sábado, 4 de outubro de 2014

Açúcar dificulta a recuperação no caso de lesão na medula espinhal

Especialistas do Japão defendem que, ao mantê-lo em níveis normais, é possível alcançar uma melhora motora expressiva.

medula
Mais um motivo para diminuir o consumo de açúcar: o composto pode piorar a recuperação no caso de lesão na medula espinhal, condição capaz de debilitar uma pessoa permanentemente. Em experimento com ratos, pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão, identificaram a hiperglicemia aguda — níveis elevados de açúcar no sangue — como um fator de risco independente no processo de recuperação em decorrência desse tipo de lesão. As descobertas foram relatadas hoje na revista científica Science Translational Medicine e sugerem que o controle glicêmico ajudaria médicos a evitar a deterioração neurológica adicional em humanos.

Kazu Kobayakawa e a equipe liderada por ele perceberam, em camundongos hiperglicêmicos, que as células imunes chamadas microglias se tornaram superativadas após o trauma na medula. Isso resultou na exacerbação da resposta inflamatória e em resultados patológicos e funcionais pobres. A microglia está envolvida na regeneração dos neurônios e, consequente, na recuperação de lesões. Quando a glicose estava mais alta nas cobaias, essas células hiperestimuladas trouxeram um efeito ruim para a regeneração.

Ao mesmo tempo, ao tratar esses animais com a insulina, a manipulação de concentrações de glicose no sangue resgatou os resultados funcionais, deixando de comprometer a recuperação. Um segundo estudo retrospectivo a partir da análise de dados clínicos de 528 pacientes com lesão medular revelou correlação entre os níveis de glicose no sangue e a melhora na atividade motora. O fenômeno foi percebido até mesmo em pacientes diabéticos — problema metabólico caracterizado pela hiperglicemia. “Os nossos resultados sugerem que a presença de hiperglicemia pode ser um prognóstico ruim para a lesão medular humana aguda e indicam que o controle glicêmico rígido pode melhorar os resultados”, conclui Kobayakawa.

Segundo o endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês Antonio Roberto Chacra, a hiperglicemia é prejudicial em todas as circunstâncias. Alguns hospitais, inclusive, trabalham com o protocolo de hiperglicemia hospitalar. Nele, o nível glicêmico de pacientes precisa ser monitorado constantemente e controlado rigorosamente com o uso de insulina caso ultrapasse o índice normal. “Agora, vemos também a necessidade em pacientes com lesão na medula, mas, naqueles em Unidade de Tratamento Intensivo, com doenças coronarianas e em estado crítico, isso já é feito em alguns hospitais”, observa. Chacra ressalta que clinicamente é fácil observar o avanço da melhora quando há esse controle.

Fontes: Correio Braziliense - www.deficienteciente.com.br

A autodeterminação das pessoas com deficiência será mesmo um “remar contra a maré”?


Por mais que se proclame em relação às pessoas com deficiência o seu direito a uma vida independente, tão inserida na comunidade e tão capaz de assumir decisões quanto possível, muitas das medidas que atualmente estão a ser propostas, entre nós, a nível oficial, nos sectores da educação, do apoio social ou da inserção profissional têm sido caracterizadas por uma orientação totalmente oposta. A notícia que no dia 24 de Setembro, foi publicada no jornal PÚBLICO sobre a criação de “assistentes pessoais para deficientes” é um exemplo claríssimo desta atitude que podemos considerar como limitadora da liberdade e dignidade desta população.


O movimento designado por auto-determinação (o self advocacy movementiniciado nos anos 60 nos E.U. em estreita ligação com a luta pela defesa dos direitos humanos) é hoje uma orientação difundida na generalidade dos países em que se valoriza a inclusão das pessoas com deficiência. O seu principal objectivo consiste em promover medidas que permitam que estas pessoas tenham o poder de falar por si próprias, de tomar decisões sobre a sua vida e de solicitar os serviços de apoio que considerem necessários para poder funcionar da forma mais realizada possível no âmbito familiar, social, profissional e cultural.

Ao longo dos anos em que estive diretamente envolvida na educação especial, acompanhei o rápido progresso verificado em inúmeros países (e também entre nós) na aplicação desta perspectiva nos programas educativos e naqueles que visavam, de forma particular, a inserção dos jovens na vida activa.

