sábado, 29 de agosto de 2015

TATIANA - UM EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

Texto e fotos: Luanny Porto Edição de texto: Cloves Teodorico

   

A emocionante e singular história de vida de Tatiana Lourenço, de 32 anos de idade, é um exemplo de força de vontade e determinação. A jovem, que já nasceu sem os dois braços, realiza, com os pés, todas as atividades domésticas que, habitualmente, são realizadas com os membros superiores, como lavar louças, pentear os cabelos, decorar unhas e até mesmo fazer crochê. Na Semana da Pessoa com Deficiência, que vem sendo vivenciada em todo o Brasil, Tatiana passa a ser exemplo de superação.

Desde pequena ela usava seus pés como se fossem suas mãos. Sua agilidade e flexibilidade impressionam a todos que com ela convivem. “Quando eu estudava, muitas pessoas me olhavam de forma estranha, mas isso nunca foi motivo para que eu desanimasse na vida, sempre encarei com naturalidade, e nunca desisti dos meus objetivos”, declara Tatiana.

Tatiana já foi beneficiada com uma casa, através do programa federal ‘Minha Casa, Minha Vida’, e também já conta com os benefícios do Passe Livre - programa federal que visa proporcionar às pessoas com deficiência, e carentes, a terem gratuidade nas passagens para viajar entre os estados brasileiros. Serviços nos quais são executados, em Garanhuns, por meio da Secretaria de Assistência Social. “Sou muito grata a tudo que fizeram e fazem por mim. Quando estou passando por alguma dificuldade é lá que me ajudam”, afirma, emocionada.

Casamento – Tatiana, além de seguir sua vida de forma normal, também encontrou um companheiro. Ela irá se casar no próximo dia 11 de setembro.

ANS defende venda de plano de saúde com taxa de utilização paga pelo consumidor

Metade dos contratos existentes têm coparticipação; pessoas só dão valor ao que tem custo, diz presidente da agência

                             Planos de saúde: agência que regula o setor de saúde complementar defende que usuários também paguem pelas despesas
Agência Brasil - Planos de saúde: agência que regula o setor de saúde complementar defende que usuários também paguem
 pelas despesas



A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) defende a ampliação da oferta de planos de saúde com coparticipação, modalidade em que o consumidor tem de pagar uma taxa para fazer uma consulta, um tratamento ou um exame.
 
Atualmente, cerca de metade dos 55 mil planos de saúde disponíveis no mercado incluem o mecanismo, segundo o presidente da ANS, José Carlos Abrahão.
"Mas eles não podem passar a vender [mais] com coparticipação?", disse Abrahão, ao iG, em evento da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), na quinta-feira (27) em São Paulo. "Na realidade, a gente só dá valor àquilo que [gasta]. Então tem na legislação o mecanismo da coparticipação. Por que a gente não pode oferecer?"
O presidente da ANS descartou mudar a legislação para estimular esse mercado, e ressalvou que a cobrança não pode ser incluída em contratos que tenham sido firmados sem o mecanismo. Segundo o diretor-executivo da Abramge, Antônio Carlos Abbatepaolo, a minoria da massa de clientes das operadoras atualmente paga coparticipação.
"Talvez a gente esteja chegando num momento em que essa questão tem de ser encarada como uma das opções viáveis para manter o sistema vivo", disse Abbatepaolo durante debate no evento. As operadoras estimam gastar mais de R$ 0,80 com o tratamento dos clientes de cada R$ 1 que arrecadam.
R$ 13,17 por consulta
Estudo da gestora e consultoria Aon com 423 empresas brasileiras divulgado nesta semana aponta que 66% delas oferecem aos seus empregados planos de saúde com coparticipação. Nesse grupo, quase a totalidade (98%) exige a contrapartida no caso de consultas eletivas e mais da metade (62%), para terapias.
Segundo o levantamento, para fazer uma consulta eletiva, os funcionários das empresas onde há coparticipação têm de desembolsar em média R$ 13,17. Para exames complexos, o valor é de R$ 26,79 e, para terapias, R$ 12,13.
A Aon alerta entretanto que, ao mesmo tempo em que a coparticipação pode estimular o uso consciente do plano de saúde, a coparticipação deve ser adotada com cuidado no caso de terapias, pois pode inibir a continuidade de tratamentos.
Essa dissuasão tende a aumentar o gasto com o sistema de saúde, e não diminuí-lo – como é o objetivo da coparticipação – avalia Lígia Bahia, integrante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Isso porque o paciente deixa para procurar o médico após o agravamento de um eventual problema.
"O Obamacare [reforma do sistema de saúde pública feito pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama] acaba de proibir a coparticipação. Ela é prejudicial à saúde", afirma Lígia.
A professora reconhece a existência de desperdício no uso dos sistemas de saúde, mas afirma que outros mecanismos poderiam ser utilizados, como a criação de prontuários eletrônicos para evitar encaminhamentos e exames desnecessários; e o atrelamento da remuneração paga a médicos e instituições à qualidade do serviço prestado.



Atletas paralímpicos participam da XIX Meia Maratona Internacional do Rio neste domingo

Atleta paralímpico Ezequiel Costa, medalhista no Mundial de Lyon-2013 é um dos que participa da corrida
Ezequiel Costa, medalhista de bronze da maratona no Mundial de Lyon-2013, é presença certa no evento

No próximo domingo, 30, ocorre a XIX Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro. E o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em parceria com a Yescom, organizadora da corrida, participará do evento. Serão 49 atletas paralímpicos, sendo nove cadeirantes, 21 deficientes físicos, três deficientes intelectuais, 16 deficientes visuais e 13 guias.
Os atletas que já têm classificação funcional internacional terão seus resultados enviados ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC, em inglês). As marcas e colocações serão validadas para o ranking mundial.
A corrida têm 20 mil atletas inscritos e será transmitida dentro do Esporte Espetacular, na Rede Globo. A largada está prevista para as 8h20, para o pelotão de elite feminino, e às 8h45, para o masculino. Os atletas largam na praia de São Conrado e chegam ao aterro do Flamengo.
Confira abaixo a lista de atletas:
Cadeirantes
Heitor Mariano Dos Santos
Fernando Aranha Rocha
Evaldo Abel De Souza
Carlos Neves De Souza
Maciel Antonio Paulino
Luis Felipe Farias Rodrigues
Maria De Fátima Fonseca Chaves
Aline Dos Santos Rocha
Angelina Nascimento Da Silva

