sábado, 11 de outubro de 2014

Era uma vez uma escola inclusiva...

 por Silvia  Sperling  Canabarro
Meu filho completará 11 anos no dia 11 de outubro  e nossa batalha  e peregrinação  no mundo  do  autismo  já  é passível  de  um  livro  de  aventura.  
Tentamos, até  hoje,  proporcionar as mais  diversas  experiências sociais  e educativas que  estiveram  ao nosso  alcance, visando  acarretar benefícios  a ele.

Conseguimos  êxito  na  mescla  de  atividades complementares  e de suporte, como  a  natação,  a ginástica  olímpica,  a musicoterapia  e os atendimentos especializados. Mas a verdadeira  inserção  na  escola  regular ainda  é uma questão que  me angustia e, inúmeras  vezes, causa indignação. Sempre assegurei meu ponto  de  vista, de que  o  autista  com  prejuízo  intelectual relevante é um desafio  para  o  sistema  educacional  vigente,  o que  resulta na necessidade  de  um  excelente  canal  de  comunicação entre família  e escola, e implementação  de  alternativas curriculares que  incluem  não só a presença  de um assistente  individual para  o  aluno,  mas a participação efetiva  do professor  em sala  de  aula,  buscando  integrar a criança  às atividades  e ao resto da turma.

Mas o que ocorre, em muitas  situações,  é a  falsa inclusão. As escolas particulares  tentam se "livrar do problema " dificultando  a aceitação  de novas matrículas de alunos  com diagnóstico de transtorno  do desenvolvimento, alegando número  de vagas destinadas  à  inclusão   já  preenchidas. E as instituições que, por ventura,  já  possuem  os alunos "problema " em seu corpo discente,  na grande  maioria  das vezes,  abrem somente  as portas para  a presença  da criança  em sala  de aula. Nós, famílias, dependemos  da sorte e boa  vontade  do professor  que  é responsável  pela turma em que  nossos filhos  se encontram. Ou seja,  há
anos  em que  o  professor se engaja com o  assistente  da criança  com necessidade especial  e cria estratégias  para  envolver  o  aluno  nas atividades pedagógicas  e culturais,  aproximando - o dos demais  colegas. E há,  infelizes anos, em que  a criança  se depara  com  um  professor  desinteressado  e sem nenhuma iniciativa para  incluí -lo no grupo.

Nestes casos,  a escola funciona  como um  espaço  locado para  o  atendimento destas  crianças,  e toda  a  responsabilidade  de cuidado  e transmissão de conteúdos  fica a cargo  do assistente.  A  aula  segue  o seu ritmo, com  a exposição de conteúdos  moldada  aos  métodos  convencionais,  e o aluno com deficiência  segue  sendo  o espectador deste  teatro. Pergunto, porque criar uma  lei  de inclusão na escola regular " enfiada goela  abaixo " dos gestores escolares, se na prática  o que  ocorre  são cobranças  indevidas  para  custear o auxiliar  pedagógico,  e o atendimento,  em sua maioria,  é superficial  e artificial.

Sejamos todos  francos! Se a escola não  está  apta  a aceitar uma  criança com deficiência intelectual,  que a encaminhe para  outra instituição de ensino.

Se o  caso  da criança  mostra - se severo  ou sua limitação  cognitiva  implica baixo  aproveitamento  de conteúdos, ou ainda,  seu comportamento inviabiliza o seguimento  da classe  em que  ela  está  inserida,  então , que  seja  sugerida à família  a opção da escola  especial.

Mas, deixemos  o "faz de conta " restrito  às brincadeiras infantis. Já  somos obrigados  a enfrentar  imensos desafios diários  com nossos  filhos  diferentes e não  merecemos ter que  agradecer  a mísera oportunidade  de  um espaço físico que  os acolham. Exigimos  mãos  que  façam, mentes que criem e olhares que  guiem. 


Grupo de fotógrafos oferece book gratuito para crianças com deficiência

                                 

Promover a inclusão de crianças com deficiência pela fotografia foi a ideia da curitibana Viviane Bachega quando criou o Projeto Estrelinha.

Ela e fotógrafos associados de todo o Brasil oferecem gratuitamente álbuns de fotos para famílias com crianças de até 12 anos que tenham alguma deficiência.

O ensaio é uma alternativa simples para ajudar na auto-estima e trazer alegria para esse grupo de crianças. Além disso é um coadjuvante no tratamento.

