sábado, 5 de dezembro de 2015

‘Você fica em choque’, afirma mãe de bebê com microcefalia em Campinas

Patrícia, de 21 anos, recebeu a notícia na 30ª semana de gravidez. Caso é investigado pela prefeitura já que pode ter ligação com zika vírus.

Roberta Steganha Do G1 Campinas e Região

   Patrícia e o filho Lorenzo de um mês em Campinas (SP) (Foto: Patrícia Campassi/ Arquivo pessoal)
Patrícia e o filho Lorenzo de um mês em Campinas (Foto: Patrícia Campassi/ Arquivo pessoal)

Patrícia, de 21 anos, recebeu a notícia na 30ª semana de gravidez.
Caso é investigado pela prefeitura já que pode ter ligação com zika vírus.
"Foi muito difícil, porque os ultrassons do começo estavam normais. Você descobre com 30 semanas, quando está quase pra nascer, que o cérebro dele não desenvolveu e as sequelas que ele vai ter. Você fica em choque. Eu estou ainda", desabafa Patrícia Pereira Campassi, de 21 anos, mãe de Lorenzo, que tem microcefalia. Ele nasceu há um mês e meio em Campinas (SP).

Segundo a Prefeitura, Lorenzo é um dos quatro casos notificados de microcefalia, uma má formação congênita, que são investigados pela Vigilância Epidemiológica da cidade. As ocorrências podem ter relação com o zika vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue e da chikungunya.
Alergia

A mãe, que já tem uma filha de 5 anos, conta que a gravidez seguia normalmente até a oitava semana. No entanto, tudo começou a mudar depois de uma suposta alergia alimentar.

"Era um grosseirão, dor no corpo e, logo depois, veio a coceira. Febre eu não tive. Eu fui para a maternidade, estava na epidemia de dengue e o médico nem me avaliou direito e disse que era intoxicação alimentar. Eu fiquei assim por uma semana", lembra.
Patrícia afirma que depois fez dois ultrassons, que não deram nenhum tipo de alteração, mas na 30ª semana veio a notícia da microcefalia.
"Eu até questionei o médico na época, ele disse que demora um pouco para aparecer. Aí, quando começa a desenvolver e vê que o corpo tá crescendo e o crânio não, aí descobriram que ele nasceria com microcefalia", destaca.
Não ligaram com zika vírus

A mãe conta que ficou em choque e fez vários exames depois de receber a notícia, mas que nunca nenhum médico citou uma possível ligação com dengue ou zika vírus.

"Fui em geneticista, em infectologista, fiz vários exames. Contei a história que tive a alergia e tudo e na época, não ligaram com a dengue e com zika vírus", afirma.
Patrícia explica que só nesta semana após uma visita a um neuropediatra que foi levantada a possível ligação com o zika vírus. "Eu estive num neuro, no acompanhamento do meu filho e contei a história e ele falou que hoje tem certeza que foi o zika vírus", ressalta.
Muito amor

A mãe destaca que é preciso que as gestantes sejam alertadas sobre o perigo de ser picada pelo Aedes aegypti. Ela afirma também que é importante que elas sejam orientadas sobre o que é a microcefalia e como cuidar da criança.

"Eu vi vários casos de mães querendo até mesmo abortar a criança. Mas, eu acredito que se Deus me enviou ele, eu tenho capacidade de cuidar e todas as mães também. Não é fácil, têm dias que eu choro, mas é força, porque a gente ama muito. É muito diferente o amor que eles passam. Tem dia que tô chorando e só de olhar pra ele, me dá força", desabafa.



Para as mães que estão vivendo a mesma situação, Patrícia afirma que é preciso superar o choque inicial e dar amor e carinho para que o bebê se desenvolva no seu tempo.

"Eu levo uma frase comigo que eu ouvi um dia e que carrego e passo pra todo mundo: Filhos especiais, somente para pais especiais. É difícil porque eu me emociono muito. Eu nunca pensei que isso fosse acontecer comigo e a gente faz planos. Eu tenho um filho real, especial, eu vou cuidar de acordo com as necessidades dele", finaliza.
Gestantes de Campinas estão preocupadas com o risco de microcefalia (Foto: Reprodução / EPTV)Gestantes de Campinas estão preocupadas com o
risco de microcefalia (Foto: Reprodução / EPTV)
Casos em Campinas

A Vigilância Epidemiológica de Campinas investiga se quatro casos de bebês com microcefalia notificados na cidade podem ter relação com o zika vírus.

Estas ocorrências foram informadas ao longo do último mês. A apuração teve início após o alerta feito pelo governo federal. Um alerta global também foi emitido pela Organização Mundial da Saúde.
No entanto, diferentemente de doenças como a tuberculose e a Aids, a microcefalia não fazia parte da lista de enfermidades com notificação obrigatória. Ao todo, cerca de 21 mil bebês nascem por ano em Campinas, no entanto, não há uma estatística que mostre quantos deles têm a má formação.
"Não temos uma série histórica para dar um balizamento de quantos casos nós tínhamos no passado. Microcefalia não é sinônimo de zika. Pode aparecer em toxoplasmose, citomegalovírus, alcóolatras, uma série de outros agravos de saúde", explica o secretário de Saúde de Campinas Carmino Antonio de Souza.
A região de Campinas só registrou oficialmente um caso de zika vírus este ano, que também foi o primeiro do estado. A ocorrência foi em Sumaré (SP), em um homem. Posteriormente, um segundo caso foi registrado na região de São José do Rio Preto.
Investigação difícil

Investigar a relação entre microcefalia e o zika vírus não será fácil, segundo a Secretaria de Saúde. Não há sorologia para este vírus e, portanto, a causa da má formação será sabida por meio um exame laboratorial específico feito pelo Instituto Adolfo Lutz, que concentra as investigações no estado.