Ao discordar do projecto que agora foi apresentado e ao concordar com os argumentos que o contestam por parte do Movimento (d)Eficientes Indignados, não pretendo afimar que as pessoas com limitações graves de diversas ordem não precisem, em diferentes situações, da intervenção de pessoas que os ajudem o que, muitas vezes, implicará a disponibilidade de meios financeiros para o conseguir. E, nesse caso, algumas dessas pessoas (certamentre não todas) poderão, eventualmente, precisar de alguma preparação para tal. Mas, para a garantir haverá certamente muitas outras soluções, diferentes da que foi proposta, mais simples de organizar e, sobretudo, tal como acontece com a generalidade das situações em que não existem condições de deficiência, definidas caso a caso, e com a direta participação por parte de quem requere essa ajuda ou de suas famílias.

Criar uma nova profissão, definir a respectiva formação, carreira, vencimento e forma de avaliação e, com tudo isto, evitar que seja a pessoa que precisa de ajuda a ter meios financeiros para contratar quem a possa ajudar, parece ser um caminho totalmente contrário daquele que visa a autonomia e a autodeterminação que são pressupostos fundamentais da valorização e dignificação das pessoas em causa.

Professora aposentada, ligada à Rede Inclusão Ana Maria Bernard da Costa

Em biblioteca de BH, voluntários leem para deficientes visuais

                           

Esqueça a ideia de que é preciso ficar em silêncio dentro de uma biblioteca. Conversas e leituras em voz alta são liberadas – e muito bem-vindas – no segundo andar da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Belo Horizonte. Lá, no setor de Braille, voluntários chamados de “ledores” encontram deficientes visuais que queiram ler livros ainda não disponíveis de modo adaptado (em áudio ou no alfabeto próprio, em alto relevo).

A maior demanda é pelo conteúdo de provas de concursos públicos. Diferentes grupos de estudos, como o de matemática, português e direito do trabalho, já foram criados de acordo com o desejo dos visitantes. Mas não é preciso ser especialista em um tema para se tornar ledor. “Já tivemos voluntários adolescentes e também da terceira idade”, explica Glicélio Ramos Silva, coordenador do setor. “O importante é ter compromisso”, completa. As reuniões, em dupla ou grupo, são feitas sempre com hora marcada.

Além de ser um lugar para compartilhar o conhecimento, esse setor da biblioteca também é um ponto de encontro. “O espaço acaba tendo também uma função social, um polo irradiador de aprendizados e amizades”, diz Adriana Castilho, voluntária há nove meses e ex-funcionária da instituição.

A deficiente visual Andréa Aparecida Diniz, que trabalha no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, já passou em dois concursos públicos – um dos quais em primeiro lugar – e, atualmente, estuda quatro dias por semana na Luiz de Bessa, enquanto se prepara para a prova do Tribunal Regional do Trabalho, prevista para 2015. “Faço um cursinho particular e, em casa, estudo sozinha com o material adaptado. Mas não abro mão do tempo com os ledores”, conta ela, que já chegou a presentear seus ajudantes com caixas de bombons, para agradecer pelo bom desempenho em um teste. “O melhor agradecimento mesmo é a gente se sentir tão útil. E até aprender coisas novas”, comenta Rose Rati, psicóloga que se tornou ledora do projeto há um ano e meio.

Para agendar horário com um ledor ou a participar  de um dos grupos de estudo disponíveis, basta comparecer pessoalmente à biblioteca e fazer uma carteirinha. Com ela em mãos, o sócio também tem direito a usar o acervo de áudio-livros e livros em Braille. “Para melhorar, só mesmo se tivéssemos pavimento tátil (marca no chão usada na sinalização para cegos) na praça que fica logo em frente à biblioteca”, afirma Glicélio.

Fontes: Catraca Livre e Blog Sempre Incluídos - www.fernandazago.com.br

Projetos fomentados pelo Programa VAI dirigidos para pessoas com deficiência

Conheça os projetos do VAI (Valorização de Iniciativas Culturais) voltados para pessoas com deficiência.

Da Redação
                                                  imagem Internet/Ilustrativa
                                       

Veja os projetos do VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), da Secretaria Municipal de Cultura, voltados para pessoas com deficiência.

Violão e musicografia braille para pessoas com deficiência visual 
Profª:Iris Faceto
Quando: Todas as sextas-feiras às 14h30 - Nos meses de Setembro a Dezembro de 2014. 
Local: Biblioteca Mario de Andrade - Rua da consolação, 94 – Centro
Inscrições pelo email bma@prefeitura.sp.gov.br ou pelo telefone (11) 3256-5270

O curso tem como objetivo ajudar o aluno a crescer musicalmente dentro de seus interesses, trabalhando a técnica do instrumento e princípios musicais a partir do repertório em que mais gosta. Entre os conteúdos ensinados está a musicografia Braille, que são partituras em braile.
O curso é realizado em grupos de até cinco pessoas. É necessário que todos os participantes tragam o seu instrumento.