Se você é fotógrafo e quer fazer parte deste projeto, envie um e-mail para contato@projetoestrelinha.com.br




Nunca é tarde!

por 


Sabe aquela expressão: "Nunca é tarde", eu acredito finamente nela. E penso que quando se quer realmente alguma coisa temos que seguir essa expressão ao pé da letra. Pois bem, foi isso que eu fiz, no começo do ano, recomecei a estudar por uma faculdade a distância. Já sei, você vai falar: A distância não é boa, ninguém aprende nada, a distância não vale. Mas quem faz a faculdade é o aluno, e estou aprendendo muitas coisas legais e importantes que antes não teria a miníma importância e valor.

E quem faz Faculdade a Distância, sabe que a disciplina é um dos primeiros tópicos que temos que enfrentar, se você não estuda, simplesmente você não passa, é simples e reto. No meio do ano todas as turmas de Pedagogia da faculdade se encontram para uma confraternização, algumas meninas faltaram, mas o que notei é que eu era a única com alguma deficiência física ali naquela turma. Se não me engano, são quatro turmas de Pedagogia, fora os outros cursos. O lugar onde se encontra o Polo Presencial é meio apertado, mas tem rampa e o mais importante existe banheiro adaptado.

Muitos cadeirantes não se aventuram a estudar por falta de acessibilidade, felizmente isso tem mudado muito e a vida sobre rodas está cada dia mais fácil, mas ainda existe muito déficit na questão do acesso por aí.

Outra coisa muito bacana foi a receptividade das meninas, pena que muitas já desistiram. É uma turma divertida, onde o aprendizado está cada dia mais presente, não só aprendemos as disciplinas, mas umas com as outras. A nossa turma é um misto de culturas e pessoas lindas...  

Tem a risonha, a doida, a gordinha, a magrinha e também cadeirante, aquela que usa óculos, a alta, a baixa, a negra e também a branquinha, tema loira e a morena, a feliz e a que vive no mundo, cada uma com suas adequações e diferenciações, temos a mesma ideia, filosofia, ideologia, só queremos um mundo melhor para as nossas crianças.

E que todas as culturas se juntem, e num só mundo todos podemos viver sem preconceitos, sem diferenciações, pois o diferente também faz parte da vida, da nossa vida, e que cada uma ensine a outra um modo de ver a vida diferente. Um grande sábio já dizia: "As pessoas que passam pela nossa vida nunca vão ou nos deixam só... Pois, levam um pouquinho da gente e deixam um pouquinho de si." 

Além de conhecimento, adquiri amigos, sim, pessoas queridas que sempre deixam algo doce pelo ar, que não conseguimos pegar com as  mãos, mas conseguimos sentir. Obrigada por compartilhar um pouco da minha vida com vocês e também a de vocês comigo. E feliz dia das crianças... Êêêêêê...



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

De 30 museus fiscalizados, um tem acessibilidade universal

Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, é exemplo de acessibilidade.

da Redação

Imagem Internet/Ilustrativa


Aos poucos as cores desbotaram, a visão ficou turva e as pessoas e objetos transformaram-se apenas em vultos. Claudionor da Silva, 52 anos, morador de Campo Grande (MS), sofre de uma doença hereditária chamada Stargardt, que provoca a perda progressiva da visão. Com a enfermidade, um novo mundo foi descoberto e os olhos, até então seus principais norteadores, já não eram as janelas para mundo. Os ouvidos e as mãos passaram a desempenhar esse papel.

Ele afirma não ter sofrido no processo de adaptação e assimilação da nova realidade, o problema estava na cidade e nos espaços públicos que não foram feitos para cegos e pessoas com deficiência. Calçadas irregulares e com obstáculos fazem parte da vida cotidiana; os momentos de lazer também são afetados devido à falta de acessibilidade. Em uma visita realizada ao Museu das Culturas Dom Bosco (MCDB), foram vivenciadas algumas dificuldades. “Tínhamos guias e audiodescritores durante o trajeto para nos falar sobre a exposição. Conseguimos tocar em alguns objetos, mas acho que se eu fosse sozinho não daria muito certo, porque muitas coisas estavam em caixas de vidro”, afirma Silva.

Para a assistente social do Instituto Sul Mato-grossense para Cegos (ISMC) Hortência Ferreira, que realiza esse tipo de passeio com as pessoas da instituição requentada por Silva, é preciso pensar a acessibilidade para além da arquitetura do prédio. “As pessoas precisam pensar o cego como cidadão que também merece ter acesso a tudo. A descrição é muito importante, assim como o toque, porque dali ele consegue absorver bastante informação dessa vivência. Mas como ele vai conseguir, de maneira independente, vivenciar o museu e a proposta de uma exposição se os objetos são colocados dentro de uma caixa?”, questiona.

