sábado, 7 de março de 2015

Surdos com nota mil no Enem.

*Por José Petrola



Nesta edição do Enem, vários candidatos com algum tipo de deficiência auditiva se destacaram por ter notas altas na prova de redação. A acreana Oziany Lindoso, 33 anos, esteve entre os 250 únicos candidatos a alcançarem a pontuação máxima – nota mil na redação (http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/01/fiz-so-para-testar-diz-acreana-surda-nota-mil-na-redacao-do-enem.html). Outro candidato vencedor foi o garoto Cezar Vitor Pinheiro, de 14 anos, também surdo oralizado, na cidade de São Sebastião do Maranhão (MG), no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do Estado (http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/2015/01/1576782-garoto-surdo-de-14-anos-alcanca-nota-mil-no-enem.shtml). Não se trata de superar a surdez. Ela continua existindo, é uma característica da pessoa – mas não torna ninguém incapaz.

Em primeiro lugar, isto mostra que pessoas com deficiência também são capazes e muitas vezes se destacam – desde que, na avaliação, não se veja a “cara” do candidato, como ocorre em vestibulares, concursos públicos e outras provas. O que também serve como uma medida do preconceito existente na sociedade.

Isto também desmente um mito sobre a incapacidade dos surdos de aprenderem a se expressar corretamente em português. É comum que surdos usuários de Libras aleguem que, para eles, a redação deveria ser corrigida com critérios diferentes, devido à maior dificuldade que têm para aprender o português (http://www.ebc.com.br/educacao/2014/11/estudantes-surdos-tem-dificuldade-para-se-preparar-para-o-enem). Isto pode até ser válido para os surdos sinalizados, mas não para os oralizados.

Um ponto em comum entre os surdos que conseguiram boas notas no Enem é que todos tiveram de enfrentar preconceito na escola, em maior ou menor grau, porém contaram com professores compreensivos, que procuraram tornar suas aulas mais acessíveis. Pequenas mudanças, como colocar o aluno surdo na fileira da frente e dar as explicações sempre de frente para os alunos, em vez de olhar para o quadro-negro, fazem toda a diferença.

Outro fator que contribuiu para estes sucessos no Enem foi a intimidade com a leitura. Para quem tem alguma dificuldade de audição, o texto escrito acaba se tornando uma espécie de porto seguro, e isto é muito importante. Só pode escrever uma boa redação alguém que lê muito e vê a linguagem escrita como uma aliada.

O importante agora é que estes jovens continuem chutando a porta do preconceito em suas vidas, pois a inclusão só será possível com muitos Cezares e Ozianys brigando por seus direitos.

Câmara aprova pagamento de 'auxílio-inclusão' para pessoa com deficiência.

Se aprovado, pagamento dependerá da aprovação de outra lei. Projeto de lei ainda precisará passar pelo Senado Federal.

                             Foto com símbolos da acessibilidade em fundo azul

Câmara dos DeputadosSite externo. aprovou na última quinta-feira (5) um projeto de lei que prevê uma série de direitos para pessoas com deficiência, como o pagamento de um “auxílio-inclusão” e a utilização do FGTS para a compra de órteses e próteses. O texto ainda precisa ser aprovado no Senado.
Segundo a relatora do projeto, deputada Mara GabrilliSite externo. (PSDB-SP), o objetivo do “auxílio-inclusão” é ajudar as pessoas com deficiência a se manterem no mercado de trabalho. A verba passaria a ser paga a partir da admissão.
Hoje, existe um benefício, chamado de Benefício da Prestação Continuada, que a pessoa com deficiência deixa de recebê-lo ao ser admitida. “O auxílio-inclusão vai ajudá-la a manter o custo de vida, que é muito alto, que exige tecnologias assistivas para ter qualidade de vida, como poder contratar um cuidador, para incentivar o desenvolvimento”, explicou a deputada.
No entanto, para virar realidade, o pagamento da verba ainda dependerá da aprovação de outra lei regulamentando os critérios e o valor do auxílio. “Precisaremos de outra lei, mas conseguimos o compromisso do governo”, disse Mara.
O projeto, apelidado de Lei Brasileira da Inclusão, define o que é considerado deficiência e prevê atendimento prioritário em órgãos públicos. Diversos pontos no projeto exigirão ainda uma adaptação por parte das empresas. O texto estabelece que as companhias que têm entre 50 e 99 funcionários precisarão contratar ao menos uma pessoa com deficiência.
A proposta também proíbe que as escolas privadas cobrem mensalidades mais caras para alunos com deficiência. Planos de saúde tampouco poderão discriminar a pessoa em razão da sua deficiência.
A matéria estabelece, ainda, que pronunciamentos oficiais, propaganda eleitoral obrigatória e debates transmitidos pelas emissoras de televisão precisarão ser acessíveis às pessoas com deficiência, como o uso de um intérprete da Língua Brasileira de Sinais.

Após cirurgia e batalha judicial, menina arrisca os primeiros passos em SP.

