sábado, 15 de novembro de 2014

Prefeitura inicia obras do Projeto Praia Sem Barreiras

Icaraí será a primeira orla a receber o equipamento. Serão instaladas uma rampa de madeira e uma esteira que vão auxiliar as pessoas com deficiência no acesso ao mar.

  

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, assinou na tarde desta quarta-feira (12) a ordem de início para as obras do projeto Praia Sem Barreiras, que será implantado primeiramente na Praia de Icaraí, na Zona Sul da cidade.

O projeto consiste na instalação de uma rampa de madeira e uma esteira na areia da praia, na altura da cabine da Guarda Municipal, que vão auxiliar portadores de deficiência ou de mobilidade reduzida no acesso até o mar. Vai disponibilizar ainda duas cadeiras anfíbias apropriadas para o banho de mar.

Todo o trajeto será acompanhado por profissionais.

Na areia, serão instaladas ainda tendas onde ficarão os orientadores. As pessoas que trabalharão no projeto passarão por capacitação para estarem aptas a auxiliar as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida a utilizar o equipamento de forma segura. 

A esteira será removida diariamente e possui alta durabilidade em ambientes úmidos e à exposição ao sol. 

A previsão é que os equipamentos comecem a funcionar em quatro meses. A ação deverá ser expandida para outras praias, como Itacoatiara, Itaipu e Piratininga, na Região Oceânica. 

O prefeito Rodrigo Neves destacou a importância da iniciativa que torna Niterói uma cidade ainda mais acessível e inclusiva.

“Nosso objetivo é fazer de Niterói uma cidade cada vez mais acessível. Estruturamos um Plano Municipal de Acessibilidade que prevê várias ações nas áreas de saúde, educação, transporte e no lazer. Esse projeto tem um significado especial. Ele dá visibilidade para a temática da inclusão da pessoa com deficiência. Pessoas talvez com 20, 30, 40 anos, que nunca tiveram o acesso ao lazer e à praia vão ter essa oportunidade. Esse projeto tem muito a ver com a atual gestão da prefeitura. Uma gestão que tem um olhar integrado e holístico sobre a cidadania e as pessoas”, explicou.

A secretária municipal de Acessibilidade e Cidadania, Carmem Fogaça, afirmou que a iniciativa representa um resgate na cidadania e dignidade das pessoas com deficiência.

“Muitos niteroienses não entram na praia e no mar. Adolescentes, idosos e crianças com deficiência ficam no calçadão. Com esse projeto, vamos resgatar a infância, a juventude e dar oportunidade aos idosos com deficiência. Vamos oferecer novas oportunidades a essas pessoas. Isso não tem preço”, destacou.

A vereadora Tânia Rodrigues afirmou que a implantação deste projeto é uma grande conquista para as pessoas com deficiência, que vão vivenciar uma nova realidade.

Participaram da reunião os secretários municipais de Obras e Infraestrutura, Domício Mascarenhas, Executiva, Maria Célia Vasconcellos, o presidente da Niterói Terminais Rodoviários (Niter), Murilo Moreira Filho, além de representantes da Emusa e da Secretaria de Acessibilidade.

As crianças e seus por quês!

Adriana Lage comenta sobre a curiosidade das crianças quando se deparam com cadeirantes.

Adriana Lage

Foto: Adriana Lage/Internet
É sempre uma diversão quando sou "interrogada" por alguma criança. Nunca vi tanta curiosidade e criatividade num mesmo ser! Se já são naturalmente curiosas, imaginem só como ficam com as ideias fervilhando ao se depararem com alguém que possui uma ou mais deficiências! No final de outubro, meu sobrinho completou um aninho de vida e alguns priminhos vieram para a festa. O trio me encheu de perguntas e me fez rir demais! Acho que nem o Tardelli teria sido interrogado desse jeito... Hoje, vou dividir com meus leitores um pouco das pérolas obtidas nas conversas que tive com três priminhos que moram em Itabira/MG. Vamos à seleção das melhores perguntas/falas:

- "Nossa! Que coisa mais maluca é essa cadeira! Parece um carrinho de brinquedo... Como ela anda?" (J., 5 anos)

Nessa hora, tive que fazer uma demonstração básica da cadeira (botões, freios, buzina, baterias, desfile básico, etc); Expliquei para que serve uma cadeira de rodas motorizada e que ela anda graças às baterias. Comparei, grosseiramente, a cadeira de rodas a um celular que sempre precisa ser carregado na tomada. Confesso que fiquei sem resposta quando meu priminho me perguntou o que era freio eletromagnético! Pensei, pensei, pensei, mas não soube explicar. Tentei simplificar falando que eram mágicos, já que bastava retirar a mão do joystick para que a cadeira parasse. Ele não gostou da resposta e me disse: "Mágicos? Rá rá rá... Isso é desculpa"! Fiquei com "cara de tacho"!

