sábado, 25 de outubro de 2014

História do movimento das pessoas com deficiência é contada em documentário

      


No sábado, 18 de outubro, aconteceu o pré-lançamento do documentário “Da invisibilidade à Cidadania: os caminhos da pessoa com deficiência”, no Teatro Franco Zampari, em São Paulo. A estreia oficial do documentário, em rede nacional, está prevista para 09 de dezembro na TV Cultura.

Estiveram presentes os participantes do documentário, entre eles a Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella.

Produzido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, em coprodução com TV Cultura e  Produtora Gatacine, o documentário tem direção de Marcelo Galvão, diretor do longa metragem Colegas, filme protagonizado por jovens com síndrome de down. A estreia nacional fica prevista para dia 09 de dezembro, na TV Cultura.
 
O documentário tem duração de 50 minutos e conta um pouco sobre a história do movimento social e político das pessoas com deficiência em defesa de seus direitos no Brasil, tendo como foco as memórias de militantes e lideranças atuantes desde meados de 1981 - proclamado pela ONU como Ano Internacional das Pessoas Deficientes (AIPD).
 
O objetivo do documentário é trazer ao conhecimento público a existência do movimento das pessoas com deficiência, além de servir como referencial aos pesquisadores, aos novos ativistas e ao público em geral uma perspectiva histórica do movimento das pessoas com deficiência. O vídeo conta com os recursos de acessibilidade, legenda, Libras e audiodescrição. 

Após 73 países em bicicleta, Zé do Pedal cruzará o Brasil com cadeira

Ativista, conhecido por percorrer o mundo pedalando, caminhará do Norte ao Sul do país em prol dos deficientes e com dois projetos de leis.


Por Rio de Janeiro

  


