sábado, 10 de janeiro de 2015

Medalhista paralímpica, nadadora baiana Verônica Almeida fará travessia de 12km em mar aberto.

  

A nadadora paralímpica baiana Verônica Almeida, 39 anos, começará 2015 com uma grande missão: participar do “Super Desafio Caixa Loterias Mar Grande-Salvador”. Nesta segunda-feira, 12, a atleta da Seleção Brasileira percorrerá 12km a nado borboleta na Baía de Todos os Santos, em Salvador (Bahia). O percurso é o mesmo da Travessia Mar Grande- Salvador, prova que completará 52 anos em 2015. A largada será às 6h da manhã (horário de Brasília), em Mar Grande, e a expectativa é que Verônica leve cerca de oito a dez horas para completar a distância.
A baiana será a primeira nadadora paralímpica a realizar a percurso. O objetivo maior é entrar para o Guinness Book, o livro dos recordes, e para a história da prova e da natação mundial. Ao realizar o desafio, Verônica pretende, também, chamar a atenção da sociedade para as práticas esportivas paralímpicas, que têm crescido e se destacado nos últimos anos.
“Fiz essa travessia em 1998, quando ainda era atleta convencional. Decidi nadar novamente, agora como atleta paralímpica, pelo desafio mesmo. Há dois anos, quis fazer e uma pessoa disse que eu não conseguiria. Fiquei com aquilo na cabeça e me programei para nadar neste início de 2015″, conta. “Nos últimos meses, depois de todos os compromissos na piscina, intensifiquei o treinamento para o mar. Não tive férias. Ganhei quatro quilos para ter gordura para queimar, já que será uma prova muito desgastante. O ritmo é mais forte no mar e eu nado borboleta praticamente só com um braço”, explica.
Durante a travessia, Verônica passará por locais com profundidades que chegam a 40 metros. As correntes marítimas locais são constantes, podendo ser favoráveis ou não, dependendo da maré. A atleta contará com um suporte de três barcos: um da ambulância, outro da equipe técnica e um terceiro com um grupo que está gravando um documentário sobre a vida da nadadora.
Na praia do Porto da Barra, local de chegada, uma ambulância ficará a postos durante todo o tempo. Alexandre Vieira, um dos técnicos da seleção Brasileira Paralímpica de Natação, acompanhará a prova. Um juiz da Federação Baiana de Desportos Aquáticos também estará presente para validar o recorde mundial de Verônica em águas baianas.
Nascida em Salvador, Verônica teve o primeiro contato com a natação aos 5 anos. Aos 30, tornou-se paratleta devido a uma manifestação de um distúrbio hereditário do tecido conjuntivo, chamada Síndrome de Elhers- Danlos. A doença, degenerativa e progressiva, ainda não tem cura.
Hoje, aos 39 anos, Verônica integra a Seleção Paralímpica de Natação, que, neste ano, representará o Brasil no Mundial de Glasgow, em julho, e no Parapan-Americano de Toronto, em agosto. Entre suas principais conquistas, estão dois bronzes nos 50m borboleta: um nos Jogos Paralímpicos de Pequim-2008 e outro no Mundial da Holanda-2010.
Serviço:
Super Desafio CAIXA Loterias Mar Grande-Salvador com Verônica Almeida (travessia de 12 km)
Data: segunda-feira, 12
Horário: 6h (horário de Brasília)

Pietro Raña
Pipa Comunicação – Assessoria de Imprensa
(71) 9974-6182 / 3264-0006
pietro@pipacomunicacao.com.br

Assessoria de imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br) 
Rafael Maranhão 
Ivo Felipe
Nádia Medeiros 
Rafael Moura 
Thiago Rizerio

Empresa cria vídeo game dedicado a deficientes visuais.

Um dos maiores atrativos dos games atuais é a qualidade gráfica nas telas.

da Redação

Um dos maiores atrativos dos games atuais é a qualidade gráfica nas telas. Mas como explicar o sucesso de um jogo que não utiliza gráfico nenhum? Esse é o caso do “A Blind Legend” (“Uma Lenda Invisual”, em português), onde o usuário usa exclusivamente a audição para se orientar pelo cenário imaginário.

O jogo conseguiu 43 mil euros de aporte através de uma campanha de crowdfunding, o que mostra o grande potencial de mercado para deficientes visuais e a disponibilidade do público em geral para novas possibilidades, pois o game não deixa a desejar para nenhum outro jogo tradicional no mercado com relação à qualidade.

O jogo narra a história de um cavaleiro medieval que perdeu sua visão e precisa atravessar uma floresta para libertar sua mulher que foi raptada por violentos sequestradores. Seus movimentos são controlados pelo toque na tela do aparelho móvel ou por um mouse de computador. Movimentos bruscos com os dedos simulam a utilização de uma espada.

Os criadores recomendam usar fones de ouvidos, que tornam possível ouvir tudo ao redor, como os barulhos da floresta, os pássaros voando no céu, o rio fluindo.

Assista ao vídeo de demonstração feito pela empresa criadora do jogo, a Dowino, e se surpreenda também:




É muito gratificante tomar conhecimento de empresas como a Dowino, que são criadoras de games, apps e filmes “pela mudança”, como eles mesmos referem, e focadas em informar, educar e instruir o maior número de pessoas possível, expandindo a magia dos games para quem antes nunca havia tido essa oportunidade.

Fontes: Hypeness - saci.org.br

Ensino inclusivo beneficia estudantes com e sem deficiência.

É o que garante o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Educação Inclusiva

Toda criança tem direito à educação. Assim, é dever do do Estado assegurar a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, bem como o atendimento educacional especializado – obrigatório e gratuito na rede regular de ensino público – aos estudantes que têm algum tipo de deficiência. É o que garante o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Ainda na legislação brasileira, quem se negar ou fizer cessar a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, devido à deficiência do estudante está sujeito a punição. O crime é punível com reclusão de 1 a 4 anos.

