sábado, 10 de setembro de 2016

Spurs em cadeiras de rodas desafio veteranos incapacitados no esporte e na vida - Veja o vídeo.

por Wilson Faustino 


                 Um jogador Spurs em uma cadeira de rodas pinga a esfera

    

Para veteranos deficientes, ganhando uma medalha de ouro em um torneio de basquete de cadeira de rodas pode ser motivo suficiente para a celebração; Afinal de contas, não é todo dia que os usuários de cadeira de rodas ter a oportunidade de participar no atletismo de alto nível, muito menos ganhar o prêmio máximo. Mas a medalha de ouro quase nada em comparação com a sua outra recompensa.

Um jogador Spurs em uma cadeira de rodas pinga a esfera

Os veteranos deficientes Edwin Gonzalez, Matt Spang e Chris Pettway, todos os amputados, ganhou a medalha de ouro no basquete de três contra três em uma clínica de esportes de adaptação realizada para as tropas e veteranos em Fort Sam Houston em San Antonio. O torneio, chamado de Valor Jogos Southwest, encoraja tanto da ativa e veteranos tropas com deficiência, tais como queimaduras, amputações e outras feridas para dar esportes adaptáveis ​​um ir. 

Como é isso para o incentivo?

                  Spurs e veterinários para cadeira de rodas Ação do basquetebol Obtém Intense


O outro prêmio para ganhar o ouro era a chance de testar suas habilidades contra os membros do San Antonio Spurs, da NBA.

Os três veterinários enfrentou jogadores Spurs Aron Baynes, Matt Bonner e Tiago Splitter em um desafio de basquete de três em três esportes adaptáveis, com os Spurs usando cadeiras de rodas para o jogo.

            Um veterano com deficiência recebe um passe



Casey Tibbs, o primeiro membro da ativa do exército dos EUA para sempre participar dos Jogos Paraolímpicos, deu uma palestra introdutória antes do torneio na missão Concepción Sports Park. Mais de 140 veteranos e pessoal da ativa de todo o país estavam presentes. Desde que perdeu uma perna em um acidente de moto, Tibbs passou a ganhar medalhas de ouro em Pentathalon, competições do salto em comprimento, e mesmo correndo. "Não se permita dizer que você não pode fazer algo", disse ele.

               San Antonio Spurs Matt Bonner faz questão


A competição contra os Spurs durou 20 minutos; Gonzalez chamado o torneio "muito divertido", e disse: "Estou feliz que existem pessoas lá fora que se preocupam com a gente."


No final da competição de 20 minutos, os veteranos saiu vitorioso, vencendo os jogadores profissionais de basquetebol com uma contagem impressionante de 28-6. Lá para torcer por eles foi sargento do Exército. Devin Mastson que, depois de cumprir três passeios no Afeganistão e no Iraque, perdeu a perna num acidente de automóvel quando foi atingido por um motorista que estava enviando uma mensagem de texto.

               Spurs e Veteranos Deficientes Mostre Seu Comaraderie com um aperto de mão


Mastson disse que estes tipos de eventos-adaptativos esportes e particularmente de cadeira de rodas de basquete tê-lo ajudado a ajustar e fazer novos amigos, bem como reconstruir sua confiança e foco. "Você realmente tem que cavar o seu jogo mental e ser fundamentalmente sólida", disse Maston. "Sua capacidade atlética é limitada porque você não tem mais as pernas. Você tem que ser mais técnico. "

                  San Antonio Spurs jogadores em cadeira de rodas cumprimentar os fãs


Mais técnico e pronto para jogar algum poderoso b-ball! Assista ao vídeo para saber mais sobre este programa edificante!





Fontes: mysanantonio.com - portalpcdonline.com.br


1ª medalha brasileira no tênis é objetivo 'que vivo 24h por dia há 4 anos'

Natália Mayara tinha menos de três anos de idade quando foi atropelada por um ônibus que invadiu a calçada em uma rua de Recife. Teve as duas pernas amputadas.

Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Tenista Natália Mayara
Natália perdeu as pernas quando tinha apenas dois anos de idade

"O motorista perdeu o controle e veio para cima de mim. Ele tentou fugir, então acabou me arrastando por mais uns 200 metros presa na roda do ônibus", conta a pernambucana de 22 anos.

Embora conte sua história com naturalidade, a tenista em cadeira de rodas espera que a Paralampíada do Rio ajude justamente a desviar a atenção do que chama de narrativa tradicional do "drama e das histórias de superação" e a mudar a percepção sobre os atletas com deficiência.

'24 horas por dia'

"Não somos apenas histórias de superação, de pessoas que ultrapassam deficiências. Somos atletas de alto rendimento, que treinam intensamente. Precisamos mudar a percepção sobre os paratletas", diz Natália, que disputará no Rio a competição de simples e duplas.

Em sua segunda Paralimpíada - perdeu na primeira rodada de simples em Londres, há quatro anos - a pernambucana é a atleta brasileira mais bem colocada no ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF), ocupando o 24º lugar.

Ela busca no Rio o primeiro pódio brasileiro na modalidade: o Brasil jamais conquistou uma medalha no tênis paralímpico - nem no tênis olímpico.

"Vou lutar muito por uma medalha. Vivo isso 24h por dia há quatro anos, e é meu grande objetivo", explica.

Sua primeira disputa é já nesta sexta-feira, no tênis de duplas, ao lado de Rejane Candida, contra a dupla americana Dana Mathewson e Kaitlyn Verfuerth.

GETTY IMAGES
Natália Mayara
A pernambucana é atual campeã pan-americana da modalidade

Natália vê como um sinal positivo o recente impulso na venda de ingressos da Paralímpiada, que chegou à marca de 1,7 milhão de entradas na quinta-feira.

"Já começamos a ver o mesmo entusiasmo mostrado com a Olimpíada", diz a paratleta.

