sábado, 20 de fevereiro de 2016

Sou feminista e mãe de pessoa com deficiência. E a questão do aborto, como fica?

Por Ana Nunes

Uma ponte sustenada num fundo branco.

A epidemia do vírus zika e sua cada vez mais provável relação causal com a microcefalia recolocou em discussão nacional a questão do aborto. Embora se trate de tema urgente, a sociedade brasileira “não aceita sequer discutir o aborto, a não ser quando o assunto é evitar um filho com deficiência”, como bem observou Meire Cavalcante[1].  O debate sobre o zika tem me incomodado, como mãe de pessoa com deficiência e como feminista.  Como mãe de autista, ressinto-me em ver reproduzidos os velhos estereótipos que reduzem a deficiência a uma tragédia. Também me incomoda a redução da discussão a como prevenir ou erradicar a microcefalia, sem que se fale de planos para incluir e possibilitar uma vida plena às crianças que venham a nascer com danos neurológicos em virtude da epidemia de zika, e muito menos em como apoiar as famílias. Ou melhor dizer apoiar as mães, para ser mais precisa, já que se iniciou outra epidemia: a dos pais que abandonam os filhos com má-formação neurológica.[2]  Como feminista, me incomoda que o debate sobre aborto se dê não por reconhecer as mulheres como sujeitos capazes de fazer as próprias escolhas morais, mas sim por medo da deficiência.

A posição feminista sobre aborto é conhecida:  a favor da descriminalização do aborto, do direito de escolha e da autonomia reprodutiva da mulher. As feministas têm presente que a questão do aborto é também uma questão de saúde pública, que custa a muitas mulheres sua integridade física e, por vezes, a vida. O feminismo tampouco tem ignorado que esse debate não é apenas uma questão de gênero, mas também de raça e classe: para a mulher branca e economicamente privilegiada, o aborto seguro nunca deixou de ser acessível.
Meu objetivo neste artigo é tentar articular a posição feminista de uma forma não-capacitista. Análises importantes sobre a privatização dos efeitos da epidemia, por meio de recomendações que enfatizam o controle sobre os corpos femininos e deslocam do Estado para as mulheres a responsabilidade pelo controle da epidemia e de seus efeitos, já foram feitas por Daniela Lima [3] e Lucio Carvalho [4]. Recomendo também a leitura dos artigos de Eliane Brum [5], Débora Diniz [6] e Maria Antônia Goulart [7], para um panorama das diversas vozes envolvidas na discussão.  E advirto desde já: falo aqui como indivíduo, como mãe e como ativista, não na condição de porta-voz de nenhum grupo. Tenho, contudo, a esperança de ajudar a organizar algumas perplexidades, de tentar construir algumas pontes entre posições que parecem conflitantes.

Com o avanço dos testes pré-natais e da manipulação genética, a possibilidade de evitar o nascimento de pessoas com deficiência – sobretudo com certos tipos de deficiência diagnosticáveis in utero – tem se tornado uma realidade.  Agora, com o zika, a verificação de contaminação pelo vírus configuraria uma espécie, embora não conclusiva, de teste pré-natal, dada a possível relação do vírus com o nascimento de bebês com microcefalia.

Nós, ativistas dos direitos das pessoas com deficiência, vemos com consternação a realização destes abortos. Nós valorizamos a diferença. Não queremos viver em um mundo onde as pessoas com deficiência sejam eliminadas. Cada vida com deficiência importa e deve ter seu valor reafirmado. Causa-nos tristeza constatar que, do ponto de vista simbólico e cultural, cada aborto de um feto com deficiência contribui para reforçar a visão negativa da deficiência, para reafirmar o conceito de que a deficiência seria um destino pior que a morte.

Uma das reações possíveis para um hipotético defensor dos direitos das pessoas com deficiência seria posicionar-se contra a descriminalização do aborto, por perceber sua proibição legal como única maneira de evitar a eliminação de fetos com deficiência. Ora, se o que desejamos é afirmar a dignidade humana das pessoas com deficiência, o valor intrínseco às suas vidas, essa afirmação só é alcançada quando se deixa de abortar um feto com deficiênciaexatamente por acreditar nessa dignidade intrínseca – e não porque o aborto é proibido por lei. Não abortar porque é crime não afirma a dignidade do feto com deficiência – afirma, somente, o poder dissuasivo do Direito Penal. Onde não há escolha, não há afirmação moral.
Outro corolário de apoiar a posição “pró-vida” é que, para proibir o aborto, é necessário concordar com a premissa que o embrião é um sujeito de direitos desde o momento da concepção. Desta forma, teríamos também de rejeitar pesquisas científicas que utilizam células-tronco embrionárias – pesquisas importantíssimas para numerosas pessoas com deficiência.

Em qualquer discussão sobre aborto, é necessário considerar que há dois “bens jurídicos” em conflito: o direito da mãe à autonomia reprodutiva e a eventual proteção devida ao feto. Aqui ingressamos no terreno pantanoso, tanto do ponto de vista jurídico quanto científico, da delimitação do momento em que o feto se constituiria em sujeito de direitos. Outra pergunta necessária: qual a estatura dos eventuais direitos do feto quando confrontados com os direitos da mãe? Para tornar o assunto ainda mais complexo, uma conhecida posição de ativistas dos direitos das pessoas com deficiência, sobretudo no exterior, é de que o aborto de um feto com deficiência afetaria não apenas a este feto, mas a todas as pessoas com deficiência, na medida em que reforçaria a visão capacitista de que uma vida com limitações não vale a pena ser vivida. Haveria, portanto, um terceiro “bem jurídico” a considerar: o direito das pessoas com deficiência a não serem atingidas por práticas preconceituosas que afetem sua dignidade.