No entanto, não foi fácil para Mara Bueno, de Cambuí, Minas Gerais, encontrar uma escola que aceitasse o filho Matheus, diagnosticado aos 4 anos com a síndrome de Asperger, doença relacionada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). As principais características da síndrome são dificuldade de sociabilização, atos motores repetitivos e interesses circunscritos intensos que ocupam totalmente o foco da atenção, segundo Ami Klin, diretor do Programa de Autismo do Centro de Estudo da Criança da Universidade Yale, em artigo publicado no volume 28 da Revista Brasileira de Psiquiatria .

Mara conta que, ao iniciar a vida escolar, o menino passou por alguns colégios particulares. As reclamações e notificações por parte da direção eram frequentes, além de situações de negligência para com o menino. “Recebíamos ligações da escola constantemente e éramos notificados pela direção que nosso filho estaria causando ‘pânico’ nos coleguinhas. Diversas vezes encontramos o Matheus molhado, com cocô, sem camisa, descalço, ou seja, totalmente à deriva dentro da escola”, diz a mãe.

Após apresentar o laudo médico do filho para a instituição, a escola preparou uma sala com alguns brinquedos para a criança, que lá passava a maior parte do tempo sozinha, de acordo com Mara. Com a tentativa de inclusão inadequada, novamente o colégio chamou os pais e pediu que pagassem, além da mensalidade, uma professora auxiliar.

Assim se iniciou uma nova peregrinação. “Ligamos para várias escolas e, quando ouviam ‘autismo’, a resposta era ‘não temos vagas’”, diz a mãe de Matheus. “A maioria das escolas particulares não está preparada para atender portadores de quaisquer deficiências. Elas visam o lucro e não a verdadeira educação”, afirma.

Hoje, com 5 anos, o menino estuda em uma escola da rede pública, com professor de apoio e psicopedagoga custeados pelo governo. Segundo Mara, ele tem um bom desempenho e já fez amigos. “A rede pública nos oferece o que não encontramos na rede particular”, conta. Para a mãe do menino, a inclusão deve existir para que, no futuro, não se discrimine quem tem algum tipo de deficiência. “Inclusão é conhecimento, paciência e amor, muito amor”, diz.

Portadora da síndrome de Costello, Bianca Oliveira, de 19 anos, é definida pela mãe Simone Oliveira como “meiga, muito sociável, grande companheira e amiga que me ensina dia a dia”. Pessoas com a síndrome apresentam dificuldades na alimentação e na fala, baixa estatura, dobras profundas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, além de hisperelasticidade da pele das mãos e dos pés, na definição do pediatra neozelandês Jack Costello.

Diagnosticada com a doença aos 6 anos de idade, a menina teve problemas para encontrar uma escola que a aceitasse. “Pelo simples fato de dizermos que temos uma criança especial, as barreiras já surgem naturalmente”, diz Simone.
Bianca passou por mais de cinco escolas, pois a direção alegava não saber como lidar com a situação da menina, que requer mais atenção e cuidado. Em uma dessas instituições, a filha de Simone chegou a ser convidada a procurar outro lugar para estudar: alguns pais tiraram seus filhos do colégio porque não queriam que eles convivessem com Bianca.

Agora, a menina não estuda mais por falta de opções, mas a mãe conta que, em meio às andanças em busca de instituições de ensino, muitas crianças se tornaram amigas de sua filha e mantêm contato com ela até hoje. “As crianças têm de ser ensinadas que diferenças existem e nem tudo é maravilhoso. E mesmo que cada vitória seja pequena, existe uma grandeza pra quem a alcançou”, afirma.

Para Ricardo Monezi, psicobiólogo e pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a inclusão beneficia tanto o estudante com deficiência como as outras crianças. O convívio com uma realidade diferente faz com que os pequenos respeitem e acolham os colegas especiais.

Segundo Monezzi, quanto mais cedo essa parceria se iniciar, melhor é para o desenvolvimento da criança. A partir dos 2 anos de idade, quando o pequeno já se comunica melhor com o mundo, esta inserção será melhor aproveitada. “O ideal é que o contato se inicie partir do momento em que a criança tem um pouco mais de compreensão. Você está ensinando uma questão social”, diz.

O especialista ressalta que a educação inclusiva é uma necessidade e considera que cada caso deve ser analisado antes da inserção do aluno com necessidades especiais no ambiente escolar. Dessa forma, com um conhecimento prévio, o ensino é adaptado de maneira adequada e os profissionais que acompanham a criança podem entender melhor a situação. “É um passo muito forte para uma sociedade inclusiva do amanhã”, afirma.

Inclusão na prática 
Com a implantação de programas de inclusão sistemática desde 1978, o Colégio Pauliceia, situado no Brooklin, em São Paulo, tem matriculados cerca de 20% de alunos com algum tipo de deficiência, de um total de 610 estudantes. Segundo a diretora Carmen Lydia Trunci de Marco, a escola faz uma avaliação de repertório acadêmico, social e psicológico do estudante antes dele iniciar as aulas. “Nesse processo pedagógico, há vários momentos de conversa, de reflexão. O trabalho envolve todo mundo e é fantástico para todos os alunos”, conta.

Assim, a escola promove uma intervenção comportamental precoce com alunos de 2 a 17 anos. De acordo com Carmen, o ser humano deve ser exposto às mais diversas situações de diferença, desde os primeiros anos de vida, para que ele consiga administrar seu comportamento e respeitar as diferenças. “Muitos alunos se interessam pela área de psicologia, educação por isso”, afirma.

Hoje, no colégio, a aceitação dos pais em relação à convivência dos filhos com crianças deficientes é boa. “Algumas famílias estão conosco porque acreditam que suas crianças têm de crescer e conviver desde pequenas com o diferente”, diz Carmen. “Quanto mais novinha [a criança], o trabalho frutifica mais”, completa.

No entanto, a situação nem sempre foi assim. A diretora afirma já ter tido muitos problemas durante a trajetória do projeto devido à intolerância de mães e pais. “O preconceito geralmente não vem da criança, mas da família. A escola deve se mostrar aberta e explicitar aos pais a importância da convivência e da experiência de aprendizado deles e dos filhos”, acredita Monezzi.

