sábado, 27 de setembro de 2014

Guia indica boas práticas da educação especial

ONG paranaense está na reta final de publicação que vai reunir o que há de melhor em Curitiba.

Entre os exemplos de boas práticas está a profissionalização da gestão da Afec, que faz a diferença no processo (foto: Divulgação)

A ONG curitibana ASID (Ação Social para Igualdade das Diferenças) está finalizando a 1ª edição do Guia de Boas Práticas da Educação Especial, publicação inédita no Paraná que irá reunir as experiências bem sucedidas das Escolas Especiais Filantrópicas de Curitiba e região. A proposta da ação é ampliar o impacto social das instituições atendidas pela ASID, por meio do intercâmbio de informações. O material será disponibilizado gratuitamente às mais de 450 Escolas Especiais do Paraná.

O Guia de Boas Práticas irá abordar oito áreas: gestão financeira, captação de recursos, gestão jurídica, marketing, recursos humanos, impacto social, liderança e infraestrutura. “A ideia do guia surgiu ao vermos que as qualidades das diferentes instituições que trabalhamos se completam, ou seja, vimos que a dificuldade de uma seria o ponto forte da outra e na composição destas diferenças chegaríamos a um modelo muito melhor”, explica o diretor de projetos e fundador da ASID, Alexandre Amorim. 

A estimativa da ONG Curitibana é reunir cerca de 40 práticas de 19 Escolas Especiais Filantrópicas. “As próprias instituições mandam as práticas que consideram bem sucedidas e nós apontamos aquelas que em nossa visão são um diferencial dentro do contexto do segmento”, esclarece Amorim. 

Entre os exemplos de boas práticas está a profissionalização da gestão da Afece (Associação Franciscana de Educação ao Cidadão Especial), que elaborou um planejamento estratégico com foco em sua reestruturação. A instituição estruturou uma gestão orgânica em quatro níveis de atuação: buscar uma identidade da Afece com a sociedade, potencializar as relações pessoais com os colaboradores, implantar sistemas e controles de processos e buscar recursos para adequar infraestrutura, financeiro e pessoal.

A Afece também procurou se expandir de maneira sustentável e para isso focou suas práticas de marketing na consolidação da marca. Foram elaboradas campanhas institucionais com o objetivo de divulgação, o site foi modernizado e a comunicação e interatividade com o público alvo fortalecidas. 

Em outro exemplo, que resultou em uma aproximação da comunidade com a escola, o IRP (Instituto de Recuperação Pedagógico) estruturou reuniões para os pais e colaboradores, visando tornar a gestão mais transparente. Nos encontros mensais são divulgadas questões referentes a gastos, receitas e doações.

ABORDAGEM
O Guia de Boas Práticas irá abordar oito áreas:
. Gestão financeira
. Captação de recursos
. Gestão jurídica
. Marketing
. Recursos humanos
. Impacto social
. Liderança 
. Infraestrutura


PROJETOS DA ONG TÊM INVESTIDORES
Cada projeto conta com um ou mais investidores sociais, grandes empresas que entram com recursos e voluntários para a realização das ações. O dinheiro vem também de campanhas como a Especial, da qual participam atualmente 38 dos melhores estabelecimentos gastronômicos de Curitiba. Parte da venda de determinados itens dos cardápios é revertida para as ações nas escolas de educação especial. No caso de buffet por quilo, os restaurantes participam com valores mensais.

CONFIRA
Mão na Massa
Obras realizadas nas escolas a partir de voluntariado. Participam trabalhadores e empresários das empresas parcerias, estudantes e familiares, além da comunidade do entrono das escolas, em um verdadeiro trabalho social transformador.

Capacita
Cursos ministrados por profissionais das empresas parceiras que são especialistas em áreas estratégicas para as escolas, como finanças, administração e marketing, por exemplo. Os gestores das escolas são capacitados para que possam melhorar a gestão das instituições.

Líder Especial
Projeto inédito em que as escolas de educação especial se transformam em verdadeiros laboratórios para os profissionais das empresas parceiras possam desenvolver suas competências de liderança, ao mesmo tempo em que contribuem com as instituições de ensino ao aplicarem seu trabalho.

Assessoria Administrativa
A ASID tem atuação direta nas áreas da gestão escolar que necessitem de melhorias, entre elas jurídico, financeiro, recursos humanos, marketing, liderança e captação de recursos.


Sobre a ASID
Fundada em 2010, a ASID (Ação Social para Igualdade das Diferenças) é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para melhorar a qualidade de ensino e a gestão nas escolas de educação especial gratuitas, resultando na abertura de vagas no sistema. Já são 18 as instituições beneficiadas em Curitiba.

O trabalho é totalmente gratuito para as escolas. Depois da aplicação do Índice de Desenvolvimento da Educação Especial (IDEE), metodologia desenvolvida pela ONG que permite traçar o diagnóstico de cada escola de educação especial, a ASID traça o plano de ação, que envolve desde a capacitação dos gestores até a execução de obras nas escolas.

Epilepsia atinge 5% da população

Neurologista afirma que cerca de 75% dos casos são passíveis de cura, caso feita a manutenção do tratamento.

    DIÁRIO DA MANHàSAULO HUMBERTO

                 Foto: Ilustrativa/Reprodução
               Foto: Ilustrativa/Reprodução

Epilepsia é uma doença caracterizada pela presença de crises epilépticas em um cérebro com predisposição persistente a gerar descargas elétricas anormais. É dividida em dois grandes grupos: epilepsias focais e epilepsias generalizadas", diz a neurologista e neurofisiologista, especialista em epilepsia e Medicina do Sono, Giuliana Macedo Mendes.