Uma primeira tentativa de conciliação da posição feminista com a posição dos defensores dos direitos das pessoas com deficiência seria descriminalizar o aborto somente no primeiro trimestre da gravidez.  No primeiro trimestre, ainda não é possível ultimar os testes que levam à detecção de boa parte das deficiências. No primeiro trimestre, o feto ainda não está neurologicamente formado, a ponto de sentir dor. No primeiro trimestre é consideravelmente mais difícil argumentar, do ponto de vista científico, que o feto seja senciente. Mesmo entre os defensores da legalização, o recorte no primeiro trimestre é a posição mais consensual; não por acaso, projeto de lei protocolado pelo Deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) prevê a descriminalização do aborto até a 12a semana de gestação.[8]
Contudo, este argumento cai por terra no caso do zika: uma contaminação por zika no primeiro trimestre já serviria como “indicativo” da microcefalia. E é precisamente esta a discussão atual, no Brasil: a liberação do aborto nos casos em que esteja presente este indicativo.

A legislação inglesa, por exemplo, traça outra linha delimitadora: o aborto é permitido até a 24ª semana – momento em que a sobrevivência do feto seria viável fora do útero, com a devida intervenção médica. Mas a mesma legislação inglesa traz exceção de um capacitismo gritante, duramente combatida por ativistas dos direitos das pessoas com deficiência: o aborto no terceiro trimestre é permitido, excepcionalmente, nos casos de feto com deficiência. O ativista inglês Tom Shakespeare, em “Disability Rights and Wrongs Revisited”, conta um caso espantoso, em que dita exceção foi utilizada para permitir o aborto, no terceiro trimestre, de feto com lábio leporino!

A microcefalia, coincidentemente, só pode ser detectada com clareza em exame de ultrassonografia realizado a partir da 24ª semana[9] – fim do segundo trimestre. Antes disso, a contaminação por zika é um indicativo, mas ainda com pouca clareza científica – como Chris Barker, patologista da Universidade da Califórnia, declarou ao The Guardian, “adoraria saber quantas, dentre as grávidas que pegam o zika, de fato chegam a apresentar fetos com microcefalia. Mas ainda não temos estes números.”[10] Mesmo quando o ultrassom detecta a microcefalia, não se pode evidenciar com certeza o grau de comprometimento do feto:  muitos fetos com alterações morfológicas aparentemente graves não apresentam maior comprometimento, enquanto alterações morfológicas menores podem causar comprometimento mais severo.[11] Estamos falando, portanto, de uma decisão tomada em meio a pânico, retórica exacerbada e militarizada de combate ao mosquito, e muito pouca clareza científica.  É necessário deslocar o debate do campo científico, onde ainda imperam incertezas e hipóteses, para o campo político, ético e de direitos humanos.

É necessário para o debate ético distinguir entre abortar porque não se deseja uma gravidez e abortar porque não se deseja uma gravidez de um feto com determinadas características. Nós, feministas, nos indignamos profundamente com o aborto seletivo de meninas na China e na Índia; que não nos indignemos na mesma medida com o aborto de meninas com deficiência só comprova o quanto ainda falta ao feminismo incorporar a dimensão anticapacitista.

Imaginemos que fosse possível detectar, via teste genético, outra característica que alguns pais considerassem indesejável, como, por exemplo, a homossexualidade; admitiríamos sem qualquer discussão estes abortos, com base na máxima “meu corpo, minhas regras”? Se abortar porque não se deseja uma gravidez é um exercício legítimo da autonomia reprodutiva da mulher, abortar porque não se deseja um feto com determinadas características tem de ser problematizado.

Embora seja contra o aborto seletivo de meninas na China e na Índia, o feminismo não faz campanha pela proibição legal do aborto nestes países. A solução é desconstruir o machismo, cultural e estrutural, que faz com que estes abortos ocorram. Desconstruir a visão – e modificar a realidade – que faz com que uma filha mulher naquelas sociedades seja um custo, uma ocorrência indesejável.  Em minha opinião, o mesmo se aplica ao aborto de fetos com deficiência: criminalizar não é a solução. Temos de construir uma sociedade menos capacitista. Uma sociedade onde um filho com deficiência seja valorizado e enxergado como uma pessoa, não como um custo, uma ocorrência indesejável.

 - Deficiência como tragédia
Ao se descobrir grávida de um feto com deficiência, a mulher tem de lidar com o luto da perda do filho idealizado, e com a certeza de que atravessará uma experiência de maternidade muito mais desafiadora, tanto pela condição de seu filho (que impõe terapias, tratamentos, apoios escolares), como pelo preconceito e pelas barreiras impostas pela sociedade. Mais que isso, a futura mãe se depara com o estereótipo cultural de que a deficiência é uma desgraça, uma tragédia, um destino pior que a morte, uma vida com limitações tais que não vale a pena ser vivida. Exemplo gritante deste estereótipo cultural é a recente fala do biólogo Richard Dawkins, que aconselhou a uma mulher em seu twitter: “aborte e tente de novo. Seria imoral trazer um bebê com Síndrome de Down ao mundo se você tem a escolha de não fazê-lo”. E ainda explicou: “se sua moralidade é baseada, como a minha, no desejo de aumentar a soma de felicidade e diminuir o sofrimento, a decisão de deliberadamente dar à luz uma criança com Síndrome de Down, quando você tem a possibilidade de abortar no início da gravidez, pode realmente ser imoral do ponto de vista do bem estar da própria criança.”[12]

A visão utilitarista de Dawkins, segundo a qual se deveria abortar um feto com deficiência porque seu nascimento aumentaria o sofrimento presente no mundo, demonstra uma profunda ignorância da realidade da vida das pessoas afetadas pela deficiência. É verdade que lutamos, que sofremos com as limitações impostas pela deficiência – mas sofremos ainda mais com as limitações impostas pela sociedade. Apesar disso, somos felizes. Sabemos celebrar cada pequena conquista, cada pequena alegria. Temos orgulho de ser quem somos. Reafirmamos a cada dia o valor da diferença e da diversidade, e a dignidade de todos os seres humanos. Se Dawkins não considera isso capaz de aumentar a soma de felicidade no mundo, permitam-me divergir.

