sábado, 19 de dezembro de 2015

Menina com deficiência ganha cadela "igual a ela"

Do UOL, em São Paulo

Reprodução/Facebook/The Escapades of Ella and Snowy
Ella nasceu apenas com o braço direito e a cadela Snowy tem três patas
Ella nasceu apenas com o braço direito e a cadela Snowy tem três patas

Ella Peggie tem um ano e nasceu apenas com o braço direito, mas sempre terá ao seu lado uma companheira muito especial: a cadela de três patas Snowy. A informação é do jornal britânico "Daily Mail".

A mãe da menina, Brooke Hodgson, 21, de Queensland, na Austrália, encontrou a filhote da raça boston terrier para adoção na internet e soube que ela seria uma ótima companhia para a filha. "Elas têm a mesma idade, ou seja, têm uma longa vida juntas pela frente, e Snowy dará muita confiança para Ella durante seu crescimento. Quando ela perceber que é diferente das outras crianças ou quando estiver em um dia ruim, minha filha verá nela a semelhança e entenderá que não está sozinha", afirmou em entrevista ao "Daily Mail".

Ella tem síndrome da banda amniótica, conjunto de malformações que ocorrem dentro do útero e podem variar de pontos de constrição nos dedos e membros superiores, o que fez com ela nascesse sem o braço esquerdo.

Apesar disso, segundo Brooke, a garota é perfeitamente saudável e tem seus truques para não se limitar pela ausência do membro. "Ela encontrou uma maneira de fazer as coisas do seu próprio jeito. Usa muito a cabeça e os pés para brincar e está se adaptando muito bem. Em vez de engatinhar, ela aprendeu a se arrastar pelo bumbum", contou ao periódico britânico.

Quando a filha nasceu, Brooke teve algumas dúvidas sobre como seria a vida da menina: "Como Ella acompanharia outras crianças quando começasse a ir à escola? Como faria trabalhos manuais?". Hoje, a mãe está confiante que a garota vencerá os desafios em sua vida.

A relação da criança com Snowy também se torna a cada dia mais próxima. "Todas as manhãs Snowy olha para Ella antes de correr para qualquer outra pessoa. É uma ligação única e bonita de se ver. Sei que vai fazer muita diferença na vida da minha filha", declarou ao periódico britânico. A cadela também já virou xodó do irmão de Ella, Blake, 3, e do pai Stewart Peggie, 22.


Douglas “Robinho”: dedicação, esforço e garra

Douglas Robinho
Douglas Aparecido Antônio, mais conhecido como Douglas ‘Robinho’, aos 17 anos tinha uma vida normal, estudava, trabalha em uma concessionária de motos e tinha uma paixão, o futebol. E foi justamente numa dessas partidas entre amigos, que teve uma fratura na perna esquerda, daí em diante começou uma história cheia de superações. Hoje aos 27 anos, Douglas se tornou um paratleta, concluiu a Faculdade de Serviço Social e  também é palestrante. Acompanhe a entrevista:

1-Como você se tornou uma pessoa com deficiência?
Tornei-me uma pessoa com deficiência após ter um LINFOMA NÃO HODGKIN (Câncer  Maligno) no fêmur comecei então a usar usa prótese total de fêmur e joelho e um encurtamento de 9cm do membro inferior esquerdo por quase 10 anos, recentemente no dia 18 de julho de 2015, tive que passar pelo 31º procedimento cirúrgico culminando em uma desarticulação de quadril devido uma infecção na prótese interna.

Douglas Robinho durante treino. (Imagem: arquivo pessoal)
Douglas Robinho durante treino. (Imagem: arquivo pessoal)

2- Como o esporte entrou na sua vida?
Após passar pela quimioterapia comecei então a fazer hidroterapia e um professor de natação me viu e fez um convite par começar a nadar, algo que nunca tinha passado pela minha cabeça, após 6 meses já estava participando da minha primeira competição que foi em 2009 Jogos Regionais onde fiquei com a 3º colocação nos 100 metros livres desde então não parei mais de competir, atualmente estou treinando para me tornar um paratleta onde consiste em nadar, pedalar e correr.
3- Como você vê a questão da acessibilidade arquitetônica no Brasil?
Em questão da acessibilidade arquitetônica no nosso país tem melhorado vagarosamente, mas posso dizer que um dos maiores desafios são as barreiras atitudinais da nossa sociedade.
4- E a questão do mercado de trabalho para pessoas com deficiência?
A respeito do mercado de trabalho imagino um futuro em que as empresas não precisem de cotas destinadas para pessoas com deficiência e que elas contratem sem ser pressionados, pensando apenas em cumprir cotas. Vagas de trabalho existem, mas infelizmente não encontram pessoa com deficiência qualificada com a necessidade da vaga.
5- Dentre a carreira esportiva, o que é mais fácil e mais difícil?
Na carreira esportiva desde que você faça com amor, dedicação, esforço, garra, determinação se torna um pouco mais fácil para atingir os objetivos, o ponto mais difícil é na questão de patrocinadores para suplementação, transportes, competições os custos no geral, só sendo sanados esses fatores para ter um maior desempenho no esporte praticado.
6- Qual a maior alegria que o esporte proporcionou a você?
Um das maiores alegrias no esporte foi um crescimento como pessoa, crescimento este que levo sempre na minha vida, aprendendo a ter objetivos/metas e como alcançar.
7- Houve pouca divulgação da grande mídia em relação as paralímpiadas de 2012, apesar do grande número de medalhas conquistadas em Londres. A que você atribuiu isso?
Infelizmente nosso país não da visibilidade aos nossos atletas paralímpicos como devia algo que é uma pena, um exemplo quando passa uma matéria na TV em 30 segundos no máximo, podemos ver os quadros de medalhas do convencional e do paralímpico a diferença gritante. Vejo que os nossos ateltas são verdadeiros guerreiros que fazem com amor, garra e determinação os esportes que praticam, dando orgulho para nossa nação.
8- Você acredita que os jogos Paralímpicos de 2016 ajudarão na valorização das pessoas com deficiência no Brasil?
Sem dúvida, um evento dessa proporção dará mais visibilidade e valorização para mais  de 45,6 milhões de pessoas que declaram ter algum tipo de deficiência no país o que corresponde a 23, 9% da população brasileira, segundo censo 2010.
9- Quais são seus planos para o futuro?
No ano de 2016 estarei lançando um site, blog e canal no youtube sobre pessoas com deficiência, estarei lançando meu livro, assumindo uma cadeira no Conselho Municipal dos Direitos Humanos de Limeira no segmento pessoa com deficiência, promovendo palestras motivacionais e sobre pessoa com deficiência física e eventos sobre moda inclusiva.
10- Deixe uma mensagem aos leitores do blog Deficiente Ciente.
Deixo uma frase que estará no meu livro que será lançado no ano de 2016 que diz assim:
“A experiência ajuda a crescer, ter sabedoria, não perder tempo e valorizar a vida.”
Contato: 


