sábado, 2 de janeiro de 2016

Como identificar os primeiros sinais de demência?

O mal de Alzheimer tem se tornado uma doença cada vez mais comum em idosos. Só no Brasil, estimativas indicam que existem pelo menos 1,2 milhão de pessoas vivendo com esse problema. No mundo, são mais de 35 milhões, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde


Cerca de 1,2 milhões de brasileiros sofrem do Mal de Alzheimer

Considerado o tipo mais frequente de demência, ele pode ser reconhecido por pequenos sinais já nos primeiros estágios – o que ajudaria muito no tratamento para retardar o avanço da doença. O problema é que muitas vezes as pessoas demoram para procurar ajuda porque ignoram ou desconhecem os sintomas.

Uma pesquisa realizada entre 4 mil pessoas no Reino Unido pela YouGov revelou que a maioria das pessoas ainda se confunde com os sinais de demência. Por exemplo, 39% dos entrevistados acredita que entrar em um lugar e esquecer o que foi fazer lá pode ser um sinal de demência – e, na verdade, isso pode acontecer com qualquer pessoa. Para quem tem a doença, esquecer o motivo pelo qual entrou na sala não é o problema, mas sim não reconhecer aquela sala.

A Sociedade do Alzheimer aproveitou o período de festas de fim de ano, em que as famílias costumam se reunir, e divulgou quais são os principais "sintomas" possíveis de serem identificados quando uma pessoa começa a sofrer esse e outros tipos de demência – segundo a instituição, há um considerável aumento de pessoas buscando informações sobre isso nessa época do ano.

Saiba aqui quais são os principais sinais:

Repetições
Enquanto a maioria acredita que esquecer nomes de conhecidos repetidamente pode ser um sinal de demência, poucos sabem que repetir as mesmas frase por várias vezes também pode ser um indício.

Gaguejar ou pronunciar palavras de forma errada são outros sinais que merecem atenção.

Mudança de humor
O risco de demência aumenta com a idade – cerca de um em cada seis idosos acima de 80 anos sofrem com o problema. Mas ela pode começar na meia-idade.

Dianne Wilkinson, de 57 anos, recebeu o diagnóstico relativamente cedo.

"Sempre fui uma pessoa super positiva, então achei estranho quando comecei a me sentir mais devagar e 'para baixo'. Mas eu achava que isso era apenas uma fase. Não achava que poderia ser um sinal de demência", afirmou.

Esquecimentos corriqueiros
"Depois de alguns meses, alguns familiares me incentivaram a ir ao médico. Mas foi depois do meu diagnóstico que as pessoas começaram a me falar que tinham notado mudanças no meu comportamento, como repetir as coisas várias vezes, não lembrar onde eu tinha colocado algumas coisas e confundir os dias da semana", contou Wilkinson, que também não havia percebido esses "esquecimentos" corriqueiros.

Ela diz que se sentiu aliviada após o diagnóstico. "Senti um alívio porque agora eu sei que a demência é a explicação para meu comportamento estranho."

"É muito importante que as pessoas busquem ajuda rapidamente, assim que notarem sinais, porque aí elas conseguirão entender o que está acontecendo e poderão buscar ajuda para poderem viver da melhor maneira possível", aconselhou.

Tratamento

Por tudo isso, Jeremy Hughes, CEO da Sociedade do Alzheimer, reforçou a importância de se identificar os sinais de demência para poder tratar o problema o quanto antes.

"Sabemos que demência é uma das doenças mais temidas para muitos e não há dúvidas de que ela pode ter um grande impacto para quem tem o problema e também para a família e os amigos", disse.

"Por isso, é importante que a gente esclareça essa confusão sobre o que são e o que não são sinais de demência para que as pessoas fiquem mais confiantes para conversar com seus familiares que estão sofrendo esses sintomas, para que eles possam buscar ajuda o mais rápido possível."

"A demência pode quebrar as conexões que você tem com as pessoas que ama, mas nós temos inúmeros tratamentos que podem ajudar a brecá-la ou a diminuir seus danos."


Alzheimer é doença degenerativa e causa perda gradual e irreversível dos neurônios

Sinais de demência

Procure ajuda médica se sua perda de memória está afetando sua vida diária e especialmente se você:


Tem dificuldades para lembrar coisas recentes, mas consegue se lembrar facilmente do que aconteceu no passado

Acha difícil acompanhar conversas ou programas de TV

Esquece nomes de amigos bem próximos ou de objetos que você usa todos os dias

Não consegue lembrar as coisas que ouviu ou leu

Frequentemente perde o fio do que está dizendo

Tem problemas de pensamento e raciocínio

Se sente ansioso, depressivo ou com raiva

Se sente confuso até quando está em um ambiente conhecido ou se perde em caminhos que faz frequentemente

Descobre que pessoas começaram a notar ou a comentar sobre sua perda de memória

Fontes: BBC Brasil - gestaodelogisticahospitalar.blogspot.com.br

A INCLUSÃO REALMENTE INCLUI?

