sábado, 23 de agosto de 2014

Dirceu Pinto dá palestra a jovens durante seletiva estadual dos Jogos Escolares, em São Paulo

                       
                     Dirceu durante os Jogos de Londres-2012 (Foto: Guilherme Taboada/CPB)
                            Dirceu durante os Jogos de Londres-2012 (Foto: Guilherme Taboada/CPB)

Quatro vezes medalhista de ouro em Jogos Paralímpicos, duas vezes em Pequim-2008 e duas em Londres-2012, o atleta brasileiro da bocha Dirceu Pinto participou de uma ação diferente nesta terça-feira. Ele esteve em Águas de Lindóia, interior do estado de São Paulo, para falar a jovens participantes de uma seletiva estadual dos Jogos Escolares.
A ação ocorreu por meio do Time São Paulo, projeto desenvolvido em parceria do Comitê Paralímpico Brasileiro e a Secretaria de Estado do Direito das Pessoas com Deficiência de São Paulo. Dirceu compartilhou as suas experiências de sucesso com os praticantes da modalidade. Além da palestra, houve ainda uma sessão de “vivência prática”, em que Dirceu deu dicas e fez uma demonstração aos atletas jovens. Aos 33 anos, Dirceu ressaltou o fato de as promessas receberem este tipo de apoio desde a adolescência.
“Foi uma experiência muito importante para os atletas que estão começando agora. Eu mesmo não tive essa base. Comecei na modalidade aos 22 anos e só aos 28 estava pronto. Fui ser preparado já na Seleção Brasileira, enquanto eles já têm a estrutura dos clubes para já chegarem à Seleção preparados”, analisou Dirceu.
“Com o evento, vi a importância de viajar e buscar um resultado, porque isso incentiva também os jovens a praticarem a modalidade. Eles me veem e sonham em conquistar o que eu conquistei. O que eu fiz como atleta reflete para várias outras pessoas. Eles também têm sonhos e querem conquistá-los”, completou.
Time São Paulo
O atleta Dirceu Pinto faz parte do Time São Paulo, uma parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado do Direito das Pessoas com Deficiência de São Paulo que beneficia 34 atletas e seis atletas-guia de nove modalidades.

Assessoria de Comunicação do CPB
Daniel Brito
Ivo Felipe
Nádia Medeiros
Rafael Moura
Adriano Belmiro (estagiário)

Estudante desenvolve dicionário tecnológico em LIBRAS para auxiliar o ensino de pessoas surdas em Salgueiro/PE

Os termos técnicos em LIBRAS criados pelo estudante Cícero Vidal poderão ajudar estudantes surdos em todo Brasil.

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O estudante de Tecnologia de Alimentos do IF-Sertão, de Salgueiro/PE, Cícero Carlos Orlando Vidal, 29, está desenvolvendo um dicionário de termos técnicos na Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, para ser usado por professores no ensino de cursos tecnológicos do campi onde estuda. O aluno desenvolve o trabalho orientado por dois professores do curso e a iniciativa e poderá ser aplicada em toda a rede de ensino e pesquisa do país, graças ao apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Surdo desde o nascimento, ele propôs o projeto a dois professores a partir da própria experiência. “É muito ruim quando o professor não consegue explicar o que significa determinado termo porque não há sinal para isso. Decidi que precisava fazer alguma coisa para mudar essa situação”, ressalta Cícero.
Cícero é o exemplo de resultado positivo da política de inclusão do Programa Nacional de Capacitação da Pessoa com Deficiência, do governo federal, que ajuda a mudar a percepção da instituição sobre as necessidades deste tipo de público a partir da entrada deste público nos cursos técnicos e agora trabalha para tornar mais fácil o caminho dos próximos alunos surdos ou com deficiência auditiva.
O estudante afirma ter incorporado 400 novos sinais ao vocabulário do curso. “Apesar de ser um processo longo, gosto bastante do que faço. Entender as palavras e estudar seu conceito, depois transformar tudo isso em símbolos que ajudam a comunicação de pessoas surdas é muito gratificante”, ressaltou.
A professora de LIBRAS e coordenadora do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napnes) do IF-Sertão, Patrícia Lourenço Barros, disse que o simples fato de mudar uma metodologia de ensino já pode causar estranhamento e resistência em uma instituição, mas o IF-Sertão acolheu e percebeu que poderia quebrar uma barreira atitudinal - quando o desconhecimento provoca a recusa em vez da busca pela solução do atendimento - a partir da participação e empenho dos professores.
“Ele sempre foi um aluno bastante crítico. Aos poucos, começamos a perceber que as mudanças realmente eram necessárias, mesmo diante das barreiras burocráticas. Daí surgiu a estratégia de construir um projeto que transforme a experiência do aluno em algo prático para o nosso cotidiano”.
Cícero será o primeiro membro da sua família a concluir o ensino superior e já tem o interesse em investir na carreira de pesquisador. “De repente, posso seguir carreira na pesquisa e no desenvolvimento de soluções para o ensino e inclusão de pessoas com deficiência”, diz.