Segundo Souza, a Prefeitura está fazendo também um treinamento, tanto da rede pública como na rede privada, para a identificação da microcefalia.
"Neste momento há uma tedência natural de ter uma elevação no número de suspeitos. Só temos uma forma de fazer o diagnóstico, por via laboratorial", completa.
No país

Até 28 de novembro de 2015, foram notificados 1.248 casos suspeitos de microcefalia, identificados em 311 municípios de 14 estados, de acordo o Ministério da Saúde. No ano passado foram registrados 147 casos no país.

O estado de Pernambuco registra o maior número de casos (646), sendo o primeiro a identificar aumento de microcefalia em sua região.
Fonte: g1.globo.com

IBSA divulga a lista dos países classificados para os Jogos do Rio 2016 no goalball

 
Foto: Goalball feminino brasileiro entrou como sede, no entanto, as meninas conquistaram o título dos Jogos Parapan-Americanos de Toronto (Márcio Rodrigues/MPIX/CPB)

Rio de Janeiro/RJ – A Federação Internacional de Esporte para Cegos (IBSA – Sigla em inglês) divulgou a lista final dos países classificados para os Jogos Paralímpicos do Rio 2016 nas competições de goalball, nas categorias masculina e feminina, com dez equipes cada. As partidas serão realizadas na Arena do Futuro na Barra da Tijuca.
 
O anúncio aconteceu após a entidade confirmar o cancelamento do Campeonato Africano IBSA 2015 de Goalball. Foi adotado o critério estabelecido na classificação final dos Jogos Mundiais da IBSA realizado este ano, em Seul, Coreia do Sul. Com isso, República Tcheca, no masculino, e Austrália, no feminino, foram automaticamente inseridas nas Paralimpíadas do ano que vem.
 
As partidas das competições de goalball, em ambas as categorias, serão realizadas na Arena do Futuro, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. O ginásio foi o primeiro local a ser entregue, no mês de setembro.
 
Confira abaixo a lista dos países que virão ao Rio de Janeiro buscar o ouro paralímpico no goalball.
 
Masculino
1. Brasil – vaga conquistada no Campeonato Mundial da IBSA 2014
2. Finlândia – vaga conquistada no Campeonato Mundial da IBSA 2014
3. Estados Unidos - vaga conquistada no Campeonato Mundial da IBSA 2014
4. Canadá – vaga conquistada no Qualificatório Regional das Américas 2015
5. Turquia – vaga conquistada no Qualificatório Regional Europeu 2015
6. China – vaga conquistada no Qualificatório Regional da Ásia e Oceania 2015
7. Lituânia – vaga conquistada nos Jogos Mundiais da IBSA 2015
8. Suécia – vaga conquistada nos Jogos Mundiais da IBSA 2015
9. Alemanha - vaga conquistada nos Jogos Mundiais da IBSA 2015
10. República Tcheca - vaga conquistada nos Jogos Mundiais da IBSA 2015
 
Feminino
1. Brasil – país sede
2. Estados Unidos – vaga conquistada no Campeonato Mundial da IBSA 2014
3. Rússia – vaga conquistada no Campeonato Mundial da IBSA 2014
4. Turquia – vaga conquistada no Campeonato Mundial da IBSA 2014
5. Canadá – vaga conquistada no Qualificatório Regional das Américas 2015
6. Ucrânia – vaga conquistada no Qualificatório Regional Europeu 2015
7. Japão – vaga conquistada no Qualificatório Regional da Ásia e Oceania 2015
8. Israel – vaga conquistada nos Jogos Mundiais da IBSA 2015
9. China – vaga conquistada nos Jogos Mundiais da IBSA 2015
10. Austrália – vaga conquistada nos Jogos Mundiais da IBSA 2015

Comunicação CBDV
Tadeu Casqueira - (21) 98127-0010 / (21) 98465-0765 - Whatsapp / (21) 2224-5775
tadeucasqueira@cbdv.org.br

Fonte: cbdv.org.br

Mensagem da Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência

Conselheiras e Conselheiros,

Em uma semana de celebração para todas e todos do movimento de luta pelos direitos das pessoas com deficiência, nós da Coordenação-Geral do Conade gostaríamos de compartilhar com vocês uma mensagem da Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência.

Agradecemos a todas as pessoas que se somam à nossa luta pela derrubada das barreiras que as brasileiras e os brasileiros com deficiência vivem em nosso país.