Terezinha Rodrigues, cuidadora de crianças com deficiência na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Sebastiana Cobra, em São José dos Campos, trabalha há dois anos com alunos tetraplégicos, portadores de síndrome de Down e também com autistas. Segundo ela, as escolas e os professores da rede de ensino público não estão preparados para receber alunos com algum tipo de deficiência, mesmo que a legislação vigente garanta os direitos desses estudantes.

Hoje, a cuidadora é responsável por uma criança de 8 anos com TEA e por um garoto de 14 anos com tetraplegia. “Ele está sempre sorrindo, de bem com a vida, é um amor”, conta. Como o estudante não sabe ler, escrever e até mesmo falar, Terezinha teve de aprender como lidar e entender suas necessidades. “Ele se comunica comigo através do olhar”, diz.

Segundo ela, a interação dos colegas de sala e da escola toda com os alunos especiais é ótima e alguns coleguinhas de sala até auxiliam as crianças nas atividades escolares, de artes, informática e educação física.

Para a cuidadora, o que falta para que a inclusão se efetive é a formação de professores especializados em ensino inclusivo, a fim de que os profissionais consigam lidar tanto pedagogicamente como emocionalmente com alunos especiais. Em relação à estrutura das escolas, Terezinha reitera que reformas são necessárias para que os alunos possam ser acolhidos de maneira adequada.

Fontes: O Estado de São Paulo - saci.org.br
Referência: Inclusive



Projeto com deficientes auditivos cumpre proposta da GM de inclusão.

Cinco pessoas com deficiência auditiva foram contratadas.
Processo seletivo dos surdos foi rigoroso.

Texto: Assessoria de Imprensa GM - Foto: Fotógrafos PJ

   Os cinco jovens com deficiência auditiva começam a trabalhar nesta semana (Foto: Fotógrafos PJ)
  Os cinco jovens com deficiência auditiva começam a trabalhar nesta semana (Foto: Fotógrafos PJ)

A contratação de cinco pessoas com deficiência auditiva para trabalhar em conjunto com a Guarda Municipal de Jundiaí é mais uma ação voltada à inclusão, como previsto no Programa de Metas do município. O projeto “Inclusão do Surdo na Guarda Municipal de Jundiaí” é uma ação pioneira no Brasil e objetiva aproveitar o sentido visual mais apurado dos surdos para aumentar a eficiência do setor de monitoramento e, consequentemente, ampliar o número de atendimentos de ocorrências pela GM.

A ideia ganhou corpo após integrantes da Guarda participarem de um curso de qualificação em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Após diversas reuniões entre a Guarda Municipal, Grupo Tejofran (administradora do monitoramento) e Coordenadoria da Pessoa com Deficiência, o projeto se tornou realidade com a contratação de deficientes auditivos, que começam a trabalhar a partir deste mês.

O processo seletivo dos surdos foi rigoroso. Inicialmente, a GM entrou em contato com o Clube dos Surdos de Jundiaí, para que fossem indicados alguns candidatos, após análise de currículos. Num segundo momento, os candidatos selecionados foram entrevistados pela equipe de recrutamento do Grupo Tejofran.

Para que o projeto pudesse ser realizado, foram elaborados equipamentos específicos para a comunicação, como a instalação de luzes nos monitores para facilitar a comunicação dos surdos.

Além de oferecer uma maior eficiência do setor de monitoramento da GM, o projeto proporciona também aos guardas uma aproximação com integrantes da comunidade surda local e, consequentemente, um maior conhecimento da cultura surda.

Fonte: g1.globo.com

DPDF realiza Plantão de Acesso à Escola para garantir matrícula de crianças e adolescentes com deficiência.

 Imagem Internet/Ilustrativa
 

Plantão de Acesso à Escola promovido pela Defensoria Pública do DF (DPDF), em parceria com o Movimento Down (MD), acontecerá no dia 9 de janeiro, na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto, próximo a administração do local, entre 9h e 16h. O objetivo é oferecer atendimento jurídico aos pais e responsáveis com dificuldades em matricular os filhos, com algum tipo de deficiência, em escolas públicas ou privadas.
O alvo dessa ação é garantir a educação inclusiva. Após o último plantão, realizado no dia 10 deste mês, a DPDF identificou a urgência em manter contato com as instituições de ensino, indicando os aspectos legais e as sanções relativas à recusa de matrícula dessas crianças.  A data foi escolhida por estar dentro do período de inscrição escolar.
Para mais informações sobre os direitos de crianças e de adolescentes com Down ou outra deficiência, o cidadão pode acessar a  cartilha “Escola para todos. 
Educação Inclusiva: o que os pais precisam saber”. Clique aqui.

Plantão Acesso à Escola
Data: 9 de janeiro 2015
Horário: 9h às 16h
Local: Rodoviária do Plano Piloto (subsolo)
Mais informações: 2196 4324 e 2196 4376
Fonte: www.defensoria.df.gov.br -  Imagem Internet/Ilustrativa

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A mulher inquebrável.

Ela sofre de osteogénese imperfeita, mas não há adversidade que Mafalda  não transponha.

              nm1177_mafalda01


Antes dos 14 anos já contava 90 fraturas. Mas não há adversidade que Mafalda Ribeiro não transponha, inteira. Escritora e oradora motivacional, não pretende uma estátua: para ela, importante é saber que marcou um dia, uma hora, «um mísero segundo» da vida de alguém. 

Ela não vai durar as primeiras duas horas.» «Ela não vai du­rar uma semana.» «Ela não vai durar um mês.» «Quando dei­xar o hospital e a mãe a levar para casa morre-lhe no cami­nho.» «Ela não vai chegar à idade pré-esco­lar.» «Ela não vai aguentar a primeira cons­tipação.» «Ela nunca mais morre.»