TVs por assinatura aumentam o número de programas com audiodescrição para se adequar à legislação


                  Imagem Internet/ilustrativa
                  

Uma demanda do segmento dos cegos e das pessoas com deficiência visual consumidoras de TV por assinatura começa a ser atendida pelas empresas operadoras do setor. Vários programas de TV que já eram transmitidoscom audiodescrição (AD) pelo sinal aberto, já estão sendo transmitidos pelas prestadoras de Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), como são chamadas tecnicamente as TVs pagas (a cabo ou via satélite).
A audiodescrição (AD) é um recurso de acessibilidade que consiste em narra r, em língua portuguesa, toda e qualquer informação visual, como as contidas em filmes, novelas, séries, comerciais e outros.
As TVs por assinatura são obrigadas por lei a transmitir integralmente os canais da TV Aberta local, incluído o áudio da AD. Apesar disso, até o início do ano era incomum encontrar o recurso - assim como o de legenda oculta - nas TVs por assinatura. A constatação levou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) a solicitarem ações para sua exigência e fiscalização ao Ministério das Comunicações (MiniCom), à Agência Nacional do Cinema (Ancine) e à Agência Nacional de telecomunicações (Anatel).
“Desde 2011 que a Audiodescrição é uma realidade na TV Aberta, precisávamos agora conquistar esse espaço nas TVs por assinatura e graças à articulação com a Ancine e a Anatel, estamos constatando o aumento dos programas com este recurso e a adequação à quantidade de horas semanais que a lei determina”. Avaliou o secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).
A inserção da Audiodescrição na TV digital aberta é definida a partir do cronograma previsto pela portaria nº 188/2010, do Ministério das Comunicações. Em 2014, as emissoras devem veicular quatro horas por semana de programação audiodescrita; a partir de julho de 2015, deverão veicular mais duas horas por semana, num cronograma crescente que chegará a vinte horas por semana em 2020. Confira abaixo:

Portaria MC nº 188/2010

Até julho 2011 – 2h/semana (das 6h às 2h)

Até julho 2013 – 4h/semana (das 6h às 2h)

Até julho 2015 – 6h/semana (das 6h às 2h)
Até julho 2017 – 8h/semana (das 6h às 2h)
Até julho 2018 – 12h/semana (das 6h às 2h)
Até julho 2019 – 16h/semana (das 6h às 2h)
Até julho 2020 – 20h/semana (das 6h às 2h)

Caso o telespectador verifique que sua operadora de TV por assinatura não transmite a AD em programas que têm o recurso na TV aberta local, a denúncia pode ser feita pelo telefone ligando para 1331, da Anatel.

PROGRAMAS COM AUDIODESCRIÇÃO

EMISSORA
GÊNERO
PROGRAMA
HORAS/SEMANA
REDE GLOBO
Filmes
Filmes
Filmes
Filmes
Tela Quente
Temperatura Máxima
Supercine
Domingo Maior
6h*
SBT
Seriado
Chaves
8h30
BAND
Infantil
Seriado
Band Kids
Como Conheci Sua Mãe
5h50**
TV CULTURA
Filme
Filme
Documentário
Seriado
Clube do Filme
Mestres do Riso
Cultura Memória
Pedro e Bianca
7h
RECORD
Infantil
Infantil
Desenhos Bíblicos
Pica-Pau
3h
* Dados aproximados. Sessões de filmes não têm a mesma duração;
** Com a obrigatoriedade da exibição do horário de propaganda eleitoral, o seriado passou a ser exibido apenas às segundas-feiras. Assim a programação nesse período contará com 5h de audiodescrição.
Fonte:www.pessoacomdeficiencia.gov.br -      Imagem Internet/ilustrativa 

Vacinação dupla contra pólio pode acelerar a erradicação global da doença

BBC

James Gallagher Editor de Saúde da BBC News, em Londres
                                                                                                                                                                             Reuters/Raj Patidar
Criança recebe vacina contra poliomielite na Índia
Criança recebe vacina contra poliomielite na Índia

Uma nova pesquisa aponta que usar dois tipos de vacina contra a pólio pode acelerar a erradicação da doença no mundo.