Cordialmente,

Anderson Tavares Correia
Coordenador-Geral do Conade

                            



Avanços da Política Pública na área de Pessoas com Deficiência

O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Organização das Nações Unidas em outubro de 1992 e, a partir de então, comemoramos este dia em 03 de dezembro. Em alusão a esta data, nós da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, gostaríamos de partilhar algumas conquistas. 

Entre as grandes ações de acessibilidade realizadas neste ano, foram efetivadas vistorias em nove aeroportos, em conjunto com outros órgãos federais, que culminaram em melhorias da infraestrutura e dos serviços oferecidos para as pessoas com deficiência. Em preparação para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, também foram feitos simulados de embarque e desembarque de delegações de pessoas com deficiência em aeroportos no Rio e em São Paulo, com vistas a aperfeiçoar os procedimentos operacionais – um legado de melhoria no atendimento para além dos jogos. Outra grande vitória na acessibilidade ao transporte, agora no modal rodoviário, foi o começo da eliminação da cadeira de transbordo efetivada pela Portaria Inmetro nº 269, de 2 de junho de 2015, determinando que a partir de 31 de março de 2016 todos os ônibus rodoviários devem ter acesso garantido por plataforma elevatória veicular (ou rampa, no caso do ônibus double decker). Para garantir maior acessibilidade comunicacional, o Governo Federal ampliou a oferta de recursos para o desenvolvimento de tecnologias assistivas, redefiniu padrões mínimos de programação acessível na TV Digital aberta e de serviços de telefonia e de conectividade eletrônica. Além disso, por força da instrução normativa Ancine nº 116, de 18 de dezembro de 2014, todos os projetos de produção audiovisual financiados com recursos públicos federais geridos pela ANCINE passaram a contemplar nos seus orçamentos serviços de legendagem descritiva, audiodescrição e LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais.

Em 2015, foi inaugurado o segundo Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia do Brasil. Localizado no Instituto Federal do Espírito Santo, em Alegre, o centro é fruto da parceria instituída pelo Plano Viver sem Limite entre a nossa Secretaria Nacional e o Ministério da Educação, com previsão de criar sete centros em todas as regiões do país. Os centros têm o objetivo de ampliar a utilização de cães-guia por meio da formação de mão-de-obra especializada em todo o Brasil, já que, atualmente, o número de cães-guia é muito inferior ao número de pessoas com deficiência visual interessadas nesse recurso de assistência para proporcionar maior independência das pessoas com deficiência.

Além disso, em julho de 2015, foi sancionada a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – LBI, a Lei nº 13.146, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência. O normativo foi resultado de trabalho da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Secretaria dos Direitos Humanos, ao coordenar um grupo de especialistas nas diversas áreas da deficiência que em 2013 consolidou, de modo técnico e participativo, os inúmeros projetos de lei sobre o tema, além de adequá-los à Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – que tem equivalência de emenda constitucional no Brasil. São quase 130 artigos que avançam em diversas temáticas, como igualdade e não discriminação, atendimento prioritário, direito à habilitação e reabilitação, à saúde, educação, trabalho, assistência social, previdência, acessibilidade, mudanças no Código Civil Brasileiro, novas formas de avaliar e valorar a deficiência para concessão de direitos e benefícios.

Uma conquista que também nos alegrou bastante foi a recente decisão na Ação Direta de Inconstitucionalidade 5357/2015, em que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, confirmando o entendimento do governo, decidiu preliminarmente pela constitucionalidade de artigos da LBI que garantem as condições para o acesso e a permanência das pessoas com deficiência no ensino privado. Nas palavras do ministro, “É somente com o convívio com a diferença e com o seu necessário acolhimento que pode haver a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, em que o bem de todos seja promovido sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Com o objetivo de divulgar os Direitos das Pessoas com Deficiência e reforçar ainda mais nossa luta por igualdade de direitos, estamos realizando oficinas utilizando a literatura de cordel como linguagem, passando por Salvador (Bahia), Recife (Pernambuco), João Pessoa (Paraíba), Natal (Rio Grande do Norte), Fortaleza (Ceará), Teresina (Piauí), Manaus (Amazonas), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), São Paulo (São Paulo) e Goiânia (Goiás), levando informação sobre os artigos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência de forma criativa e lúdica, ajudando a formar uma sociedade mais consciente e inclusiva. E para que os direitos das pessoas com deficiência defendidos na convenção chegassem a ainda mais pessoas, produzimos um filme com a versão completa da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em Língua Brasileira de Sinais – Libras, acompanhada dos recursos de audiodescrição e legenda oculta. Além desse DVD, estamos produzindo uma série de 05 documentários, com todos os recursos de acessibilidade, abordando importantes temas da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: Esporte, Cultura, Criança, Trabalho e Educação Inclusiva.

Outra política importante para a inclusão das pessoas com deficiência nos serviços públicos que todo cidadão tem direito é a implantação de Centrais de Interpretação de LIBRAS (CIL) em todas as regiões do país. São cerca de 40 centrais instaladas em parceria com estados e municípios disponibilizando intérpretes, de maneira física ou virtual, que fazem a intermediação de comunicação entre as pessoas surdas e médicos, advogados, delegados e diversos outros profissionais do setor público. Estas centrais são importantíssimas pois permitem que a pessoa surda possa resolver questões diversas da sua vida com autonomia, ajudando a fortalecer sua cidadania.  Em 2015 foram entregues 16 Centrais, estamos em processo de chamada pública aberto para a entrega de mais 12 centrais, além de mais 18 unidades para serem entregues em 2016.