Inscrições para projetos Clube Formador Paralímpico e Equipar Paralímpico começam na segunda-feira, 21


Projetos vão contemplar clubes com ações nas 22 modalidades paralímpicas

Dando sequência ao termo de cooperação entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e Confederação Brasileira de Clubes (CBC) para fortalecer o esporte paralímpico, começa nesta segunda-feira, 21, o período de inscrição de clubes de todo o Brasil para os programas Clube Formador Paralímpico e Clube Equipar Paralímpico. Os interessados têm até 22 de janeiro para enviar a documentação pelo correio para concorrer ao processo de seleção (veja editais em anexo).
O termo de cooperação foi assinado em novembro e tem como objetivo garantir que recursos cheguem aos clubes, a base da estrutura esportiva paralímpica. No total, a parceria vai garantir o repasse de até R$ 5 milhões (R$ 3 milhões para o Clube Equipar e R$ 2 milhões para o Clube Formador) por ano aos clubes contemplados, tendo início em 2016.
“Esta parceria com a CBC é um grande passo para o desenvolvimento do esporte paralímpico no Brasil. É nos clubes que as crianças e os jovens que se tornarão os futuros atletas de alto rendimento têm a primeira experiência nas modalidades. Queremos apoiar essas instituições e acreditamos que esses projetos serão também um grande incentivo para que mais clubes invistam no esporte paralímpico”, observa Andrew Parsons, presidente do CPB.
Os projetos enviados para análise podem abranger uma ou mais das 22 modalidades do programa paralímpico (atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol de 5, futebol de 7, goalball, halterofilismo, hipismo, judô, natação, remo, rugby em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, triatlo, tiro com arco, tiro esportivo, vela adaptada e vôlei sentado). Caso sejam aprovados, os clubes receberão o apoio de estrutura, material esportivo, alimentação e o repasse em dinheiro, de acordo com as necessidades de cada projeto aprovado.
Após o período de inscrição, os clubes que enviaram documentação para participar do processo serão avaliados, de 25 a 29 de janeiro. A divulgação dos contemplados será no dia 1º de fevereiro, de acordo com os editais.

Jovane Guissone conquista medalha de prata em Copa do Mundo de esgrima em cadeira de rodas

18/09/2015 - Eger, Hungria - Campeonato Mundial de Esgrima em Cadeira de Rodas -
Jovane Guissone durante o Mundial de Esgrima em Cadeira de Rodas – Foto: Márcio Rodrigues/CPB/MPÍX

Campeão paralímpico da espada B nos Jogos de Londres-2012, Jovane Guissone voltou a estar no pódio de um grande evento. Nesta quinta-feira, 17, ele disputou a mesma arma na qual brilhou há três anos e ficou com a medalha de prata na etapa de Sharjah (Emirados Árabes Unidos) da Copa do Mundo de esgrima em cadeira de rodas.
Jovane foi superado apenas na decisão do torneio, que encerra o calendário internacional de 2015 da esgrima adaptada. A medalha de ouro ficou com o iraquiano Amar Ali, que o venceu por 15 a 9.
Na fase eliminatória, Jovane Guissone estreou com vitória sobre o esgrimista russo Alexander Kuzyokov, por 15 a 14. Logo em seguida, teve outro atleta da Rússia pela frente, desta vez Alexander Kurzin, a quem venceu por 15 a 4. Nas semifinais, a vítima do brasileiro foi o bielorruso Aliksei Sinkevich, superado por 15 a 8.
Outro brasileiro também esteve em ação em Sharjah. Sandro Colaço disputou a espada A, mas não avançou além da primeira fase de mata-mata. Ele foi eliminado pelo iraquiano Zainulabdeen Al-Madhkhoori, que o superou por 15 a 10. Com isso, Sandro encerrou a participação na disciplina com a 31ª colocação.
Os dois voltam a competir em Sharjah neste sábado, 19. Jovane Guissone tentará conquistar sua segunda medalha, mas desta no florete B. Sandro, por sua vez, disputará o florete A. A competição se encerra no domingo, 20, com a chave por equipes.

