sábado, 23 de julho de 2016

Grupo de dança inclusiva Corpo em Movimento em Niterói

                     O grupo possui cinco bailarinos com deficiência, e promete se superar mais uma vez com bastante acrobacias, técnicas aprimoradas e leveza
O grupo possui cinco bailarinos com deficiência, e promete se superar mais uma vez com bastante acrobacias, técnicas aprimoradas e leveza

O grupo de dança inclusiva Corpo em Movimento se apresentou com o espetáculo “Brasil Brasileiro”, no Teatro Popular Oscar Niemeyer, no Centro de Niterói

Corpo em Movimento
Fundada pela Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF), a companhia de dança tem em suas principais apresentações: Cerimônia de Encerramento das Paraolimpíadas de Londres em Londres, Encerramento da Copa das Confederações no Maracanã e Abertura do lll Prêmio Rio sem Preconceito – Teatro Oi Casa Grande.

Ritmo, suavidade, beleza e plasticidade, são os fundamentos do grupo. Dentre os objetivos destaca-se a proposição de uma imagem diferente da pessoa com deficiência, permitindo um redimensionamento social dos seus próprios corpos, reduto maior do estigma e do preconceito.

Em 2016 daremos início nas apresentações do nosso 3º espetáculo, o grupo de dança inclusiva Corpo em Movimento, apresenta Brasil Brasileiro que mescla diversos ritmos do nosso pais em um encontro cultural entre nossas regiões de uma maneira plástica, performática e dinâmica.

Com 9 bailarinos, sendo destes 5 pessoas com deficiência, o grupo Corpo em Movimento promete se superar mais uma vez com bastante acrobacias, técnicas aprimoradas e leveza.


Fontes: Sopa Cultural - turismoadaptado.wordpress.com

POKÉMON GO VEM AJUDANDO PESSOAS COM ESPECTRO DO AUTISMO



Além de divertido, o jogo mais famoso do momento está ajudando na socialização de pessoas com espectro do autismo. Uma das maiores lutas dos familiares é conseguir tirá-los de casa para fazer exercício ou conviver com outras pessoas. Até que foi lançado o Pokémon Go.

landscape gaming pokemon go
Muitos pais estão animados com as mudanças nas atitudes de seus filhos. Agora, eles pedem para irem à biblioteca, parques, escolas e até praias para capturarem seus Pokémons com o celular. Confira alguns trechos de um emocionante relato:

"Nos últimos 6 anos temos ido à mesma casa de praia no verão. Todos os anos, meu filho Jack, de 10 anos, odiava sair de casa. Ele ficava ansioso quando fazíamos coisas novas ou íamos a lugares diferentes. Ele mal podia tolerar a praia e o calçadão. Este ano, minha filha de 17 anos mostrou para ele o jogo Pokémon Go e Jack mudou. A praia virou o lugar onde ele pode pegar Pokémon, então é para lá que ele quer ir. Nesse processo, ele também aprendeu a se divertir na praia, construindo castelos de areia com sua irmã. Essa foi a primeira vez que vi meu filho se jogar nas ondas e gritar de emoção."
"Jack e eu estávamos voltando para casa, quando um grupo de crianças pré-adolescentes em suas bicicletas pararam perto de nós, gritando enquanto tentavam pegar um Bulbasaur. Em vez de se virar e esperar que eles não o notassem, Jack pegou seu celular e também tentou capturar o Bulbasaur. As crianças partiram, mas Jack se sentiu incluído."
"Obrigada Pikachu!"

Fontes: Trechos retirados do relato de Grace Grinnell do site www.themighty.com - olhanosaqui.com.br

Noiva interpreta para o pai Deficiente Auditivo a música da primeira dança




A primeira dança da noiva com o pai costuma ser um dos pontos altos de uma festa de casamento. E uma noiva de Ohio, nos Estados Unidos, conseguiu tornar esse momento ainda mais emocionante. Julie Finkel planejou uma surpresa para o pai, Scott, que é deficiente auditivo, e apareceu num telão interpretando a canção que escolheu para dançar com ele.

"Acho que eu já usava linguagem de sinais antes de falar", disse a recém-casada ao InsideEdition.com. "Quando não encontro uma palavra em inglês, sei exatamente como dizer em sinais. Às vezes, até sonho em linguagem de sinais", contou.

Tanto o pai quando a mãe de Julie são deficientes auditivos e ela contratou uma intérprete de sinais para a cerimônia. Mas a jovem quis garantir que a dança com o pai fosse especial. Então, ela mesma interpretou a música "My wish", do grupo Rascal Flatts, e a imagem foi projetada no telão. O pai não sabia de nada e ficou paralisado de emoção.

"Ele não sabia de nada. Ele sorria muito e parecia estar em êxtase. No fim da canção, ele não conseguiu conter as lágrimas", relembrou Julie. "Eu mostrei a ele que tenho orgulho dele, mesmo que ele já soubesse".

Assista o vídeo a seguir:




Seleção de Futebol de 5 se prepara para a Paralimpíada com o retorno de Ricardinho

                            Seleção de Futebol de 5 se prepara para a Paralimpíada com o retorno de Ricardinho
Foto: Ricardinho marcou na final do Parapan de Toronto contra a Argentina (Foto: Fernando Maia/CPB/MPIX)

A Seleção Brasileira de Futebol de 5 se concentra a partir desta sexta-feira (22), na Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos – Andef, Niterói/RJ, para a VII Fase de Treinamento. Este será o primeiro período de treinos dos atletas após o anuncio dos convocados para os Jogos Paralímpicos Rio 2016.