Acreditamos que incluir é melhor que excluir. Mas as escolas convencionais incluem os alunos especiais? Ou será que nos engamos que estes alunos especiais realmente aprendem algo?


k-bigpic13.jpg

A pouco tempo atrás se iniciou nas escolas convencionais brasileiras um movimento para a inclusão social. Esse movimento é legítimo e trás diversos benefícios para a sociedade como um todo, visto que inclui no caráter de população economicamente ativa pessoas com deficiências físicas.

Graças a tal inclusão faz com que hoje venhamos a ter em quase a totalidade da frota de ônibus coletivos em grande cidades acessibilidade: elevador para cadeirantes, espaço reservado para cegos, bancos com braço removível para pessoas com obesidade e acesso facilitado para idosos. Também vimos uma crescente nas vagas para este tipo de profissional, que dispõe de algumas limitações, mas pode desempenhar diversos papéis dentro das companhias de forma igual a qualquer profissional sem limitação alguma.

                               http://obviousmag.org/ideias_aleatorias/2015/03/16/inclus%C3%A3o-social-e1331768554588.jpg 
                                          A inclusão de pessoas com deficiência física levou a sociedade aceitar melhor as diferenças

De toda forma ainda existem em nossa sociedade diversas pessoas - especialmente crianças - que dispõem de limitações cognitivas, de ordem psicológica ou mental. Essas pessoas devem ser aceitas pela sociedade como indivíduos e ter seus direitos preservados e defendidos. Porém tais pessoas necessitam de atenção diferenciada por parte dos pais, familiares, educadores, e da sociedade como um todo. De toda forma - assim como tudo na esfera pública - algumas tendências acabam se tornando regra, e sem a devida compreensão por parte dos gestores públicos. Isso aconteceu com a ideia de inclusão social.
Para a esfera pública, incluir socialmente é colocar tais indivíduos em contato direto com a sociedade, por meio da interação com esta. Nem sempre tais limitações permitem tal contato, e estes indivíduos acabam sendo marginalizados, rotulados, e se tornam um "fardo" para muitas instituições, que não sabem lidar de forma diferenciada para alguns no meio de tantos outros não que precisam diferenças.

                                   FRANCISCO-ARRAIS1697---PROFESSORA-LUCIANA---ALUNO-LEONARDO.jpg
                        Professora explicando para aluno especial (Crédito: Francisco Arrais)

A consequência de tal política pública acaba recaindo sobre a escola convencional. Hoje existem milhares de alunos com algum tipo de deficiência (visual, auditiva, cognitiva, psicológica ou mental) estudando nas escolas convencionais, muitas vezes com educadores sem o devido preparo para lidar com este tipo de aluno, e ainda pior, tendo que lidar com a turma inteira de alunos saudáveis ao mesmo tempo.

Essa inclusão às avessas simplesmente jogou dentro das escolas convencionais alunos que deveriam ser encaminhados para escolas especiais. Sem o devido preparo das salas de aula, sem o material adequado e sendo sub-atendido por profissionais não capacitados, este aluno especial acaba por vezes sendo "empurrado" séries a frente, sem em nada progredir em seu aprendizado. Dessa forma acabamos tornando alunos especiais isolados dentro do contexto escolar, ficando estes de lado até mesmo na sala de aula. Com isso não incluímos estes alunos especiais, estamos tornando os mesmos reféns de sua deficiência e marginalizando os mesmos.

                       mi_18689326761887876.jpg
                O isolamento dos alunos especiais

Para boa parte dos educadores a inclusão é ilusória, porque frustra o educador, pois este não sabe como estimular tal aluno em sua deficiência. Assim o aprendizado fica deficitário. O resultado disso é que muitas vezes as escolas convencionais - obrigadas em sair da situação - acabam empurrando tais alunos especiais, sem o mínimo de progresso em sua aprendizagem. Não por culpa das escolas, mas por culpa do sistema implantado que dá a cargo de uma instituição sem estrutura necessária a responsabilidade de educar alunos especiais.

A ideia central de incluir alunos com deficiência tinha o intuito de promover ações para que a sociedade como um todo não rechace tal pessoa, defenda seus direitos e acione as instituições necessárias quando estes direitos forem vilipendiados. O que não ocorre, pois simplesmente tais alunos são largados nas escolas convencionais, e acabam tendo um rótulo para a vida toda, de ser tratado como um "estorvo".

