sábado, 14 de março de 2015

Saiba quais são os riscos de não ler o rótulo dos medicamentos.

A servente Michele Moreira costuma guardar os medicamentos que tem em casa sempre no mesmo local.


Mesmo assim, ela conta que já tomou remédio errado várias vezes porque sempre esquece de conferir o rótulo do frasco. "Ás vezes eu não leio as embalagens e coloco um perto do outro. Igual uma vez que eu senti dor de ouvido, um tempo desse, eu ia colocar dipirona no ouvido, se eu não tivesse lido a embalagem. Ai eu ia trocar, porque eu coloquei os dois juntos, um do lado do outro. A embalagem também confunde a gente. Esse fato sempre acontece comigo, graças a Deus nunca deu outros tipos de reação."
 
Segundo a gerente geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância da Anvisa, Maria Eugênia Cury, a Michele e todas as pessoas precisam ler com bastante atenção os rótulos dos remédios. Maria Eugenia dá dicas para evitar problemas com o uso errado de medicamentos. "Às vezes a gente tem medicamentos que são parecidos, a mesma cor do comprimido, o rótulo é muito parecido. Então, a primeira recomendação é: não guardem os seus medicamentos fora das caixas originais. Não tira tudo e coloque dentro de uma outra embalagem dentro da bolsa. Isso pode gerar confusão. E sempre antes de tomar olhar. São cuidados básicos que todo mundo pode estar fazendo dentro de casa e com essas medidas, a gente pode evitar uma série de problemas com o uso errado de medicamento."
 
A gerente geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância da Anvisa, Maria Eugênia Cury, também explica como deve ser feito o armazenamento de remédios em casa. " Procurar guardar sempre os medicamentos longe de crianças. O importante é que ponha uma etiqueta, que não esconda as informações básicas. De preferência você não guarda-los tudo junto. Sempre lembrando que medicamentos não devem ser guardados nem no banheiro, nem na cozinha. São ambientes onde tem muita umidade. E nem sempre a gente deve ter estoque de medicamento em casa."
 
Tomar medicamento errado pode provocar inchaço, irritações na pele, diarreia, alteração na pressão arterial, palpitações cardíacas e até mesmo a morte. Em caso de ingestão de medicamento errado, a recomendação é buscar ajuda em uma unidade básica de saúde.
 
Fontes: Diane Lourenço/ Agência Saúde

Mercado em expansão – Cresce procura por intérpretes de Libras.

 Segundo especialistas, o mercado de trabalho está aquecido para intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Da Redação                                  


                                   Imagem Internet/Ilustrativa
                                   
Segundo especialistas, o mercado de trabalho está aquecido para intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Segundo o IBGE, o Brasil tem hoje cerca de 10 milhões de surdos e este público circula por todos os lugares: escolas, universidades, eventos sociais, empresas, instituições públicas e privadas. Para que a inserção deste público realmente aconteça, os surdos dependem da intervenção deste profissional, que vem sendo cada vez mais procurado em todo o país.

Considerada a segunda língua oficial do Brasil há mais de dez anos, Libras é uma linguagem essencialmente visual, com o uso de gestos que definem as expressões. Hoje a maior demanda por intérpretes ainda é nas escolas e universidades, mas o mercado, bastante promissor, oferece oportunidades em hospitais, prefeituras, delegacias, supermercados, centros de formação de condutores, entre outros.

Em média, estes profissionais cobram R$ 30/hora para atendimentos individuais como salas de aula, consultórios, provas, e R$ 100/hora em eventos como palestras. Há, ainda, os concursos públicos, que cada vez mais abrem vagas para intérpretes com bons salários e planos de carreira.

Pensando em oferecer qualificação aos profissionais que desejam ingressar nesta área, a Universidade Guarulhos (UnG) está com inscrições abertas para curso de extensão em Libras. São duas opções de turmas, ambas com aulas aos sábados: no Campus Guarulhos-Centro, das 7h40 às 11h; e no Campus Itaquá, com atividades das 12h40 às 16h10. O curso tem duração de 40 horas (de 28/03 a 20/06).

Os interessados podem se inscrever até o dia 17/03, na Secretaria-Geral de um dos campi da UnG. O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 9h às 21h; e aos sábados, das 9h às 15h. O investimento é de R$ 200,00 (parcela única). A atividade é livre. Informações: (11) 2464-2703

Fonte: saci.org.br


Ator entrega prótese do herói 'Homem de Ferro' para menino com deficiência.

Garoto recebeu do ator Robert Downey Jr braço mecânico customizado no estilo da armadura do herói.

   Foto de Robert Downey Jr e Alex, ambos com próteses


Alex é um menino de sete anos, fã de super-heróis que nasceu com uma má formação no braço direito. Apesar do problema, o garoto teve uma ajuda especial de dois especialistas em robótica: Albert Manero, um pesquisador de próteses biônicas de baixo custo, feitas com impressoras 3D, e ninguém menos do que Tony Stark, o Homem de Ferro.