A neurologista afirma que os sintomas dependem do tipo de epilepsia, e consequentemente do tipo de crise epiléptica. "Nas crises generalizadas, temos contrações involuntárias dos quatro membros, iniciando pela fase tônica e depois clônica, acompanhada ou não de sialorreia e/ou liberação esfincteriana. As descargas originam dos dois hemisférios cerebrais, simultaneamente. Já as crises focais podem se manifestar de várias formas, a depender da localização, digo, da origem do paroxismos epileptiforme: da região frontal, se expressa com manifestações motoras unilaterais, da região temporal com aura epigástrica ou de medo, com automatismos orais e gestuais e até deambulatórios. As crises parietais geralmente apresentam sintomas sensitivos, as occipitais com alterações visuais, como aura visual. As crises focais se originam de um dos hemisférios cerebrais, podendo atingir o hemisfério contralateral", diz.

Quanto ao diagnóstico da doença, Giuliana diz que ele é feito pelo tipo de crise, por sua semiologia, podendo ser confirmada ou não pelo eletroencefalograma. "Este exame normal, ou seja, sem a presença de paroxismos epileptiformes, não afasta a presença de epilepsia, pois é apenas um exame complementar, que na grande maioria das vezes pode não mostrar a descarga epiléptica, já que é intermitente e aleatória. Faz-se necessário a investigação e/ou confirmação/exclusão de lesão no sistema nervoso cerebral, através de exame de imagem como a tomografia computadorizada de crânio e a ressonância nuclear magnética de encéfalo", afirma.

Giuliana Mendes ainda explica quais são as causas da enfermidade. "A grande maioria das epilepsias são idiopáticas ou genéticas, ou seja, são alterações apenas funcionais que disparam as crises epilépticas, sem a presença de uma causa subjacente ou de qualquer lesão no cérebro. E se as epilepsias surgirem de uma lesão cerebral, são chamadas de sintomáticas ou estruturais. Como exemplo, temos as infecções, granulomas, tumores, isquemias, hemorragias, traumatismo cranioencefálico, assim como distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos".

Segundo a neurologista, a maioria das epilepsias (75%) pode ser curável. "Reservando uma porcentagem menor para as epilepsias de difícil controle (sem cura), como as epilepsias focais do lobo temporal, que podem revelar esclerose temporal na ressonância". Ela também explica que não existe prevenção para o possível aparecimento das epilepsias. "Mas as crises sim, podem ser prevenidas com a instituição de um tratamento medicamentoso eficaz, na dose terapêutica adequada para o total controle das crises", afirma.

A especialista afirma que as crises, geralmente, são autolimitadas. "Ou seja, têm uma duração máxima de cinco minutos e caso se prolongue para além deste tempo, denomina-se crise prolongada presente em um estado de mal epiléptico, que é considerada uma urgência médica", alerta.

Doença que não abala

"Todos nós que temos enfermidade, temos que nos sentir melhor que ela". Com essa frase, a artista plástica mineira Aída Salvio, 52 anos, resume a conversa sobre epilepsia. Ela foi diagnosticada com a doença logo após o nascimento, quando estava com menos de um ano de idade; devido a isso ficou mais tempo internada no Hospital São Lucas, e iniciou o tratamento com neuropediatra. "Quando começa tudo é novidade. A gente tem que procurar se informar. Fui crescendo, a família ajudando também", diz.

Ela comenta sobre a sua situação. "Na 1ª fase, tinha convulsão mais de uma vez por dia, porque o médico não encontrou medicação nenhuma para controle. Passava mal na escola, parei com o vestibular. Fiz todos os exames e possuía alta carga de medicação, às vezes, combinação de um a dois remédios", diz Aída que informa que não foi encontrado nos exames nada voltado para o cérebro.

A profissional das artes plásticas iniciou no ramo da pintura ainda jovem, e explica a importância dessa atividade. "Com 12, 14 anos comecei a pintar. Pinto como terapia. A pintura para a autoestima da gente é gratificante".  A artista plástica relata que certo dia ficou desacordada em casa, e foi acompanhada por uma neuropsicóloga. "Ela me explicou muita coisa. Porque tenho dificuldade de aprendizado, atenção", afirma.

Aída toma remédio até hoje e diz não ter mais crises como antigamente. Como forma de auxílio para sua saúde, ela trabalha com medicina alternativa, como yoga, acupuntura, homeopatia, e evita lugares que causavam suas crises, como cemitérios e hospitais. "Eu não sou doente, estou com ela. Graças a Deus estou dominando (a doença)", diz.

Preconceito

Questionada se as pessoas com epilepsia sofrem preconceito, ela afirma que sim. "Existe em todos os lugares, principalmente dentro de casa. A sociedade deixa a gente de lado. Você não tem companhia para sair. Eu acho que meus irmãos têm o preconceito, não querem entender que eu tenho dificuldades com o computador. Ver que seu pai e mãe estão te dando mais atenção", diz, citando como exemplo o seu caso. 

A artista plástica afirma que as pessoas têm que aprender a lidar com a situação, aprendendo aceitar o que se passa, e os portadores da doença também devem mudar. "Eu acho que o ser humano foi muito mal educado na vida perante uma enfermidade. As pessoas não entendem o que eu falo. Porque parece que a pessoa tem que ter a cara de retardado? Acham que tem que ficar triste", diz.