A participação social na deliberação de políticas públicas é garantida na estrutura do Poder Executivo, através do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade). Criado para acompanhar e avaliar o desenvolvimento da política nacional para inclusão da pessoa com deficiência e das políticas setoriais, o Conselho é paritário e tem representação de 19 órgãos governamentais e 19 entidades da sociedade civil organizada. Participou de momentos importantes para o segmento, como as três Conferências Nacionais dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em 2006, 2008 e 2012, e organiza atualmente a IV Conferência Nacional, a ser realizada em abril de 2016. Além disso, contribuiu na discussão e construção de importantes dispositivos legais, como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) promulgada esse ano.

A transversalidade tem sido um desafio na articulação e execução das políticas públicas para a área da pessoa com deficiência. A deficiência é uma das características da pessoa, entre diversas outras, como as questões de sexo, orientação sexual e identidade de gênero, diversidade geracional, raça e etnia. Essas questões devem ser conduzidas através de uma abordagem ampla e agregadora, tanto no que se refere às políticas setoriais, quanto no diálogo com outras temáticas afetas aos direitos humanos, superando a forma tradicional e compartimentalizada de implementação das políticas sociais.

Obviamente, ainda existem diversos desafios a serem superados, mas os avanços dos últimos anos conquistados através da união de todos e todas que lutam pelos direitos das pessoas com deficiência nos fazem comemorar o dia de hoje em que também aproveitamos para agradecer a toda à sociedade civil e os entes federados municipais, estaduais e todos os parceiros do Governo Federal por não se cansarem da batalha e por estamos todos caminhando para um mundo mais justo e igualitário.



Antonio José Ferreira
Secretário Nacional
Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Secretaria Especial de Direitos Humanos
Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos

Fonte: www.pessoacomdeficiencia.gov.br - Imagem Internet

Cadeirante pede socorro em desabafo pintado em calçadas do Santa Cecília

Em três esquinas, frase de uma cadeirante mostra a falta de acessibilidade do bairro

Por: Felipe Martini

    Foto: Felipe Martini / Agência RBS
   Cadeirante pede socorro em desabafo pintado em calçadas do Santa Cecília Felipe Martini/Agência RBS

Nas duas últimas semanas, os moradores do bairro Santa Cecília notaram uma mensagem curiosa pintada nas calçadas de três esquinas. A frase "Nessa rua não tem lugar para mim", assinada por uma Fernanda, cadeirante de 48 anos, é um desabafo pela falta de rampas de acessibilidade nos locais. Os dizeres estão no encontro das ruas João Guimarães com Dona Eugênia, São Vicente com a Felipe de Oliveira e João Guimarães com a Felipe de Oliveira.

Moro no bairro há 50 anos e faz 15 dias que começamos a ver essas mensagens pintadas na calçada – conta Marina Camini, auxiliar administrativa.
Click AQUI para ver o vídeo:
De acordo com a artesã Carmem Vera Lisboa, que mora na frente de um dos dizeres, a suposta "Fernanda" é uma cadeirante que mora no bairro e passa muitas dificuldades de locomoção por ter uma cadeira de rodas manual. A moradora afirma que foi um rapaz anônimo que pintou a frase em forma de protesto para chamar a atenção sobre o tema.
Quem conhece bem as calçadas esburacadas e a falta de rampas de acesso do bairro é Elizabete de Sá, 67 anos. A senhora, que é conhecida por boa parte da vizinhança, é paraplégica desde os nove meses de idade e conta que gostou dos dizeres pintados:
Acho muito válida essa frase porque mostra um problema pelo qual eu passo todos os dias. A falta de rampas nos dois lados da rua me obriga a andar no meio do trânsito em alguns trechos.
Outro morador que diz conhecer Fernanda é o comerciante Delmar Zambiase, que tem uma lanchonete perto das esquinas pintadas.
Já conversei com ela e sei das dificuldades que ela tem que superar nas nossas calçadas. Eu não sei se essa é a Fernanda dos dizeres, mas creio que esse é um problema de todos os cadeirantes, das Fernandas, das Paulas, das Joanas, de todos.
A Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social (Seacis) afirmou que não são todas as ruas que permitem um rebaixamento para a construção de uma rampa de acesso. Em muitos casos, existem barreiras arquitetônicas que não permitem o projeto, como postes de luz, placas de rua e tubulações de água e gás — cada caso tem que ser estudado, afirma a secretaria. O órgão também ressaltou que muitas rampas são feitas por proprietários e construtoras. A Seacis fará uma vistoria dos locais citados na reportagem.

Sobre “privilégios” e aquele outdoor infame

Por Marcos Weiss Bliacheris



A Prefeitura de Curitiba se tornou conhecida por sua presença na Internet. Divertidas, mas indo direto ao assunto, suas postagens têm como rotina receber muitos likes e compartilhamentos, medida instantânea de sucesso na era das redes sociais.  Abri a página do Facebook da Prefeitura no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência: posts bem feitos, que tratam com respeito e propriedade temas ligados à inclusão e acessibilidade.