Ele percorreu mais de 147 mil km, esteve em 73 países, pegou malária duas vezes, foi a três Copas do Mundo e passou perto de cinco furacões e quatro guerras civis. Para quê tudo isso? “Para ser feliz”, responde José Geraldo de Souza Castro, mais conhecido por Zé do Pedal, de 57 anos, que já deu a volta ao mundo de bicicleta. “Todos os projetos que faço, e esse é o nono, é com um objetivo social”, conta ele, no Rio de Janeiro, em meio a uma jornada que vai do Monte Caburaí, em Roraima, ao Chuí, no Rio Grande do Sul. Mas, desta vez, ele está a pé, empurrando uma cadeira de rodas.
Click AQUI para ver o vídeo.
- É para chamar a atenção sobre um dos principais problemas que afeta as pessoas com deficiência, que são as barreiras arquitetônicas. E venho em cada um dos 327 municípios que vou passando entregando uma proposta de lei para a criação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O segundo projeto de lei que estou entregando é de aplicação nos municípios de normas de acessibilidade - conta ele.
Zé do Pedal no Zona de Impacto (Foto: Reprodução/ SporTV)Zé do Pedal tem percorrido o país a pé com a bandeira a favor dos deficientes (Foto: Reprodução/ SporTV)
No total, serão 20 estados percorridos, com 10.700 km de caminhada atrás da cadeira de rodas. Mas, a primeira investida que aconteceu foi mesmo sob duas rodas, começou em 1982 e terminou no ano seguinte. Ele percorreu ao todo 26 mil km usando duas bicicletas. Só viajou de avião onde não tinha estrada, entre a Colômbia entre o Panamá, e na travessia de Miami a Londres. Da Inglaterra a França, viajou de barco. Mineiro de Guaraciaba, ele gastou 60 mil cruzeiros para chegar à Espanha, passou de 53kg a 51kg, e desembarcou junto com a seleção brasileira para a Copa do Mundo daquele ano.
- Seis meses depois de ter saído do Rio chegava na Espanha dois minutos antes do que a seleção brasileira, em Carmona. O Junior foi o primeiro que me reconheceu: “Ô da bicicleta, que bom te ver aqui”. Eu me emocionei. Ia todo dia aos treinos, ficava lá com os jogadores - se recorda.
Zé do Pedal no Zona de Impacto (Foto: Reprodução/ SporTV)Zé do Pedal conversou com o Zona de Impacto em
Copacabana (Foto: Reprodução/ SporTV)
Antes disso, levava uma vida normal na capital carioca, e foi o irmão que deu a ideia que ele abraçou com dedicação e nunca mais abandonou.
- Tinha uma vida normal, trabalhava no Rio, era office boy. Estava juntando dinheiro para ir para a Europa, para passar quatro anos lá aprendendo idioma, e o meu irmão deu a ideia de ir de bicicleta, aproveitando o ensejo da Copa do Mundo de 82. Quando cheguei ao escritório de manhã, olhei para o mapa e falei: tem como. Foram dois meses de preparação. Arrumei uma bicicleta de 10 marchas e fui embora.
Depois da Copa de 82, mais uma viagem. “Passei seis meses no Brasil e comecei a treinar, e encontrei o presidente Figueiredo (último presidente do regime militar). Ele falou assim: “Sei que você vai dar uma volta ao mundo, no que posso te ajudar?”. Falei: “A única coisa que preciso do senhor é uma carta me apresentando para as autoridades”. Fui a Brasília e ele me deu a carta, que abriu portas. E aí repeti toda a primeira viagem. Nessa volta ao mundo foi uma coisa fantástica, não tive nenhum problema, chegando ao México em 86, em Toluca. Aquela Copa sim me deu muita tristeza - cita, ao recordar a eliminação frente a França, nas quartas, nos pênaltis.
As adversidades eram comuns, como as estradas ruins e a falta de comida. Mas foi uma pergunta de uma criança que paira até hoje na memória de Zé do Pedal.
- Saindo do Deserto do Atacama, no Chile, subi com a bicicleta nas costas por praticamente 120 km (por causa da estrada). Procurava me hidratar bem. Às vezes ficava sem almoço, outras vezes sem janta. Tive ainda um acidente em Lille, na França, já de noite. O pneu de trás estourou e caí em um monte de urtiga, sem camisa e só de short. Foi difícil. (...) Um dos momentos mais difíceis desses 33 anos de estrada foi na Tailândia, quando visitava um campo de refugiados. No último dia, uma menina, sem cabelo nenhum na cabeça, chegou para mim e perguntou: "O que é a paz?" Se tivesse que responder a mesma pergunta hoje, a resposta seria a mesma: "Não sei".
Zé do Pedal no Zona de Impacto (Foto: Reprodução/ SporTV)Zé do Pedal chegou a África do Sul, em 2010, de
velocípede (Foto: Reprodução/ SporTV)
A última Copa em que o ativista esteve foi na África do Sul, em 2010. “Resolvi que o projeto seria de Paris à África do Sul. Saí em maio de 2008 e cheguei em 5 de junho de 2010 em Joanesburgo”.
Essa viagem rendeu o filme “Zé do Pedal – As Fronteiras do Mundo”, dirigido por Bruno Lima e Fabricio Menicucci. “Eles me acompanharam nos últimos 15 dias da viagem na África do Sul. O apelo dessa caminhada foi chamar a atenção para dois problemas que afetam a visão, a catarata e o glaucoma. E decidi, ao invés de bicicleta, usar um velocípede. Um carrinho que percorria, quando muito, 40 km por dia”.
E se viveu dificuldades, Zé do Pedal também foi contemplado por boas histórias. Numa delas, acabou inspirando um morador do Gabão, que tinha acabado de ver a filha chegar ao mundo, no mesmo dia em que se deparava com o visitante brasileiro.
- Estava no Gabão, procurando lugar para dormir, e consegui a marquise de uma casa. E às 2h da manhã o dono da casa me acordou para mostra a filha dele que tinha nascido. E na manhã, durante o café, ele me disse: “Você chegou ontem e trouxe luz para nossa casa. A nossa filha vai se chamar Josefina, em sua homenagem”. É isso que você tem de recompensa no final de todas as jornadas.
“Sempre vale à pena”, diz Zé do Pedal, sobre a vida.
Zé do Pedal no Zona de Impacto (Foto: Reprodução/ SporTV)Zé do Pedal relembra no Zona de Impacto histórias difíceis e felizes (Foto: Reprodução/ SporTV)Fonte:SPORTV