A vacina oral vem sendo a principal arma para acabar com a pólio, mas testes feitos na Índia mostraram que a imunidade à doença aumenta quando também é usada uma vacina injetável.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que os resultados, publicados na revista Science, são "históricos".

História de sucesso
O pólio se espalha por meio de fezes contaminadas e pode causar paralisia ou até mesmo ser fatal. A luta contra a doença é uma das mais bem-sucedidas histórias da saúde mundial.

Em 1988, havia mais de 350 mil casos de pólio em 125 países. Hoje, a doença é comum em apenas três países - Nigéria, Afeganistão e Pquistão - e os casos no mundo foram reduzidos em 99%.

Duas gotas da vacina oral, que contém amostras do vírus enfraquecido, são a forma mais usada para combater o pólio, porque é um método barato e cria uma resistência ao vírus no sistema digestivo. Mas sua eficácia pode ser afetada pela interferência de outras infecções.

A saída tem sido fazer uma vacinação múltipla, também com a vacina injetável, que usa uma forma inativa do vírus e cria imunidade na corrente sanguínea.

Maior imunidade
Os testes na Índia mostraram que a vacina injetável confere uma maior imunidade do que múltiplas gotas da vacina oral. No país, crianças chegaram a receber 30 doses da vacina até completarem 5 anos de idade.

No entanto, o maior desafio no combate ao pólio não é a escolha da vacina, mas sim imunizar crianças em áreas de conflito. Nesses locais, a falta de segurança e o uso da vacinação como arma política representam sérios obstáculos.

Em 2012, o grupo radical Talebã disse que as vacinações em certas áreas do Paquistão estavam proibidas até que os Estados Unidos parassem de atacar o país.

Mas, nesse contexto, a dupla vacinação pode ser ainda mais importante.


"Se o acesso a essas áreas é restrito, é preciso obter o maior benefício possível quando se consegue estar lá", diz o pesquisador Nicholas Grassly, do Imperial College London.

Essa estratégia já vem sendo usada em partes da Nigéria e logo será aplicada no Paquistão.

"Esse estudo revolucionou nossa compreensão da vacina injetável e como usá-la na erradicação global da doença para que as crianças sejam protegidas dela da melhor forma possível", afirma Bruce Aylward, diretor-assistente da OMS.









A importância da existência de banheiros adaptados para uma pessoa ostomizada

Por Christiane e Cláudia Yamada

                                            

Quando uma pessoa possui algum tipo de deficiência física, geralmente, é possível percebê-lo facilmente, como por exemplo, um cadeirante, deficientes visuais, auditivos, além de pessoas com Síndrome de Down, enfim, a maioria das classes de deficiências permite ao portador que se identifique – e seja identificado – como tal e, portanto, conte com a boa vontade da sociedade em geral e dos órgãos protetores para melhorarem sua qualidade de vida. Por outro lado, existem pessoas que são portadores de deficiências menos conhecidas, mas nem por isso menos importantes, já que esses pacientes também requerem adaptações que são fundamentais para conseguirem realizar, com tranquilidade, suas atividades mais cotidianas, como exemplo podemos citar os ostomizados.

Quando uma pessoa fica ostomizada, ela passa por algumas transformações em sua vida, e uma delas é a necessidade de um banheiro adaptado, que é o principal ambiente que sofre alterações para atender às suas necessidades. Porém esse tipo de adaptação é raríssimo de se encontrar.

Infelizmente, quando se constrói banheiros para portadores de necessidades especiais, geralmente as pessoas só se lembram dos cadeirantes, e se esquecem de que existem deficiências diversas, cada uma com especificidades diferentes.