Modelagem em argila para pessoas com deficiência e idosos 
Profª: Ligia Faceto
Quando: Todas os sábados às 13h- Nos meses de Setembro a Dezembro de 2014.
Local: Biblioteca Mario de Andrade - Rua da consolação, 94 – Centro
Inscrições pelo email bma@prefeitura.sp.gov.br ou pelo telefone (11) 3256-5270

Neste curso será oferecido ao aluno com deficiência vivências em modelagem na argila para a produção artística, desenvolvendo habilidades motoras, a criatividade e a sensibilidade. As aulas são em grupo de até 10 pessoas e o material é oferecido gratuitamente.

Curso de discotecagem para pessoas com deficiência visual 
Prof°: Anderson Farias
Quando: segunda -feiras das 18h às 19 h, terças-feiras das 18 h às 19h e das 19h às 20h e quartas-feiras das 18h às 19h e das 19h às 20h. - Nos meses de Setembro a Dezembro de 2014
Local: Rua 24 de maio, 116 - 1º andar, loja 16 - República
Inscrições no telefone (11) 3331-0898

O projeto consiste na formação de novos artistas para o mercado profissional de Disc-Jockey, além da inclusão cultural, profissional, tecnológica e artística. O curso é ministrado pelo DJ Anderson, que possui deficiência visual. Aulas são realizadas em trio com duração de uma hora.

Fonte:saci.org.br - imagem Internet/Ilustrativa


'O Brasil precisa de inclusão', diz mesário com síndrome de Down

Jovem trabalha nas eleições desde 2006 no município de Santo Cristo, RS. Para família, confiança deu autoestima para estudante superar dificuldades.

Estêvão Pires Do G1 RS

   Vinicius Strada mesário eleições  (Foto: Cartório Eleitoral/Divulgação)
Vinicius Streda, 27 anos, será mesário pela quarta vez nas eleições (Foto: Cartório Eleitoral/Divulgação)

Há oito anos, o dia das eleições tem significado especial na vida do estudante Vinicius Streda, 27 anos, morador do município de Santo Cristo, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. Mais do que um exercício de cidadania, para o jovem com síndrome de Down a data significa uma oportunidade de mostrar a todos o quanto as pessoas com necessidades especiais são capazes.
Pela quarta eleição consecutiva, Vinicius se prepara para voltar a ser mesário no próximo domingo (5). Ele assumirá os trabalhos como segundo mesário na seção número 22 do município com menos de 12 mil habitantes, em um salão paroquial no distrito de Linha Bom, área rural onde mora. A mesma função foi desempenhada nos pleitos de 2006, 2008 e 2010.
“O Brasil precisa de inclusão, das pessoas com necessidades especiais. E a minha vontade de ser mesário surgiu para ter esse orgulho e satisfação”, disse Vinicius ao G1.
Desafiar preconceitos não é novidade para o jovem. Foi acreditando na própria capacidade intelectual que ele escreveu e publicou um livro, em coautoria com a prima, Carina Streda, que é pedagoga. Publicado neste ano, “Nunca Deixe de Sonhar”, que conta a história pessoal do jovem, já esgotou 2 mil exemplares e está atualmente na terceira edição. “Traz minha experiências de vida, as angústias e dificuldades que passei”, explica.
Para ele, contribuir com a democracia também representa um gesto de reafirmação de competência diante dos eleitores de Santo Cristo. “Quero exercer a cidadania e a democracia. Acredito muito na inclusão. Em centros de reabilitação para quem tem necessidades excepcionais”, diz o jovem.
Vinicius Strada, 27 anos, não abre mão de atuar nas eleições (Foto: Carina Strada/Arquivo Pessoal)Vinicius Strada escreveu livro sobre experiências
de vida (Foto: Carina Strada/Arquivo Pessoal)
Trabalho aumenta autoestima

Vinicius, porém, ainda tenta superar as dificuldades para terminar o ensino médio. Segundo a família, ele busca neste ano a aprovação em duas matérias que ficaram pendentes. Além disso, o jovem diz estar desempregado desde o ano passado por conta de dificuldades financeiras da empresa onde trabalhava, e que lhe ofertou um cargo dentro do programa inclusivo de contratações.

O interesse pela política e o processo eleitoral é considerado um fator fundamental para fortalecer a autoestima do jovem, diz a mãe, Cláudia Ergang, 50 anos. “Ele gosta muito porque se sente valorizado. E ele acompanha muito a política. Enquanto quiserem, ele vai continuar sendo mesário. E a Justiça Eleitoral divulgou bastante o trabalho dele aqui. Ficamos muito feliz”, afirmou ela.
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), cerca de 106 mil mesários irão atuar no Rio Grande do Sul nas próximas eleições. A Justiça Eleitoral diz que desconhece o total de mesários com necessidades especiais, mas, via assessoria de imprensa, informou que os casos ainda são “raros”.