A última etapa da preparação tem a volta do craque Ricardinho, melhor jogador do mundo. O capitão retorna à seleção após se recuperar de uma fratura na fíbula, na qual precisou passar por uma cirurgia em abril. Além do camisa 10 e dos nove companheiros que estarão na Paralimpíada, cinco atletas da seleção de jovens mais Mauricio Dumbo também foram convocados para os treinos.

Antes de seguirem para a Vila Paralímpica, a Seleção Brasileira ficará de 21 de agosto a 05 de setembro, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, para o período de aclimatação.

Sistema de convênios
A VII Fase de Treinamento da Seleção Brasileira de Futebol de 5 será realizada através do Projeto Siconv (Sistema de Convênios), numa parceria do Comitê Paralímpico Brasileiro com o Governo Federal.

Confira a lista dos convocados.

Goleiros
Luan de Lacerda Gonçalves – AGAFUC (RS)
Vinicius Tranchezzi Holzsauer – APADV (SP)

Fixo
Cássio Lopes dos Reis – ICB (BA)
Damião Robson de Souza Ramos – APACE (PB)

Alas
Gledson da Paixão Barros – APADV (SP)
Severino Gabriel da Silva – APACE (PB)
Tiago da Silva – URECE (RJ)

Pivôs
Jeferson da Conceição Gonçalves – ICB (BA)
Raimundo Nonato Alves Mendes – ADVP (PE)
Ricardo Steinmetz Alves – AGAFUC (RS)

Seleção de jovens + Dumbo
Jordan Soares dos Santos – APADEVI (PB)
Felipe Sabino – CEIBC (RJ)
Jonatan Felipe Borges da Silva – AGAFUC (RS)
Mauricio Tchopi Dumbo – AGAFUC (RS)
Maxwell Carvalho Valente – CEDEMAC (MA)
Thiago Nascimento Moreira – CEIBC (RJ)

Comissão Técnica
Fábio Luiz Ribeiro Vasconcellos - Técnico
Halekson Barbosa de Freitas - Fisioterapeuta
João Paulo Borin - Fisiologista
Josinaldo Costa Sousa - Auxiliar Técnico
Lucas Leite Ribeiro - Médico
Luis Felipe Castelli Correia de Campos - Preparador Físico
Vivian Maria dos Santos Paranhos - Nutricionista

Fonte: cbdv.org.br

Minha deficiência por minhas palavras

Recentemente, passei por duas situações que me fizeram pensar ainda mais sobre como eu me enxergo.

Por Nathalia Blagevitch*



Recentemente, passei por duas situações que me fizeram pensar ainda mais sobre como eu me enxergo. Trocar de fisioterapeuta e prestar um concurso público serviram de inspiração para esta coluna e para uma autoavaliação que divido com vocês aqui.

Nathalia, ainda criança e estrábica. Ela aparenta ter 8 anos de idade, é loira e veste uma regata preta.Na hora de fazer a inscrição para o concurso e assinalar a cota, precisei informar meu CID: no meu caso, o G802. Foi aí que resolvi pesquisar no Google para ver o que significava. Eis que veio a ‘paralisia cerebral hemiplégica espástica’. Nome grande, complicado, mas que, explicando em minhas próprias palavras, torna-se como o braço direito junto ao corpo e mobilidade reduzida.

Ao contratar o novo fisioterapeuta, ele pediu que fizesse um e-mail contando o meu histórico de cirurgias e tratamentos. Na hora em que eu estava escrevendo, ocorreu que algumas coisas eu sabia pelo nome técnico; outras, eu fui explicando com as minhas palavras. Como, por exemplo, a cirurgia de estrabismo, que, na minha explicação, é “a cirurgia que fez com que eu parasse de olhar para o meu próprio nariz”.

Toda essa convivência simples e leve entre mim e a minha deficiência não foi fácil, e tem dias que ainda não é fácil como parece. Mas acho que essas duas situações me mostraram que, apesar de nomes e peculiaridades de cada deficiência, o mais importante é como você se enxerga. Por isso, recomendo esse exercício: olhe para a sua deficiência sem deixar de olhar para você mesmo.

*Nathalia Blagevitch
Nathalia Blagevitch é palestrante, advogada, professora tutora de Direito do Trabalho e idealizadora do blogCaminho Acessível 

Site externo
Ela nasceu com hemiplegia, um tipo de paralisia cerebral que, neste caso, limita a mobilidade da parte direita do corpo. Biografada no livro Tente Outra Vez, do jornalista Rogério Godinho, atualmente, Nathalia é palestrante, advogada, professora tutora de Direito do Trabalho nos cursos preparatórios para o exame de Ordem do Damásio Educacional e estuda para o concurso de Magistratura do Trabalho. Sempre ligada aos temas acessibilidade e inclusão, no início de 2015, Nathalia lançou o Caminho Acessível, blog idealizado por ela para abordar temas diversos ligados à pessoa com deficiência, sem “coitadismos”


Quase 300 igrejas sob risco de serem fechadas por ignorarem prazo para adaptação de templos

Por Tiago Chagas



Quase 300 igrejas correm o risco de serem fechadas na cidade de Franca, interior de São Paulo, por falta de adequação dos templos à acessibilidade de pessoas com necessidades especiais.

O prazo vence no dia 24 de agosto, mas a pouco mais de um mês, 292 templos ainda não concluíram as obras necessárias, exigidas por lei. Dessa forma, estão correndo risco de serem interditados até que os trabalhos sejam concluídos.

O promotor de Justiça Fernando de Andrade Martins, responsável por uma investigação sobre a condição de acessibilidade dos imóveis, afirmou que há cinco anos vem tentando convencer os responsáveis pelos templos para que cumpram a lei.

“Fizemos a primeira reunião com representantes de todos os segmentos religiosos em 10 de agosto de 2011, quando foram alertados do dever de cumprimento dos requisitos de acessibilidade”, disse.