Ademais, é profundamente perigosa a premissa que, segundo Dawkins,  autoriza o aborto:  esta pessoa sofrerá e fará sofrer. Honestamente, se aplicássemos este raciocínio a todos, sobraria algum humano no mundo? Mesmo que consideremos que Dawkins fale de sofrer e fazer sofrer “mais do que a média” – a qual semideus caberia a tarefa de arbitrar essa média, eu só posso me perguntar -, o corolário deste raciocínio seria eliminar todos os que sofrem ou fazem sofrer mais que a média.  Os primeiros que me ocorrem são banqueiros de Wall Street, criadores dos sub-primeque detonaram a crise de 2008; maltratadores seriais de mulheres; políticos que desviam verba da merenda escolar. Aliás, preconceituosos em geral, vocês têm ideia de quanto sofrimento causam?[13]

Consequência lógica do argumento utilitarista de “redução do sofrimento e maximização da felicidade” seria termos de abortar todas as gravidezes do mundo, dado o enorme potencial do ser humano para sofrer e fazer os outros sofrerem.  Aliás, deveríamos abortar com mais convicção os fetos sem deficiência, que terão muito mais oportunidades, em nossa sociedade, para cometer maldades e atrocidades.

Apesar do preconceito que transborda das declarações de Dawkins, a visão que o biólogo esposa é poderosa, porque cristalizada em nossa consciência coletiva: “melhor morrer que viver assim”; “se isso acontece comigo, eu me mato”. Estes estereótipos ressoam na mente da mãe recém-diagnosticada, que tem de tomar uma decisão em meio ao luto, e sem dispor de informação satisfatória. Saberá esta futura mãe desconstruir estereótipos tão poderosos, em um momento de tamanha fragilidade? E como fazer uma escolha informada, estando sob a influência destes clichês? Na verdade, o ethos cultural apresenta pouca escolha à mulher cujo feto é diagnosticado com deficiência: o único caminho “racional”, claro, é abortar. [14] A margem de escolha da mulher – que é o que nós, feministas, queremos defender – é profundamente reduzida pelo capacitismo da sociedade. Se queremos ser realmente pró-escolha, temos que incorporar ao discurso feminista a desconstrução dos estereótipos que cercam a deficiência.

Por isso celebro iniciativas de grupos de pais em visitar futuras mães recém-diagnosticadas, a fim de conversar e possibilitá-las fazer uma escolha realmente informada. Cartilhas como a linda “Três Vivas para o Bebê”, editada pelo Movimento Down, deveriam estar disponíveis em todos os centros de ultrassonografia e consultórios obstétricos do Brasil.

- Base material. Conceito amplo de direitos reprodutivos. Disabled lives matter.
Mas não são apenas os estereótipos culturais que tiram a escolha da mulher que se descobre grávida de um feto com deficiência. A base material afeta, e muito, essa escolha.  A falta de apoio da sociedade e do Estado. A falta de recursos. Qual a margem REAL de escolha para a mulher que percebe que terá de enfrentar esta maternidade muito mais desafiante sem escola pública inclusiva, sem creche pública, sem apoios financeiros? Da mulher que sabe que muitas vezes lhe será negado, por causa do preconceito, o cuidado usualmente prestado por familiares? Da mulher que não tem dinheiro para pagar custosas terapias? Qual a verdadeira liberdade da mulher para escolher ter um filho com deficiência, em um contexto onde abortar parece a única saída?

Uma posição realmente “pró-escolha” tem que garantir que a mulher tenha opções. Devemos lutar para que a mulher que tome a difícil decisão de abortar possa fazê-lo em segurança e sem ser criminalizada, mas também para que essa mulher tenha a possibilidade de escolher ter o filho com deficiência, sem que o preço a pagar por essa opção seja insuportável.  Para isso, precisamos de mais apoios do Estado e da comunidade às famílias com deficiência. Se, como sociedade e como feministas, queremos afirmar a autonomia das mulheres para fazer escolhas, é imperioso lembrar que só há escolha onde há opções. Opções reais.
A ativista Alicia Garza, uma das criadoras do movimento “Black Lives Matter”, declarou recentemente que direitos reprodutivos não se limitam ao acesso a contraceptivos e a aborto descriminalizado. Segundo Garza,  exercitar plenamente seus direitos reprodutivos é ter também a possibilidade de criar seus filhos, de saber que eles vão crescer seguros. [15]

Não esqueçamos que no Brasil o recorte de classe o mais das vezes coincide com o de raça.  É sempre muito mais fácil para a mulher branca de classe média optar por ter um filho que veio de forma inesperada, com ou sem deficiência. Ou optar por abortar. A mulher de classe média tem mais acesso a contraceptivos, mais autonomia para exigir o uso de preservativo, maior probabilidade de evitar uma gravidez involuntária em épocas de surto viral. Para a mulher pobre – muitas vezes também negra -, a margem de “escolha” é sempre consideravelmente reduzida

Argumento clássico do campo “pró-vida” é que, uma vez descriminalizado o aborto, as mulheres passarão a abortar com a leveza de quem toma uma aspirina. O argumento é de um paternalismo insuportável. Trata todas as mulheres como irresponsáveis, insensíveis e inconsequentes, que, sem a tutela de uma figura de autoridade (pai, marido, Estado, Lei, médico), serão capazes de tomar uma decisão como a de abortar sem o menor dilema de consciência. Mais uma vez, o argumento não corresponde à realidade: para a maioria das mulheres, a decisão de abortar engloba grande custo psicológico. Acredito nas mulheres como pessoas com autonomia moral para fazer suas próprias escolhas; por isso também me dói ver este raciocínio paternalista ser repetido, ao só se permitir o debate sobre o aborto à luz do medo da deficiência.