Segundo o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 25% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência. Esse público representa mais de 45 milhões de brasileiros e é muitas vezes ignorado. Segundo a arquiteta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Rafaela Felício, dos 30 museus supervisionados pelo órgão, apenas um, o Museu Histórico Nacional, localizado no Rio de Janeiro, apresenta acessibilidade universal. “Esse espaço passou 10 anos em adequações e reformas, mas ainda não chegou ao fim, esse processo é contínuo e está em constante renovação, porque quando muda a exposição ele precisa se readaptar. Já os museus novos são projetados para atender a todas as normas e diretrizes de acessibilidade”.

A lei federal nº 11.904 prevê, para todos os mais de 3.300 museus brasileiros, a garantia de acessibilidade física e linguagem expográfica voltadas às pessoas com deficiência. A arquiteta afirma, também, que é preciso ampliar o conceito de acessibilidade. “Geralmente, as pessoas acham que basta colocar uma rampa para resolver o problema, mas não é bem assim. As pessoas com deficiências (PCD) têm maneiras diferentes de apreensão, e essa questão de como ele vai viver o espaço museal, que já está prevista em lei, precisa ser difundida. É preciso pensar nos outros sentidos que podem ser explorados para que eles possam ter a experiência completa”. Ela afirma que, tendo em vista as diversas normativas relacionadas ao assunto, é possível perceber a mudança no comportamento dos administradores desses espaços e dos arquitetos que precisam pensar novas formas de adequação.

Recife e Porto Alegre oferecem caminhadas com guias 
Há sete anos, quando cursava o terceiro semestre da faculdade de Pedagogia, Andressa Cantel descobriu que tinha um tumor na hipófise, e uma das etapas do tratamento exigia a retirada da enfermidade por meio de cirurgia. A operação foi feita e, como consequência, perdeu 90% da visão. “Fiquei praticamente cega e entrei em depressão. Desisti da faculdade porque não tinha ânimo para nada. Foi quando comecei a frequentar a Associação Pernambucana de Cegos (APEC). “Aqui aprendi braille, conheci pessoas e isso me fortaleceu”, diz Andressa, que hoje trabalha como assistente no local e pensa em retomar os estudos. A entidade trabalha na adaptação e reabilitação de pessoas cegas e oferece diversos cursos e proporciona novas experiências. Em agosto, foi feito um passeio pelo centro da cidade em parceria com o governo local. “Eu mesma estava esquecida de alguns poetas importantes do meu Estado, mas relembrei. Foi muito interessante, porque pude tocar nas estátuas, me senti incluída”.

O Museu Joaquim José Felizardo, em Porto Alegre, passou por uma série de modificações em 2002. Foi construído um elevador para levar cadeirantes ao segundo andar do espaço, além de uma maquete tátil do museu e um banheiro adaptado, mas as reformulações não pararam. “Em 2012, nós realizamos uma oficina chamada Conhecendo Porto Alegre através dos sentidos, e ela disponibilizava audioguia, de voz masculina, que fazia a leitura dos textos do painel, e uma voz feminina que descrevia as imagens, objetos e linhas de tempo que compunham a exposição. Temos catálogo em braille com texto da exposição, monitores que fazem a visita e possibilitam o toque em alguns objetos”, diz a técnica em cultura do museu e deficiente visual, Márcia Bamberg.
Além das reformulações no prédio, os monitores promovem, no terceiro sábado de cada mês, o Viva o Centro a pé, uma caminhada orientada e acessível com audiodescrição e intérpretes de Língua Brasileira de Sinas (LIBRAS). A atividade é feita por professores universitários de História, Artes e Arquitetura. “O passeio dura, geralmente, duas horas e temos uma boa adesão de pessoas”, afirma a técnica.

Fontes: Terra  - saci.org.br - Imagem Internet/Ilustrativa

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Projeto obriga bibliotecas a instalar programas para pessoas com deficiência visual

Da Agência Senado

Livros dispostos como um dominó, na vertical
Implantar programas de software com a finalidade de facilitar o acesso de pessoas com deficiência visual aos computadores nas bibliotecas públicas de todas as cidades com mais de 50 mil habitantes. Esse é o objetivo do Projeto de Lei do Senado (PLS) 138/2014, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em análise na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).


Para o senador, os livros editados em braile e acompanhados de versão em áudio já não são mais suficientes para promover a igualdade do acesso entre as pessoas sem deficiência e aquelas que são privadas da visão. “O desenvolvimento vertiginoso dos meios tecnológicos de informação privilegia quem pode manejar computadores”, acrescentou, ao defender a implantação dos programas.

