sábado, 18 de julho de 2015

Acessibilidade em espaços culturais.

  

A um ano dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, um dos temas mais debatidos entre as instituições culturais é como melhorar o acesso do público com deficiência a espaços como museus, teatros e centros culturais. Com o propósito de ampliar este acesso e incentivar a produção feita por artistas com deficiência, o British Council,  por meio do projeto Unlimited: Arte Sem Limites, realizará entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, oficinas de formação em acessibilidade no Rio de Janeiro (RJ). O evento é voltado para gestores e funcionários dos espaços culturais de todo o Brasil, artistas e profissionais interessados em acessibilidade. As inscrições para a seleção de participantes destes dois dias são gratuitas e podem ser feitas no site transform.org.br até o dia 20 de julho.

“Nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres 2012, o Reino Unido desenvolveu diversas práticas de fomento à produção dos artistas com deficiência integradas à programação cultural olímpica. No Brasil, incorporamos esta visão ao programa Transform desde 2013, criando oportunidades de capacitação e criação artística no Brasil em parceria com várias organizações, para as quais acessibilidade é prioridade. No Rio, acreditamos que este é um importante legado olímpico para ser compartilhado”, afirma Lucimara Letelier, Diretora Adjunta de Artes do British Council.

O programa será dividido em três módulos: Atendimento (Front of House), Legado Olímpico e Legislação e Programação, Comunicação e Gestão. Estes dois últimos serão realizados na sede da Rio 2016 e abertos a inscrições gratuitas. O módulo de Atendimento, que acontecerá no Museu de Arte do Rio - MAR, será oferecido à Rede Unlimited de acessibilidade na Cultura, que é formada por diversas organizações que darão continuidade à experiência por meio de fóruns e encontros futuros.  

O trabalho será conduzido por profissionais da Shape Arts, conceituada instituição inglesa de incentivo a artistas com deficiência que apresentou o seu trabalho nas Olimpíadas de Londres, quando a cidade recebeu 4237 atletas paralímpicos. São elas Barbara Lisicki, que atuou como gerente de Acessibilidade nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres, e Zoe Partington-Solinger, gerente de arquitetura do projeto Inside Out, que reúne artistas e arquitetos com deficiência para explorar novas formas de concepção de espaços acessíveis.  Todos os consultores da Shape Arts são artistas profissionais com deficiência e experiências significativas na área de acessibilidade.

O projeto é uma iniciativa do British Council e foi criado a partir de visitas de diagnóstico realizadas entre 2013 e 2014, em espaços culturais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Ele faz parte de uma série de atividades do Unlimited, o maior programa de incentivo a trabalhos produzidos por artistas com deficiência do mundo, e que foi apresentado pela primeira vez como parte das Olimpíadas Culturais de 2012, evento paralelo à competição oficial.

O Unlimited chegou ao Brasil em 2013, dentro do Programa Transform de artes, por meio de festivais, performances, workshops, consultorias e treinamentos. Sua primeira edição no país aconteceu no Rio de Janeiro, também em 2013, com a mostra de algumas das mais bem-sucedidas criações artísticas apresentadas durante as Olimpíadas Culturais de Londres, unindo música, dança, teatro, cinema e artes visuais. Artistas da plataforma Unlimited, como Claire Cunnhingham, Julie MacNamara e Robert Softley também se apresentaram e participaram de debates e oficinas nas cidades de Salvador, Recife, Caruaru, Goiânia e São Paulo.

O programa Unlimited de acessibilidade em espaços culturais realizado pelo British Council em parceria com a Rio 2016 e o Museu de Arte do Rio – MAR, é um desdobramento do Transform, que realiza o intercâmbio de experiências para formação de novas competências e criação de parcerias institucionais na área de artes e cultura no Brasil e Reino Unido.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail: centro.info@britishcouncil.org.br


Com taça garantida, Brasil ganha uma e empata outra em encerramento de torneio.


Foto: Delegação brasileira com o troféu de campeão.

Itu/SP – Campeão com dois jogos de antecedência, o Brasil encerrou a participação no Torneio Internacional de Futebol de 5, em Madrid, Espanha, nesta quinta-feira (16), com uma vitória e um empate. A delegação brasileira chega ao Brasil na manhã deste sábado, e no próximo dia 26, atletas e comissão técnica voltam a se encontrar, na Andef, em Niterói, para a última fase de treinamento antes dos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, no Canadá.
 
No último dia de competição o Brasil venceu a equipe da região de Ligúria, da Itália, por 7 a 0, e no jogo que fechou a participação do selecionado canarinho, empate com a Espanha em 1 a 1 – gol de Jefinho de pênalti. Após o encerramento do torneio, o autor do último gol do Brasil, falou sobre a importância de disputar um evento-teste antes do principal desafio do ano.
 
Esse torneio teste foi muito importante para dar ritmo de jogo a todos os jogadores e preparar a equipe para o principal objetivo do ano que são os Jogos Parapan-Americanos. Para nós jogadores, quanto mais jogar melhor, e para comissão técnica já ir ajustando e corrigindo os erros – disse o baiano, que prosperou ainda uma equipe pronta para os Jogos de Toronto.
 
Agora é ir para o Canadá com a equipe ajustada e preparada para todas as situações, para que a gente possa trazer mais essa medalha – finalizou Jefinho.
 