- A possibilidade de liberação do aborto nos casos de contaminação por zika.
Com relação à possibilidade de descriminalização do aborto para mulheres grávidas que contraíram o zika, não consigo deixar de pensar nas mais pobres, justamente as mais afetadas, morando em áreas sem saneamento, de grande incidência do mosquito. Em meio ao abandono generalizado por parte de um Estado que, em vez de controlar a epidemia, prefere controlar os corpos das mulheres,  de uma sociedade que discrimina as pessoas com deficiência, e de uma comunidade que não inclui, o aborto legalizado pode ser para essas mulheres, já tão maltratadas por tantas opressões e negligências, uma saída. Mas é importante lembrar: uma saída não é uma escolha. Como feministas, temos que lutar para que as mulheres tenham escolhas. E ser pró-escolha de verdade, frente a esta epidemia, implica também desconstruir nosso capacitismo, lutar por apoio da comunidade e do Estado para todas as mães. Ser pró-escolha de verdade implica entender nossos direitos reprodutivos em uma chave mais ampla, como ensina Alicia Garza do “Black Lives Matter”.

Uma parte de mim pensa: mas uma saída é melhor que nenhuma. Sou mãe de autista, e sei na carne que a lógica da sociedade e do Estado é da privatização do cuidado: cada família (cada mãe!) que se ocupe do seu “problema”, com os recursos financeiros, emocionais e intelectuais que tiver. O Estado só se lembra da gente na hora de nos processar por abandono de incapaz; a sociedade, na hora de nos julgar e nos censurar.  Não acredito que submeter precisamente as mulheres mais sem recursos, mais expostas a uma epidemia que floresce na pobreza e na falta de saneamento, a “escolher” entre exercitar uma maternidade particularmente desafiadora em condições de precariedade e abandono, ou então a arriscar a vida em um aborto clandestino, reforce a dignidade das pessoas com deficiência. Reforça, como já mencionei, o poder dissuasório do direito penal. E o pouco valor que a sociedade patriarcal dá à vida das mulheres, à possibilidade de que mulheres venham a ter uma vida plena.

Já outra parte de mim pensa: esta liberação do aborto em casos de contaminação por zika passa a mensagem de que o Estado não confia nas mulheres para tomar decisões, mas abre uma exceção para evitar a terrível, temível deficiência. Adicionalmente, eventual liberação do aborto nestes casos convidaria a uma maior culpabilização das mães de bebês com microcefalia: podia ter abortado e decidiu ter, agora aguente as consequências.  É a desculpa perfeita para um Estado e uma sociedade omissos continuarem a se omitir, no tocante ao apoio às famílias afetadas pela deficiência. O aborto em casos de contaminação por zika, em vez de uma escolha, será praticamente compulsório.
Com as ressalvas e as ponderações feitas ao longo deste artigo, deixo clara minha posição pessoal: sou a favor da liberação do aborto, para todas as mulheres. Não só para as infectadas pelo zika. O direito ao aborto não como uma exceção aberta pelo terror à deficiência, a ser exercitado como um “mal menor” em hipóteses específicas, mas como afirmação da mulher como sujeito capaz de fazer escolhas morais. Sou a favor de que as mulheres possam fazer uma escolha bem informada, e que tenham opções reais. Sou a favor de que possamos construir uma sociedade onde ter um filho com deficiência não seja tão oneroso que pareça uma opção inviável. Sou a favor de, como sociedade, traduzirmos nosso alegado apreço pela diferença em ações concretas, capazes de reduzir as barreiras enfrentadas pelas famílias com deficiência. Sou a favor de um debate menos binário e mais multifacetado em um assunto complexo como o aborto. E sou a favor de que cada mulher seja livre para fazer seu julgamento moral sobre os temas que afetam sua vida – da mesma forma em que sou a favor de desconstruir estereótipos, barreiras e atitudes que desvalorizam a vida das pessoas com deficiência.



[1] http://jornalggn.com.br/blog/meire-cavalcante/deficiencia-como-tragedia-ou-nosso-tragico-preconceito-0
[2] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,homens-abandonam-maes-de-bebes-com-microcefalia-em-pe,10000014877
[3] http://www.brasilpost.com.br/daniela-lima/gravidez-mulheres-zika_b_9163830.html
[4] http://observatoriodaimprensa.com.br/jornalismo-e-saude/o-virus-zika-e-a-eugenia-branda/
[5] http://brasil.elpais.com/brasil/2016/02/15/opinion/1455540965_851244.html
[6] http://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2016/02/04/nao-grite-eugenia-ouca-as-mulheres/
[7] http://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2016/02/15/tolerancia/
[8] http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2015-03-24/projeto-de-lei-que-legaliza-aborto-e-protocolado-na-camara.html
[9] http://www.nytimes.com/2016/02/04/world/americas/zika-virus-brazil-abortion-laws.html
[10] http://www.theguardian.com/world/2016/feb/03/zika-virus-transmission-sex-us-case-mosquito
[11] http://www.nytimes.com/2016/02/01/health/microcephaly-spotlighted-by-zika-virus-has-long-afflicted-and-mystified.html
[13] Para fins de ênfase, neste parágrafo igualei o feto às pessoas já nascidas – o que, como já abordei, é discutível tanto cientifica como juridicamente.
[14] Nas palavras de Richard Dawkins: “àqueles que se ofenderam (com minha declaração) porque conhecem e amam uma pessoa com Síndrome de Down, e que pensaram que eu estava dizendo que seu ente querido não tem o direito de existir, saibam de minha simpatia por este argumento emocional, mas que é um argumento emocional, e não lógico.”  (http://www.theguardian.com/science/2014/aug/21/richard-dawkins-apologises-downs-syndrome-tweet )
[15] https://bitchmedia.org/article/leaders-speak-out-against-co-opting-blacklivesmatters-push-anti-abortion-laws

