quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Welder Knaf é campeão do Aberto do Marrocos de tênis de mesa após demonstrar um desempenho fantástico



O mesa-tenista Welder Knaf, nono colocado no ranking mundial da Classe 3, conquistou, na última segunda-feira, 5, o torneio individual do Aberto do Marrocos, etapa fator 20 do Circuito Mundial da modalidade.
Na decisão, o brasileiro superou o nigeriano Ahmed Koleosho por 3 a 1, parciais de 11/3, 8/11, 11/8 e 11/1. Antes, pela semifinal, Welder derrotou o marroquino Abdeslam Oudrhiri por 3 a 0 (11/2, 11/1 e 11/1).
Cabeça de chave número um da competição, Knaf passou pela fase de grupos invicto e sem perder um set. As vitórias foram sobre os locais Jalal Essabri, por 3 a 0 (11/2, 11/3 e 11/2), e Abdelah Baidak, pelo mesmo placar (11/1, 11/1 e 11/1).
O brasileiro ainda disputa o torneio por equipes, no qual faz parceria com o venezuelano Edson Sanchez. Eles estrearam na terça-feira, 6, com vitória sobre os marroquinos Houcine Zitouni e Jalal Essabri por 2 partidas a 0.
O atleta vem numa sequência positiva em competições de alto nível. Nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, disputados em agosto deste ano, Welder foi campeão por equipes, ao lado de David Freitas e Alexandre Ank, e ficou com a medalha de prata no individual da Classe 3, superado pelo compatriota David.
No final do mês passado, Welder e David conquistaram o torneio por equipes do Aberto da República Tcheca, etapa fator 20 do Circuito Mundial. Na mesma ocasião, Knaf faturou a prata no individual.
A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa conta com recursos da Lei Agnelo/Piva (Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paralímpico Brasileiro) – Lei de Incentivo Fiscal e Governo Federal – Ministério do Esporte.
Com informações da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM).

Governo publica novas regras para meia-entrada

Estudantes, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência são os que têm o direito a pagar a metade do preço nos ingressos

              meia-entrada
As regras da meia valem para todas as categorias de ingressos disponíveis para venda ao público em geral, inclusive camarotes e áreas especiais

Nesta terça-feira, 6, o governo federal publicou, no Diário Oficial da União, o decreto com as regras para a emissão de meia-entrada no país. O texto, que regulamenta lei aprovada em dezembro de 2013, diz que o benefício deve ser assegurado em 40% do total de ingressos disponíveis para venda ao público em geral. As regras da meia valem para todas as categorias de ingressos disponíveis para venda ao público em geral, inclusive camarotes e áreas especiais.
Estudantes, jovens de baixa renda e deficientes são os que têm o direito a pagar a metade do preço nos ingressos. Os alunos precisam apresentar a carteirinha de estudante, que pode ser expedida pela Associação Nacional de Pós-Graduandos, pela União Nacional dos Estudantes, pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, pelos diretórios centrais dos estudantes e os diretórios acadêmicos.
Os jovens de baixa renda precisam apresentar a Identidade Jovem, documento que será emitido pela Secretaria Nacional da Juventude. A emissão deste documento ainda não foi regulamentada, mas a presidente deu prazo para que o documento seja emitido até 31 de março de 2016.
Já as pessoas com deficiência devem apresentar o cartão de Benefício de Prestação Continuada da assistência Social ou o documento emitido pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Caso as pessoas com deficiência precisem de acompanhante, este também terá direito ao ingresso com a metade do preço.
Segundo o decreto, os estabelecimentos comerciais e culturais deverão disponibilizar as informações atualizadas sobre o número total de ingressos e a quantidade disponível para venda à metade do preço em local visível ao público. Caso isto não aconteça, quem tem direito à meia-entrada poderá pagar a metade do preço mesmo que o percentual dos 40% de ingressos já tenha se esgotado.
No caso de fraude, o decreto estabelece multas e suspensão temporária da autorização para quem emitir irregularmente as carteirinhas.
Fontes: opiniaoenoticia.com.br - pessoascomdeficiencia.com.br

Jovem cria "Uber" para pessoas com deficiência

A ideia é da francesa Charlotte de Vilmorin, que é cadeirante e enfrentou por muito tempo diversos problemas no aluguel de veículos em Paris


Divulgação


Enquanto o Uber causa polêmica no Brasil, no resto do mundo parece que o serviço é bem aceito e inspira, inclusive, novas ideias para solucionar problemas. A novidade da vez é o Wheeliz, um projeto que disponibiliza carros adaptados para pessoas com deficiência, cobrando menos da metade do valor de uma diária das locadoras de veículos.
A ideia é da francesa Charlotte de Vilmorin, que é cadeirante e enfrentou por muito tempo diversos problemas no aluguel de veículos em Paris. "É muito difícil de se locomover quando você está em uma cadeira de rodas, porque o transporte público não é acessível", disse ao Mashable.
Segundo ela, muitas pessoas são donas de carros adaptados na França, mas por diversos motivos não fazem uso dos mesmos e terminam deixando os carros guardados nas garagens. Com isso, a proposta visa alugar esses veículos por cerca de US$ 55 por dia e disponibilizá-lo para os cadeirantes. Desse modo, os proprietários ganham um dinheiro extra e os usuários contam com mais conforto e mobilidade por um preço mais justo, uma vez que os valores das diárias cobrados pelas locadoras fica entre US$ 90 e US$ 200.
Segundo o Mashable, o sistema já conta com 120 carros em Paris, Nantes e Bordeaux. Atualmente, 900 usuários estão registrados no banco de dados geral. "Eu realmente acredito que há uma oportunidade para a economia e o consumo colaborativos, o que pode tornar a mobilidade mais acessível para quem usa cadeiras de rodas", destaca Vilmorin.
De acordo com a idealizadora do projeto, há planos para lançar a plataforma como aplicativo e também realizar o contrato fixo de motoristas. Em breve, o serviço também poderá ser lançado em outros países. 