O projeto prevê que as bibliotecas reservem espaços exclusivos, com mesas, cadeiras e teclados específicos para uso das pessoas com deficiência visual.

Na CE, o projeto tem como relator o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Depois, a matéria ainda passará pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), em decisão terminativa. Isso significa que, se não houver recurso para a votação em plenário, o projeto poderá seguir para a Câmara dos Deputados.

Para garantir educação inclusiva, Planos estaduais e municipais devem corrigir equívocos do Plano Nacional de Educação

          Do De Olho nos Planos                 

                          Representantes de Fóruns e organizações avaliam principais desafios para a participação de pessoas com deficiência

Com a realização da Semana de Ação Mundial (SAM), entre os últimos dias 21 e 27 de setembro, atividades em todo o Brasil abordaram os principais desafios para a educação inclusiva na construção dos Planos Municipais e Estaduais de Educação, que devem orientar a educação nos territórios onde são construídos por um período de dez anos. Para uma das coordenadoras do Fórum Nacional de Educação Inclusiva (FNEI), Meire Cavalcante, os documentos construídos nos estados e municípios devem corrigir os equívocos aprovados no Plano Nacional de Educação (PNE) no que se trata do atendimento educacional às pessoas com deficiência.

Com a definição na meta 4 do PNE que a educação para estes estudantes deve ser oferecida “preferencialmente” no sistema público de ensino, segundo Meire, ocorreu uma distorção quanto ao que está garantido na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e na Constituição Federal – que determina a universalização da educação básica para todas as pessoas entre 4 e 17 anos em escolas comuns. “A construção dos Planos tem que ser feita a partir de uma escolha ética. Os Planos Estaduais e Municipais de Educação devem fazer uma correção no sentido de garantir o cumprimento do direito destas pessoas. Isso deveria ter sido feito no Plano Nacional, mas não o foi por interesses político-econômicos de alguns parlamentares nada comprometidos com o futuro destas pessoas”.

Segundo a integrante do Fórum Municipal de Educação de Fortaleza e uma das fundadoras do Centro de Apoio a Mães dos Portadores de Eficiência (Campe), Keila Chaves, o texto do Plano nacional não estabelece a obrigatoriedade do atendimento a pessoas com deficiência nas redes públicas de ensino tanto na educação regular quanto no Atendimento Educacional Especializado (AEE), que deve ocorrer no contraturno das aulas.

“Nós, mães e pais de pessoas com deficiência, lutamos para que esse ensino seja obrigatório nas escolas regulares, porque defendemos que a acessibilidade tem que fazer parte da vida de toda a sociedade. Se esse direito puder ser garantido na escola pública perto de minha casa, é uma forma de facilitar o atendimento e evitar a evasão destes estudantes”, afirmou Keila. De acordo com informações do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de dados do Censo Escolar 2012, estima-se que cerca de 140 mil crianças e adolescentes de até 18 anos com deficiência estão fora da escola.

Participação inclusiva
Para especialistas, a participação de todas as pessoas – inclusive das pessoas com deficiência – é uma forma de qualificar a elaboração dos Planos de Educação. “A participação é fundamental para que se incorporem as demandas dos diversos segmentos atingidos e, neste contexto, o envolvimento de pessoas com deficiência é tão ou mais importante, já que possuem especificidades e características que são pouco conhecidas inclusive pelos demais movimentos sociais e militantes por uma educação pública de qualidade para todos”, defendeu o coordenador de educação da ONG Mais Diferenças, Wagner Santana.
As pessoas com deficiência, para Wagner, são as que têm maior conhecimento e as que sentem com maior intensidade os processos de exclusão na sociedade. “Há um conjunto de barreiras que se estabelecem para estas pessoas em três ordens: na dificuldade de mobilidade e acesso físico, na falta de informações e de comunicação específica e nas barreiras atitudinais que se estabelecem pelo preconceito em não respeitar o tempo e a forma de expressão destas pessoas. São dificuldades que existem para além das restrições a processos participativos em nossa sociedade como um todo”, relatou o coordenador.

No entanto, segundo a integrante do FNEI, Meire Cavalcante, promover a participação de pessoas com deficiência não se refere apenas a contar com a presença de organizações que trabalham com esta parcela da população. “A representatividade não pode se dar apenas via instituições e é necessário levar em consideração que existem entidades que se dedicam à questão da deficiência, mas não à inclusão. E essa participação ocorre como forma de um tutelamento mascarado”, alertou. Para Meire, os responsáveis pela elaboração dos Planos Municipais e Estaduais de Educação devem, neste sentido, observar qual é o nível de participação das pessoas com deficiência nos processos decisórios destas instituições.