Brasileiros sobem ao pódio individual na Copa Costa Rica de tênis de mesa

Jennyfer Parinos chegou perto do ouro, mas acabou derrotada na decisão
Jennyfer Parinos perdeu apenas na final e garantiu a medalha de prata na competição

A Copa Costa Rica, etapa fator 20 do Circuito Mundial paralímpico, conheceu seus campeões nesta quinta-feira, 17. Coroando uma ótima temporada, os atletas Jennyfer Parinos, Thaís Severo e Diego Moreira garantiram três medalhas para o Brasil na competição. Repleta de medalhistas parapan-americanos, a Seleção Brasileira concentra seus esforços nas disputas por equipes, que serão decididas no próximo domingo, 19.
Em disputa de grupo único, Jennyfer Parinos (10ª na Classe 9) conquistou a medalha de prata da Classe 8/10. Ela derrotou a russa Elena Litvinenko (8ª na Classe 8) por 3 a 0 (11/5, 11/6 e 11/4) e, de virada, a húngara Zsofia Arloy (9ª na Classe 8), por 3 a 2 (7/11, 6/11, 14/12, 11/8 e 12/10). Entretanto, foi derrotada pela russa Olga Gorshkaleva (6ª na Classe 9) em sets diretos na decisão (11/9, 11/7 e 11/7). Arloy terminou em terceiro.
Atual bicampeã brasileira, Thaís Severo (29ª colocada no ranking mundial da Classe 3) ficou com o bronze da Classe 3. Classificada na primeira posição do grupo B, ela conseguiu virar as partidas contra a mexicana Edith Lopez (12ª na Classe 3) e a francesa Marie-christine Fillou (15ª na Classe 3) por 3 a 1, com parciais de 8/11, 11/9, 11/9 e 11/5 e 7/11, 11/5, 11/7 e 11/8. Em duelo acirrado, foi superada pela coreana Kim Ok (23ª na Classe 3) por 3 a 2 (9/11, 11/7, 8/11, 12/10 e 11/8). Pelo mesmo placar, a francesa Fanny Bertrand (9ª na Classe 3) venceu Thaís nas semifinais (11/6, 9/11, 10/12, 12/10 e 11/2), perdendo para a coreana Jiyu Yoon (17ª na Classe 3) na decisão. Thaís e Fillou ficaram com o bronze.
Diego Moreira (35º na Classe 9), campeão parapan-americano por equipes ao lado de Cláudio Massad (24º na Classe 10) e Carlos Carbinatti (19º na Classe 10), ficou com o bronze da Classe 9. Na fase de grupos, derrotou o porto-riquenho Shaquille Vicente (73º na Classe 9) por 3 a 0 (11/4, 11/3 e 11/4) e foi vencido pelo húngaro Dezso Bereczki (12ª na Classe 9) pelo mesmo placar (11/7, 11/7 e 11/2), ficando na segunda colocação. Nas quartas de final, eliminou o finlandês Esa Miettinen (15º na Classe 9) em sets diretos (11/7, 11/9 e 11/2), mas foi superado na fase seguinte pelo russo Iurii Nozdrunov (2º na Classe 9), que veio a se sagrar campeão. Com isso, Diego levou o bronze.
Classificado em 2º lugar do grupo A, Massad derrotou o anfitrião José Rojas (65º na Classe 10) por 3 a 0 (11/9, 11/5 e 11/5), perdendo para o polonês Patryk Chojnowski (1º na Classe 10) na sequência pelo mesmo placar (11/9, 11/2 e 11/3). Nas quartas, teve pela frente o russo Pavel Lukyanov (13º na Classe 10), que levou a melhor também em sets diretos (11/6, 11/5, 11/8). Chojnowski assegurou o título após vencer o francês Mateo Boheas (8º na Classe 10) na decisão. Lukyanov e o austríaco Krizstian Gardos (10º na Classe 10) ficaram com o bronze.
Na Classe 4/5, Maria Luiza Passos (13ª na Classe 5) ficou na quarta posição em disputa de chave única. Israel Stroh (14º na Classe 7), Ecildo Oliveira (40º na Classe 4) e Guilherme Costa (20º na Classe 2) pararam na fase de grupos.
A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa conta com recursos da Lei Agnelo/Piva (Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paralímpico Brasileiro) – Lei de Incentivo Fiscal e Governo Federal – Ministério do Esporte.
Com informações da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM).

Homem com deficiência chora ao ser alimentado por aeromoça e comove o mundo

Uma aeromoça demonstrou através de um gesto o amor e a solidariedade que tem para com o próximo.


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Durante um voo no dia 08 de Dezembro, na China, Fan Xuesong se ajoelhou e alimentou um professor aposentado que não consegue pegar em talheres devido a um derrame.
O gesto da aeromoça causou grande impacto no passageiro de 71 anos que se emocionou.
“Quando eu disse que o ajudaria, ele começou a chorar”, disse Fan.
Aeromoça demonstrou através de um gesto o amor e a solidariedade que tem para com o próximo ao alimentar um deficiente e comover o mundo.
Outro passageiro registrou o momento lindo e a foto já se espalhou pelas redes sociais.
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O aposentado é dependente de sua esposa, mas como é cadeirante, foi-lhe reservado um assento próximo ao banheiro a fim de facilitar sua locomoção. Com isso, se assentou longe de sua esposa, que ficou impossibilitada de ajudá-lo com a alimentação.
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“Ele se formou em Medicina e de alguma forma contribuiu com a sociedade, nada mais justo do que sermos gentis com ele também”, afirmou Fan.
Informação: Mirror

Abaixo-assinado online luta pela educação inclusiva e contra ação da Confenem

O abaixo-assinado "Todos A Favor de Uma Educação Inclusiva e Contra a Ação Discriminatória da Confenem" foi lançado na internet.

                                     Ícone que representa um livro, em fundo amarelo.


Foi lançado, na internet, o abaixo-assinado "Todos A Favor de Uma Educação Inclusiva e Contra a Ação Discriminatória  da Confenem".