O ala terminou a competição no topo da artilharia com 12 gols marcados, um a mais que o francês Fredy, autor de 11 tentos. Os franceses tiveram a defesa menos vazada, com apenas quatro gols sofridos.
 
Evento mais que providencial
 
Antes do embarque para a disputa do Torneio Internacional de Madrid, o fisiologista da seleção, João Paulo Borin, falou da importância da equipe em atuar num evento-teste antes da principal competição do ano. Para o profissional, os atletas não ganharam só com o ritmo de jogo, mas também na parte técnica e tática.
 
Na verdade uma coisa é você treinar, outra é você jogar. A parte física precisa dessa estrutura de jogo, que é o específico da parte física. Então, vai ser fundamental para eles. Nós temos programado, parece que dois jogos por dia, e isso é uma estrutura interessante, porque envolve não só o aspecto físico, como o técnico e tático. Todo mundo joga, todo mundo participa do jogo. Então esses jogos, para a parte física, vão ser fundamentais para dar um ritmo de jogo, uma condição específica para o que eles precisam, e dar uma afinada, o que chamamos de aperfeiçoamento na parte física também para o que eles necessitam – disse Borin.
 
A Seleção Brasileira encerra a preparação para a disputa dos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, no Canadá, na V Fase de Treinamento, que será realizada de 26 a 31 de julho, na Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), em Niterói, Rio de Janeiro.

Fonte: cbdv.org.br

Conheça a mãe com doença rara que a faz ter metade do tamanho de seu filho de 1 ano.

Uma mulher que possui uma grave doença tem a metade do tamanho de seu filho de 19 meses de idade.
Marie Andrews, de 32 anos, que vive em Milton Keynes, Inglaterra, casada com um cientista chamado Dan, de 34, possui cerca de 43 centímetros de altura e é mãe de Mark, de aproximadamente 82 centímetros de estatura.
Sua altura incomum se deve a uma forma grave de doença genética nos ossos, conhecida como “Osteogênese Imperfeita”, que os torna frágeis devido à baixa produção de colágeno, “cimento” que dá força e flexibilidade a eles. Assim, ela se torna susceptível a graves ferimentos.
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Marie Andrews, de 32 anos de idade, que vive em Milton Keynes, Inglaterra, é menor que seu filho de 19 meses de vida devido à condição genética rara que tem.
Ela contou ter sofrido uma fratura em uma costela quando trocava a fralda do filho, que na época possuía três meses de vida.
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Além disso, um abraço dela na criança, com muita força, poderia quebrar seus ossos. Então, quando ele quer sentar-se em seu colo, ela usa uma almofada entre eles.
Marie contou também que, quando saíam para passear, por várias vezes ela foi confundida como uma possível irmã de Mark.
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Ela afirmou que o filho é um milagre que nunca pensou que teria. Ele nasceu de outra mulher, que se ofereceu como barriga de aluguel para ter a criança, já que uma gravidez poderia tê-la matado.
A mulher já sofreu mais de 200 fraturas durante sua vida, e é incapaz de andar ou até mesmo ficar de pé.
Fontes: TheSun - Gadoo - pessoascomdeficiencia.com.br

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Games são os destaques do primeiro dia da etapa Sudeste II de Goalball, em Itu/SP.

  
  Foto: SESI em ação durante a vitória sobre a ADV-VALE

Itu/SP – Começou na tarde desta quinta-feira (16), na cidade de Itu, São Paulo, o Sudeste II de Goalball, a última etapa regional do ano. Foram seis jogos nas categorias masculina e feminina,  em quatro deles com diferença de dez gols no placar (Game), o que mostrou a ampla superioridade de algumas equipes, como o SESI, que venceu a ADV-VALE, por 11 a 1, e vai em busca do bicampeonato.
 
Os atuais campeões lideram o Grupo A da categoria masculina depois de vencer na estreia da competição. Com a mesma pontuação, mas em segundo pelos critérios de desempate, a APADV passou pelo CEPREVI, por 8 a 2. No Grupo B, o ATHLON superou a AIADV pelo de 11 a 1, enquanto a LMC ganhou do CESESC, por 10 a 0.
 
Na disputa entre as mulheres o primeiro dia teve apenas os jogos do Grupo B. O CESEC começou o Regional com o pé direito, e venceu o CEPREVI, por 11 a 1. Já o Santos teve um pouco mais de trabalho, mas conseguiu os primeiros três pontos com a vitória sobre o ATHLON, por 6 a 3.
 
Nesta sexta-feira (17), a competição continua com mais 13 jogos. As meninas da APADV e LMC fazem a primeira partida a partir das 8h. O dia promete fortes emoções, principalmente na categoria feminina, já que serão conhecidas as classificadas para as semifinais da competição.

Fonte: cbdv.org.br

Seleção Brasileira de futebol de 5 conquista o título do Torneio Internacional de Madrid, na Espanha.