Chefe do cartório eleitoral de Santo Cristo, Carolina Kretzmann Watthier afirma não ter do que reclamar em relação ao desempenho de Vinicius nas eleições anteriores. “Existe bastante responsabilidade, mas a responsabilidade maior é da presidência. Demos uma função de intermediária a ele. E o Vinícius está muito bem”, garante ela.

Campinas tem oito locais de votação sem acessibilidade para deficientes

Acesso à urna no dia 5 de outubro é garantido por lei federal.
Quem não conseguir exercer seu direito ao voto poderá justificar.

Do G1 Campinas e Região

   Acesso de pessoas com deficiência as salas de votação é garantido por lei (Foto: Reprodução/ EPTV)
Acesso de pessoas com deficiência as salas de votação é garantido por lei (Foto: Reprodução/ EPTV)

O acesso das pessoas com deficiência às salas de votação no dia 5 de outubro é garantido por lei. Em Campinas (SP), segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), dos 255 locais de votação, oito não estão aptos para receber esses eleitores.

Click AQUI  para ver o vídeo:

De acordo com coordenadora de arquitetura escolar Fabiane Dal Fabbro, a acessibilidade dentro das escolas da cidade foi feita em etapas. “A lei federal diz que todas têm que ter 100% acessibilidade.  E ela foi sendo feita gradativamente, garantindo a acessibilidade por meio de rampas e banheiros adaptados”, explica.

No entanto, para ter acesso aos locais adaptados, esses eleitores deveriam ter solicitado até o começo de julho a transferência do local de votação. Mas, neste ano 53% deles não procuraram os cartórios para mudanças.

Justificar
Mas, a chefe de cartório Cláudia Sperb diz que quem não puder votar tem a opção de justificar. “Quem não conseguir exercer seu direito pode justificar e vale ressaltar que qualquer pessoa que tenha necessidade especial vai estar acompanhada de alguém de sua confiança”, afirma. Ela destaca ainda que este ano, uma novidade em termos de acessibilidade é que o eleitor com deficiência visual poderá solicitar dispositivo de áudio. “Ele pede e o mesário habilita, ele põe o fone para votar”, destaca.

Ainda segundo Cláudia, as oito escolas não estão adaptadas porque elas não têm locais de votação especial.



Paratleta faz campanha por mais acessibilidade em corridas de rua

Após acidente de carro, em 2012, Danielle Nobile passou a fazer as provas com sua "handbike". Porém, trajetos íngremes não favorecem participações de cadeirantes.

Por Ribeirão Preto, SP

22 de outubro de 2012. Assim que o carro parou no canteiro central, Danielle Nobile ouviu a pergunta do bombeiro: "Você consegue sair sozinha?". O capotamento, que a princípio parecia um susto, trouxe uma nova realidade. Embora lúcida e sem arranhões, as pernas não obedeciam seus comandos.
- A primeira coisa que pensei naquele momento foi: sou atleta, como vou fazer minhas provas? Não estou sentindo minhas pernas.
Não era à toa. Danielle, então com 27 anos, treinava e participava de corridas de rua há quatro anos. Sua vida, na época, poderia ser resumida entre as salas de aula [era professora de inglês] e os tênis, relógio e pace's.
Danielle Nobile completa os 21km da Meia Maratona de Ribeirão Preto (Foto: Divulgação/Alfredo Risk)Danielle Nobile fez os 21km da Meia Maratona de Ribeirão Preto (Foto: Divulgação/Alfredo Risk)
Mas não era aquele "tombo" que a faria desistir de tudo. A paixão pelas corridas estava acima de qualquer dificuldade.
- Não passei por choro ou sofrimento porque eu só pensava nas corridas. Eu tenho um tênis no coração e outro no cérebro. Logo depois do acidente, alguém me mandou uma foto da "handbike" e aquilo serviu de inspiração - explicou Danielle, que descobriu a bicicleta adaptada em uma das visitas ao Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Desde então, Danielle não parou mais.
No último dia 21, aproximadamente dois anos após o acidente, Danielle Nobile fez uma provocação aos organizadores de corridas de rua de Ribeirão Preto e região. Diante do público que acompanhava a 4ª Meia Maratona de Ribeirão Preto, ela fez um apelo no sistema de som.
Temos inúmeras corridas de rua na cidade e apenas duas suportam a participação de cadeirantes. Não é possível que os organizadores não se atentem para isso. Por que fazer provas em locais com subidas e descidas íngrimes se podemos fazer em locais planos? Os cadeirantes também gostariam de participar. Os organizadores precisam adaptar a prova - comentou Danielle Nobile, iniciando uma campanha por mais acessibilidade nas provas em Ribeirão Preto.
O pessoal da Meia Maratona foi super atencioso comigo. Depois que entrei em contato, fizeram tudo para eu participar. Foi bem legal. Mas e as outras? - questionou Danielle, que já participou de sete provas, sendo uma Meia Maratona em Buenos Aires, na Argentina.
Paratriatlon
Entusiasmada com os resultados, Danielle Nobile passou a treinar com mais frequência, com foco nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.
Quando entrei na natação, notei que era uma modalidade muito concorrida. Dificilmente eu conseguiria uma vaga. Treinei esgrima, mas é um esporte muito caro. Como gosto de nadar e pedalar, parti para o triathlon - comentou.
Danielle Nobile  (Foto: Cleber Akamine)Danielle Nobile treina ao menos duas modalidades por dia (Foto: Cleber Akamine)