Lançado na Câmara prêmio em prol da inclusão de pessoas com deficiência

Reportagem – Sílvia Mugnatto - Edição – Marcelo Oliveira

Antonio Augusto / Câmara dos Deputados
Lançamento oficial do prêmio  “Prêmio Brasil Mais Inclusão”, a ser concedido, anualmente a empresas públicas ou privadas, entes federados (União, Estados e Municípios), entidades ou personalidades, que tenham realizado trabalhos ou ações que mereçam especial destaque na inclusão de pessoas com deficiência. Dep. Felipe Bornier (PSD-RJ)
O deputado Felipe Bornier, autor da iniciativa, destacou que o prêmio terá grande relevância social


A Câmara dos Deputados lançou, nesta quarta-feira (23/09), o "Prêmio Brasil Mais Inclusão", a ser concedido, anualmente, a empresas públicas ou privadas, entes federados (União, estados, Distrito Federal e municípios), entidades ou personalidades que tenham realizado trabalhos ou ações que mereçam destaque na inclusão de pessoas com deficiência.
Uma iniciativa do 2ª secretário da Câmara, deputado Felipe Bornier (PSD-RJ), a condecoração será concedida sempre 2 durante a semana em que se comemora o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro).
Na cerimônia de lançamento, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, lembrou outras iniciativas já realizadas na Casa neste ano em prol da inclusão, como a instalação da Comissão Permanente das Pessoas Com Deficiência  e a aprovação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.146/15). “Isso mostra que a instituição passou a dar a devida valorização ao tema, buscando propiciar mais efetividade à legislação”, afirmou.
Reabilitação

Participante de outro programa da Câmara, o Parlamento Jovem, o cadeirante Patrick Teixeira, da Paraíba, aproveitou a ocasião para pedir apoio à instalação de uma unidade da rede Sarah de hospitais em seu estado. A rede trabalha com a reabilitação de pessoas com deficiência.

"O Nordeste conta hoje com apenas três unidades, uma em Fortaleza, outra em Salvador e uma terceira em São Luís. 27% da população paraibana têm algum tipo de deficiência", informou Patrick.
Inscrições

Os 10 vencedores do "Prêmio Brasil Mais Inclusão" serão contemplados com diplomas de menção honrosa. As inscrições estarão abertas até 23 de outubro e deverão ser feitas na página da Câmara. Neste ano, a cerimônia de premiação ocorrerá em 3 de dezembro.

Os critérios para concessão do prêmio baseiam-se nos valores da igualdade de tratamento e oportunidade, da justiça social, do respeito à dignidade da pessoa, do bem-estar e de outros presentes na Constituição Federal e na legislação que preserva os direitos da pessoa com deficiência.
A análise dos trabalhos indicados serão realizadas por um Conselho Deliberativo, composto por membros da Mesa Diretora (2º e 3º secretários) e da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, além de um representante de cada partido com assento na Câmara.
As empresas concorrerão ao prêmio proporcionalmente ao número de pessoas com deficiência contratadas. Nas demais categorias, os concorrentes serão separados em várias áreas de atuação, como educação e saúde.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Banheiro químico Banheiro químico para deficiente se torna obrigatório em eventos no Brasil

O banheiro químico necessita de espaço, para um cadeirante e acompanhante, além de acessórios como barras de apoio

                      

A partir de agora, eventos organizados em espaços públicos e privados, que necessitem da instalação de banheiros químicos deverão disponibilizar unidades adaptadas para pessoas com deficiência ou mobilidade  reduzida que usem cadeiras de rodas.

O Projeto de Lei 2046/15 do deputado federal Marx Beltrão (PMDB-AL) foi aprovado na sexta-feira (25) pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, e agora tramita em caráter conclusivo e será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Conforme proposta, que altera Lei da Acessibilidade (10,098/00), em todo evento público pelo menos 10% do total de banheiros no local deverão ser adaptados.


No entanto, embora obrigue instalação de banheiro adaptado, a proposta não prevê punição para os responsáveis por eventos que descumprirem a Lei. Segundo autor do projeto, deputado Marx Beltrão, as infrações serão aplicadas conforme Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Fontes: Aquidauana News - www.fernandazago.com.br

Sexualidade na deficiência: como se mudam as mentalidades?

A Internet ocupa um papel relevante entre as pessoas com diversidade funcional, uma população que desafia as convenções culturais no acto sexual, valorizando outras zonas erógenas. O que se pode fazer para mudar a aceitação da sociedade?

