Gavai, citado pelo jornal Mumbai Mirror, disse que seu filho se queixava de dor intensa havia um mês. "Eu estava preocupado que poderia ser um câncer, então eu o trouxe para Mumbai", disse Suresh.

Os médicos haviam descrito sua condição como "muito rara" e "um recorde mundial".

"O incômodo de Ashik foi diagnosticado como um complexo tumor odontogênico em que em uma única cavidade da gengiva se formaram vários dentes. É um tipo de tumor benigno", disse Dhiware.

'Pequenas pérolas brancas'

A médica contou que, no início, "não podíamos cortar os dentes, então tive que usar dois instrumentos simples (um cinzel e um martelo) para arrancá-los".

"Pequenos dentinhos, que pareciam pérolas começaram a sair, um a um. Inicialmente, nós os guardamos, eles pareciam verdadeiras pequenas pérolas brancas. Depois começamos a ficar cansados. Contamos 232 dentes", acrescentou.

BBC

A cirurgia, realizada na segunda-feira, envolveu dois cirurgiões e dois assistentes. Ashik agora tem 28 dentes.

Descrevendo o caso como "muito raro", Dhiware disse que nunca tinha visto "nada igual na minha carreira de 30 anos", mas ressaltou que estava "radiante de receber um caso tão interessante".

"De acordo com a literatura médica disponível sob o assunto, tínhamos conhecimento de um caso que afetou a mandíbula superior em que, no máximo, 37 dentes foram extraídos a partir do tumor. Mas, no caso de Ashik, o tumor foi encontrado no fundo da mandíbula inferior e tinha centenas de dentes."

Lesão medular: para além do chute da copa

Por Marina Gomes, na Ciência e Cultura

  Exibição do exoesqueleto na abertura da Copa. Um juiz segura agachado uma bola que será chutada por pessoa utilizando o exoesqueleto.

GOMES, Marina. Lesão medular: para além do chute da copa. Cienc. Cult. [online]. 2014, vol.66, n.2, pp. 8-10. ISSN 2317-6660.

“Você já andou hoje?”, essa é uma das perguntas que mais se ouve no Laboratório de Biomecânica e Reabilitação do Aparelho Locomotor, do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A frequência do questionamento não causaria espanto se a sala, quase escondida ao fim do longo corredor, não fosse o local de tratamento de pacientes com lesão medular.

Lá, cem cadeirantes recebem tratamento com eletroestimulação neuronal, técnica que consiste em ligar eletrodos que transmitem pequenos choques ao músculo paralisado, provocando contração muscular. A partir desses estímulos, “eles apresentam movimentos involuntários e depois, de forma ainda não completamente compreendida, é reestabelecida a conexão com o cérebro”, explica Alberto Cliquet Júnior, professor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e do Departamento de Engenharia Eletrônica da Universidade de São Paulo (USP).

Lesões na medula, se graves, interrompem a comunicação, via impulsos nervosos, entre o cérebro e as partes do corpo abaixo da área lesionada. Com a eletroestimulação esses impulsos, às vezes, encontram um caminho alternativo e restabelecem a conexão. O tratamento envolve uma equipe multidisciplinar com fisioterapeutas, psicólogos, ortopedistas e urologistas, o que permite uma análise integral do paciente. O laboratório da Unicamp é o único no Hemisfério Sul dedicado a esse tipo de pesquisa e um dos três no mundo – os outros dois ficam na Alemanha e nos Estados Unidos – que são referência na área. Apesar de serem poucos os casos em que é possível retomar movimentos completos, de forma voluntária, todos os pacientes apresentam benefícios no controle de comorbidades relacionadas à lesão medular, como obesidade, osteoporose, doenças cardiovasculares, infecções no trato urinário e diabetes. Com a estimulação, a massa óssea aumenta, melhora a função cardiopulmonar e a percepção do próprio corpo (propriocepção). Em alguns pacientes, o ganho de firmeza nas pernas possibilita que eles consigam se levantar e dar alguns passos com o auxílio de um andador. “A estimulação elétrica associada a um treinamento funcional facilitou a plasticidade neuronal para o reaprendizado de tarefas da vida diária. Isso ocorreu em 16 sessões com todos os participantes”, conta Karina C. Alonso, fisioterapeuta especialista em ortopedia e traumatologia, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. A cada hora, três brasileiros entram na lista de pessoas com lesão medular. 40% dessas lesões são causadas por acidentes de trânsito (veja box). O relatório “Diretrizes de atenção à pessoa com lesão medular”, do Ministério da Saúde, de 2013, revelou que surgem anualmente 10 mil casos novos no Brasil. A imensa maioria dessas pessoas, no entanto, não tem acesso a um centro de tratamento de ponta.