Como solução para esta situação deveriam ser criadas escolas especiais, de forma que tais alunos viessem a aprender e se desenvolver em suas limitações. Assim conseguiremos incluir de forma plena tais elementos na sociedade.

Também se faz necessária a modificação das leis, sendo o primeiro passo para implementar um programa que possa dar uma qualidade maior para estes alunos especiais, desafogando o já caótico ensino público, estimulando os educadores acompanhar o aprendizado das turmas de alunos sem limitações, deixando pais e familiares sabendo que o melhor esta sendo feito para aqueles alunos especiais. Isso geraria um ciclo virtuoso, e poderia, quem sabe, até mesmo levar tais indivíduos especiais ajudarem a sociedade, como no mercado de trabalho convencional, um dos grandes focos da inclusão social.

Para não esquecer: façamos a inclusão.

  

Fonte: autismonascola.blogspot.com.br

Como ensinam os professores com deficiência?

Arranjam estratégias, adaptam métodos, criam materiais, pedem ajuda aos colegas para corrigir testes. Carla Badalo é cega e dá aulas desde 2001. Ana Paula Figueiredo desloca-se num andarilho e, neste momento, tem oito turmas. Lurdes Gonçalves é surda e garante que não ouvir não condiciona o seu trabalho. Três histórias contadas pelo EDUCARE.PT.

por: Sara R. Oliveira

Imagem Internet




Tinha 15 anos quando lhe diagnosticaram uma neuropatia periférica desmielinizante, doença crónica degenerativa que lhe afeta a mobilidade. Ana Paula Figueiredo tem 40 anos e há cinco que se desloca com o auxílio de um andarilho. É professora do grupo 520, de Biologia/Geologia, há 14 anos, mas por motivos de saúde tem apenas 11 anos de serviço contados. Em 2005, ficou efetiva na Escola Básica Integrada de Velas, na Ilha de São Jorge, nos Açores, e há quatro anos foi colocada por afetação na Escola Secundária Antero de Quental, na Ilha de São Miguel. Neste ano letivo, tem oito turmas do 7.º e 8.º anos do ensino regular. Dá aulas de Ciências Naturais, Higiene e Segurança no Trabalho, tem turmas de alunos com défice cognitivo ligeiro a profundo. De 2004 a 2008, deu aulas em São Jorge. Foram tempos difíceis. “Como, nessa altura, as limitações motoras ainda eram mais graves, e não me conseguia deslocar sozinha, nem realizar as diferentes atividades diárias sem auxílio, necessitei que os meus pais me acompanhassem, tal só foi possível por também eles serem professores reformados. Esse foi um período muito complicado pois não existia, na ilha, fisioterapia especializada nem um hospital com especialistas ou técnicos especializados”, recorda. Teve, por isso, de se ausentar da ilha várias vezes, obrigada a faltar às aulas, perdeu tempo de serviço. 


Há aspetos que, na sua opinião, podiam melhorar. Há cotas para a colocação dos docentes com deficiência, permitindo a afetação após três anos de estarem efetivos numa escola. “No entanto, isso, por vezes, implica a deslocação para locais muito afastados de casa, o que é difícil para os ditos normais, mas ainda é mais complicado para quem tem limitações e necessita de apoio da família, às vezes para as necessidades mais básicas”, refere. Além disso, os professores que necessitam de fisioterapia para sempre, como é o seu caso, “não têm qualquer redução de horário, ou são colocados a grandes distâncias dos centros de fisioterapia”. O que, por vezes, implica faltar às aulas ou à fisioterapia. “Os docentes que não conseguem conciliar os horários sobrecarregados pelas reuniões e pelas horas passadas em casa, pois as escolas não têm os espaços e materiais necessários, a preparar as aulas, com as horas necessárias para as consultas, fisioterapia, etc., têm de desistir da carreira docente e passar à carreira administrativa”, refere. 

Ana Paula nasceu para ser professora. Apesar de todos os contratempos, não se imagina a fazer outra coisa. O facto de ser portadora de uma deficiência motora limita a mobilidade, mas não influencia a forma de dar aulas. Como se cansa mais facilmente, passará mais tempo sentada do que os seus colegas. “Não existem cuidados especiais”, diz. E os alunos estão sempre dispostos a ajudar. “Antes de usar o andarilho, que também utilizo para transportar a pasta, eram os alunos que transportavam o material necessário às aulas. Independentemente da faixa etária – e este ano tenho alunos dos 12 aos 18 anos -, todos estão sempre prontos a ajudar, chegando a ‘brigar’ para escrever o sumário, apagar o quadro ou ir buscar alguma coisa necessária à funcionária”, conta. Fica muito contente quando vê a evolução dos seus alunos, entristece-se com o crescente desrespeito pela educação, pelos docentes. 