A deficiência é só uma "característica", diz Lúcia. Como a cor da pele ou os piercings Bruno Lisita


A Internet assume-se, para alguma desta população, como uma "forma alternativa de contornar um sistema silenciador", reconhece Ana Cristina Santos, que o concluiu no estudo Intimidade e Deficiência — Cidadania Sexual e Reprodutiva de Mulheres Deficientes em Portugal. Muitas das entrevistadas desta investigação encontravam em redes sociais ou sites eventuais parceiros. "Em situações de mobilidade reduzida ou de restrição imposta — no hospital, nalgum período de internamento prolongado ou por imposições familiares — a Internet era fundamental", sublinha a investigadora.

Actualmente, Lúcia Fisteus Marques está solteira, mas foi precisamente pela Internet, num "chat" de conversação, que começou a falar com um rapaz, sem qualquer tipo de limitação, com quem viria a namorar durante alguns anos. "Para testar disse logo ao rapazinho que era deficiente. Por incrível que pareça não fugiu." Muitas conversas param a partir desse momento, por isso há quem esconda a sua incapacidade. "Não o dizem porque têm na cabeça que a outra pessoa não vai querer nada. Porque, por exemplo, se a família não o aceita, o que farão os outros?", questiona a jovem de 29 anos com paralisia cerebral, acrescentando que se tratam de "situações que levam a um desespero e a uma fragilidade emocional grande".

Por outro lado, na falta de contacto físico, muitos refugiam-se na Internet para viver a sua intimidade, seja para sexo virtual, pornografia ou masturbação (quando tal é possível). Foi, aliás, no universo digital que João Lomar, de 42 anos, também com paralisia cerebral, aprendeu muita coisa. Sobre sexo. Costuma ir a "chats" procurar mulheres para conversar: "Gosto de o fazer, tenho prazer naquilo." Às vezes, as conversas aquecem; e quando assim é, masturba-se: "Não é vergonha nenhuma, é uma coisa normal." De quando em quando diz que tem deficiência: há quem continue a conversa, há quem fuja. Certo é que nos encontros presenciais que marcou, ninguém apareceu. Está longe de ser o cenário ideal, mas… "No meu caso é bom porque não tenho mais nada."
   
Um novo mapa das zonas erógenas 
Também Ana Garrett se depara e deparou com muitas referências ao meio online, quer na sua actividade como psicóloga clínica no Hospital de Vila Franca de Xira, quer na sua carreira académica enquanto investigadora do ISCTE e, antes, em 2011, enquanto bolseira de doutoramento da FCT. "Sim há muitos encontros online, mas também há muito o 'fazer de conta' que são o que não são. Sobretudo os jovens, infelizmente. Sentem que é a única maneira de alguém gostar deles, de alguém se interessar por eles. Porque ali ninguém os precisa de ver em pé." É neste universo digital que se escondem muitos das pessoas com deficiência com orientações sexuais não normativas, universo a que Ana Garrett se quer dedicar numa próxima investigação. "Existem muitos, atrás de uma tela de um computador, de dia e de noite, em profundo silêncio para com o mundo exterior." Um deles — ainda que bem loquaz — é Bruno (nome fictício).

Em 2011, no âmbito do doutoramento feito na Universidade Fernando Pessoa, Ana Garrett desenhou um modelo de reabilitação da sexualidade em pessoas com alterações sensitivas, o Mo-Re-Sex (ouvir som à esquerda). Dirigido a todas as pessoas com deficiência, este programa (em pdf), que continua a ser aplicado em universidades, hospitais e instituições particulares de segurança social, permite aos participantes ter acesso a um mapa personalizado das suas zonas erógenas, de forma a usufruírem a fundo da sua sexualidade, "desfocalizando as limitações e aproveitando as potencialidades".  

Porque se há zonas do corpo que não têm sensibilidade, há outras que são hipersensíveis ("o que também pode ser extremamente incomodativo", avisa a investigadora). "É preciso explorar tudo isto e mapear", explica Ana Garrett. Para uns, uma carícia numa cicatriz pode ser altamente excitante. Para outros, os sentidos são um mundo a explorar. "Há quem prefira ouvir, ver. Há muitos casos em que já não há sensibilidade peniana ou vaginal, mas a simples observação [do acto] é extremamente erógena. Isto é fabuloso e temos de pegar nisto e aproveitar." É o caso do supracitado Bruno, que sofreu uma lesão medular depois de um acidente de viação: "Eu costumo dizer que os meus genitais são as minhas orelhas e o meu pescoço (...) Não tenho o chamado orgasmo, não tenho ejaculação. No entanto, tenho uma parte que normalmente as pessoas não trabalham tão bem com ela... a minha cabeça."

Serve o aviso para o mundo em geral: há vida sexual para além do coito. "Como as pessoas com deficiência não são capazes de fazer amor de uma forma 'simples' ou numa posição convencional, foram impelidas para experimentar e desfrutar de uma vida sexual mais interessante", escrevia, já em 1996, o sociólogo Tom Shakespeare no livro "The Sexual Politics of Disability: Untold Desires". Estas pessoas fogem à "excessiva concentração nos genitais e na penetração", tão característica da sociedade hetero-normativa em que vivemos, conclui também Ana Cristina Santos. "Há uma obsessão do sexo penetrativo, uma lineariedade na forma como o sexo se deve processar. E estas mulheres [o centro da investigação Intimidade e Deficiência] desafiam-na. Demonstram, na forma como vivem a sua sexualidade, que estas questões são no fundo culturais."