O ator Robert Downey Jr, que interpreta o herói no cinema, participou de uma ação do Collective Project, um programa mantido pela Microsoft e fez uma surpresa a Alex: entregou uma prótese fabricada com a tecnologia do pesquisador, mas customizada no estilo da armadura do Homem de Ferro. O menino testou o braço mecânico e até brincou com o ator.
Veja o vídeo:




Fontes: Zero Hora  - www.vidamaislivre.com.br

PM tem dificuldade para atender casal surdo e mudo.

Condomínio onde vive o casal surdo e mudo: vizinha contou que essa não foi a primeira agressão ao homem.                         

                                              TODODIA Imagem
                                  TODODIA Imagem

Uma briga de um casal surdo e mudo morador no Residencial Peruíbe, no Jardim Minda, em Hortolândia, movimentou a PM (Polícia Militar), na noite de anteontem. Policiais militares foram ao local, mas não conseguiram "comunicação clara" com as partes, que se comunicam por gestos. Um homem foi ferido a faca no braço. Vizinhos relataram que discussões são "frequentes".

Os policiais militares foram acionados, por rádio, para atender à ocorrência de "tentativa de homicídio", segundo o BO (Boletim de Ocorrência) da Polícia Civil. Eles chegaram ao condomínio, que fica na Rua Severino José da Silva, por volta das 20h50. As paredes externas do apartamento do casal tinham marcas de sangue.

De fora do apartamento, pela janela, os policiais militares viram "grande quantidade de sangue pelo chão". Os moradores foram chamados, mas ninguém saiu. De acordo com o BO, os policiais, "temerosos por uma situação pior", invadiram o imóvel, momento em que puderam ver os moradores.

A casa era ocupada pelo auxiliar de escritório R.B.M.G., 50, e a mulher dele, A.L.B.D.F., 39. "Gesticulando", o casal atendeu aos policiais que não conseguiu uma "comunicação clara com os mesmos." O auxiliar tinha um corte no polegar da mão esquerda. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado.

G. foi socorrido à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Nova Hortolândia.

A Prefeitura de Hortolândia, por meio da Secretaria de Saúde, informou que o "procedimento realizado no paciente esfaqueado foi sutura e medicação, além de orientação para cuidados em casa". Ainda segundo a prefeitura, o paciente foi liberado por volta das 22h30 da mesma noite.

A reportagem procurou o casal no condomínio, mas eles não foram encontrados. A subsíndica do local, F.C.G., 42, comentou que, "por se tratar de briga de casal", não se envolveu no assunto. "Se fosse algo de relevância dos moradores, tipo um roubo a um apartamento, com o povo correndo risco, daí a gente se envolve. Isso não é assunto de sindicância."

BRIGAS
Ainda segundo a subsíndica, que também mora no local, o morador, ferido no braço e antebraço esquerdo, recusou socorro médico. "Soube hoje, pela manhã, que ele estava lá, todo ensanguentado, mas não quis ir ao médico. Soube que foi um 'cortinho' pequeno. É que sangra mesmo." A subsíndica não confirmou se as paredes do apartamento estavam ensanguentadas.

Outra moradora, P.D.D.O. A., 41, que trabalha como porteira no condomínio, relatou que o casal "briga com frequência." De acordo com ela, o auxiliar chegou a ser esfaqueado no pescoço durante outra discussão. "Eles vivem brigando. Acho que ela deve ter ciúmes dele, ou algo assim."

sexta-feira, 13 de março de 2015

PESSOA AUTISTA E FAMÍLIA: INCLUSÃO COMEÇA EM CASA.