NO CENTRO DAS ATENÇÕES
Devolver a capacidade de se movimentar a pessoas com lesões medulares e com outros tipos de restrições de locomoção é um dos grandes desafios para médicos e pesquisadores. Este ano ao menos uma dessas pesquisas ganhará as atenções do mundo quando uma pessoa paraplégica vai usar um exoesqueleto para caminhar e dar o chute inicial da Copa do Mundo da Fifa. O protótipo é resultado do esforço de um consórcio internacional de pesquisas liderado pelo neurocientista Miguel Nicolelis. A interface cérebro-computador é uma das vertentes de pesquisa para auxiliar na reabilitação de pacientes com lesão medular. “As pessoas com lesão muitas vezes não conseguem ativar o teclado de um computador porque não têm movimento nos dedos. No entanto, a intenção está no cérebro, falta apenas fazer a “ligação” entre os dois”, afirma Janaína Vall, professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC). Outra área promissora para novos tratamentos é a de desenvolvimento de membros robóticos e próteses neurais. Existe também grande expectativa em relação às células-tronco ou terapia celular. No Brasil há um projeto sendo desenvolvido em Salvador (Bahia) com 19 pacientes. “Precisamos aguardar o final da pesquisa, mas, de forma geral, avaliando o uso das células-tronco no mundo, os resultados ainda são muito discretos se comparados a terapias celulares para outras doenças”, expõe a professora. O SUS não tem um programa específico para tratamento de pessoas com lesão medular. Esses pacientes são tratados como politraumatizados e, em muitos casos, demoram a serem operados.

PRIMEIROS SOCORROS
A reabilitação está intimamente ligada aos cuidados recebidos no início do tratamento. Segundo Janaína Vall, o atendimento adequado para uma pessoa com lesão medular inclui estabilizar a coluna e manter o pé em posição correta. “Se esses cuidados não forem tomados, pode acontecer o que chamamos de ‘pé equino’, que é irreversível e impossibilita depois o bom posicionamento na cadeira de rodas”, explica ela. “O uso prolongado da sonda, quando o paciente fica muito tempo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), pode ter consequências no trato urinário. Esses fatores, que ocorrem no início da lesão, têm impacto direto e repercutem por toda a vida”, afirma a professora. Pacientes com lesão medular perdem entre 30 e 60% da densidade mineral óssea do fêmur e da tíbia nos primeiros dois anos de lesão, o que os predispõe a sofrerem fraturas. Infecções do trato urinário e falência renal são as maiores causas de morte.

ESPORTE E QUALIDADE DE VIDA
Marcelo Ares, gerente médico do Centro de Reabilitação da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), afirma que a qualidade de vida de um lesionado medular que realiza acompanhamento médico periódico e adota medidas preventivas para as complicações pertinentes à lesão é muito boa. “A tecnologia pode ajudar se associada aos métodos terapêuticos convencionais com objetivos funcionais e no auxílio na execução das atividades de vida diária”, diz.

O tratamento correto e medidas de reabilitação permitem que muitas pessoas com lesão medular tenham uma vida produtiva e independente, com inserção no mercado de trabalho. Uma parcela dessas pessoas também se realiza por meio da prática de esportes. É o caso de Yves Carbinatti, 27 anos, de Rio Claro, interior de São Paulo, que, em 2008, sofreu um acidente de trânsito. Hoje ele pratica jiu jitsu e é piloto de kart. A maior dificuldade, segundo ele, é conscientizar a sociedade sobre a inclusão de pessoas com deficiência. “Eu sou embaixador da categoria de deficientes físicos no jiu jitsu e trabalho em um projeto de boxe adaptado para cadeirantes. O esporte contribui para uma vida saudável, inclusão social e a motivação, essencial para melhorar e vencer sempre”, afirma ele, que foi o único piloto com mobilidade reduzida a disputar a Stock Car Junior. E promete muito mais.