Muitas pessoas ostomizadas hesitam em sair de suas casas e em ter uma vida social ativa, pois se preocupam em como esvaziar a sua bolsa coletora fora de suas residências. Para um ostomizado pode ser estressante utilizar banheiros públicos e pode causar pânico o fato de lidarem com os eventuais vazamentos de dejetos ou urina em banheiros públicos. Portanto, a disponibilização de banheiros públicos para o atendimento adequado aos ostomizados pode ser a chave para aumentar a sensação de bem-estar e a reabilitação dos ostomizados em sua comunidade. O ideal seria que esses banheiros fossem instalados em hospitais, casas geriátricas, clínicas e todos os prédios públicos.

Para uma pessoa não ostomizada, isso pode parecer um “sonho de consumo”, mas para os ostomizados, um banheiro adaptado é sim uma necessidade.
Só os ostomizados sabem a dificuldade em esvaziar a bolsa de ostomia, principalmente em banheiros públicos. Ao esvaziar a bolsa, as fezes são despejadas em vasos sanitários normais, e nessa operação, se o ostomizado não tiver cuidado, pode ter a roupa respingada.

Cada pessoa se adapta do jeito que achar melhor, alguns agacham, outros sentam no vaso sanitário, de frente, de costas, de lado …, lógico que isso não é o fim do mundo, mas não seria mais fácil se a pessoa ostomizada pudesse esvaziar a bolsa de pé? E é para isso que servem os banheiros adaptados, para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

O ideal é ter um vaso sanitário exclusivo para as pessoas ostomizadas, que deve ficar aproximadamente a 80 centímetros do solo, em uma altura adequada para o ostomizado esvaziar a sua bolsa. Também é muito importante instalar junto ao vaso sanitário um ponto de água equipado com uma ducha higiênica, pois facilita a higienização da bolsa.

Quando a pessoa ostomizada usa banheiro em casa, o problema é menor, pois já está acostumado, porém, em banheiros públicos, a dificuldade pode ser bem maior, pois o espaço pode ser pequeno, pode não ter ducha higiênica, a altura do vaso sanitário pode não ser adequado e também existe o medo de fazer sujeira. Quantos ostomizados já não sofreram algum acidente ao esvaziar a sua bolsa?

Em alguns lugares existem banheiros adaptados para o ostomizado, como por exemplo, podemos citar o Japão (instalado na Prefeitura de Narashino, em 1998), Portugal (na Cidade do Barreiro), e também em algumas cidades brasileiras, como em Nova Friburgo (na sede da AOCNF – Associação dos Ostomizados do Centro – Norte Fluminense), Pernambuco, Amazonas (Associação dos Ostomizados do Amazonas – ASSOAM), Piumhi (Centro de Apoio dos Amigos Ostomizados de Piumhi -Minas Gerais), São Paulo (AME Barradas).

Existem outros banheiros adaptados pelo mundo, mas são poucos para o número de ostomizados, esperamos que esses sejam exemplos para a construção de muitos outros, para que o ostomizado possa usar banheiros públicos adequados às suas necessidades, sem as dificuldades que se tem atualmente e sem medo.


Saiba +
Em Juiz de Fora, MG, aprovada a disponibilização de sanitários adaptados para ostomizados


Os shopping centers, os centros comerciais e os supermercados com área bruta locável (ABL) superior a 2.000 m2, assim como os cinemas, os teatros, as rodoviárias, os estádios de futebol e locais destinados a realização de festas e shows, ainda que com área inferior, terão que disponibilizar banheiros públicos adaptados para ostomizados. A Câmara aprovou projeto de lei do vereador Roberto Cupolillo (Betão) estabelecendo a medida. A expectativa do vereador é pela sanção da lei. A partir daí, os estabelecimentos terão 180 dias para tomarem providências.

Várias adaptações são propostas pelo vereador, a começar pelo aviso de acesso preferencial aos portadores de necessidades especiais,com o símbolo universal do ostomizado. Os toaletes terão, além de vasos normais, sanitários infantis com anteparo seco, instalado há aproximadamente 80 centímetros do chão, fechado por uma bancada.  E a ducha higiênica deve ser instalada a 110 centímetros de altura, do lado direito e próxima ao toalete.