Nos últimos anos, no Brasil, a temática do autismo tem ganhado cada vez mais relevância através das mobilizações feitas por ativistas, pessoas autistas, familiares nas redes sociais, na mídia e em suas comunidades. Como resultado, o autismo tem sido mais e mais visibilizado na Legislação e nas Políticas Públicas de Saúde, Educação, Assistência Social, Direitos Humanos, dentre outras.
Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) com Status de emenda constitucional. Em 2012, as pessoas autistas foram legalmente reconhecidas como pessoas com deficiência através da sanção da Lei 12.764/2012 – a Lei dos Autistas –  que foi regulamentada pelo Decreto Presidencial 8.368/2014, garantindo por lei a qualificação e o acesso aos serviços públicos de saúde do SUS, à Educação e à Proteção Social para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo, bem como a proteção contra toda forma de discriminação baseada na deficiência.
Os desafios, no entanto, ainda são muitos. A exclusão, o preconceito e o abandono persistem como realidade na vida de muitos autistas e suas famílias. A despeito dos avanços na legislação e no reconhecimento dos direitos, persistem situações como:
  • Escolas particulares que negam matrícula e cobram taxa adicionais, apesar de ser crime previsto em Lei;
  • Irregularidade na oferta de apoios e a falta de planejamento nas escolas públicas o que, apesar dos avanços que precisam ser reconhecidos, são um problema no processo de inclusão;
  • Centros Especializados de Reabilitação (CER) em número insuficientes e baixa cobertura da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para atender à demanda;
  • Muitos autistas em situação que perderam os laços familiares vão parar em instituições similares a asilos, o que é ilegal e fere a dignidade humana;
  • Os municípios contam com poucas residências inclusivas em conformidade com a lei;
  • Não existe ainda uma Política Nacional de Cuidadores e Assistentes Pessoais para garantir esse apoio em domicílio quando necessário, conforme determina o artigo 19 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
A inclusão social das pessoas com autismo deve começar em casa.
Todo autista tem direito de ser acolhido por sua família que deve ser fortalecida, instruída e instrumentalizada para defender os direitos humanos das pessoas com autismo, possibilitando seu pleno desenvolvimento e a inclusão nas sociedade.
Não se perde direitos por ser autista. Crianças, jovens e adultos com autismo gozam dos mesmo direitos e dignidade que as demais pessoas. Sendo que, se necessário, devem ser garantidos os apoios e adaptações razoáveis para o exercício desses direitos.
A CDPD reconhece papel crucial da família  para o desenvolvimento das pessoas autistas e que isso pode ser determinante no enfrentamento das barreiras impostas pela sociedade.
Mesmo assim, é frequente que lhes falte apoio e orientação. É comum ainda que as famílias assimilem preconceitos e concepções equivocadas acerca do autismo e da deficiência que permeiam o meio social, o que pode se constituir num componente reforçador de estigmas e das barreiras que levam à exclusão e segregação.
Apoio e orientação aos familiares, portanto, é fundamental para que elas possam bem desempenhar o papel de defender os direitos e promover o desenvolvimento das pessoas com autismo de maneira inclusiva. As famílias, quando conscientes do seu papel, apoiam a inclusão e empoderam as pessoas com autismo em todos os aspectos da vida para que participem cada vez mais na sociedade.
O dia 2 de abril foi decretado pela organização das Nações Unidas (ONU) o Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo com intuito de fomentar que Governo e Sociedade discutam e repensem a situação das pessoas com autismo sob a ótica dos direitos humanos. A Família, o Estado e a Sociedade devem caminhar juntas combatendo todas as formas de preconceitos e discriminação, construindo um mundo mais inclusivo que permita às pessoas autistas mostrar todo seu potencial.
Nesse dia 2 de abril de 2015, sugerimos as seguintes ações e atividades para conscientizar a cerca dos direitos das pessoas com autismo:
  • Rodas de conversas com autistas e familiares para saber da situação e debater o tema;
  • Visitas a escolas para falar de inclusão;
  • Audiências públicas na câmara municipal e na assembleia legislativa para discutir a situação local, principalmente se a Lei 12.764/2012 está sendo corretamente aplicada e como o Programa do Governo Federal Viver sem Limite está beneficiando as pessoas com autismo no Estado e no seu Município. Você pode pode encontrar o andamento das ações do programa por município no Observatório do Viver sem Limite;
  • Atos públicos como caminhadas, panfletagens, pedágios etc.;
  • Mobilização da mídia (jornais, rádio e TV);
  • Mobilização na Internet e nas redes sociais (sugerimos a  usar a #autismworldday e #inclusaocomecaemcasa).
A Abraça disponibiliza o material que desenvolveu com a temática PESSOA AUTISTA E FAMÍLIA: INCLUSÃO COMEÇA EM CASA, que pode ser utilizado, reproduzido e divulgado sem custos, desde que respeitada a autoria.
Fortaleza, 04 de março de 2015.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA AÇÃO POR DIREITOS DAS PESSOAS COM AUTISMO

A descoberta de um novo sentido.