Deficientes Físicos (Membros Superiores e Inferiores e Paralisados Cerebrais)
Isalmir Jose Alves da Silva
Luciano Lopes Verol
Carlos Alves do Nascimento
Wellington Miguel Da Silva
Wenceslau Franco
José Alves dos Santos
Renato Ferreira de Campos
Fernando Marcos Germano de Moura
Anderson da Silva Santos
Tito Alves da Sena
Marcio Miranda Nunes
Adelson Tavares Ferreira Junior
Carlos Alexandre de Faria Nunes Martins
Marcos Antonio Melo dos Santos
Lindaura Fontes C. M. Vieira
Adriele da Silva
Ezequiel Batista Cordeiro
Elielson de Jesus Silva
Francisco Paulo Felício dos Santos
Everton Mariano dos Santos
Pedro Henrique Ribeiro De Abreu

Deficientes Intelectuais
Lidia Kazuko Yamamoto
Monica Ramos
Eduardo Ferreira da Silva

Deficientes Visuais
Maria Iranir M. Sousa
Celia Regina Petratti
Daniela Briel Costa Cornachini
Rosita Gil Rocha
Cristina Ribeiro de Barros
Maria da Conceção Silva Soares
Joselino Gercino da Silva
Franscismiltom Evangelista Medeiros da Conceição
Ari Carlos Dias dos Santos
José Fernando dos Santos
Vilnei Moraes da Silva
Alex Bispo de Oliveira
Jaildo Adelino da Silva
Fernandes Mendes da Silva
Jadir de Paula Silva
Marcio Alexsandro de Lima

Atletas-guia
Rodrigo da Silva Gerônimo
Marcos Antonio Gomes de Oliveira
Viviane Fernandes da Silva Santos
Franklin Wellington Rocha Conceição
Jairo de Paula Ataíde
Carlos Eduardo Bispo
Luiz Antonio Dos Santos
Fabrício Cornachini
Dejair Lucena Nobre
Antonio Darcy Pereira dos Santos
Romulo de Oliveira Pereira
Paulo Patrick Silva Soares
Paulo Henrique Barros

9 pessoas com deficiência intelectual que possuem habilidades incríveis

Savantismo, também chamado de síndrome do sábio ou síndrome de savant, é um distúrbio psíquico. A condição é um mistério que fascina e intriga a ciência. Seus portadores geralmente possuem habilidades incríveis, como memória extraordinária, e ao mesmo tempo sérios problemas de desenvolvimento, como dificuldade para falar e se relacionar socialmente.
Conheça a história de nove pessoas com savantismo:
1. O homem com síndrome de Down que se tornou um maestro brilhante
incriveis-pessoas-com-savantismo-1
Zhou Zhou nasceu com síndrome de Down em 1 de abril de 1979 em Wuhan, na China. Seu QI é apenas 30% o de uma pessoa normal. Ele não sabe sua idade ou reconhece moedas, mas distingue todos os instrumentos de uma sinfonia.
Ele é o único maestro no mundo que não lê música. Seu talento especial permite-lhe memorizar todas as melodias logo depois que as ouve pela primeira vez.
Zhou Zhou já percorreu o mundo, trazendo alegria a muitas pessoas com suas habilidades especiais. Em 2006, sua mãe morreu de câncer, e ele permaneceu fora da vista pública até 2014, quando concedeu uma entrevista à Central Television da China.
2. O homem autista que pode pintar paisagens detalhadas de memória
2
Stephen Wiltshire pode desenhar e pintar paisagens detalhadas e urbanas inteiramente de memória.
Ele era mudo quando foi diagnosticado com autismo severo com três anos. Logo, começou a se comunicar através de seus desenhos depois de ter sido enviado para uma escola em Londres, na Inglaterra. Com o apoio de seus professores, Stephen lentamente aprendeu a falar.
Foi durante esses anos que seu talento especial foi descoberto. Na sequência de uma excursão, ele pintou o ornamentado Albert Hall em detalhe sem o auxílio de uma fotografia. Ele pode olhar para algo apenas uma vez e reproduzi-lo com precisão, até o número exato de colunas ou janelas de um prédio, por exemplo.
Stephen já eternizou as cidades icônicas de Tóquio, Roma, Hong Kong, Frankfurt, Madrid, Dubai, Jerusalém, Londres, Cingapura e Nova York.
3. O homem severamente autista que pode tocar músicas que ouviu apenas uma vez
3
Em 1995, Rex Lewis-Clack nasceu cego e severamente autista. No entanto, desde criança, ficou claro que tinha uma afinidade especial para a música. “Quando tinha três anos, ele começou a pegar as notas da Nona Sinfonia de Beethoven”, conta sua mãe, Cathleen Lewis.
Rex apresenta uma espantosa capacidade de reproduzir peças de piano que ouviu apenas uma vez. Ele também improvisa variações musicais com base em um determinado tema.
Agora com 20 anos de idade, Rex tem tocado profissionalmente desde os oito e encantado plateias em todo o mundo. Porém, longe do teclado, ele ainda tem dificuldade em manter uma conversa básica.
Rex é apenas uma das cerca de 30 pessoas ao longo da história que combinaram cegueira, deficiência intelectual e habilidade musical prodigiosa.