“A criação desses banheiros adaptados não exige nenhuma tecnologia de ponta. A instalação é de baixíssimo custo, ainda mais, quando comparada aos benefícios à dignidade da pessoa ostomizada”, afirma Betão. O vereador argumenta que Juiz de Fora é referência no atendimento desde a criação do Centro de Atenção à Pessoa Ostomizada, vinculado ao SUS, em 1988. Além de distribuir bolsas coletoras, oferecidas pelo Poder Público, o Centro disponibiliza profissionais especializados, entre os quais enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. Funciona no sétimo andar do Departamento de Clínicas Especializadas, PAM Marechal, que já conta com banheiro adaptado. A obra pode servir de modelo,” disse.

As penalidades já estão definidas para os infratores. No caso de serem concessionárias ou permissionárias de serviço público, estarão sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor. Os demais estabelecimentos vão arcar com multa entre R$ 500 a R$ 5000 e podem, inclusive, perder a licença de funcionamento. As penalidades serão aplicadas em dobro em caso de reincidência.

Informações: www.camarajf.mg.gov.br

Posição da Down Syndrome International sobre declaração de cientista britânico

                                    DSI

A organização Down Syndrome International divulgou uma nota em resposta às recentes declarações do cientista britânico Richard Dawkins. Dawkins comentou no Twitter que dar à luz um filho com síndrome de Down é imoral. A posição causou controvérsia nas redes sociais.

Declaração da Down Syndrome International em resposta aos comentários de Richard Dawkins no Twitter em relação à Síndrome de Down
“Pessoas com síndrome de Down contribuem ativamente para a vida familiar e não são apenas receptores passivos de cuidados. O testemunho pessoal de pais, irmãos e outros membros da família revelou que ter um membro com síndrome de Down na família pode resultar num impacto positivo para todos. 

Isso ficou comprovado em várias pesquisas independentes. O Down Syndrome International não considera a síndrome de Down, em si, uma razão para o aborto. Pessoas com síndrome de Down podem levar, e levam, uma vida plena e gratificante, e contribuem como membros valorizados de suas comunidades, em igualdade com os demais. No entanto, as famílias devem fazer suas próprias escolhas. A DSi trabalha com as organizações-membro nacionais em todo o mundo para garantir que todos os futuros pais recebam informação correta, atualizada e imparcial sobre a síndrome de Down e o que a vida pode reservar para alguém com Síndrome de Down nos dias de hoje.

Mais informações – Patricia Almeida, membro do Conselho da Down Syndrome International: patricia.smalmeida@gmail.com

Matéria sobre as declarações de Richard Hawkins:


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Portadora de Osteogênese Imperfeita espera seu primeiro filho.

Natural de Balneário Camboriú (SC), Luciana Fiamoncini, 33, possui o tipo III da Osteogênese Imperfeita – doença rara caracterizada principalmente pela fragilidade óssea do indivíduo.

Luciana exibe sua barriga de quatro meses de gestação.

Luciana e Rodrigo são os pais do futuro bebê.
















Com apenas 93 cm de altura, Luciana desafiou os conselhos de seus médicos e hoje, com quatro meses e meio, está grávida de seu primeiro filho. Considerada uma gravidez de risco, ela admite que casos semelhantes como o dela só foram registrados fora do país, com exceção de uma moça que tem a mesma doença, mas que possui 30 cm a mais de altura.
Em entrevista exclusiva para a Rádio Gazeta AM, a estudante Bruna Garbuglio conversou com Luciana sobre os cuidados que ela vem tomando desde que soube da gravidez, os preparativos para o parto e os planos futuros. Além disso, a futura mamãe confidenciou a reação dos demais quando noticiou a novidade e aquilo que a mais aflige desde que soube que estava gestante.
Ouça aqui a entrevista: Rádio Gazeta