"Tetraplegia incompleta"
Danielle prefere chamar suas limitações de tetraplegia incompleta. A lesão na vértebra C7 praticamente cessou a sensibilidade de suas pernas.
Minha sensibilidade não é 100%. Algumas partes são anestesiadas, outras sinto bastante, mas tenho que tomar cuidado com água quente no banho, por exemplo. Às vezes, coloco o tênis e a meia machuca o dedo. Eu demoro a sentir e isso pode ser perigoso. Tenho que tomar muito cuidado - explicou Danielle, que tem dificuldades em fazer o movimento de pinça com os dedos da mão.
Os médicos que participam ou participaram do tratamento de Danielle costumam dizer que a vida pró-ativa pode ser considerada uma vitória. Nenhum se arrisca a dizer que ela possa voltar a andar, mas isso não a desanima.
Meu primeiro sonho é voltar a andar. O segundo é disputar uma Paralimpíada -finalizou.
Danielle Nobile nada três vezes por semana (Foto: Cleber Akamine)Danielle Nobile nada três vezes por semana, durante aproximadamente 1h30 por dia (Foto: Cleber Akamine)
Fonte:globoesporte.globo.com

Cientistas criam exoesqueleto vestível como uma calça

Estudantes já criaram um propulsor a jato que aumenta a velocidade e a agilidade de soldados durante uma corrida.

    Soft Exosuit: aparelho é leve e lembra uma calça legging
    Soft Exosuit: aparelho é leve e lembra uma calça legging

Agora, pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, apresentaram um exoesqueleto que pode dar velocidade aos soldados e até ajudar vítimas de derrame a voltarem a andar.

O Instituto Wyss, de Harvard, recebeu um investimento de 2,9 milhões de dólares da agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa, na sigla em inglês) para desenvolver o exoesqueleto Soft Exosuit.

A agência quer impulsionar o desempenho dos soldados americanos.

O Soft Exosuit supera os inconvenientes dos exoesqueletos mais tradicionais. É mais leve e não tem componentes rígidos que podem interferir na articulação natural das pessoas.

O aparelho é leve e lembra uma calça legging. Com a diferença de que tem cabos ligados a uma bateria na cintura.

A veste tem sensores, um microprocessador e cabos conectando as articulações. O microprocessador funciona como o “cérebro” e a rede de sensores como o “sistema nervoso” de uma pessoa, sempre monitorando as ações do usuário.

Os sensores detectam qual articulação está em movimento. Então, os cabos fornecem uma força extra.


O processo imita a ação dos músculos das pernas e tendões quando uma pessoa caminha sem restringir o movimento do usuário.


Além de ajudar os soldados a economizar energia durante as missões, o exoesqueleto também pode ajudar pessoas com dificuldade de locomoção.

A tecnologia pode, no futuro, reduzir os custos de cuidados de saúde em longo prazo e melhorar a qualidade de vida das pessoas dentro e fora do campo de batalha.

A equipe pretende ajudar parceiros clínicos a desenvolver uma versão do sistema voltada para os médicos. Isso pode beneficiar vítimas de derrame, por exemplo, que podem andar mais devagar depois do acidente.

Veja abaixo um vídeo divulgado por Harvard sobre o Soft Exosuit:



Fontes: Exame - www.deficientefisico.com

Pessoas com deficiência: Fiscalização será intensificada em 2015, segundo MTE

A fiscalização de pessoas com deficiência no mercado de trabalho será intensificada em 2015. O Ministério do Trabalho e Emprego – MTE vai implantar a fiscalização da substituição do empregado com deficiência ou reabilitado demitido sem a contratação previa de um substituto em condições semelhantes.