O objetivo da ação é manifestar a indignação da sociedade contra a Ação de Inconstitucionalidade ajuizada pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenem) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A entidade alega a inconstitucionalidade da Lei Brasileira de Inclusão, que garante a educação inclusiva e impede a cobrança de taxas extras para matrícula de crianças e jovens com deficiência em escolas particulares.

Para conhecer e assinar a petição, acesse:www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR86238

Comitê Paralímpico Brasileiro divulga regulamento do Circuito Caixa Loterias 2016

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   Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB

O Comitê Paralímpico Brasileiro divulgou nesta sexta-feira, 18, o regulamento do Circuito Caixa Loterias de Atletismo, Natação e Halterofilismo de 2016. O documento está disponível no anexo.

Fonte: cpb.org.br

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A história da sociedade inclusiva na Europa

Por Adolf D. Ratzka (Diretor do Instituto de Vida Independente, Estocolmo, Suécia, 1999)

                                Imagem Internet/Ilustrativa
                                   

A Europa compreende trinta nações diferentes, com grandes variações entre si no que se refere à economia, cultura, religião e sistemas políticos. Meu enfoque limita-se aos avanços na Europa Ocidental e do Norte. Em vez de fazer uma descrição e uma análise completa de cada um dos países aí incluídos, usarei exemplos de vários países para ilustrar as mudanças.
Sociedade inclusiva é uma sociedade para todos, independentemente de sexo, idade, religião, origem étnica, raça, orientação sexual ou deficiência; uma sociedade não apenas aberta e acessível a todos os grupos, mas que estimula a participação; uma sociedade que acolhe e aprecia a diversidade da experiência humana; uma sociedade cuja meta principal é oferecer oportunidades iguais para todos realizarem seu potencial humano. Limitar-me-ei a discutir pessoas com deficiências, mas é importante lembrar que algumas das estratégias para a construção de uma sociedade inclusiva serão as mesmas para todos os grupos atualmente prejudicados, os quais podem provocar as mudanças políticas necessárias com mais rapidez, trabalhando juntos e apoiando-se mutuamente. Muitos termos têm surgido relativos à deficiência: reabilitação, integração, normalização, plena participação, igualdade, inclusão, todos focalizando o indivíduo. O indivíduo deve ser reabilitado, integrado, incluído, tornando-se normal. Em muitos desses conceitos ele é visto como objeto passivo de uma intervenção profissional. Não temos voz para dizer como desejamos ser reabilitados e nos tornar normais, e para que fim. O indivíduo carrega o problema. O fato de eu não poder subir escada é culpa minha e não do legislador, que não prescreveu rampas e elevadores. É problema do surdo não entender o noticiário na TV, não do canal de televisão, que não fornece texto escrito nem linguagem de sinais. O termo “sociedade inclusiva”, por outro lado, coloca a sociedade como aquela que deve mudar.
Pelo mesmo motivo, não gosto da expressão “portador de deficiência”. Ser “deficiente” é desviar-se de uma norma. O que é “humano` para a condição humana? Quem decide isso? Homens de 20 a 40 anos ou bebês de um ano? Pessoas com 70 anos ou mulheres grávidas no ônibus, com muitas sacolas de compras na mão e uma criança de três anos, cansada, na outra? “Deficiente” é um termo absoluto e global. Precisamos de palavras que descrevam nossas limitações em atividades particulares e que apontem a possibilidade de compensar essas limitações. Eu trabalho na Organização Mundial de Saúde com essa finalidade. Mas, não importa o termo que usemos em referência a nós mesmos, devemos revesti-lo de conteúdo positivo. Precisamos ter orgulho de pertencer a uma minoria sem privilégios, que trabalha muito e com eficiência, num esforço global crescente, no sentido de melhorar seu status legal e material no mundo. Outros grupos já fizeram isso antes de nós. Por exemplo, negros e homossexuais nos Estados Unidos e na Europa já conseguiram mudar, lentamente, as conotações negativas desses termos.
Não importa sobre a inclusão de qual grupo estejamos falando, existem fatores que facilitam a inclusão na sociedade, alguns deles indispensáveis: são as provisões para o bem-estar em geral. Isso significa um sistema de instituições públicas protegidas pela lei e supervisionadas pelo processo político, que garantam a todos:
a) serviços de saúde pública, incluindo serviços de prevenção, tratamento e reabilitação, e provisão de recursos de assistência;
b) educação obrigatória desde o jardim de infância até os 18 anos, pelo menos, dirigida para o potencial do indivíduo;