O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) firmou um convênio com o Ministério Público em 2012, para vistoriar os locais que precisavam passar por adaptações: “No final de 2013, tínhamos 382 imóveis periciados e apenas nove cumprindo a legislação”, revelou Martins. “Em julho de 2015, tínhamos 327 imóveis periciados e apenas 35 cumprindo a lei”, acrescentou.

Diante desse cenário, Martins convocou uma reunião, em fevereiro deste ano, estabelecendo seis meses para que as igrejas se adequassem. Mas, de acordo com o vereador pastor Otávio (PTB), a maioria dos templos continuam irregulares.

“Eu conversei com muitos pastores e colegas, e ainda existem entidades que não estão cumprindo a lei”, disse ele, que é sacerdote da Igreja Assembleia de Deus, que possui 56 templos na região, sendo oito ainda sem regularização, segundo informações do CGN.

O vereador fez um convite para cerca de 300 entidades religiosas, de todos os segmentos, para uma reunião na Câmara Municipal na próxima segunda-feira, 25 de julho: “A ideia é conscientizá-las da necessidade de adequação sob o risco de serem interditadas”, disse.

No entanto, o promotor Martins não irá à reunião, por considerá-la resultado do descaso dos líderes religiosos: “Eu fiz audiência coletiva, com explicações sobre os prazos e as consequências do seu descumprimento. Há quase cinco anos venho alertando os envolvidos, agora não vejo motivo para comparecer a esta reunião”, disse.

Regulamentada reserva de assentos para pessoas com deficiência na Olimpíada

Da Agência Brasil - Edição: Kleber Sampaio

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Diário Oficial da União publicou hoje (21) decreto que regulamenta lei que prevê reserva de assentos para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

O decreto regulamenta o art. 24 da Lei nº 13.284, de 10 de maio de 2016, que trata da reserva de assentos para pessoas com deficiência e pessoas com mobilidade reduzida e seus acompanhantes, em estádios, ginásios de esporte e outras instalações que sediarão ou apoiarão a realização de eventos dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016.

Os assentos destinados aos acompanhantes estão incluídos na proporção de, no mínimo, 4% de assentos para pessoas com deficiência e de 2% de assentos para pessoas com mobilidade reduzida. Os espaços e assentos reservados serão identificados no mapa de assentos localizados junto à bilheteria e nos sítios eletrônicos de venda de ingressos para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 e de divulgação.

A reserva de assentos será garantida até 15 dias antes da abertura oficial dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e 15 dias antes da abertura oficial dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016. Vencido o prazo estabelecido, as entidades organizadoras dos Jogos poderão disponibilizar para venda ao público em geral os assentos reservados e não vendidos.

Jogos paralímpicos: de onde vieram e para onde vão?

As primeiras disputas entre atletas com algum tipo de deficiência aconteceram há mais de um século. Hoje, a Paralimpíada é um dos eventos esportivos mais importantes do mundo

por Estúdio Globo

Margaret Maughan, medalha de ouro no tiro com arco nos primeiros Jogos Paralímpicos, em Roma (1960), participou da cerimônia de abertura da Paralimpíada de Londres  (Foto: Buda Mendes/GettyImages)MARGARET MAUGHAN, MEDALHA DE OURO NO TIRO COM ARCO NOS PRIMEIROS JOGOS PARALÍMPICOS, EM ROMA (1960), PARTICIPOU DA CERIMÔNIA DE ABERTURA DA PARALIMPÍADA DE LONDRES (FOTO: BUDA MENDES/GETTYIMAGES)

As primeiras disputas entre pessoas com deficiência de que se tem notícias datam de 1888. Elas aconteceram em Berlim, na Alemanha, onde clubes estimulavam a participação de surdos nos esportes. Mais tarde, lá pelos anos 1920, nos Estados Unidos, tiveram início atividades como natação e atletismo para atletas com deficiência visual. Mas foi somente depois da Segunda Guerra Mundial (1939‒1945) que as competições ganharam força.

O embrião foi formado a partir de 1944, na Inglaterra. Como os métodos tradicionais de reabilitação não poderiam atender às necessidades de um grande número de soldados com deficiência, o governo britânico pediu ao neurologista e neurocirurgião Ludwig Guttmann que criasse um centro especializado em lesões na coluna, no Hospital Stoke Mandeville. Além de usar a fisioterapia no tratamento, o médico recorreu ao esporte para motivar seus pacientes, começando por arremessos de bola para exercitar os membros superiores. A iniciativa gerou aumento de resistência física e de autoestima. E foi ali que a reabilitação por meio do esporte evoluiu de recreacional para competitiva.

Agora vamos aos fatos que levaram ao surgimento e ao crescimento dos Jogos Paralímpicos.


O NEUROLOGISTA LUDWIG GUTTMANN, ESPECIALIZADO EM LESÕES NA COLUNA, FOI O PIONEIRO DAS COMPETIÇÕES EM CADEIRA DE RODAS (FOTOS RAYMOND KLEBOE/GETTYIMAGES)

1948: lançados os Jogos de Stoke Mandeville. Enquanto acontecia a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em 29 de julho de 1948, Guttmann comandava a primeira competição de pessoas com deficiência. Dezesseis militares inscritos, entre homens e mulheres com algum tipo de lesão, participaram de um torneio de tiro com arco.

1952: a Holanda entra em cena. Militares holandeses foram convidados a participar dos Jogos de Stoke Mandeville, abrindo espaço para a primeira competição internacional para pessoas com deficiência. À medida que o esporte adaptado crescia, surgiam inovações para melhorar a vida dos atletas. A Guerra Fria e a corrida espacial alavancam o desenvolvimento do plástico e seus compostos: espumas de plástico e fibras de vidro começaram a ganhar espaço em hospitais, centros de terapia e na confecção de próteses.