Informação e comunicação
Mas como chegar até as pessoas com deficiência e contribuir para que suas opiniões sejam consideradas? Para a jornalista e diretora da ONG Escola de Gente, Cláudia Werneck, a participação desta parcela da população depende, entre outras coisas, de mecanismos de comunicação acessíveis tanto para o estudante quanto para seus familiares. “A acessibilidade deve estar presente em todas as formas de comunicação, desde um convite para uma assembleia, até uma convocação da própria criança e adolescente que vão precisar do apoio e do incentivo de sua família”, afirmou a jornalista. E complementou: “a acessibilidade não é apenas para que os estudantes entendam o que está sendo dito, mas para que possam finalmente expressar o modo como se percebem no mundo e oferecer contribuições que só pessoas com deficiência podem dar”.

Para a participação na construção dos Planos de Educação, Meire Cavalcante destaca a necessidade da realização de um chamamento público para as pessoas com deficiência que estão pulverizadas em diferentes setores e grupos da sociedade. “O município e o estado podem pensar em estratégias de comunicação para estimular a participação de todos, convidando as pessoas com deficiência, representantes da comunidade negra e demais grupos que defendam os direitos humanos”, disse. Neste sentido, segundo a representante do FNEI, “a construção do Plano é coletiva e deveria se dar no âmbito de audiências públicas e reuniões abertas, participativas e acessíveis que podem ser organizadas por grupos de trabalho temáticos com pessoas de diferentes áreas”.

As dificuldades quanto à comunicação e informação fazem, de acordo com a fundadora do Campe, Keila Chaves, com que as famílias de pessoas com deficiência desistam de participar dos processos de construção das políticas educacionais. “A discussão tem que ir para dentro da escola de maneira que seja acessível não só nos formatos, mas também quanto aos assuntos e as siglas que estão sendo utilizadas. É preciso fortalecer a escola e contar com a participação da família, dos trabalhadores, professores, estudantes e da direção”, defendeu Keila.

Inclusão possível
Tecnologia assistiva, materiais em braile, tradução simultânea, letra ampliada, legenda e estenotipia. Estes são alguns exemplos de ferramentas e instrumentos possíveis para o apoio à educação inclusiva. No entanto, segundo a diretora da ONG Escola de Gente, Cláudia Werneck, é importante compreender a inclusão como um direito que pode não se efetivar mesmo com a utilização de todos estes mecanismos de apoio. “A acessibilidade é ao mesmo tempo instrumental e um direito. Uma sociedade inclusiva não pode ser resumida a um desfile de tecnologias, já que a participação só se dá quando todos aqueles envolvidos se percebem como sujeitos de valor”, afirmou Cláudia.
Para isso, é possível que tanto a escola quanto representantes de Secretarias e Fóruns de Educação adaptem os processos já existentes. “A inclusão pode se dar por coisas simples como organizar atividades em locais acessíveis, produzir materiais pensando nos diferentes públicos, fazer reuniões com intérpretes de libras e levar em consideração as várias especificidades dos grupos”, apontou o coordenador da ONG Mais Diferenças, Wagner Santana.

Diante do possível argumento quanto à falta de recursos, Wagner explica que a inclusão requer investimento da mesma forma que a garantia de demais direitos sociais. “Para a elaboração de materiais inclusivos, por exemplo, é possível fazer parcerias com movimentos da sociedade civil que já trabalham com esta temática e tomar cuidados tanto no que se refere à gestão dos sistemas, quanto às práticas pedagógicas no dia a dia”, afirmou.

Pela primeira vez, homem com deficiência física estampará capa da revista Men's Health

Veterano de guerra Noah Galloway, de 32 anos, recebeu o título de Ultimate Men's Health Guy (leitor que representa melhor as ideias da revista norte-americana).

Foto de Noah na capa da revistaPela primeira vez na história da revista americana de saúde e qualidade de vida Men's HealthSite externo. (Saúde dos Homens, em tradução livre), um homem com deficiência física é premiado com o título de Ultimate Men's Health Guy. O título é dado ao leitor que representa melhor as ideias da revista norte-americana. Além disso, essa é a primeira vez nos 26 anos da publicação que um homem com deficiência estampa a capa da revista.