c) apoio financeiro na forma de pensões, compensações e bem-estar social para os que não podem trabalhar devido à idade, doença, deficiência ou condições do mercado de trabalho;
d) uma política de mercado de trabalho com instrumentos e programas de treinamento vocacional, colocação e treinamento no emprego;
e) uma política de mercado de habitação que garanta habitação segura e com instalações sanitárias para todos.
Além dessas provisões gerais para o bem-estar, há necessidade de políticas públicas e instrumentos políticos para investimentos em infra-estrutura, como transporte, telecomunicações, mídia e cultura, com acesso igual para todos.
Sem tais políticas públicas, em minha opinião, será impossível atingir uma sociedade inclusiva. Sem aumentar o nível de bem-estar para todos, é difícil melhorar as condições de vida de grupos minoritários, que ainda não tiveram acesso à sociedade. Isso é verdade em todos os países. Trabalhar para uma sociedade inclusiva, portanto, é um projeto a longo prazo para muitas gerações, mas devemos começar esse trabalho hoje!
Surge freqüentemente o argumento de que nossas sociedades não podem investir em mudanças de longo alcance, necessárias para que todas as minorias sejam totalmente incluídas. Temos o desafio de apresentar estudos provando que tais investimentos são lucrativos para a sociedade. Existem estudos demonstrando que muitos investimentos na área de inclusão de pessoas deficientes levam a economias futuras para a sociedade, que ultrapassam em muito seus custos. Entretanto, devemos ser cuidadosos. Exigimos serviços de saúde adequados, moradia na comunidade em vez de em instituições, oportunidades educacionais e emprego. Esses são direitos humanos básicos. Direitos humanos não devem ser discutidos em termos de custos ou de lucros.
Além disso, há outros ganhos que não os meramente econômicos. Quando uma distribuição de renda muito desigual cria inveja e ódio, quando a avenida do progresso individual na sociedade está fechada para a maioria devido ao sexo, cor da pele ou defi ciência, quando muitos vêem o crime como a única saída para ter condições de vida decentes, quando nem arame farpado, nem segurança, nem recursos eletrônicos são suficientes para fazer com que os ricos se sintam protegidos, quando até os pobres temem que alguém mais pobre e mais desesperado possa tomar o pouco que possuem – numa sociedade assim, qualquer investimento em mais igualdade será benéfico para todos. Da mesma forma, viver numa sociedade em que deficiente algum tenha de pedir esmolas na rua, em que deficientes não sejam confinados em instituições e possam viver com a família ou sozinhos, ou constituir sua própria família, em que deficientes possam educar-se e trabalhar da mesma forma que seus irmãos e irmãs, amigos e vizinhos nãodeficientes, viver sabendo que uma deficiência não é uma catástrofe para o indivíduo e sua família, isso eleva a qualidade de vida para todos.
Além das provisões gerais para o bem-estar que acabo de enumerar, as exigências para uma sociedade que inclui pessoas com deficiências referem-se a um planejamento global de tudo aquilo que se relaciona com transporte, construções, ferramentas e instru mentos, informações, comunicações, mídia e cultura. Devem ser abolidas leis e regulamentações que distinguem indivíduos com deficiências e os excluem de direitos civis como casamento, filhos, voto, trabalhar como jurados, gerir negócios etc.
Mas, mesmo após todas essas mudanças, ainda haverá pessoas que, para exercer todas as funções, precisam de serviços de assistência pessoal, como eu, ou de leitores, no caso de serem cegas, ou, ainda, de intérpretes de sinais, se tiverem dificuldades de audição.
Minhas próprias experiências durante a vida ilustram muitas das mudanças em direção a uma sociedade inclusiva na Europa. Tive poliomielite aos 17 anos. Isso foi na Alemanha, em 1961. Fui hospitalizado imediatamente. Desde então, tenho lutado, no meu desenvolvimento pessoal, para voltar à sociedade de forma plena. Tentarei estruturar minha exposição sobre o caminho rumo a uma sociedade inclusiva na Europa, usando, como ilustração, parte de minha própria biografia.
Quando tive poliomielite, todo o tratamento médico foi gratuito. O sistema de seguro de saúde na Alemanha faz parte do sistema de seguro social, iniciado em 1870. A Alemanha teve o primeiro sistema de seguro social nacional e tem influenciado vários países, entre os quais o Chile, primeiro país latino-americano a adotá-lo, na década de 20. A razão pela qual a Alemanha implantou um sistema tão progressista no governo conservador do Chanceler Bismarek foi a da influência crescente do movimento socialista e social-democrata na Europa, como mostram os movimentos de 1848 e o levante de Paris, em 1870. Temendo que o Partido Social-Democrata chegasse ao poder na Alemanha, Bismarek adotou a idéia social-democrata de um seguro social nacional como se fosse sua. Dessa forma, os conservadores conseguiram manter-se no poder por mais algumas décadas.
O sistema de seguro social tem sofrido muitas mudanças desde, então, mas consiste, basicamente, nas seguintes soluções:
a) participação compulsória;
b) companhias de seguro semipúblicas, rigidamente controladas pelo Estado; c) pagamento igual para todos em prêmios de seguro;