Este perfil só aumenta a surpresa causada pela campanha protagonizada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, cujo “gancho” era contestar supostos “privilégios” das pessoas com deficiência. Um falso movimento espetou um outdoor no coração de Curitiba e de lá para as redes, criticando os tais privilégios. Um dia depois, soube-se, era uma campanha publicitária para a promoção e esclarecimento sobre os direitos das pessoas com deficiência.

O repúdio foi amplo e imediato. Todos ficamos sabendo deste outdoor hediondo. Todos nos perguntamos que tipo de gente seria capaz de criar e pagar por uma publicidade assim (supondo-a verdadeira).

A descoberta de que se tratava de uma campanha publicitária não serenou os ânimos daqueles pisoteados pelo outdoor. A imensa maioria de pessoas com deficiência e seus pais (pelo menos em minha timeline do facebook) sofreu com a campanha – e continuou sofrendo, mesmo após saber que era uma campanha publicitária.

O marketing se defendeu alegando que pretendia veicular uma campanha agressiva, mobilizadora. Agressiva, sim. Mas que agrediu pessoas. Será que levantar a questão da deficiência exige esse tipo de agressão para ser ouvido? Será  válido agredir dessa forma pessoas  já  vulneráveis, sob o pretexto de chamar a atenção?

Em Porto Alegre, recente campanha estampou em bancas insultos racistas, perto dos lugares de onde foram proferidos nas redes sociais. Será que isso não ajuda a perpetuar o racismo? O que pensa uma criança negra que tem que passar todos os dias pela frente de uma ofensa dessas?

A campanha contra os privilégios das pessoas com deficiência dói porque é verdadeira. Não é absurda. Dói porque cada pai de pessoa com deficiência, cada criança ou adulto com deficiência em algum momento de sua vida foi questionado sobre supostos privilégios decorrentes dessa condição.

Nem sempre esse questionamento se dá de forma direta. Porque isso seria sórdido demais. Mas sim, já li relatos de mães de autistas hostilizadas em caixas de supermercados e um grande amigo meu me contou que sua mulher, grávida em final de gestação, foi hostilizada em um cinema. A pessoa gritava a plenos pulmões que preferência na fila era válida em locais públicos e não em locais de diversão (qualquer semelhança com outros preconceitos que você já viu NÃO  é mera coincidência).

Mas o discurso do “privilégio” das pessoas com deficiência se desdobra de outras formas, muito mais comuns e apropriadas pelas assim chamadas “pessoas de bem”. Como é sabido, a inclusão exige adaptação. Não a adaptação da pessoa com deficiência a um ambiente e uma sociedade que não foram desenhados para recebê-lo. Mas a adaptação do ambiente, e da sociedade, para que todos possam exerçer igualmente sua cidadania. Falar em privilégio é achar que o cadeirante, ao receber uma rampa, estaria recebendo um “privilégio”. É supor que, para não haver “privilégios”, o cadeirante deveria se virar com as escadas, como todo mundo. Que intérprete em libras é um privilégio, e não um direito para quem não escuta. Que apoio escolar e adaptação curricular pra quem deles necessita  é um privilégio. Não são privilégios, mas adaptações necessárias para tentar garantir igualdade real. É a interpretação moderna do princípio da igualdade, que consiste não em tratar a todos igualmente, mas em tratar diferentemente  os diferentes.

Todo pai ou pessoa com deficiência já entrentou esse discurso do “privilégio” na vida real.  É aquele momento em que a pessoa ou instituição não quer abertamente atingir os direitos da pessoa com deficiência, mas cede à pressão social que vê naquele direito uma espécie de privilégio. Essa pressão geralmente não possui um rosto, e busca defender uma igualdade formal, que supostamente estaria sendo rompida por uma pessoa que necessita receber condições diferenciadas, ou que necessita de adaptações em virtude de sua conduta diferenciada. Todos “querem” receber a pessoa com deficiência, mas não podem admitir que ela seja diferente, ou que as condições em que ela se vincule ao grupo sejam diferentes. E assim, exigir ser incluído quando se é diferente vira um “privilégio”.

Este discurso não estampa outdoors , mas é ouvido à exaustão pelas pessoas com deficiência e seus pais. Em uma inversão odiosa de esquemas de poder, é pedida à parte mais vulnerável (a pessoa com deficiência e seus responsáveis) que tenham “compreensão” com a ausência de adaptações, e com o fato de que  nem todos entendem a necessidade de direitos diferenciados para pessoas diferentes. Na prática, se consagram privilégios, sim. Mas os privilégios do grupo sem deficiência, que pode se dar ao luxo de seguir sua vida de “pessoas de bem”, simplesmente ignorando as necessidades dos demais à sua volta. Enquanto isso, pede-se a compreensão e o bom comportamento dos excluídos – essenciais para que todos possam  continuar com suas consciências preservadas, mesmo em um mundo injusto.