Saiba mais sobre o implante coclear, procedimento que vem dando novas perspectivas a pessoas com deficiência auditiva.
Por Carolina Oliveira (carollfts@gmail.com) e Vitor Andrade (vitortheandrade@gmail.com)
Em 2014, surgiram na internet vários vídeos de bebês, crianças e adultos com deficiência auditiva escutando pela primeira vez. Como se imagina,  reações de surpresa e emoção com o novo sentido dão o tom desses vídeos. E conforme mais experiências desse tipo enchem os olhos dos espectadores e as páginas do YouTube, a indagação aumenta: o que está possibilitando esse milagre? É algo novo no mercado? Como funciona? A resposta reside no implante coclear, equipamento que substitui a cóclea e permite que deficientes auditivos recuperem a sensibilidade aos sons. A reportagem da Jornalismo Júnior dá mais detalhes sobre essa técnica.
Invenção e chegada ao Brasil
O primeiro implante coclear no mundo foi realizado em 25 de fevereiro de 1957, e, por isso, tal data é considerada o Dia do Implante Coclear. Entretanto, a técnica só começou a se desenvolver mais na década de 1970, sobretudo nos Estados Unidos. No Brasil, o primeiro implante foi feito em 1977 pelo Dr. Pedro Mangabeira Albernarz, que trouxe o equipamento do exterior. À época, o procedimento ainda tinha um modelo primitivo, chamado monocanal, porque só transmitia uma frequência para o usuário, de modo que este não conseguia distinguir os sons, apenas ouvi-los de uma maneira bem limitada. Já em 1984, surgiu o modelo multicanal, que possibilitou uma distinção maior dos sons e fez o implante ser mais requisitado.
Até o governo Collor (1990-1992), o mercado brasileiro vivia sob uma série de medidas protecionistas, dificultando a importação de produtos estrangeiros, que se tornavam muito caros devido aos altos impostos cobrados por esse tipo de mercadoria. Tal restrição se aplicava também aos implantes cocleares.
Diante disso, um grupo foi criado no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) com o objetivo de desenvolver um implante nacional: o FMUSP-1. Ele chegou a ser testado em 10 pacientes, até que o Plano Collor, implantado pelo presidente recém-eleito, derrubou as taxas protecionistas e abriu o mercado brasileiro a produtos externos. Assim, os implantes estrangeiros passaram a ser utilizados em detrimento do FMUSP-1 nacional, uma vez que eram de melhor qualidade. Atualmente, é usado apenas equipamento importado, e a maior empresa do ramo é uma marca australiana, seguida por uma austríaca e uma estadunidense.
Onde o implante coclear atua
(Arte: Carolina Oliveira/Jornalismo Júnior)
Como funciona o implante coclear?
Antes de entender o funcionamento do implante, é preciso entender como funciona nossa audição. Quando o som entra nos ouvidos, ele aciona o tímpano; o tímpano, por sua vez, faz vibrar os ossículos (chamados martelo, bigorna e estribo); esses ossículos, por fim, transmitem o som à cóclea. Todo esse processo serve para intensificar o som, fazendo com que a cóclea vibre cerca de 22 vezes mais do que a vibração inicial do tímpano. A função da cóclea é captar toda essa vibração e transformá-la em impulsos nervosos, que serão então levados ao cérebro pelo nervo auditivo. Uma vez que o som chega ao cérebro, nós estamos, de fato, ouvindo. Ou seja, a cóclea traduz o som, fazendo com que ele seja entendido pelo cérebro.
Pacientes com surdez total geralmente têm problemas na cóclea, fazendo com que ela não consiga captar a vibração do som, e, assim, não possa enviar os impulsos elétricos ao cérebro. E é aí que entra o implante coclear. Ele possui uma série de eletrodos que realizam o papel da cóclea defeituosa ao estimular eletricamente o nervo auditivo.
Deste modo, funciona de forma diferente dos aparelhos convencionais, já que estes apenas aumentam a vibração do som. Nesses casos, se a cóclea está com problemas, as ondas sonoras, ainda que mais potentes, não serão transformadas em impulsos elétricos e, dessa forma, não chegarão ao cérebro.
O implante coclear é composto de duas partes: a interna, que transforma o som em impulsos elétricos, e a externa, o processador de fala, composto por um microfone que capta os sons do ambiente e os envia para a parte interna por meio de uma antena de rádio. E para que todo esse aparato funcione, é necessário uma bateria, que dura cerca de dez horas e precisa ser constantemente recarregada, da mesma forma que qualquer aparelho eletrônico comum.
Procedimento cirúrgico
Segundo o Dr. Robson Koji Tsuji, otorrinolaringologista integrante do grupo de Implante Coclear do Hospital das Clínicas, a cirurgia consiste num corte atrás da orelha, abrindo caminho entre a pele e a cóclea para a instalação dos eletrodos. O procedimento dura em média duas horas, com anestesia geral e internação posterior de cerca de duas semanas. Porém, apenas um mês depois da cirurgia é que a unidade externa é acoplada. Só depois disso que o paciente poderá de fato ouvir.