O veterano de guerra Noah Galloway, de 32 anos, que hoje aparece na revista, perdeu parte da perna esquerda e o antebraço esquerdo em serviço. As lesões foram causadas enquanto estava servindo o exército dos EUA no Iraque, em 2005.
Na época, o veículo militar de Galloway passou sobre um artefato explosivo improvisado, que foi o bastante para atirar o Humvee pelos ares. Após o acidente, o soldado, que havia deixado seu país pela segunda vez para servir o exército, entrou em depressão e começou a beber. Galloway era um atleta nato, desde a adolescência ele se empenhava em praticar execícios físicos. No entanto, além de entrar em depressão, ele começou a ganhar peso.
Em 2010, o soldado se olhou no espelho e resolveu voltar a malhar. Após 4 anos de dedicação, ele voltou a ter o corpo definido, a manter a mente sob controle e  foi premiado com a capa da revista Men's Health.

Família luta para que deficiente com câncer de mama receba benefício

Idosos, pais precisam de ajuda para transportá-la do interior para Goiânia. INSS diz que não tem como ela receber aposentadoria nem auxílio social.


Paula Resende Do G1 GO

Deficiente, Ana Maria luta contra câncer
(Foto: Tiago Moura/ Arquivo Pessoal)
Deficiente, Ana Maria Monteiro do Amaral foi diagnosticada com câncer em Goiás (Foto: Tiago Moura/ Arquivo Pessoal)
A família da deficiente Ana Maria Monteiro do Amaral, 44 anos, luta para que ela seja aposentada ou receba algum benefício do governo. Moradora de Itapirapuã, no oeste goiano, a mulher, que teve paralisia infantil e conta com uma cadeira de rodas para se locomover, está com câncer e tem que vir todos os meses a Goiânia para fazer o tratamento. Idosos, os pais precisam de ajuda para trazê-la e afirmam não ter condições financeiras de arcar com as despesas da filha. Apesar da situação, o INSS diz que não tem como ela receber auxílio social nem ser aposentada.

O tema desta reportagem foi sugerido por um leitor pela ferramenta de jornalismo colaborativo VC no G1. Você também pode participar enviando sua colaboração. Saiba como.
Irmã de Ana Maria, a dona de casa Zenilsa Monteiro do Amaral, 42 anos, conta que, quando os pais chegam, ficam em sua casa, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana. Ela explica que o tratamento contra o câncer da irmã é feito na rede pública de saúde. Mesmo sem pagar pela terapia, o procedimento gera gastos para deslocar até o hospital, com medicações e curativos.
“Da última vez, ela ficou 25 dias aqui. Ela precisa de carro para levar a todo lugar, minha mãe não consegue carregar ela, pois é idosa, passa mal, não tem como ir de ônibus. Temos que comprar remédio, soro e pomadas porque a pele dela queimou com a radioterapia e tem que fazer curativo”, explica Zenilsa.
Busca por ajuda
De acordo com a família, eles recebiam um benefício assistencial, mas o dinheiro foi cancelado em fevereiro de 2004, quando os pais passaram a ser aposentados. “A gente foi ao banco e a gerente quebrou o cartão e disse que a gente não podia receber o benefício mais porque minha mãe se aposentou, assim, meu pai e minha mãe passaram a ser aposentados e não precisavam mais do auxílio da minha irmã”, conta Zenilsa.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou ao G1 que Ana Maria recebeu o amparo social à pessoa portadora de deficiência de 1997 a 2004.  Diferentemente do que a família explicou, o benefício não tinha sido cancelado em fevereiro de 2004. O amparo social só foi cancelado, segundo o órgão, em dezembro daquele ano porque os familiares pararam de ir sacar a quantia.
“A legislação determina que, quando os pagamentos depositados não são retirados por mais de seis meses, o Amparo Social ou o Benefício Previdenciário devem ser cessados”, informou, em nota, o INSS.
Segundo a irmã de Ana Maria, quem falou para a família que o benefício tinha sido cancelado foi uma gerente do Banco do Estado de Goiás (BEG), que foi vendido ao Itaú, em 2001.
Procurado pela reportagem, o Itaú não se pronunciou até a publicação desta reportagem.
Dez anos depois, ao receber o diagnóstico de câncer, a família de Ana Maria tentou receber o benefício novamente. Entretanto, o auxílio foi negado três vezes.
O INSS informou que Ana Maria não pode receber o amparo social porque a renda familiar dela supera o definido pela legislação. “O requerimento foi indeferido, em 22 de abril de 2014, por renda per capita superior ao permitido por Lei. O Amparo Social é destinado à Pessoa Portadora de Deficiência ou ao Idoso que comprovem possuir renda mínima inferior a 1/4 do salário mínimo por pessoa do mesmo grupo familiar”.
O órgão explicou ainda que Ana Maria também não pode se aposentar porque ela não contribuiu com o Regime Geral de Previdência Social. Assim, não tem como receber benefícios previdenciários.