1958: o Brasil dá os primeiros passos no esporte adaptado. Após sofrerem lesão medular em razão de acidentes, dois brasileiros procuraram serviços de reabilitação nos Estados Unidos que incluíam a prática esportiva. Na volta, Sérgio Serafim Del Grande, de São Paulo, e Robson Sampaio de Almeida, do Rio de Janeiro, fundaram associações onde inicialmente era praticado o basquete em cadeira de rodas. São eles os precursores do esporte adaptado ‒ ou seja, a prática de uma atividade esportiva adaptada para pessoas com deficiência ‒ por aqui.

1960: enfim, Jogos Paralímpicos. Oficialmente com esse nome, eles aconteceram em Roma, na Itália, com 400 inscritos de 23 países, imediatamente após os Jogos Olímpicos.

1964: surge a Organização Internacional Esportiva para Deficientes (ISOD, na sigla em inglês). A entidade passou a oferecer oportunidades para todo tipo de atleta com deficiência ‒ com problemas de visão, amputados, com paralisia cerebral e paraplégicos.

1972: Brasil estreia em Jogos Paralímpicos. Aconteceu em Heidelberg, na Alemanha, com um grupo de 20 atletas homens, que terminou sem medalhas. Outras 41 delegações marcaram presença no evento. Nos anos 1970, teve início também a era da popularização do plástico – material leve e flexível – no desenvolvimento de próteses mais confortáveis e próprias para a prática esportiva.

1976: a primeira medalha brasileira, nos Jogos de Toronto, no Canadá. A dupla Luiz Carlos Costa e Robson Sampaio Almeida estreou no pódio, com uma medalha de bronze, em uma prova de lawn bowls (espécie de bocha sobre grama). A partir dessa edição, cegos e amputados também entraram nas disputas.

1980: a vez de atletas com paralisia cerebral. Eles começaram nos jogos da cidade de Arhnem, na Holanda. Participaram 125 portadores de paralisia cerebral, 341 com deficiência visual, 452 amputados e 1.055 cadeirantes.

1984: 22 medalhas para o Brasil. Na edição que teve duas cidades sediando os jogos ‒ Nova York, nos Estados Unidos, e Stoke Mandeville, na Inglaterra ‒, o Brasil garantiu mais de duas dezenas de medalhas e terminou na 24a colocação no quadro geral de medalhas, com 7 ouros, 17 pratas e 4 bronzes.

1988: os Jogos Paralímpicos passam a acontecer na mesma cidade que os Olímpicos. Depois de várias edições com sedes diferentes, Seul, na Coreia, recebeu os dois eventos. E assim foi daí por diante.

1989: fundado o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês). A entidade, sem fins lucrativos, nasceu em Dusseldorf, na Alemanha, com o objetivo de atuar como órgão dirigente do movimento paralímpico global.

1992: Barcelona, um primor de organização. Grande parte da cidade-sede foi adaptada para receber confortavelmente 3 mil atletas, independentemente do tipo de deficiência. Três atletas brasileiros tiveram performances memoráveis: Luiz Cláudio Pereira, no arremesso de peso, Suely Guimarães, no lançamento de disco, e a velocista Ádria Santos, que ganhou seu primeiro ouro ao vencer a prova dos 100 metros.

1995: fundado o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A entidade foi criada tendo como principal função consolidar o movimento paralímpico no Brasil, difundindo o esporte de alto rendimento para pessoas com deficiência.

1996: a prótese Flex-Foot Cheetah é usada pela primeira vez na Paralimpíada de Atlanta, nos Estados Unidos. De fibra de carbono ‒ material flexível e de alta absorção de energia ‒ e inspirado na pata do guepardo, o modelo passa a ser a sensação nas pistas de atletismo.

2000: quebrados 300 recordes mundiais e paralímpicos. O palco dessas conquistas foi Sydney, na Austrália. Nessa edição, o Brasil conseguiu sua melhor colocação em Jogos Paralímpicos até então, com 6 medalhas de ouro, 10 de prata e 6 de bronze, ficando em 24o lugar no ranking final. Começava a trajetória de conquistas de uma nação paralímpica.

Margaret Maughan, medalha de ouro no tiro com arco nos primeiros Jogos Paralímpicos, em Roma (1960), participou da cerimônia de abertura da Paralimpíada de Londres  (Foto: Buda Mendes/GettyImages)
TEREZINHA GUILHERMINA É UMA DAS ATLETAS MAIS PREMIADAS DA HISTÓRIA PARALÍMPICA DO BRASIL, COM MEDALHAS EM ATENAS, PEQUIM E LONDRES (FOTO ROBERT DAEMMRICH/GETTYIMAGES)

2008: brasileiro leva 9 medalhas na natação em Pequim. Daniel Dias conquistou 4 medalhas de ouro, 4 de prata e 1 de bronze.Outro grande destaque foi a velocista Terezinha Guilhermina, que garantiu o ouro nos 200 metros e a prata nos 100 metros rasos. No futebol de 5, o Brasil sagrou-se bicampeão paralímpico. Com 47 medalhas no total, pulamos para a 9a colocação no ranking mundial.

2012: novas conquistas em Londres. Cumprindo a meta estabelecida pelo CPB, sob a gestão do presidente Andrew Parsons, o Brasil saltou do 9o lugar no quadro geral de medalhas em Pequim para o 7o, com 21 ouros. Essa edição ‒ que recebeu 4.200 atletas de 166 países ‒ foi marcada pela épica vitória do velocista Alan Fonteles sobre o sul-africano Oscar Pistorius nos 200 metros da classe T44. Nas competições e no dia a dia dos atletas, as próteses passaram a se mostrar ainda mais eficientes e personalizadas ‒ graças à utilização do plástico em sua composição, garantindo leveza, design e beleza. As próteses são um exemplo de como o plástico pode contribuir para soluções que permitem maior acessibilidade e qualidade de vida.