Como todo procedimento cirúrgico, a colocação do implante também traz alguns riscos. De acordo com Koji, o maior deles é a possibilidade de dano ao nervo facial durante a cirurgia, o que prejudicaria os movimentos do rosto. “Mas tem pouquíssimos casos em que isso acontece”, reitera o otorrino.
Componentes do implante coclear
(Arte: Carolina Oliveira/Jornalismo Júnior)
Após a cirurgia, o paciente deve ser monitorado durante a vida toda. Nesse processo, é importante não só o acompanhamento clínico e a manutenção do aparelho implantado, mas também o apoio psicológico, tanto antes quanto depois da cirurgia. Em crianças, os psicólogos trabalham sobretudo com a família. “O psicólogo ajuda a família a aceitar a surdez, a entender como é o processo, como educar uma criança com surdez… Afinal, por mais que ela esteja usando implante, ela vai ter algumas limitações”, explica.
Já em pacientes adultos, é importante avaliar a expectativa, a adaptação ao aparelho. Segundo o doutor Koji, muitos pacientes que já ouviram antes relatam que o som é um pouco mais agudo que o normal. “Eles dizem que o som parece o Pato Donald falando”, brinca, “mas com o tempo o som fica normal, o cérebro vai se adaptando. As pessoas gostam muito do som do implante”.
Cobertura pelo SUS
O implante coclear é implantado apenas em hospitais terciários (grandes centros médicos), como o Hospital das Clínicas ou a Santa Casa. A pessoa com deficiência auditiva deve ser previamente avaliada por um clínico geral e encaminhada para um otorrino, que por sua vez levará a sua ficha para um dos hospitais que realizam o procedimento.
Atualmente, sete hospitais públicos fornecem a cirurgia no estado de São Paulo: HC, Santa Casa e UNIFESP na capital; Bauru, Campinas, Marília e Ribeirão Preto no interior. Também há outros centros espalhados pelo Brasil. O SUS arca com todos os custos da cirurgia – só o valor do aparelho é estimado em 45 mil reais. Desde 2010, convênios particulares também são obrigados por lei a subsidiar o implante.
Contudo, mesmo após conseguir a cirurgia, os usuários ainda encaram mais um problema: a reposição de partes, que não é atendida pelo SUS nem pelos convênios particulares. Apesar de ser um equipamento durável, peças externas do implante, como a bateria recarregável e o fio transmissor, podem se desgastar ou quebrar com o uso.
Preferência para crianças
Koji afirma que, embora qualquer paciente com problemas na cóclea possa se beneficiar do implante coclear, a adaptação é mais bem-sucedida em crianças. Isso porque o cérebro, nos primeiros anos de vida, tem mais facilidade em se adaptar a novas situações, o que é conhecido como plasticidade cerebral. “Se você nasce ouvindo, a área da audição no cérebro é estimulada. Em caso negativo, esse estímulo não é recebido, e portanto essa área não se desenvolve”, explica Koji. “Então depois não adianta fazer o ouvido funcionar, se o cérebro não está mais preparado para receber”.
Dr. Robson Koji Tsuji
Dr. Robson Koji Tsuji, membro do Grupo de Implante Coclear do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (Fonte: Cecília Bastos/USP Imagens)
Segundo o médico, o ideal é que o implante seja realizado no primeiro ano de vida, ou, no máximo, até três anos e meio. “É a idade limite para fazer com que a criança com deficiência auditiva se torne um adulto com audição normal”, diz. Por isso, pacientes nessa faixa etária têm preferência na fila para realização do procedimento, assim como adultos que adiquiriram problemas na audição durante a vida. Já adultos que nasceram com deficiência auditiva raramente são implantados. Sua adaptação, muito mais difícil, faz com que eles sejam considerados casos de risco.
Polêmicas e contradições do procedimento
Apesar de todos os inegáveis benefícios do implante, parte da comunidade que possui deficiência auditiva ainda é contra o uso do aparelho. Entre os argumentos contrários, está o fato de que estes não devem ser vistos como deficientes, mas sim como um grupo que usa um tipo diferente de comunicação. Enquanto algumas pessoas se comunicam auxiliadas pela audição, os que possuem deficiência auditiva o fazem por sinais. Deste modo, isso não caracterizaria um problema que, portanto, não precisaria ser tratado.
Tal discussão é abordada no documentário “Som e Fúria”, no qual os pais de duas crianças enfrentam o dilema de operar ou não seus filhos. O documentário pode ser assistido gratuitamente neste link. Koji afirma que a relutância geralmente vem de famílias em que os pais da criança também possuem deficiência auditiva. “Para eles é uma espécie de cultura, muitos casam entre si, têm as próprias comunidades, têm suas escolas especiais”. O médico diz que o implante já foi muito recriminado no passado, mas que isso vem diminuindo nos últimos anos. “A gente sempre teve a posição de não forçar: se os pais não querem, não fazemos. Mas até hoje foram poucos casos que optaram não usar o implante”.