Roupa tecnológica ajuda cego a caminhar

Por QSocial
Desenho mostra mulher vestida com o colete; alguns obstáculos, como caixa de correio, patins, bolsa e carro; e o local correspondente onde eles vibrariam no corpo do usuário.

A maioria das 285 milhões de pessoas com deficiência visual caminha com o auxílio da bengala inventada em 1921. Mas a empresa americana Tactile Navigation Tools quer deixá-las com as mãos livres para andar pelas ruas.
Para isso, está em desenvolvimento o Eyeronman, um colete repleto de sensores e emissores que detectam obstáculos até 360º em torno do usuário e os avisam por meio de feedback tátil.
Altamente tecnológica, a roupa é equipada com laser LiDAR, o mesmo utilizado por carros sem condutores para controlar a distância de outros veículos. Com isso, se o tecido detecta algo que possa representar um perigo, alerta o usuário sobre sua localização por meio de uma almofada vibratória. Se um obstáculo está na parte inferior esquerda do caminho do usuário, por exemplo, o tecido vibra na parte inferior esquerda.
Outras tecnologias empregadas no protótipo são o ultrassom, que utiliza o mesmo método dos morcegos para determinar a distância dos obstáculos, e a luz infravermelha, um tipo de radiação eletromagnética usado por jararacas para detectar presas ao sentir o calor do corpo.
Estudos mostram que pessoas com deficiência visual usam partes do cérebro normalmente utilizadas para a visão para processar a entrada auditiva, o que sugere fácil adaptação a novas conexões neurais. Assim, os pesquisadores acreditam que um cego poderia passar perto de uma mesa e senti-la por vibração.
O objetivo da empresa é comercializar o Eyeronman para soldados, policiais e bombeiros, que podem ter a visão limitada à noite ou pela fumaça de incêndio ou explosões.


Brasil: Cirurgia com células-tronco reverte cegueira

As células-tronco se consagram como uma alternativa para recuperar a visão de quem sofre com as principais causas de cegueira do mundo, que são: a retinose pigmentar (doença degenerativa hereditária da retina), a degeneração macular senil e a retinopatia diabética.

Imagem Internet Ilustrativa
A boa notícia acaba de ser publicada no jornal científico Acta Ophtalmologica, após um trabalho, desenvolvido com cerca de 50 pacientes vítimas de uma da doenças acima, pelo oftalmologista Rubens de Camargo Siqueira, de Rio Preto, em parceria com pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP).

Desde 2009, eles avaliam os efeitos da implantação de células-tronco autólogas (da própria pessoa), no controle destas doenças. Desta vez, o artigo publicado traz os bons resultados obtidos com a aplicação das tais células em portadores de retinopatia e degeneração.

“Os resultados para o implante das células em degeneração macular relacionada com a idade vai sair só no início do próximo ano. Mas, já observamos os resultados iniciais da retinopatia diabética e por isto, já publicamos em um jornal científico europeu especializado”, diz o pesquisador.

Siqueira afirma que existem diversos tipos de células-tronco com funções e mecanismos diferentes. “Esta, que estamos usando, é muito bem conhecida pois já é utilizada há mais de 40 anos pelos hematologistas para tratamento de doenças hematológicas como a leucemia.

Estas células-tronco derivadas da medula óssea são consideradas adultas e não possuem um grande potencial de transformação (diferenciação) como as células-tronco embrionárias, mas possuem segurança, pois como são do próprio paciente não apresentam rejeição e nem risco de gerar tumor”, explica.

No caso da retinopatia diabética, embora as células não substituam as células da retina que foram perdidas, elas produzem várias substâncias como fatores de crescimento, neurotróficos, mecanismo este denominado de efeito parácrino, que melhoram a sobrevida das células da retina e seu funcionamento, o que poderia gerar uma recuperação funcional.

Resultados no final do ano O oftalmologista Rubens Camargo Siqueira, de Rio Preto, afirma que os protocolos de pesquisas iniciados há cinco anos, com as células-tronco derivadas da medula óssea do próprio paciente (autólogas), foram com o objetivo de tratar a retinose pigmentar, que é uma doença degenerativa hereditária da retina e que leva com o passar dos anos a uma baixa significativa da visão e muitas vezes a cegueira.

“Este primeiro grupo nós praticamente terminamos a pesquisa e estamos realizando análise final dos resultados que serão publicados no final deste ano”, diz Siqueira. Primeira brasileira a receber o implante de células-tronco, há cinco anos, foi a psicóloga Fernanda Fernandes, 27 anos, com objetivo de combater a retinose pigmentar.