4. As gêmeas idênticas que são conhecidas como “As gêmeas Rain Man”
4
Flo e Kay Lyman são gêmeas idênticas autistas que têm habilidades de memória especiais. As irmãs, agora com quase 60 anos, demonstram uma capacidade extraordinária de reter uma vasta coleção de detalhes sobre aparentemente tudo o que aconteceu em suas vidas inteiras – o que viram, ouviram, experimentaram, cheiraram e tocaram.
Elas são as únicas gêmeas autistas com savantismo conhecidas no mundo. O que as torna ainda mais originais é que são bastante sociais e falantes. As irmãs até mesmo fazem piadas e expressam opiniões. Eles também gostam de ver bandas ao vivo.
Assim como o personagem de Dustin Hoffman em “Rain Man” era obcecado com um programa, as gêmeas religiosamente observam e tomam notas de cada episódio de “The $100,000 Pyramid”. Seu ídolo é o apresentador Dick Clark. Flo e Kay ficaram devastadas quando Clark teve um derrame em 2004, tendo feito um pequeno santuário em seu quarto e orado regularmente para a sua recuperação.
Se você ficou curioso para saber mais sobre essas gêmeas, existe um documentário em inglês (vídeo abaixo) sobre as irmãs.
5. O menino com síndrome de Asperger que é o mais jovem pesquisador de astrofísica do mundo
5
Quando Jacob Barnett tinha 2 anos de idade, foi diagnosticado com autismo moderado a grave. Os médicos disseram a seus pais que ele provavelmente nunca iria falar ou ler. Sua mãe, seguindo seu instinto, tirou o garoto de uma instalação de educação especial e passou a ensiná-lo em casa. Com a idade de 11, Jacob entrou na faculdade para estudar física da matéria condensada na Universidade de Purdue, em Indianápolis.
Agora com 17 anos, Jacob estuda no Instituto Perimeter de Física Teórica e é um dos físicos mais promissores do mundo. Com um QI maior que o de Einstein, ele está trabalhando em uma teoria que pode render-lhe um Prêmio Nobel. Conhecido como o mais jovem pesquisador de astrofísica do mundo, Jacob até mesmo dá palestras para outros cientistas.
Ele apresentou um TEDx em 2012, é fascinante:
6. A autista que se tornou uma das melhores cientistas animais
6
Temple Grandin é talvez pessoa com autismo mais famosa do mundo. Ela tem uma excepcional inteligência não verbal e memória espacial.
Professora doutora de ciências animais na Universidade Estadual de Colorado (EUA), Grandin superou problemas de fala cedo na vida e se tornou autora e ativista de causas vinculadas ao bem-estar animal. Hoje, é especialista e consultora em comportamento animal.

Além disso, Grandin é defensora da pesquisa e consciência do autismo. Ela também inventou a “Hug Box”, uma máquina que ajuda as pessoas com transtornos relacionados ao autismo a lidarem com a ansiedade.
Seus livros são destinados a ampliar a compreensão do público sobre os desafios enfrentados pelas pessoas no espectro do autismo, além de explorar como tirar o máximo dos seus pontos fortes e habilidades únicas.
7. O autista cego que tem feito concertos em todo o mundo
7
Derek Paravicini, de 36 anos, é cego e tem graves dificuldades de aprendizagem. Ele não pode vestir-se ou alimentar-se sozinho, mas decora e aprende a tocar uma música instantaneamente ao ouvi-la.
Derek nasceu prematuramente, com 25 semanas. Sua cegueira foi causada por oxigenoterapia durante seu tempo em uma unidade de terapia intensiva neonatal. A terapia também afetou seu cérebro em desenvolvimento, resultando em sua severa deficiência de aprendizagem. No entanto, ele é um prodígio musical. Ele tem afinação perfeita e capacidade de reproduzir praticamente qualquer peça de música no piano depois de ouvi-la apenas uma vez.
Em sua primeira visita ao The Linden Lodge School for the Blind, quando garoto, Derek ouviu uma música e seguiu o som até uma sala onde um professor, Adam Ockelford, estava tocando piano. Ele empurrou Ockelford para o lado e assumiu o instrumento. O professor encorajou seu interesse musical e, desde então, Derek feito shows ao vivo em diferentes lugares do mundo, de Las Vegas ao Palácio de Buckingham, emocionando públicos de todos os cantos.
8. O menino autista que é autor de dois livros e teorias sobre o aproveitamento da energia renovável
8
Vishal Anand tem 10 anos. Ele lançou uma coleção de canções devocionais, “Smaranam”, escritas e compostas por ele, em 25 de dezembro de 2014. As letras do álbum estão em quatro línguas: tâmil, sânscrito, devanágari e malaiala.
Aos 6 anos, Vishal escreveu seu primeiro livro, “Meadow of Moods”, seguido de outro chamado “Jumbo’s Bag—Words & Phrases”, que tem ênfase em crianças com necessidades especiais e seus desafios linguísticos.
Vishal vai para escola principalmente com a finalidade de adquirir habilidades de interação social, visto que seus conhecimentos ultrapassam em muito o de seus colegas. “Temos levado Vishal a vários terapeutas ocupacionais para ajudá-lo a desenvolver habilidades básicas para a vida independente, e aprimorar suas habilidades motoras”, conta sua mãe, Vidhya.
Os pais de Vishal começaram a se comunicar com os pesquisadores do Instituto Indiano de Ciência, que têm mostrado interesse nas teorias de energia renovável criadas pelo menino. “Meu herói é o ganhador do prêmio Nobel Albert Einstein. Eu estou interessado em fazer pesquisa para criar um dispositivo de energia renovável radioativa em colunas de células de combustível que podem ser usadas em carros, residências e indústrias”, dsse Vishal.
Traumatismo craniano liberta gênio musical
9. O homem com deficiência grave que também é um talentoso escultor
9
Alonzo Clemons sofreu uma lesão cerebral grave quando era muito jovem, mas havia indícios de seu talento mesmo antes disso. Quando pequeno, ele já fazia esculturas usando massinha colorida.
Aos três, ele caiu e sofreu uma lesão cerebral. O acidente o deixou gravemente incapacitado, e seu QI caiu para 40. No entanto, isso amplificou suas habilidades artísticas, e ele adquiriu um dom para criar esculturas com precisão inspiradora.
Clemons não precisa estudar um modelo por horas para criar suas obras de arte incrivelmente detalhadas. Depois de apenas um breve vislumbre da imagem de um animal, ele pode fazer uma escultura concisa dentro de uma hora.
Conforme ele cresceu, suas esculturas tornaram-se mais realistas e suas deficiências pareceram diminuir. Ele começou a falar e desenvolveu uma melhor capacidade de cuidar de si mesmo. Clemons agora precisa de pouca ajuda e trabalha em tempo parcial, além de continuar a fazer suas esculturas. Buscando inspirar a criatividade nas crianças, ele exibe suas obras em escolas. [Oddee]
Fontes: hypescience.com - pessoascomdeficiencia.com.br

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Brasil gigante Paraolímpico

O segredo do primeiro lugar no Parapan 2015 e de bons desempenhos em sequência é o de sempre: investimento.