- "Deve ser muito bom ficar sentada o dia todo e não cansar as pernas. Vou querer uma cadeira dessas para ir para escola"! (C., 7 anos)

Como essa priminha não convive muito comigo, fui explicar a ela que as coisas não são bem assim. Mostrei a ela o porquê de andar na cadeira de rodas, o quando esse aparelho facilita minha vida e fiz um resumo dos prós e contras de ser cadeirante. O mais interessante foi a atenção que ela me deu. Ouviu cada palavra e foi imaginando...

- "Você dorme na cadeira de rodas? Faz xixi nela ou usa fralda igual neném?" (C., 7 anos)

Nessa hora, após rir um pouco, fiz um resumo da minha deficiência e expliquei que cada caso é um caso. Mostrei a ela minha cadeira de banho e meu lift de transferência. Expliquei que alguns cadeirantes usam sonda. Outros, como eu, conseguem fazer xixi como ela. Alguns cadeirantes precisam ser carregados. Outros já se transferem sozinhos e possuem braços fortes.

- "Ô Didi, você não anda por quê não comeu direito quando era pequena?" (C., 7 anos)

Ri demais com essa pergunta, ainda mais quando vi a cara de censura da priminha de 11 anos. Lalá foi logo retrucando "Dãããããã... a Didi tá na cadeira porque é aleijada!". Como as duas não se alimentam corretamente, aproveitei para reforçar sobre a necessidade de uma alimentação saudável durante toda a nossa vida. Algumas pessoas ficam desnutridas e possuem várias limitações. Só que, no meu caso, a doença foi causada um vírus intrometido. Muitas coisas nessa vida são inexplicáveis. Acontecem sem quê nem por quê! Simplesmente, Papai do Céu me escolheu para andar na cadeira de rodas. Assim como deu cabelo liso para uma das priminhas e belos cachinhos para a outra!

- "C., deixa de ser boba! A Didi só não anda..." (L., 11 anos)

Essa frase foi dita, no outro dia, com a maior cara/voz de piedade. Nesse momento, me lembrei daquela máxima que diz que as crianças não são preconceituosas; são os adultos que as estragam! Ela reproduziu o discurso que ouço das minhas tias. Perguntei a ela como imaginava que era a minha vida usando uma cadeira de rodas. Ela me disse que deveria ser complicada e triste. Então, fiz um resumo da minha vida mostrando que a cadeira de rodas é apenas um complemento da Adriana. Às vezes, verdade seja dita, a vida complica um cadinho, mas não há tristeza que dure mais que um dia. Fiz questão de ressaltar minhas conquistas (vida escolar, progressão na carreira profissional, a natação, viagens, etc).

Como o tempo foi curto, no próximo encontro, vou convencê-las a abandonar o termo "aleijado" quando quiserem indicar a presença de uma deficiência. Infelizmente, minhas priminhas reproduzem o discurso do "coitadismo" ainda empregado por muitos quando se referem às pessoas com deficiência.

Após tantas perguntas, acredito que consegui plantar nos priminhos a idéia de que uma deficiência vai muito além do "coitadismo" e da piedade. Se cada um fizer sua parte, minimizaremos o preconceito até que, num belo dia, exista apenas em verbete de dicionário.

Fonte: saci.org.br

Deficiente auditivo cria projeto para ouvir “canção” dos sinais Wi-Fi

O projeto chamado tem como objetivo dar volume a algo que, apesar de estar sempre a nossa volta, está geralmente invisível aos nossos olhos e ouvidos.


DA REDAÇÃO

Deficiente auditivo cria projeto para ouvir “canção” dos sinais Wi-Fi
O poder da tecnologia realmente nos surpreende a cada dia. Prova disso foi a invenção do escritor de ciência Frank Swain, que começou a perder progressivamente a audição aos 20 anos. Foi então que se juntou ao engenheiro de software Daniel Jones para produzir uma ferramenta capaz de fazê-lo captar ainda mais sons: ouvir a melodia do Wi-Fi. E foi assim que tudo começou.