   Imagem internet/Ilustrativa
   

De acordo com a Auditora-Fiscal do Trabalho, Fernanda Maria Pessoa di Cavalcanti, responsável pelo Projeto de Inserção de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho da DEFIT/SIT/MTE, a intenção é coibir os abusos cometidos pelos empregadores que infringem a Lei nº 8.213/1991. A lei trata dos Planos de Benefícios da Previdência Social, incluindo-se aí a questão da habilitação e reabilitação profissional de pessoas portadoras de deficiência.
Pela lei, a empresa só pode demitir trabalhador com deficiência ou beneficiário reabilitado nas seguintes situações: se estiver com a cota completa e a demissão não implicar em descumprimento da cota legal; por término de contrato por prazo determinado de noventa dias, por justa causa e por pedido de demissão.
“A nova modalidade de fiscalização vai evitar que as empresas dispensem os trabalhadores com deficiência ou beneficiário logo após o termino da fiscalização”, explica Fernanda di Cavalcanti.
Dados da RAIS-2013 mostram que houve um aumento de 8,33% de PcD/ reabilitado no mercado de trabalho, comparado com o ano de 2012, enquanto que para o mercado total de trabalhadores com deficiência esse aumento foi de 3,10%. “A expectativa da fiscalização trabalhista é que esse número aumente mais ainda depois da implantação da nova modalidade de fiscalização, em 2015”, informou Fernanda di Cavalcanti.
Dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho-SIT também revelam que nos últimos três anos os Auditores-Fiscais do Trabalho registraram aproximadamente 95 mil trabalhadores com deficiência durante as ações de fiscalização. Este valor representa quase um terço do total de trabalhadores com deficiência inseridos no mercado de trabalho brasileiro.
Fiscalização indireta eletrônica
O modelo de fiscalização indireta eletrônica implantado para o FGTS também está sendo adequado para a fiscalização deste benefício para a pessoa com deficiência. O novo serviço ainda não tem data prevista para ser implementado
“A ideia é alcançar um número maior de empresas que serão notificadas eletronicamente para comprovarem o cumprimento da cota legal para pessoas com deficiência e beneficiário reabilitado da Previdência Social”, explica Fernanda di Cavalcanti.
Segundo ela, as empresas encaminharão eletronicamente os documentos exigidos pela fiscalização, pois além dos Auditores-Fiscais do Trabalho terem competência para fiscalizar o cumprimento das cotas, têm a obrigação legal de verificar o enquadramento da PcD/beneficiário reabilitado na norma legal.
“Não é toda deficiência que é alvo da ação afirmativa do Estado brasileiro, daí a necessidade da atuação da fiscalização trabalhista para aquelas PcD que, sem essa “ajuda”, não teriam lugar no mercado de trabalho”.
Além de alcançar um número bem maior de empresas, a nova modalidade de fiscalização vai dar mais condições de os Auditores-Fiscais do Trabalho verificarem “in loco” as condições de trabalho da PcD.
Fonte: www.sinait.org.br- Imagem Internet Ilustrativa

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Carta aos Presidenciáveis: por que desprezam quem precisa de acessibilidade? Será que não querem o nosso voto?

Neste artigo, Lêda Spelta, do Acesso Digital, analisa a acessibilidade dos sites e dos programas de governo dos três candidatos com chances reais de chegar à presidência da República.

                               Mão segurando uma caneta e redigindo uma carta.

Caríssimos candidatos Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves,

Desalentada com a escassez de informações apresentadas nos programas eleitorais, resolvi acessar os sites oficiais de campanha, na esperança de encontrar esclarecimentos sobre as principais diferenças programáticas, ou seja, sobre o que eu poderia esperar do futuro do Brasil com cada um dos senhores na presidência, já que são os candidatos com chances reais nessa eleição. E decidi começar pelo site da Presidenta Dilma: http://www.dilma.com.br/.

Neste ponto, preciso abrir um parênteses para informá-los de que sou cega. Para usar o computador, utilizo um tipo de programa chamado leitor de telas; através de um sintetizador de voz, ele informa os textos e demais objetos que estão na tela, além de possibilitar a interação com eles sem usar o mouse. Mas, como os programas são mais limitados que os seres humanos, toda essa maravilha só acontece se a codificação das páginas Web seguir os padrões de acessibilidade; padrões que existem internacionalmente (as WCAG são mais ou menos como as normas ISO) e nacionalmente (o Governo Eletrônico tem o eMAG, que é o modelo de acessibilidade). O cumprimento dessas diretrizes garante que, tanto as informações contidas na página, quanto as interações com os objetos (links, campos editáveis, botões, barras de rolagem, etc), poderão ser usufruídas em igualdade de condições, não só pelas pessoas cegas, como por todas aquelas que tenham alguma dificuldade para acessar a Web (falta de força ou de coordenação motora para usar o teclado ou o mouse, daltonismo, dentre outras situações).