Não podemos deixar de reconhecer a existência e persistência do discurso do privilégio quando  vários vetos ao Estatuto da Pessoa com Deficiência cancelaram direitos em nome de pressões de mercado, e quando instituições representativas das escolas particulares tratam o direito à educação como um privilégio.

Quanto à publicidade, mais que o nocaute buscado no Paraná, fico com as instigantes mensagens “essa rua não tem lugar para mim” pintadas nas calçadas de um bairro de Porto Alegre, onde a falta de rampas acessíveis impede a passagem de cadeirantes.

A iniciativa, fruto de um trabalho universitário, não incomodou nenhuma pessoa com deficiência. Incomodou somente o Poder Público que teve que explicar (de forma pouco convincente, por sinal) porque o direito constitucional de ir e vir é negado para as pessoas com deficiência.

Mas, todos sabemos, esse direito é um verdadeiro privilégio para os cadeirantes. Seja no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, seja nos demais 364 dias do ano.

(Marcos Weiss Bliacheris é advogado e autor dos livros “Licitações Sustentáveis” e “Sustentabilidade na Administração Pública”. É titular de blog sobre Sustentabilidade e Inclusão na página eletrônica da Federação Israelita do Rio Grande do Sul.)

Para quem quiser conhecer o trabalho feito em Porto Alegre pelos estudantes de comunicação Gabriel Baron Bastos, Katherine Both Lahude, Lú Rosa e Alvaro Hetzel, no Seminário de Acessibilidade em Comunicação da Professora Ana Cristina Pereira :

Intérpretes proporcionam experiência do teatro para deficientes auditivos

Teatros e espetáculos com acessibilidade em libras ganham destaque e adeptos em Brasília, seguindo diretriz de lei federal

por Portal Brasil

Decreto determina que haja em lugares públicos serviços de atendimento para pessoas com deficiência auditiva
Decreto determina que haja em lugares públicos serviços de atendimento para pessoas com deficiência auditiva

O teatro está lotado. As luzes se apagam, as cortinas se abrem e os atores entram em cena. Com eles, também se posiciona no palco Tatiana Elizabeth, tradutora intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras). Tatiana, então, inicia o seu trabalho: transmitir as emoções do que é encenado àqueles que não escutam.
O público presente se mistura entre ouvintes e pessoas com deficiência auditiva, que agora frequentam as salas de teatro do Distrito Federal por oferecerem, além de diversão e cultura, acessibilidade, ou seja, por disponibilizarem intérpretes durante todo o espetáculo.
Tatiana explica que o número de pessoas com deficiência auditiva que procuram eventos culturais acessíveis têm crescido na capital. “Quando bem divulgado, onde tem peça, um público de 20 a 30 surdos estão presentes”, disse. “São pessoas muito boas de trabalhar porque o feedback vem na hora, eles interagem com a gente”, completa.

A iniciativa de sucesso no teatro de Brasília vai ao encontro de leis federais e políticas públicas de inclusão de deficientes. Nesta quinta (3), Dia da Pessoa com Deficiência, a Secretaria de Direitos Humanos lança vídeos da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência em Língua Brasileira de Sinais (Libras). É a primeira vez que o governo brasileiro realiza a tradução de uma legislação em vigor para portadores de deficiência auditiva. 
Inclusão para todos
Patrocinada pelo Fundo de Apoio à Cultura (Fac), a peça Encontro às Escuras, do diretor Guilherme Monteiro, teve a presença, em toda a temporada, de um intérprete de libras. Guilherme conta que, ao inscrever o projeto para o Fac, destacou que seria fundamental que houvesse acessibilidade. “Eu também sou professor, então sempre penso na inclusão e acessibilidade para meus alunos, com todos os tipos de deficiência”, explica.
Ao final de cada apresentação, o diretor e os atores se reúnem com o público para conhecerem suas impressões. Segundo Guilherme, o retorno tem sido melhor do que o esperado. “Vários surdos que moram perto do teatro tinham curiosidade de ver alguma peça, mas nunca tinham ido por falta de acessibilidade. Agora, com essa oportunidade, eles não só vão uma vez, como várias vezes”.
William Tomaz, intérprete de libras que divide o palco com Tatiana na peça Encontro às Escuras, explica a importância do seu trabalho para a cultura acessível. “A maioria da nossa sociedade é ouvinte, então, raramente pensa em acessibilidade em língua de sinais, e participar do processo de criação de espetáculos com libras tem um sentimento diferente, é muito especial”.
Lei de Acessibilidade
De acordo com o Decreto 5.296/2004 que regulamenta as Leis nº 10.048 e nº 10.098, ambas de 2000, é necessário que haja em lugares públicos serviços de atendimento para pessoas com deficiência auditiva, como pessoas capacitadas em Língua Brasileira de Sinais (Libras)  ou intérpretes, para aquelas que não se comuniquem em libras, e para pessoas surdocegas, prestados por guias-intérpretes ou pessoas capacitadas nesse tipo de atendimento.
Fontes:EBC - Portal Brasil e Secretaria de Direitos Humanos - .brasil.gov.br

Decreto obriga goianienses a ajustarem calçadas para deficientes físicos

Prefeitura dará tempo para adaptação e somente em seguida fiscais irão percorrer a cidade multando aqueles que não se adequarem

Por Sarah Teófilo

  Foto: / divulgação Prefeitura de Goiânia
   Foto: / divulgação Prefeitura de Goiânia

O prefeito Paulo Garcia (PT) assinou nesta quinta-feira (3/12), no Paço Municipal, um decreto que regulamenta lei federal e obriga os goianienses a ajustarem suas calçadas para se tornarem acessíveis. De acordo com o secretário de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas Pedro Wilson (PT), não há ainda prazos para adaptação ou valores de multas, mas o decreto passa a valer a partir da data de assinatura.