Eduardo Schiavoni Do UOL, em Americana

Júlia Marcheti Ferraz (esq.) voltou para casa após cirurgia nos EUA
Júlia Marcheti Ferraz (esq.) voltou para casa após cirurgia nos EUA

A menina Júlia Marcheti Ferraz, 5, que passou por uma cirurgia de medula nos Estados Unidos no início de fevereiro, desembarcou no Brasil na noite de quarta-feira (4) e já está na casa dos pais em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Júlia, que tem paralisia cerebral, ficou um mês em recuperação no St. Louis Children's Hospital, nos Estados Unidos e, depois do procedimento, já fica em pé e esboça seus primeiros passos. Ela também já voltou à escola e começa a fisioterapia na segunda-feira (9).
Segundo o pai da menina, Alexandre Ferraz, Júlia já foi à escola hoje, onde também foi recebida com uma festa. Em relação ao processo de fisioterapia, ele informou que serão cinco dias por semana de atividades para que Júlia recupere plenamente as funções motoras. A expectativa é que, em 120 dias, ela já caminhe normalmente sem a ajuda de aparelhos.

"Será uma rotina intensa onde seguiremos o programa feito nos Estados Unidos. Ela ainda está se acostumando com o horário brasileiro, mas já começou a viver novamente sua rotina. Acreditamos que isso vai ser fundamental pra ela", disse Alexandre.

A família de Júlia ingressou com a ação desde o ano passado na Justiça Federal pedindo que o governo brasileiro bancasse o procedimento nos Estados Unidos. O custo do procedimento foi de aproximadamente R$ 150 mil. No Brasil, o procedimento é realizado pelo SUS em casos até mais severos da deficiência, a partir do grau 2. Desde 2010, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, unidade na qual a menina fazia tratamento, realizou 19 cirurgias de rizotomia dorsal. Segundo informação do Ministério da Saúde, a família teria preferido entrar na justiça para garantir a cirurgia fora do país.

A Justiça concedeu o pedido, mas o governo recorreu, em dezembro, e o dinheiro chegou a ser congelado. Só em janeiro, depois de correr o risco de perder a vaga no hospital norte-americano, os recursos foram definitivamente liberados e a operação foi realizada em 6 de fevereiro.

Após acompanhar os primeiros momentos da recuperação da filha, Alexandre Ferraz voltou ao Brasil em 9 de fevereiro. Após o período de recuperação, que durou um mês, Júlia e a mãe regressaram ao Brasil, onde o trabalho de fisioterapia seguirá.

Júlia e a mãe, Ana Paula, desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde foram recebidas pelo pai da menina, Alexandre Ferraz. Depois, a família seguiu para Ribeirão Preto, onde Júlia foi recebida com uma festa no prédio onde mora e reencontrou a irmã Cecília. "Foi uma recepção maravilhosa. Minha família está junta de novo, a Júlia já está quase andando. Meu coração está completo", disse.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Capoeira Inclusiva

O que começara apenas como uma simples vivência voluntária em busca de motivação pessoal tornou-se uma das maiores modalidades de ACESSIBILIDADE CULTURAL E DESENVOLVIMENTO HUMANO.


Por: Frederico Rios



  roda 1

Hoje, após 15 anos de trabalho, a Capoeira Inclusiva é uma atividade de referência internacional, em decorrência dos encaminhamentos sistematizados e fundamentados – tanto na prática como na teoria – e das várias áreas do conhecimento que permeiam nosso trabalho. 

O projeto atende pessoas com Síndrome de Down, déficit intelectual, deficientes visuais, deficientes auditivos, pessoas com paralisia cerebral, dentre outros, integrando-os em eventos, rodas públicas e apresentações com outras pessoas ditas “normais”, a fim de atender alguns quesitos básicos como o convívio social e a garantia de sua participação efetiva no processo de construção da cidadania em âmbito geral.


Recentemente, publicamos a primeira literatura com o tema Capoeira Inclusiva: “De mãos dadas e sem se olharem”, a qual foi muito bem recebida por pessoas que trabalham e convivem com inclusão, servindo como base para implantar a modalidade sob nossa assessoria em vários locais do Brasil e em mais de 30 países.

Click AQUI  para ver o outro vídeo:

Conheça e colabore com nosso projeto!

Prof. Josimar Araujo (
Instrutor “Vermelho”) - Neuropsicopedagogo
E-mail: abadacapoeirainclusiva@gmail.com
Telefone: (67) 9264-3070
Campo Grande – MS



Rua esburacada obriga deficiente a ir de carro para trabalho a 30 m de casa.

Homem tem marcenaria na rua T-15, segundo distrito de Ji-Paraná, RO. Via tem situação complicada e necessita de alto investimento, diz secretário.

Pâmela Fernandes Do G1 RO

   Jair Cardozo mora a cerca de 30 metros da marcenaria que é proprietário (Foto: Pâmela Fernandes/G1)
Jair Cardozo mora a cerca de 30 metros da marcenaria que é proprietário (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

No período chuvoso diversas ruas em Ji-Paraná (RO), a 374 quilômetros da capital Porto Velho, ficam com condições precárias. O marceneiro Jair Cardoso Filho mora há quase 30 anos na rua T-15, segundo distrito do município, onde, segundo ele, a situação se repete ano após ano. Além da residência, o morador também tem uma marcenaria na mesma via. Cardoso é portador de deficiência física nos membros inferiores e para conseguir chegar ao trabalho, distante cerca de 30 metros da residência onde mora, é obrigado a usar o carro.