Se fosse ministra da Educação, Ana Paula adaptaria os currículos para as turmas adaptadas, tornaria as aulas e os temas mais práticos e as escolas não teriam obstáculos à circulação, permitindo que todos pudessem realizar as mais diferentes atividades. E não só. “Mostraria mais respeito pelos professores que são agentes de ensino e não meros criadores de documentos, ou seja, acabaria com a burocracia, o que levaria a que existissem mais horas para a elaboração de materiais tão necessários às aulas”. E alterava ainda o tempo para a aposentação, “pois a carreira docente é extremamente desgastante”. 

Aprendeu sem cadernos, ensina com estratégias
Carla Badalo não vê. Nasceu com um glaucoma congénito. Vê apenas claridade, nada mais. Chegou a andar com uma bengala, agora tem um cão-guia que a acompanha para todo o lado. Mas quando chega a um novo local para dar aulas, o cão-guia tem de perceber por onde pode andar, por onde tem de ir, precisa de instruções. “Não é fácil, não conheço o mundo tal e qual as outras pessoas”, diz. Mas, desde muito cedo, aprendeu que quem tem boca vai a Roma. Assim é. Procurou estratégias para contornar dificuldades. Estudou Línguas e Literaturas Modernas, Português e Francês, sem cadernos ou livros, sem ver como se escreviam as palavras. Como professora, encontrou métodos para ensinar. Em certas aulas pedia a máxima atenção aos alunos para detetarem erros que os colegas escrevessem no quadro. Quem descobrisse erros, se os houvesse, “ganhava” bolinhas, prémios pela atenção. 

Carla Badalo é professora desde 2001. No primeiro ano de estágio, deu aulas de Português e Francês. Em 2011, especializou-se em Educação Especial, na componente de deficiência visual, e em 2014 tirou uma nova especialização em Desenvolvimento Cognitivo e Motor. Carla Badalo é de Sintra e dá aulas a centenas de quilómetros de casa, em Viana do Castelo, no Agrupamento de Escolas de Abelheira. Quando começou a ensinar, não tinha materiais adaptados. A situação foi melhorando. Agora tem computador com Braille e com leitura de ecrã. Antes passava a matéria em acetatos ou em fotocópias. Neste momento, está na Educação Especial, coadjuva professores de várias disciplinas na parte da deficiência visual. A Educação Especial é a sua praia. 

Os alunos que têm deficiência visual precisam de acompanhamento. Precisam de ajuda em várias atividades do dia a dia. Há coisas muito importantes a ensinar, como contar dinheiro, orientação e mobilidade, treinar a visão. Carla Badalo aprendeu a adaptar-se a qualquer circunstância. O cão-guia são os seus olhos, mas ele precisa de orientações. “Não faz o trabalho por mim”. Mas quem aprendeu sem livros, sabia que era possível ensinar sem ver. E como fazia para corrigir os testes? Depois de algumas experiências, optou por pedir ou pagar, dependia da disponibilidade das colegas, para a correção das provas dos seus alunos. Um processo que fazia questão de acompanhar passo a passo, cada resposta dada. Um aluno não podia perguntar-lhe o que era aquele ponto de interrogação no teste ou por que razão aquela resposta estava mal e a professora não saber responder. “É preciso ter confiança no que se diz e no que se faz”. Se tiver de pagar essa correção, o dinheiro sai-lhe do bolso, não há qualquer comparticipação. 

Carla Badalo pede atenção aos colegas que trabalham com alunos com deficiência visual. Precisam de ter alguns cuidados. “Digam como se escreve, as vírgulas, as mudanças de linha, parágrafos, onde ficam os acentos nas palavras, os pontos finais, as maiúsculas”. Não se arrepende da profissão que escolheu. Mas não fica contente quando vê que as cotas para a colocação dos docentes com deficiência não são respeitadas à letra. “Nem sempre há vagas e a tutela não tem isso em conta”. O que está escrito nem sempre é aplicado na prática. 

Dar aulas sem ouvir 
Lurdes Gonçalves é professora há 18 anos, mas tem apenas 12 anos de serviço contados. Neste momento, dá aulas de Língua Gestual Portuguesa a uma turma da EB1 S. Bartolomeu, em Coimbra. É surda e garante que não ouvir não condiciona o seu trabalho na profissão que tem. “As minhas aulas baseiam-se em jogos, vocabulários, tiro ‘fotos’ com os gestos ligados aos temas.” Visitas a museus são uma forma simples e eficaz de chegar às crianças. “A minha forma de ensinar adapta-se ao tipo de criança e necessidade que cada criança tem. Logo, a habituação torna-se fácil”, refere. 