Fontes: Gazeta.com - filhosdecristal.blogspot.com.br

‘Tive que reaprender a ser pai’, diz aposentado que teve filha aos 68 anos

Fernandino teve três filhos na juventude e uma filha na terceira idade. Ex bancário se dedica integralmente à filha com síndrome de Down.
Por Alex Rocha
Aos 81 anos, o aposentado Fernandino Guimarães destaca a paternidade como uma das experiências mais preciosas e transformadoras em sua vida. No primeiro casamento, ele teve Mariauda e Maristela, de 52 e 51 anos, além de Marcelo, de 50 anos. Já durante o segundo relacionamento, aos 68 anos, ele ganhou Marina, hoje com 14 anos, e o desafio de educar e cuidar de uma filha com síndrome de Down.
“Na primeira vez, ser pai é um aprendizado e a experiência vai sendo adquirida. Filhos têm personalidades diferenciadas e é preciso aprender a lidar de maneira que eles absorvam melhor o ensinamento. Quando você acha que está sabendo de tudo, chega algo pra mostrar que não se sabe ainda. Eu tive quase que reaprender a ser pai”, afirmou.
Fernandino Guimarães e a filha Marina (Foto: Fernandino Guimarães / Arquivo Pessoal)
Fernandino Guimarães e a filha Marina (Foto: Fernandino Guimarães / Arquivo Pessoal)
Quando a primeira filha nasceu, Fernandino tinha 28 anos e trabalhava como bancário em São Paulo. Por causa da dedicação à carreira, a família precisou mudar de cidade algumas vezes, passando também por Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O pai relembra que, mesmo com a rotina trabalhista e as mudanças de cidade, não abria mão de compartilhar momentos com os três filhos.
“Basicamente eles ficavam com a mãe durante a semana, mas mesmo durante o trabalho, eu estava presente levando em um médico ou na escola. Sempre trabalhava em horário integral e era meio difícil conciliar a vida de pai com a de bancário. No fim de semana, éramos mais companheiros, sempre acompanhava em festas e passeios”, recordou.
Atualmente, os três primeiros filhos moram em São Paulo e são padrinhos de Marina, a caçula, que vive em Uberaba, município no Triângulo Mineiro. A filha mais velha, Mariauda Berbert Guimarães, guarda na memória os tempos em que morava com o pai, e não poupa elogios.
“Ele é maravilhoso, acho que não existe pai melhor, está sempre preocupado e em contato. A gente morou muito tempo fora e, mesmo sendo bancário, era muito presente. Tínhamos casa na praia e viajávamos sempre nas férias, e também para o sul do país”, afirmou.
Mariauda relembra também que a preocupação foi geral com o nascimento de Marina. Segundo ela, todos se abriram para a felicidade e o aprendizado que chegou junto com a irmã. A mudança maior foi percebida no pai.
“Fomos nos aperfeiçoando para lidar com ela e, com o tempo, vimos que foi um presente para todos nós. Uma vez eu perguntei pra ele se foi a mesma sensação de quando eu nasci. Brincando, ele disse que já não lembrava. Percebo que ele mudou, pois já estamos todos criados. Ele sempre foi rígido com a educação, mas ficou diferente com a chegada da Marina, brincamos que ele agora é um pai-avô”, completou.
Amorosa, a filha mais nova preparou uma surpresa para demonstrar a gratidão e sentimento pelo pai no dia dos pais. “Eu estou com um bilhete dos pais que fiz na escola e vou dar pra ele. Escrevi que é muito amor e carinho que sinto por ele. Ele também me ama e leva pra todo lugar”, disse.
Dedicação integral
Pai de Marina quando já era aposentado, Fernandino confirma as mudanças no jeito de exercer a paternidade. Para isso, ele e a atual esposa, que foi mãe aos 38 anos, buscaram aprendizado pessoal, além de acompanhamento constante para a saúde e desenvolvimento da filha.
“Nessa época, morava em uma chácara em São Paulo e quando ela tinha um mês de idade já procuramos psicólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. Foi um aprendizado diferente e no final deu tudo certo. Ela ainda não capta bem o que é falado, ela esquece rápido. Você tem que mostrar o que é certo fazendo e tendo determinado comportamento para que ela veja e faça igual. Essa é a diferença básica em relação à educação que dei para os outros”, disse.
A geração de Fernandino é continuada com netas de 24 e 11 anos e um neto de 13, que visitam frequentemente o avô. Segundo ele, a profissão de bancário foi substituída pela de pai integral. “De manhã, levo a Marina na professora particular duas vezes por semana e uma vez para a equoterapia. À tarde, ela tem escola e também levo e busco. Para o futuro, a coisa que mais penso é um bom relacionamento entre todos, porque isso é essencial para a harmonia de uma família”, afirmou.

O PNE subtraiu o debate educacional das eleições?