Aída afirma que as pessoas com epilepsia não têm a autoestima baixa e, também às vezes, não têm apoio da família. A profissional de artes plásticas termina a entrevista comentando sua relação com a epilepsia. "Isso não me abala. Ela que se cuide", diz, aos risos.

Exemplo

O vice-presidente da EpiBrasil e secretário da Associação Brasileira de Epilepsia, Eduardo Caminada Junior, também é portador de epilepsia. Ele diz nunca ter sentido nenhum sintoma antes da primeira crise. "Tive a primeira crise aos três anos de idade depois de uma queda no quintal de casa. Tenho uma lesão congênita no lobo parietal esquerdo e as crises têm esse foco", informa.

Eduardo explica que, com o passar dos anos, as características das crises foram se alterando. "Com o decorrer do tempo, a quantidade e o tipo de crise foi mudando um pouco as suas características, mas de forma geral, são crises tônico clônicas, duram no máximo 30 ou 40 segundos e posteriormente a elas acontecerem as minhas condições são normais. Isso muda muito de paciente para paciente".

Cita ainda quais foram os tratamentos realizados. "Quando criança fiz tratamento com dieta cetogênica e homeopatia, mas infelizmente os resultados não foram os melhores esperados. Realizei vários tratamentos medicamentosos até entender que a minha epilepsia era refratária e posteriormente fiz exames para realizar o tratamento cirúrgico, mas devido à localização da lesão, tornou-se inviável. E desde 2007 fiz implante de um estimulador de nervo vago (VNS), que melhorou muito a minha qualidade de vida reduzindo a quantidade de crises, principalmente durante o sono", afirma.

Eduardo afirma que por diversas vezes já sofreu preconceito devido à epilepsia, mas aprendeu a lidar muito bem com a situação. "Principalmente quando entendi que o pior preconceito que poderia sofrer era o meu próprio, sendo assim eu acabei enfrentando todas essas questões de forma bastante inteligente, sem que interferissem na minha evolução normal. É claro que ainda acredito que muitas questões em minha vida, como, por exemplo, o trabalho, teriam um espectro completamente diferente se não fosse a epilepsia, mas esperar acontecer sem tomar atitude alguma não fará nada ser diferente." 

Ele comenta sobre o seu estado de saúde atual. "Apesar do controle parcial com o uso do estimulador e medicamentos, eu ainda tenho algumas crises quase que diárias, mas que não impedem um dia a dia normal".

Purple Day

Eduardo também é diretor da Purple Day no Brasil. "O Purple Day é uma iniciativa mundial de conscientização a respeito da epilepsia. Na data do dia 26 de março, as pessoas usam a roupa ou algo com detalhe na cor roxa para que a sociedade identifique e entenda o porquê de falar e informar sobre a epilepsia", explica.

O diretor explica por que é importante participar do Purple Day. "A grande importância em participar da iniciativa é saber que faço parte de algo que pode ainda se tornar maior do que já é atualmente e se as pessoas puderem entender um pouco mais de como lidar e respeitar as pessoas com epilepsia, assim como qualquer ser humano merece seu respeito dentro da sociedade".

EPIBRASIL

Fundada em 2003, a Federação Brasileira de Epilepsia (EpiBrasil) é uma entidade que congrega associações de pessoas com epilepsia de várias cidades do Brasil. A presidente da EpiBrasil, Maria Carolina Doretto, explica quais atividades ou ações a federação realiza. "Nós trabalhamos o ano todo, realizando palestras, seminários, simpósios ou outras modalidades de ações educativas com o objetivo de combater as informações equivocadas sobre epilepsia e em seu lugar informações corretas sobre a doença, sobre tratamentos e qualidade de vida. Entretanto, em duas datas específicas, nós intensificamos nossas atividades de informação: no dia 9 de setembro, Dia Nacional e Latino-americano da Conscientização sobre Epilepsia, e dia 26 de março - Purple Day - Dia Roxo", informa.

Carolina diz que a entidade também atua junto ao poder público das três esferas de governo (municipal, estadual e federal) para discutir e exigir das autoridades melhores cuidados de saúde para as pessoas com epilepsia. "Uma vez ao ano, cada ano em uma cidade diferente, representantes das associações afiliadas se reúnem para avaliar as atividades desenvolvidas no ano anterior e aprovar propostas de atuação para o ano seguinte", explica.

Questionada sobre como as pessoas podem ajudar ou colaborar, ela é direta. "A Epi-Brasil aceita a filiação de associações e não de pessoas. Uma ótima maneira de contribuir com a Epi-Brasil é fundar uma associação ou movimento de apoio, associar-se e participar conosco nas lutas", afirma.