Natália começou a jogar tênis aos 13 anos e, depois de apenas três anos, já tinha conquistado os primeiros títulos, entre eles o das Paralimpíadas Escolares, promovidas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). No ano passado, ela foi campeã de simples e duplas da principal competição preparatória para a Rio 2016 - os Jogos Parapan-Americanos de Toronto.

Fonte: bbc.com

No tênis, número 1 do Brasil passa de fase e desafia bicampeão paralímpico

Top 20 do mundo, Daniel Rodrigues despacha chileno e na segunda rodada encara japonês Shingo Kunieda, ouro em Pequim e em Londres e atual 6º lugar do ranking

Por GloboEsporte.com Rio de Janeiro

Descrição da imagem: Daniel Rodrigues tênis adaptado Paralimpíada Rio 2016 (Foto: André Durão)
Descrição da imagem: com os braços levantados, Daniel Rodrigues comemora vitória na estreia (Foto: André Durão)

Principal tenista do país no masculino, Daniel Rodrigues abriu atropelando o torneio de tênis em cadeira de rodas da Paralimpíada do Rio. Dono de dois títulos de simples no ano (Indian Wells e Copa Bahia), o atleta de 29 anos contou com um forte apoio dos torcedores na quadra central do Centro Olímpico de Tênis, localizado dentro do Parque Olímpico, e derrotou nesta sexta-feira o chileno Robinson Mendez, por 2 sets a 0, com direito a pneu na primeira parcial: 6/0 e 6/4.

Essa vitória foi emocionante. A torcida... nunca joguei assim, e em casa foi fantástico. A torcida é como um jogador que está ali dentro ajudando. Tem um nervosismo, de fazer o primeiro jogo na quadra central, dá aquele frio na barriga. Mas eu consegui dosar isso e ganhar o jogo, que é o mais importante - avaliou Daniel.

Número 18 do mundo, o mineiro tem um páreo duro pela frente, já na segunda rodada dos Jogos. Ele encara Shingo Kunieda, atual bicampeão paralímpico e 6º colocado no ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF). O japonês não precisou disputar a primeira fase por ser um dos 12 melhores cabeças de chave da competição.

Agora é esperar o próximo adversário (Shingo Kunieda), que era o número 1 do mundo. É um cara que já ganhou as duas últimas Paralimpíadas. É se preparar, contar de novo com a torcida, que faz muita diferença, e buscar sempre a vitória - disse o tenista brasileiro.

Daniel nasceu com má formação na perna direita, 20 centímetros menor que a esquerda. Praticante do tênis em cadeira de rodas desde os 19 anos, ele decidiu amputar a perna em 2013 após sofrer com complicações de uma cirurgia que fez para tentar reverter o quadro. Passado o procedimento, ele conquistou o bronze no individual e a medalha de prata de duplas nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, em 2015, ano em que alcançou também seu melhor ranking de simples (17º lugar).

                                          Tênis adaptado Mauricio Pomme X Kamil Fabisiak Paralimpíada Rio 2016 (Foto: André Durão)
Descrição da imagem: Maurício Pommê tenta chegar na bola contra polonês (Foto: André Durão)

Mais brasileiros em quadra

Um dos mais experientes tenistas da delegação brasileira, Maurício Pommê (61º) perdeu na primeira rodada, superado pelo polonês Kamil Fabisiak (20º) pelas parciais de 6/1 e 6/2. O paulista de 46 anos, que ficou paraplégico ao cair do telhado de sua academia, segue no Rio para a chave de duplas. Ele e Carlos "Jordan" Santos estreiam contra os coreanos Ho Won Im e Ha-Gel Lee.

Rafael Medeiros (36º), que perdeu o movimento das pernas aos 2 anos de idade por conta de um cisto na medula, também não passou da estreia. Ele caiu diante do americano Steve Baldwin (80º) pelas parciais de 6/2, 4/6 e 6/3. O atleta mineiro ainda disputa as duplas junto com Daniel Rodrigues. Os dois entraram direto nas oitavas de final e jogam contra os cabeças de chave 5 Tom Egberink e Maikel Scheffers, da Holanda.

No quad (para atletas que têm deficiência também nos membros superiores), o Brasil está representado pela primeira vez em Paralimpíadas. Ymanitu Silva, que ficou tetraplégico após um acidente de carro em 2007, passou pelo britânico Jamie Burdekin por 2 sets a 1, parciais de 6/2, 2/6 e 6/1. O tenista catarinense joga as quartas de final contra o sul-africano Lucas Sithole, cabeça de chave 3.

Yamanitu Silva tênis adaptado Paralimpíadas Rio 2016 (Foto: André Durão)
Descrição da imagem: Ymanitu Silva rebate a bola de direita durante partida de estreia no Rio (Foto: André Durão)

O outro representante do país na categoria é Rodrigo Oliveira, atleta que teve meningite após o nascimento e ficou sem os movimentos das pernas e do lado esquerdo do corpo. O brasiliense estreia ainda nesta sexta-feira, contra o japonês Mitsuteru Moroishi.

A partir de 18h30 (de Brasília), são realizados as partidas da sessão noturna da quadra central. A goiana Rejane Cândida e a pernambucana Natália Mayara estreiam diante das americanas Dana Mathewson e Kaitly Verfuerth, em duelo válido pelas oitavas de final das duplas femininas. Em seguida, o piauiense Carlos Santos, o "Jordan" (27º), que teve atrofia nas pernas fruto de uma sequela de poliomelite aos 2 anos de idade, fecha a programação diante do espanhol Martin de la Puente (26º)

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência é tema de palestra

Evento vai abordar direitos e deveres das pessoas com deficiência.Palestra será realizada na Sociedade Semear.

Do G1 SE

                                Imagem Internet/Ilustrativa
                                Resultado de imagem para Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência


Para celebrar o mês em que é comemorado o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, 21 de setembro, o Conselheiro Nacional das Pessoas com Deficiência, Beto Pereira realiza uma palestra sobre Lei Brasileira de Inclusão.