Por Lucio Carvalho *

                                   Mapa do Brasil feito com pinos, com pinos soltos em volta do mapa

Vítima usual de esperanças corrompidas e de sonhos espatifados, dos serviços públicos a educação é o mais caluniado, trapaceado, furtado e fraudado entre todos. Dependente de utopias perpétuas e calcada na realidade cruel do sucateamento e do abandono, nenhum outro assunto dos campos político e social me causa tanta tristeza quanto a educação pública.

O efeito prorrogativo do recém aprovado Plano Nacional de Educação – PNE bem que poderia ser mais que a confirmação de que, do ponto de vista político, era fundamental arrastar o assunto durante anos nos corredores dos poderes brasilienses para, depois de aprovado, talvez resultar em coisa nenhuma no período pós-eleitoral, com recursos soterrados em outra ilusão eleitoreira: a do petróleo que talvez um dia seja explorado por remotas empresas chinesas e indonésias no pré-sal brasileiro.

Há poucos dias um amigo próximo tentava me dizer que, na sua opinião, o maior mal que atacaria a educação pública brasileira seria a doença do descrédito político e do desdém social. Fiquei tentado a concordar com ele de imediato e, mentalmente, um grupo de outras doenças começaram a agregar-se nesse CID sombrio. Disse-lhe no mesmo momento que substituiria sem crises de consciência o termo “descrédito” por “desonestidade”. E que talvez aquilo que vimos como doença fosse na verdade sintoma. É que talvez o quadro geral seja ainda mais grave.

Eu gostaria muito de interpretar como fontes de esperança movimentos e iniciativas nascentes em torno do tema, mas confesso minhas dificuldades. Desde os “românticos conspiradores“, passando pelos envolvidos no documentário “Quando Sinto que Já Sei”  e até ao mais recente manifesto em prol da qualidade e destinação de investimentos na educação, o assim chamado “Mapa do Buraco“, parece que haveria razões de sobre para que a balança pesasse mais para o lado da esperança.

Mas é que do outro lado, na outra bandeja do instrumento, estão os relatórios da CGU sobre a gestão fraudulenta do FUNDEB, os escândalos de desvio de verbas da merenda escolar, os investimentos que são anunciados em eventos solenes que custam aos cofres púbicos quase o mesmo que o seu montante final e números condenados a morrer em planilhas remotas, sem nunca sair dali. Sem falar no pior, a impunidade de gestores e políticos criminosos e congêneres.

Tudo fica ainda mais fácil de compreender quando há culpados imediatos a apontar pelo desastre social e histórico. São os professores, evidentemente. E, ao procurar-se desvincular a questão remuneratória da qualidade final do ensino, eu só posso concluir que as pessoas acreditam que se trata de uma profissão de fé, que salário pouco importa. Que é o que importa é o “autêntico” amor ao pó de giz.

É claro que o argumento acima é, além de desonesto, apelativo. Mas é o mais corriqueiro entre todos quando o assunto o magistério público une-se ao senso comum ou formadores de opinião tendenciosos, opiniáticos e que, de preferência, tratam do tema por força de imaginação ou contratos de consultoria ao invés de contato real e conhecimento efetivo. Primo desse argumento, encontra-se a falácia de que no Brasil professor trabalha pouco, já desmentida em pesquisa da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Mas, ao que tudo indica, a informação é irrelevante. E a ladainha continua.

Diante ao período de eleições que logo estará aí, talvez seja um exagero esperar que os candidatos apresentem propostas concretas sobre a educação pública. Mais uma vez o PNE presta o desserviço, pois relega a uma abstração orçamentária uma necessidade premente da sociedade, além de retirar a obrigatoriedade dos candidatos a tratar com seriedade do assunto e perpetuar o já bem conhecido jogo de empurra e transferência de responsabilidades. Com o Censo Escolar 2013 em mãos e seus dados aterradores (seria bom ver a situação das bibliotecas escolares, por exemplo, mas basta os dados sobre saneamento básico nas escolas), era de se esperar bem mais da classe política, inclusive do atual governo. Talvez em mais 16 anos possa-se mais do que isso. Essa, pelo menos, é sua esperança e cartada política.