O projeto chamado de Phantom Terrains (Terrenos Fantasmas), tem como objetivo dar volume a algo que, apesar de estar sempre a nossa volta, está geralmente invisível aos nossos olhos e ouvidos.
A plataforma experimental traduz as ondas Wi-Fi para a linguagem sonora, atribuindo tons específicos a cada tipo de característica dessa tecnologia, como força do sinal, direção, nome de identificação e nível de segurança. Os dados são transferidos para o aparelho auditivo do usuário, que pode, então, “sentir” a rede através da música criada.
Para exemplificar o que é possível produzir com o experimento, o idealizador Swain caminhou em volta dos estúdios da BBC, captando o cenário Wi-Fi do local, moldando uma canção própria para aquela área.
Assim foi possível também criar um mapa visual do trajeto baseado nos sinais da vizinhança, com as cores, denotando cada um dos canais usados pelos roteadores ou a potência exercida por eles, com as marcas brancas indicando aparelhos funcionando na faixa dos 5 GHz.

Click AQUI para ter mais informações.

Fonte:www.otempo.com.br








ACESSIBILIDADE E MOBILIDADE URBANA: Batendo na mesma tecla

Não é por falta de instrumentos jurídicos que já não tenhamos virado essa página e superado o mote da mera inclusão, avançando muito além dela para a concepção emancipatória da pessoa com deficiência.

Wiliam Machado*

Imagem Internet/Ilustrativa


A propósito da falta de sensibilidade e consciência cidadã para com as necessidades de pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida, em face dos seus desrespeitados direitos fundamentais de ir e vir pode parecer redundante para aqueles sem deficiência ou que desfrutam de plena forma física padrão, porém, de capital importância para quem vive o desafio de sobreviver com dignidade em condições tão adversas. Essa pauta pode não agradar transgressores, tampouco soar bem aos ouvidos de quem apenas pensa em seus próprios interesses, ainda que suas aspirações causem danos aos seus semelhantes, mas constitui objeto da nossa exaustiva manifestação em defesa dos mais vulneráveis.

De acordo com a Cartilha do Censo 2010, da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD), embora algumas vezes os termos direitos e garantias sejam usados indistintamente, há uma diferença conceitual importante entre os dois. Os direitos são constituídos por uma lista de bens e serviços que o governo entrega aos indivíduos, enquanto as garantias asseguram que esses bens e serviços cheguem, igualmente, a todos os indivíduos de uma nação. O conceito de direito contempla, de um lado, o sujeito a quem cabe a obrigação de suprir os bens e serviços – direitos – e, de outro, o indivíduo postulante, a quem cabe o direito de exigir uma obrigação positiva ou negativa.

Muito se tem questionado as péssimas condições de acessibilidade a mobilidade urbana em nossas principais regiões metropolitanas, procurando mostrar o quanto o Brasil perde como possível destino de milhões de turistas idosos ou mobilidade reduzida que viajam o ano inteiro mundo afora, e nunca para locais em que tenham seus direitos de inclusão e cidadania sob ameaça. Da mesma forma, como rotas turísticas cuidadosamente traçadas por milhares de turistas com deficiência, além dos atletas do mundo inteiro que virão ao Brasil para participar dos Jogos Paralímpicos de 2016.

Defendemos a tese de que as pessoas com deficiência são pessoas como todas as outras, merecendo o mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade. Para nós, a deficiência não se situa no corpo ou na mente da pessoa que a possui, mas nos indivíduos que não enxergam ou não querem enxergar (por preconceito ou descaso) tal realidade.

O que nos causa espanto é a recorrência de infrações nos mais diversos cenários, não obstante os efeitos do Decreto Legislativo n. 186, de 9 de julho de 2008, que promulgou a ratificação da Convenção da ONU sobre Direitos da Pessoa com Deficiência, com força de emenda constitucional, o que foi proposto pelo Governo Federal. Este, coerentemente e até por excesso de zelo, sancionou-o por meio do Decreto Presidencial n. 6.949, de 25 de agosto de 2009.