Fonte: www.inclusive.org.br

Ação conscientiza sobre vaga exclusiva para pessoa com deficiência

2% dos estacionamentos devem ser destinados a pessoas com deficiência


por: Ananda Omati

Imagem Internet Ilustrativa



Agentes da Escola Piauiense de Trânsito (EPT) e da Secretaria de Estado para Inclusão da Pessoa com Deficiência (Seid) realizaram Campanha “Isso Não Tem Vaga”, nesta quinta-feira (18). A ação foi realizada no cruzamento das Avenidas Miguel Rosa e Frei Serafim e teve como objetivo conscientizar os motoristas que passam pelo trecho sobre a importância de respeitar o espaço exclusivo das pessoas com deficiência.
Segundo a gerente da Escola de Trânsito, Zulmirene Zuleide de Sousa, o lançamento da Campanha foi uma forma educativa de conscientizar as pessoas do cumprimento da Lei 9.503, do Código Nacional de Trânsito, em que 2% dos estacionamentos devem ser destinados a pessoas com deficiência. “Estamos aqui orientando a respeito do estacionamento das pessoas. O pouco que eles possuem, deve ser respeitado. Nós estamos sempre tentando sensibilizar e educar as pessoas”, explicou a gerente.
As ações foram realizadas no período da manhã, de 6h30 às 9h30, com abordagem e explicações sobre a campanha através de panfletos. Os principais pontos abordados foram o respeito ao espaço exclusivo das pessoas com deficiência, como no transporte público; o cartão preferencial e as vagas exclusivas em estacionamentos para essa parcela da população. De acordo com o secretário do Seid, Mauro Eduardo, apesar da quantidade de espaços destinados às pessoas com deficiência, ainda há dificuldades de se encontrar uma vaga.
“Na verdade é uma campanha que a Seid vem fazendo em todo o estado. Hoje nós temos várias vagas para pessoas com deficiência, mas nós que somos pessoas com deficiência nunca conseguimos estacionar. Sempre está ocupada nossa vaga. O objetivo da Campanha é que as pessoas repeitem, porque só sabe quem precisa da vaga, que no caso é um cadeirante ou uma mãe com um filho com deficiência intelectual”, comentou o secretário.
Além do Detran e do Seid, a campanha também é em conjunto com a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (Strans), com o objetivo de fazer-se cumprir a lei e penalizar os motoristas que estacionam em vagas para deficientes. A penalidade é classificada como grave e resulta em multa e nos cinco pontos na carteira de habilitação. Já a pessoa com deficiência que necessite de seu espaço, deve obter o Cartão Preferencial. A pessoa deve ir até o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), com o laudo médico e os documentos pessoais, e solicitar seu cartão. A instituição encaminha para a Strans, que providencia o direito da pessoa utilizar o estacionamento exclusivo.
Fonte: jornal.meionorte.com - Imagem Internet Ilustrativa

Homem passa 2 anos plantando milhares de flores para sua mulher com deficiência visual poder cheirar

KurokiLove1

Se existe uma coisa que nos inspira aqui no Hypeness é ver pessoas que encaram tragédias de uma forma positiva e, apesar dos medos e tristezas que sempre acontecem, conseguem supera-los e mostrar ao mundo o lado bom da vida.

O senhor Kuroki é nossa mais recente inspiração. Após ter vivido uma existência feliz com sua mulher, ambos como trabalhadores rurais em Shintomi, cidade japonesa, ele precisou encarar uma nova realidade: estar casado com uma pessoa deprimida. A senhora Kuroki ficou assim após complicações causadas pelo diabetes lhe terem retirado a visão. A partir daí, a senhora passou a se fechar em casa, sem vontade de viver o mundo lá fora.

O marido, tentando achar uma forma de levar alegria para sua amada, decidiu plantar um incrível – e gigante – jardim, onde ela pudesse aproveitar toda a sua beleza, ainda que usando outros sentidos que não a visão. Após 2 anos de intenso trabalho, o jardim privado faz agora sucesso e é procurado por pessoas que gostariam de conhecer de perto esta tocante prova de amor.

Olha só:




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

"Povo fantasma": comunidade de albinos convive com o medo de ser mutilada e morta por caçadores

Em algumas partes do país, acredita-se que essas pessoas são seres mágicos

Do R7

Foto: Reprodução/ Daily Mail



Uma série de imagens em preto e branco produzidas pelo fotógrafo Claudio Simunno durante sua passagem pela Tanzânia revela o cotidiano do "povo fantasma", como são conhecidos os albinos do país.

Essas pessoas convivem diariamente com o medo de serem perseguidos e mutilados por caçadores.

Em algumas partes do país, os caçadores de albinos cortam os cabelos, braços, pernas, pele, olhos e órgãos genitais de suas vítimas, com o objetivo de usar essas partes de seus corpos em feitiços e poções preparadas por curandeiros tribais.

As consequências para as vítimas são graves — frequentemente elas são deixadas para morrer agonizando após os ataques.

A Tanzânia tem a maior proporção de albinos em relação à sua população de todo o continente africano.

Um em cada 1.400 bebês nascidos no país é albino.

Acredita-se que o grande número de albinos no continente africano se deve ao grande número de relacionamentos entre membros da mesma família na região no mundo, a condição afeta aproximadamente uma em cada 20.000 pessoas.

O albinismo é resultado de uma condição genética causada por uma redução da melanina no corpo.

A melanina é o pigmento que dá cor à pele, cabelos e olhos dos seres humanos.

O fotógrafo italiano Claudio Simunno fotografou a comunidade de albinos conhecida como zeruzeru durante uma visita à Tanzânia em novembro do ano passado.

Ele passou 20 dias na região de Shinyanga, visitando diversas aldeias com um grande número de residentes albinos, além de um orfanato criado especificamente para crianças albinas que fogem de perseguições.

Simunno conta que decidiu visitar o país com a intenção de fotografar o "povo fantasma".

A pobreza e a ignorância levam as pessoas do leste da zona rural da África a se refugiar em uma superstição que acredita que os albinos são seres mágicos.