Após sofrer bullying, modelo com vitiligo quebra barreiras no mundo da moda

Por Patrícia Colombo Do UOL, em São Paulo

  

A indústria da moda vira e mexe estabelece padrões extremos de beleza a suas modelos, mas uma delas busca quebrar tabus e mostrar que a diversidade neste meio também é possível. A canadense Chantelle Winnie, portadora de vitiligo --doença cutânea que causa a perda gradativa da pigmentação da pele--, chamou a atenção da top Tyra Banks em seu reality show "America's Next Top Model". A bela também estrelou campanhas publicitárias e tem marcado presença em desfiles importantes, como o da grife Ashish, durante a temporada Primavera/Verão 2015, da Semana de Moda de Londres.
Chantelle, que tem Winnie Harlow como seu alterego [tipo Sasha Fierce para Beyoncé] e Chantelle Brown-Young como seu verdadeiro nome, foi diagnosticada com a doença aos quatro anos de idade. O distúrbio, que ocasiona a redução ou ausência completa de melanina em certas regiões do corpo, acabou lhe acarretando alguns apelidos desagradáveis, vindos de "coleguinhas" da escola. A exemplo do bullying sofrido, logo em sua primeira aparição no "America's Next Top Model", Chantelle comentou que já chegaram a lhe perguntar, em tom jocoso, se a mãe dela era branca, o pai negro e se ela não havia sido "preparada" direito enquanto estava na barriga, para justificar as tais manchas tão definidas.
"Precisei de muito tempo para construir dentro de mim a força e a coragem necessária para subir em uma passarela e me sentir poderosa", conta ela, em entrevista ao UOL Moda. "Não acho que o grande problema da nossa sociedade se encontra em como se lida com a beleza. Para mim, a questão maior está mais relacionada aos julgamentos. Quanto menos julgarmos e construirmos estereótipos, menos inseguras as pessoas se sentirão."
Reproduçã/Instagram/WinnieHarlow
Chantelle em selfie com a modelo e apresentadora Tyra Banks
Chantelle afirma que sua maior dificuldade, na transição da infância para a adolescência, foi a autoaceitação. "Acredito que as maiores batalhas que se têm na vida são com nós mesmos", diz. Segundo ela, a base da construção da autoestima está, primeiramente, em conseguir se orgulhar e ser feliz com quem você é por dentro. "Sempre há espaço para melhoria, somos seres em desenvolvimento. Mas é necessário conseguir se amar durante esse processo."
Nascida em Toronto, foi descoberta por uma jornalista local aos 16 anos. Seu rosto perfeito e porte de modelo, distribuído em 1,78m de altura, já a fizeram dar os primeiros passos na carreira, arrumando alguns trabalhos que mais serviam para construir portfólio do que propriamente para ganhar dinheiro. Na época, um vídeo em que contava sua história viralizou e foi a partir dele que Tyra Banks ficou sabendo da existência de Chantelle. A garota, que integrou a 21ª temporada do programa, atualmente no ar, tem visto sua carreira se transformar, principalmente por causa da atenção da mídia.
Confiante e bastante madura com apenas 20 anos de idade, a canadense é a atual garota-propaganda da grife espanhola Desigual e comenta que tem tido abertura na indústria da moda --mas que também não entra em grandes crises quando é negada para algum trabalho. "Nem todo mundo terá a mesma mentalidade para certas coisas", argumenta. "Se alguém não quer trabalhar comigo, não vejo isso como algo negativo. Apenas entendo que meu perfil não se encaixa no atual conceito do cliente, para determinada campanha ou desfile. As pessoas sempre relacionam tudo à beleza, quando ela apenas está nos olhos de quem a vê."