“Uma das minhas maiores alegrias é ver a evolução dos alunos ao longo do tempo, após muito esforço e dedicação”, afirma. Com os colegas não há complicações. Reconhece que a tutela tem lidado bem com os casos dos professores com algum tipo de deficiência até porque, no seu caso, não são necessários muitos cuidados. Mas se mandasse, haveria uma nova regra. “Se fosse ministra da Educação faria com que todos os professores soubessem ou aprendessem a Língua Gestual Portuguesa para que houvesse uma melhor comunicação com os alunos surdos”. 

O assunto foi colocado na agenda pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e pela Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes que, em novembro, organizaram um encontro subordinado ao tema “A deficiência e o (no) exercício da profissão docente”, que teve lugar na Secundária D. Pedro V, em Sete Rios, Lisboa. No final, destacou-se a importância de refletir sobre as soluções para melhorar e dignificar as condições de trabalho desses profissionais. Até porque, lembrou-se, da parte da Direção Geral da Administração Escolar não há resposta aos pedidos de informação sobre a realidade dos docentes com deficiência. 

No site da FENPROF conta-se o que aconteceu nesse encontro. Quanto custa a um docente cego corrigir os testes dos seus alunos? Como pode um docente surdo exercer a sua atividade profissional sem ter consigo um intérprete de língua gestual? Em que condições trabalha um educador ou professor com mobilidade reduzida numa escola cheia de obstáculos arquitetónicos ou sem as necessárias adaptações de acessibilidade? Como ultrapassar dificuldades no acesso a equipamentos e materiais de apoio? Estas foram algumas das questões levantadas. 

“O professor cego tem que conhecer bem a sala e a instituição em que trabalha, tem que saber usar os equipamentos, tem que deslocar-se com segurança em todos os locais do seu espaço profissional. Autonomia, independência e segurança são fundamentais”, sublinhou Deodato Guerreiro, catedrático, especialista na área das ciências da comunicação, presente no encontro. Por outro lado, Paula Campos Pinto e Patrícia Neca, do Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, anunciaram que estão a preparar uma candidatura para apoio a um projeto de investigação, mais concretamente um estudo sobre a educação inclusiva que integrará a recolha de informação sobre a perspetiva dos professores com deficiência. 

“Os professores de Educação Especial não têm que substituir colegas. Nas deslocações entre escolas do agrupamento, o professor não tem que pagar do seu bolso a deslocação nem é obrigado a ter carta de condução”, referiu Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, no final do encontro. “Não se deve confundir direitos legalmente estabelecidos com favores”, disse, acrescentando que, nas escolas, o que está na lei tem de ser garantido pelas direções. 

Os dez lugares mais contaminados dentro de casa

Toalhas úmidas, escovas de dente sem escorrer, brinquedos espalhados pelo chão…esses são alguns dos "ambientes perfeitos" para fungos e bactérias se multiplicarem dentro de casa

                                 

Segundo um estudo feito pela Fundação de Pesquisa para Saúde e Segurança Social (FESS) em parceria com a Universidade de Barcelona para a empresa de limpeza Sanytol, os hábitos de limpeza que temos podem transformar uma casa em um lugar bastante propício para a transmissão de doenças.

A pesquisa atestou que o banheiro é o local mais cheio de germes de uma residência. No entanto, ele também é o cômodo que se limpa com mais frequência e, sendo assim, muitas vezes acaba não sendo tão "perigoso" nesse aspecto quanto outros locais que ficam "esquecidos", apenas acumulando sujeira – e, consequentemente bactérias e outros tipos de microorganismos.

Por isso, Maite Muniesa, que é representante do Departamento de Microbiologia da Universidade e liderou a pesquisa, chamou a atenção na apresentação dos resultados justamente para a falta de limpeza naquelas que chamou de "zonas esquecidas".

A seguir, o ranking dessas zonas que podem colocar em risco a saúde dos moradores da casa.


1- Banheiro

Levando em consideração a função dos banheiros, não é muito surpreendente saber que eles estão no topo da lista.

O estudo inclui uma pesquisa com mil famílias espanholas e, de acordo com os resultados dele, somente 56% faz uma limpeza diária nos banheiros. E apenas 32% os desinfeta.

"Limpar o banheiro não é a mesma coisa que desinfetá-lo. Ter uma superfície limpa não é o mesmo que ter uma superfície sem contaminação", afirmou Muniesa.