Foto: Daniel Zappe / MPIX/CPB

Jane Gögel ganhoJane Gögel ganhou medalha de ouro no tiro com arco

O Brasil pode não viver um grande momento, mas o Parabrasil está com tudo. É superpotência. Voltou do Parapan de Toronto, encerrado há uma semana, não só na condição de campeão no quadro geral de medalhas, mas com mais ouros do que o segundo e o terceiro colocados juntos – no caso, os poderosos Canadá e Estados Unidos. Na bagagem, os brasileiros trouxeram 90 quilos em medalhas, 257 no total, quase uma para cada integrante da delegação de 272 atletas. Não houve uma mísera modalidade em que o Parabrasil não tenha subido ao pódio.

A razão para o sucesso do paradesporto nacional é simples: dinheiro. Toda vez que um brasileiro deposita na Mega Sena, na Quina ou em qualquer outra loteria federal as suas esperanças de levar uma vida de marajá, os cofres do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) incham um pouquinho. Desde 2001, com a aprovação da Lei Agnelo/Piva, 2% da arrecadação das loterias são direcionados ao esporte. Do montante, 85% seguem para o Comitê Olímpico Brasileiro. Os demais 15% ficam com o CPB. Até 2014, já haviam sido repassados ao paradesporto mais de R$ 250 milhões. Antes da lei, o Brasil arrematava uma média de 2,75 ouros a cada paralimpíada. Depois, passou para 17.

O esporte paralímpico era completamente amador. A partir da lei, se organizou e consolidou. Os resultados começaram a aparecer. Não é qualquer país que tem, hoje, uma estrutura como a nossa, com recursos garantidos. É até um paradoxo. No Brasil, onde falta investimento para tudo, o paralímpico vai bem – comenta o advogado Luiz Cláudio Portinho Dias, presidente da ONG RS Paradesporto.

A Lei Agnelo/Piva representa a principal fonte de recursos do CPB, mas não a única. Rendeu no ano passado R$ 39 milhões, de um orçamento total de R$ 82 milhões. O excedente vem principalmente de um patrocínio da Caixa (média de R$ 30 milhões ao ano), mas também graças a repasses do Ministério do Esporte e de convênios com o governo de São Paulo e a prefeitura do Rio. Segundo o presidente do comitê, Andrew Parsons, isso coloca o Brasil em um patamar de investimento próximo ao das principais potência paralímpicas – China, Grã-Bretanha, Rússia, Austrália, Ucrânia e EUA.

Obviamente, o vil metal só se transformou em ouro, prata e bronze porque foi bem aplicado. Hoje, o país mantém um alentado calendário de campeonatos regionais e nacionais em todas as 22 modalidades paralímpicas. A bonança também serviu para financiar os Jogos Paralímpicos Escolares, que na última edição reuniram 1,2 mil crianças e adolescentes que haviam se destacado nas seletivas estaduais. Maior do mundo, essa estrutura permite garimpar talentos precoces, caso do paraense Alan Fonteles, descoberto aos 14 anos, trabalhado pelo CPB e hoje colecionador de ouros e recordes mundiais em provas de 100m e 200m. Em 2012, virou notícia ao vencer o então badalado paratleta – hoje homicida condenado – Oscar Pistorius nos Jogos de Pequim.

Dinheiro direto para os atletas também faz parte da equação. Quem conquista as primeiras posições em competições nacionais ou internacionais ganha direito a uma bolsa, concedida pelo governo. No Parapan, 96,8% das medalhas foram obtidas por bolsistas. Em muitos casos, os valores são modestos, mas a bolsa-pódio, direcionada a quem tem maior potencial, pode chegar a R$ 15 mil por mês.

Essa receita permite a muitos paratletas dedicar-se ao esporte em tempo integral. A halterofilista Marcia Menezes, por exemplo, dividia-se entre a modalidade e dois empregos. Obteve uma bolsa e passou a dedicar-se exclusivamente ao levantamento de pesos. No ano passado, conquistou o bronze no campeonato mundial.

Segundo Felipe Jacovazzo, diretor-técnico da Associação Nacional de Desporto para Deficientes, um dos efeitos das bolsas é estimular o alto rendimento:

As bolsas são a grande fonte de renda de boa parte dos atletas. Como a renovação é anual, o atleta tem de estar sempre na melhor performance, porque é o resultado que vai manter a bolsa dele.

É claro que há algumas questões complicadas. Para Portinho Dias, a dificuldade que a pessoa com deficiência encontra para ingressar no mercado transformou o paradesporto em opção de segurança financeira – o que não ocorreria em outros países, onde há mais oportunidades profissionais e acadêmicas. Ele diz que, no Brasil, virar paratleta é quase como ser funcionário público.

Há ainda a grande quantidade de deficientes no Brasil, população estimada em 30 milhões. Andrew Parsons, presidente do CPB, afirma que não há correlação entre esse aspecto demográfico e o sucesso do paradesporto de um determinado país. Mas o perfil do paratleta brasileiro apresenta particularidades tipicamente verde-amarelas. Dos 272 integrantes da delegação enviada a Toronto, 43 eram vítimas da carnificina no trânsito. Outros 34 adquiriram a deficiência como decorrência de problemas na gestação ou no parto, outra fragilidade nacional. Há ainda as vítimas da criminalidade e da violência que grassam no país.