O secretário explicou ainda que o foco da prefeitura é educar a população e somente depois aplicar multa naqueles que não cumprirem. “É um processo educativo. Vamos ter o bom senso de não criar um pavor da população”, assegurou.
Pedro Wilson explicou que a calçada, de responsabilidade do morador, deverá ter piso tátil — para deficientes visuais — e seguir um padrão em termos de inclinação, de declividade e de sequência. “Tem umas calçadas baixas, outras muito altas que impedem que os deficientes sigam.” Conforme o secretário, haverá grande divulgação para as adequações. No caso de imóveis a serem construídos, os donos serão instruídos pela gestão municipal.
A superintendente de pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Cidinha Siqueira (PT), explicou que a multa deverá ser alta, mas que todos terão tempo suficiente para se adequarem. “Eu acredito muito na população, sei que ela vai se sensibilizar”, disse. Cidinha disse ainda que a prefeitura já pretende abrir concurso para contratar pelo menos 30 fiscais para observarem as calçadas da capital.

Deficiente física, a superintendente falou sobre as dificuldades enfrentadas e o preconceito já vivido. “Já ouvi de pessoas na rua o seguinte: ‘Quem mandou ser aleijada?’. Por isso, peço que todos eduquem seus filhos para respeitarem as diferenças.” E completou: “A deficiência não está em nós, mas na forma como a sociedade é planejada.”

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Governo não vai poupar recursos para conter surto de microcefalia, diz ministro

A ordem da presidente é "que todas as medidas sejam tomadas para proteger a população"

Agência Estado


Ministro da Comunicação Social não quis estimar o valor da verba destinada para as medidas de combate ao desastre ambiental Ricardo B. Labastier/JC Imagem/Estadão Conteúdo

O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira (23), que o governo não vai poupar recursos e esforços para impedir que a epidemia de microcefalia no Nordeste avance e se espalhe para outros Estados do País.

Quando se fala em saúde pública, por mais que nós tenhamos em nosso horizonte a questão de equilíbrio fiscal do governo, eu penso que os recursos têm de ser destinados para que a gente enfrente a questão, nem que o governo busque posteriormente fazer a compensação em outras áreas do Orçamento.


O ministro destacou ainda que, embora a situação preocupe o governo, não há porque haver "alarde". Segundo ele, a ordem da presidente Dilma Rousseff é para "que todas as medidas sejam tomadas para que a população seja protegida e para que o Brasil supere essa situação". 

Entre essas medidas, Edinho destacou a criação de um grupo interministerial para preparar um plano de enfrentamento para prevenção e controle do surto. O comitê de crise vai ser gerenciado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner.

O ministro, porém, não quis detalhar quanto o governo pretende gastar a mais com as ações, mas afirmou que uma das preocupações é intensificar o combate ao mosquito da dengue, o Aedes aegypti, já que os exames confirmaram a infecção por zika em gestantes cujo feto apresentaram o problema.

Mariana

Edinho também fez questão de afirmar que o governo já tomou "medidas duras" para punir as empresas responsáveis pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG). Segundo ele, a presidente está cuidando "pessoalmente" das ações para minimizar o impacto do desastre ambiental.


Neste domingo (22), o mar de lama chegou ao oceano, formando uma enorme mancha marrom que se projetava quilômetros mar adentro desde a foz do Rio Doce, em Linhares, no norte do Espírito Santo.

Zika vírus pode ser transmitido também por leite materno

Médica ligada ao Ministério da Saúde diz que vírus já foi encontrado também no sêmen