d) benefícios e serviços pagos sem que se considere a renda do segurado;
e) 50% dos custos cobertos pelo segurado e 50% pelo empregador, a família do segurado sendo incluída no seguro;
f) seguro-desemprego.
Esse mesmo princípio rege seguro de saúde, aposentadoria e aposentadoria precoce, indenização de trabalhadores, salário-desemprego, férias, licença médica e licença-maternidade.
Os sistemas escandinavos diferem num aspecto muito importante: são financiados por impostos. Assim, quanto mais alta a renda, maior a contribuição ao seguro social. Mas os serviços e os pagamentos são baseados na necessidade, e não na renda. Para grupos de baixa renda, os modelos de bem-estar escandinavos são vantajosos, pois suas contribuições não representam um fardo tão pesado para a renda familiar, como acontece em outros países. Além disso, o conceito é mais intuitivo e mais simples de administrar: todos os que vivem no país estão automaticamente segurados desde o nascimento e contribuem através do imposto de renda. Infelizmente, hoje existem pressões para que os governos examinem o sistema de seguro, pois o número de cidadãos em faixa etária produtiva nos países europeus tem diminuído, enquanto o número de pessoas acima de 65 anos tem aumentado constantemente, ameaçando o futuro econômico do sistema.
O seguro de saúde também é responsável pelos recursos de assistência. Lembrome de quando recebi minha primeira cadeira de rodas elétrica. Ainda estava morando na enfermaria do hospital, mas a cadeira me permitia sair da área do hospital para passeios curtos no mundo normal lá fora.
Tive de ficar cinco anos no hospital, não porque precisasse de assistência médica, mas devido à falta de moradia acessível. Naquela época, tanto na Alemanha quanto no resto da Europa, não havia programas de moradia para pessoas com deficiência. Defici entes ricos construíam ou adaptavam residências com seus próprios recursos. O resto tinha de viver em instituições.
Foi somente na década de 70 que moradia acessível passou a ser discutida na Alemanha, como parte do programa social de moradia subvencionada pelo Estado. Mas isso acontecia apenas se o construtor quisesse incluir alguns apartamentos acessíveis. O pro grama não era, e ainda não é, obrigatório. Na Suécia, em 1978, foi promulgada uma lei estipulando que, nos prédios residenciais de três andares ou mais, todas as unidades deveriam ser acessíveis, segundo definições operacionais muito específicas. Na década de 80, vivi num apartamento assim. De acordo com a lei, não havia degraus entre o passeio e a entrada do prédio e o elevador. Este era suficientemente grande para acomodar até cadeiras de rodas maiores. Banheiros e cozinhas eram espaçosos. Mas minhas visitas estrangeiras ficavam desapontadas porque não viam nada de especial. Por exemplo, não havia rampas na entrada do prédio, porque a construção não tinha degraus. Também perguntavam: “Quantos outros deficientes físicos moram neste prédio?”. Eu explicava que era a única pessoa e que todos os apartamentos tinham as mesmas características de acesso, independentemente de quem ali morasse. A única coisa que importava era a data da licença do prédio. A partir de 1978, todos os apartamentos tinham de ser assim. Infelizmente, a lei tinha disposições muito fracas. Na década de 90, essa lei foi substituída por outra, que dá certa liberdade ao governo local para definir acessibilidade, e existem muitas moradias inacessíveis para usuários de cadeira de rodas.
A Suécia é um dos poucos países europeus que têm códigos de construção prescrevendo acesso a edifícios públicos, como prédios do governo, escolas e universidades, escritórios comerciais e teatros. No entanto, esses códigos aplicam-se apenas a constru ções novas e não a prédios já existentes. Além disso, a lei que surgiu nos meados dos anos 60 também tem disposições muito fracas, e é, muitas vezes, negligenciada. Argumenta-se freqüentemente que nem mesmo os países ricos podem custear uma legislação que determina construções acessíveis. Conheço alguns estudos sobre os custos. São mais caras as adaptações retroativas de moradias existentes de uma só família, se for necessário um elevador. Mas adaptar apartamentos é consideravelmente menos dispendioso, pois o custo dos elevadores pode ser dividido entre os muitos moradores. Não custa muito adaptar prédios públicos, a menos que sejam herança histórica, principalmente se o trabalho for feito juntamente com reformas gerais. Nesse caso, haverá um custo adicional de, talvez, 10% a 15% para incluir o acesso. Obviamente, fica mais barato incluí-lo desde o início do planejamento. Assim, todos os custos de adicionais, como rampas e mudanças estruturais, serão evitados. Em prédios públicos, custos de acesso são mínimos, se este for incorporado no início. Em edifícios de apartamentos novos, o acesso representa um acréscimo de 1%, ou menos. Em casas, o elevador, o banheiro e a cozinha serão um pouco maiores, o que deve ser visto como aumento de padrão.
Vamos voltar à minha história. Mesmo se houvesse uma moradia acessível, eu não poderia deixar o hospital. Precisava de ajuda de outra pessoa para tomar banho e me vestir, preparar as refeições e auxiliar-me em várias outras coisas durante o dia. Minha família não podia fazer esses serviços. A assistência pessoal e o dinheiro para custeá-la não eram fornecidos pelo governo. Eu corria o risco de ser colocado numa instituição da qual, talvez, jamais pudesse sair. O mais provável é que morresse depois de cinco a dez anos, como muitos outros deficientes que encontrei na Alemanha e em outros países, colocados em instituições e condenados a uma vida sem controle sobre seu cotidiano, sem oportunidade de realizar todo o seu potencial, constituir sua própria família, trabalhar e se tornarem membros respeitáveis da sociedade. É essa falta de esperança, e não apenas a negligência ou o abuso direto, que contribui para a alta taxa de mortalidade em instituições de todo o mundo.
Tive sorte. Em 1966, ganhei uma bolsa de estudos e consegui entrar para a universidade. Naquela época, entretanto, não havia universidades européias que aceitassem alguém precisando de uma cadeira de rodas pesada e de moradia acessível. Assim, tive de morar na Califórnia e continuar minha educação lá. Nos Estados Unidos, devido aos muitos veteranos da Guerra da Coréia, havia várias universidades acessíveis. Em poucas semanas, mudei-me da enfermaria do hospital, na Alemanha, para um dormitório comum de estudantes em Los Angeles. E minha necessidade de assistência pessoal? Foi surpreendentemente simples. A bolsa de estudos permitia-me contratar colegas para trabalharem para mim algumas horas por dia. Eu mesmo selecionava, treinava e despedia os estudantes.
Ainda é difícil para deficientes cursar universidades na Europa. As mais novas são acessíveis, na sua maioria. Mas não existem leis que obriguem as universidades existentes a tornar seus prédios acessíveis a todos os alunos. Também é o caso da Suécia, onde a escolha da área de estudos depende não apenas de seus interesses, mas do número de degraus entre o nível da rua e as salas de aula. Outro motivo pelo qual alunos deficientes são mal representados nas universidades é a falta de legislação abrangente que nos garanta acesso às escolas primárias e secundárias normais. Em vez disso, a maioria vai para escolas de educação especial, que não têm o mesmo padrão acadêmico das regulares.