O Brasil conquistou nesta quarta-feira, 15, o título do Torneio Internacional de Madrid, na Espanha. A partida que garantiu mais uma taça para a Seleção Canarinho foi disputada contra o combinado de Bordeaux, da França, com vitória brasileira, por 2 a 1.
No duelo, os franceses saíram na frente aos 10 minutos da primeira etapa. O resultado era desfavorável até os 20 minutos do segundo tempo, quando Ricardinho e Nonato marcaram e viraram o jogo para 2 a 1. O placar foi o suficiente para a seleção celebrar o triunfo.
Nos outros jogos da quarta-feira, 15, o Bordeaux venceu a Espanha, por 3 a 0, na segunda partida da manhã. Já na rodada da tarde, os espanhóis se recuperaram da derrota, e venceram o time de Ligúria pelo placar de 7 a 1.
Com mais dois jogos a fazer pela competição, o Brasil apenas cumprirá tabela. Nesta quinta-feira, 16, a seleção enfrenta a Espanha, pela manhã, e a Ligúria, da Itália, à tarde.
O Torneio Internacional de Madrid é um evento preparatório para a disputa dos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, no Canadá, que acontecem de 7 a 15 de agosto. O Brasil venceu as outras duas edições da competição – Rio 2007 e Guadalajara 2011 –, e vai em busca do tricampeonato.
Com informações da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV)

Tecnologia em 3D salva vida de criança com hidrocefalia na China.

                              

Uma criança chinesa de três anos implantou em seu crânio três peças de titânio feitos em impressoras 3D, uma alternativa cirúrgica para tratar hidrocefalia.

A doença é uma grave anomalia neurológica que aumenta o volume do espaço contendo fluido cerebrospinal, o que provoca pressão sobre o cérebro.


O procedimento foi realizado em um hospital de Changsha, na província de Hunan, na China, nesta quarta-feira (14). De acordo com a mídia local, a criança, que se chama Hanhan, deve realizar mais cirurgias para diminuir o tamanho do crânio.


A menina sofre de hidrocefalia e precisará passar por novas operações.

Fontes: G1 - www.somarvida.com.br

Células-tronco conseguem tratar doenças mitocondriais, diz estudo.

Técnica permitiu ‘corrigir’ DNA de mitocôndria com mutações. Para cientistas, é um passo fundamental para terapia com células-tronco.

 célula-tronco

Cientistas revelaram nesta quarta-feira (15) terem dado um passo fundamental para a terapia com células-tronco no tratamento de doenças mitocondriais raras, passadas de mãe para filho.
Eles “corrigiram” mitocôndrias nocivas em células da pele retiradas de pacientes para criarem células-tronco pluripotentes – células saudáveis versáteis que podem se diferenciar em qualquer célula do tecido no corpo, segundo a equipe.
“Esta descoberta prepara o terreno para a substituição de tecidos doentes em pacientes e abre as portas para o mundo da medicina regenerativa, onde os médicos são capazes de tratar doenças humanas que são atualmente incuráveis”, explicou um comunicado da Oregon Health & Science University, cujos cientistas participaram do estudo.
As doenças mitocondriais são raras, mas podem ser devastadoras, afetando os principais órgãos e causando doenças que vão desde a cegueira à surdez, passando pela perda de massa muscular.
Mutações nas mitocôndrias
Mitocôndrias são pequenas fontes de energia encontradas na maioria das células do corpo, transformando o açúcar e o oxigênio em energia.
Mas mutações no DNA hereditárias através da linha materna pode levá-las a um mau funcionamento, afetando qualquer coisa: da visão ou audição até músculos, coração e funções do cérebro.
Entre mil e 4 mil crianças nascem com doenças mitocondriais a cada ano apenas nos Estados Unidos, e não existe tratamento eficaz.
“Para as famílias com um ente querido que nasceu com uma doença mitocondrial à espera de uma cura, hoje podemos dizer que a cura está no horizonte”, disse Shoukhrat Mitalipov, co-autor do estudo publicado na revista “Nature”.

Célula saudável
A equipe coletou células da pele de pessoas com mutações no DNA mitocondrial e removeu os núcleos, que foram emparelhados com citoplasmas retirados de óvulos saudáveis doados. O citoplasma é a substância gelatinosa contendo mitocôndrias no interior da membrana celular, e em torno do núcleo.
“Através desta técnica, os cientistas criaram uma célula-tronco embrionária com mitocôndrias saudáveis”, afirmou o comunicado.
“Os cientistas aspiram usar esta técnica para substituir tecidos doentes no futuro através da remoção de uma célula, corrigindo as mutações, multiplicando as células e reinserindo as células geneticamente corretas no paciente para substituir o tecido doente”.

Especialistas que não estiveram envolvidos no estudo felicitaram a realização do laboratório, mas alertaram que uma aplicação prática ainda estaria longe.
“Passar de um frasco de células em laboratório para neurônios ou células dos vasos sanguíneos no cérebro é muito difícil”, disse David Valle, da The Johns Hopkins School of Medicine, em comentários para o Centro de Mídia dpara a Ciência da Grã-Bretanha (SMC).
Darren Griffin, professor de genética na Universidade de Kent, ponderou que levaria “algum tempo até que [a descoberta] possa ser aplicada clinicamente, dada a necessidade de testes clínicos”.

Bebês de três pais
Em 2010, cientistas britânicos criaram um embrião de laboratório cujo DNA mitocondrial veio de um doador, e o restante de seus pais biológicos.
Em fevereiro deste ano, a Grã-Bretanha tornou-se o primeiro país a permitir a criação dos chamados bebês de três pais usando o método para impedir a transferência de falhas mitocondriais.

Dois anos atrás, Mitalipov admitiu erros em um estudo no qual ele e uma equipe relaram ser o primeiro a transformar células da pele humana em células-tronco embrionárias, mas defendeu os resultados.
Sua técnica de clonagem, que envolve o transplante de DNA de um indivíduo em um óvulo despojado de material genético, foi saudado como um avanço por não destruir embriões humanos na criação de células-tronco.