Como se mudam as mentalidades?
João não esconde o pessimismo. Está "cansado da teoria" porque, na prática, tudo se mantém inalterável. "Nunca nenhuma mulher 'normal' me pediu para tocar nela. Isto não muda, a mentalidade não muda."

— Achas que algum dia vais ter uma relação estável?
— Com quem? — responde, demolidor.

O que é preciso fazer então para que "isto" mude? Para que a sexualidade na deficiência deixe de ser um tabu? Um dos principais obstáculos é, apontam as investigadoras, o sistema biomédico actual, que de tão concentrado na performance física se esquece de outras dimensões. "Entende-se que a sexualidade na deficiência não é uma problemática prioritária. Prioritário é que andem, falem porque isso é que dá nas vistas", considera Daniela Lopes, terapeuta ocupacional na Associação do Porto de Paralisia Cerebral. "A reabilitação é fundamental e salva vidas", reconhece Ana Cristina Santos, "mas não conta a história toda". Há que mudar a visão. "Neste momento o modelo dominante da deficiência é um modelo biomédico que considera a deficiência como um problema individual", explica a investigadora. Ou seja, a intervenção é feita ao nível de um indivíduo que "tem um problema" e que tem de "aprender a viver em sociedade", a adaptar-se. Mas a deficiência é sim "um problema colectivo". "Esquece-se totalmente o lado A disto: apostar numa formação social e cultural que permita a todas as pessoas valorizar a diferença". 

Ao contrário dos restantes profissionais de saúde, geralmente "muito receptivos", os médicos, ressalva a terapeuta ocupacional Daniela Lopes, "não estão totalmente direccionados para trabalhar todas as problemáticas". "Olhar para alguém que não comunica verbalmente e explicar como toma a pílula, que métodos contraceptivos existem, quais são as soluções que tem. Isto não é ágil e devia ser."

Por isso, se os médicos não falam de sexo, há que pô-los a falar de sexo, exorta Ana Garrett: "Os próprios deficientes não devem ter vergonha de abordar os profissionais de saúde sobre este assunto. Não esperem que sejam eles a fazê-lo porque há muitos colegas meus que não falam sobre isso. Porque não se sentem preparados, não conseguem lidar bem com os seus próprios fantasmas, consideram-no um tabu. E porque não percebem que o padrão do ser humano engloba a sexualidade como comer e beber."

Depois, é certo que, a partir da maioridade, "não é importante envolver a família quando se está a falar de cidadania íntima ou do direito individual de as pessoas viverem a sua sexualidade", assegura Ana Cristina Santos. Acontece é que por cá muitas pessoas com deficiência — inclusive com incapacidade motora, o foco desta reportagem — vivem em meio familiar por diversas razões: falta de autonomia física, incapacidade económica e devido à "inexistência de um movimento de vida independente sustentado".

Nem sempre os familiares adoptam as melhores práticas para promover uma sexualidade saudável. Porque, por exemplo, se tornam hiperprotectores por recearem abusos; ou porque lhes reconhecem uma "sexualidade invisível". Nesses casos, poderiam ser promovidas acções de sensibilização dentro das famílias, mas também entre pessoas com deficiência e nas escolas. "É preciso vencer a utopia que existe educação sexual. Não existe. (…) Educar implica mudar alguma coisa", critica Daniela Lopes. A existência de assistentes sexuais é um outro aspecto defendido pelas entrevistadas.

No fundo, há que "mudar mentalidades" — aquilo em que João Lomar já não parece acreditar e que Lúcia estima só acontecer daqui a uns 50 anos. "Parece um cliché — e é — mas é muito complexo e demora séculos", reconhece Garrett. "A sexualidade tem de ser vista como um direito e uma componente saudável. E a partir daí esse direito não pode estar ameaçado pela circunstância de alguém ser 'deficientizado' ou não. É inegociável.", conclui Ana Cristina Santos.
  
"'Deficientizado'" e não "deficiente" — eis a terminologia que a investigadora defende. Porque o que "inabilita ou desabilita as pessoas é um sistema social, cultural, que, por regra, não acolhe a diversidade como uma mais-valia". Ou seja, é a própria sociedade que "deficientiza" as pessoas. "É", indica, por sua vez, Ana Garrett, "olhar para as potencialidades da pessoa com deficiência em vez de estar constantemente a apontar as limitações". 

"É só uma característica", repete Lúcia. É esse o conselho que deixa, não aos portadores de incapacidade, mas a todas as outras pessoas. "Que comecem a olhar para a deficiência como uma característica. Como se vê a cor da pele ou os 'piercings'. É só uma característica."