«A minha vida começou assim», diz Ma­falda Ribeiro. O humor desconcertante é no­ta forte da personalidade desta mulher. Com 31 anos, descreve a osteogénese imperfeita – a dela, tipo II, é particularmente violenta e a maioria não sobrevive ao parto – e a dor física permanente sem sinais de lamechice. E recorda um sem-número de fraturas ósse­as – 90 apenas nos primeiros 14 anos de vi­da – e as condicionantes ditadas pela doen­ça, sem apelo à comoção.

O sorriso, herança da mãe, franco, ras­gado, delineado a vermelho, cor do bâton de que raramente abdica, marca a primei­ra imagem. E impõe-se à cadeira de rodas, à imperfeição, ao defeito que, no caso da Mafalda, é feitio. Feitio físico, ponto forte desta história de vida que, contudo, não a determina em absoluto. «Em regra, tratamos quem tem a deficiência como coitadinho ou herói. Eu sou, quero ser, a linha que separa as duas coisas. Quero mostrar que uma ca­deira de rodas não tem de ser o fim do mun­do. É, antes, uma nova visão do mundo. O que é diferente, estranho ou esquisito não é necessariamente mau. É diferente. Ponto. Tive a sorte de não me ver de repente numa cadeira de rodas, de não ter de passar por uma integração – nasci assim, sempre me conheci assim. Para mim, estranho seria se começasse agora a andar.»

Um testemunho com prova – filha úni­ca, podia ter-se conformado à pensão de in­validez e ao conforto da casa paterna. Não: aos 18 anos já ganhava dinheiro como rececionista na Junta de Freguesia de Ca­lhandriz (Vila Franca de Xira), de onde é na­tural; aos 18, ainda antes da licenciatura em Jornalismo, trabalhava, profissional encar­tada, no jornal Vida Ribatejana; aos 21 era téc­nica de comunicação na Valorsul, empresa responsável pela valorização e tratamento de resíduos urbanos (contratada para um es­tágio de seis meses, ficou oito anos); antes dos 30 comprava casa e carro, como chama à cadeira de rodas. «Pedi empréstimos bancários, sozinha. A cadeira elétrica custou 15 mil euros e passei a ter prestações mensais da casa.»

Hoje, aos 31 anos, passa uma fase sabáti­ca. Em 2008, publicou o primeiro livro – Ma­faldisses, Crónica sobre Rodas –, na Páscoa de 2015 sairá o segundo, relatos de uma viagem de vida, a Israel, que lhe encheu os dias. Pre­para igualmente um livro infantil e, ainda mais importante, um investimento em força numa atividade que até aqui fora apenas um apontamento, embora bem-sucedido, no seu currículo: a comunicação motivacional.

A proliferação de oradores nessa área é um senão, acredita: «Estamos a viver o fenóme­no dos oradores motivacionais, muitos de­les papagaios e eu, confesso, sou pouco de modas e de carneiradas. Nem quero debitar os sete passos para a felicidade até porque nem dou passos.» Abre o sorriso e acrescen­ta: «Vou provar que mais pode ser bem feito e genuíno. Percebi que é esse o meu caminho.»
A certeza ganhou-a em 2011, «o ano mais marcante da minha vida». O ano em que planeou a tão desejada viagem a Isra­el e comprou finalmente a igualmente de­sejada casa. Mas também o ano trágico em que perdeu a mãe, num acidente de carro, às quatro da tarde de uma sexta-feira de ju­nho, exatamente defronte da empresa onde trabalhava. Mafalda foi a primeira a saber. «Fiquei sem chão, sem nada. Perdi a minha mãe e a pessoa que cuidava de mim.» Con­tudo, «atriz sem guião», coube-lhe dar a no­tícia ao pai e aos amigos, consolar a todos. 

«Durante um ano vivi como super-Mafalda, recusei a baixa contínua porque achava uma ingratidão para com a vida abdicar do traba­lho que tinha.» Depois percebeu que estava a castigar-se a si própria. «A empresa repre­sentava o meu cenário de guerra.» Ali soube­ra da morte da mãe, ali dera a notícia ao pai. Era, de facto, um «cenário de guerra», a ima­gem permanente do acidente brutal. «A vi­da tinha-me imposto a maior mudança. Ti­nha de nascer ali uma nova Mafalda.» Mais paciente, mais calma e sobretudo conscien­te de que «não posso fingir que a minha pas­sagem pela terra é banal». Deixou então a Valorsul para se dedicar a tempo inteiro «a prestar testemunho de vida e a servir de ins­piração a outros».

A osteogénese não trouxe ressentimen­to à cristã evangélica. Nunca sentiu revolta, garante, recorrendo de novo ao humor: «Não tenho um corpo 86,60,86, mas com 16 anos revoltava-me mais uma borbulha que aparecesse, estragava-me a noite na discote­ca.» Mafalda cuida-se, gosta do que vê ao es­pelho. «Adoro ser mulher: aos 14 anos pintei pela primeira vez o cabelo» – foi loura, ruiva, usou madeixas. «Na roupa, passei por todas as fases», da camisa de flanela aos quadrados ao preto integral. Sapatos, feitos à medida, tal co­mo parte da roupa, são, em regra, de salto alto. «Há na minha aparência muito de que posso gostar, que posso melhorar e por isso faz toda diferença sair à rua bem arranjada, a sentir-me bem neste corpo, diferente, mas que é o meu.» Compõe os óculos de massa, imagem de marca, saboreia o café e sorri do alto de 97 centímetros (e 22 quilos).

Nunca admitiu a si própria que «certos olhares» lhe estragassem os dias. Mas eles existem. «Até aceito que me abordem na rua com perguntas sobre a doença. Não há muitas Mafaldinhas por aí e portanto ten­to compreender a curiosidade alheia, mas não aceito que passem uma determinada li­nha – a do julgamento.» Impulsiva e fron­tal, tenta conter-se. Conteve-se no momen­to em que presenciou um dos gestos mais du­ros – o adulto tapa os olhos da criança para esta não ver – ou enfrentou a mais cruel das frases: «Mais valia que Deus a levasse.» Com tanto de «acelerada como de distraída», Ma­falda faz delete do que – e de quem – não interessa. Guarda «o olhar pequeno», detalha­do e a memória de elefante para o que conta.