Alguns africanos acreditam que fazer sexo com um albino pode curar a AIDS, o que faz com que essas pessoas sejam vítimas constantes de estupros inclusive as crianças.

Em algumas áreas, eles são vistos como um castigo dos deuses ou um portador do mau-olhado. Em outras, as partes de seus corpos são usadas ​​como talismãs ou ingredientes para criar poções com o objetivo de curar doenças e trazer boa sorte nos negócios.

Na imagem, um grupo de crianças albinas brinca em um orfanato protegido por um muro alto coberto de arame farpado.

Crianças do orfanato brincam juntas na Tanzânia.

Um homem albino posa com sua família ele é o único que sofre da condição rara.

Uma família de albinos posa para a foto na Tanzânia.

Fonte:  noticias.r7.com

Em imagens: Deficiência de dança no Montem Leisure Centre

por: Ricardo Shimosakai

                    Cadeira de rodas usuários acertar o dancefloor na quarta-feira e aprendeu alguns movimentos novos.
Cadeira de rodas usuários acertar o dancefloor na quarta-feira e aprendeu alguns movimentos novos.

Cerca de 14 pessoas apareceram para a aula da professora de dança Gemma Hayward na Montem Leisure Centre.

Gemma, 27, que foi executado as classes desde dezembro, disse: "É uma grande experiência.

"A dança pode dar confiança às pessoas, fazê-los felizes e melhorar a flexibilidade e mobilidade, por isso é realmente grande para cadeiras de rodas.
"As pessoas que vêm junto realmente desfrutar. carer um cavalheiro mais velho disse que nunca tinha visto rir e sorrir muito ".

Slough Borough Council recebeu financiamento no ano passado da Sports England para executar um Get programa Slough ativo e com o dinheiro, eles se alistou empresa de Gemma, Key Actuate, para executar as lições Deficiência dança.

As aulas são gratuitas e abertas a qualquer pessoa com qualquer tipo de deficiência e executado a partir 10.30-11.30am às quartas e sextas-feiras.

Fontes: Slough Expresso - turismoadaptado.wordpress.com


Cresce mercado de turismo adaptado para pessoas com deficiência

por: Ricardo Shimosakai

                    Ricardo Shimosakai em visita técnica no Mini Mundo em Gramado, um dos destinos acessíveis mais bem preparados pela Turismo Adaptado
Ricardo Shimosakai em visita técnica no Mini Mundo em Gramado, um dos destinos acessíveis mais bem preparados pela Turismo Adaptado

O mercado brasileiro de turismo faturou R$ 11,9 bilhões em 2014, de acordo com a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), valor 6,7% maior na comparação com 2013. Nos próximos seis anos, o setor deve receber investimentos que somam R$ 12 bilhões. Boa parte do contingente de viajantes é de pessoas com algum tipo de deficiência – situação que atinge quase 24% da população brasileira.
Quando se trata apenas de São Paulo, o Estado responde por 43,8% do faturamento com turismo no País e recebe 29% dos viajantes domésticos, segundo a Secretaria de Turismo paulista. São números que mostram o potencial do público a ser atendido, caso os empreendedores do segmento façam as adaptações necessárias para esse cliente.
Para o Conselho de Viagens e Eventos Corporativos da FecomercioSP, no setor de viagens (tanto de lazer como corporativas), toda a cadeia produtiva, desde hotéis, companhias aéreas, empresas de transporte e demais, precisam estar preparadas para atender o viajante com deficiência. E não se trata somente de adaptações na estrutura física: tão importante quanto é a qualificação do atendimento na prestação de serviços.
Dois exemplos de empreendimentos que investiram no atendimento a pessoas com deficiência são a operadora Turismo Adaptado e os hotéis-fazenda Parque dos Sonhos e Campo dos Sonhos (localizados em Bueno Brandão-MG e em Socorro-SP, respectivamente).
O fundador da Turismo Adaptado, Ricardo Shimosakai, conta que abriu a empresa após sofrer uma lesão medular em 2001 e ser incentivado por amigos a preparar roteiros de viagens específicos para esse público, já que mesmo após perder o movimento das pernas não deixou de viajar. A empresa foi fundada oficialmente em 2004.
A operadora de turismo, apesar de não atender apenas pessoas com deficiência, recebe pelo menos um pedido de cotação por dia desse público específico. Os destinos mais comuns são praias e locais rodeados pela natureza, e o viajante costuma ir acompanhado de família ou amigos.
Para desenhar o roteiro, Shimosakai considera se as condições de acessibilidade do local escolhido estão de acordo com a vontade do viajante. Por exemplo, se o desejo é ir a uma cidade onde o transporte não oferece acessibilidade, ele sugere um destino similar, mas com opções mais viáveis – ou se o cliente está disposto a enfrentar algumas dificuldades, encoraja-o.
Ele diz que o melhor incentivo para os estabelecimentos tornarem os locais mais acessíveis é a demanda. “Se perceberem que as pessoas com deficiência estão tentando e indo, começam a pensar se o local é realmente adequado. Falo sempre para os clientes reclamarem se não gostarem de algo. Com educação, é claro. Mas dizer é importante, porque muitas vezes os estabelecimentos não percebem que não são acessíveis”, destaca.
No caso dos hotéis-fazenda Parque dos Sonhos e Campo dos Sonhos, o empreendimento participou de projetos – criados por meio de legislação – que visavam adaptar atividades de turismo de aventura para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e tornar acessíveis logradouros públicos.
Hoje, ambos são acessíveis. No Parque dos Sonhos, as 27 acomodações disponíveis, entre apartamentos e chalés, são adaptadas para diversos tipos de deficiências. Mais de 80% das construções têm rampas, o que facilita o deslocamento. Por todo o hotel há sistemas de corrimão, mapas táteis, placas em braile e pisos especiais com relevo para sinalização, entre outros itens.
Nas atividades oferecidas, grande parte é executada com equipamentos de acessibilidade, como a cadeirinha adaptada a pessoas paraplégicas e tetraplégicas usadas na tirolesa, selas especiais de cavalo, suporte para a tirolesa voadora e assento aquático para atividades feitas nas piscinas e na Cachoeira dos Sonhos.
Com isso, conta o proprietário José Fernandes Franco, o hotel acabou atraindo outros tipos de públicos, como idosos, pessoas com bebês e crianças pequenas e quem viaja com animais de estimação. As adaptações agradam todos esses segmentos, já que rampas facilitam a locomoção de carrinhos de bebês; a altura de camas e tomadas e barras de segurança no banheiro ajudam os idosos; e os quartos com canis integrados (originalmente criados para receber cão-guia) são favoráveis aos viajantes que levam seus animais.
“Acessibilidade é muito mais ampla do que imaginamos, e quando a incorporamos, resolvemos questões de maneira mais ampla. Qualquer lugar que recebe público está sujeito a hospedar vários segmentos”, comenta Franco. Com isso, em 2015, os dois hotéis receberam mais de 4 mil pessoas com deficiência e o nível de ocupação passou de 60% para cerca de 90%.
Fontes: Fecomercio - turismoadaptado.wordpress.com


