sábado, 27 de dezembro de 2014

Chefs Especiais promovem ceia de Natal.

                  Foto: Divulgação     
                  Foto mostra os alunos do Instituto Chefs Especiais com os idosos do asilo Vivência Feliz. Todos estão em uma grande sala, que contém mesas onde foi realizada a ceia. Os idosos e alunos olham para a câmera sorridentes.

Os alunos com síndrome de Down do Instituto Chefs Especiais prepararam uma ceia de Natal para os idosos do asilo Vivência Feliz.


O evento aconteceu no último dia 09, e contou com um menu de de filé-mignon com espinafre e gruyère em leito de musseline de batata e castanha portuguesa.


Para Simone Berti, a idealizadora do projeto Chefs Especiais, essa missão foi muito gratificante: “Eles não vivem com suas famílias e dependem da bondade de outras pessoas para terem motivos de celebração. Não importa o quanto você é diferente. O que importa é a diferença que você faz”, comenta.


A coordenadora do asilo, Fatima Malinoski, relata: “Fiquei impressionada com a satisfação dos idosos durante a festa e com o prazer estampado nos olhos dos Chefs Especiais. Só temos que agradecer todo esse calor humano e dedicação”. O lar de idosos Vivência Feliz é aberto à comunidade e também tem um espaço que serve almoço para moradores de rua.

Serasa, Citibank e Itaú ganham prêmio de acessibilidade.

Premiação do governo de São Paulo avaliou 60 empresas públicas e privadas sobre inclusão profissional para pessoas com deficiência.

   
   

A Serasa Experian, o Citibank e o Itaú Unibanco são as melhores empresas para pessoas com deficiência trabalharem. As empresas ganharam, respectivamente, os primeiros lugares numa premiação do governo do Estado de São Paulo sobre o assunto.

O 1º Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência avaliou 60 empresas públicas e privadas sobre inclusão profissional para pessoas com deficiência e foram avaliadas em cinco pontos: gestão, potencial de reaplicação e multiplicação das iniciativas, grau de sustentabilidade dos projetos e acessibilidade, promoção da inclusão social, autonomia e independência da pessoa com deficiência no ambiente de trabalho e realização de suas funções e respeito à legislação.

As empresas inscritas na premiação empregam 11.517 funcionários com deficiência. O País tem hoje cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Somente no Estado de São Paulo são mais de 9 milhões.

Fonte: Terra -  www.fernandazago.com.br

Mãe luta por cirurgia para reverter doença rara de filha que não anda.

 Uma criança de Santos, no litoral de São Paulo, tenta arrecadar R$ 165 mil para realizar uma operação neurológica nos Estados Unidos. Laila Vitória, de 10 anos, tem paralisia cerebral espástica, doença que afetou seu sistema motor e prejudica totalmente seu desempenho até nas atividades mais simples.


  

Segunda a mãe da jovem, Luciene Silva dos Santos, Laila nasceu prematura e passou os dois primeiros meses de vida na UTI neo-natal. "Minha filha nasceu prematura, com 1,1 kg, e aos 10 meses foi dianosticado o quadro de paralisia cerebral espástica, doença que não atingiu a parte cognitiva da Laila. Nunca abaixamos a cabeça ou pensamos no pior. Desde então, realizamos fisioterapia e diversas intervenções cirúrgicas com ortopedistas", afirma.

Laila utiliza cadeira de rodas e está matriculada no 5º ano do Ensino Fundamental. A criança não apresenta nenhuma dificuldade no aprendizado, mas a locomoção até a escola é um problema para ela, que mora no bairro Jardim Castelo. A mãe da jovem afirma que entrou em contato com a Prefeitura, porém foi informada que, por morar a menos de 2 km da unidade escolar, ela não teria direito ao transporte.

De acordo com a Secretaria de Educação (Seduc), Laila é acompanhada por uma professora auxiliar de classe e, com relação ao transporte, a Seduc informa que a mãe da aluna precisa solicitar o ônibus adaptado na secretaria da própria unidade, que encaminhará o pedido para o atendimento.

  

Atualmente, Laila vive com a mãe, o pai Leonardo Barboza da Silva Júnior, e os dois irmãos, Luan, de seis anos, e Levi, de dois. Realizando operações ortopédicas desde um ano de idade, a jovem vem fazendo intervenções cirúrgicas cada vez mais sérias por conta de uma luxação no quadril e outra nos pés. Preocupada com a piora do estado da filha, Luciene foi atrás de uma solução. "Descobri uma cirurgia chamada rizotomia dorsal seletiva, que pode diminuir possíveis deformidades. Consultei alguns ortopedistas que operaram a minha filha e eles disseram que essa cirurgia é menos agressiva. Existe um especialista americano que realiza essa operação. Enviei uma carta para ele, explicando a situação, e ele aceitou fazer a cirurgia da minha filha", disse.

Segundo Luciene, o custo total da cirurgia, que está marcada para setembro de 2015, é de R$ 165 mil, incluindo internação, hospedagem, transporte e alimentação. Foi então que a mãe da Laila decidiu ir para as redes sociais e organizar uma "vaquinha virtual". Além disso, foram realizados bazares e outros eventos com o intuito de angariar fundos para a cirurgia. Até o momento, foram arrecadados cerca de R$ 4 mil apenas.

A mãe de Laila diz sonhar com os primeiros passos da filha. "É uma cirurgia fundamental para a minha filha, para que ela possa desfrutar dos prazeres da vida com bem estar. Espero também que o Brasil tenha condições para, no futuro, oferecer essa cirurgia para outras pessoas que tenham a mesma deficiência que a Laila", finaliza.


Deficientes de guerra. A realidade que alguns preferiam esconder.

Tudo normal. De cima a baixo. Cabelos brancos, olhos azul do céu, sorriso maroto e andar desembaraçado. Aparentemente. A perna direita é uma prótese. Das melhores que se fazem no mundo, "quer ver?" Esta é uma coisa que fica, como se não vendo, não tocando com as mãos, fosse impossível acreditar que é real. "Mandaram-me para lá puto e fiquei assim, agora têm de me pagar o melhor, não é?"