Deficientes visuais na BA enfrentam obstáculos em pistas táteis: ‘risco’.

Presidente da Associação Baiana de Cegos aponta problemas na capital. Ocupação de espaço por ambulantes e falta de manutenção são queixas.

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Pistas táteis irregulares, ocupadas por ambulantes, sem manutenção e até com tronco de árvore no meio. Esses são alguns dos problemas enfrentados por pessoas com deficiência visual que circulam por Salvador. Caminhando por ruas da capital baiana, o presidente da Associação Baiana de Cegos, Everaldo Neves, aponta irregularidades em diversas localidades.
Na região de um grande shopping de Salvador, na Avenida Antônio Carlos Magalhães (ACM), Everaldo destaca que os deficientes visuais lidam com uma pista tátil com desenhos poucos perceptíveis. Nos equipamentos, os traços significam que a pista é contínua e livre de obstáculos. Já as bolinhas servem de alerta quando tem algum obstáculo na pista ou uma curva. “Este alerta tinha que estar mais acentuado para a gente perceber que o final da pista tátil chegou”, diz.
pista_tatilPista tátil na Av. ACM tem tronco de árvore como obstáculo para deficientes visuais (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Entre os obstáculos na Avenida ACM está o tronco de uma árvore situado no meio de uma pista tátil da Rua Senador Theotônio Vilela. O flagrante foi registrado por um telespectador da TV Bahia.
No centro da cidade, mais precisamente na rua Coqueiro da Piedade, Everaldo ressalta que a pista tátil é perfeita, tanto no que diz respeito à largura, quanto ao desenho.
Entretanto, ele destaca que o equipamento não está sinalizado para as pessoas que não têm deficiência visual – que acabam ocupando a pista -, e também diz que a pista chega ao fim sem que haja alertas. “Ela não tem nenhum alerta no final, não tem nada. A gente conhece essa descida, a gente já sabe se nortear. Mas, para uma pessoa deficiente que não conhece, fica realmente perdido”, disse.
Outro obstáculo enfrentado pelos deficientes visuais todos os dias é a falta de manutenção das pistas. Na rua do Salete, os blocos estão soltos, em alguns trechos já foram até arrancados. “Risco de cair é muito grande”, aponta Everaldo Neves. Uma das maiores reclamações das pessoas com deficiência visual no centro da cidade, entretanto, é a ocupação das pistas táteis por ambulantes. “Eles tomam a pista tátil toda”, diz Everaldo.
De acordo com a subcoordenadora de fiscalização urbanística da Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom), Ana Kelle Santana, o centro de salvador está passando por um trabalho de requalificação por meio do programa “Avenida Sete Território Empreendedor”. “E tão logo a gente vai iniciar a notificação dos proprietários dos imóveis do centro da cidade, para que eles possam também fazer a adequação [das pistas táteis]“, alerta.
Ana Kelle destaca que, em um período de um ano e meio, mais de 4 mil imóveis foram notificados e cerca de dois mil já fizeram os devidos ajustes nos passeios, no que diz respeito às pistas táteis.

Ação da Organização Sorriso devolve sorriso a crianças com deficiência.

Crianças com lábio leporino, uma abertura na região labial, tiveram seus lábios pintados que os ajudavam a apresentar uma emocionante peça infantil.

Foto de duas crianças com os lábios pintados sorrindo

Poucas coisas na vida são tão belas e espontâneas como o sorriso de uma criança. Mas e quando o ato de sorrir é inibido por uma deficiência física?
Algumas pessoas nascem com uma má formação congênita que a medicina chama de lábio leporino. Trata-se de uma abertura na região labial, fator que naturalmente causa constrangimento para quem a detém.
Pensando em ajudar crianças com esse problema, a organização mundial "Operação Sorriso" criou uma ação para que pequenos meninos e meninas de Bangkok voltem a sorrir sem nenhum pudor.
Eles tiveram os lábios pintados com figuras como jacarés, sapos e outros personagens que os ajudavam a apresentar uma emocionante peça infantil, com as luzes do teatro apenas sobre a parte inferior de seus rostos.
A ideia colocou literalmente o problema sob o holofote do público, mas não de uma maneira chocante, e sim doce e divertida.
De quebra, a ação criada pela agência BBDO de Bangkok conseguiu fazer com que a organização levantasse fundos necessários para operar mais de mil garotos e garotas com lábio leporino.
Confira abaixo o vídeo da ação:



Homem tetraplégico gerencia franquia online de camisetas por sensor e voz.

No dia a dia do negócio, o empreendedor trabalha deitado com o notebook sobre um suporte ou sentado na cadeira de rodas com o computador em uma mesa.