Para caminhar, Jair é auxiliado por muletas, a casa e comércio ficam praticamente de frente uma da outra, mas mesmo assim ele é obrigado a utilizar o veículo todos os dias para ir para o trabalho. "Eu preciso vir de carro. Desço um pouquinho a rua e faço a curva. Se eu passar pelos buracos caminhando, eu vou cair neles", comenta Cardoso.
O morador conta que vive o mesmo drama há muito tempo."Todos os anos é a mesma situação, ou até mesmo pior. Neste ano, antes de começar a chuvas, eles vieram e jogaram umas pedras e amenizou um pouco", fala. Jair afirma que já procurou autoridades para solucionar o problema, mas não foi atendido.
Além das dificuldades para a locomoção, os buracos também dão prejuízos ao comércio. Conforme o marceneiro, para levar madeira ou retirar os móveis produzidos é sempre complicado, pois a dificuldade para chegar ao local com veículos é grande. "Um caminhão veio aqui para retirar móveis e trazer madeira e foi preciso uma pá carregadeira descarregar. É difícil, mas nem por isso a gente pode desanimar", diz Filho.
Situação da rua é precária e piora no período chuvoso (Foto: Pâmela Fernandes/G1)Situação da rua é precária e piora no período
chuvoso (Foto: Pâmela Fernandes/G1)
De acordo com o secretário municipal de Planejamento, Pedro Sobrinho, cerca de 300 quilômetros de ruas no município não estão pavimentadas e a situação de ruas, como a T-15, são casos mais complicado de se solucionar. "Em locais mais baixos, como é o caso, é necessário fazer drenagem e movimentação de terra. A prefeitura nem sempre tem recurso e o convênio nem sempre condiz com a nossa necessidade", justifica.
O secretário alega que ainda não há previsão para arrumar a rua em que mora Jair. "O ideal seria pegar um trecho e resolver ele, mas às vezes eu não tenho dinheiro para fazer, então fazemos uma obra paliativa", finaliza Sobrinho.
Fonte: g1.globo.com

Equipamento desenvolvido por engenheiro britânico substitui rampas.


                   

Um dos problemas sérios no Brasil é a acessibilidade arquitetônica. No Reino Unido, um engenheiro criou um  sistema inovador que garante o acesso de todas as pessoas  num prédio, por exemplo,  fornecendo uma solução discreta e esteticamente agradável. O nome desse equipamento é Sesame de Allgood Trio. Esse sistema não ocupa lugar e é mais seguro que uma rampa.
Tecnologicamente avançado, o sistema de Sesame Allgood Trio  é adaptado para cada entrada do local. O segredo para o sistema é a maneira que a plataforma do elevador da escada retrátil está instalado debaixo das escadas existentes, utilizando as escadas no processo. Isto significa então que, quando não estiver em uso, o sistema Sesame não pode ser visto e a estética do edifício não é afetada. Uma vez ativado, o sistema retrai as escadas existentes para revelar o elevador que pode ser programado para funcionar automaticamente ou com o toque de um botão. O resultado é um elevador de escada oculta que é fácil de usar, mantém a estética do edifício existente, enquanto não ocupa espaço, quando não estiver em uso.

Comitê Paralímpico Brasileiro divulga mudanças para a edição 2015 das Paralimpíadas Escolares.

   

O Comitê Paralímpico Brasileiro informa que a edição 2015 das Paralimpíadas Escolares terá algumas mudanças em relação a 2014. Entre as alterações estão o número de modalidades, faixa etária dos competidores e quantidade de atletas inscritos no atletismo e na natação.
Neste ano, a maior competição paralímpica escolar voltar a oferecer disputas 10 modalidades (atletismo, bocha, natação, judô, goalball, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, voleibol sentado, futebol de 5 e futebol de 7). Contudo, as disputas de voleibol, futebol de 5 e futebol de 7 só serão confirmadas se, pelo menos, cinco equipes se inscreverem.
A faixa etária mudou apenas para a bocha. Na edição 2015, os atletas precisam ter de 13 a 17 anos de idade e podem ter até 6 atletas inscritos. Nas demais modalidades, a faixa etária continua a mesma da última edição: 14 a 17 anos.
Quanto ao número de inscritos para as provas de atletismo e natação, cada estado poderá inscrever, em cada gênero, até dois atletas com deficiência visual, até dois com intelectual e até quatro alunos com deficiência física.
As alterações estarão no regulamento da competição, que será publicado em abril, junto com a confirmação da sede das Paralimpíadas Escolares 2015.
Assessoria de imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Rafael Maranhão
Ivo Felipe
Nádia Medeiros
Rafael Moura
Thiago Rizerio

Câmara dos Deputados aprova Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Projeto determina normas de acessibilidade, transporte, moradia e atendimento de saúde.