Projeto de educação inclusiva dá Prêmio Jabuti a professores

Por Inaê Miranda no RAC.com.br       

                                Lara e Cristina foram premiadas por livro sobre educação para surdos
        Foto: Divulgação / Lara e Cristina foram premiadas por livro sobre educação para surdos

Professores de Campinas (SP) foram os vencedores da 56ª Edição do Prêmio Jabuti, na categoria Educação, promovido pela Câmara Brasileira do Livro. Cristina Broglia Feitosa de Lacerda e Lara Ferreira dos Santos, que atuam no programa de Educação Inclusiva Bilíngue na rede municipal de Campinas, conquistaram o primeiro lugar com o livro Tenho um aluno surdo, e agora?, publicado pela Editora da Universidade Federal de São Carlos (Edufscar). O livro Aberturas para a História da Educação (Autores Associados), do professor Dermeval Saviani, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ficou em segundo lugar.

Tenho um aluno surdo, e agora? Introdução à Libras e educação de surdos reúne 14 artigos voltados a professores que iniciam suas experiências com alunos surdos. Além disso, o livro traz um aprofundamento teórico sobre questões que vêm sendo discutidas na área e dá subsídios para a atuação do futuro professor da educação básica.

Falta informação
De acordo com Lara, ainda falta muita informação para o educador atualmente. “Poucos conhecem os direitos legais tanto dos alunos quanto deles. Existe uma lei que dispõe sobre a educação bilíngue, como as escolas têm que se adaptar para receber o aluno surdo. Não basta colocá-lo na sala de aula e esperar que o professor resolva tudo”, disse.

Lara explica que o livro foi construído conjuntamente com outros professores e que ela e a professora Cristina foram responsáveis pela organização. Sobre o prêmio Jabuti, a professora afirma que foi uma surpresa. “A gente já estava muito feliz em estar entre os dez finalistas. Nem passou pela nossa cabeça ganhar um prêmio desse porque a temática da educação para surdos sempre foi marginalizada. Ganhar o Prêmio Jabuti significa colocar a educação de surdos em lugar de destaque, o que é motivo de alegria”, afirmou.

Conferências
O livro Aberturas para a História da Educação reúne textos escritos e pronunciados por Saviani em conferências de abertura de eventos da área entre 1997 e 2013. O professor afirma que o livro recebe o título por dois motivos. “De um lado porque é composto pelas conferências de aberturas de eventos de história da educação. Além disso, se propõe a abrir para os professores o campo da história da educação, que é considerado chave na formação de educadores. A história é a morada do homem”, afirmou.

Sobre o Prêmio Jabuti, Saviani disse que ficou contente com a premiação do livro sobre a educação de surdos. “É uma área importante a educação de surdos e que merece ser mais valorizada e ter maior visibilidade. O meu tendo ficado em segundo lugar está ótimo”, afirmou.

O prêmio
Criado em 1958, o Prêmio Jabuti é considerado o mais tradicional prêmio do livro no Brasil. Ao todo, foram recebidas 2.240 inscrições para concorrer às 27 categorias da premiação editorial este ano. Os resultados foram publicados na semana do professor e a cerimônia de entrega acontecerá no dia 18 de novembro, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.

A obra vencedora em primeiro lugar de cada categoria receberá, além do troféu Jabuti, um prêmio no valor bruto de R$ 3,5 mil. Os segundos e terceiros colocados de cada categoria receberão o troféu do Prêmio Jabuti. O Livro do Ano Ficção e o Livro do Ano Não Ficção receberão o troféu Jabuti dourado e o valor bruto de R$ 35 mil.

Eu fiz a minha escolha e você?

Por Carla Codeço

FOTO_escolha
Pois é, a vida tem dessas coisas: quando achamos que estamos no controle de tudo, é exatamente quando somos chamados a relembrar que não. Que o pouco controle que temos é ilusório. Vivemos como que numa montanha russa. Não sabemos se no próximo instante nos espera uma guinada ou uma queda súbita. Puro sabor de aventura. Afinal, que graça teria viver, se tudo fosse programado e já soubéssemos de antemão o que está por vir?