O falso divórcio entre deficiência e sexo.

Apesar de limitações físicas e estigmas, uma vida sexual prazerosa para homens e mulheres com deficiência é mais do que possível

Por Amanda Manara (apmanara@gmail.com)Bianca Caballero (biancasacaballero@gmail.com) Stella Bonici (stebonici@gmail.com)
                         
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Lyge list (“o direito ao prazer”): ensaio fotográfico que retrata pessoas deficientes sob a perspectiva da sexualidade (Foto: Kim Steimle Rasmussen)

Dentre todas as dificuldades que pessoas com deficiência enfrentam, o preconceito e os tabus em relação a determinados assuntos ainda se destacam. Com a sexualidade não é diferente. A sociedade, de modo geral, ainda sustenta uma ideia de que pessoas com deficiência – principalmente física – não possuem, ou têm muita dificuldade em ter uma vida sexual ativa e saudável.
No entanto, as principais dificuldades estão nas crenças e nas informações erradas, realmente na deficiência. “As dificuldades sexuais existem, mas dificilmente são provocadas pela deficiência em si. O que torna difícil a vida sexual de uma pessoa com deficiência é a negação da sexualidade dessas pessoas, por parte da sociedade, e a consequente negligência com a educação sexual nessa população”, afirma a psicóloga especialista em sexualidade Bárbara Lucena.
Com a falta de informações em torno desse tema, diversas crenças errôneas e estereótipos são reforçados. Entre eles, as ideias de que pessoas com deficiência são assexuadas ou até mesmo hipersexuadas, em ambos os casos, incapazes de ter uma vida sexual comum.
Deficiências físicas e as reais impossibilidades
No caso de deficiências físicas, é comum acreditar que não é possível ter uma vida sexual ativa por razões biológicas. Nesses casos, a psicóloga explica que alguns tipos de deficiência podem sim comprometer alguma fase da resposta sexual, mas dificilmente impedem a vivência sexual prazerosa. “Sexo não se limita à penetração ou orgasmo, e uma relação sexual que se completa sem esses atributos não é, necessariamente, inferior ou menos prazerosa. O incentivo à práticas sexuais diversas (masturbação, sexo oral, troca de carícias) e expansão do repertório sexual é recomendado”, explica a psicóloga.
Bárbara afirmou também que a busca de deficientes por especialistas ou tratamentos que os ajudem a ter uma vida sexual saudável vem crescendo, mas ainda é inexpressiva. Muitas vezes isso acontece pois, influenciados pelo preconceito e pela falta de informações, os próprios deficientes acreditam que não podem ter uma vida sexual plena. “As crenças errôneas da sociedade são transmitidas à pessoa com deficiência, que, muitas vezes, passa a acreditar que, em virtude da deficiência, a sexualidade não é um aspecto importante de sua vida”.
A psicóloga ressalta que a sexualidade possui fundamental importância na vida de qualquer ser humano, tenha ele uma deficiência ou não. E complementa que, em geral, pessoas com e sem deficiência possuem o mesmo potencial sexual e afetivo. Quanto à questão da gestação, Bárbara esclarece que, em alguns casos, a deficiência pode sim causar infertilidade. Mas isso não é uma regra, e vale lembrar que a infertilidade acomete tanto pessoas com deficiência quanto pessoas sem ela, e que o aspecto reprodutivo do sexo independe do seu aspecto prazeroso.
Assim, ter uma vida sexual satisfatória é possível para todos que possuem ou não deficiências. Com o acesso a conhecimento, informação e educação sexual e o fim dos preconceitos e crenças equivocadas em torno dessa questão, não há nada que impeça os deficientes de usufruir plenamente de sua sexualidade.
A sexualidade na visão do deficiente
Renato Laurenti hoje é tetraplégico, mas nem sempre foi assim. Após sofrer um acidente de carro há 30 anos, Renato fraturou as vértebras cervicais C4, C5 e C6 e acabou perdendo quase todos os movimentos do corpo. “A minha recuperação foi demorada, pois no hospital uma psicóloga me disse: ‘você nunca mais vai mexer nada, vai ter que aprender a pintar com a boca e sua vida sexual acabou’”, relembra o empresário, que hoje trabalha com produtos voltados à acessibilidade.
No entanto, com o passar do tempo e reunindo um pouco mais de informação sobre o assunto, Renato percebeu que sua vida não precisava ser exatamente assim. Para afirmar suas novas perspectivas, uma das coisas que ele considerava mais improváveis aconteceu: uma mulher se apaixonou por ele. Apesar da novidade, a insegurança tomou conta de Laurenti: “Como vou namorar se não posso transar? Fui atrás desta história direito e vi que não era nenhum bicho de sete cabeças. Graças a Deus a psicóloga estava totalmente enganada. Hoje trabalho, viajo, namoro, e enfim, tenho uma vida normal”.
Para o empresário, diante de uma situação dessas, a melhor forma de continuar com uma vida sexual normal e saudável é conhecer seu novo corpo, suas impossibilidades e limitações. “Sua mobilidade muda, a sua sensibilidade, a sua ereção. Neste momento informação é fundamental. Com informação e reconhecendo seu corpo, a vida sexual pode ser ativa e com muito prazer, pois é como sempre digo, só não transa quem não quer. Lembrando também que é possível ter filhos, tanto o homem como a mulher com deficiência”, completa.
Como o próprio Renato afirmou, “a grande dificuldade está na cabeça de cada um, e em como você lida com isto”. Acima de todas as limitações, está a falta de informação, os conceitos prévios, o medo e o tabu. E abaixo delas, o mundo real da deficiência, que apesar de um pouco diferente e menos acessível devido à sociedade ainda despreparada, é completamente natural – e tudo que é natural, flui.

Romário será relator do Estatuto da Pessoa com Deficiência no Senado.

Ex-jogador foi escolhido pelo Senado como responsável pela elaboração do documento.

Foto de Romário no Senado

Em reunião na tarde desta quarta-feira na presidência do Senado FederalSite externo., ficou definido que o senador Romário vai relatar o projeto de Lei que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência. O texto foi aprovado na última semana na Câmara dos Deputados.
A notícia foi dada durante a reunião pelo presidente Renan Calheiros, na presença do autor da proposta, senador Paulo Paim, e da relatora na Câmara, deputada Mara Gabrilli. Aprovado há quase 10 anos no Senado, o texto volta a Casa para uma revisão final.
- Estou muito animado com a missão. A nova Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência é esperada há muitos anos por, pelo menos, 45 milhões de brasileiros. A Mara Gabrilli fez um trabalho de excelência na Câmara, ouvindo a população, agregando todos os projetos que tramitavam na Câmara sobre o tema - declarou o senador Romário.
A tramitação no Senado será rápida. Durante a reunião, Renan decidiu que o texto será relatado em Plenário, sem necessidade de passar por três comissões. Romário terá reuniões nos próximos dias sobre o projeto.
A proposta trata de vários aspectos do cotidiano da pessoa com deficiência, como o acesso ao transporte, à moradia, educação e trabalho. O texto determina, por exemplo, que programas de habitação reservem 3% das unidades habitacionais a pessoas com deficiência.
Umas das inovações do projeto é a criação do auxílio-inclusão, a ser pago à pessoa com deficiência moderada ou grave que entrar no mercado de trabalho. O texto também define pena de um a três anos de reclusão para quem discriminar as pessoas com deficiência.