Em 1973, voltei à Europa. Pretendia coletar dados para minha tese de doutorado na Suécia. Fiquei surpreso: consegui moradia estudantil acessível sem problemas. Entretanto, não encontrei solução para o problema de transporte. Não podia levar para a Europa minha minivan, adaptada para mim, e que eu dirigia sozinho. Não havia ônibus acessíveis em Estocolmo na época, e ainda não há em 1999! Outras cidades européias começaram a substituir sua frota de ônibus inacessíveis no início dos anos 80. Mas tratava-se de uma iniciativa municipal e não o resultado de uma legislação de alcance nacional. A solução técnica é fazer, principalmente, ônibus mais baixos combinados com plataformas elétricas curtas e levadiças, ou rampas elétricas operadas pelo motorista. A União Européia determinará, entre outras coisas, o grau de acesso que todos os ônibus devem ter no seu território.
Nesse campo, prevêem-se mudanças na Suécia, num futuro não muito distante. Em primeiro lugar, esperamos que a União Européia adote medidas legais de combate à discriminação de deficientes, tornando ilegal a falta de acesso em meios de transporte. Também vislumbramos mudanças na atitude de alguns políticos suecos, que ficaram impressionados com os rápidos resultados da Lei de Deficientes Americanos, ADA, e a eficácia de uma legislação antidiscriminação.
Após terminar meu curso, em 1980, havia um instituto de pesquisa procurando alguém exatamente com minhas qualificações, mas não me inscrevi. O instituto localizava-se num famoso edifício histórico, com vários lances de escada. Naquela época, não havia leis que obrigassem o empregador a considerar apenas minhas qualificações para o cargo e não as adaptações que seriam necessárias no prédio. Hoje, eu ainda não conseguiria o emprego, apesar da promulgação, em maio de 1999, de uma lei sueca que proíbe a discriminação no mercado de trabalho. A lei é eficaz no sentido de exigir provas do empregador de que ele não está discriminando um candidato com base em alguma deficiência física. Entretanto, semelhante à ADA, exige que o empregador faça apenas “adaptações razoáveis”, o que, certamente, não inclui a instalação de elevadores em edifícios históricos.
Em 1973, quando me mudei para a Suécia, a taxa de desemprego entre os deficientes era extremamente alta. Hoje, ainda está em torno de 70%. Entre a população em geral, ela é de 8%, aproximadamente, apesar de vários programas governamentais de reabilitação vocacional, treinamento no emprego, oferta de tecnologia auxiliar e assistência pessoal no trabalho, incentivos aos empregadores de até 90% do salário de empregados deficientes e assim por diante. Em países europeus com o sistema de quotas, a situação não parece melhor. Na Alemanha, por exemplo, companhias de médio e grande porte devem ter 7% de deficientes entre seus empregados. Uma pessoa com deficiências iguais às minhas corresponderia a três ou quatro pessoas deficientes. Os empregadores que não preenchem suas quotas têm de pagar uma multa, destinada a um fundo para custeio de tecnologia auxiliar e adaptações no local de trabalho. A maioria dos empregadores, incluindo o Ministério do Trabalho, prefere pagar a multa a empregar deficientes. A multa passou a ser considerada como um imposto a mais.
Faço restrições também de cunho ideológico ao sistema de quotas, que manda mensagens erradas aos deficientes e aos possíveis empregadores. Na verdade, o sistema diz que existem pessoas cujo desempenho não é tão bom quanto o de outras, mas o empregador é forçado a admiti-Ias, pois, de outra forma, ficariam desempregadas. Essa mensagem é destrutiva para nossa imagem e auto-estima. Algumas pessoas podem conseguir um emprego dessa forma, mas o custo psicológico para o grupo é gigantesco!
Nos primeiros anos na Suécia, tive uma bolsa que usei para pagar meus assistentes pessoais na Califórnia. Mas, quando o dinheiro acabou, tive de me inscrever no auxílio-moradia da cidade de Estocolmo. Nesse sistema, os auxiliares são enviados à sua casa por um assistente social que trabalha para a cidade. Como usuário dos serviços, você não controla quem virá, a que horas, trazendo o que para ajudá-lo e como irá trabalhar. O usuário não é o patrão, o que toma decisões, mas o objeto, a figura menos importante de uma burocracia enorme. Em 1984, fundei uma pequena organização em Estocolmo, a fim de persuadir o governo municipal a nos fornecer meios de começar um projeto-piloto. Queríamos a quantia de dinheiro correspondente ao custo do auxílio recebido em casa. Com esse dinheiro, pretendíamos criar nosso próprio sistema, sabendo que poderíamos fazer um trabalho melhor, por conhecer nossas próprias necessidades mais do que os assistentes sociais municipais. Levamos vários anos para vencer a oposição, vinda de muitas partes. Em 1987, finalmente, conseguimos iniciar nosso projetopiloto. Foi um sucesso tão grande que, em 1994, o parlamento criou uma lei garantindo o pagamento em dinheiro a deficientes necessitados de ajuda pessoal.
Sei que é difícil para vocês entender plenamente o significado de minhas palavras. Em seu país, para começo de conversa, poucas pessoas, deficientes como eu, sobrevivem. Os que são ricos conseguem ajuda em casa, paga pela família. Aqueles cuja família não é rica ou não se importa com eles podem ter a sorte de encontrar uma instituição. Como já disse, as pessoas não vivem nessas instituições: apenas sobrevivem. Em seu país, as pessoas que precisam de muita ajuda são consideradas um fardo para a família. Muitas vezes, crianças deficientes ficam com os pais até eles não conseguirem mais fazer o trabalho, devido à idade.
Na Suécia, pessoas como eu conseguem dinheiro do sistema de seguro social, que permite contratar assistentes pessoais 15 horas por dia. Dessa forma, posso trabalhar e viajar. Essas horas de ajuda tornam-me independente de minha mulher, assim como outros maridos suecos. Dividimos o trabalho doméstico. Faço minha parte através dos assistentes.
Mesmo em um ambiente totalmente acessível, ainda haverá pessoas como eu, que necessitam de serviços de assistência pessoal. A ajuda pessoal pode ser a chave para uma vida plena, com todas as responsabilidades que temos como membros de uma fa mília e como cidadãos. Uma sociedade inclusiva, no verdadeiro sentido da palavra, deve fornecer serviços de assistência pessoal como um direito humano básico.
Minha mulher tem sua carreira profissional, eu tenho a minha. Sem o meu sistema de ajuda pessoal, nunca consideraríamos a possibilidade de ter uma criança. Hoje, somos pais orgulhosos de uma menina de cinco anos. Essa é a minha mais bela razão para trabalhar por uma sociedade inclusiva.
Fontes: Ratzka, Adolf. 1999-11. “A história da sociedade inclusiva na Europa.” (In Portuguese.) Internet publication URL:
www.independentliving.org/docs6/ratzka199911.html - www.deficienteciente.com.br -  Imagem Internet/Ilustrativa