Voltando ao site de campanha da Dilma, logo no início, após o título “MAIS MUDANÇAS, MAIS FUTURO – Dilma Presidenta”, encontrei a palavra “Escondido”, que parece ser algum erro ou gatilho do código. Desta forma, “Escondido” está escondida para quem está vendo, mas está “visível” para quem não está vendo… Apesar da minha aversão ao lugar comum, não consegui deixar de me perguntar o que será que a Presidenta estará escondendo? Mas sigamos em frente, já que o meu objetivo é conhecer o programa. Um pouco mais adiante, encontrei uma lista com 6 itens semelhantes, dos quais, para poupá-los, mostrarei apenas um:“banners/5404a373a1272_1500″. Essa coisa é o nome de uma imagem que está sendo mostrada, mas que não tem uma descrição alternativa em texto, que possa ser usada por programas leitores de telas e browsers que não processam imagens. E a gente tem que ouvir isso…

Encurtando a história, depois de mais alguns percalços e muito bla-bla-bla, encontrei lá no finalzinho da página um link para “Programa de Governo”. Isso mesmo: as notícias pontuais e descartáveis, que podem ser encontradas na mídia ou nas redes sociais, essas ganham destaque, enquanto o programa de governo, por ter tão pouca importância, fica lá no cantinho… Pouca? Talvez nenhuma, pois até mesmo na própria página do programa, o destaque não é para ele e sim para a participação do eleitor. Mas eu entrei no site oficial, não foi? Será que entrei no blog? Tudo bem, já que é assim, posso aproveitar para dar a minha sugestão para se preocuparem com a acessibilidade do site, se não por respeito, ao menos por interesse, já que também somos eleitores. Posso mesmo? Antes tenho que provar que sou gente, decifrando aqueles caracteres distorcidos… Tudo bem que tem uma opção em áudio para quem não pode ver; mas os dígitos são falados em inglês… Presidenta Dilma, será que todos os seus eleitores cegos sabem inglês?! Será que a língua oficial do Brasil mudou e eu nem fiquei sabendo?

Finalmente, o link para o programa ! Mas está dentro de uma imagem cuja descrição alternativa em texto está fora do padrão. E o programa está num arquivo no formato PDF, criado sem acessibilidade. Resumindo: problemas para encontrar o programa, para baixar, para abrir e para ler.

Presidenta Dilma, sei que pretende governar para todos os brasileiros. Mas, como conseguirá fazer isso, se não está sendo inclusiva nem nas ações da campanha?

Já na página do Aécio, http://aecioneves.com.br/, a experiência foi bem diferente. Enquanto na página da Dilma encontrei barreiras no envio de mensagens, na do Aécio, nem digitei nada e já encontrei a mensagem: “Obrigado – Suas informações foram enviadas!” Confesso que fiquei duplamente paranóica. Será que eles coletam informações do nosso computador, ou lêem nosso pensamento? Creio que esta mensagem não esteja visível (não deixariam um furo desses com quem enxerga)… Mas, e o eleitor que não vê, mas lê a mensagem, será que não importa? E a dificuldade de interação não termina aí. No campo de cadastramento de e-mail, por exemplo, quem usa leitor de tela lê o seguinte:“home_slider/2fa595c093e445f897b54b20ae4a66b6 Cadastre seu e-mail”. Minha sugestão é que, para quem usa programa leitor de telas, a mensagem seja a seguinte:
“Se você teve tempo e paciência para ler a tranqueira que está antes desta mensagem, parabéns! E agora cadastre seu e-mail!”

Enfim, encontrei uma lista de itens, denominados “plano” ou “propostas”. E logo me interessei por um, o “Programa Brasil Acessível”. Mas a alegria durou pouco. O texto é muito genérico, não dá para entender como serão as ações: não se fala em acessibilidade na educação, nem na cultura, nem na mídia, na informação, no transporte, no trabalho… Das três frases que compõem o “Programa Brasil Acessível”, a mais específica é: “Financiamento de compra de equipamentos para o tratamento de pessoas com deficiência”. Ou seja, se for para a educação, a cultura, o trabalho, não tem. Só se, além de deficiente, a pessoa for também doente; caso contrário, esquece!