Fonte: p3.publico.pt

Psicólogo on line


Luciane* atende online por vídeo, áudio ou chat

Muitas pessoas que sofrem um grande trauma que causa limitações severas entram em depressão ou enfrentam problemas psicológicos para o resto da vida. Alguns buscam atendimento psicológico, outros tem dificuldade de buscar seja por causa das limitações ou por não se sentir à vontade. Vejam o post abaixo elaborado por Luciane Melo, que nos apresenta uma alternativa interessante para quem deseja este atendimento com mais comodidade.


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Diante do cenário brasileiro e mundial, acredita-se que a psicologia não deve ficar de fora da tecnologia que tem proporcionado facilidades para as pessoas, que de outra forma poderiam ficar sem atendimento psicológico, como portadores de necessidades especiais ou seus familiares que tenham dificuldade para se deslocarem até um consultório físico, moradores de pequenas cidades onde o serviço de psicologia não é oferecido, pessoas que estão sem mobilidade ou acamados, para quem não quer perder tempo nos deslocamentos, que possuem dificuldades no contato social ou até mesmo por ser confortável e cômodo. Vale ressaltar que não se trata de psicoterapia, mas de um atendimento breve, pontual e com foco proposto pelo paciente, podendo ser realizado em até 20 encontros ou contatos virtuais via vídeo, áudio ou chat.

Há trabalhos cientifico-acadêmicos, tanto brasileiros como de outros países que mostram a eficiência/eficácia desse trabalho comparado ao presencial. Em alguns países o atendimento online já supera em quantidade os atendimentos presenciais. 

Essa modalidade é aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia, o CRP, resolução 11/2012. Todas as informações trocadas na orientação psicológica são de responsabilidade do psicólogo que deve manter o sigilo das informações conforme o Código de Ética Profissional. Mas é importante alertar que as trocas de informações feitas através da internet não são consideradas totalmente seguras, assim como nós psicólogos protegemos as informações do paciente cabe ao paciente tomar todo o cuidado com o equipamento que está utilizando. Não é aconselhável o uso de computadores públicos.

* A Psicóloga Luciane Isabel Melo Inocêncio CRP 06/109564 é Portadora de Necessidades Especiais. Graduada em Psicologia pela Universidade Paulista - UNIP. Experiência em Plantão Psicológico, Psicologia Escolar, Psicologia Clinica Comportamental, Psicodiagnóstico. Conhecimento sobre Bullyng adquido através de duas pesquisas realizadas, aprovadas pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Paulista.

HTTPS://www.facebook.com/lucianemelopsi         

Copa Caixa Loterias de Goalball 2015 chega ao fim com títulos de URECE-RJ e UNIACE-DF

UNIACE-DF comemora com a taça da Copa Caixa Loterias de Goalball
A equipe brasiliense da UNIACE faz a festa com o troféu conquistado

As equipes URECE-RJ, na categoria feminina, e UNIACE-DF, na masculina, são as grandes campeãs da Copa CAIXA Loterias de Goalball 2015, disputada de 30 de setembro a 4 de outubro, no ginásio da Secretaria de Estado de Esporte e Turismo do Paraná, em Curitiba. Nas finais do último domingo, 4, a equipe do Rio de Janeiro derrotou o SESI-SP por 5 a 3, e conquistou o título. Entre os homens, a UNIACE-DF venceu a APACE-PB por 7 a 5.
Com cinco jogadoras da Seleção Brasileira em quadra, URECE-RJ e SESI-SP mostraram o bom momento vivido pelo goalball feminino. Um jogo de alto nível técnico que contou ainda com a presença de jovens talentos, como Larissa. A mescla de experiência e juventude formava o trio das cariocas em quadra. Das mãos de Victoria Nascimento, de apenas 17, saíram os gols que a equipe precisava para chegar ao inédito título. Foram quatro anotados no triunfo de 5 a 3 sobre o SESI-SP. Neusimar fechou o placar, e Gleyse (2) e Carol descontaram para as paulistas.
A campanha perfeita que levou a UNIACE-DF à final do brasileiro indicava que a APACE-PB não iria ter vida fácil para chegar ao terceiro título consecutivo da competição. E logo no início do jogo os brasilienses abriram 2 a 0. Os paraíbanos buscaram a reação e viraram a partida para 4 a 2. No final, a equipe do Distrito Federal, que contava com os irmãos Moreno (Leomon e Leandro), conseguiu mais uma virada e venceu por 7 a 5, com cinco gols de Leomon e um de Leandro. André completou a lista de marcadores. Pela APACE-PB, foram quatro gols de Romário e um contra.
Na disputa do bronze, a AMC-MT venceu a APADV-SP por 11 a 5, e completou o pódio da categoria feminina. No masculino, a URECE-RJ conquistou a terceira colocação ao vencer a ACEDV-PR por 9 a 3.
Os atletas que marcaram mais gols, em suas respectivas categorias, levaram para casa o prêmio de artilheiro da competição. Entre as mulheres, Victoria Nascimento ficou com o troféu ao marcar 26 vezes. No masculino, Romário Marques, com incríveis 59 gols, também foi premiado.
A Copa CAIXA Loterias de Goalball é uma organizada pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), com o apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, e o patrocínio da CAIXA Loterias.
Com informações da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV).