Maioria das escolas públicas não tem acessibilidade nem rede de esgoto

Inclusive - problemas na educação. A palavra educação escrita com as letras invertidas e um aluno desolado em frente ao quadro negro.
Escolas sem acessibilidade, sem rede de esgoto, sem quadra de esportes e biblioteca, sem laboratórios de ciências e informática. Essa é a realidade de mais da metade dos colégios públicos do país, segundo dados do Censo Escolar 2013, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).


Levantamento feito a pedido do G1 pela Fundação Lemann e pela Meritt, responsáveis pelo portal QEdu, mostra a desproporção entre as escolas públicas e privadas no que diz respeito à infraestrutura no Brasil. Na metade dos colégios públicos, por exemplo, não há acesso à internet. Já na rede particular, o número de escolas com computadores conectados chega a quase 90% (veja na página especial a comparação por cidade).

Os dados mostram que só 36% das escolas públicas têm esgoto encanado hoje – mais da metade delas contam apenas com uma fossa –, e 7% das instituições mantidas pelos governos não têm nenhum tipo de estrutura para lidar com os resíduos sólidos. Trata-se de uma enorme diferença em relação às particulares. Na rede privada, só 17% das escolas não contam com o serviço de esgoto encanado.

Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria Beatriz Luce, os números do Censo expõem vários desafios no setor. “Os dados revelam claramente o contexto histórico-social do direito à educação e das responsabilidades e instrumentos da ação pública no setor. Mas eles não dizem respeito somente à educação, eles revelam as estruturas das desigualdades sociais no nosso país. Se há escolas que não têm esgoto nem internet, é provável que as residências no seu entorno também não tenham. Então é preciso tratar de uma política de desenvolvimento social por inteiro”, afirma.

Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann, diz que é preciso levar em conta que o contexto em que as redes privada e pública estão inseridas é completamente diferente. “A escola pública precisa atender crianças e jovens independentemente da região em que moram e das condições de sua localização, enquanto a escola privada existe quando há um interesse de um ofertante que vê uma demanda disposta a investir uma quantia financeira no ensino de seus filhos. Não por acaso são poucas as escolas privadas na rede rural”, diz.

Para ele, não é a defasagem em comparação com a rede privada que mostra a necessidade de a infraestrutura do ensino público melhorar. “A infraestrutura da rede pública precisa melhorar, pois boas condições para a aprendizagem são direitos dos alunos.”

Deficiências
Uma análise feita pelo G1 nos principais quesitos mostra, entretanto, que as deficiências não têm sido supridas ao longo dos anos. De 2010 a 2013, o percentual de escolas públicas com bibliotecas foi de 27% para 29%. Já a porcentagem de colégios com rede de esgoto subiu de 33% para 36% apenas.

Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, há hoje dois desafios latentes: a aquisição de insumos infraestruturais e a manutenção deles. “No caso das escolas públicas, depende do orçamento público. Muitos estados e municípios não têm orçamento suficiente. Então é preciso apoio da União. Aliás, é isso o que diz a Constituição Federal e não é cumprido. Além disso, a União não pode se notabilizar por adquirir equipamentos e depois não colaborar com a manutenção dos mesmos. Não falo apenas deste governo, falo deste e de todos os anteriores”, diz.
Existem hoje no país 38.835 escolas privadas e 151.871 escolas públicas, totalizando 190.706 instituições de ensino básico.

Discrepâncias
O percentual de escolas com biblioteca nas duas redes de ensino é um exemplo da discrepante oferta de serviços. Só 29% das públicas contam com o espaço. Já na rede privada, 59% das instituições possuem um espaço com acervo de livros para consulta.


Maria Beatriz diz que o problema nas instituições públicas é a falta de uma sala específica para tal fim. “Livros chegam a todas as escolas. O que às vezes não há é um espaço próprio. Algumas escolas rurais contam com apenas um ambiente, então não há nem espaço físico para uma biblioteca. O que a gente tem tentado fazer é colocar uma biblioteca dentro das salas de aula, para o aluno poder pegar o livro a qualquer hora. Há outros projetos interessantes, de bibliotecas ambulantes, por exemplo.”

Em relação à acessibilidade, tanto as escolas públicas quanto as privadas ficam devendo. Apenas 19% das públicas e 31% das privadas oferecem aos deficientes acesso adequado às suas dependências.