Candidato Aécio, acredito que tenha as melhores intenções, mas está muito mal assessorado com relação à acessibilidade e às necessidades das pessoas com deficiência. Como pode prometer acessibilizar o Brasil, se não consegue acessibilizar nem o seu site de campanha?

E assim, depositei a derradeira esperança no site da Marina,http://marinasilva.org.br/, até porque ouvi nas suas propagandas que ela, sim, tinha programa, os outros não… E também porque não quero desistir do Brasil, nem da acessibilidade, nem de eleger um candidato pelo seu programa de governo… E não foi difícil encontrar o link para o programa de governo. Porém minha esperança acabou ali, já que o recurso utilizado para exibir o programa não é nada acessível. Enfim, depois de alguns travamentos do browser e de reiniciar o computador, consegui, nem sei como, acessar o texto do programa, onde pude ler, entre outras coisas, o seguinte:

"O conceito de “pessoas com deficiência” abrange condições variadas. As deficiências podem ser sensoriais ou intelectuais, inatas ou adquiridas, temporárias ou permanentes. Podem ter pouco impacto na capacidade de trabalho e na interação com o meio físico e social ou podem ter impacto significativo. Podem ser físicas, auditivas, visuais, intelectuais ou múltiplas. A participação plena e efetiva de milhões de pessoas com deficiência, em igualdade de condições com as demais pessoas, depende do modo como organizamos o funcionamento da sociedade.
Desde os anos 1960, observa-se a politização do tema, liderada por ativistas e organizações ao redor do mundo. Inicialmente, entendia-se por deficiência um impedimento físico ou mental, presente no corpo ou na mente de determinadas pessoas, que demandava tratamento ou correção. Dessa definição equivocada resultavam políticas de cunho assistencialista."

Candidata Marina, não se preocupe, sei perfeitamente que não escreveu isto. A senhora, assim como a maioria das pessoas, provavelmente não sabe porque foi que eu li assim. Foi porque o programa estava num arquivo inacessível, editado em duas colunas, que o meu leitor de telas não conseguiu separar.
E a novela não acaba aí. Além das barreiras de acessibilidade citadas, todos os três sites apresentam várias outras, como o baixo contraste e a estrutura incorreta de cabeçalhos, além daquelas que prejudicam todos os cidadãos, como a baixíssima performance dos sites, o excesso de elementos na página, a falta de versões para dispositivos móveis, etc.

Voltando à página principal da Marina, comecei a passear pelos links, mas percebi que eu já não era a mesma. Depois de engolir sopa de letrinhas, dígitos em inglês, tratamentos de saúde e textos embaralhados, acabei como aquele Crioulo Doido do samba do Stanislaw Ponte Preta. Ao me deparar mais uma vez com os links “Doe aqui” e “Doe agora”, pirei total e comecei a falar sozinha:
Vocês escreveram errado, é “Dói aqui”, “Dói agora”! E como dói… Dói a falta de conhecimento de vocês sobre pessoas com deficiência e acessibilidade. Mas isso é o que dói menos, porque ninguém consegue saber tudo sobre tudo. Muito mais do que isso, dói a falta de importância que vocês dão a nós, pessoas com deficiência, a ponto de não se importarem em arranjar uma assessoria de qualidade, nem para construir o programa, nem para fazer o site de campanha! E se na campanha é assim, imaginem o que será depois…

Caríssimo Aécio, Prezada Marina, Ilustríssima Dilma, nós, pessoas com deficiência, somos cidadãos como quaisquer outros. Estudamos, trabalhamos, nos divertimos, formamos família; podemos votar e ser eleitos; pagamos nossas contas e nossos impostos; estamos sujeitos à lei e podemos ser presos e ter nosso nome no SPC. Somos pedintes, fracassados, deprimidos, humilhados; e somos também médicos, advogados, educadores, cientistas, psicólogos, empresários, jornalistas, bancários, balconistas, operários, lavradores, artistas… Nossos braços, às vezes frágeis, não nos impedem de ajudar a sustentar este país; nossas pernas, às vezes atrofiadas, não nos impedem de trilhar os caminhos que conduzem o Brasil para uma realidade mais digna e justa; nossos olhos, que às vezes não enxergam, nem por isso nos impedem de ter visão de futuro; nossos intelectos, às vezes limitados, não nos impedem de perceber a humilhação e o preconceito; nossos ouvidos, que às vezes não escutam, não nos impedem de ouvir o clamor dos milhões de pessoas com deficiência, tratadas como cidadãos de segunda ou terceira classe.

Agora me digam, por favor, o que sugerem que eu faça no dia 5?

Com preocupação e esperança,

Lêda Lucia Spelta