    

O melhor, no caso de Carlos Noivo, é feito em Hamburgo e "custa o preço de um Audi". Próteses a que só alguns têm direito, muito poucos, dependendo do grau de deficiência atribuído pela Junta Militar, mais do que da barbárie da sua história. No início era a própria Alemanha que pagava para receber estes amputados e aperfeiçoar uma indústria na qual é mestre, fruto de tantas guerras. Hoje é o Ministério da Defesa que paga a conta.

A guerra terminou há mais de 40 anos, mas para estes soldados a vida é uma eterna batalha. E um homem não chora, pelo menos os de antigamente. Fazem voz grossa, dizem que matam e esfolam, mas são uns corações de manteiga. Desde que não se pressione o gatilho. E o gatilho sabe Deus o que poderá ser. Há os que têm golpes visíveis, escondidos debaixo da roupa ou por trás dos óculos. E os stressados pós-traumáticos, sem uma cicatriz na pele mas desfeitos por dentro. Num e noutro caso quase sempre preferem sofrer em silêncio porque falar é pôr o dedo na ferida e a ferida precisa de sarar, tem de sarar.

São 13 mil só na Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA). E não estão lá todos. Estima-se que tenham ficado 30 mil feridos em combate. E mais 40 a 50 mil homens afectados por stresse de guerra. Tantas décadas depois continuam a chegar à instituição processos e pedidos de ajuda para qualificar combatentes da guerra colonial como deficientes das Forças Armadas. Gente à procura de uma pensão, de uma vida mais digna, se não para si, pelo menos para os seus. O Estado atrasa-se na qualificação e as indemnizações materiais teimam em não chegar. Há casos em que as compensações são atribuídas a título póstumo.

A geração que fechou o Império tem hoje uma média de 67 anos. Já não são miúdos e carregam, além da limitação física, o peso da idade. Com os anos, há combates que o corpo já não consegue travar. O desporto, que era um dos pontos de união, foi substituído pela sesta. Hoje, "muitos ficam em casa", conta o senhor Janeiro, responsável pela delegação de Lisboa. Esta é agora a maior dificuldade: "Fazê-los sair à rua é uma luta." As mulheres, muitas delas ex-enfermeiras, são as suas cuidadoras. Mas estão também a precisar que tomem conta delas. Casas fartas: eles delas, elas deles. Vale-lhes o sentido de humor. Negro, é certo, para exorcizar raivas antigas. E contemporâneas também.

Não é para menos, a realidade é desconcertante: um grupo de ex-combatentes deficientes das Forças Armadas - cegos, paraplégicos, tetraplégicos, amputados - organizou um dia de festa, com piquenique e passeata pela marginal. Enquanto, cá de cima, alguns contemplavam o mar, perto da Parede, concelho de Cascais, passou de carro um presidente de câmara. Pouco depois chegou alguém a pedir para retirar o grupo do local. Porquê? "O senhor presidente diz que dá mau aspecto para o turismo."

Estes militares também preferiam ter o aspecto de pessoas absolutamente normais. "Eu queria mostrar os meus olhos. Não queria andar de óculos escuros", lamentava-se dois dias depois desta conversa o presidente nacional da ADFA, José Arruda. Além de cego dos dois olhos, ficou sem um braço num acidente com uma granada. A última coisa que se lembra de ter visto com olhos foi "uma carta cor-de-rosa" que levava consigo para onde quer que fosse, escrita pela sua namorada, hoje mulher e mãe dos seus dois filhos.

Arruda vai interrompendo a conversa para dizer que não quer falar de si, prefere falar da instituição. "Parecemos todos mal humorados", diz. "Empurraram-nos para a guerra, agora precisamos de atenção." As necessidades destes ex-soldados não são iguais, mas há uma comum a todos: precisam de não ser esquecidos.

O presidente da ADFA (que tem 12 delegações, incluindo Madeira e Açores), sabe isso melhor que ninguém e quer estar em todo o lado, fazer lóbi. "É importante porque quem decide é o poder." E é esta a via sacra dos veteranos, fazer- -se lembrar. Dentro de meia hora estará com o ex-Presidente da República general Ramalho Eanes e entretanto já se certificou de que uma coroa de flores em nome da associação chegará à viúva do almirante Vítor Crespo, que faleceu hoje.

Dois dias antes, o discurso institucional do segundo vice-presidente da ADFA, Lopes Dias, cego, quase caiu por terra à hora de almoço, onde muitos dos associados se juntam numa desordem saudável. Quis desde o início mostrar que a associação é apartidária e "tem o apoio de todos os políticos". Mas a direita e a esquerda vieram à baila mais cedo que o previsto. Falavam abertamente de Sócrates, da manifestação organizada em 2008 que mobilizou milhares de deficientes prestes a perderem direitos conquistados a duras penas, de Salazar e de uma política incompreensível para defender ainda hoje não sabem o quê.

Sorridente, Paula comanda o refeitório: "O que é que vai ser? Carne de porco com esparguete ou bacalhau à Brás?" Sandra recebe e serve as sobremesas. O estômago tem muita importância para estes homens, que comem pelas emoções. Mas qualquer civil pode vir almoçar à sede da ADFA, na Av. Padre Cruz, em Lisboa, na certeza de que além de uma refeição completa vai alimentar-se de uma realidade que vive escondida e é desconhecida da maioria, nesta dimensão. O dinheiro é bem-vindo.

Na ADFA quase todos são voluntários. Mas mais nunca é de mais e aqui é fácil entender porquê. Embora a maioria tenha aprendido a ser tão autónoma quanto possível, há coisas que um cego ou um tetraplégico não conseguem fazer, como cortar um bife, levantar uma colher, um garfo ou uma chávena de café "com cheirinho". São gente que aprendeu a depender da boa vontade dos outros.

Mas não são apenas estes que precisam de ajuda. "Tu tens andado bem, Lopes, tens andado benzinho? Eu sofro muito, já cá não ando a fazer nada." Raimundo foi para Angola e aos 22 anos levou um tiro no meio da testa. Ficou dez meses em coma e 13 sem falar. Agora, já com esta idade, tem medo de não aguentar mais uma intervenção cirúrgica. Os camaradas gozam-no e ele responde: "É, estou parvo em como a bala não fez ricochete!"