A secretária de Educação Básica ressalta que, apesar do índice baixo, houve um aumento de 61% em três anos no número de escolas acessíveis. “É algo fantástico, porque mostra uma conscientização da sociedade, que há uma política de inclusão escolar, levando às escolas crianças que antigamente eram isoladas do convívio com outras.”

Em relação à internet nas escolas públicas, Maria Beatriz diz que a meta é que todas contem com o serviço, mas que há barreiras a transpor antes disso. “Às vezes não há nem eletricidade, que é o caso de muitas escolas rurais. Então o Ministério da Educação está trabalhando em um projeto com o Ministério de Minas e Energia para dar prioridade de acesso de energia, à medida em que as redes vão avançando pelo campo, às escolas”, diz, citando que em alguns colégios na Amazônia há iniciativas de acesso à web por meio de placas solares.

Quantidade x qualidade
Segundo o pesquisador Renan Pieri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as escolas só precisam preencher no formulário do Censo se possuem ou não um equipamento e, por isso, os dados não revelam em que estado se encontram essas infraestruturas. “A maior parte das variáveis diz se a escola tem ou não tem alguma coisa, mas não diz nada sobre a qualidade. Assim, pode ser ainda que essas escolas que possuem maior disponibilidade de recursos também possuam infraestrutura de melhor qualidade, o que aumenta ainda mais a desigualdade nas condições de ensino”, afirma.


Dentro do próprio universo da rede pública, é possível perceber diferenças significativas tanto na oferta como na qualidade. Só 2% das escolas municipais têm um laboratório de ciências, por exemplo, contra 29% das estaduais e 72% das federais.

“Essa diferença também se manifesta geograficamente, sendo que as escolas rurais possuem disponibilidade de infraestrutura muito inferior às urbanas. Tal relação se explica pelo fato de parte significativa das escolas rurais serem municipais. A disponibilidade de infraestrutura em uma escola estadual está bem mais próxima da privada do que a municipal”, diz Pieri.

Segundo Ernesto Faria, da Fundação Lemann, os dados de infraestrutura escolar ilustram “dois Brasis”: o Brasil urbano e o Brasil rural. “O rural está em condições muito piores, e é preciso olhar mais para ele. Muitas comunidades rurais estão em áreas de infraestrutura precária, e os dados de rede de esgoto e acesso à internet são reflexo dos problemas locais”, diz o economista.
Maria Beatriz concorda que é preciso refletir sobre os dados levando em consideração a localização e as mantenedoras dos colégios. Segundo ela, uma leitura por outro viés mostra ainda que a educação infantil, com creches em estado crítico, é a que precisa de mais infraestrutura.

“O que a gente tem feito para auxiliar os municípios é dar a eles um projeto arquitetônico básico de uma escola, com todas as especificações, com uma quadra de esportes ou espaço para recreação, salas adequadas. A prefeitura tem que entrar apenas com a área já terraplanada. Até empresas já qualificadas a gente tem para atender as demandas das localidades, que têm dificuldade de fazer um processo de licitação”, afirma a secretária do MEC. Segundo ela, há hoje 6,7 mil escolas de educação infantil em construção.

De acordo com os números do Censo, as escolas públicas (inclusive as rurais) só superam as particulares em um item: alimentação. Segundo os dados, 100% das escolas municipais, estaduais e federais fornecem uma refeição aos estudantes (ante 29% das privadas). Isso acontece, no entanto, porque a merenda escolar na rede pública é obrigatória por lei.

Índice de infraestrutura
O pesquisador Renan Pieri defende a criação de um índice de infraestrutura escolar, além de um para analisar a formação dos professores. “A ideia é sintetizar todas essas informações do Censo (só no caso do indicador de infraestrutura são mais de 25 variáveis) em indicadores simples que qualifiquem a divulgação dos índices de qualidade da educação. Assim, quando saírem a ANA [Avaliação Nacional de Alfabetização] ou o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] será possível entender quais fatores explicam algumas escolas terem melhor desempenho que outras e separar o que é devido a diferenças de infraestrutura ou qualificação dos docentes e o que é devido às boas práticas e ideias inovadoras que os gestores têm adotado”, diz.


O Censo Escolar é realizado todos os anos e coleta, além de dados sobre a infraestrutura dos estabelecimentos, números de matrículas e estatísticas de abandono e de rendimento escolar. Neste ano, o Inep iniciou a coleta no último dia 28. Ela deve ser feita até o dia 15 de agosto.