«Ironicamente as minhas memórias mais antigas não são de mim a pensar que não era igual aos outros meninos. Mas sim de aos 3 anos impressionar os adultos dizendo que já sabia ler. Ainda por cima tendo uma apa­rência de bebé.» A verdade é que decorava os livros com obsessão, sabendo mesmo a altu­ra certa de virar a página. «As pessoas viam–me sempre com um osso partido e eu que­ria que, em vez de dizerem “que coitadinha”, dissessem “que inteligente”. Sempre gostei de desconstruir esquemas.»

Mafalda nasceu na Maternidade Alfredo da Costa no ano de 1983, com apenas 36 cen­tímetros e 1,950 quilos. Tinha as duas pernas partidas, tão-só resultado dos movimentos da gestação. Nos primeiros seis meses sobre­viveu a duas pneumonias, mas «quanto mais diziam que eu ia morrer mais eu teimava em ficar». Viveu sempre na Freguesia de Calhan­driz, muito protegida pela família e obrigada pela osteogénese a longos períodos de imo­bilização, foi uma criança «tagarela, mui­to vivaça, nada tímida, atenta ao pormenor e pouco dada a fantasias». Tocar piano era uma das atividades favoritas, a ponto de lhe vaticinarem uma carreira de pianista. Tam­bém pensou ser cabeleireira. Já no liceu, es­colheu definitivamente o jornalismo e a es­crita. «Sempre escrevi. Escrevia sobre o que eu via. Não me lembro de ter composições sobre o tema “e se eu andasse?”. Aliás nem me lembro de sonhar com isso. Uma vez, já adulta, sim, lembro-me de conseguir andar no meio de pessoas enormes. Não acordei feliz. Não foi uma boa sensação.»

Fazer das fraquezas forças evitando a ar­rogância é um do seus cuidados. «Nem isso nem ser egoísta, apesar de ter sido filha úni­ca e superprotegida.» Em Alverca, no ciclo e na secundária, a aluna excelente, «parti­cularmente teimosa», empenhada na as­sociação de estudantes, fugia à funcionária que a acompanhava em permanência pa­ra comparecer a encontros amorosos furti­vos: «Nessa matéria fui muito precoce e, co­mo no resto, proativa. Tive o meu primeiro namorado na escola primária e demos o pri­meiro beijo a sacudir os apagadores, atrás da escola.» Por esses dias a mãe encontrou na mochila da filha a nota: «Abel, azeitas (com z) casar comigo?» Seguiam-se as hi­póteses sim, não, talvez. Pouco dada a sínte­ses, conta: «Nunca me preocupei com as mi­nhas paixões nem nunca tive medo da reação deles. Nunca pensei que não gostariam de mim por ser deficiente. Nunca foram re­lações duradouras, mas a verdade é que tam­bém tenho pouca paciência.» Já na faculda­de, quando pensava no futuro, imaginava-se «uma profissional realizada, a viver sozinha solteira, e a viajar muito».

Nessa altura percebeu que no jornalis­mo estaria confinada ao espaço da redação. «E de vez em quando é preciso manter as ro­das no chão.» Por isso, aceitou sem reservas o convite para integrar os quadros da Valor­sul. «Não sei o que é procurar emprego ou enviar currículos. Ao longo de sete anos vivi uma das fases mais criativas do meu percur­so naquela empresa.» Até ao dia fatal de 2011.

Mas também há dias perfeitos: «Um al­moço numa mesa de risadas, com muito sol, um livro. O que me pode fazer desistir? Nada. É que eu gosto mesmo de estar cá. Quero ser uma ponte, ponte é o meu nome do meio, quero passar de audiências de 200 para 20 mil pessoas. Não quero deixar le­gado, não quero estátuas: quero marcar as pessoas que cá estão. E se marcar a vida de alguém nem que seja por um mísero segun­do já valeu a pena.»

Pensão vitalícia para a Laís? Que país é esse?!

Texto de Adriana Lage da semana.

por: Adriana Lage

                                Adriana Lage/Imagem Internet
                                        

Muito se falou, nas redes sociais, no final do ano passado, sobre a concessão de pensão vitalícia para a atleta Laís Souza, que ficou tetraplégica após um acidente pouco antes da sua participação nos Jogos de Inverno na Rússia.

Nada contra a Laís! Pelo contrário... Sempre a admirei quando representava o Brasil na ginástica. Mas não acho justa essa pensão! E nós, meros tetraplégicos anônimos? Também contribuímos para o nosso país, seja através do trabalho, do esporte, das artes... Após a sanção da Dilma, a Laís embolsará, mensalmente, R$ 4.390,24 – o equivalente ao teto da Previdência Social. Essa despesa vai ser lançada no Programa Orçamentário “Indenizações e Pensões Especiais” de responsabilidade da União. Garanto para vocês que, quando me aposentar no banco, mesmo tenho um bom salário e contribuindo com uma “facada” mensal para o INSS, não devo receber esse montante.

Gostaria de entender o motivo de tal concessão! O que mais me decepcionou nisso tudo foi saber que uma das autoras do Projeto foi a Mara Gabrilli. Ela que luta pelos direitos das pessoas com deficiência e tem conquistado muitas melhorias para nós, agora me vem com uma dessas! Li que a explicação para tal concessão foi o fato da Laís estar representando o Brasil no momento em que se acidentou e que precisaria de recursos para sobreviver. Tudo bem ajudá-la, afinal de contas, o custo de vida de um tetraplégico é alto. As pessoas se mobilizaram e fizeram uma “vaquinha” virtual... Que eu saiba, ainda é possível realizar doações. Se essa ajuda financeira viesse, por exemplo, do Comitê Olímpico Brasileiro, tudo bem. Querendo ou não, a Laís representou o Brasil na ginástica e, agora, estava nos esportes de inverno. Pensão vitalícia é demais...