Como se pode constatar pelo rico respaldo legal anteriormente discorrido, não é por falta de instrumentos jurídicos que já não tenhamos virado essa página e superado o mote da mera inclusão, avançando muito além dela para a concepção emancipatória da pessoa com deficiência. Pois, enquanto INCLUIR significa abarcar, abranger, compreender, conter, encerrar, englobar, EMANCIPAR implica em creditar a essas pessoas direito de autonomia, independência, libertação.

Libertação das amarras que nos prendem ao descaso decorrente das barreiras atitudinais, impostas pelas ações inconsequentes de muitos dirigentes de empresas, profissionais liberais, políticos insensíveis aos pleitos das minorias, entre outros que priorizam o que melhor lhes convenha. É preciso evoluir na busca de maior compreensão das necessidades dos nossos semelhantes, assegurando-lhes acesso a autonomia no sentido pleno, sejam eles pessoas com ou sem deficiência, numa tomada de consciência que nos aprove e nos conceda certificado de civilidade.

Apenas e através da garantia de independência para todos estaremos preparados para receber bem e nos apresentar anfitriões evoluídos, prontos para acolher a todos em nossas cidades, que nada mais são do que espelhos das nossas próprias casas, cenários exclusivos de atendimento às nossas próprias privacidades.

* Wiliam Machado
Secretário Municipal do Idoso e da PcD de Três Rios/RJ
http://secretaria-do-idoso-planeta-vida.webnode.com/

Fontes: Secretaria Municipal do idosos-Três Rios - saci.org.br  - Imagem Internet/Ilustrativa 

Paraplégico surpreende sua noiva ao armar esquema para dançar valsa em seu casamento

                                                                                                                                                                             Reprodução/Daily Mail
     Reprodução/Daily Mail


O ex-sargento Joey John, atualmente com 27 anos, sofreu um grave acidente de moto quatro meses após conhecer sua atual esposa, Michelle. Nele, ficou paraplégico, mas não desistiu do sonho de se casar. E, na cerimônia, surpreendeu a todos ao usar uma estrutura que o permitiu ficar de pé para dançar com a noiva.

O caso, que aconteceu em Fishers, Indiana, nos Estados Unidos, chamou a atenção de todos pela emoção envolvida na cena. Michelle, ao ver o noivo na estrutura, caiu em lágrimas antes mesmo da valsa. A reação foi a mesma de todos os convidados.

Click AQUI para ver o vídeo.

Pendurado na estrutura, Joey conseguiu dançar toda a valsa e realizar seu sonho e o de sua mulher. Segundo a noiva, essa "foi a melhor surpresa que Joey podia fazer, a prova definitiva de que aquele casamento era a decisão mais acertada".  


                   

"Naquele momento, só queria morrer", conta mulher mutilada

A mutilação genital feminina é uma prática ainda vigente em 29 países do mundo; 150 milhões de mulheres têm a vagina mutilada e, segundo a ONU, até 2030, outras 86 milhões podem ser cortadas.


Ana Lis Soares
Mais de 150 milhões de mulheres vivas em todo o mundo foram mutiladas e outras 86 milhões podem sofrer a prática até 2030, segundo a ONU Foto: Arquivo Fundação Flor do Deserto / Divulgação

"Quando eu tinha 13 anos, alguns vizinhos vieram em nossa casa e me forçaram a deitar no chão. Em seguida, seguraram minhas pernas abertas e uma mulher velha cortou minha genitália: meu clitóris, os lábios interior e exterior e, depois disso, minha vagina foi costurada. Foi a pior dor que eu já senti na vida e, naquele momento, eu só queria morrer. Desde este dia cruel, tive grandes problemas para urinar, sentia dores terríveis quando menstruava e, por diversas vezes, pensei que nunca poderia ter uma relação sexual com um homem. Nem que poderia ser mãe". Este é o depoimento de Inab Abduliah, de 19 anos, nascida em Ali Sabieh, Djibouti, na África, concedido com exclusividade pela Fundação Flor do Deserto (Desert Flower Foundation) aoTerra, sobre o dia em que ela teve sua genitália mutilada e as consequências sofridas por ela ao longo de mais de sete anos.

Poderia ser um roteiro de filme de horror, mas é realidade de mais de 150 milhões de mulheres vivas em todo o mundo. Todas elas, mutiladas. Tiveram o corpo e o direito ao prazer cortados por facas, cacos de vidro ou lâminas caseiras. Sem anestesia. E sem consentimento.