2016: a hora do Rio. Os Jogos Paralímpicos são o maior evento de esporte de alto rendimento para atletas com deficiência. Apesar disso, são enfatizadas mais as conquistas do que as deficiências dos participantes. A cerimônia de abertura no Rio está marcada para 7 de setembro e a cidade quer entrar para a história recebendo 4.350 atletas paralímpicos, de cerca de 170 países, que vão disputar 22 modalidades.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Condutora da tocha em São Paulo, Lais Souza convida fãs para as ruas

Em vídeo, ginasta se diz ansiosa pelo "momento mágico" de carregar a chama olímpica. O atleta paralímpico Fernando Fernandes também conduzirá a tocha

Por GloboEsporte.com São Paulo

Lais souza tocha olimpica cuidador (Foto: Divulgação/Coca-Cola)Lais e o cuidador William Campi no anúncio dos condutores da tocha (Foto: Divulgação/Coca-Cola)

Símbolo de superação e garra após sofrer um acidente que a deixou tetraplégica, a ginasta Lais Souza será uma das condutoras da tocha olímpica pela cidade de São Paulo. Durante a passagem da chama olímpica pela capital paulista, neste domingo, Laís carregará a tocha numa estrutura adaptada em sua cadeira de rodas.

Click AQUI para ver o vídeo:

Não vejo a hora de passar por este momento mágico e espero que muitas pessoas venham me acompanhar - convidou a atleta, que terá ao longo do percurso a companhia de seu cuidador, William Campi.

Lais integrou a equipe de ginástica artística nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012, antes de decidir praticar esqui para disputar os Jogos de Inverno de Sochi, em 2014.

Outro destaque do esporte que também terá a chance de conduzir a tocha olímpica neste domingo é o atleta paralímpico Fernando Fernandes. O ex-participante do Big Brother Brasil passou a dedicar-se à canoagem paralímpica após um acidente de carro em 2009 e, desde então, sagrou-se tetracampeão mundial da modalidade.

                   Imagem Internet/Ilustrativa
                        
                   Fernando Fernandes. O ex-participante do Big Brother Brasil

Considero esse um momento de esperança. Os Jogos são transformadores e o fogo simboliza essa energia - comentou.

Esporte Adaptado muito mais que saúde

Após a Segunda Guerra Mundial, a atividade física passou a fazer parte da reabilitação de soldados que voltavam a seus países com mutilações e deficiências. E só trouxe benefícios: além de prevenir o aparecimento de doenças, agregou ganhos sociais e psicológicos

Estúdio Globo (Publieditorial)

A atividade física desenvolve força, coordenação, flexibilidade, entre outras habilidades (Foto: ALEXANDRE BATTIBUGLI)
A atividade física desenvolve força, coordenação, flexibilidade, entre outras habilidades (Foto: Alexandre Battibugli)  

O esporte adaptado, ou seja, a prática de uma atividade esportiva adaptada para pessoas com deficiência ‒ por exemplo, basquete em cadeira de rodas ‒, mostrou-se um eficiente instrumento de reabilitação e promoção de saúde desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados voltavam para seus lares com mutilações e deficiências.

O fato é que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática regular de exercícios ‒ cerca de 30 minutos, três ou quatro vezes por semana ‒ contribui para a melhora de qualidade de vida de qualquer pessoa: aumenta a resistência, mantém o peso saudável e previne doenças. E, para a pessoa com deficiência, é ainda mais importante por ajudar a evitar o aparecimento de problemas secundários, como obesidade, e controlar distúrbios crônicos já instalados, como hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia (colesterol ou triglicérides altos) e cardiopatias. "A atividade física pode impactar na menor necessidade de medicamentos e internações”, diz Ciro Winckler, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador técnico de atletismo do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Outro ganho é o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de habilidades para quem convive diariamente com limitações. O indivíduo que tem paralisia cerebral, por exemplo, sofre com falta de equilíbrio; o deficiente visual tem dificuldade de orientação espacial. As diversas modalidades de exercícios ajudam a trabalhar força, coordenação, flexibilidade, equilíbrio, agilidade e coordenação motora. "Esse conjunto contribui para que a pessoa seja mais independente e tenha mais autonomia no dia a dia", diz o treinador Mário Mello, representante da Achilles International no Brasil, organização sem fins lucrativos que tem como objetivo motivar atletas amadores com deficiência a praticar esportes.

Para Winckler, no entanto, um dos maiores benefícios do esporte na vida da pessoa com deficiência é tirá-la de casa, ajudando a estabelecer novos vínculos e a traçar novos objetivos. "Familiares, médicos, fisioterapeutas devem estimular. Mas é preciso que ele tenha vontade e encontre uma modalidade de seu interesse", diz o professor.

O resgate da autoestima também é um ganho importante. "Muitos chegam tristes, achando que a vida acabou. E o esporte transforma! É uma excelente ferramenta para o indivíduo redescobrir seu valor, acreditar em suas possibilidades e melhorar sua autoestima", afirma Mello. E mais: o exercício ajuda a diminuir a ansiedade e a combater a depressão, graças ao aumento das doses de endorfina e serotonina ‒ neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer, bem-estar e de alívio da dor ‒ no organismo após o esforço.

Mesmo quem tem mobilidade muito reduzida pode se dedicar à prática esportiva. Existem diversas modalidades ‒ nos Jogos Paralímpicos, por exemplo, são 22 opções, praticadas por atletas com os mais variados graus de comprometimento. No entanto, é essencial que toda orientação seja feita por médicos, fisioterapeutas e educadores físicos aptos. Independentemente do desempenho, os benefícios físicos, psicológicos e sociais são garantidos.