Saiba Mais

Fatores que podem desencadear crises epilépticas:
  • Mudanças súbitas da intensidade luminosa ou luzes a piscar
  • Mudanças de temperatura corporal
  • Privação de sono
  • Ingestão de álcool
  • Febre
  • Ansiedade
  • Cansaço
  • Intoxicação
  • Verminoses (como a neurocisticercose)
Estatísticas de acometidos pela enfermidade
A presidente da EpiBrasil, Maria Carolina Doretto comenta alguns dados sobre a epilepsia. "Nós não temos estatísticas para o Brasil. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, a epilepsia acomete 1 a 2% da população e até 5% em países pobres, pois a maior parte das epilepsias é adquirida (parasitoses, doenças infecciosas, sofrimento do bebê durante o parto, acidente vascular cerebral, tumores etc.)", explica.
Quanto ao controle da doença, ela explica que 70% dos casos são de fácil controle, em que as crises podem ser facilmente controladas com medicamentos que são distribuídos gratuitamente em toda a rede do SUS. "Os outros 30% são chamadas de difícil controle. Exigem a associação de dois ou mais medicamentos, podem precisar de cirurgia de epilepsia ou da implantação de um dispositivo eletrônico, chamada de estimulador do nervo vago (na sigla em inglês - VNS - vagus nerve stimulation)", diz a profissional.
Segundo a presidente, existe uma porcentagem pequena das epilepsias que não é totalmente controlada com nenhum destes métodos. "Daí a necessidade de novos tratamentos, o que está ocorrendo com o canabidiol, CBD, um dos compostos derivados da maconha e que tem dado excelentes resultados no controle de crises refratárias a todos os tratamentos, especialmente em crianças com síndromes genéticas graves", conclui.
A neurologista afirma que cerca de 1% da população mundial (65 milhões de pessoas) tem epilepsia. "Aproximadamente 80% dos casos ocorrem em países em vias de desenvolvimento. A ocorrência de epilepsia torna-se mais comum à medida que a idade avança. Em países desenvolvidos, a ocorrência de novos casos é mais frequente em crianças e idosos", afirma a médica. Ela também explica que os fatores de vulnerabilidade dependem das áreas do cérebro mais afetadas pela epilepsia. "Algumas pessoas têm ataques quando veem televisão, jogam jogos no computador ou frequentam boates", finaliza.

Fonte:dm.com.br

No Dia Nacional do Surdo, Recife ganha Central de Libras

                           

                      Imagem internet/ilustrativa
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Nesta sexta-feira, 26 de setembro, Dia Nacional do Surdo, as pessoas com deficiência auditiva do Recife e Região Metropolitana, ganham a Central de Libras. A inauguração acontece às 10h, na Escola Estadual Barbosa Lima, Rua Joaquim Nabuco, bairro da Boa Vista.

Na ocasião, técnicos da Superintendência de Apoio à Pessoa com Deficiência vão detalhar como deverá ser feito o agendamento. É preciso se dirigir à Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (SEAD), na Rua João Ivo da Silva, 342, Madalena ou acessar a internet através do Skype e da página noFacebook centrallibras.recife.

O atendimento gratuito  é feito por intérpretes de Libras nas áreas de saúde, segurança, justiça e cidadania, além de acompanhamento de entrevistas de empregos, quando solicitadas. O serviço já funciona nas cidades de Petrolina e Caruaru, onde já foram atendidas 2.400 pessoas desde janeiro até agosto de 2014.

As Centrais de Libras, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSDH), por meio de sua executiva de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), coordenadas pela SEAD  foram inauguradas no final do ano passado nos municípios de Petrolina e Caruaru, em parceria com o Governo Federal.

As  Centrais do Agreste e do Sertão de São Francisco atendem também os moradores de Altinho, Agrestina, Bezerros, Camocim do São Felix, Riacho das Almas, São Caetano, São Joaquim do Monte, Tacaimbó e Toritama.

Em Pernambuco, segundo o Censo de 2010 do IBGE há 2,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Dentre essas, há no estado mais de 523 mil pessoas com deficiência auditiva.

Fontes: Diário de Pernambuco - nandoacesso.blogspot.com.br -   Imagem internet/ilustrativa

Projeto cria política nacional para pessoas com albinismo

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7762/14, do Senado, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Albinismo. Entre as ações da política estão a criação de um cadastro nacional de pessoas com albinismo e a capacitação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).
Senador Eduardo Amorim (PSC-SE). Foto: www.portaltobiense.com
Senador Eduardo Amorim (PSC-SE). Foto:: www.portaltobiense.com
A proposta pretende assegurar aos albinos acesso a atendimento dermatológico (incluindo protetor solar e medicamentos essenciais), a tratamento não farmacológico e a terapias para tratar lesões na pele. Os albinos também terão direito, segundo o projeto, a atendimento oftalmológico especializado, incluindo lentes especiais e tratamento da baixa visão e da fotofobia.
O texto original do projeto, apresentado pelo senador Eduardo Amorim (PSC-SE), previa apenas a distribuição gratuita de protetores e bloqueadores solares pelo SUS aos portadores do distúrbio genético. A proposta foi alterada pelo relator, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que ampliou os objetivos e as ações do projeto.
Tramitação
A proposta será analisada conclusivamente pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
Fontes: Agência Câmara Notícias - deficienteciente.com.br

Preconceito Velado

Texto de Adriana Lage da semana.

Adriana Lage

                                           Adriana Lage Imagem Internet
                                      

Hoje, vou compartilhar com meus leitores alguns casos que demonstram como algumas pessoas ainda são despreparadas para lidar com cadeirantes (verdade seja dita, com qualquer deficiência). Sendo cadeirante há 25 anos, posso garantir que as coisas já melhoraram muito. Ainda há muito a ser feito, mas, sem sombra de dúvidas, é muito mais tranqüilo ser cadeirante hoje em dia que há 20 anos. Antigamente, pouco se falava em acessibilidade. Os três casos, abaixo, demonstram o preconceito – falta de conhecimento – que ainda sofremos por aí.

Adriana x Taxistas – duelo sem fim!