Eugenio Goussinsky, do R7


Descoberta pode causar reviravolta no combate ao zika Betina Charuchinski/PMPA/Fotos Públicas
As novas descobertas a respeito do zika vírus levaram os pesquisadores a uma conclusão inédita. Antes conhecida por ser transmitida apenas pelos mosquitos, agora já há a certeza de que a doença também pode ser transmitida pelo leite materno, além das relações sexuais. 
A infectologista Rosana Richtmann do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e membro do Comitê Técnico Assessor de Imunizações do Ministério da Saúde confirmou ao R7 que o vírus já foi encontrado na principal fonte de nutrição do bebê.
Esse vírus já foi isolado também no leite materno. A criança não vai ter a microcefalia, mas pode ter uma doença viral, com febre, dor no corpo, mais ou menos como uma outra doença, muito menos maligna e sem relação com a microcefalia.
Outra forma de transmissão que a especialista aponta como novidade é por meio de relações sexuais. Esses dois exemplos abrem possibilidades para que o vetor da doença seja também o ser humano infectado.
Agora estamos descobrindo que há a possibilidade de transmissão sexual desse vírus, isso é novo. O vírus já foi isolado no sêmen, já sabemos que existe a possibilidade, durante a fase da doença, enquanto o paciente está com sintomas, dele transmitir esse vírus em relações sexuais. 
A constatação pode causar uma reviravolta ainda maior na presença do zika vírus no Brasil. Métodos preventivos também deverão ser adotados pelos pacientes contaminados. Para eles, os cinco dias que, em média, a infecção dura poderão ser definitivos. 
Danos ao feto 
A relação entre a epidemia de microcefalia identificada no Nordeste e a infecção pelo zika, confirmada pelo Ministério da Saúde no último dia 29, começou a desvendar o comportamento misterioso do vírus. Esse micro-organismo utiliza terminações nervosas do ser humano como sustentação para sua sobrevida. Essa é, possivelmente, a causa das má-formações dos fetos, conforme descreve Rosana.
Esse vírus é neurotrópico, tem uma afinidade pelo sistema nervoso, tanto periférico quanto central. No momento em que entra na corrente sanguínea, procura terminações nervosas. 

                       
O período, relativamente curto, em que o zika fica no sangue é suficiente para ele causar um dano irreparável para o desenvolvimento fetal, ainda vulnerável a qualquer agressão biológica ou imunológica.
Ao encontrar no organismo um hospedeiro suscetível, no caso um feto, o vírus pode entrar na circulação fetal e, no momento da formação do feto e de seu sistema nervoso, ele acaba causando esse dano, uma lesão nesse sistema, provocando a microcefalia.
A síndrome de Guillain-Barre também teve sua relação com o zika confirmada, mas essa doença autoimune, que gera fraqueza muscular e paralisia, está relacionada, como sequela rara, a outras doenças virais, conforme diz Rosana.
Essa síndrome é descrita em quadros pós-virais, da gripe, herpes e catapora, por exemplo. Quadros pós-virais é que podem evoluir para a Guillain-Barré. No caso do zika, já tem descrição de pacientes que tiveram Guillain-Barré, assim como vimos em dengue e chikungunya. 

A febre chikungunya, segundo Rosana, também pode causar, por meio de seu vírus, problemas na gravidez, gerando a morte do feto. Por isso a recomendação de Rosana, nesse momento, é para as mulheres adiarem a gravidez até que as informações sobre as doenças sejam claras o suficente.
Por serem doenças virais, pelas análises até agora, zika, chikungunya e dengue não causam alteração genética. Por isso, Rosana acredita que um homem que contraiu zika não correrá o risco de, no futuro, ter um filho com microcefalia. Nem a mulher, após "libertada" do vírus, precisará se preocupar.
Para ter um filho com microcefalia o homem precisa passar o vírus para a gestante. O homem não tem como ter um filho com microcefalia sem que o vírus passe pela mãe. Não é genético, não é o gene que passa para o filho. É o vírus. 
Alto risco de surto
Depois que o zika deixa de se manifestar, seus sintomas também passam. Mas, conforme ressalta o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, ainda não é possível saber se a pessoa que contrariu o zika ou a chikungunya estará imune a eles.
Em relação à dengue, essa questão é bastante conhecida, existem quatro tipos de vírus de dengue, em tese você pode se infectar uma vez só por cada um dos vírus e ter até quatro infecções durante a vida. 
São novas etapas a serem desvendadas, conforme ele afirma.
Os mecanismos tanto para zika quanto para chikungunya não estão bem descritos, não sabemos se existem mutações desses vírus capazes de trazerem epidemias com novos vírus muito semelhantes, que, como em relação à gripe, sofrem pequenas mutações capazes de infectar novamente.
Com alguns sintomas semelhantes e outras diferenças, dengue, zika e chikungunya devem ainda permanecer por muito tempo nas estatísticas dos jornais, segundo Kfouri. O médico acredita que as chuvas que deverão desabar nos próximos verões poderão abrir as comportas para um surto.
Existem todas as condições para haver uma epidemia, relacionadas à transmissividade, à quantidade de mosquitos transmissores em um país como um todo, excetuando-se a região sul, com uma possível tríade de dengue, chikungunya e zika circulando simultaneamente nos próximos verões. O risco é muito grande.
A vacina da dengue, segundo Kfouri, deverá chegar ao mercado, após aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda no início de 2016. Terá eficácia em 60% dos casos comuns e em 90% dos graves. Já as outras, deverão demorar muito tempo para terem uma vacina, segundo o infectologista, que faz uma ressalva.
Mesmo com a vacina da dengue no mercado, ela não vai ser suficiente para toda a população. A prevenção não é apenas um papel do governo. Não dá para enxergar todo esse controle como uma responsabilidade só dos agentes de saúde. 
Para ele, a questão da prevenção depende de uma atuação integrada e consciente da sociedade e do poder público.
Existe hoje um verdadeiro exército de agentes visitando casas e, dependendo do município, até com autorização judicial para entrar. Hoje precisamos discutir mais a educação da população e a informação. Cada um de nós tem uma responsabilidade sobre isso.