‘A ideia é mostrar a competência, e não a deficiência’: O desafio da inclusão nas empresas

  deficientes-mercado-de-trabalho

“No começo, achei que não fosse conseguir, porque não conseguia ler nada. Com o tempo, fui decorando o tipo de pão”, relembra Reginaldo Nagatomo, 32 anos, repositor e deficiente visual. “Sempre tinha uma pessoa comigo, que eles chamam de padrinho. Você nunca fica sozinho quando entra, mesmo que não tenha deficiência. Hoje, só de pegar no pão eu já sei qual é.”
“No caso de um colaborador, o Celso, deu um gelo na barriga contratá-lo para a produção. Ele é cego. Não conhecíamos os limites dele, ele próprio foi determinando”, conta a gestora Samanta Vilalon Barbosa. “Agora estamos colhendo os frutos. Ele é um colaborador produtivo. As pessoas pensam que é utópico, temem ter um funcionário que não é produtivo, que vão sair perdendo. Mas a gente vê que não é assim.”
Os depoimentos acima ilustram o cotidiano de pessoas desbravando territórios ainda pouco explorados no Brasil. São alguns dos pioneiros em um movimento que tenta tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo para os 45 milhões de cidadãos brasileiros com algum tipo de deficiência.
Reginaldo, Celso e Samanta trabalham na Padaria Real, em Sorocaba (SP). A empresa tem 800 funcionários, distribuídos entre quatro lojas, uma fábrica e um restaurante.
Famosa na cidade por suas coxinhas, a padaria abraçou, há dois anos, o desafio de se tornar uma empresa inclusiva. E enquanto luta para se adequar à legislação nessa área, seu caso ilustra as dificuldades e oportunidades que a inclusão oferece.
Inclusão
Segundo o Dicionário de Direitos Humanos do Ministério Público da União, inclusão social quer dizer deixar de excluir – seja por raça, orientação sexual, gênero ou qualquer outra razão.
No entanto, isso não significa permitir que o excluído se adapte, por mérito próprio, ao sistema vigente, mas sim exigir que poder público e sociedade ofereçam condições necessárias para acolher as especificidades de todos.
No caso da pessoa com deficiência, isso quer dizer, por exemplo, oferecer rampas, elevadores e banheiros acessíveis para cadeirantes. Ou piso tátil e lupas eletrônicas para pessoas com deficiência visual – recursos que colocam a pessoa com deficiência em pé de igualdade com quem não tem deficiência.
Inclusão também implica mudança de conceitos, de jeito de pensar o mundo.

Para brasileiros hoje, entender esse conceito à primeira vista complexo se tornou imperativo: no último 6 de julho, o governo sancionou a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), que reúne várias outras leis que já existiam sobre o assunto.
Segundo a procuradora regional da República Eugênia Gonzaga, a legislação anterior estava desencontrada e havia incompatibilidades com a Convenção da ONU sobre Pessoas com Deficiência, da qual o Brasil é signatário desde 2008.
“A LBI é boa, até mais avançada do que em muitos países. Ela quase repete a convenção da ONU. E ficou bem mais clara”, disse Gonzaga à BBC Brasil.
“Por outro lado, deixou muito sem esclarecer, porque ia ser ainda mais difícil de votar. Esperávamos mais, mas foi o que foi possível fazer no momento.”
Lei de cotas
Grupos que defendem os direitos de pessoas com deficiência no Brasil ficaram desapontados com alguns vetos feitos ao texto original da LBI.
Por exemplo, foi vetada uma cláusula que determinava que empresas com a partir de 50 funcionários reservassem ao menos uma vaga para pessoas com deficiência.

Empresas maiores, com a partir de cem funcionários, já são obrigadas, pela lei de cotas para pessoas com deficiência, em vigor desde 1991, a reservar de 2% a 5% de suas vagas a essas pessoas. Pela regra, a Padaria Real deveria estar empregando pelo menos 16 pessoas com deficiência.
Segundo Samanta, trabalham hoje ali 15 pessoas com deficiência. “Já estamos no processo de inclusão e não queremos parar. Nossa média (de contratação) é uma pessoa com deficiência por mês”, diz.

Na esfera jurídica, a procuradora Eugênia Gonzaga explica por que ela e seus colegas defendem que haja uma cota.
“No Brasil, temos grupos extremamente excluídos, e só a conscientização não basta. Por isso defendemos cota. Mas ela não pode vir sozinha. É importante, para quem tem deficiência, saber que não está lá para cumprir número”, ressalta. “A pessoa quer oferecer sua capacidade.”

Seguindo essa lógica, multas para não cumpridores só são aplicadas em último caso, quando os fiscais do Ministério do Trabalho, depois de dar tempo e apoio às empresas, concluem que elas não têm mesmo a intenção de cumprir a lei.
inclusão-social
Reginaldo Nagatomo trabalha há um ano como repositor de produtos da padaria Real, em Sorocaba (SP)
Cultura
Para os defensores dos direitos de pessoas com deficiência, no entanto, não basta cumprir a lei. A inclusão requer uma mudança cultural.
A empresa de educação inclusiva nos negócios Consolidar Dorina, associada à Fundação Dorina Nowill para Cegos, prepara equipes de empresas para incluir pessoas com deficiência e acompanha o desenvolvimento profissional de candidatos.