O primeiro caso aconteceu com um motorista da cooperativa de táxis acessíveis de BH. Fui ao Shopping Boulevard para buscar meus ingressos da Copa do Mundo. Após borboletar e encher as sacolas, resolvi agendar um táxi acessível. Fiz o agendamento com mais de uma hora de antecedência e ressaltei que precisava de um veículo acessível.

Na hora marcada, cadê o “Papa Móvel”? De repente, ouço um vozeirão dizendo: “Você é a Adriana”? Logo percebi a confusão da central. Ao invés de me mandarem um acessível, enviaram um carro comum. Como o motorista era bem alto e musculoso – parecia forte – e me ofereceu ajuda, resolvi aceitar. Antes tivesse seguido minha intuição! Na hora de fazer minha transferência para o carro, sei lá o que a figura aprontou que me machuquei feio: meus pés ficaram agarrados em alguma parte do carro. Ao invés de me salvar, o motorista congelou enquanto eu morria de dor. Detalhe, ainda estava agarrada no pescoço dele. Sorte que minha irmã, percebendo a inércia da figura, pulou no carro e soltou meus pés. Resultado: tive que ir à emergência, tomar remédios, colocar gelo, fazer algumas sessões de ultrassom... Só depois de um mês é que fiquei bem! Nada disso teria acontecido se a Cooperativa tivesse mandado o carro correto. Para variar, fizeram um empurra-empurra. A atendente colocou a culpa no taxista que, por sua vez, culpou a central.

Reclamei junto à central e... Nem resposta eu tive!

É por essas e outras que tenho preferido chamar táxis via aplicativo web. Existe a opção de passageiro cadeirante. Assim, eliminamos imprevistos como “a cadeira não cabe no porta-malas”, “não me avisaram que era cadeirante”, etc. O carro não é acessível, mas os motoristas ajudam da melhor maneira possível. Eu bem que tento dar credibilidade para os acessíveis de BH, mas está difícil!
Dias atrás, chamei um táxi pelo aplicativo. O motorista me ajudou a entrar/sair do carro e foi super cuidadoso. O que me chamou atenção foi o fato dele chamar pessoas com deficiência de incapazes. Como o trajeto era curto, achei melhor não “dar palestra sobre PCD”. Nosso assunto girou em torno da necessidade de atendimento diferenciado para pessoas com deficiência. Como dosar o atendimento especial x exclusão / superproteção? Um cadeirante, por exemplo, não consegue entrar no carro com a mesma facilidade que pessoas sem deficiência. Ou seja, tem suas peculiaridades que deverão ser observadas na prestação do serviço. Embora o discurso fosse bonito, era nítido o sentimento de pena nas palavras do taxista. Para ele, somos incapazes! Dignos de dó e caridade. Ri demais quando ele foi me ajudar a sair do carro lá em casa. Comentei que ele tinha sido muito cuidadoso e eficiente. Não tive como ficar séria quando ele soltou a seguinte pérola: “Você é levinha! Sem falar que estou carregando muitos sacos de cimento lá em casa; assim fica fácil te carregar”! Já tinham me comparado a um saco de arroz. Com cimento, foi a primeira vez...

Leiturista da CEMIG

Estava brincando com meu sobrinho na garagem lá de casa, quando o leiturista da CEMIG bateu no portão. Foi a senha que faltava para minhas cachorrinhas correrem para o portão ao som de vários latidos histéricos. Assim que apareci, vi a cara de susto do moço ao se deparar com uma cadeirante. Pedi a ele um minutinho para prender o trio canino. Ele, com os olhos arregalados, falou que faria a leitura sem entrar em casa e não quis me esperar de jeito nenhum. A cara dele dizia: “uma cadeirante prendendo três cachorros? Quanta demora! Só vou sair daqui amanhã”. Achei sacanagem a postura dele. Que falta de paciência! Custava alguma coisa ter me esperado? No final das contas, ele me entregou uma conta muito mais alta que a correta. Na leitura posterior, o valor foi compensado.

Esses casos servem para demonstrar o quanto ainda sofremos preconceito velado e, em alguns casos. Por mais que tenhamos obtido conquistas, as barreiras atitudinais ainda pesam muito. E você? O que tem feito para melhorar isso?

Fonte:saci.org.br - Imagem Internet

Mãos que leem

por; Newton Alvim

Mãos que leem
“Pode parecer impressão minha, mas a cada dia as pessoas estão mais impacientes e isso é um tsunami para uma pessoa surdocega”, disse o são-luizense Alex Garcia, em longa entrevista de duas páginas, ilustrada pela genial caricatura de Lézio Júnior (transcrita aqui), no jornal “Diário da Região”, de São José do Rio Preto, no interior paulista. Nessa cidade, Alex fez recentemente mais uma de suas tantas palestras pelo Brasil afora. Aos 38 anos, ele medita sobre os muitos obstáculos que teve de driblar desde a infância, quando começou a conviver com a perda gradativa da audição e da visão, devido a uma doença rara popularmente conhecida como “Ossos de cristal”.