Carolina Martins, do R7, em Brasília


                                  Imagem Internet
                                  

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (5), a Lei Brasileira de Inclusão de Pessoas com Deficiência. Conhecido como Estatuto da Pessoa com Deficiência, o texto cria normas para garantir acessibilidade, transporte, moradia e atendimento de saúde específico para pessoas com algum tipo de deficiência.
Entre as novidades, o texto estabelece que 3% das casas construídas pelos programas de habitação do governo sejam destinadas às pessoas com deficiência. Além disso, o Estatuto prevê ainda o pagamento de um auxílio-reclusão às pessoas com deficiência grave ou moderada. Quanto a esse trecho, no entanto, lideranças do governo no Congresso já sinalizaram que pode haver veto do Planalto.
Na Câmara, o projeto teve a relatoria da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que ficou tetraplégica após sofre um acidente de carro. A deputada recebeu vários elogios e foi cumprimentada pelos colegas em plenário pela dedicação no trabalho de garantir os direitos das pessoas com deficiência.
Mudanças no texto
Após a aprovação do texto-base, a Câmara apreciou os destaques, que são propostas de modificação de algum ponto específico do projeto.
O primeiro destaque apreciado, apresentado pelo PRB, pedia a retirada do texto de um inciso que garantia o respeito à identidade de gênero e à orientação sexual nos serviços de atendimento à saúde para pessoas com deficiência.
O deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF) subiu na tribuna para defender o destaque e a retirada do inciso do texto. Segundo ele, manter essa especificidade daria privilégio aos homossexuais.
-- Se o homossexual já é deficiente, o que já é uma perda muito grande, ele já está sendo atendido aqui no Estatuto. Pessoas com deficiência é qualquer uma. Por que dar um privilégio a quem é homossexual? Questão de saúde para um deficiente, não importa a cor dele nem a nacionalidade dele. Agora vamos privilegiar? Só porque ele é homossexual ele vai ter preferência?
Já o PSOL se manifestou a favor da manutenção do inciso no texto, mantendo as especificidades para os homossexuais. O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) foi à tribuna lembrar que ocultá-los do texto não faria com que os homossexuais com deficiência deixem de existir.
-- Não se trata de privilégio, como disse de maneira desonesta o deputado Ronaldo Fonseca, se trata de observar que há especificidade para pessoas com deficiência que são homossexuais e que devem ser respeitadas.
Em uma votação apertada, o plenário decidiu manter a garantia de respeito à orientação sexual e à identidade de gênero para pessoas com deficiência no SUS (Sistema Único de Saúde).
Preconceito na TV
O destaque que alterou o texto-base diz respeito a um inciso que previa a cessação imediata da transmissão de programas de rádio e televisão que exibissem mensagens preconceituosas contra pessoas com deficiência.
Alegando o direito ao contraditório e a impossibilidade das redes de televisão e de rádio controlarem o que vai ser dito em entrevistas realizadas ao vivo, por exemplo, o deputado Celso Russomanno (PRB-SP), defendeu a retirada do dispositivo do texto e foi acompanhado pela maioria do plenário.
Como o texto sofreu modificações, o projeto volta ao Senado Federal antes de seguir para sanção da presidente Dilma Rousseff.​
Fonte: noticias.r7.com -  Imagem Internet

quinta-feira, 5 de março de 2015

Doenças raras ainda representam desafio para saúde pública.

No dia 28 de fevereiro, é relembrado o Dia Mundial de Doenças Raras para alertar a população sobre a incidência destas enfermidades e as dificuldades que seus portadores enfrentam no cotidiano. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 400 milhões de pessoas no mundo sofrem com doenças raras (DR).

Saúde - uma cruz vermelha feita por band-aids vermelhos.

O desafio torna-se ainda maior considerando que 95% delas não possuem tratamento específico e dependem de uma rede de cuidados paliativos bem estruturada, que assegure uma melhor qualidade de vida aos pacientes atendidos. Mas a questão reside também no significado do termo, não havendo unanimidade em torno do conceito “doença rara”.

A maioria dos especialistas afirma que DR é aquela que afeta apenas uma pequena parcela da população. Por outro lado, algumas já se tornaram mais incidentes e o termo “rara” passou a ser questionado.

Analisando os conceitos adotados em diversos países, é possível situar as doenças raras na faixa das que possuem prevalência máxima variável de 0,5 a 7 por 10.000 habitantes.

Apesar da denominação geral, algumas doenças podem ser consideradas “menos” raras em uma população do que na outra, como por exemplo a mucoviscidose, mais frequente nas populações caucasianas, explica a professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Magda Carneiro Sampaio. “Por outro lado, a doença falciforme (também conhecida como anemia falciforme) não é uma doença rara na nossa população, porque é mais comum em descendentes de africanos como somos a maior parte dos brasileiros”, pondera.

De acordo com Sampaio, as distrofias musculares, hemofilias, neurofibromatose, angioedema hereditário, erros inatos do metabolismo e imunodeficiências primárias já configuram como doenças nem tão “raras” no Brasil.

Histórico

Até o início dos anos 80, haviam poucas iniciativas no sentido de encarar as doenças raras como uma questão de saúde pública. Graças à atuação das organizações de pacientes e movimentos sociais, alguns avanços podem ser citados, como a criação, em janeiro de 2014, da Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com médica geneticista e coordenadora clínica do Centro de Genética Médica do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), Dafne Horovitz, existem mais de 7 mil doenças raras, sendo que 80% delas são de origem genética: as demais podem ser ocasionadas por infecções bacterianas, virais ou causas degenerativas.

