domingo, 31 de dezembro de 2017

Estilista produz roupas sob medida para portadores de nanismo - Veja o vídeo

Conheça as irmãs com nanismo que montaram loja de miniaturas. A Atriz Juliana Caldas fala sobre participação na novela 'O Outro Lado do Paraíso'.

Marcelo Baccarini

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Além do preconceito, o portador de nanismo enfrenta outros problemas que poderiam ser resolvidos se mais empresários investissem nesse nicho de mercado.

Click AQUI para ver o vídeo.

A atriz Juliana Caldas conta que roupas são difíceis de encontrar. “A gente tem o tamanho da criança, mas a gente não tem o corpo da criança, então sempre que a gente compra uma calça, tem que adaptar o tamanho e a cintura”, conta Juliana.

A estilista e empresária Carina Casucelli investiu nesse mercado. Ela faz roupas sob medida para portadores de nanismo e já se prepara para abrir um e-commerce. Um desfile de modas com modelos portadoras de nanismo.

Na verdade ela começou com um projeto manifesto. "Quando eu era estudante de moda em 1998. Em 2011 me formei e meu trabalho de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) era para falar sobre a democracia dos corpos: entrava todas as mulheres, todos os tipos de beleza”.

A proposta é simples, Carina produz as roupas e faz um desfile com uma média de 130 modelos. Durante o evento, as clientes escolhem o modelo e ela faz sob medida. Carina vende, em média, dez peças de cada look e os preços variam: R$ 60, as saias com armações, e R$ 120 os vestidos. O faturamento ela não quis revelar.

Segundo especialistas, 400 é o número de tipos de nanismo no mundo. O resultado é que o mercado não se anima para produzir tantos modelos diferentes, e para quem tem nanismo, sobram duas opções: ou compra roupa de criança e se adapta ao estilo, ou manda fazer um modelo especifico, geralmente mais caro.

“A gente tem que cortar adaptar para gente porque a calça, a gente tem cintura de uma estatura normal, mas o tamanho não. Então não consigo comprar uma calça de criança”, conta Juliana.

Uma pessoa com nanismo tem entre 70 centímetros e 1,40 metro de altura, com muitas variações de cintura, pernas e braços. Em todo mundo há o registro de 250 mil portadores. A estilista Carina Casuscelli calcula que no Brasil sejam 20 mil. Parece pouco, mas é um mercado que pode e deve ser explorado.

"Se você trabalhar com peças mais fluidas, com amarrações especiais, em tecidos com elastano, é muito mais acessível", afirma a estilista.

Irmãs empreendedoras

Os portadores de nanisno são uma parcela significativa da sociedade que consome, empreende e que quer ser reconhecida também por seu talento, inclusive para empreender.

A atriz Juliana Caldas está dando um show na novela 'O Outro Lado do Paraíso', de Walcir Carrasco. E, por tabela, ela também mostra para o Brasil que portadores de nanismo merecem respeito.

“A visibilidade que a novela dá é uma visibilidade geral, eu acho, a gente está conseguindo ser visto pelo menos. As pessoas estão entendendo que existem pessoas com essa dificuldade”, diz a atriz.

O PEGN deste domingo (31) mostra duas portadoras de nanismo que são empreendedoras. A loja de Mila e Adriana Poci Cabral, parece uma casinha de bonecas, com 32 metros quadrados, que vende miniaturas. As donas fizeram do negócio um marketing de sucesso.

"A gente estava procurando um comércio, não tinha muita experiência no ramo, e pensamos, tem que ser alguma coisa com a qual a gente se identifique. Que é uma grande dica para quem está começando, uma coisa com qual você tenha intimidade. Aí miniaturas. Miniaturas que vendem miniaturas. Virou o charme da loja”, conta Mila Poci Cabral.

Elas investiram o equivalente hoje a R$ 20 mil, em mobiliário e estoque. Mas o desafio foi achar produtos. Elas foram para o exterior buscar fornecedores e inspiração.

Aos poucos, elas garimparam mais de 15 mil itens, entre eles: presentes, brinquedos, réplicas de moveis antigos e animais. São obras de arte pequenas e perfeitas. A maioria das miniaturas é importada. Os preços variam de R$ 5 a R$ 380. Em geral, os clientes compram para colecionar ou decorar a casa.

As empresárias vendem 250 peças por mês. Mas não revelam o faturamento.

ASINHA PEQUENINA
Shopping Eldorado – Av Rebouças, 3970 – 1º subsolo, loja 1015
São Paulo/SP – CEP: 05402-600
Telefone: (11) 38150515
Fanpage: www.facebook.com.br/casinhapequeninaminiaturas
Email: milapoci@ibest.com.br

ATRIZ JULIANA CALDAS
ASSESSORIA ESTAR COMUNICAÇÃO
Email: analuisa@estarcomunicacao.com.br
Telefone: (21) 98648-9998

NANY CASTING
Email: producao@nanycasting.com.br / producaonanycasting@gmail.com

A MODA ESTÁ EM BAIXA
E-mail: amodaembaixa@gmail.com

MINU US
Rua Normandia, 70 – Moema
São Paulo /SP – CEP: 04524-030
Telefone: (11) 3554-3056

Fonte: g1.globo.com

Carro com cadeirante bate em poste de energia e vítimas ficam presas às ferragens

Corpo de bombeiro foi acionado e teve de serrar o teto do carro para resgatar as vítimas.

Por Andrê Nascimento, G1 PI, Piauí TV 2º Edição

Bombeiros tiveram de serrar parte do veículo para resgatar vítimas. (Foto: Kleiton Martins/ TV Clube)
Bombeiros tiveram de serrar parte do veículo para resgatar vítimas. (Foto: Kleiton Martins/ TV Clube)

Um automóvel com quatro pessoas, entre elas um cadeirante, colidiu contra um poste de energia elétrica e ficou destruído com o impacto. As vítimas ficaram presas às ferragens, e precisaram da ajuda do Corpo de Bombeiros para sair do veículo.

O acidente ocorreu por volta de 17h20, na Avenida Barão de Gurgueia, no bairro Vermelha, zona Sul de Teresina. O motorista do automóvel perdeu o controle do veículo e colidiu violentamente contra um poste de energia.

O carro ficou bastante danificado e as vítimas presas às ferragens. Segundo o tenente Macedo, do Corpo de Bombeiros, a equipe de socorristas teve de cerrar o teto do carro para conseguir remover os ocupantes de dentro do veículo.

O tenente informou ainda que as vítimas foram levadas para o Hospital de Urgências de Teresina com escoriações pelo corpo e rosto. “Segundo o médico do SAMU, eles estavam com algumas lesões e escoriações”, disse o tenente.

Fonte: g1.globo.com

Amigos de rapaz que teve cadeira de rodas furtada fazem vaquinha

Objetivo é arrecadar R$ 1.500. Doações podem ser feitas pela internet

São Paulo Kaique Dalapola, do R7

Arquivo pessoal
Cabeleireiro teve cadeira de rodas furtada terça (26)
Cabeleireiro teve cadeira de rodas furtada terça (26)

Amigos do cabeleireiro Rafael Miranda Eugênio, 29 anos, organizaram uma campanha de arrecadação de dinheiro para comprar uma cadeira de rodas para o rapaz.

A que ele usava desde quando perdeu a perna em um acidente de carro, há 7 anos, em frente à casa onde mora, no Grajaú, zona sul de São Paulo.

“Agora acabou tudo para mim. Sem a cadeira não dá para fazer nada. Espero que ele tenha roubado para dar pra alguém que precise e não para vender”, diz o rapaz.

Rafael afirma que havia acabado de chegar de um passeio que tinha feito à praia e, como de costume, deixou a cadeira de rodas em frente à residência para conseguir mais comodidade dentro da casa pequena.

“Todo dia a gente deixa a cadeira do lado de fora porque a casa é pequena. Hoje meu pai foi comprar pão e voltou, ainda estava lá. Depois ele falou que sumiu, eu pensei que fosse brincadeira”, conta.

O cabeleleiro usa a cadeira de rodas desde quando se envolveu em um acidente de carro, na região do Varginha, também na zona sul, há sete anos.

Além de cortar cabelos em casa, o rapaz é atleta. Ele pratica vôlei sentando. Sem a cadeira de rodas, Rafael acredita que as duas atividades serão interrompidas.

                         Arquivo Pessoal
                             Rafael joga vôlei sentado
                         Rafael joga vôlei sentado
“Estava pensando em abrir um salão, mas não vou conseguir sem a cadeira. Não sei também como vou fazer para treinar agora”, diz Rafael.

O rapaz pediu ajuda de vizinhos para tentar localizar a cadeira de rodas. Alguns amigos saíram à procura, mas não tiveram sucesso. Sem conseguir sair de casa, Rafael espera que alguém a encontre e leve de volta para ele.

Segundo Rafael, desde quando começou a tentativa por nova cadeira de rodas, ainda na terça-feira, alguns amigos já foram na casa dele para ajudá-lo. O cabeleireiro precisa de R$ 1.500 para comprar uma nova.

“Vamos tentar de toda forma conseguir, o mais rápido possível, arrecadar o necessário”, disse uma das amigas de Rafael, que participa da organização da vaquinha online.

Desde que teve a cadeira de rodas furtada, o cabeleireiro afirma que não consegue desenvolver sua profissão e jogar vôlei, que é o esporte que pratica. Ele corta o cabelo dos clientes em casa, e está se organizando para abrir um salão próprio. "Minha vida parou. Sem a cadeira de rodas eu não consigo fazer minhas coisas."

Depois do apoio dos amigos, Rafael se reanimou com a expectativa de voltar a se locomover. “Ainda não estou com nenhuma cadeira, mas, devido às postagens e à mobilização, o pessoal já está se reunindo para poder comprar”.

Além da arrecadação online, amigos de Rafael criaram um grupo no WhatsApp para organizar as doações de quem quer ajudar e não consegue fazer a contribuição via internet.

Os amigos disponibilizam uma conta bancária ou a visita e entrega presencialmente, no Jardim Lucélia, bairro onde o cabeleireiro mora, na região do Grajaú.



Você sabe o que é a Doença de Stargardt ?

Imagem Internet/Ilustrativa
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O que é a doença de Stargardt?

Doença de Stargardt é a forma mais comum de degeneração macular juvenil congênita. A perda de visão progressiva associada à doença de Stargardt é causada pela morte de células fotorreceptoras na porção central da retina denominada mácula.

A retina é o tecido sensível à luz que reveste o fundo do olho. As células fotorreceptoras da retina são responsáveis por proporcionar a visão pela transmissão de informações para o cérebro. A mácula é responsável pela visão central de alta definição que nos permite realizar com clareza tarefas como ler, assistir televisão e identificar as expressões das pessoas.

A diminuição da visão central é uma característica da doença de Stargardt. A visão lateral é geralmente preservada. A doença de Stargardt normalmente se desenvolve durante a infância e adolescência. Também está envolvida na doença de Stargardt uma região abaixo da mácula chamado a epitélio pigmentado da retina.

Quais são os sintomas?

O sintoma que leva a maioria das pessoas a um oftalmologista é a alteração na visão central. Um médico, ao olhar para a retina de uma pessoa com doença de Stargardt verá manchas amareladas características sob a mácula. Estas manchas podem se estender para fora em forma de anel.

Estas manchas são depósitos de lipofuscina, um subproduto gorduroso da atividade celular normal. Na doença de Stargardt, a lipofuscina se acumula de forma anormal.

Também ocorre a diminuição na percepção das cores. Isto porque as células fotorreceptoras responsáveis pela percepção de cor estão concentradas na mácula.

A rapidez com que a visão desaparecer?

A progressão dos sintomas da doença de Stargardt é variável. A acuidade visual (a capacidade de distinguir detalhes e formas) pode diminuir lentamente no início, acelerar, e depois nivelar.

Um estudo de 95 indivíduos com doença de Stargardt mostrou que uma vez a acuidade visual de 20/40 é atingida, há muitas vezes rápida progressão da perda de visão adicional até que atinja 20/200. (A visão normal é 20/20. Uma pessoa com 20/40 vê a 20 metros o que alguém com visão normal vê a 40 metros). Aos 50 anos, cerca de 50% das pessoas envolvidas no estudo tinham acuidade visual de 20/200 ou pior.

Leia mais: http://apnendenovaodessa.blogspot.com.br/2018/01/para-aira-e-esight-por-usarem-vestiveis.html

Praticamente todos os pacientes com doença de Stargardt tem uma acuidade visual no intervalo de 20/200 a 20/400. A perda da visão não é corrigível com óculos de grau, lentes de contato ou cirurgia refrativa.

Existe tratamento disponível?

Os pesquisadores estão planejando o estudo clínico de um tratamento que prevê uma versão saudável do gene ABCA4 nas células da retina para restabelecer a produção da proteína normal. Eles também estão otimistas com vários medicamentos que podem desacelerar a perda de visão, reduzindo o acúmulo da lipofuscina.

Como há evidências de que a luz solar pode influenciar no acúmulo da lipofuscina na retina, geralmente é recomendado o uso de óculos bloqueadores dos raios UV. Para as pessoas que já têm perda visual significativa, já existem ferramentas de acessibilidade disponíveis.

Há algum doenças relacionadas?

A doença de Stargardt é também conhecido como distrofia macular de Stargardt ou flavimaculatus fundus. Além da doença de Stargardt recessiva, existem outras formas mais raras herdadas com traços dominantes ao invés de recessivos.

Fonte: retinabrasil.org.br - Imagem Internet/Ilustrativa

sábado, 30 de dezembro de 2017

14 anos após perder braço em ataque, jovem recebe indenização e abre barbearia

Em 2003, Flávio Cordeiro foi obrigado por grupo de skinheads a saltar de trem em movimento. Série do G1 mostra pessoas que alcançaram um sonho, superaram uma dificuldade ou mudaram de vida em 2017.

Por Jamile Santana, G1 Mogi das Cruzes e Suzano

Flávio Cordeiro, de Mogi das Cruzes, perdeu o braço após um ataque skinhead em 2003 (Foto: Jamile Santana/G1)
Flávio Cordeiro, de Mogi das Cruzes, perdeu o braço após um ataque skinhead em 2003 (Foto: Jamile Santana/G1)

Flávio Cordeiro, de 29 anos, demorou 14 anos para, finalmente, começar a respirar aliviado. Foi em 2017 que ele abriu a sua barbearia em Brás Cubas, distrito de Mogi das Cruzes, com parte da indenização que recebeu por ter sido obrigado a saltar de um trem em movimento por um grupo de skinheads em dezembro de 2003.

Na época com 14 anos, ele perdeu o braço direito e o amigo Cleiton da Silva Leite, de 20 anos, que também foi obrigado a pular do trem e morreu. Enquanto aguarda justiça – já que apenas um dos três condenados está preso – Flávio conta que está "em sua melhor fase".

Virei a página em 2017 é uma série de reportagens do G1 que vai contar histórias de pessoas que, como Flávio, alcançaram um sonho, superaram uma dificuldade ou mudaram de vida neste ano que termina.

Ano esperado

"2017 foi o ano que eu esperei por muito tempo. Apesar dos pesares, de uma forma ou de outra, a justiça começou a ser feita. Ainda tem dois dos três agressores soltos, mas estamos caminhando", disse Flávio.

Ele  abriu a barbearia em maio e, alguns meses depois, já fez sua primeira ampliação: alugou mais uma sala no andar de cima. Ele já pensa em transformar o negócio em franquia.

Com tema londrino, a barbearia resgata um ambiente predominantemente masculino: enquanto faz a barba ou corta os cabelos (com a boa e velha navalha), os clientes podem tomar uma cerveja, jogar vídeo game ou navegar na internet.

A decoração é rock'n roll e tem as cadeiras robustas e tradicionais das antigas barbearias. O objetivo é atender homens que não se sentem confortáveis em salões unissex.

Atualmente, a equipe tem cinco barbeiros. Na sala nova, no piso superior, ficam à disposição dos clientes duas cadeiras.

"Eu fiquei feliz em conseguir expandir e arcar com as obrigações em pleno ano de crise. Mas a gente trabalhou muito para chegar a esse resultado. Contei com a ajuda dos meus amigos, que são meus parceiros no negócio também. Agora é pensar em começar a franquiar a marca", disse.

Para Flávio, além do fato de ser um jovem empreendedor – com seu próprio negócio aos 29 anos de idade – a conquista também representa uma superação.

"Já fazem 14 anos desde o dia em que tudo aconteceu e vamos sempre seguindo em frente. Eu não sei te dizer se eu estaria melhor ou pior se nada daquilo tivesse acontecido. O que eu sei é que estou bem pra caramba agora e tenho orgulho do que conquistei", disse.

Antes de abrir a barbearia, Flávio trabalhou com logística.

Menos de um ano depois de abrir a barbearia, Flávio Cordeiro já fez a primeira expansão em Mogi das Cruzes (Foto: Jamile Santana/G1)
Menos de um ano depois de abrir a barbearia, Flávio Cordeiro já fez a primeira expansão em Mogi das Cruzes (Foto: Jamile Santana/G1)

O ataque

Em dezembro de 2003, Juliano Aparecido Freitas, o Dumbão, Vinícius Parizatto, o Capeta, e Danilo Gimenez Ramos teriam obrigado Flávio e Cleiton a pular de um trem em movimento.

Juliano foi condenado a 24 anos e 6 meses de reclusão, em maio de 2011, e preso em 2015. Vinícius, julgado em setembro de 2011, recebeu pena de 31 anos, 9 meses e 3 dias de reclusão. O último a ser julgado foi Danilo Gimenez Ramos, que foi condenado a 26 anos, oito meses e 25 dias.

Segundo os jovens, um grupo de garotos, tidos como skinheads, entrou no vagão. As vítimas usavam cabelos moicanos e camisetas de bandas punks.

De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público, os três acusados gritaram "ou pula ou morre" para Flávio e Cleiton. As agressões foram filmadas pelas câmeras de segurança da CPTM, que registraram o desespero das vítimas. Com medo de serem mortos, os jovens pularam do vagão em movimento.

Fonte: g1.globo.com

Cadeirante com dois mandados de prisão em aberto é detido em Cuiabá

Rogério Alves Albanês consumia maconha com duas mulheres quando foi preso. Para levá-lo até a delegacia, a PM solicitou apoio do Samu.

Por G1 MT

Rogério Alves Albanês foi levado de ambulância para a delegacia (Foto: PM/Divulgação)
Rogério Alves Albanês foi levado de ambulância para a delegacia (Foto: PM/Divulgação)

Um cadeirante com dois mandados de prisão em aberto foi preso pela Polícia Militar em Cuiabá nesta sexta-feira (29). Conhecido como Cadeirinha, Rogério Alves Albanês, consumia maconha com duas mulheres numa residência quando foi detido. Para levar o preso até a delegacia, a polícia precisou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O G1 tentou, mas não conseguiu localizar a defesa de Rogério.

A ocorrência foi registrada no Bairro Jardim Glória II. De acordo com a PM, a prisão ocorreu depois da denúncia feita por moradores que alguns usuários estavam numa casa usando entorpecentes exalando forte odor na região.

Durante a abordagem, os policiais localizaram o preso e duas mulheres no fundo da casa. Ao checar as identidades dos três descobriu-se que Rogério tinha dois mandados de prisão em aberto. No local, uma porção de substância análoga a maconha foi apreendida.

Para levar Rogério até a delegacia, os policiais solicitaram apoio do Samu, que usou uma ambulância para realizar o traslado.

Fonte: g1.globo.com

Após luta contra a leucemia, menina de 4 anos que mobilizou campanhas na internet morre no AC

Menina lutou quase quatro anos contra a doença e morreu nesta sexta-feira (29). 'Estou destruída', diz mãe.

Por Karolini Oliveira, G1 AC, Rio Branco

Débora Rauane morreu na madrugada desta sexta-feira (29) (Foto: Divulgação)
Débora Rauane morreu na madrugada desta sexta-feira (29) (Foto: Divulgação)

Após três anos e meio de luta contra a leucemia, a pequena Débora Rauane faleceu na manhã desta sexta-feira (29) no Hospital da Criança, onde estava internada havia quase um mês, em Rio Branco.

A menina teve baixa de plaquetas e deu entrada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital da Criança à 1h desta sexta, mas não resistiu e faleceu quatro horas depois.

A mãe acusa o Hemoacre de demorar com a liberação do sangue para a menina, que recebia plaquetas de 8h em 8h por causa da quimioterapia. O G1 tentou contato com o hemocentro, mas não obteve retorno.

A mãe da menina, Luiza Vasconcelos disse não acreditar ainda no que aconteceu e diz que a filha não recebeu sangue por causa de burocracias. "Estou destruída. Tenho nem o que falar. Não liberaram a plaqueta para a minha filha por causa de um papel. Isso não se faz", lamenta. A mãe disse ainda que a filha recebeu sangue pela última vez quando deu entrada na UTI e esperava nova entrega do hemocentro às 8h dessa sexta-feira.

Na segunda-feira (25), , a família e amigos da menina chegaram a fazer campanha pedindo doação de sangue no nome dela, que já apresentava quadro baixo de plaquetas. Débora tinha completado 4 anos há um mês, no dia 29 de novembro,  e recebeu festa de mães e funcionários do hospital onde estava internada.

Débora foi diagosticada com leucemia aos cinco meses de vida e a luta durou por mais de três anos  (Foto: Arquivo pessoal)
Débora foi diagosticada com leucemia aos cinco meses de vida e a luta durou por mais de três anos (Foto: Arquivo pessoal)

Débora Rauane foi diagnosticada com leucemia quando tinha cinco meses de vida. No início de setembro,  corredores de rua e ciclistas de Rio Branco fizeram uma corrida beneficente para arrecadar fundos para o tratamento da menina.



A mãe ainda quis buscar tratamento em Barretos (SP), mas voltou para Rio Branco. No Facebook, amigos que acompanhavam o caso da menina e faziam campanha para ajudá-la lamentam a morte dela.

Amigos que fizeram campanha para ajudar a pequena Débora Rauane lamentam a morte dela no Facebook (Foto: Reprodução Facebook)
Amigos que fizeram campanha para ajudar a pequena Débora Rauane lamentam a morte dela no Facebook (Foto: Reprodução Facebook)

Fonte: g1.globo.com

Estudantes de MS criam protótipo de boné para substituir bengala e ajudar deficientes visuais - Veja o vídeo.

O sistema equipado com sensores detecta obstáculos e emite um som ou uma vibração. O sinal fica mais forte quando o risco é maior.

Por Marcos Ribeiro, G1 MS

Professores: André Ximenes e Lauro Rosa ao lado do aluno Matheus Jara apresentam o protótipo (Foto: André Ximenes/Arquivo Pessoal)
Professores: André Ximenes e Lauro Rosa ao lado do aluno Matheus Jara apresentam o protótipo (Foto: André Ximenes/Arquivo Pessoal)

Para substituir as bengalas e facilitar a vida de deficientes visuais, três alunos da Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, em Campo Grande, criaram o protótipo de um boné inteligente. O acessório é capaz de identificar e alertar sobre obstáculos.

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O boné está em fase de testes, mas os resultados são bastante satisfatórios, garantem os orientadores. Os alunos tiveram a ideia em uma aula sobre robótica. Os professores ajudaram no desenvolvimento durante aulas práticas de física, matemática e programação.

O estudante Dalton Hian foi um dos deficientes visuais que testou o boné. Ele disse que ficou impressionado com o resultado.

“Fiquei feliz de ter participado do teste. Acho que vai ajudar bastante. Só precisa melhorar um pouco. A bateria é um pouco pesada e o boné vibra muito. Quando a gente anda por onde tem muito obstáculo dá um pouco de dor de cabeça. Agora, quando não vibra muito é bem legal, funciona mesmo”, disse o estudante.

Protótipo desenvolvido por aluno de escola pública de MS (Foto: André Ximenes/Arquivo Pessoal)
Protótipo desenvolvido por aluno de escola pública de MS (Foto: André Ximenes/Arquivo Pessoal)

O Protótipo

Batizado de Ultra Cap, o boné inteligente é equipado com sensores similares a aqueles usados nos carros para estacionar.

Quando o sistema calcula a proximidade com obstáculos como paredes, postes, pessoas, entre outros, ele emite um som ou uma vibração.

O sinal fica mais forte quando o risco é maior. O objetivo é garantir mobilidade com segurança, para que os deficientes visuais tenham mais autonomia.

O professor André Ximenes, um dos orientadores do projeto, afirma que o protótipo foi um dos destaques na Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, realizada na segunda quinzena de outubro, em Campo Grande.

A segunda versão está bem mais leve e precisa, segundo o professor. “Estou realizado como professor. Quando a gente entra para esta profissão, a gente pensa em fazer a diferença. Hoje estou fazendo a diferença com a orientação deste projeto. Estou muito feliz”, afirma o educador.

 Estudantes Luanna Lupifiere e Gabrielly Bueno desenvolvendo boné (Foto: André Ximenes/Arquivo Pessoal)
Estudantes Luanna Lupifiere e Gabrielly Bueno desenvolvendo boné (Foto: André Ximenes/Arquivo Pessoal)

Fonte: g1.globo.com - vídeo youtube

Nossa, tão nova pra ter artrite

Tão nova para ter artrite!


Por Priscila Torres*

Quem tem AR já ouviu isso uma centena de vezes, acompanhado pelas mais diversas caras de pena, dúvidas e até mesmo bullying.

Nas festas e reuniões familiares, isso é tão comum, que desde os primeiros meses após o diagnóstico é realmente complicado lidar com isso.

Entendam de uma vez por toda: 👉🏼A artrite reumatoide é uma doença democrática, ou seja, acomete homens e mulheres, de todas as etnias e idades, inclusive as crianças, na forma infantil da doença a “artrite idiopática juvenil” que pode se manifestar nos primeiros anos de vida, ou até a #AR que comumente se manifesta na idade adulta produtiva e reprodutiva ou na terceira idade, resumindo, #Artrite não é doença exclusiva do idoso.

Priscila Torres*
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

Campeã paraolímpica se interna para passar por processo de eutanásia.

Francois Nel/Getty Images
Marieke Vervoort conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Londres
Marieke Vervoort conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Londres

Do UOL, em São Paulo (SP)

Campeã olímpica do atletismo paraolímpico em Londres-2012 e medalhista nos Jogos do Rio de Janeiro, a belga Marieke Vervoort se internou em Bruxelas para passar pelo processo de eutanásia,assinado ainda em 2008. A ex-atleta concedeu entrevista ao jornal The Telegraph e voltou a apontar as "fortes dores" como a justificativa para se submeter ao procedimento.

"Não quero sofrer mais, isso é muito difícil para mim. A cada dia me deprimo mais e mais. Nunca tive esses sentimentos, mas não posso mais com isso.Nunca experimentei estes sentimentos, estou chorando muito", relatou a atleta, que se encontra internada no Hospital Universitário de Bruxelas.

Vervoort sofre de uma tetraplegia progressível incurável desde os 14 anos. O avanço da doença fez a atleta ainda em 2009 manifestar o desejo de passar pela morte assistida.Ainda não há uma data para a campeã olímpica receber a injeção letal.

Desde criança, a atleta paraolímpica sofre desmaios ao longo do dia e dores nas pernas que precisam ser amenizadas com altas doses de medicamentos. Com o passar dos anos, contudo, a saúde da belga se agravou.

Desde agosto, Vervoort passou a sofrer com frequentes espasmos e recebeu a recomendação do seu neurológico para marcar a data da eutanásia. A belga ainda perdeu parte da visão e sofre de insônia – a três vezes medalhista olímpica não consegue dormir mais de quatro horas consecutivas.

Lei institui Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

A lei tem origem no Projeto de Lei da Câmara (PLC) 185/2015, aprovado no Senado em sessão do dia 12 de dezembro.

Foto de bancadas do Senado Federal vistas de cima. O chão é azul e as bancadas de madeira. Há grupos de pessoas caminhando e conversando por entre elas.


O presidente Michel Temer sancionou na quarta-feira (27) a Lei 13.585/2017 , que institui a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que será entre os dias 21 e 28 de agosto de cada ano. O objetivo é promover nesse período ações de inclusão social e de combate ao preconceito e à discriminação contra as pessoas com deficiência.

A lei tem origem no Projeto de Lei da Câmara (PLC) 185/2015, aprovado no Senado no dia 12 de dezembro. O projeto, proposto pelo deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), formaliza uma data que já vem sendo celebrada por entidades e associações há décadas.

A semana também tem a função de sensibilizar governos e comunidades em relação às potencialidades das pessoas com deficiência e chamar a atenção para suas necessidades, tanto para a definição de políticas públicas quanto para o combate ao preconceito.

Fonte: Senado Federal - vidamaislivre.com.br

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Eles não podem mover as pernas mas se tornaram a sensação dos salões de dança!

Em países como o Canadá, a dança de salão sobreviveu como uma tradição cultural de sua herança colonial. Anualmente, são organizados concursos de dança como o Vancouver Challenge Cpu que embora tenha uma relevância relativamente pequena, consegue captar a imaginação de muitas pessoas.

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Não é para menos, afinal depois de todos os vestidos, a parafernália, o ambiente solene eles são capazes de impressionar qualquer um, apesar do anacronismo que implica em se reunir para dançar valsa. No entanto, nos últimos tempos foi introduzida uma moda que revitalizou esse costume quase obsoleto.

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Trata-se da habilitação para participação que pessoas com deficiências físicas conseguiram. E agora, os salões de dança são locais de reunião e sossego também para homens e mulheres em cadeiras de rodas. As imagens são muito comoventes e é muito inspirador ver como a dança é capaz de romper os limites que os nossos corpos nos colocaram.

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Fonte: perfeito.guru

App permite o uso de tablets e smartphones sem toque

Ferramenta é voltada a pessoas com deficiência física

(foto divulgação)
Aplicativo Open Sesame ajuda pessoas com deficiência (Foto: Divulgação)
Aplicativo OPEN SESAME ajuda pessoas com deficiência

Um sistema criado para permitir o controle de jogos de videogame por meio de movimentos da cabeça ou comandos de voz está possibilitando que usuários com deficiência física utilizem smartphones e tablets de forma autônoma.

O aplicativo Open Sesame (ou Abre-te Sésamo), criado em Israel pelo empreendedor Oded Ben Dov, da empresa Sesame Enable, ganhou esse novo papel por acaso. Certo dia, após o empresário aparecer em um programa local de televisão falando sobre essa nova tecnologia para o mercado de videogames, um telespectador entrou em contato com ele com uma sugestão. “Não posso mexer meus braços e pernas. Você poderia desenvolver um smartphone que eu tenha condições de utilizar?”

O pedido era de Giora Livne, que é hoje vice-presidente de acessibilidade da Sesame Enable. E dali nasceu a ideia da adaptação do aplicativo para esse público. O Open Sesame atenderá a um expressivo mercado mundial de pessoas que sofrem de doenças paralisantes ou degenerativas, como Parkinson e esclerose múltipla.

O governo de Maryland, nos Estados Unidos, foi o primeiro a aprovar essa tecnologia durante uma missão de negócios em Israel, em 2016. O Programa de Telecomunicações Acessíveis do Estado realizou uma parceria com a Sesame Enable – que em novembro mudou suas instalações de Israel para Bethesda (em Maryland) – e está investindo em tablets de baixo custo que serão distribuídos à população de baixa renda que sofre com deficiências físicas.

Aproximadamente 1,7% da população norte-americana — cerca de 5,4 milhões de pessoas — vive com algum tipo de paralisia, de acordo com a Fundação Reeves. “A falta de conexões sociais é um grande problema para pessoas com deficiências físicas, e o aplicativo permitirá a eles integrarem-se à sociedade e não mais permanecerem isolados em casa”, afirmou Henry S. York, diretor da divisão de reabilitação e ortopedia da Universidade de Maryland.

O Open Sesame pode ser baixado em smartphones e tablet com a versão Android 7.0 por cerca de US$ 20 ou adquirido em conjunto com o dispositivo físico, a partir de US$ 1.095.

(foto divulgação)
Aplicativo Open Sesame ajuda pessoas com deficiência (Foto: Divulgação)
O governo de Maryland, nos Estados Unidos. foi o primeiro a aprovar a tecnologia

Discriminar pessoas com deficiência é crime

Foto: DINO

A sociedade tão apegada a estereótipos e padrões caminha a passos lentos no que se refere a equidade e inclusão das pessoas com deficiência. Mesmo que a causa seja apoiada por leis, tornam-se comuns os desafios que esta parte da nossa população enfrenta diariamente. Conforme o último censo do IBGE realizado em 2010, aproximadamente 45 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, o que corresponde a 24% da população.

Diariamente as pessoas com deficiência precisam transpor muitas barreiras e frequentemente são discriminadas por terem seus direitos desrespeitados no convívio em sociedade. Acessibilidade física, como rampas e elevadores, torna ambientes favoráveis para locomoção de pessoas com mobilidade reduzida. Acessibilidade tecnológica permite que pessoas com baixa visão ou cegas utilizem celulares e computadores com ajuda de softwares. Já na educação, os alunos com deficiência auditiva podem precisar de intérpretes de LIBRAS para quebra de barreira comunicacional.

Além da exclusão resultante das barreiras já citadas, a falta de cultura inclusiva, ou seja, barreiras atitudinais, expõe a população com deficiência às situações de constrangimento, decorrentes do despreparo da sociedade para se relacionar com as diferenças, limitações e possibilidades das pessoas com deficiências.

40% dos profissionais com deficiência que buscam oportunidades de emprego no site Vagas.com já sofreram discriminação no ambiente de trabalho, segundo pesquisa realizada pelo site em parceria com a consultoria Talento Incluir, em 2016 com a participação de 4.319 respondentes com deficiência.

De acordo com o relato da profissional com baixa visão, Herlândia Suster, a pior barreira, certamente, é o preconceito atitudinal. "Trabalhei em uma empresa do segmento financeiro onde todas as minhas necessidades de acessibilidade tecnológica foram atendidas, como por exemplos software de aumento de tela e uma iluminação adequada à minha deficiência, em meu posto de trabalho. 

Pensei que a empresa estava preocupada e engajada para que minha inclusão acontecesse de fato, porém, a gestão estava totalmente despreparada no que diz respeito a relação humana, o que causou dificuldade para o meu relacionamento com a equipe. Eu era resumida como a deficiente visual da área, duvidavam da minha capacidade. Eu ocupava uma posição de Analista, porém, minhas atividades eram de baixíssima complexidade, não era convocada para as reuniões de equipe e a avaliação do meu desempenho era realizada sem dedicação para cumprir formalidades".

Na situação de discriminação vivida pela Herlândia, a acessibilidade tecnológica foi atendida, mas não foi suficiente para que ela tivesse sido plenamente respeitada no ambiente de trabalho. Para conviver precisamos respeitar. Como podemos respeitar situações e condições que não conhecemos? Informação é o caminho para diminuir a distância entre as pessoas com deficiência e a sociedade. Segundo Carolina Ignarra, sócia-fundadora da Talento Incluir: "o preconceito é um comportamento inconsciente e inevitável que todos os seres humanos levam 1/20 de segundos para formar. Falar sobre diferenças recheia de possibilidades o mindset coletivo e torna o pré-julgamento mais aberto e livre de paradigmas".

Discriminação, que é diferente de preconceito, também pode derivar da falta de informação, mas é um comportamento negativo, formado por um baixo nível de inteligência emocional, principalmente pela dificuldade de se colocar no lugar do outro, ou seja, ser empático. Para favorecer a igualdade das pessoas com deficiência na sociedade, atualmente discriminação é entendida como crime, previsto no ART.88 da Lei 13.146/15 (LBI - Lei Brasileira de Inclusão).

Incluir é uma ação consciente, que começa com o reconhecimento dos rótulos que nos fazem julgar equivocadamente as diferenças, evitando preconceito e discriminação. A disponibilidade e o interesse em buscar informações são atitudes que concretizam a inclusão.

Os destaques Paralímpicos de 2017

andrewparsons presidenteipc 08setembro2017 blogvencerlimites Os destaques Paralímpicos de 2017

Jornalista, carioca de 10 de Fevereiro de 1977, assessor de imprensa do Comitê Paralímpico do Brasil entre 1997 e 2009, seu presidente até os Jogos do Rio/2016, eleito em Setembro de 2017 como o presidente do CPI, Comitê Paralímpico Internacional, o discreto mas ultraeficiente Andrew Parsons bem merecia que eu o escolhesse como o Personagem do Ano na integralidade do universo de todos os cartolas do País. Trata-se, afinal, de um modelo invejável de Dirigente do Bem. De todo modo, e sem me afastar do mesmo cenário, optei por escolher dois atletas como os principais destaques dos Esportes Paralímpicos de 2017 no País.

 Os destaques Paralímpicos de 2017

Ambos fulguraram no recente Mundial de Natação que se realizou, de 2 a 7 de Dezembro, na Cidade do México. Com 17 competidores de 16 Estados diferentes, o Brasil arrebatou 18 medalhas de ouro, 9 de prata e 9 de bronze, a quarta melhor performance em um total de 39 nações, atrás apenas de China, Estados Unidos e Itália. André Brasil abiscoitou 9 (8 de ouro e 1 de prata). E Daniel Dias conquistou mais 6, absolutamente todas de ouro.

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Carioca, hoje nos 33 de idade, André tinha dois meses quando a reação a uma vacina, que deveria imunizá-lo, ao contrário, desafortunadamente, lhe causou uma poliomielite e o deixou com sequelas na perna canhota. Até os oito de idade passou por sete cirurgias e daí aderiu à Natação. Casado, ele é Fisioterapeuta e tem um filho.

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De Campinas/SP, 29, Daniel nasceu com malformações congênitas nos dois braços e na perna direita. Jamais, no entanto, se acomodou às suas dificuldades. Casado, dois garotos, profissional da sua modalidade, ele já esteve em três edições dos Jogos Olímpicos: Pequim/08 (4 de ouro, 4 de prata, 1 de bronze), Londres/12 (6 de ouro) e Rio/16 (4 de ouro, 3 de prata e 2 de bronze). Soma 24, contra as 28 de Michael Phelps. Só que o norte-americano esteve em cinco edições. E Daniel sonha com Tóquio/2020.


Movimento político das pessoas com deficiência: reflexões sobre a conquista de direitos

Foto da Dra. Izabel Maior.
*Izabel Maria Madeira de Loureiro Maior

Equipe Inclusive

RESUMO

O artigo contextualiza a conquista de direitos e autonomia pelas pessoas com deficiência no Brasil ante os fatos históricos e mudanças conceituais da deficiência. São apresentados os principais marcos internacionais adotados pela ONU que influenciaram o surgimento do movimento político dos brasileiros com deficiência até a ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, com equivalência constitucional em 2009. Conceituam-se os modelos biomédico e social da deficiência, correspondentes à integração e à inclusão, os quais se diferenciam pela mudança de foco dos impedimentos individuais para a discriminação e a falta de acessibilidade impostas pela sociedade. Avalia-se a atuação direta das pessoas com deficiência na inserção de seus direitos na Constituição de 1988, referencial para a elaboração das leis, a implementação das políticas afirmativas, da educação inclusiva e dos recursos de acessibilidade e tecnologia assistiva. Avaliam-se autonomia, vida independente e apoios como princípios para a equiparação de oportunidades. Discutem-se as estratégias para implementar e fiscalizar o cumprimento da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, surgida com o propósito de adequar a legislação e as políticas públicas às obrigações contidas na Convenção da ONU. Conclui-se que novos avanços da luta por direitos dependem do fortalecimento das associações de pessoas com deficiência, promoção de lideranças, maior participação e autonomia para mulheres com deficiência, pessoas com deficiência intelectual, múltipla e transtorno do espectro autista, ainda sub-representadas nos espaços sociais.

As pessoas com deficiência representam 15% da população mundial, cerca de um bilhão de habitantes, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Relatório Mundial sobre a Deficiência, publicado em 2011. Trata-se da maior minoria do planeta que sobrevive em extrema desigualdade social, como analfabetismo, desemprego e baixa renda (SÃO PAULO, 2012). Essa realidade impacta os indicadores de desenvolvimento sustentável de forma negativa, razão suficiente para que o segmento social das pessoas com deficiência tenha seus direitos e necessidades específicas levadas na agenda política de todos os países.

No Brasil, o Censo IBGE 2010 aferiu que 23,9% da população, aproximadamente 45 milhões de pessoas, mencionaram apresentar alguma dificuldade funcional. Nesse total estão considerados todos os tipos e graus de deficiência de acordo com o desempenho nas atividades e domínios pesquisados: alguma dificuldade, grande dificuldade ou não ser capaz de caminhar e subir escadas, enxergar, ouvir ou apresentar deficiência mental/intelectual (IBGE, 2012).

De acordo com Carvalho, é importante notar que, ao contrário de outros grupos sociais visivelmente homogêneos e com necessidades compartilhadas, as pessoas com deficiência têm na própria diversidade uma de suas mais evidentes características (CARVALHO, 2012).

A presença de diferenças entre os seres humanos tem sido, por séculos, motivo de eliminação, exclusão e formas diversas de segregação das pessoas com deficiência, tomadas como risco à sociedade, como doentes e como incapazes. Em todas essas situações manifesta-se a opressão daqueles que detêm o poder sobre os indivíduos em situação de vulnerabilidade. Da invisibilidade à convivência social, houve longa trajetória representada pelas medidas caritativas e assistencialistas, que mantiveram as pessoas com deficiência isoladas nos espaços da família ou em instituições de confinamento (MAIOR, 2016).

A conquista de direitos pelas pessoas com deficiência é recente e pode ser dividida em duas fases distintas. Inicia-se pelo envolvimento e condução do processo pelas famílias e por profissionais dedicados ao atendimento e, posteriormente, pela participação direta das próprias pessoas com deficiência, apoiadas por familiares. Em ambos os momentos predomina a atuação das associações da sociedade civil que lutam por espaço para as pessoas com deficiência na agenda política. Da tutela à autonomia, o movimento social procura vencer a discriminação, a desvalorização e a falta de atenção por parte dos governos (MAIOR, 2015).

A história das pessoas com deficiência no Brasil do século XIX caracteriza-se pela educação especial de cegos e de surdos em internatos, repetindo o cenário europeu. Nessa época foi introduzido o sistema Braille de escrita para os cegos e, entre 1880 e 1960, os surdos foram proibidos de usar a língua de sinais para não comprometer o aprendizado compulsório da linguagem oral (LANNA JÚNIOR, 2010). Esse fato representa no Brasil a mais emblemática dominação da cultura hegemônica dos ouvintes sobre os surdos, impedidos de se desenvolverem em sua cultura natural.

No início do século XX estabeleceram-se as escolas especiais para crianças com deficiência mental (atualmente reconhecida como deficiência intelectual) em redes paralelas ao ensino público, devido à omissão do Estado. A educação especial representou um avanço para a época e foi introduzida principalmente por iniciativa das associações Pestalozzi (nome do criador do método) e, posteriormente, pelas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Os termos excepcionais e portadores de necessidades especiais eram usados e, embora anacrônicos e incorretos, persistem na sociedade, particularmente por serem repetidos pela mídia.

As pessoas com deficiência física (antes chamadas de deficientes físicos) eram atendidas na área da saúde, em centros de reabilitação mantidos por iniciativa não governamental.

Esses centros surgiram a partir da epidemia de poliomielite nos anos 1950 e 1960, quando foram adotadas formas de terapia desenvolvidas a partir da II Guerra Mundial. No âmbito governamental, mantiveram-se iniciativas assistencialistas divorciadas das políticas públicas existentes para a população em geral, sob o comando da Legião Brasileira de Assistência (LBA), até meados da década de 1990.

Esse tipo de atendimento corresponde ao modelo biomédico da deficiência, o qual interpreta a deficiência como consequência de uma doença ou acidente, que gera alguma incapacidade a ser superada mediante tratamento de reabilitação. O modelo está vinculado à integração social e aos esforços de normalização das pessoas com deficiência para atenderem aos padrões de desempenho e estética exigidos pela sociedade. O modelo tem como foco a limitação funcional que se encontra na pessoa, desconsiderando as barreiras presentes no contexto social.

O modelo (bio) médico da deficiência demonstra a resistência da sociedade em aceitar as mudanças em suas estruturas e atitudes (SASSAKI, 2003). As políticas públicas integracionistas destinadas às pessoas com deficiência são específicas, isoladas e habitualmente restritas à saúde, assistência social e educação especial em escolas segregadas. Na integração, as pessoas com deficiência são representadas pelos profissionais e familiares, sem voz e sem atuação direta nos assuntos referentes aos seus interesses.

A partir da consolidação dos estudos sobre a deficiência, na década de 1960 (DINIZ, 2009) cresceu o movimento de reivindicação de direitos e a luta das pessoas com deficiência para serem reconhecidas como protagonistas em suas vidas. Surgiu assim o modelo social da deficiência em contraposição ao modelo meramente biológico. O modelo social baseia-se nas condições de interação entre a sociedade e as pessoas com limitações funcionais. Acima de tudo, as pessoas com deficiência são sujeitos de direitos, com autonomia e independência para fazer suas escolhas, contando com os suportes sociais que se fizeram necessários (MAIOR, 2016).

O modelo social visa à transformação das condições existentes mediante políticas públicas inclusivas. Segundo Sassaki, no modelo social da deficiência cabe à sociedade eliminar todas as barreiras físicas, programáticas e atitudinais para que as pessoas possam ter acesso aos serviços, lugares, informações e bens necessários ao seu desenvolvimento pessoal, social, educacional e profissional (SASSAKI, 2003). Nesse modelo, as políticas universais contemplam as especificidades do segmento das pessoas com deficiência (BERMAN-BIELER, 2005).

Ao final dos anos 1970, no Brasil cresceu a consciência que resultaria no movimento político das pessoas com deficiência. Evidenciou-se o contraste entre instituições tradicionais para atendimento e associações de pessoas com deficiência (LANNA JÚNIOR, 2010), elevadas ao protagonismo e à emancipação. Entretanto, o cenário da integração-inclusão ainda persiste nos dias atuais.

A fase heróica do movimento das pessoas com deficiência coincide com a abertura política, quando reunidas em Brasília em 1980, as associações construíram a pauta comum de reivindicações de seus direitos. O 1° Encontro Nacional fez nascer o sentimento de pertencimento a um grupo com problemas coletivos e, portanto, as batalhas e as conquistas deveriam visar ao espaço público (SÃO PAULO, 2011). Segundo Figueira, “se até aqui a pessoa com deficiência caminhou em silêncio, excluída ou segregada em entidades, a partir de 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, promulgado pela ONU, passou a se organizar politicamente” (FIGUEIRA, 2008). Em depoimento, Sassaki conta que “pela primeira vez surgiu a palavra pessoa para conferir dignidade e identidade ao conjunto das pessoas deficientes” (LANNA JÚNIOR, 2010).

Na década de 1980, as conquistas mais importantes correspondem à atuação no processo constituinte, quando não se permitiu uma cidadania separada para as pessoas com deficiência e sim a inserção dos seus direitos nos diversos capítulos da Constituição de 1988, conforme desejo dos ativistas do movimento.

Cerca de 15 anos depois, o movimento culmina com a ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência pelo Brasil. A participação direta e efetiva dos indivíduos não foi fruto do acaso, mas decorre do paulatino fortalecimento deste grupo populacional, que passou a exigir direitos civis, políticos, sociais e econômicos (GARCIA, 2011).

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (BRASIL, 2009) propôs o conceito de deficiência que reconhece a experiência da opressão sofrida pelas pessoas com impedimentos. O novo conceito supera a ideia de impedimento como sinônimo de deficiência, reconhecendo na restrição de participação o fenômeno determinante para a identificação da desigualdade pela deficiência (DINIZ, 2009).

É importante ressaltar que a convenção adotada pela ONU em 2006 é resultado da mobilização internacional das pessoas com deficiências. No Brasil, o tratado foi incorporado à legislação com marco constitucional, segundo o Decreto 6.949/2009 e, como tal, seus comandados determinam a mudança conceitual da deficiência e da terminologia para pessoas com deficiência (BRASIL, 2009).

A deficiência é um conceito em evolução, de caráter multidimensional, e o envolvimento da pessoa com deficiência na vida comunitária depende de a sociedade assumir sua responsabilidade no processo de inclusão, visto que a deficiência é uma construção social. Esse novo conceito não se limita ao atributo biológico, pois se refere à interação entre a pessoa e as barreiras ou os elementos facilitadores existentes nas atitudes e na provisão de acessibilidade e de tecnologia assistiva como resultado das políticas públicas (MAIOR, 2016). Em outras palavras, o conceito de pessoa com deficiência presente na convenção supera as leis tradicionais que normalmente baseiam-se no aspecto clínico da deficiência. As limitações físicas, mentais, intelectuais ou sensoriais são consideradas atributos das pessoas, que podem ou não gerar restrições para o exercício dos direitos, dependendo das barreiras sociais e culturais que impeçam a participação dos cidadãos com tais limitações (FONSECA, 2007).

A mesma pessoa com limitação funcional encontrará condições para realizar atividades e participar na comunidade na proporção direta dos apoios sociais existentes. Isso significa dizer que o meio é responsável pela deficiência imposta às pessoas. Entende-se, portanto, que deficiência é uma questão coletiva e da esfera pública, sendo obrigação dos países proverem todas as questões que efetivamente garantam o exercício dos direitos humanos. Por exemplo, na concepção de novos espaços, políticas, programas, produtos e serviços, o desenho deve ser sempre universal e inclusivo, para que não mais se construam obstáculos que impeçam a participação das pessoas com deficiência (LOPES, 2014).

No âmbito federal, foi criada em 1986 a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), responsável pela Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e, em 1999, surgiu o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade). A partir de 2006 foram realizadas as Conferências dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que reúnem ativistas, técnicos e familiares envolvidos com inclusão social.

A noção de diversidade humana, igualdade de direitos e respeito às diferenças caracterizam o paradigma dos direitos humanos, modelo que assegura, às pessoas com deficiência, dignidade, autonomia e direito de fazer suas escolhas. A nova percepção motivou a mudança da Corde para a Secretaria dos Direitos Humanos em 1995. Em 2009 a coordenadoria deu lugar à Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, mantida na estrutura do Ministério dos Direitos Humanos em 2017. Cabe à secretaria propor e avaliar as leis e decretos, articular as políticas setoriais, implementar a agenda de inclusão e dar apoio aos entes federados e organizações não governamentais.

O conjunto das leis brasileiras destinadas aos direitos das pessoas com deficiência é reconhecido como um dos mais abrangentes do mundo. Antes da Constituição Federal de 1988 não havia normas sobre as pessoas com deficiência, à exceção de regulamentos da Educação Especial e da Legião Brasileira de Assistência (LBA).

Os direitos gerais e específicos do segmento encontram-se distribuídos em vários artigos constitucionais. A política de inclusão, a acessibilidade, as garantias para surdos, cegos e pessoas com baixa visão têm leis próprias. Outra parte importante dos direitos está inserida, de forma transversal, na legislação geral da saúde, educação, trabalho, proteção social, cultura, esporte, etc. As leis mais recentes apresentam o recorte referente à pessoa com deficiência, como, por exemplo, nos programas habitacionais públicos e na política de mobilidade urbana com acessibilidade (MAIOR, 2015).

A primeira lei federal abrangente sobre as pessoas com deficiência é a Lei 7.853/1989 (regulamentada pelo Decreto 3.298/1999). A lei dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde) e institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público e define crimes.

A acessibilidade é tratada nas Leis 10.048 e 10.098/2000 e no Decreto 5296/2004, que regulamentam a prioridade de atendimento às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida (idosos, gestantes) e estabelece normas para a promoção da acessibilidade. Esse decreto é o mais conhecido entre as pessoas com deficiência porque disciplina as condições que impactam sua vida cotidiana. O decreto trata da acessibilidade amplamente: acesso aos espaços públicos e edificações, moradias, bens culturais imóveis, todos os modais de transportes coletivos e terminais de embarque e desembarque.

Da mesma forma, a legislação assegura a acessibilidade na comunicação e informação, telefonia fixa e móvel, legendas, janela com intérprete de Libras, audiodescrição de imagens para cegos na televisão, no cinema, no teatro, em campanhas publicitárias e políticas; sites acessíveis e tecnologia assistiva (equipamentos que conferem autonomia, desde talher adaptado à embreagem manual de carro ou o programa computacional de leitura da tela para cegos.

A Lei 10.436/2002 é específica para a pessoa surda e tornou oficial a Língua Brasileira de Sinais (Libras), mantido o português escrito como segunda língua. É obrigatória a capacitação dos agentes públicos em Libras. O Decreto 5626/2005 define a educação bilíngue, a formação de tradutores e guias-intérpretes de Libras, cuja profissão foi regulamentada pela Lei 12.319/2010, permitindo concursos públicos e contratação desses profissionais. As pessoas cegas ou com baixa visão, após a Lei 11.126/2005 e o Decreto 5904/2006, podem ingressar e permanecer com o cão-guia em ambientes e transportes coletivos, em lugar preferencial demarcado.

A política afirmativa mais importante para as pessoas com deficiência é o acesso ao mercado de trabalho. A Lei 8.112/1990 determinou a reserva de cargos nos concursos públicos e a Lei 8.213/1991 estabeleceu a reserva de 2 a 5% dos cargos nas empresas com 100 ou mais empregados, para beneficiários reabilitados e pessoas com deficiência capacitadas profissionalmente. Apesar da fiscalização, de ações de esclarecimento e a aplicação de multas, ainda há grande resistência dos empresários em contratar trabalhadores com deficiência, por discriminação e por se recusarem a tornar os ambientes de trabalho acessíveis. Algumas sentenças judiciais aceitam as justificativas dos empresários e perpetuam a injusta exclusão das pessoas com deficiência.

O direito à educação especial está assegurado na Lei 9.394/1996, referente às bases da educação nacional, e prevê o atendimento educacional especializado, com recursos pedagógicos específicos para cada aluno com deficiência. Em 2007, o MEC editou a Política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva, obedecendo à Convenção da ONU: sistema de ensino inclusivo, com aula na classe comum e atendimento educacional especializado em turno oposto, para garantir a inclusão com qualidade. São exigidas: sala de recursos multifuncionais, instalações, mobiliário e transporte escolar acessíveis, formação de professores para o atendimento de alunos surdos na educação bilíngue e para o ensino do sistema Braille aos alunos cegos ou com baixa visão, além de material didático acessível (MAIOR, 2015).

Apesar do avanço de escolarização das pessoas com deficiência nas escolas regulares inclusivas, persiste a defesa das escolas especiais principalmente para alunos com deficiência intelectual e múltipla, pois parte da sociedade ainda considera o antigo modelo de atendimento mais adequado e usa sua força política para persistir segregada.

A partir da recente Lei 13.409/2016, tornou-se obrigatória a reserva de vagas para o ingresso de alunos com deficiência nas escolas técnicas e nas instituições de ensino superior federais. Espera-se que essa medida reverta a insuficiente participação de estudantes com deficiência e promova a cultura inclusiva nos nichos de formação profissional e acadêmica.

A Lei 8.742/1993 estabeleceu o atendimento da pessoa com deficiência em diversos tipos de serviços da assistência social, tais como residências inclusivas, modelo de moradia com apoios para a autonomia e a vida independente na comunidade.

A lei também define a concessão do benefício de prestação continuada (BPC), no valor de um salário mínimo mensal, destinado ao enfretamento da situação de extrema pobreza de vida de muitas pessoas com deficiência.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, homologada em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU), é o mais recente tratado internacional de direitos humanos e foi o primeiro a contar com a voz dos movimentos sociais na fase de elaboração (PAULA, 2008). Sob o lema Nada sobre nós, sem nós, o documento apresenta o conjunto de medidas a serem cumpridas pela sociedade e pelos governos, com igual responsabilidade, visando à justiça social advinda da equiparação de oportunidades.

No Brasil, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi ratificada com base no § 3º do artigo 5º da Constituição, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, passando a marco constitucional. O Decreto Legislativo 186/2008 (BRASIL, 2008) ratificou-a e o Decreto 6.949/2009 promulgou a Convenção para efeitos internos (BRASIL, 2009).

É a única convenção com status constitucional. São princípios da convenção: a autonomia, a liberdade de fazer as próprias escolhas, a não-discriminação, a participação e inclusão, o respeito pelas diferenças e a pessoa com deficiência como parte da diversidade humana, a igualdade de oportunidades, a acessibilidade, a igualdade de gênero e o respeito pelo desenvolvimento das capacidades das crianças com deficiência.

A convenção estabelece a acessibilidade como princípio e como direito básico para a garantia de todo e qualquer direito humano (BEZERRA, 2014). O descumprimento da acessibilidade equivale à discriminação com base na deficiência. Não existe liberdade de expressão sem as tecnologias de informação e comunicação acessíveis, tal como não se realiza o acesso ao trabalho sem respeito pela diferença, transporte e acomodações acessíveis.

Devido à força constitucional, a convenção condiciona todas as leis, decretos e outras normas atinentes às pessoas com deficiência, assim como aumentaram as obrigações do Estado, em todas as esferas de governo, do segundo e terceiro setores, com ativa participação da pessoa com deficiência e das famílias (MAIOR e MEIRELLES, 2010).

Tão importante quanto a convenção é o seu Protocolo Facultativo, pois se não forem suficientes as instâncias nacionais, o Comitê da Convenção atuará no monitoramento e na apuração de denúncias de violações dos direitos humanos, individuais e coletivos, oriundos dos países signatários do documento opcional (PAULA e MAIOR, 2008).

Destaca-se o artigo 1 da convenção, o qual reflete a adoção do modelo social da deficiência:

Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Em 2015 foi sancionada a Lei 13.146, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, com a proposta de alterar e complementar a legislação aos comandos da Convenção da ONU.

A ênfase no direito à acessibilidade, a garantia da educação inclusiva, a concessão de tecnologia assistiva no âmbito da reabilitação e da educação, a avaliação biopsicossocial da deficiência, o cadastro-inclusão e o auxílio inclusão para estimular a entrada no mercado de trabalho pelos beneficiários do BPC são os passos a serem conquistados. Também a aplicação do reconhecimento igual perante a lei representa um avanço legal ao determinar a alteração das medidas de interdição existentes no Código Civil e a introduzir a tomada de decisão apoiada para preservar a autonomia das pessoas com deficiência intelectual e mental, principalmente.

Sabendo que a sociedade brasileira ainda não reconhece a violência praticada contra as pessoas com deficiência, para corrigir esse quadro, a Lei 13.146/2015 dá ênfase ao enfrentamento da discriminação de gênero e de outras maneiras da praticar exploração, violência e abuso contra as pessoas com deficiência. O quadro requer medidas que apurem, impeçam, resgatem e apóiem as vítimas e os agressores, especialmente quando são membros da família ou cuidadores sem preparo emocional para a responsabilidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O movimento político das pessoas com deficiência no Brasil investe no processo de mudança cultural há cerca de quatro décadas e alcançou resultados expressivos de cidadania, partindo-se da tutela para o alcance da autonomia, ao lado da elaboração de arranjos sociais que lhes permitam exercer seus direitos em um contexto cada vez mais próximo à vida independente.

Esse caminho foi pavimentado com demandas das organizações da sociedade civil capazes de fomentar a criação de leis, das políticas e de órgãos governamentais incumbidos da promoção e defesa dos direitos humanos desse segmento.

Com a adoção dos conselhos e das conferências de direitos das pessoas com deficiência, a fiscalização das políticas públicas de inclusão passou a outro patamar, todavia não pode prescindir da força intrínseca das associações de luta com capacidade de expor suas ideias e discordar de medidas governamentais prejudiciais aos seus direitos. A liberdade de expressão do movimento da sociedade civil é indispensável para a manutenção das conquistas alcançadas. Percebe-se que a mobilização permanente das pessoas com deficiência serve de base para existirem medidas de equiparação de oportunidades implementadas pelos governos e pela própria sociedade. Embora as pessoas com deficiência cada vez mais ocupem espaços públicos, como a escola, a fábrica, os palcos, as instituições culturais, os pódios paralímpicos e estejam em cargos privados e governamentais, há uma sub-representação das mulheres com deficiência e das pessoas com deficiência intelectual, múltipla e transtorno do espectro autista entre aquelas que estão incluídas. Essa situação acontece por discriminação, falta de oportunidades e de apoios requeridos para sua autonomia e liberdade de fazer as próprias escolhas. Os novos rumos do movimento das pessoas com deficiência precisarão considerar as diferenças existentes internamente e investir na capacitação de lideranças alinhadas com o paradigma dos direitos humanos iguais para todos.

REFERÊNCIAS


BERMAN-BIELER, R. Desenvolvimento Inclusivo: uma abordagem universal da deficiência, equipe deficiência e desenvolvimento inclusivo da região da América Latina e Caribe do Banco Mundial, 2005. Disponível em: . Acesso em: 26 jan. 2015.

BEZERRA, R. M. N. Artigo 9. Acessibilidade. In: DIAS, JOELSON et al. (Orgs.). Novos comentários à convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Secretaria de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2014.

BRASIL. Decreto Nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Disponível em: . Acesso em: 22 jan. 2015.

BRASIL. Lei 13.146 de 6 de julho , de 2017. Disponível em: . Acesso em: 12 ago. 2017.

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*Izabel Maria Madeira de Loureiro Maior 

Mestre em Medicina Física e Reabilitação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora aposentada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Membro do Fórum UFRJ Acessível e Inclusiva – Rio de Janeiro, RJ – Brasil. Conselheira municipal e estadual dos direitos da pessoa com deficiência no Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, RJ – Brasil.

http://lattes.cnpq.br/7691713950451253

E-mail: izabelmaior@hotmail.com

Submetido em: 30/07/2017. Aprovado em: 10/09/2017. Publicado em: 03/12/2017.

Fonte: http://revista.ibict.br/inclusao/article/view/4029