                           Foto de Manuel em sua cadeira sorrindo

Os movimentos com a cabeça e a voz do paulista Manuel José da Trindade Neto, 31, bastam para que ele consiga gerenciar seu negócio próprio. Após perder os movimentos dos braços e das pernas em um acidente de moto, o empreendedor viu numa franquia online de venda de camisetas a chance de aumentar a renda. Ele também recebe aposentadoria por invalidez.
Seu site próprio, chamado Nerd FashionSite externo., é operado em casa, por meio de um computador com acesso à internet. Um programa, que usa a câmera como sensor, capta o movimento da cabeça como se fosse o comando do mouse. Ele também usa um software que converte a fala em texto. Assim, Neto, como é conhecido, consegue realizar os procedimentos necessários para o negócio.
Neto é franqueado da rede Camisetas da Hora em Ribeirão Preto (313 km ao norte de São Paulo). Ele revende os produtos da marca num endereço online personalizado. A tarefa do empreendedor é manter a página atualizada, divulgar os produtos, tirar dúvidas de clientes e passar os pedidos para a franqueadora, que é responsável por produção e envio das camisetas.
No dia a dia do negócio, o empreendedor trabalha deitado em uma cama com o notebook sobre um suporte adaptado ou sentado em uma cadeira de rodas com o computador em uma mesa à frente. Para tarefas básicas, como se alimentar e se locomover, ele tem ajuda da mãe.
Neto afirma vender, em média, 500 camisetas por mês, o que lhe rende um faturamento entre R$ 20 mil e R$ 22 mil. O lucro, no entanto, fica entre R$ 5.000 e R$ 6.000. "Com esse dinheiro, consigo pagar minhas despesas médicas e ainda sobra um pouco para o lazer." O empreendedor não detalhou os custos médicos, mas diz fazer fisioterapia e precisar de equipamentos especiais.

Escola de SP cobra taxa extra para matrícula de aluna com síndrome de Down.

 Fabiana Marchezi Do UOL, em Campinas (SP)
               
                                 Arquivo Pessoal
                                 

Depois de três anos frequentando as aulas de um colégio particular em Paulínia (a 119 km de São Paulo), uma menina de 7 anos com síndrome de Down teve de mudar de escola neste ano porque a direção do Colégio Adventista decidiu que a renovação da matrícula só ocorreria se a família se submetesse a algumas exigências: contratação e pagamento de dois acompanhantes e de todo o material de apoio que a instituição julgasse necessário. 

O adendo enviado aos pais de alunos com necessidade especial chegou em setembro do ano passado, junto com o contrato referente ao ano letivo de 2015. O documento ainda informava que sem os acompanhantes a criança nem poderia entrar na escola e dava prazo de um mês para a contratação. Por isso, desde o início deste ano, a menina estuda em uma escola pública da cidade, mas a mãe, Rosângela Pimentel Galina, levou o caso ao Ministério Público de São Paulo.

Rosângela contou que a filha estudava no Adventista desde 2012 e nunca havia tido problemas com a instituição. Ela iria começar, em 2015, o 2º ano do ensino fundamental, quando passaria a ser alfabetizada.

"Enquanto as atividades eram simples, eles aceitaram. Agora, que ela seria alfabetizada o colégio jogou a responsabilidade para os pais. Nós não temos condição de contratar uma pessoa para acompanhá-la na escola diariamente. E, mesmo que tivéssemos dinheiro para isso, não conseguiríamos contratar alguém no curto prazo que a escola pedia. Eu precisaria contratar um tutor, ou seja, um professor auxiliar, e um cuidador para a parte de higienização, responsabilidade por remédios", explicou a mãe.

Após denunciar o caso ao MP, a mãe não quis mais que a filha estudasse no colégio e conseguiu a transferência da menina para uma escola municipal. "Eu só denunciei para que ninguém mais passe por esse tipo de problema. É muita discriminação. Não tinha necessidade disso. Ela já estava lá há três anos e sempre se desenvolveu, dentro de suas expectativas. Eu recebi vários boletins a elogiando. Mas de repente, decidiram que ela não estava atingindo os objetivos e que precisaria de acompanhamento", lamentou.

Para o promotor André Perche Lucke, que entrou com uma ação civil na Vara da Infância e da Juventude contra o Colégio Adventista, a escola não cumpre o que diz o recém-aprovado Estatuto da Pessoa com Deficiência, sancionado pela presidente Dilma Rousseff.

"A Constituição pede que não haja obstáculos para a inclusão dos alunos com deficiência nas escolas. Mas nesse caso, o colégio está criando impedimentos para que a menina continue estudando lá", disse o promotor.

Segundo ele, o argumento de defesa da escola é que, por se tratar de uma instituição de ensino privada, a cobrança não seria abusiva. Mas Lucke ressalta que a cobrança é indevida. 

"A permissão que o Colégio tem para existir enquanto instituição de ensino está relacionada à obrigação de seguir as mesmas regras das escolas públicas. Todas as escolas têm que fornecer e custear, integralmente, funcionários e equipamentos para os alunos", concluiu.

A denúncia do MP foi acolhida pela juíza Marta Brandão Pistelli e resultou na suspensão imediata da cobrança de taxas extras por parte da escola. "O colégio requerido tem a obrigação de se fazer consistente em fornecer e custear, integralmente, profissionais de assistência pedagógica e todo e qualquer material necessário ao integral atendimento aos alunos portadores de deficiência", escreveu a juíza na liminar. Caso a escola descumpra a decisão, a multa diária será de R$ 1 mil.

O promotor informou também que vai abrir um processo de investigação para saber se o problema é pontual ou se já se espalhou pelas escolas da cidade. O UOL tentou falar com os advogados do colégio ao longo do dia, mas os telefones só chamavam e ninguém atendeu. Os advogados ainda podem entrar com recurso para anular a liminar. 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Bebê Sofia se recupera de alergia e recebe alta em Miami.