Elas afetam, sobretudo, crianças de 0 a 5 anos, contribuindo para a morbimortalidade nos primeiros 18 anos de vida. “Lidamos com estas doenças no dia-a-dia. Algumas já são tão frequentes que não mais podem ser consideradas raras, como a Síndrome de Down”, pondera.

A especialista explica que, para ser considerada rara, uma doença deve atingir 1,3 pessoas a cada duas mil. De acordo com dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), há 13 milhões de pessoas com doenças raras no Brasil.

A geneticista do IFF conta que as discussões a respeito do tema se fortaleceram em 2012, quando foi criado um Grupo de Trabalho (GT) para elaborar a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com doenças raras, envolvendo técnicos que trabalham com doenças raras, usuários do SUS, profissionais do Ministério da Saúde e da Coordenação Geral de Média e Alta Complexidade (CGMAC). “Esta portaria tem importância estratégica ao reconhecer os pacientes com doenças raras com um grupo importante, prevendo atenção integral e instituindo a necessidade da presença de um geneticista nos centros que tratam estas enfermidades, além do aconeselhamento genético”, acrescenta.

Avanços e perspectivas

Madga Sampaio destaca que os grandes progressos da genética molecular têm permitido a identificação das mutações gênicas que causam muitas dessas enfermidades. “Com isso, o aconselhamento genético, fundamental para a prevenção do aparecimento de novos casos, pode ser feito de forma mais segura”, afirma.

A professora, que também é presidente do Conselho Diretor do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC FMUSP), aponta que, em determinadas doenças, a identificação de portadores de mutações pode ser importante.

Por outro lado, em algumas doenças, o avanço da genética já tem permitido a terapia gênica, na qual se insere o gene “sadio” no DNA do paciente portador de determinadas mutações, em especial quando se trata de doenças ligadas ao cromossoma X. “Algumas imunodeficiências primárias constituem exemplo de boas perspectivas de terapia gênica, com resultados bem sucedidos para algumas formas de imunodeficiência combinada grave”, conclui.

O diagnóstico precoce e preciso, a qualificação de profissionais, a existência de infraestrutura adequada e o acesso garantido a medicamentos e tratamentos seguros são alguns dos caminhos que podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes com doenças que, em alguns casos, não são mais tão raras e demandam políticas específicas de atenção, prevenção e promoção da saúde.

Fontes:  Fundação Oswaldo Cruz - www.inclusive.org.br

Pessoas com deficiência não devem ser esquecidas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Para três especialistas independentes de direitos humanos da ONU, a agenda de desenvolvimento pós-2015 oferece uma oportunidade única para garantir que 1 bilhão de pessoas com deficiência tenha sua voz ouvida.

                   Catalina Devandas, com uma parte do mapa da America Latina no fundo.

“15% da população mundial – um bilhão de pessoas –  é formado por pessoas com deficiência, e seus direitos não podem ser ignorados”, advertiu um grupo de especialistas de direitos humanos da ONU, nesta sexta-feira (20). Seu apelo acontece após o encerramento da Segunda Sessão de Negociações Internacionais sobre a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, onde pediram a inclusão desse grupo de pessoas no novo acordo universal.

Em setembro de 2015, 17 novos objetivos devem ser adotados em substituição os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Para três especialistas em direitos humanos da ONU, a decisão dessa nova agenda fornece uma oportunidade única para garantir que as pessoas com deficiência sejam, não só mais visíveis, mas também participem desse processo.

A relatora especial sobre o Direitos das Pessoas com Deficiência, Catalina Devandas Aguilar, frisou que a “inclusão das pessoas com deficiência nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é fundamental, se queremos alcançar o desenvolvimento sustentável que é genuinamente baseado nos direitos”. Também destacou que esse compromisso deve ser refletido no documento final para o financiamento dessa agenda.

Segundo ela, os ODM não contemplaram as pessoas com deficiência, mas os avanços no novo acordo são promissores nesta inclusão. “No momento em que entramos nas etapas finais de negociação dos SDG, é imperativo manter as importantes conquistas que já conseguimos e que a comunidade global cumpra sua promessa de garantir direitos humanos e desenvolvimento para todos, inclusive as pessoas com deficiência.”

Para a relatora independente sobre o Direito à Alimentação, Hilal Elver, a segurança alimentar dessas pessoas é uma prioridade. Estima-se que 805 milhõesestão cronicamente desnutridas e como muitas pessoas com deficiência vivem em absoluta pobreza, as necessidades dessas duas populações se cruzam.

Os Estados são responsáveis por assegurar que as pessoas vulneráveis e marginalizadas, incluindo aquelas com deficiência, tenham acesso a alimentos nutritivos e adequados, enfatizou.

Já a nova especialista independente da ONU para os Direitos dos Idosos, Rosa Kornfeld-Matte, pediu aos Estados-Membros uma atenção particular para os mais velhos com deficiência., incluindo a garantia ao acesso a diferentes serviços como a atenção médica e proteção social e programas de redução da pobreza.

Fontes: ONU Brasil - www.inclusive.org.br

Sem acessibilidade no Fórum, juiz sugere troca de advogado cadeirante.