Vivendo intensamente constatei que estou grávida. Mais um presente para dar ainda mais sabor à vida. Uma nova gestação num momento de vida em que vinha me dedicando muito aos outros e tão pouco a mim mesma. Priorizando os filhos, o marido, o trabalho, escrever, os grupos de discussão sobre síndrome de Down. Recebi o impacto da iminente mudança brusca. Parada obrigatória. Parada para me concentrar em mim mesma.
E mergulhei com tudo nesta nova aventura. Quando começo a vivenciar a nova experiência, algumas interações com outras pessoas me chamam atenção. Comentários ressaltando a minha co-ra-gem. Mas, hein, que coragem? Cheguei a ouvir numa conversa a referência à fulana que teve seu primeiro filho com Down e, mesmo assim, teve a coragem de ter mais um. “Corajosa ela, né?” Confesso que demorei a entender. Depois da breve explicação, fiquei com a pulga atrás da orelha, pensando, pensando… Então, sou corajosa por estar grávida, apesar, friso, apesar de já ser mãe de uma criança com deficiência. É essa a definição para muitas pessoas de mãe-coragem.
Porém, seria coragem mesmo? Fez-me pensar nessa ilusão do controle absoluto novamente. Afinal, filho é filho. A gente não escolhe. Ou melhor: não deveria escolher. Há os que explicam: “Mas ela está arriscando. E se nascer outro filho com deficiência? É corajosa por se arriscar a ter dois problemas!” Hã? Problema?! Mas, pense bem, se você tem um filho e ele, em consequência de algum acidente ou sequela de alguma doença, passa a ter alguma deficiência? Ele passa a ser menos filho? Deixa de ser SEU filho? Definitivamente, filho não é problema, tenha ou não tenha alguma deficiência.
Disso tudo, eu tiro uma coisa: sou corajosa. Não por ter mais um filho. Mas por lutar pelos direitos de cada um deles. Por enfrentar os preconceitos de um mundo de tantos iguais. Por não aceitar nenhuma forma de exclusão. Por não acatar estereótipos, estigmas, limites a nenhum deles. Por acreditar no potencial de cada um. Por simplesmente amar cada um dos meus filhos do jeito que são, a despeito do universo a meu redor.
É ilusão achar que temos tudo sobre controle. Pra não dizer que não temos como escolher nada, temos uma escolha a fazer. Escolher viver plenamente ou viver remoendo problemas criados por nós mesmos. Esta escolha, sim, é nossa. Viver é isso: aceitar os desafios e mergulhar de cabeça ou ficar remoendo como poderia ter sido, se nada disso tivesse acontecido a você. Eu fiz a minha. E, se achar que isso é sinal de coragem, tudo bem, meu bem.


O que os candidatos propõem às pessoas com deficiência

Dois meses de horário eleitoral gratuito mostraram muitos embates e algumas propostas – sobre saúde, educação, economia e infraestrutura. No entanto, faltaram ideias para 24% da população brasileira _  cerca de 46 milhões de pessoas com deficiência.


Na terça-feira, mandamos perguntas para as equipes dos candidatos à Presidência e ao governo do Estado para conhecer as propostas até então escondidas ou indefinidas. Os questionamentos foram elaborados de forma colaborativa, junto a deficientes que enviaram questões de forma voluntária. Confira, abaixo, o que cada candidatura propõe.



Aécio Neves           Aécio Neves (PSDB)

A assessoria declarou que as pessoas com deficiência sempre serão incluídas nas áreas que tiverem aplicação de investimento. Uma das propostas é a revisão de critérios para ampliação da concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), visando a beneficiar quem necessita de órteses ou medicamentos de alto
custo.

Com o programa Brasil Acessível, proposto pelo candidato, materiais utilizados para a criação de tecnologias, bem como seus aparelhos, dispositivos e equipamentos, terão impostos reduzidos, a fim de diminuir os preços. A educação será contemplada com grandes investimentos, promete o candidato, visando à capacitação de professores para atender às necessidades desse público, juntamente com a melhoria das condições de acessibilidade das escolas.
Reduzir o número de deficientes trabalhando na informalidade é uma das metas de Aécio. Para atingir o objetivo, o candidato propõe a criação de auxílio-inclusão a quem ingressar no mercado de trabalho, estimulando a produtividade.