Hoje, Alex não ouve mais nada e a visão que lhe resta é uma sucessão de figuras difusas. No entanto, não se abala, acostumado com os sobressaltos que a vida lhe impôs e ainda mantendo ativa e na plenitude a sua melhor arma: uma voz forte e límpida como a de um tribuno romano no seu melhor momento, à frente de um microfone e diante de uma plateia imobilizada e extasiada com a força e determinação desse jovem que foi o primeiro surdocego a cursar uma universidade no Brasil.
O objetivo de Alex Garcia é continuar a ser uma das principais vozes na luta pelos direitos das pessoas com deficiência no País. Para isso, ele precisa se superar continuamente diante da perda gradativa da audição e visão. Por isso, hoje os seus ouvidos são as palmas das suas mãos. As pessoas que desejam conversar com ele se chegam e escrevem com letras de forma na palma da sua mão. É uma letra sobre a outra, dando uma pausa para a separação de palavras. Assim, formam-se frases que Alex aprendeu a captar rapidamente e a responder com a sonoridade de sua voz sempre clara e segura.
Esse é o sistema de comunicação adotado por Alex, para manter o colóquio com o mundo que o rodeia, com aqueles que lhe são caros, com os ouvintes que o cercam para se motivarem com suas palavras. Até pouco tempo atrás, ele apelava mais para um notebook com um potente ampliador de palavras, pois ainda conseguia ver as letras quando elas surgiam bem grandes na tela do micro, em meio a bastante contraste. No momento, essa tecnologia foi colocada um pouco de lado, desde que Alex sofreu uma crise ocular que lhe tirou o pouco de visão que ainda possuía. Otimista, acredita que vai recuperar a vista que tinha – e todos os que o conhecem e admiram torcem juntos.
O que vale dizer é que no momento as mãos que leem fazem um bem enorme, ao mesmo tempo em que aproximam Alex dos seus semelhantes, no cotidiano de constante luta. Ele afirma que “aprendi a lutar pelos meus direitos, mas a maioria dos surdocegos não tem essas oportunidades. Nós somos invisíveis. Invisíveis até para as políticas sociais. Já estive em mais de 30 países e ficou óbvio que o Brasil está mais de 150 anos atrasado no quesito educação. Esse quesito poderia ser de alto nível, mas falta vontade de fazer acontecer”.
Importa agora é saber que as mãos leem e fazem uma espécie de milagre pelo simples contato humano. Essa escrita singular na palma da mão nos diz que Alex Garcia continua em ação e a ajudar os outros deficientes. Ele reconhece que “por mais que tenhamos habilidades, nenhum ser humano é perfeito a ponto de não precisar de algum apoio”. E não deixa de botar o dedo na ferida: “Na sociedade de hoje, as pessoas estão cada vez mais distantes umas das outras. A distância tem efeitos negativos para qualquer pessoa com deficiência, mas para a pessoa surdocega, ela é bombástica”. Suas mãos que leem estão aí para evitar isso.

Astronomia ao alcance das mãos de pessoas com deficiência visual no Planetário

O terreno irregular das crateras da lua nas pontas dos dedos, a Ursa Maior na palma da mão, a textura do centro da Terra a apenas um toque e o céu ao alcance das mãos. Em Vitória, quem não pode enxergar o céu agora pode senti-lo.
O Planetário de Vitória deu início nesta segunda-feira (22) a sessões para pessoas com deficiência. A acessibilidade do conhecimento por meio do toque revela o fantástico mundo da astronomia para muita gente. Para o atendimento às pessoas com deficiência visual e baixa visão, a equipe do Planetário de Vitória e a professora especializada Rosane Corradi Tristão desenvolveram vários materiais didáticos exclusivos.
                                                                                                                                                                                          Elizabeth Nader
                                Atividades para deficientes visuais no Planetário de Vitória
                 Objetos táteis estão à disposição das pessoas com deficiência visual no Planetário de Vitória

"Esses conteúdos precisaram ser adaptados para que cegos e deficientes visuais pudessem acompanhar a sessão junto de quem é vidente. O maior desafio foi adaptar as informações sobre astronomia que são projetadas no teto da cúpula e no teatro de sombras em objetos táteis, para que o conhecimento fosse acessível às pessoas com deficiência visual", contou a professora.

                                Atividades para deficientes visuais no Planetário de Vitória
                                     Pessoas com deficiência participaram de uma sessão especial


Inclusão
"A ideia é tornar a astronomia uma ciência acessível às pessoas com deficiência, desmistificando o conceito de que planetários são espaços voltados apenas a pessoas videntes. Para isso, vamos utilizar material adaptado, proporcionando maior assimilação do conteúdo por parte dos visitantes, facilitando a compreensão e a aprendizagem", disse o diretor do Planetário de Vitória, José Arlon Silva.

Projeção

Da adaptação pedagógica dos capítulos 3 e 4 do livro "As Estrelas e o Telescópio", do escritor Monteiro Lobato, nasceu a projeção "Viagem ao Céu de Monteiro Lobato". Na estorinha, os personagens do Sítio do Picapau Amarelo fazem uma viagem que passa pela Lua, Sol, Marte, Saturno e pela Via-Láctea. No roteiro, também constam a utilização do telescópio, explicações sobre Galileu (inventor da luneta astronômica) e também sobre o volume, a superfície e a gravidade da Lua.

Japão criará programa para imprimir mapas em 3D para cegos

Os dados do programa permitirão imprimir as vias em relevo com um milímetro de altura.

                                                                                                                                                                                                                Divulgação/NASA
  Mapa 3D de um terremoto
Mapa 3D de um terremoto: os mapas poderiam ser empregados em cursos para cegos centrados em emergências e evacuação em caso de terremoto ou tsunami.