A palestra acontece nesta sexta-feira (9) a partir das 19h, na Sociedade Semear, em Aracaju. O conselheiro falará sobre a Lei Brasileira de Inclusão, os direitos e deveres das pessoas com algum tipo de deficiência nos mais diversos setores da sociedade, engajamento social, projetos sobre cão guia, entre outros assuntos.

A entrada é franca e a expectativa dos organizadores é que participem representantes de órgãos públicos, entidades filantrópicas e os conselhos de pessoas com deficiência.

Sobre o Palestrante
Utilizando de linguagem simples e humanizada, Beto Pereira é o primeiro vice-presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), consultor titular do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência (Conade), é integrante do Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL) e assessor de acessibilidade da Lara Mara (Associação de deficientes Visuais/SP).

Pós-graduando em Comunicação Empresarial (Nove de Julho/SP), formou-se em Ciências Sociais(humanidade e direitos/Metodista/SP), graduado em adestração Jr. de cães guia (Michigan/EUA), especialista em capacitação e inclusão de pessoas com deficiência (Argentina), Taller de Productores (México) traduz materiais para cegos e capacitação em recursos (Espanha e Argentina), onde esteve em companhia de seu cão guia.

Fonte: g1.globo.com - Imagem Internet/Ilustrativa

Suicídios de crianças se tornam drama de cidade síria sitiada

Fome devasta Madaya e região; antes do cerco nenhum caso deste tipo havia sido registrado

Eugenio Goussinsky, do R7


Pelo menos seis adolescentes se suicidaram na cidade Facebook/Save the Children/Matts Lignell

Não são apenas os bombardeios, os mísseis e os tiroteios que têm devastado a vida de crianças na Síria. A indiferença e a tortura psicológica também são silenciosamente fatais. Penetram de maneira invisível em meio à poeira e aos destroços. E sufocam, tirando da atmosfera, mais do que o oxigênio, a esperança destas vidas que mal começaram e que, em pouco tempo, entram em um conflito sobre a validade da própria vida.

A pergunta que fica, com o crescente número de suicídios infantis verificados principalmente na cidade de Madaya, é repetitiva e só irá se esgotar até que uma resposta efetiva e clara elucide o dilema: qual o sentido desta e de qualquer guerra? Os números fornecidos pela ONG Save the Children, revelam que em Madaya, cidade ao norte de Damasco, sitiada há meses, os fogos foram em parte substituídos pelo terror do nada. Nada entra, nada sai. Como na passagem da Divina Comédia, de Dante Alighieri: "Deixai toda a esperança, vós que entrais". E vidas vão definhando diante da fome e da descrença no dia seguinte.

A equipe médica na cidade, segundo a ONG, relatou que pelo menos seis adolescentes, o mais jovem sendo uma menina de 12 anos, se suicidaram nos últimos dois meses. Sete adultos jovens também buscaram acabar com a própria vida neste período. E antes de o cerco ser imposto, em julho de 2015, nenhum caso deste tipo havia sido registrado na região. Segundo a oposição ao ditador Bashar al-Assad, a cidade, de cerca de 40 mil habitantes, está sitiada por forças do governo.

O psiquiatra Mário Louzã, especialista em Psiquiatria Geral pela Associação Brasileira de Psiquiatria, considera que este tipo de confinamento à luz do dia e pelos contornos sem limites das trevas é um drama que corroi até mesmo os mais lúdicos sonhos infantis.

Não é pelo fato de ser criança que alguém não pode passar por situações de depressão e suicídio. É raro mas pode acontecer. Em Madaya, por exemplo, há uma situação extrema, de cerco, com a população civil completamente desprotegida. As crianças também ficam completamente angustiadas, veem o dia-a-dia desesperadas e as poucas forças que ainda têm acabam sendo canalizadas para aliviar o sofrimento. Embora sendo meio paradoxal, nessas circunstâncias o suicídio acaba sendo como um alívio, pode soar forte mas é isso que em geral acontece.

A desnutrição é outro ponto que Louzã ressalta como um fator a mais para que casos de depressão e falta de ânimo, até em atividades escolares e tentativas de lazer, prevaleçam. Muitos dos que não chegam ao suicídio, acabam morrendo um pouco, mesmo acordados. Segundo médicos locais, o índice de depressão intensa, problemas psicológicos e paranóias, entre outros, se acentuou. Em vez de explosões diretas, implosões internas, que fazem destroços de qualquer tipo de bem-estar e autoestima.

Essas crianças estão subnutridas, um corpo sem nutrição é um corpo que está na corda bamba em termos de sobrevivência. Nesse momento, aprender algo em sala de aula é irrelevante, a apatia que acontece com a desnutrição é uma forma de o organismo tentar se proteger, quanto menos coisa a pessoa fizer mais salva as reservas de calorias no corpo.

E o futuro? O especialista acredita que as crianças sobreviventes conseguirão lidar com esses traumas se tiverem algum tipo de tratamento direcionado ao lado emocional. Mas serão cicatrizes que, em algum momento longínquo, certamente latejarão.

É uma situação parecida com a de um campo de concentração. Vamos supor que a cidade seja libertada. As pessoas serão socorridas, tratadas, alimentadas, mas, principalmente para as crianças e jovens a marca do sofrimento ficará e em algum momento terá de ser tratada.

Recuperação e traumas

Louzã diz que a recuperação tem relação com a maneira com que cada pessoa irá encarar esse trauma comum a todos naquela situação.

Depende da personalidade de cada um. Quem tiver uma personalidade mais estruturada para a situação terá menos prejuízos. Às vezes o fardo que a pessoa carega é a propria sobrevivência, porque provavelmente viu amigos, parentes e pessoas ao lado morrerem e o fato de terem sobrevivido pode gerar uma espécie de culpa. Isso terá de ser abordado também.