"Eles nos levaram – a mim e outras meninas – e cortaram-nos uma a uma. Foi um verdadeiro trabalho de açougueiro. O sangue estava por toda parte. Eu quase morri de dor e por causa do forte sangramento e, desde este dia, sofria de inflamações e dores terríveis quando precisava ir ao banheiro. Eu tinha apenas 5 anos de idade", relatou Senait Demisse, 28 anos, de Nazareth, Etiópia, África.

O que é FGM
A mutilação genital feminina (FGM, na sigla em inglês) é uma prática em que parte ou todo o órgão sexual de mulheres e crianças é removido. A chamada infibulação consiste na costura dos lábios vaginais ou do clitóris, feita com pontos ou espinhos; nestes casos, é deixada apenas uma abertura pequena para urina e menstruação, assim como ocorreu com a africana Inab Abduliah. Segundo dados da ONU, pelo menos 15% das meninas mutiladas na África passaram por uma infibulação.

A menina Safa, ainda criança, durante gravações do filme "Flor do deserto"
Foto: Arquivo Fundação Flor do Deserto / Divulgação
            

Os casos de mutilação estão concentrados na África (com 28 países praticantes) e no Oriente Médio, mas também há praticantes na Ásia e em comunidades imigrantes na Europa, América do Norte e Austrália. Num estudo realizado pela ONU, descobriu-se que a Europa é moradia de mais de 500 mil meninas mutiladas.

O fim da prática da mutilação genital é uma das metas da ONU em relação à violência contra a mulher. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que não há nenhuma razão religiosa, de saúde ou de desenvolvimento para mutilar ou cortar uma mulher. Segundo estimativas da organização, 86 milhões de meninas serão mutiladas até 2030, apesar de ser considerada ilegal. O dia 6 de fevereiro foi escolhido como Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, celebrado para denunciar a prática.

"A FGM não é considerada como algo legítimo internacionalmente, por ser violenta, agredir os direitos sexuais das mulheres e não permitir que usufruam do próprio corpo. Inclusive é ilegal em países onde é praticada, como no Egito. Mas há grupos que seguem culturas e religiões nas quais é exercida pelas famílias: muitas vezes pela avó e mães; as meninas que sofrem são muito jovens. É algo que funciona em núcleos familiares e, portanto, levado por diversas gerações", explica o cientista político e assessor de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil, Maurício Santoro.  

Mariam Coulibaly exibe as ferramentas que utilizava para realizar a mutilação de meninas em seu país: uma faca que era de sua mãe e ervas, para curar as feridas, em Salemata, sudeste do Senegal, em janeiro de 2003  Foto: AP
                    

A mutilação pode provocar diversos problemas para as vítimas: infecções crônicas, sangramento intermitente, dores na relação sexual, pequenos tumores benignos em nervos, pedras na vesícula e uretra, danos aos rins, infertilidade, entre outros. Em relação às consequências psicológicas, a FGM pode causar ansiedade, medo e sentimentos de humilhação, vergonha e revolta.

Proibida, porém prevalente, a mutilação da genitália feminina chega a ser praticada em 99% das mulheres em países como Djibuti e Somália, na África. As justificativas apontadas são muitas: as famílias acreditam que, mutiladas, as filhas poderão se casar com homens "melhores", que não as aceitariam não-circuncisadas. Isto porque algumas culturas acreditam que os órgãos femininos são impuros e a prática traz higiene. Com a retirada do clitóris, também acreditam que as possibilidades de acontecerem relações sexuais extraconjugais são diminuídas.

Vida livre e reconstruída

Safa e Inab em Djibouti, África, onde a Fundação possui projetos para evitar que novas meninas sejam mutiladas; no país, a prática atinge quase 99% das mulheres. Foto: Arquivo Fundação Flor do Deserto / Divulgação




























"As mulheres sofrem mutilação física e psicológica. Então, o sentimento é sempre de muita vergonha. Quando migram para outros países e percebem que não é certo sentir dor em relação sexual, descobrem que foram vítimas de mutilação criminosa, portanto podem optar pela reconstrução da vagina. Mas esta decisão é sempre acompanhada de muitos sentimentos conflitantes, pois é difícil perceber o crime numa tradição e ensinamentos arraigados há gerações e gerações", conta a médica cirurgiã Beatriz Lassance, que trabalhou em Amsterdã, no departamento de cirurgia plástica Onze Lieve Vrouwe Gasthuis, com o médico Refaat Karim, referência em cirurgia ginecológica de reconstrução.

preparadas para as mudanças que a "liberdade" trará antes de realizar o procedimento. "Existe um conflito interno. Mas é visível que, após a cirurgia, elas se sentem mais mulheres", afirma.