Lincoln Tavares, um dos educadores da Consolidar, explica que a ideia é criar empresas que valorizem a diversidade e não enxerguem os trabalhadores com deficiência como uma mera cota.
“A maioria das empresas sofre para reter o talento com deficiência. Quer cumprir a cota, mas não tenta qualificar ou desenvolver essa pessoa”, diz.

Ele descreve cenários que encontra em algumas visitas.
“Entramos na empresa e não vemos uma pessoa com deficiência trabalhando nos departamentos. Aí, abrimos uma porta no fundo do corredor e vemos 20 pessoas com deficiência trabalhando. ‘Aqui, estamos cumprindo os 2%’, eles dizem. Mas o dia a dia dessas pessoas é de segregação.”
“Tratada como ‘coisa’, essa pessoa não se sente parte da empresa. Se encontra outra que pague R$ 50 a mais, muda de emprego.”

Experiências
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Em seu primeiro emprego, Anna Luiza Abdalla diz que a oportunidade foi um aprendizado
Na Padaria Real, a meta é que cada um dos 800 funcionários, com ou sem deficiência, passe por sessões de educação inclusiva. Já trabalham na casa cadeirantes, pessoas cegas, com baixa visão e com deficiência intelectual.
Samanta diz que a inclusão desses funcionários começa no próprio processo de seleção.
“A pessoa diz no que gostaria de trabalhar e passa por uma preparação. A equipe também é preparada. Quando é feito esse trabalho prévio, o ganho é maior. Todas as pessoas que passaram por isso tiveram um ganho comportamental, de enxergar a vida de um outro jeito.”
O repositor Reginaldo, que tem baixa visão, começou a trabalhar na padaria há cerca de um ano e, aos poucos, superou a própria insegurança.
Como acontece com Celso no empacotamento, quem vê Reginaldo trabalhando nem sempre se dá conta de que ele tem baixa visão.

“Hoje, me sinto totalmente tranquilo. Se alguém procura algum produto, indico onde está. Quem é cliente mesmo e vem todo dia já sabe que tenho baixa visão, mas muitos nem sabem.”
“Essa é a ideia. Que seja vista a competência – não a deficiência”, diz Samanta.

Poucas semanas antes da entrevista à BBC Brasil, a padaria empregou também Anna Luiza Abdalla, 20 anos, com Síndrome de Down, para trabalhar no atendimento aos clientes.
Samanta comemorou a chegada da nova funcionária.

“Acho que a gente sai ganhando, sem demagogia, porque, em primeiro lugar, as pessoas estão desempenhando suas funções, sendo produtivas. A Anna Luiza tem um efeito direto no cliente, que fica encantado em ver essa cultura. Mas não adianta dizer que é fácil porque não é. Ela nunca trabalhou, mora com os pais, é protegida. Então está tendo de enfrentar novos desafios.”
Alguns dias depois, porém, Samanta informou à BBC Brasil que Anna Luiza não havia sido efetivada na empresa.
“Nosso objetivo é trabalhar com as competências do novo talento e desenvolvê-lo, não somente tê-lo como ‘vitrine’. Como a Anna, apesar de todo o esforço, não correspondeu, não vamos efetivá-la”, escreveu a gestora por e-mail.
Em entrevista à BBC Brasil após sua saída da padaria, Anna Luiza comentou suas dificuldades.
“Vou ser sincera, eu não sou muito responsável com os horários, sou um pouco avoada, isso me atrapalhou um pouco na padaria. Isso não é do Down, é de mim mesma. Infelizmente, meu jeito é esse”, disse.
“(Mas) adorei, aprendi muita coisa. Gosto muito do contato com clientes, foi meu ponto forte nesse trabalho. Sempre fui muito social, adoro conversar, olhar no olho da pessoa, tocar na pessoa.”
E agora, olhando para o futuro, o que Anna Luiza gostaria de fazer?
“Queria ser DJ. Sempre gostei muito de música, nasci ouvindo música. De uns dez anos para cá, meu irmão me ensinou sobre música eletrônica. Com 18 anos, já com mais maturidade, decidi ser DJ. Gosto de tecnologia, isso ajuda muito também.”
Fontes: http://www.bbc.com/ - pessoascomdeficiencia.com.br

Lucas Lucco dedica música à fãs cadeirantes em show

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Lucas Lucco emocionou e aprontou no show que fez nesse sábado (3) em Belém do Pará. O galã de Malhação, chamou uma fã para o palco e dançou coladinho com ela, com direito até a pegar no colo.
Além disso, Lucas cantou uma música especialmente para duas fãs cadeirantes na plateia. Com flores na mão, o cantor desceu até as duas meninas e as presenteou com buquês.
Lucas Lucco, atualmente, está em Malhação: Seu Lugar no Mundo, interpretando Uodson, filho da personagem Vanda, vivida por Solange Couto.
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Fontes: www.ofuxico.com.br - pessoascomdeficiencia.com.br

Aluna da UnB cria filme sobre surdez gravado todo em Libras

Estudante arrecadou R$ 6,2 mil em ‘vaquinha’ pela internet para projeto. Curta-metragem tem 15 minutos e relata implante coclear malsucedido.