O Brasil é um dos países com mais pessoas com deficiência. Há muito jovens acidentados de trânsito ou vítimas de armas de fogo. São paradoxos que o esporte paralímpico acaba suscitando. No fundo da questão, se for analisar, vai ver que o sucesso do esporte paralímpico é proporcional a várias mazelas do país – acredita Portinho Dias.

Tiago Paulino na prova de arremesso de disco

Mais dinheiro à vista

Se financiamento se traduz em medalhas, o Brasil pode esperar resultados ainda melhores no paradesporto. A legislação que prevê repasse de valores das loterias foi alterada para beneficiar o setor. Em lugar de 2%, 2,7% da arrecadação será destinada ao esporte. O acréscimo será destinado integralmente ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A previsão é que o repasse pule de R$ 39 milhões ao ano para R$ 130 milhões.



Fontes: Zero Hora - www.fernandazago.com.br

51% da cota para pessoas com deficiência não é preenchida nas empresas de Sorocaba

182904_1
Anderson Soares afirma ser difícil encontrar vagas, pois a seleção é restritiva

Nas 191 empresas de Sorocaba que possuem cota para Pessoas com Deficiência (PCDs), 51,5% das vagas não está preenchida. Do total de 3.317 vagas que deveriam ser preenchidas por esse público, atualmente 1.610 são PCDs contratados, de acordo com números do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), repassados pelo Sindicato dos Empregados do Comércio de Sorocaba (Sincomerciários).
A chamada Lei das Cotas (8.213/1991) completou 24 anos em 24 de julho e estabelece a obrigatoriedade de as empresas com 100 ou mais funcionários preencherem uma parcela de seus cargos com pessoas com deficiência. Eventos na região, hoje e amanhã, buscam levar mais informações tanto para os profissionais quanto para as empresas, para ajudar a promover maior inclusão no mercado de trabalho.
Fontes: jornalcruzeiro.com.br - pessoascomdeficiencia.com.br

Após ação do MPT-AM, Coca-Cola vai pagar R$ 250 mil por não contratar deficientes

A Coca-Cola, integrante do Grupo Simões, vai pagar uma indenização a título de dano moral coletivo no valor de R$ 250 mil, por não cumprir a cota para contratação de pessoas com deficiência ou reabilitadas.

              leidecotas



O valor foi definido em acordo judicial, após o Mistério Público do Trabalho no Amazonas (MPT 11ª Região) ajuizar ação civil pública contra a Brasil Norte Bebidas Ltda. (Coca-Cola Brasil) na perante a 7ª Vara do Trabalho de Manaus.
Além do pagamento da indenização, a Coca-Cola também deverá contratar 78 pessoas com deficiência ou reabilitadas, por meio do programa de aprendizagem, de modo a completar a cota legal de 124 empregados.
Esse número é calculado com base no percentual de 5% do quadro geral de funcionários, que no momento do acordo era de 2.490 funcionários, segundo informações apresentadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas (SRTE/AM).
Também ficou firmado que, após o prazo de dois anos, a partir da data do acordo, a Coca-Cola deverá estar com a cota de empregados com deficiência ou reabilitados completa, nos termos legais, mediante a contratação direta de pessoas com deficiência ou reabilitadas e não mais mediante a contratação por meio de contrato de aprendizagem.
A Coca-Cola está proibida de dispensar pessoas com deficiência contratadas como aprendizes fora das hipóteses legais, ou pessoas com deficiência e segurados reabilitados da previdência social, sem que proceda a contratação de outros beneficiários da reserva legal de vagas.
A empresa também deve abster-se de dispensar trabalhadores que não sejam pessoas com deficiência ou reabilitados da previdência social, ao contratar empregados para atender às exigências da cota, além de não poder realizar a sobreposição de cotas na computação de empregados com deficiência e das vagas reservadas à aprendizagem.
Também durante um período de dois anos, a Coca-Cola deverá promover as adequações necessárias no ambiente e organização do trabalho e disponibilizar as ajudas técnicas necessárias, de forma a promover a inclusão e torná-los acessíveis.
No caso de descumprimento de qualquer das obrigações assumidas, será cobrada multa no valor de R$ 500 por trabalhador prejudicado.
Com informações da assessoria
Fontes: emtempo.com.br - pessoascomdeficiencia.com.br

Câmara aprova projeto que proíbe o infanticídio nas comunidades indígenas

                                 Câmara aprova projeto que proíbe o infanticídio nas comunidades indígenas

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta, 26, projeto que coíbe práticas tradicionais nocivas às crianças indígenas, entre elas o infanticídio. Pelo texto aprovado, que altera o Estatuto do Índio, cabe ao Estado agir para proteger crianças, adolescentes, mulheres, deficientes e idosos de práticas que atentem contra a vida, a saúde e a integridade físico-psíquica dos indígenas. O projeto segue agora para o Senado.
A proposta foi aprovada por 361 votos à favor, 84 contra e nove abstenções. O projeto diz que órgãos responsáveis pela política indigenista, como a Fundação Nacional do Índio (Funai), devem atuar em situações como infanticídio, homicídio, abuso sexual, estupro, escravidão, abandono de vulneráveis e violência doméstica.
O texto prevê que o Estado deve desenvolver projetos que visem a defesa, entre outros, de recém-nascidos, crianças rejeitadas pelos genitores e mulheres em caso de gestação múltipla. Caberá ao órgão do Estado fazer o cadastro das gestantes para acompanhamento e garantia de que a criança nascerá sem risco de sofrer violência.
O substitutivo aprovado nesta noite diz que os cidadãos são obrigados a informar sobre situações de risco detectados em comunidades indígenas, sob pena de serem responsabilizados. “As autoridades serão igualmente responsabilizadas, na forma das leis vigentes, quando não adotarem, de maneira imediata, as medidas cabíveis para a proteção e defesa das crianças, adolescentes, mulheres, pessoas com deficiência e idosos indígenas em situação de risco”, destaca o texto.
O projeto foi batizado de “Lei Muwaji”, em homenagem a uma mãe indígena que se revoltou contra a tradição de sua tribo e salvou a vida da filha, que seria morta por ter nascido com deficiência física.
Fontes: br.noticias.yahoo.com - pessoascomdeficiencia.com.br

Falta de acessibilidade em avenida de Belém prejudica os deficientes físicos

Rampas terminam onde não devem. e as calçadas têm postes de luz. Sedop diz que já notificou a rede Celpa para retirada de obstáculos.