2- Esponjas e panos de cozinha

Segundo a pesquisa, a cozinha é outro local cheio de germes dentro de casa.

Eles se concentram principalmente nas esponjas e nos panos.

Segundo a especialista, eles não costumam ser lavados diariamente e, muitas vezes, ficam úmidos ao longo do dia, o que colabora para a proliferação dos germes.

"Esses germes e bactérias podem ficar até duas semanas em uma esponja úmida", afirmou a pesquisadora.


3- Pia

A pia da cozinha concentra 100 mil vezes mais germes do que o banheiro.

Segundo o estudo, 14% delas abrigava mais de um milhão de bactérias por metro quadrado.

E muitas vezes, esses microorganismos se acumulam em pilhas de pratos com restos de comida.


4 – Torneiras, banheiras, máquinas de lavar e geladeiras

Assim como acontece com a pia, a umidade e o material orgânico acumulado nessas áreas criam um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias.

Na borracha da máquina de lavar e da geladeira, por exemplo, não é estranho encontrar mofo ou bolor.

Ela tem dobras muito difíceis de limpar e, sendo assim, acaba acumulando esses microorganismos.


5- Escovas de dentes e seus copos

A boca abriga centenas de microorganismos, que podem ser transferidos à escova de dente durante o uso.

Bactérias como estafilococos, bactérias coliformes, pseudomonas, levedura, bactéria intestinal e até germes fecais podem ficar alojados ali.

A pesquisa garante que 80% das escovas de dente examinadas abrigam milhões de microorganismos que podem vir a ser prejudiciais à saúde.


6- Chão

É comum deixarmos cair algum pedaço de comida no chão.

Muita gente pega o pedaço de volta, dá aquela assopradinha e acha que, assim, já eliminou todas as bactérias que estavam ali. Mas isso não é suficiente,

O chão de uma casa é um dos lugares com maior concentração de microorganismos, segundo a pesquisa.

Muitos deles são trazidos da rua com nossos sapatos. Além disso, os especialistas em microbiologia advertem que as bactérias precisam somente de dez segundos para "colonizar" um pedaço de comida que cai no chão.

7- Tábuas para cortar

De acordo com Muniesa, até 20% das infecções alimentares ocorrem dentro de casa. Os microorganismos que frequentemente provocam esse tipo de problema são a salmonela, a escherichia coli e o campylobacter.

Todos eles podem se acumular na borracha da geladeira ou em panos úmidos.

Mas também é comum encontra-los nas tábuas de cortar, que são ambientes propícios para abrigar germes.

Para evitar isso, é preciso desinfetá-las com frequência – o que pode ser feito facilmente no microondas.


8- Dispositivos tecnológicos

O teclado de um computador ou a tela de um celular podem chegar a ter 30 vezes mais microorganismos do que um banheiro limpo.

É que essas telas de celulares, os telefones, controles remotos e outros dispositivos tecnológicos estão em constante contato com nossas mãos.

"Nós mexemos em muitas coisas e não desinfetamos nossas mãos corretamente", advertiu a especialista.

Por isso, os teclados podem acumular até 450 tipos de germes diferente, afirma a pesquisa.

9- Maçanetas

Elas são utilizadas uma vez ou outra ao longo do dia, mas são bem fáceis de se esquecer na hora da limpeza da casa.

Por isso, as maçanetas se tornam lugares propícios para o acúmulo de germes.

Mais que isso, os especialistas consideram que elas desempenham um papel importante na transmissão de vírus como o da gripe e outros que provocam doenças respiratórias.

10- Brinquedos

Não é raro encontrá-los espalhados pelo chão. Muitas vezes, são arrastados passando de uma criança para outea – e elas muitas vezes os colocam na boca.

Isso acaba fazendo com que os brinquedos também sejam focos de germes e bactérias.

Ainda assim, 17% dos entrevistados disseram aos pesquisadores que nunca desinfetam os brinquedos que têm em casa – o que facilita ainda mais a proliferação dos microorganismos.

Outro estudo feito pela Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, já alertou para a presença de bactérias que provocam pneumonia - Streoptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes - nos brinquedos que ficam espalhados pela casa.

Diante disso, é muito importante prestar atenção nessas "zonas esquecidas" na hora da limpeza e mudar os hábitos, concluiu o estudo.

Cartilagem cultivada em laboratório poderá 'reconstruir partes do corpo'

Pacientes que precisam de cirurgia para reconstruir partes do corpo, como nariz e orelha, poderão muito em breve fazer um tratamento usando cartilagem cultivada em laboratório, de acordo com cientistas britânicos


Uma impressora 3D constrói a estrutura gelatinosa que contém as células humanas

O processo envolve o cultivo de células de uma pessoa em uma incubadora. Essas células, então, são misturadas a um líquido e depois impressas em 3D no formato gelatinoso do órgão necessário.