Da depressão à ultramaratona


À esquerda, Paulo de Almeida cruza a linha de chegada da Comrades com a prótese na mão. À direita, comemora após uma prova de triatlo  (Foto: ARQUIVO PESSOAL)
À esquerda, Paulo de Almeida cruza a linha de chegada da Comrades com a prótese na mão. À direita, comemora após uma prova de triatlo (Foto:Arquivo Pessoal)

Há 19 anos, o metalúrgico Paulo de Almeida sofreu um grave acidente de trabalho. "Fui manobrar uma empilhadeira, que capotou e esmagou meu pé direito. No hospital, fui informado que teria de amputar a perna abaixo do joelho. A ficha demorou a cair", conta. Passou por cirurgias e sessões de fisioterapia e enfrentou momentos de angústia e depressão por não aceitar a amputação. Até que um dia, assistindo a um programa de esporte na televisão, viu um atleta competindo com prótese. "No dia seguinte, comecei a buscar informações. No início, não foi fácil, pois minha prótese machucava."

Mesmo sem equipamento adequado, começou a dar suas corridinhas ‒ antes do acidente, ele só jogava futebol com os amigos. Até tomou conhecimento de modelos importados, com tecnologia específica para o esporte, porém custavam caro. Assim, seguiu participando de corridas de rua ‒ inclusive uma maratona, que concluiu em quase seis horas. Mas, com a mídia divulgando seu feito, as coisas começaram a mudar. Em 2000, surgiu a oportunidade de fazer a Maratona de Nova York, convidado pela Achilles International, com direito a uma prótese específica para corrida. E cumpriu os 42 quilômetros na Big Apple em 3h28m, consagrando-se campeão em sua categoria.

Hoje, aos 50 anos, Almeida tem no currículo 50 maratonas internacionais, algumas competições de triatlo e ultramaratonas. "Minha maior conquista foi ter completado a Comrades, prova de 89 quilômetros na África do Sul. Como alguém vai chamar um deficiente de coitadinho se ele correu essa distância? Busquei a igualdade por meio do esporte e mostrei até onde se poder chegar mesmo sem parte do corpo", diz.

Surge uma paratleta


Danielle Nobile: a paixão pela corrida a ajudou nos momentos mais difíceis (Foto: ARQUIVO PESSOAL)
Danielle Nobile: a paixão pela corrida a ajudou nos momentos mais difíceis (Foto: Arquivo Pessoal)

A professora Danielle Nobile, de Ribeirão Preto (SP), 30 anos, sempre foi apaixonada por esportes, especialmente corrida de rua. Em 22 de outubro de 2012, um acidente de carro mudou sua vida. "Fui olhar a hora no relógio de pulso e perdi o controle do carro. Capotei e bati na mureta de concreto que dividia as pistas. O resgate chegou rápido e o bombeiro perguntou se eu conseguia sair do veículo sozinha. Mas não consegui nem tirar o cinto de segurança. Achava que era só cansaço de tanto chacoalhar no capotamento, mas já estava tetraplégica", conta.

A jovem teve uma lesão medular na altura da C7, a sétima vértebra do pescoço. "Fiquei com todas as funções neurológicas e musculares e os movimentos comprometidos do pescoço para baixo. "Ela passou a morar com os pais e a depender deles para tudo. E trocou o esporte pela fisioterapia.

Três meses após o acidente, foi encaminhada ao Hospital Sarah, referência em reabilitação, em Brasília. Apesar de ter lesão alta e ser considerada tetraplégica, Danielle recuperou parte dos movimentos das mãos. "No hospital, aprendi como me tornar mais independente. E foi lá que um educador físico me colocou, pela primeira vez, em uma handbike (tipo de bicicleta pedalada com as mãos).".

A sensação de retomar a atividade física foi a melhor do mundo. "O esporte me salvou emocionalmente, não deixando a tristeza me pegar e não permitindo que me entregasse – eu tinha algo por que lutar", conta. Ela ressalta também os ganhos físicos. "Cadeirantes já têm problemas de intestino, de bexiga, de excesso de peso... E eu ia querer colesterol alto, hipertensão, diabetes? Claro que não! Por isso, decidi me cuidar.".

Esgrima, atletismo de campo (arremesso de peso, lançamento de dardo e de disco), natação e até vela foram algumas das atividades que experimentou. "Mas gosto mesmo de triatlo e corrida de rua. Sou campeã brasileira de paratriatlo 2015 e acabei de completar minha primeira maratona, em Porto Alegre", conta Danielle, que hoje é paratleta.

Fonte: epoca.globo.com



China lidera quadro de medalhas na Esgrima em cadeira de rodas

China dominou a cadeira de rodas Internacional e Amputado Sports Federation (IWAS) Asiática cadeira de rodas Esgrima  Championships 2016, que concluiu no domingo (10 de abril), em Hong King, China.

por: Por HKPC & SAPD e IPC

                             