Ela se diz satisfeita com os avanços obtidos, embora reconheça ainda ter uma distância a ser percorrida para reverter as perdas já ocorridas antes da aplicação. “Fiz uso das células-tronco e trata-se de um futuro tratamento, muito eficaz, muito bom. Fiz duas aplicações primeiro no olho esquerdo e obtive algumas melhoras, em princípio.

Mas, o importante é que estas melhoras permanecem até hoje e neste olho não tive mais perdas. Já no olho direito, que fiz apenas uma aplicação em 2012 e estava muito pior que o esquerdo, ainda não teve melhora. Engraçado que este olho, antes era o meu melhor olho.

Acho que demoramos muito para fazer”, relata. ‘Consigo enxergar’ Só quem é vítima sabe a importância de qualquer avanço em relação a uma destas doenças. É o que relata o carioca Manoel Eleuterio, de 68 anos, analista de sistemas aposentado, que há quatro meses se submeteu pela primeira vez a aplicação das células-tronco em ambos os olhos, para tentar reverter a degeneração da mácula.

Neste período, ele já comemora cerca de 20% da recuperação da visão. “Já não enxergava mais nada, nem os rostos na televisão, tanto que comprei uma televisão imensa e não adiantou de nada. Com a cirurgia já consigo enxergar melhor e tenho certeza que vai recuperar mais a cada dia.” 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Bibliotecas públicas serão referência em acessibilidade no país

Com investimento de R$ 2,7 milhões, iniciativa faz parte do edital do Ministério da Cultura para garantir maior acesso à cultura.

Até abril de 2015, dez bibliotecas públicas no país ganharão qualificação profissional, melhorias no acervo e novas tecnologias para que sejam totalmente acessíveis pessoas com deficiência. O objetivo é que se tornem referência e multiplicadoras para as outras cerca de seis mil bibliotecas públicas do país.

Com investimento de R$ 2,7 milhões, a iniciativa faz parte do edital do Ministério da Cultura (MinC) para garantir maior acesso à cultura. Serão beneficiadas instituições em todas as cinco regiões do país.

Segundo últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do censo de 2010, há, no Brasil, 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 23,9% da população. A convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência garante o direito à cultura, ao lazer e ao entretenimento.

Mais Diferenças, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), será responsável pela adequação das bibliotecas. O primeiro passo foi a elaboração de um diagnóstico geral das instituições. "Esse diagnóstico vai ajudar muito na segunda fase do projeto que já tem plano de ação: a formação e capacitação das equipes", explica Carla Mauch, coordenadora da Mais Diferenças e responsável pela execução do projeto. "Ficamos na biblioteca, conversamos com várias pessoas, desde secretário de cultura até usuários com deficiência, incluindo os funcionários", completa.

Após a qualificação profissional, a ação será dirigida a mudanças no acervo, tornando-os acessíveis. "A ideia é avançar. Não pensar somente no livro em Braille - que já está disponível em algumas bibliotecas - mas pensar também, por exemplo, no livro digital bilíngue (português e libras). Queremos também ampliar a acessibilidade a todos os públicos com deficiência, não apenas a visual', explica Carla Mauch.

Tecnologia assistida

Outra etapa do projeto consiste na aquisição de tecnologia assistida, com recursos que permitam que as pessoas com deficiência tenham acesso ao conteúdo da biblioteca. Exemplos disso são as impressoras em braile, leitores de tela, teclados colmeia e aplicativos diversos.

Entre os grandes objetivos está também o de possibilitar a criação de redes entre profissionais, bibliotecas, setores culturais, políticas públicas federais e estaduais. Para Rosália Guedes, consultora do projeto, a troca de experiência e o trabalho em rede certamente contribuirão para a ampliação da acessibilidade nas bibliotecas.

A Mais Diferença quer montar um análise mais ampla sobre o tema. Para isso, elaborou um questionário direcionado a todas as bibliotecas e que servirá de base para a realização do Diagnóstico Nacional de Acessibilidade em Bibliotecas Públicas. A instituição também criará um site acessível com manual para as demais bibliotecas.

Com a pesquisa, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) e a Mais Diferenças desenharão, ao fim do projeto, diretrizes nacionais para as políticas públicas de acessibilidade em bibliotecas públicas brasileiras. "Cada biblioteca foi ouvida na sua essência para construção de algo melhor: a inclusão de todas as pessoas. Nesse trabalho, vivi o Brasil de muitas diversidades. Encontrei muitas pessoas que trabalham pensando no outro, que trabalham para o outro. Há espaços maravilhosos em que a biblioteca pública cumprirá seu papel, que é o da democratização de acesso a informações e à cultura a todos os brasileiros", conta Rosália, sobre a primeira etapa do projeto.