  Jacqueline França Do UOL, em Sorocaba (SP)
                           
                                      Arquivo pessoal
                             A bebê Sofia ao lado da mãe, Patrícia
                                      A bebê Sofia ao lado da mãe, Patrícia.

Após cinco dias de internação, a menina Sofia Gonçalves de Lacerda recebeu alta do Jackson Memorial Hospital, em Miami nos Estados Unidos. Ela deixou o local na noite desta terça-feira (14) depois de se recuperar de uma reação alérgica que apresentou depois de deixar o hospital pela primeira vez após cirurgia de transplante de cinco órgãos.

De acordo com a mãe, Patrícia de Lacerda, a alergia deixou a criança cheia de marcas pelo corpo e com coceiras. Os exames de rotina apresentaram alterações, por isso, foi preciso a internação. No hospital, descobriram que a reação foi causada pela fórmula de alimentação que Sofia recebe pela veia, já que ela se alimenta pouco pela boca. "Eles trocaram essa fórmula e a Sofia já melhorou bastante. Por isso pudemos voltar para casa", disse.

Agora, a bebê, que passou por transplante de cinco órgãos do aparelho de digestivo por conta de uma má formação congênita, volta a receber os cuidados em casa. Diariamente, enfermeiros do hospital vão até lá para colher exames de rotina e verificar a recuperação de Sofia.

A bebê chegou aos EUA há um ano para tratamento da Síndrome de Berdon, que provoca a má formação do sistema digestivo.

Todo o tratamento é custeado pelo governo brasileiro, o que foi conseguido depois de uma briga judicial. O custo foi estimado em cerca de R$ 2 milhões. Em abril, Sofia conseguiu o transplante de todos os órgãos (intestino grosso e delgado, fígado, pâncreas e estômago). Após um período de recuperação, ela foi liberada para ficar em casa com os pais, mas ainda não poderá voltar para o Brasil.

Há pouco mais de uma semana, Sofia fez o primeiro passeio por Miami. Isso foi possível no intervalo entre uma dose e outra dos 17 remédios que ela precisa tomar todos os dias. Além disso, ela é estimulada para receber alimentos pela boca, o que era impossível até a realização do transplante.


Mãe cria aparelhos auditivos decorados para crianças.

Implantes cocleares e outros aparelhos auditivos podem ser difíceis para as crianças, principalmente porque em muitos casos elas se tornam alvo de de provocações e exclusão. No entanto, Sarah Ivermee, uma mãe inglesa cujo filho Freddie passava por situações parecidas, criou peças decorativas que são aplicadas nesses tipos de aparelhos, fazendo não só com que as crianças sintam orgulho em usar os acessórios, como as tornam o centro das atenções no jardim de infância.

Sarah teve a ideia durante uma conversa com uma amiga, que lhe contava como era difícil fazer sua filha usar o aparelho auditivo. Sarah então sugeriu agregar adesivos de unha, e o novo estilo deu certo! Hoje ela tem sua própria companhia chamada Lugs, que envia os mais variados designs para crianças de todo o mundo!

Aparelho auditivo decorado para crianças.
Aparelho auditivo decorado para crianças.
Aparelho auditivo decorado para crianças.
Aparelho auditivo decorado para crianças.
Aparelho auditivo decorado para crianças.
Aparelho auditivo decorado para crianças.
Fontes: Universo ZN - www.deficienteciente.com.br

Tetraplégico de Abrantes confessa-se vencido pelo sistema.

Eduardo Jorge, o tetraplégico de Abrantes que se tem destacado na luta pela implementação do processo legislativo da Vida Independente, vai ser institucionalizado no Centro de Apoio Social da Carregueira (CASC), conselho da Chamusca, no próximo dia 21 de julho.

 


Num longo texto publicado no seu blog pessoal, o próprio explica que se viu praticamente obrigado a tomar esta decisão contra a sua vontade, depois de vários anos a lutar pelo direito dos cidadãos portadores de deficiência permanecerem nas suas casas e ambientes familiares.


"Sinto-me como se estivesse a fazer algo muito errado, a desiludir alguém, a entregar os pontos e a dar-me como vencido", desabafa Eduardo Jorge, que explica que não pode continuar a viver sozinho 16 horas por dia, num estado de saúde frágil que necessita de acompanhamento permanente.

Além da dependência, o CASC ofereceu emprego a Eduardo Jorge, que inicia funções no próximo dia 1 de agosto, deixando assim de prestar serviço na União das Freguesias de Alvega e Concavada, concelho de Abrantes, onde terminou um estágio de inserção profissional.

No texto, Eduardo Jorge agradece a "humanidade" e a forma como tem sido tratado e acompanhado pelos responsáveis do CASC, que conheceu aquando da sua viagem de protesto a Lisboa.

Recorde-se que, em setembro de 2014, este tetraplégico de 52 anos cumpriu uma viagem de 180 quilómetros por estradas nacionais em cadeira de rodas entre a aldeia onde reside, Ribeira do Fernando, Concavada, concelho de Abrantes, e o Ministério da Solidariedade Social, em Lisboa.

Na capital, e acompanhado por outros cidadãos ligados ao movimento (d)Eficientes Indignados, Eduardo Jorge entregou um manifesto onde são reivindicadas alterações legislativas que permitam às pessoas com deficiência e necessidade de assistência permanecer em casa, contratar o seu próprio assistente e escapar ao internamento em lares de idosos.