Dilma Rousseff              Dilma Rousseff (PT)
O destaque apontado pela campanha é o programa Viver sem Limite, criado pelo Governo Federal em 2011, que busca promover autonomia e igualdade de oportunidades as pessoas com deficiência. No campo educacional, além da criação das salas multifuncionais equipadas, a assessoria enfatiza a criação de cursos de bacharelado e licenciatura de Letras-LIBRAS em 13 universidades federais.
A novidade fica por conta da política pública voltada para cães-guia, com a criação de sete institutos tecnológicos, para o treinamento desses animais, que auxiliam na busca do deficiente visual por independência. Na promoção de tecnologias acessíveis, funciona na UNICAMP o Centro Nacional de Referência de Tecnologia Assistiva, que coordena a criação de novos equipamentos em benefício desse grupo.
Caso eleita, a candidata propõe a ampliação do Minha Casa Minha Vida 3, seguindo o modelo de residências adaptáveis em todos os empreendimentos entregues pelo governo federal. O aprimoramento das ações existentes e a continuidade das políticas de inclusão estão entre as metas de Dilma.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Equipe que transplantou células do nariz em paralítico busca voluntários

Cientistas buscam pacientes com lesão provocada por objeto pontiagudo. Paciente que recebeu transplante consegue andar com ajuda de armação.

Da Reuters

                      

Cientistas buscam pacientes com lesão provocada por objeto pontiagudo.
Paciente que recebeu transplante consegue andar com ajuda de armação.


Uma equipe de médicos que ajudou um homem paralítico a voltar a andar transplantando células de sua cavidade nasal para sua espinha dorsal anunciaram estar buscando novos pacientes para poderem demonstrar que seu avanço não foi circunstancial.


Os médicos declararam nesta quarta-feira (22) que irão procurar pela internet voluntários com lesões semelhantes à de seu paciente, o polonês Dariusz Fidyka, que ficou paralisado do peito para baixo depois de ser esfaqueado nas costas pelo ex-marido de sua companheira em 2010.

Agora ele consegue andar com a ajuda de uma armação.

“Para os próximos estágios de nossa pesquisa, precisaremos de pacientes que sofreram uma lesão na espinha dorsal causada por um objeto pontiagudo, como uma faca ou uma machadinha”, disse Wlodzimierz Jarmundowicz, neurocirurgião de Breslávia, cidade do oeste da Polônia, que fez parte da equipe polonesa-britânica que tratou Fidyka.

“A pequena luz no fim do túnel acendeu, mas precisamos repetir o procedimento em dois ou três pacientes, e aí veremos”, afirmou Jarmundowicz em uma coletiva de imprensa em Breslávia.

Site vai buscar voluntários
Os médicos planejam criar um site em polonês e outro em inglês para buscar voluntários, porém o endereço ainda não foi divulgado.

A técnica, descrita como um avanço por um estudo na publicação "Cell Transplantation", envolveu o transplante das chamadas células olfativas revestidoras para a espinha dorsal do paciente e a construção de uma “ponte de nervos” entre as duas extremidades da coluna vertebral danificada.

A pesquisa pioneira foi liderada por Geoffrey Raisman, professor do instituto de neurologia do University College de Londres, que trabalhou com cirurgiões do hospital da Universidade de Breslávia.

Cedo demais para conclusões

  
Foto mostra paciente andando com a ajuda de um equipamento, depois de receber transplante de células nasais (Foto: AFP Photo/BBC Panorama )

Entretanto, especialistas da área alertaram que o sucesso com um paciente faz com que seja cedo demais para concluir que o tratamento pode ter benefícios de larga escala. Em alguns casos, os pacientes podem perceber uma evolução significativa nas funções simplesmente por causa da reabilitação e da passagem do tempo, argumentaram.

Fidyka compareceu de cadeira de rodas à coletiva de imprensa, na qual os feitos sobre sua mobilidade restaurada foram transmitidos aos médicos em apresentações de vídeo.

Visivelmente surpreso pela enorme atenção que seu caso atraiu, ele se desculpou pela voz rouca, que atribuiu às conversas com jornalistas.