As flores do deserto

A Desert Flower Foundation (Fundação Flor do Deserto) foi fundada no início dos anos 2000 pela ex-top model somaliana Waris Dirie. Assim como 99% das meninas de seu país, Dirie também passou por mutilação genital quando tinha apenas 5 anos. "Aquele dia mudou minha vida para sempre. Depois que me senti um pouco melhor, eu sabia, mesmo sendo uma garotinha, que aquilo foi errado e que iria lutar contra este crime brutal, mesmo sem saber quando, onde e como", diz Dirie.

Aos 13 anos, a ex-modelo fugiu da pequena comunidade em que vivia, na Sómalia, por causa de um casamento forçado - ela foi vendida pela família em troca de cinco camelos a um homem que teria idade para ser seu avô. Chegando a Londres, trabalhou como faxineira na Embaixada da Somália e no Mc'Donalds, sendo descoberta aos 18 anos pelo fotógrafo Terrence Donovan.


Waris Dirie foi convidada a ser embaixadora especial da ONU contra a prática de mutilação de meninas. Foto: Arquivo Fundação Flor do Deserto / Divulgação








































Em uma entrevista à revista Marie Claire, Waris contou sua história, começando, assim, a realizar sua promessa de lutar contra a prática. Em 1996, Waris foi convidada para ser Embaixadora da ONU contra a FGM. Viajando pelo mundo em campanha, reuniu-se com ex-presidentes como Bill Clinton e Michael Gorbachev e ministrou diversas palestras em congressos.

Em 2002, a ex-modelo abriu sua própria fundação - Waris Dirie Foundation - com sede em Viena, na Áustria, para apoiar seu trabalho como ativista. Em 2010, a Fundação foi renomeada como "Desert Flower", e hoje faz trabalhos em comunidades africanas, além de atender mulheres na Alemanha e possuir um curso de preparação de médicos para a cirurgia de reconstrução na Holanda com o Dr. Refaat Karim.

"As mulheres jovens, principalmente, sentem que foram vítimas de um crime. Elas sentem que algo lhes foi tirado quando eram crianças. As mais idosas defendem a prática, pois acreditam que isto faz parte de sua cultura ou religião", conta o diretor da Fundação Flor do Deserto, Walter Lutschinger, que é otimista em relação ao futuro dessas meninas.

Lutschinger acredita que o fim da mutilação está mais próximo do que nunca. "Graças às leis contra a FGM em quase todos os países, inúmeras campanhas, milhares de relatórios divulgados pela mídia, muitas meninas puderam e poderão ser salvas. Nós realmente acreditamos que esse crime vai acabar neste século", afirma.


Inab e Senait com a médica cirurgiã, Cornelia Strunz, após o procedimento cirúrgico em Berlim Foto: Arquivo Fundação Flor do Deserto / Divulgação

























Em alguns anos de trabalho, a Fundação já recebeu e-mails de mais de 120 mil mulheres que gostariam de "renascer", fazendo uma operação de reconstrução e, até mesmo, trabalhando para evitar que outras mulheres sejam mutiladas.

Como é o caso de Senait Demisse, que passou mais de 20 anos sofrendo de dores, operada recentemente pela Fundação Flor do Deserto, na Alemanha. Ela diz que agora se sente livre e que se casará em breve. "Eu contei para minhas amigas sobre a cirurgia e agora todas querem vir para Berlim fazer", afirma.

Inab Abduliah também foi operada este ano. "Fiquei sabendo sobre o trabalho da Fundação e, após uma conversa, voei a Berlim por conta deles e concordei imediatamente em operar. Agora, minha vida é normal e me sinto uma mulher completa", contou.
Hoje, a africana trabalha para a Flor do Deserto em seu país, Djibouti. "Trabalho para proteger minhas duas irmãs pequenas e outras garotas da tortura brutal", a que são submetidas mais de 90% das mulheres de seu país, conta a jovem.