Caso aconteceu no município de São Francisco de Paula, na Serra. Advogado já perdeu duas audiências no segundo andar do Fórum.

por GuilhermeFadanelliDa RBS TV.


O aposentado Júlio Cesar Canani e seu advogado, Dilto Marques Nunes, em frente ao Fórum de São Francisco de Paula (Foto: Reprodução/RBS TV)

Um advogado cadeirante que atua no Rio Grande do Sul vem enfrentando dificuldades de acessibilidade e diz que sofre situações de preconceito no Fórum de São Francisco de Paula, na Serra. Dilto Marques Nunes já perdeu duas audiências porque o prédio não possui elevador e a estrutura necessária para deslocamento interno.

Ele afirma que o juiz, além de negar pedidos para que os encontros fossem realizados no térreo, sugeriu que seu cliente trocasse de defensor por conta dos problemas de acessibilidade. “O maior problema é que estou me sentindo prejudicial à Justiça. Passo a ser, em vez de uma peça essencial, um obstáculo à aplicação da lei”, afirma Dilto, que teve dois pedidos negados para que as audiências fossem realizadas no térreo do Fórum.

Click AQUI para ver o vídeo.

O cliente dele, o aposentado Júlio Cesar Canani, confirma a “sugestão” do magistrado. “Ele disse pra mim: ‘Por que tu não botou um outro advogado? Sabia que ia ser assim’. Aí ele quis me colocar um advogado do Estado. Eu recusei. Disse que não aceito porque já tenho o meu advogado. Isso não existe”, relata.

Dilto solicitou a anulação da primeira audiência do caso. Além de acatar o pedido, o Tribunal de Justiça (TJ-RS) também garantiu ao cliente a escolha do advogado e o direito à acessibilidade. Dilto seguiu no caso e, em dezembro do ano passado, chegou a ligar um dia antes de uma outra audiência para pedir que ela fosse realizada no térreo. Mais uma vez, porém, teve o pedido negado.

“Não posso crer que um país que clama pela igualdade, por justiça e, sobretudo, por serenidade, honestidade, possa resumir as coisas desta maneira. Eu não consigo chegar na sala de audiências, não consigo trabalhar. Tenho família, tenho filhos, pensão para pagar. Até hoje não tenho resposta”, critica Dilto.

O juiz Carlos Eduardo Lima Pinto não quis gravar entrevista. Em conversa por telefone, o magistrado afirmou que o prédio do Fórum de São Francisco de Paula é da década de 1960 e que, por isso, não conta com equipamentos de acessibilidade. Além disso, informou que não foi possível transferir os encontros para o térreo devido à falta de recursos técnicos, como computador com o programa que é usado pelo judiciário.

De acordo com o TJ-RS, o juiz foi orientado pela Corregedoria a fazer os ajustes necessários para realizar as audiências no térreo para que o problema não se repita. “Espero que se faça justiça. Não poderia trabalhar se não acreditasse no que faço”, desabafa o advogado.

A equipe da RBS TV, que visitou o Fórum de São Francisco de Paula para mostrar os problemas de acessibilidade do local, não teve autorização para entrar no prédio. A decisão de barrar a reportagem foi do próprio juiz Carlos Eduardo Lima Pinto.


Estilista lança coleção de alta-costura para deficientes.

Moledos mostram criação de Antonio Urzi durante a Semana de Moda de Milão: além de cores e da beleza, o objetivo é trabalhar a diversidade e a imperfeição na moda.

  

Milão - O estilista italiano Antonio Urzi, que já vestiu celebridades como Lady Gaga e Beyoncé, revolucionou a Semana de Moda de Milão ao apresentar a primeira coleção de Alta-costura para deficientes.

Conhecido por seu trabalho na Armani, onde criou obras-primas para Jennifer Lopez, Rihanna e Britney Spears, dessa vez Urzi vestiu Jack Eyers, modelo amputado de 25 anos, cuja presença nas passarelas causou estranheza, já que a deficiência não é comum no mundo da moda.

“Minha vida mudou totalmente, sinto como se tivesse dado uma volta inteira em uma montanha russa”, confessa Eyers, que devido a uma má-formação congênita na perna direita teve que amputá-la aos 16 anos.

“Fusão com a perna”, diz ao mostrar a prótese que Urzi incorporou aos desenhos que apresenta em Milão, armaduras futuristas metalizadas em que ao invés de esconder, a falta da perna é explorada com naturalidade.

Deficiência, um acessório a mais

“Urzi usou minha perna mecânica, a deficiência, como um acessório que faz parte da mesma criação. É algo genial”, diz o atlético modelo, porta-voz da “Modelos da Diversidade”, uma agência especializada em promover a diversidade nas passarelas.

O estilista italiano, eclético e autodidata, que foi dançarino de discoteca, é especialista em usar materiais rígidos, como o alumínio e o acrílico.
Pela primeira vez a famosa passarela de Milão abre suas portas para uma coleção de peças de luxo para deficientes como um convite a encarar o problema.

“As grandes marcas deveriam começar a pensar de forma diferente e a contribuir, porque o mundo está cheio de deficientes que querem aparecer como nós”, disse Urzi.

“Se alguém perde o braço ou sua perna há algo diferente do ponto de vista artístico, e posso criar uma escultura”, explica o estilista enquanto prepara o desfile com o lema “static dynamic” (estático dinâmico).