Tóquio - As autoridades cartográficas do Japão anunciaram a criação de um software que permitirá baixar dados da internet e produzir, com uma impressora 3D, mapas de toda a geografia do país para cegos, informou nesta quarta-feira o site do jornal "Asahi"

A Autoridade de Informação Geoespacial (GSI), dependente do Ministério de Transporte e Infraestrutura, trabalhará na fase de desenvolvimento com especialistas de diversos terrenos para que estradas, vias de pedestres e ferrovias possam ficar bem diferenciadas no produto final.

Os dados do programa permitirão imprimir as vias em relevo com um milímetro de altura para que possam ser detectadas facilmente com os dedos.

Um professor da Universidade de Niigata que participa da criação do software explicou ao jornal que, se conseguirem introduzir características topográficas, como desníveis ou montes, estes mapas poderiam ser empregados em cursos para cegos centrados em emergências e evacuação em caso de terremoto ou tsunami.
Uma vez terminado o software, todos os dados cartográficos do Japão para criar estas mapas estarão disponíveis na Internet.
Os mapas para zonas urbanas terá um escala de 1:2.500 (ou seja, um centímetro do plano equivale a 25 metros reais), enquanto para os de zonas rurais será de 1:25.000 (um centímetro equivale a 250 metros).
O material utilizado para imprimir os mapas são pranchas de resina de 15 por 15 centímetros e com um custo de 150 ienes (R$ 3,30) a unidade.
Por sua parte, as impressoras necessárias para criá-los têm no Japão um preço atual de entre 60 mil e 70 mi ienes (entre R$ 1.325 e R$ 1.545).
O GSI também explicou que perante a popularização das impressoras 3D poderá oferecer no futuro dados para elaborar mapas de locais muito específicos. 


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Deficiente chegou a Lisboa após viagem de protesto em cadeira de rodas desde Abrantes

por   - Notícias

        

Eduardo Jorge, um deficiente motor residente em Concavada, Abrantes, entrou às 11:00 em Lisboa após ter percorrido mais de 150 quilômetros na sua cadeira de rodas como forma de reclamar o direito a uma vida independente.
O protesto entrou hoje na derradeira etapa, depois de uma viagem de três dias que termina cerca das 13:00 à porta do Ministério da Segurança Social e que pretende alertar para uma alteração legislativa que permita às pessoas com deficiência, e com necessidade de assistência, permanecer em casa, contratar o seu assistente e dispensar internamento em lares.
“Esta viagem em protesto tem sido muito dura, com algumas peripécias e algum receio inicial pelas condições atmosféricas e por circular em cadeira de rodas pelas estradas nacionais, de Concavada até Lisboa, mas as incógnitas não me demoveram de fazer este percurso porque de uma coisa eu estou certo: esta vida, para mim, não serve”, vincou hoje Eduardo Jorge.
Com 52 anos, tetraplégico e ativista do movimento “nos.tetraplégicos”, Eduardo disse que a finalidade da iniciativa é a de “chamar a atenção para os problemas dos deficientes motores e idosos” em Portugal e “dizer basta à institucionalização compulsiva por parte do Estado das pessoas com deficiência em lares de idosos, como única alternativa de vida”.
O ex-gerente comercial, licenciado recentemente em Serviço Social, foi vítima de um acidente de viação em 1991 que o deixou numa cadeira de rodas, tendo sido institucionalizado.
“Estar internado num lar, para mim, era normal. Durante vários anos foi assim. Eu não sabia nada, não tinha conhecimento nem estava desperto para os meus direitos. Mas ganhei consciência das coisas, olhei para mim e disse: chega. Isto não é vida para mim. Quero ter uma vida independente, quero ser útil à sociedade, quero sentir-me útil e feliz comigo mesmo, não quero ir para um lar distante, quero ficar em casa, junto dos meus, e poder contratar quem cuide de mim”, explicou.
Eduardo Jorge já havia realizado uma greve de fome em frente da Assembleia da República, no ano passado, com o apoio do Movimento (d)Eficientes Indignados, tendo-a suspendido depois de ter sido recebido pelo secretário de Estado da tutela e este ter assegurado, na ocasião, iniciar os trabalhos de redação de legislação sobre a “Vida Independente” no final de janeiro último.
“Realizei a greve de fome pelo direito a uma vida independente e digna, e suspendi-a porque obtivemos determinadas garantias e promessas. Pouco ou nada aconteceu até ao momento, facto que me levou a voltar a luta, neste caso, à estrada”, notou.
“O carinho, as palavras de incentivo, os aplausos, as buzinadelas e as centenas de pessoas que me esperavam em algumas localidades para me acompanhar e dar ânimo nesta viagem deixaram-me muito feliz e deram-me muita motivação”, relevou.
Para o final da jornada de protesto, Eduardo Jorge promete “entregar em mãos um documento reivindicativo para avivar a memória ao secretário de Estado Agostinho Branquinho, que prometeu e não cumpriu”.
“Espero que o Governo avance a curto prazo com as medidas acordadas há um ano, caso contrário, a minha luta, que é a de todos os deficientes motores, idosos e de todas as pessoas com necessidade de assistência, vai continuar”, prometeu.

Casamento x acessibilidade: o grande dia!

Quem já se casou ou participou de comissão de formatura sabe muito bem como é organizar uma festa deste porte e a quantidade de detalhes que devem ser observados na organização de eventos, passando por decoração, buffet, roupas, decoração, lista de convidados, convites… Muitas são as preocupações que, até o dia da festa, existe a sensação de que não será possível preparar tudo a tempo.