Continuidade da “Multa Moral”

Por: Acessibilidade na Prática


Em outubro de 2014, fizemos um financiamento coletivo para arrecadar o dinheiro necessário para custear 2000 bloquinhos (100.000 multas). A meta do financiamento era de R$ 7.000,00, pois, além dos R$ 5.200,00 para a confecção do material gráfico, tínhamos de arcar com a comissão do site de financiamentos (13%), camisetas para os doadores e despesas com Correios. Na época, além de termos atingido a meta do financiamento, a gráfica nos presenteou com mais 1000 bloquinhos, ou seja, aplicamos quase 150.000 multas em um ano!

Foto: Fábio Wanderson
multa mora ribeirao das neves fabio wanderson

No decorrer de 2015, a “Multa Moral” se estabeleceu oficialmente em mais de 30 cidades brasileiras, envolvendo estudantes, profissionais, empresas, associações, entusiastas da acessibilidade e pessoas com deficiência. Essa união de forças deu corpo e visibilidade à iniciativa, despertando, inclusive, interesse por parte das imprensas locais e nacional.

Além dos excelentes frutos colhidos, adquirimos várias experiências com todo esse trabalho, das quais queremos ressaltar três:

1) Amigos de cidades pequenas e entusiastas “solitários”, distantes de Campo Grande (MS), optaram por imprimir as multas em pequenas quantidades em suas próprias cidades (alguns até em impressora comum), pois era inviável o envio de material em pouca quantidade. Essas cidades não estão listadas no blog;

2) A despesa com Correios é alta! Como não temos como emitir uma nota fiscal para cada material enviado, não podemos enviá-lo por transportadora, que seria bem mais barato;

3) As cidades de Belo Horizonte, João Pessoa e Londrina estão com pessoas muito engajadas na iniciativa, a ponto de conseguirem patrocínio e imprimirem as multas em grande quantidade e na própria cidade.

Assim, depois de conversarmos com os responsáveis pela “Multa Moral” de várias cidades e refletirmos sobre a viabilidade de cada cidade imprimir suas próprias multas, chegamos à conclusão de que o trabalho deve continuar como está: ter um estoque de material disponível e, caso alguma cidade participante tenha uma demanda “acima da média”, seus responsáveis podem se mobilizar para confeccionar o material numa gráfica local, já que as despesas com frete seriam muito altas.

Com a decisão de manter a iniciativa nesse formato, iniciamos uma mobilização entre nossos amigos e entusiastas da “Multa Moral” para arrecadarmos R$ 4.540,00, valor necessário para confeccionar mais 2000 bloquinhos (100.000 multas) e darmos continuidade à iniciativa. Novamente a união fez a força e conseguimos R$ 4.939,50 em doações! O valor excedente (R$ 399,50) será utilizado no custeio de material para locais com maior demanda, a serem confeccionados nas próprias cidades.

Queremos agradecer de coração aos amigos Camila Vicente, Duanne Moreira, Fabiano Rondon, Geovani Lopes Marques, Giuliana Duarte, José Piveta, Kamila Nantes, Luiz Henrique Archilha, Michelle Berbert Santos, Milena de Ré, Moacir de Ré, Mônica de Ré, Ronny Stward, Samuel Ferreira, Sabrina Baes e Vanessa Urias Matheussi que colaboraram conosco.

Muito obrigado também às empresas que acreditaram na nossa iniciativa:
Acreditando – Recuperação Neuromotora, Saúde e Bem Estar 
DR Diego Rios Advogados.

Se não fosse por esses doadores e tantas outras pessoas que nos apoiam de outras formas, a “Multa Moral” do Blog Acessibilidade na Prática não teria atingido toda essa repercussão em apenas um ano de existência.

Muito muito muito obrigado a todos!!!

Rio e São Paulo receberão a Seleção Brasileira de judô para a III Fase de Treinamento da modalidade em março

Campeão no Parapan de Toronto-2015, Abner Nascimento (à esquerda) é uma das esperanças brasileiras na modalidade para brilhar no Rio-2016
Abner Nascimento (de branco) é uma das esperanças brasileiras na modalidade para brilhar no Rio-2016