Ele lembrou como, em 2011, um ano depois de ser apunhalado, marcou sua primeira consulta com o doutor Pawel Tabakow, membro da equipe que mais tarde o tratou. “Ele ficou de cabelo em pé – não esperava um paciente com uma lesão daquela”, contou Fidyka.

“Agora consigo movimentar minha perna esquerda, tenho mais sensibilidade na direita, sinto calor e frio, funções fisiológicas e sexuais diferentes estão voltando. Poderia viver sozinho em um apartamento. Com certas modificações, poderia dirigir.”

“Há altos e baixos, mas está tudo indo na direção certa”, completou.


Juiz condena Inep a pagar R$ 10 mil a cadeirante gaúcho prejudicado no Enem

Decisão torna órgão federal responsável por garantir acessibilidade em locais de prova do exame nacional.

Reprodução
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), foi condenado a pagar indenização de R$ 10 mil por danos morais a um cadeirante gaúcho que fez a prova do Enem 2011 em uma escola sem acesso adequado. O Inep pode recorrer.

Se mantida, a decisão judicial da Justiça Federal do Rio Grande do Sul abre precedentes para que o instituto federal seja responsável por garantir acessibilidade nos locais de prova do exame.
“Esta decisão contra o Inep abre precedente para outras contendas judiciais. Em casos anteriores, a responsabilidade sempre recaía sobre a escola ou sobre a [empresa] organizadora da prova”, afirmou o advogado especialista em direito da pessoa com deficiência Geraldo Nogueira.
O estudante Maurício Zortea, 31, teve de ser carregado para o local de prova, em Passo Fundo (RS), pois o acesso era feito por uma escada. Durante a realização da prova, não conseguiu entrar na cabine do banheiro, que tinha portas mais estreitas que sua cadeira.
Durante o processo, Maurício chegou a citar outros locais de prova na cidade com boas condições de acessibilidade para a realização do exame.
“Está claro que o Inep tomou ciência da condição especial do aluno, sem ter providenciado, porém, como lhe cabia, estrutura adequada”, afirmou o juiz federal Andrei Pitten Velloso em sua decisão.
“Caráter pedagógico”
“O que chama a atenção é que o único argumento da defesa é o atestado de incompetência do órgão. [Dizendo] que por causa do tamanho da prova não poderia ser responsabilizado por isso”, comentou Bruno Zortea, advogado e irmão do candidato.
A decisão foi tomada no último mês de setembro em julgamento a um recurso do Inep contra indenização no valor de dez salários mínimos a que fora condenado em abril de 2013.
De acordo com Bruno Zortea, o objetivo do processo era chamar atenção para o problema e obrigar o Estado a garantir a acessibilidade aos candidatos. No entanto, o advogado não está contente com o valor da indenização, considerado baixo.
“Queríamos que o processo tivesse um caráter mais pedagógico para a União em relação ao respeito dos direitos dos deficientes, mas o valor é insignificante para o instituto”, afirmou Bruno.
Procurada pela reportagem, a Advocacia-Geral da União (AGU) disse que foi notificada da decisão nessa segunda (20) e ainda analisa qual medida será adotada. Caso queira, a AGU tem 15 dias para entrar com recurso.
Enem 2014
Para a edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano, realizada nos dias 8 e 9 de novembro, 76.676 candidatos pediram atendimento especializado no ato da inscrição, segundo informações do Inep.
Desses, 15.115 precisam de uma sala de mais fácil acesso. Outros 4.528 estudantes pediram mesa com cadeira separada e mais 2.697 candidatos querem mesa para cadeira de rodas.
Fontes: Último Segundo - www.deficienteciente.com.br

24 de Outubro: Dia Mundial de luta contra a Pólio e Tratamento Digno a Pós Pólio



Mensagem de Ari Colatti, ativista dos direitos das pessoas com Síndrome Pós-Pólio.