Os maiores holofotes atualmente, estão voltados para as brutalidades em Aleppo. Enquanto isso, outras situações também dramáticas proliferam pelo país, assolado por uma guerra civil desde 2011, em que forças antagônicas se digladiam e fazem deste tipo de cerco uma pressão para ganhar território, obrigando uma população torturada a deixar a cidade. A tática da guerra é fria, na qual somente a vitória interessa. Mas que vitória? Em certo sentido, aquela que derrota as crianças do inimigo.

Rula, uma professora local, teve de se separar de seus filhos de 12 e 15 anos, para que eles pudessem se salvar em outro país. Mantendo as atividades, ela disse ao site da ONG que se preocupa com as crianças que ficaram. Madaya ficou famosa há alguns meses, quando foi noticiado que 65 pessoas morreram de fome por causa do cerco. A ajuda chegou, mas, desde abril, novamente está impedida de entrar na cidade, para desespero da professora. E antes de qualquer tratamento, a situação é de emergência.

A maioria das crianças sofre de subnutrição e tem dificuldade para digerir os alimentos. Elas têm infecções em seus sistemas digestivos e doenças como a meningite. Agora, a fome e o cerco estão voltando a ser como foi no último inverno, quando as crianças e até mesmo adultos morreram de fome. Nós não precisamos de simpatia, precisamos de ajuda nesta crise.

De acordo com as informações da ONG, há várias formas de se cometer atrocidades em uma guerra. Pode ser tanto por meio de armas, quanto na ausência direta delas. Neste caso, as crianças estão sendo "suicidadas". Esta é a verdade. Mas, como diria o filósofo Ésquilo, há mais de 1.400 anos, "na guerra, a verdade é a primera vítima". E a segunda é a criança.

Torcida incentiva e Brasil vence de virada o Marrocos na estreia do Futebol de 5

                            Torcida incentiva e Brasil vence de virada o Marrocos na estreia do Futebol de 5
Foto: Ricardinho foi decisivo no jogo com um gol e saiu aplaudido pelos torcedores (Alaor Filho/CPB/MPIX)

Seleção Brasileira de Futebol de 5 estreou com vitória nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Com o apoio da torcida, que encheu o Parque Olímpico de Tênis, o Brasil conseguiu virar para cima do Marrocos e venceu o jogo por 3 a 1, com gols de Ricardinho, Jefinho e Nonato.

Com uma formação bastante ofensiva, com Cássio, Jefinho, Ricardinho e Nonato, o Brasil começou a partida sufocando o Marrocos. Os africanos, por sua vez, apostavam nos contra-ataques, sem muito sucesso. Até que, aos 13 minutos, Hattab Abderrazak dividiu com Cássio e chutou para fazer 1 a 0.

O gol não intimidou a torcida que logo se manifestou na arquibancada em apoio ao time brasileiro. A energia vinda dos cânticos do público foi o combustível necessário para o Brasil ir com tudo em busca do empate, que por pouco não saiu ainda no primeiro tempo.

Na volta do intervalo a Seleção Canarinho voltou com o mesmo ímpeto. Ricardinho, que foi aguardado até o último minuto para os Jogos Paralímpicos por conta de uma lesão, mostrou que está recuperado, e numa jogada de craque passou por dois e mandou a bola no ângulo para deixar tudo igual, inflamando ainda mais os torcedores.

Acuado no campo de defesa, Marrocos acusou o golpe e a ducha de água fria veio cinco minutos depois quando Jefinho fez linda jogada e bateu cruzado para virar a partida. Menos de um minutos depois, Nonato disparou em velocidade, ganhou dos zagueiros e fez 3 a 1 para o Brasil. Final de jogo e festa nas arquibancadas.

No futebol é assim, nem sempre a gente sai ganhando, e não tem jogo fácil, como a gente viu. Mas no segundo tempo nosso futebol sobressaiu e a torcida nos ajudou muito. Ela nos deu força para reverter o resultado. Acho que foi o primeiro passo da nossa história nesses Jogos, e espero que ela termine com a medalha de ouro - comemorou o craque Ricardinho.

O próximo jogo do Brasil será no domingo (11), às 16h, contra a Turquia. O restrospecto dos brasileiros é bom. O último duelo entre as equipes foi no Campeonato Mundial, com vitória brasileira por 1 a 0, gol de Cássio. Em Jogos Paralímpicos as duas seleções se enfrentaram na edição de Londres 2012 e o Brasil venceu com facilidade, por 4 a 0.


Fonte: cbdv.org.br

Brasil sobe quatro vezes ao pódio no atletismo no segundo dia de competições do Rio 2016

Por Elder Barros

Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
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A felicidade de Verônica Hipólito no pódio, com sua medalha de prata

A sexta-feira, 9, teve sabor especial para a Seleção Brasileira de atletismo nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Fábio Bordignon, nos 100m T35, Verônica Hipólito, nos 100m T38, e Izabela Campos garantiram mais três medalhas – duas pratas e um bronze, respectivamente - para a delegação verde e amarela. Pela manhã, Daniel Tavares já havia conquistado o ouro nos 400m T20.

A parte final de disputas no Estádio Olímpico (RJ) com brasileiros teve início com Fábio Bordignon, que mostrou a que veio e não decepcionou. Bateu o recorde brasileiro com 12s66 e conquistou a medalha de prata na prova. O ucraniano Ihor Tsvietov chegou à frente com 12s31, e o argentino Hernan Barreto fechou o pódio com 12s85.

O atleta não se conteve e decidiu mensurar o tamanho de seu feito. “A sensação é das melhores. Estou me sentindo muito feliz. É como o momento em que eu recebi a notícia de que iria ser pai. E agora, é como um filho pra mim [a medalha]”, comparou Fábio.

Verônica Hipólito entrou na disputa dos 100m T38 com vontade de fazer história. Apoiada pela torcida, ela emplacou um ritmo forte para chegar à marca de 12s88 e ficar com a prata. Após a prova, a medalhista relembrou momentos difíceis que superou.

“Teve muita gente que duvidou, mas teve muito mais gente que acreditou em mim. Vai ter gente que, quando eu sair daqui, vai dar um puxão de orelha e falar que eu poderia ter ido melhor. Se eu tiver que operar de novo, que fazer qualquer coisa de novo, eu posso fazer, porque sei que vou voltar e vou ter condições de voltar mais forte. Pré-cirurgia, eu corria 13 segundos, pós-cirurgia, eu corri 12. Se tiver mais uma, bate na madeira, mas vou correr 11”, disse Verônica, que passou por uma cirurgia no intestino grosso no ano passado.

Izabela Campos manteve o bom desempenho brasileiro no dia, levando o bronze no lançamento de disco F11, ao marcar 32m60.

Confira os outros resultados do Brasil no dia:

- Jenifer Martins 100m T38 marcou 13s61 e ficou na oitava posição;

- Edevaldo Silva ficou em sétimo no lançamento de dardo F44;

- Flávio Reitz ficou em nono no salto em altura T42;

- Terezinha Guilhermina foi desclassificada dos 100m T11;

- Alice Correa ficou em quarto nos 100m feminino T12 (12s26);

- Ariosvaldo Fernandes ficou em quarto nos 100m masculino T53 (14s88).

Fonte: cpb.org.br

Noite de prata na natação

Por Thiago Rizério

Washington Alves/MPIX/CPB
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Clodoaldo Silva, Joana Silva, Susana Schnarndorf e Daniel Dias, os medalhistas de prata do revezamento 4x50m livre

A estreia de Clodoaldo Silva em sua quinta Paralimpíada acrescentou mais uma medalha à sua coleção. Ao conquistar a prata no revezamento 4x50m livre (20 pontos), ao lado de Daniel Dias, Joana Silva e Susana Schnarndorf, o Tubarão, como é conhecido, agora é dono de 14 medalhas, sendo seis ouros, seis pratas e dois bronzes.

Na noite desta sexta-feira, 9, Clodoaldo abriu o revezamento do Brasil que baixou o próprio recorde mundial em mais de 4 segundos, de 2min29s80 para 2min25s45. No entanto, a equipe chinesa foi ainda mais impressionante e cravou 2min18s03, estabelecendo a nova melhor marca do mundo.

“Nós melhoramos muito o nosso tempo, mas eles melhoraram mais ainda. Foi uma prova muito disputada e nós demos o nosso melhor. Esse segundo lugar foi importante pra gente”, comentou Susana, que destacou a importância da vibração da torcida: “Foi sensacional. Eu compito há não sei nem quantos anos e nunca senti isso. Foi muito especial.”

Não foi a única medalha conquistada na piscina esta noite. Nos 50m livre S10, Phelipe Rodrigues garantiu sua quarta medalha de prata em Jogos Paraolímpicos - sendo uma na mesma prova de Pequim 2008 e duas nos 100m livre em Pequim e em Londres 2008), com o tempo de 23s56, atrás apenas do ucraniano Maksym Krypak.

“Eu esperava uma medalha de cor diferente, a de ouro. Queria fazer meu melhor tempo da vida, e fiquei um pouco acima. Mas é uma sensação indescritível estar aqui representando o Brasil e ganhar uma medalha na frente do povo brasileiro, que é um povo que gosta de festa, que gosta de medalha. Acredito que ainda vai vir muita coisa boa para a gente e para mim, especialmente. Ainda tenho três provas, e uma delas é a de 100m livres, que é uma das minhas principais. Vou vir muito forte e o André também vai vir forte”, disse Phelipe, referindo-se a seu companheiro de seleção, André Brasil, recordista mundial (23s16) da prova e bicampeão olímpico em 2008 e 2012, mas que ficou em quarto nesta edição.

André ainda disputará sete provas nos Jogos Rio 2016, e citou Clodoaldo Silva como um exemplo. “Fiquei aquém do que posso. Mas aprendi com meu amigo Clodoaldo que um quarto lugar não é de se desprezar. E ainda não acabou, os Jogos estão apenas começando”, afirmou.


Fonte: cpb.org.br

Brasil goleia Canadá e é líder do Grupo A do goalball

Por Tadeu Casqueira

Cezar Loureiro/MPIX/CPB
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Romário marcou quatro dos 11 gols brasileiros

Depois de vencer a Suécia na estreia dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, a Seleção Brasileira masculina de Goalball superou o Canadá no início da tarde desta sexta-feira, 9. Com Romário inspirado, o Brasil venceu o jogo por 11 a 3 e vai dormir na liderança isolada do Grupo A, já que a Alemanha, outra que pode chegar aos seis pontos, jogará neste sábado, 10.

“Jogando em casa é diferente. A torcida quer interagir conosco, mas faz parte do esporte. Um jogo meio tenso, se subir alguma bola, a gente faz uma cobertura que a gente nem acredita. Só tenho que agradecer a todo o público que compareceu na Arena do Futuro, isso está incentivando a gente demais”, agradeceu Romário, autor de quatro dos 11 gols brasileiros.

No domingo, 11, o Brasil volta à Arena do Futuro para enfrentar a Argélia, pela terceira partida da fase de grupos da competição.


Fonte: cpb.org.br

Brasil conquista sete medalhas no segundo dia dos Jogos Paralímpicos Rio 2016

Por Maria Clara Serra

Fernando Maia/MPIX/CPB
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Lucia Araújo ganhou a prata na categoria até 57 KG

Os atletas da maior delegação da história paralímpica do Brasil subiram sete vezes ao pódio nesta sexta-feira, 9. Com isso, o país segue firme na meta de ficar entre as cinco melhores nações do mundo no quadro de medalhas. Até este segundo dia de competições já são 11 medalhas, sendo três de ouro, seis de prata e duas de bronze.

O destaque desta sexta foi o paulista Daniel Tavares, que além de subir no lugar mais alto do pódio ainda bateu seu próprio recorde mundial, fechando os 400m na categoria T20 com a marca de 47s22.

Os brasileiros que compareceram ao Estádio Olímpico, aliás, tiveram motivos para comemorar. Além de Daniel, Fábio Bordignon, nos 100m T35, Verônica Hipólito, nos 100m T38, e Izabela Campos, no lançamento de disco F11, garantiram mais três medalhas – duas pratas e um bronze, respectivamente.

Repetindo sua atuação em Londres, a judoca Lucia Teixeira conquistou a prata. Depois de derrotar a japonesa Junko Hirose por ippon e garantir vaga na final, Lucia perdeu para a ucraniana Inna Cherniak, na categoria até 57kg.

Na natação, o revezamento 4x50m livre 20 pontos do Brasil, com Clodoaldo Silva, Joana Silva, Susana Schnarndorf e Daniel Dias acabou na segunda posição. Apesar de ter baixado o próprio recorde mundial em 4s, com um tempo de 2min25s45, os chineses fizeram uma prova impressionante e estabeleceram a nova melhor marca do mundo: 2min18s03.

Nos esportes coletivos, a seleção brasileira de futebol de 5 venceu o Marrocos de virada, por 3 a 1, e segue firme na disputa pelo tetracampeonato. Já o vôlei sentado masculino não teve dificuldades para bater os Estados Unidos por 3 sets a 0, com parciais de 25/14, 25/17 e 25/14.

Neste sábado, 10, a natação segue com grandes chances de pódio. O multimedalhista Daniel Dias cai na água para a prova dos 50m borboleta S5 e Andre Brasil disputa os 100m costas S10.

Além disso, há brasileiros estreando em três modalidades: a bocha entra em cena com competições por equipes e de duplas, com a participação dos medalhistas paralímpicos Eliseu dos Santos, Maciel Santos e Dirceu Pinto; o triatleta Fernando Aranha mostra sua força e já disputa medalha; e o ranqueamento do tiro com arco acontece na Praça da Apoteose.

No judô, Antônio Tenório estreia na sua sexta Paralimpíada. Dono de cinco medalhas nos jogos, ele enfrenta o alemão Oliver Upmann pela manhã, pela categoria até 100kg.

Confira a agenda do Brasil neste sábado:

Futebol de 7

Brasil x Irlanda - 19h

Local: Estádio de Deodoro

Judô

Local: Arena Carioca 3 (Parque Olímpico da Barra)

A partir de 10h:

Até 70 kg feminino (B2) – Alana Maldonado

Acima de 70 kg feminino (B2) – Deanne de Almeida

Até 90 kg masculino (B1) – Arthur da Silva

Até 100 kg masculino (B1) – Antônio Tenório

Acima de 100 kg masculino (B1) – Wilians Araújo

Local: Arena Carioca 3 (Parque Olímpico da Barra)

Natação

Local: Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos (Parque Olímpico da Barra)

Manhã - Classificatórias

9h37 – 100m peito feminino SB7 - Verônica Almeida

9h46 – 100m livre masculino S6 – Adriano de Lima

10h03 – 50m borboleta masculino S5 – Daniel Dias

10h11 – 50m borboleta feminino S5 – Joana Silva

10h28 – 50m costas feminino S3 – Maiara Regina Barreto

10h38 – 200m medley masculino SM13 – Thomaz Rocha Matera

11h07 – 100m costas masculino S10 – Andre Brasil

11h15 – 100m costas feminino S10 – Mariana Ribeiro

11h08 – 400m livre masculino S11 – Matheus Rheine

11h23 – 400m livre feminino S11 – Regiane Nunes

Tarde/noite – Finais (caso se classifiquem)

17h37 – 100m peito feminino S7 - Verônica Almeida

17h44 – 100m livre masculino S6 – Adriano de Lima

17h56 – 50m borboleta masculino S5 – Daniel Dias

18h03 – 50m borboleta feminino S5 – Joana Silva

18h32 – 50m costas feminino S3 – Maiara Regina Barreto

18h54 – 200m medley masculino SM13 – Thomaz Rocha Matera

19h24 – 100m costas masculino S10 – Andre Brasil

19h31 – 100m costas feminino S10 – Mariana Ribeiro

19h52 – 400m livre masculino S11 – Matheus Rheine

20h04 – 400m livre feminino S11 – Regiane Nunes

Remo

Local: Lagoa Rodrigo de Freitas

8h50 – Single skiff feminino ASW1X – Repescagem – Cláudia Santos

9h10 – Single skiff masculino ASM1X – Repescagem – Renê Pereira

10h10 – Double skiff misto TAMIX2X – Repescagem – Josiane Lima e Michel Pessanha

Tênis de Mesa

Local: RioCentro, pavilhão 3 (Parque Olímpico da Barra)

9h - Diego Moreira x Amine Mohammed Kalem (ITA) – Classe 9, grupo D

9h40 - Thais Severo x Jiyu Yoon (KOR) – Classe 3, grupo E

10h20 - Aloisio Lima x Paul Davies (GBR) – Classe 1, grupo C

11h - Carlos Carbinatti x Krisztian Gardos (AUT) – Classe 10, grupo D

11h – Claudiomiro Segatto x Lin Yen-Hung (KOR)

11h40 – Welder Knaf x Gabriel Copola (ARG)

12h20 - Bruna Alexandre x Mirjana Lucic (CRO) – Classe 10, grupo A

13h40 – Israel Stroh x Popov Mykhalo (UKR)

Outros jogos com brasileiros dependem do resultado de chaveamento.

Tênis em Cadeira de Rodas

Local: Parque Olímpico de Tênis (Parque Olímpico da Barra)

11h na quadra central – Ymanitu silva x Lucas Sithole (RSA)

Segunda partida na quadra 6 - Natalia mayara x Brusra Un (TUR)

Quinta partida na quadra central – Mauricio Pomme e Carlos Santos x Won Im Ho e Gel Ha Lee (KOR)

18h30 na quadra central – Rejane Candida x Yui Kamiji (JPN)

Não antes de 16h na quadra 8 – Rodrigo Oliveira e Ymanitu Silva x Itai Erenlib e Shraga Weinberg

Tiro com arco

Local: Sambódromo

9h – Recurvo masculino individual, ranking round – Diogo de Souza, Francisco Cordeiro, Luciano Rezende

9h – Recurvo feminino individual, ranking round – Fabíola Dergovics, Patricia Layolle, Thais Silva Carvalho

15h – Composto masculino individual, ranking round – Andrey Muniz de Castro

15h – Composto feminino individual, ranking round – Jane Karla Gogel

Tiro esportivo

Local: Centro Nacional de Tiro Esportivo

9h30 – Classificatória – Carabina de ar deitado 10m SH1 – Carlos Garletti

11h45 – Final (caso se classifique) – Carabina de ar deitado 10m SH1 – Carlos Garletti

12h15 – Classificatória – Carabina de ar em pé 10m SH2 – Alexandre Galgani

14h45 – Final (caso se classifique) – Carabina de ar em pé 10m SH2 – Alexandre Galgani

Triatlo

Local: Forte de Copacabana

11h20 – Fernando Aranha – masculino PT1


Fonte: cpb.org.br

É hora de tirar a deficiência do armário: quem tem Roberto Carlos, não precisa de Cleo Pires

Por Patricia Almeida – Jornalista, ativista pelos direitos das pessoas com deficiência e Mestranda em Estudos da Deficiência na City University of New York – CUNY.

                              Ilustração de armário com a porta entreaberta, dentro do qual se vêem apenas dois olhos, observando.

As Paralimpíadas são a melhor oportunidade que já tivemos na vida de falarmos sobre o estigma que a deficiência carrega no Brasil. Ninguém fala sobre isso. Pessoas com deficiência só alcançam alguma notoriedade ou exposição na mídia, por exemplo, quando “derrubam” alguma “barreira” e se transformam em “exemplos de superação” ou “inspiração”, como nossos “heróis paralímpicos”, os “superhumanos”.

Que tal falarmos apenas de humanos?

Aproveitando a onda empoderadora dos movimentos negro, feminista, LGBT, entre outros, tá mais do que na hora de tirar a deficiência do armário e tratá-la de forma natural, como parte da identidade e da vida das pessoas, sem vergonhas ou receio de despertar “pena”. Ter uma deficiência não é ser menos que ninguém. O mesmo vale para doenças como o câncer, AIDS, Parkinson, Alzheimer, problemas cardíacos e transtornos mentais como depressão, esquizofrenia, bipolaridade e por aí vai.

Na nossa cultura, esses assuntos são considerados, delicados, íntimos e, por não serem discutidos abertamente, são tratados como tabu há séculos pela nossa sociedade. Sua avó sussurra ou faz uma expressão trágica pra falar a palavra câncer? Ou pior, nem dá nome aos bois, referindo-se “àquela doença”? Pois bem, é chegada a hora de, ao invés de baixar a voz, aceitar. E, mais do que isso, assumir essas condições como parte de nós mesmos. Ninguém precisa se tornar ativista da noite pro dia, basta parar de tentar esconder o que é, ou o que tem.

Mas por que isso é tão importante?

Esconder uma deficiência ou doença contribui para o que chamamos de ciclo da invisibilidade – a pessoa com deficiência não sai de casa. Sem sair de casa, ela não é vista e medidas que garantam sua inclusão não são providenciadas. Elas continuam sendo ignoradas e permanecem invisíveis.

Em geral, alguém só tem contato com pessoas com deficiência se recebe alguém na família ou se adquire alguma limitação por obra do destino. Aliás, vale lembrar que, se você não morrer cedo, é quase certo que terá um ou mais tipos de deficiência até o fim da vida. É bom pensar nisso antes de reclamar do custo de alguma obra de acessibilidade.

Você sabia que as pessoas com deficiência formam a maior das minorias? Existe 1 bilhão de pessoas no mundo, 80% delas em países em desenvolvimento. No Brasil, correspondem a 23,9% da população, segundo o Censo 2010. Isso é quase um em cada quatro brasileiros. Mas será que 1 em cada 4 de seus amigos, colegas de escola ou trabalho tem uma deficiência?

Onde será que estão essas pessoas? Algumas habitam o tal ciclo da invisibilidade. Outras estão incluídas por aí, mas preferem esconder suas deficiências.

E isso me leva ao Roberto Carlos.

Doeu no coração, ao assistir ao espetáculo de abertura dos Jogos Paralímpicos, ouvir a canção icônica do rei, “É Preciso saber Viver”, entoada pelo Seu Jorge. Nada contra o Seu Jorge. Mas imaginem o impacto na mídia nacional e internacional, se Roberto aparecesse no palco assumindo sua prótese na perna como a linda modelo e atleta Amy Purdy, ou os milhares de atletas paralímpicos do mundo inteiro que desfilaram com orgulho e alegria por serem quem são no Maracanã! Isso sim seria uma mensagem digna do mote #SomosTodosParalímpicos, e não a amputação Photoshopada da Cleo Pires. Temos celebridades autênticas para chamar atenção para os Jogos, não precisamos de fake.

Pra continuar na realeza, outro que fez falta foi Pelé. Mas nossa sociedade prefere não ver a imagem do maior atleta de todos os tempos numa cadeira de rodas ou usando um andador. Preferimos guardar na memória o momento do seu milésimo gol e tapar o sol com a peneira. Que tal encarar o fato de que esse de hoje é o mesmo Pelé? Faz parte da vida. Simples assim. É tabu falar de deficiências e doenças. Ninguém comenta. Ninguém faz perguntas em entrevistas por considerar constrangedor ou invasivo. Funciona como uma regra não escrita.

Na abertura das Olimpíadas, ao ler seu discurso o Presidente do Comitê Olímpico, Carlos Alberto Nuzman, exibiu os sintomas de Parkinson. Na abertura das Paralimpíadas usaram um pódio para reduzir o movimento involuntário de suas mãos. Alguém comentou isso? Não, preferimos olhar para o lado, indiferentes, ignorar, mudar de assunto. Desacostumadas a tratar de deficiência com naturalidade, no máximo as pessoas lamentam: “Você viu? Coitado…” Coitado nada, Parkinson ou não Parkinson, Nuzman é um realizador impressionante! Bola pra frente!

Saindo do armário.

Quando uma personalidade resolve falar sobre alguma condicão, as manchetes pululam: “Exclusivo”, fulano corajosamente “revela”! Esse sensacionalismo só contribui pra piorar o tabu. Não é de admirar a resistência em se expor. Há pessoas públicas que preferem preservar sua vida privada e devemos respeitar isso.

Recentemente, a cantora Olivia Byington lançou o livro “O que é que ele tem?”, em que conta a história do filho, João, que nasceu com a síndrome de Apert, há 30 anos. Nunca escondeu o fato, mas agora sentiu que era a hora de escrever sobre isso, com verdade, mostrando a vida como ela é. Em época de Paralimpíadas, a obra tem repercutido positivamente. Numa passagem do livro, a autora escreve “Coisas que acontecem, são da vida e provam que a gente não pode escolher tudo. Lutar contra, querer saber o que foi roubado de você é sinônimo de frustração. Não bota ninguém para a frente.”

Os primeiros abrirão as portas para os próximos, até que a deficiência e a doença sejam encaradas de forma natural, apenas como parte da diversidade humana. Pode acreditar que sair do armário deixa mais leve, além de contribuir para que seu entorno também se contamine pela verdade e pela solidariedade.

Robô realiza a primeira cirurgia intraocular para restaurar visão

Cirurgiões usaram pela primeira vez um robô em uma operação dentro de um globo ocular, para recuperar a visão de um paciente.

BBC/ Bart Van Overbeeke


Os médicos do Hospital John Radcliffe, em Oxford, na Inglaterra, esperam que o procedimento abra caminho para cirurgias oculares mais complexas do que atualmente é possível com as mãos humanas.

Cirurgias com robôs são frequentes, mas não haviam sido usadas em operações dentro do olho.

"Operar na região da parte de trás dos olhos requer muita precisão, e o desafio foi criar um sistema robótico que fizesse isso através de um orifício minúsculo na parede ocular sem causar danos enquanto se move", disse o professor Robert MacLaren, da Universidade de Oxford, que liderou a pesquisa.

A BBC teve acesso exclusivo ao procedimento.
O paciente, Bill Beaver, de 70 anos, disse que se sentiu em "um conto de fadas".

"Tenho tanta sorte de ser o primeiro a passar por isso", afirmou.

O robô

BBC


O robô cirúrgico Preceyes foi desenvolvido por uma empresa holandesa, braço da Universidade de Tecnologia Eindhoven.

O cirurgião usa um joystick e uma tela sensível para guiar uma agulha dentro do olho, enquanto monitora o progresso através de um microscópio.

O robô, que funciona como uma mão mecânica, tem sete motores e é capaz de eliminar os tremores comuns da mão de um cirurgião humano.

Grandes movimentos no joystick resultam em pequenos movimentos no robô, e quando o cirurgião solta o aparelho, o movimento é congelado.

O paciente

BBC


Bill Beaver era pároco oficial de uma comunidade na Inglaterra até ano passado. Em julho, um oftalmologista identificou uma membrana crescendo na parte de trás do seu olho direito. A pressão criou um furo na sua retina, algo que começou a prejudicar sua visão central.

"Quando seguro um livro, tudo o que vejo é um amontoado no centro, e minha visão naquele olho é restrita à parte mais periférica", disse ele antes da cirurgia, realizada no fim de agosto.

"Normalmente quando fazemos essa operação de forma manual, nós tocamos a retina e sempre há hemorragia. Mas, com o uso do robô a membrana foi retirada de forma limpa", disse MacLaren.

Como resultado, a visão central de Beaver foi restaurada.

Por conta de ma bolha de gás nos olhos, ele enxerga melhor de perto, mas a visão a uma distância normal vai voltar em alguns meses.

"A degeneração da minha visão foi assustadora e eu fiquei com medo de perdê-la completamente. O fato de a cirurgia ter acontecido sem percalços é realmente algo divino", disse Beaver.

Doze outros pacientes irão passar por procedimentos com o mesmo robô, em um teste financiado pelo Centro de Pesquisas Biomédicas NIHR Oxford.
Outra parte do financiamento vem da Zizoz, uma ONG holandesa que apoia de pacientes que sofrem de coroidermia - uma espécie de cegueira genética que deve ser o próximo alvo de tratamento com o robô.

Outro nível

Os testes são desenvolvidos como uma espécie de prova de conceito, ou seja, para estabelecer se o robô consegue fazer o que um cirurgião faz, porém com mais precisão.

Mas o objetivo principal é levar a cirurgia robótica a outro nível.

"Não há dúvidas de que presenciamos uma cirurgia ocular do futuro. Certamente podemos melhorar as operações atuais, mas esperamos que o robô nos permita realizar cirurgias ainda mais complexas, que são impossíveis com as mãos humanas", disse MacLaren.

Oxford é apenas um dos centros ao redor do mundo que estão testando a terapia genética na retina - um novo tratamento para evitar a cegueira.

Atualmente esse procedimento é feito à mão, mas intervenções futuras envolvendo injeções de células-tronco requerem que as células sejam infiltradas nos olhos lentamente. O robô pode permitir que os cirurgiões injetem as células na retina por um período de dez minutos, algo que não seria possível com as mãos.

A empresa holandesa responsável pelo desenvolvimento do robô acredita que a tecnologia poderá ser usada fora das salas de cirurgia.

"No futuro, vemos esse aparelho sendo usado como em um escritório, onde somente o robô encoste no olho e tudo seja automatizado, o que melhoraria a eficiência e reduziria os custos", disse Maarten Beelen, da Preceyes.

O sistema robótico é um protótipo e a empresa ainda não revelou o quanto ele custará.