Depois disso, coloca-se essa "gelatina" em uma incubadora novamente para que ela possa crescer novamente até que fique pronta. Pesquisadores em Swansea, no País de Gales, afirmam que a expectativa é poder usar esses "tecidos" criados em laboratório em humanos em torno de três anos.

"Usando uma explicação simples, nossa ideia é recriar tecidos usando células humanas", disse Iain Whitaker, cirurgião plástico que participa da pesquisa.

Procedimento
"Estamos tentando imprimir estruturas biológicas usando células humanas e providenciando o ambiente certo e o tempo certo, para que possam se desenvolver em tecidos que eventualmente possam ser utilizados em seres humanos."

"Seria útil para reconstruir partes do corpo perdidas, como partes do nariz ou da orelha e até mesmo partes maiores do corpo, como ossos, músculos e vasos sanguíneos", afirmou.

A equipe de cirurgiões está trabalhando em parceria com cientistas e engenheiros que construíram uma impressora 3D especificamente para esse tipo de trabalho.

Whitaker, que é chefe de cirurgia plástica e reconstrutiva na Escola de Medicina da Universidade de Swansea, explicou que o projeto começou em 2012, mas a pesquisa nessa área já acontece há mais de 20 anos.

A ideia, segundo ele, é testar os tecidos cultivados em laboratório em animais. Depois, será preciso passar por um processo de ética antes de aplicá-los em seres humanos.

"A boa notícia para o futuro é que, se nossa pesquisa for bem sucedida, em dois meses seria possível recriar uma parte do corpo que não existia mais, sem ter que fazer isso retirando tecido de outra parte do corpo, causando defeito ou cicatriz em outros lugares", afirmou.

Os pesquisadores explicam que estão fazendo os experimentos usando impressora 3D porque ela tem grandes possibilidades de imprimir essas estruturas complexas.

"A maioria das pessoas já ouviu muito sobre a impressora 3D, que começou imprimindo plásticos e metais. Agora ela está mais desenvolvida, então é possível considerar a ideia de imprimir tecidos biológicos em uma impressora chamada '3D bio-printing', que é uma máquina diferente, específica para isso", explicou.

Como funcionará o processo
Células são retiradas de uma pequena amostra de cartilagem durante a operação inicial e são cultivadas em uma incubadora por várias semanas

O formato da parte do corpo que está faltando é digitalizado e colocado em um computador

Ele é, então, impresso em 3D usando uma fórmula líquida especial combinada com as células vivas da estrutura gelatinosa cultivada no laboratório

São adicionados reagentes para fortalecer a estrutura

Essa estrutura é colocada, então, em uma incubadora com um fluxo de nutrientes para suprir as células com alimentos para que elas possam crescer e produzir sua própria cartilagem

A estrutura será testada para ver se está forte o suficiente para eventualmente ser implantada em pacientes

Pacientes que perderam a visão após cirurgia de catarata devem ser indenizados no RS

O Ministério Público do Rio Grande do Sul quer que um hospital de Encantado indenize cerca de 40 pacientes que ficaram com sequelas após uma cirurgia de catarata. A suspeita é de que as vítimas tenham sido infectadas por uma bactéria.


                                


Click AQUI para ver o vídeo com a matéria: 

Fonte: noticias.r7.com

Única mulher entre cadeirantes chega em 1º na São Silvestre

Aline Rocha conquistou pela quarta vez a prova da São Silvestre para cadeirantes, desta vez entre os homens

alinerochapeterleonefutura
Aline Rocha foi a única mulher a disputar a prova de cadeirantes da São Silvestre
Foto: Peter Leone / Futura Press