Síndrome Pós-Pólio


4 de outubro Dia Mundial de Combate a PÓLIO por tratamento digno aos pacientes de SÍNDROME PÓS PÓLIO! Estamos em todos os 5 continentes. Dizem que somos cerca de 20 milhões de pessoas. A Síndrome Pós Polio é degenerativa e precisamos de tratamento JÁ ! Por campanhas públicas e pela capacitação dos profissionais de Saúde… NÓS AINDA ESTAMOS AQUI !
Encontro na Avenida Paulista (São Paulo) em frente ao Conjunto Nacional a partir das 10:30 no dia 24/10.
Acesse o link do evento e confirme sua presença: https://www.facebook.com/events/1504240726502749/?fref=ts
No Facebook pessoas da Argentina , Venezuela, Colômbia , Nicarágua, México , Guatemala , República Dominicana ,Peru e outros estão postando suas fotos com cartazes.
Dr Acary e Ari Colatti
Dr Acary e Ari Colatti
Síndrome Pós-Pólio
Dr Acary e Ari Colatti
Angola, Marines Quizomba
Angola, Marines Quizomba
SÍNDROME PÓS-PÓLIO
Por Drauzio Varella
A síndrome pós–pólio é uma desordem neurológica que acomete pessoas por volta dos 40 anos que, pelo menos 15 anos antes, foram infectadas pelo vírus da poliomielite e desenvolveram uma forma aguda ou inaparente da doença.
A principal característica da síndrome é a perda das funções musculares que tinham permanecido estabilizadas no intervalo entre a recuperação e o aparecimento dos novos sintomas.
O quadro não é provocado pela reativação do vírus da poliomielite, mas pelo desgaste proveniente da utilização excessiva dos neurônios motores próximos daqueles que foram destruídos pelo poliovírus. Isso acontece porque, para compensar essa falta, apesar de também terem sido afetados, os neurônios sobreviventes passaram a enviar ramificações para inervar os feixes musculares comprometidos pela doença.
A tendência é que os casos de síndrome pós-pólio diminuam consideravelmente nos países em que as campanhas de vacinação contra a poliomielite representaram uma estratégia importante para erradicar a doença.
Não existem estatísticas precisas sobre o número de portadores da síndrome pós-pólio no Brasil Na verdade, só em 2010, a enfermidade foi incluída no Catálogo Internacional de Doenças (CID 2010), graças a um trabalho desenvolvido por pesquisadores brasileiros na Unifesp.
Sintomas
A síndrome pós-pólio pode manifestar-se tanto em pacientes que desenvolveram um episódio de paralisia flácida quanto naqueles em que a infecção não deixou esse tipo de sequela.
Os principais sintomas da SPP são:
* Fraqueza muscular progressiva nos membros atingidos ou não pela doença;
* Cansaço excessivo;
* Dores musculares e nas articulações;
* Cãibras;
* Dor de cabeça;
* Dificuldade de deglutição e para controlar os esfíncteres;
* Hipersensibilidade ao frio;
* Distúrbios do sono;
* Problemas respiratórios;
* Depressão;
* Ansiedade.
Diagnóstico
O diagnóstico leva em conta os sinais da síndrome instalados há mais de um ano em pessoas que tiveram poliomielite no passado.
A eletroneuromiografia pode ser um exame útil para avaliar alterações na inervação e ajudar a excluir a possibilidade de outras doenças degenerativas com sintomas semelhantes.
Tratamento
Não existe tratamento específico para a síndrome pós-pólio. A abordagem é sempre multidisciplinar e inclui exercícios aeróbicos leves, de alongamento, de resistência com pouca carga, hidroterapia. orientação nutricional, assim como o uso de órteses (bengalas, muletas, andadores, coletes, por exemplo), de próteses, de equipamentos de assistência e suporte, de medicamentos para controle da dor e da ansiedade.
A fisioterapia é um recurso essencial para ajudar a manter a função muscular.
Recomendações
Pacientes com síndrome pós-pólio devem ser orientados para:
* Reduzir ao máximo o gasto desnecessário de energia;
* Estabelecer uma rotina de vida que permita incluir períodos de repouso entre as atividades do dia a dia;
* Investir no condicionamento físico adequado visando ao fortalecimento da capacidade funcional;
* Evitar realizar movimentos repetitivos;
* Exercitar os músculos de forma criteriosa para que não atrofiem;
* Valer-se do uso de equipamentos ou próteses que ajude a retardar o processo de evolução da doença.