4421293_x240

A população que possui algum tipo de deficiência física reclama que as rampas de acesso para cadeirantes, na avenida Perimetral, em Belém, terminam onde não devem e os pisos para os deficientes visuais possuem postes no meio do caminho. Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop), a rede Celpa já foi notificada sobre os postes nas calçadas e, os antigos, estão sendo remanejados.
“Um país como o nosso devia ter acesso melhorado para as pessoas com deficiência e nós não temos todo esse acesso”, desabafa o universitário Ernani Alex, que é cadeirante e se locomove com dificuldade pelas rampas da Perimetral.
A tia do universitário, Jacira Mendonça, afirma que faz o que pode pelo sobrinho, mas fica desgastada pelas dificuldades. “Quando chega o final do dia, eu fico cansada. Não é nem por empurrá-lo e sim por causa de dificuldade que a gente encontra para se locomover. É muito difícil”, explica.
Já o piso tátil feito para os cegos se guiarem acaba no poste de iluminação, que fica no centro da passagem de pedestres. “O poste chegou primeiro e depois eles colocaram o piso. Não têm condições para um deficiente andar por essa calçada”, diz o comerciante Júnior Aragão.
Ainda de acordo com a Sedop, de 90 postes que existem nas calçadas, cerca de 62 já foram substituídos . A rede Celpa informou que já foi notificada e que o trabalho de remanejamento dos postes ocorre dentro do cronograma da obra de duplicação da avenida.
Obras na Perimetral
A avenida Perimetral está passando por obras de duplicação desde 2014. A via deve ficar pronta em 2016. Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop), por causa disso nem tudo está perfeito.
“Faltam as entidades representativas e legítimas do segmento serem ouvidas e consultadas porque só nós sabemos das nossas dificuldades e necessidades, mas as obras são construídas de cima para baixo sem ouvir a população. Nós nos incluímos no meio da população, pois não somos consultados e nem ouvidos. Quando as obras saem são bonitas, mas inacessíveis”, explica o assistente social da Associação Paraense de Pessoas com Deficiência, Jordeci Santa Brígida.
“Isso daqui é horrível e não dá para passar cadeirante por aqui. Um dia desse eu vi um senhor de bengala passando por aqui, com risco de uma bicicleta bater nele. Isso aqui ainda não está concluído direito”, conta a dona de casa Carmem Martins.
Fontes: g1.globo.com - pessoascomdeficiencia.com.br

Encerrada sabatina do Brasil na ONU sobre direitos das pessoas com deficiência

 Ministro Pepe Vargas fala na sabatina, ao lado de integranes da comitiva.

Nesta quarta-feira, 26/8, foi encerrada a sabatina do Brasil perante do Comitê dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU com relação à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Agora o órgão vai preparar as recomendações ao país para que siga avançando nas políticas públicas voltadas para a inclusão das pessoas com defciência em todos os âmbitos, em igualdade de condições com os demais e em consonância com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

A sessão teve início com uma intervenção feita pelo Ministro dos Direitos Humanos, Pepe Vargas, Chefe da Delegação Brasileira, repondendo aos questionamentos propostos pelos membros do comitê no dia anterior. Veja a íntegra da explanação do Ministro:

“O Brasil é um país de dimensões continentais, com área de 8,5
milhões de Km2, cuja população é de cerca de 200 milhões de
habitantes, com um PIB per capita de U$ 11,2 mil. No Censo
demográfico realizado em 2010, 45,6 milhões de pessoas
declararam possuir algum tipo de deficiência.

A concentração da renda é estrutural e histórica na sociedade
brasileira. Só recentemente o Estado brasileiro passou a
desenvolver políticas que caminham no sentido de melhorar a
distribuição da renda nacional. Com efeito, graças à política de
valorização do salário mínimo, ao aumento da formalização do
trabalho, ao crescimento da cobertura previdenciária e de
programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, o
número de pessoas que vivem na extrema pobreza caiu de cerca de
25% da população no início dos anos 1990, para 4% da população.
De 2011 para cá 25 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza.
Embora a concentração da renda ainda seja uma realidade, é
significativo que o Brasil tenha saído do Mapa da Fome, segundo a
FAO. 

Ao lado disso, 42 milhões de pessoas ascenderam
socialmente, sendo que pela primeira vez na sua história o Brasil
tem mais de 50% da sua população no extrato médio de renda.
O Brasil é uma república federativa, que além da União Federal, é
integrada por 26 estados, o distrito federal e 5.570 municípios.

Nossa Constituição Federal, promulgada em 1988, é produto do
processo de redemocratização do país, depois de mais de duas
décadas de uma ditadura militar, que além de suprimir a
democracia aprofundou desigualdades sociais e regionais.

Este fato levou a uma Constituição fortemente calcada nas liberdades
democráticas, na afirmação dos direitos econômicos e sociais e na
descentralização da execução das políticas públicas, conferindo
forte protagonismo aos estados federados e municípios.

Em uma perspectiva de cumprimento das obrigações inerentes ao
Estado Democrático de Direito o Brasil tem perseguido a garantia
do exercício dos direitos em uma sociedade livre, justa e solidária.

Neste sentido, o Brasil adota política de caráter inclusivo, a partir
do reconhecimento constitucional da plena cidadania da pessoa
com deficiência, assegurada por um amplo marco normativo, pelo
Programa Nacional de Direitos Humanos e pelo Plano Nacional
dos Direitos da Pessoa com Deficiência, também chamado de Viver
Sem Limite. O Brasil vem dando passos largos na superação do
enfoque assistencialista rumo à perspectiva de diretos humanos, de
emancipação e autonomia das pessoas com deficiência.