China capturado medalhas de ouro em Espada individual feminino ( categoria A  e B) e eventos da equipe de espada dos homens no último dia do torneio. Eles superou o quadro de medalhas com 11 ouros, seis pratas e oito bronzes. Hong Kong foi o próximo, com 15 medalhas (uma de ouro, cinco pratas e nove bronzes).
No feminino Espada Individual  categoria A  evento, da China Jing Bian garantiu o ouro, adiando compatriota Xufeng Zou 15-13 na final. Zou havia derrotado anteriormente campeão paraolímpico de Hong Kong Yee Yu Chui nas meias-finais. Chui e da China Chuncui Zhang dividiu o bronze.
Zou, porém, foi triunfante nas mulheres folha de  categoria A , derrotando o compatriota Jing Rong 15-10 na final. Chui e Zhang conquistou o bronze.
Da China Jingjing Zhou ficou com o ouro no indivíduo espada das mulheres  B categoria de  evento em comandando forma, derrotando a Coreia do Sul Ah Kim Jung 15-5 na final. De Hong Kong Chong Chan Yui e da China fang Yao levou o bronze.
Hong Kong encontraram ouro em folha das mulheres  da categoria B , onde Chong Chan Yui gumes Zhou 15-12 na final. De Hong Kong Ping Chung Yuen e Yao deixou com bronze.
Na competição masculina, da China Jianquan Tian deixou o Campeonato Asiático com duas medalhas de ouro (sabre e espada  da categoria A ). Tian derrotou o compatriota Yujun Chen na 15-8 no sabre. De Hong Kong Fung Chi Ng e da China Ryuyi Ye levou o bronze.
Tian também derrotou o Iraque Zainulabdeen Al-Madhkhoori na espada final de 15-8.da China Gang Sun e de Hong Kong Tat Wong Tang capturou o bronze.
Sun fez de ouro de captura nos homens folha de  categoria A , expulsando Chen 15-4.
Da China Yanke Feng ficou com o ouro dobro nos homens papel alumínio e sabre categoria B . De Hong Kong Sum Tam Chik foi medalhista de prata atrás de Feng no sabre masculino, seguido por Adam Salleh Muhammad da Malásia e Azrul Shaharuddin Mohammad.
da China Daoliang Hu foi segundo atrás de Feng na folha. do Iraque Amar Ali e de Hong Kong Ching Chung Ting dividiu o bronze.
Ali havia vitória no masculino espada  da categoria B , derrotando Chik 15-8 na final.Ting e Daoliang compartilhada pelo terceiro lugar.
China triunfou em eventos da equipe todos os três homens.
Os resultados completos dos  Iwas cadeira de rodas asiática Fencing Championships 2016 podem ser encontradas no site do evento . O Comitê Paraolímpico & Sports Association Hong Kong para a deficientes motores (HKPC & SAPD) sediou o evento.

Cadeirante constrói rampa em calçada e é multado em mais de R$ 2 mil

Foto: Reprodução

Um cadeirante foi multado em R$ 2,9 mil pela Prefeitura de São Paulo após construir uma rampa de acesso na calçada de sua casa, sem o aval da administração. O homem é portador de paralisia cerebral. A Justiça foi acionada por ele e determinou o cancelamento da punição.

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Danilo Panizza manteve a sentença de cancelamento e afirmou que a Constituição Federal assegura prioridade à pessoa portadora de necessidades especiais.

“Ao impetrante não cabe nenhuma sanção, posto que a Constituição Federal determina ao Poder Público que assegure, com absoluta prioridade à pessoa com deficiência, os direitos básicos de cidadania, dentre os quais os direitos à dignidade, à saúde e à convivência social”, escreveu.

USP abre inscrições para curso voltado para o cuidado com a Síndrome de Down

Foto: Divulgação
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Universidade de São Paulo (USP) abriu inscrições, até o dia 26 de agosto, para o curso a distância de atualização profissional para o cuidado da Síndrome de Down. Através da Escola de Educação Permanente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina, a iniciativa é uma parceria da USP com o apoio do Instituto Alana.
O curso tem como objetivo fortalecer políticas públicas nacionais relacionadas ao Programa Viver sem Limites, dedicado à qualificação do cuidado de pessoas com deficiência, e também de projetos internacionais como o Relatório mundial sobre deficiência, da Organização Mundial de Saúde, e a Convenção dos direitos das pessoas com deficiência.
Alguns dos temas do conteúdo programático são: o caminho da inclusão, a competência profissional no cuidado à saúde integral e compartilhada da pessoa com síndrome de Down, o uso de recursos pessoais e da comunidade, entre outros temas. Também haverá módulos específicos para cada área da saúde, que abrange os temas de estimulação global, desenvolvimento infantil, adolescentes e os desafios da vida adulta e do envelhecimento na síndrome.
As aulas começam no dia 5 de setembro. O curso é gratuito e disponibiliza 150 vagas. Para mais informações, ligue ou mande um e-mail para: cursosmedicos.eep@hc.fm.usp.br ou (11) 2661-7025 / (11) 2661-2309.

Andrew Parsons: "O esporte muda a percepção da sociedade em relação às pessoas com deficiência"

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) fala sobre o trabalho que vem sendo feito com atletas paralímpicos e como isso fortalece o movimento por mais acessibilidade e menos preconceito

Estúdio Globo (Publieditorial)

Andrew Parsons: o gestor à frente do Movimento Paralímpico, que vem projetando o Brasil no mundo (Foto: Guto Gonçalves/Estúdio13)
Andrew Parsons: o gestor à frente do Movimento Paralímpico, que vem projetando o Brasil no mundo (Foto: Guto Gonçalves/Estúdio13)

O fluminense Andrew Parsons começou no Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em 1997, como estagiário de jornalismo. Entre 2001 e 2008, foi secretário-geral da entidade e, a partir de 2005, acumulou a presidência do Comitê Paralímpico das Américas. Em 2009, passou ao comando máximo do CPB e foi reeleito quatro anos depois, por aclamação. Sob sua gestão, o Brasil saltou do 9o lugar no quadro geral da Paralimpíada de Pequim (2008), com 16 medalhas de ouro, para o 7o nos Jogos de Londres (2012), com 21 ouros.

Seu trabalho é reconhecido como modelo de gestão esportiva. Junto com sua equipe, ele levou conhecimento técnico e encabeçou iniciativas que projetaram o esporte paralímpico brasileiro no mundo, conseguindo com isso também transformá-lo em eficaz ferramenta de inclusão e aceitação das pessoas com deficiência. A seguir, Parsons fala do funcionamento do CPB, do atual momento paralímpico, do legado dos Jogos no Rio de Janeiro e como tudo isso contribui para que a sociedade repense a relação com pessoas com deficiência.