Se Aline dos Santos Rocha já era favorita para vencer a São Silvestre na categoria de Cadeirante Feminina, ela mostrou que possui muito fôlego para competir entre qualquer outro atleta. A catarinense, que conquistou nesta quinta-feira o tetracampeonato da tradicional corrida de rua de São Paulo, superou todos os outros competidores homens para ser a primeira a cruzar a linha de chegada.
“Até o ano passado tinham mais mulheres mas esse ano acabou vindo só eu. Uma das meninas que iria competir comigo se lesionou faltando poucos dias para a prova e não pode vir. Mas independente disso, o maior desafio é completar a São Silvestre, que já tem uma dificuldade muito grande independente de outros concorrentes, principalmente na subida da Brigadeiro”, afirmou Aline, que completou a prova em 47min45s.
Sobre vencer sozinha, entre três homens, Aline afirma que é a coroação de um trabalho duro, realizado em treinos exaustivos e diários na cidade de São Caetano do Sul, onde mora há dois anos. A paratleta sofreu um acidente aos 15 anos, passou a treinar pouco depois, se mudou para São Paulo e hoje se vê entre grandes atletas paralímpicos brasileiros.
“É muito gratificante. Faz dois anos que saí de Santa Catarina e vim para São Paulo apenas para treinar e competir. Então toda essa dedicação que temos ao longo do ano inteiro, muitos treinos e provas, e perceber essa evolução não tem explicação”, explicou a paratleta.
“Esta foi para começar o ano novo com a roda direita. Fechei com chave de ouro e começo com a roda direita”, brincou. “E ano que vem estarei de volta para tentar conquistar o pentacampeonato”, comemorou Aline.
Fontes: esportes.terra.com.br - pessoascomdeficiencia.com.br

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Qual desafio você quer vencer? Bem Estar mostra histórias de superação

Histórias que inspiram: conheça o Pauê e o Rodrigo. E também: mulheres com baixa visão ou cegas que se maquiam sozinhas.

Do G1, em São Paulo

Paue

O Bem Estar desta quarta-feira (30) mostrou histórias de superação, como a do Pauê, o primeiro surfista biamputado do mundo, do Rodrigo que ficou paraplégico depois da despedida de solteiro e de mulheres com baixa visão ou cegas que conseguem se maquiar sozinhas. Participaram do programa o cardiologista e consultor Roberto Kalil e a médica do Comitê Paralímpico Brasileiro Andrea Jacusiel.

Paulo Eduardo Chieffi Aagaard, o Pauê, perdeu as duas pernas em um acidente. Mas isso não foi o fim. Ele reaprendeu a caminhar e se tornou um atleta com muitos títulos. A história virou livre e filme. Pauê foi atropelado por uma locomotiva no ano 2000. Ele tinha 18 anos.
Click AQUI para assistir os vídeos:
“Eu lembro do choque, do instinto de proteção. Tentei proteger minha cabeça, caí entre os trilhos, foi muito rápido”, conta. Depois do acidente, ele ficou dois meses internado. Foram meses difíceis. Ele reencontrou o prazer pela vida no surfe e passou a treinar todos os dias. Depois de quatro meses se sentiu seguro e se inscreveu em uma competição de travessia de 1.500 metros.
Pauê praticou triathlon por oito anos. Foi campeão mundial em 2002, medalha de bronze no Pan-Americano em 2003 e pentacampeão brasileiro. Também foi considerado o primeiro surfista biamputado do mundo. Hoje ele faz palestras motivacionais por todo o Brasil.
Ele conta o que mudou na vida dele. “Eu tinha 18 anos de idade, estava numa fase de desenvolvimento e de repente acontece uma mudança. A partir dali eu me descubro. As pessoas muitas vezes não conhecem potenciais que elas têm por não exercer. Por não ter um motivo maior que faça com que elas coloquem isso à prova. Não existe dificuldade para quem está a fim de vencer.”
Superação na despedida de solteiro
Como você reagiria se depois de um mergulho sua vida mudasse totalmente? Foi isso que aconteceu com o Rodrigo Siqueira. Ele sofreu um acidente em 2014, na festa de despedida de solteiro. Saltou de um píer que já conhecia, mas sem perceber que a maré havia baixado. Rodrigo teve uma lesão nas vértebras T6 e T7, no tórax, que o deixaram paraplégico, sem movimentos do peito para baixo.

Rodrigo fez parte de um estudo inovador. Foi a quarta pessoa no mundo a receber células nervosas. Depois do transplante, e com a rotina intensa de fisioterapia, vieram os primeiros resultados. Os exercícios começaram na água e terminaram na porta do irmão. “Treinei em casa e consegui. Sai da minha cama, abri a porta, chamei o elevador, entrei na casa do meu irmão. Minha sobrinha nunca tinha me visto em pé e até chorou.”
Em janeiro de 2015 ele queria sair da cadeira de rodas. E em 2016? “Meu objetivo maior em curto prazo é minha órtese com a muleta, em vez do andador.”
Maquiagem às cegas
Fazer a própria maquiagem requer alguma habilidade. Sem a ajuda do espelho fica ainda mais difícil. Agora imagina não conseguir enxergar os materiais que você vai usar? É isso que acontece com as alunas do curso de automaquiagem de São Paulo.

São mulheres que tiveram que se adaptar a uma situação desafiadora. Umas enxergam muito pouco e outras não enxergam nada. O maquiador Marcos Costa oferece o curso de graça, orienta e incentiva.
Fonte: g1.globo.com