Que me desculpem os que aplaudiram essa pensão vitalícia, mas não acredito que tal concessão tenha justificativa. Reafirmo meu questionamento: que diferença a Laís tem das demais pessoas com deficiência? Trabalho, há 14 anos, num banco público. Meu trabalho é a fonte de sustento para que possa ter uma boa qualidade de vida. Ninguém quer saber se a Adriana, que também é tetra, gasta muito com fisioterapia, natação, remédios, deslocamentos, empregada doméstica, etc. Acho um retrocesso essa pensão. Para mim, beira ao assistencialismo. Uma nova roupagem para o “coitadismo” que tanto lutamos para banir da sociedade. Atualmente, busca-se inserir a pessoa com deficiência, sem medir esforços, no mercado de trabalho. Raramente, uma pessoa consegue se aposentar por invalidez caso apresente capacidade laborativa. Ao invés de ser excluída do mercado de trabalho, a pessoa é treinada para desempenhar novas funções.

Torço muito pela recuperação da Laís e que ela tenha uma boa qualidade de vida. O fato de ser atleta vai ajudá-la a ter mais força de vontade e disciplina para encarar essa dura missão. Acredito que Deus sabe o que faz e, mesmo que nunca possamos entender o motivo que nos levou a sermos escolhidos para ter uma deficiência, temos uma missão aqui na terra.

A Laís é determinada e jovem. Com certeza, vai encontrar novas formas de demonstrar suas habilidades e competências. Logo, logo, deve achar um esporte paralímpico ou outra ocupação. Por exemplo, admiro muito e torço pelo Fernando Fernandes. Ele deu a volta por cima após um acidente de carro e, hoje, brilha com a canoagem. Representa, brilhantemente, o Brasil, faz um belo trabalho social, tudo sem coitadismo, nem holofotes, e não recebe pensão. Sinceramente, se estivesse no lugar da Laís, me sentiria mal com essa pensão. Correria atrás da minha subsistência por meio do meu esforço.

Enfim, achei uma bola fora essa pensão vitalícia. É um desrespeito com as outras pessoas com deficiência. Desejo à Laís uma plena recuperação e muita sorte. Que Deus a abençoe sempre. E, quanto a nós, “malacabados” anônimos, desejo que a Justiça seja inundada por pedidos de equiparação de direitos.

Desabafo à parte, espero que meus leitores tenham tido ótimas festas! Que tenhamos um novo ano abençoado, repleto de trabalho, desafios, alegrias e realizações. Feliz 2015!

Fonte: saci.org.br - Imagem Internet

Deficientes enfrentam dificuldades de locomoção na região de Tatuí.

Ausência de rampas de acesso e pisos táteis estão entre as reclamações. Em Itapetininga, SP, há problemas semelhantes em praças e ruas.

Do G1 Itapetininga e Região

  

A falta acessibilidade ainda é um problema enfrentado diariamente pelos deficientes físicos e visuais na região de Tatuí (SP). Desníveis, buracos em calçadas, falta de rampas de acesso são alguns dos pontos de reclamação.
Em diversos pontos da cidade ocorre ausência de rampas e calçadas em desnível. A cuidadora Ana Paula Rocha é mãe de uma jovem com deficiência múltipla. Diariamente ela enfrenta dificuldade para poder atravessar as ruas da cidade. “Todo lugar é sem rebaixamento e há muita dificuldade para atravessar, descer ou subir, sem uma rampa de acesso”, afirma. A cuidadora ainda conta que geralmente os carros não param para ela atravessar: “Preciso sair praticamente com a cadeira na rua, para que os motoristas respeitem e eu possa passar”, diz Ana Paula.
Click AQUI para ver o vídeo:
Uma lei municipal determina que todas as calçadas sejam rebaixadas. Mas, segundo o presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Rodiney Rocha, as normas de acessibilidade só são cumpridas em alguns trechos.
“Um dos princípios seria a conscientização da população, no que diz respeito às vagas de estacionamento. Pedimos que não estacionem na vaga dos deficientes, nem de idosos. A outra é a respeito da calçada, pois pessoas fazem degraus nesses locais, o que dificulta a inclusão social e impede que os passeios com os cadeirantes sejam realizados, levando-os a andar pelas ruas.”
Piso tátil em praça, auxilia deficientes visuais (Foto: Reprodução/ TVTEM)Piso tátil em praça auxilia deficientes visuais em
Tatuí (Foto: Reprodução/ TVTEM)
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 22% dos moradores da cidade, ou seja, mais de 25 mil pessoas, tem algum tipo de deficiência. O professor de informática em braile Nilson Ribeiro é um deles. O deficiente visual passa diariamente pela Praça da Matriz, único lugar que ele encontra o piso tátil na cidade. Porém, no meio do caminho sempre há um obstáculo, como sacos de lixo. “As pessoas não respeitam nem mesmo as faixas para deficientes, que é o piso tátil”, lamenta.
Para caminhar até o trabalho todos os dias, ele encontra mais problemas: “Há degraus em calçadas, que as pessoas na hora de construir, deveriam deixar a guia no mesmo nível. É uma luta para ver se essa realidade muda, porque não há respeito.”
Em Itapetininga (SP) os problemas são semelhantes. Na Avenida Wenceslau Braz, no Jardim Vieira de Moraes, as calçadas têm desnível, pedras, buracos e até mesmo raízes de árvores que foram arrancadas, o que impede o acesso das pessoas. A alternativa que resta é andar pela rua.
Além de ter que atravessar toda a calçada esburacada, com terra e concreto todo danificado, quando o cadeirante chega na esquina da avenida, não encontra uma rampa de acesso para que possa atravessar a rua.
O diretor da Associação de Promoção e Inclusão Social para os Deficientes Físicos (Aprisdef), Jeferson Rodrigo, ressalta que “nesses casos, vemos um descaso do próprio poder executivo municipal, que não precisa gastar o orçamento, mas fiscalizar. Vemos que as calçadas devem ter no mínimo 1,20 metros, não pode ter obstáculos, como orelhões ou postes. Nesses casos, é necessário comunicar os órgãos responsáveis, para retirar e no caso das calçadas irregulares, a prefeitura deve ser comunicada para fazer a fiscalização.”
Já em um dos cartões postais mais antigos de Itapetininga, a Praça Marechal Deodoro da Fonseca, mais conhecida como Praça dos Amores, que passou por obras de revitalização nos últimos meses, também foram encontrados problemas de acessibilidade. Tudo foi revitalizado: asfalto, guias e sarjetas, pisos e canteiros, porém, as rampas não ficaram de acordo com as normas.
As obras em espaços públicos devem ser feitas de forma que tornem os locais acessíveis para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas, não é o que aconteceu no local, já que as rampas de acesso à praça existem, mas a dificuldade está do outro lado da rua. Em uma das calçadas, não há nem sinal de rampa. Em outra, há uma rampa fora da faixa de pedestres.
Segundo a diretora técnica da Secretaria de Obras da Prefeitura, Mônica Takahashi, todas as rampas de acesso da praça estão de acordo com as normas. Já os acessos do outro lado da rua, serão avaliados e passarão em breve por reforma.
“A intenção agora é adequar todas as rampas. Já estamos trabalhando no plano de mobilidade urbana, para atendimento de todas essas questões. Quanto às faixas de pedestres, realmente duas ficaram fora do acesso da rampa, mas já estamos com uma equipe da Secretaria de Trânsito, para que seja refeita a pintura do solo”, explica.
Em nota, a Prefeitura de Itapetininga informou que aguarda o término da licitação para a compra de materiais para finalizar a adequação das faixas de pedestres.
Rampa de acesso fora da faixa de pedestres fica na Praça dos Amores (Foto: Reprodução/ TV TEM)Rampa de acesso fora da faixa de pedestres fica na Praça dos Amores (Foto: Reprodução/ TV TEM)Fonte: g1.globo.com