Meninas choram em cerimônia de mutilação genital no Quênia

Veja imagens feitas por um fotógrafo que acompanhou o passo-a-passo do ritual.


 imagens fortes revelam um pouco do que deve ter sentido cada uma das meninas da tribo Pokot que participou do ritual de mutilação genital de um vilarejo rural em Baringo, no Quênia. 
A mutilação genital feminina (FGM, na sigla em inglês) é uma prática que consiste em retirar parte ou todo o órgão sexual de mulheres e crianças. Nos casos mais extremos, a mutilação total é realizada nos lábios vaginais e clitóris (processo chamado infibulação). 
A ONU estima que, hoje, 150 milhões de mulheres ao redor do mundo sofrem ou já sofreram com a prática. Embora a 'tradição' tenha sido declarada ilegal em muitos países africanos - o Egito é um exemplo - ela ainda sobrevive em comunidades menores e famílias.
Ao mutilar suas filhas, as mães acreditam que garantem um melhor futuro com melhores maridos a elas, já que a prática é vista como uma forma de "limpeza" das meninas. As imagens foram feitas pelo fotógrafo da Reuters Siegfried Modola. Veja.

Com informações da Reuters











CDH aprova vagas especiais para grávidas em estacionamentos

Gorette Brandão e Rodrigo Baptista 



A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou nesta quarta (12) projeto que torna obrigatória a reserva de vagas em estacionamentos públicos para veículos que transportem gestantes e crianças de até um ano e meio de idade. Além de estender ao grupo benefício já previsto para pessoas com deficiências limitadoras da locomoção, a proposta do senador Anibal Diniz (PT-AC) ainda amplia a atual demarcação, de 2% para 3% do total das vagas.
A matéria (PLS 520/2013) deve seguir diretamente para exame na Câmara dos Deputados, sem passar por votação no Plenário do Senado, a menos que seja apresentado recurso com essa finalidade.
Assembleias estaduais e câmaras municipais já têm adotado leis que reservam vagas em estacionamentos públicos para gestantes e mães com crianças, sejam de colo ou até um pouco mais de idade. No entanto, ainda falta previsão específica na Lei da Acessibilidade, a Lei 10.098/2000, de alcance nacional. O autor do PLS 520/2013 levou em conta as dificuldades de locomoção inerentes ao grupo, medida pelo esforço e pelo cansaço decorrente de sua condição física.
“Não se pode negar que o carregamento de peso extra, representado pela criança na barriga ou no colo, aumenta sensivelmente o esforço que é necessário empreender para deslocar-se”, observa Anibal Diniz na justificação.
A relatora, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que recomendou a aprovação da proposta, afirma que a medida “ecoa preocupação generalizada de política urbana”.
A Lei de Acessibilidade atualmente determina a reserva de vagas em vias ou em espaços públicos (o que compreende estacionamentos de empreendimentos comerciais, como shoppings), em áreas próximas dos acessos de circulação de pedestres. As vagas, equivalentes a 2% do total, garantida pelo menos uma, devem ser sinalizadas.

Aprovado na CDH projeto que amplia condições de acessibilidade nas calçadas





Foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), nesta quarta-feira (12), projetodo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) que tem por objetivo assegurar condições de acessibilidade às calçadas públicas pelas pessoas com deficiência. 


O projeto (PLS 541/11) modifica o Estatuto das Cidades para incluir entre os deveres dos entes federativos a promoção da “melhoria dos passeios públicos e do mobiliário urbano”.


A proposta foi aprovada em decisão terminativa, estando pronta para seguir a exame na Câmara dos Deputados, a menos que seja apresentado recurso no sentido de levar a decisão ao Plenário do Senado.


O autor justifica sua proposta com o argumento de que ainda são necessários aperfeiçoamentos legislativos que efetivamente garantam a acessibilidade a todos, especialmente no tocante à locomoção nas ruas. Aloysio Nunes disse que não existe uma padronização na legislação federal sobre o que seria uma calçada acessível.


O projeto também modifica a Lei de Acessibilidade para incluir a definição de "passeio público" e os requisitos que estes obrigatoriamente devem atender, estabelecendo a qualidade do piso utilizado e a relação deste com a drenagem urbana.


O relator, senador Roberto Requião (PDT-PR), apresentou voto pela aprovação. Segundo ele, "embora a legislação brasileira sobre o tema encontre-se já bastante desenvolvida, o projeto detalha aspectos relevantes da vida urbana, insuficientemente detalhados pelo legislador".


Fontes: www12.senado.gov.br - acessibilidadesaudeeinformacao.blogspot.com.br