Sem limites para a superação

Luiz, primeiro servidor do STJ com deficiência



Como você sabe o que está acontecendo ao seu redor? Podemos perceber o ambiente que nos cerca ouvindo, cheirando, apalpando, saboreando e vendo. Os cinco sentidos permitem que nosso corpo interaja com o meio. Muitas vezes, a falta de um deles se torna um pequeno detalhe diante da capacidade de seus portadores.

É o que comprova Luiz Lopes Batista, servidor das Comissões Permanentes de Ministros. Prestes a completar 26 anos de Tribunal, o primeiro deficiente do STJ fez de sua trajetória aqui um exemplo de superação e inclusão.

Nascido no interior do Piauí, Luiz ficou cego antes de completar dois anos de idade. “Nasci sem o problema aparente, por isso ele não foi detectado a tempo. Apesar disso, tive uma infância como qualquer outra criança. Brincava, andava por todos os lugares da cidade. Não tinha preconceito”, recorda.

Na adolescência, o servidor se mudou para Brasília com a família. Aqui, teve o diagnóstico definitivo de sua doença: glaucoma congênito grave. “Vim para cá com muita esperança de voltar a enxergar. Mas não teve jeito. Fiquei muito triste no início, mas depois resolvi correr atrás e lutar pelos meus objetivos”.

Transformação pelo saber

Alfabetizado aos 16 anos, Luiz viu nos estudos uma forma de transpor sua limitação visual. Mesmo quando tudo parecia conspirar contra, ele não desistia. “O começo aqui foi difícil. Durante muito tempo tive que me virar sozinho. Teve época que pegava sete ônibus por dia: morava no Guará, fazia faculdade de direito na Asa Norte e trabalhava no Hospital Regional de Taguatinga”, lembra.

Já formado, ele continuou estudando. O desafio da vez era o concurso do STJ. Engana-se quem pensa que o bacharel em direito frequentou cursinho preparatório especial. “Fiz cursinho junto com as pessoas ‘normais’. Sempre estudei com pessoas que enxergam. Só quando fui alfabetizado em braile é que tive classes especiais”, explica.

Companheira especial

Você pode estar se perguntando como Luiz fez para acompanhar as aulas do cursinho. O apoio ele recebeu mais uma vez de sua parceira de vida. “Minha esposa, Rosemare Lopes, frequentou as aulas comigo. Ela anotava as explicações dos professores e depois lia para mim. Rosemare iluminou e fortaleceu minha vida. Enfrentamos as dificuldades juntos”, fala com orgulho.

Quebrando paradigmas


Toda essa dedicação valeu a pena: Luiz tomou posse no dia 11 de janeiro de 1990. Entretanto, o Tribunal não estava totalmente preparado para receber seu primeiro servidor com deficiência e foi se adaptando junto com ele.


“Mais uma vez enfrentei dificuldades no começo, porque não tinha computador. Fui lotado primeiramente na Corte Especial. Lá, dependia totalmente dos meus colegas de trabalho, que faziam a leitura para mim. Depois fui para a Imprensa, trabalhando como revisor jurídico das matérias que eram publicadas”, conta.


Atualmente, o servidor elabora as súmulas do Tribunal. “Tenho que acompanhar a jurisprudência no dia a dia, as sessões do Tribunal, as publicações daqui e do STF e ler muita legislação”, esclarece.

Tecnologia a serviço da acessibilidade

Para desenvolver suas atividades nas Comissões Permanentes de Ministros, Luiz utiliza um computador comum com o software Jaws, composto por um sistema de leitura de telas exibidas e sintetizador de voz. O teclado também é convencional.

“Já decorei onde estão as teclas. Quando as digito, o programa fala cada uma das letras. Em casa também tenho este programa. Não dá mais para viver sem. Infelizmente, o Jaws não identifica imagens, então ainda tenho dificuldades com alguns sites e com a intranet daqui”, analisa.

Comissão de Inclusão

Integrante da Comissão de Inclusão do STJ, Luiz avalia positivamente as iniciativas de inclusão social tomadas pela Casa. “O Tribunal vem se preocupando cada vez mais com essas ações. Espero que continue evoluindo, para que as pessoas tenham mais oportunidades”, declara.

Com sentimento de dever cumprido, Luiz planeja a tão merecida aposentadoria. “Tenho vontade de publicar um livro com o material que escrevi em braile ao longo dos anos. Quem sabe, né?!”, conclui.

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Celebrado no dia 3 de dezembro, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência foi criado em 1998 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e tem o objetivo de mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem-estar das pessoas com deficiência.

Pretende também aumentar a consciência dos benefícios trazidos pela integração das pessoas com deficiência em cada aspecto da vida.