Educação inclusiva, diversidade e cidadania.

Por Vinicius Gaspar Garcia

Duas moças e uma menina sorrindo.

O processo de inclusão escolar de crianças e jovens com deficiência tem avançado no País. Ainda assim, há muito a fazer e é preciso persistir nesse caminho, considerado não só a melhor resposta para o aluno com deficiência, como para todos os demais

Historicamente, um dos maiores desafios para plena inclusão social das pessoas com deficiência foi o acesso ao sistema regular de ensino. Durante muito tempo, prevaleceu o entendimento de que as crianças e jovens com deficiência deveriam, na melhor das hipóteses, frequentar apenas entidades especializadas e exclusivas para este segmento populacional.

Atualmente, não há dúvidas de que a convivência entre aqueles com e sem deficiência é um processo benéfico e positivo para todos os envolvidos.

Embora o tema ainda suscite polêmica, no Brasil existe farta legislação que: a) garante o acesso em classes comuns de ensino regular para todas as crianças e adolescentes com deficiência; b) define como crime negar a matrícula de alunos com deficiência em escolas públicas ou particulares (artigo 24 da Convenção sobre o Direito das Pessoas com Deficiência; artigo 8º. Da Lei 7.853/89 e artigo 208 da Constituição Federal).

A garantia legal, porém, não significa que a inclusão escolar ocorra de forma integral ou sem dificuldades.

Existem ainda resistências que, por vezes, partem dos próprios pais de crianças com deficiência no sentido de apontar debilidades no sistema regular de ensino e a “falta de preparo e estrutura” para permitir a inclusão.

Tal discurso, em algumas situações, é reforçado por entidades especializadas que ainda se apresentam como única possibilidade para formação escolar das crianças com deficiência. Mesmo reconhecendo esta realidade, não se pode negar que:

“De acordo com inúmeras pesquisas, tratados internacionais e experiências práticas, a educação inclusiva é a melhor resposta para o aluno com deficiência e para todos os demais alunos. É uma educação que respeita as características de cada estudante, que oferece alternativas pedagógicas que atendem às necessidades educacionais de cada aluno: uma escola que oferece tudo isso num ambiente inclusivo e acolhedor, onde todos podem conviver e aprender com as diferenças” (Movimento Down, Escola para Todos, 2013).

Assim sendo, é imperativo que se busque garantir a inclusão escolar superando ou corrigindo as dificuldades práticas que se apresentem.

Deve-se observar que a escolha deste caminho não significa negar o papel das entidades especializadas. Ao contrário, o modelo ideal de inclusão prevê que, no contraturno escolar, seja oferecido o atendimento educacional especializado (AEE) nas chamadas salas de recurso, o que pode ocorrer na própria escola por meio de professores especializados ou em entidades conveniadas como os APAEs (Decreto 7.612/2011).

Em termos práticos, o estudante vai à escola pela manhã e recebe o AEE à tarde, ou vice-versa, garantindo assim uma formação escolar plena, integral e inclusiva.

Alguns dados recentes mostram que, mesmo com as dificuldades práticas, o processo de inclusão escolar de crianças e jovens com deficiência tem avançado no País.

A tabela abaixo apresenta o número de matrículas de pessoas com deficiência apurado no Censo Escolar de 2012 nas “escolas especiais”, nas “classes comuns” e no total.

tabela educacao inclusiva
Observam-se duas tendências simultâneas e positivas: a) o aumento no total de matrículas de alunos com deficiência, de 654 mil em 2007 para 820 mil em 2012; b) o crescimento das matrículas nas “classes comuns”, de 306 mil para 620 mil no mesmo período, com redução correspondente das matrículas nas “escolas especiais ou exclusivas”.

Em síntese, em 2007, a maioria das matrículas de alunos com deficiência, 53,2%, ocorria somente em entidades especializadas; tal quadro inverte-se fortemente em 2012, reduzindo este percentual para 24,3% com a inclusão de 75,6% nas “classes comuns” de ensino (parte das matrículas pode ser do mesmo aluno que se insere no AEE, conforme salientado anteriormente).
O tema do acesso à educação é um dos principais eixos do “Programa Viver sem Limite”, lançado pelo Governo Federal em 2011. Esse eixo é dividido nas seguintes linhas de ação:
  1. a) salas de recursos multifuncionais; b) escola acessível; c) transporte escolar acessível; d) programa de capacitação técnica; e) acessibilidade na educação superior; f) educação bilíngue; g) BPC (Benefício de Prestação Continuada) na escola.
O último balanço do programa apresenta alguns números relativos ao período de 2011 até 2014, tais como:
  1. a) 13 mil novos salas de recursos; b) 15 mil salas já existentes que tiveram atualização de equipamentos; c) 40 mil escolas e 59 universidades federais que receberam recursos para projetos de acessibilidade; d) 2.300 veículos adquiridos para o transporte escolar acessível; e) 18 mil matrículas de pessoas com deficiência no Pronatec; f) criação de 20 cursos de letras/LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais); g) inclusão na escola de 23 mil alunos que recebem o BPC.
Esses indicadores, porém, devem ser melhor qualificados e colocados em perspectiva crítica para que se tenha uma ideia mais clara dos avanços e daquilo que ainda precisa ser feito em cada área.