Prestes a dar início a mais uma etapa da preparação para a disputa dos Jogos Paralímpicos do Rio-2016, nesta quinta-feira, 18, em São Paulo, a Seleção Brasileira de judô foi convocada para a III Fase de Treinamento, que ocorrerá de 6 a 20 de março, nas cidades do Rio de Janeiro e novamente na capital paulista.
A terceira etapa terá início na cidade sede dos Jogos deste ano, logo após a disputa do Grand Prix Internacional INFRAERO da modalidade, em 5 de março. O intercâmbio com atletas de outros países vai até o dia 10, quando a delegação brasileira partirá para São Paulo, onde realizará os treinos no Centro de Referência.
Confira a lista de atletas e comissão técnica.
Atletas
Abner Nascimento de Oliveira – ADEVIRN/RN
Alana Martins Maldonado – AMEI/SP
Andreia Matos Canteiro – CESEC/SP
Antônio Tenório da Silva – CESEC/SP
Arthur Cavalcante da Silva – ADEVIRN/RN
Deanne Silva de Almeida – ADEVIBEL/MG
Halyson Oliveira Boto – CESEC/SP
Harlley Damião Pereira de Arruda – CESEC/SP
Karla Ferreira Cardoso – CEIBC/RJ
Lucia da Silva Teixeira Araújo – CESEC/SP
Luiza Guterres Oliano – ACERGS/RS
Mayco de Souza Rodrigues – ADVEG/GO
Michele Aparecida Ferreira – AJCS/MS
Rayfran Mesquista Pontes – CESEC/SP
Roberto Julian Santos da Silva – JC LARA/RJ
Wilians Silva de Araújo – CEIBC/RJ

Comissão Técnica
Alexandre de Almeida Garcia – Técnico
Caio Ricardo Lopes Paolillo – Auxiliar Técnico
Carolina de Campos – Psicóloga
Jaime Roberto Bragança – Coordenador
Luiz Edmundo Costa – Fisioterapeuta
Marcelo Simoni Ferro – Nutricionista
Marcos Augusto da Costa Vitullo – Fisioterapeuta
Roger Alves da Fonseca – Preparador Físico
Thiago Claudino Gomes Righetto – Médico

Com informações da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV).

Triste realidade: Homens abandonam mães de bebês com microcefalia em Pernambuco

Estadão Conteúdo

 MICROCEFALIA
Microcefalia vem gerando uma série de separações de casais em PE | REUTERS/Ueslei Marcelino

Em Pernambuco, Estado com maior número de notificações de microcefaliamuitas mães têm sido abandonadas pelos companheiros após descobrir que o filho do casal é portador da má-formação. Médicos ouvidos pela reportagem relatam que os casos são cada vez mais frequentes e afetam principalmente jovens em relações instáveis.
Médicos que trabalham no atendimento de pacientes com microcefalia contam que os homens têm mais dificuldade do que as mães para aceitar a deficiência do filho. "Eu me surpreendi com a quantidade de mães que estão cuidando do filho sozinhas, porque o pai simplesmente resolveu largar a família", conta uma pediatra que não quis se identificar. O rompimento também atinge relações mais duradouras.
Após dois anos de namoro e nove de casamento, a promotora de eventos Carla Silva, de 32 anos, foi abandonada pelo pai dos seus três filhos quando ainda estava internada na maternidade. O motivo, conta, era a condição da caçula, Nivea Heloise, que nasceu com menos de 28 centímetros de perímetro encefálico. "Ele me culpou por ela nascer assim. Disse que a menina era doente porque eu era uma pessoa ruim."
O casal se conheceu após ele começar a frequentar a mesma igreja evangélica que ela, em uma periferia do Recife. Carla havia acabado de sair de um relacionamento longo e até resistiu às investidas dele por quatro meses. Depois, começaram a namorar, se casaram e tiveram dois meninos, hoje com 3 e 5 anos. Durante a gravidez da caçula, porém, a relação já estava abalada.
Zika
A promotora de eventos contraiu o zika vírus no segundo mês de gestação. Pela TV, via os casos que associavam a doença à microcefalia e pensou que a filha, ainda no útero, poderia se tornar uma vítima. "Os exames não apontavam nada, mas eu fui me preparando", diz. Descobriu que a criança era portadora da má-formação logo depois do parto. "Não foi um choque. Eu vi e me tranquilizei." Mas o pai dela, não.
Nivea completa dois meses hoje, mas só foi registrada pelo pai 30 dias após o nascimento. "Pensei em fazer a certidão de nascimento como mãe solteira, mas minha sogra fez pressão até ele assumir", diz Carla. Desde dezembro, no entanto, o ex-marido não mora mais com a família. Também não responde a mensagens no celular e a bloqueou de um aplicativo de bate-papo, conta.
Com rotina de exames em hospitais, a filha tem demandado atenção integral de Carla durante o dia. Já as convulsões provocadas pela microcefalia não a deixam dormir de madrugada. "Ela chora muito, se treme inteira e contrai as mãos", afirma a mãe. A contar do nascimento de Nivea, ela ainda não conseguiu trabalhar. "Quando eu voltar, vai ser ainda mais difícil."
Indesejada
Para a infectologista pediátrica Angela Rocha, coordenadora do setor do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, que recebe a maior parte dos pacientes com microcefalia em Pernambuco, o problema de abandono dos pais afeta principalmente mulheres jovens, com relacionamentos instáveis e que tiveram uma gravidez indesejada.
"Normalmente, o homem tem essa dificuldade de assumir", afirma Angela. Segundo a infectologista, alguns rompimentos acontecem ainda antes de o casal descobrir que o filho tem microcefalia. "Em muitos casos, o parceiro já tinha se afastado na hora que engravidou. Em outros, quando a criança nasce."
Foi assim para a pequena Layla Sophia, de dois meses, que ainda não conhece o pai. "Foi uma gravidez inesperada, logo no começo do namoro da minha filha. Quando estava com seis meses de barriga, ele deixou ela", conta Iranilda Silva, de 45 anos, avó da criança.
A filha de Iranilda também contraiu o zika vírus durante a gestação. Para a família, natural de Ouricuri, no sertão de Pernambuco, a microcefalia era totalmente desconhecida. Mas nem a má-formação da criança a reaproximou do pai. "Ele sabe de tudo, até porque mora do nosso lado, mas nunca foi lá (ver a criança)", contou a avó de Layla Sophia.