Deficiente presta queixa na delegacia após passar 3h em fila de banco na BA.

Segundo homem, além da espera, ele não recebeu atendimento especial. De acordo com assessoria de agência, funcionários passam por capacitação.

Do G1 BA, com informações da TV Oeste

  

Um portador de deficiência física denuncia uma agência do Banco do Brasil por ter esperado mais de três horas na fila para ser atendido. O caso ocorreu na cidade de Barreiras, no oeste da Bahia, e foi registrado na delegacia da cidade.
Click AQUI para ver o vídeo:
Além da espera, Paulo Roberto Ribeiro, que é fotógrafo e possui uma atrofia em um dos membros inferiores, alega que não teve direito a atendimento especial. “Pouco caso dos funcionários do banco. Isso eu acho que é falta de respeito comigo, pela deficiência, não só por isso, porque eu não sou um inválido, eu sou comum como qualquer outro. Mas é falta de respeito com pessoas de idade, com outras pessoas que têm outras coisas para fazer. Pedi simplesmente à gerente para que ela pudesse bater um carimbo do horário que eu estava saindo do banco, ela simplesmente disse que aqui em Barreiras não existe lei, que não funciona esse tipo de lei aqui e que não podia fazer nada por mim”, denunciou Paulo Roberto.

Porém, em Barreiras uma Lei municipal que obriga os bancos a atenderem os clientes em até 15 minutos. No entanto, falta fiscalização na cidade. Segundo a prefeitura, uma fiscalização educativa já foi iniciada e o próximo passo é punir os bancos que descumprirem a lei. De acordo a advogada Kaline Passos, as punições incluem advertências e multas. “Multas de R$ 10 a R$ 50 mil. E por fim, a suspensão indeterminada até que seja resolvido todo o problema e que o banco não descumpra mais a lei”, afirma.

Paulo Roberto prestou queixa na polícia e o boletim de ocorrência é mais uma prova do não cumprimento da lei. Ele pretende entrar na justiça contra o Banco do Brasil. “O código da lei existe, mas em Barreiras não é cumprido porque não é fiscalizado. Eu quero a justiça pelo seguinte, por falta de respeito. Nós somos seres humanos que precisamos hoje de uma vida melhor, ser tratado melhor, como seres humanos, não como um indigente qualquer”, conta indignado.

A assessoria do Banco do Brasil em Barreiras informou que está capacitando os funcionários para monitorar o atendimento aos clientes e reduzir o tempo de espera na fila.

Fonte: g1.globo.com

Anac notifica Azul e Viracopos por desembarque de cadeirante.

Empresas terão cinco dias para explicar o que gerou demora. Passageira esperou mais de uma hora dentro do avião.

Do G1 Campinas e Região


  

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) notificou nesta quarta-feira (7) a Azul Linhas Aéreas e o Aeroporto de Viracopos pela demora no desembarque de uma cadeirante em Campinas (SP). As empresas terão cinco dias para explicar o que gerou o atraso e obrigou a passageira esperar mais de uma hora dentro do avião. Caso o órgão entenda que houve erro de alguma das partes, poderá multar o infrator em até R$ 25 mil.
Click AQUI para ver o vídeo.
A Azul afirmou que apesar de ter os aparelhos, a responsabilidade é do aeroporto em fornecer e operar os equipamentos. Em relação à notificação, disse que ainda não recebeu e por isso não vai se manifestar.

Já a concessionária Aeroportos Brasil, que administra Viracopos, informou que apesar de ter o aparelho, não foi acionada em momento algum pela Azul e que vai prestar os esclarecimentos necessários a Anac.

Espera dentro da aeronave
A cantora Nilia Ramos e o marido Tiago Souza voltavam de uma viagem ao Rio de Janeiro na segunda-feira (5). No entanto, a passageira precisou aguardar a chegada de um equipamento para retirá-la da aeronave por mais de 1h. Na terça-feira (6), o casal foi até a polícia para registrar um boletim de ocorrência contra a empresa.