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    Estudante Isabella Lima (esquerda) com equipe de filmagem (Foto: Isabella Lima/Arquivo Pessoal)

Mostrando os desafios diários enfrentados por um casal de surdos, a estudante de audiovisual da Universidade de Brasília (UnB) Isabella Lima trabalçha na produção de um curta-metragem todo gravado na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Em uma “vaquinha” digital, a aluna conseguiu arrecadar R$ 6,2 mil para o filme, que é o projeto de conclusão de curso dela.
Em 15 minutos, “Cóclea” conta o caso de uma garota que recebeu um implante coclear, um dispositivo eletrônico que simula o funcionamento interno de um ouvido. A adaptação ao aparelho não dá certo e a menina passa a ouvir coisas que não existem, a ponto de “ficar meio doida”, segundo a estudante.
Aos 22 anos, Isabella disse que só foi descobrir as dificuldades encaradas por deficientes auditivos à medida em que fazia as pesquisas para o filme. “Fui ter a ideia de falar sobre surdos quando fui fazer o roteiro. Vi que não tem quase nada sobre eles na mídia, então quis mostrar como eles vivem”, afirmou a estudante, que relatou ter iniciado aulas de libra na UnB neste semestre por curiosidade.
Para a aspirante a diretora e roteirista, a comunidade surda tem “outra cultura”, pouco compreendida pela maioria.“Eu não conhecia nenhum surdo antes. Mas agora quis fazer um filme todo em Libras. Em vez de ser acessível para eles, vai ter de ser acessível para a gente.”
Apesar de o curta ser totalmente idealizado por ela, Isabella já conta com a ajuda de 30 integrantes na equipe. A experiência prática difere do que ela aprendeu nas salas de aulas por ter de buscar ela mesma financiamento para tocar o projeto. Por mais que tenha arrecadado pela internet 12% a mais do que esperava, ela diz contar as moedas até para pagar o sanduíche do elenco no set de gravação.
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Isabella Lima (direita) dá instruções sobre como ocorrerão filmagens (Foto: Isabella Lima/Arquivo Pessoal)
“Acho que o dinheiro é o maior problema. Se eu fosse entrar pelo jeito tradicional, buscando financiamento público e patrocínio, ia ser ainda mais difícil”, contou. “Como é um filme de baixo orçamento, não estou pagando a equipe. Então eles têm a vida deles e não ficam só à disposição das filmagens, o que dificulta.”

Após o lançamento do filme e a entrega à banca universitária, Isabella Lima pretende inscrever o curta-metragem em uma série de festivais do Distrito Federal.

Legenda e linguagem de sinais podem ser obrigatórios em programa eleitoral

Segundo IBGE, cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência auditiva

Por: Bruna Veloso
                         
                       


A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou proposta que determina a utilização, pelas propagandas eleitorais obrigatórias e os pronunciamentos oficiais transmitidos pelas emissoras de televisão, simultaneamente, de legenda oculta, janela com intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescrição. A proposta também determina que os debates eleitorais transmitidos pelas emissoras utilizem esses recursos.

O texto aprovado é o substitutivo do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) ao Projeto de Lei 4537/12, da ex-deputada Rosinha da Adefal, que previa a inclusão simultânea da linguagem de sinais e de legendas.

Barbosa acrescentou a audiodescrição como um dos recursos visuais obrigatórios. O texto altera a Lei 9.504/97, que estabelece normas para as eleições.

Acesso á informação

Inicialmente, o projeto recebeu parecer contrário do deputado Paulo Foletto (PSB-ES), que considera inviável a operacionalização da medida, dada a ausência de intérpretes em quantidade suficiente. Esse parecer foi rejeitado pela comissão, e Eduardo Barbosa foi nomeado relator do vencedor.

“Para que exista uma real compreensão por parte da pessoa com deficiência auditiva, é necessário que o conteúdo verbal das propagandas eleitorais e dos debates seja simultaneamente interpretado em libras e transcrito em legendas”, argumenta Barbosa.
“O acesso à informação eleitoral é premissa para o exercício da cidadania, o que exige que nos esforcemos em reduzir as barreiras existentes para que as pessoas com deficiência auditiva compreendam o meio político”, acrescenta.
Regras atuais

O deputado ressalta que a concomitância de recursos visuais para auxílio ao deficiente auditivo já é uma obrigatoriedade estabelecida na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI – 13.146/15).

De acordo com essa norma, o Poder Público deve garantir que os pronunciamentos oficiais, a propaganda eleitoral obrigatória e os debates transmitidos pelas emissoras de televisão possuam, pelo menos, subtitulação por meio de legenda oculta, janela com intérprete da Libras e audiodescrição.
E lembra ainda que a Resolução 23.404/14 do Tribunal Superior Eleitoral fixou a obrigatoriedade do uso da Libras ou de legenda não só na propaganda gratuita, mas também nos debates veiculados em televisão.
“Na esteira do que já fez o TSE no que diz respeito à campanha eleitoral passada, bem como reforçando previsão já constante da LBI, damos mais um passo no sentido da inclusão da pessoa com deficiência auditiva à sociedade e à política”, afirma.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência auditiva, o que representa mais de 5% da população nacional.
Tramitação
A proposta será analisada agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.

Fontes: Agência Câmara - www.vidamaislivre.com.br