Depois das participações em Nova York e de uma iniciativa organizada pela FTL Moda em colaboração com a Fundação Vertical, uma associação italiana que trabalha para promover a pesquisa de lesões da medula espinhal, Antonio Urzi promove a normalização das deficiências na moda.

“Estamos prontos para isso”, reconhece a presidente da FTL, Ilaria Nicolini.

“Com esse desfile mostramos ao mundo que os lugares de maior prestígio da moda estão dispostos a abrir as portas aos deficientes”, diz satisfeita.

Deficientes em todas as passarelas

Além de cores e da beleza, o objetivo é aceitar a diversidade e a imperfeição na moda . “Muitos temem que desfilemos  porque não querem chocar o público”, confessa o modelo.

“Têm medo, não sabem como nos empregar, como se apresenta uma roupa em uma pessoa em cadeira de rodas ou com um membro amputado. Não querem também que o modelo apareça mais do que as roupas”, explica.

Desde que desfilou pela primeira vez em 2012, durante os Jogos Paralímpicos de Londres, Eyers já fez várias campanhas publicitárias.
“Quando temos a impressão de ser belos, nos sentimos bem. Integrar à moda as pessoas com deficiência eleva a moral”, acrescenta.

O modelo espera também que em poucos anos a moda e a deficiência desfilem de mãos dadas em todas as passarelas do mundo.

Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência é aprovada em Brasília.

                                    Os prédios do Congresso Nacional

A criação da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência foi aprovada pela mesa diretora da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25). A comissão será formada por 20 deputados e tratará as matérias relativas sobre a temática.

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência é a 23º comissão permanente da Câmara. Entre as responsabilidades do colegiado está a análise de todas as matérias atinentes às pessoas com deficiência, pelo recebimento, avaliação e investigação de denúncias relativas a ameaça ou violação dos direitos das pessoas com deficiência, pesquisas e estudos científicos, inclusive aqueles que utilizem células-tronco, que visem melhorar as condições de vida das pessoas com deficiência, colaboração com entidades não governamentais, nacionais e internacionais, que atuem na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, acompanhamento de ações tomadas em âmbito internacional por instituições multilaterais, estados estrangeiros e organizações não governamentais internacionais nas áreas da tutela da pessoa com deficiência e acompanhamento da ação dos conselhos de direitos das pessoas com deficiências, instalados nos municípios, estados, Distrito Federal e União.

A proposta consta do projeto de Resolução 20/11, da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), 3ª secretária da Mesa, e dos ex-deputados Rosinha da Adefal e Walter Tosta.

Com informações da Câmara dos Deputados.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Sem patrocínio, paratleta Rogério Lima faz rifa e analisa proposta de deixar RO.

Rogério Lima, paratleta de Porto Velho, está rifando uma panela de arroz elétrica e um tablet para arrecadar fundos e conseguir disputar o Brasileiro de Paratrithlon, na PB.

Por Porto Velho


                                          Rogério Lima, paratleta de RO (Foto: Daniele Lira)
                                             Rogério Lima, paratleta de RO (Foto: Daniele Lira)


Acostumado a correr nas pistas em busca do pódio, o paratleta Rogério Lima também está correndo atrás de patrocínio. Há menos de um mês da primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Paratriathlon, que será realizado no dia 7 de março em João Pessoa (PB), o rondoniense faz campanha para arrecadar fundos e comprar a passagem. Sem perspectiva de conseguir ajuda do governo e de olho nas Paralimpíadas de 2016, Rogério pensa em deixar de competir por Rondônia.


Tentando arrecadar fundos, o atleta vende rifas a R$ 10, para o sorteio de um tablet e uma panela de arroz elétrica, mas conta que está difícil conseguir ajuda. Como deixou de trabalhar para seguir a carreira de atleta profissional, precisa de ajuda de amigos e tenta patrocínio para competir e se sustentar.

- Estou correndo contra o tempo, tenho os amigos que podem me ajudar e vendo rifas para tentar arrecadar o dinheiro das passagens. Se eu não conseguir, fico de fora da competição e mais longe de conseguir uma vaga nas Paralimpíadas. Cada disputa vale pontos para o ranking, e se eu não for eu perco pontos, pois já estou inscrito. Por isso estou fazendo a rifa, mas para mim é horrível ter que estar nessa posição, quase mendigando ajuda. Como posso incentivar os jovens a praticar e ter uma vida decente no esporte se nem eu consigo ter? - questiona Rogério.

O representante rondoniense da categoria PT1 do paratriathlon precisa estar na capital paraibana no dia 27 de março, mas teme não conseguir chegar a tempo. Depois de se preparar mais de um ano para a competição que pode garantir preciosos pontos no ranking, Rogério conta que a viagem de ônibus não é uma alternativa.

- Essa é a primeira competição do ano, e eu estou com medo de não conseguir participar. Não tive férias e estou treinando desde o ano passado. Tenho medo de todo o meu esforço ter sido em vão. Ainda pensei em ir de ônibus, mas seria muito penoso para mim, como cadeirante, passar cinco dias na estrada, sem contar que eu corria o risco de danificar meus equipamentos e até mesmo de não chegar a tempo, já que estão acontecendo manifestações nas estradas.