"Estou a viver um turbilhão de sentimentos e sensações, pior de tudo é esta sensação de não estar a fazer o certo", escreve ainda o autor, para quem "é difícil não sentir uma sensação de derrota" e de ter sido vencido pelo sistema, uma vez que "é impossível continuar a viver nestas circunstâncias".

"Vou tentar resolver os problemas de saúde que me têm surgido, e criar condições para poder continuar ainda mais forte e convicto", acrescenta ainda Eduardo Jorge, garantindo que não vai desistir de lutar

"Minha grande angústia reside no facto de ainda não ter conseguido, através das ações de luta que me propus, alterar esta politica da institucionalização compulsiva levada a cabo pelo governo. Meu grande dilema não é institucionalização em si, mas o facto de ser obrigado a isso, de não existirem outras alternativas para quem depende do apoio de terceiros", conclui Eduardo Jorge.

John Young visa ser o primeiro atleta com nanismo a completar um Ironman.

O canadense John Young, que nasceu com nanismo, já conquistou muitos feitos em sua carreira esportiva. Tudo começou aos 40 anos, quando ele decidiu vencer a obesidade, problema comum em indivíduos com nanismo, por meio de atividades físicas.

@arquivo pessoal
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Agora, aos 49 anos, John coleciona medalhas de mais de 30 Triathlons e corridas de rua, incluindo a prestigiada Maratona de Boston. Em todas essas competições, Young deixou sua marca: o bom humor e a alegria de competir.
O professor de matemática agora vive em Boston e visa ser a primeira pessoa com nanismo a completar um Ironman. A tarefa será desafiadora, já que o atleta tem que dar entre 2 a 2,5 passadas na corrida para alcançar a distância de uma passada de um atleta de altura média. Em uma maratona, por exemplo, um atleta de estatura média precisa completar cerca de 33.000 passadas. Já Young precisa desenvolver entre 66.000 e 82.500 passos para percorrer a mesma distância. Jhon, que utiliza uma bicicleta infantil, busca apoio para desenvolver uma bicicleta de carbono e aerodinâmica adequada para seu tamanho. O atleta ainda não divulgou a prova na qual tentará completar os 226km do Ironman dentro das 17 horas.
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Conheça mais sobre esse pequeno gigante em seu blog:teamcompmightyjy.blogspot.com

Após dois dias, triciclo furtado de deficiente físico é recuperado.

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A Polícia Militar de Praia Grande recuperou, na noite de segunda-feira (13), o triciclo do deficiente físico Rodolfo Vicente Teixeira, de 44 anos, furtada na madrugada de sábado de dentro de sua casa, no Caiçara. O veículo estava em posse de um adolescente de 16 anos, que foi apreendido pelo crime de receptação.
Inicialmente o menor negou a autoria do furto e disse aos policiais que o triciclo pertencia ao seu tio. Porém, diante dos inúmeros questionamentos, caiu em contradição e afirmou que pegou o veículo emprestado de um amigo.
A localização do triciclo ocorreu na Rua Jurubaiba, enquanto uma equipe da PM fazia rondas pelo Caiçara. Assim que chegaram ao endereço, os agentes encontraram o adolescente pedalando o veículo e desconfiaram de que se tratava do bem furtado.
As suspeitas se confirmaram quando Rodolfo chegou à Delegacia do Município e não teve dúvidas em reconhecer o seu triciclo.
Após a confissão, os pais do adolescente foram chamados pelo delegado Eduardo Machado de Campos. Entretanto, os mesmos não compareceram à delegacia e o menor acabou encaminhado ao Conselho Tutelar.

O furto
Em depoimento à polícia, o deficiente físico contou que o triciclo foi furtado na madrugada de sábado de dentro do quintal de sua casa, na Rua Santa Luzia. O crime, no entanto, só foi percebido de manhã quando Rodolfo e sua mulher acordaram.
A vítima não registrou boletim de ocorrência pelo furto, mas espalhou diversas fotos do veículo em redes sociais da internet.
Fontes: atribuna.com.br - pessoascomdeficiencia.com.br

Do abrigo lotado à faculdade de direito: a saga de uma haitiana no Brasil.

Nadine domina quatro idiomas, mas teve dificuldade de conseguir emprego ao chegar no Brasil; empresários só recrutavam homens.

Foto: BBC/João Fellet/Paula Froes
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Enquanto uma multidão se acotovelava à espera das quentinhas com o almoço, uma mulher esperava em silêncio no canto, torcendo para que sobrasse comida para ela. Deficiente visual e viajando sozinha, a haitiana Nadine Talleis estava há quase dois meses naquele abrigo quando a BBC Brasil a abordou durante uma reportagem sobre a crise migratória no Acre, em 2013.
Após a entrevista, ela pediu ajuda para que pudesse deixar o alojamento, um ginásio cercado por lama onde 1.300 imigrantes dividiam dois banheiros e dormiam num espaço que deveria abrigar 200.
Passados dois anos, Nadine hoje mora no Distrito Federal, cursa o terceiro semestre da faculdade de Direito e pretende ser diplomata.
“Aquele foi o momento mais difícil desde que eu cheguei aqui”, lembra Nadine, de 29 anos, em conversa pelo telefone nesta semana.

Estado de emergência
As condições do abrigo em Brasileia fizeram o governo do Acre decretar estado de emergência. Com a carteira vazia, Nadine estava angustiada porque os empresários que visitavam o centro todos os dias para contratar imigrantes só recrutavam homens, em geral para serviços braçais no Sul e Sudeste.