Qual é o papel do Comitê Paralímpico Brasileiro?

O CPB é a entidade que rege o desporto paralímpico no Brasil, buscando a promoção e o desenvolvimento do esporte de alto rendimento para pessoas com deficiência. Como presidente, lidero a organização no sentido de preparar os atletas - cuidando desde a base, com a formação de novos talentos, até a etapa do alto rendimento - e promover o desenvolvimento das modalidades paralímpicas no Brasil em conjunto com as respectivas confederações. Organizamos a participação do país em disputas continentais, mundiais e jogos paralímpicos e ainda desempenhamos a função de confederação, gerenciando o calendário de competições de cinco modalidades - atletismo, natação, halterofilismo, esgrima em cadeira de rodas e tiro esportivo.

Alan Fonteles: atleta paralímpico descoberto na infância em um programa do CPB  (Foto: Alexandre Battibugli)
Alan Fonteles: atleta paralímpico descoberto na infância em um programa do CPB (Foto: Alexandre Battibugli)

Como se constrói um atleta paralímpico?

A partir do momento que a pessoa se acidenta e fica com uma deficiência ou nasce com uma deficiência e toma consciência dela - geralmente acontece quando a criança vai para a escola e vê que seus colegas não têm as mesmas características que ela -, o caminho é buscar um centro para habilitação ou reabilitação. Tudo começa nesses centros que, em parceria com clubes e associações de pessoas com deficiência, promovem o incentivo ao esporte. E o CPB tem sistemas que ajudam a identificar jovens talentos, como as Paralimpíadas Escolares, maior evento esportivo para atletas com deficiência em idade escolar (12 a 17 anos). Nossa primeira edição foi realizada em 2006 e revelou o velocista Alan Fonteles, do Pará, por exemplo. Procuramos trazer esses atletas para nossos programas, dando estrutura para que se desenvolvam e cheguem a uma delegação paralímpica.

É esse trabalho que vem garantindo bons resultados para o Brasil nos Jogos Paralímpicos?

Sim. Saímos da 37a colocação no ranking paralímpico em Atlanta (1996) para a 7a em Londres (2012). Ao longo desses 16 anos, buscamos novos talentos, conseguimos dar melhor estrutura aos atletas, desenvolvemos um modelo de trabalho em parceria com as confederações, construímos delegações mais fortes. O 7o lugar em Londres foi planejado lá atrás, em 2009. No Rio, nosso objetivo é a 5a colocação. É uma meta ambiciosa. Para atingi-la, teremos que ultrapassar Austrália e Estados Unidos, duas potências paralímpicas. Mas estou certo de que o Brasil entra na disputa em condições de enfrentar esses países.

Um dia o Brasil chega ao topo?

Vamos dar um passo de cada vez. O objetivo agora é o 5o lugar no Rio, o que será um resultado extraordinário se alcançado. O Brasil hoje é uma nação paralímpica, estamos entre as grandes. Mas considero que existem duas superpotências paralímpicas: China e Rússia. E serão necessárias algumas décadas para chegarmos ao patamar delas, pelo nível de investimento e estrutura que já possuem. Atingir o topo leva tempo, mas temos condições de chegar lá.

"Se você olhar para o que uma pessoa pode fazer em vez do que ela não consegue fazer, a perspectiva muda e perde-se a visão de coitadinho"

ANDREW PARSONS

Quais as modalidades com maiores chances de medalhas para o país?

O Brasil participará das 22 modalidades do programa paralímpico, até mesmo das novas - rúgbi em cadeira de rodas, triatlo e canoagem. Mas as que já temos tradição de conquistas em campeonatos mundiais são atletismo, natação, futebol de 5 (com atletas com deficiência visual), judô e bocha. É nessas que estamos confiantes para o maior número de medalhas de ouro, para assim chegarmos ao 5o lugar no ranking geral. Já há algum tempo o Brasil vem se destacando na natação e no atletismo, que são esportes em que qualquer país que tenha metas ambiciosas em relação à conquista de medalhas - como nós temos - tem que investir. E nós investimos. Além de atletas multimedalhistas, nosso conjunto nas duas modalidades tem muita força.

Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo: legado que contribui para o desenvolvimento de nossos atletas (Foto: Alexandre Schneider/GettyImages)
Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo: legado que contribui para o desenvolvimento de nossos atletas (Foto: Alexandre Schneider/GettyImages)

Que legados os Jogos Paralímpicos deixarão para o Brasil?

O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, é um deles. Principal centro de excelência do Brasil e da América Latina e um dos melhores do mundo para alto rendimento, ele conta com instalações esportivas que servem para treinamentos, competições e intercâmbio de atletas e seleções em 15 modalidades paralímpicas: atletismo, basquete, esgrima, rúgbi e tênis em cadeira de rodas, bocha, natação, futebol de 5 (para cegos), futebol de 7 (para paralisados cerebrais), goalball, halterofilismo, judô, tênis de mesa, triatlo e vôlei sentado. E um legado intangível, muito importante para nós, é a mudança de percepção da sociedade em relação às pessoas com deficiência. Quanto mais nossos atletas apresentam resultados expressivos, mais vamos sendo convencidos do potencial das pessoas com deficiência. Ninguém precisa enaltecer as habilidades do atleta paralímpico, é possível vivenciar isso por meio das competições. Isso ajuda a colocar em perspectiva que uma pessoa com deficiência pode ser um grande profissional da minha equipe, um grande colega de trabalho, um grande amigo, um chefe de família, alguém do meu convívio familiar e social.