Rogério Lim
Campanha para o paratleta Rogério Lima (Foto: Daniele Lira)Campanha para o paratleta Rogério Lima tem a ajuda da paratleta mirim Sarah Kayani (Foto: Daniele Lira)

Apesar do esforço, Rogério Lima pode deixar Rondônia para competir por outro estado. Atualmente, ele analisa propostas e, até o meio do ano, deve decidir onde vai se preparar para conquistar um dos três primeiros lugares no ranking nacional e disputar pelo Brasil no mundial de 2016.

- Só esse ano eu tenho 11 competições mundiais. Se não consigo apoio para participar das nacionais, imagina das internacionais. Estou pensando em sair de Rondônia no meio do ano e ir para algum estado onde eu receba ajuda. Nasci e cresci aqui, não queria ter que deixar o estado que eu amo. Mas infelizmente não tenho condições de viver aqui. Não tenho apoio nem ajuda, vivo do esporte e preciso sustentar minha família. Está difícil representar Rondônia. Atletas de outras modalidades passam pela mesma coisa que eu, e com isso o estado só perde. Recebi uma proposta do Amazonas, e ainda não fui porque quis acreditar que os governantes iam me ajudar. Mas as paralimpíadas já são no próximo ano e eu não posso mais esperar por uma ajuda que eu sei que não vai chegar.


Rogério Lima (Foto: Rogério Lima/Facebook)
Rogério Lima (Foto: Rogério Lima/Facebook)


Campanha para a handbike

Em 2014, Rogério fez uma campanha para conseguir comprar uma handbike. Sem conseguir arrecadar nem metade dos R$18mil previstos para a aquisição da cadeira, o paratleta, que deixou de participar de alguns campeonatos, comprou o objeto parcelado e uma de qualidade inferior.

- Finalmente consegui comprar a minha handbike. Não tinha mais como ficar sem, pois estava perdendo muitos campeonatos. Ela ainda está parcelada e é inferior a que eu tinha planejado. É bem mais pesada que a dos meus adversários, mas já dá para competir e tentar uma boa posição - finaliza Rogério.

Fonte: globoesporte.globo.com

Produtos de última geração favorecem somente aos deficientes de alto poder aquisitivo.

Por Vera Garcia*
Imgem de uma cadeira de rodas motorizada top de linha e uma prótese de alto valor.
São inúmeros os dispositivos e próteses para facilitar a comunicação e a locomoção de pessoas com deficiência. O Brasil dispõe do que há mais moderno no mundo na área de próteses. Porém, segundo a Abotec (Associação Brasileira de Ortopedia Técnica), menos de 3% dos deficientes físicos brasileiros conseguem ter acesso a essa alta tecnologia devido aos altíssimos preços desses produtos.
Lamentavelmente somente tem acesso a essas próteses e dispositivos de última geração, pessoas com deficiência com alto poder aquisitivo. Ou seja além de você ter uma deficiência você precisa ser rico. Por exemplo, como um amputado do membro superior direito, de baixo poder aquisitivo, terá acesso a uma prótese de última geração que tem o custo de R$250.000,00? No mínimo só através de doação, como foi o caso do ciclista que perdeu um braço após ser atropelado na Avenida Paulista, em São Paulo.
Falo isso com propriedade,  porque no meu caso por exemplo, amputada do membro superior direito, não uso prótese até hoje. Primeiro, porque acho um absurdo pagar R$14.000,00 (baseado na última pesquisa que fiz há alguns anos atrás)  em uma prótese básica somente para estética, e segundo porque não terei acesso a uma prótese de última geração por causa do valor.  E Alguém pode perguntar e  o SUS? Infelizmente todo mundo sabe que esse sistema funciona precariamente e só atende casos de produtos básicos. Linha de crédito de acessibilidade da presidente Dilma? Acredito que deve ser também somente para algo básico e precisa estar listado na Portaria Interministerial. Me parece que nessa lista tem 250 produtos.
Um outro exemplo é o óculos de realidade virtual que a canadense Kathy Beitz que tem doença degenerativa, e a deixou com cegueira funcional, conseguiu ver seu filho recém-nascido. Achei  fantástica essa matéria, entretanto fico imaginando qual será o custo desse produto quando ele chegar no Brasil.
E quanto ao preço de uma cadeira de rodas motorizada top de linha? Se uma cadeira de rodas básica já é difícil adquirir, imagine uma motorizada.
Infelizmente nosso país está bem longe de promover a independência, autonomia e garantir a dignidade da pessoa com deficiência. Se dificilmente encontramos rampas de acesso, banheiro adaptado e dispositivo de sinalização para cegos em ruas, tendo em vista que isto é um princípio constitucional, o básico que um país pode oferecer para garantir a inclusão inclusão social, o que podemos esperar do acesso a  produtos tecnológicos  de valores altíssimos?
E você tem ou teve acesso a algum produto de alta tecnologia? Como conseguiu? Se não tem, o que pensa a respeito disso? Deixe seu comentário!
**Vera Garcia: Blogueira, pedagoga, criadora e administradora dos blogs Namoro Poderoso e Deficiente Ciente.