“Eles iam embora e eu pensava: ‘vou ter que passar outra noite neste lugar’.”

Sem conseguir se deslocar pela cidade, pois só tem 15% da visão, ela contava com voluntários e funcionários do abrigo para encontrar algum emprego como massagista ou telefonista.

Imigrantes viviam amontoados e em más condições de higiene no abrigo em Brasiléia, no Acre.

A haitiana já havia desempenhado as duas funções ao viver por três anos na República Dominicana, antes de se mudar para o Brasil.

Na capital Santo Domingo, ela fez um curso de massagem e, ao trabalhar num call center, aprendeu a falar espanhol e inglês. Como já conhecia o francês e o creole, as línguas oficiais do Haiti, passou a dominar quatro idiomas.

Infância e terremoto
Nadine cruzou a fronteira com a República Dominicana após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010. Ela vivia no país natal com o avô, que lhe criara desde que seus pais haviam morrido, em sua infância.
Apesar dos crescentes problemas para enxergar, conta que “tinha tudo de que precisava”.

Filha única, Nadine diz ter herdado duas casas dos pais, o que lhe garantiu certa segurança financeira.

No entanto, o terremoto pôs abaixo os dois imóveis, causando-lhe um grande prejuízo.
Como o avô estava velho e não podia sustentá-la, Nadine foi morar com parentes na República Dominicana. “Eles tratam muito mal os haitianos lá”, lembra.

Estima-se que 500 mil pessoas nascidas no Haiti ou de ascendência haitiana vivam na República Dominicana.
Grande parte do grupo está num limbo jurídico desde que, em 2013, a Justiça do país decidiu que filhos de imigrantes ilegais nascidos após 1929 não têm direito à cidadania dominicana, o que abriu o caminho para deportações em massa.
Nadine diz ter decidido deixar o país após gastar 30 mil pesos dominicanos (cerca de R$ 2.100) para tentar regularizar sua documentação, sem êxito. “Doeu muito o meu coração.”
Ela soube que um tio havia migrado para o Brasil e que o país era mais aberto a estrangeiros.
Com as economias que lhe restavam, voou da República Dominicana até o Equador e, de lá, contou com a ajuda de outros haitianos para viajar de ônibus até a fronteira do Brasil com o Peru.
“Pensei que o Brasil poderia me ajudar, porque havia progresso no Brasil”, ela disse em inglês ao ser entrevistada ainda no abrigo, em 2013.

No país, diz ter notado semelhanças entre haitianos e brasileiros. “A alegria do brasileiro se parece muito com a nossa. E quando você tem alegria, não falta nada.”

‘Nadjíne’
Hoje Nadine fala português com desenvoltura e se apresenta como “Nadjíne”, versão abrasileirada de seu nome. Foi sua habilidade linguística que chamou a atenção de funcionários do alojamento no Acre. Como não contavam com intérpretes, eles passaram a recorrer a Nadine para traduzir diálogos com imigrantes haitianos, senegaleses e dominicanos.
Um dos funcionários lhe sugeriu que tentasse a sorte em Brasília e lhe pôs em contato com pessoas que poderiam ajudá-la na capital.
Essas pessoas, diz ela, acabaram se tornando sua “família adotiva”.

Nadine passou alguns meses na casa deles e ouviu que uma faculdade próxima, na cidade-satélite de Taguatinga, abrira inscrições para o vestibular.
Ela se registrou e fez a prova para direito. Passou. “Foi o dia mais feliz da minha vida”, recorda.

Mas Nadine não tinha dinheiro para pagar o curso, e sua “mãe adotiva” sugeriu que ela procurasse um trabalho e, quando estivesse estabilizada, tentasse a vaga outra vez.

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Nadine resolveu se matricular mesmo assim. “Eu disse para ela: ‘eu vim aqui para estudar. Se fosse para ficar sem fazer nada, não precisaria ter vindo’.”
No primeiro semestre, Nadine pagou as mensalidades da faculdade Mauá com a ajuda da família adotiva. Até que conseguiu uma emprego de auxiliar administrativa na própria instituição e ganhou uma bolsa integral para prosseguir com o curso.

Nas aulas, Nadine anda sempre com um gravador. A haitiana acessa os livros por meio de um programa de computador que lê os textos para ela.
Hoje ela aluga um apartamento perto da faculdade, em Vicente Pires.

‘Dom de conversar’
A haitiana já planeja os próximos passos. Depois de se formar, quer seguir a carreira diplomática. Ela pretende usar a facilidade que tem de se comunicar para ajudar países a se entenderem.
Religiosa – é adepta do adventismo –, Nadine diz ter recebido de Deus o “dom de conversar”.

“Eu gosto muito de paz, de tranquilidade, e acho que posso ajudar o mundo com esse dom.”
Como a legislação brasileira proíbe a contratação de diplomatas estrangeiros, Nadine sabe que talvez tenha de buscar trabalho em outros países.

Por enquanto, ela tem outro objetivo mais imediato: publicar um livro sobre sua vida. Nadine começou a escrever a obra neste mês e pretende terminá-la até o ano que vem.
Ela diz acreditar que sua trajetória possa inspirar outras pessoas.
“Não vou dizer que tenho tudo, mas estou feliz porque, apesar de todos os problemas, consegui encontrar o meu caminho.”