Diego Rios


Casamento Sandra e DiegoNesse contexto, algo que não pode passar despercebido é a acessibilidade para todas as pessoas. No meu caso, meu irmão e padrinho é cadeirante e, até mesmo por sua causa, tomamos algumas cautelas a mais. Entretanto, seria essencial que, independentemente de haver ou não algum convidado com deficiência, todos tomassem os devidos cuidados com a acessibilidade, pois qualquer um de nós pode, um dia, mesmo que temporariamente, precisar dela (caso soframos algum acidente e precisemos usar muletas, cadeira de rodas ou andadores, pais com carrinhos de bebê, algum idoso com dificuldade de locomoção, dentre outras possibilidades).

No nosso caso, contamos com os serviços de uma empresa de cerimonial, que nos auxiliou muito na observação de detalhes tais como escolha de espaço adequado, orientação à decoração (para tomar o cuidado de não colocar obstáculos nos locais de passagem), preparação de roteiros adaptados e locais específicos para acomodação (especialmente no nosso caso, em que um dos padrinhos era cadeirante)… Enfim, uma série de cuidados que, em meio a tantos outros detalhes da festa, podem ser decisivos para o bom andamento do “grande dia” – e, consequentemente, para evitar possíveis desconfortos e constrangimentos, afinal, não é difícil que, por falta de cautela, um padrinho cadeirante não consiga passar pelo corredor central da igreja.

Entretanto, nem todos os noivos (por opção ou em virtude de restrições orçamentárias) contam com a assessoria de um cerimonial, ou se contam, nem todos os profissionais estão acostumados com situações semelhantes – talvez nem por maldade ou falta de atenção, mas realmente por falta de experiência em lidar com pessoas com deficiência.

Como eu e minha esposa já éramos acostumados a observar certos detalhes por causa do meu irmão, tomamos alguns cuidados especiais, até para ajudar o cerimonial no bom andamento da festa. Seguem algumas dicas que julgamos interessantes:

Acesso: é fundamental observar nos locais (igreja, salão de festa, estúdio fotográfico, etc.) se há algum obstáculo para acesso de cadeirantes e demais pessoas com deficiência. Apesar de a lei obrigar os estabelecimentos a oferecer boa acessibilidade, sabemos muito bem que nem sempre isso acontece. Portanto, recomendamos a visita aos locais, simulando o caminho que a pessoa com deficiência poderá passar e observando tudo com muita cautela. Em caso de dúvida, questione o cerimonial e até mesmo alguma pessoa com deficiência;

Banheiros: os lavatórios e sanitários devem estar instalados de forma adequada, com acesso sem degraus, barras de apoio, área de aproximação adequada, dentre outros detalhes já descritos no nosso blog.

Decoração: orientar o responsável pela decoração sobre a presença de algum convidado em especial, que possua deficiência, pode evitar muitos transtornos, como obstrução de passagens, colocação de “armadilhas” para pessoas com deficiência visual, entre outros. Não tenham vergonha, questione, simule as situações que possam ocorrer, verifique se os arranjos que o decorador pretende utilizar no chão caberão no lugar adequado, se algum tapete será colocado em algum local inadequado, se os corredores terão a largura adequada etc. Melhor ser taxado de chato pelos seus fornecedores do que passar por uma situação constrangedora em um dia tão importante;
Estacionamento: o local em que a pessoa com deficiência irá estacionar, embarcar e desembarcar requer atenção especial. Além das regras básicas de acessibilidade (área de embarque e desembarque de cadeirantes, acesso calçado e com rampas entre a vaga e o estabelecimento, etc.), é interessante que a vaga seja coberta e próxima do salão ou igreja, pois no dia do casamento pode estar chovendo ou fazendo muito frio;

Cerimonial: tudo o que irá acontecer na festa precisa ser informado ao cerimonial, inclusive a presença de pessoas com deficiência. Nesse caso, o cerimonialista irá observar o acesso aos locais da festa e providenciará a reserva de um local adequado para acomodar o convidado (por exemplo, bancos de igreja em corredores mais amplos, mesas próximas dos corredores, pista de dança e banheiros, dentre outros). Além disso, o cerimonial poderá ajudar na tomada de decisões e na orientação dos demais fornecedores sobre como proceder;

Pergunte ao convidado:
 antes de tomar qualquer decisão, uma conversa com o convidado que possua “necessidades especiais” é muito importante, pois, com isso, podem ser obtidas orientações sobre o que é necessário e o que é dispensável. Afinal, pode acontecer de os donos da festa se preocuparem excessivamente com alguns detalhes e se esquecer de outros.

Questões específicas: cada convidado pode possuir alguma necessidade específica. Pensando nisso, pode ser útil inserir legendas nos vídeos, LIBRAS nos momentos adequados, audiodescrição (já existe este serviço para casamentos), além de outras medidas que deixariam o convidado lisonjeado e grato pela atenção dispensada a ele.

Certamente neste pequeno post não conseguiremos esgotar todas as possibilidades e necessidades que os convidados possam vir a ter, mas, com essas dicas, já é possível ter uma boa noção. De qualquer forma, o mais importante é pedir ajuda aos profissionais que irão atender o evento e, principalmente, dar atenção aos convidados com deficiência ou mobilidade reduzida, que, mesmo diante de alguns pequenos deslizes, certamente se sentirão tão prestigiados quanto os demais convidados.