Evidentemente que se algum candidato levantar a ideia de promover a triplicação do salário dos professores e reduzir a um terço o número de alunos em sala de aula, você deve desconfiar de demagogia e votar noutro, mesmo que seja essa a única solução real e concreta para o assunto. Mas isso talvez continue sendo matéria da esperança ou da fantasia e não do real como ele é. Sem isso, é de pensar seriamente em que tipo de ilusão tem em mente a ex-secretária da Educação Básica do MEC (Ministério da Educação) Maria do Pilar Lacerda, ao sugerir que a classe média retorne à rede pública num movimento espontâneo.

Por mais nobre que pareça, só o que faltava mesmo era empurrar às famílias esse dever quando o mais óbvio seria o de favorecer isso antecipadamente, criando-se condições sociais adequadas, já que o dever de procurar o melhor para os seus filhos – de acordo com os próprios critérios de cada família – é imperioso e nem precisa maiores explicações. O fato concreto é que a contrapartida está ruim. E por mais mapas e propostas que surjam para deixar isso claro, é sempre duro admitir a concretude e dureza da realidade. Com o sucesso econômico do país cada vez mais atrelado a expansão do consumo, o cenário é nebuloso como as promessas eleitorais. Resta tirar o PNE do papel e fazer o melhor possível, como recentemente afirmou Priscila Cruz, do movimento Todos pela Educação, mesmo que isso signifique comprometer o pré-sal e outras esperanças. Mas disso parece que todos já estamos diplomados. Infelizmente, esse é um processo educativo que no Brasil não costuma falhar.

* Coordenador-Geral da Inclusive – Inclusão e Cidadania (www.inclusive.org.br) e autor de Morphopolis (www.morphopolis.wordpress.com).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mobilidade urbana, responsabilidade sobre nossa acessibilidade

Cinco dados mostram como o transporte público ainda não é prioridade no Brasil.

Planeta Sustentável


           SO PAULO

Embora seja responsável por apenas 30% das viagens feitas nas maiores cidades do país, o transporte individual (carros e motos) recebe três vezes mais recursos públicos do que o transporte coletivo.
Os dados estão entre os números apresentados no relatório Sistema de Informações da Mobilidade Urbana, da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), divulgado na semana passada.
A ANTP analisou 5 aspectos relativos à mobilidade, sempre comparando o transporte coletivo com o individual. Os dados incluem os municípios brasileiros com mais de 60 mil habitantes. No total, foram incluídas 438 cidades, responsáveis por 61% da população nacional.
Veja a seguir os 5 números do relatório que mostram que, apesar do discurso de priorização do transporte público, a realidade atual ainda é outra:
1. 57,2% das distâncias percorridas pelas pessoas é feita em transporte público
Em 2012, ano de referência da pesquisa, os brasileiros percorreram 432 bilhões de quilômetros, usando várias formas de deslocamento (carro, moto, ônibus, trilhos, bicicleta e até a pé).
Enquanto o transporte público é responsável por 57,2% das distâncias percorridas, os automóveis só são usados para 31% das distâncias.
2. O transporte coletivo representa 29% das viagens, mas consome 49% do tempo gasto pelas pessoas
Segundo a pesquisa, os moradores das cidades analisadas gastam 22,4 bilhões de horas por ano em seus deslocamentos.
Quase metade (49%) deste tempo é gasto em transporte público - embora só 29% das viagens sejam feitas por meios de transporte público.
3. 72% de toda a energia consumida em transportes em um ano foi gasta por automóveis
São consumidos cerca de 13,5 milhões de Toneladas Equivalentes de Petróleo (TEP) por ano nos deslocamentos. Deste total, 72% é gasto no uso do automóvel e 24% no transporte público.
4.Transporte individual é responsável por 77% dos gastos públicos com mobilidade
Em 2012, os custos individuais em mobilidade foram estimados em R$ 184,3 bilhões, dos quais o transporte individual é responsável por 79%.
Os custos arcados pelo poder público foram estimados em R$ 10,3 bilhões por ano, sendo que 77% é destinado ao transporte individual.
Por custo individual entende-se os arcados pelos usuários ou por empregadores quando há uso de vale transporte. Por custos arcados pelo poder público, entende-se o gasto com manutenção do sistema viário.
5. Transporte individual provoca custo de acidente de trânsito 6 vezes maior que o coletivo
O custo total com acidentes de trânsito é de R$ 15,2 bilhões por ano. O transporte coletivo responde por um gasto de R$ 2,2 bilhões, enquanto o transporte individual consome R$ 13 bilhões, mais de 6 vezes mais.