Enquanto a passageira aguardava o equipamento, o marido fez questão de registrar o tempo de espera. No vídeo é possível ver que todos há haviam descido e ela continuava esperando. Até a limpeza já estava sendo feita na aeronave. As imagens mostram também que a comissária de bordo ligou várias vezes para a central da companhia aérea, junto com o comandante que esperava ao lado.
Passageira aguarda 1h dentro da aeronave (Foto: Reprodução/ EPTV)Passageira aguarda 1h dentro da
aeronave (Foto: Reprodução/ EPTV)
Durante o tempo de espera, a cadeirante afirma que não conseguiu usar o banheiro, porque ele não era adaptado. "A moça falou para mim que eu não tinha como ir ao banheiro, porque lá não tem como deficiente entrar", conta Nilia.
A cantora e o marido viajam pelo menos três vezes por mês de avião, e disseram que sempre avisam a companhia aérea com antecedência e que dessa vez não foi diferente. “A empresa já sabe que se trata de uma deficiente, até porque nós fomos pela mesma empresa e estávamos retornando. A obrigação é da empresa solicitar o equipamento", destaca Souza.
Caso de polícia
Indignados com a situação, eles registraram boletim de ocorrência e afirmam que vão processar a empresa. “Eu vou fazer o que for, não para ganhar dinheiro, o meu objetivo é fazer com que eles mudem. Enquanto ninguém tomar uma atitude, eles não vão mudar”, destaca a cadeirante.

Fonte: g1.globo.com

Josh George quer “voar” na pista de atletismo no Rio 2016.

Estrela Paralímpica, que já brilhou no basquetebol em cadeira de rodas, busca sua sexta medalha nos primeiros jogos na América do Sul.

  Foto de Josh George na pista de atletismo com sua cadeira

Um dos principais atletas em cadeira de rodas do mundo, Josh George já alcançou importantes feitos em sua carreira e testou suas habilidades em diferentes modalidades. Ele coleciona cinco títulos mundiais e cinco medalhas no atletismo em Jogos Paralímpicos - em provas que vão desde os 100m aos 800m, na classe T53. 
O norte-americano é também campeão Parapan-americano e dono de uma medalha de prata no mundial de basquetebol em cadeira de rodas. Com sede de vitória, o atleta de 30 anos garante que ainda não está satisfeito e agora sonha adicionar mais um ouro à sua coleção de medalhas nos Jogos Rio 2016.
“Não vejo a hora de competir nos Rio. Eu absolutamente amo a energia dessa cidade e, se tudo der certo, em 2016 vou subir no topo do pódio e conquistar uma medalha de ouro”, diz o velocista, que vai tentar disputar as provas de 400m, 800m, 1.500m e 5.000m da categoria T53 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.
"Continuo correndo porque ainda quero ver o quão longe posso ir e o quão rápido posso correr. Todo dia busco atingir o meu potencial máximo e percebo que estou ficando melhor, mas ainda não estou lá. É um sentimento viciante”, completa.
George decidiu focar no atletismo depois que conquistou o ouro no basquetebol em cadeira de rodas nos Jogos Parapan-americanos Rio 2007. Ele já havia conquistado dois bronzes nos 100m e nos 400m, em sua primeira participação Paralímpica, em Atenas 2004, pouco antes de ajudar os Estados Unidos a ganhar a prata no campeonato mundial de basquetebol em cadeira de rodas em 2006. Em Pequim 2008, ele saiu com uma medalha de ouro e uma de prata nos 100m e 800m, respectivamente. Para, em Londres 2012, conquistar o bronze nos 800m.
O atleta explica que seus dois esportes preferidos têm desafios e recompensas diferentes. “Desde pequeno, sempre pratiquei todos os esportes em cadeira de rodas. Basquetebol e corrida em cadeira de rodas são os meus esportes favoritos, e sempre tirei coisas bem diferentes de cada um deles. No basquetebol, aprendi muito sobre trabalho em equipe, enquanto a corrida é muito mais sobre o que o meu corpo pode fazer", explicou.
Mais do que testar a pista do Estádio Olímpico, palco das provas do atletismo nos Jogos Rio 2016Site externo., George afirma que está ansioso para se encontrar de novo com a torcida carioca.
“Estou muito animado para sentir de novo a energia das pessoas dessa cidade. Os fãs cariocas sempre se mostraram tão envolvidos pelo esporte e celebram as competições de um jeito único. Algumas das partidas que disputei aqui foram das melhores de toda a minha carreira. Lembro de uma partida contra o Brasil com a arquibancada lotada de fãs gritando alto, cantando e dançando, e era um ambiente incrível para se estar – ainda que a maioria dos gritos fossem contra nós, é claro”, lembra.
Além de atleta, George é jornalista, blogueiro e conferencista. Em suas palestras, inspira centenas de pessoas com uma incrível história de superação. Com apenas quarto anos, sua vida mudou bruscamente ao cair da janela de seu quarto, no 12º andar.
Considerado um milagre pelos médicos à época, o menino não apenas sobreviveu, como aprendeu a entender a deficiência apenas como uma maneira “diferente” de fazer as coisas.
“Todas as pessoas com deficiência devem sempre ter em mente que elas podem conseguir absolutamente tudo o que quiserem, assim como qualquer pessoa. Você pode até ter que fazer algumas coisas diferentes dos outros para conseguir isso. Eu, por exemplo, em vez de andar do ponto A ao ponto B, uso uma cadeira de rodas. Mas com um pouco de criatividade, tudo é possível”, garante.
Segundo o atleta, toda essa boa disposição é herança da educação que recebeu em casa desde a infância.
“Acredito que o que fez a maior diferença para mim foi que os meus pais nunca me trataram de forma diferente do que faziam com meus irmãos. Tive todas as oportunidades, assim como eles, para crescer e vencer na vida. Acho que quando você é criança e algo assim acontece com você, acaba reagindo da mesma forma que os seus pais reagem. Como eles tratavam como se a minha deficiência não fosse nada demais, eu também encarei assim”, destaca.