Tomemos, por exemplo, a informação de que 40 mil escolas receberam recursos para acessibilidade. O número total de escolas no País é de aproximadamente 190 mil, de modo que 22% das escolas, apenas, receberam os recursos.

Este é, inclusive, o percentual de escolas que, segundo o Censo Escolar de 2013, apresentam “dependências acessíveis aos portadores de deficiência”.

Outros exemplos poderiam ser dados, como o número irrisório de matrículas de pessoas com deficiência no Pronatec, apenas 18 mil num total de quase 8 milhões, ou o fato de que ainda restam 140 mil crianças e jovens com deficiência que, em situação de precariedade social (mesmo recebendo o BPC), permanecem fora da escola.

Em síntese, sem desmerecer os avanços alcançados, é preciso persistir no caminho da inclusão escolar plena das pessoas com deficiência, pois ainda há muito a ser feito.

As eventuais dificuldades deste processo, que certamente podem ocorrer, não podem ser obstáculos definitivos, pois privar as crianças e jovens com deficiência da convivência e aprendizado nas escolas regulares é prejudicial não só a elas, mas a todos os demais.

A construção da cidadania passa pela insistência na inclusão escolar, na valorização da diversidade e no respeito à diferença.

Referências
Movimento Down, Escola para Todos, 2013. Coordenação editorial: Estefania Lima, Maria Antônia Goulart e Patricia Almeida.


quinta-feira, 12 de março de 2015

Inclusão - "Somos todos nós".

por 




E pensando nisso, eu gostaria muito que vocês conhecessem um pouco mais a Drika Valério, Designer formada pelo IESB Prevê, Técnico em Moda e Estilo pelo Senac, Projeto de Conclusão de Curso, sobre moda inclusiva.

Drika faz um trabalho incrível aqui na minha cidade (Bauru-SP) de moda inclusiva, eu mesma já participei de alguns trabalhos como: desfiles, ensaios fotográficos...

A ideia de moda inclusiva começou quando ela estava no fim de sua faculdade e desenvolveu o primeiro projeto: "vestido de noiva inclusivo", e ela sentiu na pele a dificuldade que é fazer com que as pessoas entendam que SIM, somos todos iguais, Drika mesmo diz: "Trabalhei com um tema ‘incomum’, que é o Vestido de Noiva Inclusivo, que foi desenvolvido levando em conta as opiniões do público-alvo (pessoas com deficiência), mas não somente, pois o verdadeiro conceito do inclusivo é ‘incluir’ e isso, para todos os tipos de pessoas! 

No decorrer do projeto, senti na pele o quanto algumas pessoas ainda são resistentes ao diferente, sendo preconceituosas, sem saber o dia de amanhã.

Ouvi expressões como: "O teu projeto não tem nexo", "Roupa de noiva pra deficiente? E deficientes por acaso, se casam?" e por aí vai, infelizmente, a ignorância humana.E o projeto foi se moldando, tendo como base duas metodologias: Odesign universal, que consiste em projetar para todos, pensando em atingir o maior número de pessoas possível, aliado a tecnologia assistiva, que é quando se tem um produto e ele é adaptado para pessoas com deficiência, por exemplo, um talher que não pode ser manuseado por quem sofre de alguma deficiência que dificulta os movimentos, não tendo o movimento de ‘pega’ que nos faz conseguir segurar objetos, assim, desenvolvendo um apoio que encaixe no objeto e na mão de quem irá manuseá-lo, pensando nisso, se todos os produtos fossem projetados com estas duas bases, pensando no universal, não haveria necessidade de adaptá-los. "


Desfile Teatro, Peças expostas em Paraty-RJ, 6º Concurso de moda inclusiva, Desfile Apae,
 
E depois disso não parou mais, ela é fundadora da "Somos todos nós", que possui muitos parceiros e tem um site agora, vou deixar um link,http://www.somostodosnos.com.br/ para que possam conhecer um pouco mais do projeto.Ela ainda tem muitos projetos em vista: " daqui pra frente vamos ampliar e sair só da moda para atuar em palestras de inclusão, treinamentos empresariais, cursos adaptados como o de dança, ensaios sensuais com modelos deficientes (que você já participou rs) e claro, continuar com os desfiles de moda inclusiva". Nesse último mês nós fizemos um ensaio sensual, no qual eu também participei com meu namorado, mas isso fica para o próximo post. Não percam!!!