No Brasil, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência tem equivalência constitucional, obrigando as
estruturas do Estado cumprir suas disposições, seja pela ótica
normativa ou através de políticas públicas. Esta equivalência
tornou inconstitucionais dispositivos presentes na legislação que
conflitam com o texto da Convenção.

Com a recente sanção da Lei Brasileira de Inclusão – Estatuto da
Pessoa com Deficiência, o Brasil deu mais um passo decisivo na
afirmação dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e
culturais das pessoas com Deficiência. O texto aprovado, com mais
de 100 artigos, se coaduna com as diretrizes da Convenção dos
Direitos da Pessoa com Deficiência, corrige contradições em leis
ordinárias e avança em pontos específicos.

Podemos destacar a obrigação imposta ao Estado para que a
avaliação da deficiência passe a ser realizada por equipe
multiprofissional e interdisciplinar, tendo como base a
Classificação Internacional de Funcionalidade, em vez da avaliação
exclusivamente médica, o que já é realidade para o acesso a
algumas políticas públicas.

A discriminação da pessoa com deficiência passou a ter tipificação
penal, crime ao qual se aplica pena de reclusão.

Outro destaque é o direito de a pessoa com deficiência moderada
ou grave receber o auxílio-inclusão. Poderão receber o auxílio as
pessoas com deficiência de baixa renda, que já acessam o
Benefício de Prestação Continuada previsto no Sistema Único de
Assistência Social e que passem a exercer atividade remunerada
no mercado de trabalho. Este benefício reforça outras políticas de
trabalho e emprego voltadas às pessoas com deficiência, a exemplo
da lei de cotas em empresas privadas e no serviço público, a
contratação de aprendizes com deficiência e outros instrumentos
de qualificação profissional. Também aperfeiçoa as políticas
previdenciárias, que já contam com a possibilidade de
aposentadoria especial para a pessoa com deficiência.

A Lei Brasileira de Inclusão alterou dispositivos do Código Civil
Brasileiro alinhando a legislação nacional aos preceitos sobre a
capacidade jurídica das pessoas com deficiência expressos na
Convenção. A nova lei cria o instituto da tomada de decisão
apoiada, no qual a pessoa com deficiência escolhe pelo menos duas
pessoas da sua confiança para prestar-lhe apoio sobre atos da vida
civil. O texto convalida a expressão da vontade para o matrimonio,
constituição de família, sexualidade, direitos do trabalho e revoga
dispositivos discriminatórios para validação testemunhal da pessoa
com deficiência.

A fim de possibilitar às pessoas com deficiência viver com
autonomia, em igualdade de condições com as demais pessoas, o
Estado brasileiro, estabelece medidas que lhes propiciam a
acessibilidade ao meio físico, ao transporte e à comunicação.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e um conjunto significativo de
normas legais buscam assegurar o direito à acessibilidade de
pessoas com deficiência em diversos dispositivos relacionados à
educação, trabalho, saúde, transporte, reabilitação, lazer, entre
outros.

Para a promoção da acessibilidade aos transportes, foram
elaboradas e publicadas Normas da Associação Brasileira de
Normas Técnicas – ABNT, Resoluções do Conselho Nacional de
Metrologia – CONMETRO; e Portarias do Instituto Nacional de
Metrologia e Qualidade Industrial – INMETRO.

Em relação ao acesso a tecnologias assistivas, é importante
ressaltar a criação do Comitê Interministerial de Ajudas Técnicas.
Foi criado, também, o Centro Nacional de Referência em Tecnologia
Assistiva, dotado de 91 núcleos situados nas universidades e
institutos de pesquisa.

O Ministério das Cidades instituiu a Instrução Normativa que
regulamenta o Programa de Infraestrutura de Transporte e da
Mobilidade Urbana – Pró-Transporte, para condicionar a adequação
das propostas de operações de crédito aos dispositivos, normas
gerais e critérios básicos estabelecidos pelo Decreto que trata da
acessibilidade das pessoas com deficiência e com mobilidade
reduzida.

O Ministério das Comunicações aprovou Norma Complementar que
estabelece os recursos de acessibilidade na programação
veiculada nos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de
retransmissão de televisão.

A implantação dos recursos de acessibilidade é gradual, em
consonância com a criação da norma relacionada ao lançamento da
TV digital. O cronograma prevê que as emissoras implantem
gradativamente as ferramentas, começando com poucas horas de
áudio-descrição na programação semanal, até cobrirem toda a
programação. Atualmente são vinte horas diárias de programação
legendada.

Em setembro de 2014 foi lançado o modelo de acessibilidade em
Governo Eletrônico, que consiste em um conjunto de
recomendações para que o processo de acessibilidade dos sites e
portais do governo brasileiro seja conduzido de forma padronizada
e com implementação fácil.

Importante referir que o principal programa habitacional do país,
voltado à população de baixa renda, conhecido como Minha Casa
Minha Vida, passou a garantir aos beneficiários com deficiência o
direito à moradia adequada à sua deficiência. Todos os projetos do
Minha Casa Minha Vida são com desenho universal e há a oferta de
kits de adaptação específicos.

O direito à vida independente, principalmente para as pessoas de
menor poder aquisitivo, se materializa no Serviço de Proteção
Social Especial. É ofertado a pessoas com deficiência e idosos com
algum grau de dependência que tiveram suas limitações agravadas
por violação de direitos.

Jovens e adultos com deficiência em situação de dependência
passaram a ter a possibilidade de uma nova modalidade de serviço
de acolhimento do Sistema Único de Assistência Social, a
Residência Inclusiva. Ela é organizada em pequenos grupos de até
10 pessoas por residência, cuja acolhida e convivência promove o
desenvolvimento de capacidades adaptativas à vida diária,
autonomia e participação social.

Já o Centro-Dia de Referência para pessoas com deficiência
consiste em unidades de serviço cujo objetivo é ofertar, durante o
dia, cuidados pessoais a jovens e adultos com deficiência em
situação de dependência, de forma complementar aos cuidados
familiares.