Segundo o instituto, as informações são utilizadas para traçar um panorama nacional da educação básica e servem de referência para a formulação de políticas públicas e execução de programas na área da educação, incluindo os de transferência de recursos públicos.

“É necessária uma política de cooperação federativa para combater as desigualdades, aprimorar as condições e induzir um padrão nacional de qualidade nas escolas, não importando se ela é privada, municipal, estadual ou federal”, afirma Maria Beatriz Luce. “O quadro não é satisfatório. Há uma insuficiência da estrutura, que evidencia o baixo valor secular dado à educação. Mas o MEC tem trabalho cada vez mais, investindo também na gestão da educação, com a qualificação de diretores e a formação de professores”, conclui.

Reportagem é do G1

Aplicativos ajudam a superar os limites físicos

Tecnologia móvel ajuda pessoas com deficiências visual e auditiva.

Foto de um smartphone
Na velocidade da criação de novos produtos relacionados à internet móvel, centenas de aplicativos chegam ao mercado para ajudar pessoas com deficiência a superar suas limitações físicas – e não é incomum que ajudem também a ampliar as capacidades de qualquer usuário. Nos últimos anos, os recursos tecnológicos destinados aos cegos se multiplicaram, e agora surge uma geração de produtos para os que têm deficiência auditiva.


Entre os aplicativos destinados aos cegos – que muitas vezes dão subsídios aos que convivem ou cuidam deles – estão leitores de códigos de barra e QR, narradores de textos (com a própria voz do usuário), ampliadores de tela que também intensificam as cores nos iPads, identificadores de notas de dinheiro, detectores de luz e aparelhos que traduzem os teclados dos smartphones para caracteres em braille.
Equipes de pesquisa em todo o mundo, incluindo a do Google, estão trabalhando em lentes de contato inteligentes com a função de monitorar os níveis de glicose e pressão sanguínea, mas já procuram também modelos que podem criar um ajuste digital na visão de qualquer usuário, de modo que possa, por exemplo, ler os preços de produtos de um supermercado a vários metros de distância.
Controle de ruído
Os aplicativos para pessoas com deficiência auditiva seguem, de certa forma, o mesmo princípio de “manipulação” da realidade para torná-la compreensível.

Dois novos modelos lançados este ano se destacam, ambos para iPhone. O Linx, da fabricante dinamarquesa GN, é um software interno ao celular e oferece, por exemplo, um “modo restaurante”, que amplifica os sons mais próximos e reduz o barulho ambiente. Para abaixar o som da música, o usuário deve diminuir os graves e aumentar os agudos. Se quiser conversar com uma pessoa que esteja de seu lado direito, pode direcionar a captação do som nessa direção. O Linx também pode funcionar automaticamente, fazendo os ajustes assim que a pessoa entra num local mais ruidoso.  Tem ainda um “modo” especial para conversas por telefone.
Já o Halo, da empresa americana Starkey, permite um controle ainda mais refinado dos barulhos ambientes. Tudo isso acaba tornando a audição do deficiente mais acurada do que a de alguém que tem a audição normal.
Tecnologia biônica
Toda essa geração de aparelhos revoluciona um campo tecnológico que evoluía vagarosamente até há pouco tempo: os aparelhos de surdez eram difíceis de ajustar e grandes demais – associados comumente a pessoas de idade bem avançada. Como não tinham mecanismos de seleção de ruídos, aumentavam todos os sons indiscriminadamente, o que era de pouca valia, principalmente para os que tinham deficiência auditiva moderada. Por enquanto, contudo, a nova tecnologia é bem cara. O Halo custa por volta de US$ 2 mil e o ReSound Linx, US$ 3 mil.

Os aparelhos de audição indicam um futuro promissor para os outros recursos destinados a superar deficiências do corpo, também chamados de tecnologia biônica. O campo das próteses de membros superiores e inferiores também se beneficia dos avanços em software móveis e na robótica. As próteses já podem ser controladas por meio de aplicativos de smartphone. O i-Limb Ultra Revolution, fabricado pela empresa Touch Bionics, permite que o usuário com próteses de mãos selecione o padrão adequado para pegar diferentes objetos e façam download de novas funções no iPhone, aperfeiçoando com o tempo as possibilidades da anatomia artificial.