As histórias são intermináveis. Mais de 92% dos homens que foram para a guerra eram praças. Muitos não tinham sequer a 4.a classe. Foram estes homens que fizeram a ADFA logo a seguir ao 25 e Abril (14 de Maio de 1974) e conquistaram muitos dos direitos hoje adquiridos não apenas para os deficientes das Forças Armadas, mas também para a sociedade civil.

No entanto, continuam a existir realidades que ultrapassam a ficção. As próteses dos deficientes militares, grande parte pernas e olhos, são compradas através da central de compras públicas do Estado. Ou seja, uma perna ou um olho, que qualquer técnico acredita que deveriam ser tratados como uma impressão digital, exigem o lançamento de um concurso público. Das três casas candidatas, ganha a que oferecer o preço mais baixo. Já houve resultados desastrosos. Um militar recebeu um olho tamanho standard, metido à força dentro da órbita. A operação valeu-lhe uma valente infecção e um internamento que só por sorte não teve consequências mais graves. Mas não foi caso único.

Outro militar contou que está à espera de uma perna há mais de um ano. As próteses, que podem custar, em média, 7 mil euros, têm de ser trocadas de dois em dois anos e muitas vezes têm de ser afinadas. Este engenheiro de 75 anos não quis ser identificado porque há amigos e familiares que até hoje não sabem que não tem um dos membros inferiores. Foi sempre seguido pela mesma casa, porque se trata de um processo "um bocadinho cirúrgico". No seu caso, um desgaste de cinco milímetros estava a provocar-lhe graves problemas de coluna e também na perna boa. Acontece além disso que a prótese que está a usar era a mais barata do concurso e não a feita na casa que sempre o seguiu e já conhece o seu corpo de cor. "Isto não é a mesma coisa que comprar arroz e batatas", diz. As consequências não se fizeram esperar: dores agudas e coxear como nunca. "Há sempre afinações necessárias. Já imaginou o que é entrar numa sala de conferências, tudo em silêncio, e ouvir-se um rec-rec-rec? Não vou levantar o braço e dizer: desculpem, é da prótese."

Este problema ainda não está completamente sanado e é apenas um dos que o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, se comprometeu a resolver definitivamente. Outro tem a ver com a requalificação do estatuto de deficiente das Forças Armadas, nomeadamente naquilo que são os afectados pelo stresse pós-traumático. "Os afectados pelo stresse pós-traumático ficaram esquecidos, mas a verdade é que eclodiu na nossa cabeça algo muito estranho", diz José Arruda. Este algo muito estranho pode levar à depressão e pode levar a matar. Ou apenas a discussões que fazem voar próteses e impropérios até à chegada da GNR, como aconteceu há uns anos na sede da ADFA. Mas nessa altura eram todos bons rapazes.

Calcula-se que ainda existam cerca de 1500 processos por resolver. É preciso eliminar capelinhas, que são muitas. E o trauma de ter morto um camarada com uma G3, na penumbra da noite, porque "era suposto atirar em tudo o que mexesse", e ter ficado coberto com os bocados do seu corpo - continua até hoje a correr para debaixo do chuveiro para se esfregar amiúde -, não se compadece com burocracias. Mas há mais terror: como a do homem ferido que magoava tanto a sua mulher, com palavras, com tortura psicológica, que, quando ficou acamado quis ser ela a "cuidar" dele para, literalmente, lhe "tratar da saúde". E então bateu-lhe ela, maltratou-o, fê-lo "pagar" até morrer. Há franjas que ficaram de fora. Há ex-combatentes com processos pendurados há 12 anos.

A assistente social Ana Machado e a jurista Helena Afonso têm na ADFA um papel muito importante e nem sempre fácil. Ana Machado fica atenta a problemas de inserção, de pobreza, muitas vezes escondidos. E tenta fazer a articulação entre a associação e outras instituições, como a Entreajuda, o banco de bens doados, de medicamentos, bancos alimentares. Agora está a organizar um grupo de voluntariado e a ajuda que procura estende-se a familiares, mulheres, filhos e netos de militares. E é preciso ver que nem todos os ex-combatentes têm pensões atribuídas. Mais um ponto de revolta.

Foram para a guerra, uma guerra que não era sua, vieram de lá sem qualquer conquista, e agora não são tratados como iguais. Estes voluntários à força têm de correr Seca e Meca para provar que estiveram onde estiveram.

Aqui entra Helena Afonso. O seu objectivo é conseguir o melhor para aqueles que a procuram, embora o melhor nem sempre seja fácil. Para ser considerado deficiente militar há dois factores essenciais: ter uma desvalorização de 30% e provar que aconteceu em campanha, ou seja, em contacto com o inimigo.

Só isto já deixa Borges, Silva e Gameiro a discutir. Estão os três numa cadeira de rodas, paraplégicos. Borges é tetra e solteiro. Silva era campeão de basquetebol e foi dado como morto. Gameiro teve um acidente a caminho da guerra, onde nem chegou, e casou com uma mulher onze anos mais nova. Só azares. "Se soubesse o que sei hoje..." Nada os preparou para aquilo e ainda hoje não sabem muito bem o que lhes aconteceu. E acreditam que deviam ser todos tratados como iguais.

Borges está no lar, é bonacheirão, gosta de conversa e de passear. Diz que o lar, instalado e gerido pela Cruz Vermelha, já teve melhores dias, mas não se queixa e não se acomoda. Até onde pode, é ele quem decide, tanto quanto um tetraplégico pode mandar na sua vida.

Borges, que hoje é quem ajuda a mulher, esteve quatro dias na morgue, enrolado num lençol, "totalmente morto". Foi alguém que viu o lenço a bulir ao passar e já ninguém dava nada por ele quando um camarada mandou que lhe dessem uma injecção de morfina e fizessem o que fosse possível. "És um morto-vivo", diz-lhe Silva. Já lá vão 47 anos. Hoje é relojoeiro e não há mecanismo que não conserte.

Gameiro resmunga o tempo todo. "Eles contam estas histórias, eu nem sequer fui à guerra e tenho de viver isto tudo." Mais: "Roubaram-nos tudo." Tudo o quê? "A dança..." E para cúmulo não foi ferido em combate, como se ter-se metido a caminho tivesse sido vontade sua.

E o calvário continua, num tempo que devia, mais que nunca, ser de afecto. Não os deixaram ser miúdos e "agora vamos mais a funerais". No tempo que sobra é preciso ir a juntas médicas, procurar testemunhas do tempo da guerra, fazer requisições para o Ministério da Defesa, ir a médicos, psicólogos, psiquiatras, advogados, Segurança Social. Como no campo de batalha, cada um encontra a sua estratégia de sobrevivência. José Arruda, cego, amputado, corre com a sua personal trainer e, diz quem já viu, ninguém o apanha. Corre porquê? "Corro para ter alento."


Infraestrutura de terminais de ônibus recebem Selo Rio Acessível.

Estações de BRT também foram avaliadas e ganharam 27 selos, do eixo Santa Cruz à Barra da Tijuca.

O DIA

       
NoBRT, trecho entre Santa Cruz e Alvorada receberam 27 selos  Foto:  Maíra Coelho / Agência O Dia


Rio - A acessibilidade nos transportes públicos não ficaram para depois no setor rodoviário. Neste mês, estações de BRTs e Terminais Rodoviários receberam Selo Rio Acessível, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. O projeto avaliou 250 pontos da cidade, incluindo, atrações turísticas, além de locais de embarque e desembarque do transporte público. Antes da conclusão das reformas necessárias para o ideal acesso de cadeirantes, que devem ser feitas até o fim de 2014, os terminais Central do Brasil e de Campo Grande já foram considerados, previamente, adaptados e atingiram a categoria prata.

Já o BRT Transoeste conseguiu 27 selos, sendo 12 de ouro e 15 prata, pelas estações do eixo entre Alvorada, na Barra da Tijuca, e Santa Cruz. Os locais mapeados foram divididos em quatro níveis de classificação: diamante, ouro, prata e bronze. Todos os dados foram validados pelo Instituto Pereira Passos (IPP), que fez a escolha dos avaliados.


A classificação ainda tende a ser melhor na próxima edição. "Aumentar o nível de acessibilidade dos nossos terminais é um compromisso do Rio Ônibus. Toda a nossa frota já obedece as normas de acessibilidade e trabalhamos também para atender não só as pessoas com dificuldade de locomoção, mas também os deficientes auditivos e visuais”, afirmou Octacílio Monteiro, vice-presidente do Rio Ônibus.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

10 Frases que você nunca deve dizer a alguém em cadeira de rodas

 Rachelle Friedman é paraplégica devido a um acidente em sua despedida de solteira, quando uma dama de honra a empurrou em uma piscina rasa e quebrou o pescoço.



Desde então, sua vida mudou completamente, mas sabia como enfrentar a nova situação e 13 semanas após a lesão começou a praticar esportes adaptados para cadeiras de rodas como rugby, ciclismo ou surf adaptado.
Estar em uma cadeira de rodas é uma condição que você tem que viver e que, embora facilmente impedido de fazer certas tarefas, não é uma “pessoa deficiente” … como alguns pensam.
Rachel fez uma lista de 10 frases que nunca deve dizer a uma pessoa em uma cadeira de rodas desde o acidente comenta: “Eu já ouvi o suficiente de coisas loucas da boca das pessoas em meus anos como uma usuária de cadeira de rodas. Com certeza tem boas intenções, mas alguns sentimentos não são recebidas da maneira como muitos sem deficiência poderia esperar. Na comunidade de deficiência, não é incomum para fazer piadas sobre algumas conversas interessantes com a família, amigos e estranhos, por vezes, envolvem algumas declarações desagradáveis ​​… “
1 -. “Você é bonita demais para alguém que está em uma cadeira de rodas.”
“Sim. As pessoas realmente dizem isso. Há esse grande equívoco que as pessoas em cadeiras de rodas são pouco atraentes, despenteado e negligenciada. Bem, lesões medulares e outras deficiências não discriminam as pessoas atraentes. Algumas das pessoas que eu conheço em cadeiras são absolutamente lindas! Mas, honestamente, isso não vem ao ponto. Se você está elogiando alguém, maravilhoso! mas deixa a cadeira de rodas fora do assunto “.
2 -. “Eu tive que usar uma cadeira de rodas quando eu quebrei minha perna, então eu sei exatamente o que você está passando.”
“Eu não posso te dizer quantas vezes eu conversei com um estranho e só ouvi o quão terrível foi o mês em que ficou com a perna engessada. Eles também tiveram que usar uma cadeira de rodas, então eu entendo totalmente … Lesões na medula espinhal incluem uma infinidade de outras questões que não envolvem o desligamento. Então, eu odeio soar insensível, mas torna-se difícil sorrir e ouvir ano após ano sua curta estadia em uma cadeira de rodas quando eu estou em um passeio agradável com meu marido. “
3 -. “Você é uma inspiração.”
“Às vezes escutar isso tudo bem, mas há momentos em que isso me deixa muito desconfortável. Deixe-me dar um exemplo. Uma noite eu saí com meus amigos para um clube. Eu estava dançando com as meninas quando um cara se aproximou de mim e disse: ‘você é uma verdadeira inspiração. ” Naquele tempo com meus amigos estava despreocupada, uma garota normal saindo e me divertindo. Mas, de repente um outro me lembra: “ah sim estou em uma cadeira de rodas e as pessoas acreditam que é inspirador eu simplesmente sair ‘. Depois de anos em nossas cadeiras, não é para nós uma inspiração ir à loja, ir para a academia ou assistir a um evento esportivo. “Você é uma inspiração ‘é equivalente a dizer ” Se eu fosse você não acha que eu seria capaz de sair da minha casa ‘. Se isso te inspira tudo bem. Mas nós não gostamos de nos dizer o quão incrível somos por estarmos fazendo as coisas que você faz todos os dias .Normalmente, os outros me dizem que nunca lidariam  com a lesão com tanta tranquilidade. E, apesar disso, uma significativa maioria de nós segue a diante com sua vida. “
4 -. “Eu só estacionei aqui por um minuto.”
“Não. Não. Esta é a desculpa número um que nos dão quando confrontamos com alguém que está ilegalmente estacionado em uma vaga para deficientes. Sendo que na maior parte do tempo isso não é verdade, eu não poderia acreditar que uma pessoa sem deficiência chegaria a este ponto. Este tipo de situação ocorre pelo menos uma vez por semana quando tento estacionar. Pessoas que precisam dessas vagas também tem que ir às reuniões e estar em lugares. Asseguro que eu gostaria poder andar um pouco mais e não precisar dessa vaga.”
5 -. “Tudo acontece por uma razão.”
“Para muitas pessoas em tempos difíceis, este pensamento os tira da depressão e lhes dá esperança. Para outros, é outra maneira de dizer que “o destino quis que você servisse para os outros perceberem que suas vidas não são tão ruins assim. Para mim? nenhum dos dois. Você pode não concordar com a afirmação, mas não me ofender. Acho que as vezes coisas muito ruins acontecem a pessoas boas, sem motivo aparente. Em alguns casos, você pode superar a tragédia e dar uma razão de ser, fazendo algo com impacto positivo. Em outros casos, pode ser simplesmente um terrível acontecimento que não requer um efeito, mas o tempo para enfrentar e curar. “
6 -. “Espere, deixe-me ajudá-la! (Se Aproximando freneticamente) “.
“Sem dúvida, que quem corre para ajudar está apenas tentando ser amigável! Mas deixe-me explicar os sentimentos por trás do fato de que eu não gosto disso. Quando eu estava ferida, um monte de coisas já não estavam sob o meu controle. Há uma longa lista de coisas que eu não posso fazer sem alguém me ajudando, e perder a independência, por vezes, pode tirar a nossa capacidade de sentirmos “normais”. Então, se eu estou na loja e você me ver curvada para pegar meu telefone, me dê uma chance para conseguir. Eu prometo que as pessoas na minha situação estão acostumados a pedir ajuda, por isso, não hesite em perguntar se a pessoa realmente precisa dela. Além disso, geralmente não precisam de ajuda para entrar em nossos carros ou empurrando nossas cadeiras. Não sairíamos sozinhos, se não conseguíssemos fazer com independência! Agradecemos que as pessoas queiram ajudar, mas eu acredito que aqueles que nos ajudam a aprender a fazer mais coisas com mais independência são mais uteis. “
7 -. “É bom vê-la na rua.”
“Eu não estou falando de um cenário em que eu me encontro com um velho amigo no restaurante. Estou falando de completos estranhos que vêm e me dizem. Eu nem tenho certeza do que isso significa. A sociedade acha que somos eremitas? Eu juro que uma esmagadora maioria de nós sai de casa “.
8 -. “Você já encontrou um grande homem.”
“O fato de que o meu marido escolheu ficar comigo depois do meu acidente não é o que o torna um grande homem, porque sua decisão não foi baseada na moralidade. O fato de você ficar com alguém porque é direito “é, na verdade, a coisa mais errada a fazer. Se você decidir ficar com alguém é porque você o ama. Puro e simples. Então quando as pessoas aperta a mão e diz que ele é um “homem de verdade” para ficar comigo e depois me diz como tenho sorte em tê-lo, deixa um gosto amargo. Esta é uma conversa que Chris e eu tivemos com muitos casais como nós. Ninguém quer “receber parabéns” por não deixar de lado alguém que realmente ama.”
9 -. “Com seu esforço e atitude, eu sei que voltara a andar.”
“Não é assim que funciona, mas eu gostaria que fosse assim! Se uma lâmpada não está conectado garanto que uma boa atitude não vai fazer ela ascender, não importa o quão duro você tente. As lesões de algumas pessoas são menos graves e, para elas, uma terapia rigorosa pode produzir resultados. Mas para muitos de nós simplesmente não funcionam sem a ciência. Muitas das pessoas que se recuperaram suas funções tiveram uma atitude ruim, e milhões de pessoas que ainda estão em suas cadeiras têm demonstrado grande determinação. Se você acha que o esforço e a atitude são a solução de uma cura, a próxima vez que você estiver em uma tempestade me ligue depois a fizer desaparecer. “
10 -. “Qualquer coisa que você diz em um tom de voz condescendente.”
“Eu não sei o que faz com que as pessoas que eu converso pela primeira vez fale com voz aguda, mas não é raro. Eu não estou falando sobre as doces senhorinhas. Estou falando de gente perto de minha idade. Se você fosse colocado junto com um adulto que não usa uma cadeira de rodas, você não diria (com voz condescendente) “Prazer em conhecê-la, minha querida! ‘. Eu sorrio e devolvo o seu entusiasmo, mas gostaria de ter uma interação mais adequada com a nossa idade.”
“Se você disser alguma destas frases, não se sinta mal (a menos que você tenha estacionado em uma vaga reservada para pessoa com deficiência!). Nós não nos sentimos irritado ou ofendido, mas queremos que as pessoas entendam. Nós não somos inspiradores por vivermos nossas vidas diárias, completando as tarefas do dia a dia, que como adultos, estamos submetidos. Casais formados por pessoas sem deficiência e pessoas com deficiência não são heróis. Apenas amam suas “metades da laranja” como qualquer outra pessoa. Não há necessidade de nos congratular dando palmadas em nossas costas como conforto (ou nas nossas cabeça!) Só porque você está saindo de nossas casas. Talvez eu não esteja falando em nome de todos, mas eu sei que muitas pessoas na mesma situação que a minha gostariam que os outros soubessem. Se você tivesse uma deficiência, essas coisas te incomodariam? “.

Quando o sexo supera limites

O prazer sexual, a sensação do orgasmo, o jogo de sedução. Se o assunto é sexo, na imaginação das pessoas surgem dúvidas, ideias e reflexões que elevam o “fazer sexo” ao status de fator essencial para o bem-estar dos indivíduos.
Por Nathan Santos e Thiago Graf

 

Especialistas na área afirmam que ter uma boa desenvoltura na cama também é de suma importância para agradar o parceiro ou realizar uma fantasia que inove e aguce a sexualidade no dia a dia do casal.


São muitos os tabus relacionados à sexualidade. E a situação pode complicar ainda mais quando há outros tabus envolvidos, como é o caso da deficiência física. Você já parou para pensar em como cadeirantes exercem sua sexualidade? Se quem precisa de uma cadeira de rodas pode ter relações sexuais? Mitos sobre a sexualidade de paraplégicos existem e povoam a imaginação popular, assim como as dúvidas em relação ao tema. Mas o fato é que é possível sim para os cadeirantes ter uma vida sexual ativa e saudável.

Vítima de um assalto em que levou um tiro que afetou a medula, no ano de 2003, Mosana Cavalcanti (foto abaixo), de 40 anos, viveu a transição de uma vida sem restrições físicas para um cotidiano sobre uma cadeira de rodas. Além de aprender a conviver com a nova realidade, bem como ter que aceitar a condição de paraplégica, Mosana também teve que administrar um relacionamento amoroso e, no início, também os questionamentos sobre a continuidade ou não de sua vida sexual.



“Passei um ano sem fazer sexo. Tinha que primeiro cuidar da minha saúde. Depois que me adaptei à realidade, decidi, junto com meu parceiro, ter relações sexuais” conta Mosana, que atualmente é Coordenadora do Programa Turismo Acessível, do Governo de Pernambuco. “O pior é o preconceito dos homens. Eles vão embora da nossa vida porque não estamos mais dentro do padrão de beleza exigido pela sociedade: aquela mulher linda e esbelta, em pé”, explica, contando que “Após um período, terminei com essa pessoa, mas já tive outros relacionamentos depois. Hoje estou solteira por opção”.

A psicóloga clínica e psicoterapeuta sexual, Vitória Menezes, detalha que os equívocos vão além dos citados por Mosana. “As pessoas fantasiam coisas negativas, até ingênuas, acerca da sexualidade humana. E não só com o usuário de cadeira de rodas”, explica Vitória. A médica usa como exemplo as dúvidas comuns em relação à sexualidade dos idosos: “Tem gente que diz ‘meus pais são muito velhos, cinquenta anos, não devem mais ter vida sexual. Para quê eles vão ter vida sexual?”.

Segundo o urologista e sexólogo Sérgio Viana, dois tipos principais de lesão podem levar o indivíduo a perder o movimento das pernas. Uma, na coluna cervical, pode causar a tetraplegia - paralisia da cabeça para baixo. A outra, na região toracolombar da coluna, gera a paraplegia - mais comum -, que paralisa a sensibilidade do umbigo para baixo.

O médico explica que a sensibilidade ainda existe, mas é transferida para outras áreas do corpo e isso perpassa também pelas relações sexuais. “Por exemplo, no paciente paraplégico, como ele não sente mais o pênis nem as pernas, a sensibilidade passa para um umbigo, para o peito, para os braços e outros locais. Existe uma dificuldade e o aspecto psicológico é muito importante”, destaca Sérgio.

De fato, os impactos na vida sexual e no aspecto psicológico das pessoas que passam por um trauma deste tipo são inevitáveis. A psicóloga Vitória ressalta que os impactos, na maior parte das vezes, são mais expressivos nas pessoas que passaram pelo trauma depois do despertar da vida sexual. “Porque ele vai reaprender a comer sozinho, a tomar banho sozinho, a pentear o cabelo, escovar os dentes, a tudo. E também a ter uma vida sexual saudável. As coisas mais simples da vida vão ganhar outra atenção”, esclarece.

Ereção
Uma grande dúvida, principalmente para os homens, é se paraplégicos têm ereção. Como Geziel comenta no vídeo, a medicação é um caminho. Mas, para quem pensa que é uma saída infalível, o urologista Sérgio Viana faz um alerta: “Estes pacientes, normalmente, não têm uma boa ereção. Esses medicamentos agem aumentando o fluxo sanguíneo no pênis e podem dar ereção ou não”. Ele ainda completa explicando que isso varia porque cada pessoa tem uma sensibilidade e essa variação é comum para todo mundo. Então, o remédio às vezes faz efeito e outras vezes não. Outros caminhos também são citados pelo urologista, entre eles a aplicação de uma injeção vasoativa, que a própria pessoa aplica e causa uma ereção de duas ou três horas.

Sérgio esclarece ainda que o público mistura dois pontos diferentes: sensibilidade e orgasmo. O fato de, muitas vezes, não ter ereção, também não significa que a pessoa que usa cadeira de rodas não tenha orgasmos. “Eles podem ter orgasmos, a sensação de prazer, porque o orgasmo é muito mais cerebral, psicológico. Depende muito da parceira, da erotização da situação”, explica o especialista. Tudo depende da intensidade da relação, como completa Vitória Menezes. “É um absurdo se pensar o sexo somente como penetração. É possível satisfazer o(a) parceiro(a) com todo o corpo que está ali, presente. Talvez ele não possa fazer o percurso, a penetração daquela forma convencional que ele tinha aprendido antes, mas vai poder fazer de uma outra forma”, resume.

A ereção também é possível com a utilização de uma prótese (foto à esquerda), que consiste em um bastão de silicone colocado dentro do pênis através de cirurgia e com durabilidade de 30 anos. Sérgio explica que a peça é maleável e serve para todo o público, mas o membro continua não tendo sensibilidade. Ele ainda reforça que uma outra confusão deve ser evitada. “O cadeirante pode ter prazer sem ejacular, como ele pode também até ejacular sem sentir nada, o que também é muito difícil, uma vez que essa ejaculação também é afetada pelo traumatismo”, explica o urologista e sexólogo.

Paternidade e maternidade
Outra dúvida recorrente relativa à sexualidade de cadeirantes é o sonho de ser tornar pai ou mãe. Em ambos os casos, são objetivos acessíveis e sem grandes mistérios. Com relação aos homens, como esclarece Sérgio Viana, um dos métodos é estimular uma ejaculação artificial para a coleta de material, que depois será injetado na mulher.

Para as mulheres, também existem métodos para engravidar. Vitória Menezes explica que o aparelho reprodutor feminino é passivo em uma tentativa de gravidez. Então, em uma relação com penetração, elas podem engravidar, assim como muitas já conseguiram, segundo ela. Existem também os métodos de inseminação e fertilização in vitro. “São excelentes possibilidades, seguras, de reprodução assistida e com uma grande possibilidade de sucesso”, garante.

O assunto sexualidade é normalmente rodeado de tabus e polêmicas. A riqueza de aspectos que envolvem a sexualidade humana geram dúvidas, preconceitos, embates teóricos e, claro, muito prazer. Para aqueles que se veem com os movimentos e a sensibilidade limitados, o sexo passa a trazer também o desafio de se redescobrir e encontrar novas formas de sentir e proporcionar prazer.

Quando perguntada se o sexo é fundamental para a vida, a psicóloga Vitória Menezes (foto à direita) é objetiva: “O amor faz a gente viver mais e melhor. Quando digo amor, não é apenas com relação ao sexo, que também é uma parte importante. A gente quer sempre viver mais e melhor por conta da outra pessoa. Um casal é mais forte do que um e o outro separado. Existem pesquisas que mostram isso claramente. Amar dá certo”, resume.

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Sexualidade dos cadeirantes

Quando a gente se apaixona por uma pessoa levamos em conta todas as características marcantes dela. Pode ser um bom papo, humor incrível, inteligência única… Algumas vezes ganhamos tudo isso no pacote, outras vezes, uma dessas características vem acompanhada de olhos lindos e penetrantes, pele que dá um choquinho quando toca a sua ou algo assim.          
                

Mas e se essa pessoa que ganhou seus sonhos estivesse sentada em uma cadeira de rodas? E se tivesse mobilidade reduzida? E se você for a pessoa sentada nessa cadeira de rodas? Muda alguma coisa? Como funciona? Antes de tudo, é bom lembrar que pessoas em cadeiras de rodas são iguais a você em quase tudo, a única diferença é a mobilidade. Os sentimentos, as conversas, os interesses… tudo é igual!
Dar e receber prazer, amor e ter cumplicidade funciona da mesma forma entre todas as pessoas. Existem pessoas legais ou não em todos os lugares, de todas as cores e com todas as dificuldades que você pode imaginar – pode ser muito mais fácil se relacionar com alguém com mobilidade reduzida do que com alguém com o coração fechado!
Para entender melhor como funciona a hora H com uma pessoa na cadeira de rodas, conversei com o jornalista Jairo Marques (foto), que escreve o blog “Assim como Você“, é professor universitário, chefe de reportagem de uma das maiores agências de notícia do país e colunista de um dos grandes jornais de São Paulo. E cadeirante.
Uma das primeiras coisas que ele me disse foi: “Antes de tudo, quero só que você reflita sobre a visão projetada nas pessoas com deficiência. Cadeira de rodas não tem naaaada a ver com capacidade de conquista, de potencial de dar prazer etc. Tem diferenças? Na essência, não tem nada: tesão é tesão, sedução é sedução, sacanagem todo mundo gosta… Isso precisa estar claro. O que muda, talvez, são instrumentos para chegar lá, saca?”. Entenderam? Uma coisa não tem nada com a outra e é partindo daí que você deve ler esse papo!
Existe preconceito quando uma mulher andante se interessa por um cadeirante. Como driblar essa questão sem se esconder do mundo?
O preconceito é nato do ser humano. Mulheres que namoram ou que queiram ter uma relação sexual com homens cadeirantes são vistas, muitas vezes, como heroínas, como corajosas por “assumir” uma responsabilidade. Isso é uma grande bobagem, pois pessoas com deficiência não estão à procura de enfermeiras quando saem para paquerar, quando procuram uma namorada, uma transa… Todo mundo quer mesmo é prazer, é relacionamento, é amor.
Por trás dessa questão, há reflexões mais profundas: homens com deficiência costumam ser mais atentos aos detalhes, costumam valorizar muito as vontades da parceira, então, os casos de “sucesso” na cama são bem conhecidos. (risos)
A situação da mulher cadeirante já é diferente. Homens costumam ser mais visuais, querem ver a “bunda”, querem ver um rebolado, coisa de bicho, não é? Então, há uma grande desvantagem inicial na conquista. Não é regra, evidentemente. E o que fazer? Apostar naquilo que você tem de bom: os olhos bonitos, um papo gostoso, um cabelão delícia… Amar e fazer amor é para todos, com toda certeza.
Como uma mulher ‘andante’ pode abordar o assunto (sexo) ao se interessar por um rapaz cadeirante?
O primeiro passo é usar o bom senso. O cara não vai conseguir transar numa posição maluca do Kamasutra, certo? Não vai rolar dependurar no ventilador. Mas o que é possível? Sexo oral? Sexo por cima, por baixo, atravessado na cama? A melhor posição é aquela em que os dois chegam ao orgasmo e não aquela que esteticamente parece bacana.
Não há mal nenhum em perguntar aquilo que se tem dúvida. Homens com lesão medular podem ter ereção normalmente. É uma lenda achar que todos padecem de impotência. Mulheres com deficiência têm filhos, têm prazer… Uma dica é explorar mais o tato por todo o corpo, é ser sensível às dicas que o parceiro com deficiência dá com olhares, com toquinhos…
Qual o primeiro passo – para cadeirantes e andantes – para tornar a relação sexual interessante e possível?
Quer falar de sacanagem com um cara cadeirante? Comece! Ele já sabe que a maioria das pessoas tem uma visão atravessada e, se for uma pessoa que gosta de sexo, loguinho vai se apressar em explicar tudinho e, de cara, tentar gerar uma atração, uma vontade de deitar e rolar na paquera.
Quais são as diferenças e similaridades entre o sexo entre andantes e entre cadeirante e andante?
Diferenças: é feito um pouco mais devagarinho! Explora mais os sentidos, as brincadeiras, a língua! Semelhanças: o objetivo é ter um orgasmo ou um momento de prazer e sacanagens são absolutamente iguais, enfim, essa é mais difícil de responder porque não vejo o sexo como uma diferença, as diferenças se reservam às questões físicas ou sensoriais apenas!
Quais suas dicas para mulheres que pretendem fazer sexo com homens cadeirante?
Ele não vai quebrar se você subir sobre ele, faça com gosto e com tesão! Sexo oral é para todos. Explore o corpo todo – homens com deficiência gostam de prazer até no lóbolo da orelha. (risos). Exponha abertamente suas dúvidas, pergunte antes de achar que algo é impossível, não deixe de pedir aquilo que você gosta na cama e juntos se cria uma forma de chegar perto daquilo que um andante faria e com chances de ser ainda mais gostoso.
Não sei para vocês, mas a mim, parece que todas as dicas que Jairo deu se aplicam ao sexo entre andantes também. Esqueça o preconceito, não deixe que os olhares das pessoas mudem o que você sente ou o que poderia sentir se se permitisse. Ser feliz vai muito além do que o julgamento alheio pode interferir.
Fonte: Yahoo Mulher

Conhecendo a acessibilidade do Rio de Janeiro

Viajar é um dos desejos mais comuns do pessoal, entre os cadeirantes não é diferente. A única diferença está na maneira de planejar uma viagem, é preciso achar um hotel adaptado, saber se os pontos turísticos são acessíveis, entre outras coisas. É uma tarefa complexa, por isso é sempre bom começar a pesquisar tempo antes.

Acabei de chegar de uma viagem ao Rio de Janeiro, que fiz com meus pais e meu irmão que também é cadeirante. Confesso que devido aos problemas que tive nas minhas outras viagens, eu estava morrendo de medo que esta também seria bem difícil. Mas para minha surpresa e alegria, a viagem foi perfeita!

Comecei a planejar a viagem no final de Setembro, começando pelo hotel. Meu amigo cadeirante indicou um hotel que ele tinha ficado quando viajou pro RJ, mesmo assim dei uma pesquisada em outros hotéis na internet e achei vários, mas preferi ficar no do meu amigo pra não correr o risco de não dar certo.
   Entrei em contato com eles e pedi fotos do banheiro e da cadeira de banho por garantia (nem todos hotéis oferecem cadeira de banho). Assim que ví que daria certo, fiz as reservas.

Depois do hotel reservado, comprei as passagens utilizando o desconto de 80% na passagem do acompanhante (se você ainda não conhece esse desconto, clique aqui).
   Hotel reservado e passagens compradas, chegou a hora de viajar...

Assim que você desembarca no saguão do aeroporto, você encontra umas "banquinhas" de táxi, muitas pessoas me falaram para não usar este serviço por ser caro, mas não é verdade.

Pedimos um táxi com eles e logo chegou uma Doblô (carro grande para caber as duas cadeiras), o valor foi razoável. Mas o legal, é que se contratar de novo o mesmo serviço para levar do hotel para o aeroporto, eles fazem por um valor menor. 

É importante lembrar que este serviço é apenas para translado (só leva do aeroporto para o hotel e do hotel para o aeroporto), eles não levam aos pontos turísticos para passeio.

Para visitar os pontos turísticos, procurei na internet empresas que fazem este serviço. Eu optei por uma van adaptada da Lince 
Transportes Especiais, onde eu e meu irmão podemos entrar e sair do automóvel sem sair da cadeira utilizando um elevador.

Sem dúvidas essa foi minha melhor escolha, pois só quem é cadeirante sabe que ficar saindo toda hora da cadeira e desmontar e montar a cadeira de rodas para caber no carro, acaba sendo muito exaustivo e estressante. Mas usando a van adaptada da Lince, o passeio se tornou mais agradável e menos cansativo.
Super indico o serviço deles, além de ser prático, também é muito seguro.

Utilizamos a van para ir ao Pão de açúcar, ao Cristo Redentor e passar pelo Maracanã e Sambódromo. Logo a baixo, conto como é a acessibilidade em cada lugar.
   
Morro da Urca-Pão de Açúcar
O ingresso para andar de bondinho pode ser comprado na hora, meus pais pagaram R$ 62,00 (por pessoa) e eu e meu irmão pagamos R$ 31,00 (por pessoa) por sermos cadeirantes.

Se você é cadeirante, fique tranquilo, por que lá tem toda a acessibilidade possível, desde elevadores até banheiros adaptados.

Vila Verde
   Quando cheguei, me informarão que o elevador do primeiro morro estava estragado, senti um ''frio na espinha' e logo pensei que eu teria de ser carregada no colo. Mas disseram que existia um outro caminho por fora chamado  ''Vila Verde'', onde eu não passaria por nenhuma escada. 
   Só digo uma coisa, ainda bem que o elevador estava estragado porque a Vila Verde é lindaaaaa e completamente acessível. Se você for visitar o Pão de Açúcar, não deixe de passar pela Vila Verde. 



Cristo Redentor
Diferente do que o Pão de Açúcar, no Cristo Redentor eu e meu irmão não tivemos o direito de pagar meia entrada, cobraram R$ 32,00 por pessoa.

Para chegar até o Cristo, nós subimos um bom pedaço do caminho com a nossa van e quando chegamos no local de comprar os ingressos, nos disponibilizaram outra van adaptada (com elevador também) para nos levar até o Cristo.

Este percurso é um pouco desconfortável para alguns cadeirantes, pois o caminho é feito de muitas curvas e alguns buracos. Sugiro que leve algum cinto e peça para seu acompanhante te segurar, tanto na subida quanto na descida a van balança muito.

Depois desse caminho, é necessário subir duas escadas rolantes. Eu estava com medo desta parte, mas foi tranquilo. Pra isso, existem funcionários disponíveis que são treinados para subir com cadeirantes.
O moço que me auxiliou, disse que não costumam subir cadeiras motorizadas na escada rolante devido ao peso. Quando isso acontece, o cadeirante é posto em uma cadeira manual para subir a escada e logo depois é transferido para sua própria cadeira. 

Depois que sobe pelas escadas, você já está aos pés do Cristo.

Praia de Copacaba (calçadão).
A praia realmente é linda, o calçadão é imenso e a energia dos cariocas é contagiante. Eu não fui com intensão de ir até o mar e mesmo que eu quisesse, não teria como porque não ví nenhum acesso para cadeirante. A areia é muito fofa, impossível de andar com a cadeira mesmo de ré, sem falar que é preciso andar bastante pela areia até chegar ao mar. Não vi nenhuma cadeira anfíbia e nem banheiros adaptados. Ou seja, a praia mais famosa do Brasil, NÃO é acessível!

Já no calçadão é tranquilo, tem rampas de acesso e realmente é muito bonito.


Graças a Deus toda a viagem foi muito boa, passeamos bastante, conhecemos os pontos turísticos e nem precisei ser carregada no colo nenhuma vez para entrar e nem para sair do avião.

Sei que nem todos podem viajar, mas para aqueles que pretendem conhecer um novo lugar, eu indico o Rio de Janeiro pela minha experiência.