A educação é um direito de todos reconhecido pelo Estado
Brasileiro, que prevê um sistema educacional inclusivo, com
fundamento na igualdade de oportunidades, conforme os
dispositivos previstos na Constituição da República Federativa do
Brasil de 1988. O mandamento constitucional implica em
atendimento especializado às pessoas com deficiência,
preferencialmente na rede regular de ensino. A lei do Plano
Nacional de Educação especifica que os entes federados
estabelecerão nos respectivos planos de educação estratégias que
“garantam o atendimento das necessidades específicas na
educação especial, assegurado o sistema educacional inclusivo em
todos os níveis, etapas e modalidades”.

O Brasil vem dando passos significativos na superação do modelo
de educação baseado na segregação dos alunos com deficiência
em escolas especiais, em direção da escola inclusiva. Para tanto, o
Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência define
metas de escolas acessíveis, com disponibilização de recursos de
tecnologia assistiva, ônibus escolares acessíveis, adequações de
prédios escolares, promovendo autonomia e independência em
todos os ciclos de formação, com a garantia do atendimento das
especificidades das pessoas com deficiência.

O Sistema de Saúde público é de acesso universal, com a garantia
de atendimento das especificidades das pessoas com deficiência,
contemplando as questões de gênero, raça, etnia, de orientação
sexual e geracional.

O Ministério da Saúde implantou, no âmbito do Plano Nacional dos
Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite, a Rede de
Cuidados às Pessoas com Deficiência, que transformou de modo
significativo o modo como os cuidados à saúde são direcionados ao
segmento.

A rede busca promover a articulação entre os serviços, de maneira
a assegurar as ações de promoção à saúde, identificação precoce
de deficiências, prevenção dos agravos, tratamento e reabilitação.
Para tanto foram estabelecidas metas de ampliação de Oficinas
Ortopédicas e de acesso a órteses, próteses e meios auxiliares de
locomoção, com significativo incremento no orçamento destinado
a estes serviços. Também foram pactuadas metas de expansão de
centros especializados em reabilitação. A cobertura de triagem
biológica para detecção precoce continua crescendo e as triagens
neonatal auditiva e ocular vem seguindo a mesma estratégia de
ampliação do acesso.

A evolução do Brasil nos Jogos Paraolímpicos e Parapan-
americanos atesta o avanço da política de acesso ao esporte para

as pessoas com deficiência. Da 37a posição na Paraolimpíada de
1996 passamos para a 7a em 2012. Pela terceira vez consecutiva o
Brasil figura em primeiro lugar no quadro de medalhas dos jogos
Parapan-americanos.

Dentre diversas iniciativas no campo da cultura e do lazer cabe
destacar o programa bibliotecas acessíveis, o curso de
especialização em acessibilidade cultural e o programa turismo
inclusivo, que além de estimular a acessibilidade da infraestrutura
turística criou o site Turismo Acessível com informações sobre
estabelecimentos e atrações turísticas quanto ao seu nível de
acessibilidade.

Estes são alguns exemplos do trabalho que o Estado Brasileiro vem
desenvolvendo para garantir os direitos das pessoas com
deficiência. O alcance da sua legislação e de suas políticas
públicas tem feito com que o Brasil seja procurado por outros países
para prestar cooperação. Dentro dos nossos limites temos
priorizado a cooperação com países em desenvolvimento,
especialmente junto à América Latina e o Caribe e junto à
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Apesar dos avanços o Brasil reconhece que muito ainda precisa ser
feito para garantir a universalização do acesso aos direitos das
pessoas com deficiência, especialmente junto a segmentos da
população mais vulneráveis como mulheres, crianças,
afrodescendentes, povos indígenas e população LGBT.

Considerando que a execução das principais políticas públicas é
descentralizada, com responsabilidades partilhadas entre a União,
estados federados e municípios o alinhamento de todos estes níveis
de governo é um desafio permanente.

Com o arcabouço normativo que dispomos, com as políticas
públicas já desenhadas, com as bases de dados e sistemas de
informações que, embora ainda não estejam plenamente integrados
são importante insumo para aperfeiçoar estas políticas, temos a
convicção de que nos próximos anos o Brasil dará novos passos
para garantir a todas as pessoas com deficiência o acesso aos seus
direitos, superando definitivamente o modelo assistencialista e de
segregação, na medida que fortalece as medidas emancipatórias.”

Em seguida, os membros do comitê fizeram novas perguntas aos técnicos presentes. Houve questionamentos acerca da necessidade da omissão do “preferencialmente” dos documentos relativos à educação, para que todos a legislação esteja em consonância com a Convenção que determina educação inclusiva em todos os níveis, assim como a necessidade de que as escolas especiais ainda existentes sejam incumbidas de ajudar na garantia da inserção dos alunos nas escolas regulares. Além disso, foi questionada a provisão de apoio de assistente pessoal para que pessoas com deficiência severa, em situação de dependência possam levar uma vida em igualdade de condições com os demais.

A comitiva brasileira deu respostas às questões colocadas.

A alemã Theresia Degener, membro do comitê responsável pelo relatório do Brasil,  disse que o comitê estava muito bem impressionado com os avanços do Brasil, mas que esperava ver ainda muito mais esforço, pois, em se tratando da quinta economia do mundo, o país precisa servir de exemplo para outras nações do sul. Demonstrou-se preocupada por acreditar que a nova Lei Brasileira da Inclusão não está totalmente de acordo com os preceitos da Convenção e instou o país a revisar o documento. A relatora agradeceu ainda a participação da sociedade civil que, como o relatório sombra, subsidiou os questionamentos dos membros do comitê.

As recomendações do comitê serão conhecidas na final da sessão do comitê, na segunda semana de setembro, e a nova revisão do país seria em 2 anos, em 2017.
Deputada Mara Gabrilli se pronuncia diante de Comitê da ONU daos direitos das Pessoas com Deficiência.
Ao final, a deputada Mara Gabrilli, representante do judiciário presente à revisão, fez um apelo às autoridades brasileiras ali presentes, para que se empanhassem a derrubar os vetos à Lei Brasileira de Inclusão. O assunto será examinado em breve pelo Congresso Nacional.

Os vídeos com a íntegra das sessões serão disponibilizadas no seguinte link: